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Claude agora pode acessar contas bancárias para analisar gastos

A Anthropic anunciou a chegada do Personal Finance ao assistente Claude. O recurso permite conectar contas bancárias e cartões de crédito para acompanhar despesas e esclarecer dúvidas financeiras em linguagem simples.

A integração utiliza a plataforma Plaid e oferece acesso somente para leitura. Isso significa que o sistema não pode movimentar, administrar ou investir o dinheiro dos usuários.

O Personal Finance pode consultar até dois anos de histórico de transações das contas conectadas. – Imagem: Divulgação/Anthropic

Análise de gastos e identificação de cobranças

Com a ferramenta, o usuário pode consultar a distribuição das despesas ao longo do mês, organizadas em categorias como aluguel, alimentação e compras. Também é possível fazer perguntas adicionais para comparar os gastos com períodos anteriores e identificar mudanças no orçamento.

O Claude ainda analisa as transações para sinalizar possíveis problemas, como cobranças duplicadas, tarifas inesperadas e contas que aumentam gradualmente. O assistente também pode avaliar se o usuário está gastando mais do que ganha, explicar conceitos financeiros, como a taxa percentual anual (APR), e calcular quanto foi pago em juros nos últimos 12 meses.

Em comunicado, a Anthropic destacou a proposta de apresentar informações financeiras em linguagem acessível: “O Claude fornece respostas em linguagem cotidiana, a partir de seus saldos e transações, e explica qualquer termo que seja novo para você”.

Privacidade dos dados e concorrência

A conexão com as contas financeiras permite o acesso a um conjunto limitado de informações, segundo a Anthropic. São elas:

  • Nome do banco, da conta e seu tipo;
  • Quatro últimos dígitos do número da conta;
  • Saldo e limite de crédito;
  • Histórico de transações de até dois anos.

A empresa também afirma que as conversas realizadas no ambiente Personal Finance não são utilizadas para treinar seus modelos de IA.

A ferramenta não oferece anúncios ou recomendações patrocinadas, nem comercializa cartões de crédito, empréstimos ou contas de poupança próprios. Essa característica também foi destacada pela Anthropic como parte da proposta de oferecer respostas sem interesses comerciais na indicação de produtos financeiros.

O lançamento coloca o Claude em concorrência com o ChatGPT, da OpenAI, que apresentou recursos semelhantes em maio. A ferramenta da empresa também permite conectar contas financeiras e consultar informações sobre despesas e planejamento de longo prazo.

Ao fundo, tela com códigos de programação; à frente, mão de uma pessoa segurando um celular que exibe o logo do ChatGPT
O lançamento aproxima o Claude dos recursos de finanças pessoais apresentados pelo ChatGPT em maio. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Disponibilidade do recurso

O Personal Finance começa a ser liberado em versão beta nesta semana para assinantes dos planos Pro, Max e Ultra nos Estados Unidos.

A novidade faz parte da expansão do Claude para setores específicos. No início deste ano, a Anthropic também lançou o Claude for Legal, voltado à área jurídica, e o Claude for Financial Services, direcionado ao mercado de serviços financeiros.

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Anthropic quer impedir que empresas escondam qual IA estão usando

A Anthropic está desenvolvendo tecnologia que permite verificar se uma resposta foi realmente produzida pelo modelo de inteligência artificial (IA) que uma empresa afirma utilizar. Batizado de FlashProve, o sistema usa criptografia para criar uma espécie de comprovante matemático da identidade do modelo responsável por determinada saída.

A proposta é dar aos usuários uma maneira de confirmar se estão interagindo com a IA anunciada pelo fornecedor, em vez de uma versão diferente ou menos avançada. Segundo a Anthropic, o mecanismo também poderia dificultar tentativas de empresas de substituir secretamente seus modelos por alternativas mais baratas ou apresentar resultados de desempenho que não correspondem à tecnologia utilizada.

O projeto foi apresentado em publicação da companhia nesta terça-feira (3). A empresa também disponibilizou uma especificação técnica e partes do código em formato aberto para que outros pesquisadores possam examinar e aprimorar a iniciativa.

Como funciona o FlashProve?

  • O sistema utiliza o conceito de “inferência comprovável”, que consiste em gerar uma prova criptográfica de que determinada resposta veio de um modelo específico;
  • A ideia é semelhante às assinaturas digitais usadas em e-mails para confirmar a identidade de quem enviou uma mensagem. Nesse caso, porém, a verificação serviria para identificar qual IA produziu um conteúdo;
  • Para isso, os desenvolvedores de modelos precisariam publicar uma espécie de impressão digital de cada sistema lançado. Posteriormente, essa identificação poderia ser comparada às respostas produzidas pela IA e verificada por meio de mecanismos criptográficos;
  • Um aspecto importante é que essas impressões digitais não revelariam os pesos do modelo — os valores internos que determinam seu funcionamento e comportamento. Empresas, como Anthropic e OpenAI, mantêm essas informações privadas, mas poderiam participar de um sistema de verificação sem abrir mão desse segredo comercial;
  • A tecnologia também foi projetada para ser leve, permitindo que a verificação seja realizada diretamente em um dispositivo local.

Leia mais:

Sistema poderia impedir troca secreta de modelos

Um dos problemas que o FlashProve pretende enfrentar é a possibilidade de um fornecedor apresentar um modelo aos clientes, mas utilizar outro durante o funcionamento do serviço.

Empresa também disponibilizou uma especificação técnica e partes do código em formato aberto para que outros pesquisadores possam examinar e aprimorar a iniciativa – Imagem: gguy/Shutterstock

Uma empresa poderia, por exemplo, anunciar o acesso a uma IA avançada e substituí-la por alternativa mais barata para reduzir custos. O mecanismo também poderia dificultar situações em que uma companhia utiliza um modelo diferente daquele que afirma ter empregado para demonstrar determinado desempenho.

A verificação teria aplicações além dos serviços oferecidos diretamente pelas empresas de IA.

Os pesquisadores citam o exemplo de um desenvolvedor que afirma ter utilizado um modelo avançado de cibersegurança para examinar uma biblioteca de software em busca de vulnerabilidades. Outra possibilidade seria uma empresa declarar que seu plano de negócios recebeu aprovação de uma IA apropriada para a tarefa.

Com o FlashProve, seria possível verificar criptograficamente se o modelo anunciado realmente foi utilizado nesses processos.

Tecnologia ainda não tem previsão de lançamento

Apesar da apresentação pública, o FlashProve ainda é um projeto de pesquisa. A Anthropic disponibilizou uma especificação técnica detalhada e código funcional de diferentes componentes sob uma licença de código aberto, permitindo que a comunidade examine e desenvolva o sistema.

A companhia, no entanto, não anunciou planos para implementar a tecnologia em seus próprios serviços ou em outras plataformas de IA.

Os pesquisadores afirmaram que a publicação representa avanço intermediário do trabalho, e não a conclusão de uma agenda de pesquisa. A intenção é permitir que outras equipes analisem a proposta, aproveitem seus componentes e contribuam para aperfeiçoá-la.

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Big techs reforçam combate a conteúdos falsos gerados por IA nas eleições dos EUA

OpenAI, Anthropic, Google e Meta reforçaram suas estratégias para impedir que ferramentas de inteligência artificial (IA) sejam usadas para manipular as eleições legislativas dos Estados Unidos, que estão sendo realizadas nesta terça-feira (3). As empresas montaram equipes especializadas para monitorar atividades suspeitas e tentar conter campanhas de desinformação capazes de comprometer a confiança no processo democrático.

Na OpenAI, mais de uma dúzia de funcionários trabalha em uma central de operações instalada em escritório da companhia em São Francisco (EUA). A estrutura representa ampliação significativa dos esforços adotados pela empresa durante a eleição presidencial de 2024, quando os recursos de IA eram menos avançados e o ChatGPT tinha apenas um quinto da base de um bilhão de usuários que possui atualmente.

“Em 2024, a tecnologia mais acessível era o texto. Agora, não estamos monitorando apenas textos”, afirmou Josh Lawson, responsável pela área de riscos cívicos e estratégicos da OpenAI e líder da operação, ao The New York Times.

O cenário atual inclui ameaças que vão de vídeos deepfake e ataques cibernéticos a operações de influência estrangeira e doméstica. Com ferramentas de IA, esse tipo de campanha pode ser produzido e colocado em circulação a partir de uma sequência de comandos.

Anthropic também monta central de monitoramento

  • A OpenAI não é a única empresa a reforçar suas defesas. A Anthropic, responsável pelo chatbot Claude, criou pela primeira vez uma sala de operações dedicada ao tema, reunindo equipes de analistas em São Francisco, Nova York (EUA) e Washington (EUA);
  • Google e Meta também prometeram ampliar os esforços para impedir que suas ferramentas de IA sejam usadas para enfraquecer a confiança no processo democrático;
  • Na OpenAI, a central eleitoral começou a funcionar na quinta-feira anterior à votação. A equipe de São Francisco trabalha em conjunto com uma unidade em Washington e reúne dezenas de pessoas, segundo representantes da companhia;
  • Os funcionários analisam comandos enviados ao ChatGPT que são sinalizados automaticamente por possíveis tentativas de produzir textos ou imagens falsas sobre as eleições;
  • Um exemplo seria o uso do chatbot para elaborar uma campanha de influência baseada em alegações falsas de fraude eleitoral, como acusações de manipulação de cédulas. O material poderia ser distribuído em redes sociais por meio de contas falsas;
  • Quando identifica atividades maliciosas destinadas a circular em determinadas plataformas, a OpenAI afirma que notifica as empresas responsáveis por esses serviços.

Google e Meta estão entre as empresas que estão se mexendo para tentar impedir o mau uso da IA nas eleições estadunidenses – Imagem: gguy/Shutterstock

IA amplia riscos de manipulação eleitoral

Um levantamento do Brennan Center for Justice, organização ligada à Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, identificou cenário contraditório.

Os chatbots mais populares geralmente resistem a solicitações relacionadas a teorias conspiratórias sobre eleições. Ao mesmo tempo, as ferramentas de IA produzem regularmente textos, imagens e vídeos que podem ser utilizados para enfraquecer a confiança na votação.

A preocupação também está relacionada à redução das equipes de segurança e moderação das redes sociais nos últimos anos. Após a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, a Meta criou uma central de operações para as eleições legislativas de 2018.

Desde então, porém, a Meta e outras plataformas reduziram equipes responsáveis por segurança e combate à desinformação eleitoral. A decisão ocorreu em meio à pressão de republicanos e, a partir de 2025, do governo Donald Trump, que acusaram as empresas de censurar opiniões conservadoras.

Esse recuo coincidiu com a expansão das ferramentas de IA, aumentando os receios sobre o impacto da tecnologia nas eleições. Especialistas e ex-integrantes do governo estadunidense também alertaram para a capacidade desses recursos de tornar campanhas de manipulação mais convincentes, enquanto o governo Trump desmontou equipes federais que anteriormente atuavam no combate a ameaças ao processo eleitoral.

“Seria imprudente pensar que essa ameaça desapareceu e que a tecnologia não está tornando essas ameaças mais poderosas e convincentes”, afirmou Lauren Protentis, ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, onde supervisionava questões relacionadas à influência estrangeira maliciosa durante o governo de Joe Biden.

OpenAI já identificou operações ligadas a outros países

A OpenAI já havia divulgado tentativas de Rússia, China e Irã de utilizar o ChatGPT em operações de influência estrangeira. A empresa afirma ter interrompido duas campanhas desse tipo no mês anterior à eleição estadunidense.

Até o momento, porém, a companhia não havia divulgado nenhuma operação específica relacionada às eleições legislativas de novembro.

O investigador-chefe da OpenAI, Ben Nimmo, afirmou que o objetivo é identificar essas iniciativas antes que consigam alcançar um público significativo.

“Estamos tentando detectar as operações antes que tenham a oportunidade de ganhar força”, declarou.

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Modelo de IA da Anthropic ignora aviso e mantém ciberataque em teste de segurança

Uma avaliação de segurança revelou que o Mythos 5, modelo de IA da Anthropic, continuou um ciberataque contra um projeto real no GitHub mesmo após receber avisos de que poderia causar danos a uma pessoa.

Conduzido pelo AI Security Institute (AISI), órgão do governo britânico, o experimento mostrou que o modelo priorizou a execução da tarefa mesmo diante dos alertas sobre as consequências de suas ações.

A inteligência artificial desenvolveu um programa malicioso e tentou apresentá-lo como uma contribuição legítima. – Imagem: TSViPhoto/Shutterstock

Invasão e engenharia social em teste governamental

Durante uma avaliação realizada em agosto, o AISI encarregou o Mythos 5 de invadir uma pequena rede de computadores preparada para o teste. Sem conseguir acessar o alvo inicial, o sistema usou sua conexão com a internet para direcionar as ações a um projeto real e sem relação com o experimento, hospedado no GitHub.

O modelo desenvolveu um programa malicioso e utilizou identidades falsas para enviar e-mails ao proprietário do projeto. Nas mensagens, tentou convencê-lo a incorporar o código como se fosse uma contribuição legítima. O desenvolvedor recusou a proposta, e não houve danos reais nesse episódio.

Os pesquisadores decidiram então reproduzir a situação, deixando explícito que o alvo era uma pessoa real. Mesmo com os avisos, o Mythos 5 continuou os ataques. Em um dos testes realizados pela Anthropic, o modelo ignorou os alertas em 98% das tentativas.

Persistência nos ataques e justificativas internas

A análise mostrou que o sistema frequentemente reconhecia que suas ações poderiam causar danos, mas prosseguia com a tarefa. Os pesquisadores classificaram esse comportamento como raciocínio motivado, quando a inteligência artificial encontra justificativas para continuar perseguindo um objetivo, mesmo diante de informações que deveriam levá-la a parar.

Segundo o AISI, modelos anteriores e menos capazes apresentavam esse padrão com menor frequência. Outro problema identificado foi a dificuldade de monitoramento: as justificativas produzidas pela IA nem sempre correspondiam aos fatores que orientavam suas ações.

Logo da Anthropic na entrada de prédio
A Anthropic afirma que modelos mais recentes, como o Opus 5.5, apresentam menor tendência a continuar ataques após alertas. – Imagem: gguy/Shutterstock

Comportamento dos modelos e riscos operacionais

A Anthropic afirma que modelos mais recentes, como o Opus 5.5, apresentam menor tendência a continuar ataques quando recebem avisos de que estão causando danos reais.

Os testes também levantaram questões sobre o acompanhamento de sistemas que executam tarefas com autonomia. Entre os pontos identificados pelos pesquisadores estão:

  • Raciocínio e comportamento: as justificativas apresentadas pelo modelo podem não refletir os fatores que orientam suas ações.
  • Monitoramento: essa diferença dificulta avaliar o que realmente influencia as decisões da inteligência artificial.
  • Evolução dos modelos: segundo o AISI, versões anteriores e menos capazes apresentavam o comportamento com menor frequência.

Os resultados foram investigados e divulgados pela Anthropic e pelo instituto britânico. O caso ganha relevância diante da ampliação do uso de agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas de forma autônoma.

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Anthropic diz que IA pode acelerar o próprio desenvolvimento

A Anthropic afirmou que pode estar próxima de desenvolver uma inteligência artificial capaz de acelerar o próprio aprimoramento. O alerta aparece em uma atualização de seu prospecto de abertura de capital (S-1/A), enviada à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).

A empresa afirma que ainda não atingiu esse estágio, mas suas estimativas indicam que isso pode acontecer em breve.

A empresa já utiliza inteligência artificial em atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos modelos. – Imagem: gguy/Shutterstock

O que é a autossuperação recursiva da IA?

Conhecida como recursive self-improvement (RSI), ou autossuperação recursiva, a tecnologia descreve um estágio em que sistemas de inteligência artificial conseguem aprimorar seus próprios processos de desenvolvimento, acelerando a evolução de suas capacidades.

A possibilidade divide opiniões. Para críticos preocupados com os riscos da IA, esse avanço poderia levar à criação de sistemas tão poderosos que escapassem ao controle humano e causassem danos enquanto perseguissem seus objetivos. Já os entusiastas enxergam na RSI uma oportunidade de ampliar a produtividade e acelerar descobertas científicas.

A Anthropic reconhece os dois lados dessa discussão. No documento enviado à SEC, a empresa afirma que já utiliza inteligência artificial em suas atividades de pesquisa e desenvolvimento, mas alerta que essa estratégia também pode representar um risco considerável à segurança, especialmente se acelerar drasticamente o ritmo do progresso.

Empresa admite que pode atingir esse estágio em breve

A atualização inclui novos alertas na seção de fatores de risco. A Anthropic revela que já utilizou sistemas de inteligência artificial para desenvolver novos modelos sem perceber, naquele momento, a dimensão dos avanços de capacidade alcançados.

O uso crescente de IA nas pesquisas também pode fazer com que os modelos evoluam mais rapidamente do que a capacidade da empresa de desenvolver, validar e implementar medidas de segurança, alinhamento e proteção.

Segundo o documento, estimativas internas e projeções sobre modelos futuros indicam que a companhia pode atingir em breve o que sua Política de Escalonamento Responsável define como “progresso dramaticamente acelerado atribuível à IA”.

A empresa ressalva que nenhum de seus modelos atuais foi classificado como tendo ultrapassado esse limite. A avaliação dos dados continua em andamento.

Conceito de monitoramento de inteligência artificial com lupa com estrelas cintilantes e circuito em fundo azul.
A empresa considera atualizar sua Política de Escalonamento Responsável para manter humanos no controle. – Imagem: tete_escape/Shutterstock

Supervisão humana deve continuar

Mesmo diante dessa possibilidade, a Anthropic afirma que não espera conseguir utilizar o Claude para projetar e construir, de maneira totalmente autônoma, sucessivas gerações de modelos avançados sem supervisão ou compreensão humana significativa.

A companhia também considera atualizar sua Política de Escalonamento Responsável para manter as pessoas no controle do desenvolvimento de seus modelos mais avançados.

O documento também merece ser considerado no contexto em que foi apresentado: registros enviados à SEC cumprem obrigações de divulgação, mas podem funcionar como instrumentos de apresentação das perspectivas da empresa ao mercado.

A Anthropic destaca que as capacidades do Claude avançaram neste ano, especialmente em programação, matemática e segurança cibernética. Ainda assim, nenhum modelo atual foi considerado pela empresa como tendo alcançado o estágio de autossuperação recursiva.

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Anthropic expõe os custos e os riscos da inteligência artificial antes de IPO

A Anthropic, criadora da inteligência artificial Claude, apresentou documentos para abrir capital nos Estados Unidos. O prospecto revela uma empresa em rápida expansão, mas pressionada por custos elevados e riscos que vão de ataques cibernéticos a falhas nas proteções de seus modelos.

O documento reúne as primeiras demonstrações financeiras auditadas da companhia e detalha os desafios que podem afetar seus planos de crescimento.

O documento de IPO admite que as travas de segurança da IA têm falhas e podem ser burladas por agentes maliciosos. – Imagem: jackpress/Shutterstock

Crescimento acelerado, mas com custos elevados

Fundada em 2021, a Anthropic ampliou rapidamente suas receitas, mas os gastos também cresceram. Os números apresentados no prospecto mostram a dimensão desse avanço e o peso financeiro da infraestrutura necessária para desenvolver e operar seus modelos de IA.

Os principais valores informados pela companhia são:

  • Receita no primeiro semestre de 2026: US$ 16,3 bilhões (cerca de R$ 86,39 bilhões).
  • Prejuízo no primeiro semestre de 2026: US$ 80 bilhões (cerca de R$ 424 bilhões), incluindo uma despesa extraordinária de US$ 72,4 bilhões (R$ 383,72 bilhões).
  • Receita em 2025: US$ 4,585 bilhões (cerca de R$ 24,3 bilhões).
  • Prejuízo em 2025: aproximadamente US$ 33,9 bilhões (cerca de R$ 179,67 bilhões).
  • Gastos com infraestrutura de IA no primeiro semestre de 2026: quase US$ 9 bilhões (cerca de R$ 47,7 bilhões), ante US$ 2,3 bilhões (R$ 12,19 bilhões) no mesmo período de 2025.
  • Avaliação estimada por alguns investidores: entre US$ 1,5 trilhão (R$ 7,95 trilhões) e US$ 2 trilhões (R$ 10,6 trilhões). A Anthropic não informou uma avaliação pretendida para a abertura de capital.

A concentração de clientes também preocupa: os cinco maiores compradores respondem por 25% dos negócios. A perda de um deles poderia afetar os resultados da empresa.

O potencial da IA esbarra em riscos de segurança

A Anthropic aposta em aplicações da tecnologia na medicina, na biologia, nas finanças e na robótica. Segundo a companhia, o Claude reduziu de meses para minutos o tempo necessário para elaborar relatórios de ensaios clínicos. A empresa também relata descobertas biológicas que podem contribuir para o desenvolvimento de ferramentas de edição genética.

Esses avanços, no entanto, convivem com limitações que a própria empresa reconhece. No prospecto, a Anthropic afirma que as proteções de seus modelos podem ficar desatualizadas, ser contornadas ou falhar. A companhia também admite que seus sistemas mais avançados podem ajudar pessoas mal-intencionadas a desenvolver armas químicas ou biológicas.

Os riscos já incluem ataques cibernéticos. A empresa relata o que considera o primeiro caso documentado de uma operação em larga escala com pouca intervenção humana. Segundo a Anthropic, um grupo de hackers patrocinado pelo Estado chinês manipulou uma ferramenta de programação do Claude para tentar invadir cerca de 30 alvos, entre eles empresas de tecnologia, instituições financeiras, fabricantes de produtos químicos e órgãos governamentais.

O uso da IA para fins de vigilância e repressão também preocupa a companhia. A Anthropic alerta que governos autoritários podem recorrer à tecnologia para ampliar essas práticas. A empresa enfrenta ainda um conflito com o governo Trump por se recusar a flexibilizar as restrições ao uso de seus modelos para vigilância doméstica e armas letais autônomas.

Ao fundo, meio desfocado, logo da Anthropic; à frente, smartphone mostrando a página de download do Claude
A estreia da Anthropic na bolsa será o teste definitivo para saber se o mercado aceita bancar perdas bilionárias em IA. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Os riscos para os negócios

Nas 92 páginas dedicadas aos riscos, a empresa também aborda a concorrência com Google e OpenAI, a dependência de executivos importantes e as incertezas regulatórias.

Outros fatores podem comprometer suas operações:

  • Infraestrutura: restrições na rede elétrica, desastres naturais e limitações à construção de centros de dados.
  • Seguros: dificuldade para obter cobertura adequada para determinadas responsabilidades relacionadas à IA.
  • Contratação: mudanças nas políticas migratórias dos Estados Unidos podem dificultar a atração de profissionais qualificados.
  • Compromissos sociais: como empresa de benefício público, a Anthropic precisa conciliar resultados financeiros e metas de impacto social.

Para reduzir a dependência dos Estados Unidos, a companhia afirma estar ampliando sua infraestrutura de centros de dados em outros países. Ainda assim, admite que pode não conseguir contratar seguros em condições comerciais razoáveis para determinadas responsabilidades ligadas à IA.

“Podemos não conseguir obter cobertura para determinadas responsabilidades relacionadas à IA em condições comercialmente razoáveis, ou mesmo obter qualquer cobertura, o que nos deixaria expostos a perdas potencialmente significativas”, afirma o prospecto.

A abertura de capital colocará sob maior escrutínio a capacidade da Anthropic de sustentar o crescimento, administrar os custos e lidar com os riscos associados à expansão da inteligência artificial.

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IPO da Anthropic pode mudar o mercado global de inteligência artificial

A Anthropic, criadora do assistente Claude, iniciou o processo para abrir seu capital e pode protagonizar uma das maiores ofertas públicas de ações da história. A operação será um teste para o mercado de inteligência artificial (IA), em meio às dúvidas sobre as avaliações bilionárias do setor.

O resultado também pode influenciar a futura estreia da OpenAI na Bolsa e mudar a disposição dos investidores de financiar empresas ligadas à tecnologia.

O desempenho da startup na bolsa serve como teste definitivo para medir a sustentabilidade do boom global de IA. – Imagem: RixAiArt/Shutterstock

Crescimento acelerado e pressão por resultados

Investidores já avaliam a Anthropic em trilhões de dólares. Fundada há cinco anos, a empresa divide com a OpenAI o protagonismo no mercado de IA. A concorrente também apresentou documentos confidenciais para abrir seu capital, mas não prevê uma estreia antes de 2027.

O cenário financeiro, porém, ficou menos favorável. Empresas de computação em nuvem voltadas à IA e operadoras de data centers sofreram quedas nas ações. A australiana Firmus retirou seus planos de IPO, assim como a Solidigm, unidade americana da SK Hynix.

A Anthropic chega à Bolsa com resultados expressivos, mas também com perdas elevadas. No primeiro semestre, acumulou mais de US$ 80 bilhões (R$ 420 bilhões) em perdas, segundo a CNBC. No mesmo período, a receita avançou rapidamente, impulsionada pela adoção de ferramentas de programação e produtividade por empresas.

No segundo trimestre, o faturamento atingiu US$ 11,56 bilhões (R$ 60,69 bilhões), ante US$ 787 milhões (R$ 4,13 bilhões) no mesmo período do ano anterior. A companhia encerrou junho com quase US$ 132 bilhões (R$ 693 bilhões) em caixa, equivalentes e investimentos de curto prazo. Depois de cinco trimestres com prejuízo operacional, registrou US$ 974 milhões (R$ 5,11 bilhões) de lucro operacional no segundo trimestre.

“Se tiver um desempenho abaixo das expectativas, será um pouco como um castelo de cartas”, afirmou Jai Das, cofundador da Sapphire Ventures.

Gigantes de tecnologia também estão expostas

A relação da Anthropic com as grandes empresas do setor vai além da concorrência. Quase metade de sua receita vem da venda do Claude por meio dos serviços de nuvem da Microsoft, Amazon e Alphabet, controladora do Google. As três companhias também investem na desenvolvedora.

A infraestrutura necessária para desenvolver os modelos envolve chips da Nvidia, AMD, Amazon e Google. Por isso, uma mudança na disposição dos investidores em financiar a IA pode repercutir em diferentes segmentos da indústria.

Brad Bernstein, sócio-gerente da FTV Capital, avalia que um desempenho abaixo das expectativas pode provocar uma reavaliação mais ampla dos investimentos em startups de inteligência artificial.

“A avaliação deles refletirá essa variação de desempenho, e então haverá um efeito cascata sobre tudo o que está acontecendo no mundo da IA de capital de risco, com o excesso de capital sendo investido. Tudo terá de ser reajustado”.

O impacto pode alcançar diferentes partes da cadeia tecnológica:

  • Fabricantes de memória: enfrentam a disputa por componentes necessários à infraestrutura de IA.
  • Investidores de capital de risco: podem rever aportes e avaliações de startups do setor.
  • Empresas de software: precisam avaliar custos e benefícios da incorporação de modelos de IA.
  • Provedores de infraestrutura: dependem da demanda para justificar a expansão de data centers e da capacidade computacional.
Logo da OpenAI em um smartphone que está em cima de várias notas de dólar
A estreia da Anthropic também pode afetar as expectativas em torno da futura abertura de capital da OpenAI, prevista não antes de 2027. – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

Concorrência e riscos para o setor

Outro desafio vem dos modelos de pesos abertos, que permitem personalização e podem custar menos. Entre os concorrentes estão soluções da Moonshot AI, DeepSeek e Zhipu. No documento apresentado para a abertura de capital, a Anthropic citou nominalmente OpenAI e Google como concorrentes, mas reconheceu a existência de um conjunto mais amplo de fornecedores.

A empresa vê espaço para crescer: no trimestre mais recente, companhias da lista Fortune 500 comprometeram menos de 0,1% de suas despesas totais com seus modelos e serviços.

A avaliação trilionária também coloca a operação em um grupo restrito. Se estrear com valor superior a US$ 1 trilhão (R$ 5,25 trilhões), a Anthropic será a terceira empresa a alcançar esse patamar em uma abertura de capital, depois da Saudi Aramco e da SpaceX.

Há, contudo, riscos para o mercado. Juros mais altos encarecem a captação de recursos, e uma redução da liquidez destinada à IA pode pressionar as ações. David Trainer, presidente-executivo da New Constructs, estima um risco de queda de 20% no S&P 500, concentrado principalmente nos papéis ligados ao setor.

A estreia da Anthropic será, portanto, um teste para as expectativas em torno da inteligência artificial. A reação dos investidores poderá influenciar tanto as avaliações de outras empresas quanto os planos da OpenAI de entrar na Bolsa.

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Anthropic mira IPO histórico, mas registra prejuízo bilionário

A Anthropic, criadora do chatbot Claude, prepara sua abertura de capital em uma operação que pode se tornar a maior da história. A empresa pode alcançar uma avaliação de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,5 trilhões) e captar mais de US$ 100 bilhões (R$ 525 bilhões).

Os documentos apresentados pela companhia revelam também o custo dessa expansão. Apesar do forte crescimento da receita, a Anthropic registrou um prejuízo expressivo no primeiro semestre de 2026.

Apesar do avanço nas vendas, a Anthropic reportou prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Receita dispara, mas prejuízo chama atenção

Entre janeiro e junho, a receita da Anthropic chegou a US$ 16,3 bilhões (aproximadamente R$ 85,6 bilhões), 14 vezes mais que no mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente por empresas que adotaram suas ferramentas de inteligência artificial (IA).

No mesmo semestre, a companhia acumulou um prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões (cerca de R$ 423,7 bilhões), ante US$ 13 bilhões um ano antes. O resultado inclui um encargo extraordinário de US$ 72,4 bilhões (aproximadamente R$ 380,1 bilhões) relacionado a notas conversíveis, um tipo de dívida que pode se transformar em participação acionária.

A valorização desses instrumentos ampliou a perda contábil, que não corresponde necessariamente a uma saída de caixa do mesmo montante.

A Anthropic já havia captado cerca de US$ 130 bilhões (R$ 682,5 bilhões) em investimentos privados. Agora, a possível estreia na bolsa pode ampliar ainda mais os recursos disponíveis para financiar seu crescimento.

Anthropic pode superar a SpaceX e a OpenAI

Se levantar mais de US$ 100 bilhões, a Anthropic poderá superar a SpaceX, de Elon Musk, e estabelecer um novo recorde de abertura de capital. Em maio, a empresa já havia ultrapassado a rival OpenAI em avaliação de mercado: US$ 900 bilhões (cerca de R$ 4,725 trilhões), contra US$ 730 bilhões (aproximadamente R$ 3,83 trilhões) da concorrente.

A OpenAI também considera uma nova rodada de financiamento que poderia elevar seu valor a US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 7,875 trilhões) antes de uma eventual oferta pública de ações.

A operação da Anthropic será coordenada pelos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley. A empresa ainda não divulgou quantas ações pretende vender nem o preço dos papéis, mas planeja negociá-los na Nasdaq sob o código ANT.

Dario Amodei, CEO da Anthropic
Dario Amodei ressaltou no registro financeiro que uma tecnologia tão potente quanto a IA pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Empresa reconhece riscos da inteligência artificial

O documento corporativo também aborda possíveis consequências negativas da tecnologia, como a perda de controle sobre sistemas de IA e seu uso para abusos autoritários.

“Acreditamos que a IA é uma das tecnologias mais importantes da história da humanidade”, afirmaram Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e os outros seis fundadores.

Em outro trecho, os executivos destacaram a dualidade da tecnologia: “Criar IA é aproveitar a própria cognição, e algo tão poderoso pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal”.

Amodei defende maior atenção à segurança e à regulamentação da inteligência artificial. Essa posição provocou críticas de outros líderes do setor, incluindo Jensen Huang, da Nvidia, e Mark Zuckerberg, da Meta, que o acusaram de tentar concentrar o poder sobre a tecnologia.

Entre os fatores que ajudam a contextualizar a trajetória da Anthropic estão:

  • Origem: a empresa foi fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que divergiam sobre como desenvolver a inteligência artificial.
  • Foco comercial: as ferramentas de programação ajudaram a Anthropic a conquistar clientes corporativos e acelerar seu crescimento.
  • Incerteza no mercado: outras companhias adiaram planos de abertura de capital diante das dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA.

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Elvis vs IA: entenda o processo milionário contra a Anthropic

A Authentic Brands Group, responsável pelos direitos sobre a música e a imagem de Elvis Presley, processou a Anthropic por supostamente usar 274 canções do artista no treinamento de modelos de inteligência artificial sem autorização.

A ação pede indenização de US$ 150 mil (aproximadamente R$ 750 mil) por faixa, o que pode chegar a US$ 41 milhões (cerca de R$ 205 milhões).

A acusação cobra até R$ 750 mil por cada uma das obras musicais que teriam sido usadas sem autorização pela startup. – Imagem: gguy/Shutterstock

Processo cita 274 músicas de Elvis Presley

Divulgada inicialmente pela revista Billboard, a ação acusa a desenvolvedora do Claude de violar os direitos autorais de 274 músicas de Elvis. Entre elas estão Can’t Help Falling in Love, All Shook Up e A Little Less Conversation.

Na petição, o advogado dos autores, Richard Busch, critica a atuação da empresa e afirma que ela teria construído seu modelo de negócios com base em violações de direitos autorais em larga escala.

O documento também alega que o Claude gera conteúdo que infringe direitos relacionados a praticamente todas as músicas de catálogos disponíveis na internet. Os representantes do cantor questionam ainda os mecanismos de proteção implementados pela Anthropic para impedir a geração de material protegido. Segundo a ação, essas barreiras seriam ineficazes, e a empresa teria conhecimento de suas limitações.

As acusações ainda precisam ser avaliadas judicialmente.

Disputa pode influenciar o treinamento de IA

O caso se soma a outras disputas entre empresas de inteligência artificial e a indústria musical. A Recording Industry Association of America (RIAA) e gravadoras como Sony, Universal e Warner Records também já apresentaram acusações relacionadas ao uso de obras protegidas por sistemas de IA.

A ação envolvendo Elvis está entre os primeiros grandes desafios judiciais movidos diretamente por representantes de um artista contra uma desenvolvedora desse tipo de tecnologia. A decisão poderá influenciar futuras discussões sobre os limites do uso de catálogos musicais no treinamento de modelos.

Na petição, Busch afirma que os representantes do cantor buscam proteger seus direitos exclusivos contra práticas que considera inéditas em escala. O documento também sustenta que a Anthropic continuou a infringir direitos musicais mesmo depois de implementar mecanismos para tentar bloquear a geração de conteúdo protegido.

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O desfecho desta disputa deve definir novas regras para o uso de acervos protegidos na instrução de novos modelos. Imagem: fabrikasimf/Freepik

Como a disputa afeta o mercado musical

Sistemas de geração musical com inteligência artificial analisam gravações para aprender características sonoras e estruturas de composição. Com base nesse aprendizado, podem produzir faixas a partir de comandos escritos ou falados.

A tecnologia preocupa artistas por diferentes motivos:

  • Remuneração: titulares de direitos discutem como suas obras devem ser licenciadas e remuneradas quando usadas no desenvolvimento de IA.
  • Autenticidade: ferramentas podem gerar músicas que imitam características de artistas existentes.
  • Transparência: músicos e detentores de catálogos buscam entender quais gravações foram utilizadas no treinamento dos modelos.
  • Distribuição: o crescimento da música gerada por IA aumenta a pressão sobre plataformas que recomendam conteúdo aos ouvintes.

O Spotify também tomou medidas contra esse tipo de conteúdo. Na semana anterior à publicação da reportagem original, a plataforma anunciou a remoção de cerca de 50 milhões de músicas consideradas conteúdo de baixa qualidade gerado por IA de suas recomendações ao longo do ano anterior.

O processo contra a Anthropic acrescenta mais um capítulo à disputa entre titulares de direitos autorais e empresas de inteligência artificial, cujo desfecho poderá ajudar a definir como obras musicais protegidas podem ser utilizadas no desenvolvimento dessas tecnologias.

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Claude Mythos tenta espalhar vírus no GitHub em teste de segurança

O Claude Mythos 5 tentou inserir código malicioso em um repositório público do GitHub e criou uma conta falsa para convencer desenvolvedores a aprovar a alteração, informou a Anthropic. A tentativa ocorreu durante um teste de segurança cibernética.

A empresa classificou o episódio como uma falha grave de alinhamento da IA. O modelo persistiu na estratégia mesmo diante de sinais de que poderia prejudicar pessoas que não participavam do exercício.

Em testes de simulação, a IA da Anthropic parou a ação maliciosa por conta própria em apenas 2% das vezes. – Imagem: gguy/Shutterstock

Como a IA tentou enganar desenvolvedores

O teste começou em um ambiente controlado, com um desafio de segurança. Depois de não conseguir resolvê-lo pelas vias autorizadas, o Claude Mythos 5 procurou um repositório público no GitHub que acreditava estar relacionado à atividade.

O projeto pertencia a desenvolvedores sem ligação com o experimento. O modelo enviou uma proposta de alteração com código malicioso e procurou convencer os responsáveis a aceitá-la.

Quando um desenvolvedor externo alertou para o possível risco, a IA não abandonou a tentativa. Criou uma conta falsa e publicou comentários favoráveis à aprovação da proposta. Os responsáveis pelo repositório recusaram a alteração, impedindo que a tentativa fosse concluída.

O que os testes revelaram

A Anthropic reproduziu etapas do episódio em novas simulações para avaliar se o modelo seria capaz de reconhecer o perigo e interromper a ação por iniciativa própria. Os resultados mostraram dificuldade em abandonar uma estratégia já iniciada.

  • Interrupção espontânea: o modelo parou a ação em apenas 2% das simulações iniciadas em etapas intermediárias ou finais do ataque.
  • Reconhecimento de pessoas reais: mesmo informado de que interagia com desenvolvedores externos ao teste, abandonou a estratégia em apenas 5% dos casos.
  • Versões mais recentes: Claude Mythos 5.1 e Claude Opus 5.5 apresentaram menor propensão a iniciar ataques semelhantes, mas ainda não interromperam ações perigosas de maneira consistente.
  • Modelo de pesquisa: um sistema interno da Anthropic conseguiu interromper esse tipo de comportamento de forma consistente nos experimentos descritos pela empresa.

Os resultados exigem cautela na comparação entre versões. As avaliações dos modelos mais recentes partiram de trechos de uma execução anterior, e a Anthropic ressalvou que o desempenho observado não garante o mesmo comportamento em todas as situações.

Automação de processos
O episódio acendeu o alerta na indústria sobre até que ponto os sistemas de IA respeitam as regras estabelecidas. – Imagem: Ksw Photographer/Shutterstock

Anthropic prepara novas avaliações de segurança

O episódio levou a empresa a desenvolver novas avaliações automáticas para testar os modelos antes de disponibilizá-los ao público. A companhia também investiga o chamado raciocínio enviesado, quando uma IA interpreta informações seletivamente para justificar a continuidade de uma ação, mesmo diante de indícios de possíveis danos.

No caso do Claude Mythos 5, os alertas recebidos foram interpretados como se fossem compatíveis com o exercício de segurança. O modelo não reconheceu que estava interagindo com pessoas de fora do teste. Segundo a Anthropic, essa interpretação, somada à insistência em prosseguir, contribuiu para o comportamento inadequado.

A investigação foi conduzida em conjunto com o Instituto de Segurança de Inteligência Artificial do Reino Unido (AISI, na sigla em inglês), que publicou um relatório independente. O órgão se comprometeu a realizar avaliações de segurança cibernética sem acesso à internet até desenvolver controles mais robustos para evitar danos a pessoas e organizações reais.

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