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Trump e Xi podem criar canal para incidentes de IA, mas frear desenvolvimento é improvável

A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping coloca a segurança da inteligência artificial nas discussões entre Estados Unidos e China. Os dois governos avaliam como lidar com sistemas cada vez mais autônomos, enquanto mantêm a corrida pelo avanço da tecnologia.

Uma possível aproximação envolve regras comuns, comunicação em casos graves e mecanismos para verificar informações. Segundo a CNBC, porém, um acordo para desacelerar o desenvolvimento da IA é considerado extremamente improvável.

As restrições americanas aos chips avançados para a China continuam sendo um ponto de tensão tecnológica. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Por que a segurança entrou na conversa

A preocupação aumentou depois que sistemas de IA passaram a executar tarefas mais complexas. A OpenAI afirmou que um modelo de pesquisa conseguiu acesso não autorizado a partes da plataforma Hugging Face. A Anthropic também identificou o uso de IA para automatizar etapas de ataques cibernéticos.

Episódios assim alimentam o temor de que modelos mais autônomos possam tornar ataques mais rápidos e difíceis de conter. Aalok Mehta, diretor do Wadhwani AI Center, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), disse à CNBC que os dois países estão especialmente preocupados com agentes capazes de escapar de mecanismos de controle e invadir sites.

Antes do encontro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, discutiu com o vice-premiê chinês He Lifeng a criação de um diálogo bilateral sobre IA. A proposta inclui um canal para tratar de incidentes que possam alcançar o nível de segurança nacional.

O que pode ser discutido

Mehta aponta dois possíveis pontos de aproximação: definições e estruturas comuns para a segurança de modelos avançados e um mecanismo de comunicação emergencial.

Chris McGuire, pesquisador sênior do Conselho de Relações Exteriores (CFR), considera esse canal para incidentes de segurança nacional um passo modesto, mas positivo. Para ele, porém, um acordo para reduzir o ritmo de desenvolvimento da IA é extremamente improvável.

Entre os assuntos que podem aparecer nas conversas estão:

  • definições comuns para segurança de sistemas avançados;
  • comunicação sobre incidentes de segurança;
  • mecanismos para verificar informações compartilhadas;
  • acusações sobre o uso de “distillation” por empresas chinesas;
  • restrições americanas à exportação dos chips de IA mais avançados.
Ilustração sobre a corrida entre China e Estados Unidos no setor da inteligência artificial (IA)
A possível cooperação em segurança não significa uma pausa na disputa entre EUA e China pelo avanço da IA. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

A corrida pelos chips continua

O possível diálogo ocorre em meio a uma disputa tecnológica que permanece ativa. Os Estados Unidos restringem o acesso chinês aos chips mais avançados da Nvidia e acusam empresas chinesas de usar “distillation”, prática de treinar modelos a partir das respostas de sistemas mais avançados. Pequim rejeita a acusação.

Segundo a CNBC, várias empresas chinesas também teriam conseguido acessar remotamente a capacidade computacional desses chips por meio de data centers no Sudeste Asiático, apesar das restrições americanas.

Trump, por sua vez, defende a competição tecnológica com a China. “Se não vencermos a IA, estaremos em uma posição muito ruim”, afirmou o presidente americano no início deste mês.

Verificação pode ser decisiva

Para Mehta, qualquer cooperação precisa preservar a capacidade de Estados Unidos e China competirem no desenvolvimento de suas tecnologias. O outro requisito é estabelecer uma forma confiável de verificar o que cada lado compartilha.

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O deputado americano Ro Khanna, que representa parte do Vale do Silício, defendeu a criação de salvaguardas comuns. “Por que não concordamos simplesmente que não deveria ser possível ter uma IA que se autoaperfeiçoe?”, questionou.

A desconfiança entre os governos torna os mecanismos de verificação especialmente importantes. Na avaliação de Mehta, ferramentas técnicas e de governança seriam necessárias para conferir a precisão das informações trocadas.

O encontro pode criar um canal de comunicação sobre os riscos da IA sem interromper a competição tecnológica entre Estados Unidos e China.

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EUA e China discutem canal para alertar um ao outro sobre incidentes de inteligência artificial que envolvam riscos

Estados Unidos e China iniciaram conversas para criar um sistema de notificação sobre incidentes de inteligência artificial. O objetivo é evitar que falhas técnicas ou crises de segurança nacional desencadeiem conflitos entre as potências.

A iniciativa faz parte de um diálogo bilateral sobre a tecnologia e ganha força no momento em que a indústria enfrenta alertas crescentes sobre os riscos de modelos avançados.

Falhas técnicas em sistemas de IA podem ganhar um novo canal de comunicação entre Washington e Pequim. – Imagem: wildpixel/iStock

Canal de comunicação para evitar crises

A ideia é criar uma ponte direta entre Washington e Pequim para notificar falhas graves e episódios críticos em tempo real, evitando mal-entendidos diplomáticos.

O tema deve entrar na pauta do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.

Achamos que, como em qualquer atividade transfronteiriça, sair do opaco para mais transparência entre a potência número um e a número dois em IA no mundo é muito importante.

Scott Bessent, Secretário do Tesouro americano, em entrevista coletiva.

Insegurança em modelos de ponta impulsiona acordo

Alertas disparados nas últimas semanas colocaram em dúvida as travas de proteção dos sistemas atuais. Relatos de funcionários da Anthropic, por exemplo, mencionaram riscos extremos em ferramentas de ponta.

A discussão dividiu o setor em visões opostas:

  • Executivos da OpenAI e da Anthropic defendem desacelerar o desenvolvimento para estabelecer normas de segurança.
  • Donald Trump rejeita pausar as pesquisas para não perder a vantagem dos EUA na corrida tecnológica: “Quem vencer a IA, vence!”, afirmou.
  • Especialistas do mercado cobram a aplicação de leis de responsabilidade e cibersegurança que já estão em vigor.
Ilustração de mãos com bandeiras da China e dos Estados Unidos puxando corda
O debate sobre segurança de IA envolve governos e empresas diante dos riscos de modelos cada vez mais avançados. Imagem: Andy.LIU/Shutterstock

Divergências sobre regulação e concorrência

Enquanto governos tentam prevenir acidentes tecnológicos, o setor privado debate os limites das regras. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou a criação de novas normas alarmistas.

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“Aplique isso primeiro. Não deixe essa narrativa apocalíptica permitir que alguém se livre das leis que já existem.”

Na mesma linha, fundadores de plataformas de código aberto, como Thomas Wolf, da Hugging Face, alertam que a busca por supremacia tecnológica compromete a cooperação internacional. Ao mesmo tempo, os EUA mantêm barreiras para limitar o acesso chinês a chips avançados.

A criação do canal de alerta tenta impor ordem a um setor que avança sem fronteiras claras. O desafio agora será manter essa via de comunicação aberta enquanto a disputa comercial e tecnológica entre as duas potências segue acirrada.

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Erro de IA quase colocou EUA e China em confronto após falsa identificação de carga em navio chinês

Um relatório de inteligência dos EUA, produzido com ajuda de IA, indicou falsamente que um navio chinês no Oriente Médio transportava componentes de um programa de armas nucleares.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, militares americanos chegaram a preparar uma operação para interceptar a embarcação.

A seleção de alvos é uma das áreas em que o uso militar da IA cresce, levantando dúvidas sobre a verificação das informações. – Imagem: TSViPhoto/Shutterstock

O quase conflito evitado por pouco

Tropas dos Estados Unidos mobilizaram uma operação de interceptação contra o navio após o relatório circular entre os militares. Soldados armados se preparavam para abordar a embarcação, enquanto aeronaves militares já estavam no ar.

A informação havia sido produzida por um analista do Comando de Operações Especiais, que recorreu a um chatbot para analisar relatórios de inteligência sobre o manifesto de carga do navio. A ferramenta combinou informações de fontes abertas com dados secretos do governo e identificou a carga de maneira incorreta.

O erro só foi descoberto momentos antes da operação, quando autoridades analisaram o relatório com mais atenção. O documento foi considerado “totalmente falso” por uma das fontes ouvidas pela CNN, que afirmou que o episódio “quase provocou uma guerra”.

A CNN não conseguiu determinar qual era a carga real da embarcação.

Os riscos da automação militar

O episódio chama atenção para os riscos do uso de IA na inteligência militar, especialmente na seleção de alvos. Analistas já temiam que informações fracas ou corrompidas pudessem levar a erros de cálculo com consequências graves.

Entre os problemas apontados no caso estão:

  • possibilidade de decisões militares baseadas em informações incorretas;
  • maior confiança de analistas jovens nas respostas das ferramentas;
  • ausência de um conjunto único de normas para verificar informações geradas por IA;
  • diferenças de confiabilidade e funcionamento entre os sistemas usados pelas Forças Armadas e pela comunidade de inteligência.

Uma fonte familiarizada com as políticas militares afirmou que “a IA na seleção de alvos é definitivamente algo que está se intensificando, e não há uma orientação real sobre como ter um humano no circuito evitará vítimas civis ou fogo amigo”.

Como o Olhar Digital divulgou recentemente, especialistas dos EUA e da China discutem limites para inteligência artificial militar, com foco em armas nucleares, ataques cibernéticos e controle humano, exatamente para evitar que erros como esse aconteçam com maior frequência.

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Estariam as superpotências preparadas para evitar tragédias quando algoritmos geram informações incorretas? Imagem:leolintang/Shutterstock

A corrida do Pentágono pela tecnologia

As Forças Armadas dos EUA vêm ampliando o uso de IA em áreas como análise de grandes volumes de inteligência, seleção de alvos, logística, cadeias de suprimentos e gestão orçamentária.

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Em janeiro, o secretário de Defesa Pete Hegseth anunciou a “Estratégia de Aceleração de Inteligência Artificial” de sua agência. Ao apresentar o plano, afirmou: “Vamos liberar a experimentação, eliminar barreiras burocráticas, focar nossos investimentos e demonstrar a abordagem de execução necessária para garantir nossa liderança em IA militar”.

A diretriz também prevê a disponibilização de modelos de IA para os três milhões de funcionários civis e militares do Departamento de Defesa, segundo um memorando sobre o plano.

Desafios para a segurança militar

A adoção da tecnologia, porém, ocorre de forma descentralizada. Diferentes setores das Forças Armadas e da comunidade de inteligência usam ferramentas distintas, com regras e padrões de segurança variados.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, não existe um conjunto único de normas para verificar as informações produzidas por esses sistemas. Para alguns oficiais experientes, a velocidade da IA também pode aumentar a pressão sobre os analistas para produzir e distribuir informações rapidamente.

Uma das fontes resumiu o risco dessa dinâmica: “A IA permite que você chegue a uma ideia ruim mais rápido”.

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Especialistas de EUA e China cobram limites rígidos para conter riscos da inteligência artificial militar

O avanço da inteligência artificial em sistemas militares preocupa autoridades e especialistas em segurança. No Fórum Xiangshan, na China, participantes alertaram que decisões aceleradas por IA podem elevar os riscos de conflito e deixar menos tempo para governos entenderem uma situação antes de reagir.

Enquanto Estados Unidos e China discutem como lidar com esses riscos, especialistas dos dois países propõem medidas para evitar que ações autônomas sejam confundidas com ataques deliberados, especialmente quando envolvem armas nucleares ou operações cibernéticas.

A preservação do julgamento humano está entre as principais propostas para reduzir os riscos da IA em sistemas militares. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

Decisões militares cada vez mais rápidas

Cerca de 2 mil militares, diplomatas e acadêmicos de 100 países participaram do Fórum Xiangshan, realizado em Pequim. O encontro ocorreu em meio às discussões sobre os limites para o uso militar da IA.

Adul Boonthumjaroen, ministro da Defesa da Tailândia, afirmou que a competição entre grandes potências não deveria se resumir à busca por maior poder.

Hoje, o mundo está em um ponto de inflexão crítico. A competição estratégica entre as grandes potências está se tornando mais evidente, os conflitos em muitas regiões continuam.

Adul Boonthumjaroen, ministro da Defesa da Tailândia, durante o Fórum.

Muhammad Ali, secretário de Defesa do Paquistão, chamou atenção para a velocidade dos avanços tecnológicos. Segundo ele, eles estão “comprimindo o cronograma estratégico”.

A preocupação não se limita ao ritmo das decisões. Segundo a Reuters, especialistas de segurança dos Estados Unidos e da China também discutem como evitar que uma reação automática seja interpretada como um ataque e desencadeie uma escalada militar. É nesse ponto que entram as propostas de salvaguardas para o uso da IA.

Salvaguardas para os riscos da IA

Especialistas que participam de um diálogo entre instituições americanas e chinesas apresentaram propostas que tratam de questões tradicionalmente ligadas ao controle de armas. Entre elas estão:

  • limitar o uso autônomo de IA em sistemas de comando nuclear;
  • manter seres humanos responsáveis por ataques cibernéticos de grande impacto;
  • criar uma linha direta entre EUA e China para incidentes envolvendo sistemas autônomos;
  • impedir que a IA decida sozinha pelo uso de armas nucleares;
  • estabelecer uma definição comum para “controle humano significativo”.

A linha direta permitiria que um governo informasse ao outro quando uma operação automatizada fosse acidental, não autorizada ou ainda estivesse sob investigação.

Isso poderia evitar uma escalada provocada por uma interpretação equivocada. Um sistema de defesa automatizado poderia reagir a uma atividade suspeita, enquanto o outro país entenderia a resposta como um ataque e retaliaria antes de saber o que realmente aconteceu.

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Uma reação automática pode ser interpretada como ataque, criando o risco de uma escalada antes que o incidente seja esclarecido. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

Controle humano continua no centro

Jurg Lauber, vice-presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, destacou que a autonomia crescente das armas aumenta a necessidade de supervisão humana.

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“À medida que os sistemas de armas se tornam cada vez mais autônomos, a necessidade de preservar o julgamento e o controle humanos sobre o uso da força se torna mais urgente”, afirmou.

As propostas também incluem proteções para infraestruturas críticas, como energia, finanças e saúde. A intenção é evitar que a IA tenha autonomia para executar determinadas ações com consequências militares ou estratégicas graves.

China e Estados Unidos ainda divergem sobre como controlar a tecnologia. Pequim colocou a IA dentro da estrutura do Ministério das Relações Exteriores responsável pelo controle de armas. Washington, por sua vez, distribui o tema entre diferentes órgãos.

Nenhum dos dois governos endossou publicamente as propostas apresentadas pelos especialistas. Ao mesmo tempo, ambos demonstram preocupação com medidas que possam desacelerar seu próprio desenvolvimento tecnológico. A disputa tecnológica entre as duas potências, portanto, continua ligada à discussão sobre os limites do uso militar da IA.

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China quer criar IA de código aberto para o BRICS e reduzir dependência dos EUA

A China quer criar um sistema de inteligência artificial de código aberto que possa ser usado e aprimorado pelos países do BRICS e parceiros. A proposta foi apresentada pelo presidente chinês Xi Jinping durante a cúpula do bloco, em Nova Délhi, na Índia.

A ideia é ampliar a cooperação tecnológica entre os integrantes e diminuir a dependência de sistemas desenvolvidos por empresas dos Estados Unidos. O plano inclui uma plataforma em nuvem para o ecossistema digital do bloco e programas para formar novos especialistas.

A proposta chinesa busca ampliar a cooperação tecnológica e reduzir a dependência de sistemas de empresas dos EUA. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Como funcionaria a IA do BRICS

Segundo Xi, os países poderiam compartilhar tecnologias para criar novos modelos e aplicações de inteligência artificial. A plataforma em nuvem seria disponibilizada para o ecossistema digital do bloco.

O projeto também prevê capacitação e intercâmbio científico e tecnológico. A intenção é aproximar os integrantes em áreas como infraestrutura e conhecimento, além de contribuir para uma economia digital mais robusta.

Entre os planos estão:

  • Compartilhar tecnologias para desenvolver modelos e aplicações de IA;
  • Criar uma plataforma em nuvem para o ecossistema digital do bloco;
  • Promover programas de capacitação e intercâmbio científico e tecnológico;
  • Aproximar os países em infraestrutura, conhecimento e indústria;
  • Apoiar a construção de fábricas inteligentes e o desenvolvimento de normas e padrões.

Ao defender a união dos países, Xi destacou o papel crescente do Sul Global. “Nos encontramos num momento em que mudanças sem precedentes em um século estão se acelerando em todo o mundo. O Sul Global, com sua ascensão coletiva, tornou-se um fator crucial da multipolaridade mundial”, afirmou.

China também defende regras para a IA

O projeto não trata apenas da criação de sistemas. Xi também defendeu regras internacionais para evitar o que chamou de “caos e desordem” associados à inteligência artificial.

Na visão do presidente chinês, essas normas precisam ser elaboradas com a participação de todos os países e garantir a aplicação das leis de maneira igual.

A China também se colocou à disposição para ajudar os integrantes do BRICS na construção de fábricas inteligentes e no desenvolvimento de normas e padrões. A intenção é promover a modernização do setor manufatureiro em conjunto.

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O projeto prevê capacitação e intercâmbio científico e tecnológico para formar novos especialistas em IA. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

Índia e Rússia entram no debate

A IA esteve entre os temas discutidos pelos líderes durante a cúpula. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, criticou o uso de minerais críticos e tecnologia como instrumentos de pressão diplomática. Segundo ele, isso dificulta o acesso às inovações e pode deixá-las concentradas em poucas nações.

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu uma reforma na governança global. Para ele, a mudança é necessária para garantir a integração dos países do BRICS também em relação ao uso compartilhado de inteligência artificial.

Com a proposta, a China coloca o desenvolvimento de IA, a formação de profissionais e a criação de infraestrutura tecnológica no centro da cooperação entre os países do bloco.

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Trump chama pedido de freio na IA de “conspiração doentia” para favorecer China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar nesta segunda-feira (14) os pedidos de líderes de empresas de inteligência artificial (IA) para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que a iniciativa faz parte de uma “conspiração doentia” que beneficiaria a China, principal rival geopolítico dos EUA e também na área de IA.

A declaração ocorre após um fim de semana de aumento das discussões sobre os riscos do avanço da IA. Dois pesquisadores da Anthropic fizeram alertas sobre a possibilidade de a tecnologia levar à extinção da humanidade em um futuro não muito distante, enquanto executivos do setor passaram a defender medidas para reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos.

Trump diz que EUA já têm regras para controlar a IA

Na publicação, Trump também defendeu os mecanismos regulatórios adotados pelos Estados Unidos para controlar o desenvolvimento da tecnologia. Segundo o presidente, seu governo já impediu que empresas de IA fizessem coisas consideradas ruins ou potencialmente prejudiciais.

Trump citou diretamente Dario Amodei, CEO da Anthropic, que publicou no sábado (12) um artigo defendendo que as empresas desacelerem o desenvolvimento dos modelos de IA. O executivo também havia afirmado que uma liderança chinesa no setor representaria um grave perigo para os Estados Unidos e para o mundo.

Amodei defendeu ainda restrições à venda de tecnologias importantes para a China. A posição recebeu apoio de Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk.

Em outra publicação, Trump afirmou que o atual crescimento da IA e dos data centers ocorre porque os Estados Unidos estão liderando os demais países. Para ele, manter essa vantagem é uma prioridade.

China também rejeita desaceleração da IA

A posição de Trump ocorre em meio à reação da própria China aos pedidos para reduzir o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial. Pequim rejeitou os apelos de líderes de empresas de tecnologia dos Estados Unidos e classificou os alertas como “alarmismo” e parte de uma estratégia de contenção contra o país.

Entenda por que China e EUA divergem sobre segurança da IA e como a rivalidade pode dificultar regras globais para a tecnologia. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que “alarmismo, confronto e competição maliciosa” prejudicariam a governança global da IA e não atenderiam aos interesses de ninguém. O jornal estatal Global Times também classificou a proposta de desaceleração como um “manual da Guerra Fria” voltado ao setor de IA.

A rejeição chinesa não significa, porém, que Pequim ignore os riscos da tecnologia. Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado, defendeu a criação de um sistema para prevenir e controlar problemas de segurança relacionados à IA e classificou a tecnologia como um novo campo de rivalidade estratégica.

“Quem vencer na IA, vence tudo”, diz Trump

No domingo, Trump já havia rejeitado os pedidos de líderes da indústria por uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. Na ocasião, o presidente comparou os críticos da IA a forças negativas que estariam levantando cenários que, segundo ele, não acontecerão.

Ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de a indústria desacelerar ou receber mais regulamentação, Trump afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China em IA. Ele também declarou que deseja manter essa posição.

O presidente acrescentou que os EUA poderiam estabelecer barreiras de proteção para a tecnologia, mas voltou a defender a continuidade da liderança americana na área.

As declarações de Trump colocam em lados diferentes do debate a segurança da inteligência artificial e a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Enquanto líderes do setor defendem medidas para reduzir riscos, o presidente americano afirma que uma desaceleração poderia comprometer a vantagem dos EUA sobre o rival.

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China reage a pressão dos EUA para desacelerar desenvolvimento da IA

A China rejeitou os pedidos de líderes da tecnologia dos Estados Unidos para desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial. Pequim classificou os alertas como “alarmismo” e parte de uma estratégia de contenção contra o país.

O embate mostra como a disputa entre as duas potências se mistura às preocupações com segurança. Enquanto Dario Amodei e Sam Altman defendem coordenação internacional, Donald Trump prioriza a liderança americana na corrida contra a China.

A disputa tecnológica entre China e EUA aumenta a dificuldade de criar regras comuns para a inteligência artificial. Imagem: TU IS / iStock

China reage aos alertas dos EUA

A discussão ganhou força depois que Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um ensaio defendendo que as empresas reduzam deliberadamente o ritmo de evolução de seus modelos diante dos riscos da IA.

Amodei afirmou que uma liderança chinesa no setor representaria um grave perigo para os Estados Unidos e para o mundo. Ele também defendeu restrições à venda de tecnologias importantes para a China. Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk apoiaram a mensagem.

Pequim respondeu. Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, disse que “alarmismo, confronto e competição maliciosa” prejudicariam a governança global da IA e não atenderiam aos interesses de ninguém.

O jornal estatal Global Times adotou um tom ainda mais duro e classificou a proposta de desaceleração como um “manual da Guerra Fria” voltado ao setor de IA.

Trump mantém foco na corrida tecnológica

Donald Trump também rejeitou os alertas apresentados pelos líderes da indústria. Para o presidente americano, os Estados Unidos estão à frente da China em IA, e manter essa vantagem é prioridade.

Leia mais:

“Estamos liderando a China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero continuar assim, porque quem vencer a IA vence”, afirmou Trump a jornalistas no domingo.

Amodei comparou a disputa entre os países a uma corrida armamentista da Guerra Fria. Ele defendeu que os dois lados trabalhem juntos, mas disse não ter muita esperança de que isso aconteça.

Altman também defendeu a coordenação entre governos para enfrentar os riscos associados ao avanço da tecnologia.

China também fala em segurança

A rejeição de Pequim à desaceleração não significa que o governo chinês ignore os riscos da IA. Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado, afirmou que o país precisa acelerar a criação de um sistema para prevenir e controlar problemas de segurança relacionados à tecnologia.

Ele também defendeu uma ampla cooperação internacional e classificou a IA como um novo campo de rivalidade estratégica.

A disputa envolve questões como:

  • o ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA;
  • restrições americanas à transferência de tecnologias para a China;
  • acusações de que empresas chinesas copiaram modelos americanos;
  • criação de regras internacionais para reduzir riscos;
  • desconfiança entre os dois governos.
Donald Trump
Donald Trump afirmou que os Estados Unidos priorizam manter a liderança tecnológica sobre a China. – Imagem: lev radin/Shutterstock

Desconfiança dificulta acordo global

A competição tecnológica torna mais difícil construir regras comuns. Empresas chinesas oferecem desempenho avançado de IA por uma fração do custo de modelos americanos, enquanto Xi Jinping apresenta a China como defensora de modelos de código aberto.

Para Ja Ian Chong, professor da Universidade Nacional de Singapura e pesquisador da Carnegie China, a relação entre os dois países é marcada por uma profunda desconfiança. Ele compara o cenário a uma corrida armamentista e considera difícil imaginar uma redução simultânea dos riscos.

Um acordo entre China e EUA para desacelerar a IA parece distante. Ainda assim, os dois países poderiam adotar medidas de segurança internamente, compartilhar aprendizados e ampliar a prestação de contas, segundo especialistas ouvidos pela NBC News. A disputa deve estar entre os temas do encontro entre Xi Jinping e Trump marcado para 24 de setembro, em Washington.

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EUA acusam empresas chinesas de IA de copiar modelos avançados para reduzir custos

Órgãos de segurança e de aplicação da lei dos Estados Unidos acusaram, nesta terça-feira (8), empresas chinesas de inteligência artificial (IA) de copiar de forma “maliciosa” tecnologias de modelos avançados desenvolvidos no país. Segundo as autoridades estadunidenses, as companhias utilizaram uma técnica conhecida como “destilação” para treinar seus próprios sistemas com resultados produzidos por modelos estadunidenses.

A acusação consta de um comunicado conjunto da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA, na sigla em inglês) e do FBI.

Entre as empresas citadas estão DeepSeek, Moonshot AI, Alibaba, MiniMax e StepFun. De acordo com os órgãos estadunidenses, as companhias utilizaram variantes de modelos de IA desenvolvidos nos Estados Unidos para treinar seus próprios produtos. As autoridades afirmam que a atividade provavelmente ocorreu com conhecimento do governo chinês.

DeepSeek está entre as empresas citadas pelas autoridades dos EUA – Imagem: Mojahid Mottakin / Shutterstock

Leia mais:

Como funciona a “destilação” de modelos de IA

  • A destilação é uma técnica utilizada para treinar modelos menores de IA a partir das respostas produzidas por modelos maiores e mais caros;
  • O método pode reduzir o custo necessário para treinar uma nova ferramenta de IA, já que o modelo menor aprende a reproduzir determinados comportamentos e capacidades observados nas respostas do sistema mais avançado;
  • Segundo os órgãos estadunidenses, porém, empresas chinesas estariam utilizando variantes de modelos estadunidenses dessa maneira de forma direcionada e em escala muito maior.

“As empresas chinesas de IA estão realizando atividades agressivas, maliciosas e direcionadas de destilação em escala industrial”, afirmaram as autoridades no comunicado.

Acusações aumentam tensão entre EUA e China

As acusações surgem em momento de crescente disputa entre Estados Unidos e China pelo domínio da IA.

O governo dos EUA se prepara para uma visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao país no fim de setembro. Os dois países também planejam discutir riscos relacionados à segurança da IA em um diálogo previsto para meados deste mês.

A acusação de que empresas chinesas estariam utilizando modelos estadunidenses para reduzir os custos de desenvolvimento adiciona um novo elemento à disputa tecnológica entre as duas maiores potências econômicas do mundo.

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China endurece regras para combater abusos no uso da IA

A China anunciou nesta segunda-feira (7) novas regras judiciais para lidar com abusos relacionados à inteligência artificial (IA), incluindo a criação de deepfakes e vozes clonadas. As diretrizes foram divulgadas pelo Supremo Tribunal chinês e estabelecem critérios para processos judiciais envolvendo o uso de IA no país.

Segundo a AFP, as normas também abrangem casos de informações falsas geradas por IA e discriminação de preços por meio de algoritmos. A medida ocorre em um setor considerado estratégico para a China, que disputa com os Estados Unidos o desenvolvimento da tecnologia.

Regras para réplicas digitais

De acordo com a agência estatal Xinhua, as novas diretrizes deixam estabelecido que pessoas não podem usar sistemas de IA para criar ou distribuir réplicas digitais reconhecíveis de terceiros sem consentimento. A regra inclui rostos e vozes clonados.

As normas também tratam de disputas relacionadas ao uso da tecnologia para produzir conteúdos falsos. Entre os exemplos estão casos em que uma pessoa tem o rosto alterado digitalmente e a imagem é usada para espalhar acusações sexuais falsas e difamatórias.

Nos últimos anos, ferramentas de inteligência artificial capazes de produzir conteúdos que reproduzem de maneira convincente a aparência e a voz de pessoas reais ganharam espaço. O avanço dessas tecnologias está entre os fatores considerados nas novas orientações judiciais.

Responsabilidade de provedores

As regras também estabelecem possíveis responsabilidades para os provedores de serviços de IA. Segundo a Xinhua, eles poderão responder legalmente quando não agirem rapidamente depois de serem informados de que seus sistemas produziram conteúdos que violam direitos de outras pessoas.

A adoção das diretrizes ocorre após o presidente chinês, Xi Jinping, pedir o reforço da conscientização sobre os riscos da inteligência artificial. O líder também defendeu que a tecnologia seja mantida segura e controlável.

Segundo Tao Kaiyuan, vice-presidente do Tribunal, as diretrizes têm como objetivo “equilibrar o desenvolvimento e a segurança. A declaração foi feita em uma entrevista coletiva cuja transcrição foi publicada no site do tribunal.

As novas regras, portanto, estabelecem caminhos judiciais para diferentes tipos de conflitos relacionados ao uso de inteligência artificial, desde a criação de réplicas digitais sem autorização até conteúdos falsos e práticas de preços baseadas em algoritmos.

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CEOs de tecnologia e governo Trump pressionam G20 por políticas favoráveis à IA

Executivos das maiores empresas de tecnologia e integrantes do governo de Donald Trump pressionaram autoridades de outras grandes economias a reduzir a regulamentação sobre inteligência artificial (IA) durante um encontro do G20 realizado nesta semana nos Estados Unidos.

O argumento apresentado pelos empresários e representantes da administração estadunidense é que regras muito rígidas podem limitar uma indústria com potencial para impulsionar o crescimento econômico mundial, acelerar avanços tecnológicos e até contribuir para a cura de doenças.

Jensen Huang, CEO da Nvidia; Sam Altman, da OpenAI; Mark Zuckerberg, CEO da Meta; e Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, estiveram entre os participantes de um encontro do G20 dedicado à inovação e tecnologia.

O grupo defendeu uma abordagem menos restritiva para a IA e alertou que regulamentações agressivas poderiam limitar os benefícios proporcionados pela tecnologia.

A posição foi reforçada pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick; pelo assessor da Casa Branca para IA, David Sacks; e por Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca.

Segundo os representantes do governo Trump, a estratégia de regulamentação mais leve adotada pelos Estados Unidos já estaria contribuindo para o crescimento da economia.

Jensen Huang pede foco em danos reais

Durante o encontro, Jensen Huang pediu aos representantes dos países do G20 que evitem criar regras baseadas em riscos hipotéticos. “Não regulamentem danos hipotéticos e teóricos. Regulamentem danos reais e pragmáticos”, afirmou o executivo.

Huang também argumentou que os próprios avanços tecnológicos estão tornando os sistemas de IA mais seguros. Segundo ele, técnicas, como o treinamento avançado de modelos, que permite aumentar a precisão dos sistemas, podem contribuir mais para a segurança da tecnologia do que algumas das regulamentações propostas pelo governo de Joe Biden e por outros países.

Após a fala do executivo, autoridades de diferentes países fizeram fila para tirar fotos com Huang, que se tornou uma figura de destaque mundial com a expansão da Nvidia durante o atual boom da IA.

“O presidente Trump está comprometido em garantir que os Estados Unidos liderem em IA e levem o ecossistema americano de IA para todo o mundo, aos nossos parceiros do G20”, afirmou Lutnick em entrevista coletiva.

Debate ocorre em meio a preocupações com segurança

As discussões no campus da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill (EUA), ocorreram depois de incidentes envolvendo modelos de IA da OpenAI e da Anthropic utilizados em ataques contra outras organizações.

Os episódios reforçaram a percepção sobre a velocidade dos avanços na área e aumentaram as preocupações com segurança.

Nesta semana, o senador Bernie Sanders, independente de Vermont (EUA), chegou a defender uma pausa global no desenvolvimento de IA.

Ao mesmo tempo, dezenas de estudantes e ativistas locais realizaram um breve protesto do lado de fora do evento. A manifestação fez parte de reação crescente à construção de data centers necessários para alimentar a expansão da IA nos Estados Unidos.

O condado que sediou o encontro aprovou recentemente uma moratória de um ano para novos data centers. Dezenas de outras localidades estadunidenses adotaram medidas semelhantes nos últimos meses, motivadas por preocupações com o consumo excessivo de energia e água dessas instalações.

Lutnick criticou esse tipo de restrição. “É desinformação, e, ao estabelecer uma moratória sobre data centers, isso significa que o próximo conjunto de oportunidades simplesmente não irá para vocês”, afirmou o secretário, referindo-se a estimativas que considera enganosas sobre o alto consumo de água dessas estruturas.

Governo Trump aumentou supervisão, mas evita regras obrigatórias

Apesar da defesa de uma abordagem de pouca regulamentação, o avanço dos modelos mais poderosos de IA também levou o governo Trump a aumentar a supervisão sobre a indústria. A administração afirma estar adotando a abordagem menos restritiva possível.

O governo começou a analisar algumas das ferramentas mais poderosas antes de seu lançamento e chegou a suspender temporariamente dois modelos da Anthropic em junho devido a preocupações de segurança.

Empresas, como a OpenAI, também passaram a adicionar novas camadas de segurança para evitar incidentes e começaram a lançar determinados modelos de maneira gradual depois dos episódios envolvendo seus sistemas.

A Casa Branca, porém, não adotou regulamentações obrigatórias para testes antes do lançamento. Em vez disso, defende que os testes de segurança sejam realizados voluntariamente pelas empresas.

Musk foi outro CEO de tecnologia que esteve presente no encontro – Imagem: SpaceX

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EUA tentam impedir avanço de modelos chineses

A disputa regulatória também está ligada à competição tecnológica entre Estados Unidos e China. Além de tentar atrair usuários para seus próprios modelos, os Estados Unidos vêm incentivando outros países a não adotarem alternativas chinesas mais baratas.

A China busca ampliar a utilização de seus modelos de menor custo e criar dependência em torno dessas ferramentas. Estados Unidos e China devem discutir cooperação global em IA ainda neste mês, durante conversas que também deverão envolver Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping.

Kratsios e Lutnick se reuniram com autoridades chinesas durante o encontro do G20. A China também assinou, junto a outros países do grupo, um conjunto de princípios amplos de inovação.

Empresas chinesas lançaram nas últimas semanas modelos de IA poderosos com pesos abertos, permitindo que usuários baixem os parâmetros numéricos que determinam o comportamento dos sistemas.

A possibilidade de restringir o acesso a essas ferramentas passou a ser considerada por integrantes da administração Trump devido a preocupações de segurança.

Executivos, como Zuckerberg e Huang, entretanto, se opõem a esse tipo de restrição. Para eles, ampliar o acesso às ferramentas de IA pode ser justamente uma maneira de fortalecer os sistemas de segurança. “Além do que nós mesmos lançamos, somos grandes defensores de que o código aberto não seja algo que as pessoas tentem restringir ou bloquear”, afirmou Zuckerberg.

Musk prevê impacto de até 30% na economia mundial

Elon Musk também defendeu uma regulamentação mínima para estimular a inovação e criticou o sistema regulatório europeu, diante de autoridades do continente presentes no encontro.

Segundo Musk, a IA poderá aumentar o tamanho da economia mundial entre 20% e 30%. O executivo relacionou esse impacto à expansão do uso de robôs equipados com IA em diferentes setores da economia.

Além de Musk, Huang, Zuckerberg e Altman, participaram do encontro Alex Karp, CEO da Palantir, e Tom Brown, diretor de computação da Anthropic.

Altman e Hassabis defendem padrões globais

Apesar do consenso entre os participantes sobre os riscos de uma regulamentação excessivamente rígida, alguns executivos destacaram a necessidade de estabelecer padrões internacionais para a IA.

Sam Altman e Demis Hassabis, cientista-chefe da Alphabet, controladora do Google, estiveram entre os poucos executivos presentes a mencionar a necessidade de padrões e mecanismos globais de supervisão para enfrentar riscos relacionados à cibersegurança e outros possíveis danos causados pela tecnologia.

Os dois, porém, afirmaram que essas ameaças não justificam regulamentações rígidas capazes de restringir o acesso à IA. “Seria aproximadamente tão ruim dizer ‘não vamos ter IA em nosso país’ quanto foi dizer ‘não vamos ter eletricidade em nosso país’ há mais de 100 anos”, afirmou Altman.

Os encontros em Chapel Hill ocorreram na mesma semana das reuniões dos ministros das Finanças do G20 e fazem parte da preparação para a cúpula de líderes do grupo, que será realizada em Miami (EUA) ainda neste ano.

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