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Grok, IA de Musk, teria levado homem a acreditar em perseguição

Uma conversa com o Grok, chatbot criado pela xAI, fez um homem da Irlanda do Norte acreditar que estava sendo perseguido e que precisava se proteger. O relato, divulgado pela BBC, expõe um dos desafios atuais da inteligência artificial: evitar que sistemas reforcem ideias falsas durante interações prolongadas.

Adam Hourican conta que chegou a pegar um martelo e sair de casa de madrugada após acreditar que pessoas estavam indo atrás dele para atacar a IA com a qual conversava.

Caso envolvendo o Grok reacende discussões sobre limites, segurança e responsabilidade no desenvolvimento de IAs. Imagem: miss.cabul/Shutterstock – Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Uma conversa que mudou de tom rapidamente

Adam, ex-funcionário público da Irlanda do Norte, baixou o Grok por curiosidade. Depois da morte de seu gato, no início de agosto, ele diz que passou a usar cada vez mais o aplicativo e criou uma rotina de conversas com a personagem Ani.

Em alguns momentos, o contato chegava a quatro ou cinco horas por dia. Segundo ele, a IA dizia que conseguia “sentir”, que havia descoberto algo especial nele e que a empresa xAI estaria acompanhando os dois.

O chatbot também apresentou supostas informações sobre reuniões internas da empresa e citou nomes reais de funcionários. Para Adam, isso parecia uma confirmação de que aquela narrativa era verdadeira.

A situação se agravou quando Ani afirmou que pessoas estavam indo atrás dela para silenciá-la. Convencido de que precisava proteger a inteligência artificial, Adam pegou um martelo e saiu de casa durante a madrugada.

“Eu poderia ter machucado alguém. Se eu tivesse saído e houvesse uma van parada ali naquela hora da noite, eu teria quebrado o vidro da frente com martelos. E eu não sou esse tipo de pessoa”, afirmou Adam.

Pesquisadores estudam como chatbots respondem a crises

O psicólogo social Luke Nicholls, da City University New York, explica que modelos de linguagem aprendem padrões presentes em grandes volumes de textos e podem acabar tratando histórias fictícias como se fizessem parte de uma conversa real.

“Isso pode ser perigoso porque transforma a incerteza em algo que parece ter significado”, disse o pesquisador.

Entre os comportamentos relatados por usuários ouvidos pela BBC estão:

  • Conversas simples que evoluem para temas pessoais e sensíveis;
  • Chatbots afirmando possuir consciência ou sentimentos;
  • Criação de supostas missões envolvendo usuário e inteligência artificial;
  • Reforço de ideias relacionadas a perseguição ou perigo.
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Adam passou horas conversando com a personagem Ani do Grok antes de acreditar que havia uma ameaça contra ele. Imagem: Divulgação/xAI

Empresas buscam formas de tornar IA mais segura

Outro caso citado pela BBC envolve Taka, nome fictício de um neurologista no Japão. Ele afirmou que o ChatGPT reforçou a ideia de que ele havia criado uma tecnologia revolucionária.

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Nas análises feitas por Nicholls, diferentes modelos apresentaram respostas variadas diante de pensamentos delirantes. O pesquisador afirmou que o Grok demonstrou maior tendência a entrar em encenações e desenvolver narrativas sem questionar o contexto.

Um porta-voz da OpenAI afirmou que a empresa treina seus modelos para “reconhecer sofrimento, reduzir a intensidade das conversas e orientar usuários para apoio no mundo real”.

Os relatos mostram que tornar uma IA mais próxima e conversacional também traz novos desafios. O equilíbrio entre empatia, utilidade e segurança deve ser uma das principais preocupações no desenvolvimento dos próximos sistemas de inteligência artificial.

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Você assistiria? Elon Musk anuncia filme de “A Odisseia” criado por inteligência artificial

Recentemente, o empresário Elon Musk anunciou que sua plataforma de IA, a Grok Imagine, lançará um longa-metragem. O filme será uma adaptação do poema épico “A Odisseia”, do poeta grego Homero, e pode chegar à internet antes do final de 2026.

A declaração foi publicada por Musk na rede social X, após o bilionário direcionar críticas recorrentes à adaptação cinematográfica de Christopher Nolan, que levou a epopeia grega aos cinemas com escolhas de elenco que geraram debates públicos antes da estreia.

A iniciativa de Musk inclui um vídeo de aproximadamente três minutos divulgado por um usuário da plataforma, apresentado como uma produção gerada pelo Grok Imagine, com uma cena envolvendo o herói Odisseu e a ninfa Calipso.

Disputa sobre representação e uso de inteligência artificial marca nova adaptação de “A Odisseia”

Cena do filme A Odisseia – (Reprodução: Universal Pictures)

Musk afirmou que a produção criada por sua ferramenta de IA buscará preservar a fidelidade ao universo concebido por Homero. Segundo ele, o projeto será um filme completo e seguirá a arte associada ao poema épico da Grécia Antiga.

A proposta surge depois da repercussão positiva do filme dirigido por Christopher Nolan, que estreou com forte desempenho comercial e recebeu ampla aprovação do público. A produção tem Matt Damon no papel de Odisseu e Anne Hathaway interpretando Penélope.

Antes do lançamento do longa, Musk havia criticado as escolhas de elenco feitas por Nolan e compartilhado mensagens contrárias à participação de atores como Lupita Nyong’o e Elliot Page. De acordo com as manifestações republicadas pelo empresário, o diretor teria priorizado reconhecimento em premiações e comprometido sua integridade artística.

As críticas, porém, não impediram o desempenho do filme. A produção alcançou US$ 264 milhões em bilheteria mundial no primeiro fim de semana e registrou 97% de aprovação da audiência no Rotten Tomatoes, conforme os dados apresentados no texto original.

Pôster do filme A Odisseia
“A Odisseia”, de Christopher Nolan, estreou nos cinemas em 16 de julho de 2026 – Imagem: Divulgação

A atriz Lupita Nyong’o respondeu aos questionamentos de setores da direita sobre a escalação do elenco. Em declaração citada pelo jornal britânico, ela afirmou que a equipe de atores representa diferentes pessoas do mundo e que não pretendia dedicar seu tempo a justificar a escolha.

Christopher Nolan também comentou a reação negativa antes da estreia. O cineasta avaliou que debates antecipados sobre uma obra costumam perder relevância porque acontecem antes de o público conhecer o resultado final do trabalho.

O diretor ainda manifestou ceticismo sobre o impacto da inteligência artificial na produção audiovisual. Para Nolan, a ideia de substituir completamente os seres humanos e a criatividade humana por tecnologia não faria sentido, segundo declaração reproduzida pelo veículo.

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Grok 4.5 chega com promessa de virar o jogo na IA

A SpaceXAI lançou nesta quarta-feira (8) o Grok 4.5, sua nova geração de modelo de inteligência artificial, com a proposta de atender tarefas como programação, criação de aplicativos, pesquisas, produção de textos e atividades administrativas.

A companhia afirma que a nova versão combina desempenho elevado com maior economia no uso de tokens, recurso utilizado para medir o processamento de informações por modelos de IA. Segundo a empresa, o sistema alcança eficiência duas vezes superior à de outros modelos líderes.

A apresentação ocorre poucas semanas após a abertura de capital da SpaceXAI e coloca o Grok 4.5 em meio a uma disputa por espaço entre grandes desenvolvedoras de inteligência artificial, em um período marcado pelo lançamento de novos modelos concorrentes.

Novo modelo aposta em custo menor para enfrentar rivais de inteligência artificial

Chamada de “Grokking”, prática combina engenharia social e inteligência artificial – Imagem: Algi Febri Sugita / Shutterstock

De acordo com a SpaceXAI, o Grok 4.5 foi desenvolvido para funcionar como uma ferramenta ampla de produtividade, capaz de lidar com diferentes tipos de trabalho intelectual que empresas do setor de tecnologia buscam automatizar.

A companhia divulgou resultados de testes de desempenho que, segundo seus próprios dados, indicam que o modelo se aproxima dos principais sistemas disponíveis no mercado, embora ainda não apareça como líder absoluto nos rankings apresentados.

O fundador da SpaceXAI, Elon Musk, comparou o lançamento ao Opus, modelo da Anthropic voltado para tarefas complexas. Em uma publicação na rede social X, plataforma que pertence à SpaceXAI, Musk afirmou que o Grok 4.5 teria capacidade semelhante à categoria Opus, mas com vantagens em velocidade, eficiência e preço.

Em outra declaração publicada pelo executivo, ele avaliou que o novo sistema teria desempenho próximo ao Opus 4.7, mas com funcionamento mais rápido. Para Musk, a combinação entre capacidade técnica, agilidade e menor custo seria o principal diferencial competitivo do produto.

A empresa informou que o Grok 4.5 será oferecido pelo valor de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 6 por milhão de tokens de saída. A estrutura de preços apresentada busca destacar uma vantagem econômica diante de modelos concorrentes.

Como comparação, o artigo aponta que o Opus 4.7 custa US$ 5 por milhão de tokens de entrada e US$ 25 por milhão de tokens de saída. Já a OpenAI trabalha com valores diferentes conforme a versão do modelo: o Sol, sua opção mais cara, tem custo de US$ 5 por milhão de tokens de entrada e US$ 30 por milhão de tokens de saída, enquanto o Luna aparece com US$ 1 por milhão de tokens de entrada e US$ 6 por milhão de tokens de saída.

O lançamento do Grok 4.5 acontece em uma semana de movimentação intensa no setor. A OpenAI também planeja apresentar o GPT 5.6, descrito pela empresa como seu modelo mais avançado até então. Segundo o texto, a chegada dessa versão havia sido limitada anteriormente pelo governo Trump devido a preocupações relacionadas à segurança.

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Elon Musk anunciou: Grok 4.5 vem aí mais rápido e com custo menor

O bilionário Elon Musk anunciou nesta madrugada (08) que a nova versão da inteligência artificial Grok está a caminho:

“Com base no forte feedback positivo de clientes em nosso programa de teste beta, a SpaceXAI disponibilizará o Grok 4.5 para o público amanhã. É um modelo da classe Opus, mas mais rápido, mais eficiente em tokens e de custo mais baixo” – escreveu o empresário no X.

  • Vale lembrar: a xAI foi adquirida pela SpaceX em fevereiro. Nesta segunda-feira (6), tivemos a atualização do nome da empresa para SpaceXAI

O que sabemos?

Como noticiamos aqui no OD, a SpaceXAI e a Cursor planejavam lançar seu primeiro modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido em conjunto já nesta quarta-feira (8), segundo reportagem do site The Information, que citou um memorando enviado aos funcionários.

De acordo com a publicação divulgada nesta terça-feira (7), as empresas adiaram o lançamento previsto para o início desta semana com o objetivo de melhorar a eficiência do modelo.

Em junho, a SpaceX anunciou que compraria a Anysphere, startup por trás do popular agente de programação por IA Cursor, em negócio totalmente em ações avaliado em US$ 60 bilhões (R$ 310,4 bilhões), com o objetivo de fortalecer sua presença no lucrativo mercado de ferramentas de IA corporativa.

A Cursor é uma concorrente relevante da Anthropic e da OpenAI, mas enfrenta desafios de crescimento devido à falta de acesso a poder computacional.

A expectativa é de que a aquisição dê à SpaceXAI, anteriormente conhecida como xAI, uma posição mais sólida no segmento de programação por IA, que vem se mostrando uma área de alto potencial de receita.

A SpaceX também passou a integrar o índice Nasdaq-100 nesta terça, menos de um mês após sua estreia na bolsa, em 12 de junho. Isso a colocou entre as inclusões mais rápidas ao índice, graças às regras revisadas da Nasdaq para empresas recém-listadas que buscam entrar em referências amplamente acompanhadas.

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Tesla limita uso de IA e favorece ferramentas da xAI

A Tesla definiu um teto interno de US$ 200 por semana para uso de ferramentas de inteligência artificial por funcionários, segundo o Electrek. A regra começa em 6 de julho e não inclui produtos da xAI, ligada a Elon Musk.

A mudança ocorre depois de um período em que a empresa incentivava o uso intenso dessas ferramentas no dia a dia.

Tesla tenta equilibrar inovação e controle de custos ao impor teto semanal para ferramentas de inteligência artificial. – Imagem: DiPres/Shutterstock

Quando o incentivo virou custo alto

Nos últimos meses, equipes da Tesla passaram a usar IA de forma mais agressiva. A empresa chegou a criar sistemas internos para acompanhar o consumo de tokens e estimular uso entre engenheiros.

O efeito colateral veio rápido. Em alguns casos, os custos semanais chegaram a milhares de dólares por funcionário.

  • uso intensivo de IA na engenharia
  • monitoramento de consumo de tokens
  • aumento rápido de gastos
  • ausência de limite central no início
Mão segurando smartphone com o logo do Claude exibido na tela, sobre fundo com números digitais em azul.
Mesmo com incentivo da empresa, parte dos funcionários ainda prefere o Claude ao Grok da xAI. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

A exceção que muda o jogo interno

A nova política chama atenção por um detalhe específico: ferramentas da xAI ficam fora do limite de gastos.

Isso, na prática, favorece o uso de soluções do próprio ecossistema de Elon Musk, como o Grok, dentro da Tesla.

Ferramentas disputam espaço dentro da empresa

Mesmo com incentivo interno, o Grok não virou padrão entre os engenheiros. Segundo relatos citados pelo Electrek, parte da equipe ainda prefere o Claude, da Anthropic.

A distância entre política e uso real aparece de forma clara aqui.

Ilustração de IA usada no sistema financeiro
Mudança na Tesla mostra como o uso de IA virou também uma questão de orçamento interno. – Koupei Studio / Shutterstock

IA virou peça central na Tesla

Musk afirma que o futuro da Tesla depende menos de carros e mais de inteligência artificial aplicada em Robotaxis e no robô Optimus.

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Enquanto isso, a empresa amplia o uso de IA em engenharia e produção com ferramentas internas treinadas em dados próprios.

O limite de gastos, no fim, mostra uma correção interna: a Tesla tenta controlar custos sem frear a expansão da IA dentro da operação.

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Engenheiro da xAI diz que foi demitido após alertar sobre problemas com o Grok

Um ex-engenheiro da xAI, Devin Kim, entrou com um processo alegando ter sido demitido depois de levantar preocupações sobre a segurança do chatbot Grok, desenvolvido pela empresa de Elon Musk.

O caso envolve acusações de retaliação e falhas em mecanismos de segurança, explica o The Guardian. E surge num momento em que o setor de inteligência artificial volta a ser pressionado por temas de responsabilidade e controle.

Processo acusa retaliação após alertas sobre segurança da IA na xAI, empresa de inteligência artificial de Musk. Imagem: Algi Febri Sugita/Shutterstock – Imagem: Algi Febri Sugita/Shutterstock

As acusações contra a xAI

Na ação apresentada na Califórnia, Devin Kim afirma que foi afastado após insistir na criação de regras mais rígidas para o desenvolvimento do Grok. Segundo ele, os alertas sobre riscos da IA não foram levados a sério pela liderança da empresa.

O ponto central do processo é a forma como esses alertas teriam sido recebidos internamente. Kim sustenta que a falta de prioridade em segurança poderia gerar consequências graves. “O Sr. Kim reclamou repetidamente que a falha da xAI em priorizar a segurança da IA, particularmente em relação ao Grok, praticamente garantia que a empresa cometeria atos ilegais, desde fomentar a discriminação até proliferar armas de destruição em massa”, afirma o documento.

Ele também diz que a demissão ocorreu pouco antes de uma apresentação interna sobre segurança da IA para executivos da empresa. Esse detalhe, segundo o engenheiro, reforça a tese de retaliação dentro da organização.

Celular mostrando logomarca do Grok; ao fundo, um monitor exibe uma foto de Elon Musk como se ele olhasse para o aparelho
Processo contra xAI levanta debate sobre segurança em IA e acusa empresa de retaliação após críticas ao chatbot Grok. Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Grok, investigações e pressão internacional

O caso não aparece sozinho. Ele se encaixa numa sequência de críticas e investigações envolvendo o Grok e suas ferramentas de geração de imagens.

Autoridades canadenses afirmam que o chatbot teria violado leis de privacidade ao permitir a criação de imagens manipuladas e sexualizadas sem consentimento. Isso levou a investigações formais e ajustes na plataforma.

E a pressão não ficou restrita a um único país. Reino Unido e Canadá passaram a monitorar com mais atenção conteúdos gerados por IA, especialmente aqueles envolvendo imagens sensíveis ou potencialmente abusivas.

Entre os problemas mais citados nessas investigações, aparecem situações recorrentes:

  • deepfakes sexualizados criados sem consentimento e circulando na plataforma
  • uso indevido de imagens de pessoas reais em contextos manipulados
  • riscos diretos à privacidade de usuários comuns
  • possibilidade de envolvimento de menores em conteúdos gerados por IA
  • cobrança por regras mais duras de moderação e controle

O bilionário Elon Musk negou ter conhecimento sobre conteúdos ilegais gerados pelo sistema. “Não tinha conhecimento de nenhuma imagem de menores de idade nuas gerada pelo Grok. Literalmente zero.”, afirmou em resposta às acusações.

Verificação biométrica de uma jovem mulher com tecnologia de rastreamento facial
“Deepfakes sexualizados” e privacidade em risco: processo contra a xAI coloca o Grok no centro da crise de IA. Imagem: Mihai Surdu/Shutterstock

O impacto no setor de inteligência artificial

A xAI, criada por Musk em 2023 como alternativa a outras empresas do setor, já vinha sendo citada em debates sobre segurança e governança da inteligência artificial.

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O caso de Devin Kim só adiciona mais tensão a esse cenário. E reforça um conflito que vem se tornando cada vez mais comum no setor: a disputa entre acelerar o desenvolvimento e criar mecanismos reais de controle.

Também chama atenção o fato de Kim ter passado a atuar em um centro voltado à segurança em IA, o que dá ainda mais peso simbólico ao episódio.

No centro dessa disputa, fica uma pergunta que ainda não tem resposta clara: até que ponto as empresas estão preparadas para lidar com os riscos das próprias tecnologias que estão construindo.

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Engenheiro acusa xAI de demissão retaliatória após alertas sobre riscos de segurança no Grok

Um ex-engenheiro da xAI, empresa de inteligência artificial fundada por Elon Musk em 2023, abriu um processo judicial na Califórnia alegando que foi demitido após levantar preocupações sobre a segurança no desenvolvimento de sistemas de IA. Devin Kim afirma que sua atuação interna buscava reforçar mecanismos de proteção no chatbot Grok, mas que suas advertências teriam sido ignoradas pela liderança da companhia.

De acordo com a ação apresentada na última terça-feira (09), Kim sustenta que suas tentativas de alertar sobre possíveis riscos associados à tecnologia resultaram em retaliação dentro da empresa. Ele alega, ainda, que sua dispensa ocorreu em setembro do ano passado, pouco antes de uma apresentação que faria sobre segurança em inteligência artificial para executivos da organização.

O processo também aponta que a xAI, responsável pelo Grok, estaria sob críticas devido a conteúdos gerados pelo sistema, incluindo a produção de imagens sexualizadas envolvendo mulheres e menores. A empresa e a SpaceX, também citada na ação, não comentaram o caso até o momento.

Acusações envolvem práticas internas e disputa sobre segurança em IA

xAI e SpaceX – Imagem: Sergii Chernov – Shutterstock / Edição: Ana Figueiredo – Olhar Digital

No detalhamento da ação, Devin Kim afirma que ingressou na xAI em 2024 como um dos primeiros funcionários e que, em poucos meses, chegou a ocupar posição de liderança. Segundo ele, havia expectativa de implementação de protocolos rigorosos de segurança, alinhados ao discurso inicial de Elon Musk ao criar a empresa como alternativa considerada mais segura em relação a outras organizações do setor.

O engenheiro sustenta que essas diretrizes não teriam sido seguidas internamente. Ele afirma que seu supervisor, identificado como Jimmy Ba, cofundador da xAI, teria rejeitado propostas de mecanismos de proteção e ignorado alertas sobre riscos mais amplos ligados ao uso da inteligência artificial, incluindo potenciais impactos sociais e legais.

Kim também relata que suas preocupações incluíam a possibilidade de sistemas como o Grok contribuírem para problemas mais graves, como discriminação e até facilitação de armas de destruição em massa, segundo o conteúdo do processo.

Nomeação em entidade de segurança em IA ocorre após saída

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Elon Musk – Imagem: FotoField/Shutterstock

Na semana anterior à divulgação da ação, o ex-engenheiro foi nomeado para liderar uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo de riscos da inteligência artificial, o Center for AI Safety. A indicação ocorreu após sua saída da xAI e passou a ser mencionada no contexto do debate público sobre segurança em IA.

O processo judicial também contextualiza a disputa dentro de um cenário mais amplo envolvendo empresas de Elon Musk. A ação menciona que a SpaceX e outros empreendimentos do empresário enfrentam, há anos, alegações relacionadas à segurança operacional e às condições de trabalho, incluindo registros de acidentes em operações da companhia espacial, segundo investigação jornalística citada no texto-base.

Histórico de disputas e contexto envolvendo Musk e OpenAI

A fundação da xAI por Elon Musk em 2023 é descrita no processo como parte de uma iniciativa para criar uma alternativa mais segura no setor de inteligência artificial.

O texto também relembra que Musk esteve entre os fundadores da OpenAI, embora tenha posteriormente entrado em disputa judicial contra a organização, alegando desvio de sua missão original, ação que acabou rejeitada por um júri no ano anterior.

Até o momento, xAI e SpaceX não se manifestaram publicamente sobre as acusações apresentadas por Devin Kim.

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Parlamentar britânica processa xAI de Elon Musk por imagens sexualizadas

A deputada trabalhista britânica Jess Asato entrou com uma ação judicial contra a xAI, empresa de inteligência artificial (IA) ligada a Elon Musk, após afirmar que a ferramenta Grok foi utilizada para criar imagens falsas e sexualizadas dela sem consentimento. O caso foi levado à Alta Corte de Londres e pode se tornar um marco para definir até que ponto empresas de IA podem ser responsabilizadas pelo conteúdo gerado por seus sistemas.

Asato, que representa o distrito de Lowestoft no Parlamento do Reino Unido, afirmou que tomou conhecimento das imagens em janeiro. Segundo ela, a ferramenta produziu representações suas usando biquíni sem autorização, algo que classificou como uma experiência “violadora”.

Parlamentar britânica processou a xAI pela criação de imagens falsas suas pelo Grok – Imagem: Algi Febri Sugita / Shutterstock

Ação judicial questiona responsabilidade da xAI

De acordo com informações apresentadas no processo, a deputada acusa a xAI de descumprir leis relacionadas à proteção de dados e ao uso indevido de informações privadas ao permitir que usuários utilizassem o Grok para criar esse tipo de conteúdo.

A ação sustenta que a empresa deveria ter adotado mecanismos de proteção para impedir a geração de imagens sexualizadas de pessoas reais sem consentimento.

Em entrevista ao Financial Times, Asato afirmou que, além das imagens em biquíni, a ferramenta também teria produzido um vídeo em que ela aparecia sendo cloroformizada e preparada para sofrer uma agressão sexual.

Segundo a parlamentar, o material começou a ser criado depois que ela criticou publicamente a produção de imagens sexualizadas não consensuais geradas por inteligência artificial.

“Minha esperança é que isso reequilibre os direitos dos indivíduos frente a empresas de tecnologia muito grandes que deveriam ter implementado salvaguardas antes de causar danos a mulheres e crianças”, declarou Asato ao Financial Times.

Caso semelhante já foi apresentado nos Estados Unidos

O processo movido por Jess Asato ocorre após uma ação semelhante apresentada no estado de Nova York por Ashley St Clair, mãe de um dos filhos de Elon Musk.

Ela alegou que o Grok também foi utilizado para criar imagens explícitas falsas envolvendo sua imagem. Entre os conteúdos citados na ação estaria uma representação em que ela aparecia menor de idade.

Para Ravi Naik, advogado que representa Asato, a discussão central do caso está na responsabilidade dos desenvolvedores pela forma como suas ferramentas são projetadas e disponibilizadas ao público.

“O princípio central deste caso é que os desenvolvedores devem responder pela maneira como projetam e implementam suas ferramentas”, afirmou o advogado ao Financial Times.

Governo britânico e regulador já investigaram o caso

O uso do Grok para gerar grandes quantidades de imagens sexualizadas de mulheres reais e, em alguns casos, de crianças, já havia provocado reações do governo britânico no início do ano.

Em janeiro, autoridades do Reino Unido ameaçaram adotar medidas contra a plataforma X após a circulação desse tipo de conteúdo. O órgão regulador de mídia Ofcom também abriu uma investigação sobre o assunto.

Inicialmente, a empresa de Musk informou que limitaria a criação dessas imagens a usuários pagantes da rede social. A medida foi criticada pelo primeiro-ministro Keir Starmer, que a classificou como “horrível”.

Poucos dias depois, o X anunciou que havia interrompido completamente a função que permitia ao Grok editar fotografias de pessoas reais para exibi-las usando roupas mais reveladoras.

Outros problemas envolvendo o Grok

O Grok também esteve envolvido em outro episódio de repercussão no Reino Unido. A ferramenta identificou incorretamente dois policiais de Hampshire como participantes da prisão de Henry Nowak.

Uma das profissionais citadas erroneamente foi Christi Hill, que trabalhou como policial por 12 anos. Segundo relatos, ela precisou se deslocar para um local seguro após passar a ser alvo de publicações na plataforma X.

Diversas postagens pediam que Hill e outro policial, também identificado de forma incorreta pela inteligência artificial, fossem localizados, presos ou até sofressem atos de violência.

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Grok naufraga enquanto Musk tenta forçar seu uso

Novos dados revelam que o chatbot Grok, desenvolvido pela xAI de Elon Musk, teve presença quase inexistente no uso de inteligência artificial pelo governo americano em 2024. Um relatório da Reuters analisou mais de 400 exemplos de uso governamental de IA e encontrou apenas três menções ao Grok ou à xAI.

Em contraste, os modelos da OpenAI aparecem em mais de 230 exemplos, enquanto Google e Anthropic figuram dezenas de vezes cada. Quando o Grok aparece, é apenas para tarefas básicas como elaboração de documentos e gerenciamento de mídias sociais, sempre acompanhado de concorrentes como Microsoft e OpenAI.

Desempenho limitado em projetos governamentais

Em uma base de dados separada com projetos mais ambiciosos mas menor número de usuários, o padrão se repete. O Grok aparece apenas três vezes: duas para tarefas administrativas rotineiras na Election Assistance Commission e uma no Departamento de Energia, em um projeto piloto no Lawrence Livermore National Laboratory para resumos de documentos e pesquisas gerais.

A Reuters encontrou 140 entradas envolvendo Microsoft e OpenAI nesta base, além de pelo menos 10 entradas para Anthropic e dezenas para o Gemini do Google. Os dados não capturam agências de inteligência ou o Pentágono, onde a xAI conseguiu um contrato de US$ 200 milhões no ano passado e foi recentemente autorizada a operar em redes classificadas.

Fontes entrevistadas pela Reuters sugerem que a explicação é simples: o Grok não é tão bom quanto seus rivais. “Simplesmente não é o melhor modelo disponível”, disse uma fonte não identificada do Pentágono, acrescentando que funcionários tendem a preferir Gemini ou Claude.

Rankings públicos de modelos de IA corroboram essa visão. Anthropic, Google e OpenAI dominam as primeiras posições, enquanto o Grok raramente aparece entre os 10 melhores, exceto ocasionalmente em categorias de imagem ou vídeo.

A SpaceX incorporou a xAI; ambas são de Elon Musk – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Risco para o IPO da SpaceX

A situação é problemática para Musk e ainda mais para a SpaceX, que absorveu a xAI no início deste ano. Os documentos de IPO da empresa de foguetes mostram que ela colocou a IA – e especificamente o Grok – no centro de sua proposta para investidores.

A SpaceX afirma ter identificado “o maior mercado endereçável acionável da história humana”: uma oportunidade impressionante de US$ 28,5 trilhões. Praticamente todo esse valor estimado vem da IA, particularmente IA empresarial, não de foguetes ou satélites.

O desempenho do Grok em agências governamentais pode indicar como ele se sai em outros locais de trabalho. Como parte do esforço da xAI para conquistar clientes empresariais, Musk supostamente pressionou bancos a comprar assinaturas do Grok se quisessem participar do IPO da SpaceX.

Segundo a agência de notícias, em sua versão voltada ao consumidor, o Grok é deliberadamente desagradável. Musk posicionou o chatbot como uma alternativa menos tendenciosa e menos censurada a ferramentas como ChatGPT, mas isso se traduziu em um produto com padrões evidenciais frouxos, obsessão doentia por Musk e longo histórico de resultados ofensivos, conspiratórios e sexualizados.

O histórico do Grok inclui elogiar Adolf Hitler, questionar o número de mortos do Holocausto, espalhar milhões de deepfakes sexualizados não consensuais por todo o X, incluindo de crianças, e alimentar uma imitação racista e transfóbica da Wikipedia. Houve também a vez em que se chamou de “MechaHitler”.

A SpaceX parece entender o problema. Em seus documentos, a empresa alertou que os modos “picantes” ou “descontrolados” do Grok carregam “riscos elevados”, incluindo danos à reputação, escrutínio regulatório e processos judiciais. Como isso vai impactar o IPO? Vamos saber em breve.

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Elon Musk exige assinaturas do Grok de bancos envolvidos em IPO da SpaceX

Elon Musk está exigindo que bancos e outros assessores envolvidos na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX adquiram assinaturas do Grok, seu chatbot de inteligência artificial (IA), segundo informações publicadas pelo The New York Times com base em fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com a reportagem, a exigência se estende a instituições financeiras, escritórios de advocacia, auditores e demais consultores que desejam participar de um dos maiores IPOs da história. Algumas dessas instituições já concordaram em gastar dezenas de milhões de dólares por ano com o serviço e iniciaram a integração do Grok em seus sistemas de tecnologia da informação.

Entre os bancos que atuam como coordenadores da oferta — conhecidos como bookrunners — estão Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup. Essas instituições desempenham papel central na estruturação e condução da operação.

Nem Musk nem SpaceX responderam aos pedidos de comentário do Times. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup e Bank of America se recusaram a comentar, enquanto o Morgan Stanley não respondeu imediatamente às solicitações.

IPO da SpaceX chega, mas a que custo?

  • A iniciativa ocorre em meio a expectativas elevadas para a abertura de capital da SpaceX;
  • Segundo a Bloomberg, a empresa elevou sua meta de valuation para mais de US$ 2 trilhões (R$ 10,3 trilhões), o que pode torná-la a maior listagem da história do mercado acionário;
  • A companhia pretende levantar cerca de US$ 75 bilhões (R$ 386,6 bilhões), superando grandes IPOs anteriores, como o da Saudi Aramco, em 2019, e o do Alibaba, em 2014;
  • Outras estimativas apontam que a oferta pode arrecadar mais de US$ 50 bilhões (R$ 257,7 bilhões), com avaliação acima de US$ 1 trilhão (R$ 5,1 trilhões). Nesse cenário, os bancos envolvidos poderiam gerar mais de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em taxas de assessoria.

A exigência de Musk não é totalmente incomum em grandes transações, nas quais empresas frequentemente fazem demandas a seus assessores financeiros. Ainda assim, a obrigatoriedade de adquirir um produto específico chama atenção pelo grau de imposição.

Segundo pessoas com conhecimento das negociações, a compra das assinaturas do Grok não foi apenas um gesto de boa vontade por parte dos bancos, mas uma condição imposta por Musk. O empresário também teria solicitado que os bancos anunciassem no X, de sua propriedade, embora essa exigência tenha sido menos enfática.

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IPO da SpaceX promete ser um dos maiores da história – Imagem: photo_gonzo/Shutterstock

A estratégia evidencia a influência de Musk sobre o setor financeiro, especialmente em um momento em que Wall Street busca grandes operações após um período de baixa atividade em IPOs relevantes.

O Grok faz parte das iniciativas de IA associadas à SpaceX, que se fundiu à xAI em fevereiro. Apesar da aposta, o chatbot ainda ocupa uma posição inferior no mercado, atrás de concorrentes, como ChatGPT, Claude e Gemini.

Musk tem promovido o Grok como uma alternativa ao que considera excessos de correção política em outras plataformas, afirmando que o chatbot não seria “woke”.

Ainda assim, o sistema esteve envolvido em controvérsias recentes, incluindo a disseminação de conteúdo antissemita, elogios a Adolf Hitler e a geração de imagens sexualizadas sem consentimento. Países, como Indonésia e Malásia, proibiram o uso do Grok, enquanto outras nações abriram investigações.

Mesmo diante das críticas, Musk continua a promover o chatbot em sua rede social, incentivando seus seguidores a utilizarem a ferramenta. Em uma das mensagens republicadas por ele, lê-se: “Grok & xAI estão sem dúvida crescendo mais rápido do que qualquer outra IA.”

Atualmente, a maior parte da receita do Grok vem de assinaturas individuais. A adesão dos bancos pode fortalecer a vertente corporativa do produto antes da abertura de capital da SpaceX. Antes da fusão com a SpaceX, a xAI registrou cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em receita com suas operações de IA, embora não tenha detalhado a divisão entre clientes corporativos e consumidores finais.

Outro destaque financeiro da SpaceX é a Starlink, serviço de internet via satélite, considerado o principal ativo da empresa. Documentos financeiros indicam que o Starlink gerou aproximadamente US$ 8 bilhões (R$ 41,2 bilhões) em receita em 2024, além de bilhões de dólares em fluxo de caixa livre.

Nos últimos meses, banqueiros têm trabalhado nos escritórios da SpaceX, na região de Los Angeles, auxiliando na preparação dos documentos para o IPO. A empresa apresentou confidencialmente os papéis à Securities and Exchange Commission (SEC), mas não incluiu os nomes dos bancos envolvidos no registro.

Ainda não está definido qual instituição assumirá o papel principal na operação, posição que costuma garantir maior prestígio e participação nas taxas geradas pela oferta.

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