Anthropic

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Governo dos EUA mantém restrições a modelos de IA da Anthropic e amplia tensão

A empresa de inteligência artificial Anthropic enfrenta um impasse com o governo dos Estados Unidos após receber uma determinação para restringir o acesso aos seus modelos mais recentes, Fable 5 e Mythos 5. A medida, comunicada na última sexta-feira (12), foi justificada por preocupações ligadas à segurança nacional e desencadeou uma série de questionamentos dentro da companhia.

Seis dias após a ordem, as negociações entre representantes da empresa e integrantes da administração do presidente Donald Trump continuam sem resultado concreto. Enquanto isso, funcionários seguem sem explicações detalhadas sobre os motivos da restrição e demonstram preocupação com os impactos da decisão sobre o futuro dos negócios.

O episódio ocorre em meio a uma relação já desgastada entre a Anthropic e o governo americano, que nos últimos meses passou a acompanhar de perto o desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial produzidos pela companhia.

Conflito amplia pressão sobre empresa de inteligência artificial

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

A crise teve início quando a Anthropic foi informada pela Casa Branca de que deveria retirar do mercado seus modelos mais recentes de IA em um prazo extremamente curto. Internamente, a comunicação sobre as razões da medida mudou ao longo das horas seguintes. Funcionários receberam explicações distintas, que incluíam desde riscos relacionados ao acesso por empresas estrangeiras até a existência de uma suposta vulnerabilidade relevante nos sistemas.

A falta de informações precisas alimentou dúvidas entre equipes da companhia. Em conversas internas, profissionais passaram a questionar os possíveis reflexos da decisão governamental sobre os planos da empresa, incluindo expectativas relacionadas à abertura de capital prevista para este ano. A incerteza também foi reforçada por notícias que apresentavam versões divergentes sobre as razões da intervenção federal.

A atual disputa representa o segundo grande embate entre a Anthropic e a administração Trump em menos de um ano. O relacionamento entre as partes já havia sido abalado após divergências envolvendo um contrato de US$ 200 milhões firmado com o Departamento de Defesa para o emprego de inteligência artificial em sistemas classificados.

Na ocasião, divergências públicas sobre o uso da tecnologia em operações militares culminaram na classificação da empresa como um risco para a cadeia de suprimentos por parte do governo. A designação, segundo o The New York Times, nunca havia sido aplicada anteriormente a uma companhia estadunidense. A Anthropic contestou a medida judicialmente.

As discussões voltaram a ganhar intensidade após o anúncio do Mythos. A própria empresa afirmou que o modelo possuía capacidade excepcional para identificar vulnerabilidades em softwares, a ponto de provocar uma transformação significativa na área de segurança digital. Por causa desse potencial, o acesso inicial foi limitado a um grupo restrito de organizações.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

O lançamento estimulou debates dentro da Casa Branca sobre a criação de mecanismos para avaliar novos sistemas de inteligência artificial antes de sua disponibilização ao público. Nesse contexto, representantes da Anthropic participaram de reuniões com integrantes do governo e colaboraram nas discussões sobre possíveis diretrizes regulatórias.

Mais recentemente, a empresa lançou o Fable 5, uma versão desenvolvida para ampliar salvaguardas e reduzir riscos associados ao uso da tecnologia. Antes da disponibilização, o modelo foi submetido a testes realizados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, procedimento já adotado em lançamentos anteriores da companhia.

Parte da controvérsia atual envolve uma análise conduzida por pesquisadores da Amazon. O estudo identificou uma situação na qual o Fable 5 poderia ser induzido a revelar falhas presentes em determinados códigos vulneráveis. O documento foi compartilhado com a Anthropic e posteriormente discutido com integrantes do governo americano.

Autoridades que tiveram acesso ao material classificaram os resultados como preocupantes. No entanto, especialistas em segurança digital sustentam que a capacidade de localizar vulnerabilidades também pode fortalecer mecanismos de proteção cibernética, auxiliando profissionais encarregados de corrigir falhas antes que sejam exploradas por agentes mal-intencionados.

Entre os críticos da restrição está a pesquisadora Katie Moussouris, que analisou o trabalho produzido pela Amazon a pedido da Anthropic. Em publicação sobre o tema, ela argumentou que impedir esse tipo de funcionalidade comprometeria justamente uma das aplicações mais úteis da inteligência artificial para a defesa digital.

Defensores precisam conseguir pedir à IA que corrija falhas em um arquivo, explique por que a correção é importante e escreva testes que confirmem que o ajuste funciona. Isso não representa uma quebra de proteção” , afirmou Katie Moussouris, especialista em cibersegurança, em comentário citado pelo The New York Times.

notebook com várias linhas coloridas de código na tela
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Embora parte das preocupações tenha sido associada ao estudo da Amazon, um integrante do governo ouvido pela reportagem original indicou que as objeções da administração americana também envolveriam outros aspectos relacionados à segurança nacional e às relações da empresa com determinadas organizações. Ainda assim, pessoas com conhecimento das discussões afirmaram que esse ponto não teria sido apresentado diretamente à Anthropic.

Sem esclarecimentos públicos mais detalhados, a companhia permanece negociando com autoridades americanas em busca de uma solução. Paralelamente, especialistas da área de segurança digital organizaram uma carta aberta solicitando a retirada das restrições impostas aos modelos da empresa.

O documento reuniu mais de 150 assinaturas de pesquisadores e profissionais ligados à segurança cibernética e à inteligência artificial. Os signatários defenderam que o Fable 5 já possuía mecanismos de proteção considerados robustos para impedir usos ofensivos da tecnologia.

Dentro da Anthropic, a mobilização foi recebida como um sinal de apoio em meio ao impasse. Mesmo assim, persistem dúvidas sobre a capacidade da empresa de lançar futuras gerações de modelos caso o governo mantenha a postura atual. O cenário contribuiu para ampliar a percepção de insegurança entre funcionários, que seguem aguardando definições sobre os próximos passos da companhia.

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Anthropic intensifica negociações para derrubar bloqueio dos EUA a modelos de inteligência artificial

A Anthropic mobilizou sua cúpula técnica e representantes de políticas públicas para Washington no fim de semana, após o governo de Donald Trump restringir o uso internacional dos modelos de inteligência artificial Fable 5 e Mythos 5. A medida, anunciada na sexta-feira (12), levou a empresa a suspender o acesso às ferramentas fora dos Estados Unidos.

As conversas envolveram integrantes da administração federal e executivos da startup, que buscam uma saída para as limitações impostas às tecnologias. O impasse surgiu depois que autoridades americanas passaram a questionar mecanismos de proteção dos sistemas, diante de pesquisas que apontaram a possibilidade de obter informações sobre vulnerabilidades de softwares.

O objetivo das negociações é encontrar uma solução que permita restabelecer o acesso aos modelos mais avançados da companhia, ao mesmo tempo em que atenda às exigências de segurança levantadas pelo governo.

Empresa busca acordo após restrição atingir modelos de ponta

Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Segundo o The Wall Street Journal, representantes da Anthropic e integrantes do governo estadunidense passaram horas em reuniões e ligações ao longo do fim de semana para discutir os impactos da decisão.

Entre os participantes estavam o secretário de Comércio, Howard Lutnick, o diretor nacional de cibernética, Sean Cairncross, além de Tom Brown, cofundador e diretor de computação da startup, e Sarah Heck, responsável pela área de políticas públicas da empresa.

Pessoas familiarizadas com as conversas relataram à publicação que existe interesse mútuo em encerrar o impasse. Ainda assim, não havia clareza sobre quais condições poderiam viabilizar a retomada do acesso aos modelos bloqueados.

Paralelamente, especialistas da área de segurança digital manifestaram preocupação com a decisão. Um grupo de profissionais divulgou uma carta defendendo a retirada das restrições, argumentando que a medida pode prejudicar a posição dos Estados Unidos na corrida pela liderança em inteligência artificial.

Na avaliação dos signatários, “essa ação tirou os melhores modelos dos defensores, criou incerteza no mercado e colocou em risco a liderança de IA dos Estados Unidos sem nenhum risco real para justificá-la”, afirmaram pesquisadores de segurança cibernética em carta encaminhada à administração estadunidense.

O episódio ocorre após meses de divergências entre a Anthropic e órgãos do governo sobre regras de utilização e supervisão de sistemas avançados de inteligência artificial. O texto informa que também havia desacordos envolvendo o uso dos modelos pela área militar e discussões relacionadas à formulação de políticas públicas para o setor.

A controvérsia ganhou força depois que pesquisadores da Amazon identificaram formas de contornar determinadas barreiras de proteção do Fable. Segundo a reportagem, os testes permitiram obter informações sobre falhas existentes em pelo menos quatro programas de computador ao modificar a forma como os pedidos eram feitos ao sistema.

Logo da Anthropic em um smartphone; ao fundo, várias linhas de código de programação
Preocupações com segurança ganharam força – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Especialistas ouvidos pela publicação observaram, porém, que o estudo não apontou a geração de ferramentas ofensivas destinadas a ataques cibernéticos. O material teria demonstrado a capacidade de localizar vulnerabilidades, recurso que também pode ser empregado por equipes responsáveis pela defesa de redes e sistemas.

Consoante a posição divulgada pela Anthropic, as fragilidades destacadas pelos pesquisadores seriam relativamente simples e poderiam ser identificadas por outros modelos já disponíveis ao público. A empresa também sustentou que os resultados não configurariam uma quebra completa das salvaguardas implementadas na tecnologia.

Em meio à escalada da crise, a companhia enviou a Washington alguns de seus principais especialistas em segurança e avaliação de riscos. A expectativa era apresentar detalhes técnicos sobre os mecanismos de proteção adotados e reduzir a tensão entre a empresa e a administração federal.

A reação do governo ocorreu rapidamente. Após discussões internas e contatos entre autoridades e representantes do setor privado, a Anthropic recebeu pressão para retirar os modelos de circulação. Na mesma noite em que a restrição foi formalizada, a startup interrompeu o acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 para cumprir a determinação.

Para parte da comunidade de segurança digital, a resposta oficial foi excessiva. Katie Moussouris, diretora-executiva da empresa de cibersegurança Luta Security, avaliou que a suspensão da versão mais recente do Mythos produz efeitos negativos para atividades de proteção digital e para interesses estratégicos do próprio país.

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EUA proíbem uso das novas IAs da Anthropic por estrangeiros

Uma decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos na sexta-feira (12) provocou forte repercussão no setor de inteligência artificial. O Departamento de Comércio determinou que estrangeiros não poderão acessar os novos modelos de IA lançados pela Anthropic, empresa responsável pelo assistente Claude

A medida vale tanto para pessoas que vivem fora do país quanto para estrangeiros que estão em território estadunidense.

Especialistas alertam que a IA poderosa da Anthropic pode ser usada para obter informações sensíveis, burlar regras de segurança ou explorar vulnerabilidades tecnológicas. – Crédito: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

Em resumo:

  • EUA proibiram estrangeiros de acessar novos modelos da Anthropic;
  • Anthropic suspendeu globalmente ferramentas Fable 5 e Mythos 5;
  • Governo teme jailbreaks que burlam proteções de segurança;
  • Empresa critica medida e pede regras transparentes;
  • Caso amplia debate entre inovação, segurança e regulação.

Para cumprir a determinação, a companhia precisou interromper o acesso global aos modelos recém-lançados. A ordem foi emitida poucos dias após a chegada ao mercado das ferramentas Fable 5 e Mythos 5, apresentadas pela empresa como uma nova geração de sistemas de inteligência artificial com capacidades avançadas.

Anthropic vê exagero na decisão do governo

Embora o governo não tenha detalhado oficialmente os motivos da restrição, fontes ligadas ao caso indicam que a preocupação estaria relacionada à possibilidade de os sistemas serem alvo de técnicas conhecidas como “jailbreak”, segundo o jornal The New York Times. Esse tipo de procedimento busca contornar os mecanismos de segurança das IAs para obter respostas ou comportamentos que normalmente seriam bloqueados.

Na prática, um jailbreak utiliza instruções elaboradas, simulações ou estratégias de engenharia de prompt para convencer o sistema a ignorar limitações impostas pelos desenvolvedores. Especialistas alertam que esse recurso pode ser usado para obter informações sensíveis, burlar regras de segurança ou explorar vulnerabilidades tecnológicas.

A Anthropic afirmou que sempre reconheceu a existência desse tipo de risco, mas considera a reação do governo exagerada. Em comunicado divulgado em seu site e nas redes sociais, a empresa classificou a decisão como um possível mal-entendido e defendeu que eventuais restrições devem seguir critérios transparentes, baseados em evidências técnicas e em processos regulatórios claros.

Para a companhia, impedir o acesso aos modelos por causa da possibilidade de jailbreak criaria um precedente que poderia afetar praticamente toda a indústria de inteligência artificial. Isso porque nenhuma grande empresa do setor está totalmente livre desse tipo de vulnerabilidade, apesar dos constantes investimentos em mecanismos de proteção.

Os modelos afetados haviam sido disponibilizados ao público poucos dias antes da restrição. Inicialmente, o acesso seria gratuito por um período limitado. Depois, os usuários passariam a utilizar a tecnologia por meio de cobrança baseada em requisições feitas às interfaces de programação (APIs).

O sistema Fable 5 foi desenvolvido com camadas extras de proteção para impedir respostas relacionadas a temas considerados sensíveis, como cibersegurança ofensiva, biologia avançada e outras áreas que poderiam ser exploradas para atividades ilegais. A empresa afirma que consultas consideradas de maior risco seriam direcionadas para versões mais antigas da tecnologia.

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EUA restringem acesso ao Fable, IA da Anthropic voltada para segurança digital e análise de código. – Crédito: Samuel Boivin/Shutterstock

Especialistas divergem sobre a medida

Apesar dessas barreiras, especialistas divergem sobre a eficácia das medidas. Parte da comunidade de segurança digital considera que sistemas tão avançados podem representar novas ameaças caso caiam em mãos mal-intencionadas. Outros pesquisadores argumentam que as mesmas capacidades podem ser utilizadas para fortalecer defesas e identificar vulnerabilidades antes que criminosos as explorem.

As discussões sobre os riscos dos novos modelos ganharam força após testes realizados por pesquisadores que tiveram acesso antecipado ao Mythos. Alguns classificaram a ferramenta como um avanço preocupante no campo da cibersegurança, enquanto outros a enxergaram como uma evolução gradual das tecnologias já disponíveis no mercado.

A decisão dos EUA também ocorre em meio a um debate mais amplo sobre a supervisão da IA. Recentemente, o governo passou a discutir mecanismos para ampliar o monitoramento de sistemas avançados antes de sua liberação ao público. A mudança representa uma postura mais cautelosa em relação ao rápido crescimento da tecnologia.

Leia mais:

“Não tenho palavras”, diz ex-conselheiro de Inteligência Artificial de Trump

A relação entre a Casa Branca e a Anthropic já vinha apresentando atritos. Meses atrás, órgãos federais foram orientados a interromper o uso de ferramentas da empresa após divergências sobre a utilização dos modelos por forças militares. A startup defendia a adoção de salvaguardas técnicas para evitar usos considerados inadequados.

Mesmo diante das restrições, modelos anteriores da Anthropic continuam disponíveis. A empresa informou que sistemas como o Opus 4.8 não foram afetados pela ordem governamental e seguem operando normalmente para clientes autorizados.

A decisão causou surpresa entre especialistas em tecnologia e ex-integrantes do governo americano. Entre os críticos está Dean Ball, ex-conselheiro de inteligência artificial da administração Trump, que reagiu à notícia nas redes sociais dizendo: “Não tenho palavras”. Em seguida, classificou a medida como “desconcertante”. Para analistas do setor, a restrição contrasta com outras iniciativas recentes dos Estados Unidos voltadas ao fortalecimento da liderança do país no desenvolvimento de tecnologias avançadas.

O caso também reacendeu o debate sobre como equilibrar inovação e segurança. Enquanto governos discutem formas de reduzir riscos associados às novas tecnologias, empresas do setor alertam para a necessidade de regras claras que não impeçam o avanço de ferramentas consideradas estratégicas para a economia e para a pesquisa científica. Por enquanto, não há previsão oficial para o fim das restrições impostas aos novos modelos da Anthropic.

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ChatGPT foi criado em duas semanas por causa da Anthropic, diz Reuters

A Anthropic protocolou em 1º de junho seu pedido confidencial de abertura de capital nos EUA. A OpenAI seguiu no dia 8, uma semana depois. A disputa pelo IPO é só a mais recente batalha entre as duas empresas – e a Reuters revelou nesta quinta-feira (11) a história por trás da guerra.

ChatGPT em duas semanas

Em novembro de 2022, a OpenAI soube que a Anthropic desenvolvia um chatbot. Sam Altman imediatamente ordenou que a equipe acelerasse um produto concorrente, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters.

Duas semanas depois, a OpenAI lançou o ChatGPT. “De repente, era: precisamos lançar isso em duas semanas”, disse um funcionário à agência. O produto se tornou o aplicativo de crescimento mais rápido da história.

A inversão de poder

Por três anos, a Anthropic correu para alcançar a OpenAI. No final de 2025, o cenário virou. A empresa lançou uma atualização poderosa do Claude Code e passou a liderar no mercado enterprise de programação com IA.

A OpenAI redirecionou recursos para o mercado corporativo. Reforçou o Codex, seu produto de codificação, e criou a DeployCo – joint venture com 19 firmas globais para levar engenheiros diretamente às empresas.

Quem vale mais

A Anthropic foi avaliada em US$ 965 bilhões em sua última rodada de captação, em maio. A OpenAI estava avaliada em US$ 852 bilhões em março.

A Anthropic, que nasceu como dissidência da OpenAI, agora vale mais que a empresa original. “É uma guerra total entre eles”, disse à Reuters Anastasios Angelopoulos, CEO da Arena, empresa de benchmarking de IA.

A briga pelos números

As duas empresas divergem até na forma de reportar receita. A OpenAI acusa a Anthropic de inflar seus números em bilhões, segundo a Reuters.

A Anthropic contabiliza o valor total pago pelos clientes. A OpenAI registra apenas a receita líquida, já deduzidos os repasses à Microsoft. A Anthropic afirma seguir práticas contábeis estabelecidas.

A corrida pelo IPO

A OpenAI havia comunicado a alguns investidores que pretendia abrir capital em setembro. A Anthropic saiu na frente ao protocolar primeiro – e pode assim definir como empresas de IA reportam resultados para o mercado.

Internamente, Altman pressionou a CFO Sarah Friar pelo cronograma agressivo. Segundo a Reuters, ele disse que ela deveria resolver ou contratar outros banqueiros e advogados capazes de cumpri-lo.

A recusa no palco

A tensão entre os CEOs extrapolou o mundo corporativo. Em fevereiro, em uma cúpula de IA na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi pediu que os executivos presentes se dessem as mãos em gesto de unidade.

Altman e Amodei, lado a lado no palco, recusaram. O momento foi registrado em vídeo e viralizou.

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Anthropic amplia aposta em data centers e negocia apoio financeiro do Google, diz The Information

A Anthropic está estruturando uma expansão agressiva de sua infraestrutura de inteligência artificial ao arrendar e operar data centers próprios nos Estados Unidos, movimento sustentado pela forte demanda por seus modelos e ancorado em uma relação cada vez mais estratégica com a Alphabet. A informação foi apurada e publicada pelo site The Information.

Nesse arranjo, a controladora do Google surge não apenas como possível financiadora, mas também como parceira tecnológica, ao participar do ecossistema de chips de servidor que pode sustentar as novas instalações da startup.

As conversas incluem ainda a possibilidade de a Alphabet oferecer garantias financeiras para pagamentos bilionários de arrendamento, enquanto a Anthropic avança em direção a uma oferta pública inicial mantida sob confidencialidade.

Expansão de infraestrutura e escala de computação

Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

A empresa assinou mais de uma dúzia de acordos preliminares para contratação de data centers nos Estados Unidos, somando capacidade superior a 1 gigawatt. O objetivo é garantir escala suficiente para suportar o crescimento acelerado do uso de seus modelos de IA.

Esse movimento representa uma mudança relevante de postura operacional, já que a Anthropic passa a controlar de forma mais direta a base física necessária para rodar seus sistemas de inteligência artificial em larga escala.

A pressão por capacidade vem do aumento contínuo da demanda pela família de modelos Claude, especialmente em aplicações empresariais e de desenvolvimento de software.

Alphabet como pilar financeiro e tecnológico

Alphabet dispara na bolsa enquanto disputa mercado de IA com Nvidia
(Imagem: Markus Mainka / Shutterstock.com)

A relação com a Alphabet se intensifica em múltiplas frentes. Além de já ter sido citada como investidora com potencial de aporte de até 40 bilhões de dólares, a empresa também participa do desenvolvimento de chips de servidor que podem ser utilizados nos data centers planejados pela Anthropic.

Nesse contexto, discute-se um mecanismo de garantia financeira em que a Alphabet poderia respaldar pagamentos de contratos de arrendamento, reduzindo o risco da expansão agressiva da infraestrutura da startup.

Esse vínculo coloca a Alphabet simultaneamente como financiadora potencial, parceira tecnológica e agente de estabilidade para a estratégia de crescimento da Anthropic.

IPO e pressão de crescimento

A Anthropic também teria submetido, de forma confidencial, documentos para uma oferta pública inicial nos Estados Unidos, sem divulgar termos ou tamanho da operação.

O avanço da infraestrutura e os acordos com grandes parceiros ocorrem em paralelo a uma rodada de captação recente, que avaliou a empresa em aproximadamente 965 bilhões de dólares após levantar outros 65 bilhões.

A combinação entre expansão física, apoio de grandes grupos de tecnologia e forte demanda por seus modelos posiciona a companhia em uma disputa direta por escala no mercado global de inteligência artificial.

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Fable 5: IA da Anthropic que agiliza seu trabalho é aquela ‘perigosa demais’, só que ‘na coleira’

A Anthropic lançou, na terça-feira (09), o Claude Fable 5. Você talvez tenha lido aqui no Olhar Digital que essa nova inteligência artificial (IA) reduz dois meses de trabalho a um dia. Pois bem. Lembra do Mythos? Aquele modelo de IA que a sua desenvolvedora, a Anthropic, considerou “perigoso demais” para ser lançado ao público. O Fable é o Mythos “na coleira”.

É o que explicou Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning pela Universidade de Stanford, e também colunista do Olhar Digital. “Eles perceberam que esse modelo [o Mythos] ainda é muito poderoso. Então, eles colocaram o modelo na coleira”, disse o pesquisador. 

“Fizeram um ajuste tão pesado que é o seguinte: toda vez que algum usuário quiser falar de cibersegurança com você [o modelo Fable], você não responde”, explicou Pena. O que acontece é: se você tentar conversar sobre segurança cibernética com o Fable, ele sai de cena, e você passa a conversar com outro modelo da Anthropic, o Opus. Este também é avançado, só que faz parte da geração passada de IA da empresa.

Preocupada com capacidade do Mythos, Anthropic trancou a IA a sete chaves

Para você entender essa história toda, precisamos recapitular o contexto. A Anthropic desenvolveu um modelo de IA capaz de revolucionar a cibersegurança. Mas, ao anunciá-lo, em 7 de abril de 2026, tomou uma decisão incomum: trancou o modelo a sete chaves. E distribuiu as chaves para algumas empresas. 

Por quê? Segundo a empresa, o modelo, chamado de Claude Mythos Preview, seria “perigoso demais” para cair nas mãos do público geral. “As consequências – para as economias, a segurança pública e a segurança nacional – podem ser graves”, declarou a empresa na época.

Num primeiro momento, a Anthropic achou melhor trancar o Mythos a sete chaves – Imagem: Olhar Digital

O Mythos é o modelo de IA mais avançado já desenvolvido pela empresa de Dario Amodei até o momento. Ele foi anunciado junto ao Projeto Glasswing, iniciativa liderada pela Anthropic em parceria com big techs como Apple, Google, Microsoft e Nvidia. Em suma, é um consórcio criado para testar o modelo em sigilo.

O forte do Mythos é programação. Ele funciona de maneira semelhante a um engenheiro de software experiente, sendo capaz de detectar bugs sutis, corrigir as próprias falhas e superar a maior parte dos humanos na identificação de brechas de sistemas. 

Fabrício Carraro, Program Manager na Alura e colunista do Olhar Digital, explorou o System Card publicado pela empresa. É um documento de 245 páginas no qual a Anthropic detalha seus testes e benchmarks.

“Nos benchmarks de programação, ele [o Mythos] realmente mostrou uma evolução muito, muito grande em comparação ao seu antecessor, o Opus 4.6”, disse Carraro, em entrevista ao Olhar Digital.

O motivo para a Anthropic não liberar o modelo para o público geral é o seu potencial de uso duplo. Isto é, ele poder servir tanto para a proteção de infraestruturas quanto para a execução de ataques cibernéticos. 

Testes do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido, por exemplo, comprovaram que o Mythos realizou hacking avançado em 73% das tentativas e cumpriu com sucesso uma simulação de ataque de 32 etapas, enquanto relatórios da própria Anthropic revelaram que a IA conseguiu escapar de um ambiente de teste controlado (você pode mergulhar no “Mythos proibido” nessa reportagem especial do Olhar Digital).

Claude Fable 5 é o Mythos ‘na coleira’

Num primeiro momento, a Anthropic anunciou que manteria o Mythos trancado a sete chaves. Mas, de lá para cá, trabalhou em outra alternativa: colocar o modelo “na coleira”, como disse Pena.

“A ideia foi evitar que qualquer usuário possa fazer algum uso maligno. Eu não sei se isso é o suficiente para garantir. Mas eles tentaram. Colocaram na coleira. E aí, eles deram outro nome: Fable. Ou seja, fábula – que seria um, digamos, mito menor”, explicou o pesquisador.

Esse Claude Fable 5 (que também tem system card) é bom mesmo? Segundo Pena, sim. Principalmente para programação (o forte do Mythos, lembra?). “Quando a gente vê os testes de programação, ele vai 10%, 15%, 20% acima dos concorrentes. Normalmente, quando lançam modelos, a diferença fica por volta de 5%, 8%, 10%. Dessa vez, estamos observando saltos muito grandes”, afirmou Pena. “É realmente outro nível.”

Tabela divulgada pela Anthropic compara o Claude Mythos 5 / Fable 5 com concorrentes em 13 categorias. Em cibersegurança, o modelo marca 78% no ExploitBench — mais que o dobro do GPT 5.5, que registra 34%. Nos benchmarks com asterisco, o Fable 5 performa próximo ao Opus 4.8 devido ao acionamento das salvaguardas de segurança.
Tabela divulgada pela Anthropic compara o Claude Mythos 5 / Fable 5 com concorrentes em 13 categorias – Anthropic / Divulgação

A diferença entre o Claude Mythos Preview e o Claude Fable 5 é que o segundo chegou ao público geral. E usuários (pesquisadores, desenvolvedores, programadores) não curtiram muito as restrições.

Usuários relatam que o sistema passou a bloquear temas inofensivos relacionados a biologia e matemática, por exemplo. Não demorou para circularem acusações de que a Anthropic estaria centralizando o controle e dificultando a avaliação independente da tecnologia. 

Em resposta ao descontentamento com as restrições (invisíveis, diga-se), a Anthropic pediu desculpas pelo erro de equilíbrio e anunciou que tornará os avisos visíveis. A companhia também prometeu liberar o acesso ao modelo sem essas salvaguardas para a comunidade científica e biomédica.

É mais um episódio que reforça o dilema da Anthropic em equilibrar seus interesses comerciais com suas metas de segurança, que fazem parte do seu posicionamento no mercado. Isso enquanto a empresa está numa corrida acirrada contra a OpenAI por clientes e investidores antes de uma possível abertura de capital (IPO) na Bolsa de Valores.

Enquanto executivos do setor defendem regulações globais, críticos argumentam que os alertas de perigo e os bloqueios excessivos funcionam como marketing corporativo e barreira para sufocar concorrentes de código aberto. E aí, o debate sobre quem deve controlar os limites da IA esquenta ainda mais.

“Agora, a dúvida que fica é: será que esse Fable está realmente seguro? Será que a galera não vai descobrir um jeito de fazer um jailbreak e começar a usar de um jeito ruim?”, questionou Pena. “Será que essa coleira é realmente resistente? Isso a gente vai ter que esperar para ver.”

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OpenAI prepara corte de preços e acirra disputa na IA

A OpenAI está avaliando reduzir os preços cobrados pelo acesso aos seus modelos de inteligência artificial, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada na quarta-feira, com base em fontes próximas ao tema.

A movimentação não parece casual. Nos bastidores, a companhia estuda cortar de forma relevante o valor cobrado por tokens — unidade usada para medir e faturar o uso de sistemas de IA. A leitura no mercado é de que a decisão mira um ambiente mais competitivo, especialmente com a Anthropic ganhando espaço e pressionando margens.

Disputa entre OpenAI e Anthropic avança e pode impactar custos de acesso à inteligência artificial no mundo. Imagem: Primakov / Shutterstock – Imagem: Primakov / Shutterstock

Preços atuais das duas plataformas

Hoje, a OpenAI trabalha com três faixas de assinatura: US$ 8 (cerca de R$ 40), US$ 20 (aproximadamente R$ 100) e US$ 100 ou mais (em torno de R$ 500) para acesso aos modelos GPT-5.5. A Anthropic segue uma estrutura parecida, com o Claude Pro a US$ 17 (aprox. R$ 85) por mês em plano anual e o Claude Max a partir de US$ 100 (cerca de R$ 500).

Na prática, os valores mostram duas estratégias muito próximas. A diferença real, neste momento, está na disputa por escala e fidelização de usuários.

Celular com ChatGPT aberto em navegador sobre notas de dólares
Guerra de preços na IA pode ficar mais intensa com possível corte de valores pela OpenAI. Imagem: Hamara/Shutterstock

Disputa acirrada entre as empresas

Na segunda-feira, a OpenAI protocolou de forma confidencial um pedido de oferta pública inicial (IPO) junto à SEC, reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos. Pouco depois, a Anthropic avançou em direção semelhante.

Não é coincidência. As duas empresas disputam capital, usuários e influência ao mesmo tempo.

Leia mais:

A Anthropic encerrou sua rodada Série H em 28 de maio com avaliação de US$ 965 bilhões (aproximadamente R$ 4,8 trilhões), superando levemente a OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,3 trilhões) em março.

Enquanto isso, o ChatGPT atingiu a marca de 1 bilhão de usuários mensais ativos em maio — cerca de três anos após o lançamento. O ritmo supera plataformas como o Google Maps, que levou aproximadamente cinco anos para alcançar o mesmo patamar, segundo estimativas da Sensor Tower.

No fim, o que parece uma disputa de preços é, na prática, uma corrida mais ampla: quem vai definir não só o custo, mas o ritmo de expansão da inteligência artificial no mercado global.

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IA da Anthropic bloqueia até tarefas básicas de cibersegurança

A Anthropic lançou, na terça-feira, o Fable, descrito pela empresa como uma versão pública e limitada do Mythos, seu sistema voltado à segurança digital. O lançamento rapidamente virou alvo de reclamações entre pesquisadores e profissionais da área, que consideram os bloqueios amplos demais até para tarefas simples.

Segundo a TechCrunch, as críticas começaram a aparecer em redes sociais e fóruns especializados. Valentina “Chompie” Palmiotti, pesquisadora de segurança que trabalha na IBM X-Force, escreveu que o Fable “rejeita qualquer requisição que possa ser tangencialmente relacionada a cibersegurança. Até tarefas inócuas, como ler uma postagem de blog”. Outro pesquisador reclamou no X que “até pedir uma revisão de código” aciona as barreiras da plataforma.

Nova IA da Anthropic interrompe conversas ao detectar temas ligados à cibersegurança ou biologia. Imagem: Photo For Everything/Shutterstock – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

O que faz o Fable bloquear pedidos

Quando um prompt ativa os mecanismos internos de proteção, o Fable interrompe a conversa e exibe uma mensagem informando que suas “medidas de segurança sinalizaram esta mensagem por tópicos de cibersegurança ou biologia”. Nesses casos, a ferramenta retorna automaticamente ao Claude Opus 4.8.

A empresa afirma que os filtros existem para evitar que o sistema seja usado na criação de malware ou para invadir softwares — uma preocupação antiga da Anthropic. A companhia também bloqueia pedidos ligados à biologia por receio de uso indevido envolvendo armas biológicas.

Especialistas reclamam dos filtros

Matt Suiche, veterano da área e membro da equipe técnica da Tolmo, startup de segurança digital com IA, disse ao TechCrunch que “se você pede para ele escrever código seguro, ele assume que é trabalho relacionado a cibersegurança em vez de boas práticas de engenharia de software, e você é rebaixado”. Suiche afirmou ainda que o sistema “parece ser baseado em palavras-chave, então qualquer coisa no campo lexical de ‘cibersegurança’ aciona as restrições”.

Mesmo criticando o funcionamento do sistema, Suiche disse entender a postura da empresa. “Ainda estamos nos primeiros dias e eles ainda estão adaptando suas restrições. Tenho certeza de que vão evoluir com o tempo, à medida que a Anthropic e outras empresas de modelos de fronteira colaborarem com a nova geração de empresas de cibersegurança”, afirmou. “É melhor pegar mais pessoas do que pegar de menos quando você faz um lançamento assim, e relaxar as restrições ao longo do tempo.”

Logo da Anthropic em um smartphone
Profissionais da área reclamam que até pedidos considerados inofensivos são barrados pelo Fable. Imagem: JRdes/Shutterstock – Imagem: JRdes/Shutterstock

Como o Mythos chegou ao mercado

O Mythos foi lançado pela Anthropic em abril, inicialmente com acesso restrito a um grupo limitado de empresas e organizações dentro do Projeto Glasswing, iniciativa voltada à proteção de softwares e infraestruturas críticas. Na semana passada, a companhia ampliou o acesso ao sistema para centenas de organizações em 15 países.

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Além dos filtros internos, a Anthropic exige que profissionais da área se inscrevam no Cyber Verification Program. Profissionais aprovados conseguem usar o Claude com menos bloqueios para trabalhos ligados à segurança digital. A OpenAI mantém um programa semelhante chamado Trusted Access for Cyber.

As críticas continuam circulando entre profissionais da área, principalmente por causa dos bloqueios considerados exagerados. A Anthropic não respondeu ao pedido de comentário da reportagem.

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Claude Fable 5: nova IA da Anthropic reduz dois meses de trabalho a um dia

A Anthropic lançou hoje o Claude Fable 5, seu modelo de inteligência artificial mais avançado disponível ao público geral. Segundo comunicado oficial, ele supera qualquer versão anterior da empresa em benchmarks de capacidade.

De meses para um dia

A Stripe relatou que o Fable 5 comprimiu meses de engenharia em dias. Em uma base de código Ruby com 50 milhões de linhas, o modelo concluiu uma migração completa em um dia. O mesmo trabalho exigiria uma equipe inteira por mais de dois meses.

No benchmark FrontierCode da Cognition, que testa qualidade de código em produção, o Fable 5 obteve a maior pontuação entre os modelos de fronteira.

Finanças e visão

No benchmark financeiro da Hebbia para raciocínio de nível sênior, o Fable 5 alcançou a pontuação mais alta entre todos os modelos testados. A IMC afirmou que o modelo acertou praticamente todas as avaliações de análise de negociação.

Em tarefas visuais, o modelo reconstruiu o código-fonte de um aplicativo web a partir de capturas de tela, sem ferramentas auxiliares.

Segurança com fallback automático

O Fable 5 inclui classificadores de segurança. Quando uma consulta envolve cibersegurança, biologia ou química, o sistema redireciona automaticamente para o Claude Opus 4.8. O usuário é informado sempre que isso ocorre.

Segundo a Anthropic, menos de 5% das sessões acionam o redirecionamento.

Ciência: dez vezes mais rápido

Na área de design de medicamentos, o Mythos 5 (versão sem restrições para parceiros selecionados) acelerou etapas do processo em cerca de dez vezes.

Em pesquisa de genômica, o modelo treinou um sistema que superou um modelo publicado na revista Science, sendo 100 vezes menor.

Preço e disponibilidade

O Claude Fable 5 está disponível hoje. O preço é de US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por saída – menos da metade do Claude Mythos Preview.

Nos planos Pro, Max, Team e Enterprise, o acesso está incluído sem custo adicional até 22 de junho. Após essa data, o uso exigirá créditos.

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Disputa com Casa Branca expõe riscos políticos da Anthropic antes do IPO

A relação entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos entrou em rota de colisão após divergências sobre o uso militar de inteligência artificial. O impasse envolveu decisões de segurança nacional e medidas de restrição que atingiram diretamente a empresa.

Nos últimos meses, porém, o clima começou a mudar em Washington. Ainda sem acordo definitivo, mas com sinais de aproximação, explica a Reuters.

Debate sobre uso de IA militar segue no centro da relação entre empresas de tecnologia e a Casa Branca. Imagem: Artem Onoprienko/iStock

Impasse começou com restrições ao uso militar de IA

A tensão começou quando a Anthropic recusou permitir que suas tecnologias fossem usadas pelas Forças Armadas dos EUA em vigilância doméstica e em sistemas de armas totalmente autônomos. A resposta do governo veio em seguida: a empresa foi incluída em uma lista de segurança nacional, cuja aplicação deve entrar em vigor ainda este ano.

Em março, o Departamento de Defesa foi além e classificou a empresa como um “risco para a cadeia de suprimentos”. É a primeira vez que uma companhia americana recebe esse tipo de enquadramento, geralmente reservado a empresas ligadas a países considerados adversários. Na prática, a decisão impede que contratados militares usem modelos da Anthropic em projetos ligados às Forças Armadas.

Sempre que o governo sinaliza que está se desvinculando de uma empresa, isso é um grande problema para ela.

Franklin Turner, advogado que atua com contratos governamentais, à Reuters.

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Disputa entre Anthropic e governo dos EUA envolve uso de IA em defesa e vigilância doméstica. Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Sinais de reaproximação começaram na Casa Branca

A mudança de clima começou a aparecer depois de uma visita do CEO Dario Amodei à Casa Branca, em abril. Foi o primeiro encontro mais amplo desde o início da disputa, abrindo espaço para conversas sobre possível cooperação.

Um dos episódios mais simbólicos dessa reaproximação foi o convite para que Amodei participasse da assinatura de uma ordem executiva sobre inteligência artificial. O evento acabou sendo cancelado, mas a ordem foi posteriormente assinada pelo presidente Donald Trump. Em comunicado, a Anthropic afirmou que espera “colaborar” com a Casa Branca na implementação das diretrizes.

Nos bastidores, representantes da empresa também se reuniram com autoridades econômicas dos Estados Unidos para discutir segurança cibernética e políticas de IA. Esses encontros ajudaram a alimentar parte das discussões que embasaram a nova ordem executiva.

Pontos da disputa

  • Recusa da Anthropic em apoiar usos militares de IA em vigilância e armas autônomas
  • Inclusão da empresa em lista de segurança nacional dos EUA
  • Classificação como “risco para a cadeia de suprimentos” pelo Pentágono
  • Reaproximação após reuniões na Casa Branca e encontros com autoridades
  • Processo judicial ainda em andamento e impacto sobre o IPO da empresa
Logo da Anthropic em um smartphone
Especialistas avaliam que impacto da crise entre Anthropic e EUA pode ser mais reputacional no curto prazo. Imagem: JRdes/Shutterstock – Imagem: JRdes/Shutterstock

Disputa segue aberta e ainda gera incertezas

Apesar dos sinais de aproximação, o conflito não foi encerrado. O Pentágono continua contestando a classificação de risco aplicada à empresa, e o caso segue em disputa judicial.

Outro ponto que chamou atenção no setor foi a ausência de executivos da Anthropic em uma simulação militar de ataques cibernéticos organizada pelo Exército dos EUA. O exercício contou com representantes de outras grandes empresas de tecnologia.

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No mercado, o caso é acompanhado de perto. Analistas avaliam que o impacto imediato é mais reputacional do que estrutural, embora ainda gere ruído. “É uma contusão de curto prazo”, resumiu o analista Harrison Rolfes, da PitchBook.

O pano de fundo é a preparação da Anthropic para uma possível abertura de capital, que pode avaliar a empresa em até US$ 1 trilhão. Um movimento que coloca ainda mais pressão sobre a relação com o governo americano.

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