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China recebeu tecnologia proibida? ASML se pronuncia sobre suspeita

A ASML negou nesta sexta-feira que qualquer uma de suas máquinas EUV tenha sido enviada para a China, respondendo a preocupações levantadas por autoridades dos Estados Unidos sobre um possível descumprimento das restrições de exportação.

O caso chama atenção porque envolve equipamentos considerados fundamentais para a fabricação de semicondutores avançados, comenta a Reuters.

A ASML negou que qualquer máquina EUV, utilizada para a fabricação de chips, tenha sido enviada à China, após preocupações levantadas por autoridades dos EUA. Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock

ASML responde a preocupações levantadas pelos EUA

A reportagem que deu origem ao caso informou que autoridades norte-americanas estariam preocupadas com a possibilidade de máquinas EUV da ASML terem chegado à China. Segundo o relato, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, levou essa preocupação a executivos da companhia holandesa durante uma série de reuniões.

A resposta da empresa foi direta. Em comunicado enviado à Reuters, a fabricante afirmou: “A ASML nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem enviamos para a China qualquer componente, módulo ou equipamento projetado especificamente para ser usado em uma máquina EUV”.

A companhia também declarou que contestou as alegações relacionadas ao descumprimento dos controles de exportação e ressaltou que adapta continuamente suas operações para acompanhar mudanças regulatórias e cumprir novas exigências.

Sistemas de litografia EUV para fabricação de semicondutores
A fabricação de semicondutores avançados depende de equipamentos altamente especializados, como os sistemas EUV. Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

O que torna as máquinas EUV tão especiais

As máquinas de litografia ultravioleta extrema, conhecidas pela sigla EUV, estão entre os equipamentos mais complexos utilizados pela indústria de semicondutores. Elas são consideradas peças-chave para a produção dos componentes mais avançados do setor.

Os sistemas mais modernos da ASML chamam atenção por características impressionantes:

  • Têm tamanho aproximado ao de um ônibus escolar
  • O peso chega a cerca de 180 toneladas
  • Estão sujeitas a rígidas regras de exportação
  • São utilizadas na fabricação de chips avançados
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A tecnologia usada para fabricar chips avançados virou tema de discussões envolvendo China, EUA e Europa. Imagem: William Potter/Shutterstock

Controles de exportação permanecem no centro do debate

O governo da Holanda reforçou que a exportação de equipamentos para fabricação de semicondutores segue critérios rigorosos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores holandês destacou: “Todos os equipamentos, componentes e tecnologias que se enquadram explicitamente nessas regras exigem uma licença”.

O ministério também afirmou que aplica essa política de forma rigorosa e intervém sempre que considera necessário para garantir o cumprimento das normas.

O debate ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos para ampliar o alinhamento internacional em torno dos controles de exportação ligados ao setor de semicondutores. Em abril, Washington propôs uma legislação para que países aliados sigam regras semelhantes, com o objetivo de limitar a capacidade chinesa de produzir semicondutores avançados. Equipamentos fabricados pela ASML foram citados na proposta.

Em dezembro, a Reuters informou que cientistas chineses desenvolveram um protótipo de máquina EUV criado por uma equipe formada por ex-engenheiros da ASML, em um projeto descrito como a versão chinesa do Projeto Manhattan.

A questão segue no radar de governos e empresas envolvidos no setor de semicondutores. O episódio ocorre enquanto diferentes países discutem regras para a exportação de tecnologias ligadas à fabricação de chips avançados.

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Alibaba lança modelos de IA para robôs e acelera transição de chatbots para agentes autônomos na China

A gigante chinesa Alibaba divulgou, nesta terça-feira (16), em Pequim, seus primeiros modelos de inteligência artificial desenvolvidos especificamente para aplicação em robôs. O anúncio foi feito em meio à reconfiguração do setor tecnológico na China.

A iniciativa surge em um momento em que empresas do país passam a reduzir o foco em sistemas de chatbot tradicionais e direcionam esforços para agentes de IA mais avançados. Esses sistemas são projetados para executar tarefas mais complexas e ampliar a capacidade operacional de máquinas.

Segundo a companhia, a estratégia acompanha uma tendência mais ampla da indústria, que busca aplicações de maior valor econômico e maior autonomia para sistemas inteligentes.

Alibaba acelera aposta em inteligência artificial voltada à robótica

Imagem: testing/Shutterstock

O movimento da Alibaba ocorre dentro de uma transição mais ampla no mercado chinês de tecnologia, que vem migrando de soluções baseadas em conversação para ferramentas capazes de executar ações práticas. A empresa integra esse esforço ao lançar seus primeiros modelos de IA com foco em robôs.

Alibaba
(Imagem: zhu difeng / Shutterstock)

De acordo com a empresa, a nova geração de sistemas busca tornar máquinas mais inteligentes e funcionais, com capacidade de lidar com tarefas mais complexas. Essa mudança acompanha a evolução do setor, que enxerga nos chamados agentes de inteligência artificial uma oportunidade de expansão mais rentável.

O anúncio foi registrado em Pequim e ocorre em um ambiente de forte competição entre companhias de tecnologia na China. O reposicionamento estratégico indica uma tentativa de capturar valor em áreas além dos chatbots, que até então concentravam grande parte do desenvolvimento em inteligência artificial.

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Startup chinesa DeepSeek já é a mais valiosa da China no setor de inteligência artificial

A DeepSeek entrou em um novo patamar no mercado global de inteligência artificial depois de levantar mais de US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões) em sua primeira grande rodada de financiamento. O volume chama atenção não só pelo tamanho, mas pelo momento em que a disputa entre China e Estados Unidos na área de IA vem se intensificando, afirma o The Wall Street Journal.

Com esse aporte, a startup passou a ser avaliada em mais de US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 275 bilhões) e se tornou a empresa de inteligência artificial mais valiosa da China, segundo fontes ligadas à operação. É um salto relevante para um setor em que o capital vem sendo direcionado de forma cada vez mais seletiva.

Mesmo com crescimento rápido, a DeepSeek ainda enfrenta gigantes como OpenAI e Anthropic no mercado global. Imagem: JRdes/Shutterstock

Rodada bilionária coloca DeepSeek no topo da IA chinesa

O ponto mais incomum dessa rodada está no controle da empresa. O fundador Liang Wenfeng segue com forte participação: antes do novo investimento, ele detinha cerca de 90% da DeepSeek e chegou a investir aproximadamente US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões) do próprio patrimônio.

O modelo de governança também foge do padrão tradicional. Em vez de participação direta no capital, a maior parte dos investidores entra por meio de uma estrutura de sociedade limitada administrada pelo próprio fundador. E há ainda um detalhe importante: quem investe precisa manter a posição por pelo menos cinco anos. Isso reduz a liquidez, mas reforça o caráter de aposta de longo prazo.

Ao fundo, bandeira da China; à frente, logo da DeepSeek em um smartphone
Startup chinesa mira IA geral e novas fontes de receita enquanto cresce a disputa global com os EUA. Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Investidores apostam pesado em expansão e infraestrutura

A rodada reuniu alguns dos nomes mais fortes do ecossistema tecnológico chinês. Estão no grupo Tencent, JD.com, NetEase e a fabricante de baterias CATL, além de fundos como IDG Capital.

  • Tencent investiu cerca de US$ 1,5 bilhão (aprox. R$ 8,25 bilhões)
  • CATL aportou aproximadamente US$ 740 milhões (cerca de R$ 4,07 bilhões)
  • Fundo estatal de IA da China investiu cerca de US$ 150 milhões (aprox. R$ 825 milhões)
  • JD.com e NetEase também participaram da rodada
  • IDG Capital e Monolith completam o grupo de investidores

Esse dinheiro deve ir principalmente para pesquisa, desenvolvimento e ampliação da infraestrutura de computação. E aqui há um ponto sensível: a China ainda enfrenta limitações no acesso a chips avançados, o que torna esse tipo de investimento ainda mais estratégico.

Estratégia mira IA avançada e novas fontes de receita

A DeepSeek vem reforçando sua aposta em inteligência artificial geral — sistemas capazes de executar tarefas cognitivas em nível semelhante ao humano. É uma ambição de longo prazo, que exige muito mais do que apenas capital: envolve também infraestrutura e acesso a poder de processamento.

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Ao mesmo tempo, cresce a pressão de investidores por modelos mais claros de monetização. Entre as possibilidades em discussão estão serviços pagos e ferramentas baseadas em agentes de IA, que conseguem executar tarefas mais complexas de forma autônoma.

Nos bastidores, a empresa também tem se aproximado do ecossistema chinês de hardware, incluindo parcerias com companhias como a Huawei. Isso ajuda a contornar parte das restrições impostas pelos Estados Unidos no fornecimento de semicondutores avançados.

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O aporte bilionário reforça a corrida tecnológica entre China e Estados Unidos no setor de inteligência artificial. Imagem: Knight00730/Shutterstock

Corrida global de IA fica ainda mais acirrada

Mesmo com o novo valuation, a DeepSeek ainda atua em um cenário bastante desigual quando comparada aos grandes laboratórios americanos. O avanço é significativo, mas a distância para nomes como OpenAI e Anthropic ainda é grande.

De todo modo, o movimento reforça uma tendência que já vinha se desenhando: a disputa pela liderança em inteligência artificial está longe de estar definida — e tende a ficar ainda mais intensa nos próximos anos.

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O que é Manus, IA chinesa que Meta tentou comprar e não conseguiu

A Manus AI se tornou um dos nomes mais comentados do mercado de inteligência artificial (IA) após apresentar uma plataforma baseada em agentes autônomos, sistemas capazes de executar tarefas complexas com pouca intervenção humana. A rápida expansão da empresa chamou a atenção da Meta, que anunciou a compra da startup por cerca de US$ 2 bilhões no fim de 2025.

Meses depois, porém, o negócio se transformou em um impasse geopolítico. Reguladores chineses determinaram a reversão da aquisição por razões ligadas à segurança nacional e ao controle de tecnologias consideradas estratégicas. A Meta iniciou a separação operacional entre as duas companhias, interrompendo o compartilhamento de dados e restringindo o acesso da Manus a seus sistemas internos.

O que é a Manus

A Manus surgiu a partir da Butterfly Effect, empresa fundada na China pelo empreendedor Xiao Hong. Em 2025, a companhia transferiu sua sede e parte relevante de sua equipe para Singapura, movimento que antecedeu a aquisição anunciada pela Meta meses depois.

A startup ganhou projeção internacional após uma demonstração viral de sua tecnologia. Diferentemente dos chatbots que popularizaram a inteligência artificial generativa nos últimos anos, a proposta da Manus era permitir que sistemas de IA executassem tarefas de forma mais independente.

A Manus ganhou notoriedade ao desenvolver agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem depender de comandos constantes dos usuários – Imagem: QINQIE99/Shutterstock

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, explicou ao Olhar Digital que a empresa ajudou a popularizar uma nova abordagem para o uso da inteligência artificial. “Enquanto nós estávamos em uma corrida de ferramentas, como ChatGPT, Gemini e Copilot, [a Manus] foi a primeira a apontar esse caminho da IA agêntica, da IA assumindo o trabalho”, afirma.

Na prática, o usuário pode definir um objetivo e deixar que o sistema realize diferentes etapas para chegar ao resultado final. Dependendo da tarefa, a plataforma pode pesquisar informações, navegar por páginas na internet, organizar dados, gerar arquivos e integrar diferentes ferramentas sem a necessidade de novos comandos a cada etapa.

Segundo Lucas Gilbert, especialista em inovação e tecnologia, a principal mudança está na forma como o usuário interage com a ferramenta.

Você não fica conversando com ela, você entrega um objetivo e ela se vira pra cumprir. Você pode dizer ‘encontra os dez melhores candidatos pra essa vaga, organiza numa planilha e me devolve pronto’, e ela vai pesquisar, abrir os sites, escrever o código que precisar, montar a planilha e te entregar o resultado, tudo sozinha, sem você ficar empurrando cada etapa.

Lucas Gilbert

A empresa também registrou um crescimento acelerado após o lançamento. Segundo a própria Manus, a startup atingiu US$ 100 milhões em receita recorrente anual (ARR) oito meses após seu lançamento.

O que diferencia a Manus de ChatGPT, Gemini e Claude?

A principal aposta da Manus está no conceito conhecido como agentes de IA. Enquanto ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude operam principalmente por meio de interações em formato de conversa, agentes autônomos são projetados para planejar e executar sequências de ações para cumprir um objetivo definido pelo usuário.

Gilbert afirma que esses sistemas utilizam capacidades já presentes nos grandes modelos de linguagem, mas acrescentam mecanismos para executar ações e planejar etapas sem depender de comandos constantes dos usuários.

O ChatGPT, o Gemini e o Claude funcionam como o cérebro: eles pensam, escrevem, raciocinam muito bem, mas ficam parados esperando você dizer o que fazer a cada passo.

Lucas Gilbert

Ícones dos aplicativos ChatGPT, Claude e Gemini exibidos na tela de um smartphone
ChatGPT, Claude e Gemini se popularizaram por meio de conversas com usuários, enquanto agentes de IA como a Manus buscam executar tarefas de forma mais autônoma – Imagem: Primakov / Shutterstock

Segundo o especialista, o diferencial da Manus não está necessariamente em um modelo de inteligência artificial mais avançado do que os concorrentes, mas na forma como essa tecnologia é aplicada. “A Manus não inventou um cérebro novo nem uma inteligência superior. O mérito dela nunca foi criar a inteligência, foi dar mãos pra ela”, afirma.

Igreja também vê os agentes autônomos como uma evolução importante do setor. “A questão é a IA agêntica, é a IA que assume trabalho, que gera escala, que gera economia”, afirma.

Por que a Meta quis comprar a startup

A aquisição anunciada pela Meta foi interpretada como uma tentativa de acelerar sua atuação no mercado de agentes autônomos, considerado por parte da indústria como uma das principais tendências da inteligência artificial.

Para Igreja, o valor da negociação ajuda a explicar como grandes empresas de tecnologia costumam agir diante de startups promissoras.

Para a Meta é mais barato ir lá e comprar. Ela já larga com um baita time e uma baita marca. Até ela copiar, o pessoal da Manus já vai mais adiante.

Arthur Igreja

O especialista lembra que a companhia tem histórico de adquirir empresas ainda em estágio inicial de crescimento, em vez de esperar que elas se transformem em concorrentes maiores ou mais caras.

Gilbert avalia que a tecnologia da Manus poderia complementar a base de bilhões de usuários dos serviços da Meta ao oferecer sistemas capazes de executar tarefas concretas, e não apenas responder perguntas.

Por que a China barrou o negócio?

Apesar de a aquisição ter sido anunciada em dezembro de 2025, reguladores chineses passaram a examinar a operação nos meses seguintes. As autoridades apontaram preocupações relacionadas à exportação de tecnologia, investimento estrangeiro e segurança nacional.

Em abril deste ano, Pequim determinou a reversão do negócio. Desde então, Meta e Manus vêm conduzindo um processo de separação que inclui o encerramento do compartilhamento de dados e a migração de projetos para sistemas próprios da empresa americana.

Bandeira da China ao lado do logo da Meta exibido em um smartphone
O governo chinês determinou a reversão da compra da Manus pela Meta, citando preocupações com tecnologia estratégica e segurança nacional – Imagem: Koshiro K / Shutterstock

Na avaliação de Igreja, a reação chinesa está ligada ao valor estratégico que tecnologias de IA passaram a ter para governos. “Será que eu quero deixar essa tecnologia, esse time sair daqui? Tem mais a ver com isso, com governança, segurança, soberania”, afirma.

Para Gilbert, o episódio mostra que a inteligência artificial passou a ocupar um papel semelhante ao de setores considerados estratégicos para os países. “A IA deixou de ser assunto de empresa e virou questão de Estado”, diz.

O especialista avalia que o caso também reforça uma tendência de maior separação entre os ecossistemas de inteligência artificial da China e dos Estados Unidos. Segundo ele, investimentos, talentos e tecnologias passam a enfrentar cada vez mais restrições para circular entre os dois mercados.

Para Igreja, o episódio da Manus dificilmente será um caso isolado. O especialista compara a situação às disputas envolvendo o TikTok nos Estados Unidos e avalia que aquisições internacionais de empresas de IA podem enfrentar obstáculos semelhantes nos próximos anos.

São ativos estratégicos. Não só do ponto de vista empresarial. É estratégico para a Meta, estratégico para a China, estratégico para um país.

Arthur Igreja

Os fundadores da Manus agora buscam levantar cerca de US$ 1 bilhão para recomprar a empresa e reorganizar suas operações, enquanto a startup continua desenvolvendo novos recursos e integrações para sua plataforma.

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China inaugura data center submerso movido a energia eólica

O primeiro data center subaquático do mundo alimentado por energia eólica offshore começou a operar em maio na costa de Xangai.

Segundo o the Guardian, o projeto, chamado Shanghai Lingang Undersea Datacentre Demonstration Project, é resultado de uma parceria entre a HiCloud Technology e a China Communications Construction, empresa estatal chinesa.

Projeto Shanghai Lingang marca novo passo da China ao integrar data centers submersos e energia renovável em uma única infraestrutura digital. Imagem: superbeststock/Shutterstock

Um data center no fundo do mar

A instalação fica submersa a cerca de 10 metros de profundidade e a mais de 10 quilômetros da costa de Xangai. Com capacidade de 24 megawatts, o complexo é alimentado por energia gerada em um parque eólico offshore próximo. A operação combina tecnologia de uma empresa privada com a estrutura de uma estatal chinesa, em uma das regiões de livre comércio de alta tecnologia do leste de Xangai, próxima inclusive a uma gigafábrica da Tesla.

A instalação reúne características técnicas que ajudam a definir sua escala e operação:

  • localização submersa a 10 metros de profundidade
  • distância de mais de 10 km da costa de Xangai
  • capacidade de 24 megawatts
  • alimentação por energia eólica offshore
  • operação conjunta entre empresa privada e estatal
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Sistema reduz consumo de energia em mais de um quinto em relação a instalações em terra, graças ao resfriamento natural da água do mar. Imagem: Matt Hardy/Unsplash – (Reprodução: Matt Hardy/Unsplash)

Como o mar ajuda a reduzir consumo de energia

O principal diferencial do projeto está na eficiência energética. Segundo autoridades chinesas, o data center consome cerca de um quinto menos de energia do que estruturas equivalentes em terra.

Isso acontece porque a própria água do mar ajuda a resfriar os servidores, reduzindo a necessidade de sistemas tradicionais de refrigeração. Em instalações convencionais, entre 25% e 40% da eletricidade é usada apenas para manter os equipamentos em temperatura segura.

Além disso, o uso de água doce também é reduzido. Esse ponto ganhou destaque diante de alertas recentes sobre o crescimento da demanda hídrica dos data centers no mundo, que pode atingir níveis bilionários até 2030.

IA e a corrida por infraestrutura mais eficiente

O avanço da inteligência artificial tem pressionado governos e empresas a expandirem rapidamente suas infraestruturas digitais. Nesse cenário, data centers se tornaram peças centrais, mas também altamente criticadas pelo consumo de energia e água.

A China já vem tratando a IA como prioridade estratégica e tem acelerado investimentos em infraestrutura de computação e energia limpa. O projeto subaquático surge justamente dentro dessa lógica de buscar alternativas mais eficientes para sustentar o crescimento do setor.

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Projeto em Xangai combina data center subaquático e energia eólica offshore para criar infraestrutura digital mais eficiente e sustentável Imagem: MaxNoz/Shutterstock

Experimentos anteriores e disputa tecnológica

A HiCloud já havia lançado, em 2023, o primeiro data center subaquático comercial do mundo, em Hainan, no sul da China. A diferença agora é que o projeto de Xangai é o primeiro a operar com energia eólica offshore integrada.

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A ideia de data centers submersos não é exclusiva da China. Em 2018, a Microsoft realizou testes na Escócia, em um projeto experimental nas Ilhas Orkney. O objetivo era avaliar eficiência e durabilidade, mas a iniciativa não avançou para escala comercial.

Para o pesquisador Hanjiang Dong, da Universidade Politécnica de Hong Kong, a diferença está na estratégia. Ele afirma que a Microsoft avançou na prova de conceito, enquanto a China conseguiu acelerar a aplicação prática ao combinar indústria, demanda e apoio político.

Investimento bilionário e riscos ambientais

O projeto de Xangai recebeu investimento de cerca de 1,6 bilhão de yuans (aproximadamente £177 milhões), segundo autoridades chinesas. O país também tem ampliado sua política de incentivo à infraestrutura de inteligência artificial, com foco em energia limpa e expansão de data centers.

Apesar dos avanços, especialistas alertam para possíveis impactos ambientais. Entre os riscos estão alterações locais na temperatura da água e perturbações em sedimentos marinhos, ainda que considerados controláveis.

Um data center subaquático provavelmente é uma boa ideia. Embora o resfriamento com água do mar resulte em alguns aumentos localizados de temperatura, estes não serão generalizados.

Rick Stafford, professor da Universidade de Bournemouth, ao the Guardian.

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China acelera corrida da IA com plano de US$ 295 bilhões em data centers

O governo chinês prepara um plano de investimento de cerca de 2 trilhões de yuans — equivalente a US$ 295 bilhões (cerca de R$ 1,62 trilhão) — para construir data centers de inteligência artificial em todo o país ao longo dos próximos cinco anos.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de Pequim para fortalecer sua indústria de IA e reduzir a distância em relação aos Estados Unidos nessa corrida tecnológica, explica a Reuters.

Disputa entre China e EUA se intensifica na corrida global pela liderança em inteligência artificial e infraestrutura digital. Imagem: Junayed graphics/Shutterstock – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

China aposta pesado em data centers de IA

No centro da estratégia chinesa está a criação de uma rede nacional de data centers. A ideia é distribuir centros de computação por diferentes regiões do país, formando uma base sólida para treinar e operar modelos de inteligência artificial em grande escala.

Segundo a Bloomberg News, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma é uma das principais responsáveis por estruturar a iniciativa, que ainda está em fase inicial e pode passar por ajustes. O foco é garantir capacidade computacional suficiente para sustentar aplicações avançadas de IA e outras tecnologias emergentes.

Entre os principais pontos da estratégia estão:

  • expansão de data centers em escala nacional
  • interconexão entre centros de computação
  • uso prioritário de fornecedores locais
  • fortalecimento da infraestrutura estatal de tecnologia
  • suporte a aplicações avançadas de IA e automação
Logo da Huawei exibido em estande da empresa durante evento de tecnologia
Pelo menos 80% dos componentes, incluindo chips de IA, devem vir de fornecedores locais como a Huawei Technologies. Imagem: THINK A / Shutterstock – Imagem: THINK A / Shutterstock

Rede nacional interconectada e controle estatal

Mais do que construir estruturas isoladas, a proposta é integrar os data centers em uma malha conectada. Empresas estatais como China Mobile e China Telecom devem ficar responsáveis por operar boa parte dessa infraestrutura, garantindo tanto conectividade quanto controle operacional.

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Além disso, ganha destaque a prioridade dada à tecnologia doméstica. A expectativa é de que pelo menos 80% dos componentes utilizados — incluindo chips de IA — venham de empresas locais, como a Huawei. Com isso, o país busca reduzir a dependência de gigantes estrangeiras como Nvidia e AMD, que podem ficar fora desse ecossistema.

Esse movimento não é isolado. Ele segue diretrizes anteriores do governo chinês, que já vinha incentivando projetos financiados com recursos públicos a adotarem chips produzidos no país. Na prática, a estratégia reforça a busca por autossuficiência tecnológica em um setor considerado crítico para o futuro econômico.

De acordo com a reportagem, grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos devem investir mais de US$ 700 bilhões apenas este ano para impulsionar seus próprios sistemas e infraestruturas.

Esse contraste ajuda a dimensionar a disputa entre as duas maiores economias do mundo. De um lado, os EUA seguem apostando em gigantes privados e inovação acelerada. Do outro, a China aposta em planejamento estatal de longo prazo e na integração nacional da sua infraestrutura tecnológica.

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Peça essencial dos chips de IA vira alvo de alerta nos EUA

A corrida da inteligência artificial ganhou um novo foco, e ele está longe dos próprios chips. Autoridades e empresas dos EUA passaram a olhar com mais atenção para as placas de circuito impresso usadas em sistemas de IA, explica a CNBC.

Essenciais para o funcionamento de praticamente qualquer eletrônico moderno, essas placas agora são vistas como um possível risco à segurança nacional. O receio é que componentes maliciosos sejam inseridos discretamente durante a fabricação.

Dependência da China em peças essenciais da IA acende alerta de segurança nos EUA. Imagem: Pla2na/Shutterstock – Imagem: Pla2na/Shutterstock

O elo silencioso da inteligência artificial

Quando se fala em IA, quase toda a atenção vai para GPUs, data centers e empresas como Nvidia. Só que existe uma peça menos lembrada — e indispensável — nessa engrenagem: as placas de circuito impresso, conhecidas como PCIs.

Elas funcionam como a base que conecta os chips e permite a troca de sinais entre os componentes. Sem isso, simplesmente nada opera.

“Os chips não flutuam”, resumiu Cathie Gridley, vice-presidente executiva da TTM, em entrevista à CNBC. “Eles precisam ser montados em uma placa para que todo o conjunto funcione corretamente.”

Só que existe um detalhe que preocupa Washington: boa parte dessa produção hoje está concentrada na China. Segundo a Associação de Placas de Circuito Impresso da América (PCBAA), os EUA já responderam por cerca de 30% da produção global. Atualmente, o índice caiu para apenas 4%.

David Schild, diretor executivo da entidade, classificou o cenário como uma “dependência arriscada”.

logo da nvidia em um smarphone com um gráfico subindo ao fundo
Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA. Imagem: Mijansk786 / Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Risco vai além da espionagem

A preocupação americana não envolve apenas a disputa comercial entre as duas potências. O Departamento de Defesa teme que placas comprometidas possam abrir espaço para sabotagens em equipamentos estratégicos.

Chips, substratos e placas de circuito impresso representam múltiplas vias de ataque para um potencial agente malicioso.

Mike Cadenazzi, secretário adjunto de guerra dos EUA para política de base industrial, à CNBC.

Segundo ele, um ataque desse tipo poderia até afetar armas em operação. “Um código específico é ativado e, de repente, a placa de circuito impresso, em combinação com o chip, decide interromper a orientação da munição”, explicou.

Especialistas alertam que as PCBs são vulneráveis justamente porque componentes podem ser escondidos em diferentes camadas da estrutura sem chamar atenção.

Entre as principais preocupações do setor estão:

  • inserção de componentes maliciosos;
  • desvio de dados sensíveis;
  • redução proposital de desempenho;
  • interrupção de sistemas militares;
  • dependência excessiva da cadeia chinesa.

Durante anos, as placas de circuito ficaram longe dos holofotes da indústria. Agora, viraram peça estratégica na disputa tecnológica entre EUA e China.

Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA.
Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA. Imagem: BLKstudio/Shutterstock

Produção de chips nos EUA tenta ganhar força

Com a demanda por IA disparando, empresas americanas tentam acelerar a fabricação doméstica. A TTM Technologies e a Sanmina, duas das poucas fabricantes relevantes nos EUA, ampliam suas operações impulsionadas pelo crescimento do setor.

A TTM já anunciou novas unidades em Nova York e Wisconsin. Ainda assim, mantém sete fábricas na Ásia, incluindo sua maior planta em território chinês.

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O impacto também começou a aparecer nos preços. Segundo relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters, as PCIs registraram alta de até 40% entre março e abril. A própria TTM informou reajustes entre 5% e 25%.

Além da corrida pela inteligência artificial, conflitos internacionais ajudam a pressionar ainda mais o setor. A guerra no Oriente Médio e os impactos envolvendo o Irã afetam o fornecimento de matérias-primas importantes, como cobre e resina.

Mesmo diante desse cenário, o governo dos EUA quer fortalecer a indústria local. Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA, além de bilhões de dólares em subsídios para fabricantes nacionais.

“Tem que ser nos EUA e, em breve, na Europa”, afirmou Edwin Roks, CEO da TTM, ao comentar os riscos da atual dependência chinesa.

Para os EUA, o desafio agora não é apenas fabricar chips mais poderosos. A meta também passa por controlar toda a cadeia necessária para que esses sistemas funcionem.

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Lenovo apresenta novo “robô corporativo” com IA integrada

A Lenovo apresentou recentemente o Lenovo AI Workmate, uma espécie de robô com “corpo de luminária”, câmera, projetor e inteligência artificial integrada. Exibido durante a feira de tecnologia MWC, em Barcelona, o dispositivo pode adicionar informações a slides e arquivos, além de auxiliar na comunicação interna de empresas.

A companhia chinesa ainda não informou se dará continuidade ao projeto nem se o produto chegará ao mercado. Mesmo assim, demonstra a busca por um ambiente de trabalho cada vez mais digital.

Para quem tem pressa:

  • A Lenovo apresentou o AI Workmate, um conceito de robô com formato de luminária que reúne câmera, projetor e inteligência artificial para uso em ambientes corporativos;
  • O dispositivo reconhece comandos de voz, escaneia anotações em papel e pode organizar tarefas como reuniões, além de projetar conteúdos em superfícies como mesas e paredes;
  • A empresa ainda não confirmou se o projeto será lançado comercialmente; o conceito levanta discussões sobre o uso de IAs “físicas” no trabalho e questões de privacidade.

Robô pode escanear anotações e criar apresentações

O “parceiro de trabalho” — tradução livre de “Workmate” — pode auxiliar em diferentes tarefas. Capaz de reconhecer comandos de voz, o robô identifica imagens e anotações em papel por meio da câmera integrada.

A projeção também é um dos diferenciais do AI Workmate. O dispositivo pode transmitir telas tanto em grandes superfícies quanto em pequena escala, como diretamente sobre a mesa do usuário. Ele ainda pode criar slides e apresentações.

Como uma espécie de “secretário virtual”, o aparelho consegue marcar e desmarcar reuniões, informar atualizações recebidas e armazenar dados, funcionando também como uma espécie de bloco de notas. Integrado aos sistemas da empresa, ele também pode auxiliar na busca de informações internas.

A tela LCD de 3,4 polegadas adiciona um “rosto” ao dispositivo, exibindo animações e expressões visuais durante as interações.

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Conceito levanta dúvidas sobre privacidade e utilidade

(Imagem: SmileStudioAP/iStock)

De acordo com o Panorama de Sentimento das Lideranças 2026, divulgado pela Newnew, 80% das empresas brasileiras utilizam algum tipo de inteligência artificial em suas operações. Apesar disso, apenas 11% afirmam que a implementação da tecnologia foi bem-sucedida.

Os dados mostram o avanço da IA no mundo corporativo, mas também indicam que sua eficiência ainda gera questionamentos.

No caso do AI Workmate, o compartilhamento de informações internas levanta dúvidas sobre segurança digital e privacidade, além dos desafios envolvidos na adoção de um novo sistema que ainda pode apresentar falhas significativas.

A Lenovo ainda não anunciou a continuidade do projeto nem uma possível data de lançamento, mas o conceito representa mais um sinal do avanço das inteligências artificiais no ambiente de trabalho.

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Desconfiados um do outro, Trump e Xi Jinping devem discutir sobre IA nesta semana

O presidente dos EUA, Donald Trump, deve colocar a inteligência artificial (IA) no centro das discussões em sua visita a Pequim para encontrar o líder chinês Xi Jinping nesta semana, segundo a Reuters

Embora a tecnologia tenha ganhado peso estratégico, autoridades norte-americanas consideram improvável a assinatura de compromissos. Isso por conta da desconfiança mútua entre as nações.

A rivalidade tecnológica entre as duas potências se intensificou após o lançamento do Mythos, modelo de IA mais avançado da Anthropic. Isso elevou as apostas para ambos os lados. 

Observadores comparam o atual cenário de disputa em IA a uma corrida armamentista nuclear nos moldes da Guerra Fria.

Diálogo diplomático tenta evitar colapsos financeiros e ameaças de segurança cibernética

A presença do CEO da Nvidia, Jensen Huang, e do consultor de políticas tecnológicas da Casa Branca, Michael Kratsios, na delegação de Trump sinaliza que discussões sobre os chips H200 podem estar na pauta do encontro. 

A China teme que a exclusão do acesso a modelos de ponta como o Mythos, cujos testes foram bloqueados para o país, crie um “hiato geracional” em suas capacidades de defesa e segurança cibernética.

Rivalidade entre EUA e China se intensificou após o lançamento do Mythos, modelo de IA mais avançado da Anthropic – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Pequim propôs formalmente a criação de um mecanismo de diálogo liderado pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-ministro das Finanças da China, Liao Min

Entretanto, as expectativas de resultados práticos permanecem baixas, uma vez que as agências envolvidas não são especializadas em IA. E o governo Trump só recentemente passou a focar na verificação de segurança de modelos avançados.

O modelo Mythos identificou “milhares” de vulnerabilidades graves em sistemas operacionais e softwares, o que disparou uma corrida de bancos e governos mundo afora para reforçar suas defesas. 

Pesquisadores advertem que o avanço descontrolado da IA pode acelerar o design de bioarmas, causar choques financeiros sistêmicos e até resultar em sistemas “rebeldes” que agem de forma independente do controle humano.

Kwan Yee Ng, da consultoria Concordia AI, defende a criação de uma “linha direta sem culpa” para que os países possam sinalizar incidentes gerados por IA. 

Segundo a especialista, o impasse é ideológico. “Quando um lado vê a IA como um risco de proliferação a ser contido e o outro vê a contenção como um ataque a uma tecnologia de uso geral, isso torna muito difícil encontrar um terreno comum”, disse Kwan à agência de notícias.

Enquanto o governo chinês denuncia um “bloqueio sistemático do ecossistema” tecnológico ocidental, legisladores dos EUA pressionam pela aprovação do MATCH Act, que impõe novos limites ao acesso de Pequim às cadeias de suprimento de semicondutores. 

Atualmente, a escassez de poder computacional e as restrições de exportação já obrigam diversos modelos de IA chineses a racionar o acesso de seus usuários.

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China decide que empresas não podem demitir funcionários para substituí-los por IA

Um tribunal na cidade de Hangzhou, importante polo de tecnologia na China, estabeleceu um precedente sobre o uso de inteligência artificial no ambiente de trabalho. A corte decidiu que empresas não podem demitir funcionários apenas para substituí-los por sistemas automatizados com o objetivo de reduzir custos.

O caso analisado envolvia um profissional identificado pelo sobrenome Zhou, que atuava como supervisor de garantia de qualidade em uma empresa de tecnologia desde 2022. Sua função incluía verificar a precisão de respostas geradas por modelos de IA e filtrar conteúdos sensíveis. Com o avanço da automação, suas atividades passaram a ser realizadas por sistemas de IA.

Diante disso, a empresa tentou realocá-lo para uma posição inferior, com redução salarial de 40%. Zhou recusou a proposta e acabou demitido sob a justificativa de reestruturação e diminuição da necessidade de pessoal. Ele recebeu uma indenização inicial, mas recorreu à corte pedindo compensação maior – e venceu.

A disputa seguiu para a Justiça, com a empresa contestando a decisão. Tanto o tribunal de primeira instância quanto o Tribunal Popular Intermediário de Hangzhou mantiveram o entendimento de que a demissão foi ilegal.

Para os juízes, a adoção de inteligência artificial não configura uma “mudança significativa nas circunstâncias objetivas”, condição exigida pela legislação trabalhista chinesa para justificar a rescisão de contratos.

“Os motivos da rescisão alegados pela empresa não se enquadravam em circunstâncias negativas como redução de pessoal ou dificuldades operacionais, nem atendiam à condição legal que tornava ‘impossível a continuidade do contrato de trabalho’”, afirmou o tribunal, em decisão repercutida pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

Pressão por automação tem levado a disputas trabalhistas na China – Imagem: Pixels Hunter / Shutterstock.com

Proteção dos direitos trabalhistas diante da IA

Especialistas veem a decisão como um sinal importante para a proteção dos direitos trabalhistas em meio à rápida adoção de IA no país.

Para o advogado Wang Xuyang, que não participou do caso, a automação não pode ser usada automaticamente como justificativa para demissões. Segundo ele, empresas devem buscar alternativas como negociação, treinamento e realocação adequada antes de rescindir contratos.

O caso de Zhou não é isolado. Em 2024, um trabalhador do setor de mapeamento de dados em Pequim também venceu uma disputa semelhante após ser substituído por IA. Na ocasião, a arbitragem concluiu que a adoção da tecnologia foi uma escolha empresarial, e não uma circunstância inevitável, como desastres naturais ou mudanças políticas.

As decisões judiciais ocorrem em um contexto de pressão para adoção de inteligência artificial em diversos setores da economia chinesa, ao mesmo tempo em que empresas enfrentam desafios econômicos e buscam reduzir custos operacionais.

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