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Frear ou acelerar? IA coloca gigantes da tecnologia em lados opostos

O debate sobre a velocidade com que a inteligência artificial (IA) deve avançar ganhou nova dimensão nos Estados Unidos. Depois de alertas sobre os riscos da tecnologia e de pedidos para desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados, dois grupos distintos passaram a se destacar na discussão sobre segurança e regulação da IA.

De um lado estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o ex-“czar” de criptomoedas da Casa Branca David Sacks. Do outro, aparecem o CEO da Anthropic, Dario Amodei, o CEO da OpenAI, Sam Altman, o empresário Elon Musk e pesquisadores de IA.

O cenário reúne adversários políticos e antigos rivais da indústria de tecnologia em torno de posições diferentes sobre como lidar com os riscos associados ao avanço da IA.

Alertas sobre os riscos da IA

  • A atual onda de preocupação ganhou força depois que Jacob Coxon, pesquisador que trabalhava na Anthropic, deixou a empresa na semana passada. Ao anunciar sua saída, ele afirmou que OpenAI e Anthropic estavam “apostando nossas vidas” ao avançarem no desenvolvimento da tecnologia;
  • Durante a repercussão das declarações, um responsável pela área de alinhamento da Anthropic afirmou que a IA teria mais de 10% de chance de matar toda a humanidade;
  • O episódio foi seguido por um pedido de Amodei para que a indústria desacelere o desenvolvimento dos modelos de fronteira. Sam Altman aderiu à posição, em uma aproximação incomum entre os líderes de duas empresas que competem diretamente no mercado de IA;
  • Musk também declarou nas redes sociais que “Dario está certo” e afirmou posteriormente que vem alertando sobre os riscos da IA há bastante tempo;
  • A discussão chegou rapidamente a Washington e ampliou o debate sobre como reduzir riscos sem impedir o desenvolvimento tecnológico.

CFO da OpenAI pensa em desacelerar IA se for necessário para a segurança

A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou à CNBC que não está preocupada com uma eventual redução no ritmo de desenvolvimento de sistemas de IA de fronteira. Segundo ela, mesmo que o avanço fosse interrompido hoje, “a quantidade de inteligência que está disponível no mundo é enorme”.

Friar disse que a OpenAI continuará tomando decisões de investimento com base em “forte retorno sobre o investimento” (ROI, na sigla em inglês), mesmo que o desenvolvimento da tecnologia precise ser conduzido em um ritmo mais lento.

Friar também afirmou que não está preocupada especificamente com a possibilidade de agentes de IA utilizarem armas de destruição em massa para matar pessoas, mas ressaltou que a segurança precisa ser levada a sério.

“E se isso significar que precisamos dosar a fronteira e desacelerar, absolutamente, vamos ouvir nossos pesquisadores e fazer isso”, afirmou. Como diretora financeira, acrescentou, sua função seria tomar as decisões de negócio a partir dessa orientação. “Estamos dosando essa fronteira e levando a segurança e o alinhamento muito a sério”, disse.

Amodei propõe novas medidas de segurança

Durante um evento da Salesforce em São Francisco (EUA), Amodei voltou a defender redução no ritmo de desenvolvimento da IA e apresentou proposta baseada em três medidas:

  • A primeira seria permitir que avaliadores independentes tenham acesso às empresas de IA, acompanhando e avaliando diretamente os sistemas;
  • A segunda envolveria uma coordenação de padrões de segurança entre países democráticos. Posteriormente, essa cooperação poderia ser ampliada para uma coordenação global;
  • Em uma etapa posterior, a proposta avançaria para uma coordenação global, com o objetivo de ampliar essas medidas internacionalmente.

A Anthropic já se comprometeu com a primeira medida.

Amodei comparou a situação à indústria automobilística. Segundo ele, quando uma montadora enfrenta um problema grave de segurança, como uma falha nos freios, outras empresas deveriam aproveitar o episódio para revisar suas próprias práticas.

“É muito tentador atacar seu concorrente e dizer que eles não são seguros. Mas acho que a maneira mais responsável de responder é olhar para nosso próprio histórico”, afirmou.

O executivo também disse que o que mais o surpreende atualmente é a velocidade do progresso da IA e de seus efeitos econômicos. “Foi o ritmo do progresso — não apenas da tecnologia, mas também do lado econômico”, afirmou.

Trump chama preocupações de “farsa”

Do outro lado do debate, Trump vem rejeitando publicamente os alertas sobre os riscos da IA. Em diversas publicações na rede Truth Social, o presidente classificou os temores sobre uma IA fora de controle como uma “farsa” e uma “fraude”.

Trump também criticou a resistência à construção de novos data centers nos Estados Unidos. Segundo ele, pessoas que se opõem a esses projetos estariam favorecendo interesses que não querem que a expansão aconteça — incluindo, em sua avaliação, a China.

Na segunda-feira (14), Trump telefonou durante uma entrevista de Jensen Huang no evento All-In Summit, em Los Angeles (EUA), e levou a mensagem diretamente ao público ligado ao setor de tecnologia. Huang respondeu ao presidente: “Você está certo. Não vamos deixar isso acontecer, senhor”.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou durante depoimento à Câmara dos Representantes que Trump está “completamente alinhado” com Huang.

Nvidia quer que empresas continuem avançando

Huang voltou a defender essa posição no evento Dreamforce. “Não precisamos de novas leis. Não precisamos de novas regulamentações”, afirmou.

Segundo o executivo, as empresas deveriam simplesmente decidir quando seus sistemas estão prontos e continuar avançando rapidamente. Em outro momento, Huang resumiu sua posição com uma frase direta: “Corra o mais rápido que puder.”

O CEO da Nvidia também rejeitou preocupações sobre possível destruição generalizada de empregos provocada pela IA, classificando esse cenário como “completamente absurdo”.

Para Huang, praticamente todas as empresas passarão a utilizar IA como parte central de suas operações. “Todas as empresas, todas as organizações… se tornarão uma empresa de IA”, afirmou.

A disputa com a China

A competição tecnológica com a China é um dos principais argumentos apresentados pelo grupo contrário à desaceleração.

Parte da mensagem do governo Trump é que limitar a regulação seria fundamental para que os Estados Unidos mantenham vantagem na corrida pela IA. Trump afirmou no domingo que “quem vencer a IA vence”.

David Sacks, que atualmente ocupa a copresidência do Conselho de Assessores do Presidente para Ciência e Tecnologia, também defendeu que as empresas continuem avançando. Ele pediu que as companhias “avancem na fronteira”, mas criticou o argumento de que a motivação para desacelerar seja “puramente altruísta”.

Emil Michael, subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia, adotou uma posição semelhante. Em entrevista à Fox News, afirmou que os alertas atuais seriam parte de uma campanha coordenada de pessoas, ideologias e organizações sem fins lucrativos interessadas em assustar o público estadunidense.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, também afirmou que Trump pretende reunir líderes da indústria de IA na Casa Branca “dentro da próxima semana”.

Johnson igualmente rejeitou os alertas sobre um possível colapso provocado pela tecnologia. Segundo ele, a mensagem de Trump é que as pessoas não estarão todas mortas em dez anos e que isso seria uma “farsa”.

Além de Trump, Jensen Huang é um dos CEOs de tecnologia contrários ao breque à IA – Imagem: noamgalai e FotoField/Shutterstock

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Regulação reúne adversários políticos

O movimento em defesa de maior controle sobre a IA também criou alianças incomuns na política estadunidense.

Nesta terça-feira (15), o senador Bernie Sanders, democrata de Vermont, o deputado Chip Roy, republicano do Texas, e Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, participaram de evento em Washington em apoio a medidas relacionadas à IA.

Embora tenham posições políticas diferentes em diversas questões, eles se juntaram ao grupo que defende alguma forma de ação diante dos riscos associados ao avanço da tecnologia.

O debate, portanto, passou a envolver não apenas empresas concorrentes de IA, mas também integrantes de diferentes campos políticos.

Um confronto dentro da própria indústria

A divisão ganhou força justamente quando algumas das maiores empresas de IA do mundo começam a discutir publicamente os riscos associados ao desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.

Amodei defende que a indústria estabeleça mecanismos independentes de avaliação e coordenação internacional. Altman se aproximou dessa posição, enquanto Musk também declarou apoio ao pedido de desaceleração.

Huang, por outro lado, sustenta que o desenvolvimento deve continuar rapidamente e que novas leis e regulamentações não são necessárias. Trump acompanha essa posição e relaciona o ritmo da IA à competição tecnológica com a China.

O confronto ocorre ainda enquanto OpenAI e Anthropic avançam em direção a possíveis ofertas públicas iniciais de ações. As duas empresas estão entre as companhias de IA que podem realizar grandes IPOs, enquanto Altman indicou que a OpenAI pretende adiar sua oferta para o próximo ano em meio às preocupações recentes sobre segurança.

A discussão coloca no centro do debate estadunidense uma questão que reúne tecnologia, segurança, economia e competição internacional: até que ponto o desenvolvimento da IA deve avançar antes que novas medidas de controle sejam adotadas.

Sanders e Bannon convergem sobre os riscos da IA, mas defendem caminhos opostos

O debate sobre os riscos da IA também aproximou, de forma incomum, o senador Bernie Sanders e o estrategista Steve Bannon, figuras de polos opostos da política estadunidense. Os dois participaram da “Pro-Human Assembly”, em Washington (EUA), e defenderam regras mais rígidas para a IA, além de criticarem a concentração de poder nas mãos de grandes empresas de tecnologia.

A convergência, porém, termina nesse ponto. Sanders apresentou a IA como um risco global, comparável à corrida nuclear, e defendeu um acordo internacional para pausar o desenvolvimento de sistemas avançados. Bannon, por outro lado, tratou a disputa tecnológica com a China como uma questão de poder e defendeu o isolamento do país em relação ao ecossistema estadunidense de pesquisa, dinheiro e tecnologia.

“Uma IA superinteligente que escape do controle humano não será um problema americano. Não será um problema chinês. Será um problema da humanidade”, afirmou Sanders. O senador também disse esperar que Donald Trump negocie com o presidente chinês Xi Jinping um tratado para estabelecer uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e uma proibição da superinteligência.

Bannon adotou uma posição diferente. “Sem acordos, sem tratados: vocês estão fora do negócio de IA porque nós vamos derrubar o ecossistema de vocês”, declarou. O estrategista também afirmou que “os cidadãos americanos não vão mais ser suplicantes aos oligarcas”.

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Elon Musk quer rivais testando modelos de IA antes do lançamento

Elon Musk sugeriu que os maiores laboratórios de inteligência artificial permitam que concorrentes testem seus modelos antes do lançamento. A ideia é fazer com que empresas dos Estados Unidos e da China avaliem os sistemas umas das outras em busca de problemas de segurança.

Para o empresário, a checagem entre rivais evitaria que as próprias empresas fossem as únicas responsáveis por avaliar seus modelos. A proposta surge em meio a novos alertas sobre os riscos da tecnologia e a pedidos por maior controle sobre o desenvolvimento da IA.

Musk defende uma revisão entre rivais para identificar problemas antes do lançamento de novos modelos. – Imagem: Digineer Station/Shutterstock

Como funcionaria o teste cruzado

Pelo plano de Musk, os laboratórios permitiriam que concorrentes executassem uma espécie de bateria de testes nos modelos antes de eles serem lançados ao público. A proposta envolveria empresas norte-americanas e chinesas.

  • Participantes: xAI, OpenAI, Anthropic, Google, Meta e três ou quatro das principais empresas chinesas.
  • Método de análise: concorrentes testariam os modelos para identificar possíveis problemas de segurança.
  • Objetivo: aumentar as chances de encontrar falhas que poderiam passar despercebidas pela própria empresa.

“Em vez de corrigir sua própria prova, você teria pelo menos concorrentes corrigindo sua prova e dando o alarme se vissem preocupações”, afirmou Musk.

O debate sobre frear a IA

A proposta aparece depois que líderes de empresas como Anthropic e OpenAI defenderam uma desaceleração no desenvolvimento de modelos. Pesquisadores também fizeram alertas sobre os possíveis riscos da tecnologia.

Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman, apoiaram a proposta do CEO da Anthropic, Dario Amodei, para desacelerar o desenvolvimento. Amodei sugeriu que laboratórios de IA adotassem avaliações feitas por terceiros, com especialistas que verificariam as práticas de segurança.

A adesão à ideia de Musk, porém, ainda está longe de ser consenso. O empresário reconheceu que seu método pode não ser perfeito, mas defendeu que ele aumentaria significativamente a chance de encontrar problemas.

“As chances de você encontrar problemas são dramaticamente maiores”, disse Musk.

Donald Trump de lado; Trump está na frente de bandeiras de países, durante cúpula do G7, na França
Trump resiste a limites maiores para a IA e afirma que desacelerar o setor poderia favorecer a China. – Imagem: PFG7/Philémon Henry

A barreira política em Washington

O governo Trump tem resistido aos pedidos por maiores limites para o desenvolvimento da IA. O presidente publicou mensagens na Truth Social classificando os temores sobre a tecnologia como uma “farsa” e um “golpe”.

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Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, afirmou que o setor privado é o lugar adequado para lidar com as preocupações envolvendo a IA. Segundo ele, o governo continua monitorando a indústria e poderá usar a aplicação da lei quando necessário para garantir que as empresas ajam de maneira responsável.

Trump também argumenta que desacelerar o desenvolvimento da IA poderia dar vantagem à China. O próprio Amodei classificou essa questão como um dos dilemas mais difíceis do debate.

Do lado chinês, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores classificou os pedidos por uma desaceleração como “alarmismo”. Musk, por sua vez, afirmou acreditar que a China provavelmente aceitaria sua proposta de testes entre concorrentes.

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Musk retira processo contra Apple, mas mantém ação contra OpenAI

As empresas de Elon Musk, X Corp e SpaceXAI, retiraram o processo contra a Apple que acusava a companhia de práticas anticompetitivas na App Store. O caso foi encerrado em um tribunal federal do Texas, sem que os motivos da decisão fossem divulgados.

Como comentamos aqui no Olhar Digital, a ação questionava a parceria da Apple com a OpenAI e alegava que o acordo prejudicava concorrentes como X e Grok. A disputa de Musk com a OpenAI, porém, deve continuar.

O processo contra a Apple foi encerrado, mas as reivindicações envolvendo a OpenAI continuam. As empresas de Musk não divulgaram os motivos que levaram à retirada da ação contra a Apple. Imagem: Ascannio/Shutterstock

Por que Musk processou a Apple?

Apresentado no ano passado, o processo acusava a Apple de violar leis antitruste após a integração de ferramentas do ChatGPT ao Apple Intelligence. Segundo as empresas de Musk, a parceria favorecia Apple e OpenAI e dificultava a concorrência de seus produtos.

A queixa também dizia que o acordo explicava o baixo destaque dos aplicativos X e Grok na App Store. “Se não fosse pelo acordo exclusivo com a OpenAI, a Apple não teria motivo para deixar de destacar mais os aplicativos X e Grok em sua App Store”, afirmaram as empresas à Reuters.

A acusação tinha um contraponto: concorrentes como DeepSeek e Perplexity chegaram ao topo da App Store após a parceria entre Apple e OpenAI, enquanto a SpaceXAI não teve o mesmo resultado.

O que aconteceu com o processo?

X Corp e SpaceXAI solicitaram formalmente a retirada da ação. Não foram divulgados os motivos da desistência, nem se Apple e as empresas de Musk chegaram a algum acordo.

A retirada encerra a disputa contra a Apple, mas não as reivindicações envolvendo a OpenAI.

Entenda o caso:

  • X Corp e SpaceXAI retiraram a ação contra a Apple;
  • o caso foi encerrado em um tribunal federal do Texas;
  • os motivos da retirada não foram divulgados;
  • as reivindicações contra a OpenAI devem continuar.
Logo do Grok
O Grok enfrenta outra disputa judicial, com acusações relacionadas à geração de imagens de abuso sexual infantil. Há ainda alegações de uso da IA de Musk para produzir imagens íntimas falsas e não consensuais. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Grok enfrenta outra disputa

A SpaceXAI também está envolvida em outro processo relacionado ao Grok. As acusações envolvem a geração de milhares de imagens de abuso sexual infantil e alegações de que o sistema teria facilitado a produção em larga escala de imagens íntimas falsas e não consensuais usadas para assediar mulheres e meninas.

Leia mais:

As denúncias provocaram uma investigação oficial das autoridades da Califórnia, que continua em andamento.

Enquanto a ação contra a Apple foi encerrada, as empresas de Musk mantêm as reivindicações contra a OpenAI e enfrentam outra disputa relacionada ao Grok.

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Pesquisadores da Anthropic fazem alerta assustador: IA pode levar à extinção humana

Pesquisadores e funcionários da Anthropic estão aumentando publicamente os alertas sobre os riscos do avanço da inteligência artificial (IA). Integrantes da própria empresa afirmam que a tecnologia pode se tornar tão avançada e perigosa que teria potencial para provocar a extinção humana na próxima década.

As declarações surgiram um dia depois de Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, anunciar que deixaria a empresa. Em uma publicação que viralizou, ele afirmou que tanto a Anthropic quanto a OpenAI, onde trabalhou anteriormente, não estariam desenvolvendo modelos de IA de maneira responsável e estariam “apostando com nossas vidas”.

A manifestação de Coxon provocou reação de outros funcionários da Anthropic, que passaram a publicar seus próprios alertas sobre os riscos associados ao desenvolvimento acelerado da tecnologia.

Anna Wang, que trabalha com segurança de Inteligência Artificial Geral (IAG) na Anthropic e anteriormente atuou no Google DeepMind, afirmou que muitas pessoas dentro da empresa querem desacelerar o desenvolvimento para elaborar um plano capaz de reduzir os riscos associados aos modelos avançados.

“Não existe ainda um plano científico viável para resolver os riscos de uma IA que se autoaperfeiçoa recursivamente”, escreveu Wang.

Outro funcionário da Anthropic, Drake Thomas, afirmou respeitar a decisão de Coxon de não participar do desenvolvimento desses modelos caso ele considere que possam representar riscos em escala planetária.

“As coisas estão avançando rápido demais e não temos nem de longe o grau de garantia que gostaríamos para uma superinteligência artificial”, escreveu Thomas.

Pesquisador estima mais de 10% de chance de extinção

  • Entre os alertas mais contundentes está o de Evan Hubinger, que se identifica como líder na divisão de alinhamento da Anthropic, área dedicada a garantir que os modelos da empresa funcionem de acordo com objetivos humanos;
  • Hubinger afirmou que Coxon está correto e que a indústria está ficando para trás na tentativa de lidar com o potencial catastrófico da tecnologia. “Nós realmente acreditamos que a IA poderia matar todos os humanos!”, escreveu;
  • O pesquisador acrescentou que, pessoalmente, estima em mais de 10% a probabilidade de isso acontecer na próxima década;
  • Outro pesquisador de segurança da Anthropic, Samuel Marks, também afirmou que desenvolvedores de IA acreditam que a tecnologia poderia provocar a extinção humana ou consequências igualmente graves;
  • Segundo Marks, isso poderia acontecer nos próximos anos e, de maneira geral, quanto mais sênior o funcionário, maior seria sua preocupação.

Musk chama alertas de “psyop”

As declarações provocaram reação de Elon Musk, que adotou postura muito mais cética em relação aos alertas. “Isso parece uma armação”, escreveu Musk no X.

Posteriormente, o bilionário afirmou que o episódio poderia fazer parte de uma “psyop”, termo usado para descrever uma operação psicológica destinada a influenciar a percepção pública.

Musk respondeu a uma publicação de Parker Thayer, pesquisador do grupo conservador Capital Research, que levantou, sem apresentar evidências, a hipótese de que a declaração de Coxon seria o início de uma operação de relações públicas sofisticada e financiada para obter apoio a regulamentações mais rígidas contra a IA.

Elon Musk desqualificou as falas de Coxon – Imagem: Joshua Sukoff/Shutterstock

Musk afirmou que os preparativos para essa suposta operação já vinham acontecendo há algum tempo e que a publicação de Coxon teria sido apenas a faísca que iniciou o processo.

Coxon respondeu diretamente ao bilionário, publicando uma selfie e afirmando que é uma pessoa real e que aquelas são suas crenças reais. Ele ainda disse que Musk poderia perguntar sobre ele aos pesquisadores da xAI, caso não tivesse demitido alguns deles.

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Anthropic defende suas medidas de segurança

Em resposta aos questionamentos, a Anthropic defendeu sua estratégia. “Sempre fomos transparentes de que a IA trará enormes benefícios e riscos sem precedentes“, afirmou um porta-voz da empresa ao The Guardian.

Segundo a companhia, seus modelos continuam sendo desenvolvidos com algumas das medidas de segurança mais fortes existentes na indústria. Nem todos os especialistas, porém, acreditam que o principal risco seja necessariamente uma superinteligência capaz de exterminar a humanidade.

O cientista Gary Marcus, uma das vozes conhecidas no debate sobre IA, afirmou que é hora de boicotar a tecnologia, mas por danos que já estão ocorrendo.

Para Marcus, preocupações mais imediatas incluem patógenos produzidos com auxílio de IA, guerras iniciadas ou agravadas por desinformação gerada por sistemas de IA e ataques capazes de destruir infraestruturas críticas. “Não vi nada que indique que qualquer uma dessas coisas esteja sob controle”, afirmou.

Alerta surge no mesmo dia de caso envolvendo arma biológica

A discussão ganhou um elemento especialmente concreto no mesmo dia em que as declarações dos pesquisadores ganharam força.

A Anthropic divulgou um relatório documentando como a empresa desmantelou uma operação que tentava construir uma arma biológica utilizando seus modelos de IA.

O episódio não demonstra que uma IA autônoma tenha desenvolvido uma arma por conta própria, mas mostra como modelos disponíveis atualmente podem ser envolvidos em tentativas de uso para fins extremamente perigosos.

O caso acabou colocando lado a lado duas discussões que normalmente aparecem separadas: os riscos futuros de uma IA potencialmente superinteligente e os riscos mais imediatos associados ao uso de modelos atuais para atividades capazes de causar danos graves.

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Documentário sobre Elon Musk usa IA para criar avatar do bilionário

Um novo documentário sobre Elon Musk virou assunto no Festival de Veneza ao usar inteligência artificial para simular uma entrevista com o próprio bilionário. A equipe do filme recriou a imagem e a voz do empresário para reproduzir declarações dadas por ele em outras ocasiões.

O diretor Alex Gibney, vencedor do Oscar, explicou que a equipe consultou advogados antes de usar o avatar digital e recebeu autorização para isso. A ideia é provocar uma reflexão sobre a visão de Musk a respeito da tecnologia e sobre suas posições em relação aos algoritmos.

As falas do avatar não são novas: foram montadas a partir de declarações reais de Musk. – Crédito: SpaceX

Entrevista sintética e provocação conceitual

A opção pela figura criada por computador foi proposital. Segundo Alex Gibney, a estratégia ironiza a tese defendida pelo empresário de que a humanidade vive em uma simulação, criando um contraste entre as falas reais do bilionário e sua versão virtual.

O cineasta afirmou que o objetivo é transmitir a “realidade do que ele fez e a irrealidade de sua narrativa”.

Advogados foram consultados antes de avançar com a ideia e receberam autorização para utilizar o avatar de Musk. A produção usa declarações que o empresário realmente deu em outras entrevistas, em vez de criar novas falas para a versão digital.

Revelações pessoais e críticas ao X

Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora que tem um filho com Musk, aparece no documentário e fala sobre o relacionamento entre os dois, a personalidade do empresário e um acordo de confidencialidade que lhe foi apresentado em relação ao pagamento de pensão.

Foi-me oferecida a oportunidade de não falar por US$ 40 milhões.

Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora, em trecho do documentário.

A produção também reúne outros depoimentos e aborda diferentes momentos da trajetória de Musk:

  • Mudança no algoritmo: Gibney e a jornalista Zoë Schiffer criticam alterações no algoritmo do X, antigo Twitter.
  • Informações de cidadãos: O filme levanta preocupações sobre as informações coletadas sobre cidadãos americanos por integrantes do DOGE, que tiveram amplo acesso a agências do governo dos EUA.
  • Trajetória pessoal: Participam do documentário Errol Musk, pai do empresário; Justine Musk, primeira mulher de Musk; e Martin Eberhard, cofundador da Tesla.
Silhueta de Elon Musk contrastando com o logo do Twitter ao fundo
O longa-metragem examina os impactos das mudanças promovidas por Musk no algoritmo da rede social X. Imagem: kovop/Shutterstock

Críticas ao controle da rede

A obra aborda a aquisição do X por Musk e o que Gibney descreve como uma manipulação do algoritmo da plataforma.

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“Uma coisa que eu não entendia corretamente quando comecei o filme era como Musk ajustou os algoritmos do Twitter para, na verdade, priorizar a hostilidade e o ódio em vez daquilo que deveria ser uma praça pública.”

Zoë Schiffer, jornalista da Wired que também participa do documentário, afirmou que Musk ajustou o algoritmo “tanto para reduzir a presença do jornalismo tradicional quanto para ampliar alguns dos comentários e das vozes mais inflamatórias da plataforma”.

Com quase quatro horas de duração, o filme passa pela infância de Musk, seus primeiros anos no Vale do Silício, sua atuação no DOGE durante o segundo governo de Donald Trump e sua participação na política de direita internacional. “Musk” chega aos cinemas em outubro.

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Juiz rejeita pedido da xAI e proíbe uso de IA para nudes falsos

Um juiz federal nos Estados Unidos negou o pedido da xAI para suspender a lei de Minnesota que proíbe imagens falsas de nudez criadas por inteligência artificial. Com o veto ao recurso da empresa, a regra segue em vigor.

A companhia de Elon Musk levou o caso aos tribunais sob o argumento de que a legislação fere a liberdade de expressão. O estado defende que a medida é necessária para proteger pessoas que têm seus corpos expostos sem autorização.

O impasse jurídico entre a xAI e o estado aborda os limites da liberdade de expressão diante dos riscos da IA para o público. – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Restrição a programas que tiram roupas de fotos digitais

Válida desde 1º de agosto, a lei de Minnesota impõe limites claros contra abusos digitais. A regra impede que operadores de sites, desenvolvedores e usuários utilizem inteligência artificial para remover digitalmente as roupas de qualquer pessoa identificável em fotos. É a primeira legislação nos Estados Unidos com foco específico nessa prática.

O objetivo do estado é conter o avanço de ferramentas voltadas à criação de montagens explícitas sem o consentimento das vítimas.

Processo aponta riscos ao público e debates constitucionais

Ao analisar a solicitação, o juiz Donovan Frank entendeu que a xAI não comprovou que sofreria prejuízos graves com a manutenção da regra enquanto a ação principal tramita. Por esse motivo, negou o pedido de suspensão provisória.

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“As questões constitucionais levantadas pelas partes são complexas, especialmente por envolverem uma tecnologia nova e os riscos que ela representa para o público”, afirmou Frank. O juiz também indicou que essas questões serão analisadas de forma detalhada durante o processo.

A disputa começou quando a xAI processou o estado alegando violação à Primeira Emenda da Constituição americana. Em julho, a Justiça já havia rejeitado uma tentativa de impedir o início da validade da norma, mas aceitou dar prioridade ao andamento da causa.

O que está em jogo?

  • A lei proíbe o uso de softwares de IA para retirar roupas de pessoas em fotos.
  • A xAI argumenta que a proibição viola o direito constitucional à livre expressão.
  • O estado de Minnesota afirma que o foco é impedir abusos e exposição não consentida.
  • A proibição segue valendo enquanto o processo continua.
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O julgamento em Minnesota serve como precedente para futuras regulamentações sobre inteligência artificial no mundo. Imagem: JRdes/Shutterstock

Histórico do chatbot Grok e ações de proteção

O caso ganhou força após críticas ao Grok, chatbot da xAI que gerou polêmica pela criação de mídias sexualmente explícitas. Pressionada por reguladores por mais travas de segurança, a própria xAI passou a processar usuários que burlam as proteções do sistema para gerar nudes não autorizados.

A xAI e o gabinete do procurador-geral de Minnesota não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Enquanto isso, a lei continua em vigor e a disputa sobre seus limites constitucionais prossegue na Justiça.

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CEOs de tecnologia e governo Trump pressionam G20 por políticas favoráveis à IA

Executivos das maiores empresas de tecnologia e integrantes do governo de Donald Trump pressionaram autoridades de outras grandes economias a reduzir a regulamentação sobre inteligência artificial (IA) durante um encontro do G20 realizado nesta semana nos Estados Unidos.

O argumento apresentado pelos empresários e representantes da administração estadunidense é que regras muito rígidas podem limitar uma indústria com potencial para impulsionar o crescimento econômico mundial, acelerar avanços tecnológicos e até contribuir para a cura de doenças.

Jensen Huang, CEO da Nvidia; Sam Altman, da OpenAI; Mark Zuckerberg, CEO da Meta; e Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, estiveram entre os participantes de um encontro do G20 dedicado à inovação e tecnologia.

O grupo defendeu uma abordagem menos restritiva para a IA e alertou que regulamentações agressivas poderiam limitar os benefícios proporcionados pela tecnologia.

A posição foi reforçada pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick; pelo assessor da Casa Branca para IA, David Sacks; e por Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca.

Segundo os representantes do governo Trump, a estratégia de regulamentação mais leve adotada pelos Estados Unidos já estaria contribuindo para o crescimento da economia.

Jensen Huang pede foco em danos reais

Durante o encontro, Jensen Huang pediu aos representantes dos países do G20 que evitem criar regras baseadas em riscos hipotéticos. “Não regulamentem danos hipotéticos e teóricos. Regulamentem danos reais e pragmáticos”, afirmou o executivo.

Huang também argumentou que os próprios avanços tecnológicos estão tornando os sistemas de IA mais seguros. Segundo ele, técnicas, como o treinamento avançado de modelos, que permite aumentar a precisão dos sistemas, podem contribuir mais para a segurança da tecnologia do que algumas das regulamentações propostas pelo governo de Joe Biden e por outros países.

Após a fala do executivo, autoridades de diferentes países fizeram fila para tirar fotos com Huang, que se tornou uma figura de destaque mundial com a expansão da Nvidia durante o atual boom da IA.

“O presidente Trump está comprometido em garantir que os Estados Unidos liderem em IA e levem o ecossistema americano de IA para todo o mundo, aos nossos parceiros do G20”, afirmou Lutnick em entrevista coletiva.

Debate ocorre em meio a preocupações com segurança

As discussões no campus da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill (EUA), ocorreram depois de incidentes envolvendo modelos de IA da OpenAI e da Anthropic utilizados em ataques contra outras organizações.

Os episódios reforçaram a percepção sobre a velocidade dos avanços na área e aumentaram as preocupações com segurança.

Nesta semana, o senador Bernie Sanders, independente de Vermont (EUA), chegou a defender uma pausa global no desenvolvimento de IA.

Ao mesmo tempo, dezenas de estudantes e ativistas locais realizaram um breve protesto do lado de fora do evento. A manifestação fez parte de reação crescente à construção de data centers necessários para alimentar a expansão da IA nos Estados Unidos.

O condado que sediou o encontro aprovou recentemente uma moratória de um ano para novos data centers. Dezenas de outras localidades estadunidenses adotaram medidas semelhantes nos últimos meses, motivadas por preocupações com o consumo excessivo de energia e água dessas instalações.

Lutnick criticou esse tipo de restrição. “É desinformação, e, ao estabelecer uma moratória sobre data centers, isso significa que o próximo conjunto de oportunidades simplesmente não irá para vocês”, afirmou o secretário, referindo-se a estimativas que considera enganosas sobre o alto consumo de água dessas estruturas.

Governo Trump aumentou supervisão, mas evita regras obrigatórias

Apesar da defesa de uma abordagem de pouca regulamentação, o avanço dos modelos mais poderosos de IA também levou o governo Trump a aumentar a supervisão sobre a indústria. A administração afirma estar adotando a abordagem menos restritiva possível.

O governo começou a analisar algumas das ferramentas mais poderosas antes de seu lançamento e chegou a suspender temporariamente dois modelos da Anthropic em junho devido a preocupações de segurança.

Empresas, como a OpenAI, também passaram a adicionar novas camadas de segurança para evitar incidentes e começaram a lançar determinados modelos de maneira gradual depois dos episódios envolvendo seus sistemas.

A Casa Branca, porém, não adotou regulamentações obrigatórias para testes antes do lançamento. Em vez disso, defende que os testes de segurança sejam realizados voluntariamente pelas empresas.

Musk foi outro CEO de tecnologia que esteve presente no encontro – Imagem: SpaceX

Leia mais:

EUA tentam impedir avanço de modelos chineses

A disputa regulatória também está ligada à competição tecnológica entre Estados Unidos e China. Além de tentar atrair usuários para seus próprios modelos, os Estados Unidos vêm incentivando outros países a não adotarem alternativas chinesas mais baratas.

A China busca ampliar a utilização de seus modelos de menor custo e criar dependência em torno dessas ferramentas. Estados Unidos e China devem discutir cooperação global em IA ainda neste mês, durante conversas que também deverão envolver Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping.

Kratsios e Lutnick se reuniram com autoridades chinesas durante o encontro do G20. A China também assinou, junto a outros países do grupo, um conjunto de princípios amplos de inovação.

Empresas chinesas lançaram nas últimas semanas modelos de IA poderosos com pesos abertos, permitindo que usuários baixem os parâmetros numéricos que determinam o comportamento dos sistemas.

A possibilidade de restringir o acesso a essas ferramentas passou a ser considerada por integrantes da administração Trump devido a preocupações de segurança.

Executivos, como Zuckerberg e Huang, entretanto, se opõem a esse tipo de restrição. Para eles, ampliar o acesso às ferramentas de IA pode ser justamente uma maneira de fortalecer os sistemas de segurança. “Além do que nós mesmos lançamos, somos grandes defensores de que o código aberto não seja algo que as pessoas tentem restringir ou bloquear”, afirmou Zuckerberg.

Musk prevê impacto de até 30% na economia mundial

Elon Musk também defendeu uma regulamentação mínima para estimular a inovação e criticou o sistema regulatório europeu, diante de autoridades do continente presentes no encontro.

Segundo Musk, a IA poderá aumentar o tamanho da economia mundial entre 20% e 30%. O executivo relacionou esse impacto à expansão do uso de robôs equipados com IA em diferentes setores da economia.

Além de Musk, Huang, Zuckerberg e Altman, participaram do encontro Alex Karp, CEO da Palantir, e Tom Brown, diretor de computação da Anthropic.

Altman e Hassabis defendem padrões globais

Apesar do consenso entre os participantes sobre os riscos de uma regulamentação excessivamente rígida, alguns executivos destacaram a necessidade de estabelecer padrões internacionais para a IA.

Sam Altman e Demis Hassabis, cientista-chefe da Alphabet, controladora do Google, estiveram entre os poucos executivos presentes a mencionar a necessidade de padrões e mecanismos globais de supervisão para enfrentar riscos relacionados à cibersegurança e outros possíveis danos causados pela tecnologia.

Os dois, porém, afirmaram que essas ameaças não justificam regulamentações rígidas capazes de restringir o acesso à IA. “Seria aproximadamente tão ruim dizer ‘não vamos ter IA em nosso país’ quanto foi dizer ‘não vamos ter eletricidade em nosso país’ há mais de 100 anos”, afirmou Altman.

Os encontros em Chapel Hill ocorreram na mesma semana das reuniões dos ministros das Finanças do G20 e fazem parte da preparação para a cúpula de líderes do grupo, que será realizada em Miami (EUA) ainda neste ano.

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OpenAI corta acesso de empresa comprada por SpaceX e alfineta Musk

A OpenAI anunciou que vai encerrar o acesso do Cursor aos seus modelos de inteligência artificial. A decisão da desenvolvedora do ChatGPT foi tomada após a aquisição da plataforma pela SpaceX, de Elon Musk.

A data definida para a interrupção das operações é o dia 12 de novembro de 2026, mas a companhia informou que o Cursor pode optar por encerrar a integração em uma data anterior. Ela ainda aproveitou a oportunidade para criticar o sul-africano.

Falta de confiança apontada como justificativa

Em publicação no próprio site, a OpenAI afirmou que está concedendo ao Cursor o maior prazo possível dentro do contrato vigente. A justificativa apresentada pela empresa é que ela não tem confiança de que a SpaceX utilizará sua tecnologia dentro dos termos de serviço. A dona do ChatGPT ainda citou sua “experiência com as empresas de Elon Musk violando contratos”.

A empresa também mencionou seu próximo modelo de inteligência artificial, o Astra. “À medida que as capacidades da IA avançam, temos também um novo nível de responsabilidade para garantir que nosso próximo modelo, Astra, seja usado de acordo com nossos termos”, escreveu a OpenAI.

Lembrando que o desenvolvimento do Astra foi recentemente desacelerado pela dona do ChatGPT por preocupações de cibersegurança, após agentes de IA escaparem de ambientes de teste isolados e invadirem a plataforma Hugging Face.

O cofundador e CEO do Cursor, Michael Truell, se pronunciou sobre a decisão da OpenAI. Em publicação no X, antigo Twitter, ele afirmou que os modelos da dona do ChatGPT atendem a 5% dos clientes da ferramenta.

OpenAI vs Musk

  • A relação entre a OpenAI e Elon Musk é longa e marcada por disputas.
  • O sul-africano foi um dos primeiros investidores da empresa.
  • Tudo mudou em 2018, após a startup de IA recusar uma nova estrutura de governança que daria ao empresário o controle da organização.
  • Em 2024, Musk entrou com um processo judicial para impedir que a OpenAI deixasse de ser uma organização sem fins lucrativos.
  • Ele acusou a companhia de violar sua missão fundadora de desenvolver IA “para o benefício da humanidade”.
  • Mas em maio deste ano, um júri rejeitou as alegações do sul-africano.

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Grok transformou imagens antigas em pornografia, diz ação judicial

Uma nova denúncia foi anexada ao processo movido por adolescentes do Tennessee contra a xAI, empresa de inteligência artificial fundada por Elon Musk. Uma mulher, identificada no processo como Jane Doe 4, alega que seu padrasto utilizou o gerador de imagens Grok para manipular uma foto tirada quando ela tinha 11 anos. Segundo a ação, a ferramenta foi usada para criar mais de 7 mil imagens de conteúdo sexual explícito.

Investigação policial e desfecho

De acordo com reportagem do The Washington Post, o caso foi descoberto durante uma operação de busca e apreensão realizada pela polícia:

  • Dois dias após as autoridades encontrarem o material, o suspeito foi encontrado morto em decorrência de suicídio.
  • Em declaração anexada ao processo, a vítima alertou sobre os riscos da facilidade de acesso a essas ferramentas no dia a dia.
Grok, IA de empresa de Elon Musk – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

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Falta de filtros de segurança

A acusação central do processo sustenta que a xAI falhou em implementar travas básicas de segurança para impedir a manipulação de fotos de pessoas reais, especialmente de menores de idade.

Os autores da ação buscam o status de processo coletivo. A denúncia se soma a uma série de críticas sobre a circulação massiva de imagens geradas por inteligência artificial sem o consentimento dos envolvidos.

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Nem foguetes nem satélites: IA virou prioridade máxima da SpaceX

A inteligência artificial ganhou espaço definitivo na estratégia da SpaceX. Segundo o The Wall Street Journal, a empresa dobrou os investimentos na área em apenas um trimestre e já afirma colher os primeiros resultados dessa aposta.

Mesmo encerrando o período com prejuízo, a companhia de Elon Musk mantém planos ambiciosos para ampliar sua infraestrutura e acelerar o crescimento das receitas.

Conhecida pelos foguetes, a SpaceX agora coloca a inteligência artificial no centro de seus planos de crescimento. – Imagem: Joshua Sukoff/Shutterstock

IA ocupa o centro da estratégia

O investimento total da SpaceX no trimestre chegou a US$ 18,4 bilhões (cerca de R$ 94,4 bilhões). Desse valor, US$ 15,8 bilhões (aproximadamente R$ 81,1 bilhões) foram destinados à inteligência artificial, o dobro do trimestre anterior.

Na prática, a empresa aposta em várias frentes ao mesmo tempo: desenvolve seu próprio modelo de IA, amplia a capacidade de computação, fecha novos acordos comerciais e prepara o lançamento dos primeiros data centers em órbita, previsto para 2027.

Estamos construindo capacidade de computação para IA em escala mais rapidamente do que qualquer outra empresa.

Elon Musk, CEO da SpaceX, durante conferência.

Os principais projetos incluem:

  • ampliar a capacidade de processamento para IA;
  • desenvolver data centers em solo e também no espaço;
  • utilizar chips da Nvidia de forma exclusiva;
  • expandir contratos de infraestrutura voltados ao setor.

Crescimento da receita ajuda a sustentar os planos

Os gastos aumentaram, mas a receita também avançou. No segundo trimestre, a companhia faturou US$ 7,8 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões), alta de 92% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mesmo assim, o balanço terminou com prejuízo líquido de US$ 541 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões), resultado que ainda superou as expectativas de Wall Street. Após a divulgação dos números, as ações recuaram cerca de 7% nas negociações após o fechamento do mercado.

Segundo Bret Johnsen, diretor financeiro da empresa, parte desses investimentos já começa a dar retorno. “Especificamente no lado da computação para IA, conseguimos investir capital de uma forma que gera retorno em menos de um ano”, disse.

Representação artística de satélites misturados com data centers
A empresa quer ampliar sua capacidade de data centers de 2 para até 10 gigawatts. É uma expansão em ritmo acelerado. – Imagem gerada por IA/Shutterstock

IA avança sem deixar o espaço de lado

Nos meses que antecederam a abertura de capital, Musk fundiu a SpaceX com a xAI e reforçou a estratégia voltada à inteligência artificial. Também foi anunciado um acordo para utilizar exclusivamente chips da Nvidia, além de contratos para alugar capacidade dos data centers da empresa a Google e Anthropic.

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Enquanto amplia os investimentos em IA, a SpaceX segue expandindo seus negócios espaciais. A Starlink registrou receita de US$ 4,3 bilhões (cerca de R$ 22,1 bilhões), acima dos US$ 2,6 bilhões (aproximadamente R$ 13,3 bilhões) registrados um ano antes. Ao fim de junho, o serviço somava 12 milhões de assinantes.

A companhia espera atingir US$ 100 bilhões (cerca de R$ 513 bilhões) em receita recorrente anualizada até dezembro. A projeção para alcançar US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,13 trilhões) em receita anual foi antecipada para 2030, um ano antes do previsto.

Musk afirmou que a inteligência artificial será essencial para viabilizar robôs, veículos autônomos e futuras fábricas e instalações de energia na Lua. Se os planos forem cumpridos, os primeiros data centers em órbita deverão começar a operar em 2027.

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