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Inteligência artificial podem criar um novo tipo de desigualdade social e digital, aponta estudo

Pesquisadores da Hong Kong Baptist University alertaram, que a alfabetização em inteligência artificial pode criar uma nova desigualdade digital. A análise utilizou dados coletados pelo Pew Research Center com mais de 10 mil adultos nos Estados Unidos para avaliar o quanto diferentes grupos conseguem reconhecer e compreender sistemas baseados em IA. O estudo foi divulgado em abril deste ano, na revista Information, Communication & Society 

Os resultados apontam que pessoas com maior renda e nível de escolaridade tendem a lidar melhor com essas tecnologias, cenário que pode aumentar disparidades sociais, educacionais e profissionais nos próximos anos.

Para quem tem pressa:

  • Pesquisadores apontam que a alfabetização em inteligência artificial pode ampliar uma nova desigualdade digital, baseada não só no acesso, mas na capacidade de compreender a tecnologia;
  • O estudo mostra que pessoas com maior renda e escolaridade reconhecem e entendem melhor sistemas de IA, como chatbots, recomendações e filtros automáticos;
  • Segundo os autores, a falta de letramento em IA pode aumentar desigualdades sociais e profissionais, reforçando a necessidade de educação tecnológica.

Diferenças aparecem no uso cotidiano

A desigualdade digital com o uso das IAs pode exponenciar desigualdades sociais e econômicas – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Os pesquisadores observaram que pessoas com maior nível educacional tiveram mais facilidade para identificar recursos de IA em situações comuns, como filtros de spam, sistemas de recomendação de conteúdo, assistentes virtuais e chatbots. Já participantes com menor renda e escolaridade demonstraram menos familiaridade com essas aplicações.

Dentre as análises feitas, está também a seguestão de que a desigualdade não está apenas no acesso à tecnologia, mas principalmente na capacidade de compreender como ela funciona e quais impactos pode gerar. Pessoas capazes de compreender a possibilidade de vídeos gerados por deepfakes ou algum tipo de gerador de vídeo, por exemplo, podem se proteger mais facilmente de notícias falsas.

Para os autores, essa disparidade pode influenciar desde oportunidades profissionais até a forma como cidadãos consomem informação e interagem com serviços digitais.

Além disso, o estudo alerta que a rápida expansão da IA em setores como educação, trabalho e comunicação pode ampliar diferenças sociais já existentes caso políticas de inclusão digital não acompanhem esse crescimento.

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Especialistas defendem educação digital

Pessoa no computador escreve enquanto ícones aparecem em destaque. Os símbolos tem referência a objetos escolares como lousas, livros, etc.
A educação digital pode se tornar vital para a diminuição dessa desigualdade, de acordo com o estudo. – Imagem: MR SOCCER / Shutterstock

Como forma de combater essa possível disparidade, os autores defendem que governos, escolas e empresas invistam em programas de educação tecnológica voltados à compreensão da inteligência artificial. A ideia é preparar a população para lidar com sistemas automatizados que já fazem parte da rotina em plataformas online, aplicativos e serviços digitais.

No estudo, os pesquisadores afirmam ainda, que desenvolver habilidades relacionadas à IA deve se tornar uma prioridade semelhante à alfabetização digital observada nas últimas décadas. Sem esse preparo, parte da população pode ficar em desvantagem em um cenário cada vez mais dependente de tecnologias automatizadas.

É necessário reforçar porém, que os resultados são um forte indicador de uma nova tendência digital, mas que se basearam nas informações coletadas em dezembro de 2022, antes do avanço das inteligências artificiais sobre a vida cotidiana.

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Desconfiados um do outro, Trump e Xi Jinping devem discutir sobre IA nesta semana

O presidente dos EUA, Donald Trump, deve colocar a inteligência artificial (IA) no centro das discussões em sua visita a Pequim para encontrar o líder chinês Xi Jinping nesta semana, segundo a Reuters

Embora a tecnologia tenha ganhado peso estratégico, autoridades norte-americanas consideram improvável a assinatura de compromissos. Isso por conta da desconfiança mútua entre as nações.

A rivalidade tecnológica entre as duas potências se intensificou após o lançamento do Mythos, modelo de IA mais avançado da Anthropic. Isso elevou as apostas para ambos os lados. 

Observadores comparam o atual cenário de disputa em IA a uma corrida armamentista nuclear nos moldes da Guerra Fria.

Diálogo diplomático tenta evitar colapsos financeiros e ameaças de segurança cibernética

A presença do CEO da Nvidia, Jensen Huang, e do consultor de políticas tecnológicas da Casa Branca, Michael Kratsios, na delegação de Trump sinaliza que discussões sobre os chips H200 podem estar na pauta do encontro. 

A China teme que a exclusão do acesso a modelos de ponta como o Mythos, cujos testes foram bloqueados para o país, crie um “hiato geracional” em suas capacidades de defesa e segurança cibernética.

Rivalidade entre EUA e China se intensificou após o lançamento do Mythos, modelo de IA mais avançado da Anthropic – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Pequim propôs formalmente a criação de um mecanismo de diálogo liderado pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-ministro das Finanças da China, Liao Min

Entretanto, as expectativas de resultados práticos permanecem baixas, uma vez que as agências envolvidas não são especializadas em IA. E o governo Trump só recentemente passou a focar na verificação de segurança de modelos avançados.

O modelo Mythos identificou “milhares” de vulnerabilidades graves em sistemas operacionais e softwares, o que disparou uma corrida de bancos e governos mundo afora para reforçar suas defesas. 

Pesquisadores advertem que o avanço descontrolado da IA pode acelerar o design de bioarmas, causar choques financeiros sistêmicos e até resultar em sistemas “rebeldes” que agem de forma independente do controle humano.

Kwan Yee Ng, da consultoria Concordia AI, defende a criação de uma “linha direta sem culpa” para que os países possam sinalizar incidentes gerados por IA. 

Segundo a especialista, o impasse é ideológico. “Quando um lado vê a IA como um risco de proliferação a ser contido e o outro vê a contenção como um ataque a uma tecnologia de uso geral, isso torna muito difícil encontrar um terreno comum”, disse Kwan à agência de notícias.

Enquanto o governo chinês denuncia um “bloqueio sistemático do ecossistema” tecnológico ocidental, legisladores dos EUA pressionam pela aprovação do MATCH Act, que impõe novos limites ao acesso de Pequim às cadeias de suprimento de semicondutores. 

Atualmente, a escassez de poder computacional e as restrições de exportação já obrigam diversos modelos de IA chineses a racionar o acesso de seus usuários.

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EUA ou China? Avanço da IA coloca Brasil em um dilema

A corrida da inteligência artificial é também uma disputa geopolítica pela hegemonia tecnológica global. É por isso que Estados Unidos e China investem pesado para que as suas empresas assumam o protagonismo no mercado de IA.

Neste cenário, países com menor capacidade tecnológica são obrigados a escolher um lado. É exatamente o que acontece com o Brasil, fortemente pretendido por norte-americanos e chineses devido ao importante mercado consumidor nacional.

Brasil é pretendido pelos dois países

  • No ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva autorizando a exportação de “pacotes completos” de inteligência artificial, colocando o Brasil entre os destinos prioritários ao lado de Egito e Indonésia.
  • O nosso país figura nominalmente na lista de mercados emergentes onde Washington busca consolidar sua presença antes que a influência chinesa se torne irreversível.
  • Em meio a este cenário, o Brasil tenta se equilibrar.
  • O país firmou um memorando de entendimento com Pequim sobre cooperação em IA e avançou em negociações com os Estados Unidos, recebendo anúncios de investimentos bilionários em data centers da Microsoft, Amazon e Oracle.
  • As informações são do G1.

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Não se trata apenas de tecnologia

O ponto central dessa disputa vai muito além de quem exporta os chips. O que importa é quem é responsável pelo treinamento dos modelos de IA. Os sistemas já utilizados pelo setor público e privado brasileiro, na análise de crédito, triagem de políticas, recomendação de conteúdo e gestão de contratos, foram desenvolvidos majoritariamente por empresas dos Estados Unidos, segundo padrões norte-americanos e com dados que refletem realidades daquele país.

O viés estrutural se aprofunda na medida em que o Brasil sustenta sua infraestrutura cognitiva sobre servidores sujeitos a uma lei que autoriza o governo dos EUA a requisitar dados armazenados por provedores norte-americanos em qualquer jurisdição do mundo, independentemente da localização física do servidor.

EUA ou China: de que lado o Brasil deve ficar? (Imagem:leolintang/Shutterstock)

Apesar disso, o país tem uma importante carta na manga. O Brasil é o maior mercado de dados da América Latina, tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo – fator crucial para data centers – e produziu o PIX, um dos sistemas de pagamentos digitais mais sofisticados em operação global.

Isso significa que o nosso país pode escolher o lado mais vantajoso. Hoje, ele parece muito mais alinhado aos Estados Unidos neste quesito, mas será que a China pode oferecer melhores benefícios? E seria esse um melhor caminho a ser adotado?

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EUA emitem alerta global sobre suposto roubo de IA por empresas chinesas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos ordenou um alerta diplomático global sobre supostos esforços generalizados de empresas chinesas, incluindo a startup de inteligência artificial (IA) DeepSeek, para roubar propriedade intelectual de laboratórios estadunidenses de IA, segundo documento diplomático obtido pela Reuters.

O documento afirma que seu propósito é “alertar sobre os riscos de utilizar modelos de IA destilados de modelos proprietários dos EUA e estabelecer as bases para possível acompanhamento e contato do governo americano”.

Processo de destilação e acusações

A destilação é o processo de treinar modelos menores de IA usando saídas de modelos maiores e mais caros como parte de um esforço para reduzir os custos de treinamento de uma nova ferramenta poderosa de IA. A DeepSeek, startup chinesa cujo modelo de baixo custo surpreendeu o mundo no ano passado, lançou na sexta-feira uma prévia de um novo modelo altamente antecipado, adaptado para a tecnologia de chips Huawei, destacando a crescente autonomia da China no setor.

O cabo também mencionou as empresas chinesas de IA Moonshot AI e MiniMax. O Departamento de Estado, a DeepSeek e a Embaixada Chinesa em Washington não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

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DeepSeek, que deixou o mundo da IA de queixo caído, estaria envolvida na atividade – Imagem: Mojahid Mottakin/Shutterstock

Resposta Chinesa e Contexto Diplomático

Esta semana, a Casa Branca fez acusações similares, que a Embaixada Chinesa em Washington chamou de “alegações infundadas”, acrescentando que Pequim “atribui grande importância à proteção dos direitos de propriedade intelectual”.

O cabo, datado de sexta-feira e enviado a postos diplomáticos e consulares ao redor do mundo, instrui funcionários diplomáticos a falar com suas contrapartes estrangeiras sobre “preocupações com a extração e destilação de modelos de IA dos EUA por adversários”.

“Um pedido e uma mensagem de protesto separados foram enviados a Pequim para serem discutidos com a China”, afirma o documento. Ele, que não foi reportado anteriormente, sinaliza que a administração Trump está levando a sério as crescentes preocupações sobre a destilação chinesa de modelos estadunidenses de IA.

“Modelos de IA desenvolvidos a partir de campanhas de destilação sub-reptícias e não autorizadas permitem que atores estrangeiros lancem produtos que parecem ter desempenho comparável em benchmarks selecionados por uma fração do custo, mas não replicam o desempenho completo do sistema original”, disse o documento, acrescentando que as campanhas também “deliberadamente removem protocolos de segurança dos modelos resultantes e desfazem mecanismos que garantem que esses modelos de IA sejam ideologicamente neutros e busquem a verdade”.

Advertências anteriores da OpenAI

A OpenAI alertou legisladores estadunidenses que a DeepSeek estava mirando a fabricante do ChatGPT e as principais empresas de IA do país para replicar modelos e usá-los para seu próprio treinamento, reportou a Reuters em fevereiro.

O memorando e o documento de acompanhamento, divulgados apenas semanas antes de o presidente estadunidense Donald Trump visitar o presidente chinês Xi Jinping em Pequim, prometem elevar as tensões em uma guerra tecnológica de longa data entre as superpotências rivais, que havia sido diminuída por uma distensão negociada em outubro passado.

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Anthropic discute modelo de IA com Trump, diz cofundador

A Anthropic está discutindo seu modelo de IA de fronteira Claude Mythos com a administração de Donald Trump, disse o cofundador da empresa nesta segunda-feira (13), mesmo após o Pentágono ter cortado negócios com a empresa de inteligência artificial (IA) estadunidense após disputa contratual.

Uma disputa entre a Anthropic e o Pentágono sobre salvaguardas para como os militares poderiam usar suas ferramentas de IA levou a agência a classificar a Anthropic como um risco da cadeia de suprimentos no mês passado, proibindo seu uso pelo Pentágono e seus contratados.

“Temos uma disputa contratual restrita, mas não quero que isso atrapalhe o fato de que nos importamos profundamente com a segurança nacional”, disse o cofundador da Anthropic, Jack Clark, no evento Semafor World Economy em Washington (EUA).

“Nossa posição é que o governo tem que saber sobre essas coisas… Então, absolutamente, estamos conversando com eles sobre o Mythos e vamos conversar com eles sobre os próximos modelos também.”

Pentágono declarou criadora do Claude como um risco à cadeia de suprimentos e à segurança nacional – Imagem: RixAiArt/Shutterstock

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Capacidades do Anthropic Claude Mythos

  • O Mythos, anunciado em 7 de abril, é o modelo “ainda mais capaz” da Anthropic para codificação e tarefas agênticas, disse a empresa em um post de blog, referindo-se à capacidade do modelo de atuar de forma autônoma;
  • Suas capacidades de codificar em alto nível lhe deram uma habilidade potencialmente sem precedentes para identificar vulnerabilidades de segurança cibernética e elaborar maneiras de explorá-las, disseram especialistas à Reuters;
  • Um tribunal federal de apelações de Washington, D.C., recusou-se, na semana passada, a bloquear a lista negra de segurança nacional do Pentágono da Anthropic por enquanto, uma vitória para a administração Trump que vem depois de outro tribunal de apelações chegar à conclusão oposta em um desafio legal separado da Anthropic;
  • A natureza e os detalhes das conversas da Anthropic com o governo estadunidense, incluindo quais agências estão envolvidas, não ficaram imediatamente claros.

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Co-fundador da Super Micro é acusado de ajudar China a obter chips da Nvidia

Co-fundador da Super Micro, Wally Liaw, de 71 anos, está no foco de uma investigação que pode abalar o mercado global de inteligência artificial. Promotores dos Estados Unidos acusam o executivo de ter ajudado clientes chineses a violar as leis de controle de exportação da Casa Branca.

O caso coloca a empresa, líder global em tecnologia de servidores de alto desempenho, no centro da guerra tecnológica entre EUA e China. As duas potências correm para desenvolver as ferramentas de IA mais avançadas do mundo, e os chips da Nvidia são considerados peças fundamentais nessa disputa.

A celebração que virou pesadelo

Na conferência anual de tecnologia da Nvidia, realizada nesta semana, Liaw estava ao lado do CEO da Super Micro quando cumprimentou Jensen Huang, chefe-executivo da gigante dos chips. A empresa chegou a postar no X (antigo Twitter) uma foto do aperto de mãos, destacando a parceria.

Dois dias depois, Liaw foi preso. As acusações envolvem exatamente o produto que estava sendo celebrado na conferência — servidores da Super Micro equipados com processadores de IA de alta performance da Nvidia.

A Super Micro é uma das principais fabricantes de servidores do mundo, especialmente aqueles otimizados para rodar aplicações de inteligência artificial. Seus produtos combinam hardware de diferentes fornecedores, incluindo os cobiçados chips H100 e H200 da Nvidia, considerados essenciais para treinar modelos de linguagem como o ChatGPT.

EUA e China disputam a hegemonia tecnológica global (Imagem: Knight00730/Shutterstock)

Um histórico de problemas

Esta não é a primeira vez que Liaw enfrenta questões legais relacionadas à sua empresa. Ele retornou à Super Micro após um escândalo contábil que abalou a companhia anos atrás. Na época, a empresa enfrentou investigações por práticas contábeis questionáveis.

Agora, aos 71 anos, o executivo é acusado de um crime muito mais grave: supostamente ajudar a China a contornar as restrições norte-americanas sobre tecnologia sensível. As acusações federais sugerem que ele orquestrou um esquema para exportar ilegalmente servidores contendo os chips mais avançados da Nvidia.

A Super Micro viu suas ações despencarem mais de 33% após a notícia, refletindo a preocupação dos investidores sobre o impacto do caso no futuro da empresa.

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Caso coloca em dúvida o futuro da Super Micro (Imagem: CryptoFX/Shutterstock)

A batalha pelos chips de IA

  • Os processadores da Nvidia estão no centro de uma corrida global por supremacia em inteligência artificial.
  • Os chips H100 e H200, especificamente, são considerados os mais poderosos disponíveis para treinar modelos de IA em larga escala.
  • Empresas de tecnologia ao redor do mundo competem ferozmente para conseguir esses componentes.
  • O governo dos EUA implementou restrições rigorosas sobre a exportação desses chips para a China, tentando impedir que o país rival acelere seu desenvolvimento em IA militar e de vigilância.
  • As regras proíbem a venda direta dos processadores mais avançados para empresas chinesas, forçando a empresa a criar versões menos potentes especificamente para o mercado do país asiático.
  • Segundo a acusação federal, Liaw teria facilitado a venda de US$ 2,5 bilhões em servidores equipados com chips da Nvidia para clientes da China.
  • A Super Micro, como integradora de sistemas, tem acesso privilegiado aos chips da gigante.
  • A empresa compra os processadores diretamente do fabricante e os instala em servidores customizados para diferentes aplicações.
  • Essa posição na cadeia de suprimentos poderia facilitar esquemas de desvio, caso confirmadas as acusações.

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Governo Trump apresenta nova estrutura política nacional de IA

Nesta sexta-feira (20), o governo dos Estados Unidos divulgou um arcabouço legislativo para uma política nacional única sobre inteligência artificial (IA).

O objetivo do governo de Donald Trump é o de criar diretrizes uniformes de segurança em torno da IA, enquanto impede que os estados promulguem leis próprias sobre a tecnologia.

Trump centraliza a IA

  • O plano de seis frentes propõe várias regulações sobre produtos e infraestrutura de IA, indo de implantação de regras para a segurança infantil à padronização do licenciamento e uso de energia por data centers;
  • Há ainda um estímulo ao Congresso para que aborde questões delicadas sobre direitos de propriedade intelectual e elabore regras que “impeçam que sistemas de IA sejam usados ​​para silenciar ou censurar expressões políticas legítimas ou dissidências”;
  • Em comunicado, o governo Trump diz querer trabalhar com o Congresso “nos próximos meses” para que a proposta vire um projeto de lei pronto para sanção presidencial;
  • A ideia é transformar a proposta em lei “ainda este ano” e a Casa Branca entende que ela pode ter apoio bipartidário, segundo Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, em entrevista à Fox News.

Com as preocupações cada vez maiores em cima da IA e de seus impactos, legisladores de Nova York, Califórnia e outros estados pressionam o governo para implantar suas próprias regulações estaduais.

Líderes da indústria de IA se opõem aos esforços estaduais, alegando que uma “colcha de retalhos” de leis prejudicaria a inovação e permitiria que concorrentes globais, como a China, ganhassem grande vantagem na corrida pelo domínio da tecnologia.

Trump trouxe a IA para seu governo e visa criar leis para regulação da tecnologia (Imagem: Chip Somodevilla/Shutterstock)

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Em dezembro, Trump já havia assinado uma ordem executiva para um padrão regulatório nacional único para a IA.

No documento apresentado nesta sexta, a Casa Branca diz que “o Congresso deve se antecipar às leis estaduais de IA que impõem encargos indevidos para garantir um padrão nacional minimamente oneroso e consistente com essas recomendações, e não cinquenta padrões discordantes”.

Kratsios voltou a se pronunciar nesta sexta e, em comunicado, afirmou que “a estrutura legislativa nacional de IA da Casa Branca liberará o engenho americano para vencer a corrida global da IA, proporcionando avanços que criarão empregos, reduzirão custos e melhorarão a vida dos americanos em todo o país”.

“Ao mesmo tempo, aborda preocupações reais de frente — proteger nossas crianças online, proteger as famílias de custos de energia mais altos, respeitar os direitos dos criadores e apoiar os trabalhadores americanos — para que todos os cidadãos possam confiar e se beneficiar dessa tecnologia incrível”, completou.

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IA militar dos EUA pode criar cenário de ‘Exterminador do Futuro’, alerta China

O Ministério da Defesa da China disparou um alerta aos Estados Unidos: o uso militar irrestrito da inteligência artificial (IA) pode empurrar a civilização para um cenário de perda de controle tecnológico. “Uma distopia retratada no filme americano O Exterminador do Futuro poderia um dia se tornar realidade”, disse o coronel sênior Jiang Bin, porta-voz do Ministério da Defesa Nacional da China, na quarta-feira (11).

O aviso veio quando Jiang Bin foi questionado sobre o impasse entre o governo de Donald Trump e o setor de tecnologia em relação à automatização de ataques letais e ao uso de ferramentas digitais em conflitos mundo afora. 

Enquanto Pequim critica a militarização de algoritmos como uma violação da soberania de outras nações, o Pentágono acelera a integração dessas tecnologias em suas operações militares internacionais.

IA na guerra: o dilema da autonomia e a soberania digital

O embate ganhou força após o Departamento de Defesa dos EUA classificar a startup Anthropic como “risco à segurança nacional”. A sanção ocorreu porque a empresa se recusou a permitir o uso militar de sua tecnologia sem restrições de segurança. 

Como resposta, o governo americano baniu o Claude, modelos de IA da empresa, de seus fornecedores. E autorizou o uso do sistema Grok, de Elon Musk, em operações executadas em ambientes sigilosos.

Para a China, o objetivo americano é utilizar a IA para a vigilância em massa e a automatização de bombardeios. Segundo a imprensa americana, modelos de IA já foram aplicados no planejamento de ofensivas contra o Irã e a Venezuela. 

Para a China, o objetivo americano é utilizar a IA para a vigilância em massa e a automatização de bombardeios (Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital)

O temor chinês é que a tecnologia passe a decidir sobre a vida e a morte de seres humanos, influenciando decisões estratégicas que deveriam ser estritamente políticas.

O porta-voz chinês, Jiang Bin, alerta para o perigo da “fuga tecnológica”, quando sistemas operam fora do controle de seus criadores. Ele destaca que a dependência excessiva de algoritmos pode anular a responsabilidade humana em períodos de guerra.

Para conter essa escalada, a China propõe que a Organização das Nações Unidas (ONU) centralize uma governança multilateral sobre a IA.

“A China trabalhará com outras nações para avançar na governança multilateral da IA com a centralidade da ONU, fortalecer a prevenção e o controle de riscos, e garantir que a IA sempre se desenvolva em uma direção favorável ao progresso da civilização humana”, afirmou o porta-voz, segundo comunicado publicado pelo Ministério da Defesa da China.

A intenção é criar regras globais para impedir que a militarização desenfreada de códigos matemáticos corroa os fundamentos da ética internacional.

A base dessa proposta é o princípio da “primazia humana”. “Defendendo uma abordagem centrada nas pessoas e o princípio da ‘IA para o bem’, a China acredita que a primazia humana deve ser mantida nas aplicações militares da IA, e que todos os sistemas de armas relevantes devem estar sob controle humano”, disse Jiang Bin. 

A ideia é garantir que a tecnologia contribua para o progresso da civilização. E evitar que a automação transforme o campo de batalha num território onde a humanidade perdeu o direito de intervir.

(Essa matéria também usou informações de AFP, via G1.)

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Anthropic vai à Justiça contra Pentágono, diz CEO

No fim da noite desta quinta-feira (5), o CEO da Anthropic, Dario Amodei, confirmou os rumores de que a Anthropic teria recebido a classificação de risco à cadeia de suprimentos pelo Pentágono.

Além disso, ele afirmou que a empresa pretende contestar isso na Justiça. Segundo ele, a companhia “não teve outra escolha” senão recorrer aos tribunais após a designação oficial.

Amodei confirmou que o governo dos EUA declarou a Anthropic como um risco de cadeia de suprimentos na quinta-feira (5). A classificação ocorre em meio a um impasse entre a startup e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DOD) sobre a forma como seus modelos de inteligência artificial (IA), o Claude, podem ser utilizados.

A empresa vinha se desentendendo com o Pentágono sobre limites para o uso da tecnologia. No fim da semana passada, a Anthropic foi informada — por meio de publicações em redes sociais — de que estava sendo incluída em uma lista que a impediria de participar de contratos governamentais.

A companhia buscava garantias de que sua tecnologia não seria utilizada para armas totalmente autônomas ou para vigilância doméstica em massa. Já o DOD queria que a Anthropic concedesse acesso irrestrito ao Claude para qualquer finalidade legal.

“Como afirmamos na sexta-feira passada, não acreditamos, e nunca acreditamos, que seja papel da Anthropic ou de qualquer empresa privada se envolver na tomada de decisões operacionais — esse é o papel dos militares”, escreveu Amodei.

“Nossas únicas preocupações sempre foram nossas exceções para armas totalmente autônomas e vigilância doméstica em massa, que se relacionam a áreas de uso de alto nível, e não à tomada de decisões operacionais.”

CEO disse que não há outra saída senão ir à Justiça contra o Pentágono (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

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Anthropic: Amodei diz que não há outra saída

  • Segundo o executivo, a Anthropic é a única empresa estadunidense a ser publicamente classificada como risco para a cadeia de suprimentos;
  • A designação agora oficial exige que fornecedores e contratados do setor de defesa certifiquem que não utilizam os modelos da empresa em trabalhos realizados com o Pentágono;
  • Esse tipo de classificação costuma ser aplicado a organizações que operam em países considerados adversários dos Estados Unidos, como a empresa chinesa de tecnologia Huawei;
  • Ainda há incerteza sobre se empresas contratadas pelo setor de defesa poderão continuar usando a tecnologia da Anthropic em projetos que não estejam relacionados ao trabalho militar;
  • Amodei afirmou que a designação “não limita (e não pode limitar) o uso do Claude ou relações comerciais com a Anthropic quando não estão relacionadas a contratos específicos com o Departamento de Guerra”.

A Microsoft, que anunciou, em novembro, planos de investir até US$ 5 bilhões (R$ 26,3 bilhões) na Anthropic, afirmou, em comunicado, que seus advogados analisaram a designação e concluíram que os produtos da empresa podem continuar disponíveis para clientes que não sejam o DOD.

A Anthropic havia firmado em julho um contrato de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) com o Departamento de Defesa e foi o primeiro laboratório de inteligência artificial a integrar seus modelos a fluxos de trabalho de missões em redes classificadas. No entanto, com o avanço das divergências nas negociações, concorrentes também passaram a firmar acordos semelhantes.

A OpenAI, de Sam Altman, e a xAI, de Elon Musk, concordaram em implantar seus modelos em ambientes classificados. Altman anunciou o acordo de sua companhia com o Departamento de Defesa poucas horas depois de a Anthropic ter sido colocada na lista de restrições na sexta-feira (27).

Em uma publicação no X, Altman afirmou que a agência demonstrou “profundo respeito pela segurança e o desejo de fazer parceria para alcançar o melhor resultado possível”.

À frente e à esquerda, Sam Altman com um pequeno sorriso; à direita e ao fundo, o logo da OpenAI em uma tela
Executivo da OpenAI garantiu que o Departamento vai seguir suas restrições (Imagem: FotoField/Shutterstock)

Relação tensa

A relação entre a Anthropic e o governo do presidente Trump tem se tornado cada vez mais tensa nos últimos meses. Amodei chegou a pedir desculpas por um memorando interno crítico à administração que vazou para a imprensa na quarta-feira (4).

De acordo com uma reportagem do The Information, o executivo teria dito a funcionários que o governo não simpatizava com a Anthropic porque a empresa não havia feito doações nem oferecido “elogios no estilo ditador a Trump”.

Amodei afirmou que o memorando foi escrito na sexta-feira (27), após “um dia difícil para a empresa”, e que não reflete suas “opiniões cuidadosas ou ponderadas”. Ele acrescentou que o texto representa uma “avaliação desatualizada da situação atual”.

“A Anthropic não vazou essa publicação nem orientou ninguém a fazê-lo — não é do nosso interesse escalar essa situação”, escreveu o executivo.

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Arte feita por IA tem direito autoral? Suprema Corte dos EUA encerra debate

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu não analisar se obras criadas por inteligência artificial (IA) de forma autônoma podem ter direitos autorais. Com isso, permanece a decisão que negou o registro ao cientista Stephen Thaler. O entendimento da Justiça americana é que a legislação atual exige um autor humano para proteger uma obra.

O caso envolve a imagem “A Recent Entrance to Paradise“, gerada pelo sistema de IA DABUS. O U.S. Copyright Office já havia rejeitado o pedido em 2022 por falta de autoria humana. A decisão final confirma que, nos Estados Unidos, máquinas não podem ser legalmente donas de propriedades intelectuais.

Exigência de autor humano é o pilar central para a concessão de direito autoral nos EUA

O órgão de direitos autorais dos EUA negou o pedido de Thaler afirmando que a criatividade exige autores humanos. Essa posição foi mantida por um juiz federal em 2023, que chamou a autoria humana de “requisito fundamental“. Em 2025, um tribunal de apelações reafirmou que a lei não protege obras feitas apenas por máquinas. O processo agora se encerra sem que as regras atuais sejam alteradas.

A imagem “A Recent Entrance to Paradise” foi gerada de maneira autônoma pela IA DABUS, segundo o cientista que desenvolveu o sistema, Stephen Thaler (Imagem: DABUS)

A obra em disputa, que mostra trilhos de trem e vegetação, foi criada de forma independente pela IA. Thaler argumentou que seu sistema agiu sozinho, o que diferencia este caso de artistas que usam o Midjourney, por exemplo. Ele queria que a IA fosse reconhecida como autora para que ele, como dono do software, ficasse com os direitos autorais.

O governo de Donald Trump pediu que a Suprema Corte não aceitasse o recurso de Thaler. A justificativa é que a lei de direitos autorais se refere claramente a seres humanos, não a máquinas. Thaler também já teve pedidos de patentes negados pelo mesmo motivo. O escritório de patentes entende que uma IA não pode ser considerada uma inventora oficial.

A defesa do cientista afirmou que a falta de proteção para criações de IA pode prejudicar a indústria criativa. Segundo os advogados, a decisão desencoraja o uso e o desenvolvimento de novas tecnologias nos EUA. Por enquanto, a justiça americana mantém o foco na intervenção humana para validar qualquer proteção legal.

(Essa matéria usou informações de Reuters.)

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