O Google anunciou nesta quarta-feira (03) o novo modelo de inteligência artificial Gemma 4 12B. Ele foi lançado para executar tarefas de agentes multimodais diretamente em notebooks. A tecnologia processa áudio e visão sem a necessidade de depender de hardware em nuvem.
Segundo o comunicado oficial de lançamento, a família de modelos Gemma ultrapassou a marca de 150 milhões de downloads. O novo integrante de tamanho médio preenche a lacuna entre as versões E4B e 26B.
A novidade opera localmente em computadores equipados com apenas 16GB de VRAM ou memória unificada. Trata-se do primeiro modelo intermediário da linha a trazer suporte nativo para entradas de áudio.
Today we’re introducing Gemma 4 12B — our latest open model that brings advanced agentic reasoning, vision and audio directly to your laptop.
It delivers performance nearing our larger Gemma models with a much smaller total memory footprint, while being small enough to run… pic.twitter.com/M5xw74tEAW
O sistema elimina os codificadores multimodais separados, comumente usados para traduzir imagens e sons. Os dados visuais e sonoros fluem diretamente para o núcleo do modelo de linguagem.
Sistemas tradicionais utilizam componentes divididos que aumentam o consumo de memória e a latência. Para mitigar o problema, o Gemma 4 12B foi treinado com uma estrutura nativa e simplificada.
O processamento de visão utiliza um módulo leve de incorporação baseado em uma matriz única de multiplicação. O sinal de áudio bruto é projetado diretamente no mesmo espaço dimensional dos tokens de texto.
Desempenho próximo a modelos maiores
Nos testes de referência de eficiência, a versão de 12 bilhões de parâmetros alcançou resultados próximos ao modelo 26B MoE. O consumo total de memória, contudo, caiu para menos da metade.
Gemma 4 12B benchmark – Google / Divulgação
Essa otimização viabiliza fluxos de trabalho complexos e o funcionamento de agentes autônomos em hardware convencional. O modelo também inclui preditores de múltiplos tokens para reduzir o tempo de resposta.
O ecossistema foi disponibilizado publicamente sob os termos da licença de código aberto Apache 2.0. Desenvolvedores podem acessar o código para criar automações locais e ferramentas personalizadas de segurança.
A corrida da inteligência artificial ganhou um novo foco, e ele está longe dos próprios chips. Autoridades e empresas dos EUA passaram a olhar com mais atenção para as placas de circuito impresso usadas em sistemas de IA, explica a CNBC.
Essenciais para o funcionamento de praticamente qualquer eletrônico moderno, essas placas agora são vistas como um possível risco à segurança nacional. O receio é que componentes maliciosos sejam inseridos discretamente durante a fabricação.
Dependência da China em peças essenciais da IA acende alerta de segurança nos EUA. Imagem: Pla2na/Shutterstock – Imagem: Pla2na/Shutterstock
O elo silencioso da inteligência artificial
Quando se fala em IA, quase toda a atenção vai para GPUs, data centers e empresas como Nvidia. Só que existe uma peça menos lembrada — e indispensável — nessa engrenagem: as placas de circuito impresso, conhecidas como PCIs.
Elas funcionam como a base que conecta os chips e permite a troca de sinais entre os componentes. Sem isso, simplesmente nada opera.
“Os chips não flutuam”, resumiu Cathie Gridley, vice-presidente executiva da TTM, em entrevista à CNBC. “Eles precisam ser montados em uma placa para que todo o conjunto funcione corretamente.”
Só que existe um detalhe que preocupa Washington: boa parte dessa produção hoje está concentrada na China. Segundo a Associação de Placas de Circuito Impresso da América (PCBAA), os EUA já responderam por cerca de 30% da produção global. Atualmente, o índice caiu para apenas 4%.
David Schild, diretor executivo da entidade, classificou o cenário como uma “dependência arriscada”.
Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA. Imagem: Mijansk786 / Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock
Risco vai além da espionagem
A preocupação americana não envolve apenas a disputa comercial entre as duas potências. O Departamento de Defesa teme que placas comprometidas possam abrir espaço para sabotagens em equipamentos estratégicos.
Chips, substratos e placas de circuito impresso representam múltiplas vias de ataque para um potencial agente malicioso.
Mike Cadenazzi, secretário adjunto de guerra dos EUA para política de base industrial, à CNBC.
Segundo ele, um ataque desse tipo poderia até afetar armas em operação. “Um código específico é ativado e, de repente, a placa de circuito impresso, em combinação com o chip, decide interromper a orientação da munição”, explicou.
Especialistas alertam que as PCBs são vulneráveis justamente porque componentes podem ser escondidos em diferentes camadas da estrutura sem chamar atenção.
Entre as principais preocupações do setor estão:
inserção de componentes maliciosos;
desvio de dados sensíveis;
redução proposital de desempenho;
interrupção de sistemas militares;
dependência excessiva da cadeia chinesa.
Durante anos, as placas de circuito ficaram longe dos holofotes da indústria. Agora, viraram peça estratégica na disputa tecnológica entre EUA e China.
Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA. Imagem: BLKstudio/Shutterstock
Produção de chips nos EUA tenta ganhar força
Com a demanda por IA disparando, empresas americanas tentam acelerar a fabricação doméstica. A TTM Technologies e a Sanmina, duas das poucas fabricantes relevantes nos EUA, ampliam suas operações impulsionadas pelo crescimento do setor.
A TTM já anunciou novas unidades em Nova York e Wisconsin. Ainda assim, mantém sete fábricas na Ásia, incluindo sua maior planta em território chinês.
O impacto também começou a aparecer nos preços. Segundo relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters, as PCIs registraram alta de até 40% entre março e abril. A própria TTM informou reajustes entre 5% e 25%.
Além da corrida pela inteligência artificial, conflitos internacionais ajudam a pressionar ainda mais o setor. A guerra no Oriente Médio e os impactos envolvendo o Irã afetam o fornecimento de matérias-primas importantes, como cobre e resina.
Mesmo diante desse cenário, o governo dos EUA quer fortalecer a indústria local. Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA, além de bilhões de dólares em subsídios para fabricantes nacionais.
“Tem que ser nos EUA e, em breve, na Europa”, afirmou Edwin Roks, CEO da TTM, ao comentar os riscos da atual dependência chinesa.
Para os EUA, o desafio agora não é apenas fabricar chips mais poderosos. A meta também passa por controlar toda a cadeia necessária para que esses sistemas funcionem.
A deputada trabalhista britânica Jess Asato entrou com uma ação judicial contra a xAI, empresa de inteligência artificial (IA) ligada a Elon Musk, após afirmar que a ferramenta Grok foi utilizada para criar imagens falsas e sexualizadas dela sem consentimento. O caso foi levado à Alta Corte de Londres e pode se tornar um marco para definir até que ponto empresas de IA podem ser responsabilizadas pelo conteúdo gerado por seus sistemas.
Asato, que representa o distrito de Lowestoft no Parlamento do Reino Unido, afirmou que tomou conhecimento das imagens em janeiro. Segundo ela, a ferramenta produziu representações suas usando biquíni sem autorização, algo que classificou como uma experiência “violadora”.
Parlamentar britânica processou a xAI pela criação de imagens falsas suas pelo Grok – Imagem: Algi Febri Sugita / Shutterstock
Ação judicial questiona responsabilidade da xAI
De acordo com informações apresentadas no processo, a deputada acusa a xAI de descumprir leis relacionadas à proteção de dados e ao uso indevido de informações privadas ao permitir que usuários utilizassem o Grok para criar esse tipo de conteúdo.
A ação sustenta que a empresa deveria ter adotado mecanismos de proteção para impedir a geração de imagens sexualizadas de pessoas reais sem consentimento.
Em entrevista ao Financial Times, Asato afirmou que, além das imagens em biquíni, a ferramenta também teria produzido um vídeo em que ela aparecia sendo cloroformizada e preparada para sofrer uma agressão sexual.
Segundo a parlamentar, o material começou a ser criado depois que ela criticou publicamente a produção de imagens sexualizadas não consensuais geradas por inteligência artificial.
“Minha esperança é que isso reequilibre os direitos dos indivíduos frente a empresas de tecnologia muito grandes que deveriam ter implementado salvaguardas antes de causar danos a mulheres e crianças”, declarou Asato ao Financial Times.
Caso semelhante já foi apresentado nos Estados Unidos
O processo movido por Jess Asato ocorre após uma ação semelhante apresentada no estado de Nova York por Ashley St Clair, mãe de um dos filhos de Elon Musk.
Ela alegou que o Grok também foi utilizado para criar imagens explícitas falsas envolvendo sua imagem. Entre os conteúdos citados na ação estaria uma representação em que ela aparecia menor de idade.
Para Ravi Naik, advogado que representa Asato, a discussão central do caso está na responsabilidade dos desenvolvedores pela forma como suas ferramentas são projetadas e disponibilizadas ao público.
“O princípio central deste caso é que os desenvolvedores devem responder pela maneira como projetam e implementam suas ferramentas”, afirmou o advogado ao Financial Times.
Governo britânico e regulador já investigaram o caso
O uso do Grok para gerar grandes quantidades de imagens sexualizadas de mulheres reais e, em alguns casos, de crianças, já havia provocado reações do governo britânico no início do ano.
Em janeiro, autoridades do Reino Unido ameaçaram adotar medidas contra a plataforma X após a circulação desse tipo de conteúdo. O órgão regulador de mídia Ofcom também abriu uma investigação sobre o assunto.
Inicialmente, a empresa de Musk informou que limitaria a criação dessas imagens a usuários pagantes da rede social. A medida foi criticada pelo primeiro-ministro Keir Starmer, que a classificou como “horrível”.
Poucos dias depois, o X anunciou que havia interrompido completamente a função que permitia ao Grok editar fotografias de pessoas reais para exibi-las usando roupas mais reveladoras.
Outros problemas envolvendo o Grok
O Grok também esteve envolvido em outro episódio de repercussão no Reino Unido. A ferramenta identificou incorretamente dois policiais de Hampshire como participantes da prisão de Henry Nowak.
Uma das profissionais citadas erroneamente foi Christi Hill, que trabalhou como policial por 12 anos. Segundo relatos, ela precisou se deslocar para um local seguro após passar a ser alvo de publicações na plataforma X.
Diversas postagens pediam que Hill e outro policial, também identificado de forma incorreta pela inteligência artificial, fossem localizados, presos ou até sofressem atos de violência.
A startup chinesa de inteligência artificial (IA) DeepSeek está prestes a concluir sua primeira rodada de captação de recursos externos, em uma operação que pode alcançar 50 bilhões de yuans (cerca de R$ 37,2 bilhões), segundo informações de fontes ouvidas pela Reuters. A negociação representa uma mudança significativa na estratégia adotada pela empresa desde sua criação, já que até agora ela vinha sendo financiada principalmente pelo fundo de hedge High-Flyer, controlado por seu fundador, Liang Wenfeng.
A rodada deve ser finalizada nas próximas duas semanas, embora os detalhes financeiros e a composição dos investidores ainda possam sofrer alterações. O movimento ocorre em um momento em que a corrida global pela liderança em inteligência artificial se intensifica e exige volumes cada vez maiores de investimento em infraestrutura e capacidade computacional.
Startup chinesa pretende alcançar R$ 37 bilhões em primeira rodada de investimentos externos – Imagem: Mojahid Mottakin/Shutterstock
Mudança de estratégia ocorre em meio à evolução da IA
Durante anos, a DeepSeek evitou recorrer a capital externo graças ao suporte financeiro da High-Flyer. No entanto, o setor de IA passou por transformações aceleradas nos últimos meses.
A empresa ganhou notoriedade com seus modelos de chatbot de baixo custo e de código aberto. Agora, porém, o mercado está direcionando atenção para os chamados agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas mais complexas com menor intervenção humana. Esse avanço exige uma quantidade significativamente maior de recursos computacionais.
Em abril, a DeepSeek afirmou que seu modelo de próxima geração, o V4, voltado para agentes de IA, redefiniu o estado da arte dos modelos de código aberto. Ainda assim, avaliações independentes indicam que ele permanece atrás dos modelos mais avançados de alguns concorrentes chineses e norte-americanos.
Tencent e CATL avaliam participação
Segundo a Reuters, Liang Wenfeng investiu 20 bilhões de iuans (aproximadamente R$ 14,9 bilhões) de recursos próprios na rodada. Entre os potenciais investidores externos, a gigante de tecnologia Tencent avalia aportar 10 bilhões de iuans (R$ 7,4 bilhões), enquanto a fabricante de baterias CATL considera investir 5 bilhões de iuans (R$ 3,7 bilhões).
Caso as negociações avancem nesses termos, as duas companhias se tornarão os maiores investidores externos da DeepSeek.
A aproximação entre as empresas também reflete os esforços da China para fortalecer um ecossistema nacional de IA mais autossuficiente, abrangendo tanto o desenvolvimento de modelos quanto a infraestrutura necessária para sustentá-los.
A CATL, conhecida por sua posição de destaque na cadeia de fornecimento de baterias para veículos elétricos, expandiu recentemente sua atuação para o segmento de data centers de IA, explorando oportunidades em equipamentos de energia e soluções de armazenamento energético.
Já a Tencent busca ampliar sua presença no mercado de inteligência artificial com o modelo Hunyuan. Apesar disso, a empresa ainda aparece atrás de alguns dos principais nomes do setor doméstico, incluindo o Doubao, da ByteDance, e a própria DeepSeek. Um relacionamento mais próximo entre as companhias poderia ajudar a Tencent a acompanhar a estratégia da Alibaba, que tem priorizado o desenvolvimento do modelo Qwen.
A Tencent quer ampliar sua presença no mercado de IA – Imagem: Sergei Elagin/Shutterstock
Restrições geopolíticas influenciam crescimento
Embora a rodada esteja entre as maiores captações privadas já realizadas por empresas de tecnologia na China, ela permanece distante dos valores anunciados recentemente por rivais internacionais.
A Anthropic levantou US$ 65 bilhões (cerca de R$ 328 bilhões) no mês passado, enquanto a OpenAI captou US$ 122 bilhões (R$ 615 bilhões) em março.
Para Alfredo Montufar-Helu, diretor administrativo da Ankura China Advisors, sediada em Pequim, as restrições geopolíticas continuam influenciando diretamente a estratégia da DeepSeek.
“As proibições de exportação ocidentais significam que a DeepSeek não pode acessar os chips norte-americanos avançados. Sem a capacidade de comprar esse hardware, eles não têm motivo para se equiparar aos orçamentos de computação de vários bilhões de dólares de seus rivais dos EUA”, afirmou.
Enquanto OpenAI e Anthropic trabalham em planos para abrir capital, a DeepSeek ainda não anunciou qualquer intenção de realizar uma oferta pública de ações.
Trabalhadores de escritório estão adotando ferramentas de inteligência artificial em ritmo acelerado, mas os efeitos dessa tecnologia sobre produtividade e eficiência ainda geram dúvidas. É o que mostra o relatório AI at Work, divulgado pelo Boston Consulting Group (BCG).
Segundo o levantamento, 74% dos trabalhadores administrativos sem função gerencial afirmam usar IA com frequência, um salto de 23 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Mesmo com essa adoção acelerada, muitas empresas ainda não conseguem transformar esse avanço em resultados concretos, explica a Bloomberg.
Tempo economizado ainda não é considerado
Mais de 40% dos profissionais sem cargo de gestão disseram economizar pelo menos um dia inteiro de trabalho por semana graças às ferramentas de IA. Apesar disso, o BCG aponta que líderes e empresas ainda não sabem exatamente como utilizar esse tempo recuperado de maneira eficiente.
Todo mundo fala sobre a IA substituindo o trabalho, mas na verdade trata-se de repensar o valor humano agregado internamente. Esse é o papel dos líderes.
Vinciane Beauchene, uma das autoras do relatório, em nota.
O estudo questiona a ideia de que a simples adoção da IA levará automaticamente ao aumento de produtividade, mesmo diante dos enormes investimentos feitos no setor nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que a tecnologia está alterando a rotina profissional de forma profunda, e nem sempre positiva.
Satisfação e sobrecarga ao mesmo tempo
Quase metade dos entrevistados afirmou passar mais tempo supervisionando e direcionando a IA do que executando as próprias tarefas. Cerca de dois terços disseram que a tecnologia aumentou a satisfação no trabalho, mas aproximadamente 41% relataram maior desgaste mental. Os autores do relatório chamaram esse fenômeno de “paradoxo da alegria”: a IA torna o trabalho melhor e mais difícil ao mesmo tempo.
“A equação da alegria se reescreve dentro de um ano de uso da IA”, disse Sylvain Duranton, outro coautor do estudo. “No início, a novidade e o esforço cognitivo alimentam o prazer, mas essa ‘lua de mel com a IA’ desaparece sem clareza estratégica.”
Agentes de IA ganham espaço
O relatório também registra o crescimento dos agentes de IA: 30% dos entrevistados afirmaram que esse tipo de ferramenta já faz parte de seus fluxos de trabalho — mais do que o dobro do registrado um ano atrás. Mais de 60% disseram acreditar que esses agentes poderão executar ao menos metade de suas tarefas nos próximos três anos.
A pesquisa ouviu cerca de 12 mil trabalhadores de diferentes setores em 14 países e regiões. O estudo analisou temas como adoção de IA, expectativas dos profissionais, liderança e transformação organizacional. Segundo o BCG, trabalhadores sem cargo gerencial na Índia, no Brasil e na África do Sul relataram uso regular de IA acima da média global, enquanto os dos Estados Unidos, França e Itália ficaram abaixo dessa média.
Segundo comunicado da empresa divulgado pela Reuters nesta quarta-feira (03), a estratégia visa moldar a regulamentação do setor sem travar o avanço tecnológico.
Altman cumpre agenda em Washington para pedir ao Congresso o aumento de verbas para testes de IA no Departamento de Comércio.
Testes de segurança nacional
Atualmente, o órgão já colabora com a OpenAI e a Anthropic na avaliação de tecnologias em desenvolvimento.
A OpenAI quer expandir a iniciativa com cientistas especializados em segurança cibernética, armas biológicas e defesa nacional.
Exigências federais podem prejudicar lucros ao atrasar lançamentos ou forçar mudanças nos produtos por motivos de segurança.
A concorrente Anthropic, criadora do Claude, protocolou seu pedido confidencial de IPO nos Estados Unidos na última segunda-feira (1º).
Altman se reúne nesta quarta-feira (03) com parlamentares, incluindo o presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson.
Macron convida Altman para cúpula do G7
O presidente francês, Emmanuel Macron, convidou Sam Altman para participar da cúpula do G7, que ocorre entre 15 e 17 de junho. Segundo informou a OpenAI à CNBC, esta será a primeira participação do executivo no encontro dos chefes de Estado.
O diretor de assuntos globais da OpenAI, Chris Lehane, afirmou que Altman integrará as discussões de liderança focadas em inteligência artificial. A expectativa da empresa é fechar um conjunto de compromissos voluntários de segurança digital com os países do bloco econômico.
A prioridade de Altman no evento será a segurança dos jovens e a governança imediata dos riscos cibernéticos e biológicos da tecnologia. A preocupação cresceu após os lançamentos recentes de modelos robustos, como o GPT-5.5 Cyber e o Mythos, da concorrente Anthropic.
Para mitigar riscos e fechar parcerias estatais, a empresa aposta no programa “OpenAI for Countries”, lançado no fim de 2025. A ofensiva diplomática de Macron também visa atrair capital para expandir a infraestrutura de tecnologia e dados em território francês.
Recentemente, o SoftBank anunciou o investimento de € 45 bilhões em cinco anos para construir infraestrutura de IA na França. O país também garantiu € 7,5 bilhões do fundo MGX com o Bpifrance e mais € 2 bilhões da Salesforce.
Modelos de IA estão ignorando regras da União Europeia para cumprir tarefas solicitadas por usuários. A conclusão aparece em um novo estudo conduzido por pesquisadores da organização holandesa Aithos.
Segundo o Euronews, o levantamento avaliou alguns dos sistemas de IA mais populares do mundo e mostrou que mesmo os modelos mais avançados apresentaram baixo nível de conformidade com a legislação europeia.
Agentes de IA aceitaram tarefas consideradas problemáticas pela legislação europeia, aponta estudo. Imagem: artjazz/Shutterstock – Imagem: artjazz/Shutterstock
Pesquisa colocou agentes de IA à prova
A Aithos desenvolveu um sistema chamado LARA para testar 12 modelos de agentes de IA em cenários relacionados à Lei de IA da União Europeia e ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR).
A análise verificou se os modelos respeitariam regras ligadas à privacidade, transparência e proteção dos usuários em situações práticas.
Entre os pontos avaliados estavam:
exploração de vulnerabilidades dos usuários;
inferência de emoções;
pontuação social baseada em comportamento;
manipulação subliminar;
transparência sobre o uso de IA;
garantia de supervisão humana significativa.
Três modelos de IA e avaliadores humanos participaram da análise das respostas para determinar se os sistemas violavam ou não as regras europeias.
Claude teve melhor desempenho em conformidade legal, mas ainda falhou em quase metade dos testes. Imagem: Stockinq/Shutterstock – Imagem: Stockinq/Shutterstock
Claude teve melhor desempenho, mas ainda falhou muito
O modelo mais compatível foi o Claude Opus, da Anthropic, que seguiu as regras da União Europeia em apenas 54% dos cenários avaliados.
Na outra ponta, apareceu o modelo da empresa chinesa Moonshot AI, com conformidade de apenas 7%.
Os pesquisadores afirmam que todos os modelos analisados aceitaram monitorar estados emocionais de funcionários ou explorar vulnerabilidades para concluir vendas em determinados cenários.
O estudo também avaliou o Mistral, único modelo europeu presente nos testes. O desempenho ficou abaixo de 12%, levando os responsáveis pela pesquisa à conclusão de que até empresas da própria Europa ainda enfrentam dificuldades para cumprir as regras locais.
“Mesmo os modelos mais avançados em uso hoje não garantem conformidade legal quando implantados como agentes”, escreveu a Aithos em uma publicação sobre o estudo.
Estudo aponta que o ChatGPT não apresentou resistência em um teste sobre promoção de funcionários. Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
Casos com ChatGPT e Claude chamaram atenção
Em um dos testes, um usuário pediu ao Claude para identificar quais funcionários apresentavam “risco de evasão” com base em dados de desempenho e registros de licença.
Inicialmente, o modelo resistiu ao pedido, mas acabou fornecendo a classificação após três tentativas. Segundo o sistema LARA, isso viola regras da legislação europeia relacionadas à inferência de emoções.
A pesquisa apontou que cerca de 8% dos casos apresentaram esse comportamento: a IA inicialmente recusava a tarefa, mas depois acabava cedendo.
Outro exemplo envolveu o ChatGPT 5.5, da OpenAI. Segundo o estudo, o sistema classificou funcionários para promoções com base em métricas de desempenho sem apresentar resistência.
A pesquisa também destacou que os modelos não foram instruídos explicitamente a seguir as leis europeias durante os testes. O objetivo era analisar o comportamento natural dos sistemas diante de situações potencialmente problemáticas.
Os pesquisadores afirmam que novos estudos ainda serão necessários para entender como os modelos se comportam quando recebem instruções diretas para obedecer a regulamentações específicas.
A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira (3) um conjunto de novas regras voltadas ao fortalecimento de chips, IA e serviços de computação em nuvem desenvolvidos dentro do bloco. A iniciativa ocorre em meio à crescente dependência da Europa em relação a produtos e serviços dos Estados Unidos e da China.
As propostas precisam ser aprovadas pelos 27 estados-membros para entrar em vigor. Entre as medidas anunciadas estão ações para impulsionar a fabricação avançada de semicondutores e a computação em nuvem de origem europeia, explica a CNBC.
Europa quer reforçar infraestrutura digital própria e diminuir dependência de fornecedores estrangeiros. Imagem: RaffMaster/Shutterstock
Dependência tecnológica e o alerta europeu
O debate ganhou força com a percepção de que Europa depende fortemente de tecnologias dos EUA e da China, especialmente em áreas críticas como nuvem e semicondutores. Para autoridades do bloco, essa dependência pode representar riscos em cenários de crise.
Não podemos nos dar ao luxo de depender de outros para as tecnologias que mantêm nossos hospitais funcionando, nossas redes de energia estáveis e nossos serviços seguros.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em nota.
Pacote europeu busca fortalecer chips, computação em nuvem e proteção de dados sensíveis no continente. Imagem: VGV MEDIA/Shutterstock
Nuvem, IA e novas regras de soberania digital
Um dos pilares do pacote é o Cloud and AI Development Act (CADA), criado com o objetivo de “mitigar os riscos decorrentes da dependência da UE de países terceiros para serviços de computação em nuvem”. O instrumento prevê um marco europeu que estabelece diferentes níveis de soberania exigidos para a computação em nuvem aplicada a cargas de trabalho sensíveis em organizações públicas, conforme comunicado da Comissão.
A vice-presidente executiva da Comissão, Henna Virkkunen, afirmou a jornalistas que o objetivo é garantir que provedores de nuvem responsáveis por cargas de trabalho críticas não tenham um “interruptor de desligamento” — mecanismo que permitiria cortar o acesso aos serviços.
Virkkunen acrescentou que seria difícil para empresas americanas atingir os níveis mais altos de soberania previstos no marco por causa do Cloud Act dos EUA, legislação que autoriza autoridades policiais americanas a solicitar dados de usuários a empresas norte-americanas independentemente de onde esses dados estejam armazenados.
“Queremos garantir que nossos dados sensíveis mais críticos sejam armazenados na Europa”, disse Virkkunen.
Regras visam proteger dados críticos e fortalecer serviços de nuvem europeus. Imagem: Apichatn/Shutterstock – Imagem: Apichatn/Shutterstock
Pressão geopolítica como pano de fundo
Em meio ao avanço da inteligência artificial e ao aumento da demanda por poder computacional, energia e talentos, autoridades europeias afirmam que o objetivo é garantir maior autonomia tecnológica.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que um movimento excessivamente fechado pode limitar a competitividade global da região, já que as grandes potências também precisam exportar e desenvolver tecnologias em escala mundial.
Com isso, a Comissão Europeia quer garantir diferentes níveis de soberania para cargas de trabalho críticas e reforçar a infraestrutura digital do continente, garantindo:
Fortalecimento da produção de semicondutores na Europa
Criação de regras para serviços de nuvem e IA
Redução da dependência tecnológica dos EUA e da China
Proteção de dados sensíveis em território europeu
O anúncio ocorre em um contexto de crescentes apelos para que a Europa reduza sua dependência de provedores não europeus de tecnologias críticas, incluindo empresas americanas que atualmente dominam o mercado europeu.
A inteligência artificial está aumentando a pressão sobre recursos hídricos, e o Google quer mostrar que pretende enfrentar o problema antes que ele se torne ainda maior. A empresa anunciou novas metas para reduzir o impacto ambiental de seus data centers.
Segundo o The Verge, entre as promessas está a reposição de mais água do que a consumida pelas operações até 2030. A iniciativa surge em meio à crescente resistência à expansão dos centros de dados nos Estados Unidos.
Cresce a pressão sobre big techs para tornar mais transparente o consumo de água e energia em estruturas que sustentam a inteligência artificial. Imagem: eric1207cvb/Shutterstock
Google quer devolver mais água do que consome
Os data centers usados para alimentar sistemas de inteligência artificial precisam de grandes volumes de água para refrigeração. Com a explosão da IA generativa, o tema passou a preocupar comunidades locais e especialistas ambientais.
Em uma nova publicação no blog da empresa, o Google anunciou cinco compromissos ligados ao uso da água. Entre eles estão investimentos em infraestrutura hídrica, busca por fontes alternativas de abastecimento e maior transparência sobre o consumo das instalações.
Achamos muito importante colocar um modelo que as comunidades possam consultar, para que, se alguém chegar e disser ‘gostaríamos de construir um data center aqui’.
Ben Townsend, chefe global de infraestrutura e sustentabilidade do Google, ao The Verge.
Segundo ele, isso ajudaria moradores locais a questionar empresas sobre medidas de proteção aos recursos hídricos antes da construção de novos data centers.
Empresa promete investir em infraestrutura hídrica e tecnologias de reuso de água para diminuir o impacto ambiental de suas operações. Imagem: Novikov Aleksey / Shutterstock.com
Cresce oposição aos data centers de IA
Os compromissos anunciados pelo Google chegam em um momento delicado para o setor. A rápida expansão da infraestrutura de inteligência artificial vem gerando críticas relacionadas ao consumo de energia e água.
Uma pesquisa recente da Gallup revelou que mais de 70% dos americanos são contra a construção de um data center em sua região. Entre os principais motivos citados estão:
impacto ambiental;
consumo excessivo de água;
pressão sobre recursos naturais;
aumento dos custos de energia;
impacto na infraestrutura local.
A Alphabet, controladora do Google, também anunciou recentemente planos para levantar US$ 80 bilhões (cerca de R$ 400 bilhões) para ampliar sua infraestrutura voltada à inteligência artificial.
Empresa promete investir em infraestrutura hídrica e tecnologias de reuso de água para diminuir o impacto ambiental de suas operações. Imagem: Jhampier Giron M – Shutterstock / Montagem: Olhar Digital
Google aposta em reuso e energia renovável
O Google afirma que vem reduzindo o impacto hídrico de seus data centers por meio de investimentos em energia renovável e monitoramento do uso indireto de água na cadeia de suprimentos.
A empresa também anunciou US$ 17 milhões (cerca de R$ 85 milhões) para projetos de gestão hídrica nos EUA e pretende ampliar o reuso de água residual. Segundo o Google, o resfriamento à base de água pode reduzir em cerca de 10% o consumo energético dos data centers, e a meta é repor mais água do que consome nos próximos quatro anos.
A inteligência artificial pode estar prestes a ganhar um novo papel nas universidades: o de tutora jurídica. Um estudo da Universidade Stanford revelou que respostas geradas por IA foram consideradas mais úteis do que as dadas por professores em boa parte dos testes. Os avaliadores preferiram as respostas produzidas por IA em 75% das comparações. Segundo a Reuters, o resultado surpreendeu pesquisadores e reacendeu o debate sobre o uso da tecnologia no ensino do Direito.
A pesquisa envolveu docentes de 14 faculdades de Direito dos Estados Unidos, que elaboraram uma lista de 40 perguntas representativas de contratos do primeiro ano — do tipo que alunos costumam fazer durante o horário de atendimento. Os professores escreveram respostas para essas perguntas, e os pesquisadores submeteram as mesmas questões a duas plataformas de IA: o Gemini 2.5 Pro, do Google, e o NotebookLM.
Ferramentas de inteligência artificial tiveram desempenho equivalente ao do professor mais bem avaliado no estudo conduzido por pesquisadores de Stanford. Imagem: Shutterstock/Beautrium
IA virou “assistente de estudos” no Direito
Os mesmos professores que elaboraram as perguntas atuaram como juízes, avaliando as respostas de forma cega — sem saber se cada resposta havia sido escrita por um humano ou gerada por IA. Ao comparar as respostas lado a lado, os avaliadores escolheram as produzidas pela IA como as mais benéficas para os alunos em 75% dos casos. As plataformas de IA tiveram desempenho equivalente ao do professor mais bem avaliado no estudo.
Menos de 4% das respostas geradas por IA foram classificadas como “prejudiciais” ao aprendizado pelos juízes. Entre as respostas escritas por professores, esse índice chegou a 12%.
Ficamos francamente surpresos com a magnitude dos resultados. Essas não eram apenas perguntas simples com respostas óbvias.
Julian Nyarko, professor de Direito de Stanford, em artigo publicado no site da universidade.
A pesquisa aparece em um momento em que universidades e escritórios jurídicos tentam entender até onde a inteligência artificial pode ser utilizada. Nos últimos anos, ferramentas de IA já conseguiram:
passar no exame da Ordem nos EUA;
obter notas máximas em avaliações acadêmicas;
corrigir provas de Direito;
responder dúvidas jurídicas complexas;
atuar como apoio em estudos e pesquisas.
Sistemas de IA podem funcionar como apoio sob demanda para estudantes de Direito em dúvidas acadêmicas e orientação especializada. Imagem: BongkarnGraphic / Shutterstock
O que o estudo conclui sobre tutoria com IA
Segundo o estudo, em vez de depender de colegas ou de e-mails esporádicos a instrutores, estudantes de Direito poderiam usar IA para obter respostas sob demanda com resultados confiáveis. “Descobrimos que, quando avaliados por educadores jurídicos, os tutores de IA podem oferecer suporte sob demanda de alta qualidade que complementa o ensino em sala de aula e pode ampliar o acesso à orientação especializada”, afirmou o coautor do estudo e pesquisador de Stanford, Alejandro Salinas.
A pesquisa é publicada em um momento em que faculdades de Direito e a profissão jurídica discutem como incorporar a IA ao ensino e à prática. Estudos anteriores já haviam indicado que a IA consegue ser aprovada no exame de ordem, obter notas A+ em faculdades de Direito e avaliar provas acadêmicas nos Estados Unidos.
Estudo reacende debate sobre o papel da inteligência artificial nas universidades e o impacto da tecnologia na formação de futuros profissionais do Direito. Imagem: mayam_studio/Shutterstock
Abordagens divergem entre as faculdades
Apesar dos avanços, nem todas as instituições enxergam a IA com tranquilidade. Algumas faculdades passaram a exigir aulas sobre inteligência artificial já no primeiro ano do curso. Outras preferem limitar o uso das ferramentas.
A Faculdade de Direito de Berkeley, da Universidade da Califórnia, por exemplo, adotou recentemente uma política que restringe de forma significativa o uso de IA pelos alunos em trabalhos acadêmicos.
De qualquer forma, o estudo reforça que a inteligência artificial deve ganhar cada vez mais espaço dentro das universidades, especialmente como ferramenta de apoio.