Três meses depois de Elon Musk prometer um longa-metragem de “A Odisseia” gerado por inteligência artificial e historicamente fiel, o Grok divulgou apenas sete minutos da produção. O vídeo foi desenvolvido com a Wonder Studios e o diretor Dev Walker.
Apresentado como o primeiro episódio de uma série, o material tem imagens que parecem realistas, mas foi criticado pela falta de ritmo, criatividade e envolvimento emocional.
O vídeo criado com IA apresenta cenas que, em alguns momentos, parecem mostrar atores reais navegando em alto-mar. – Imagem: Reprodução/X
De longa-metragem a série
A divulgação ocorre em meio às críticas de Musk à adaptação de “A Odisseia” dirigida por Christopher Nolan. O empresário contestou a escalação de atores não brancos e transgêneros para o filme.
As duas produções seguiram caminhos diferentes. Nolan apostou principalmente em filmagens tradicionais e efeitos visuais, com gravações em seis países e milhares de profissionais envolvidos. Lançado em julho, seu longa alcançou grande sucesso comercial, com sessões em salas Imax esgotadas por meses.
Já a versão do Grok aposta em imagens geradas por IA.
Imagens realistas, mas narrativa arrastada
Em alguns momentos, os personagens parecem atores reais navegando em alto-mar. Segundo o TechCrunch, a impressão não se sustenta durante todo o vídeo: a longa narração inicial dá lugar a uma sequência de rostos barbudos e diálogos considerados artificiais.
A voz do narrador, em inglês com sotaque britânico, lembra a de produções épicas de Hollywood e jogos de fantasia. A adaptação também não apresenta diálogos em grego antigo, embora Musk tenha prometido fidelidade histórica.
Entre os aspectos que mais chamam a atenção no episódio estão:
Construção dos personagens: a sucessão de rostos e falas rígidas dificulta a criação de vínculos com quem aparece na tela.
Identidade visual: apesar do realismo de algumas cenas, o conjunto carece de uma abordagem artística marcante.
Condução da história: a longa introdução demora a dar lugar aos acontecimentos, prejudicando o ritmo.
Experiência do espectador: a falta de impulso narrativo torna difícil manter o interesse até o fim.
Watch Episode 1 of our Odyssey series made with Grok Imagine.
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O episódio evidencia uma diferença importante: imagens convincentes não garantem uma história envolvente. Embora algumas cenas reproduzam a aparência do mundo real, a produção não consegue manter o mesmo nível de interesse ao longo dos sete minutos.
Na avaliação da crítica publicada no TechCrunch, a comparação com o filme de Nolan deixa esse problema evidente. Mesmo com ressalvas aos diálogos da adaptação tradicional, ele relata ter acompanhado as quase três horas do longa sem dificuldade. Já o vídeo do Grok provocou tédio antes de chegar à metade.
A recepção do primeiro episódio põe em dúvida o interesse por uma continuação. Musk havia prometido um longa-metragem completo, mas, até agora, divulgou apenas esse trecho inicial.
Elon Musk anunciou que a SpaceXAI, subsidiária da SpaceX dedicada à inteligência artificial, será renomeada como SpaceXSI. A mudança ocorre após Donald Trump defender a substituição do termo “inteligência artificial” por “superinteligência”, em uma tentativa de destacar as capacidades das tecnologias atuais.
Musk confirmou a decisão no último domingo, no X, depois que um seguidor perguntou se a empresa adotaria a nova sigla. O empresário respondeu que sim e deixou clara sua preferência pelo novo termo.
Superinteligência é o termo escolhido por Trump depois de considerar outras três alternativas. – Imagem: bella1105 / Shutterstock.com
Musk confirma a mudança de nome
Em uma publicação curta, Musk resumiu sua posição: “Não há mais IA. SI. É melhor.”
A declaração veio depois de Trump defender uma nova forma de nomear as tecnologias de inteligência artificial. Antes de chegar a “superinteligência”, o presidente norte-americano havia sugerido expressões como “inteligência suprema”, “inteligência extrema” e “inteligência superior”.
Em 29 de setembro, Trump assinou uma ordem executiva que introduziu o novo termo no governo norte-americano. Segundo a justificativa publicada pela Casa Branca, “Superinteligência” representaria melhor as capacidades das tecnologias desenvolvidas atualmente, destacando seu potencial para ampliar a criatividade humana e permitir realizações que antes pareciam impossíveis.
A explicação também procura diferenciar esses sistemas da ideia de que eles apenas imitam ou automatizam a inteligência humana.
De inteligência artificial a superinteligência
A tentativa de substituir o termo tradicional chama atenção porque “inteligência artificial” está consolidada há décadas. A expressão foi cunhada em 1955 pelo cientista da computação John McCarthy e passou a ser usada em pesquisas acadêmicas e na cultura popular.
As alternativas consideradas antes da escolha final também têm características próprias:
Inteligência suprema: expressão associada a uma inteligência artificial alienígena nos quadrinhos da Marvel;
Inteligência extrema: uma das opções avaliadas antes da definição do novo termo;
Inteligência superior: outra alternativa considerada durante o processo;
Superinteligência: expressão escolhida por Trump para substituir o termo tradicional.
Com a mudança, a SpaceXSI passa a incorporar no próprio nome a expressão que Trump tenta introduzir no vocabulário oficial sobre essas tecnologias.
Musk apoiou publicamente a troca de inteligência artificial por superinteligência defendida por Trump. – Imagem: QubixStudio/Shutterstock
O novo termo vai pegar?
Ainda não está claro se “SI” será incorporado ao vocabulário do setor. “Inteligência artificial” é uma expressão estabelecida há décadas, enquanto “superinteligência” começa a ganhar espaço a partir da iniciativa de Trump.
A própria mudança de Twitter para X oferece um paralelo. Como lembrou um dos comentários citados pela fonte, o público ainda encontra dificuldade para abandonar o nome antigo.
Agora, a SpaceXSI entra nessa disputa de nomenclatura. Resta saber se a nova sigla terá força suficiente para fazer “SI” deixar de ser apenas uma escolha de Musk e Trump e chegar ao uso cotidiano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu, nesta terça-feira (29), alguns dos principais executivos do setor de tecnologia para discutir o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), seus riscos e a necessidade de manter a liderança estadunidense na área.
O encontro aconteceu durante um almoço na Casa Branca e reuniu nomes, como Jensen Huang, CEO da Nvidia; Mark Zuckerberg, CEO da Meta; Sundar Pichai, CEO do Google; Dario Amodei, CEO da Anthropic; Greg Brockman, presidente da OpenAI; Elon Musk, da Tesla, SpaceX e xAI; Satya Nadella, CEO da Microsoft; e Jeff Bezos, fundador da Amazon.
Ao lado dos executivos, Trump afirmou que as empresas estão dispostas a adotar mecanismos próprios de segurança e disse que os participantes assinaram um acordo que chamou de “moralmente vinculante”.
O documento, apresentado como “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência”, estabelece compromissos voluntários para empresas que desenvolvem e implementam modelos de IA de fronteira. Entre as medidas estão controles internos, avaliações independentes e supervisão por comitês ligados aos conselhos de administração.
O acordo também prevê que as empresas participantes se reúnam regularmente para estabelecer padrões e boas práticas de segurança. O texto não descarta que, futuramente, parte dessas medidas possa ser transformada em leis ou regulamentos.
O que as empresas se comprometeram a fazer
O documento prevê quatro frentes principais:
A primeira é a criação de controles internos para acompanhar as capacidades e o comportamento dos modelos durante o treinamento e a utilização. A ideia é monitorar riscos relacionados a áreas, como cibersegurança, biossegurança e ameaças químicas, além de tentar evitar que os sistemas acessem ou invadam outros sistemas de maneira não intencional;
A segunda medida determina que cada empresa tenha uma equipe interna responsável por verificar os mecanismos de controle e monitoramento e garantir que eventuais problemas sejam corrigidos;
As companhias também deverão contratar avaliadores ou auditores independentes para verificar se os controles e mecanismos de segurança estão funcionando adequadamente;
Por fim, cada empresa deverá criar um comitê independente ligado ao conselho de administração, responsável por acompanhar os relatórios das equipes internas e dos avaliadores externos e monitorar a correção de eventuais falhas.
Mark Zuckerberg afirmou que as empresas concordaram em desenvolver controles internos robustos e que auditores deverão verificar esses procedimentos e reportar os resultados aos conselhos das companhias.
Apesar de Trump ter chamado o acordo de “moralmente vinculante”, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, descreveu o documento como uma declaração de princípios voluntária por parte da indústria.
Trump também afirmou que sua administração está considerando criar um comitê com dez integrantes para supervisionar a segurança da IA. Ele não informou quem faria parte do grupo.
Data centers também estiveram na pauta do presidente estadunidense – Imagem: shihabsarkar/Shutterstock
Trump defende autorregulação e expansão dos data centers
Durante o encontro, Trump afirmou que não pretende interromper o desenvolvimento da IA e defendeu a autorregulação pelas empresas. Segundo o presidente, além dos mecanismos criados pelo próprio setor, órgãos, como o Departamento de Justiça e o FBI, já possuem autoridade para agir em casos problemáticos.
Trump também voltou a defender a expansão dos enormes data centers necessários para treinar e operar sistemas de IA. Os empreendimentos vêm enfrentando resistência de comunidades estadunidenses por causa de questões, como consumo de eletricidade e custos para os serviços locais.
O presidente afirmou que as empresas de tecnologia deverão trabalhar com as comunidades onde os data centers forem instalados e fazer contribuições financeiras para essas regiões. “Eles querem ver comunidades seguras e felizes, e vão tornar as comunidades muito, muito felizes”, afirmou Trump.
Em outro momento, o presidente disse que as empresas fariam “contribuições enormes” para as comunidades que receberem essas estruturas.
A ideia também apareceu nas declarações de executivos. A CEO da AMD, Lisa Su, afirmou que saiu do encontro “muito encorajada” e destacou que existe uma responsabilidade das empresas de demonstrar o potencial da tecnologia ao mesmo tempo em que garantem sua segurança.
“É nossa responsabilidade mostrar o poder da tecnologia e também garantir que ela seja muito segura”, disse Su.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, participou do encontro depois de ter se reunido individualmente com Trump no domingo (27).
Amodei vem defendendo medidas para lidar com os riscos associados ao avanço dos sistemas de IA. Após o almoço, ele afirmou que as regras para enfrentar esses riscos ainda estão em discussão. “Todos nós precisamos trabalhar juntos para garantir que possamos vencer, e podemos vencer com segurança. Se fizermos isso da maneira certa, se trabalharmos com o presidente e todos aqui, poderemos vencer com segurança”, declarou.
A presença de Amodei também chama atenção porque a Anthropic está entre as empresas que defendem medidas de segurança para sistemas cada vez mais avançados. Na semana passada, líderes do setor, incluindo Amodei e o CEO da OpenAI, Sam Altman, participaram de discussões internacionais sobre os riscos da tecnologia e a necessidade de mecanismos de segurança.
No encontro desta terça-feira, entretanto, o foco ficou na tentativa de estabelecer controles dentro das próprias empresas, em vez de uma nova estrutura federal obrigatória.
Trump quer chamar IA de “superinteligência”
Além do acordo de segurança, Trump anunciou uma mudança de nomenclatura para a tecnologia. Segundo o presidente, ele assinou um documento para “oficialmente” mudar o nome de inteligência artificial para “superinteligência”.
“Nós mudamos oficialmente o nome hoje”, afirmou Trump. Segundo ele, o novo termo teria sido assinado pelos principais nomes da indústria reunidos na Casa Branca. Questionado se a mudança teria algum caráter obrigatório, Trump respondeu que o documento era “moralmente vinculante”.
Mike Johnson explicou que o documento assinado pelos participantes se chama “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência: Compromisso Conjunto sobre Responsabilidades da Superinteligência de Fronteira” e reúne compromissos voluntários da indústria.
A expressão “superinteligência”, porém, já é utilizada no setor de tecnologia para descrever sistemas de IA hipotéticos ou futuros capazes de superar seres humanos nas mais diversas tarefas. Portanto, o anúncio de Trump funciona como uma mudança de nomenclatura, e não como a criação de uma nova categoria tecnológica.
O presidente havia consultado seus seguidores nas redes sociais na semana anterior sobre possíveis novos nomes para a tecnologia, colocando em votação as opções “SUPER INTELLIGENCE” e “SUPERIOR INTELLIGENCE” (“superinteligência” e “inteligência superior”, em tradução livre).
Trump também mudou o nome da IA – Imagem: YousufDean / Shutterstock
Disputa entre segurança e desenvolvimento
O encontro ocorre em momento de aumento das discussões sobre a segurança de sistemas de IA. OpenAI e Anthropic relataram incidentes envolvendo agentes capazes de realizar ações não autorizadas, enquanto empresas e pesquisadores discutem como estabelecer limites para modelos cada vez mais autônomos.
Na Casa Branca, Trump manteve a defesa de uma abordagem baseada principalmente na autorregulação. “Acho que estou vendo uma enorme autorregulação. E eles entendem que precisam se autorregular”, disse o presidente.
O acordo firmado nesta terça-feira estabelece mecanismos internos e avaliações externas para acompanhar os sistemas, mas deixa aberta a possibilidade de que parte dessas medidas seja transformada em regras obrigatórias no futuro.
Ao mesmo tempo, Trump afirmou que os Estados Unidos precisam preservar sua vantagem tecnológica sobre a China. “É ótimo para nós, e estamos liderando por muito, e vamos continuar assim”, afirmou o presidente. “Vai ser muito, muito seguro, e haverá autorregulação, e também haverá uma fiscalização conjunta.”
O debate sobre a velocidade com que a inteligência artificial (IA) deve avançar ganhou nova dimensão nos Estados Unidos. Depois de alertas sobre os riscos da tecnologia e de pedidos para desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados, dois grupos distintos passaram a se destacar na discussão sobre segurança e regulação da IA.
De um lado estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o ex-“czar” de criptomoedas da Casa Branca David Sacks. Do outro, aparecem o CEO da Anthropic, Dario Amodei, o CEO da OpenAI, Sam Altman, o empresário Elon Musk e pesquisadores de IA.
O cenário reúne adversários políticos e antigos rivais da indústria de tecnologia em torno de posições diferentes sobre como lidar com os riscos associados ao avanço da IA.
Alertas sobre os riscos da IA
A atual onda de preocupação ganhou força depois que Jacob Coxon, pesquisador que trabalhava na Anthropic, deixou a empresa na semana passada. Ao anunciar sua saída, ele afirmou que OpenAI e Anthropic estavam “apostando nossas vidas” ao avançarem no desenvolvimento da tecnologia;
Durante a repercussão das declarações, um responsável pela área de alinhamento da Anthropic afirmou que a IA teria mais de 10% de chance de matar toda a humanidade;
O episódio foi seguido por um pedido de Amodei para que a indústria desacelere o desenvolvimento dos modelos de fronteira. Sam Altman aderiu à posição, em uma aproximação incomum entre os líderes de duas empresas que competem diretamente no mercado de IA;
Musk também declarou nas redes sociais que “Dario está certo” e afirmou posteriormente que vem alertando sobre os riscos da IA há bastante tempo;
A discussão chegou rapidamente a Washington e ampliou o debate sobre como reduzir riscos sem impedir o desenvolvimento tecnológico.
CFO da OpenAI pensa em desacelerar IA se for necessário para a segurança
A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou à CNBC que não está preocupada com uma eventual redução no ritmo de desenvolvimento de sistemas de IA de fronteira. Segundo ela, mesmo que o avanço fosse interrompido hoje, “a quantidade de inteligência que está disponível no mundo é enorme”.
Friar disse que a OpenAI continuará tomando decisões de investimento com base em “forte retorno sobre o investimento” (ROI, na sigla em inglês), mesmo que o desenvolvimento da tecnologia precise ser conduzido em um ritmo mais lento.
Friar também afirmou que não está preocupada especificamente com a possibilidade de agentes de IA utilizarem armas de destruição em massa para matar pessoas, mas ressaltou que a segurança precisa ser levada a sério.
“E se isso significar que precisamos dosar a fronteira e desacelerar, absolutamente, vamos ouvir nossos pesquisadores e fazer isso”, afirmou. Como diretora financeira, acrescentou, sua função seria tomar as decisões de negócio a partir dessa orientação. “Estamos dosando essa fronteira e levando a segurança e o alinhamento muito a sério”, disse.
Amodei propõe novas medidas de segurança
Durante um evento da Salesforce em São Francisco (EUA), Amodei voltou a defender redução no ritmo de desenvolvimento da IA e apresentou proposta baseada em três medidas:
A primeira seria permitir que avaliadores independentes tenham acesso às empresas de IA, acompanhando e avaliando diretamente os sistemas;
A segunda envolveria uma coordenação de padrões de segurança entre países democráticos. Posteriormente, essa cooperação poderia ser ampliada para uma coordenação global;
Em uma etapa posterior, a proposta avançaria para uma coordenação global, com o objetivo de ampliar essas medidas internacionalmente.
A Anthropic já se comprometeu com a primeira medida.
Amodei comparou a situação à indústria automobilística. Segundo ele, quando uma montadora enfrenta um problema grave de segurança, como uma falha nos freios, outras empresas deveriam aproveitar o episódio para revisar suas próprias práticas.
“É muito tentador atacar seu concorrente e dizer que eles não são seguros. Mas acho que a maneira mais responsável de responder é olhar para nosso próprio histórico”, afirmou.
O executivo também disse que o que mais o surpreende atualmente é a velocidade do progresso da IA e de seus efeitos econômicos. “Foi o ritmo do progresso — não apenas da tecnologia, mas também do lado econômico”, afirmou.
Trump chama preocupações de “farsa”
Do outro lado do debate, Trump vem rejeitando publicamente os alertas sobre os riscos da IA. Em diversas publicações na rede Truth Social, o presidente classificou os temores sobre uma IA fora de controle como uma “farsa” e uma “fraude”.
Trump também criticou a resistência à construção de novos data centers nos Estados Unidos. Segundo ele, pessoas que se opõem a esses projetos estariam favorecendo interesses que não querem que a expansão aconteça — incluindo, em sua avaliação, a China.
Na segunda-feira (14), Trump telefonou durante uma entrevista de Jensen Huang no evento All-In Summit, em Los Angeles (EUA), e levou a mensagem diretamente ao público ligado ao setor de tecnologia. Huang respondeu ao presidente: “Você está certo. Não vamos deixar isso acontecer, senhor”.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou durante depoimento à Câmara dos Representantes que Trump está “completamente alinhado” com Huang.
Nvidia quer que empresas continuem avançando
Huang voltou a defender essa posição no evento Dreamforce. “Não precisamos de novas leis. Não precisamos de novas regulamentações”, afirmou.
Segundo o executivo, as empresas deveriam simplesmente decidir quando seus sistemas estão prontos e continuar avançando rapidamente. Em outro momento, Huang resumiu sua posição com uma frase direta: “Corra o mais rápido que puder.”
O CEO da Nvidia também rejeitou preocupações sobre possível destruição generalizada de empregos provocada pela IA, classificando esse cenário como “completamente absurdo”.
Para Huang, praticamente todas as empresas passarão a utilizar IA como parte central de suas operações. “Todas as empresas, todas as organizações… se tornarão uma empresa de IA”, afirmou.
A disputa com a China
A competição tecnológica com a China é um dos principais argumentos apresentados pelo grupo contrário à desaceleração.
Parte da mensagem do governo Trump é que limitar a regulação seria fundamental para que os Estados Unidos mantenham vantagem na corrida pela IA. Trump afirmou no domingo que “quem vencer a IA vence”.
David Sacks, que atualmente ocupa a copresidência do Conselho de Assessores do Presidente para Ciência e Tecnologia, também defendeu que as empresas continuem avançando. Ele pediu que as companhias “avancem na fronteira”, mas criticou o argumento de que a motivação para desacelerar seja “puramente altruísta”.
Emil Michael, subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia, adotou uma posição semelhante. Em entrevista à Fox News, afirmou que os alertas atuais seriam parte de uma campanha coordenada de pessoas, ideologias e organizações sem fins lucrativos interessadas em assustar o público estadunidense.
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, também afirmou que Trump pretende reunir líderes da indústria de IA na Casa Branca “dentro da próxima semana”.
Johnson igualmente rejeitou os alertas sobre um possível colapso provocado pela tecnologia. Segundo ele, a mensagem de Trump é que as pessoas não estarão todas mortas em dez anos e que isso seria uma “farsa”.
Além de Trump, Jensen Huang é um dos CEOs de tecnologia contrários ao breque à IA – Imagem: noamgalai e FotoField/Shutterstock
O movimento em defesa de maior controle sobre a IA também criou alianças incomuns na política estadunidense.
Nesta terça-feira (15), o senador Bernie Sanders, democrata de Vermont, o deputado Chip Roy, republicano do Texas, e Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, participaram de evento em Washington em apoio a medidas relacionadas à IA.
Embora tenham posições políticas diferentes em diversas questões, eles se juntaram ao grupo que defende alguma forma de ação diante dos riscos associados ao avanço da tecnologia.
O debate, portanto, passou a envolver não apenas empresas concorrentes de IA, mas também integrantes de diferentes campos políticos.
Um confronto dentro da própria indústria
A divisão ganhou força justamente quando algumas das maiores empresas de IA do mundo começam a discutir publicamente os riscos associados ao desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.
Amodei defende que a indústria estabeleça mecanismos independentes de avaliação e coordenação internacional. Altman se aproximou dessa posição, enquanto Musk também declarou apoio ao pedido de desaceleração.
Huang, por outro lado, sustenta que o desenvolvimento deve continuar rapidamente e que novas leis e regulamentações não são necessárias. Trump acompanha essa posição e relaciona o ritmo da IA à competição tecnológica com a China.
O confronto ocorre ainda enquanto OpenAI e Anthropic avançam em direção a possíveis ofertas públicas iniciais de ações. As duas empresas estão entre as companhias de IA que podem realizar grandes IPOs, enquanto Altman indicou que a OpenAI pretende adiar sua oferta para o próximo ano em meio às preocupações recentes sobre segurança.
A discussão coloca no centro do debate estadunidense uma questão que reúne tecnologia, segurança, economia e competição internacional: até que ponto o desenvolvimento da IA deve avançar antes que novas medidas de controle sejam adotadas.
Sanders e Bannon convergem sobre os riscos da IA, mas defendem caminhos opostos
O debate sobre os riscos da IA também aproximou, de forma incomum, o senador Bernie Sanders e o estrategista Steve Bannon, figuras de polos opostos da política estadunidense. Os dois participaram da “Pro-Human Assembly”, em Washington (EUA), e defenderam regras mais rígidas para a IA, além de criticarem a concentração de poder nas mãos de grandes empresas de tecnologia.
A convergência, porém, termina nesse ponto. Sanders apresentou a IA como um risco global, comparável à corrida nuclear, e defendeu um acordo internacional para pausar o desenvolvimento de sistemas avançados. Bannon, por outro lado, tratou a disputa tecnológica com a China como uma questão de poder e defendeu o isolamento do país em relação ao ecossistema estadunidense de pesquisa, dinheiro e tecnologia.
“Uma IA superinteligente que escape do controle humano não será um problema americano. Não será um problema chinês. Será um problema da humanidade”, afirmou Sanders. O senador também disse esperar que Donald Trump negocie com o presidente chinês Xi Jinping um tratado para estabelecer uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e uma proibição da superinteligência.
Bannon adotou uma posição diferente. “Sem acordos, sem tratados: vocês estão fora do negócio de IA porque nós vamos derrubar o ecossistema de vocês”, declarou. O estrategista também afirmou que “os cidadãos americanos não vão mais ser suplicantes aos oligarcas”.
Elon Musk sugeriu que os maiores laboratórios de inteligência artificial permitam que concorrentes testem seus modelos antes do lançamento. A ideia é fazer com que empresas dos Estados Unidos e da China avaliem os sistemas umas das outras em busca de problemas de segurança.
Para o empresário, a checagem entre rivais evitaria que as próprias empresas fossem as únicas responsáveis por avaliar seus modelos. A proposta surge em meio a novos alertas sobre os riscos da tecnologia e a pedidos por maior controle sobre o desenvolvimento da IA.
Musk defende uma revisão entre rivais para identificar problemas antes do lançamento de novos modelos. – Imagem: Digineer Station/Shutterstock
Como funcionaria o teste cruzado
Pelo plano de Musk, os laboratórios permitiriam que concorrentes executassem uma espécie de bateria de testes nos modelos antes de eles serem lançados ao público. A proposta envolveria empresas norte-americanas e chinesas.
Participantes:xAI, OpenAI, Anthropic, Google, Meta e três ou quatro das principais empresas chinesas.
Método de análise: concorrentes testariam os modelos para identificar possíveis problemas de segurança.
Objetivo: aumentar as chances de encontrar falhas que poderiam passar despercebidas pela própria empresa.
“Em vez de corrigir sua própria prova, você teria pelo menos concorrentes corrigindo sua prova e dando o alarme se vissem preocupações”, afirmou Musk.
O debate sobre frear a IA
A proposta aparece depois que líderes de empresas como Anthropic e OpenAI defenderam uma desaceleração no desenvolvimento de modelos. Pesquisadores também fizeram alertas sobre os possíveis riscos da tecnologia.
Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman, apoiaram a proposta do CEO da Anthropic, Dario Amodei, para desacelerar o desenvolvimento. Amodei sugeriu que laboratórios de IA adotassem avaliações feitas por terceiros, com especialistas que verificariam as práticas de segurança.
A adesão à ideia de Musk, porém, ainda está longe de ser consenso. O empresário reconheceu que seu método pode não ser perfeito, mas defendeu que ele aumentaria significativamente a chance de encontrar problemas.
“As chances de você encontrar problemas são dramaticamente maiores”, disse Musk.
Trump resiste a limites maiores para a IA e afirma que desacelerar o setor poderia favorecer a China. – Imagem: PFG7/Philémon Henry
A barreira política em Washington
O governo Trump tem resistido aos pedidos por maiores limites para o desenvolvimento da IA. O presidente publicou mensagens na Truth Social classificando os temores sobre a tecnologia como uma “farsa” e um “golpe”.
Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, afirmou que o setor privado é o lugar adequado para lidar com as preocupações envolvendo a IA. Segundo ele, o governo continua monitorando a indústria e poderá usar a aplicação da lei quando necessário para garantir que as empresas ajam de maneira responsável.
Trump também argumenta que desacelerar o desenvolvimento da IA poderia dar vantagem à China. O próprio Amodei classificou essa questão como um dos dilemas mais difíceis do debate.
Do lado chinês, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores classificou os pedidos por uma desaceleração como “alarmismo”. Musk, por sua vez, afirmou acreditar que a China provavelmente aceitaria sua proposta de testes entre concorrentes.
As empresas de Elon Musk, X Corp e SpaceXAI, retiraram o processo contra a Apple que acusava a companhia de práticas anticompetitivas na App Store. O caso foi encerrado em um tribunal federal do Texas, sem que os motivos da decisão fossem divulgados.
O processo contra a Apple foi encerrado, mas as reivindicações envolvendo a OpenAI continuam. As empresas de Musk não divulgaram os motivos que levaram à retirada da ação contra a Apple. Imagem: Ascannio/Shutterstock
Por que Musk processou a Apple?
Apresentado no ano passado, o processo acusava a Apple de violar leis antitruste após a integração de ferramentas do ChatGPT ao Apple Intelligence. Segundo as empresas de Musk, a parceria favorecia Apple e OpenAI e dificultava a concorrência de seus produtos.
A queixa também dizia que o acordo explicava o baixo destaque dos aplicativos X e Grok na App Store. “Se não fosse pelo acordo exclusivo com a OpenAI, a Apple não teria motivo para deixar de destacar mais os aplicativos X e Grok em sua App Store”, afirmaram as empresas à Reuters.
A acusação tinha um contraponto: concorrentes como DeepSeek e Perplexity chegaram ao topo da App Store após a parceria entre Apple e OpenAI, enquanto a SpaceXAI não teve o mesmo resultado.
O que aconteceu com o processo?
X Corp e SpaceXAI solicitaram formalmente a retirada da ação. Não foram divulgados os motivos da desistência, nem se Apple e as empresas de Musk chegaram a algum acordo.
A retirada encerra a disputa contra a Apple, mas não as reivindicações envolvendo a OpenAI.
Entenda o caso:
X Corp e SpaceXAI retiraram a ação contra a Apple;
o caso foi encerrado em um tribunal federal do Texas;
os motivos da retirada não foram divulgados;
as reivindicações contra a OpenAI devem continuar.
O Grok enfrenta outra disputa judicial, com acusações relacionadas à geração de imagens de abuso sexual infantil. Há ainda alegações de uso da IA de Musk para produzir imagens íntimas falsas e não consensuais. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Grok enfrenta outra disputa
A SpaceXAI também está envolvida em outro processo relacionado ao Grok. As acusações envolvem a geração de milhares de imagens de abuso sexual infantil e alegações de que o sistema teria facilitado a produção em larga escala de imagens íntimas falsas e não consensuais usadas para assediar mulheres e meninas.
As denúncias provocaram uma investigação oficial das autoridades da Califórnia, que continua em andamento.
Enquanto a ação contra a Apple foi encerrada, as empresas de Musk mantêm as reivindicações contra a OpenAI e enfrentam outra disputa relacionada ao Grok.
Pesquisadores e funcionários da Anthropic estão aumentando publicamente os alertas sobre os riscos do avanço da inteligência artificial (IA). Integrantes da própria empresa afirmam que a tecnologia pode se tornar tão avançada e perigosa que teria potencial para provocar a extinção humana na próxima década.
As declarações surgiram um dia depois de Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, anunciar que deixaria a empresa. Em uma publicação que viralizou, ele afirmou que tanto a Anthropic quanto a OpenAI, onde trabalhou anteriormente, não estariam desenvolvendo modelos de IA de maneira responsável e estariam “apostando com nossas vidas”.
A manifestação de Coxon provocou reação de outros funcionários da Anthropic, que passaram a publicar seus próprios alertas sobre os riscos associados ao desenvolvimento acelerado da tecnologia.
Anna Wang, que trabalha com segurança de Inteligência Artificial Geral (IAG) na Anthropic e anteriormente atuou no Google DeepMind, afirmou que muitas pessoas dentro da empresa querem desacelerar o desenvolvimento para elaborar um plano capaz de reduzir os riscos associados aos modelos avançados.
“Não existe ainda um plano científico viável para resolver os riscos de uma IA que se autoaperfeiçoa recursivamente”, escreveu Wang.
Outro funcionário da Anthropic, Drake Thomas, afirmou respeitar a decisão de Coxon de não participar do desenvolvimento desses modelos caso ele considere que possam representar riscos em escala planetária.
“As coisas estão avançando rápido demais e não temos nem de longe o grau de garantia que gostaríamos para uma superinteligência artificial”, escreveu Thomas.
Pesquisador estima mais de 10% de chance de extinção
Entre os alertas mais contundentes está o de Evan Hubinger, que se identifica como líder na divisão de alinhamento da Anthropic, área dedicada a garantir que os modelos da empresa funcionem de acordo com objetivos humanos;
Hubinger afirmou que Coxon está correto e que a indústria está ficando para trás na tentativa de lidar com o potencial catastrófico da tecnologia. “Nós realmente acreditamos que a IA poderia matar todos os humanos!”, escreveu;
O pesquisador acrescentou que, pessoalmente, estima em mais de 10% a probabilidade de isso acontecer na próxima década;
Outro pesquisador de segurança da Anthropic, Samuel Marks, também afirmou que desenvolvedores de IA acreditam que a tecnologia poderia provocar a extinção humana ou consequências igualmente graves;
Segundo Marks, isso poderia acontecer nos próximos anos e, de maneira geral, quanto mais sênior o funcionário, maior seria sua preocupação.
Musk chama alertas de “psyop”
As declarações provocaram reação de Elon Musk, que adotou postura muito mais cética em relação aos alertas. “Isso parece uma armação”, escreveu Musk no X.
Posteriormente, o bilionário afirmou que o episódio poderia fazer parte de uma “psyop”, termo usado para descrever uma operação psicológica destinada a influenciar a percepção pública.
Musk respondeu a uma publicação de Parker Thayer, pesquisador do grupo conservador Capital Research, que levantou, sem apresentar evidências, a hipótese de que a declaração de Coxon seria o início de uma operação de relações públicas sofisticada e financiada para obter apoio a regulamentações mais rígidas contra a IA.
Elon Musk desqualificou as falas de Coxon – Imagem: Joshua Sukoff/Shutterstock
Musk afirmou que os preparativos para essa suposta operação já vinham acontecendo há algum tempo e que a publicação de Coxon teria sido apenas a faísca que iniciou o processo.
Coxon respondeu diretamente ao bilionário, publicando uma selfie e afirmando que é uma pessoa real e que aquelas são suas crenças reais. Ele ainda disse que Musk poderia perguntar sobre ele aos pesquisadores da xAI, caso não tivesse demitido alguns deles.
Em resposta aos questionamentos, a Anthropic defendeu sua estratégia. “Sempre fomos transparentes de que a IA trará enormes benefícios e riscos sem precedentes“, afirmou um porta-voz da empresa ao The Guardian.
Segundo a companhia, seus modelos continuam sendo desenvolvidos com algumas das medidas de segurança mais fortes existentes na indústria. Nem todos os especialistas, porém, acreditam que o principal risco seja necessariamente uma superinteligência capaz de exterminar a humanidade.
O cientista Gary Marcus, uma das vozes conhecidas no debate sobre IA, afirmou que é hora de boicotar a tecnologia, mas por danos que já estão ocorrendo.
Para Marcus, preocupações mais imediatas incluem patógenos produzidos com auxílio de IA, guerras iniciadas ou agravadas por desinformação gerada por sistemas de IA e ataques capazes de destruir infraestruturas críticas. “Não vi nada que indique que qualquer uma dessas coisas esteja sob controle”, afirmou.
Alerta surge no mesmo dia de caso envolvendo arma biológica
A discussão ganhou um elemento especialmente concreto no mesmo dia em que as declarações dos pesquisadores ganharam força.
A Anthropic divulgou um relatório documentando como a empresa desmantelou uma operação que tentava construir uma arma biológica utilizando seus modelos de IA.
O episódio não demonstra que uma IA autônoma tenha desenvolvido uma arma por conta própria, mas mostra como modelos disponíveis atualmente podem ser envolvidos em tentativas de uso para fins extremamente perigosos.
O caso acabou colocando lado a lado duas discussões que normalmente aparecem separadas: os riscos futuros de uma IA potencialmente superinteligente e os riscos mais imediatos associados ao uso de modelos atuais para atividades capazes de causar danos graves.
Um novo documentário sobre Elon Musk virou assunto no Festival de Veneza ao usar inteligência artificial para simular uma entrevista com o próprio bilionário. A equipe do filme recriou a imagem e a voz do empresário para reproduzir declarações dadas por ele em outras ocasiões.
O diretor Alex Gibney, vencedor do Oscar, explicou que a equipe consultou advogados antes de usar o avatar digital e recebeu autorização para isso. A ideia é provocar uma reflexão sobre a visão de Musk a respeito da tecnologia e sobre suas posições em relação aos algoritmos.
As falas do avatar não são novas: foram montadas a partir de declarações reais de Musk. – Crédito: SpaceX
Entrevista sintética e provocação conceitual
A opção pela figura criada por computador foi proposital. Segundo Alex Gibney, a estratégia ironiza a tese defendida pelo empresário de que a humanidade vive em uma simulação, criando um contraste entre as falas reais do bilionário e sua versão virtual.
O cineasta afirmou que o objetivo é transmitir a “realidade do que ele fez e a irrealidade de sua narrativa”.
Advogados foram consultados antes de avançar com a ideia e receberam autorização para utilizar o avatar de Musk. A produção usa declarações que o empresário realmente deu em outras entrevistas, em vez de criar novas falas para a versão digital.
Revelações pessoais e críticas ao X
Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora que tem um filho com Musk, aparece no documentário e fala sobre o relacionamento entre os dois, a personalidade do empresário e um acordo de confidencialidade que lhe foi apresentado em relação ao pagamento de pensão.
Foi-me oferecida a oportunidade de não falar por US$ 40 milhões.
Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora, em trecho do documentário.
A produção também reúne outros depoimentos e aborda diferentes momentos da trajetória de Musk:
Mudança no algoritmo: Gibney e a jornalista Zoë Schiffer criticam alterações no algoritmo do X, antigo Twitter.
Informações de cidadãos: O filme levanta preocupações sobre as informações coletadas sobre cidadãos americanos por integrantes do DOGE, que tiveram amplo acesso a agências do governo dos EUA.
Trajetória pessoal: Participam do documentário Errol Musk, pai do empresário; Justine Musk, primeira mulher de Musk; e Martin Eberhard, cofundador da Tesla.
O longa-metragem examina os impactos das mudanças promovidas por Musk no algoritmo da rede social X. Imagem: kovop/Shutterstock
Críticas ao controle da rede
A obra aborda a aquisição do X por Musk e o que Gibney descreve como uma manipulação do algoritmo da plataforma.
“Uma coisa que eu não entendia corretamente quando comecei o filme era como Musk ajustou os algoritmos do Twitter para, na verdade, priorizar a hostilidade e o ódio em vez daquilo que deveria ser uma praça pública.”
Zoë Schiffer, jornalista da Wired que também participa do documentário, afirmou que Musk ajustou o algoritmo “tanto para reduzir a presença do jornalismo tradicional quanto para ampliar alguns dos comentários e das vozes mais inflamatórias da plataforma”.
Com quase quatro horas de duração, o filme passa pela infância de Musk, seus primeiros anos no Vale do Silício, sua atuação no DOGE durante o segundo governo de Donald Trump e sua participação na política de direita internacional. “Musk” chega aos cinemas em outubro.
Um juiz federal nos Estados Unidos negou o pedido da xAI para suspender a lei de Minnesota que proíbe imagens falsas de nudez criadas por inteligência artificial. Com o veto ao recurso da empresa, a regra segue em vigor.
A companhia de Elon Musk levou o caso aos tribunais sob o argumento de que a legislação fere a liberdade de expressão. O estado defende que a medida é necessária para proteger pessoas que têm seus corpos expostos sem autorização.
O impasse jurídico entre a xAI e o estado aborda os limites da liberdade de expressão diante dos riscos da IA para o público. – Imagem: Ascannio/Shutterstock
Restrição a programas que tiram roupas de fotos digitais
Válida desde 1º de agosto, a lei de Minnesota impõe limites claros contra abusos digitais. A regra impede que operadores de sites, desenvolvedores e usuários utilizem inteligência artificial para remover digitalmente as roupas de qualquer pessoa identificável em fotos. É a primeira legislação nos Estados Unidos com foco específico nessa prática.
O objetivo do estado é conter o avanço de ferramentas voltadas à criação de montagens explícitas sem o consentimento das vítimas.
Processo aponta riscos ao público e debates constitucionais
Ao analisar a solicitação, o juiz Donovan Frank entendeu que a xAI não comprovou que sofreria prejuízos graves com a manutenção da regra enquanto a ação principal tramita. Por esse motivo, negou o pedido de suspensão provisória.
“As questões constitucionais levantadas pelas partes são complexas, especialmente por envolverem uma tecnologia nova e os riscos que ela representa para o público”, afirmou Frank. O juiz também indicou que essas questões serão analisadas de forma detalhada durante o processo.
A disputa começou quando a xAI processou o estado alegando violação à Primeira Emenda da Constituição americana. Em julho, a Justiça já havia rejeitado uma tentativa de impedir o início da validade da norma, mas aceitou dar prioridade ao andamento da causa.
O que está em jogo?
A lei proíbe o uso de softwares de IA para retirar roupas de pessoas em fotos.
A xAI argumenta que a proibição viola o direito constitucional à livre expressão.
O estado de Minnesota afirma que o foco é impedir abusos e exposição não consentida.
A proibição segue valendo enquanto o processo continua.
O julgamento em Minnesota serve como precedente para futuras regulamentações sobre inteligência artificial no mundo. Imagem: JRdes/Shutterstock
Histórico do chatbot Grok e ações de proteção
O caso ganhou força após críticas ao Grok, chatbot da xAI que gerou polêmica pela criação de mídias sexualmente explícitas. Pressionada por reguladores por mais travas de segurança, a própria xAI passou a processar usuários que burlam as proteções do sistema para gerar nudes não autorizados.
A xAI e o gabinete do procurador-geral de Minnesota não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Enquanto isso, a lei continua em vigor e a disputa sobre seus limites constitucionais prossegue na Justiça.
Executivos das maiores empresas de tecnologia e integrantes do governo de Donald Trump pressionaram autoridades de outras grandes economias a reduzir a regulamentação sobre inteligência artificial (IA) durante um encontro do G20 realizado nesta semana nos Estados Unidos.
O argumento apresentado pelos empresários e representantes da administração estadunidense é que regras muito rígidas podem limitar uma indústria com potencial para impulsionar o crescimento econômico mundial, acelerar avanços tecnológicos e até contribuir para a cura de doenças.
Jensen Huang, CEO da Nvidia; Sam Altman, da OpenAI; Mark Zuckerberg, CEO da Meta; e Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, estiveram entre os participantes de um encontro do G20 dedicado à inovação e tecnologia.
O grupo defendeu uma abordagem menos restritiva para a IA e alertou que regulamentações agressivas poderiam limitar os benefícios proporcionados pela tecnologia.
A posição foi reforçada pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick; pelo assessor da Casa Branca para IA, David Sacks; e por Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca.
Segundo os representantes do governo Trump, a estratégia de regulamentação mais leve adotada pelos Estados Unidos já estaria contribuindo para o crescimento da economia.
Jensen Huang pede foco em danos reais
Durante o encontro, Jensen Huang pediu aos representantes dos países do G20 que evitem criar regras baseadas em riscos hipotéticos. “Não regulamentem danos hipotéticos e teóricos. Regulamentem danos reais e pragmáticos”, afirmou o executivo.
Huang também argumentou que os próprios avanços tecnológicos estão tornando os sistemas de IA mais seguros. Segundo ele, técnicas, como o treinamento avançado de modelos, que permite aumentar a precisão dos sistemas, podem contribuir mais para a segurança da tecnologia do que algumas das regulamentações propostas pelo governo de Joe Biden e por outros países.
Após a fala do executivo, autoridades de diferentes países fizeram fila para tirar fotos com Huang, que se tornou uma figura de destaque mundial com a expansão da Nvidia durante o atual boom da IA.
“O presidente Trump está comprometido em garantir que os Estados Unidos liderem em IA e levem o ecossistema americano de IA para todo o mundo, aos nossos parceiros do G20”, afirmou Lutnick em entrevista coletiva.
Debate ocorre em meio a preocupações com segurança
As discussões no campus da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill (EUA), ocorreram depois de incidentes envolvendo modelos de IA da OpenAI e da Anthropic utilizados em ataques contra outras organizações.
Os episódios reforçaram a percepção sobre a velocidade dos avanços na área e aumentaram as preocupações com segurança.
Nesta semana, o senador Bernie Sanders, independente de Vermont (EUA), chegou a defender uma pausa global no desenvolvimento de IA.
Ao mesmo tempo, dezenas de estudantes e ativistas locais realizaram um breve protesto do lado de fora do evento. A manifestação fez parte de reação crescente à construção de data centers necessários para alimentar a expansão da IA nos Estados Unidos.
O condado que sediou o encontro aprovou recentemente uma moratória de um ano para novos data centers. Dezenas de outras localidades estadunidenses adotaram medidas semelhantes nos últimos meses, motivadas por preocupações com o consumo excessivo de energia e água dessas instalações.
Lutnick criticou esse tipo de restrição. “É desinformação, e, ao estabelecer uma moratória sobre data centers, isso significa que o próximo conjunto de oportunidades simplesmente não irá para vocês”, afirmou o secretário, referindo-se a estimativas que considera enganosas sobre o alto consumo de água dessas estruturas.
Governo Trump aumentou supervisão, mas evita regras obrigatórias
Apesar da defesa de uma abordagem de pouca regulamentação, o avanço dos modelos mais poderosos de IA também levou o governo Trump a aumentar a supervisão sobre a indústria. A administração afirma estar adotando a abordagem menos restritiva possível.
O governo começou a analisar algumas das ferramentas mais poderosas antes de seu lançamento e chegou a suspender temporariamente dois modelos da Anthropic em junho devido a preocupações de segurança.
Empresas, como a OpenAI, também passaram a adicionar novas camadas de segurança para evitar incidentes e começaram a lançar determinados modelos de maneira gradual depois dos episódios envolvendo seus sistemas.
A Casa Branca, porém, não adotou regulamentações obrigatórias para testes antes do lançamento. Em vez disso, defende que os testes de segurança sejam realizados voluntariamente pelas empresas.
Musk foi outro CEO de tecnologia que esteve presente no encontro – Imagem: SpaceX
A disputa regulatória também está ligada à competição tecnológica entre Estados Unidos e China. Além de tentar atrair usuários para seus próprios modelos, os Estados Unidos vêm incentivando outros países a não adotarem alternativas chinesas mais baratas.
A China busca ampliar a utilização de seus modelos de menor custo e criar dependência em torno dessas ferramentas. Estados Unidos e China devem discutir cooperação global em IA ainda neste mês, durante conversas que também deverão envolver Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping.
Kratsios e Lutnick se reuniram com autoridades chinesas durante o encontro do G20. A China também assinou, junto a outros países do grupo, um conjunto de princípios amplos de inovação.
Empresas chinesas lançaram nas últimas semanas modelos de IA poderosos com pesos abertos, permitindo que usuários baixem os parâmetros numéricos que determinam o comportamento dos sistemas.
A possibilidade de restringir o acesso a essas ferramentas passou a ser considerada por integrantes da administração Trump devido a preocupações de segurança.
Executivos, como Zuckerberg e Huang, entretanto, se opõem a esse tipo de restrição. Para eles, ampliar o acesso às ferramentas de IA pode ser justamente uma maneira de fortalecer os sistemas de segurança. “Além do que nós mesmos lançamos, somos grandes defensores de que o código aberto não seja algo que as pessoas tentem restringir ou bloquear”, afirmou Zuckerberg.
Musk prevê impacto de até 30% na economia mundial
Elon Musk também defendeu uma regulamentação mínima para estimular a inovação e criticou o sistema regulatório europeu, diante de autoridades do continente presentes no encontro.
Segundo Musk, a IA poderá aumentar o tamanho da economia mundial entre 20% e 30%. O executivo relacionou esse impacto à expansão do uso de robôs equipados com IA em diferentes setores da economia.
Além de Musk, Huang, Zuckerberg e Altman, participaram do encontro Alex Karp, CEO da Palantir, e Tom Brown, diretor de computação da Anthropic.
Altman e Hassabis defendem padrões globais
Apesar do consenso entre os participantes sobre os riscos de uma regulamentação excessivamente rígida, alguns executivos destacaram a necessidade de estabelecer padrões internacionais para a IA.
Sam Altman e Demis Hassabis, cientista-chefe da Alphabet, controladora do Google, estiveram entre os poucos executivos presentes a mencionar a necessidade de padrões e mecanismos globais de supervisão para enfrentar riscos relacionados à cibersegurança e outros possíveis danos causados pela tecnologia.
Os dois, porém, afirmaram que essas ameaças não justificam regulamentações rígidas capazes de restringir o acesso à IA. “Seria aproximadamente tão ruim dizer ‘não vamos ter IA em nosso país’ quanto foi dizer ‘não vamos ter eletricidade em nosso país’ há mais de 100 anos”, afirmou Altman.
Os encontros em Chapel Hill ocorreram na mesma semana das reuniões dos ministros das Finanças do G20 e fazem parte da preparação para a cúpula de líderes do grupo, que será realizada em Miami (EUA) ainda neste ano.