Estados Unidos

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Trump quer proibir o termo “inteligência artificial” nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta terça-feira (27), que pretende proibir oficialmente o uso da expressão “inteligência artificial” em documentos e outros contextos. Em publicação na rede social Truth Social, ele voltou a defender que a tecnologia passe a ser chamada de “superinteligência”, por considerar o nome atual impreciso.

A declaração foi feita em crítica ao jornal americano The Wall Street Journal, que, segundo Trump, ainda não adotou a terminologia de sua preferência.

“Em pouco tempo, vamos PROIBIR oficialmente o termo ‘IA/inteligência artificial’ em todos os documentos relevantes e em tudo mais, devido à sua imprecisão”, escreveu o presidente.

A manifestação amplia iniciativa que Trump já havia colocado em prática no governo. Em 29 de setembro, ele assinou uma ordem executiva determinando que departamentos e agências do Executivo federal adotassem os termos “Super Intelligence” e “SI” em correspondências oficiais, comunicações públicas e documentos de políticas públicas, deixando de usar as expressões “Artificial Intelligence” e “AI”.

A nova declaração, no entanto, não esclarece como uma eventual proibição mais ampla funcionaria, quais outros contextos seriam afetados nem quando as novas medidas entrariam em vigor.

Leia mais:

Por que Trump quer mudar o nome da inteligência artificial?

  • Trump considera que a palavra “artificial” transmite uma ideia equivocada sobre a tecnologia. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em setembro, o presidente argumentou que o termo faz a inteligência parecer falsa, quando, na visão dele, as capacidades desses sistemas seriam extraordinárias;
  • A preferência por “superinteligência” também foi incorporada ao discurso oficial do governo estadunidense, que apresenta a mudança como uma forma de reconhecer os avanços tecnológicos;
  • O conceito, porém, tem significado específico no campo da tecnologia. A superinteligência costuma ser associada a sistemas capazes de superar as habilidades cognitivas humanas em praticamente todas as áreas intelectuais. Trata-se de categoria distinta da inteligência artificial (IA) em sentido amplo, que abrange desde sistemas de reconhecimento de imagens até ferramentas generativas, como o ChatGPT;
  • Em análise publicada pela revista científica Nature em outubro, pesquisadores destacaram justamente essa diferença: a superinteligência é uma categoria aspiracional de sistemas tecnológicos, e não uma descrição consolidada de todas as ferramentas de IA existentes atualmente.

O que muda na prática?

Por enquanto, a mudança estabelecida pela ordem executiva de setembro se concentra no Poder Executivo federal. A declaração mais recente de Trump sugere a intenção de ampliar a substituição da terminologia, mas não apresenta detalhes suficientes para determinar o alcance de eventual proibição.

Também não há, na publicação citada, uma definição federal definitiva que estabeleça quais tecnologias se enquadrariam na categoria de “superinteligência”. A própria Casa Branca informou, ao anunciar a ordem executiva, que o governo deveria elaborar uma definição oficial para os termos “Super Intelligence” e “SI”.

Assim, a iniciativa representa uma mudança na linguagem adotada pelo governo estadunidense, mas não significa que todas as tecnologias atualmente conhecidas como inteligência artificial tenham passado a ser tecnicamente classificadas como superinteligência.

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China exige que EUA retirem DeepSeek de lista de proibições em órgãos federais

A China exigiu que os Estados Unidos revoguem a proibição do DeepSeek nos sistemas de agências federais civis. Pequim afirma que a medida prejudica empresas chinesas e desconsidera entendimentos firmados entre os líderes dos dois países.

A cobrança ocorre após uma ordem do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) motivada por preocupações com a segurança de dados. A reação chinesa também se estende a sanções americanas contra cinco entidades do país acusadas de roubo de segredos comerciais ligados à inteligência artificial.

Pequim afirma que a proibição do DeepSeek prejudica empresas chinesas e desconsidera entendimentos entre os dois países. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

Por que os EUA proibiram o DeepSeek?

Na segunda-feira (19), como comentamos aqui no Olhar Digital, o DHS determinou a remoção dos produtos da DeepSeek e de serviços de terceiros que utilizam seu modelo dos sistemas de tecnologia da informação das agências federais civis. A ordem também impede a aquisição dessas ferramentas pelos órgãos públicos abrangidos pela medida.

Segundo o departamento americano, os modelos apresentam “múltiplos vetores de ameaça”. A preocupação é que o uso da tecnologia por funcionários públicos ou fornecedores do governo possa resultar na transferência de informações confidenciais para a China.

A decisão foi criticada pelo Ministério do Comércio chinês, que exigiu que Washington “corrija imediatamente as práticas incorretas… e revogue as medidas restritivas discriminatórias relevantes”.

Pequim afirmou que acompanhará os desdobramentos e “tomará todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses. O governo também pediu que os dois países aproveitem o mecanismo de diálogo bilateral sobre inteligência artificial para lidar com as divergências.

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Pequim acusou Washington de aplicar medidas discriminatórias e desrespeitar acordos firmados entre os dois países. – Imagem: mundissima/Shutterstock

China também contesta sanções contra empresas

A reação chinesa inclui as sanções anunciadas na segunda-feira pelo Departamento de Estado americano contra cinco entidades chinesas por suposto roubo de segredos comerciais relacionados à IA.

Entre os alvos está a Shanghai Zhisuan Technology, fundada por Linwei Ding, ex-engenheiro de software do Google. Também foram sancionadas uma empresa de capital de risco que financiou a companhia e outras três entidades relacionadas.

Ding foi considerado culpado em janeiro por roubar segredos comerciais de IA do Google para beneficiar duas empresas chinesas. Em agosto, parte de sua condenação foi anulada.

O Ministério do Comércio chinês acusou os Estados Unidos de “exagerar a questão do chamado ‘roubo de segredos comerciais’” e difamar empresas do país.

As duas disputas envolvem questões distintas: de um lado, as restrições americanas ao uso de tecnologia chinesa em órgãos públicos; de outro, as acusações de roubo de propriedade intelectual. Pequim contesta ambas as medidas e pede que Washington reveja sua posição.

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EUA mandam banir inteligência artificial DeepSeek de redes federais

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) determinou que órgãos civis federais removam tecnologias de inteligência artificial da chinesa DeepSeek de seus sistemas de TI. A ordem também proíbe novas aquisições de produtos e serviços da empresa.

A restrição inclui ferramentas de empresas afiliadas e serviços de terceiros desenvolvidos com base na tecnologia da DeepSeek. O governo americano aponta riscos à segurança de dados, mas não estabeleceu um prazo para a retirada.

Proibição da IA se junta a restrições recentes impostas pelos EUA a drones e roteadores de marcas chinesas. Imagem:leolintang/Shutterstock

Governo aponta riscos de segurança

A determinação foi emitida com base na Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Aquisições Federais, de 2018, após uma análise do Conselho Federal de Segurança de Aquisições.

Segundo o DHS, os modelos de IA da DeepSeek apresentam “múltiplos vetores de ameaça”. O departamento teme que o uso dessas ferramentas por funcionários públicos ou fornecedores resulte na transferência de informações sensíveis para a China.

O órgão também afirma que a tecnologia poderia produzir informações de inteligência sobre cidadãos americanos e agências governamentais. Outra preocupação é a possibilidade de os próprios modelos conterem programas maliciosos ou vulnerabilidades de segurança.

A proibição não se limita aos produtos da empresa chinesa: serviços de terceiros que utilizam implementações de seus modelos também estão sujeitos à medida.

Ao fundo, bandeira da China; à frente, logo da DeepSeek em um smartphone
Autoridades americanas alertam que modelos de IA chineses podem conter programas maliciosos e falhas de segurança. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Restrições já atingem outros órgãos

A decisão federal amplia as restrições que já vinham sendo adotadas nos Estados Unidos. O Departamento de Comércio e a Marinha haviam proibido o uso da DeepSeek em dispositivos oficiais. Nova York, Tennessee e Virgínia também adotaram medidas semelhantes.

Em um memorando de julho, divulgado na segunda-feira, 19 de outubro, o DHS orientou as agências federais a monitorar o tráfego de dados que entra e sai dos sites governamentais. A iniciativa busca identificar possíveis riscos associados ao uso da tecnologia.

Entre as medidas adotadas ou propostas pelos Estados Unidos contra tecnologias chinesas estão:

  • Testes de eletrônicos: a Comissão Federal de Comunicações (FCC) deve votar em 29 de outubro uma proposta para impedir que laboratórios chineses testem dispositivos destinados ao mercado americano.
  • Drones e roteadores: a FCC proibiu a importação de novos modelos de drones chineses e de roteadores de consumo fabricados na China.
  • Componentes de hardware: a comissão votou em julho por restrições à venda de dispositivos que contenham componentes de empresas chinesas consideradas riscos à segurança nacional.
  • Telecomunicações: a agência propôs impedir que operadoras americanas mantenham conexões com empresas chinesas do setor classificadas como ameaças.

As iniciativas fazem parte de uma política mais ampla de contenção de riscos associados à tecnologia chinesa. Segundo o material de origem, 82% dos eletrônicos dos Estados Unidos eram testados na China no ano passado.

Até a divulgação das informações, a Embaixada da China em Washington não havia comentado a decisão envolvendo a DeepSeek.

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IA terá quatro níveis de supervisão após acordo entre gigantes da tecnologia nos EUA

As principais empresas de inteligência artificial (IA) dos Estados Unidos assinaram, na terça-feira (29), um código voluntário de boas práticas apresentado pelo governo de Donald Trump. O acordo estabelece compromissos relacionados à segurança, à inovação e ao desenvolvimento da tecnologia de IA.

O documento foi assinado durante reunião entre Trump e executivos de grandes empresas do setor na Casa Branca. Entre os participantes estavam representantes de companhias, como OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft, Meta, Amazon e xAI.

O código é organizado em quatro áreas principais.

Segurança dos sistemas de IA

  • Um dos compromissos prevê que as empresas desenvolvam e adotem práticas destinadas a aumentar a segurança de seus modelos de IA;
  • O objetivo é reduzir riscos associados ao desenvolvimento e à utilização de sistemas cada vez mais avançados. As companhias também se comprometem a compartilhar informações sobre riscos e incidentes relacionados à segurança de seus modelos;
  • A proposta ocorre em momento de preocupação crescente com sistemas capazes de executar tarefas de maneira mais autônoma e com possíveis consequências não previstas de seu funcionamento.

Leia mais:

Pesquisa e desenvolvimento

O acordo também busca estimular o avanço da pesquisa em IA. As empresas signatárias se comprometem a continuar investindo no desenvolvimento de modelos e tecnologias de IA, com o objetivo de preservar a liderança dos Estados Unidos no setor.

Trump recebeu gigantes de tecnologia na Casa Branca nesta terça-feira (29) – Imagem: reprodução/Casa Branca

O governo Trump vem defendendo a expansão da indústria de IA no país como parte de sua estratégia para manter a competitividade tecnológica estadunidense.

Infraestrutura e energia

Outro ponto do código trata da infraestrutura necessária para sustentar a expansão da IA.

O crescimento dos modelos de IA exige grandes quantidades de capacidade computacional e energia. Por isso, o documento inclui compromissos relacionados à expansão da infraestrutura necessária para atender à demanda do setor.

A iniciativa também está ligada aos esforços do governo estadunidense para acelerar a construção de estruturas capazes de sustentar o desenvolvimento da IA no país.

Uso responsável da IA

O quarto eixo envolve o uso responsável da tecnologia. As empresas assumem compromissos relacionados à forma como seus sistemas serão desenvolvidos e utilizados, incluindo medidas para lidar com possíveis riscos associados à IA.

O código, no entanto, tem caráter voluntário. Isso significa que as empresas não estão sujeitas às mesmas obrigações de uma legislação aprovada pelo Congresso estadunidense.

A iniciativa faz parte da estratégia do governo Trump de estimular o desenvolvimento da inteligência artificial nos Estados Unidos, enquanto busca estabelecer parâmetros para o setor sem criar, neste momento, um conjunto amplo de novas regras federais obrigatórias.

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Trump e Xi sugerem caminhos diferentes para o futuro das IAs

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, discursaram nesta quinta-feira (24) em Washington.

Os dois protagonizam a maior rivalidade geopolítica atualmente. Xi Jinping chegou à capital americana nesta quarta-feira (23) para se encontrar com Trump. Ele não falará na Assembleia Geral da ONU, realizada ao longo desta semana, em Nova York.

Sobre inteligência artificial, o líder chinês afirmou que se preocupa em regular o avanço da tecnologia. O republicano, na contramão, não demonstra qualquer interesse em colocar o pé no freio.

REPORTAGEM EM ATUALIZAÇÃO

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Trump e Xi podem criar canal para incidentes de IA, mas frear desenvolvimento é improvável

A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping coloca a segurança da inteligência artificial nas discussões entre Estados Unidos e China. Os dois governos avaliam como lidar com sistemas cada vez mais autônomos, enquanto mantêm a corrida pelo avanço da tecnologia.

Uma possível aproximação envolve regras comuns, comunicação em casos graves e mecanismos para verificar informações. Segundo a CNBC, porém, um acordo para desacelerar o desenvolvimento da IA é considerado extremamente improvável.

As restrições americanas aos chips avançados para a China continuam sendo um ponto de tensão tecnológica. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Por que a segurança entrou na conversa

A preocupação aumentou depois que sistemas de IA passaram a executar tarefas mais complexas. A OpenAI afirmou que um modelo de pesquisa conseguiu acesso não autorizado a partes da plataforma Hugging Face. A Anthropic também identificou o uso de IA para automatizar etapas de ataques cibernéticos.

Episódios assim alimentam o temor de que modelos mais autônomos possam tornar ataques mais rápidos e difíceis de conter. Aalok Mehta, diretor do Wadhwani AI Center, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), disse à CNBC que os dois países estão especialmente preocupados com agentes capazes de escapar de mecanismos de controle e invadir sites.

Antes do encontro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, discutiu com o vice-premiê chinês He Lifeng a criação de um diálogo bilateral sobre IA. A proposta inclui um canal para tratar de incidentes que possam alcançar o nível de segurança nacional.

O que pode ser discutido

Mehta aponta dois possíveis pontos de aproximação: definições e estruturas comuns para a segurança de modelos avançados e um mecanismo de comunicação emergencial.

Chris McGuire, pesquisador sênior do Conselho de Relações Exteriores (CFR), considera esse canal para incidentes de segurança nacional um passo modesto, mas positivo. Para ele, porém, um acordo para reduzir o ritmo de desenvolvimento da IA é extremamente improvável.

Entre os assuntos que podem aparecer nas conversas estão:

  • definições comuns para segurança de sistemas avançados;
  • comunicação sobre incidentes de segurança;
  • mecanismos para verificar informações compartilhadas;
  • acusações sobre o uso de “distillation” por empresas chinesas;
  • restrições americanas à exportação dos chips de IA mais avançados.
Ilustração sobre a corrida entre China e Estados Unidos no setor da inteligência artificial (IA)
A possível cooperação em segurança não significa uma pausa na disputa entre EUA e China pelo avanço da IA. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

A corrida pelos chips continua

O possível diálogo ocorre em meio a uma disputa tecnológica que permanece ativa. Os Estados Unidos restringem o acesso chinês aos chips mais avançados da Nvidia e acusam empresas chinesas de usar “distillation”, prática de treinar modelos a partir das respostas de sistemas mais avançados. Pequim rejeita a acusação.

Segundo a CNBC, várias empresas chinesas também teriam conseguido acessar remotamente a capacidade computacional desses chips por meio de data centers no Sudeste Asiático, apesar das restrições americanas.

Trump, por sua vez, defende a competição tecnológica com a China. “Se não vencermos a IA, estaremos em uma posição muito ruim”, afirmou o presidente americano no início deste mês.

Verificação pode ser decisiva

Para Mehta, qualquer cooperação precisa preservar a capacidade de Estados Unidos e China competirem no desenvolvimento de suas tecnologias. O outro requisito é estabelecer uma forma confiável de verificar o que cada lado compartilha.

Leia mais:

O deputado americano Ro Khanna, que representa parte do Vale do Silício, defendeu a criação de salvaguardas comuns. “Por que não concordamos simplesmente que não deveria ser possível ter uma IA que se autoaperfeiçoe?”, questionou.

A desconfiança entre os governos torna os mecanismos de verificação especialmente importantes. Na avaliação de Mehta, ferramentas técnicas e de governança seriam necessárias para conferir a precisão das informações trocadas.

O encontro pode criar um canal de comunicação sobre os riscos da IA sem interromper a competição tecnológica entre Estados Unidos e China.

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OpenAI pede que EUA liderem criação de padrões globais para controlar riscos de IAs avançadas

A OpenAI quer que os Estados Unidos liderem um esforço internacional para criar padrões técnicos globais para sistemas de inteligência artificial (IA) de fronteira, incluindo tecnologias capazes de realizar aprimoramento recursivo de suas próprias capacidades.

A proposta foi apresentada pela empresa em publicação nesta segunda-feira (21), enquanto líderes mundiais se reúnem para a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). A iniciativa ocorre em meio ao debate internacional sobre como acompanhar o avanço de sistemas de IA cada vez mais capazes.

A OpenAI defende a criação de mecanismos que permitam estabelecer padrões nacionais e internacionais complementares, além de métricas comuns e protocolos para comunicação de incidentes. Segundo a empresa, a ideia é facilitar a comparação de evidências, a avaliação de riscos e a resposta coletiva a problemas relacionados à IA.

O foco no aprimoramento recursivo

  • Um dos principais pontos da proposta é o chamado aprimoramento recursivo (RSI, na sigla em inglês), processo no qual sistemas de IA passam a realizar cada vez mais tarefas relacionadas ao desenvolvimento de novas gerações de IA;
  • A OpenAI afirma que pesquisas automatizadas podem envolver diferentes níveis de supervisão humana. À medida que os sistemas assumem mais trabalho no desenvolvimento de sucessivas gerações de IA, eles poderiam conduzir um processo de aprimoramento recursivo, potencialmente acelerando o ritmo de avanço da tecnologia;
  • A empresa ressalta, porém, que o RSI totalmente autônomo não está acontecendo atualmente e que não deveria ser buscado enquanto não for possível realizá-lo com segurança;
  • Segundo a OpenAI, o avanço nessa área deve depender da capacidade de preservar o controle humano e de decisões democráticas informadas sobre seus benefícios e riscos. A empresa alerta que, sem supervisão adequada, humanos poderiam perder o controle prático sobre o desenvolvimento da IA e deixar de compreender os próprios processos de pesquisa realizados pelos sistemas.

Padrões internacionais

Para a OpenAI, padrões internacionais de segurança e proteção para o desenvolvimento de IA de fronteira podem ser tão importantes quanto pesquisas de alinhamento para acompanhar o avanço da tecnologia.

A empresa aponta três desafios principais que justificariam uma coordenação internacional:

  • Fragmentação: diferentes países podem adotar avaliações, exigências de comunicação e definições de incidentes incompatíveis entre si;
  • Ação coletiva: países agindo individualmente podem produzir resultados que nenhum deles desejaria, especialmente diante da possibilidade de aceleração da pesquisa por sistemas de IA;
  • Capacidade desigual: conhecimentos e atividades relacionados ao desenvolvimento de IA de fronteira estão distribuídos de maneira desigual entre os países.

A OpenAI afirma que esses desafios abrangem tanto modelos abertos quanto fechados.

A empresa também defende que laboratórios que desenvolvem pesquisa automatizada ou outras capacidades avançadas sejam responsáveis por fazê-lo com segurança, respeitando princípios básicos de responsabilidade própria e as leis existentes.

Como funcionaria a proposta

Uma das possibilidades apresentadas pela OpenAI seria aproveitar a rede de institutos nacionais de segurança em IA já criada em países, como Austrália, Canadá, Alemanha, França, Quênia, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Índia e Reino Unido.

Essas instituições poderiam ajudar na definição de padrões por meio do Center for AI Standards and Innovation (CAISI) e de organismos nacionais do setor, com foco em modelos de IA de fronteira e no gerenciamento de benefícios e riscos associados à pesquisa automatizada, incluindo o RSI.

Os padrões serviriam como uma base técnica comum para medir e avaliar capacidades, analisar riscos e verificar a suficiência de mecanismos de proteção.

A OpenAI esclarece que esses padrões não seriam licenças, revisões obrigatórias antes do lançamento ou requisitos de aprovação para modelos de IA. Caberia aos governos nacionais decidir se e como incorporá-los aos próprios sistemas legais.

A empresa também afirma que o processo deveria consultar desenvolvedores de modelos abertos e fechados, especialistas técnicos independentes e universidades. A proposta é que os padrões sejam desenvolvidos de maneira transparente e não favoreçam empresas, países ou modelos de negócio específicos.

Uma das possibilidades apresentadas pela OpenAI seria aproveitar a rede de institutos nacionais de segurança em IA já criada em alguns países – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Leia mais:

Métricas e comunicação de incidentes

A segunda parte da proposta envolve a criação de medições e protocolos comuns para comunicação de incidentes.

Entre os possíveis padrões citados pela OpenAI estão:

  • Avaliação do avanço de sistemas de IA relacionado ao RSI;
  • Medição da quantidade de pesquisa autônoma realizada dentro de uma empresa de IA;
  • Regras para supervisão humana de pesquisas automatizadas;
  • Definição de quais processos de pesquisa automatizada deveriam provocar uma revisão humana imediata;
  • Classificação, acompanhamento, comunicação e resposta a incidentes relacionados a alinhamento e pesquisa automatizada;
  • Definição de níveis comuns de gravidade e limites para comunicação de incidentes.

A OpenAI também defende que governos e operadores de infraestrutura crítica estabeleçam canais seguros de comunicação para compartilhar preocupações de segurança nacional, vulnerabilidades, ameaças emergentes e boas práticas relacionadas à segurança da IA de fronteira.

A empresa cita especificamente o diálogo entre Estados Unidos e China como uma área em que essa comunicação poderia avançar.

Por que os EUA?

A OpenAI argumenta que os Estados Unidos estão em posição de liderar o esforço porque sua indústria de IA está na fronteira tecnológica e o país ocupa posição relevante em áreas, como finanças, comércio, defesa, tecnologia e sistemas de informação.

Na avaliação apresentada pela empresa, assumir a liderança agora ajudaria a definir a estrutura global de IA, enquanto a ausência desse movimento poderia contribuir para um sistema fragmentado e desigual.

A proposta surge em momento de crescente discussão internacional sobre a necessidade de coordenar o desenvolvimento de sistemas avançados.

OpenAI e outros líderes do setor vêm discutindo formas de acompanhar o ritmo de desenvolvimento da tecnologia diante dos riscos associados a sistemas que poderiam eventualmente avançar além da capacidade de supervisão humana.

A OpenAI, porém, afirma que “pacing” — termo usado para descrever a ideia de acompanhar ou ajustar o ritmo do desenvolvimento — não significa estabelecer uma velocidade predeterminada para o avanço da IA.

Para a empresa, tecnicamente, o objetivo seria garantir que pesquisas de alinhamento e a aplicação dessas pesquisas permaneçam à frente das capacidades dos sistemas.

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EUA e China discutem canal para alertar um ao outro sobre incidentes de inteligência artificial que envolvam riscos

Estados Unidos e China iniciaram conversas para criar um sistema de notificação sobre incidentes de inteligência artificial. O objetivo é evitar que falhas técnicas ou crises de segurança nacional desencadeiem conflitos entre as potências.

A iniciativa faz parte de um diálogo bilateral sobre a tecnologia e ganha força no momento em que a indústria enfrenta alertas crescentes sobre os riscos de modelos avançados.

Falhas técnicas em sistemas de IA podem ganhar um novo canal de comunicação entre Washington e Pequim. – Imagem: wildpixel/iStock

Canal de comunicação para evitar crises

A ideia é criar uma ponte direta entre Washington e Pequim para notificar falhas graves e episódios críticos em tempo real, evitando mal-entendidos diplomáticos.

O tema deve entrar na pauta do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.

Achamos que, como em qualquer atividade transfronteiriça, sair do opaco para mais transparência entre a potência número um e a número dois em IA no mundo é muito importante.

Scott Bessent, Secretário do Tesouro americano, em entrevista coletiva.

Insegurança em modelos de ponta impulsiona acordo

Alertas disparados nas últimas semanas colocaram em dúvida as travas de proteção dos sistemas atuais. Relatos de funcionários da Anthropic, por exemplo, mencionaram riscos extremos em ferramentas de ponta.

A discussão dividiu o setor em visões opostas:

  • Executivos da OpenAI e da Anthropic defendem desacelerar o desenvolvimento para estabelecer normas de segurança.
  • Donald Trump rejeita pausar as pesquisas para não perder a vantagem dos EUA na corrida tecnológica: “Quem vencer a IA, vence!”, afirmou.
  • Especialistas do mercado cobram a aplicação de leis de responsabilidade e cibersegurança que já estão em vigor.
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O debate sobre segurança de IA envolve governos e empresas diante dos riscos de modelos cada vez mais avançados. Imagem: Andy.LIU/Shutterstock

Divergências sobre regulação e concorrência

Enquanto governos tentam prevenir acidentes tecnológicos, o setor privado debate os limites das regras. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou a criação de novas normas alarmistas.

Leia mais:

“Aplique isso primeiro. Não deixe essa narrativa apocalíptica permitir que alguém se livre das leis que já existem.”

Na mesma linha, fundadores de plataformas de código aberto, como Thomas Wolf, da Hugging Face, alertam que a busca por supremacia tecnológica compromete a cooperação internacional. Ao mesmo tempo, os EUA mantêm barreiras para limitar o acesso chinês a chips avançados.

A criação do canal de alerta tenta impor ordem a um setor que avança sem fronteiras claras. O desafio agora será manter essa via de comunicação aberta enquanto a disputa comercial e tecnológica entre as duas potências segue acirrada.

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Erro de IA quase colocou EUA e China em confronto após falsa identificação de carga em navio chinês

Um relatório de inteligência dos EUA, produzido com ajuda de IA, indicou falsamente que um navio chinês no Oriente Médio transportava componentes de um programa de armas nucleares.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, militares americanos chegaram a preparar uma operação para interceptar a embarcação.

A seleção de alvos é uma das áreas em que o uso militar da IA cresce, levantando dúvidas sobre a verificação das informações. – Imagem: TSViPhoto/Shutterstock

O quase conflito evitado por pouco

Tropas dos Estados Unidos mobilizaram uma operação de interceptação contra o navio após o relatório circular entre os militares. Soldados armados se preparavam para abordar a embarcação, enquanto aeronaves militares já estavam no ar.

A informação havia sido produzida por um analista do Comando de Operações Especiais, que recorreu a um chatbot para analisar relatórios de inteligência sobre o manifesto de carga do navio. A ferramenta combinou informações de fontes abertas com dados secretos do governo e identificou a carga de maneira incorreta.

O erro só foi descoberto momentos antes da operação, quando autoridades analisaram o relatório com mais atenção. O documento foi considerado “totalmente falso” por uma das fontes ouvidas pela CNN, que afirmou que o episódio “quase provocou uma guerra”.

A CNN não conseguiu determinar qual era a carga real da embarcação.

Os riscos da automação militar

O episódio chama atenção para os riscos do uso de IA na inteligência militar, especialmente na seleção de alvos. Analistas já temiam que informações fracas ou corrompidas pudessem levar a erros de cálculo com consequências graves.

Entre os problemas apontados no caso estão:

  • possibilidade de decisões militares baseadas em informações incorretas;
  • maior confiança de analistas jovens nas respostas das ferramentas;
  • ausência de um conjunto único de normas para verificar informações geradas por IA;
  • diferenças de confiabilidade e funcionamento entre os sistemas usados pelas Forças Armadas e pela comunidade de inteligência.

Uma fonte familiarizada com as políticas militares afirmou que “a IA na seleção de alvos é definitivamente algo que está se intensificando, e não há uma orientação real sobre como ter um humano no circuito evitará vítimas civis ou fogo amigo”.

Como o Olhar Digital divulgou recentemente, especialistas dos EUA e da China discutem limites para inteligência artificial militar, com foco em armas nucleares, ataques cibernéticos e controle humano, exatamente para evitar que erros como esse aconteçam com maior frequência.

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Estariam as superpotências preparadas para evitar tragédias quando algoritmos geram informações incorretas? Imagem:leolintang/Shutterstock

A corrida do Pentágono pela tecnologia

As Forças Armadas dos EUA vêm ampliando o uso de IA em áreas como análise de grandes volumes de inteligência, seleção de alvos, logística, cadeias de suprimentos e gestão orçamentária.

Leia mais:

Em janeiro, o secretário de Defesa Pete Hegseth anunciou a “Estratégia de Aceleração de Inteligência Artificial” de sua agência. Ao apresentar o plano, afirmou: “Vamos liberar a experimentação, eliminar barreiras burocráticas, focar nossos investimentos e demonstrar a abordagem de execução necessária para garantir nossa liderança em IA militar”.

A diretriz também prevê a disponibilização de modelos de IA para os três milhões de funcionários civis e militares do Departamento de Defesa, segundo um memorando sobre o plano.

Desafios para a segurança militar

A adoção da tecnologia, porém, ocorre de forma descentralizada. Diferentes setores das Forças Armadas e da comunidade de inteligência usam ferramentas distintas, com regras e padrões de segurança variados.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, não existe um conjunto único de normas para verificar as informações produzidas por esses sistemas. Para alguns oficiais experientes, a velocidade da IA também pode aumentar a pressão sobre os analistas para produzir e distribuir informações rapidamente.

Uma das fontes resumiu o risco dessa dinâmica: “A IA permite que você chegue a uma ideia ruim mais rápido”.

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EUA vão usar inteligência artificial para ajudar a controlar o tráfego aéreo e reduzir atrasos e cancelamentos

Os Estados Unidos se preparam para colocar em operação um software de inteligência artificial para ajudar no gerenciamento do tráfego aéreo na região de Washington, D.C.

Chamado Smart, o sistema foi desenvolvido para analisar diferentes fatores que influenciam o fluxo de aeronaves e antecipar possíveis conflitos. O contrato para desenvolver a tecnologia é de US$ 875 milhões (cerca de R$ 4,4 bilhões), com duração de 12 anos.

A região de Washington, D.C., será a primeira área dos Estados Unidos a receber o Smart. – Imagem: xbrchx/Shutterstock

Inteligência artificial no controle aéreo

As autoridades de aviação dos Estados Unidos estão prestes a colocar em operação uma tecnologia desenvolvida para auxiliar o gerenciamento do tráfego aéreo. Batizado de Smart — sigla em inglês para Strategic Management of Airspace, Routes and Trajectories —, o software será lançado inicialmente na região de Washington, D.C., antes de uma expansão nacional.

A ferramenta pode analisar informações sobre os voos e as condições de operação para prever o fluxo do tráfego aéreo e identificar possíveis conflitos.

Como o Smart vai funcionar na prática

O sistema considera diferentes fatores que podem afetar a movimentação das aeronaves. Entre eles estão:

  • horários dos voos das companhias aéreas;
  • condições meteorológicas;
  • capacidade das pistas dos aeroportos;
  • condições do espaço aéreo;
  • restrições operacionais.

A análise desses dados deverá ajudar a FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) e as companhias aéreas a reduzir atrasos e cancelamentos. O Smart também poderá encontrar rotas para voos quando interrupções alterarem o fluxo do tráfego aéreo.

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Clima, capacidade das pistas e horários dos voos estão entre os dados analisados pelo sistema. – Imagem: Ceri Breeze/Shutterstock

Contrato de US$ 875 milhões

A empresa Air Space Intelligence venceu, no início deste ano, um contrato governamental de US$ 875 milhões com duração de 12 anos. O acordo prevê o desenvolvimento do Smart e de um sistema relacionado.

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O projeto deverá ser implantado primeiro na região de Washington, D.C. Depois, a expectativa é ampliar seu uso para outras áreas até alcançar todo o espaço aéreo dos Estados Unidos.

Quando estiver totalmente implementado no espaço aéreo americano, o Smart deverá assumir uma função ampla no gerenciamento do tráfego aéreo. A ferramenta foi projetada para ajudar a antecipar mudanças no fluxo de aeronaves e possíveis conflitos.

A expansão nacional será feita após a estreia inicial na região de Washington, D.C., marcando a primeira etapa da implantação do sistema nos Estados Unidos.

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