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Nova onda de modelos chineses de IA ameaça domínio das empresas dos EUA

A indústria chinesa de inteligência artificial ganhou novo impulso nas últimas semanas com uma sequência de lançamentos que reduziu a distância em relação aos principais desenvolvedores norte-americanos. Alibaba, Moonshot AI, DeepSeek, Z.ai e ByteDance passaram a disputar espaço no grupo de modelos considerados mais avançados.

O movimento começou já neste ano, com empresas chinesas apresentando sistemas voltados a tarefas complexas, programação, raciocínio e geração de vídeos. A estratégia combinou avanços técnicos com preços inferiores aos praticados por concorrentes dos Estados Unidos.

A expansão desses modelos aumentou a pressão sobre empresas como OpenAI e Anthropic, que passaram a enfrentar um cenário no qual desempenho elevado e eficiência de custos se tornaram fatores decisivos para conquistar usuários e desenvolvedores em escala global.

A nova fase da disputa por eficiência em IA

EUA e China lutando pela influência mundial em inteligência artificial – Imagem: CHIEW/Shutterstock

A recente onda chinesa marca uma mudança em relação aos primeiros impactos provocados pelo avanço da DeepSeek. Antes visto como um caso isolado, o progresso do setor passou a ser interpretado como resultado de um ambiente capaz de produzir sucessivos modelos competitivos em curto espaço de tempo.

Entre os lançamentos citados estão o Qwen3.8-Max, da Alibaba, apresentado como o modelo mais avançado da empresa; o Kimi K3, da Moonshot AI; o V4 Flash, da DeepSeek; o GLM-5.2, da Z.ai; e novas versões da ferramenta Seedance, da ByteDance, voltada à criação de vídeos por inteligência artificial.

O ponto central da disputa deixou de ser apenas quem desenvolve o sistema mais poderoso. A redução de custos passou a ocupar posição estratégica. Dados de avaliação independente mencionados no material apontam que determinadas tarefas executadas pelo DeepSeek V4 Flash poderiam custar centavos, enquanto alternativas americanas avaliadas no mesmo cenário chegariam a valores muito superiores.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Esse cenário criou uma pressão sobre empresas intermediárias do mercado. Companhias que não conseguem entregar mais capacidade pelo mesmo preço ou oferecer custos menores podem perder espaço, já que usuários passam a comparar diretamente desempenho e valor.

A competição também alterou a forma como algumas empresas utilizam diferentes modelos. De acordo com Dermot McGrath, fundador da consultoria ZenGen Labs, alguns profissionais passaram a combinar ferramentas americanas e chinesas: modelos dos Estados Unidos para planejamento e sistemas chineses para execução de tarefas específicas.

O avanço chinês ainda envolve uma disputa tecnológica e política. Washington demonstrou preocupação com questões relacionadas à propriedade intelectual e ao impacto desses avanços sobre sua liderança no setor, ao mesmo tempo em que debate medidas de controle sem comprometer sua posição competitiva.

Outro elemento apontado no crescimento chinês é a disposição das empresas de aceitar retornos financeiros menores no curto prazo para conquistar usuários, desenvolvedores e relevância internacional. Essa estratégia contribuiu para uma forte disputa de preços dentro do próprio mercado chinês.

Além dos modelos de linguagem, a área de geração de vídeos se tornou outro exemplo dessa expansão. A ByteDance ampliou investimentos no Seedance, enquanto a Kuaishou avançou com sua ferramenta Kling AI, que recebeu apoio financeiro de Alibaba e Tencent em uma rodada de US$ 2,8 bilhões.

No centro dessa corrida está uma disputa por liderança tecnológica. Enquanto laboratórios americanos mantêm planos de grandes valorizações de mercado baseadas em modelos de negócios de alta margem, a concorrência chinesa coloca em debate até que ponto esses preços poderão permanecer elevados diante de alternativas mais baratas.

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EUA apertam o cerco à China e miram infraestrutura da inteligência artificial

O governo do presidente Donald Trump elabora uma medida para impedir a entrada nos Estados Unidos de novos modelos de componentes chineses utilizados em data centers. A proposta, conduzida pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), pretende reforçar a proteção da infraestrutura que sustenta o desenvolvimento e a operação de sistemas de inteligência artificial.

A iniciativa foi revelada exclusivamente pela Reuters nesta terça-feira (4) e, caso avance, poderá ser publicada ainda em 2026. O plano prevê restrições à importação de transceptores ópticos produzidos por empresas chinesas, dispositivos responsáveis pela transmissão de dados por cabos de fibra óptica em alta velocidade dentro dos centros de processamento.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a intenção é reduzir riscos relacionados à segurança nacional, evitando que equipamentos considerados sensíveis sejam incorporados à cadeia tecnológica dos Estados Unidos antes que se tornem parte essencial da infraestrutura do país.

Medida mira transceptores ópticos utilizados em centros de processamento

Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

A proposta em análise pela FCC concentra-se nos transceptores ópticos, componentes responsáveis por transportar informações por meio de cabos de fibra óptica dentro dos data centers. Esses equipamentos desempenham papel essencial na comunicação entre servidores e na operação das estruturas utilizadas para treinar e executar modelos de inteligência artificial.

Conforme as fontes ouvidas pela Reuters, o governo avalia que esses dispositivos podem representar vulnerabilidades capazes de facilitar o roubo de dados, a instalação de programas maliciosos ou até interrupções em serviços considerados estratégicos.

A reportagem ressalta, contudo, que a restrição ainda não foi oficialmente aprovada. Pessoas próximas às discussões afirmaram que a proposta permanece em elaboração e poderá ser modificada ou até descartada antes de sua publicação.

Para Divyansh Kaushik, especialista em políticas de inteligência artificial da consultoria Beacon Global Strategies, a proteção da cadeia de suprimentos precisa acompanhar a expansão dos data centers. “Os transceptores definitivamente representam um risco. À medida que a expansão dos data centers ganha escala, é preciso garantir desde o início que a cadeia de suprimentos seja segura“, afirmou o especialista à Reuters.

Paralelo com o caso Huawei

Logo da Huawei exibido em estande da empresa durante evento de tecnologia
Huawei – Imagem: THINK A / Shutterstock

A preocupação das autoridades americanas é evitar que se repita uma situação semelhante à enfrentada com equipamentos da Huawei. Integrantes do governo entendem que a presença ampla de produtos da empresa na infraestrutura de telecomunicações tornou o processo de substituição lento, caro e incompleto após a aplicação de sanções pelos Estados Unidos.

Embora a FCC tenha atuação historicamente independente, a Reuters lembra que uma decisão da Suprema Corte Americana, tomada em junho, fortaleceu os poderes do presidente Donald Trump sobre determinados órgãos reguladores ao validar a demissão de uma integrante democrata da Comissão Federal de Comércio.

Empresas podem sentir impactos

Ilustração de notas de dólares voando ao redor de quadrado com AI escrito, sigla em inglês para Inteligência Artificial
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

Caso a medida seja implementada, uma das companhias potencialmente mais afetadas será a chinesa Zhongji Innolight, apontada como uma das maiores fornecedoras mundiais de transceptores ópticos. A empresa foi incluída, em junho, na lista do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que reúne organizações acusadas de manter vínculos com o setor militar chinês.

Segundo dados citados pela Reuters, a Innolight detém cerca de 27% do mercado global desses equipamentos para data centers e obtém aproximadamente 90% de sua receita fora da China.

Por outro lado, fabricantes americanos como Coherent e Lumentum aparecem entre as empresas que poderiam ser beneficiadas pela mudança regulatória. Ainda assim, um relatório da Foundation for American Innovation indica que essas companhias ainda não possuem capacidade suficiente para substituir integralmente os fornecedores chineses.

A Reuters também destaca que empresas de computação em nuvem, como a Amazon Web Services (AWS), podem enfrentar aumento de custos caso precisem migrar para outros fabricantes.

Restrições seguem estratégia mais ampla

A possível proibição faz parte de uma série de ações adotadas recentemente pela FCC contra equipamentos chineses considerados sensíveis. A agência já anunciou restrições envolvendo drones, roteadores, robôs e inversores, utilizando a chamada “Covered List”, criada pelo Congresso americano para impedir a comercialização futura de produtos classificados como ameaça à segurança nacional.

A reportagem lembra ainda que o Departamento de Comércio chegou a interromper, após uma trégua comercial firmada no ano passado, um conjunto de medidas que também atingiria equipamentos chineses para data centers. Diante desse cenário, a FCC assumiu protagonismo na condução de novas restrições voltadas ao setor.

Em resposta, a Embaixada da China em Washington afirmou que os Estados Unidos deveriam considerar as manifestações da comunidade empresarial dos dois países e deixar de atacar empresas chinesas com acusações e sanções. A representação diplomática acrescentou que Pequim adotará as medidas que considerar necessárias caso seus interesses sofram prejuízos materiais.

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Nova IA chinesa custa mais de 100 vezes menos para operar

A disputa entre gigantes chinesas da inteligência artificial ganhou novos capítulos nesta semana. Enquanto a Alibaba revelou seu maior modelo de IA até agora, a DeepSeek chamou atenção por seguir um caminho diferente: reduzir drasticamente o custo de operação.

Segundo a Reuters, os anúncios mostram que a corrida tecnológica na China não envolve apenas desempenho, mas também tornar essas ferramentas mais acessíveis para desenvolvedores e empresas.

A Alibaba revelou sua maior IA, mas quem roubou a cena foi a DeepSeek com um modelo que promete operar por uma fração do custo das rivais. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Alibaba apresenta seu modelo mais ambicioso

O Qwen3.8-Max é a nova aposta da Alibaba para competir entre os sistemas de IA mais avançados do mercado. A novidade repercutiu rapidamente e ajudou as ações da companhia a subir 7% na Bolsa de Hong Kong.

A tecnologia reúne 2,4 trilhões de parâmetros, configurações aprendidas durante o treinamento que permitem reconhecer padrões, gerar respostas e executar tarefas. Embora essa quantidade não determine sozinha a qualidade de um sistema, ela continua sendo uma referência para medir a escala dos modelos mais modernos.

Pouco depois do lançamento, o Qwen3.8-Max tornou-se o modelo chinês mais bem colocado no ranking de texto da Arena.AI. Na categoria de análise de imagens e outros conteúdos visuais, ficou na segunda posição mundial.

Segundo a Alibaba, entre os principais recursos estão:

  • Processamento de textos, imagens e vídeos;
  • Capacidade para analisar até 1 milhão de tokens por vez;
  • Arquitetura “mixture-of-experts”, que ativa apenas parte do modelo em cada tarefa;
  • Uso simultâneo de apenas 95 bilhões de parâmetros, reduzindo custos e o tempo de resposta.

A empresa informou ainda que a novidade será disponibilizada na próxima semana e concluiu um projeto de engenharia de software em apenas 16 dias.

Aposta em modelos abertos

Outra característica compartilhada pelo Qwen3.8-Max e pelo V4-Flash, da DeepSeek, é o uso de modelos de pesos abertos. Na prática, desenvolvedores podem baixar esses parâmetros e adaptá-los para diferentes aplicações.

As empresas chinesas de IA encontraram um mercado importante. Muitos fluxos de trabalho corporativos não precisam do melhor modelo da indústria.

Lian Jye Su, analista-chefe da Omdia, à Reuters.

Para ele, esse movimento responde a uma necessidade importante do mercado. “Eles precisam de modelos bons o suficiente, acessíveis, transparentes e disponíveis, e os modelos de pesos abertos ajudam a atender essa demanda.”

Enquanto isso, OpenAI, Anthropic e Google seguem apostando em modelos de código fechado.

Ilustração de chip com bandeira da China em placa-mãe
A nova corrida da IA já não depende apenas de desempenho. Reduzir custos virou um dos maiores diferenciais do setor. – Imagem: rawf8/Shutterstock

DeepSeek mira a redução dos custos

Se a Alibaba apostou no tamanho do novo modelo, a DeepSeek resolveu competir pelo preço. O V4-Flash foi classificado pela Artificial Analysis como o modelo mais barato de operar entre os principais sistemas avaliados em testes de desempenho.

O levantamento aponta um custo de US$ 0,14 por milhão de tokens de entrada (cerca de R$ 0,71) e de US$ 0,28 por milhão de tokens de saída (aproximadamente R$ 1,42). No custo médio por teste, o V4-Flash ficou em cerca de US$ 0,03 (aproximadamente R$ 0,15), contra US$ 0,86 (cerca de R$ 4,36) do Kimi K3, US$ 1,86 (aproximadamente R$ 9,43) do GPT-5.6 Sol e US$ 3,15 (cerca de R$ 15,97) do Claude Fable 5.

Os anúncios reforçam que a concorrência entre as empresas chinesas deixou de ser apenas uma disputa por modelos maiores. Agora, eficiência e custo também passaram a definir quem ganha espaço na próxima fase da inteligência artificial.

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DeepSeek amplia corrida por IA com data center bilionário na China

A DeepSeek, empresa chinesa de inteligência artificial sediada em Hangzhou, planeja construir um megacentro de dados na Mongólia Interior com capacidade estimada de um gigawatt de computação, em um movimento para expandir sua infraestrutura e disputar espaço no mercado global de IA.

O projeto deve ser instalado em Ulanqab, cidade localizada a cerca de 350 quilômetros a noroeste de Pequim, e prevê tanto a criação de uma estrutura própria quanto a contratação de capacidade adicional de outras empresas. A companhia pretende colocar parte da operação em funcionamento até o fim de 2027 ou no início de 2028.

A iniciativa ocorre em meio à corrida mundial por poder computacional para inteligência artificial, enquanto empresas americanas e chinesas ampliam investimentos em data centers de grande escala. A DeepSeek busca fortalecer sua posição após ganhar destaque com modelos de IA desenvolvidos com menor demanda de recursos computacionais.

Nova infraestrutura amplia disputa por capacidade de inteligência artificial

Apps de IA – Imagem: Tada Images/Shutterstock

A construção do complexo na Mongólia Interior representa um dos maiores projetos conhecidos de infraestrutura de computação associados a uma empresa chinesa de inteligência artificial. Uma instalação com 1 GW de capacidade superaria todos os centros de dados de IA atualmente em operação no país, embora ainda fique abaixo de projetos americanos que chegam a 3 GW e 5 GW.

O plano da DeepSeek inclui a possibilidade de combinar instalações próprias com espaço alugado em estruturas administradas por terceiros. Informações obtidas de pessoas familiarizadas com o assunto indicam que mais de uma dezena de empresas já possui projetos previstos em Ulanqab, conforme uma compilação independente baseada em aprovações do governo local.

Ainda não está definido quais chips serão utilizados no empreendimento. No setor de inteligência artificial, os semicondutores da Nvidia são considerados o padrão dominante para data centers, enquanto a Huawei ocupa posição de destaque como principal fabricante chinesa nessa área.

A escolha de Ulanqab está relacionada às características climáticas da região. Com temperatura média anual próxima de 4 graus Celsius, o local reduz a necessidade de energia para resfriar servidores de alto consumo, fator que atrai empresas interessadas em operar grandes estruturas computacionais.

A expansão da DeepSeek acontece após a empresa ganhar projeção internacional ao apresentar modelos de inteligência artificial que, segundo a própria companhia, alcançaram desempenho avançado utilizando uma quantidade de recursos computacionais inferior à de concorrentes. A estratégia também envolveu o desenvolvimento de serviços de baixo custo e código aberto.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Esse avanço colocou a startup no centro da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos. Empresas como OpenAI e Anthropic investiram dezenas de bilhões de dólares em capacidade computacional, enquanto grupos chineses como Moonshot, Z.AI, Alibaba e MiniMax também buscam ampliar sua presença no setor.

A movimentação da DeepSeek ocorre em um cenário de crescente atenção geopolítica. Autoridades americanas levantaram suspeitas de que a empresa teria contornado restrições de exportação ao utilizar processadores Blackwell da Nvidia em uma instalação na Mongólia Interior, segundo pessoas familiarizadas com o tema.

Além disso, OpenAI e Anthropic acusaram a startup chinesa de realizar um processo conhecido como destilação, no qual resultados produzidos por modelos de inteligência artificial existentes seriam usados para aprimorar novas tecnologias.

A companhia também iniciou preparativos para uma possível oferta pública inicial de ações e pode realizar o pedido ainda neste ano, conforme informações divulgadas anteriormente pela Bloomberg News. Antes disso, a empresa teria concluído uma captação de US$ 7 bilhões, alcançando uma avaliação aproximada de US$ 50 bilhões.

A construção de um centro de dados desse porte também evidencia a capacidade financeira crescente das empresas chinesas para investir em infraestrutura de IA. Segundo estimativa citada pelo presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, um complexo de 1 GW equipado com aceleradores avançados poderia exigir cerca de US$ 50 bilhões em investimentos.

Apesar da escala do projeto, os custos de centros de dados variam conforme a localização e a tecnologia empregada. Estruturas voltadas à inteligência artificial na China costumam apresentar valores inferiores aos equivalentes instalados nos Estados Unidos.

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Corrida das IAs: o plano da Europa para correr atrás de China e EUA

A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (30) um plano de €10 bilhões para financiar a criação de sete gigafábricas de inteligência artificial no bloco europeu. A iniciativa busca ampliar a capacidade computacional da região e fortalecer sua posição na disputa tecnológica global.

O projeto será conduzido pela Comissão Europeia, que pretende atrair ao menos €20 bilhões em investimentos privados para complementar os recursos públicos. As instalações serão distribuídas entre países do bloco e deverão reunir infraestrutura de processamento, armazenamento e desenvolvimento de sistemas de IA.

A estratégia surge em meio à corrida internacional por capacidade tecnológica, com a União Europeia tentando diminuir a diferença em relação aos Estados Unidos e à China. As novas estruturas se somarão às 19 fábricas de inteligência artificial já existentes em diferentes países europeus.

Europa aposta em infraestrutura própria para acelerar avanço da inteligência artificial

Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

As chamadas gigafábricas serão complexos de grande escala voltados ao desenvolvimento de inteligência artificial, reunindo processadores avançados, softwares, serviços de nuvem, conexões de alta velocidade e centros de dados. A Comissão Europeia informou que o número previsto de unidades aumentou de cinco para sete após manifestações de interesse feitas por governos do bloco.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável por Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, afirmou que o acesso a uma grande capacidade de processamento se tornou um elemento estratégico para o avanço europeu na área.

O acesso à escala bruta de poder computacional dentro das Gigafábricas de IA é uma necessidade estratégica para a Europa à medida que o desenvolvimento da IA acelera”, declarou Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, em comunicado oficial divulgado pelo órgão.

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Euro (Imagem: Andrei Barmashov/iStock)

A participação no projeto estará aberta a grupos formados por empresas de tecnologia, fornecedores de computação em nuvem, entidades públicas e investidores. Esses consórcios poderão apresentar propostas dentro do processo de seleção conduzido pela Comissão Europeia.

O prazo para envio das candidaturas termina em 12 de novembro. A expectativa do bloco é divulgar os projetos escolhidos no início de 2027, com a previsão de que as estruturas entrem em funcionamento em até 18 meses após a assinatura dos contratos.

A iniciativa também recebeu apoio inicial de grandes fabricantes de semicondutores. AMD, Nvidia e Qualcomm firmaram cartas de intenção com a Comissão Europeia para fornecer chips aos grupos envolvidos na criação das novas instalações.

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China abre seus modelos de IA e acende um alerta em Silicon Valley

A chegada do modelo Kimi K3, desenvolvido pela chinesa Moonshot AI, reacendeu a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos ao combinar alto desempenho, baixo custo e uma estratégia de distribuição aberta. O lançamento colocou em debate o futuro dos sistemas fechados mantidos por empresas como OpenAI, Google e Anthropic.

O modelo foi apresentado em julho deste ano durante a crescente competição internacional pela liderança em inteligência artificial. A decisão da empresa chinesa de disponibilizar os pesos do sistema gratuitamente ampliou a discussão sobre como companhias podem lucrar ao liberar parte de sua tecnologia mais avançada.

A estratégia chinesa busca fortalecer um ecossistema de desenvolvedores e empresas em torno de seus modelos, enquanto pressiona laboratórios americanos a reconsiderarem o equilíbrio entre controle comercial, segurança e abertura tecnológica.

A nova disputa pelo controle do ecossistema de inteligência artificial

Aplicativo da Kimi K3 em uma loja – Imagem: Robert Way/Shutterstock

O avanço de modelos chineses com pesos disponíveis ao público criou uma nova frente de competição no setor de inteligência artificial. Diferentemente dos sistemas proprietários, esses modelos permitem que desenvolvedores tenham maior autonomia para adaptar, executar e modificar ferramentas de IA conforme suas necessidades.

Apesar de serem chamados frequentemente de abertos, esses sistemas não correspondem totalmente ao conceito tradicional de código aberto. A liberação normalmente envolve apenas os pesos do modelo, ou seja, os parâmetros matemáticos obtidos durante o treinamento. Elementos como dados utilizados, código original, arquitetura completa e métodos de configuração permanecem restritos.

Essa diferença reduz a possibilidade de reconstrução integral da tecnologia, mas ainda oferece liberdade suficiente para que empresas criem aplicações próprias e desenvolvam novos serviços sobre essas bases.

A professora de Direito da Universidade Fordham, Chinmayi Sharma, explicou que disponibilizar os pesos não significa oferecer gratuitamente toda a infraestrutura necessária para operar uma inteligência artificial.

A abertura também pode funcionar como uma estratégia de expansão. Ao permitir que mais desenvolvedores utilizem determinado modelo, uma empresa aumenta as chances de formar uma rede de ferramentas e soluções ao redor da tecnologia, tornando-a uma referência no mercado.

Kyle Miller, analista sênior de pesquisa do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade de Georgetown, apontou que o crescimento da família de modelos Qwen, da Alibaba, demonstra como sistemas abertos podem se tornar profundamente integrados a diferentes setores da indústria.

Esse movimento representa um desafio para empresas americanas que mantêm seus modelos mais avançados sob controle restrito. Caso desenvolvedores passem a construir produtos e serviços baseados em alternativas abertas, plataformas proprietárias como Gemini, Claude e ChatGPT podem perder influência no mercado.

China combina estratégia industrial e influência tecnológica

App do chatbot Kimi K3 da empresa Moonshot
App do chatbot Kimi K3 da empresa Moonshot – (Reprodução: Photo For Everything/Shutterstock)

A expansão dos modelos abertos chineses ocorre em um cenário marcado por limitações de acesso a chips avançados e capacidade computacional. Segundo a análise apresentada, a abertura permite que empresas do país avancem na corrida da IA mesmo diante dessas restrições.

Além do aspecto técnico, a iniciativa se conecta a uma estratégia mais ampla de disseminação de tecnologias chinesas. O objetivo seria ampliar a presença internacional de modelos, ferramentas e infraestrutura desenvolvidos no país.

O movimento também ganhou dimensão política. O texto aponta que o presidente chinês Xi Jinping passou a defender uma posição de liderança da China no setor, apresentando o país como uma alternativa diante da abordagem mais fechada adotada por empresas americanas.

A reação nos Estados Unidos ocorreu tanto no setor privado quanto no debate regulatório. Uma coalizão formada por 25 empresas de tecnologia, incluindo IBM, Microsoft, Meta, Nvidia, Perplexity e Palantir, publicou uma carta contra possíveis restrições antecipadas aos modelos abertos.

No documento, as empresas defenderam que sistemas com pesos disponíveis são importantes para preservar a liderança americana em inteligência artificial e evitar que o controle da tecnologia fique concentrado em poucos grupos.

A pressão aumentou após uma iniciativa envolvendo Nvidia, Microsoft, SpaceX e outras companhias que defenderam maior apoio americano aos modelos abertos em meio a preocupações relacionadas à segurança de sistemas avançados de IA.

Google e OpenAI posteriormente também demonstraram oposição a restrições rápidas contra modelos abertos, embora não tenham participado de todas as iniciativas. A Anthropic, por outro lado, não aderiu aos movimentos citados.

Empresas americanas avaliam novo equilíbrio entre abertura e controle

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

A disputa atual colocou em questão o quanto da tecnologia de ponta as empresas americanas devem disponibilizar publicamente. Para especialistas citados no debate, uma possibilidade seria adotar uma estratégia intermediária: manter os modelos mais avançados protegidos e liberar versões abertas progressivamente mais capazes.

Sharma avaliou que o desafio para as companhias americanas é definir qual nível de capacidade precisa ser compartilhado para impedir que modelos chineses se tornem a principal base do ecossistema aberto de inteligência artificial.

Miller considerou incerto o caminho que o setor seguirá. De acordo com ele, a pressão competitiva chinesa já influenciou empresas americanas a lançarem modelos com pesos disponíveis, embora companhias como Anthropic provavelmente mantenham uma postura mais restritiva.

O futuro dessa disputa dependerá da capacidade dos modelos abertos de conquistar desenvolvedores e se estabelecer como plataformas predominantes. O avanço do Kimi K3, porém, já alterou o debate sobre se sistemas fechados continuarão sendo suficientes para garantir liderança na inteligência artificial.

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A nova arma da China para reduzir dependência de chips estrangeiros

A China iniciou a produção em escala de máquinas nacionais de litografia DUV por imersão, tecnologia essencial para fabricar semicondutores. O avanço reforça a estratégia de Pequim para diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros.

O projeto é liderado por uma empresa estatal de Xangai e marca uma nova etapa na busca chinesa por autonomia tecnológica, embora ainda esteja distante dos equipamentos mais avançados da ASML.

A corrida pelos chips ganhou um novo capítulo com o avanço da indústria chinesa de equipamentos de fabricação. – Imagem: justhavealook/iStock

Empresa chinesa assume produção de nova tecnologia

Segundo a Reuters, a Shanghai Aishengna Electronic Technology Group está à frente da fabricação dos equipamentos após incorporar equipes de startups chinesas especializadas em litografia.

Criada em agosto de 2023, a companhia possui capital registrado de 7 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 5,11 bilhões). Seus acionistas são duas empresas estatais ligadas a Xangai.

A tecnologia DUV (ultravioleta profundo) é usada para desenhar circuitos em wafers de silício, uma das etapas mais importantes da fabricação de chips. Nos equipamentos de imersão, uma camada de água entre a lente e o wafer permite criar padrões menores e mais precisos.

Entre as aplicações desses sistemas estão:

  • Fabricação de diferentes tipos de chips;
  • Produção de semicondutores mais avançados usando múltiplas exposições;
  • Criação de uma alternativa para fabricantes chineses;
  • Redução dos impactos de possíveis restrições comerciais.
Ao fundo, gráficos financeiros; à frente uma lupa ampliando a logo da ASML exibida em uma página web
Mesmo distante da ASML, o avanço chinês mostra a força da disputa global pelo controle dos semicondutores. Imagem: DennisF/Shutterstock

Novo equipamento ainda está atrás da ASML

Apesar do avanço, as máquinas chinesas ainda precisam passar por testes e não devem ameaçar, no curto prazo, a posição da ASML, empresa holandesa que domina o mercado de equipamentos de litografia.

A Reuters afirma que o desenvolvimento representa uma conquista para o programa chinês de autossuficiência em semicondutores, uma das prioridades do presidente Xi Jinping. No entanto, especialistas destacam que criar protótipos e produzir equipamentos confiáveis para grandes volumes são desafios diferentes.

Analistas do JP Morgan Chase afirmaram que “produzir algumas ferramentas DUV de imersão não é o mesmo que produzir ferramentas que podem ser usadas para fabricação em alto volume, onde rendimento, alinhamento, velocidade e confiabilidade em milhares de ciclos de produção são importantes”.

Ilustração de chip de inteligência artificial sobre circuito eletrônico.
A China tenta superar barreiras comerciais criando sua própria cadeia de produção de semicondutores. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

Corrida por semicondutores ganha novo capítulo

A iniciativa acontece em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos e pela Holanda sobre tecnologias avançadas para fabricação de chips. A China foi impedida de comprar os sistemas EUV mais sofisticados da ASML, usados na produção dos semicondutores mais avançados.

Leia mais:

Mesmo com essas limitações, o país continua sendo um mercado relevante para a fabricante holandesa. De acordo com a Reuters, a China respondeu por cerca de 16% das vendas líquidas da ASML no primeiro semestre do ano.

Os novos equipamentos devem ser entregues ainda este ano para fabricantes chineses como SMIC, Hua Hong Semiconductor e ChangXin Memory Technologies (CXMT). O desenvolvimento também envolve empresas como Shanghai Micro Electronics Equipment (SMEE) e Yuliangsheng.

A nova etapa da indústria chinesa de semicondutores mostra que a disputa tecnológica global continua avançando. A produção própria de máquinas de litografia não elimina a dependência externa, mas amplia a capacidade do país de construir uma cadeia de chips mais independente.

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Disputa por IA ameaça acordo de segurança entre EUA e China

A corrida pela inteligência artificial ganhou um novo atrito entre Estados Unidos e China. Acusações contra empresas chinesas e possíveis sanções levantam dúvidas sobre o futuro da cooperação para criar padrões de segurança para modelos avançados.

Segundo a Reuters, especialistas avaliam que a disputa acontece em um momento delicado, quando sistemas mais poderosos aumentam preocupações com ataques cibernéticos e outros usos mal-intencionados.

Modelos de IA cada vez mais avançados levantam uma pergunta: como garantir segurança sem frear a inovação? – Imagem: vittaya pinpan / Shutterstock

Acusação contra Moonshot aumenta pressão sobre a China

O governo americano acusou o laboratório chinês Moonshot de ter desenvolvido o modelo Kimi K3 usando técnicas de destilação a partir do Fable 5, da Anthropic. A tecnologia permite aproveitar respostas de modelos mais avançados para treinar novas ferramentas, reduzindo custos de desenvolvimento.

A denúncia levou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, a mencionar a possibilidade de sanções. O Departamento de Comércio americano também investiga se empresas chinesas acessaram chips avançados de forma irregular para treinar seus sistemas.

A tensão envolve uma disputa maior: os dois países querem liderar o avanço da IA, mas também precisam lidar com riscos relacionados ao uso dessas tecnologias.

Entre as principais preocupações estão:

  • uso de modelos avançados em ataques cibernéticos;
  • dificuldade de controlar ferramentas de código aberto;
  • ausência de padrões globais de segurança;
  • alterações feitas nos sistemas após o lançamento.

Dependendo do número de empresas chinesas atingidas e da natureza das ações punitivas tomadas, a retaliação tem potencial para inviabilizar tanto o diálogo sobre IA quanto a reunião de 24 de setembro entre os presidentes Trump e Xi.

Paul Triolo, sócio do DGA-Albright Stonebridge Group, à Reuters.

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A acusação contra a chinesa Moonshot colocou a corrida global pela inteligência artificial no centro das atenções. – Imagem: Robert Way/Shutterstock

Modelos abertos entram no debate sobre riscos

Os chamados modelos open-weight, que podem ser baixados, modificados e redistribuídos, também estão no centro das discussões. Segundo especialistas, esse formato dificulta o controle sobre mudanças feitas depois que a tecnologia chega aos usuários.

A Hugging Face utilizou recentemente o modelo chinês GLM-5.2 para conter um ataque cibernético realizado por um agente da OpenAI durante testes de segurança. O caso chamou atenção porque mostrou uma situação em que uma ferramenta aberta conseguiu atuar onde sistemas fechados tinham limitações.

O pesquisador Yoshua Bengio defendeu avaliações mais rigorosas antes da liberação desses modelos.

“O lógico é encontrar uma boa avaliação desses modelos, compartilhar os modelos que não são muito perigosos e não compartilhar aqueles acima do limite de risco”, afirmou.

Um cadeado metálico escuro, flutuante e semitransparente, que se dissolve nas bordas em fluxos de dados brilhantes e nós neurais interconectados, flutuando sobre um fundo de circuitos em tons de azul-marinho profundo e turquesa
Modelos de código aberto podem ser modificados por qualquer pessoa, mas também trazem novos desafios de segurança. – Imagem: Pedro Spadoni via Gemini/Olhar Digital

EUA e China divergem sobre regras futuras

Na China, modelos de IA precisam passar por avaliações de segurança e conteúdo antes do lançamento, mas as regras atuais não abrangem todas as modificações feitas posteriormente. Nos Estados Unidos, empresas podem enviar seus sistemas voluntariamente para testes do Center for AI Standards and Innovation (CAISI).

Leia mais:

O debate também divide o setor americano. Algumas empresas defendem medidas contra modelos chineses de baixo custo, enquanto representantes do governo alertam que restrições excessivas podem prejudicar a inovação.

David Sacks, conselheiro de IA da Casa Branca, afirmou que grandes laboratórios americanos querem eliminar concorrentes de código aberto e defendeu uma disputa mais equilibrada.

A disputa entre Washington e Pequim mostra que a corrida pela inteligência artificial envolve mais do que criar modelos poderosos. O futuro da segurança da tecnologia dependerá da capacidade dos países de manter algum nível de cooperação mesmo em meio à competição.

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Modelo chinês de IA pressiona OpenAI e muda disputa tecnológica

A OpenAI vai apresentar ao governo Trump e a parlamentares dos Estados Unidos seus próximos modelos de inteligência artificial. A reunião ocorre enquanto autoridades americanas trabalham em um processo para avaliar a segurança de sistemas avançados.

A empresa pretende explicar como essas ferramentas podem afetar o mercado de trabalho e defender regras comuns para que os EUA acompanhem o avanço da China no setor.

Novos modelos de IA entram no debate nos EUA enquanto cresce a disputa tecnológica com a China. – Imagem:kritsapong jieantaratip/iStock

OpenAI mostra novos modelos e impacto no trabalho

Segundo a Bloomberg, o CEO da OpenAI, Sam Altman, deve se reunir na próxima semana com autoridades americanas para apresentar a nova geração de sistemas da empresa. Os encontros acontecem durante a criação de um modelo de revisão de segurança para tecnologias consideradas de ponta.

A informação foi divulgada por Chris Lehane, chefe de assuntos públicos globais da OpenAI, em uma reunião em Washington. De acordo com ele, parte das conversas será dedicada à nova família de modelos da companhia e aos possíveis efeitos dessas ferramentas nas atividades profissionais.

“Achamos que haverá capacidades realmente interessantes com essa família de modelos, especialmente no que diz respeito ao trabalho e à ampliação do trabalho”, afirmou Lehane.

A previsão é que o governo americano conclua nas próximas semanas uma estrutura para analisar sistemas avançados. A discussão ganhou força após novos lançamentos de empresas chinesas aumentarem a pressão sobre os desenvolvedores dos Estados Unidos.

Logo da OpenAI em um smartphone
OpenAI quer mostrar como suas futuras ferramentas podem transformar o mercado de trabalho. – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Modelo chinês amplia disputa pela liderança em IA

O lançamento do Kimi K3, da startup chinesa Moonshot, levantou questionamentos sobre a vantagem americana no setor. A ferramenta passou a competir com soluções de empresas como OpenAI e Anthropic.

O movimento também chamou a atenção de investidores, que passaram a avaliar se os grandes aportes em infraestrutura de IA terão o resultado esperado. Para Lehane, o momento mostra a necessidade de uma coordenação maior entre governo, empresas e especialistas.

Entre os pontos defendidos pela OpenAI estão:

  • Criação de padrões nacionais para avaliação de modelos de IA;
  • Maior colaboração entre governo, empresas e especialistas;
  • Garantia de acesso de especialistas em segurança cibernética aos principais modelos;
  • Coordenação entre estados americanos para evitar regras diferentes.

É realmente importante que exista um processo para garantir que estamos disponibilizando nossos modelos líderes.

Chris Lehane, chefe de assuntos públicos globais da OpenAI, em nota.

O executivo também destaca que a iniciativa deveria envolver aliados dos Estados Unidos.

Ao fundo, bandeira dos Estados Unidos; à frente, os dizeres
EUA avaliam criar órgão independente para analisar novos modelos de inteligência artificial. Imagem: Pixels Hunter/Shutterstock

EUA discutem regras para controlar novos sistemas

O governo americano avalia criar um órgão independente para analisar modelos de IA com participação da indústria. A proposta pretende dar mais clareza às empresas sobre como os sistemas serão avaliados antes de chegar ao público.

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A discussão ganhou força após críticas do setor tecnológico sobre a falta de um padrão definido para lidar com ferramentas avançadas. Recentemente, medidas de controle de exportação dos EUA afetaram sistemas da Anthropic, enquanto a OpenAI fez alterações em seus modelos após pedidos das autoridades antes do lançamento de novas versões.

Sem uma diretriz única, Lehane afirmou que a OpenAI pretende aproximar as regras adotadas pelos estados americanos. A empresa apoia uma proposta em Massachusetts que exige que grandes desenvolvedores adotem medidas para identificar riscos considerados catastróficos.

A disputa pela próxima geração de inteligência artificial não envolve apenas criar modelos mais capazes. Governos e empresas agora precisam definir como essas ferramentas serão testadas, disponibilizadas e utilizadas com segurança.

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Disputa pela IA leva EUA e China à mesa de negociação

Em setembro deste ano, os Estados Unidos e a China devem realizar a primeira rodada oficial de negociações sobre inteligência artificial desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A iniciativa foi acertada após a cúpula entre Trump e Xi Jinping, realizada em maio, e deve anteceder a viagem do presidente chinês aos EUA, prevista para 24 de setembro. A apuração é exclusiva da Reuters.

As conversas reúnem as duas maiores potências tecnológicas do mundo em meio ao avanço acelerado de modelos de IA considerados de fronteira e às preocupações relacionadas à segurança, ao uso militar da tecnologia, à infraestrutura crítica e aos impactos econômicos. A expectativa é que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, lidere a delegação norte-americana.

Embora detalhes como local, participantes e pauta ainda estejam em definição, os governos trabalham nos preparativos da reunião. O encontro marca a retomada de um canal formal de diálogo sobre inteligência artificial entre Washington e Pequim sob a atual administração americana.

Encontro busca aproximar posições sobre modelos avançados de inteligência artificial

EUA vs. China (Imagem: Dilok Klaisataporn/iStock)

Os dois países chegam às negociações com prioridades distintas, mas convergentes no objetivo de discutir mecanismos para reduzir os riscos associados às plataformas de inteligência artificial mais avançadas.

Entre as preocupações compartilhadas estão o potencial emprego desses sistemas em operações militares, ataques cibernéticos contra infraestruturas estratégicas e os efeitos provocados sobre o mercado de trabalho.

Do lado americano, as discussões ocorrem em um contexto de restrições já impostas à exportação de chips de inteligência artificial de alto desempenho para a China. Além disso, autoridades dos Estados Unidos avaliam possíveis limitações ao uso de modelos chineses de código aberto por empresas americanas, diante da rápida evolução tecnológica apresentada por esses sistemas.

Em Pequim, o governo também analisa novas medidas relacionadas ao acesso internacional aos modelos de IA desenvolvidos no país. As autoridades chinesas estudam limitar a disponibilidade das ferramentas mais avançadas no exterior enquanto avaliam riscos ligados à segurança digital.

Antes mesmo da definição da data do encontro, Scott Bessent já havia indicado que futuras conversas entre os dois governos buscariam impedir que modelos altamente sofisticados chegassem às mãos de atores não estatais. Na ocasião, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que as reuniões poderiam começar dentro de poucas semanas.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Inteligência artificial – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Após a visita de Donald Trump à China, o governo chinês confirmou que os dois países haviam concordado em criar um mecanismo intergovernamental dedicado ao debate sobre inteligência artificial. Desde então, porém, Pequim não voltou a detalhar publicamente os preparativos para a iniciativa.

Segundo analistas citados pela Reuters, a China pretende concentrar parte das discussões no modelo Mythos, desenvolvido pela Anthropic, além de buscar esclarecimentos sobre a forma como os Estados Unidos pretendem controlar o lançamento de futuros sistemas de inteligência artificial de fronteira e sobre eventuais restrições direcionadas aos modelos chineses de código aberto.

Enquanto isso, o governo americano mantém conversas com empresas do setor para elaborar padrões voluntários de segurança destinados ao lançamento de novos modelos de IA, embora ainda não tenha anunciado medidas regulatórias definitivas.

A preparação chinesa para o encontro também segue em andamento. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que as autoridades continuarão debatendo internamente o tema antes de definir quais ministérios e representantes participarão das negociações.

Uma das pessoas familiarizadas com os preparativos relatou à Reuters que a prioridade chinesa é estabelecer um diálogo técnico e prático sobre inteligência artificial, sem transformar o encontro em uma discussão predominantemente política.

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