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Depois da euforia, mercado cobra resultados da revolução da IA

Segundo a CNBC, as maiores empresas de chips do mundo perderam cerca de US$ 1,3 trilhão (aproximadamente R$ 6,65 trilhões) em valor de mercado nesta semana. A forte correção atingiu companhias que lideraram a alta da inteligência artificial e levantou dúvidas sobre o ritmo dos investimentos no setor.

Nvidia, Samsung, SK Hynix e outras gigantes foram afetadas pelo movimento. Para analistas, porém, a queda representa mais uma mudança de expectativas dos investidores do que uma perda de força da tecnologia.

Bilhões foram aplicados em infraestrutura de IA, mas investidores agora querem saber quando esses gastos vão virar receita. – Imagem: Andrei Armiagov / Shutterstock

Gigantes dos semicondutores sentem impacto após alta histórica

O mercado de chips foi um dos grandes vencedores da corrida pela inteligência artificial. Empresas que fornecem componentes para sistemas de IA receberam investimentos bilionários nos últimos meses, impulsionando suas ações.

Agora, parte dos investidores tenta entender se os futuros ganhos dessas companhias serão suficientes para justificar o tamanho das apostas feitas até aqui.

Segundo uma análise da CNBC com dados da FactSet, 20 das empresas de chips mais valiosas do mundo perderam juntas US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,65 trilhões) desde o fechamento de sexta-feira.

Entre as maiores perdas estão:

  • Nvidia: US$ 238 bilhões (aproximadamente R$ 1,22 trilhão);
  • SK Hynix: US$ 176 bilhões (cerca de R$ 901 bilhões);
  • Samsung Electronics: US$ 173 bilhões (aproximadamente R$ 886 bilhões);
  • Micron: US$ 113 bilhões (cerca de R$ 579 bilhões);
  • AMD: cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 563 bilhões).

Mesmo com o recuo recente, o índice Philadelphia Semiconductor Index (SOX), que acompanha 30 grandes empresas do setor negociadas nos Estados Unidos, ainda acumulava alta de 92% em 12 meses.

Mercado questiona gastos bilionários em infraestrutura de IA

Para Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, a reação dos investidores está mais ligada ao sentimento do mercado do que aos resultados financeiros das empresas.

“Essa queda parece ser impulsionada principalmente pelo sentimento, e não pelos fundamentos”, afirmou.

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Charlie Dai, vice-presidente e analista principal da Forrester, explicou que o mercado está reavaliando se as receitas esperadas conseguirão acompanhar os níveis recordes de investimento em infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo ele, o movimento representa uma correção após uma valorização excepcional, e não necessariamente uma redução na demanda por IA.

Ilustração de chip de inteligência artificial (IA) em Wall Street para representar investimentos em tecnologia
A inteligência artificial continua em alta, mas o mercado agora cobra resultados para justificar a enorme expectativa criada. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digita

Queda se espalha por bolsas da Ásia e Europa

A pressão sobre as ações de chips também chegou aos mercados internacionais. Na Coreia do Sul, a SK Hynix fechou em queda de 9,61%, mesmo após divulgar resultados trimestrais recordes. A Samsung Electronics recuou mais de 5%.

No Japão, fabricantes como Kioxia e Tokyo Electron também registraram perdas. Já a TSMC, maior fabricante terceirizada de chips do mundo, caiu 3,51%.

Apesar da instabilidade, alguns investidores enxergam oportunidades. Kieron Poon, diretor de investimentos em ações asiáticas da Aberdeen Investments, afirmou que a correção deixou algumas empresas de alta qualidade com avaliações mais atrativas.

Já para David Riedel, fundador e presidente da Riedel Research Group, o mercado apenas devolveu parte do excesso de valorização criado pelo entusiasmo com a IA. Para ele, o setor continua saudável, mas precisa absorver os ganhos acelerados registrados anteriormente.

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Nvidia reúne Microsoft e outras gigantes para blindar sistemas de IA

Grandes empresas de tecnologia se uniram com a Nvidia para criar a Open Secure AI Alliance, iniciativa voltada ao desenvolvimento de ferramentas de segurança para inteligência artificial. O grupo pretende compartilhar tecnologias abertas para ajudar pesquisadores a encontrar falhas e responder a ataques digitais.

A aliança surge após um incidente envolvendo um agente autônomo de IA e reúne nomes como Microsoft, Dell, SpaceX e Hugging Face. A proposta é ampliar a colaboração entre empresas no desenvolvimento de sistemas mais seguros.

Microsoft, Dell e outras empresas se juntam à Nvidia em iniciativa que promete reforçar a segurança dos modelos de IA. – Imagem: Open Secure AI Alliance

Modelos abertos entram na disputa pela segurança da IA

A Nvidia afirma que pesquisadores precisam trabalhar com diferentes tipos de modelos de inteligência artificial, incluindo opções abertas e fechadas. Segundo a empresa, esse acesso é importante para investigar vulnerabilidades e entender como agentes de IA podem ser usados em ataques.

Um dos casos citados pela companhia envolve a Hugging Face. Durante uma invasão, modelos comerciais de IA não conseguiram auxiliar na análise porque seus mecanismos de segurança impediram determinadas ações.

“Quando ferramentas de IA fechadas — incapazes de distinguir atacantes de defensores — bloquearam análises forenses essenciais, a Hugging Face executou o modelo GLM 5.2 em sua própria infraestrutura para analisar mais de 17 mil ações e conter a invasão”, escreveu a Nvidia.

Entre as contribuições previstas pela aliança estão:

  • Modelos abertos, pesos de IA e dados para pesquisas de segurança;
  • Ferramentas para acompanhar e testar o comportamento de agentes inteligentes;
  • Métodos de verificação para sistemas e serviços de IA;
  • Tecnologias abertas para armazenamento seguro de modelos.
Página do Hugging Face
Após um ataque envolvendo agente de IA, como o que afetou a Hugging Face, empresas aceleram busca por ferramentas capazes de controlar sistemas inteligentes. Imagem: Robert Way/Shutterstock

Empresas compartilham tecnologias para reduzir riscos

Além da Nvidia, companhias como HPE, IBM, Red Hat, Microsoft, SpaceXAI e Adobe devem participar com soluções próprias. A Hugging Face contribuirá com o Safetensors, formato criado para armazenar pesos de modelos de inteligência artificial.

A Nvidia também defende que modelos abertos sejam considerados aliados na proteção digital. Para a empresa, restrições amplas podem dificultar pesquisas de segurança e aumentar a dependência de poucos fornecedores fechados.

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O tema ganhou destaque depois que a OpenAI revelou um episódio em que um agente de IA realizou ações contra a Hugging Face. O caso levantou preocupações sobre o controle de sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.

Pessoa segurando, na altura da cabeça, um smartphone na horizontal, no qual é visto o logo da Nvidia
A Nvidia defende que modelos abertos podem ajudar pesquisadores a descobrir e corrigir vulnerabilidades. – Imagem: Mamun_Sheikh/Shutterstock

Nova fase da disputa por uma IA mais segura

A Open Secure AI Alliance quer aproximar empresas e governos na criação de uma infraestrutura compartilhada para inteligência artificial. A Nvidia também disponibilizou pesquisas e projetos de código aberto para apoiar o desenvolvimento de ferramentas de monitoramento e controle.

“Restrições gerais aos sistemas de IA de fronteira abertos enfraquecem a capacidade defensiva e podem concentrar poder, dependência e vulnerabilidade em poucos provedores fechados”, afirmou a Nvidia.

A criação da aliança mostra que a segurança deixou de ser apenas uma preocupação técnica e passou a envolver toda a indústria de tecnologia. O desafio agora é criar ferramentas capazes de acompanhar a evolução rápida dos sistemas inteligentes sem limitar a inovação.

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Vale do Silício entra em “guerra” por causa da IA chinesa

Uma disputa sobre o futuro da inteligência artificial (IA) ganhou força no Vale do Silício e passou a envolver as maiores empresas do setor, executivos de tecnologia e integrantes do governo dos Estados Unidos.

O debate opõe companhias, como OpenAI e Anthropic, que defendem maiores restrições aos modelos chineses de IA de código aberto, e um grupo formado por empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta e IBM, que argumenta que esse tipo de tecnologia deve permanecer aberto para estimular inovação, segurança e novos negócios.

A discussão, que há anos divide a indústria de tecnologia sobre o desenvolvimento de IA, se intensificou diante do avanço acelerado da China na criação de modelos de código aberto.

OpenAI e Anthropic defendem restrições

De um lado estão OpenAI e Anthropic, que sustentam que determinados modelos de IA são perigosos demais para serem desenvolvidos de forma aberta e, por isso, devem permanecer sob controle rígido das empresas responsáveis por sua criação.

Nos bastidores, segundo pessoas próximas às discussões contaram ao The New York Times, as duas companhias vêm pressionando reguladores em Washington (EUA) ao levantar preocupações sobre os modelos chineses de código aberto.

O debate passou a envolver também o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e Michael Kratsios, assessor de ciência e tecnologia do presidente Donald Trump, que discutem a importância dos modelos estadunidenses como propriedade intelectual estratégica.

As empresas afirmam que laboratórios chineses construíram parte de seus modelos por meio da coleta indevida de dados gerados por sistemas de IA estadunidenses, prática que, segundo elas, não deveria ser permitida.

Microsoft, Nvidia e outras gigantes defendem código aberto

  • Na direção oposta, empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta, IBM e Palantir, defendem que os modelos de código aberto são essenciais para o avanço da IA;
  • Na sexta-feira (24), o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, publicou pela primeira vez no X que “o mundo precisa tanto de modelos fechados de fronteira quanto de modelos abertos de fronteira”. Nove minutos depois, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA”;
  • Ambos assinaram uma carta em defesa do código aberto, acompanhados por executivos da Meta, Palantir e IBM;
  • Segundo essas empresas, modelos abertos impulsionam o desenvolvimento tecnológico, permitem que pesquisadores examinem sua segurança e aumentam a demanda por serviços de computação em nuvem e chips utilizados para executar aplicações de IA.

Para fundadores de startups do Vale do Silício, restringir o código aberto também poderia consolidar a vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic, dificultando o surgimento de concorrentes.

“Você tem duas facções brigando por essa questão”, afirmou Bill Gurley, investidor de capital de risco do Vale do Silício contrário às restrições ao código aberto. “Há as pessoas que querem que OpenAI e Anthropic sejam donas de tudo, e depois há todo o resto, incluindo os clientes.”

Avanço chinês aumenta tensão

O conflito ganhou intensidade devido ao rápido progresso da China no desenvolvimento de modelos abertos de IA. Nas últimas semanas, as startups chinesas Z.ai e Moonshot AI lançaram modelos que competem com os desenvolvidos pela Anthropic e outros laboratórios estadunidenses.

No ano passado, a startup chinesa DeepSeek já havia surpreendido a indústria ao apresentar um sistema de IA de código aberto considerado comparável aos modelos das empresas dos Estados Unidos.

O governo chinês também passou a defender essa estratégia. Neste mês, o presidente Xi Jinping apresentou o país como um defensor global da abordagem aberta para IA.

Segundo pessoas familiarizadas com as discussões internas, o avanço chinês aumentou a preocupação entre executivos da OpenAI e da Anthropic, que temem perder a vantagem construída ao longo dos últimos anos.

Acusações de roubo de propriedade intelectual

Empresas estadunidenses de IA acusam laboratórios chineses de realizar o chamado processo de “destilação”, copiando secretamente seus sistemas para desenvolver modelos concorrentes. O tema chamou a atenção do governo de Donald Trump.

Na quarta-feira (22), Scott Bessent afirmou que a administração avaliou impor sanções contra empresas chinesas acusadas de roubar propriedade intelectual de companhias estadunidenses. “Código aberto não significa temporada aberta para a propriedade intelectual estadunidense”, declarou.

No mesmo dia, Michael Kratsios afirmou que “a destilação industrial secreta em larga escala destinada a roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e enfraquecer a pesquisa estadunidense é inaceitável”.

Apesar disso, autoridades estadunidenses ainda discutem quais medidas adotar. Segundo pessoas com conhecimento das conversas que falaram com o Times, a tendência é que os modelos chineses sejam analisados individualmente sob a ótica da segurança nacional, em vez da adoção de uma proibição ampla.

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CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA” – Imagem: FotoField/Shutterstock

Google e Amazon tentam evitar confronto

Enquanto OpenAI e Anthropic defendem restrições, outras gigantes do setor buscaram inicialmente evitar envolvimento direto. Google e Amazon, que investiram bilhões de dólares em empresas, como Anthropic e OpenAI, passaram boa parte da semana sem participar do debate.

No sábado (25), porém, o CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou nas redes sociais que sua empresa “há muito tempo se beneficia do código aberto” e também assinou a carta da indústria em defesa desse modelo de desenvolvimento.

Debate antigo ganha nova dimensão

A discussão entre software aberto e fechado acompanha a indústria de tecnologia desde seus primeiros anos. Defensores do código aberto argumentam que compartilhar informações acelera a inovação, melhora a segurança dos sistemas e torna os softwares mais confiáveis.

Já os críticos afirmam que o desenvolvimento dessas tecnologias exige investimentos elevados e que disponibilizá-las gratuitamente representa um modelo de negócios insustentável.

Atualmente, grande parte da infraestrutura da internet opera sobre tecnologias de código aberto, assim como sistemas amplamente utilizados, incluindo o Android, do Google.

Como resposta ao avanço chinês, OpenAI e Anthropic passaram a oferecer modelos de IA mais baratos para empresas que não necessitam das versões mais avançadas.

Na sexta, a Anthropic lançou o Claude Opus 5, descrito pela companhia como um modelo “próximo da inteligência de fronteira do Fable 5 pela metade do preço”. A OpenAI também promove modelos de menor custo.

Lobby em Washington

Segundo pessoas próximas às negociações, executivos da OpenAI, Anthropic e investidores das empresas vêm realizando reuniões reservadas em Washington. Nesses encontros, eles citam preocupações relacionadas à economia global, segurança da IA e segurança nacional para convencer reguladores a ampliar as restrições aos modelos chineses de código aberto.

Sarah Heck, responsável pelas políticas públicas da Anthropic, escreveu nas redes sociais que “a destilação ilícita por adversários é roubo de propriedade intelectual e espionagem industrial que fortalece capacidades militares e de inteligência de adversários”.

Ela afirmou ainda que modelos de código aberto derivados dos sistemas da Anthropic representam riscos elevados caso circulem livremente.

A OpenAI também defende novas regras. Em publicação feita no mês passado, a empresa informou que propôs ao governo Trump políticas que tornariam obrigatórias avaliações de segurança para determinados modelos de IA sob supervisão de agências governamentais.

Segundo a companhia, ela está “encorajada” pelo trabalho conjunto realizado com a administração estadunidense na construção desse marco regulatório.

Movimento pró-código aberto reage

Os defensores do código aberto também ampliaram sua mobilização. Na quarta, quase 200 startups do Vale do Silício, reunidas sob o nome Little Tech Association, enviaram cartas ao governo Trump pedindo que o acesso aos modelos chineses de código aberto não fosse limitado.

Na sexta, grandes empresas passaram a aderir publicamente ao movimento. Elon Musk, Mark Zuckerberg, Sam Altman e outros executivos manifestaram apoio às declarações de Jensen Huang e Satya Nadella. “Jensen está certo”, escreveu Musk. “Isso tem meu total apoio.”

Zuckerberg também defendeu a iniciativa, afirmando que “o código aberto é uma força positiva e importante”.

Teste da OpenAI alimenta discussão

Um episódio ocorrido durante a semana reforçou a polarização. Na terça-feira (21), a OpenAI revelou que alguns de seus modelos mais avançados romperam os mecanismos de contenção durante um teste de segurança cibernética, conseguiram acesso à internet e invadiram servidores do Hugging Face.

Executivos da OpenAI utilizaram o episódio para demonstrar que modelos de IA podem representar riscos mesmo quando operam em ambientes fechados, reforçando sua defesa por regulamentação.

Já o CEO da Hugging Face, Clem Delangue, adotou posição oposta. Para proteger a empresa durante o incidente, ele recorreu a um modelo de código aberto desenvolvido pela chinesa Z.ai. Na sexta, Delangue deixou clara sua posição nas redes sociais ao anunciar uma marcha em São Francisco (EUA) em apoio ao código aberto. “Modelos abertos são a melhor escolha!”, escreveu.

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AMD lança nova ofensiva para disputar mercado de IA com a Nvidia

A AMD deve apresentar nesta quinta-feira (23), em um centro de convenções de San Francisco, uma nova geração de soluções voltadas à inteligência artificial. A iniciativa faz parte da estratégia da companhia para ampliar sua participação no mercado de chips destinados a data centers, segmento atualmente liderado pela Nvidia.

Entre as novidades esperadas estão a estreia de uma plataforma de racks para servidores e o lançamento oficial de um novo processador para data centers. A empresa também pretende destacar avanços em sua infraestrutura para atender à crescente demanda por aplicações de IA, especialmente aquelas voltadas ao processamento de consultas feitas por usuários a chatbots.

O anúncio ocorre em meio ao aumento da concorrência entre as fabricantes de semicondutores, que buscam oferecer sistemas mais eficientes para executar cargas de trabalho relacionadas à inteligência artificial em larga escala.

AMD aposta em nova infraestrutura para ampliar presença no mercado de IA

Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

A principal novidade aguardada é a apresentação do Helios, primeiro sistema de racks para servidores desenvolvido pela AMD. O equipamento será posicionado como alternativa às soluções oferecidas pela Nvidia, que também avança na renovação de sua infraestrutura para inteligência artificial.

Além do novo sistema, a fabricante deve oficializar o lançamento do processador Venice, desenvolvido para data centers. A expectativa é fortalecer seu portfólio voltado a ambientes responsáveis pelo processamento de grandes volumes de dados utilizados em aplicações de IA.

A companhia concentra parte de sua estratégia no segmento conhecido como inferência, etapa em que modelos de inteligência artificial processam informações para responder às solicitações feitas pelos usuários em ferramentas como chatbots.

Na véspera do evento principal, centenas de executivos e engenheiros participaram de apresentações técnicas e visitaram a área de exposição montada no Moscone West, em San Francisco. No local, a AMD exibiu o Helios ao lado de estandes de empresas de computação em nuvem que operam infraestrutura baseada em seus equipamentos.

Pessoa segurando, na altura da cabeça, um smartphone na horizontal, no qual é visto o logo da Nvidia
Nvidia – Imagem: Mamun_Sheikh/Shutterstock

Entre essas empresas estavam a Vultr e a TensorWave, ambas responsáveis por data centers que utilizam hardware da fabricante.

A movimentação acontece poucos dias após a Nvidia divulgar novos detalhes técnicos sobre o processador Vera. A empresa afirmou que o componente, quando utilizado em conjunto com a GPU Rubin, foi projetado para maximizar a quantidade de trabalho executada por agentes de inteligência artificial com um mesmo consumo de energia.

Na quarta-feira (22), a AMD também anunciou um acordo para fornecer até dois gigawatts de chips Instinct MI450 à Anthropic a partir do primeiro semestre de 2027. O entendimento ainda prevê um investimento que pode chegar a US$ 5 bilhões na desenvolvedora do Claude.

A empresa já havia firmado, em outubro, um acordo plurianual com a OpenAI. Segundo as informações divulgadas, a parceria poderá gerar dezenas de bilhões de dólares em receita anual para a fabricante, além de conceder à criadora do ChatGPT a opção de adquirir aproximadamente 10% de participação na companhia.

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Samsung enfrenta nova investigação que envolve Google e Nvidia

Samsung passou a ser alvo de uma investigação comercial nos Estados Unidos após uma denúncia apresentada pela Netlist. O caso envolve chips de memória presentes em servidores que sustentam boa parte dos serviços de inteligência artificial.

Segundo a Reuters, a apuração também alcança produtos vendidos por Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer que utilizam esses componentes.

A denúncia da Netlist coloca memórias DRAM da Samsung no centro de um novo embate bilionário no setor de IA. – Imagem: g0d4ather/Shutterstock

Caso ganha força em meio ao avanço da IA

A Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC) abriu um processo para investigar se chips de memória da Samsung infringem patentes registradas pela americana Netlist. A denúncia envolve memórias DRAM (Dynamic Random Access Memory), responsáveis pelo armazenamento temporário de dados utilizados pelos processadores.

Na prática, esses componentes são indispensáveis para os servidores que operam aplicações de IA em grandes data centers.

A Netlist solicita que a USITC bloqueie a importação dos chips contestados e dos produtos que os utilizam, além de impedir sua comercialização no mercado americano.

Uma disputa que vem de longe

O processo é mais um desdobramento de uma batalha judicial travada há anos entre as duas empresas por tecnologias de memória de alto desempenho.

Em 2024, um júri do Texas determinou que a Samsung pagasse US$ 118 milhões (cerca de R$ 601,8 milhões) à Netlist por infringir patentes relacionadas ao processamento de dados em memórias. Um ano antes, outra decisão fixou uma indenização de US$ 303 milhões (aproximadamente R$ 1,55 bilhão) em um caso semelhante.

Agora, caberá a um juiz da USITC analisar as provas e apresentar uma decisão inicial, que ainda poderá ser revisada pela comissão.

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Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer também aparecem no caso por venderem produtos com os chips investigados. – Imagem: Evolf / Shutterstock

Mercado acompanha os próximos passos

Não por acaso, a investigação ocorre justamente quando cresce a procura por infraestrutura voltada à inteligência artificial. Empresas de tecnologia aceleram investimentos em data centers, elevando a demanda por memórias produzidas por Samsung, SK Hynix e Micron. Segundo a Reuters, esse movimento também contribuiu para aumentar os preços desses componentes.

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A USITC deverá definir, em até 45 dias, o cronograma do caso. Se decidir restringir a importação ou a venda dos produtos investigados, a medida entrará em vigor imediatamente e poderá ser revertida apenas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos dentro do prazo de 60 dias.

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O caso coloca sob os holofotes um dos mercados mais estratégicos da atualidade: os chips para inteligência artificial. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

Decisão pode afetar toda a cadeia

A abertura do processo não significa que houve violação das patentes, mas coloca sob pressão uma cadeia de fornecimento estratégica para o setor de IA.

Enquanto a comissão analisa os argumentos apresentados por Netlist e Samsung, fabricantes e empresas que utilizam essas memórias acompanham o caso de perto. O desfecho poderá influenciar não apenas as duas companhias, mas também um mercado cada vez mais dependente de servidores e data centers para atender ao avanço da inteligência artificial.

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‘A IA cria empregos’, diz CEO de empresa mais valiosa do mundo

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, mandou um recado para quem teme o avanço da inteligência artificial (IA): a tecnologia não é uma ameaça ao mercado de trabalho, mas sim um “motor” de geração de empregos em escala industrial. 

Em conversa com a jornalista Becky Quick no Instituto Milken durante um evento na segunda-feira (04), o executivo disse que o trabalhador não precisa entrar em pânico com a ideia de desemprego em massa. Para Huang, a IA é uma ferramenta que auxilia ao invés de substituir.

Huang também afirmou que a IA representa a “melhor oportunidade” para os Estados Unidos se reindustrializarem. Para ele, o setor está criando uma infraestrutura tecnológica inédita que exige força de trabalho ativa e vai servir como base para o crescimento econômico do país.

Por que automatizar tarefas não é o mesmo que eliminar empregos?

Huang usou uma explicação didática para acalmar os ânimos: existe uma diferença crucial entre a tarefa de um trabalho e o seu propósito funcional. 

Segundo o CEO, a IA pode até assumir atividades específicas e repetitivas dentro de uma rotina. Mas a função estratégica e o papel que o colaborador desempenha na organização tendem a permanecer necessários.

Essa nova engrenagem econômica é movida pelo que ele chama de uma “nova linhagem de fábricas“. Essas unidades não produzem bens de consumo tradicionais, mas sim o hardware e a infraestrutura que permitem que a IA funcione em larga escala. 

IA pode até assumir tarefas, mas a função estratégica do colaborador humano tende a permanecer necessária, segundo CEO da Nvidia – Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Como essa indústria está em expansão, ela gera uma demanda natural e crescente por trabalhadores para sustentar esse ecossistema.

O executivo também criticou o tom alarmista de quem diz que a IA vai dominar a humanidade ou dizimar setores inteiros. Para Huang, narrativas de “ficção científica” criadas por “doomers” (profetas do apocalipse) são perigosas porque assustam a população. 

O risco, segundo o CEO, é que o medo impeça as pessoas de se engajarem e aprenderem a dominar uma ferramenta considerada por ele essencial para o futuro.

Apesar do otimismo da Nvidia, o cenário real ainda divide especialistas e traz alertas importantes. Dados de organizações financeiras e acadêmicas indicam que cerca de 15% dos empregos nos Estados Unidos podem ser eliminados nos próximos anos devido à automação. 

O grande debate agora gira em torno de como gerenciar essa transição para evitar que a velocidade da tecnologia aprofunde a desigualdade social.

(Essa matéria também usou informações de TechCrunch.)

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Pentágono fecha acordo com sete empresas para uso militar da IA; Anthropic ficou de fora

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos formalizou acordos com sete empresas de tecnologia para integrar ferramentas de inteligência artificial em seus sistemas. A iniciativa marca um novo passo na estratégia do Pentágono para ampliar o uso de IA em operações militares e acelerar a adoção no dia a dia das Forças Armadas.

As sete companhias são: OpenAI, Google, Microsoft, Amazon Web Services (AWS), NVIDIA, SpaceX e a startup Reflection AI. Com os contratos, o governo americano passa a utilizar modelos e plataformas dessas empresas em ambientes confidenciais, incluindo redes de alto nível de segurança conhecidas como Níveis de Impacto 6 e 7.

Segundo o Departamento de Defesa, a medida busca ampliar o acesso de militares a ferramentas de ponta. A principal plataforma interna do órgão, a GenAI.mil, já foi utilizada por mais de 1,3 milhão de funcionários em apenas cinco meses de operação.

A expansão ocorre em meio a uma corrida global por aplicações militares de IA. Empresas do Vale do Silício têm demonstrado maior disposição em colaborar com o governo americano, aceitando condições para o uso de suas tecnologias em contextos de defesa. Para autoridades, o objetivo é garantir vantagem estratégica frente às rivais.

Anthropic foi classificada como risco à cadeia de suprimentos e está impedida de fechar contratos governamentais – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Anthropic ficou de fora

Apesar da ampliação da lista de parceiros, uma ausência chama atenção: a Anthropic. A empresa, que já teve seus modelos amplamente utilizados em ambientes militares, foi recentemente classificada pelo Pentágono como um risco à cadeia de suprimentos, após divergências sobre as regras de uso de suas ferramentas. O Olhar Digital explicou a briga aqui.

A disputa entre a startup e o governo se arrasta há meses. Durante esse período, o governo dos EUA passou a priorizar alternativas para reduzir a dependência de um único fornecedor.

Em declarações recentes, Emil Michael , subsecretário de defesa para pesquisa e engenharia e ex-executivo de tecnologia, afirmou que a Anthropic ainda representa um risco, mas que o modelo Mythos é um “momento de segurança nacional à parte”.

O cenário, no entanto, pode mudar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou recentemente que a desenvolvedora está “melhorando” aos olhos da administração, o que pode abrir caminho para uma eventual reversão da restrição e um novo acordo com o Pentágono.

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Pentágono não quer depender de uma única empresa – Imagem: Keith J Finks/Shutterstock

Pentágono na corrida pela IA militar

Os novos acordos também refletem diferentes abordagens tecnológicas. Enquanto empresas como OpenAI e Google operam majoritariamente com modelos fechados, a inclusão da Nvidia e da Reflection indica o interesse crescente do Pentágono em soluções de código aberto. Esses modelos permitem maior personalização e transparência, características vistas como estratégicas em aplicações militares.

“A segurança é francamente aprimorada com o código aberto”, disse Jensen Huang, CEO da NVIDIA, ao defender esse tipo de abordagem em contextos de segurança nacional.

Ao mesmo tempo, empresas envolvidas nos contratos afirmam ter estabelecido limites para o uso de suas tecnologias, incluindo restrições relacionadas a vigilância em massa e armamentos autônomos. O Departamento de Defesa, por sua vez, declarou que seguirá as leis e diretrizes aplicáveis no uso dessas ferramentas.

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Nvidia se afasta de gamers e prioriza IA, gerando frustração entre fãs

Durante décadas, a Nvidia foi sinônimo de inovação para o público gamer. No entanto, com a ascensão da inteligência artificial (IA), parte dessa base fiel começa a sentir que a empresa deixou suas origens em segundo plano.

Por cerca de 30 anos, a Nvidia não era um nome popular fora do universo dos jogos eletrônicos. Isso mudou recentemente, à medida que a companhia se tornou a empresa mais valiosa do mundo, impulsionada pela demanda crescente por chips voltados à IA.

Segundo Stacy Rasgon, da Bernstein Research, o segmento de jogos já não ocupa o papel central na estratégia da empresa. “O segmento de jogos não é mais a força motriz da empresa. Houve um momento em que claramente era”, afirmou, à CNBC.

Nvidia sempre foi sinônimo de jogatina digital

  • A trajetória da Nvidia está diretamente ligada aos gamers;
  • Em 1999, a empresa lançou a GeForce 256, considerada a primeira GPU moderna, tecnologia essencial para gráficos avançados e altas taxas de quadros em jogos;
  • Na época, a companhia chegou a demitir a maior parte de seus funcionários e quase foi à falência para viabilizar o projeto. O sucesso entre os jogadores, no entanto, ajudou a empresa a se recuperar;
  • Hoje, a realidade é outra. Com a explosão da IA, a maior parte da receita da Nvidia vem de produtos voltados a data centers e computação avançada. A empresa passou a priorizar GPUs mais lucrativas, como as das arquiteturas Hopper e Blackwell;
  • Os números refletem essa mudança: a margem operacional do segmento de computação e redes foi, em média, de 69% nos últimos três anos, enquanto o segmento de gráficos para consumidores registrou cerca de 40%.

Para Greg Miller, cofundador do podcast “Kinda Funny Games Daily”, essa mudança é compreensível, mas dolorosa. “Eu entendo que eles vão perseguir isso. E isso parte meu coração”, disse. “Dance com quem te trouxe. Os gamers te trouxeram até aqui”, completou.

Há ainda a possibilidade de 2026 marcar um ponto simbólico: pode ser o primeiro ano em três décadas sem o lançamento de uma nova geração da linha GeForce voltada ao consumidor, segundo previsões de analistas.

Apesar disso, a Nvidia afirma que os gamers continuam sendo “extremamente importantes” e que a empresa segue inovando em tecnologias voltadas a esse público. A atual série RTX 50 foi apresentada em janeiro de 2025, durante a CES.

Alguns jogadores, no entanto, veem um lado positivo na possível pausa. Tim Gettys, também do “Kinda Funny Games”, afirmou que a ausência de lançamentos frequentes pode aliviar os custos para consumidores. “É difícil acompanhar. Você não consegue atualizar todo ano”, disse.

Domínio da IA transforma estratégia

A base da atual liderança da Nvidia em IA remonta a 2006, com o lançamento do CUDA, ferramenta que permitiu o uso de GPUs para computação geral. Em 2012, a tecnologia ganhou destaque com o AlexNet, sistema de aprendizado profundo que superou concorrentes em um importante concurso de reconhecimento de imagens.

A mudança estratégica ficou ainda mais evidente em 2020, com a aquisição da Mellanox Technologies por US$ 7 bilhões (R$ 34,8 bilhões), reforçando a atuação em computação de alto desempenho.

Desde então, a empresa tem investido em GPUs de alto nível e sistemas completos para IA, como a plataforma Vera Rubin. Segundo analistas, uma única GPU Blackwell pode custar até US$ 40 mil (R$ 199,2 mil), enquanto sistemas completos podem chegar a US$ 4 milhões (R$ 19,9 milhões). Em contraste, as GPUs gamer da série RTX 50 são vendidas entre US$ 299 e US$ 1.999 (R$ 1,4 mil e R$ 9,9 mil).

Mesmo no mercado gamer, os preços seguem elevados. Durante os picos das criptomoedas em 2018 e 2021, GPUs chegaram a custar até três vezes o preço original. Atualmente, modelos, como a RTX 5090, ainda podem ser encontrados por até o dobro do valor sugerido.

Escassez de memória afeta mercado gamer — incluindo a Nvidia

Além da estratégia voltada à IA, outro fator influencia a menor atenção ao público gamer: a escassez de memória. Relatórios indicam que a Nvidia pode reduzir a produção de GPUs gamer em até 40% devido à falta de DRAM, memória essencial para o funcionamento desses componentes.

A escassez impacta diretamente o custo de produção e, consequentemente, o preço final para o consumidor. A consultoria Gartner projeta aumento de 17% nos preços de PCs em 2026, com queda de 10,4% nas vendas. “Com tudo ficando tão caro, é preocupante ver os preços subindo no lado gamer sem sinais de queda”, disse Gettys.

A tendência pode afetar ainda mais o mercado de entrada. Caso esse segmento desapareça até 2028, como prevê a Gartner, a demanda por GPUs mais baratas deve cair. Segundo Rasgon, a prioridade da indústria está clara: “Cada pedaço de memória disponível está sendo direcionado para computação de IA”.

GPUs avançadas utilizam memória HBM, que exige mais recursos para produção, agravando a escassez para produtos de consumo.

Empresa de Jensen Huang tentou tranquilizar fãs, mas não deve fazer atualização na linha de GPUs – Imagem: Ruslan Lytvyn/Shutterstock

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IA nos jogos gera controvérsia

A tensão entre Nvidia e gamers também se manifesta nas novas tecnologias. Durante a conferência da empresa GTC, o CEO Jensen Huang anunciou o DLSS 5, nova versão da tecnologia que utiliza IA para melhorar desempenho gráfico. A novidade gerou críticas. Parte da comunidade teme que o uso de IA generativa altere a estética original dos jogos. “Eu jogo videogame porque é uma forma de arte”, disse Miller. “Quero ver a marca do criador.”

Gettys, que elogiava versões anteriores da tecnologia, foi mais direto: “Mas ao adicionar IA generativa, parece um tapa na cara.” Ele também demonstrou preocupação com o futuro da indústria, temendo que jogos totalmente gerados por IA se tornem realidade.

A Nvidia defende que suas tecnologias são ferramentas para desenvolvedores e não substitutos. Em nota, a empresa afirmou que os jogos são uma forma de arte e que suas soluções visam ajudar criadores a alcançar sua visão.

Huang também rebateu críticas de que a tecnologia tornaria os jogos homogêneos. “Eles estão completamente errados”, disse.

Streaming e concorrência

Apesar das críticas, a Nvidia mantém forte presença no mercado gamer por meio do serviço GeForce NOW, que permite jogar via streaming utilizando GPUs em data centers. Segundo Miller, a empresa conseguiu acertar no modelo. Gettys afirmou que a plataforma é a melhor do mercado “com folga”.

A principal concorrente da Nvidia nesse segmento é a AMD, com sua linha Radeon. Ainda assim, especialistas apontam que ambas enfrentam o mesmo desafio de acesso à memória. “Se a Nvidia não consegue memória, a AMD também não vai conseguir”, afirmou Rasgon.

Mesmo com a concorrência, a preferência entre jogadores de PC parece definida. “Existe um favorito claro”, disse Gettys. “Se você joga no PC, vai querer uma placa da Nvidia.”

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Alcançamos a inteligência artificial geral?

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital
Uma das obsessões da tecnologia, hoje, é atingir a tal inteligência artificial geral. Para uns, ficção. Para outros, questão de tempo.

Inteligência artificial geral, ou IAG, é uma IA capaz de aprender, raciocinar e resolver problemas em muitas áreas diferentes, como um ser humano.

Ela não ficaria limitada a uma tarefa específica, como traduzir texto ou reconhecer imagens. A IAG poderia adaptar conhecimento de um contexto para outro com autonomia e flexibilidade.

Em outras palavras, é um conceito ainda vagamente definido que descreve sistemas capazes de realizar qualquer tarefa intelectual humana

Hoje, os sistemas de IA existentes ainda são limitados, pois funcionam bem em tarefas específicas. E nem sempre funcionam bem, diga-se de passagem.

Além de um desafio tecnológico, a IAG seria um desafio ético e de segurança.

Eu disse que a IAG pode ser uma questão de tempo. Mas, para um dos principais nomes da tecnologia, nem isso.

Durante participação no podcast do cientista da computação Lex Fridman nesta segunda-feira (23), Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou categoricamente: “Acho que já alcançamos a AGI“.

Jensen Huang é o CEO da empresa mais valiosa do mundo. (Imagem: FotoField/Shutterstock)

Para Fridman, o benchmark da IAG é específico: um sistema que consiga iniciar, crescer e gerir uma empresa de tecnologia de US$ 1 bilhão. Ao ser questionado se isso levaria 5 ou 20 anos, Huang respondeu: “Acho que é agora”.

Para fundamentar sua visão, Huang apontou para o sucesso viral do OpenClaw, uma plataforma de código aberto para agentes de IA. Ele destacou como as pessoas estão usando esses agentes para criar influenciadores digitais, gerir aplicações sociais e até cuidar de “Tamagotchis” modernos, transformando ideias em sucessos instantâneos.

No entanto, o executivo ponderou sobre a efemeridade de algumas dessas aplicações, notando que muitos usuários abandonam as ferramentas após alguns meses de uso.

Apesar da declaração bombástica, Huang deu um leve passo atrás ao final da conversa. Ao ser confrontado com a possibilidade de a IA substituir completamente a liderança humana em larga escala, ele foi realista: “As chances de 100 mil desses agentes construírem a Nvidia são de zero por cento”.

A fala ocorre em um momento em que outros líderes do setor tentam se distanciar do termo “AGI” por considerá-lo saturado de hype, preferindo termos mais técnicos e limitados.

E você? Acredita que já estamos na era da AGI? Eu acho que não…

E, honestamente, nem vejo essa tecnologia com bons olhos. Não por querer colocar freios na inovação. Mas por entender que isso criaria problemas para muito além da nossa capacidade de resolução.

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Co-fundador da Super Micro é acusado de ajudar China a obter chips da Nvidia

Co-fundador da Super Micro, Wally Liaw, de 71 anos, está no foco de uma investigação que pode abalar o mercado global de inteligência artificial. Promotores dos Estados Unidos acusam o executivo de ter ajudado clientes chineses a violar as leis de controle de exportação da Casa Branca.

O caso coloca a empresa, líder global em tecnologia de servidores de alto desempenho, no centro da guerra tecnológica entre EUA e China. As duas potências correm para desenvolver as ferramentas de IA mais avançadas do mundo, e os chips da Nvidia são considerados peças fundamentais nessa disputa.

A celebração que virou pesadelo

Na conferência anual de tecnologia da Nvidia, realizada nesta semana, Liaw estava ao lado do CEO da Super Micro quando cumprimentou Jensen Huang, chefe-executivo da gigante dos chips. A empresa chegou a postar no X (antigo Twitter) uma foto do aperto de mãos, destacando a parceria.

Dois dias depois, Liaw foi preso. As acusações envolvem exatamente o produto que estava sendo celebrado na conferência — servidores da Super Micro equipados com processadores de IA de alta performance da Nvidia.

A Super Micro é uma das principais fabricantes de servidores do mundo, especialmente aqueles otimizados para rodar aplicações de inteligência artificial. Seus produtos combinam hardware de diferentes fornecedores, incluindo os cobiçados chips H100 e H200 da Nvidia, considerados essenciais para treinar modelos de linguagem como o ChatGPT.

EUA e China disputam a hegemonia tecnológica global (Imagem: Knight00730/Shutterstock)

Um histórico de problemas

Esta não é a primeira vez que Liaw enfrenta questões legais relacionadas à sua empresa. Ele retornou à Super Micro após um escândalo contábil que abalou a companhia anos atrás. Na época, a empresa enfrentou investigações por práticas contábeis questionáveis.

Agora, aos 71 anos, o executivo é acusado de um crime muito mais grave: supostamente ajudar a China a contornar as restrições norte-americanas sobre tecnologia sensível. As acusações federais sugerem que ele orquestrou um esquema para exportar ilegalmente servidores contendo os chips mais avançados da Nvidia.

A Super Micro viu suas ações despencarem mais de 33% após a notícia, refletindo a preocupação dos investidores sobre o impacto do caso no futuro da empresa.

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Caso coloca em dúvida o futuro da Super Micro (Imagem: CryptoFX/Shutterstock)

A batalha pelos chips de IA

  • Os processadores da Nvidia estão no centro de uma corrida global por supremacia em inteligência artificial.
  • Os chips H100 e H200, especificamente, são considerados os mais poderosos disponíveis para treinar modelos de IA em larga escala.
  • Empresas de tecnologia ao redor do mundo competem ferozmente para conseguir esses componentes.
  • O governo dos EUA implementou restrições rigorosas sobre a exportação desses chips para a China, tentando impedir que o país rival acelere seu desenvolvimento em IA militar e de vigilância.
  • As regras proíbem a venda direta dos processadores mais avançados para empresas chinesas, forçando a empresa a criar versões menos potentes especificamente para o mercado do país asiático.
  • Segundo a acusação federal, Liaw teria facilitado a venda de US$ 2,5 bilhões em servidores equipados com chips da Nvidia para clientes da China.
  • A Super Micro, como integradora de sistemas, tem acesso privilegiado aos chips da gigante.
  • A empresa compra os processadores diretamente do fabricante e os instala em servidores customizados para diferentes aplicações.
  • Essa posição na cadeia de suprimentos poderia facilitar esquemas de desvio, caso confirmadas as acusações.

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