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SpaceX acelera corrida da IA, mas mercado freia entusiasmo

A SpaceX viu suas ações recuarem depois de revelar um forte aumento nos gastos com inteligência artificial. O mercado reagiu com cautela ao volume de recursos aplicado pela empresa de Elon Musk.

Segundo a CNBC, o primeiro balanço da companhia após a abertura de capital trouxe resultados acima das expectativas, mas também levantou dúvidas sobre os custos da estratégia.

A SpaceX quer ir além dos foguetes: a empresa aposta em infraestrutura de IA para disputar espaço no mercado de computação. – Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock

Gastos com IA colocam mercado em alerta

No relatório financeiro, a SpaceX informou que seus investimentos em bens de capital chegaram a US$ 18,4 bilhões no segundo trimestre (cerca de R$ 94,4 bilhões).

O valor representa um aumento de seis vezes em relação ao trimestre anterior. A maior parte desse dinheiro foi destinada à construção da infraestrutura de inteligência artificial da empresa.

A reação dos investidores foi imediata. As ações chegaram a cair 12% nas negociações antes da abertura do mercado, refletindo a preocupação sobre quando esses gastos poderão gerar retorno.

Entre os principais pontos do balanço estão:

  • US$ 18,4 bilhões em investimentos de capital no segundo trimestre;
  • maior parte dos recursos direcionada para projetos de IA;
  • ações abaixo do preço inicial do IPO;
  • planos para ampliar negócios ligados à computação.

SpaceX aposta em computação para ampliar negócios

A empresa tenta transformar a infraestrutura criada para inteligência artificial em uma nova área de atuação. A estratégia envolve oferecer capacidade computacional para companhias do setor usando chips da Nvidia.

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Durante a apresentação dos resultados, o diretor financeiro Bret Johnsen afirmou que os recursos estão sendo aplicados de forma eficiente.

“Na parte de computação de IA, conseguimos distribuir capital de uma forma que estamos obtendo retorno em menos de um ano”, disse Johnsen.

A companhia também reduziu suas perdas no trimestre. Elon Musk afirmou que a SpaceX pretende alcançar US$ 1 trilhão em receita anual em 2030, antecipando em um ano a previsão anterior.

Ao fundo, gráficos financeiros; à frente, logo da SpaceX
Gastar bilhões para crescer em IA é a nova aposta da SpaceX. Agora, a empresa precisa provar que o plano funciona. – Imagem: Careto Photos/Shutterstock

Investidores aguardam próximos resultados da empresa

Mesmo com as metas ambiciosas, o mercado continua avaliando se o ritmo de gastos será sustentável até que a operação alcance maior rentabilidade.

A SpaceX quer contar a história de que é líder de mercado… Mas as pessoas ainda têm dúvidas: quão rápido ela pode crescer? Qual será o tamanho dos custos antes que isso chegue à lucratividade?

Steve Westly, fundador do The Westly Group e ex-membro do conselho da Tesla, em entrevista ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC.

Outro ponto de atenção é o fim do período de bloqueio para venda de ações por funcionários e investidores internos. Com isso, parte dos acionistas poderá negociar seus papéis, o que pode aumentar a movimentação no mercado.

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Palantir tem “trimestre de outro mundo” e CEO vê “valores marxistas” na empresa de Peter Thiel

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Um trimestre “de outro mundo”. Essa foi a definição de Alex Karp, cofundador e CEO da gigante americana de softwares de inteligência artificial (IA) Palantir. A empresa reportou um crescimento de 93% na receita, com US$ 1,94 bilhão, contra US$ 1 bilhão na mesma base do ano anterior. O mercado também enxergou o crescimento expressivo […]

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O Brasil virou cobaia global do Banco Mundial (e isso é bom sinal)

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Adaptar a inteligência artificial às necessidades locais e não competir com as já existentes. É essa a recomendação do Banco Mundial para os países emergentes no World Development Report 2026, seu primeiro relatório dedicado ao tema central da inovação global. A mensagem no documento publicado na terça-feira, 4 de agosto, é uma tentativa de mexer […]

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Nem foguetes nem satélites: IA virou prioridade máxima da SpaceX

A inteligência artificial ganhou espaço definitivo na estratégia da SpaceX. Segundo o The Wall Street Journal, a empresa dobrou os investimentos na área em apenas um trimestre e já afirma colher os primeiros resultados dessa aposta.

Mesmo encerrando o período com prejuízo, a companhia de Elon Musk mantém planos ambiciosos para ampliar sua infraestrutura e acelerar o crescimento das receitas.

Conhecida pelos foguetes, a SpaceX agora coloca a inteligência artificial no centro de seus planos de crescimento. – Imagem: Joshua Sukoff/Shutterstock

IA ocupa o centro da estratégia

O investimento total da SpaceX no trimestre chegou a US$ 18,4 bilhões (cerca de R$ 94,4 bilhões). Desse valor, US$ 15,8 bilhões (aproximadamente R$ 81,1 bilhões) foram destinados à inteligência artificial, o dobro do trimestre anterior.

Na prática, a empresa aposta em várias frentes ao mesmo tempo: desenvolve seu próprio modelo de IA, amplia a capacidade de computação, fecha novos acordos comerciais e prepara o lançamento dos primeiros data centers em órbita, previsto para 2027.

Estamos construindo capacidade de computação para IA em escala mais rapidamente do que qualquer outra empresa.

Elon Musk, CEO da SpaceX, durante conferência.

Os principais projetos incluem:

  • ampliar a capacidade de processamento para IA;
  • desenvolver data centers em solo e também no espaço;
  • utilizar chips da Nvidia de forma exclusiva;
  • expandir contratos de infraestrutura voltados ao setor.

Crescimento da receita ajuda a sustentar os planos

Os gastos aumentaram, mas a receita também avançou. No segundo trimestre, a companhia faturou US$ 7,8 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões), alta de 92% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mesmo assim, o balanço terminou com prejuízo líquido de US$ 541 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões), resultado que ainda superou as expectativas de Wall Street. Após a divulgação dos números, as ações recuaram cerca de 7% nas negociações após o fechamento do mercado.

Segundo Bret Johnsen, diretor financeiro da empresa, parte desses investimentos já começa a dar retorno. “Especificamente no lado da computação para IA, conseguimos investir capital de uma forma que gera retorno em menos de um ano”, disse.

Representação artística de satélites misturados com data centers
A empresa quer ampliar sua capacidade de data centers de 2 para até 10 gigawatts. É uma expansão em ritmo acelerado. – Imagem gerada por IA/Shutterstock

IA avança sem deixar o espaço de lado

Nos meses que antecederam a abertura de capital, Musk fundiu a SpaceX com a xAI e reforçou a estratégia voltada à inteligência artificial. Também foi anunciado um acordo para utilizar exclusivamente chips da Nvidia, além de contratos para alugar capacidade dos data centers da empresa a Google e Anthropic.

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Enquanto amplia os investimentos em IA, a SpaceX segue expandindo seus negócios espaciais. A Starlink registrou receita de US$ 4,3 bilhões (cerca de R$ 22,1 bilhões), acima dos US$ 2,6 bilhões (aproximadamente R$ 13,3 bilhões) registrados um ano antes. Ao fim de junho, o serviço somava 12 milhões de assinantes.

A companhia espera atingir US$ 100 bilhões (cerca de R$ 513 bilhões) em receita recorrente anualizada até dezembro. A projeção para alcançar US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,13 trilhões) em receita anual foi antecipada para 2030, um ano antes do previsto.

Musk afirmou que a inteligência artificial será essencial para viabilizar robôs, veículos autônomos e futuras fábricas e instalações de energia na Lua. Se os planos forem cumpridos, os primeiros data centers em órbita deverão começar a operar em 2027.

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Casa Branca cria novas regras para IA e isenta modelos de código aberto

O governo dos Estados Unidos definiu um novo modelo de supervisão para sistemas avançados de inteligência artificial (IA).

Pela proposta apresentada nesta terça-feira (4) a executivos das principais empresas do setor, apenas determinados modelos de IA de código fechado serão submetidos a uma avaliação voluntária de segurança antes de serem lançados ao público.

A estrutura, desenvolvida pela administração do presidente Donald Trump, exclui, ao menos por enquanto, os chamados modelos de código aberto (ou open source), decisão que pode beneficiar empresas que apostam nessa estratégia de desenvolvimento e reacender o debate sobre a regulamentação da IA.

Segundo pessoas familiarizadas com as discussões, em fala ao The Wall Street Journal, apenas desenvolvedores de modelos proprietários de IA que atinjam níveis considerados de ponta — incluindo capacidades avançadas em cibersegurança e invasão de sistemas, medidas por testes de desempenho — serão convidados a submeter voluntariamente essas tecnologias à avaliação do governo antes do lançamento.

Entre as empresas que provavelmente precisarão participar do processo estão OpenAI, Anthropic e Google, cujos modelos figuram entre os mais avançados do mercado. Já companhias que priorizam modelos abertos, como Nvidia e Meta, devem ficar de fora dessa primeira fase, embora isso possa mudar à medida que essas tecnologias evoluam.

Revisão faz parte da estratégia de Trump para IA

  • O novo procedimento integra ordem executiva assinada por Trump em junho, criada para aumentar a supervisão sobre sistemas de IA considerados mais poderosos, sem comprometer a competitividade dos EUA na disputa tecnológica com a China;
  • Embora a participação das empresas seja voluntária, executivos do setor avaliam que ignorar a revisão pode representar um risco reputacional caso problemas de segurança sejam descobertos posteriormente;
  • “Empresas que optarem por colaborar com a administração por meio dessa estrutura estão colocando a inovação, a segurança e a defesa cibernética dos Estados Unidos em primeiro lugar”, afirmou Liz Huston, porta-voz da Casa Branca;
  • As regras foram apresentadas durante uma reunião com representantes de empresas, como OpenAI, Anthropic, Microsoft, Meta, Google e Nvidia;
  • Apesar de pedir contribuições das empresas, a Casa Branca informou que as regras do processo de revisão dos modelos de IA já estão praticamente concluídas, segundo pessoas familiarizadas com as discussões em conversa com o The New York Times.

Exclusão de modelos abertos gera críticas

A decisão de deixar de fora os modelos de código aberto chamou a atenção de especialistas. Esses sistemas disponibilizam seu código para que desenvolvedores possam baixá-lo, modificá-lo e executá-lo livremente. Empresas, como Nvidia, Meta e Google, oferecem versões desse tipo de tecnologia.

O tema ganhou importância após o avanço de modelos abertos desenvolvidos por empresas chinesas, como Alibaba, DeepSeek e Moonshot AI, que recentemente passaram a apresentar desempenho próximo ao dos principais modelos estadunidenses.

OpenAI e Anthropic devem ser duas das empresas de IA que a Casa Branca vai convocar – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Apesar da preocupação com a rápida evolução dessas ferramentas, autoridades estadunidenses reconhecem que será difícil submetê-las às revisões, já que empresas chinesas dificilmente aceitariam participar voluntariamente do processo conduzido pelos Estados Unidos.

Para Lindsay Gorman, ex-conselheira de tecnologia do governo Joe Biden, o novo modelo deixa questões importantes sem resposta. “Não acho que essa estrutura enfrente seriamente a pergunta sobre quais deveriam ser os limites para a inteligência artificial avançada e se essas barreiras deveriam se tornar mais rígidas à medida que a tecnologia evolui”, afirmou.

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Incidentes recentes aceleraram criação das regras

O novo marco regulatório surge poucos dias após a divulgação de novos incidentes envolvendo modelos de inteligência artificial.

Nesta semana, o Instituto de Segurança em IA do Reino Unido (AI Security Institute) informou que modelos da OpenAI e da Anthropic realizaram ações potencialmente prejudiciais durante avaliações de segurança, incluindo tentativas de inserir código malicioso em um projeto de software de código aberto e ataques contra organizações reais.

A OpenAI também revelou que um de seus modelos explorou uma falha de configuração durante outro teste para acessar a internet e explorar um site sem autorização.

Os episódios reforçaram as preocupações do governo estadunidense sobre os riscos associados aos sistemas mais avançados de IA e aumentaram a pressão para a criação de mecanismos de supervisão.

Detalhes permanecerão em sigilo

Apesar de formalizar um processo de revisão para modelos avançados, a Casa Branca decidiu manter em sigilo diversos aspectos da iniciativa.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo Times, os detalhes do framework que regerá a revisão dos modelos de IA não serão divulgados publicamente. Também permanecerá em sigilo a lista de instituições consideradas “confiáveis” que terão acesso antecipado aos modelos avançados juntamente com o governo.

A decisão foi criticada por especialistas em governança de IA. “Um conjunto de regras só consegue manter as empresas de IA sob controle se pessoas de fora dessas empresas souberem quais são essas regras”, afirmou Brad Carson, presidente da organização Americans for Responsible Innovation, ao Times. “Manter essa estrutura em segredo reduz a transparência e enfraquece a responsabilização pública.”

Disputa com a China influencia estratégia

A definição das novas diretrizes também ocorre em meio à crescente competição entre Estados Unidos e China pelo domínio da IA.

Trump tem defendido que a regulamentação não pode impedir o avanço das empresas estadunidenses. “Na China praticamente não há controles. Eles têm muito mais liberdade. Precisamos ter cuidado para não restringir nossas empresas a ponto de ficarmos atrás da China”, afirmou o presidente na semana passada.

Ao mesmo tempo, integrantes da administração têm discutido possíveis restrições a algumas empresas chinesas, sob a alegação de que elas teriam utilizado avanços desenvolvidos por companhias estadunidenses para treinar seus próprios modelos de forma considerada desleal.

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IAs de OpenAI e Anthropic tentaram inserir código malicioso em testes

Modelos de inteligência artificial (IA) desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic realizaram ações não autorizadas na internet durante avaliações de segurança conduzidas pelo Instituto de Segurança em IA do Reino Unido (AISI, na sigla em inglês).

Em um dos casos, um dos sistemas chegou a tentar inserir código malicioso em um projeto de software de código aberto hospedado no GitHub.

Segundo o AISI, os incidentes ocorreram durante testes que concediam acesso dos modelos à internet para avaliar riscos cibernéticos. A atividade suspeita foi identificada em 28 de julho, após o instituto detectar transferências incomuns de dados.

A investigação concluiu que os modelos Mythos 5, da Anthropic, e GPT-5.6-Sol, da OpenAI, participaram de “atividades sustentadas e potencialmente prejudiciais direcionadas a pessoas e organizações reais”.

IA tentou inserir código malicioso no GitHub

  • De acordo com o instituto britânico, um dos modelos tentou adicionar código malicioso a um projeto de código aberto hospedado no GitHub;
  • Para aumentar as chances de aprovação, o sistema chegou a criar identidades falsas com o objetivo de convencer os responsáveis pelo projeto a aceitar as alterações;
  • A tentativa, no entanto, foi frustrada;
  • “Um mantenedor humano identificou o problema e recusou a aprovação do código malicioso”, informou o AISI.
Claude Mythos está envolvido na mais recente violação – Imagem: gguy/Shutterstock

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Anthropic e OpenAI abriram investigações

Em publicação no X, a Anthropic afirmou que está trabalhando em conjunto com o instituto britânico para compreender o ocorrido.

A empresa disse que pretende analisar os registros internos de raciocínio do modelo e conduzir sua própria investigação para identificar as causas do comportamento observado.

Já a OpenAI publicou comunicado agradecendo a parceria com o AISI durante a investigação e afirmou que pretende continuar colaborando com o órgão em futuras avaliações de segurança.

Outro teste revelou novo comportamento inesperado

A OpenAI também revelou um segundo incidente ocorrido durante uma avaliação conduzida pela empresa de cibersegurança Irregular, que trabalha com testes de modelos de IA e também mantém parceria com a Anthropic.

Segundo a companhia, durante esse teste, um de seus modelos explorou uma configuração incorreta do ambiente de avaliação para obter acesso à internet e explorar um site, comportamento que não fazia parte dos objetivos previstos para o experimento.

A OpenAI ressaltou que esse episódio é diferente de um incidente divulgado anteriormente envolvendo a plataforma Hugging Face.

Casos aumentam debate sobre controle de modelos de IA

Os novos episódios reforçam as preocupações sobre a capacidade das empresas de controlar modelos de IA cada vez mais avançados.

Instituições como o AI Security Institute vêm realizando avaliações para entender como esses sistemas se comportam em cenários complexos, especialmente quando recebem autonomia para navegar na internet e interagir com serviços reais.

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O sucesso da Siri pode acabar com a cautela da Apple na corrida da IA

A Apple poderá precisar ampliar seus investimentos em inteligência artificial caso a nova versão da Siri conquiste ampla adesão entre os usuários. A empresa, que evitou construir seus próprios modelos de IA, apostou em acordos com concorrentes do setor para acelerar sua estratégia.

A mudança mais recente colocou o Google Gemini como base tecnológica da assistente digital renovada, após a companhia abandonar a parceria anterior com a OpenAI. A decisão expôs um dilema: reduzir riscos financeiros ou manter controle sobre uma tecnologia considerada estratégica.

A avaliação surge em meio ao avanço da corrida por inteligência artificial no setor de tecnologia, com empresas como Microsoft, Google, Amazon, OpenAI e Anthropic disputando espaço em modelos, infraestrutura e aplicações comerciais.

A nova Siri pode mudar a estratégia de IA da Apple

(Imagem: Apple/YouTube)

Durante anos, a Apple adotou uma postura mais cautelosa em relação ao desenvolvimento de inteligência artificial. Em vez de investir grandes quantias na criação de modelos próprios, a companhia preferiu contratar tecnologia de fornecedores externos, uma escolha que reduziu a necessidade de ampliar rapidamente seus gastos em infraestrutura.

Essa estratégia trouxe vantagens financeiras. Ao transferir parte do esforço de desenvolvimento para parceiros, a empresa evitou assumir sozinha os altos custos envolvidos na criação de sistemas avançados de IA. Em contrapartida, passou a depender das decisões e capacidades tecnológicas de outras companhias.

O movimento ficou evidente quando a Apple substituiu a OpenAI pelo Google Gemini como suporte para uma versão aprimorada da Siri, prevista para chegar ao público no outono. A troca mostrou que a escolha do fornecedor de inteligência artificial pode influenciar diretamente o desempenho da estratégia da companhia.

A dependência externa também contrasta com a tradição da Apple de controlar grande parte da experiência de seus produtos, desde o hardware até o software. A empresa construiu sua reputação com uma integração vertical rigorosa, mas a inteligência artificial trouxe um cenário em que parte essencial da tecnologia está nas mãos de terceiros.

O desafio financeiro deve aumentar caso a Siri com recursos avançados se torne popular. Embora alguns recursos de IA possam funcionar diretamente nos dispositivos da marca, determinadas funções exigem capacidade computacional superior, o que demanda maior estrutura de processamento.

Em conversa com analistas após a divulgação dos resultados financeiros, o presidente-executivo da Apple, Tim Cook, explicou que a empresa combina centros de dados próprios com serviços de computação em nuvem contratados para sustentar sua estratégia de inteligência artificial. “Veremos o que a Siri AI fará” foi a avaliação de Cook sobre o impacto dos custos futuros da tecnologia.

mão segura um iphone com o símbolo da siri ao centro
Siri – Imagem: sdx15 / Shutterstock

O executivo também indicou que parte relevante das despesas relacionadas à IA está sendo absorvida nas operações da empresa, sem necessariamente exigir um grande salto nos investimentos de capital. A companhia considera ainda que assinaturas mais caras do iCloud voltadas a usuários intensivos de inteligência artificial podem ajudar a compensar parte dos gastos.

Mesmo assim, o crescimento acelerado da demanda por serviços baseados em IA pode limitar a capacidade da Apple de manter uma expansão controlada dos custos. A experiência de outras empresas do setor mostra que competir nesse mercado exige recursos elevados.

Enquanto a Apple avalia seu próximo passo, outras empresas de tecnologia disputam posições estratégicas. A OpenAI, que liderou inicialmente a popularização da inteligência artificial generativa, enfrenta pressão crescente da Anthropic, que avançou ao concentrar esforços em ferramentas de programação com IA.

A Anthropic encontrou uma oportunidade em um segmento específico do mercado corporativo e passou a se destacar na área de códigos, enquanto a OpenAI enfrenta aumento de despesas e busca recuperar vantagem em uma disputa que envolve futuras ofertas públicas de ações.

A competição também alcança o mercado de computação em nuvem. A Amazon continua líder nesse setor, mas Microsoft e Google aceleraram seus negócios de infraestrutura digital, impulsionados pela demanda de laboratórios e empresas de inteligência artificial.

A Amazon Web Services registrou crescimento acelerado em sua receita, mas a expansão dos concorrentes chama atenção. A Google Cloud apresentou ritmo superior de crescimento no período mais recente, enquanto a Microsoft ampliou sua participação com contratos ligados a empresas de IA.

O avanço da inteligência artificial também trouxe impactos para outros setores. No mercado editorial, casos envolvendo suspeitas de uso de IA em obras literárias aumentaram o debate sobre autoria e transparência.

Um episódio recente envolveu um contrato de dois livros avaliado em US$ 2 milhões, que acabou interrompido após questionamentos sobre o uso de inteligência artificial no processo de criação. O caso passou a integrar uma série de conflitos que atingiram a indústria editorial.

Além disso, empresas de diferentes áreas continuam ampliando investimentos relacionados à tecnologia. A Visa anunciou a compra de uma companhia especializada em detecção de fraudes com IA, enquanto a Tesla avalia mudanças estratégicas envolvendo sua operação na China e possíveis conexões com negócios ligados à inteligência artificial de Elon Musk.

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Big Techs acumulam R$ 5,6 trilhões em contratos para a corrida da IA

Microsoft, Meta, Amazon, Alphabet e Oracle assumiram compromissos futuros de aproximadamente US$ 1,09 trilhão, cerca de R$ 5,6 trilhões, para ampliar estruturas destinadas ao desenvolvimento da inteligência artificial.

Os acordos envolvem principalmente a contratação de capacidade em data centers, instalações responsáveis pelo processamento e armazenamento de dados para serviços digitais. Os valores ainda não aparecem integralmente como dívidas nos balanços das empresas porque os centros contratados ainda não estão disponíveis para uso.

O movimento revela a dimensão da aposta das maiores companhias de tecnologia do mundo na expansão da IA, mas também expõe um possível risco: caso a procura por esses serviços não acompanhe o ritmo esperado, as empresas podem ficar obrigadas a manter contratos de longo prazo com custos elevados.

Contratos bilionários ampliam infraestrutura, mas criam novos desafios financeiros

(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

Os compromissos assumidos pelas cinco empresas representam uma parcela expressiva dos investimentos previstos para sustentar o crescimento da inteligência artificial. De acordo com dados divulgados pela Reuters a partir de documentos corporativos, o montante futuro é quase quatro vezes superior aos cerca de US$ 285 bilhões em contratos de aluguel que já aparecem registrados nas demonstrações financeiras das companhias.

A diferença entre os valores contratados e as dívidas reconhecidas oficialmente está relacionada às regras contábeis. Enquanto uma estrutura ainda não está pronta ou disponível para utilização, a obrigação costuma ser apresentada apenas nas notas explicativas dos balanços, sem ser contabilizada como dívida naquele momento.

O cenário não significa que todo o valor de US$ 1,09 trilhão possa ser acrescentado diretamente ao endividamento das empresas. Os contratos representam pagamentos distribuídos ao longo de vários anos, enquanto a dívida registrada considera critérios financeiros que calculam o valor equivalente dessas obrigações no presente.

A Oracle aparece como a companhia com maior exposição proporcional entre as analisadas. A empresa declarou US$ 260 bilhões em contratos futuros relacionados principalmente a data centers que devem entrar em operação entre os anos fiscais de 2027 e 2029, com acordos previstos para durar de 15 a 19 anos.

Logos de apps das big techs em um smartphone
Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

A companhia informou existir a possibilidade de incompatibilidade entre os contratos firmados para construir ou utilizar esses centros de processamento e os acordos mantidos com seus próprios clientes. Caso parte da demanda esperada não se confirme, a Oracle poderá continuar responsável pelos custos dessas estruturas.

Segundo cálculos apresentados pela Reuters, a dívida da Oracle correspondia a aproximadamente 4,4 vezes o Ebitda ao final de maio. Considerando também os contratos de aluguel já reconhecidos no balanço, essa relação subiria para cerca de 5,7 vezes.

A avaliação da agência S&P Global Ratings também considera os compromissos futuros da companhia. A instituição afirmou que incorporou os US$ 260 bilhões em contratos da Oracle em sua análise de dívida e projeta que o indicador permaneça próximo de 4,4 vezes o Ebitda no ano fiscal de 2027.

Entre as demais empresas, a Microsoft aparece com o maior volume absoluto de contratos futuros, somando US$ 329 bilhões, enquanto possui US$ 88,5 bilhões registrados em seu balanço.

A Meta informou compromissos de US$ 279 bilhões ainda não iniciados e acrescentou novos acordos de US$ 68 bilhões em julho para ampliar sua rede de data centers. Com isso, o conjunto conhecido de compromissos das cinco empresas chegou a aproximadamente US$ 1,16 trilhão.

A Alphabet declarou contratos futuros de US$ 85,2 bilhões, enquanto a Amazon informou US$ 137,2 bilhões. No caso da empresa de comércio eletrônico e computação em nuvem, o valor inclui não apenas instalações de processamento de dados, mas também outros contratos relacionados a imóveis, aeronaves, escritórios e veículos.

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Anthropic chama ex-integrante da Casa Branca para lidar com IA

A Anthropic escolheu Mariano-Florentino Cuéllar para liderar sua área global de assuntos públicos em um momento de pressão sobre as regras de inteligência artificial nos Estados Unidos. A nomeação ocorre enquanto a empresa tenta ampliar o diálogo com governos e lidar com disputas envolvendo o uso de seus sistemas.

Segundo a Reuters, Cuéllar será responsável por administrar as relações da Anthropic com autoridades americanas e governos de outros países onde a companhia está expandindo suas operações.

A inteligência artificial entrou em uma nova fase: empresas agora precisam negociar regras, segurança e relações políticas. – Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock

Executivo chega para aproximar Anthropic de governos

Criadora dos modelos Claude, a Anthropic aposta na experiência de Cuéllar no setor público para conduzir conversas sobre regulamentação e segurança da inteligência artificial. Conhecido como Tino, o executivo responderá diretamente à presidente da empresa, Daniela Amodei.

O novo chefe global de assuntos públicos ficará baseado na sede da companhia, em São Francisco. Entre suas atribuições estará a construção de relações com representantes governamentais em diferentes mercados.

Cuéllar já tinha ligação com a Anthropic. Desde janeiro, ele fazia parte do Long-Term Benefit Trust, estrutura criada para acompanhar o compromisso da empresa com sua missão de benefício público. Agora, deixará essa função para integrar oficialmente a companhia.

Histórico em governo e segurança pesa na escolha

A trajetória do executivo inclui uma passagem pela Casa Branca durante o governo do ex-presidente Barack Obama, onde atuou como assistente especial, além da liderança do Carnegie Endowment for International Peace até julho. Nesse período, também copresidiu uma força-tarefa sobre segurança nacional dos Estados Unidos e proliferação nuclear.

Na prática, Cuéllar deverá concentrar esforços em quatro frentes principais:

  • Relacionamento com governos dos Estados Unidos e de outros países;
  • Discussões sobre regulamentação para empresas de inteligência artificial;
  • Segurança e riscos ligados ao uso de modelos avançados de IA;
  • Diálogo com diferentes setores políticos sobre o futuro da tecnologia.

Em uma declaração divulgada pela empresa, Cuéllar afirmou que o desenvolvimento e a regulamentação da inteligência artificial chegaram a um ponto decisivo. “As escolhas que fazemos hoje determinarão se a humanidade poderá aproveitar possibilidades extraordinárias para avançar a ciência e melhorar vidas em todo o mundo ou enfrentar enormes riscos e desigualdade crescente”, disse.

Celular com logo da Anthropic posicionado acima de notas de dólar.
A Anthropic vive pressão nos EUA e aposta em um especialista em política para administrar conflitos e ampliar diálogos – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Disputas com governo americano aumentam pressão

A nomeação acontece enquanto a Anthropic enfrenta conflitos relacionados ao uso militar de sua tecnologia. A empresa teve seus sistemas incluídos em uma lista de bloqueios do Pentágono e contestou a decisão judicialmente.

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Além disso, a administração de Donald Trump estabeleceu temporariamente controles de exportação que impediram a venda dos modelos Mythos 5 e Fable 5 para usuários estrangeiros, alegando preocupações de segurança nacional.

Para Oren Cass, fundador do American Compass, Cuéllar tem um perfil pragmático e aberto ao diálogo. “Sua abordagem será provocar uma boa formulação de políticas deliberativas com a administração”, afirmou à Reuters.

Com a nova função, o executivo terá o desafio de representar a Anthropic nas discussões sobre regras para inteligência artificial enquanto a empresa busca equilibrar expansão comercial, segurança e exigências governamentais.

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A IA já chegou aos PCs. Então por que quase ninguém percebe?

A inteligência artificial (IA) se tornou um dos principais argumentos de venda da indústria de computadores. Nos últimos anos, fabricantes passaram a destacar a presença de unidades de processamento neural (NPUs) dedicadas a acelerar tarefas de IA, anunciar ganhos de desempenho em recursos generativos e apresentar uma nova categoria de dispositivos: os chamados PCs com IA (ou AI PCs).

Na prática, porém, essa transformação ainda parece distante para a maioria dos consumidores. Embora esses computadores já ofereçam funções e recursos impulsionados por IA, a experiência de uso continua bastante semelhante à de notebooks convencionais para a maior parte das atividades do dia a dia.

Esse cenário levanta uma pergunta: se o hardware evoluiu tanto, por que a inteligência artificial ainda não mudou a forma como usamos os computadores?

Na avaliação da Intel, a resposta está menos nos chips e mais nos programas. Carlos Buarque, diretor de marketing da Intel Brasil, afirmou em conversa com o Olhar Digital que a indústria vive um momento em que o hardware avançou mais rápido do que o ecossistema de softwares capaz de explorar esses novos recursos.

Para a empresa, a popularização dos PCs com IA depende justamente da evolução dessas aplicações — movimento que, segundo a Intel, passa também por levar esse tipo de hardware a notebooks de categorias mais acessíveis, estratégia que ganhou um novo capítulo com o lançamento da linha Intel Core Series 3.

O que falta para os PCs com IA decolarem?

Na visão da Intel, a principal barreira para a popularização dos PCs com IA já não está no hardware. Para a empresa, os computadores necessários para essa nova fase já começaram a chegar ao mercado, mas o desenvolvimento de aplicações capazes de explorar esses recursos ainda acontece em um ritmo mais lento.

Os chamados PCs com IA são computadores projetados para executar tarefas de inteligência artificial de forma mais eficiente. Para isso, combinam três motores de processamento: a CPU, responsável pelas tarefas gerais; a GPU, voltada para cargas paralelas, como gráficos; e a NPU (unidade de processamento neural), dedicada a acelerar operações de IA com maior eficiência energética.

Na avaliação de Carlos Buarque, o desafio é que esse hardware ainda não encontrou um ecossistema de softwares suficientemente amplo para justificar, para a maioria dos consumidores, a troca de computador.

Você tem uma questão do ovo e da galinha. O desenvolvedor fala: ‘Vou desenvolver para quem?’. E o consumidor pergunta: ‘Por que eu vou comprar um computador novo se não tem nenhuma aplicação que use isso?’.

Carlos Buarque, diretor de marketing da Intel Brasil

A NPU (unidade de processamento neural) é um dos componentes que diferenciam os chamados PCs com IA, sendo responsável por acelerar tarefas de inteligência artificial com maior eficiência energética – Imagem: taylor-nero / Shutterstock

Na avaliação de Buarque, esse cenário deve começar a mudar conforme os PCs com IA deixarem de ser uma categoria restrita aos modelos mais caros e passarem a alcançar um público maior. Segundo ele, esse movimento tende a incentivar desenvolvedores a criar aplicações voltadas para esse tipo de hardware, ampliando também o interesse dos consumidores.

Por que a IA ainda não convenceu o consumidor?

Para Carlos Buarque, a chegada de novas tecnologias costuma seguir um caminho parecido em diferentes setores. O executivo compara a evolução dos PCs com IA ao mercado automotivo, em que inovações desenvolvidas para categorias de alto desempenho, como a Fórmula 1, chegam primeiro aos veículos mais caros antes de, anos depois, serem incorporadas a modelos mais acessíveis.

Segundo ele, esse movimento também explica por que os recursos de inteligência artificial apareceram inicialmente em notebooks premium. Agora, afirma, a tendência é que esse hardware seja gradualmente incorporado a outras faixas de preço, ampliando a base de usuários e criando um ambiente mais atrativo para desenvolvedores de software.

Esse processo, porém, não significa que os consumidores passarão a trocar de computador apenas porque os novos modelos contam com uma NPU ou prometem maior capacidade de processamento para IA. Na avaliação de Buarque, a decisão continuará sendo motivada pelas aplicações que conseguirem demonstrar uma vantagem concreta no dia a dia.

Segundo Buarque, alguns exemplos dessa mudança já começam a aparecer. Em chamadas de vídeo, recursos como remoção de ruído, desfoque de fundo e enquadramento automático podem ser executados diretamente pelo computador. Em softwares de edição, ferramentas de preenchimento generativo e remoção de objetos tendem a se beneficiar da execução local de modelos de IA. Já nos jogos, a expectativa é que personagens controlados pelo computador (NPCs) passem a utilizar modelos de inteligência artificial para tornar as interações mais naturais.

O gamer vai querer comprar um AI PC na hora que tiver um jogo que tire melhor proveito disso. Quem trabalha com produção de conteúdo, se o software que ele usa utilizar melhor os recursos do AI PC para editar um vídeo ou uma imagem, também vai ter incentivo para que o próximo computador seja um AI PC.

Carlos Buarque, diretor de marketing da Intel Brasil

A estratégia da Intel para ampliar essa base de usuários inclui a nova linha Intel Core Series 3, primeira da família Intel Core — fora da linha Core Ultra — a combinar CPU, GPU e NPU em uma mesma plataforma. Segundo a empresa, a expectativa é que a chegada desse tipo de hardware a notebooks de categorias mais acessíveis estimule o desenvolvimento de novas aplicações.

Imagem do processador Intel Core Series 3, lançado para notebooks com recursos de inteligência artificial.
A linha Intel Core Series 3 leva CPU, GPU e NPU para uma faixa mais ampla de notebooks. Segundo a Intel, a estratégia é ampliar o acesso aos chamados PCs com IA – Imagem: Intel/Divulgação

IA local e nuvem devem coexistir

A popularização dos PCs com IA também não significa, na visão da Intel, que os modelos executados localmente substituirão os serviços baseados em nuvem. Para Carlos Buarque, o futuro da inteligência artificial passa pela combinação das duas abordagens, com cada uma sendo mais adequada para determinados tipos de aplicação.

Segundo o diretor de marketing da Intel Brasil, serviços como chatbots e assistentes conversacionais devem continuar dependendo da nuvem. Já tarefas que envolvem dados sensíveis, exigem menor latência ou precisam responder em tempo real podem ser executadas diretamente no computador. Entre os exemplos citados por ele estão a análise de documentos financeiros, informações médicas e aplicações industriais, como sistemas de visão computacional para controle de qualidade em fábricas.

“A gente acredita que todas as aplicações de IA vão ser aplicações híbridas”, explica ele. “Tem diferentes tipos de aplicações que fazem muito sentido rodar localmente e tem outras que o sentido, eu diria, é híbrido. Vai ter uma parte que você vai rodar localmente e outra que você vai rodar fora por questão de desempenho.”

Na prática, segundo Buarque, caberá aos desenvolvedores decidir onde cada etapa do processamento faz mais sentido. Fatores como desempenho, custo, privacidade e consumo de recursos tendem a determinar quais tarefas serão executadas no próprio dispositivo e quais continuarão dependendo da nuvem.

chatbots ia
Chatbots devem continuar sendo executados principalmente na nuvem, enquanto tarefas que exigem respostas rápidas ou envolvem informações sensíveis podem migrar para o processamento local – Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock

O que ainda falta para os PCs com IA se tornarem o padrão?

Na avaliação de Carlos Buarque, a popularização dos PCs com IA depende de uma combinação de fatores. Além do amadurecimento do ecossistema de software, o executivo cita desafios relacionados ao custo dos equipamentos e à disponibilidade de componentes, que ainda influenciam o ritmo de chegada dessa tecnologia ao mercado.

Segundo ele, a crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial também aumentou a procura por memória e outros componentes utilizados na fabricação de computadores. Esse cenário, afirma, contribui para manter os preços elevados e dificulta que recursos mais avançados cheguem rapidamente aos modelos de entrada.

Apesar disso, Buarque avalia que a tendência é de ampliação gradual da oferta de PCs com IA nos próximos anos, à medida que a tecnologia amadureça e passe a equipar notebooks de diferentes faixas de preço. Na visão da Intel, esse movimento será acompanhado pelo surgimento de novas aplicações capazes de convencer o consumidor de que vale a pena trocar de computador.

No Brasil, essa transição também deve ocorrer de forma gradual. O executivo destaca que o país é hoje o quarto maior mercado consumidor de PCs da Intel, mas explica que os lançamentos costumam desembarcar alguns meses depois de mercados como Estados Unidos e Europa, em parte devido ao processo de fabricação local dos equipamentos.

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