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Anthropic expõe os custos e os riscos da inteligência artificial antes de IPO

A Anthropic, criadora da inteligência artificial Claude, apresentou documentos para abrir capital nos Estados Unidos. O prospecto revela uma empresa em rápida expansão, mas pressionada por custos elevados e riscos que vão de ataques cibernéticos a falhas nas proteções de seus modelos.

O documento reúne as primeiras demonstrações financeiras auditadas da companhia e detalha os desafios que podem afetar seus planos de crescimento.

O documento de IPO admite que as travas de segurança da IA têm falhas e podem ser burladas por agentes maliciosos. – Imagem: jackpress/Shutterstock

Crescimento acelerado, mas com custos elevados

Fundada em 2021, a Anthropic ampliou rapidamente suas receitas, mas os gastos também cresceram. Os números apresentados no prospecto mostram a dimensão desse avanço e o peso financeiro da infraestrutura necessária para desenvolver e operar seus modelos de IA.

Os principais valores informados pela companhia são:

  • Receita no primeiro semestre de 2026: US$ 16,3 bilhões (cerca de R$ 86,39 bilhões).
  • Prejuízo no primeiro semestre de 2026: US$ 80 bilhões (cerca de R$ 424 bilhões), incluindo uma despesa extraordinária de US$ 72,4 bilhões (R$ 383,72 bilhões).
  • Receita em 2025: US$ 4,585 bilhões (cerca de R$ 24,3 bilhões).
  • Prejuízo em 2025: aproximadamente US$ 33,9 bilhões (cerca de R$ 179,67 bilhões).
  • Gastos com infraestrutura de IA no primeiro semestre de 2026: quase US$ 9 bilhões (cerca de R$ 47,7 bilhões), ante US$ 2,3 bilhões (R$ 12,19 bilhões) no mesmo período de 2025.
  • Avaliação estimada por alguns investidores: entre US$ 1,5 trilhão (R$ 7,95 trilhões) e US$ 2 trilhões (R$ 10,6 trilhões). A Anthropic não informou uma avaliação pretendida para a abertura de capital.

A concentração de clientes também preocupa: os cinco maiores compradores respondem por 25% dos negócios. A perda de um deles poderia afetar os resultados da empresa.

O potencial da IA esbarra em riscos de segurança

A Anthropic aposta em aplicações da tecnologia na medicina, na biologia, nas finanças e na robótica. Segundo a companhia, o Claude reduziu de meses para minutos o tempo necessário para elaborar relatórios de ensaios clínicos. A empresa também relata descobertas biológicas que podem contribuir para o desenvolvimento de ferramentas de edição genética.

Esses avanços, no entanto, convivem com limitações que a própria empresa reconhece. No prospecto, a Anthropic afirma que as proteções de seus modelos podem ficar desatualizadas, ser contornadas ou falhar. A companhia também admite que seus sistemas mais avançados podem ajudar pessoas mal-intencionadas a desenvolver armas químicas ou biológicas.

Os riscos já incluem ataques cibernéticos. A empresa relata o que considera o primeiro caso documentado de uma operação em larga escala com pouca intervenção humana. Segundo a Anthropic, um grupo de hackers patrocinado pelo Estado chinês manipulou uma ferramenta de programação do Claude para tentar invadir cerca de 30 alvos, entre eles empresas de tecnologia, instituições financeiras, fabricantes de produtos químicos e órgãos governamentais.

O uso da IA para fins de vigilância e repressão também preocupa a companhia. A Anthropic alerta que governos autoritários podem recorrer à tecnologia para ampliar essas práticas. A empresa enfrenta ainda um conflito com o governo Trump por se recusar a flexibilizar as restrições ao uso de seus modelos para vigilância doméstica e armas letais autônomas.

Ao fundo, meio desfocado, logo da Anthropic; à frente, smartphone mostrando a página de download do Claude
A estreia da Anthropic na bolsa será o teste definitivo para saber se o mercado aceita bancar perdas bilionárias em IA. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Os riscos para os negócios

Nas 92 páginas dedicadas aos riscos, a empresa também aborda a concorrência com Google e OpenAI, a dependência de executivos importantes e as incertezas regulatórias.

Outros fatores podem comprometer suas operações:

  • Infraestrutura: restrições na rede elétrica, desastres naturais e limitações à construção de centros de dados.
  • Seguros: dificuldade para obter cobertura adequada para determinadas responsabilidades relacionadas à IA.
  • Contratação: mudanças nas políticas migratórias dos Estados Unidos podem dificultar a atração de profissionais qualificados.
  • Compromissos sociais: como empresa de benefício público, a Anthropic precisa conciliar resultados financeiros e metas de impacto social.

Para reduzir a dependência dos Estados Unidos, a companhia afirma estar ampliando sua infraestrutura de centros de dados em outros países. Ainda assim, admite que pode não conseguir contratar seguros em condições comerciais razoáveis para determinadas responsabilidades ligadas à IA.

“Podemos não conseguir obter cobertura para determinadas responsabilidades relacionadas à IA em condições comercialmente razoáveis, ou mesmo obter qualquer cobertura, o que nos deixaria expostos a perdas potencialmente significativas”, afirma o prospecto.

A abertura de capital colocará sob maior escrutínio a capacidade da Anthropic de sustentar o crescimento, administrar os custos e lidar com os riscos associados à expansão da inteligência artificial.

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IPO da Anthropic pode mudar o mercado global de inteligência artificial

A Anthropic, criadora do assistente Claude, iniciou o processo para abrir seu capital e pode protagonizar uma das maiores ofertas públicas de ações da história. A operação será um teste para o mercado de inteligência artificial (IA), em meio às dúvidas sobre as avaliações bilionárias do setor.

O resultado também pode influenciar a futura estreia da OpenAI na Bolsa e mudar a disposição dos investidores de financiar empresas ligadas à tecnologia.

O desempenho da startup na bolsa serve como teste definitivo para medir a sustentabilidade do boom global de IA. – Imagem: RixAiArt/Shutterstock

Crescimento acelerado e pressão por resultados

Investidores já avaliam a Anthropic em trilhões de dólares. Fundada há cinco anos, a empresa divide com a OpenAI o protagonismo no mercado de IA. A concorrente também apresentou documentos confidenciais para abrir seu capital, mas não prevê uma estreia antes de 2027.

O cenário financeiro, porém, ficou menos favorável. Empresas de computação em nuvem voltadas à IA e operadoras de data centers sofreram quedas nas ações. A australiana Firmus retirou seus planos de IPO, assim como a Solidigm, unidade americana da SK Hynix.

A Anthropic chega à Bolsa com resultados expressivos, mas também com perdas elevadas. No primeiro semestre, acumulou mais de US$ 80 bilhões (R$ 420 bilhões) em perdas, segundo a CNBC. No mesmo período, a receita avançou rapidamente, impulsionada pela adoção de ferramentas de programação e produtividade por empresas.

No segundo trimestre, o faturamento atingiu US$ 11,56 bilhões (R$ 60,69 bilhões), ante US$ 787 milhões (R$ 4,13 bilhões) no mesmo período do ano anterior. A companhia encerrou junho com quase US$ 132 bilhões (R$ 693 bilhões) em caixa, equivalentes e investimentos de curto prazo. Depois de cinco trimestres com prejuízo operacional, registrou US$ 974 milhões (R$ 5,11 bilhões) de lucro operacional no segundo trimestre.

“Se tiver um desempenho abaixo das expectativas, será um pouco como um castelo de cartas”, afirmou Jai Das, cofundador da Sapphire Ventures.

Gigantes de tecnologia também estão expostas

A relação da Anthropic com as grandes empresas do setor vai além da concorrência. Quase metade de sua receita vem da venda do Claude por meio dos serviços de nuvem da Microsoft, Amazon e Alphabet, controladora do Google. As três companhias também investem na desenvolvedora.

A infraestrutura necessária para desenvolver os modelos envolve chips da Nvidia, AMD, Amazon e Google. Por isso, uma mudança na disposição dos investidores em financiar a IA pode repercutir em diferentes segmentos da indústria.

Brad Bernstein, sócio-gerente da FTV Capital, avalia que um desempenho abaixo das expectativas pode provocar uma reavaliação mais ampla dos investimentos em startups de inteligência artificial.

“A avaliação deles refletirá essa variação de desempenho, e então haverá um efeito cascata sobre tudo o que está acontecendo no mundo da IA de capital de risco, com o excesso de capital sendo investido. Tudo terá de ser reajustado”.

O impacto pode alcançar diferentes partes da cadeia tecnológica:

  • Fabricantes de memória: enfrentam a disputa por componentes necessários à infraestrutura de IA.
  • Investidores de capital de risco: podem rever aportes e avaliações de startups do setor.
  • Empresas de software: precisam avaliar custos e benefícios da incorporação de modelos de IA.
  • Provedores de infraestrutura: dependem da demanda para justificar a expansão de data centers e da capacidade computacional.
Logo da OpenAI em um smartphone que está em cima de várias notas de dólar
A estreia da Anthropic também pode afetar as expectativas em torno da futura abertura de capital da OpenAI, prevista não antes de 2027. – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

Concorrência e riscos para o setor

Outro desafio vem dos modelos de pesos abertos, que permitem personalização e podem custar menos. Entre os concorrentes estão soluções da Moonshot AI, DeepSeek e Zhipu. No documento apresentado para a abertura de capital, a Anthropic citou nominalmente OpenAI e Google como concorrentes, mas reconheceu a existência de um conjunto mais amplo de fornecedores.

A empresa vê espaço para crescer: no trimestre mais recente, companhias da lista Fortune 500 comprometeram menos de 0,1% de suas despesas totais com seus modelos e serviços.

A avaliação trilionária também coloca a operação em um grupo restrito. Se estrear com valor superior a US$ 1 trilhão (R$ 5,25 trilhões), a Anthropic será a terceira empresa a alcançar esse patamar em uma abertura de capital, depois da Saudi Aramco e da SpaceX.

Há, contudo, riscos para o mercado. Juros mais altos encarecem a captação de recursos, e uma redução da liquidez destinada à IA pode pressionar as ações. David Trainer, presidente-executivo da New Constructs, estima um risco de queda de 20% no S&P 500, concentrado principalmente nos papéis ligados ao setor.

A estreia da Anthropic será, portanto, um teste para as expectativas em torno da inteligência artificial. A reação dos investidores poderá influenciar tanto as avaliações de outras empresas quanto os planos da OpenAI de entrar na Bolsa.

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Anthropic mira IPO histórico, mas registra prejuízo bilionário

A Anthropic, criadora do chatbot Claude, prepara sua abertura de capital em uma operação que pode se tornar a maior da história. A empresa pode alcançar uma avaliação de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,5 trilhões) e captar mais de US$ 100 bilhões (R$ 525 bilhões).

Os documentos apresentados pela companhia revelam também o custo dessa expansão. Apesar do forte crescimento da receita, a Anthropic registrou um prejuízo expressivo no primeiro semestre de 2026.

Apesar do avanço nas vendas, a Anthropic reportou prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Receita dispara, mas prejuízo chama atenção

Entre janeiro e junho, a receita da Anthropic chegou a US$ 16,3 bilhões (aproximadamente R$ 85,6 bilhões), 14 vezes mais que no mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente por empresas que adotaram suas ferramentas de inteligência artificial (IA).

No mesmo semestre, a companhia acumulou um prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões (cerca de R$ 423,7 bilhões), ante US$ 13 bilhões um ano antes. O resultado inclui um encargo extraordinário de US$ 72,4 bilhões (aproximadamente R$ 380,1 bilhões) relacionado a notas conversíveis, um tipo de dívida que pode se transformar em participação acionária.

A valorização desses instrumentos ampliou a perda contábil, que não corresponde necessariamente a uma saída de caixa do mesmo montante.

A Anthropic já havia captado cerca de US$ 130 bilhões (R$ 682,5 bilhões) em investimentos privados. Agora, a possível estreia na bolsa pode ampliar ainda mais os recursos disponíveis para financiar seu crescimento.

Anthropic pode superar a SpaceX e a OpenAI

Se levantar mais de US$ 100 bilhões, a Anthropic poderá superar a SpaceX, de Elon Musk, e estabelecer um novo recorde de abertura de capital. Em maio, a empresa já havia ultrapassado a rival OpenAI em avaliação de mercado: US$ 900 bilhões (cerca de R$ 4,725 trilhões), contra US$ 730 bilhões (aproximadamente R$ 3,83 trilhões) da concorrente.

A OpenAI também considera uma nova rodada de financiamento que poderia elevar seu valor a US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 7,875 trilhões) antes de uma eventual oferta pública de ações.

A operação da Anthropic será coordenada pelos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley. A empresa ainda não divulgou quantas ações pretende vender nem o preço dos papéis, mas planeja negociá-los na Nasdaq sob o código ANT.

Dario Amodei, CEO da Anthropic
Dario Amodei ressaltou no registro financeiro que uma tecnologia tão potente quanto a IA pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Empresa reconhece riscos da inteligência artificial

O documento corporativo também aborda possíveis consequências negativas da tecnologia, como a perda de controle sobre sistemas de IA e seu uso para abusos autoritários.

“Acreditamos que a IA é uma das tecnologias mais importantes da história da humanidade”, afirmaram Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e os outros seis fundadores.

Em outro trecho, os executivos destacaram a dualidade da tecnologia: “Criar IA é aproveitar a própria cognição, e algo tão poderoso pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal”.

Amodei defende maior atenção à segurança e à regulamentação da inteligência artificial. Essa posição provocou críticas de outros líderes do setor, incluindo Jensen Huang, da Nvidia, e Mark Zuckerberg, da Meta, que o acusaram de tentar concentrar o poder sobre a tecnologia.

Entre os fatores que ajudam a contextualizar a trajetória da Anthropic estão:

  • Origem: a empresa foi fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que divergiam sobre como desenvolver a inteligência artificial.
  • Foco comercial: as ferramentas de programação ajudaram a Anthropic a conquistar clientes corporativos e acelerar seu crescimento.
  • Incerteza no mercado: outras companhias adiaram planos de abertura de capital diante das dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA.

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Saída de executivos coloca OpenAI sob pressão antes do IPO

A OpenAI perdeu mais um nome importante do alto escalão. Denise Dresser deixou o cargo de CRO na quinta-feira, apenas dois dias depois de Brad Lightcap anunciar sua saída. As mudanças atingem a empresa enquanto ela se prepara para um possível IPO e sustenta uma avaliação de US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,37 trilhões).

Fidji Simo também está fora da companhia. As três saídas acontecem em meio à disputa com Google e Anthropic, à expansão de modelos de código aberto mais baratos e às expectativas dos investidores sobre o futuro da OpenAI, explica a CNBC.

Mesmo com mudanças no comando, a área corporativa da OpenAI dobrou e chegou a 2 milhões de clientes em um ano. – Imagem: Henry Franklin/Shutterstock

Dresser deixa o cargo

Dresser havia chegado à OpenAI em dezembro, depois de mais de uma década em posições de liderança na Salesforce. Ela recebeu a missão de expandir os negócios corporativos, considerados estratégicos na concorrência com a Anthropic.

Em abril, quatro meses após sua contratação, Dresser assumiu parte das atribuições de Lightcap. Ele deixou a função de diretor de operações para trabalhar em “projetos especiais” e anunciou nesta semana que encerraria uma passagem de oito anos pela empresa para “começar algo novo”.

A sucessora de Dresser será Dali Rajic, que ocupava o cargo de presidente e diretora de operações da Wiz, empresa de cibersegurança adquirida pelo Google por US$ 32 bilhões (cerca de R$ 164,16 bilhões).

Greg Brockman, presidente da OpenAI, afirmou que Dresser comandou a área de receita durante um “período de formação para o negócio”. Sobre Rajic, disse que ela deverá transformar o que a empresa aprendeu em uma operação mais consistente.

Área corporativa cresce

A mudança no comando não impediu a OpenAI de destacar os resultados obtidos no mercado empresarial. Segundo Brockman, a receita recorrente cresceu mais de 20% em julho, enquanto a expansão entre clientes corporativos chegou a 32%.

A divisão empresarial atingiu 2 milhões de clientes, o dobro do número registrado um ano antes.

Eu simplesmente nunca vi esse nível de convicção se espalhar tão rapidamente e de forma tão consistente pelas indústrias.

Denise Dresser, CRO da OpenAI, à CNBC.

Na mesma entrevista, ela afirmou que os negócios corporativos respondiam por 40% da receita e poderiam alcançar o mesmo peso dos consumidores até o fim de 2026.

Os números destacados pela OpenAI incluem:

  • 2 milhões de clientes corporativos;
  • crescimento de 32% entre clientes empresariais em julho;
  • alta superior a 20% na receita recorrente em julho;
  • 40% da receita vindos dos negócios corporativos, segundo Dresser;
  • avaliação de US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,37 trilhões).
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A área corporativa já representa 40% da receita da OpenAI e pode alcançar o mesmo peso dos consumidores até o fim de 2026. – Imagem: Stock all/Shutterstock

IPO no horizonte

A OpenAI apresentou confidencialmente seu prospecto de IPO em junho, mas ainda não revelou uma data para a oferta.

A saída dos executivos chamou a atenção de investidores. Kevin McCormick, fundador da SignAudit.AI, classificou a debandada antes do IPO como um “grande sinal de alerta”. Dois investidores disseram à CNBC que ficaram surpresos com a decisão de Dresser.

Leia mais:

Mudanças rápidas, porém, não são exatamente novidade na OpenAI.

Em 2023, Sam Altman foi afastado do cargo de CEO após o conselho afirmar que ele não era “consistentemente sincero em suas comunicações”. Dias depois, voltou à posição diante da reação de investidores e funcionários.

O episódio voltou ao centro das atenções durante o processo movido por Elon Musk contra a OpenAI, Altman e Brockman. Durante o julgamento, a gestão dos dois executivos foi questionada por advogados de Musk.

Com novas baixas no comando, Altman e Brockman terão de manter a confiança de investidores e funcionários enquanto a OpenAI tenta avançar no mercado corporativo e se preparar para uma possível abertura de capital.

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ChatGPT vai mudar? Entenda o que o IPO da OpenAI significa para a corrida da IA

A OpenAI começou a semana com um movimento que pode mudar sua posição na corrida da inteligência artificial. Na segunda-feira (8), a desenvolvedora do ChatGPT oficializou um pedido de oferta pública inicial (IPO), primeiro passo para abrir capital e vender ações nas bolsas de valores.

Segundo o The New York Times, o pedido foi confidencial e a OpenAI ainda não decidiu quando oficialmente abrirá capital. Em comunicado enviado ao site, a companhia afirmou que “pode demorar um pouco, porque há coisas que queremos fazer que provavelmente são mais fáceis como empresa privada”.

A desenvolvedora não é a única em busca de um IPO. A rival Anthropic e a SpaceX também caminham para entrar na bolsa ainda este ano. No entanto, há riscos, principalmente considerando que a criadora do ChatGPT ainda não se tornou lucrativa.

Ao mesmo tempo, ao se abrir para o mercado, a empresa consegue captar financiamento para evoluir ainda mais na corrida da IA, à medida que rivais começam a se tornar importantes nesse setor.

O Olhar Digital mergulhou no que está por trás do IPO da OpenAI, qual deve ser o impacto para a empresa e para o mercado, e se o usuário final do ChatGPT precisa se preocupar.

OpenAI deu o primeiro passo em busca do IPO – Imagem: Melnikov Dmitriy/Shutterstock

ChatGPT foi o pontapé da corrida das IAs

A corrida das IAs é, basicamente, a disputa entre empresas do setor de tecnologia para apresentar ferramentas cada vez mais avançadas de inteligência artificial.

Tudo começou em novembro de 2022, quando o ChatGPT foi lançado pela OpenAI.

Na época, a desenvolvedora era uma empresa de pesquisa em IA respeitada no meio tecnológico (inclusive tendo recebido investimentos da Microsoft), mas desconhecida pelo público. A companhia operava através de uma fundação sem fins lucrativos, que controlava uma subsidiária de “lucro limitado”, criada especificamente para captar investimentos e financiar pesquisas.

Os modelos de linguagem também eram limitados em comparação ao que temos hoje. O ChatGPT foi lançado com o GPT-3.5. Desde então, os modelos ficaram mais confiáveis, multimodais (com capacidade para entender texto, áudio e imagens) e fáceis de usar, incluindo melhorias para conversas em linguagem natural.

Atualmente, estamos no GPT-5.5, que consegue operar computadores e realizar tarefas de forma autônoma, incluindo pesquisas online, análise de dados complexos e explorar diferentes ferramentas.

Voltando a 2022. A inteligência artificial generativa já existia. O diferencial do ChatGPT foi levar a tecnologia a usuários que nunca haviam entrado em contato com ela antes – e tudo de forma simples, em uma linguagem conversacional, sem necessidade de prompts elaborados ou conhecimento de programação.

Naquele momento, outras empresas de tecnologia perceberam que precisavam agir se não quisessem ficar para trás no setor. E a corrida começou: big techs como Microsoft, Google, Meta e Apple, e startups como Anthropic e Perplexity, passaram a correr atrás do prejuízo e desenvolveram suas próprias IAs.

Atualmente, o mesmo setor já está em outra fase, em que a tecnologia não é necessariamente o mais importante. Ao Olhar Digital, Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, defendeu que a corrida deixou de ser meramente tecnológica e virou uma disputa por capital. Isso porque o treinamento de modelos avançados exige investimentos – algo que as big techs conseguem financiar por muitos anos.

Já OpenAI e Anthropic, ambas startups, precisam se virar. É aí que entra o IPO. Segundo Flôres, a oferta pública inicial é uma forma de obter financiamento permanente para sustentar o crescimento, as pesquisas, aquisições e expansão global que permitem que as empresas se mantenham relevantes no setor.

O mercado está descobrindo que a inteligência artificial não é só uma revolução tecnológica. É também uma revolução financeira. A próxima disputa entre grandes empresas de IA não vai ser vencida pelos melhores algoritmos. Vai ser vencida por quem vai conseguir financiar mais a evolução mais rápido e por mais tempo.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos

Mas, antes de chegar lá, a OpenAI teve que mudar.

Tela de smartphone exibe ícones de chatbots de IA como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot
IPO virou uma forma de garantir financiamento para sustentar avanços da corrida de IA – Imagem: jackpress / Shutterstock

OpenAI mudou de rumo

Alguns meses antes do IPO sequer ser uma possibilidade, a OpenAI resolveu mudar sua trajetória.

A empresa foi fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com a missão de fazer com que a inteligência artificial beneficiasse a humanidade. Em 2019, veio a subsidiária com fins lucrativos.

Mais recentemente, em outubro de 2025, a desenvolvedora anunciou uma nova estrutura:

  • A organização sem fins lucrativos é agora a OpenAI Foundation;
  • A entidade com fins lucrativos agora é uma corporação de benefício público chamada OpenAI Group PBC. Ao contrário de uma empresa tradicional, essa entidade é obrigada a promover a missão original e considerar os interesses de todas as partes envolvidas, sem visar apenas o lucro. A desenvolvedora defende que isso “garante que a missão e o sucesso comercial da empresa avancem juntos”;
  • A OpenAI Foundation controla o OpenAI Group;
  • Ambas organizações têm a mesma missão: “garantir que a inteligência artificial geral (AGI) possa beneficiar toda a humanidade”.

Ainda segundo a OpenAI, a capitalização permite “levantar capital e atrair e reter os talentos necessários para promover sua missão, ao mesmo tempo em que mantém a mais forte representação de uma governança orientada pela missão em todo o setor atualmente”.

A nova estrutura demorou mais de um ano para ser finalizada – e veio acompanhada de polêmicas.

Em 2024, Elon Musk, um dos cofundadores da desenvolvedora, moveu um processo acusando a empresa, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman (ambos também são cofundadores) de descumprirem o compromisso original da companhia, que previa que ela se manteria uma organização sem fins lucrativos e com uma missão filantrópica que beneficiaria a humanidade. 

O bilionário queria uma indenização de US$ 150 bilhões e a destituição de Altman e Brockman de seus respectivos cargos de liderança. Ele também tentou reverter a conversão da OpenAI em empresa com fins lucrativos.

A desenvolvedora negou as acusações, defendendo que as ações de Musk foram motivadas pela rivalidade entre os executivos e para beneficiar a própria empresa de IA do bilionário, a xAI.

O julgamento conduzido este ano em tribunal na Califórnia, nos Estados Unidos, terminou em decisão favorável à desenvolvedora. O júri responsável decidiu pela rejeição da ação de Elon Musk, já que ele teria entrado com a ação judicial após o prazo de prescrição para apresentar essa reivindicação ter expirado.

No X, Musk prometeu recorrer. O Olhar Digital deu os detalhes sobre o desfecho do julgamento neste link.

Sam Altman e Elon Musk
Troca de farpas entre Altman (esquerda) e Musk (direita) é antiga – Imagem: FotoField/Shutterstock

Enfim, a bolsa de valores

Menos de um ano depois de mudar sua estrutura para permitir um braço com fins lucrativos, a OpenAI vai em busca do IPO.

Segundo o NYT, esta pode ser uma das maiores ofertas públicas da história de Wall Street. A empresa foi avaliada em US$ 730 bilhões em uma rodada privada de financiamento este ano, sem contar os valores captados em uma rodada mais recente, de por volta de US$ 122 bilhões.

De acordo com Olívia Flôres de Brás, o IPO da OpenAI é um momento muito relevante para o mercado de tecnologia nesta década.

Estamos falando da primeira oportunidade para que os investidores realmente possam participar ativamente e diretamente do crescimento que colocou a inteligência artificial no centro de uma economia global.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos

Para ela, a abertura do capital é “uma arma muito competitiva” na corrida de IA.

Mas isso vem acompanhado de desafios.

Mesmo com o valor em alta, a companhia ainda enfrenta uma questão importante: a lucratividade. Ao mesmo tempo que espera gastar US$ 115 bilhões nos próximos quatro anos, divulgou ganhos de cerca de US$ 13 bilhões no ano passado, impulsionados principalmente pela venda de anúncios no ChatGPT e da venda de pacotes de produtos de IA para companhias. Ou seja, a conta não fecha.

Flôres acredita que isso não é um impeditivo. Ela lembrou que, em outras oportunidades, o mercado também financiou empresas que permaneceram anos sem registrar lucro, apenas pela posição de mercado dominante. “A questão central é a capacidade da OpenAI de transformar essa liderança tecnológica em geração sustentável de caixa”, defendeu.

Se por um lado a desenvolvedora garante financiamento constante e mais visibilidade, por outro também deve ser mais cobrada. A executiva explica que aberturas de capital deixam as companhias mais pressionadas para registrar resultados positivos, além de a OpenAI possivelmente perder a flexibilidade que tem enquanto empresa privada.

Para o usuário, o que muda com o IPO da OpenAI?

O movimento da OpenAI em direção à bolsa de valores não deve afetar apenas o mercado.

O IPO coloca mais pressão para a empresa ter crescimento e rentabilidade. Olívia Flôres de Brás defende que isso deve levar a desenvolvedora a realizar mudanças na estratégia comercial, algo que pode afetar os usuários finais dos produtos – como o ChatGPT.

Quando você acelera iniciativas de monetização, você amplia a oferta de planos corporativos, você vai ter que criar novos produtos, que expandir serviços voltados para as empresas. A estratégia de longo prazo provavelmente vai continuar sendo ampliar a base de usuários e ter uma consolidação de sistema, além do crescimento e desenvolvimento de tudo o que permeia a inteligência artificial. Mas o desafio será equilibrar o crescimento financeiro com a adoção de larga escala. 

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos

Logo da OpenAI em um smartphone
Mesmo com crescimento, OpenAI ainda não chegou à lucratividade – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Por que tantas empresas estão atrás de IPOs?

A OpenAI não é a única.

Conforme reportado pelo Olhar Digital, a SpaceX também caminha para seu próprio IPO. A empresa de Elon Musk protocolou um pedido de oferta pública inicial e atraiu mais de US$ 250 bilhões em demanda de investidores.

O volume supera com folga os US$ 75 bilhões  que a companhia pretendia levantar, e a procura estaria entre três e quatro vezes acima do tamanho planejado da oferta.

A Anthropic, rival da OpenAI, é outra que quer entrar na bolsa de valores. No início deste mês, a desenvolvedora também protocolou de forma confidencial seu pedido junto ao órgão regulador do mercado financeiro nos Estados Unidos.

Para Flôres, a ‘onda’ recente de IPOs em empresas de tecnologia tem motivo:

  • O primeiro deles é que a inteligência artificial inaugurou um novo ciclo de investimentos globais. Ela comparou esse momento ao da chegada da internet e dos smartphones;
  • O segundo é que o mercado voltou a se interessar por empresas com potencial de crescimento, após longos anos de juros elevados e investimentos restritos;
  • O terceiro é que muitas empresas precisam de volumes muito grandes de capital. Quando as rodadas de financiamento privadas passam a ser insuficientes, vem o IPO. Trata-se da “forma natural de financiar a próxima fase dessas expansões”.

Vale lembrar que o pedido é apenas o primeiro passo para entrar na bolsa de valores. Nenhuma das três empresas concluiu o processo.

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Disputa com Casa Branca expõe riscos políticos da Anthropic antes do IPO

A relação entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos entrou em rota de colisão após divergências sobre o uso militar de inteligência artificial. O impasse envolveu decisões de segurança nacional e medidas de restrição que atingiram diretamente a empresa.

Nos últimos meses, porém, o clima começou a mudar em Washington. Ainda sem acordo definitivo, mas com sinais de aproximação, explica a Reuters.

Debate sobre uso de IA militar segue no centro da relação entre empresas de tecnologia e a Casa Branca. Imagem: Artem Onoprienko/iStock

Impasse começou com restrições ao uso militar de IA

A tensão começou quando a Anthropic recusou permitir que suas tecnologias fossem usadas pelas Forças Armadas dos EUA em vigilância doméstica e em sistemas de armas totalmente autônomos. A resposta do governo veio em seguida: a empresa foi incluída em uma lista de segurança nacional, cuja aplicação deve entrar em vigor ainda este ano.

Em março, o Departamento de Defesa foi além e classificou a empresa como um “risco para a cadeia de suprimentos”. É a primeira vez que uma companhia americana recebe esse tipo de enquadramento, geralmente reservado a empresas ligadas a países considerados adversários. Na prática, a decisão impede que contratados militares usem modelos da Anthropic em projetos ligados às Forças Armadas.

Sempre que o governo sinaliza que está se desvinculando de uma empresa, isso é um grande problema para ela.

Franklin Turner, advogado que atua com contratos governamentais, à Reuters.

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Disputa entre Anthropic e governo dos EUA envolve uso de IA em defesa e vigilância doméstica. Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Sinais de reaproximação começaram na Casa Branca

A mudança de clima começou a aparecer depois de uma visita do CEO Dario Amodei à Casa Branca, em abril. Foi o primeiro encontro mais amplo desde o início da disputa, abrindo espaço para conversas sobre possível cooperação.

Um dos episódios mais simbólicos dessa reaproximação foi o convite para que Amodei participasse da assinatura de uma ordem executiva sobre inteligência artificial. O evento acabou sendo cancelado, mas a ordem foi posteriormente assinada pelo presidente Donald Trump. Em comunicado, a Anthropic afirmou que espera “colaborar” com a Casa Branca na implementação das diretrizes.

Nos bastidores, representantes da empresa também se reuniram com autoridades econômicas dos Estados Unidos para discutir segurança cibernética e políticas de IA. Esses encontros ajudaram a alimentar parte das discussões que embasaram a nova ordem executiva.

Pontos da disputa

  • Recusa da Anthropic em apoiar usos militares de IA em vigilância e armas autônomas
  • Inclusão da empresa em lista de segurança nacional dos EUA
  • Classificação como “risco para a cadeia de suprimentos” pelo Pentágono
  • Reaproximação após reuniões na Casa Branca e encontros com autoridades
  • Processo judicial ainda em andamento e impacto sobre o IPO da empresa
Logo da Anthropic em um smartphone
Especialistas avaliam que impacto da crise entre Anthropic e EUA pode ser mais reputacional no curto prazo. Imagem: JRdes/Shutterstock – Imagem: JRdes/Shutterstock

Disputa segue aberta e ainda gera incertezas

Apesar dos sinais de aproximação, o conflito não foi encerrado. O Pentágono continua contestando a classificação de risco aplicada à empresa, e o caso segue em disputa judicial.

Outro ponto que chamou atenção no setor foi a ausência de executivos da Anthropic em uma simulação militar de ataques cibernéticos organizada pelo Exército dos EUA. O exercício contou com representantes de outras grandes empresas de tecnologia.

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No mercado, o caso é acompanhado de perto. Analistas avaliam que o impacto imediato é mais reputacional do que estrutural, embora ainda gere ruído. “É uma contusão de curto prazo”, resumiu o analista Harrison Rolfes, da PitchBook.

O pano de fundo é a preparação da Anthropic para uma possível abertura de capital, que pode avaliar a empresa em até US$ 1 trilhão. Um movimento que coloca ainda mais pressão sobre a relação com o governo americano.

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Elon Musk exige assinaturas do Grok de bancos envolvidos em IPO da SpaceX

Elon Musk está exigindo que bancos e outros assessores envolvidos na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX adquiram assinaturas do Grok, seu chatbot de inteligência artificial (IA), segundo informações publicadas pelo The New York Times com base em fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com a reportagem, a exigência se estende a instituições financeiras, escritórios de advocacia, auditores e demais consultores que desejam participar de um dos maiores IPOs da história. Algumas dessas instituições já concordaram em gastar dezenas de milhões de dólares por ano com o serviço e iniciaram a integração do Grok em seus sistemas de tecnologia da informação.

Entre os bancos que atuam como coordenadores da oferta — conhecidos como bookrunners — estão Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup. Essas instituições desempenham papel central na estruturação e condução da operação.

Nem Musk nem SpaceX responderam aos pedidos de comentário do Times. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup e Bank of America se recusaram a comentar, enquanto o Morgan Stanley não respondeu imediatamente às solicitações.

IPO da SpaceX chega, mas a que custo?

  • A iniciativa ocorre em meio a expectativas elevadas para a abertura de capital da SpaceX;
  • Segundo a Bloomberg, a empresa elevou sua meta de valuation para mais de US$ 2 trilhões (R$ 10,3 trilhões), o que pode torná-la a maior listagem da história do mercado acionário;
  • A companhia pretende levantar cerca de US$ 75 bilhões (R$ 386,6 bilhões), superando grandes IPOs anteriores, como o da Saudi Aramco, em 2019, e o do Alibaba, em 2014;
  • Outras estimativas apontam que a oferta pode arrecadar mais de US$ 50 bilhões (R$ 257,7 bilhões), com avaliação acima de US$ 1 trilhão (R$ 5,1 trilhões). Nesse cenário, os bancos envolvidos poderiam gerar mais de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em taxas de assessoria.

A exigência de Musk não é totalmente incomum em grandes transações, nas quais empresas frequentemente fazem demandas a seus assessores financeiros. Ainda assim, a obrigatoriedade de adquirir um produto específico chama atenção pelo grau de imposição.

Segundo pessoas com conhecimento das negociações, a compra das assinaturas do Grok não foi apenas um gesto de boa vontade por parte dos bancos, mas uma condição imposta por Musk. O empresário também teria solicitado que os bancos anunciassem no X, de sua propriedade, embora essa exigência tenha sido menos enfática.

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IPO da SpaceX promete ser um dos maiores da história – Imagem: photo_gonzo/Shutterstock

A estratégia evidencia a influência de Musk sobre o setor financeiro, especialmente em um momento em que Wall Street busca grandes operações após um período de baixa atividade em IPOs relevantes.

O Grok faz parte das iniciativas de IA associadas à SpaceX, que se fundiu à xAI em fevereiro. Apesar da aposta, o chatbot ainda ocupa uma posição inferior no mercado, atrás de concorrentes, como ChatGPT, Claude e Gemini.

Musk tem promovido o Grok como uma alternativa ao que considera excessos de correção política em outras plataformas, afirmando que o chatbot não seria “woke”.

Ainda assim, o sistema esteve envolvido em controvérsias recentes, incluindo a disseminação de conteúdo antissemita, elogios a Adolf Hitler e a geração de imagens sexualizadas sem consentimento. Países, como Indonésia e Malásia, proibiram o uso do Grok, enquanto outras nações abriram investigações.

Mesmo diante das críticas, Musk continua a promover o chatbot em sua rede social, incentivando seus seguidores a utilizarem a ferramenta. Em uma das mensagens republicadas por ele, lê-se: “Grok & xAI estão sem dúvida crescendo mais rápido do que qualquer outra IA.”

Atualmente, a maior parte da receita do Grok vem de assinaturas individuais. A adesão dos bancos pode fortalecer a vertente corporativa do produto antes da abertura de capital da SpaceX. Antes da fusão com a SpaceX, a xAI registrou cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em receita com suas operações de IA, embora não tenha detalhado a divisão entre clientes corporativos e consumidores finais.

Outro destaque financeiro da SpaceX é a Starlink, serviço de internet via satélite, considerado o principal ativo da empresa. Documentos financeiros indicam que o Starlink gerou aproximadamente US$ 8 bilhões (R$ 41,2 bilhões) em receita em 2024, além de bilhões de dólares em fluxo de caixa livre.

Nos últimos meses, banqueiros têm trabalhado nos escritórios da SpaceX, na região de Los Angeles, auxiliando na preparação dos documentos para o IPO. A empresa apresentou confidencialmente os papéis à Securities and Exchange Commission (SEC), mas não incluiu os nomes dos bancos envolvidos no registro.

Ainda não está definido qual instituição assumirá o papel principal na operação, posição que costuma garantir maior prestígio e participação nas taxas geradas pela oferta.

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