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Disputa por IA ameaça acordo de segurança entre EUA e China

A corrida pela inteligência artificial ganhou um novo atrito entre Estados Unidos e China. Acusações contra empresas chinesas e possíveis sanções levantam dúvidas sobre o futuro da cooperação para criar padrões de segurança para modelos avançados.

Segundo a Reuters, especialistas avaliam que a disputa acontece em um momento delicado, quando sistemas mais poderosos aumentam preocupações com ataques cibernéticos e outros usos mal-intencionados.

Modelos de IA cada vez mais avançados levantam uma pergunta: como garantir segurança sem frear a inovação? – Imagem: vittaya pinpan / Shutterstock

Acusação contra Moonshot aumenta pressão sobre a China

O governo americano acusou o laboratório chinês Moonshot de ter desenvolvido o modelo Kimi K3 usando técnicas de destilação a partir do Fable 5, da Anthropic. A tecnologia permite aproveitar respostas de modelos mais avançados para treinar novas ferramentas, reduzindo custos de desenvolvimento.

A denúncia levou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, a mencionar a possibilidade de sanções. O Departamento de Comércio americano também investiga se empresas chinesas acessaram chips avançados de forma irregular para treinar seus sistemas.

A tensão envolve uma disputa maior: os dois países querem liderar o avanço da IA, mas também precisam lidar com riscos relacionados ao uso dessas tecnologias.

Entre as principais preocupações estão:

  • uso de modelos avançados em ataques cibernéticos;
  • dificuldade de controlar ferramentas de código aberto;
  • ausência de padrões globais de segurança;
  • alterações feitas nos sistemas após o lançamento.

Dependendo do número de empresas chinesas atingidas e da natureza das ações punitivas tomadas, a retaliação tem potencial para inviabilizar tanto o diálogo sobre IA quanto a reunião de 24 de setembro entre os presidentes Trump e Xi.

Paul Triolo, sócio do DGA-Albright Stonebridge Group, à Reuters.

Aplicativo da Kimi K3 em uma loja
A acusação contra a chinesa Moonshot colocou a corrida global pela inteligência artificial no centro das atenções. – Imagem: Robert Way/Shutterstock

Modelos abertos entram no debate sobre riscos

Os chamados modelos open-weight, que podem ser baixados, modificados e redistribuídos, também estão no centro das discussões. Segundo especialistas, esse formato dificulta o controle sobre mudanças feitas depois que a tecnologia chega aos usuários.

A Hugging Face utilizou recentemente o modelo chinês GLM-5.2 para conter um ataque cibernético realizado por um agente da OpenAI durante testes de segurança. O caso chamou atenção porque mostrou uma situação em que uma ferramenta aberta conseguiu atuar onde sistemas fechados tinham limitações.

O pesquisador Yoshua Bengio defendeu avaliações mais rigorosas antes da liberação desses modelos.

“O lógico é encontrar uma boa avaliação desses modelos, compartilhar os modelos que não são muito perigosos e não compartilhar aqueles acima do limite de risco”, afirmou.

Um cadeado metálico escuro, flutuante e semitransparente, que se dissolve nas bordas em fluxos de dados brilhantes e nós neurais interconectados, flutuando sobre um fundo de circuitos em tons de azul-marinho profundo e turquesa
Modelos de código aberto podem ser modificados por qualquer pessoa, mas também trazem novos desafios de segurança. – Imagem: Pedro Spadoni via Gemini/Olhar Digital

EUA e China divergem sobre regras futuras

Na China, modelos de IA precisam passar por avaliações de segurança e conteúdo antes do lançamento, mas as regras atuais não abrangem todas as modificações feitas posteriormente. Nos Estados Unidos, empresas podem enviar seus sistemas voluntariamente para testes do Center for AI Standards and Innovation (CAISI).

Leia mais:

O debate também divide o setor americano. Algumas empresas defendem medidas contra modelos chineses de baixo custo, enquanto representantes do governo alertam que restrições excessivas podem prejudicar a inovação.

David Sacks, conselheiro de IA da Casa Branca, afirmou que grandes laboratórios americanos querem eliminar concorrentes de código aberto e defendeu uma disputa mais equilibrada.

A disputa entre Washington e Pequim mostra que a corrida pela inteligência artificial envolve mais do que criar modelos poderosos. O futuro da segurança da tecnologia dependerá da capacidade dos países de manter algum nível de cooperação mesmo em meio à competição.

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Guerra da IA: empresas dos EUA dizem que China copia seus chatbots

A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança da IA ganhou um novo capítulo. Segundo reportagem do The Washington Post, empresas americanas afirmam que concorrentes chinesas estariam recorrendo à técnica de destilação para acelerar o desenvolvimento de seus próprios sistemas de IA.

A corrida deixou de envolver apenas inovação. Hoje, também reúne interesses econômicos, segurança nacional e a disputa pelo domínio de uma das tecnologias mais estratégicas do mundo.

Empresas como Anthropic e OpenAI alertam para práticas que podem estar acelerando o avanço da IA chinesa. – Imagem: Primakov / Shutterstock

Como funciona a destilação

Nos últimos meses, a Anthropic chegou a testar um sistema para identificar usuários do Claude Code ligados a empresas chinesas de IA. O mecanismo verificava informações como fuso horário e determinados domínios de internet, mas foi retirado após críticas de especialistas em privacidade.

O episódio expôs uma preocupação crescente das empresas americanas com a chamada destilação. A técnica utiliza respostas produzidas por modelos avançados para treinar sistemas menores e mais baratos. Embora seja comum na indústria, seu uso sem autorização viola as regras estabelecidas pelos desenvolvedores desses modelos.

Chineses reduzem a diferença

Conforme relata o The Washington Post, a distância tecnológica entre os dois países diminuiu rapidamente. Laboratórios chineses passaram a lançar sistemas capazes de competir com soluções desenvolvidas nos Estados Unidos e, em alguns casos, oferecendo alternativas gratuitas.

Entre os principais pontos destacados estão:

  • empresas americanas acusam rivais chinesas de usar destilação sem autorização;
  • modelos chineses gratuitos ganham espaço entre pesquisadores e desenvolvedores;
  • a Anthropic afirma ter identificado milhões de interações suspeitas com o Claude;
  • empresas dos EUA defendem regras mais rígidas para proteger seus modelos.

“Elas estão muito próximas”, disse Srinivas Mukkamala, CEO da empresa de cibersegurança Securin, ao comentar a evolução dos modelos chineses. Segundo ele, além da qualidade, essas soluções “não custam nada”.

Washington endurece o discurso

A Anthropic e a OpenAI passaram a defender que o uso indevido da destilação representa não apenas um problema de propriedade intelectual, mas também uma questão de segurança nacional. Essa visão passou a influenciar parte das discussões do governo americano sobre novas restrições ao acesso de laboratórios chineses às tecnologias desenvolvidas nos EUA.

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“A argumentação da Anthropic é que esta é uma disputa geopolítica pelo futuro do mundo, da liberdade e da democracia”, afirmou Kyle Chan, pesquisador do Centro para a China da Brookings Institution.

Pessoa utilizando ferramentas de inteligência artificial em um notebook.
Disputa entre gigantes da IA expõe nova era de espionagem, inovação e controle de tecnologia. – Imagem: vittaya pinpan / Shutterstock

Uma disputa sem prazo para acabar

Mesmo com restrições mais rígidas, impedir completamente o acesso aos modelos americanos continua sendo um desafio. Segundo o The Washington Post, usuários chineses recorrem a contas de terceiros, servidores proxy e outros serviços para contornar os bloqueios.

Especialistas também alertam que atribuir o avanço da IA chinesa apenas à destilação pode levar à subestimação da capacidade de inovação da indústria do país. Enquanto governos discutem novas barreiras e empresas reforçam seus mecanismos de proteção, a competição entre Estados Unidos e China continua moldando o futuro da inteligência artificial.

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Governo dos Estados Unidos pode ganhar um pedacinho da OpenAI

A OpenAI discutiu a possibilidade de conceder à Casa Branca uma participação de 5% na startup, segundo informações do Financial Times.

De acordo com a reportagem, a desenvolvedora do ChatGPT teria sugerido que outras companhias americanas do setor de inteligência artificial seguissem o mesmo caminho.

Não há informações complementares a respeito de outras empresas – se concordariam ou não com a medida apresentada pela OpenAI.

O Financial Times traz que o CEO Sam Altman discutiu a venda da participação acionária com o presidente Donald Trump, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o secretário do Tesouro Scott Bessent.

Outro político que teria conversado com o executivo foi o senador democrata Bernie Sanders.

A ideia de Altman é que empresas de IA dos EUA coloquem 5% de seu capital social em uma iniciativa similar ao Alaska Permanent Fund, uma entidade estatal financiada com verbas do petróleo que paga dividendos anuais à população e compõe parte do orçamento do Alasca.

Uma participação de 5% valeria aproximadamente US$ 42,6 bilhões (R$ 221,64 bilhões), após o laboratório de IA ter concluído uma rodada de financiamento recorde em março – chegando a uma avaliação pós-investimento de US$ 852 bilhões (R$ 4,4 trilhões).

De acordo com a reportagem, as negociações são “conceituais” e estão em fase inicial. Qualquer acordo poderá exigir uma lei do Congresso para ser implementado.

Contexto

Essa informação chega em um contexto de embate entre empresas de IA e o governo americano. Há dois pontos principais: o potencial uso indevido de modelos mais avançados e a participação dos americanos nos lucros do setor.

Vamos entender:

  • Em junho, o presidente Donald Trump afirmou que estava avaliando formas de dar à população uma participação nas maiores empresas de IA. Essa seria uma solução para a preocupação constante de que, individualmente, americanos não teriam nenhum ganho com os potenciais lucros do setor.
  • A OpenAI chegou a propor um fundo de investimento para empresas de IA que destinaria lucros à população.
  • A Anthropic disse que avalia um “dividendo digital”, ou seja, pagamentos aos americanos financiados por impostos sobre o setor de IA.

E ainda:

  • Em junho, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que cria um marco voluntário para permitir que o governo federal avalie novos sistemas de IA antes de seu lançamento.
  • Nesta semana, os modelos Fable 5 e Mythos 5 voltaram a ficar disponíveis depois que o governo dos Estados Unidos suspendeu os controles de exportação aplicados à Anthropic. A mudança ocorre menos de três semanas após as restrições impostas por razões de segurança nacional.
  • As restrições haviam sido determinadas em 12 de junho e obrigaram a Anthropic a desativar os dois modelos para todos os usuários, já que não havia como verificar a nacionalidade de cada pessoa em tempo real.
  • Depois de implementar novas salvaguardas, a empresa recebeu autorização para retomar o acesso. O Mythos 5 será disponibilizado gradualmente para parceiros nacionais e internacionais, enquanto o Fable 5, desenvolvido para o público em geral, está disponível desde quarta-feira (01).
  • OpenAI não vai colocar o GPT-5.6 nas mãos de todos os usuários de uma só vez. Atendendo a um pedido do governo dos Estados Unidos, a empresa decidiu iniciar a distribuição do novo modelo de inteligência artificial de forma gradual. A previsão é que a tecnologia chegue primeiro a um grupo restrito de parceiros. Se essa etapa ocorrer como esperado, o acesso será ampliado nas semanas seguintes.

OpenAI e Anthropic estão se preparando para abrir seu capital na bolsa de valores dos EUA, em movimentos que alguns investidores acreditam que podem avaliar ambas as empresas em mais de US$ 1 trilhão.

Até o momento, OpenAI e Casa Branca não se manifestaram sobre o assunto.

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Nova IA chinesa rivaliza com Mythos da Anthropic em testes de cibersegurança; saiba qual

A empresa chinesa Zhipu AI, conhecida como Z.ai, apresentou o modelo de inteligência artificial GLM-5.2, apontado por pesquisadores como capaz de atingir desempenho próximo ao sistema Mythos em tarefas ligadas à detecção de falhas de segurança digital. A divulgação foi publicada pelo The Verge no último domingo (28).

Segundo a avaliação relatada, embora o modelo chinês ainda fique atrás de soluções da Anthropic e da OpenAI em atividades gerais, a diferença teria diminuído em cenários específicos de cibersegurança, sobretudo na identificação de vulnerabilidades em sistemas.

O avanço chama a atenção de autoridades dos Estados Unidos, que já tratam modelos avançados capazes de encontrar brechas digitais como potenciais riscos à segurança nacional, especialmente em um contexto de restrições tecnológicas impostas à China.

Avanço técnico e impacto geopolítico na IA

Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

O GLM-5.2, desenvolvido pela Zhipu AI, integra o grupo dos chamados modelos de pesos abertos, o que permite seu download e execução em diferentes tipos de hardware disponíveis no mercado. Essa característica amplia o acesso à tecnologia, mas também levanta preocupações sobre uso indevido.

Conforme a reportagem, pesquisadores apontam que, em testes relacionados à detecção de vulnerabilidades, o sistema chinês teria alcançado resultados comparáveis ao Mythos, desenvolvido pela Anthropic. Apesar disso, seu desempenho geral ainda não alcança modelos como os da própria Anthropic e da OpenAI.

Representação de um processador com as bandeiras de China e EUA irradiando energia
EUA x China – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

No cenário mais amplo, o texto indica que a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos se intensifica, com destaque para restrições impostas pelo governo norte-americano ao acesso chinês a modelos avançados e componentes necessários para treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Autoridades dos Estados Unidos, segundo o material analisado, consideram ferramentas como Mythos e outros modelos avançados potenciais ameaças à segurança nacional, sobretudo quando aplicadas à identificação de falhas em infraestruturas digitais críticas.

Além disso, o lançamento recente de versões mais avançadas da OpenAI, como o GPT-5.6, também aparece no contexto de debates regulatórios e preocupações sobre possíveis usos indevidos dessas tecnologias.

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China surpreende e tira dos EUA o título de supercomputador mais poderoso do mundo

A China voltou ao topo do ranking mundial de supercomputadores pela primeira vez desde 2017, depois que um sistema instalado em Shenzhen foi reconhecido como o mais rápido do planeta, destaca o The New York Times. O resultado reacende a corrida tecnológica com os Estados Unidos em áreas estratégicas como ciência, inteligência artificial e segurança nacional.

Batizado de LineShine, o equipamento superou o antigo líder americano nos testes de desempenho e chamou atenção por seguir um caminho pouco comum: alcançar alta velocidade sem depender de GPUs.

Supercomputador chinês LineShine surpreende especialistas ao assumir liderança mundial e reacender disputa tecnológica com os EUA. – Imagem: Knight00730/Shutterstock

China volta ao topo depois de oito anos

Desenvolvido em Shenzhen, o LineShine foi avaliado pelos testes do ranking Top500 e desbancou o El Capitan, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, que ocupava a liderança desde novembro de 2024.

Segundo Jack Dongarra, um dos organizadores do Top500, a máquina chinesa registrou desempenho mais de 20% superior ao do rival americano. O pesquisador visitou recentemente o centro de computação e saiu impressionado com o que viu.

“É um sistema impressionante”, disse. “Eles nos superaram ao desenvolver um sistema que não depende de GPUs.”

A conquista encerra um jejum de oito anos. Há bastante tempo especialistas acreditavam que a China tinha sistemas capazes de alcançar o topo, mas os laboratórios do país vinham evitando apresentar seus resultados ao ranking internacional.

Representação de um data center
Sistema de Shenzhen impressiona ao combinar 14 milhões de núcleos e arquitetura baseada em tecnologia da Arm Holdings. Imagem: vectorfusionart/Shutterstock

O detalhe que tornou o LineShine diferente

Mais do que a velocidade, foi a arquitetura da máquina que chamou atenção. Atualmente, os sistemas mais poderosos do mundo dependem de GPUs para lidar com tarefas complexas. O LineShine seguiu outro caminho e combinou CPUs tradicionais com circuitos dedicados a acelerar cálculos vetoriais e matriciais.

Para Dongarra, essa estrutura pode representar uma maneira mais eficiente de aproximar a inteligência artificial das aplicações científicas.

Alguns números ajudam a dimensionar o tamanho do projeto:

  • Uso exclusivo de microprocessadores convencionais (CPUs);
  • Cerca de 14 milhões de núcleos de computação;
  • Estrutura distribuída em 90 gabinetes de hardware;
  • Circuitos especializados para cálculos matriciais e vetoriais;
  • Arquitetura baseada em instruções licenciadas da Arm Holdings.

Uma curiosidade permanece sem resposta. Os responsáveis pelo projeto não revelaram qual empresa fabricou os chips nem quais tecnologias foram utilizadas em sua produção.

A rivalidade entre China e EUA ganhou um novo capítulo

O desempenho do LineShine surge em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips avançados. Enquanto OpenAI, Google e Anthropic seguem expandindo seus modelos de IA, os chineses vêm apostando em soluções alternativas para continuar avançando.

Ilustração de chip da China
Supercomputador chinês reforça mudança de rota na indústria ao priorizar CPUs em vez de chips gráficos especializados. Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

Para Jimmy Goodrich, pesquisador do Instituto de Conflitos Globais e Cooperação da Universidade da Califórnia, o resultado expõe uma brecha nas regras atuais.

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“O governo dos EUA deveria ter controles mais rigorosos sobre a exportação e a fabricação de CPUs para o mercado chinês”, afirmou. “É uma brecha nas regulamentações atuais.”

Embora especialistas observem que os grandes sistemas americanos de IA ainda levem vantagem em algumas tarefas, o retorno da China ao topo não chega a ser uma surpresa completa. Segundo Addison Snell, da Intersect360 Research, a maior novidade não foi descobrir que os chineses tinham uma máquina capaz de liderar o ranking, mas sim a decisão de finalmente buscar reconhecimento internacional para o projeto.

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Europa pode ficar para trás na disputa global pela IA até 2031, preveem analistas

Um exercício narrativo produzido por analistas em Bruxelas projeta um futuro em que, até 2031, Estados Unidos e China consolidam vantagem decisiva na inteligência artificial. Nesse quadro, a Europa aparece como espectadora de uma disputa tecnológica que redefine economia, política e segurança global.

A história imaginada ganhou circulação entre autoridades europeias após ser associada a movimentos reais de restrição tecnológica e a debates sobre infraestrutura de IA, incluindo a limitação de acesso a modelos avançados como o Claude Fable pela administração norte-americana. O material foi elaborado por integrantes ligados ao Arq Foundation.

O enredo foi usado como alerta por seus autores, que defendem ser necessário acelerar investimentos em datacenters e capacidade computacional, enquanto críticos apontam que o cenário mistura tendências reais com extrapolações incertas sobre o futuro da tecnologia.

Cenário de disputa tecnológica e projeção europeia

Potências vêm brigando pelo controle da tecnologia no mundo todo – Imagem: Pla2na/Shutterstock

A narrativa chamada, “Europe 2031”, foi desenvolvida em Bruxelas por pesquisadores associados ao Arq Foundation, organização que não revela sua fonte de financiamento. O texto apresenta uma Europa que teria perdido relevância tecnológica por não acompanhar o ritmo de investimento dos Estados Unidos e da China em inteligência artificial e infraestrutura digital.

Segundo o engenheiro e pesquisador Maximilian Negele, que atuou no projeto após passagem por um instituto de pesquisa norte-americano, existe um descompasso de comunicação entre centros decisórios europeus e polos de inovação em San Francisco. Ele descreve a situação europeia como uma evolução lenta diante de mudanças aceleradas no setor tecnológico global.

No cenário ficcional, empresas norte-americanas teriam direcionado enormes volumes de capital para a construção de datacenters e reorganizado completamente seus modelos de trabalho com IA, enquanto a Europa manteria políticas mais cautelosas e menor ritmo de adoção tecnológica.

Economia global, infraestrutura e concentração de poder

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de inteligência artificial (IA) – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O enredo descreve um futuro em que os Estados Unidos alcançariam cerca de 70% da capacidade global de processamento computacional, elemento considerado essencial para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial avançados. Essa concentração colocaria a Europa em posição de dependência tecnológica.

O texto também menciona movimentos corporativos de grande escala envolvendo empresas como OpenAI, Nvidia e Oracle, com acordos bilionários que, segundo o próprio material, já apresentariam sinais de instabilidade ou revisão. Projetos de expansão de infraestrutura nos Estados Unidos, incluindo iniciativas no Texas, aparecem como símbolo dessa corrida por capacidade computacional.

Nesse contexto, a Europa teria dificuldades em converter ativos estratégicos, como a empresa holandesa ASML, em vantagem política ou econômica, mesmo diante de tensões com Estados Unidos e China.

Política, regulação e disputa por soberania

A projeção também aborda impactos políticos, sugerindo que a ausência de liderança europeia em IA poderia intensificar crises econômicas, aumento do desemprego e instabilidade institucional. O texto inclui ainda a hipótese de uso de tecnologias avançadas em ciberataques e vigilância.

O debate ganhou eco entre autoridades, como o eurodeputado espanhol Nicolás Casares, que reconhece a utilidade do cenário como provocação, mas alerta para exageros na forma como os riscos são apresentados. Para ele, a discussão central envolve quem controla a infraestrutura de inteligência artificial e quem se beneficia dela.

Os autores defendem que a solução passa por expansão acelerada de datacenters e flexibilização regulatória na Europa, enquanto críticos argumentam que essa corrida pode reforçar dependência tecnológica em vez de autonomia.

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Banco Central Europeu revela impacto limitado da IA sobre empregos e salários nos EUA

Um estudo divulgado recentemente pelo Banco Central Europeu analisou o efeito da expansão da inteligência artificial no mercado de trabalho dos Estados Unidos entre 2019 e 2025. A investigação considera como o avanço dessas tecnologias pode alterar funções profissionais, especialmente em setores mais expostos à automação.

Segundo a análise, apesar das preocupações sobre substituição em larga escala de trabalhadores, o impacto agregado sobre emprego e salários no país ainda não se mostrou significativo no período observado. O levantamento indica que mudanças vêm ocorrendo de forma gradual, com realocação de profissionais entre diferentes áreas.

O documento também observa que funções consideradas de maior risco de substituição por IA perderam participação relativa, enquanto ocupações menos expostas ganharam espaço, sinalizando uma reorganização progressiva do mercado de trabalho norte-americano.

Reorganização gradual do trabalho diante da IA

Banco Central Europeu – Imagem: Todamo/Shutterstock

O relatório do Banco Central Europeu descreve que empresas vêm aumentando investimentos em inteligência artificial nos últimos anos, o que alimentou receios sobre substituição de mão de obra e ampliação de desigualdades. Ainda assim, o estudo indica que, até o momento, os efeitos gerais permanecem contidos.

Entre 2019 e 2025, ocupações com alto risco de substituição por IA cresceram em ritmo menor do que aquelas consideradas menos vulneráveis. Segundo o documento, a diferença chega a cerca de 15 pontos percentuais em termos de crescimento relativo.

O levantamento também aponta queda média superior a 4% no número de empregos mais expostos, como economistas e designers gráficos. Em sentido oposto, funções com menor risco, como eletricistas e professores do ensino médio, registraram alta aproximada de 13% no mesmo intervalo.

A participação desses dois grupos no total de empregos também se alterou: as ocupações menos vulneráveis passaram de 23% para 25%, enquanto as mais expostas recuaram de 35% para 33%, indicando redistribuição no mercado de trabalho.

Ilustração de notas de dólares voando ao redor de quadrado com AI escrito, sigla em inglês para Inteligência Artificial
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

No campo da renda, o estudo não identificou impacto relevante sobre o crescimento salarial desde 2019. Ainda assim, o documento ressalta que efeitos mais intensos podem surgir no futuro, à medida que ferramentas de IA evoluem para modelos mais generativos e a adaptação do mercado se intensifica.

Em uma das passagens do relatório, o Banco Central Europeu afirma: “Sobretudo entre 2019 e 2025, os empregos com alto risco de substituição cresceram cerca de 15 pontos percentuais a menos do que os empregos com baixo risco de substituição.

Em outra parte, o órgão acrescenta: “O risco de substituição por IA não teve impacto significativo no crescimento dos salários desde 2019.

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Anthropic intensifica negociações para derrubar bloqueio dos EUA a modelos de inteligência artificial

A Anthropic mobilizou sua cúpula técnica e representantes de políticas públicas para Washington no fim de semana, após o governo de Donald Trump restringir o uso internacional dos modelos de inteligência artificial Fable 5 e Mythos 5. A medida, anunciada na sexta-feira (12), levou a empresa a suspender o acesso às ferramentas fora dos Estados Unidos.

As conversas envolveram integrantes da administração federal e executivos da startup, que buscam uma saída para as limitações impostas às tecnologias. O impasse surgiu depois que autoridades americanas passaram a questionar mecanismos de proteção dos sistemas, diante de pesquisas que apontaram a possibilidade de obter informações sobre vulnerabilidades de softwares.

O objetivo das negociações é encontrar uma solução que permita restabelecer o acesso aos modelos mais avançados da companhia, ao mesmo tempo em que atenda às exigências de segurança levantadas pelo governo.

Empresa busca acordo após restrição atingir modelos de ponta

Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Segundo o The Wall Street Journal, representantes da Anthropic e integrantes do governo estadunidense passaram horas em reuniões e ligações ao longo do fim de semana para discutir os impactos da decisão.

Entre os participantes estavam o secretário de Comércio, Howard Lutnick, o diretor nacional de cibernética, Sean Cairncross, além de Tom Brown, cofundador e diretor de computação da startup, e Sarah Heck, responsável pela área de políticas públicas da empresa.

Pessoas familiarizadas com as conversas relataram à publicação que existe interesse mútuo em encerrar o impasse. Ainda assim, não havia clareza sobre quais condições poderiam viabilizar a retomada do acesso aos modelos bloqueados.

Paralelamente, especialistas da área de segurança digital manifestaram preocupação com a decisão. Um grupo de profissionais divulgou uma carta defendendo a retirada das restrições, argumentando que a medida pode prejudicar a posição dos Estados Unidos na corrida pela liderança em inteligência artificial.

Na avaliação dos signatários, “essa ação tirou os melhores modelos dos defensores, criou incerteza no mercado e colocou em risco a liderança de IA dos Estados Unidos sem nenhum risco real para justificá-la”, afirmaram pesquisadores de segurança cibernética em carta encaminhada à administração estadunidense.

O episódio ocorre após meses de divergências entre a Anthropic e órgãos do governo sobre regras de utilização e supervisão de sistemas avançados de inteligência artificial. O texto informa que também havia desacordos envolvendo o uso dos modelos pela área militar e discussões relacionadas à formulação de políticas públicas para o setor.

A controvérsia ganhou força depois que pesquisadores da Amazon identificaram formas de contornar determinadas barreiras de proteção do Fable. Segundo a reportagem, os testes permitiram obter informações sobre falhas existentes em pelo menos quatro programas de computador ao modificar a forma como os pedidos eram feitos ao sistema.

Logo da Anthropic em um smartphone; ao fundo, várias linhas de código de programação
Preocupações com segurança ganharam força – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Especialistas ouvidos pela publicação observaram, porém, que o estudo não apontou a geração de ferramentas ofensivas destinadas a ataques cibernéticos. O material teria demonstrado a capacidade de localizar vulnerabilidades, recurso que também pode ser empregado por equipes responsáveis pela defesa de redes e sistemas.

Consoante a posição divulgada pela Anthropic, as fragilidades destacadas pelos pesquisadores seriam relativamente simples e poderiam ser identificadas por outros modelos já disponíveis ao público. A empresa também sustentou que os resultados não configurariam uma quebra completa das salvaguardas implementadas na tecnologia.

Em meio à escalada da crise, a companhia enviou a Washington alguns de seus principais especialistas em segurança e avaliação de riscos. A expectativa era apresentar detalhes técnicos sobre os mecanismos de proteção adotados e reduzir a tensão entre a empresa e a administração federal.

A reação do governo ocorreu rapidamente. Após discussões internas e contatos entre autoridades e representantes do setor privado, a Anthropic recebeu pressão para retirar os modelos de circulação. Na mesma noite em que a restrição foi formalizada, a startup interrompeu o acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 para cumprir a determinação.

Para parte da comunidade de segurança digital, a resposta oficial foi excessiva. Katie Moussouris, diretora-executiva da empresa de cibersegurança Luta Security, avaliou que a suspensão da versão mais recente do Mythos produz efeitos negativos para atividades de proteção digital e para interesses estratégicos do próprio país.

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EUA proíbem uso das novas IAs da Anthropic por estrangeiros

Uma decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos na sexta-feira (12) provocou forte repercussão no setor de inteligência artificial. O Departamento de Comércio determinou que estrangeiros não poderão acessar os novos modelos de IA lançados pela Anthropic, empresa responsável pelo assistente Claude

A medida vale tanto para pessoas que vivem fora do país quanto para estrangeiros que estão em território estadunidense.

Especialistas alertam que a IA poderosa da Anthropic pode ser usada para obter informações sensíveis, burlar regras de segurança ou explorar vulnerabilidades tecnológicas. – Crédito: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

Em resumo:

  • EUA proibiram estrangeiros de acessar novos modelos da Anthropic;
  • Anthropic suspendeu globalmente ferramentas Fable 5 e Mythos 5;
  • Governo teme jailbreaks que burlam proteções de segurança;
  • Empresa critica medida e pede regras transparentes;
  • Caso amplia debate entre inovação, segurança e regulação.

Para cumprir a determinação, a companhia precisou interromper o acesso global aos modelos recém-lançados. A ordem foi emitida poucos dias após a chegada ao mercado das ferramentas Fable 5 e Mythos 5, apresentadas pela empresa como uma nova geração de sistemas de inteligência artificial com capacidades avançadas.

Anthropic vê exagero na decisão do governo

Embora o governo não tenha detalhado oficialmente os motivos da restrição, fontes ligadas ao caso indicam que a preocupação estaria relacionada à possibilidade de os sistemas serem alvo de técnicas conhecidas como “jailbreak”, segundo o jornal The New York Times. Esse tipo de procedimento busca contornar os mecanismos de segurança das IAs para obter respostas ou comportamentos que normalmente seriam bloqueados.

Na prática, um jailbreak utiliza instruções elaboradas, simulações ou estratégias de engenharia de prompt para convencer o sistema a ignorar limitações impostas pelos desenvolvedores. Especialistas alertam que esse recurso pode ser usado para obter informações sensíveis, burlar regras de segurança ou explorar vulnerabilidades tecnológicas.

A Anthropic afirmou que sempre reconheceu a existência desse tipo de risco, mas considera a reação do governo exagerada. Em comunicado divulgado em seu site e nas redes sociais, a empresa classificou a decisão como um possível mal-entendido e defendeu que eventuais restrições devem seguir critérios transparentes, baseados em evidências técnicas e em processos regulatórios claros.

Para a companhia, impedir o acesso aos modelos por causa da possibilidade de jailbreak criaria um precedente que poderia afetar praticamente toda a indústria de inteligência artificial. Isso porque nenhuma grande empresa do setor está totalmente livre desse tipo de vulnerabilidade, apesar dos constantes investimentos em mecanismos de proteção.

Os modelos afetados haviam sido disponibilizados ao público poucos dias antes da restrição. Inicialmente, o acesso seria gratuito por um período limitado. Depois, os usuários passariam a utilizar a tecnologia por meio de cobrança baseada em requisições feitas às interfaces de programação (APIs).

O sistema Fable 5 foi desenvolvido com camadas extras de proteção para impedir respostas relacionadas a temas considerados sensíveis, como cibersegurança ofensiva, biologia avançada e outras áreas que poderiam ser exploradas para atividades ilegais. A empresa afirma que consultas consideradas de maior risco seriam direcionadas para versões mais antigas da tecnologia.

Logo da Anthropic em um smartphone na horizontal
EUA restringem acesso ao Fable, IA da Anthropic voltada para segurança digital e análise de código. – Crédito: Samuel Boivin/Shutterstock

Especialistas divergem sobre a medida

Apesar dessas barreiras, especialistas divergem sobre a eficácia das medidas. Parte da comunidade de segurança digital considera que sistemas tão avançados podem representar novas ameaças caso caiam em mãos mal-intencionadas. Outros pesquisadores argumentam que as mesmas capacidades podem ser utilizadas para fortalecer defesas e identificar vulnerabilidades antes que criminosos as explorem.

As discussões sobre os riscos dos novos modelos ganharam força após testes realizados por pesquisadores que tiveram acesso antecipado ao Mythos. Alguns classificaram a ferramenta como um avanço preocupante no campo da cibersegurança, enquanto outros a enxergaram como uma evolução gradual das tecnologias já disponíveis no mercado.

A decisão dos EUA também ocorre em meio a um debate mais amplo sobre a supervisão da IA. Recentemente, o governo passou a discutir mecanismos para ampliar o monitoramento de sistemas avançados antes de sua liberação ao público. A mudança representa uma postura mais cautelosa em relação ao rápido crescimento da tecnologia.

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“Não tenho palavras”, diz ex-conselheiro de Inteligência Artificial de Trump

A relação entre a Casa Branca e a Anthropic já vinha apresentando atritos. Meses atrás, órgãos federais foram orientados a interromper o uso de ferramentas da empresa após divergências sobre a utilização dos modelos por forças militares. A startup defendia a adoção de salvaguardas técnicas para evitar usos considerados inadequados.

Mesmo diante das restrições, modelos anteriores da Anthropic continuam disponíveis. A empresa informou que sistemas como o Opus 4.8 não foram afetados pela ordem governamental e seguem operando normalmente para clientes autorizados.

A decisão causou surpresa entre especialistas em tecnologia e ex-integrantes do governo americano. Entre os críticos está Dean Ball, ex-conselheiro de inteligência artificial da administração Trump, que reagiu à notícia nas redes sociais dizendo: “Não tenho palavras”. Em seguida, classificou a medida como “desconcertante”. Para analistas do setor, a restrição contrasta com outras iniciativas recentes dos Estados Unidos voltadas ao fortalecimento da liderança do país no desenvolvimento de tecnologias avançadas.

O caso também reacendeu o debate sobre como equilibrar inovação e segurança. Enquanto governos discutem formas de reduzir riscos associados às novas tecnologias, empresas do setor alertam para a necessidade de regras claras que não impeçam o avanço de ferramentas consideradas estratégicas para a economia e para a pesquisa científica. Por enquanto, não há previsão oficial para o fim das restrições impostas aos novos modelos da Anthropic.

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Guerra no Oriente Médio ameaça cadeia global da IA

A guerra entre Irã e Estados Unidos começou a gerar efeitos diretos sobre a indústria global de semicondutores. Isso acontece em um momento de forte crescimento impulsionado pela inteligência artificial (IA).

Empresas responsáveis pela fabricação de chips e componentes alertaram investidores sobre aumento de custos, problemas logísticos e risco de escassez de matérias-primas essenciais para manter o ritmo acelerado da produção de hardware voltado à IA, segundo informações da CNBC.

Fabricantes, como TSMC, Foxconn e Infineon, destacaram em seus resultados financeiros que o conflito no Oriente Médio já afeta operações e margens de lucro.

O aumento do preço do petróleo elevou despesas com energia, transporte e frete internacional, enquanto cadeias de suprimentos consideradas estratégicas para o setor passaram a enfrentar dificuldades crescentes. Analistas avaliam que a situação ainda pode piorar nos próximos meses.

Para quem tem pressa:

  • Aumento nos custos de energia e logística internacional;
  • Risco de escassez de hélio e outros materiais críticos;
  • Necessidade de criar estoques de segurança;
  • Pressão sobre margens de lucro das fabricantes;
  • Impacto potencial sobre data centers de IA.

Hélio e energia entram na lista de preocupações do setor

O hélio aparece entre os materiais mais críticos para a fabricação de semicondutores. O gás é utilizado em diferentes etapas da produção de chips e depende diretamente da indústria de gás natural. O Catar, segundo maior fornecedor global do produto, teve sua capacidade de exportação afetada após ataques iranianos. Segundo dados da S&P Global, o país respondeu por mais de 30% da oferta mundial de hélio em 2025.

Fabricantes, como TSMC, Foxconn e Infineon, destacaram em seus resultados financeiros que o conflito no Oriente Médio já afeta operações e margens de lucro – Imagem: deepadesigns/Shutterstock

Além do hélio, empresas também relataram dificuldades envolvendo alumínio, bromo e outros insumos importantes para o setor. Em março, compradores europeus de chips precisaram recorrer a estoques de emergência após interrupções no transporte aéreo.

Francisco Jeronimo, analista da IDC, afirmou que os preços de gás, energia e frete continuam em níveis historicamente elevados e devem permanecer pressionados mesmo em caso de redução das tensões.

Fabricantes aceleram planos de diversificação

A TSMC informou que trabalha para ampliar fornecedores e criar soluções de múltiplas fontes de abastecimento. Segundo o CFO, Wendell Huang, a empresa busca construir uma cadeia global mais diversificada e fortalecer fornecedores locais. O VAT Group, fornecedor de componentes para fabricantes de chips, relatou interrupções logísticas e necessidade de redirecionar remessas por causa da guerra, com impacto milionário nas vendas trimestrais.

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Aumento do preço do petróleo elevou despesas com energia, transporte e frete internacional, enquanto cadeias de suprimentos consideradas estratégicas para o setor passaram a enfrentar dificuldades crescentes – Imagem: IM Imagery/Shutterstock

Apesar do cenário, investidores continuam apostando fortemente no setor de inteligência artificial. O índice PHLX Semiconductor, da Nasdaq, acumula forte valorização nos últimos meses, impulsionado pela demanda crescente por chips voltados à IA.

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Analistas afirmam que empresas com estoques robustos, fornecedores diversificados e maior poder de precificação devem enfrentar menos pressão ao longo de 2026, enquanto concorrentes menores podem sofrer impactos mais severos.

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