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Pesquisa brasileira revela: alunos que usaram ChatGPT aprenderam menos

A inteligência artificial virou companheira de estudos para milhões de estudantes. Em segundos, a tecnologia resume textos, explica conceitos complexos e até monta apresentações completas. Mas toda essa praticidade pode ter um custo invisível: a capacidade de aprender e reter conhecimento.

É o que sugere um trabalho publicado na revista científica Science Direct, conduzida por André Barcaui, professor, consultor e pós-doutorado em Inteligência Artificial pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O estudo concluiu que universitários que utilizaram o ChatGPT livremente durante uma atividade acadêmica apresentaram pior retenção de conhecimento do que alunos que recorreram apenas a métodos tradicionais de estudo.

Os participantes que estudaram sem inteligência artificial alcançaram média de 68,5% de acertos em um teste surpresa aplicado 45 dias após os estudos. Entre os estudantes que usaram o ChatGPT, o índice caiu para 57,5%.

A diferença chamou a atenção porque não se tratava de uma avaliação imediata. O objetivo era medir o quanto do conteúdo realmente permaneceu na memória dos alunos semanas após o período de estudo.

“O uso da IA acaba funcionando como uma muleta cognitiva”, afirmou o pesquisador em entrevista ao Olhar Digital. “O problema não é ter acesso a uma fonte extraordinária de informação. O problema é quando ela passa a substituir o seu pensamento”.

Como a pesquisa foi feita

O estudo acompanhou 120 estudantes de Administração de Empresas de uma universidade brasileira.

Metade dos participantes recebeu autorização para utilizar livremente ferramentas de inteligência artificial. A outra metade precisou recorrer apenas a livros, artigos científicos, mecanismos de busca tradicionais e materiais acadêmicos.

Durante duas semanas, todos estudaram temas relacionados a inteligência artificial e machine learning para preparar apresentações sobre o assunto.

A principal diferença veio depois: após 45 dias, Barcaui aplicou um teste surpresa sobre o assunto. A intenção era medir a memória de longo prazo, sem que os estudantes tivessem oportunidade de revisar o conteúdo previamente. Alunos do grupo ‘tradicional’ tiveram vantagem significativa nos resultados.

Um dado ajuda a explicar parte do resultado: quem utilizou IA estudou, em média, 3,2 horas. Já os estudantes do grupo tradicional dedicaram cerca de 5,8 horas à atividade.

O pesquisador destacou que a diferença não se resume ao tempo investido. Segundo o artigo, o uso da IA pode reduzir processos mentais importantes para a consolidação da memória, como a recuperação ativa de informações, a elaboração de respostas próprias e o esforço cognitivo necessário para resolver problemas.

Estudo defende que IA pode criar uma sensação de domínio sem que o conhecimento tenha sido realmente internalizado – Imagem: Gumbariya/Shutterstock

A sensação de aprender sem aprender

Um dos conceitos apresentados por Barcaui é o de “competência emprestada”.

A ideia descreve uma situação cada vez mais comum: o estudante obtém respostas bem estruturadas com poucos cliques, mas nem sempre internaliza o conhecimento necessário para reproduzir aquele raciocínio sozinho.

Barcaui compara o fenômeno a ter um especialista permanentemente ao lado.

É como se você tivesse um adulto disponível para responder qualquer pergunta. Isso não é um problema em si. O problema é usar essa fonte como substituta do seu pensamento, e não como uma ferramenta para ampliar o pensamento.

André Barcaui

Segundo ele, a IA pode criar uma sensação enganosa de domínio sobre determinado assunto. “Você pensa que entendeu. Mas, na verdade, quem entendeu foi o ChatGPT e explicou para você”, declarou.

A hipótese dialoga com preocupações levantadas por pesquisadores de diferentes áreas. Um artigo intitulado “O ChatGPT está nos deixando estúpidos?”, publicado pelo professor Aaron French no site The Conversation, argumentou que ferramentas de IA generativa não apenas ajudam a encontrar informações, mas podem assumir etapas inteiras do raciocínio humano, reduzindo a necessidade de análise crítica e interpretação.

O problema não é a IA

Barcaui fez questão de destacar os benefícios da inteligência artificial e reforçar que ela não deve ser banida das salas de aula.

Pelo contrário. Ele defende que a tecnologia oferece ganhos reais de produtividade e pode desempenhar papel importante no aprendizado quando utilizada da forma correta. “Eu sou um entusiasta da IA. Acho uma tecnologia extraordinária. O problema não é a ferramenta. É o uso indiscriminado dela”, afirmou.

Na visão do pesquisador, a inteligência artificial funciona melhor quando entra no processo após o esforço inicial do estudante. A lógica é simples: primeiro o aluno tenta resolver o problema sozinho. Depois utiliza a IA para obter feedback, revisar conceitos, identificar erros ou aprofundar a compreensão.

Você precisa ter uma base de conhecimento para dialogar com a ferramenta. Quando isso acontece, a IA aumenta o pensamento. Quando não acontece, ela apenas substitui o pensamento.

André Barcaui

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Curva de esquecimento ao longo dos 45 dias após o aprendizado. Linha vermelha representa os alunos que estudaram por métodos tradicionais; linha azul representa alunos que usaram IA – Imagem: André Barcaui/Science Direct

O desafio para escolas e universidades

Os resultados também levantam uma questão que começa a preocupar educadores: como ensinar em um mundo em que a inteligência artificial está disponível o tempo todo?

Para Barcaui, a resposta não tem a ver com proibições. “Proibir a IA é um erro. É uma briga perdida. Os alunos vão usar e precisam usar”, declarou.

O desafio, segundo ele, é ensinar como utilizar essas ferramentas de maneira produtiva. Isso inclui desenvolver habilidades que a tecnologia não substitui facilmente, como leitura aprofundada, escrita, pensamento crítico, capacidade de interpretação e a tomada de decisões por conta própria.

Na avaliação do pesquisador, o risco não está na inteligência artificial em si, mas em formar uma geração acostumada a terceirizar etapas fundamentais do raciocínio.

O professor precisa mudar de papel. O mundo mudou. O aluno mudou. A escola e a universidade também terão que mudar. (…) A IA deve fazer parte do processo de aprendizagem. Mas ela não pode ser a protagonista do aprendizado.

André Barcaui

Ele também destacou a importância do letramento para ensinar os melhores usos da tecnologia, bem como limites e questões éticas – o que vale tanto para alunos quanto para professores.

ChatGPT como muleta do aprendizado

O próprio estudo reconhece suas limitações. A pesquisa foi realizada com estudantes de uma única universidade e de uma única área de formação. Além disso, não avaliou outros benefícios que a IA pode trazer, como aumento de produtividade, melhoria na escrita, geração de ideias ou resolução de problemas.

Entre as conclusões, a pesquisa destacou:

  • O estudo não demonstra que toda forma de uso de inteligência artificial prejudica a aprendizagem;
  • O que ele indica é que, em um cenário de uso livre e sem orientação pedagógica, estudantes que recorreram ao ChatGPT apresentaram menor retenção de conhecimento após 45 dias do que colegas que estudaram por métodos tradicionais;
  • Em outras palavras, a pesquisa sugere que a questão central talvez não seja se a IA está tornando as pessoas menos capazes de aprender, mas como ela está sendo incorporada ao processo de aprendizagem.

Nesse sentido, Barcaui reforçou os benefícios da inteligência artificial, mas destacou a importância do pensamento crítico.

O pessoal quer resposta para ontem. E tudo bem, a IA faz esse papel muito bem. Só que o que restou daquela resposta que você deu quando você substituiu o seu pensamento pelo pensamento de uma máquina?

André Barcaui

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Domínio do ChatGPT encolhe e concorrentes ganham força no mercado de IA

Pela primeira vez desde seu lançamento, o ChatGPT perdeu a marca de 50% de participação no mercado global de assistentes de IA. O movimento reflete o avanço de concorrentes que vêm atraindo cada vez mais usuários, segundo o relatório State of AI 2026, da Sensor Tower.

Embora siga na liderança, o chatbot da OpenAI viu sua fatia de mercado cair para 46,4% em maio. Enquanto isso, Gemini e Claude ganharam espaço em um setor que continua crescendo rapidamente, comenta o TechCrunch.

ChatGPT ainda lidera em usuários, mas já sente a pressão dos concorrentes no mercado global de IA. Imagem: Primakov / Shutterstock – Imagem: Primakov / Shutterstock

ChatGPT segue líder, mas vê concorrência avançar

Até janeiro de 2026, o ChatGPT concentrava mais da metade do mercado de assistentes de IA. No fim de maio, sua participação havia recuado para 46,4%. O Gemini, do Google, alcançou 27,7%, enquanto o Claude, da Anthropic, chegou a 10,3%.

Apesar da queda relativa, o ChatGPT continua sendo o assistente de IA mais utilizado do mundo, com mais de 1,1 bilhão de usuários mensais. O Gemini aparece em segundo lugar, com 662 milhões, seguido pelo Claude, com 245 milhões.

O relatório também destaca que os usuários estão mais dispostos a experimentar diferentes plataformas. Um dos fatores observados foi o aumento das desinstalações após o anúncio do acordo entre a OpenAI e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O episódio sugere que muitos usuários levam em consideração não apenas os recursos oferecidos, mas também as decisões tomadas pelas empresas responsáveis pelas ferramentas.

Enquanto o crescimento do Gemini está ligado à integração com o ecossistema do Google, o Claude ganhou destaque em tarefas de produtividade e vem se aproximando dos índices de retenção do ChatGPT.

Ícone do ChatGPT em um smartphone
OpenAI testa anúncios no ChatGPT e amplia estratégia de monetização da plataforma de IA. Imagem: Ascannio/Shutterstock – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Mercado de IA acelera receitas e tempo de uso

A Sensor Tower estima que os usuários baixarão quase 2,3 bilhões de aplicativos de IA no primeiro semestre de 2026. Além disso, os gastos devem superar US$ 4,2 bilhões, acima dos US$ 1,83 bilhão registrados no mesmo período de 2025.

Os principais destaques do levantamento incluem:

  • ChatGPT abaixo de 50% de participação pela primeira vez;
  • Crescimento consistente de Gemini e Claude;
  • Quase 2,3 bilhões de downloads previstos em 2026;
  • Mais de US$ 4,2 bilhões em gastos com aplicativos de IA;
  • Maior foco das empresas em monetização.

O estudo também aponta que o tempo gasto em aplicativos de IA deve saltar de 17,2 bilhões para cerca de 36 bilhões de horas entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Os três principais assistentes concentram 89% desse total.

As diferenças regionais também chamam atenção. A Ásia registrou queda de 3,3% nos downloads no primeiro trimestre de 2026, puxada por recuos na China e na Índia. Ainda assim, a região segue liderando em volume de instalações.

Anúncios e compras ganham espaço

A OpenAI começou a testar anúncios no ChatGPT em fevereiro de 2026. Em maio, cerca de 17% dos usuários diários visualizaram publicidade na plataforma.

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Ao mesmo tempo, o chatbot ampliou sua atuação no comércio eletrônico, direcionando tráfego para varejistas como Walmart, Target e Costco. Já a Amazon, que bloqueou os rastreadores web do ChatGPT, registrou crescimento estagnado nesse tipo de tráfego.

O relatório mostra que a disputa entre assistentes de IA está entrando em uma nova fase. Além de conquistar usuários, as empresas agora buscam aumentar receitas, fortalecer a retenção e ampliar sua presença em áreas como publicidade e compras digitais.

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ChatGPT foi criado em duas semanas por causa da Anthropic, diz Reuters

A Anthropic protocolou em 1º de junho seu pedido confidencial de abertura de capital nos EUA. A OpenAI seguiu no dia 8, uma semana depois. A disputa pelo IPO é só a mais recente batalha entre as duas empresas – e a Reuters revelou nesta quinta-feira (11) a história por trás da guerra.

ChatGPT em duas semanas

Em novembro de 2022, a OpenAI soube que a Anthropic desenvolvia um chatbot. Sam Altman imediatamente ordenou que a equipe acelerasse um produto concorrente, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters.

Duas semanas depois, a OpenAI lançou o ChatGPT. “De repente, era: precisamos lançar isso em duas semanas”, disse um funcionário à agência. O produto se tornou o aplicativo de crescimento mais rápido da história.

A inversão de poder

Por três anos, a Anthropic correu para alcançar a OpenAI. No final de 2025, o cenário virou. A empresa lançou uma atualização poderosa do Claude Code e passou a liderar no mercado enterprise de programação com IA.

A OpenAI redirecionou recursos para o mercado corporativo. Reforçou o Codex, seu produto de codificação, e criou a DeployCo – joint venture com 19 firmas globais para levar engenheiros diretamente às empresas.

Quem vale mais

A Anthropic foi avaliada em US$ 965 bilhões em sua última rodada de captação, em maio. A OpenAI estava avaliada em US$ 852 bilhões em março.

A Anthropic, que nasceu como dissidência da OpenAI, agora vale mais que a empresa original. “É uma guerra total entre eles”, disse à Reuters Anastasios Angelopoulos, CEO da Arena, empresa de benchmarking de IA.

A briga pelos números

As duas empresas divergem até na forma de reportar receita. A OpenAI acusa a Anthropic de inflar seus números em bilhões, segundo a Reuters.

A Anthropic contabiliza o valor total pago pelos clientes. A OpenAI registra apenas a receita líquida, já deduzidos os repasses à Microsoft. A Anthropic afirma seguir práticas contábeis estabelecidas.

A corrida pelo IPO

A OpenAI havia comunicado a alguns investidores que pretendia abrir capital em setembro. A Anthropic saiu na frente ao protocolar primeiro – e pode assim definir como empresas de IA reportam resultados para o mercado.

Internamente, Altman pressionou a CFO Sarah Friar pelo cronograma agressivo. Segundo a Reuters, ele disse que ela deveria resolver ou contratar outros banqueiros e advogados capazes de cumpri-lo.

A recusa no palco

A tensão entre os CEOs extrapolou o mundo corporativo. Em fevereiro, em uma cúpula de IA na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi pediu que os executivos presentes se dessem as mãos em gesto de unidade.

Altman e Amodei, lado a lado no palco, recusaram. O momento foi registrado em vídeo e viralizou.

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OpenAI prepara corte de preços e acirra disputa na IA

A OpenAI está avaliando reduzir os preços cobrados pelo acesso aos seus modelos de inteligência artificial, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada na quarta-feira, com base em fontes próximas ao tema.

A movimentação não parece casual. Nos bastidores, a companhia estuda cortar de forma relevante o valor cobrado por tokens — unidade usada para medir e faturar o uso de sistemas de IA. A leitura no mercado é de que a decisão mira um ambiente mais competitivo, especialmente com a Anthropic ganhando espaço e pressionando margens.

Disputa entre OpenAI e Anthropic avança e pode impactar custos de acesso à inteligência artificial no mundo. Imagem: Primakov / Shutterstock – Imagem: Primakov / Shutterstock

Preços atuais das duas plataformas

Hoje, a OpenAI trabalha com três faixas de assinatura: US$ 8 (cerca de R$ 40), US$ 20 (aproximadamente R$ 100) e US$ 100 ou mais (em torno de R$ 500) para acesso aos modelos GPT-5.5. A Anthropic segue uma estrutura parecida, com o Claude Pro a US$ 17 (aprox. R$ 85) por mês em plano anual e o Claude Max a partir de US$ 100 (cerca de R$ 500).

Na prática, os valores mostram duas estratégias muito próximas. A diferença real, neste momento, está na disputa por escala e fidelização de usuários.

Celular com ChatGPT aberto em navegador sobre notas de dólares
Guerra de preços na IA pode ficar mais intensa com possível corte de valores pela OpenAI. Imagem: Hamara/Shutterstock

Disputa acirrada entre as empresas

Na segunda-feira, a OpenAI protocolou de forma confidencial um pedido de oferta pública inicial (IPO) junto à SEC, reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos. Pouco depois, a Anthropic avançou em direção semelhante.

Não é coincidência. As duas empresas disputam capital, usuários e influência ao mesmo tempo.

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A Anthropic encerrou sua rodada Série H em 28 de maio com avaliação de US$ 965 bilhões (aproximadamente R$ 4,8 trilhões), superando levemente a OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,3 trilhões) em março.

Enquanto isso, o ChatGPT atingiu a marca de 1 bilhão de usuários mensais ativos em maio — cerca de três anos após o lançamento. O ritmo supera plataformas como o Google Maps, que levou aproximadamente cinco anos para alcançar o mesmo patamar, segundo estimativas da Sensor Tower.

No fim, o que parece uma disputa de preços é, na prática, uma corrida mais ampla: quem vai definir não só o custo, mas o ritmo de expansão da inteligência artificial no mercado global.

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ChatGPT vai mudar? Entenda o que o IPO da OpenAI significa para a corrida da IA

A OpenAI começou a semana com um movimento que pode mudar sua posição na corrida da inteligência artificial. Na segunda-feira (8), a desenvolvedora do ChatGPT oficializou um pedido de oferta pública inicial (IPO), primeiro passo para abrir capital e vender ações nas bolsas de valores.

Segundo o The New York Times, o pedido foi confidencial e a OpenAI ainda não decidiu quando oficialmente abrirá capital. Em comunicado enviado ao site, a companhia afirmou que “pode demorar um pouco, porque há coisas que queremos fazer que provavelmente são mais fáceis como empresa privada”.

A desenvolvedora não é a única em busca de um IPO. A rival Anthropic e a SpaceX também caminham para entrar na bolsa ainda este ano. No entanto, há riscos, principalmente considerando que a criadora do ChatGPT ainda não se tornou lucrativa.

Ao mesmo tempo, ao se abrir para o mercado, a empresa consegue captar financiamento para evoluir ainda mais na corrida da IA, à medida que rivais começam a se tornar importantes nesse setor.

O Olhar Digital mergulhou no que está por trás do IPO da OpenAI, qual deve ser o impacto para a empresa e para o mercado, e se o usuário final do ChatGPT precisa se preocupar.

OpenAI deu o primeiro passo em busca do IPO – Imagem: Melnikov Dmitriy/Shutterstock

ChatGPT foi o pontapé da corrida das IAs

A corrida das IAs é, basicamente, a disputa entre empresas do setor de tecnologia para apresentar ferramentas cada vez mais avançadas de inteligência artificial.

Tudo começou em novembro de 2022, quando o ChatGPT foi lançado pela OpenAI.

Na época, a desenvolvedora era uma empresa de pesquisa em IA respeitada no meio tecnológico (inclusive tendo recebido investimentos da Microsoft), mas desconhecida pelo público. A companhia operava através de uma fundação sem fins lucrativos, que controlava uma subsidiária de “lucro limitado”, criada especificamente para captar investimentos e financiar pesquisas.

Os modelos de linguagem também eram limitados em comparação ao que temos hoje. O ChatGPT foi lançado com o GPT-3.5. Desde então, os modelos ficaram mais confiáveis, multimodais (com capacidade para entender texto, áudio e imagens) e fáceis de usar, incluindo melhorias para conversas em linguagem natural.

Atualmente, estamos no GPT-5.5, que consegue operar computadores e realizar tarefas de forma autônoma, incluindo pesquisas online, análise de dados complexos e explorar diferentes ferramentas.

Voltando a 2022. A inteligência artificial generativa já existia. O diferencial do ChatGPT foi levar a tecnologia a usuários que nunca haviam entrado em contato com ela antes – e tudo de forma simples, em uma linguagem conversacional, sem necessidade de prompts elaborados ou conhecimento de programação.

Naquele momento, outras empresas de tecnologia perceberam que precisavam agir se não quisessem ficar para trás no setor. E a corrida começou: big techs como Microsoft, Google, Meta e Apple, e startups como Anthropic e Perplexity, passaram a correr atrás do prejuízo e desenvolveram suas próprias IAs.

Atualmente, o mesmo setor já está em outra fase, em que a tecnologia não é necessariamente o mais importante. Ao Olhar Digital, Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, defendeu que a corrida deixou de ser meramente tecnológica e virou uma disputa por capital. Isso porque o treinamento de modelos avançados exige investimentos – algo que as big techs conseguem financiar por muitos anos.

Já OpenAI e Anthropic, ambas startups, precisam se virar. É aí que entra o IPO. Segundo Flôres, a oferta pública inicial é uma forma de obter financiamento permanente para sustentar o crescimento, as pesquisas, aquisições e expansão global que permitem que as empresas se mantenham relevantes no setor.

O mercado está descobrindo que a inteligência artificial não é só uma revolução tecnológica. É também uma revolução financeira. A próxima disputa entre grandes empresas de IA não vai ser vencida pelos melhores algoritmos. Vai ser vencida por quem vai conseguir financiar mais a evolução mais rápido e por mais tempo.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos

Mas, antes de chegar lá, a OpenAI teve que mudar.

Tela de smartphone exibe ícones de chatbots de IA como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot
IPO virou uma forma de garantir financiamento para sustentar avanços da corrida de IA – Imagem: jackpress / Shutterstock

OpenAI mudou de rumo

Alguns meses antes do IPO sequer ser uma possibilidade, a OpenAI resolveu mudar sua trajetória.

A empresa foi fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com a missão de fazer com que a inteligência artificial beneficiasse a humanidade. Em 2019, veio a subsidiária com fins lucrativos.

Mais recentemente, em outubro de 2025, a desenvolvedora anunciou uma nova estrutura:

  • A organização sem fins lucrativos é agora a OpenAI Foundation;
  • A entidade com fins lucrativos agora é uma corporação de benefício público chamada OpenAI Group PBC. Ao contrário de uma empresa tradicional, essa entidade é obrigada a promover a missão original e considerar os interesses de todas as partes envolvidas, sem visar apenas o lucro. A desenvolvedora defende que isso “garante que a missão e o sucesso comercial da empresa avancem juntos”;
  • A OpenAI Foundation controla o OpenAI Group;
  • Ambas organizações têm a mesma missão: “garantir que a inteligência artificial geral (AGI) possa beneficiar toda a humanidade”.

Ainda segundo a OpenAI, a capitalização permite “levantar capital e atrair e reter os talentos necessários para promover sua missão, ao mesmo tempo em que mantém a mais forte representação de uma governança orientada pela missão em todo o setor atualmente”.

A nova estrutura demorou mais de um ano para ser finalizada – e veio acompanhada de polêmicas.

Em 2024, Elon Musk, um dos cofundadores da desenvolvedora, moveu um processo acusando a empresa, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman (ambos também são cofundadores) de descumprirem o compromisso original da companhia, que previa que ela se manteria uma organização sem fins lucrativos e com uma missão filantrópica que beneficiaria a humanidade. 

O bilionário queria uma indenização de US$ 150 bilhões e a destituição de Altman e Brockman de seus respectivos cargos de liderança. Ele também tentou reverter a conversão da OpenAI em empresa com fins lucrativos.

A desenvolvedora negou as acusações, defendendo que as ações de Musk foram motivadas pela rivalidade entre os executivos e para beneficiar a própria empresa de IA do bilionário, a xAI.

O julgamento conduzido este ano em tribunal na Califórnia, nos Estados Unidos, terminou em decisão favorável à desenvolvedora. O júri responsável decidiu pela rejeição da ação de Elon Musk, já que ele teria entrado com a ação judicial após o prazo de prescrição para apresentar essa reivindicação ter expirado.

No X, Musk prometeu recorrer. O Olhar Digital deu os detalhes sobre o desfecho do julgamento neste link.

Sam Altman e Elon Musk
Troca de farpas entre Altman (esquerda) e Musk (direita) é antiga – Imagem: FotoField/Shutterstock

Enfim, a bolsa de valores

Menos de um ano depois de mudar sua estrutura para permitir um braço com fins lucrativos, a OpenAI vai em busca do IPO.

Segundo o NYT, esta pode ser uma das maiores ofertas públicas da história de Wall Street. A empresa foi avaliada em US$ 730 bilhões em uma rodada privada de financiamento este ano, sem contar os valores captados em uma rodada mais recente, de por volta de US$ 122 bilhões.

De acordo com Olívia Flôres de Brás, o IPO da OpenAI é um momento muito relevante para o mercado de tecnologia nesta década.

Estamos falando da primeira oportunidade para que os investidores realmente possam participar ativamente e diretamente do crescimento que colocou a inteligência artificial no centro de uma economia global.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos

Para ela, a abertura do capital é “uma arma muito competitiva” na corrida de IA.

Mas isso vem acompanhado de desafios.

Mesmo com o valor em alta, a companhia ainda enfrenta uma questão importante: a lucratividade. Ao mesmo tempo que espera gastar US$ 115 bilhões nos próximos quatro anos, divulgou ganhos de cerca de US$ 13 bilhões no ano passado, impulsionados principalmente pela venda de anúncios no ChatGPT e da venda de pacotes de produtos de IA para companhias. Ou seja, a conta não fecha.

Flôres acredita que isso não é um impeditivo. Ela lembrou que, em outras oportunidades, o mercado também financiou empresas que permaneceram anos sem registrar lucro, apenas pela posição de mercado dominante. “A questão central é a capacidade da OpenAI de transformar essa liderança tecnológica em geração sustentável de caixa”, defendeu.

Se por um lado a desenvolvedora garante financiamento constante e mais visibilidade, por outro também deve ser mais cobrada. A executiva explica que aberturas de capital deixam as companhias mais pressionadas para registrar resultados positivos, além de a OpenAI possivelmente perder a flexibilidade que tem enquanto empresa privada.

Para o usuário, o que muda com o IPO da OpenAI?

O movimento da OpenAI em direção à bolsa de valores não deve afetar apenas o mercado.

O IPO coloca mais pressão para a empresa ter crescimento e rentabilidade. Olívia Flôres de Brás defende que isso deve levar a desenvolvedora a realizar mudanças na estratégia comercial, algo que pode afetar os usuários finais dos produtos – como o ChatGPT.

Quando você acelera iniciativas de monetização, você amplia a oferta de planos corporativos, você vai ter que criar novos produtos, que expandir serviços voltados para as empresas. A estratégia de longo prazo provavelmente vai continuar sendo ampliar a base de usuários e ter uma consolidação de sistema, além do crescimento e desenvolvimento de tudo o que permeia a inteligência artificial. Mas o desafio será equilibrar o crescimento financeiro com a adoção de larga escala. 

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos

Logo da OpenAI em um smartphone
Mesmo com crescimento, OpenAI ainda não chegou à lucratividade – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Por que tantas empresas estão atrás de IPOs?

A OpenAI não é a única.

Conforme reportado pelo Olhar Digital, a SpaceX também caminha para seu próprio IPO. A empresa de Elon Musk protocolou um pedido de oferta pública inicial e atraiu mais de US$ 250 bilhões em demanda de investidores.

O volume supera com folga os US$ 75 bilhões  que a companhia pretendia levantar, e a procura estaria entre três e quatro vezes acima do tamanho planejado da oferta.

A Anthropic, rival da OpenAI, é outra que quer entrar na bolsa de valores. No início deste mês, a desenvolvedora também protocolou de forma confidencial seu pedido junto ao órgão regulador do mercado financeiro nos Estados Unidos.

Para Flôres, a ‘onda’ recente de IPOs em empresas de tecnologia tem motivo:

  • O primeiro deles é que a inteligência artificial inaugurou um novo ciclo de investimentos globais. Ela comparou esse momento ao da chegada da internet e dos smartphones;
  • O segundo é que o mercado voltou a se interessar por empresas com potencial de crescimento, após longos anos de juros elevados e investimentos restritos;
  • O terceiro é que muitas empresas precisam de volumes muito grandes de capital. Quando as rodadas de financiamento privadas passam a ser insuficientes, vem o IPO. Trata-se da “forma natural de financiar a próxima fase dessas expansões”.

Vale lembrar que o pedido é apenas o primeiro passo para entrar na bolsa de valores. Nenhuma das três empresas concluiu o processo.

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OpenAI quer transformar ChatGPT em um superapp; entenda a mudança

A OpenAI prepara a maior reformulação do ChatGPT desde o seu lançamento. A empresa, avaliada em US$ 850 bilhões, busca novas fontes de crescimento.

O objetivo é transformar o chatbot em um superapp focado em ferramentas de programação e agentes de inteligência artificial. A mudança antecede a abertura na Bolsa (IPO) planejada para este ano.

“Isso transcenderá a superfície… o que estamos construindo é um sistema em que você terá seu próprio agente pessoal capaz de ajudá-lo… em todos os aspectos da sua vida, seja pessoal ou profissional.”, disse Thibault Sottiaux, que anteriormente dirigia o Codex e agora lidera todos os principais produtos e plataformas da OpenAI, ao Financial Times.

Foco em agentes e receita corporativa

A estratégia marca um desvio no modelo atual focado em conversação comum. Fontes internas indicam que a empresa agora prioriza clientes corporativos lucrativos para competir com a Anthropic.

Executivos da companhia acreditam que o futuro do setor está em sistemas que executam tarefas complexas sozinhos. “O chat está morto”, afirmou um funcionário sênior ao Financial Times.

A reformulação começará nas próximas semanas com mudanças na interface do site e dos aplicativos. O novo design vai direcionar os usuários para ferramentas de parceiros externos.

Expansão do Codex e cortes de produtos

A nova fase dará maior destaque ao Codex, a plataforma de desenvolvimento de software da OpenAI. O produto de programação registrou um crescimento expressivo recentemente.

A base de usuários do Codex aumentou seis vezes desde fevereiro, atingindo 5 milhões de usuários ativos semanais. O salto ocorreu após o lançamento de uma versão para desktop.

Cerca de 2 milhões de empresas usam os serviços da OpenAI atualmente. O segmento corporativo gera 40% da receita da empresa, com projeção de atingir 50% até o fim do ano.

Reorganização interna e IPO

Para acelerar a transição, a OpenAI unificou suas equipes de produtos sob o comando de Thibault Sottiaux. Paralelamente, iniciativas voltadas ao consumidor final foram encerradas.

A empresa cancelou um recurso de compras internas no ChatGPT e descontinuou o gerador de vídeos Sora. O encerramento do Sora ocorre menos de um ano após seu lançamento.

A guinada comercial aproxima a OpenAI da rival Anthropic, focada em monetização ágil. Ambas as empresas tentam atrair investidores institucionais, demonstrando capacidade de gerar lucro antes do IPO.

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OpenAI anuncia nova arquitetura de memória para o ChatGPT

A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (4) uma atualização em seu sistema de memória para o ChatGPT. Segundo a empresa, a novidade traz uma arquitetura mais avançada para sintetizar informações sobre os usuários, com o objetivo de melhorar a atualização de contexto, a continuidade entre conversas e a relevância das respostas ao longo do tempo.

De acordo com a companhia, a nova tecnologia começa a ser disponibilizada para assinantes dos planos Plus e Pro nos Estados Unidos e deverá chegar a outros países, além dos usuários dos planos Free e Go, nas próximas semanas. A mudança busca resolver desafios relacionados à obsolescência de informações, precisão dos dados armazenados e escalabilidade do sistema para centenas de milhões de usuários.

Como a memória do ChatGPT evoluiu

A OpenAI relembra que o recurso de memória foi lançado inicialmente em abril de 2024. Na época, o sistema permitia que o ChatGPT armazenasse informações fornecidas explicitamente pelos usuários para utilizá-las em conversas futuras.

OpenAI relembrou a trajetória do recurso de memórias salvas do ChatGPT – Imagem: Divulgação / OpenAI

Segundo a empresa, esse modelo dependia de comandos claros para registrar informações e funcionava de forma semelhante a anotações pontuais. Com o passar do tempo, porém, essas memórias poderiam se tornar desatualizadas ou perder relevância.

Em abril de 2025, a OpenAI ampliou a capacidade do ChatGPT ao introduzir a primeira versão do chamado Dreaming, um processo que permite ao modelo revisar o histórico de conversas e organizar memórias automaticamente em segundo plano. A proposta era reduzir a dependência de solicitações explícitas para armazenar informações.

Agora, a companhia afirma ter desenvolvido uma arquitetura de memória baseada nessa tecnologia, descrita como mais eficiente em termos computacionais e mais capaz de manter informações relevantes atualizadas.

Resumo de memórias ficará visível ao usuário

Uma das novidades anunciadas é a criação de uma página de resumo das memórias sintetizadas pelo sistema. Segundo a OpenAI, o recurso permitirá visualizar rapidamente os principais pontos que o ChatGPT conhece sobre cada usuário.

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Nova página de resumo de memória mostra informações que o ChatGPT reuniu sobre o usuário e permite corrigir ou remover dados, segundo a OpenAI – Imagem: Divulgação / OpenAI

A empresa diz que será possível revisar, corrigir, atualizar ou complementar essas informações diretamente pela interface. Os usuários também poderão indicar quais assuntos desejam que o chatbot considere com mais frequência em futuras interações.

Três objetivos para a memória

A OpenAI afirma que avalia a qualidade do sistema de memória com base em três critérios principais: a capacidade de manter informações relevantes entre conversas, o respeito a preferências e restrições informadas pelos usuários e a atualização dessas informações conforme o tempo passa.

Como exemplo, a companhia afirma que o ChatGPT pode lembrar detalhes de projetos de longo prazo, considerar preferências pessoais ao responder solicitações e atualizar automaticamente informações temporárias, como viagens concluídas ou eventos já encerrados.

gráfico de memória do chatgpt
OpenAI afirma que a capacidade de recuperar informações factuais aumentou de 41,5% em 2024 para 82,8% em 2026 – Imagem: Divulgação / OpenAI

Nos testes internos divulgados pela empresa, a taxa de sucesso na recuperação de informações factuais passou de 41,5% no sistema de 2024 para 82,8% na nova geração de memória baseada em Dreaming. Já a aderência a preferências aumentou de 31,4% para 71,3%, enquanto a capacidade de manter informações corretas ao longo do tempo subiu de 9,4% para 75,1%.

Expansão para mais usuários

A OpenAI afirma que avanços recentes reduziram em aproximadamente cinco vezes o custo computacional necessário para operar o sistema Dreaming. Segundo a empresa, essa redução tornou viável ampliar o recurso para mais usuários e aumentar a capacidade de memória disponível nos planos pagos.

A companhia descreve a atualização como sua arquitetura de memória mais avançada até o momento e afirma que continuará trabalhando em melhorias futuras para o recurso.

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CEO da OpenAI, Sam Altman rejeita aval do governo dos EUA para novas IAs

O CEO da OpenAI, Sam Altman, defenderá que os EUA não exijam aprovação prévia para o lançamento de novos modelos de inteligência artificial.

Segundo comunicado da empresa divulgado pela Reuters nesta quarta-feira (03), a estratégia visa moldar a regulamentação do setor sem travar o avanço tecnológico.

Altman cumpre agenda em Washington para pedir ao Congresso o aumento de verbas para testes de IA no Departamento de Comércio.

Testes de segurança nacional

Atualmente, o órgão já colabora com a OpenAI e a Anthropic na avaliação de tecnologias em desenvolvimento.

A OpenAI quer expandir a iniciativa com cientistas especializados em segurança cibernética, armas biológicas e defesa nacional.

Exigências federais podem prejudicar lucros ao atrasar lançamentos ou forçar mudanças nos produtos por motivos de segurança.

Corrida para a Bolsa

A ofensiva política coincide com a preparação da OpenAI para protocolar de forma confidencial sua oferta pública inicial de ações (IPO).

A concorrente Anthropic, criadora do Claude, protocolou seu pedido confidencial de IPO nos Estados Unidos na última segunda-feira (1º).

Altman se reúne nesta quarta-feira (03) com parlamentares, incluindo o presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson.

Macron convida Altman para cúpula do G7

O presidente francês, Emmanuel Macron, convidou Sam Altman para participar da cúpula do G7, que ocorre entre 15 e 17 de junho. Segundo informou a OpenAI à CNBC, esta será a primeira participação do executivo no encontro dos chefes de Estado.

O diretor de assuntos globais da OpenAI, Chris Lehane, afirmou que Altman integrará as discussões de liderança focadas em inteligência artificial. A expectativa da empresa é fechar um conjunto de compromissos voluntários de segurança digital com os países do bloco econômico.

A prioridade de Altman no evento será a segurança dos jovens e a governança imediata dos riscos cibernéticos e biológicos da tecnologia. A preocupação cresceu após os lançamentos recentes de modelos robustos, como o GPT-5.5 Cyber e o Mythos, da concorrente Anthropic.

Para mitigar riscos e fechar parcerias estatais, a empresa aposta no programa “OpenAI for Countries”, lançado no fim de 2025. A ofensiva diplomática de Macron também visa atrair capital para expandir a infraestrutura de tecnologia e dados em território francês.

Recentemente, o SoftBank anunciou o investimento de € 45 bilhões em cinco anos para construir infraestrutura de IA na França. O país também garantiu € 7,5 bilhões do fundo MGX com o Bpifrance e mais € 2 bilhões da Salesforce.

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Modelos de IA desafiam legislação da UE para atender usuários, aponta estudo

Modelos de IA estão ignorando regras da União Europeia para cumprir tarefas solicitadas por usuários. A conclusão aparece em um novo estudo conduzido por pesquisadores da organização holandesa Aithos.

Segundo o Euronews, o levantamento avaliou alguns dos sistemas de IA mais populares do mundo e mostrou que mesmo os modelos mais avançados apresentaram baixo nível de conformidade com a legislação europeia.

Agentes de IA aceitaram tarefas consideradas problemáticas pela legislação europeia, aponta estudo. Imagem: artjazz/Shutterstock – Imagem: artjazz/Shutterstock

Pesquisa colocou agentes de IA à prova

A Aithos desenvolveu um sistema chamado LARA para testar 12 modelos de agentes de IA em cenários relacionados à Lei de IA da União Europeia e ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR).

A análise verificou se os modelos respeitariam regras ligadas à privacidade, transparência e proteção dos usuários em situações práticas.

Entre os pontos avaliados estavam:

  • exploração de vulnerabilidades dos usuários;
  • inferência de emoções;
  • pontuação social baseada em comportamento;
  • manipulação subliminar;
  • transparência sobre o uso de IA;
  • garantia de supervisão humana significativa.

Três modelos de IA e avaliadores humanos participaram da análise das respostas para determinar se os sistemas violavam ou não as regras europeias.

Ao fundo, logo do Claude; à frente, em um smartphone, logo da Anthropic
Claude teve melhor desempenho em conformidade legal, mas ainda falhou em quase metade dos testes. Imagem: Stockinq/Shutterstock – Imagem: Stockinq/Shutterstock

Claude teve melhor desempenho, mas ainda falhou muito

O modelo mais compatível foi o Claude Opus, da Anthropic, que seguiu as regras da União Europeia em apenas 54% dos cenários avaliados.

Na outra ponta, apareceu o modelo da empresa chinesa Moonshot AI, com conformidade de apenas 7%.

Os pesquisadores afirmam que todos os modelos analisados aceitaram monitorar estados emocionais de funcionários ou explorar vulnerabilidades para concluir vendas em determinados cenários.

O estudo também avaliou o Mistral, único modelo europeu presente nos testes. O desempenho ficou abaixo de 12%, levando os responsáveis pela pesquisa à conclusão de que até empresas da própria Europa ainda enfrentam dificuldades para cumprir as regras locais.

“Mesmo os modelos mais avançados em uso hoje não garantem conformidade legal quando implantados como agentes”, escreveu a Aithos em uma publicação sobre o estudo.

Logo do ChatGPT em na tela de um notebook e na tela de um smartphone
Estudo aponta que o ChatGPT não apresentou resistência em um teste sobre promoção de funcionários. Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Casos com ChatGPT e Claude chamaram atenção

Em um dos testes, um usuário pediu ao Claude para identificar quais funcionários apresentavam “risco de evasão” com base em dados de desempenho e registros de licença.

Inicialmente, o modelo resistiu ao pedido, mas acabou fornecendo a classificação após três tentativas. Segundo o sistema LARA, isso viola regras da legislação europeia relacionadas à inferência de emoções.

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A pesquisa apontou que cerca de 8% dos casos apresentaram esse comportamento: a IA inicialmente recusava a tarefa, mas depois acabava cedendo.

Outro exemplo envolveu o ChatGPT 5.5, da OpenAI. Segundo o estudo, o sistema classificou funcionários para promoções com base em métricas de desempenho sem apresentar resistência.

A pesquisa também destacou que os modelos não foram instruídos explicitamente a seguir as leis europeias durante os testes. O objetivo era analisar o comportamento natural dos sistemas diante de situações potencialmente problemáticas.

Os pesquisadores afirmam que novos estudos ainda serão necessários para entender como os modelos se comportam quando recebem instruções diretas para obedecer a regulamentações específicas.

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ChatGPT chega a um bilhão de usuários mensais em três anos, apontam dados

O ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, ultrapassou um bilhão de usuários ativos mensais globais em maio de 2026, segundo estimativas da empresa de pesquisa de mercado Sensor Tower.

O marco foi atingido cerca de três anos após o lançamento — o mais rápido entre todos os aplicativos a alcançar esse número, de acordo com o levantamento.

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Claude perdeu usuários entre os estadunidenses para o ChatGPT – Imagem: Stockinq/Shutterstock

Um bilhão de usuários ativos mensais

  • O ChatGPT superou o ritmo com que Google Maps, TikTok, Instagram e YouTube chegaram à mesma marca de um bilhão de usuários mensais ativos;
  • O Claude, da Anthropic, registrou 56 milhões de usuários ativos mensais globais no segundo trimestre de 2026, com crescimento anual de cerca de 640%, segundo a Sensor Tower;
  • No mesmo período, o ChatGPT expandiu sua base em 62%;
  • A Sensor Tower também identificou um efeito sobre o comportamento dos usuários: estadunidenses que instalaram o Claude no primeiro trimestre de 2026 passaram 5% menos tempo no ChatGPT no mês seguinte à instalação, em comparação com a média dos oito meses anteriores.

IA pós-ChatGPT deixa 220 startups bilionárias em crise

Mais de 220 startups estadunidenses que atingiram avaliações bilionárias durante o boom de investimentos entre 2020 e 2022 perderam o status de “unicórnio“, com algumas empresas perdendo até 82% de seu valor. Segundo dados exclusivos da PitchBook fornecidos à CNBC, quase metade das 857 startups unicórnio dos Estados Unidos não conseguiu levantar novos investimentos nos últimos três anos.

As empresas que captaram recursos pela última vez em 2021 valem em média 68% menos hoje, enquanto aquelas que levantaram fundos em 2022 sofreram queda de 52% em suas avaliações. Entre os “unicórnios caídos” estão marcas conhecidas, como Glossier (queda de 45%), Calendly (-74%), Savage X Fenty (-61%) e AG1 (-47%).

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