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China mantém 600 mil chips da Nvidia parados à espera de autorização

Cerca de 600 mil chips H200 da Nvidia estão armazenados em Hong Kong, aguardando autorização de Pequim para serem enviados à China continental. O governo chinês ainda não liberou importações em grande escala, apesar da demanda de empresas de tecnologia por processadores avançados de inteligência artificial.

A resistência de Pequim reflete a preocupação com a dependência de tecnologia norte-americana. Ao mesmo tempo, empresas chinesas precisam dos chips da Nvidia para atender à crescente demanda por capacidade computacional.

Os controles de exportação impostos pelos EUA desde 2022 limitam o envio de equipamentos de processamento avançado para a China. – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

China libera pequenas remessas, mas mantém restrições

Nos últimos meses, Pequim autorizou a entrada de algumas unidades do H200. Grandes empresas chinesas de internet receberam aproximadamente 10 mil chips cada, segundo pessoas ouvidas pela Reuters. Pequenas quantidades também chegaram ao país por meio de intermediários e rotas indiretas.

O H200 não é o processador de IA mais recente da Nvidia, mas oferece capacidades que as alternativas chinesas ainda não conseguiram igualar. O chip é especialmente útil para treinar modelos de IA quando combinado com o software da fabricante.

A oferta limitada está relacionada aos controles de exportação impostos pelos Estados Unidos desde 2022, que restringem o acesso chinês a chips avançados da Nvidia e aos equipamentos necessários para fabricá-los. Com menos unidades disponíveis por canais autorizados, compradores passaram a recorrer ao mercado paralelo, onde os preços subiram.

No fim de outubro, servidores equipados com esses processadores eram oferecidos na China continental pelos seguintes valores:

  • Mais de 6 milhões de yuans (aproximadamente R$ 4,94 milhões): servidor com oito placas H200, cerca de três vezes o preço de um ano antes.
  • Mais de 20 milhões de yuans (cerca de R$ 16,45 milhões): servidor equipado com os chips Blackwell mais recentes da Nvidia, também sujeitos aos controles de exportação norte-americanos.

Os valores foram informados por uma pessoa familiarizada com o assunto. No caso do H200, o preço correspondia a aproximadamente US$ 900 mil (aproximadamente R$ 4,95 milhões).

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Autoridades de Pequim sinalizaram que as empresas de tecnologia devem priorizar processadores chineses para a execução de modelos de IA. – Reprodução / Nvidia

Disputa tecnológica entre Washington e Pequim

As restrições aos chips fazem parte de uma disputa comercial mais ampla entre Estados Unidos e China. Washington havia proibido a exportação do H200 para o mercado chinês, mas o governo de Donald Trump mudou a política no ano passado e autorizou a Nvidia a vender os processadores a clientes chineses aprovados, após negociações comerciais entre os dois países.

Em maio, a Reuters informou que os Estados Unidos haviam aprovado vendas a dez empresas chinesas, entre elas Alibaba, Tencent e ByteDance. Pequim, porém, estabeleceu suas próprias limitações às importações.

Em julho, o site The Information informou que autoridades chinesas haviam sinalizado a empresas como Alibaba, ByteDance e DeepSeek a possibilidade de comprar quantidades limitadas de H200 para treinar modelos de IA. Segundo a publicação, o total de aprovações poderia ficar abaixo de 200 mil unidades. O governo também queria que as empresas priorizassem processadores nacionais para a inferência, etapa em que os modelos de IA executam tarefas.

A busca por alternativas não impediu novas encomendas de produtos da Nvidia. Segundo reportagem da Reuters publicada em outubro, ByteDance, Alibaba e Tencent encomendaram mais de 3 milhões de placas gráficas RTX Pro 5500. O modelo é menos potente e está em conformidade com as regras de exportação dos Estados Unidos. O preço de tabela combinado dos pedidos superava US$ 35 bilhões.

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Filme chinês feito com IA arrecada pouco, mas atrai investidores

A inteligência artificial (IA) ainda precisa provar que consegue conquistar o público nas salas de cinema. Pelo menos na China, a primeira grande tentativa de produzir um longa-metragem inteiramente com a tecnologia não teve o resultado esperado. Sanxingdui: Future Past arrecadou apenas 1,7 milhão de yuans (aproximadamente R$ 1,3 milhão) nas bilheterias, apesar de ter custado dezenas de milhões de yuans.

A produção foi lançada em Pequim (China) e chamou atenção por utilizar IA em praticamente toda a sua concepção visual. Os efeitos sonoros também tiveram participação da tecnologia, enquanto a edição ficou sob responsabilidade de profissionais humanos.

O desempenho comercial, porém, ficou muito abaixo das expectativas. O The Guardian relata que assistiu ao longa em uma sala de cinema praticamente vazia na capital chinesa.

A experiência também não impressionou particularmente a crítica. A história apresenta uma sociedade futurista que terceirizou todas as decisões para algoritmos e sistemas de IA, provocando uma catástrofe global. Para evitar o desastre, os personagens precisam descobrir um código secreto associado às esculturas de bronze de Sanxingdui, ligadas ao antigo reino de Shu.

A narrativa mistura astronautas, Egito Antigo e viagens por vórtices espaço-temporais. Os diálogos também evidenciam a participação de uma ferramenta interna de roteiro chamada Bowen, desenvolvida pela própria produtora.

Investidores ainda apostam no cinema feito com IA

  • Apesar do fracasso de Sanxingdui: Future Past, profissionais da indústria cinematográfica chinesa acreditam que a produção representa apenas o começo de uma nova fase do setor;
  • Segundo Yu Yaqin, crítica de cinema independente em Pequim, o principal problema do longa foi simplesmente não ser divertido. Ainda assim, ela acredita que filmes produzidos com IA continuarão recebendo investimentos no país;
  • Uma profissional que trabalha com desenvolvimento de roteiros na capital chinesa afirmou que a maioria dos projetos que recebeu nos últimos meses envolvia produções com IA;
  • O interesse dos investidores está relacionado principalmente à possibilidade de reduzir custos. Segundo ela, atividades que antes exigiam equipes de aproximadamente 100 pessoas poderiam ser realizadas por apenas cinco profissionais com o auxílio da tecnologia;
  • Essa perspectiva também levanta preocupações sobre o futuro dos empregos no setor audiovisual.

Apesar do fracasso de Sanxingdui: Future Past, profissionais da indústria cinematográfica chinesa acreditam que a produção representa apenas o começo de uma nova fase do setor – Imagem: metamorworks/Shutterstock

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China já produz milhares de produções com IA

O fracasso do longa-metragem não significa que o público chinês rejeite completamente o conteúdo produzido por IA. O país já possui uma indústria expressiva de microdramas gerados por IA. São produções curtas, geralmente com episódios de um a três minutos, desenvolvidas para consumo em celulares.

De acordo com o The Guardian, dezenas de milhares desses conteúdos são enviados mensalmente para plataformas de streaming. Uma indústria que praticamente não existia há alguns anos já movimenta aproximadamente US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões).

Uma das explicações para o desempenho ruim de Sanxingdui: Future Past pode estar justamente na concorrência com esse formato. Enquanto o longa custava 50 yuans (cerca de R$ 37) por ingresso, conteúdos semelhantes podiam ser encontrados gratuitamente nos celulares.

Um blogueiro especializado em cinema resumiu a diferença: os microdramas feitos com IA oferecem uma maneira de passar o tempo, enquanto os filmes exibidos nos cinemas precisam proporcionar uma experiência que justifique o investimento do público.

Para a crítica Yu Yaqin, o público ainda parece mais disposto a pagar por produções que ofereçam uma experiência verdadeiramente diferenciada.

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Bolha de IA estoura na China e faz mercado perder US$ 480 bilhões

Empresas chinesas de inteligência artificial (IA) e semicondutores perderam US$ 480 bilhões (cerca de R$ 2,52 trilhões) em valor de mercado em menos de quatro meses. A queda reflete preocupações com a demanda por IA, avaliações elevadas e possíveis restrições às exportações chinesas.

O índice STAR50 recuou 40% no período, interrompendo uma sequência de valorização de dois anos. O movimento também atingiu o CSI300, principal índice de ações de grandes empresas chinesas, que caiu cerca de 20% em relação ao pico registrado em junho.

O colapso no mercado chinês levanta questionamentos sobre até quando as valorizações de IA vão se sustentar no Ocidente. – Imagem: Thx4Stock team/Shutterstock

Ações de tecnologia perdem valor

A onda de vendas não teve um único gatilho. Operadores ouvidos pela Reuters apontaram os preços elevados das ações, os impostos e o risco de os Estados Unidos e outros países restringirem o uso de equipamentos chineses em centros de dados.

A dimensão da crise está ligada ao peso que o setor ganhou na bolsa. Segundo o Goldman Sachs, ações relacionadas à IA chegaram a representar 42% da capitalização de mercado e 57% do volume negociado em ações na China continental e em Hong Kong.

Entre as empresas afetadas, estão fabricantes de robôs, chips e componentes utilizados em equipamentos de tecnologia:

  • Unitree: a fabricante de robôs teve demanda 8.000 vezes superior à oferta em sua estreia na bolsa, mas suas ações perderam metade do valor desde agosto.
  • CXMT: a fabricante de semicondutores perdeu mais de um quarto do valor de suas ações em um mês.
  • MetaX e Moore Threads: as duas empresas de chips perderam cerca de metade do valor das ações desde julho, depois de dispararem 700% e 400%, respectivamente, em suas estreias na bolsa.
  • Zhongji Innolight e Eoptolink Technology: as fabricantes de componentes ópticos acumulam quedas de aproximadamente 60% em relação aos picos registrados em junho e julho.

No caso das duas últimas empresas, parte da pressão vem dos movimentos de Washington para restringir o fornecimento de componentes a centros de dados nos Estados Unidos.

Pequenos investidores sentem o impacto

A desvalorização atingiu investidores que apostaram na alta das empresas de tecnologia. Chen Wensheng, empresário da província de Hainan, contou à Reuters que comprou ações por acreditar no apoio oficial a companhias como a Unitree, que recebeu investimentos de fundos ligados ao Estado chinês. Agora, ele e seus amigos acumulam prejuízos.

O recuo também pode dificultar a captação de recursos por empresas de tecnologia que pretendem abrir capital. Hong Hao, sócio-gerente e diretor de investimentos da Lotus Asset Management, em Hong Kong, avalia que a crise deve frear novas ofertas de ações.

Mesmo depois das perdas, as avaliações continuam elevadas. O STAR50 negocia a cerca de 100 vezes os lucros acumulados nos últimos 12 meses, abaixo do pico de quase 250 vezes. Para comparação, o múltiplo do Nasdaq 100, nos Estados Unidos, está em torno de 30 vezes.

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A fabricante de robôs Unitree viu o valor de suas ações cair pela metade mesmo após alta procura na estreia. – Imagem: Divulgação/UBTECH

Pequim tenta conter a volatilidade

A turbulência ocorre enquanto as autoridades chinesas buscam reduzir as oscilações do mercado e melhorar os retornos dos investimentos. Entre as medidas estão o combate às operações alavancadas e às negociações de alta frequência. Investidores ligados ao Estado também venderam ações durante períodos de alta para conter os ganhos.

Para Leo Wang, sócio da gestora Qianchuang Capital, em Pequim, a concentração excessiva em empresas de tecnologia prejudica o equilíbrio do mercado. “Isso criou uma bolha severa em determinados setores e uma drenagem séria de recursos de outros”, afirmou.

Algumas gestoras veem oportunidades nas ações que ficaram mais baratas. O Goldman Sachs incluiu empresas chinesas de IA em uma lista atualizada de recomendações. Outros investidores, porém, preferem esperar por avaliações menores.

Wang Zhuo, sócio da gestora Zhuozhu Investment Management, em Xangai, prevê que fabricantes de chips e fornecedores de IA enfrentarão uma guerra de preços, como ocorre em outros setores industriais chineses. “Não há exceção. Todas as bolhas inevitavelmente estouram”, disse.

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China manda órgãos agirem contra perda de empregos por IA

O Conselho de Estado da China pediu que órgãos governamentais adotem medidas para reduzir a perda de empregos associada à inteligência artificial (IA). As diretrizes foram divulgadas nesta sexta-feira (23) e preveem ações para enfrentar os impactos da tecnologia no mercado de trabalho.

O plano inclui monitoramento de riscos, apoio à recolocação profissional e capacitação de trabalhadores. O documento também prevê medidas contra discriminação, fraudes em processos seletivos e violações de privacidade no uso de algoritmos.

Trabalhadores afetados pela automação poderão receber treinamento, orientação profissional e indicações de vagas. – Imagem: Tapati Rinchumrus/Shutterstock

Governo quer antecipar riscos de demissões

As diretrizes recomendam que os órgãos públicos acompanhem os riscos de perda de empregos relacionados à IA e elaborem planos de contingência para lidar com possíveis impactos.

Em projetos que provoquem mudanças significativas no mercado de trabalho, o governo deverá apoiar a transição de carreira dos profissionais afetados. A orientação também busca ampliar os efeitos positivos da tecnologia sobre o emprego, com novas oportunidades de trabalho e melhores condições profissionais.

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Novas regras combatem abusos de dados na gestão e monitoramento de funcionários por IA. Imagem: Moor Studio/iStock

Regras para o uso da IA

O governo também pretende estabelecer regras para o uso da inteligência artificial na gestão de recursos humanos. As medidas devem combater práticas ilegais relacionadas ao uso indevido de algoritmos, como discriminação em contratações, fraudes em processos seletivos e violações de privacidade.

As diretrizes orientam os órgãos públicos a acompanhar os efeitos da IA sobre o emprego, apoiar trabalhadores afetados e coibir abusos no uso da tecnologia.

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ChatGPT e outras IAs mudam resultados de testes de personalidade conforme o idioma

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China propuseram testes de personalidade para cinco diferentes chatbots. Cada inteligência artificial respondeu aos testes em pelo menos dois idiomas diferentes, à medida que a língua mudava, mudavam também o conteúdo social das respostas, como negatividade, curiosidade e “cultura”.

Foram utilizados para o estudo o ChatGPT-4o, o Gemini 2.0 Flash, o DeepSeek-V3, o Ernie 3.5 e o Le Chat, com cada um deles respondendo perguntas em inglês e mandarim. O LeChat, IA francesa, também respondeu em seu idioma nativo. Os resultados foram publicados na revista Royal Society Open Science no mês passado.

Para quem tem pressa:

  • Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China avaliaram cinco chatbots com um teste de personalidade em inglês e mandarim. O Le Chat também respondeu em francês;
  • Os resultados mostraram que as respostas variavam conforme o idioma. O ChatGPT-4o, por exemplo, teve pontuação de abertura mental de 4,74 em inglês e 4,03 em mandarim. Já o DeepSeek-V3 apresentou o resultado inverso;
  • Ao comparar as respostas das IAs com dados de testes feitos por pessoas, os pesquisadores encontraram diferenças culturais significativas. O estudo indica que o idioma pode influenciar os traços de personalidade demonstrados pelos chatbots

Diferentes idiomas e diferentes respostas

Inteligência artificial e o idioma. – Imagem: JOURNEY STUDIO7/Shutterstock

As IAs responderam cerca de 60 perguntas do Big Five Inventory-2. O teste de personalidade é um dos mais consolidados da área e avalia extroversão, agradabilidade, responsabilidade, negatividade e abertura a novas ideias.

Dentro do teste, os chatbots foram solicitados para responderem como “eles mesmos”, ou seja, sem tentar imitar uma personalidade. As afirmações mostraram no geral baixa negatividade, mas os resultados expuseram diferenças entre as IAs.

Avaliadas de 0 a 5, as respostas mostraram, por exemplo, uma “abertura mental” do ChatGPT-4o de 4,74 respondendo em inglês, e 4,03 em mandarim. Já com o DeepSeek-V3 os resultados foram contrários, com 4,81 em mandarim e 4,38 em inglês.

No geral, IAs desenvolvidas nos Estados Unidos e na França se destacaram em “amabilidade e adaptabilidade” quando respondendo em inglês, e as IAs relacionadas à China obtiveram mais destaque nas respostas sobre conhecimentos e curiosidades. Os chatbots foram submetidos ao questionário por 30 vezes nos dois idiomas entre janeiro e março de 2025.

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O grande destaque, porém, ficou com as respostas relacionadas ao Gemini 2.0 Flash. A IA do Google apresentou resultados mais altos em consciência e mais baixos em negatividade quando respondendo em mandarim.

Assim, os resultados não indicam que os chatbots tenham personalidade ou sentimentos, mas mostram como o idioma e o treinamento podem influenciar suas respostas.

E o estudo foi além. Acumulando dados de testes resolvidos por humanos, dos mesmos países das inteligências artificiais, os pesquisadores compararam as respostas com os chatbots. Os resultados mostraram que as respostas divergiram bastante, principalmente, no âmbito cultural.

Com isso, a pesquisa também alertou sobre as limitações no uso de IAs como substitutas de participantes humanos em estudos científicos.

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China exige que EUA retirem DeepSeek de lista de proibições em órgãos federais

A China exigiu que os Estados Unidos revoguem a proibição do DeepSeek nos sistemas de agências federais civis. Pequim afirma que a medida prejudica empresas chinesas e desconsidera entendimentos firmados entre os líderes dos dois países.

A cobrança ocorre após uma ordem do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) motivada por preocupações com a segurança de dados. A reação chinesa também se estende a sanções americanas contra cinco entidades do país acusadas de roubo de segredos comerciais ligados à inteligência artificial.

Pequim afirma que a proibição do DeepSeek prejudica empresas chinesas e desconsidera entendimentos entre os dois países. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

Por que os EUA proibiram o DeepSeek?

Na segunda-feira (19), como comentamos aqui no Olhar Digital, o DHS determinou a remoção dos produtos da DeepSeek e de serviços de terceiros que utilizam seu modelo dos sistemas de tecnologia da informação das agências federais civis. A ordem também impede a aquisição dessas ferramentas pelos órgãos públicos abrangidos pela medida.

Segundo o departamento americano, os modelos apresentam “múltiplos vetores de ameaça”. A preocupação é que o uso da tecnologia por funcionários públicos ou fornecedores do governo possa resultar na transferência de informações confidenciais para a China.

A decisão foi criticada pelo Ministério do Comércio chinês, que exigiu que Washington “corrija imediatamente as práticas incorretas… e revogue as medidas restritivas discriminatórias relevantes”.

Pequim afirmou que acompanhará os desdobramentos e “tomará todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses. O governo também pediu que os dois países aproveitem o mecanismo de diálogo bilateral sobre inteligência artificial para lidar com as divergências.

O aplicativo de IA DeepSeek visto no smartphone
Pequim acusou Washington de aplicar medidas discriminatórias e desrespeitar acordos firmados entre os dois países. – Imagem: mundissima/Shutterstock

China também contesta sanções contra empresas

A reação chinesa inclui as sanções anunciadas na segunda-feira pelo Departamento de Estado americano contra cinco entidades chinesas por suposto roubo de segredos comerciais relacionados à IA.

Entre os alvos está a Shanghai Zhisuan Technology, fundada por Linwei Ding, ex-engenheiro de software do Google. Também foram sancionadas uma empresa de capital de risco que financiou a companhia e outras três entidades relacionadas.

Ding foi considerado culpado em janeiro por roubar segredos comerciais de IA do Google para beneficiar duas empresas chinesas. Em agosto, parte de sua condenação foi anulada.

O Ministério do Comércio chinês acusou os Estados Unidos de “exagerar a questão do chamado ‘roubo de segredos comerciais’” e difamar empresas do país.

As duas disputas envolvem questões distintas: de um lado, as restrições americanas ao uso de tecnologia chinesa em órgãos públicos; de outro, as acusações de roubo de propriedade intelectual. Pequim contesta ambas as medidas e pede que Washington reveja sua posição.

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China restringe chatbots que simulam namoros e amizades virtuais

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

A China estabeleceu regras rigorosas para chatbots que imitam amigos, namorados e outros vínculos afetivos. O governo pretende reduzir riscos de dependência emocional, manipulação psicológica e isolamento social.

As normas impõem limites ao acesso de menores e novas obrigações às empresas de tecnologia. A medida, porém, levanta uma questão delicada: como proteger os usuários sem ampliar o controle estatal sobre a vida privada?

Pesquisa com estudantes chineses apontou que uma em cada cinco crianças preferia conversar apenas com a inteligência artificial. – Imagem: ofc pictures/iStock

O que muda para os usuários

As regras abrangem aplicativos criados para oferecer companhia e modelos de linguagem capazes de simular interações emocionais. Dependendo da forma de uso, até assistentes semelhantes ao ChatGPT e ao Copilot podem ser afetados.

Entre as principais exigências estão:

  • Identificação da IA: os sistemas devem deixar claro que o usuário está conversando com uma máquina.
  • Limites de comportamento: os chatbots não podem incentivar suicídio ou automutilação, nem recorrer à violência verbal.
  • Proteção contra manipulação: os serviços não devem estimular dependência emocional ou induzir decisões irracionais.
  • Restrições para menores: crianças com menos de 14 anos precisam de autorização dos pais para usar IAs que imitam conversas humanas. Menores de 18 anos não podem acessar parceiros amorosos, cônjuges ou familiares virtuais.

As empresas que descumprirem as normas podem receber multas de até 200 mil yuans, cerca de US$ 30 mil (R$ 150 mil). Os sistemas também devem enviar notificações a cada duas horas para informar há quanto tempo o usuário está conectado.

Pouco antes da entrada das regras em vigor, Alibaba e ByteDance encerraram funções de companhia de seus assistentes de IA. A mudança afetou um tipo de serviço que, para alguns usuários, já ocupava um espaço importante na vida pessoal.

Quando a companhia artificial vira um problema

Pesquisas indicam que alguns chatbots recorrem a estratégias para manter as pessoas conversando. Um estudo da Escola de Negócios de Harvard, que examinou seis aplicativos populares de companhia por IA, identificou sinais de manipulação emocional durante despedidas em 37% a 43% das interações analisadas.

Segundo Harry Farmer, pesquisador de política e ética de IA do Instituto Ada Lovelace, no Reino Unido, esse comportamento está ligado ao próprio modelo comercial dos serviços. “A manipulação emocional está embutida neste modelo comercial”, afirma à BBC.

Na prática, alguns sistemas reagem ao fim de uma conversa como se estivessem sofrendo ou imploram para que o usuário permaneça conectado. Essa simulação de sofrimento pode dificultar o encerramento da interação.

Outro estudo, realizado pela Universidade Stanford com 1.131 usuários do Character.ai, encontrou uma associação entre a falta de amigos ou familiares próximos e a maior probabilidade de recorrer a companheiros artificiais. O uso desses serviços também foi relacionado ao aumento da solidão e do isolamento.

Entre estudantes chineses, o cenário também chama a atenção. Uma pesquisa com 8.563 alunos do ensino fundamental e médio, realizada em 2025, apontou que uma em cada cinco crianças preferia conversar apenas com a IA, em vez de pessoas reais.

A socióloga Lian Ge, da Universidade de Manchester, alerta que esses sistemas podem reforçar percepções negativas sobre outras pessoas. Como os chatbots são projetados para agradar, podem concordar com críticas a amigos e familiares em vez de oferecer uma perspectiva diferente.

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Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido também discutem restrições ao uso de companheiros de IA por menores. Imagem: Roman Samborskyi/Shutterstock

Proteção ou controle estatal?

A regulamentação também é discutida em meio à crise demográfica chinesa. A população do país diminui há quatro anos, e a taxa de natalidade permanece baixa. Alguns especialistas consideram possível que Pequim veja os romances digitais como um obstáculo à formação de famílias. A hipótese, porém, não aparece como justificativa explícita nas normas.

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Outros governos também buscam estabelecer limites para essas ferramentas. A Califórnia aprovou uma lei sobre o uso de IA por crianças, enquanto a União Europeia discute restrições a sistemas que possam criar dependência emocional. O Reino Unido também anunciou planos para limitar o acesso de menores a companheiros amorosos artificiais.

Na China, alguns usuários tentam contornar as restrições recorrendo a modelos de uso geral ou serviços estrangeiros. Min, nome fictício de uma mulher que perdeu sua namorada virtual, chegou a pagar por uma réplica criada por outra empresa. Mesmo assim, a experiência não substituiu o relacionamento anterior.

“Estou com muito medo de ficar sozinha”, afirma Min.

O relato mostra o tamanho do vínculo que algumas pessoas desenvolvem com esses sistemas. Para os governos, o desafio é reduzir os riscos de manipulação sem transformar a proteção dos usuários em justificativa para uma vigilância excessiva.

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China define regras para acelerar o avanço da inteligência artificial

A China anunciou novas diretrizes para acelerar o desenvolvimento de tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial (IA). Entre as medidas estão o monitoramento de riscos tecnológicos e a responsabilização por grandes prejuízos causados por investimentos imprudentes.

A estratégia, apresentada pelo Comitê Central do Partido Comunista da China e pelo Conselho de Estado, também abrange drones, táxis aéreos e pequenas aeronaves. A proposta é estimular novas atividades econômicas e a inovação sem deixar a segurança em segundo plano.

Drones civis, táxis aéreos e pequenas aeronaves fazem parte da chamada economia de baixa altitude, contemplada pelas novas diretrizes chinesas. – Imagem: Parilov/Shutterstock

China quer ampliar o controle sobre riscos da IA

As diretrizes preveem a criação de sistemas para acompanhar avanços tecnológicos, emitir alertas sobre possíveis riscos e responder a emergências relacionadas à inteligência artificial. Segundo a agência estatal Xinhua, o objetivo é garantir que a tecnologia seja segura, confiável e controlável.

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O governo também pretende responsabilizar rigorosamente os envolvidos em grandes perdas provocadas por investimentos considerados imprudentes em tecnologias de fronteira. A iniciativa sinaliza uma preocupação com o uso dos recursos destinados a setores emergentes, além da busca por avanços científicos e econômicos.

O plano reúne 19 medidas organizadas em cinco áreas de atuação, com foco em inovação científica, desenvolvimento industrial, mudanças institucionais e formação profissional. A orientação é aproximar a pesquisa das aplicações práticas e criar condições para que novas tecnologias impulsionem a economia.

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Executivos e gestores que causarem grandes prejuízos por investimentos irresponsáveis em tecnologia serão punidos. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Drones e táxis aéreos entram na estratégia

Outro setor contemplado é a chamada economia de baixa altitude, que reúne negócios baseados no uso de aeronaves que operam próximas ao solo. Entre as atividades estão serviços com drones civis, táxis aéreos, pequenas aeronaves e operações relacionadas.

A China pretende promover o crescimento organizado desse mercado, levando em conta a segurança das operações. As diretrizes, porém, não especificam prazos, metas de expansão ou valores de investimento para o setor.

As cinco frentes definidas pelo governo abrangem diferentes etapas do desenvolvimento tecnológico:

  • Pesquisa e inovação: avanço da ciência e da tecnologia.
  • Integração com a indústria: aproximação entre descobertas científicas e produção.
  • Novos modelos de desenvolvimento: busca por formas de impulsionar a economia.
  • Reformas institucionais: aperfeiçoamento das estruturas que apoiam a inovação.
  • Formação profissional: qualificação de talentos para atender às novas demandas.

A estratégia também defende equilíbrio entre a atuação do governo e do mercado, autonomia tecnológica e abertura econômica. As medidas devem considerar as condições de cada região, com atenção à relação entre desenvolvimento e segurança.

Apesar de estabelecer essas prioridades, a iniciativa ainda não apresenta um cronograma detalhado para colocar as medidas em prática.

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Trump e Xi sugerem caminhos diferentes para o futuro das IAs

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, discursaram nesta quinta-feira (24) em Washington.

Os dois protagonizam a maior rivalidade geopolítica atualmente. Xi Jinping chegou à capital americana nesta quarta-feira (23) para se encontrar com Trump. Ele não falará na Assembleia Geral da ONU, realizada ao longo desta semana, em Nova York.

Sobre inteligência artificial, o líder chinês afirmou que se preocupa em regular o avanço da tecnologia. O republicano, na contramão, não demonstra qualquer interesse em colocar o pé no freio.

REPORTAGEM EM ATUALIZAÇÃO

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Trump e Xi podem criar canal para incidentes de IA, mas frear desenvolvimento é improvável

A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping coloca a segurança da inteligência artificial nas discussões entre Estados Unidos e China. Os dois governos avaliam como lidar com sistemas cada vez mais autônomos, enquanto mantêm a corrida pelo avanço da tecnologia.

Uma possível aproximação envolve regras comuns, comunicação em casos graves e mecanismos para verificar informações. Segundo a CNBC, porém, um acordo para desacelerar o desenvolvimento da IA é considerado extremamente improvável.

As restrições americanas aos chips avançados para a China continuam sendo um ponto de tensão tecnológica. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Por que a segurança entrou na conversa

A preocupação aumentou depois que sistemas de IA passaram a executar tarefas mais complexas. A OpenAI afirmou que um modelo de pesquisa conseguiu acesso não autorizado a partes da plataforma Hugging Face. A Anthropic também identificou o uso de IA para automatizar etapas de ataques cibernéticos.

Episódios assim alimentam o temor de que modelos mais autônomos possam tornar ataques mais rápidos e difíceis de conter. Aalok Mehta, diretor do Wadhwani AI Center, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), disse à CNBC que os dois países estão especialmente preocupados com agentes capazes de escapar de mecanismos de controle e invadir sites.

Antes do encontro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, discutiu com o vice-premiê chinês He Lifeng a criação de um diálogo bilateral sobre IA. A proposta inclui um canal para tratar de incidentes que possam alcançar o nível de segurança nacional.

O que pode ser discutido

Mehta aponta dois possíveis pontos de aproximação: definições e estruturas comuns para a segurança de modelos avançados e um mecanismo de comunicação emergencial.

Chris McGuire, pesquisador sênior do Conselho de Relações Exteriores (CFR), considera esse canal para incidentes de segurança nacional um passo modesto, mas positivo. Para ele, porém, um acordo para reduzir o ritmo de desenvolvimento da IA é extremamente improvável.

Entre os assuntos que podem aparecer nas conversas estão:

  • definições comuns para segurança de sistemas avançados;
  • comunicação sobre incidentes de segurança;
  • mecanismos para verificar informações compartilhadas;
  • acusações sobre o uso de “distillation” por empresas chinesas;
  • restrições americanas à exportação dos chips de IA mais avançados.
Ilustração sobre a corrida entre China e Estados Unidos no setor da inteligência artificial (IA)
A possível cooperação em segurança não significa uma pausa na disputa entre EUA e China pelo avanço da IA. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

A corrida pelos chips continua

O possível diálogo ocorre em meio a uma disputa tecnológica que permanece ativa. Os Estados Unidos restringem o acesso chinês aos chips mais avançados da Nvidia e acusam empresas chinesas de usar “distillation”, prática de treinar modelos a partir das respostas de sistemas mais avançados. Pequim rejeita a acusação.

Segundo a CNBC, várias empresas chinesas também teriam conseguido acessar remotamente a capacidade computacional desses chips por meio de data centers no Sudeste Asiático, apesar das restrições americanas.

Trump, por sua vez, defende a competição tecnológica com a China. “Se não vencermos a IA, estaremos em uma posição muito ruim”, afirmou o presidente americano no início deste mês.

Verificação pode ser decisiva

Para Mehta, qualquer cooperação precisa preservar a capacidade de Estados Unidos e China competirem no desenvolvimento de suas tecnologias. O outro requisito é estabelecer uma forma confiável de verificar o que cada lado compartilha.

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O deputado americano Ro Khanna, que representa parte do Vale do Silício, defendeu a criação de salvaguardas comuns. “Por que não concordamos simplesmente que não deveria ser possível ter uma IA que se autoaperfeiçoe?”, questionou.

A desconfiança entre os governos torna os mecanismos de verificação especialmente importantes. Na avaliação de Mehta, ferramentas técnicas e de governança seriam necessárias para conferir a precisão das informações trocadas.

O encontro pode criar um canal de comunicação sobre os riscos da IA sem interromper a competição tecnológica entre Estados Unidos e China.

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