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Depois da euforia, mercado cobra resultados da revolução da IA

Segundo a CNBC, as maiores empresas de chips do mundo perderam cerca de US$ 1,3 trilhão (aproximadamente R$ 6,65 trilhões) em valor de mercado nesta semana. A forte correção atingiu companhias que lideraram a alta da inteligência artificial e levantou dúvidas sobre o ritmo dos investimentos no setor.

Nvidia, Samsung, SK Hynix e outras gigantes foram afetadas pelo movimento. Para analistas, porém, a queda representa mais uma mudança de expectativas dos investidores do que uma perda de força da tecnologia.

Bilhões foram aplicados em infraestrutura de IA, mas investidores agora querem saber quando esses gastos vão virar receita. – Imagem: Andrei Armiagov / Shutterstock

Gigantes dos semicondutores sentem impacto após alta histórica

O mercado de chips foi um dos grandes vencedores da corrida pela inteligência artificial. Empresas que fornecem componentes para sistemas de IA receberam investimentos bilionários nos últimos meses, impulsionando suas ações.

Agora, parte dos investidores tenta entender se os futuros ganhos dessas companhias serão suficientes para justificar o tamanho das apostas feitas até aqui.

Segundo uma análise da CNBC com dados da FactSet, 20 das empresas de chips mais valiosas do mundo perderam juntas US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,65 trilhões) desde o fechamento de sexta-feira.

Entre as maiores perdas estão:

  • Nvidia: US$ 238 bilhões (aproximadamente R$ 1,22 trilhão);
  • SK Hynix: US$ 176 bilhões (cerca de R$ 901 bilhões);
  • Samsung Electronics: US$ 173 bilhões (aproximadamente R$ 886 bilhões);
  • Micron: US$ 113 bilhões (cerca de R$ 579 bilhões);
  • AMD: cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 563 bilhões).

Mesmo com o recuo recente, o índice Philadelphia Semiconductor Index (SOX), que acompanha 30 grandes empresas do setor negociadas nos Estados Unidos, ainda acumulava alta de 92% em 12 meses.

Mercado questiona gastos bilionários em infraestrutura de IA

Para Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, a reação dos investidores está mais ligada ao sentimento do mercado do que aos resultados financeiros das empresas.

“Essa queda parece ser impulsionada principalmente pelo sentimento, e não pelos fundamentos”, afirmou.

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Charlie Dai, vice-presidente e analista principal da Forrester, explicou que o mercado está reavaliando se as receitas esperadas conseguirão acompanhar os níveis recordes de investimento em infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo ele, o movimento representa uma correção após uma valorização excepcional, e não necessariamente uma redução na demanda por IA.

Ilustração de chip de inteligência artificial (IA) em Wall Street para representar investimentos em tecnologia
A inteligência artificial continua em alta, mas o mercado agora cobra resultados para justificar a enorme expectativa criada. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digita

Queda se espalha por bolsas da Ásia e Europa

A pressão sobre as ações de chips também chegou aos mercados internacionais. Na Coreia do Sul, a SK Hynix fechou em queda de 9,61%, mesmo após divulgar resultados trimestrais recordes. A Samsung Electronics recuou mais de 5%.

No Japão, fabricantes como Kioxia e Tokyo Electron também registraram perdas. Já a TSMC, maior fabricante terceirizada de chips do mundo, caiu 3,51%.

Apesar da instabilidade, alguns investidores enxergam oportunidades. Kieron Poon, diretor de investimentos em ações asiáticas da Aberdeen Investments, afirmou que a correção deixou algumas empresas de alta qualidade com avaliações mais atrativas.

Já para David Riedel, fundador e presidente da Riedel Research Group, o mercado apenas devolveu parte do excesso de valorização criado pelo entusiasmo com a IA. Para ele, o setor continua saudável, mas precisa absorver os ganhos acelerados registrados anteriormente.

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A nova arma da China para reduzir dependência de chips estrangeiros

A China iniciou a produção em escala de máquinas nacionais de litografia DUV por imersão, tecnologia essencial para fabricar semicondutores. O avanço reforça a estratégia de Pequim para diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros.

O projeto é liderado por uma empresa estatal de Xangai e marca uma nova etapa na busca chinesa por autonomia tecnológica, embora ainda esteja distante dos equipamentos mais avançados da ASML.

A corrida pelos chips ganhou um novo capítulo com o avanço da indústria chinesa de equipamentos de fabricação. – Imagem: justhavealook/iStock

Empresa chinesa assume produção de nova tecnologia

Segundo a Reuters, a Shanghai Aishengna Electronic Technology Group está à frente da fabricação dos equipamentos após incorporar equipes de startups chinesas especializadas em litografia.

Criada em agosto de 2023, a companhia possui capital registrado de 7 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 5,11 bilhões). Seus acionistas são duas empresas estatais ligadas a Xangai.

A tecnologia DUV (ultravioleta profundo) é usada para desenhar circuitos em wafers de silício, uma das etapas mais importantes da fabricação de chips. Nos equipamentos de imersão, uma camada de água entre a lente e o wafer permite criar padrões menores e mais precisos.

Entre as aplicações desses sistemas estão:

  • Fabricação de diferentes tipos de chips;
  • Produção de semicondutores mais avançados usando múltiplas exposições;
  • Criação de uma alternativa para fabricantes chineses;
  • Redução dos impactos de possíveis restrições comerciais.
Ao fundo, gráficos financeiros; à frente uma lupa ampliando a logo da ASML exibida em uma página web
Mesmo distante da ASML, o avanço chinês mostra a força da disputa global pelo controle dos semicondutores. Imagem: DennisF/Shutterstock

Novo equipamento ainda está atrás da ASML

Apesar do avanço, as máquinas chinesas ainda precisam passar por testes e não devem ameaçar, no curto prazo, a posição da ASML, empresa holandesa que domina o mercado de equipamentos de litografia.

A Reuters afirma que o desenvolvimento representa uma conquista para o programa chinês de autossuficiência em semicondutores, uma das prioridades do presidente Xi Jinping. No entanto, especialistas destacam que criar protótipos e produzir equipamentos confiáveis para grandes volumes são desafios diferentes.

Analistas do JP Morgan Chase afirmaram que “produzir algumas ferramentas DUV de imersão não é o mesmo que produzir ferramentas que podem ser usadas para fabricação em alto volume, onde rendimento, alinhamento, velocidade e confiabilidade em milhares de ciclos de produção são importantes”.

Ilustração de chip de inteligência artificial sobre circuito eletrônico.
A China tenta superar barreiras comerciais criando sua própria cadeia de produção de semicondutores. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

Corrida por semicondutores ganha novo capítulo

A iniciativa acontece em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos e pela Holanda sobre tecnologias avançadas para fabricação de chips. A China foi impedida de comprar os sistemas EUV mais sofisticados da ASML, usados na produção dos semicondutores mais avançados.

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Mesmo com essas limitações, o país continua sendo um mercado relevante para a fabricante holandesa. De acordo com a Reuters, a China respondeu por cerca de 16% das vendas líquidas da ASML no primeiro semestre do ano.

Os novos equipamentos devem ser entregues ainda este ano para fabricantes chineses como SMIC, Hua Hong Semiconductor e ChangXin Memory Technologies (CXMT). O desenvolvimento também envolve empresas como Shanghai Micro Electronics Equipment (SMEE) e Yuliangsheng.

A nova etapa da indústria chinesa de semicondutores mostra que a disputa tecnológica global continua avançando. A produção própria de máquinas de litografia não elimina a dependência externa, mas amplia a capacidade do país de construir uma cadeia de chips mais independente.

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Estreia da SK Hynix na Bolsa testa o futuro da IA e dos chips

A gigante sul-coreana de semicondutores SK Hynix estreia na bolsa de valores Nasdaq, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (10). A chegada da companhia ao mercado americano ocorre por meio de uma oferta que movimentou US$ 26,5 bilhões (aproximadamente R$ 136 bilhões) – a segunda maior venda de ações recente no país, atrás apenas do IPO da SpaceX. O movimento serve como teste para medir o fôlego e a confiança dos investidores na durabilidade do boom da inteligência artificial (IA).

A listagem vem num ano de crescimento vertiginoso para a empresa, cujo valor de mercado agora orbita a marca histórica de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões). Isso após suas ações dispararem cerca de 630% nos últimos 12 meses. Embora os papéis tenham sofrido uma correção recente de 25% em relação ao seu pico histórico de duas semanas atrás, a oferta nos EUA foi sobrecarregada por pedidos de compra.

Na Coreia do Sul, SK Hynix só perde para a Samsung – e já fechou parceria com a Nvidia

A SK Hynix é a segunda empresa mais valiosa da Coreia do Sul, posicionada logo atrás da Samsung. E fornece componentes “invisíveis”, mas vitais, para eletrônicos de marcas como Apple e Dell. Junto à própria Samsung e a americana Micron, ela compõe o trio que domina o fornecimento global de memórias RAM tradicionais. 

No entanto, o diferencial que a catapultou ao estrelato de Wall Street é a sua liderança isolada na produção de memórias de alta largura de banda (HBM), circuitos complexos que empilham camadas de chips para processar dados em velocidades altíssimas.

Essa tecnologia transformou a companhia na principal fornecedora do ecossistema de chips de IA da Nvidia e da AMD, que dependem diretamente dessas memórias para o funcionamento de suas unidades de processamento gráfico (GPUs). 

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, viajou a Seul para fechar parceria com a SK Hynix – Imagem: FotoField/Shutterstock

Analistas projetam que a SK Hynix deva capturar mais da metade do mercado mundial de HBM ainda em 2026. A relevância técnica é tão expressiva que o próprio CEO da Nvidia, Jensen Huang, fez uma visita a Seul para consolidar uma parceria plurianual de fornecimento com a fabricante.

O impacto financeiro desse monopólio reflete-se nos balanços: a receita anual quase triplicou entre 2023 e 2025, saltando para US$ 65 bilhões (R$ 333 bilhões). E projeções de analistas indicam que o faturamento pode triplicar novamente em 2026, atingindo cerca de US$ 235 bilhões (R$ 1,2 trilhão). 

Para sustentar essa demanda, a empresa planeja investir até US$ 720 bilhões (R$ 3,6 trilhões) na expansão de complexos fabris na Coreia do Sul. Parte desse montante – cerca de US$ 7,8 bilhões (R$ 40 bilhões), até o final de 2027 – será destinada à aquisição de máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) da fabricante holandesa ASML, essenciais para a gravação dos circuitos microscópicos dos chips avançados.

A expansão também contempla uma forte ofensiva estrutural no território norte-americano. A SK Hynix está erguendo uma fábrica de chips avaliada em US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) na cidade de West Lafayette, no estado de Indiana, programada para operar em 2028. Ela será parcialmente financiada por subsídios da lei federal CHIPS Act dos EUA. 

Paralelamente, a companhia expande a Solidigm, sua divisão focada em armazenamento de dados de alta capacidade. Sediada na Califórnia, ela foi comprada da Intel por US$ 9 bilhões (R$ 46 bilhões) em 2021.

Contudo, o agressivo plano de expansão carrega os riscos históricos de um setor conhecido por ciclos brutais de “boom e bust” (frenesi e colapso). Fundada em 1983 como Hyundai Electronics, a empresa passou por severas crises de superoferta globais e fusões complexas até ser rebatizada sob o controle do grupo SK em 2012. 

Cientes de que ondas de hipercrescimento tecnológico no passado já resultaram em excesso de estoque e quedas severas de preços, a SK Hynix e suas concorrentes tentam agora mudar a dinâmica do setor por meio de contratos de longo prazo, exigindo que clientes deem previsibilidade de pedidos com anos de antecedência para estabilizar o mercado.

(Esta matéria usou informações de CNBC e Reuters.)

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A Samsung terá um lucro recorde – e não é por smartphones

A Samsung deve registrar um salto forte no lucro operacional do segundo trimestre de 2026, impulsionado pela demanda global por chips usados em inteligência artificial, segundo estimativas citadas pela Reuters. O avanço pode chegar a cerca de 18 vezes na comparação com o ano anterior.

Esse movimento ajuda a explicar como a IA passou a ditar o ritmo da indústria de semicondutores de forma quase imediata.

IA impulsiona data centers e pressiona mercado de semicondutores, elevando preços de DRAM e NAND no mundo todo. – Imagem: g0d4ather/Shutterstock

Quando a IA muda o peso da memória

A presença crescente da inteligência artificial em serviços de nuvem e data centers tem alterado o consumo de chips em escala global. A Samsung, maior fabricante de memória em volume, deve reportar lucro operacional de 8,6 trilhões de wons (US$ 6,35 bilhões/R$ 31,75 bilhões), segundo estimativas da LSEG.

No ano anterior, o resultado foi de 470 bilhões de wons (US$ 361,5 milhões / R$ 1,81 bilhão), o que evidencia a virada no ciclo do setor. Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que a oferta ainda não conseguiu acompanhar a velocidade da demanda.

Preços sobem e o efeito se espalha

A escassez não ficou restrita aos chips mais sofisticados. Ela atingiu também memórias mais comuns, com impacto direto nos preços.

  • DRAM e NAND registraram forte valorização no trimestre
  • HBM segue como peça-chave em aplicações de IA
  • Data centers ampliam o uso de memória por tarefa processada
  • Cadeia global opera perto do limite produtivo

Segundo o Citi Research, DRAM e NAND tiveram altas de 44% e 53% no segundo trimestre em relação ao anterior.

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Samsung no centro da corrida por inteligência artificial, fornecendo chips para Nvidia, Google e Apple – Imagem: Evolf / Shutterstock

Mercado global em disputa constante

A Samsung fornece chips para empresas como Nvidia, Google e Apple, ficando no centro da infraestrutura da IA. Esse avanço também beneficiou concorrentes como SK Hynix e Micron, que tiveram forte valorização ao longo do ano.

“O crescimento dos gastos com infraestrutura de IA ainda precisa mostrar sustentabilidade”, afirmou o JPMorgan em relatório citado pela Reuters.

O ponto de atenção é claro: qualquer desaceleração nos investimentos em IA pode impactar diretamente a demanda por memória.

Lucros fortes com pressão nos bastidores

Mesmo com o cenário positivo, há fatores internos que podem pesar no resultado. A Samsung pode enfrentar impacto de provisões ligadas a bônus da divisão de semicondutores, o que influencia o fechamento do trimestre.

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Além disso, o aumento dos preços das memórias começa a pressionar a divisão de smartphones, elevando custos e reduzindo margens.

Ainda assim, a expectativa é de divulgação dos resultados ainda neste mês, consolidando mais um ciclo forte para a empresa dentro da corrida global pela inteligência artificial.

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Coreia do Sul investe mais de US$ 900 bilhões em chips e IA para disputar liderança global no mercado tech

Recentemente, a Coreia do Sul lançou um pacote de investimentos acima de US$ 900 bilhões voltado à expansão de semicondutores, inteligência artificial e infraestrutura digital. O anúncio envolve empresas como Samsung e SK Hynix, com foco em ampliar a capacidade produtiva de memória e acelerar a construção de centros de dados.

O plano foi apresentado em um briefing governamental realizado nesta segunda-feira (29), com participação de executivos das companhias e do presidente Lee Jae Myung. A estratégia busca responder à crescente demanda global por chips de memória, impulsionada pela corrida da inteligência artificial e pela escassez conhecida como “RAMageddon”.

As iniciativas incluem novas fábricas no sudoeste do país, hubs de empacotamento de memória de alta largura de banda e grandes centros de dados de IA, cuja execução está prevista até 2035.

Expansão do projeto industrial e disputa por liderança em IA

(Imagem: Tang Yan Song / Shutterstock.com)

O governo sul-coreano estruturou o programa em três frentes principais: expansão da produção de memória, desenvolvimento de infraestrutura para inteligência artificial e fortalecimento de centros de dados em escala nacional. O objetivo é reposicionar o país como um dos principais polos globais da nova economia digital.

Na área de semicondutores, estão previstos aproximadamente US$ 518 bilhões para a construção de quatro novas fábricas na região sudoeste, historicamente menos favorecida por investimentos industriais. Também estão reservados cerca de US$ 52 bilhões para um centro especializado em empacotamento de memória de alta performance.

Além disso, o plano inclui US$ 356 bilhões destinados à construção de data centers de IA ao longo da próxima década, com participação de conglomerados locais como SK, GS e Naver.

Pressão global por chips e estratégia de antecipação

A decisão ocorre em um cenário de forte demanda por memória, impulsionada pela expansão de sistemas de inteligência artificial. O setor enfrenta um desequilíbrio de oferta que elevou a pressão sobre fabricantes globais, incluindo Micron Technology, além de concorrentes asiáticos.

Autoridades sul-coreanas afirmam que a estratégia busca antecipar gargalos futuros. A leitura oficial é de que a infraestrutura precisa ser construída antes que a demanda atinja novos picos, reduzindo riscos de escassez prolongada.

O presidente Lee Jae Myung defendeu a descentralização industrial, ao afirmar que regiões fora do eixo tradicional de Seul precisam receber novos polos produtivos para equilibrar o desenvolvimento econômico nacional.

Investimentos bilionários de conglomerados e disputa tecnológica

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Samsung – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Entre os principais anúncios corporativos, a Samsung divulgou um plano de investimento de aproximadamente 2.655 trilhões de won, o equivalente a cerca de US$ 1,7 trilhão ao longo da próxima década. Parte significativa desse valor será direcionada à região de Honam.

Já a SK Group apresentou um plano de cerca de 2.100 trilhões de won, combinando expansão de produção de chips e construção de data centers. A subsidiária SK Telecom será responsável por grande parte da infraestrutura digital, com meta de 15 gigawatts em capacidade de processamento.

O governo e as empresas também apostam em incentivos regionais ligados a energia, água e mão de obra para viabilizar novos polos industriais em cidades como Gwangju e Haenam.

Riscos de execução e incertezas do ciclo tecnológico

Apesar da escala dos investimentos, analistas destacam incertezas sobre o ritmo de execução. Fábricas de semicondutores levam anos para entrar em operação e podem coincidir com mudanças no ciclo de demanda global.

Há preocupação de que, caso a expansão ultrapasse o crescimento do mercado, o setor enfrente excesso de oferta e queda de preços, especialmente em memória.

Ainda assim, o movimento posiciona a Coreia do Sul como um dos principais atores na disputa global por infraestrutura de inteligência artificial, em competição indireta com gigantes ocidentais como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft, que também ampliam seus investimentos em IA.

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Gigante da IA derruba Samsung e conquista posto histórico na Coreia do Sul

A SK Hynix alcançou um marco histórico ao superar a Samsung Electronics e se tornar a empresa listada mais valiosa da Coreia do Sul. A mudança no topo acontece em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial.

Há pouco mais de duas décadas, explica a Reuters, um cenário como esse parecia improvável. Na época, a fabricante enfrentava uma grave crise financeira. Hoje, impulsionada pela demanda por chips usados em sistemas de IA, vive uma fase completamente diferente.

SK Hynix quase faliu nos anos 2000, mas hoje lidera o mercado global de chips de memória usados em sistemas de IA. – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

A onda da IA virou o mercado

O avanço da inteligência artificial mudou a dinâmica do setor de semicondutores, e poucas empresas aproveitaram tanto essa transformação quanto a SK Hynix. Atualmente, ela é a principal fornecedora de memórias HBM, componentes essenciais para aplicações de IA usadas por gigantes como Nvidia e Google.

Na segunda-feira, as ações da fabricante avançaram 5,6%, elevando seu valor de mercado para 2.080,4 trilhões de won, equivalentes a US$ 1,35 trilhão (cerca de R$ 7,3 trilhões). A Samsung, que liderava o ranking desde 2000, ficou logo atrás, com valor de mercado de 2.066,7 trilhões de won.

Segundo Kim Sunwoo, analista sênior da Meritz Securities, “o surgimento da memória de IA personalizada mudou fundamentalmente a economia do setor e permitiu que a SK Hynix se estabelecesse como líder de mercado”.

Uma reviravolta que parecia improvável

Nem sempre a trajetória foi de crescimento. No início dos anos 2000, quando ainda se chamava Hynix Semiconductor, a companhia quase foi vendida para a Micron após acumular dívidas em uma agressiva expansão. Como o negócio não avançou, a fabricante permaneceu sob controle dos credores por quase dez anos.

Em 2003, suas ações despencaram para apenas 135 won, sendo consideradas uma “penny stock”. Poucos imaginariam naquele momento que a empresa se tornaria a fabricante de chips de memória mais valiosa do mundo anos depois.

O cenário voltou a piorar em 2023, quando a sul-coreana registrou um prejuízo operacional anual de 7,73 trilhões de won. Um ano depois, a situação era completamente diferente. Impulsionada pelo boom da IA, a empresa alcançou um lucro operacional recorde de 23,5 trilhões de won.

Por trás dessa recuperação, alguns fatores foram determinantes:

  • Foco em chips HBM voltados para IA;
  • Continuidade dos investimentos durante a crise do setor;
  • Crescimento da demanda por aplicações de inteligência artificial;
  • Maior poder de precificação em comparação com memórias convencionais.
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O avanço da IA transformou a SK Hynix na fabricante de memória mais valiosa do mundo, superando rivais históricos. – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

Agora, a pressão está do outro lado

Analistas apontam que a decisão de investir nas memórias HBM foi decisiva para essa ascensão. A tecnologia oferece maior desempenho e menor consumo de energia. Em 2025, a SK Hynix detinha 61% desse segmento global, enquanto Samsung e Micron tinham 17% e 21%, respectivamente.

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O presidente do Grupo SK, Chey Tae-won, explicou a estratégia em um livro publicado neste ano. “O que eu realmente queria realizar quando adquirimos a Hynix era transformá-la de uma produtora de memória de baixo custo em uma empresa de semicondutores convencional cujos produtos são indispensáveis”, afirmou.

Ele destacou ainda que “o que antes era um componente periférico tornou-se um componente essencial”, referindo-se à importância dessas memórias para os sistemas de IA.

Analistas avaliam que a liderança histórica da Samsung no mercado de DRAM pode enfrentar pressão crescente nos próximos anos. Além disso, a Reuters informou que a SK Hynix está escolhendo a Nasdaq para uma futura listagem nos Estados Unidos, movimento que pode ampliar sua presença entre investidores globais.

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China recebeu tecnologia proibida? ASML se pronuncia sobre suspeita

A ASML negou nesta sexta-feira que qualquer uma de suas máquinas EUV tenha sido enviada para a China, respondendo a preocupações levantadas por autoridades dos Estados Unidos sobre um possível descumprimento das restrições de exportação.

O caso chama atenção porque envolve equipamentos considerados fundamentais para a fabricação de semicondutores avançados, comenta a Reuters.

A ASML negou que qualquer máquina EUV, utilizada para a fabricação de chips, tenha sido enviada à China, após preocupações levantadas por autoridades dos EUA. Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock

ASML responde a preocupações levantadas pelos EUA

A reportagem que deu origem ao caso informou que autoridades norte-americanas estariam preocupadas com a possibilidade de máquinas EUV da ASML terem chegado à China. Segundo o relato, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, levou essa preocupação a executivos da companhia holandesa durante uma série de reuniões.

A resposta da empresa foi direta. Em comunicado enviado à Reuters, a fabricante afirmou: “A ASML nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem enviamos para a China qualquer componente, módulo ou equipamento projetado especificamente para ser usado em uma máquina EUV”.

A companhia também declarou que contestou as alegações relacionadas ao descumprimento dos controles de exportação e ressaltou que adapta continuamente suas operações para acompanhar mudanças regulatórias e cumprir novas exigências.

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A fabricação de semicondutores avançados depende de equipamentos altamente especializados, como os sistemas EUV. Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

O que torna as máquinas EUV tão especiais

As máquinas de litografia ultravioleta extrema, conhecidas pela sigla EUV, estão entre os equipamentos mais complexos utilizados pela indústria de semicondutores. Elas são consideradas peças-chave para a produção dos componentes mais avançados do setor.

Os sistemas mais modernos da ASML chamam atenção por características impressionantes:

  • Têm tamanho aproximado ao de um ônibus escolar
  • O peso chega a cerca de 180 toneladas
  • Estão sujeitas a rígidas regras de exportação
  • São utilizadas na fabricação de chips avançados
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A tecnologia usada para fabricar chips avançados virou tema de discussões envolvendo China, EUA e Europa. Imagem: William Potter/Shutterstock

Controles de exportação permanecem no centro do debate

O governo da Holanda reforçou que a exportação de equipamentos para fabricação de semicondutores segue critérios rigorosos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores holandês destacou: “Todos os equipamentos, componentes e tecnologias que se enquadram explicitamente nessas regras exigem uma licença”.

O ministério também afirmou que aplica essa política de forma rigorosa e intervém sempre que considera necessário para garantir o cumprimento das normas.

O debate ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos para ampliar o alinhamento internacional em torno dos controles de exportação ligados ao setor de semicondutores. Em abril, Washington propôs uma legislação para que países aliados sigam regras semelhantes, com o objetivo de limitar a capacidade chinesa de produzir semicondutores avançados. Equipamentos fabricados pela ASML foram citados na proposta.

Em dezembro, a Reuters informou que cientistas chineses desenvolveram um protótipo de máquina EUV criado por uma equipe formada por ex-engenheiros da ASML, em um projeto descrito como a versão chinesa do Projeto Manhattan.

A questão segue no radar de governos e empresas envolvidos no setor de semicondutores. O episódio ocorre enquanto diferentes países discutem regras para a exportação de tecnologias ligadas à fabricação de chips avançados.

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Taiwan avalia endurecer bloqueio a chips de IA para China em alinhamento com estratégia dos EUA

Nesta terça-feira (09), as autoridades de Taipei (Taiwan) estudam a possibilidade de aplicar um endurecimento significativo nas regras de exportação de chips de inteligência artificial para a China. A iniciativa busca aproximar o regime local das restrições já adotadas pelos Estados Unidos.

O movimento ocorre em meio à pressão de aliados ocidentais e à preocupação crescente com o uso estratégico desses semicondutores por Pequim (China).

Endurecimento regulatório e alinhamento internacional

Imagem: YAO23/Shutterstock

O pacote em discussão prevê ampliar o alcance das restrições, alcançando não apenas empresas já listadas em sanções, mas também todos os compradores localizados na China. A proposta inclui ainda a criação de instrumentos legais mais robustos para punir exportações irregulares dentro do território taiwanês.

Entre os pontos analisados está a possibilidade de transformar a exportação não autorizada de chips de IA em crime, ampliando o poder de investigação e punição das autoridades locais. O debate também envolve a definição de limites técnicos de processamento para determinar quais chips seriam bloqueados nas vendas.

Segundo as informações disponíveis na Bloomberg, a discussão faz parte de tratativas mais amplas com os Estados Unidos, que já impõem desde 2022 restrições à venda de semicondutores avançados a empresas chinesas sem autorização específica de Washington.

Pressão externa, investigações e impacto no setor

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Imagem: Tomas Ragina/Shutterstock

O contexto do endurecimento regulatório inclui preocupações sobre a transferência indireta de tecnologia por meio de empresas intermediárias e subsidiárias estrangeiras. Autoridades dos Estados Unidos têm buscado fechar brechas que permitiriam o acesso de companhias chinesas a chips avançados fora do território chinês.

Além disso, parlamentares norte-americanos enviaram um apelo recente a órgãos reguladores pedindo ações mais diretas contra práticas de aquisição via subsidiárias de empresas chinesas, envolvendo fabricantes como a TSMC.

No mercado, as ações da TSMC apresentaram oscilações após a divulgação das discussões, refletindo a sensibilidade do setor a possíveis mudanças nas regras de exportação e no fluxo global de semicondutores.

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Google fecha com Intel produção de mais de 3 milhões de chips de IA

A empresa Alphabet, controladora do Google, firmou uma encomenda com a Intel para a produção de mais de 3 milhões de unidades de chips voltados à inteligência artificial, conhecidos como Tensor Processing Units (TPUs). A fabricação está prevista para ocorrer até 2028, segundo informações publicadas pelo The Information.

A decisão ocorre após meses de testes envolvendo a tecnologia de fabricação da Intel, em um movimento que indica a abertura de uma nova etapa na cadeia de suprimentos de semicondutores para IA. O acordo surge em meio à pressão global por maior capacidade produtiva no setor.

A iniciativa também reflete a busca por alternativas à concentração da produção na Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, que enfrenta limitações para atender à demanda crescente. O cenário envolve ainda outras empresas avaliando a Intel como possível parceira para produção de chips avançados.

Para quem tem pressa:

  • Google fechou contrato com a Intel para produzir milhões de chips de IA até 2028, reforçando sua aposta em hardware próprio;
  • Movimento ocorre em meio à disputa global por capacidade de fabricação e limitações na cadeia de semicondutores;
  • Intel ganha impulso no setor com novos acordos e interesse de grandes empresas de tecnologia e inteligência artificial.

Google e Intel oficializam uma parceria para a produção de semicondutores

Produção industrial de eletrônicos depende de semicondutores, cuja escassez afetou cadeias globais – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock

A encomenda do Google à Intel representa um passo relevante na estratégia de expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial, com foco na produção de seus próprios processadores. O volume estimado ultrapassa três milhões de unidades, destinadas aos chips especializados usados em operações de IA.

De acordo com relatos do mercado, a escolha pela Intel foi precedida por testes técnicos realizados ao longo de meses, nos quais a companhia norte-americana demonstrou capacidade de atender parte da demanda de fabricação. Esse movimento reforça o papel da Intel como possível alternativa no setor de fundição de semicondutores.

O contexto mais amplo envolve a pressão sobre a cadeia global de produção de chips, especialmente diante da limitação de capacidade da TSMC, hoje uma das principais fabricantes do mundo. Esse cenário tem levado grandes empresas de tecnologia a buscar diversificação de fornecedores.

Detalhe de chips e do encaixe de um processador
Semicondutor (Imagem: aPhoenix photographer/Shutterstock)

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Além do Google, outras companhias também aparecem no radar da Intel. A Nvidia avalia o uso da tecnologia da fabricante para possíveis novos projetos, enquanto a Apple teria avançado em negociações preliminares para produção de componentes de seus dispositivos. Há ainda o caso da Tesla, que já definiu a Intel como fornecedora para processos de fabricação de próxima geração.

A movimentação ocorre em meio à disputa estratégica pelo domínio da produção de semicondutores voltados à inteligência artificial, segmento que se tornou central para o crescimento de grandes empresas de tecnologia.

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Demanda por chips de IA supera capacidade da TSMC, diz CEO

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), maior fabricante de semicondutores do mundo, afirmou que a crescente demanda por chips voltados à inteligência artificial (IA) continuará acima da capacidade de produção da empresa por um longo período. A avaliação foi feita pelo CEO da companhia, C.C. Wei, durante uma reunião de acionistas realizada nesta quinta-feira em Hsinchu, Taiwan, segundo informações divulgadas pela Reuters e Bloomberg.

Segundo o executivo, a procura por componentes avançados segue em ritmo acelerado, especialmente entre clientes dos Estados Unidos. Mesmo com a expansão da produção em território americano e novos investimentos anunciados pela empresa, a TSMC ainda não conseguirá atender integralmente às necessidades do mercado nos próximos anos.

A TSMC é a maior fabricante de semicondutores do mundo – Imagem: Ascannio / Shutterstock

Expansão não será suficiente para atender toda a demanda

Durante o encontro com acionistas, Wei afirmou que a empresa trabalha para evitar que sua capacidade produtiva se torne um obstáculo para a indústria, mas reconheceu que a situação continua desafiadora.

“A demanda dos clientes é tão alta, e nós só conseguimos atender até certo ponto”, disse o executivo. “Estamos fazendo o nosso melhor para garantir que a TSMC não se torne um gargalo.”

De acordo com Wei, levará um “tempo muito longo” até que a companhia consiga atender plenamente à demanda dos clientes. A observação vale inclusive para a produção baseada nos Estados Unidos, onde a fabricante vem ampliando sua presença industrial.

A TSMC já colocou em operação uma fábrica no Arizona e planeja investir US$ 165 bilhões na construção de três novas unidades de fabricação de chips, além de duas instalações avançadas de empacotamento e um centro de pesquisa e desenvolvimento.

IA impulsiona corrida por semicondutores

O avanço da inteligência artificial tem aumentado a procura por componentes utilizados em data centers e sistemas de computação avançada. Segundo Wei, a demanda gerada por esse mercado continuará pressionando a capacidade global de produção da TSMC pelos próximos anos.

A companhia ocupa uma posição central nesse ecossistema, produzindo semicondutores avançados utilizados por empresas como Nvidia e AMD. Ao mesmo tempo, grandes operadores de infraestrutura tecnológica devem investir US$ 725 bilhões em inteligência artificial apenas neste ano, ampliando ainda mais a necessidade de novos chips.

A forte procura já provoca impactos em outros segmentos da indústria. O mercado de memória, por exemplo, enfrenta restrições de oferta, com a escassez de RAM e NAND Flash sendo apontada como um problema que pode persistir por anos.

TSMC mantém perspectiva positiva para 2026

Apesar das limitações de capacidade, a empresa manteve uma visão otimista para seus resultados financeiros. Wei reiterou a previsão de que a TSMC registrará crescimento de vendas superior a 30% em 2026, projeção que havia sido elevada recentemente pela companhia.

O executivo também afirmou que a fabricante não pretende adotar aumentos abruptos de preços semelhantes aos observados no setor de memória. Segundo ele, a prioridade da empresa é preservar a estabilidade dos negócios enquanto amplia sua capacidade de produção para acompanhar a expansão da inteligência artificial.

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