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CEO da Nvidia diz que há “0% de chance” de a inteligência artificial acabar com o mundo até 2030

O CEO da Nvidia afirmou em entrevista à CBS News que não acredita em um cenário de extinção causado pela inteligência artificial até o fim da década. Jensen Huang também defendeu que o desenvolvimento da tecnologia continue em ritmo acelerado, desde que produtos inseguros não sejam lançados.

A declaração foi dada ao correspondente de negócios e tecnologia da CBS News, Jo Ling Kent, em entrevista que será exibida integralmente no programa Sunday Morning. Huang afirmou que há “0% de chance” de 2030 ser o fim do mundo, ao mesmo tempo em que reconheceu a existência de preocupações sobre os riscos associados à inteligência artificial.

Huang defende avanço rápido da inteligência artificial

Questionado sobre a necessidade de desacelerar o desenvolvimento da IA diante dos alertas recentes no setor, Huang afirmou que a indústria deve continuar avançando.

“Devemos ir o mais rápido que pudermos, independentemente de qualquer outra pessoa”, disse o CEO da Nvidia. Segundo ele, isso não significa colocar produtos no mercado antes que estejam prontos ou que apresentem riscos.

Huang acrescentou que a Nvidia não deve lançar produtos inseguros. A declaração ocorre em meio ao aumento das discussões sobre a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial e sobre a necessidade de mecanismos de segurança e regulamentação.

Alertas sobre os riscos da IA

A discussão ganhou força após a saída pública de Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic. No início de setembro, ele deixou a empresa e afirmou que companhias de inteligência artificial estariam priorizando a inovação em detrimento de protocolos de segurança adequados.

Coxon também declarou à CBS News que, sem intervenções, a IA poderia representar uma ameaça à humanidade no futuro. As preocupações foram posteriormente abordadas por Dario Amodei, CEO da Anthropic, que afirmou que o setor demorou a reconhecer os riscos associados à tecnologia.

Amodei disse que a evolução da inteligência artificial ocorre em ritmo “exponencial” e classificou a situação como um sinal de alerta que justificaria uma desaceleração. Ao mesmo tempo, afirmou que isso não significava que seria necessário interromper completamente o desenvolvimento da tecnologia.

Huang, por outro lado, mantém a avaliação de que a IA pode ser administrada com segurança e tem defendido o avanço da tecnologia. O CEO também já se manifestou contra a necessidade de novas regulamentações para o setor.

A entrevista completa de Jensen Huang à CBS News está prevista para ser exibida neste domingo no programa Sunday Morning.

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Frear ou acelerar? IA coloca gigantes da tecnologia em lados opostos

O debate sobre a velocidade com que a inteligência artificial (IA) deve avançar ganhou nova dimensão nos Estados Unidos. Depois de alertas sobre os riscos da tecnologia e de pedidos para desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados, dois grupos distintos passaram a se destacar na discussão sobre segurança e regulação da IA.

De um lado estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o ex-“czar” de criptomoedas da Casa Branca David Sacks. Do outro, aparecem o CEO da Anthropic, Dario Amodei, o CEO da OpenAI, Sam Altman, o empresário Elon Musk e pesquisadores de IA.

O cenário reúne adversários políticos e antigos rivais da indústria de tecnologia em torno de posições diferentes sobre como lidar com os riscos associados ao avanço da IA.

Alertas sobre os riscos da IA

  • A atual onda de preocupação ganhou força depois que Jacob Coxon, pesquisador que trabalhava na Anthropic, deixou a empresa na semana passada. Ao anunciar sua saída, ele afirmou que OpenAI e Anthropic estavam “apostando nossas vidas” ao avançarem no desenvolvimento da tecnologia;
  • Durante a repercussão das declarações, um responsável pela área de alinhamento da Anthropic afirmou que a IA teria mais de 10% de chance de matar toda a humanidade;
  • O episódio foi seguido por um pedido de Amodei para que a indústria desacelere o desenvolvimento dos modelos de fronteira. Sam Altman aderiu à posição, em uma aproximação incomum entre os líderes de duas empresas que competem diretamente no mercado de IA;
  • Musk também declarou nas redes sociais que “Dario está certo” e afirmou posteriormente que vem alertando sobre os riscos da IA há bastante tempo;
  • A discussão chegou rapidamente a Washington e ampliou o debate sobre como reduzir riscos sem impedir o desenvolvimento tecnológico.

CFO da OpenAI pensa em desacelerar IA se for necessário para a segurança

A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou à CNBC que não está preocupada com uma eventual redução no ritmo de desenvolvimento de sistemas de IA de fronteira. Segundo ela, mesmo que o avanço fosse interrompido hoje, “a quantidade de inteligência que está disponível no mundo é enorme”.

Friar disse que a OpenAI continuará tomando decisões de investimento com base em “forte retorno sobre o investimento” (ROI, na sigla em inglês), mesmo que o desenvolvimento da tecnologia precise ser conduzido em um ritmo mais lento.

Friar também afirmou que não está preocupada especificamente com a possibilidade de agentes de IA utilizarem armas de destruição em massa para matar pessoas, mas ressaltou que a segurança precisa ser levada a sério.

“E se isso significar que precisamos dosar a fronteira e desacelerar, absolutamente, vamos ouvir nossos pesquisadores e fazer isso”, afirmou. Como diretora financeira, acrescentou, sua função seria tomar as decisões de negócio a partir dessa orientação. “Estamos dosando essa fronteira e levando a segurança e o alinhamento muito a sério”, disse.

Amodei propõe novas medidas de segurança

Durante um evento da Salesforce em São Francisco (EUA), Amodei voltou a defender redução no ritmo de desenvolvimento da IA e apresentou proposta baseada em três medidas:

  • A primeira seria permitir que avaliadores independentes tenham acesso às empresas de IA, acompanhando e avaliando diretamente os sistemas;
  • A segunda envolveria uma coordenação de padrões de segurança entre países democráticos. Posteriormente, essa cooperação poderia ser ampliada para uma coordenação global;
  • Em uma etapa posterior, a proposta avançaria para uma coordenação global, com o objetivo de ampliar essas medidas internacionalmente.

A Anthropic já se comprometeu com a primeira medida.

Amodei comparou a situação à indústria automobilística. Segundo ele, quando uma montadora enfrenta um problema grave de segurança, como uma falha nos freios, outras empresas deveriam aproveitar o episódio para revisar suas próprias práticas.

“É muito tentador atacar seu concorrente e dizer que eles não são seguros. Mas acho que a maneira mais responsável de responder é olhar para nosso próprio histórico”, afirmou.

O executivo também disse que o que mais o surpreende atualmente é a velocidade do progresso da IA e de seus efeitos econômicos. “Foi o ritmo do progresso — não apenas da tecnologia, mas também do lado econômico”, afirmou.

Trump chama preocupações de “farsa”

Do outro lado do debate, Trump vem rejeitando publicamente os alertas sobre os riscos da IA. Em diversas publicações na rede Truth Social, o presidente classificou os temores sobre uma IA fora de controle como uma “farsa” e uma “fraude”.

Trump também criticou a resistência à construção de novos data centers nos Estados Unidos. Segundo ele, pessoas que se opõem a esses projetos estariam favorecendo interesses que não querem que a expansão aconteça — incluindo, em sua avaliação, a China.

Na segunda-feira (14), Trump telefonou durante uma entrevista de Jensen Huang no evento All-In Summit, em Los Angeles (EUA), e levou a mensagem diretamente ao público ligado ao setor de tecnologia. Huang respondeu ao presidente: “Você está certo. Não vamos deixar isso acontecer, senhor”.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou durante depoimento à Câmara dos Representantes que Trump está “completamente alinhado” com Huang.

Nvidia quer que empresas continuem avançando

Huang voltou a defender essa posição no evento Dreamforce. “Não precisamos de novas leis. Não precisamos de novas regulamentações”, afirmou.

Segundo o executivo, as empresas deveriam simplesmente decidir quando seus sistemas estão prontos e continuar avançando rapidamente. Em outro momento, Huang resumiu sua posição com uma frase direta: “Corra o mais rápido que puder.”

O CEO da Nvidia também rejeitou preocupações sobre possível destruição generalizada de empregos provocada pela IA, classificando esse cenário como “completamente absurdo”.

Para Huang, praticamente todas as empresas passarão a utilizar IA como parte central de suas operações. “Todas as empresas, todas as organizações… se tornarão uma empresa de IA”, afirmou.

A disputa com a China

A competição tecnológica com a China é um dos principais argumentos apresentados pelo grupo contrário à desaceleração.

Parte da mensagem do governo Trump é que limitar a regulação seria fundamental para que os Estados Unidos mantenham vantagem na corrida pela IA. Trump afirmou no domingo que “quem vencer a IA vence”.

David Sacks, que atualmente ocupa a copresidência do Conselho de Assessores do Presidente para Ciência e Tecnologia, também defendeu que as empresas continuem avançando. Ele pediu que as companhias “avancem na fronteira”, mas criticou o argumento de que a motivação para desacelerar seja “puramente altruísta”.

Emil Michael, subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia, adotou uma posição semelhante. Em entrevista à Fox News, afirmou que os alertas atuais seriam parte de uma campanha coordenada de pessoas, ideologias e organizações sem fins lucrativos interessadas em assustar o público estadunidense.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, também afirmou que Trump pretende reunir líderes da indústria de IA na Casa Branca “dentro da próxima semana”.

Johnson igualmente rejeitou os alertas sobre um possível colapso provocado pela tecnologia. Segundo ele, a mensagem de Trump é que as pessoas não estarão todas mortas em dez anos e que isso seria uma “farsa”.

Além de Trump, Jensen Huang é um dos CEOs de tecnologia contrários ao breque à IA – Imagem: noamgalai e FotoField/Shutterstock

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Regulação reúne adversários políticos

O movimento em defesa de maior controle sobre a IA também criou alianças incomuns na política estadunidense.

Nesta terça-feira (15), o senador Bernie Sanders, democrata de Vermont, o deputado Chip Roy, republicano do Texas, e Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, participaram de evento em Washington em apoio a medidas relacionadas à IA.

Embora tenham posições políticas diferentes em diversas questões, eles se juntaram ao grupo que defende alguma forma de ação diante dos riscos associados ao avanço da tecnologia.

O debate, portanto, passou a envolver não apenas empresas concorrentes de IA, mas também integrantes de diferentes campos políticos.

Um confronto dentro da própria indústria

A divisão ganhou força justamente quando algumas das maiores empresas de IA do mundo começam a discutir publicamente os riscos associados ao desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.

Amodei defende que a indústria estabeleça mecanismos independentes de avaliação e coordenação internacional. Altman se aproximou dessa posição, enquanto Musk também declarou apoio ao pedido de desaceleração.

Huang, por outro lado, sustenta que o desenvolvimento deve continuar rapidamente e que novas leis e regulamentações não são necessárias. Trump acompanha essa posição e relaciona o ritmo da IA à competição tecnológica com a China.

O confronto ocorre ainda enquanto OpenAI e Anthropic avançam em direção a possíveis ofertas públicas iniciais de ações. As duas empresas estão entre as companhias de IA que podem realizar grandes IPOs, enquanto Altman indicou que a OpenAI pretende adiar sua oferta para o próximo ano em meio às preocupações recentes sobre segurança.

A discussão coloca no centro do debate estadunidense uma questão que reúne tecnologia, segurança, economia e competição internacional: até que ponto o desenvolvimento da IA deve avançar antes que novas medidas de controle sejam adotadas.

Sanders e Bannon convergem sobre os riscos da IA, mas defendem caminhos opostos

O debate sobre os riscos da IA também aproximou, de forma incomum, o senador Bernie Sanders e o estrategista Steve Bannon, figuras de polos opostos da política estadunidense. Os dois participaram da “Pro-Human Assembly”, em Washington (EUA), e defenderam regras mais rígidas para a IA, além de criticarem a concentração de poder nas mãos de grandes empresas de tecnologia.

A convergência, porém, termina nesse ponto. Sanders apresentou a IA como um risco global, comparável à corrida nuclear, e defendeu um acordo internacional para pausar o desenvolvimento de sistemas avançados. Bannon, por outro lado, tratou a disputa tecnológica com a China como uma questão de poder e defendeu o isolamento do país em relação ao ecossistema estadunidense de pesquisa, dinheiro e tecnologia.

“Uma IA superinteligente que escape do controle humano não será um problema americano. Não será um problema chinês. Será um problema da humanidade”, afirmou Sanders. O senador também disse esperar que Donald Trump negocie com o presidente chinês Xi Jinping um tratado para estabelecer uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e uma proibição da superinteligência.

Bannon adotou uma posição diferente. “Sem acordos, sem tratados: vocês estão fora do negócio de IA porque nós vamos derrubar o ecossistema de vocês”, declarou. O estrategista também afirmou que “os cidadãos americanos não vão mais ser suplicantes aos oligarcas”.

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Nvidia mira respostas mais rápidas com chips da Groq 3 LPX

A Nvidia colocou o rack Groq 3 LPX em produção e pretende deixá-lo operacional ainda este ano na neocloud Nebius. A tecnologia chegou à empresa após a compra de ativos da Groq por US$ 20 bilhões (cerca de R$ 103 bilhões), a maior aquisição já realizada pela Nvidia.

O foco está na inferência de baixa latência, capaz de reduzir o intervalo entre o pedido do usuário e a resposta de um sistema de IA. A característica é especialmente relevante em aplicações de programação, nas quais atrasos podem ser percebidos rapidamente.

A estratégia da Nvidia é combinar tecnologias, não escolher uma só: Groq para baixa latência e GPUs para cargas mais amplas. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Groq ganha espaço nos data centers

Na Nebius, os racks Groq 3 LPX serão instalados junto dos processadores Vera e das GPUs Rubin. Dion Harris, diretor sênior da Nvidia, afirmou que os equipamentos estarão disponíveis ainda este ano.

A arquitetura da Groq coloca 500 MB de memória SRAM de alta velocidade diretamente no chip. Com isso, a tecnologia busca diminuir gargalos provocados pelo acesso à memória durante a execução dos modelos.

Cada rack reúne 256 chips Groq 3. De acordo com a Nvidia, o sistema chega a 3.400 tokens por segundo, resultado baseado em um benchmark da Artificial Analysis.

Os principais números do Groq 3 LPX:

  • Cada rack Groq 3 LPX reúne 256 chips Groq 3;
  • O sistema chega a 3.400 tokens por segundo;
  • A arquitetura conta com 500 MB de SRAM integrada ao chip;
  • A tecnologia prioriza a inferência de baixa latência;
  • A Nvidia pagou US$ 20 bilhões pelos ativos da Groq.

Não é uma substituição das GPUs

A tecnologia da Groq cumpre uma função mais específica. Os chips se concentram principalmente na etapa de “decode” da inferência, responsável pela geração dos tokens que compõem a resposta de um modelo.

As GPUs continuam sendo usadas em treinamento e inferência e têm maior flexibilidade para acompanhar diferentes modelos e tecnologias. Para Harris, uma tecnologia não precisa eliminar a outra:

Isso não significa substituir as GPUs. Trata-se de usar o preço certo e o processador certo para a parte certa da carga de trabalho.

Dion Harris, diretor sênior da Nvidia, à CNBC.

A proposta, portanto, é dividir as tarefas conforme as características de cada processador.

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A Nvidia reservou um quarto do espaço de data centers voltado à programação para chips Groq. O restante será ocupado pelo Vera Rubin. – Imagem: Divulgação/Nvidia

Corrida pela menor latência

A Nvidia disputa esse mercado com empresas que também procuram acelerar a geração de respostas por IA. A AMD anunciou que vai integrar seus sistemas em escala de rack a chips da Cerebras, que recentemente abriu capital.

A OpenAI também entrou nessa corrida. Seu modo Ultrafast promete 750 tokens por segundo e é “alimentado pela Cerebras”.

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A Nvidia, enquanto isso, amplia os envios dos sistemas Vera Rubin, cuja produção começou anteriormente. Em março, durante a apresentação dos sistemas Vera Rubin e Groq 3 LPX, Jensen Huang disse que reservaria um quarto do espaço de data centers destinado a aplicações de programação para os chips da Groq.

“O restante do meu data center é 100% Vera Rubin”, afirmou Huang na ocasião.

Com a Groq, a Nvidia passa a ter uma alternativa específica para acelerar uma etapa da inferência. As GPUs seguem como a base de seus sistemas, enquanto os novos racks assumem tarefas em que o tempo de resposta é um fator decisivo.

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Servidores de IA com chips Nvidia chegam à China por rota indireta

Nove pessoas foram acusadas em Taiwan de ajudar a enviar para a China servidores de inteligência artificial equipados com chips avançados da Nvidia. O caso envolve ex-funcionários da Nvidia e da Super Micro Computer e uma compra de 130 servidores.

A investigação acontece em meio às restrições dos Estados Unidos à exportação de chips avançados para a China. Segundo o The Wall Street Journal, 74 servidores acabaram no país por rotas que passaram por Hong Kong, Japão e Indonésia. Outros 56 foram interceptados em Taiwan.

Nove pessoas foram acusadas em Taiwan de ajudar no envio de servidores de IA equipados com chips avançados da Nvidia para a China. Imagem: William Potter/Shutterstock

Compra foi aprovada com informações falsas

Duas das pessoas acusadas teriam apresentado informações falsas para obter autorização de compra dos servidores da Super Micro. Aos responsáveis pela aprovação, disseram que os equipamentos permaneceriam em uma instalação em Taiwan.

Os envolvidos ainda declararam que os servidores não seriam vendidos ou enviados a entidades sob sanções americanas. Afirmaram, também, que a operação respeitaria as regras de exportação dos Estados Unidos.

A acusação aponta que um funcionário da Super Micro vazou procedimentos internos usados na análise das vendas. Ele teria procurado um funcionário da Nvidia para conseguir cotas dos servidores.

Esse funcionário da Nvidia, segundo os promotores, sabia do plano. Mesmo assim, informou aos gestores que as inspeções no local haviam sido aprovadas. Havia um problema: a instalação não tinha espaço suficiente para os racks, nem energia e banda larga necessárias.

Servidores seguiram rotas alternativas

Dos 130 equipamentos, 74 foram enviados para a China passando por Hong Kong, Japão e Indonésia. A alfândega de Taiwan conseguiu interceptar os outros 56, que seriam enviados ao Japão.

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O processo envolve diferentes acusações. Oito dos investigados respondem por crimes que incluem quebra de confiança e falsificação. Um nono acusado teria desviado dinheiro de uma empresa relacionada ao caso.

Para os promotores, os envolvidos conheciam as regras de controle de exportação e agiram em busca de lucro.

“Motivados exclusivamente pelo lucro”, os acusados teriam “conspirado para exportar servidores de ponta, aumentando os custos de conformidade para as empresas”.

Ao fundo, bandeira da China; à frente, logo da Nvidia em um smartphone na horizontal
Os servidores percorreram Hong Kong, Japão e Indonésia antes de chegar à China. A rota virou peça central da investigação em Taiwan. – Imagem: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

Super Micro diz que não é alvo

A investigação começou em maio e ganhou força em junho. A Super Micro informou que coopera com autoridades de Taiwan e de outras jurisdições para proteger sua tecnologia e propriedade intelectual.

A companhia não é alvo da investigação e não foi acusada de irregularidades. Uma apuração interna recente, segundo a empresa, concluiu que sua equipe de conformidade agiu de boa-fé.

Os principais números do caso são:

  • 130 servidores de IA envolvidos na compra investigada;
  • servidores equipados com chips avançados da Nvidia;
  • 74 servidores enviados à China;
  • 56 servidores interceptados pela alfândega de Taiwan;
  • nove pessoas acusadas pelas autoridades taiwanesas.

A Super Micro afirmou que pretende reforçar seu programa de conformidade e continuar combatendo esse tipo de operação. O caso coloca em evidência a dificuldade de impedir que servidores com tecnologias restritas cheguem à China por caminhos indiretos.

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Nvidia aposta US$ 6 bilhões em IA aberta contra rivais chineses

A Nvidia fechou um acordo de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 30,9 bilhões) com a startup Poolside para licenciar sua tecnologia e contratar a maior parte de seus engenheiros. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de modelos de IA de pesos abertos capazes de disputar espaço com sistemas chineses.

Segundo o The Wall Street Journal, o movimento também aproxima a Nvidia de uma concorrência direta com OpenAI e Anthropic. A empresa, que fornece os chips usados por grandes laboratórios de IA, agora amplia sua atuação para o desenvolvimento dos próprios modelos.

A Nvidia quer fortalecer a IA aberta dos EUA para disputar espaço com modelos chineses como DeepSeek, Kimi e GLM – Imagem: justhavealook/iStock

Poolside reforça o Nemotron

O acordo inclui ainda um investimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,16 bilhões) na Poolside, que tinha avaliação prévia de US$ 12 bilhões (R$ 62 bilhões).

Mais de 100 funcionários da startup, principalmente engenheiros, serão incorporados à Nvidia. O grupo trabalhará no Nemotron, projeto de modelos de pesos abertos apresentado pela companhia em 2023.

Fundada em 2023 por Eiso Kant e Jason Warner, ex-CTO do GitHub, a Poolside também tem Margarida Garcia na equipe de liderança. Os três não irão para a Nvidia e continuarão envolvidos em projetos de pesquisa ainda não divulgados.

A diferença dos modelos de pesos abertos está na possibilidade de download e modificação. Isso permite adaptar os sistemas para diferentes necessidades e, em geral, operar a tecnologia com custos menores.

China acelera a disputa

A Nvidia aumentou sua atenção ao segmento depois do avanço dos modelos chineses. Em março, criou a Nemotron Coalition, com empresas como Mistral, Thinking Machines Lab e Perplexity, para compartilhar dados, conhecimento e recursos computacionais.

O lançamento do primeiro modelo de pesos abertos de baixo custo da DeepSeek, em janeiro de 2025, foi um dos momentos que elevaram a pressão sobre as empresas americanas.

Entre os modelos chineses mencionados estão:

  • DeepSeek;
  • Kimi, da Moonshot;
  • GLM, da Z.AI;
  • outros sistemas de pesos abertos que vêm se aproximando dos modelos americanos.

Em uma carta publicada na rede X, Jensen Huang, CEO da Nvidia, defendeu que a liderança americana dependerá da construção de um ecossistema aberto capaz de chegar a diferentes setores.

O problema que levou ao acordo

A situação financeira da Poolside também ajudou a aproximar as duas empresas. No fim de 2025, a startup tentou levantar US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões) em seis semanas para pagar por um cluster com 40 mil servidores GB300. A captação não foi concluída.

“Não fechamos a tempo e perdemos o cluster”, escreveram os fundadores da Poolside aos acionistas.

O episódio deixou claro outro problema: sem novos recursos, a empresa poderia ficar sem capacidade computacional já no ano seguinte. A Nvidia tinha justamente a infraestrutura e o capital necessários para aliviar essa limitação.

Pouco antes do acordo, a Poolside havia lançado o Laguna S, modelo que ganhou popularidade entre os sistemas de pesos abertos no Ocidente.

Chip da Nvidia
A corrida da IA mudou de escala: a Nvidia quer vender os chips e também participar da criação dos modelos que eles alimentam. Imagem: Hairem/Shutterstock

Nvidia entra em terreno mais disputado

A operação cria uma situação incomum para a Nvidia. OpenAI e Anthropic estão entre seus grandes clientes de chips, mas também desenvolvem modelos que podem disputar mercado com o Nemotron.

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A empresa trabalha agora na versão mais avançada do projeto, que pode superar 1 trilhão de parâmetros. Alguns modelos chineses, segundo o texto, já são maiores.

Com a Poolside, a Nvidia deixa de atuar apenas nos bastidores da corrida da IA. A companhia passa a disputar também o desenvolvimento dos modelos que dependem de seus próprios processadores.

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Nvidia diz não ter planos de lançar chip de IA na China ainda este ano

A Nvidia negou, nesta quinta-feira (20), uma reportagem do The Information, segundo a qual a empresa começaria a enviar à China, até o fim deste ano, um novo chip de inteligência artificial (IA) desenvolvido especificamente para o mercado chinês.

Um porta-voz da companhia afirmou à Reuters que a informação é incorreta. Segundo a Nvidia, a empresa não possui atualmente vendas de unidades de processamento de linguagem (LPUs, na sigla em inglês) na China e não tem um produto específico desse tipo para o mercado chinês em seu roteiro de desenvolvimento.

A reportagem do The Information, publicada nesta quinta-feira, havia informado, citando dois funcionários da Nvidia, que a companhia planejava começar a fazer remessas em pequenos lotes de uma nova LPU até o fim de 2026. Segundo a publicação, alguns clientes chineses já teriam feito pedidos do produto.

De acordo com o relato, o chip teria sido desenvolvido com base em tecnologia licenciada da Groq e seria utilizado em conjunto com unidades de processamento gráfico (GPUs, na sigla em inglês) para acelerar a geração de respostas de chatbots de IA.

O produto teria sido projetado para cumprir as regras estadunidenses de controle de exportações. A estratégia ocorreria depois que as restrições impostas pelos Estados Unidos tornaram o sistema de IA Vera Rubin, da Nvidia, indisponível para o mercado chinês.

Leia mais:

Nvidia tenta manter presença na China

  • A Nvidia vem buscando alternativas para continuar atendendo clientes chineses em meio às restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos à exportação de chips avançados de IA para o país;
  • Em maio, Washington autorizou a venda dos H200, chips de IA da Nvidia, para um grupo limitado de empresas chinesas. Entre as companhias autorizadas estão Alibaba, Tencent e ByteDance;
  • As primeiras entregas dos H200 começaram recentemente. A Reuters informou na quarta-feira (19) que pequenos lotes desses chips já haviam chegado à China continental, embora a agência tenha ressaltado que não havia verificado de forma independente as informações divulgadas pelo Financial Times;
  • A Nvidia também vem promovendo sua CPU Vera junto a clientes chineses.

Apesar dos esforços para manter negócios no país, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou, em maio, que a companhia havia, “em grande parte, cedido” o mercado chinês de chips de IA à Huawei, sua principal concorrente doméstica.

A China é um mercado importante para a Nvidia, mas a disputa tecnológica entre Washington e Pequim tem limitado o acesso das empresas chinesas aos processadores mais avançados desenvolvidos nos Estados Unidos.

A própria Nvidia já havia trabalhado anteriormente em versões de seus chips adaptadas às regras americanas para permitir vendas à China. Em maio de 2025, a Reuters informou que a empresa estava ajustando o design de seus chips de IA para que pudessem ser vendidos a empresas chinesas sem violar as regras de exportação dos EUA.

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Nvidia garante até US$ 105 bilhões para novo data center da OpenAI

A Nvidia assumirá até US$ 105 bilhões em financiamento e capacidade computacional para um novo data center da OpenAI em Ohio. A estrutura terá inicialmente 4,25 gigawatts de capacidade, com possibilidade de expansão para outros 3,75 gigawatts.

O complexo será construído e administrado pela SB Energy no campus PORTS-Pike Technology Campus, em Pike City, sob um contrato de 20 anos com a OpenAI. A instalação deverá entrar em operação gradualmente a partir de 2028.

O acordo amplia a participação da Nvidia na expansão da infraestrutura necessária para inteligência artificial e ocorre em meio a uma série de iniciativas da empresa para viabilizar investimentos bilionários em data centers.

Um novo polo de computação para a OpenAI

OpenAI – Imagem: ioda/Shutterstock

O projeto prevê uma capacidade total potencial de 8 gigawatts. A Nvidia ficará responsável pelo fornecimento dos recursos computacionais, enquanto a SB Energy cuidará da construção e da administração da instalação.

A parceria envolve também a infraestrutura energética da região. SB Energy e SoftBank planejam instalar fontes capazes de atender 10 gigawatts de demanda e destinar pelo menos US$ 4,2 bilhões ao fortalecimento da rede elétrica local. Paralelamente, a Nvidia fará um investimento de US$ 1,5 bilhão na SB Energy.

A relação entre as empresas também passa pela própria OpenAI. A companhia de inteligência artificial possui participação na SB Energy, e seu CEO, Sam Altman, esteve entre os primeiros investidores da empresa.

Para a Nvidia, o acordo representa mais uma iniciativa voltada à criação de infraestrutura de longo prazo para seus sistemas de computação. Jensen Huang, CEO da companhia, afirmou em comunicado que a estrutura permitirá à OpenAI atualizar repetidamente sua capacidade conforme novas gerações de tecnologia forem lançadas.

O compromisso anunciado nesta segunda-feira (17) é menor que o valor de até US$ 250 bilhões que havia sido discutido anteriormente entre Nvidia e OpenAI. A possibilidade inicial previa uma garantia para que a OpenAI levantasse dívida destinada a um data center de 10 gigawatts em Ohio.

Silhueta de uma pessoa segurando um ícone de chip de IA digital contra um fundo azul, simbolizando conceitos de tecnologia e inteligência artificial.
IA – Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock

A redução já havia sido reportada pelo The Wall Street Journal, que apontou na semana anterior que a garantia poderia ficar abaixo de US$ 120 bilhões. O acordo divulgado agora estabelece o limite de US$ 105 bilhões.

A movimentação ocorre enquanto a Nvidia amplia sua atuação no financiamento da expansão dos data centers de inteligência artificial. Na semana anterior, a companhia se associou a seis grandes gestoras de ativos para estruturar mecanismos destinados a mobilizar US$ 500 bilhões em capital de terceiros para projetos do setor.

O modelo adotado no acordo de Ohio também reacende as discussões sobre o chamado financiamento circular no mercado de inteligência artificial, uma preocupação mencionada no contexto da crescente interdependência entre empresas que fornecem tecnologia, capital e infraestrutura para o setor.

A construção do empreendimento deverá gerar 35 mil empregos durante as obras até 2032, de acordo com a OpenAI. Depois da conclusão, a expectativa é de que o complexo mantenha 2,5 mil postos de trabalho permanentes.

A dimensão do projeto está diretamente relacionada à necessidade de maior disponibilidade de computação para sistemas avançados de inteligência artificial. Greg Brockman, presidente da OpenAI, afirmou à CNBC no programa “Squawk Box” que a capacidade computacional se tornou um recurso fundamental para a indústria.

A expansão em Ohio, portanto, não se limita à construção física de um novo data center. O empreendimento reúne financiamento, chips, capacidade de processamento, geração de energia e reforço da rede elétrica em uma mesma operação, ampliando o acesso da OpenAI aos recursos computacionais de alto desempenho necessários para seus sistemas.

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Nvidia lança novo modelo aberto de IA para aplicações empresariais

A Nvidia apresentou nesta terça-feira (11) o Nemotron 3.5 Lightning, um modelo aberto de inteligência artificial desenvolvido para empresas que buscam diminuir gastos com processamento de tokens sem abrir mão de recursos avançados.

A novidade foi anunciada pela companhia em meio à disputa entre modelos de IA abertos e fechados. Kari Briski, vice-presidente de software de IA generativa para empresas da Nvidia, explicou a estratégia durante o The Wall Street Journal Leadership Institute.

Além do novo modelo, a empresa lançou o Nemo Switchyard, uma biblioteca de código aberto capaz de direcionar diferentes tarefas de agentes de IA para modelos distintos. A proposta é equilibrar qualidade, velocidade e custo, além de reduzir a exposição de informações proprietárias.

Nvidia aposta em modelos menores e roteamento para controlar despesas

Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

O Nemotron 3.5 Lightning foi concebido em uma estrutura mais compacta, mas preserva conhecimentos presentes em modelos considerados mais potentes. Essa característica permite que empresas utilizem uma alternativa menos custosa para determinadas aplicações.

De acordo com Briski, a lógica econômica está em evitar o emprego de modelos maiores em tarefas rotineiras. O Switchyard complementa essa estratégia ao decidir qual modelo deve assumir cada atividade, levando em conta fatores como qualidade da resposta, tempo de processamento e preço.

A Nvidia desenvolveu inicialmente o sistema de roteamento para atender a uma necessidade própria. A companhia buscava administrar melhor o volume de tokens consumidos por suas aplicações de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, manter controle sobre sua propriedade intelectual.

Outro aspecto destacado pela executiva é a proteção de informações empresariais. Para organizações que trabalham com áreas especializadas, como segurança cibernética e ciência dos materiais, existe o receio de compartilhar conhecimento estratégico com fornecedores de IA que possam eventualmente competir nesses mesmos mercados.

Jensen Huang com o logo da Nvidia atrás de si
Nvidia – Imagem: FotoField/Shutterstock

Consoante a avaliação apresentada por Briski, modelos abertos oferecem às companhias maior possibilidade de adaptação, inclusive com treinamento utilizando dados próprios. Para a Nvidia, essa característica se soma à possibilidade de medir ganhos tanto em eficiência quanto em precisão.

O movimento ocorre um dia depois da Meta Platforms apresentar o Muse Glimmer, outro modelo aberto. A empresa descreveu a ferramenta como suficientemente pequena para funcionar em um computador Mac ou PC equipado com apenas uma GPU voltada ao mercado consumidor.

A Nvidia também aparece envolvida em outras frentes relacionadas à expansão da infraestrutura de inteligência artificial. A companhia firmou acordos com Apollo, Blackstone, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas de financiamento de capacidade computacional, com a meta de disponibilizar mais de US$ 500 bilhões em capital para clientes.

O cenário empresarial de IA descrito no material também inclui a Anthropic, que procura investidores antes de uma possível abertura de capital avaliada em US$ 965 bilhões, e a assinatura de um contrato de US$ 9,1 bilhões por 20 anos entre a empresa e a Riot Platforms para garantir capacidade de data center no Texas.

No setor de semicondutores, a Intel informou que pretende captar US$ 20 bilhões por meio da oferta pública de 210,5 milhões de ações a US$ 95 cada. A companhia afirmou anteriormente que observa forte demanda de clientes associada ao avanço dos investimentos em computação para inteligência artificial.

Apesar do lançamento do Nemotron 3.5, a versão 4.0 já está em desenvolvimento

A Nvidia também trabalha em uma nova família de modelos de inteligência artificial de código aberto, chamada Nemotron 4. O projeto ainda está em desenvolvimento e não tem uma data oficial de lançamento definida pela companhia.

De acordo com pessoas envolvidas no projeto citadas pelo veículo The Information, a versão de maior porte da nova geração deverá contar com pelo menos 1 trilhão de parâmetros. O treinamento final ainda não foi concluído, mas o modelo poderia ficar pronto no fim do outono no hemisfério norte.

A expansão dos modelos abertos também trouxe discussões sobre segurança. A possibilidade de utilização dessas ferramentas em aplicações de segurança cibernética, sem as mesmas restrições encontradas em determinados sistemas fechados, ganhou atenção após uma série de ataques atribuídos ao uso de agentes autônomos de IA.

Nesse contexto, a Nvidia formou no mês passado uma coalizão com outras empresas para desenvolver e compartilhar recursos voltados à segurança de inteligência artificial e à proteção cibernética. A companhia também assinou uma carta aberta ao lado de grandes empresas de tecnologia em defesa de modelos de pesos abertos, sob o argumento de que a inovação não deve migrar para outros mercados.

O Nemotron 4 representa, portanto, uma aposta de maior escala dentro da estratégia da Nvidia. Enquanto o Nemotron 3.5 Lightning apresentado nesta terça-feira é direcionado a tarefas específicas e ao controle dos custos computacionais, a próxima geração poderá ampliar a capacidade da empresa de competir diretamente no segmento de modelos abertos de grande porte.

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Nvidia prepara investimento de até US$ 3 bilhões em infraestrutura de IA

A Nvidia pretende destinar até US$ 3 bilhões à Lancium, desenvolvedora de infraestrutura de energia associada ao campus de data centers Stargate, no Texas. A informação foi divulgada na última sexta-feira (07) pelo The Information, com base em pessoas familiarizadas com o negócio.

O acordo prevê, inicialmente, US$ 2 bilhões por uma participação próxima de 20% na Lancium, empresa que tem o fundo Blackstone entre seus apoiadores. Um aporte adicional de US$ 1 bilhão poderá ocorrer caso determinados objetivos sejam alcançados, entre eles a conexão dos empreendimentos à rede elétrica.

A operação atribui à Lancium e ao conjunto de terrenos e conexões de energia sob seu controle um valor empresarial de aproximadamente US$ 10 bilhões. Os recursos também devem reforçar a expansão da companhia enquanto ela avalia uma eventual abertura de capital em 2027.

Aporte mira expansão da infraestrutura de energia

(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

A Lancium administra o Lancium Clean Campus, área de aproximadamente 1.000 acres localizada em Abilene, no Texas. O complexo é apontado como o primeiro local operacional ligado à iniciativa Stargate, projeto voltado à construção de data centers.

A estrutura do negócio estabelece uma primeira injeção de capital de US$ 2 bilhões, suficiente para assegurar à Nvidia uma fatia de cerca de um quinto da empresa. A possibilidade de elevar o investimento em mais US$ 1 bilhão está condicionada ao cumprimento de metas específicas, entre elas a obtenção de conexões com a rede elétrica.

O potencial desembolso total ocorre em um momento no qual a Lancium busca ampliar suas operações. De acordo com o relato divulgado pelo The Information, a companhia também examina a possibilidade de realizar uma oferta pública inicial de ações em 2027.

Exemplo de data center
Data center de IA – Imagem: KM Stock/Shutterstock

A Lancium é respaldada pela Blackstone, que aparece entre os investidores da empresa. Com o novo acordo, o valor empresarial estimado para a companhia, considerando seus ativos imobiliários e suas conexões de energia, chega a cerca de US$ 10 bilhões.

A operação está ligada ao avanço do Stargate, empreendimento formado por SoftBank, OpenAI e Oracle para desenvolver instalações de data centers. O projeto foi anunciado em janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que os participantes planejavam destinar até US$ 500 bilhões à infraestrutura necessária para inteligência artificial.

Nvidia e Lancium não haviam respondido imediatamente aos pedidos de comentário feitos pela Reuters sobre a operação.

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Depois da euforia, mercado cobra resultados da revolução da IA

Segundo a CNBC, as maiores empresas de chips do mundo perderam cerca de US$ 1,3 trilhão (aproximadamente R$ 6,65 trilhões) em valor de mercado nesta semana. A forte correção atingiu companhias que lideraram a alta da inteligência artificial e levantou dúvidas sobre o ritmo dos investimentos no setor.

Nvidia, Samsung, SK Hynix e outras gigantes foram afetadas pelo movimento. Para analistas, porém, a queda representa mais uma mudança de expectativas dos investidores do que uma perda de força da tecnologia.

Bilhões foram aplicados em infraestrutura de IA, mas investidores agora querem saber quando esses gastos vão virar receita. – Imagem: Andrei Armiagov / Shutterstock

Gigantes dos semicondutores sentem impacto após alta histórica

O mercado de chips foi um dos grandes vencedores da corrida pela inteligência artificial. Empresas que fornecem componentes para sistemas de IA receberam investimentos bilionários nos últimos meses, impulsionando suas ações.

Agora, parte dos investidores tenta entender se os futuros ganhos dessas companhias serão suficientes para justificar o tamanho das apostas feitas até aqui.

Segundo uma análise da CNBC com dados da FactSet, 20 das empresas de chips mais valiosas do mundo perderam juntas US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,65 trilhões) desde o fechamento de sexta-feira.

Entre as maiores perdas estão:

  • Nvidia: US$ 238 bilhões (aproximadamente R$ 1,22 trilhão);
  • SK Hynix: US$ 176 bilhões (cerca de R$ 901 bilhões);
  • Samsung Electronics: US$ 173 bilhões (aproximadamente R$ 886 bilhões);
  • Micron: US$ 113 bilhões (cerca de R$ 579 bilhões);
  • AMD: cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 563 bilhões).

Mesmo com o recuo recente, o índice Philadelphia Semiconductor Index (SOX), que acompanha 30 grandes empresas do setor negociadas nos Estados Unidos, ainda acumulava alta de 92% em 12 meses.

Mercado questiona gastos bilionários em infraestrutura de IA

Para Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, a reação dos investidores está mais ligada ao sentimento do mercado do que aos resultados financeiros das empresas.

“Essa queda parece ser impulsionada principalmente pelo sentimento, e não pelos fundamentos”, afirmou.

Leia mais:

Charlie Dai, vice-presidente e analista principal da Forrester, explicou que o mercado está reavaliando se as receitas esperadas conseguirão acompanhar os níveis recordes de investimento em infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo ele, o movimento representa uma correção após uma valorização excepcional, e não necessariamente uma redução na demanda por IA.

Ilustração de chip de inteligência artificial (IA) em Wall Street para representar investimentos em tecnologia
A inteligência artificial continua em alta, mas o mercado agora cobra resultados para justificar a enorme expectativa criada. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digita

Queda se espalha por bolsas da Ásia e Europa

A pressão sobre as ações de chips também chegou aos mercados internacionais. Na Coreia do Sul, a SK Hynix fechou em queda de 9,61%, mesmo após divulgar resultados trimestrais recordes. A Samsung Electronics recuou mais de 5%.

No Japão, fabricantes como Kioxia e Tokyo Electron também registraram perdas. Já a TSMC, maior fabricante terceirizada de chips do mundo, caiu 3,51%.

Apesar da instabilidade, alguns investidores enxergam oportunidades. Kieron Poon, diretor de investimentos em ações asiáticas da Aberdeen Investments, afirmou que a correção deixou algumas empresas de alta qualidade com avaliações mais atrativas.

Já para David Riedel, fundador e presidente da Riedel Research Group, o mercado apenas devolveu parte do excesso de valorização criado pelo entusiasmo com a IA. Para ele, o setor continua saudável, mas precisa absorver os ganhos acelerados registrados anteriormente.

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