Elon Musk está usando o novo fôlego financeiro da SpaceX — um caixa de US$ 86 bilhões (R$ 436 bilhões) — para tentar encurtar a distância na corrida da inteligência artificial. A empresa vem ampliando sua atuação nesse campo, com movimentos que misturam infraestrutura, aquisições e serviços corporativos.
Segundo o The Wall Street Journal, a estratégia não aparece como uma virada isolada, mas como uma sequência de ajustes para colocar a SpaceX mais próxima dos principais nomes da IA.
Cursor entra no plano da SpaceX como peça-chave no mercado de programação com inteligência artificial. Koupei Studio / Shutterstock – Koupei Studio / Shutterstock
Musk admite que está atrás na disputa
Musk reconheceu que a xAI e iniciativas ligadas à SpaceX ainda ficam atrás de rivais como OpenAI, Google e Anthropic no desenvolvimento de inteligência artificial.
A reação foi acelerar investimentos e reorganizar partes da estrutura da empresa para tentar ganhar velocidade nessa disputa, que já consome bilhões no setor.
compra da startup Cursor por cerca de US$ 60 bilhões em ações
uso ampliado de data centers próprios
foco mais direto em clientes corporativos
integração com a xAI e o chatbot Grok
ajustes internos voltados à IA
Cursor entra no centro da estratégia de inteligência artificial
A Cursor, startup voltada a ferramentas de programação com IA, passou a ocupar um papel mais relevante dentro desse plano. O produto já é utilizado por empresas como Nvidia, Deloitte e British Airways.
A aposta é transformar a plataforma em algo mais previsível em termos de receita e fortalecer a presença da SpaceX no mercado de software com inteligência artificial.
Na prática, a ferramenta ajuda desenvolvedores a escrever, revisar e editar código usando diferentes modelos de IA — e isso tem acelerado sua adoção.
Data centers da SpaceX passam a ser alugados para Google e Anthropic em novo movimento de receita. Imagem: Ascannio/Shutterstock
Data centers começam a virar negócio paralelo
Além das aquisições, a SpaceX passou a disponibilizar parte da capacidade de seus data centers para outras empresas, incluindo concorrentes como Google e Anthropic.
Esse movimento ganha força justamente no momento em que o setor de IA enfrenta uma demanda crescente por infraestrutura, o que tem pressionado custos e capacidade global.
aluguel de capacidade computacional
expansão de infraestrutura de IA
contratos com concorrentes diretos
busca por novas fontes de receita
uso mais intenso da estrutura já existente
xAI ainda enfrenta prejuízos, enquanto Musk tenta reorganizar o ecossistema de inteligência artificial. Imagem: Sergii Chernov – Shutterstock – Imagem: Sergii Chernov – Shutterstock / Edição: Ana Figueiredo – Olhar Digital
xAI ainda enfrenta pressão financeira
A integração da xAI ao ecossistema da SpaceX faz parte de um plano mais amplo de Musk para fortalecer sua atuação em IA. Mesmo assim, a empresa ainda convive com prejuízos elevados e custos operacionais altos.
Grande parte dessas despesas está ligada à construção de infraestrutura, treinamento de modelos e contratação de engenheiros especializados — uma conta que continua crescendo no setor.
A movimentação da SpaceX na inteligência artificial mostra uma aposta de longo prazo de Elon Musk. Entre aquisições bilionárias, uso de infraestrutura existente e reorganização interna, a empresa tenta ganhar espaço em um mercado dominado por gigantes e ainda em forte expansão.
A SpaceX, empresa de Elon Musk, anunciou nesta terça-feira (16) a compra da Anysphere – startup por trás da ferramenta de codificação com IA Cursor – por US$ 60 bilhões em ações.
Mas o que é a Cursor, por que ela vale tanto, e o que isso diz sobre os planos de Musk para dominar o mercado de IA?
O que é a Cursor?
A Cursor é um agente de IA para programação – na prática, um editor de código turbinado por inteligência artificial que permite a qualquer pessoa criar, editar e depurar software usando linguagem natural, sem precisar digitar código linha por linha.
Fundada em 2022 por quatro ex-alunos do MIT, incluindo o CEO Michael Truell, a empresa surgiu como uma derivação do editor VS Code – o mesmo usado por milhões de desenvolvedores ao redor do mundo – e foi incorporando capacidades de IA cada vez mais avançadas.
Com ela, é possível pedir mudanças no código em português (ou qualquer idioma), buscar informações em bases de código gigantescas, rodar comandos e concluir tarefas complexas de programação. O resultado: engenheiros de empresas como Nvidia, Uber, Adobe, Salesforce e Samsung adotaram a ferramenta, e ela já está presente em mais da metade das empresas da Fortune 500.
Por que a SpaceX pagou US$ 60 bilhões?
Números ajudam a entender: em meados de 2026, a Cursor já gerava bilhões de dólares em receita anual recorrente, com crescimento explosivo impulsionado pela demanda por ferramentas de desenvolvimento com IA.
Antes da SpaceX aparecer, a Cursor estava prestes a fechar uma rodada de US$ 2 bilhões com fundos como Andreessen Horowitz, Thrive e Nvidia, numa avaliação de US$ 50 bilhões. A empresa ainda recusou uma proposta de aquisição da OpenAI porque queria manter a independência – o que torna a venda para Musk ainda mais surpreendente.
Do lado da SpaceX, a lógica estratégica é clara: a companhia prometeu a investidores do seu IPO um mercado endereçável de US$ 28,5 trilhões – e boa parte desse número depende de IA para empresas. A Cursor é o atalho mais rápido para chegar lá.
A aquisição foi estruturada como uma fusão em ações – ou seja, sem uso do dinheiro levantado no IPO. As ações da SpaceX subiram 10% com o anúncio, colocando a empresa na rota de superar a Amazon em valor de mercado.
A estratégia faz sentido dentro de uma transformação maior: a SpaceX não é mais essencialmente uma empresa espacial – é uma empresa de inteligência artificial que também lança foguetes e transmite internet via satélite. A compra da Cursor é a prova mais contundente disso até agora.
Para completar o quadro: em fevereiro, a SpaceX já havia incorporado a xAI, a empresa de IA de Musk e criadora do chatbot Grok. Com a Cursor, a divisão de IA da SpaceX passa a contar com uma das ferramentas de desenvolvimento mais usadas no mundo corporativo.
O que a Cursor ganha com o negócio?
Além dos bilhões em ações, a Cursor passa a ter acesso ao supercomputador Colossus, da SpaceX – com capacidade equivalente a um milhão de GPUs H100. Essa infraestrutura era um gargalo para o desenvolvimento de modelos mais poderosos, incluindo o Composer, o modelo mais recente da empresa.
Para os usuários da Cursor, desenvolvedores e profissionais que dependem da ferramenta no dia a dia, a principal questão é se a independência que tornou o produto tão popular será mantida dentro do ecossistema de Musk. Por enquanto, a empresa não se pronunciou sobre mudanças nos planos ou na experiência do produto.
A SpaceX anunciou nesta terça-feira (16) a compra da Cursor por US$ 60 bilhões em ações da própria companhia, em uma das maiores transações recentes envolvendo ferramentas de inteligência artificial voltadas ao desenvolvimento de software. A conclusão da operação está prevista para o terceiro trimestre de 2026.
O acordo foi divulgado poucos dias após a estreia histórica da SpaceX na bolsa de valores, movimento que elevou a empresa a um valor de mercado superior a US$ 2 trilhões e fortaleceu sua posição entre as companhias mais valiosas dos Estados Unidos.
Com a incorporação da Cursor, a SpaceX busca ampliar sua atuação em inteligência artificial ao combinar uma plataforma consolidada de programação assistida por IA com a infraestrutura computacional desenvolvida por seus negócios ligados ao setor.
SpaceX amplia aposta em inteligência artificial com aquisição bilionária
Empresa espacial teve avaliação recorde – Imagem: Walter Cicchetti/iStock
Segundo documentos divulgados pela empresa, os acionistas da Cursor receberão US$ 60 bilhões em ações da SpaceX. A expectativa é que o processo de incorporação seja concluído ainda neste ano, após o cumprimento das etapas regulatórias e societárias previstas para a transação.
Fundada em 2023 por quatro ex-alunos do MIT, a Cursor iniciou suas atividades como uma empresa voltada a mensagens criptografadas. Com o passar do tempo, direcionou seus esforços para o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicadas à programação, segmento que ganhou relevância com a expansão dos chamados agentes autônomos de código.
A plataforma desenvolvida pela companhia permite que programadores utilizem diferentes modelos de IA em um único ambiente de trabalho. Entre as opções disponíveis estão tecnologias fornecidas por empresas como OpenAI, Anthropic, xAI e Google, o que posicionou a Cursor entre os principais nomes do setor.
A empresa também disputa espaço em um mercado cada vez mais competitivo. Entre os concorrentes citados estão ferramentas capazes de criar códigos, corrigir falhas em softwares e executar tarefas automatizadas para desenvolvedores.
Consoante informações divulgadas anteriormente pela própria SpaceX, a companhia já havia assegurado em abril o direito de adquirir a Cursor. Na ocasião, afirmou que mantinha uma colaboração próxima com a empresa em iniciativas relacionadas à programação e inteligência artificial.
Em uma publicação na rede social X, a SpaceX declarou que a união entre as duas empresas poderia acelerar o desenvolvimento de modelos avançados de IA ao combinar a presença da Cursor entre engenheiros de software com a capacidade computacional disponível em sua infraestrutura tecnológica.
A estrutura mencionada pela companhia inclui o Colossus, complexo de computação para inteligência artificial criado pela xAI em Memphis, no estado do Tennessee. Atualmente, a xAI integra os negócios da SpaceX, fortalecendo a estratégia da empresa para ampliar sua presença no setor.
SpaceX promete maior IPO da história – Imagem: FellowNeko/Shutterstock
O interesse da indústria pela Cursor não é recente. A reportagem informa que a companhia recusou propostas de aquisição apresentadas por grandes empresas de inteligência artificial no ano passado. Além disso, uma rodada de investimentos concluída em novembro atribuiu à empresa uma avaliação de mercado de US$ 29,3 bilhões.
A aquisição também ocorre em meio à busca da SpaceX por maior capacidade computacional. Embora a empresa já disponha da infraestrutura desenvolvida por sua divisão de IA, a necessidade de ampliar o poder de processamento continua sendo apontada como um dos desafios para sustentar seus planos de expansão.
Além dos investimentos em tecnologia, a SpaceX pretende utilizar ativos ligados ao setor espacial para competir em áreas associadas à inteligência artificial. Entre as iniciativas mencionadas está o pedido encaminhado a reguladores para autorizar a implantação de até um milhão de satélites voltados ao suporte de operações computacionais em órbita.
A reação do mercado foi imediata. As ações da SpaceX registraram forte valorização nas negociações pré-abertura desta terça-feira (16), ampliando uma sequência de ganhos iniciada após a estreia da empresa na Nasdaq.
Nos dois primeiros pregões após a abertura de capital, os papéis acumularam avanços expressivos. Caso o movimento seja mantido, a empresa poderá superar o valor de mercado da Amazon e assumir posição entre as cinco companhias abertas mais valiosas dos Estados Unidos.
O Google fechou um acordo com a SpaceX para alugar capacidade de processamento computacional por US$ 920 milhões (R$ 4,7 bilhões) por mês. O contrato foi divulgado pela SpaceX em um documento regulatório protocolado na sexta-feira, 5 de junho de 2026, segundo o TechCrunch.
Pelos termos do acordo, o Google terá acesso a “aproximadamente 110.000 GPUs da NVIDIA, CPUs, memória e outros componentes relacionados” entre outubro de 2026 e junho de 2029. O acesso à infraestrutura será ampliado gradualmente até setembro de 2026, período em que a empresa pagará uma taxa reduzida.
Google fechou acordo bilionário com a SpaceX para garantir capacidade extra de IA até 2029. Imagem: FotoField/Shutterstock – Imagem: FotoField/Shutterstock
Semelhanças com o contrato da Anthropic
O novo contrato lembra bastante o acordo anunciado pela SpaceX com a Anthropic no fim de maio. Na ocasião, a empresa concordou em pagar US$ 1,25 bilhão (R$ 6,4 bilhões) por mês até 2029 para usar toda a capacidade computacional disponível no data center Colossus 1, perto de Memphis, no Tennessee.
A estrutura foi criada originalmente pela xAI para projetos próprios de IA e hoje faz parte da SpaceX. Pelo tamanho do contrato, o Google deve ocupar algo próximo de metade da capacidade atualmente usada pela Anthropic no Colossus 1.
A SpaceX não informou qual data center será destinado ao Google. Elon Musk já havia sugerido anteriormente que o futuro Colossus 2 seria reservado à xAI.
Antes da parceria com a SpaceX, a Anthropic enfrentava limitações de capacidade computacional e chegou a ampliar os limites de uso de seus serviços no mesmo dia em que anunciou o contrato. O cenário do Google é bem diferente. Hoje, a empresa já opera uma das maiores estruturas de IA do mundo.
Anthropic também alugou infraestrutura da SpaceX em um contrato bilionário fechado em maio. Imagem: Mehaniq/Shutterstock – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
O que o Google diz sobre o acordo
Segundo o Google, o contrato surgiu após uma demanda acima do esperado pelos novos produtos de inteligência artificial da companhia.
“Google Cloud e SpaceX são parceiros de longa data”, afirmou a empresa em comunicado. “Este é um acordo de curto prazo e oportuno para garantir que tenhamos capacidade de ponte para atender à demanda crescente de clientes pela nossa plataforma de agentes, Gemini Enterprise, que foi ainda maior do que esperávamos.”
O anúncio reforça a corrida das gigantes de tecnologia por infraestrutura voltada à IA, hoje um dos recursos mais disputados do setor.
Cláusulas de cancelamento e penalidades
Assim como aconteceu no contrato com a Anthropic, o acordo com o Google prevê cláusulas de cancelamento. Tanto a SpaceX quanto o Google poderão encerrar o contrato com aviso prévio de 90 dias após 31 de dezembro de 2026.
Também há penalidades previstas caso a SpaceX não entregue a infraestrutura prometida. Segundo o contrato, se a empresa não disponibilizar a quantidade acordada de GPUs até 30 de setembro de 2026, o Google poderá cancelar imediatamente o acordo após um período de carência de um mês ou aceitar uma quantidade menor de GPUs, com redução proporcional das taxas mensais.
Entre os pontos que mais chamam atenção no contrato estão:
acesso a cerca de 110 mil GPUs e CPUs da NVIDIA;
pagamentos mensais próximos de R$ 5 bilhões;
contrato válido até junho de 2029;
possibilidade de rescisão com aviso prévio de 90 dias.
Google e SpaceX também discutem a criação de data centers em órbita para projetos futuros. Imagem: Findaview/Shutterstock – Imagem: Findaview/Shutterstock
IPO da SpaceX e relação com o Google
O anúncio acontece uma semana antes da estreia das ações da SpaceX na Nasdaq. Documentos enviados à Securities and Exchange Commission mostram que a empresa pretende levantar cerca de US$ 75 bilhões, com avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão — o que pode transformar a operação no maior IPO da história.
O Google investe na SpaceX há vários anos. Após a abertura de capital, a participação da Alphabet na companhia deve ultrapassar US$ 100 bilhões em valor. As duas empresas também negociam a possível construção de data centers em órbita, apontados como parte importante dos planos futuros da SpaceX.
A Alphabet, dona do Google, já reservou mais de US$ 180 bilhões para investimentos neste ano e afirmou que esse valor deve crescer significativamente em 2027. Para bancar esse ritmo de expansão, a empresa também anunciou recentemente uma venda de ações de US$ 80 bilhões.
Investidores globais estão ampliando suas apostas em empresas asiáticas que podem se beneficiar da próxima fase de expansão da inteligência artificial (IA), impulsionada pelas esperadas captações bilionárias de companhias, como SpaceX, OpenAI e Anthropic.
A avaliação do mercado é que os recursos levantados por essas empresas deverão alimentar uma nova onda de investimentos em infraestrutura tecnológica, beneficiando fabricantes de componentes, materiais especializados, sistemas de resfriamento e equipamentos de energia em toda a cadeia de suprimentos da Ásia.
Boom da IA impulsiona mercado asiático
A tese vem ganhando força em momento em que os mercados buscam identificar os próximos vencedores do boom da IA;
Segundo analistas e gestores ouvidos pela Bloomberg, parte significativa dos recursos que deverão ser levantados pelas três empresas estadunidenses acabará chegando aos fornecedores asiáticos responsáveis por peças de servidores, componentes eletrônicos, materiais para semicondutores e soluções energéticas utilizadas em data centers;
O movimento ocorre após fabricantes de chips da região se tornarem alguns dos maiores beneficiários da expansão dos centros de dados;
Empresas, como a TSMC, a Samsung e a SK Hynix, alcançaram valorizações que as colocaram no grupo de companhias avaliadas em mais de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).
Contudo, após fortes altas nos preços das ações, parte dos investidores passou a demonstrar preocupação com os níveis elevados de avaliação dessas empresas. Com isso, cresce a busca por uma nova geração de vencedores ligados à infraestrutura da IA.
“Os IPOs relacionados à IA podem alimentar ainda mais o boom de investimentos em capital em um momento em que as ações asiáticas de semicondutores parecem esticadas”, afirmou Ken Wong, especialista em ações asiáticas da Eastspring Investments Hong Kong.
Segundo ele, a gestora está reduzindo sua exposição ao setor de semicondutores dentro de sua estratégia tecnológica para a Ásia e direcionando maior atenção para fabricantes de componentes eletrônicos.
OpenAI está na mesma linha da SpaceX e visa IPO bilionário – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
Nova rodada de investimentos em IA
A disputa pela liderança em IA já levou gigantes da tecnologia, como a Meta e a Amazon, a realizar investimentos massivos em infraestrutura computacional.
Nesse contexto, as futuras ofertas públicas de ações de SpaceX, OpenAI e Anthropic são vistas como um fator que pode aliviar preocupações do mercado sobre a sustentabilidade do financiamento do setor, especialmente diante do aumento dos níveis de endividamento das empresas.
De acordo com Fabien Yip, analista de mercado da IG International, as listagens das três empresas poderão resultar em cerca de US$ 70 bilhões (R$ 352,6 bilhões) adicionais em gastos relacionados à IA, valor que se somaria aos mais de US$ 750 bilhões (R$ 3,8 trilhões) já comprometidos pelas principais empresas de computação em nuvem e infraestrutura digital.
Segundo Yip, os efeitos dessa expansão já podem ser observados nos resultados financeiros divulgados por fabricantes de chips. “O impacto sobre a Ásia é claramente visível”, afirmou. Para ela, à medida que a valorização ligada à IA amadurece, o movimento está se expandindo para além das empresas diretamente associadas ao desenvolvimento de chips.
Entre as operações mais lucrativas do mercado asiático neste ano estão fabricantes de componentes eletrônicos utilizados em servidores e fornecedores de materiais e processos empregados na produção de semicondutores.
A Samsung Electro-Mechanics e a Ibiden figuram entre os destaques do principal índice amplo de ações asiáticas da MSCI em 2026. Entre apostas consideradas menos óbvias, Yip destaca a fabricante japonesa de sanitários Toto, fornecedora de materiais cerâmicos utilizados em equipamentos para fabricação de semicondutores.
Os fabricantes asiáticos de chips vêm registrando lucros expressivos, impulsionados pela IA, beneficiados pelo forte poder de precificação decorrente da escassez de semicondutores. Agora, sinais de restrições de oferta começam a surgir em etapas posteriores da cadeia produtiva, tendência que pode se intensificar com a continuidade dos investimentos.
A maior conscientização dos investidores sobre esses novos gargalos, somada a fatores técnicos de mercado, tem contribuído para a ampliação do interesse por empresas além das grandes fabricantes de chips.
Servidores, conectividade e infraestrutura
Sam Konrad, gestor de portfólio da Jupiter Asset Management, vê oportunidades em empresas taiwanesas responsáveis pela montagem de servidores, como a Hon Hai e a Quanta, além da desenvolvedora de chips MediaTek.
“O ciclo de investimentos em IA vai durar vários anos”, afirmou. “Os investidores provavelmente buscarão empresas que sejam beneficiárias diretas, mas que ainda negociem com múltiplos de avaliação baixos.”
Song Zhe, da BNP Paribas Asset Management, acredita que a próxima etapa da valorização deverá ser mais seletiva. “A próxima fase da alta deve ser específica para determinadas ações, e não uma valorização generalizada dos semicondutores”, afirmou.
Segundo ele, sua equipe está concentrada em empresas ligadas a encapsulamento avançado de chips, substratos, testes, conectividade óptica, energia, sistemas de resfriamento e infraestrutura de servidores em Taiwan e na China, segmentos nos quais as perspectivas de crescimento dos lucros ainda podem justificar as avaliações de mercado.
Além disso, alguns investidores estão direcionando recursos para aplicações de IA além dos chatbots, incluindo robótica e veículos autônomos. Esse segmento emergente, conhecido como “IA física”, recebeu impulso dos esforços da Nvidia para expandir seus negócios nessa área, beneficiando empresas parceiras, como a LG.
Energia surge como novo gargalo
Outro setor que vem atraindo atenção crescente é o de energia, considerado fundamental para sustentar a proliferação de data centers. Fontes nucleares e alternativas de geração ganharam destaque, especialmente em um cenário de alta dos preços do petróleo, provocada pela guerra envolvendo o Irã.
Na Coreia do Sul, empresas, como a HD Hyundai Energy e a Daewoo Engineering & Construction, estão entre os principais destaques do mercado acionário local neste ano.
Na Índia, os investimentos do Adani Group em data centers abastecidos por energia renovável impulsionam o desempenho de suas subsidiárias do setor energético, representando uma das poucas apostas ligadas à inteligência artificial no país.
Jian Shi Cortesi, gestora da GAM Investment Management, considera o fornecimento de energia “o gargalo menos explorado” pelos investidores, mas alerta que a próxima fase da euforia em torno da IA pode envolver riscos maiores.
Segundo ela, caso a demanda por IA não justifique o volume de investimentos realizados, as empresas poderão reduzir seus gastos de capital, deixando o mercado diante de excesso de infraestrutura e de fortes quedas nas avaliações.
Anthropic também está no bolo – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Fornecedores asiáticos devem ser beneficiados
Brian Ooi, gestor da Swiss-Asia Financial Services, avalia que as futuras captações de recursos de SpaceX, OpenAI e Anthropic representam um sinal positivo para a manutenção de investimentos em ações relacionadas à IA.
Ele também destaca oportunidades ligadas ao setor energético, especialmente em fabricantes de transformadores, células de combustível, cabos, turbinas a gás e outros equipamentos. Segundo Ooi, as três empresas terão mais recursos para sustentar seus planos de expansão.
“As três grandes ofertas relacionadas à IA fornecerão mais liquidez para que elas continuem investindo em gastos de capital, e elas já possuem planos significativos de investimentos”, afirmou. “Os fornecedores asiáticos serão beneficiados.”
A Anthropic, empresa de inteligência artificial, conduz negociações com a Microsoft para acesso a chips de servidores de IA, conforme informações divulgadas nesta quarta-feira (21) pelo The Information. A iniciativa busca aumentar sua capacidade de processamento para sustentar a demanda crescente por seus modelos Claude.
Em paralelo, a companhia firmou um contrato de larga escala para utilização de centros de dados associados à SpaceX, localizados em Memphis, nos Estados Unidos. O acordo envolve pagamentos anuais estimados em 15 bilhões de dólares.
As duas movimentações indicam a intensificação da disputa por infraestrutura computacional no setor de IA, com contratos que combinam expansão de capacidade e mecanismos de flexibilidade operacional.
Para quem tem pressa:
A Anthropic busca ampliar sua capacidade de IA negociando acesso a chips da Microsoft e avançando em novas parcerias de infraestrutura;
A empresa também fechou um acordo de US$ 15 bilhões por ano com data centers ligados à SpaceX em Memphis até 2029;
Os contratos incluem cláusulas de ajuste e saída rápida, refletindo a disputa global por poder computacional em IA.
Expansão da base computacional e contratos de grande escala
Fachada da Microsoft – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
As tratativas com a Microsoft envolvem o uso de chips desenvolvidos para infraestrutura de inteligência artificial, conhecidos internamente como Maia.
Esses componentes fazem parte da estratégia da empresa de tecnologia para reduzir dependência de fornecedores externos e ampliar sua atuação no mercado de hardware para IA. No caso da Anthropic, o objetivo é utilizar esse tipo de recurso para executar seus modelos Claude com maior escala.
No outro eixo de sua estratégia, a empresa fechou um acordo com a SpaceX para acesso a centros de dados conhecidos como Colossus I e Colossus II.
O acordo também inclui uma cláusula que permite a qualquer uma das partes encerrar a parceria mediante aviso prévio de 90 dias. Segundo informações vinculadas ao documento regulatório da SpaceX, o volume financeiro do contrato tem potencial para se aproximar ou até superar parte relevante da receita anual da empresa em 2025.
Além disso, o cenário descrito aponta para uma pressão crescente sobre empresas de IA na busca por poder computacional, em um ambiente marcado por limitações de infraestrutura e expansão acelerada de demanda.
Em declarações associadas ao tema, foi mencionado que a oferta de capacidade de processamento em larga escala está se tornando um componente estratégico central nesse mercado.
A Anthropic fechou um acordo com a SpaceX de Elon Musk para ampliar sua capacidade computacional e atender à crescente demanda por seu software de inteligência artificial (IA) Claude.
A empresa planeja acessar recursos computacionais do grande data center da SpaceX em Memphis (EUA), conhecido como Colossus 1, conforme anunciaram as duas companhias nesta quarta-feira (6).
Segundo a startup, a parceria com a empresa espacial aumentará “substancialmente” seus recursos computacionais e permitirá que eleve seus limites de uso em seus produtos de IA. Os termos do acordo, contudo, não foram divulgados.
Ainda, como parte do novo acordo, a Anthropic disse que “manifestou interesse em firmar parceria com a SpaceX para desenvolvimento de múltiplos gigawatts [GW] de capacidade de computação de IA orbital”.
Nesse sentido, vale lembrar que Musk já demonstrou interesse em instalar data centers no espaço e aproveitar a energia solar para alimentá-los.
Empresa espacial de Elon Musk vai fornecer acesso ao seu data center – Imagem: Findaview / Shutterstock
Não é só a SpaceX: Anthropic fecha acordos com rivais
Esse não é o primeiro contrato desse tipo que a Anthropic firma. Recentemente, a empresa de Dario Amodei fechou acordo com o Google para fornecimento de chips e serviços em nuvem.
A SpaceX foi recém-fundida com a xAI — startup de IA de Musk e que está atrasada em termos de programação. Mas ela está à frente de algumas empresas na construção de data centers e armazenamento de chips da Nvidia.
Esses contratos da xAI podem posicioná-la como provedora de infraestrutura e impulsionar sua receita, tempos antes de a SpaceX realizar sua abertura de capital.
SpaceX também tem negócios com outras companhias do setor
Antes desse acordo com a Anthropic, a SpaceX chegou a fechar negócio com a empresa de programação de IA Cursor. A xAI está construindo data centers no Estado do Tennessee (EUA) e Mississippi (EUA) e obteve recursos para alugar chips para tais locais.
Recentemente, a SpaceX estimou, em documento, que a fábrica de chips planejada para ser erguida em parceria com sua “empresa-irmã” Tesla custará US$ 55 bilhões (R$ 271,8 bilhões), podendo chegar a US$ 119 bilhões (R$ 588,1 bilhões) caso as fases adicionais do projeto sejam concluídas.
O espaço, que será responsável pela fabricação de semicondutores e computação avançada de última geração e verticalmente integrada, será instalado no Condado de Grimes, no Texas (EUA).
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos formalizou acordos com sete empresas de tecnologia para integrar ferramentas de inteligência artificial em seus sistemas. A iniciativa marca um novo passo na estratégia do Pentágono para ampliar o uso de IA em operações militares e acelerar a adoção no dia a dia das Forças Armadas.
As sete companhias são: OpenAI, Google, Microsoft, Amazon Web Services (AWS), NVIDIA, SpaceX e a startup Reflection AI. Com os contratos, o governo americano passa a utilizar modelos e plataformas dessas empresas em ambientes confidenciais, incluindo redes de alto nível de segurança conhecidas como Níveis de Impacto 6 e 7.
Segundo o Departamento de Defesa, a medida busca ampliar o acesso de militares a ferramentas de ponta. A principal plataforma interna do órgão, a GenAI.mil, já foi utilizada por mais de 1,3 milhão de funcionários em apenas cinco meses de operação.
A expansão ocorre em meio a uma corrida global por aplicações militares de IA. Empresas do Vale do Silício têm demonstrado maior disposição em colaborar com o governo americano, aceitando condições para o uso de suas tecnologias em contextos de defesa. Para autoridades, o objetivo é garantir vantagem estratégica frente às rivais.
Anthropic foi classificada como risco à cadeia de suprimentos e está impedida de fechar contratos governamentais – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock
Anthropic ficou de fora
Apesar da ampliação da lista de parceiros, uma ausência chama atenção: a Anthropic. A empresa, que já teve seus modelos amplamente utilizados em ambientes militares, foi recentemente classificada pelo Pentágono como um risco à cadeia de suprimentos, após divergências sobre as regras de uso de suas ferramentas. O Olhar Digital explicou a briga aqui.
A disputa entre a startup e o governo se arrasta há meses. Durante esse período, o governo dos EUA passou a priorizar alternativas para reduzir a dependência de um único fornecedor.
Em declarações recentes, Emil Michael , subsecretário de defesa para pesquisa e engenharia e ex-executivo de tecnologia, afirmou que a Anthropic ainda representa um risco, mas que o modelo Mythos é um “momento de segurança nacional à parte”.
O cenário, no entanto, pode mudar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou recentemente que a desenvolvedora está “melhorando” aos olhos da administração, o que pode abrir caminho para uma eventual reversão da restrição e um novo acordo com o Pentágono.
Pentágono não quer depender de uma única empresa – Imagem: Keith J Finks/Shutterstock
Pentágono na corrida pela IA militar
Os novos acordos também refletem diferentes abordagens tecnológicas. Enquanto empresas como OpenAI e Google operam majoritariamente com modelos fechados, a inclusão da Nvidia e da Reflection indica o interesse crescente do Pentágono em soluções de código aberto. Esses modelos permitem maior personalização e transparência, características vistas como estratégicas em aplicações militares.
“A segurança é francamente aprimorada com o código aberto”, disse Jensen Huang, CEO da NVIDIA, ao defender esse tipo de abordagem em contextos de segurança nacional.
Ao mesmo tempo, empresas envolvidas nos contratos afirmam ter estabelecido limites para o uso de suas tecnologias, incluindo restrições relacionadas a vigilância em massa e armamentos autônomos. O Departamento de Defesa, por sua vez, declarou que seguirá as leis e diretrizes aplicáveis no uso dessas ferramentas.
A SpaceX planeja fabricar suas próprias GPUs (unidades de processamento gráfico), revelou a Reuters nesta quinta-feira (23). O plano consta em documentos de registro para a abertura de capital (IPO) da empresa, que deve ocorrer ainda em 2026.
A iniciativa busca garantir que a SpaceX tenha o poder de processamento necessário para suas ambições em inteligência artificial (IA), sem depender exclusivamente de fornecedores externos.
No documento enviado à SEC (órgão que regula o mercado financeiro nos EUA), a companhia de Elon Musk alertou investidores sobre os altos custos e os riscos de não ter suprimento de chips suficiente para sustentar seu crescimento.
Atualmente, a SpaceX não possui contratos de longo prazo com muitos de seus fornecedores diretos, o que torna a produção interna uma peça estratégica para a viabilidade de seus projetos para o futuro.
SpaceX: o projeto Terafab e o desafio da fabricação própria de chips
O coração dessa estratégia é o Terafab, complexo industrial em Austin, no Texas (EUA), desenvolvido em conjunto com a Tesla e a xAI (outras empresas de Musk).
Diferente de companhias que apenas desenham seus componentes, a visão do bilionário é que o Terafab cuide de cada etapa da produção, desde o design até a fabricação e os testes finais.
O coração da estratégia da SpaceX é o Terafab, complexo industrial em Austin, no Texas (EUA), desenvolvido em conjunto com a Tesla e a xAI – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Para tirar o projeto do papel, a empresa deve contar com a infraestrutura da Intel. Musk indicou que o processo de fabricação 14A, a próxima geração da empresa, deve estar maduro o suficiente para uso comercial no momento em que o Terafab ganhar escala.
Essa colaboração é vista pelo CEO como o “movimento certo” para garantir que a fábrica tenha a tecnologia de ponta necessária para produzir processadores de alta complexidade.
Atualmente, a indústria de chips funciona de forma fragmentada: gigantes como a Nvidia criam o projeto dos chips, mas dependem de fábricas terceirizadas, como a taiwanesa TSMC, para a construção física.
A SpaceX pretende romper esse modelo ao centralizar as etapas internamente. A ideia é evitar os gargalos logísticos e técnicos que hoje limitam a oferta global de hardware voltado para IA.
Apesar do otimismo, o caminho é tecnicamente árduo e financeiramente arriscado. A fabricação de chips de última geração exige precisão atômica e mais de mil etapas complexas, algo que poucas empresas no mundo dominam atualmente.
No próprio registro de IPO, a SpaceX foi franca com os investidores ao admitir que não há garantias de que os objetivos do Terafab serão alcançados nos prazos previstos. Nem se serão concretizados.
Elon Musk está exigindo que bancos e outros assessores envolvidos na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX adquiram assinaturas do Grok, seu chatbot de inteligência artificial (IA), segundo informações publicadas pelo The New York Times com base em fontes familiarizadas com o assunto.
De acordo com a reportagem, a exigência se estende a instituições financeiras, escritórios de advocacia, auditores e demais consultores que desejam participar de um dos maiores IPOs da história. Algumas dessas instituições já concordaram em gastar dezenas de milhões de dólares por ano com o serviço e iniciaram a integração do Grok em seus sistemas de tecnologia da informação.
Entre os bancos que atuam como coordenadores da oferta — conhecidos como bookrunners — estão Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup. Essas instituições desempenham papel central na estruturação e condução da operação.
Nem Musk nem SpaceX responderam aos pedidos de comentário do Times. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup e Bank of America se recusaram a comentar, enquanto o Morgan Stanley não respondeu imediatamente às solicitações.
IPO da SpaceX chega, mas a que custo?
A iniciativa ocorre em meio a expectativas elevadas para a abertura de capital da SpaceX;
Segundo a Bloomberg, a empresa elevou sua meta de valuation para mais de US$ 2 trilhões (R$ 10,3 trilhões), o que pode torná-la a maior listagem da história do mercado acionário;
A companhia pretende levantar cerca de US$ 75 bilhões (R$ 386,6 bilhões), superando grandes IPOs anteriores, como o da Saudi Aramco, em 2019, e o do Alibaba, em 2014;
Outras estimativas apontam que a oferta pode arrecadar mais de US$ 50 bilhões (R$ 257,7 bilhões), com avaliação acima de US$ 1 trilhão (R$ 5,1 trilhões). Nesse cenário, os bancos envolvidos poderiam gerar mais de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em taxas de assessoria.
A exigência de Musk não é totalmente incomum em grandes transações, nas quais empresas frequentemente fazem demandas a seus assessores financeiros. Ainda assim, a obrigatoriedade de adquirir um produto específico chama atenção pelo grau de imposição.
Segundo pessoas com conhecimento das negociações, a compra das assinaturas do Grok não foi apenas um gesto de boa vontade por parte dos bancos, mas uma condição imposta por Musk. O empresário também teria solicitado que os bancos anunciassem no X, de sua propriedade, embora essa exigência tenha sido menos enfática.
IPO da SpaceX promete ser um dos maiores da história – Imagem: photo_gonzo/Shutterstock
A estratégia evidencia a influência de Musk sobre o setor financeiro, especialmente em um momento em que Wall Street busca grandes operações após um período de baixa atividade em IPOs relevantes.
O Grok faz parte das iniciativas de IA associadas à SpaceX, que se fundiu à xAI em fevereiro. Apesar da aposta, o chatbot ainda ocupa uma posição inferior no mercado, atrás de concorrentes, como ChatGPT, Claude e Gemini.
Musk tem promovido o Grok como uma alternativa ao que considera excessos de correção política em outras plataformas, afirmando que o chatbot não seria “woke”.
Ainda assim, o sistema esteve envolvido em controvérsias recentes, incluindo a disseminação de conteúdo antissemita, elogios a Adolf Hitler e a geração de imagens sexualizadas sem consentimento. Países, como Indonésia e Malásia, proibiram o uso do Grok, enquanto outras nações abriram investigações.
Mesmo diante das críticas, Musk continua a promover o chatbot em sua rede social, incentivando seus seguidores a utilizarem a ferramenta. Em uma das mensagens republicadas por ele, lê-se: “Grok & xAI estão sem dúvida crescendo mais rápido do que qualquer outra IA.”
Atualmente, a maior parte da receita do Grok vem de assinaturas individuais. A adesão dos bancos pode fortalecer a vertente corporativa do produto antes da abertura de capital da SpaceX. Antes da fusão com a SpaceX, a xAI registrou cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em receita com suas operações de IA, embora não tenha detalhado a divisão entre clientes corporativos e consumidores finais.
Outro destaque financeiro da SpaceX é a Starlink, serviço de internet via satélite, considerado o principal ativo da empresa. Documentos financeiros indicam que o Starlink gerou aproximadamente US$ 8 bilhões (R$ 41,2 bilhões) em receita em 2024, além de bilhões de dólares em fluxo de caixa livre.
Nos últimos meses, banqueiros têm trabalhado nos escritórios da SpaceX, na região de Los Angeles, auxiliando na preparação dos documentos para o IPO. A empresa apresentou confidencialmente os papéis à Securities and Exchange Commission (SEC), mas não incluiu os nomes dos bancos envolvidos no registro.
Ainda não está definido qual instituição assumirá o papel principal na operação, posição que costuma garantir maior prestígio e participação nas taxas geradas pela oferta.