A saída de dois pesquisadores ligados ao Gemini voltou a pressionar as ações da Alphabet e colocou novamente o Google no centro da disputa por talentos de inteligência artificial.
Os profissionais devem deixar a empresa para atuar na Anthropic, concorrente direta no desenvolvimento de modelos generativos. O movimento acontece após uma sequência recente de baixas em áreas estratégicas da companhia, explica o The Wall Street Journal.
Google tenta conter percepção de perda de talentos em meio à corrida global por IA. – Imagem: kovop/Shutterstock
Novas saídas atingem equipe do Gemini
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, Jonas Adler e Alexander Pritzel planejam deixar o Google para se juntar à Anthropic. Ambos estão ligados ao desenvolvimento do Gemini, modelo de IA que compete diretamente com o Claude, da rival.
O mercado já vinha reagindo a mudanças anteriores na equipe de inteligência artificial do Google, e a nova informação reforçou a percepção de instabilidade em um dos grupos mais estratégicos da empresa.
As ações da Alphabet recuaram 1,3% no pré-mercado, para US$ 340,82 (cerca de R$ 1.874), ampliando perdas registradas em sessões anteriores.
A competição entre big techs acelera e transforma a disputa por pesquisadores em um dos principais fatores do mercado de IA. – Imagem: gguy/Shutterstock
Disputa por pesquisadores se intensifica entre big techs
A movimentação ocorre em meio à concorrência direta entre Google, OpenAI e Anthropic na contratação de especialistas em IA generativa.
Entre as saídas recentes estão:
Jonas Adler e Alexander Pritzel, que devem ir para a Anthropic
Noam Shazeer, que anunciou ida para a OpenAI
John Jumper, que deixou o Google recentemente
Engenheiros e pesquisadores em início de carreira que também saíram nos últimos dias
Na segunda-feira, as ações da Alphabet chegaram a cair 5%, o pior desempenho diário em mais de um ano após notícias relacionadas a mudanças na equipe de IA.
Nem Google nem Anthropic comentaram oficialmente as informações. Adler e Pritzel também não foram localizados para comentar.
Google tenta conter percepção de perda de talentos
Durante um evento em Cannes, o CEO do DeepMind, Demis Hassabis, afirmou que o Google mantém uma posição sólida na área de pesquisa em inteligência artificial.
Temos, de longe, a maior e mais abrangente equipe de pesquisa entre todos os laboratórios existentes.
Demis Hassabis, CEO do DeepMind, em evento.
A fala ocorre em meio a uma sequência de movimentações entre pesquisadores de alto nível no setor, que vêm sendo disputados por diferentes laboratórios de IA.
Investidores acompanham a saída de profissionais do Google enquanto concorrentes avançam na contratação de especialistas em IA. – Imagem: hapabapa/iStock
Mercado acompanha próximos movimentos das big techs
Com novas saídas registradas em áreas-chave do Gemini, investidores seguem monitorando os próximos passos do Google e de seus concorrentes.
A disputa por pesquisadores continua sendo um dos principais pontos de atenção do setor, enquanto empresas aceleram o desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados de inteligência artificial.
A Anthropic afirma que o Alibaba teria tentado extrair capacidades do seu modelo de inteligência artificialClaude em uma operação descrita como a maior já registrada pela empresa nesse tipo de atividade. O caso foi levado ao Senado dos Estados Unidos em uma carta datada de 10 de junho de 2026.
Segundo documentos citados pela Reuters e confirmados pela CNBC, a investigação envolve milhões de interações com o sistema e o uso de contas falsas em larga escala.
Caso entre Anthropic e Alibaba envolve suposta “destilação” de IA para replicar modelos mais avançados de inteligência artificial. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
O que é a “destilação” de IA
A chamada destilação é um método em que um modelo de IA mais simples aprende a partir das respostas de um sistema mais avançado. A CNBC explica que essa técnica é comum no desenvolvimento de inteligência artificial, mas pode ser usada de forma indevida para tentar replicar capacidades de modelos mais sofisticados.
A operação teria ocorrido entre 22 de abril e 5 de junho de 2026, somando cerca de 28,8 milhões de interações feitas por aproximadamente 25 mil contas falsas, conforme a Reuters. O volume, por si só, já chama atenção pelo nível de coordenação descrito nos documentos.
A Anthropic afirma que os envolvidos estariam ligados ao Alibaba e ao laboratório de IA Alibaba Qwen. O grupo chinês não respondeu às acusações até o momento.
O que diz a carta enviada ao Senado dos EUA
A carta enviada aos senadores Tim Scott e Elizabeth Warren descreve o caso como o maior ataque de destilação já identificado pela empresa. O documento afirma que a prática teria como objetivo acelerar o desenvolvimento de modelos chineses com base em tecnologias mais avançadas.
A Anthropic também afirma ter identificado movimentações semelhantes envolvendo outros laboratórios de IA da China, como DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax, indicando que esse tipo de atividade estaria se tornando mais frequente no setor.
Em comunicado citado pela CNBC, um porta-voz da Anthropic afirmou:
“Acreditamos que combater a ameaça da destilação ilícita exige ação coordenada entre governo e indústria”
“Continuaremos trabalhando com o Congresso e o governo para manter a liderança americana em IA”
Alibaba e laboratório Qwen são citados em suposto envolvimento, mas empresa chinesa não respondeu às acusações até o momento. – Imagem: jackpress / Shutterstock
IA, geopolítica e disputa por tecnologia
O caso surge em meio a uma tensão crescente entre Estados Unidos e China no campo da inteligência artificial. A Reuters lembra que o Alibaba foi incluído pelo Pentágono em uma lista de empresas ligadas ao setor militar chinês, classificação que o grupo contesta.
Ao mesmo tempo, o governo dos EUA vem ampliando mecanismos para monitorar o uso de modelos de IA por empresas estrangeiras. A CNBC destaca que memorandos recentes reforçam a cooperação entre governo e setor privado para identificar esse tipo de atividade com mais rapidez.
Segundo a matéria, a própria Anthropic também enfrenta restrições regulatórias, incluindo limitações de exportação de modelos como Fable 5 e Mythos 5, citando preocupações de segurança nacional.
Entre os principais pontos citados pelas duas agências estão:
uso de contas falsas em larga escala para simular interações com IA
milhões de consultas a sistemas avançados
tentativa de replicação de capacidades de modelos de ponta
possível envolvimento de laboratórios chineses de IA
aumento das tensões regulatórias entre EUA e China
O caso reforça como a disputa por inteligência artificial já não se limita à tecnologia, mas envolve também política e segurança nacional.
A Anthropic afirma que continuará colaborando com autoridades dos Estados Unidos enquanto o caso não tem resposta oficial do Alibaba. Até o momento, a empresa chinesa não se pronunciou detalhadamente sobre as acusações.
O recurso está em fase de prévia de pesquisa e será disponibilizado inicialmente em versão beta para clientes dos planos Claude Enterprise e Claude Team que utilizam o Slack, uma plataforma online que organiza fluxos e comunicação de trabalho. A proposta é inserir a IA como um membro ativo das equipes, acompanhando o fluxo de trabalho.
Segundo a empresa, o sistema foi criado para operar com maior compreensão do contexto organizacional, acumulando informações ao longo das interações e ampliando sua utilidade dentro das rotinas corporativas.
Assistente de IA ganha atuação contínua em conversas de trabalho
Slack – Imagem: Tada Images/Shutterstock
O Claude Tag representa uma evolução das integrações anteriores da Anthropic com o Slack, nas quais o assistente já podia ser acionado sob demanda em mensagens diretas ou em canais para auxiliar usuários.
Agora, o sistema passa a operar com uma lógica de presença contínua, acompanhando discussões em canais específicos e mantendo memória sobre o que foi discutido, o que permite retomadas de contexto entre diferentes usuários.
De acordo com a empresa, essa memória pode ser enriquecida com informações adicionais do ambiente corporativo, desde que haja autorização para acesso a outros canais da organização.
Cada instância do assistente fica vinculada a um escopo definido pelos administradores, que determinam onde ele pode atuar e quais dados pode acessar, evitando que informações de áreas distintas se misturem.
Execução de tarefas, automação e atuação proativa
Anthropic – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock
Quando recebe uma solicitação, o Claude Tag pode dividir o pedido em etapas e executar cada uma delas usando as ferramentas disponíveis, respondendo diretamente dentro das conversas do Slack.
Além disso, o sistema conta com um modo de atuação proativa, no qual pode intervir espontaneamente em discussões, destacar informações relevantes e retomar tópicos que ficaram sem resposta.
A Anthropic afirma que o objetivo é aproximar a experiência de interação de um trabalho colaborativo, no qual a IA participa ativamente do fluxo de produção das equipes.
Contexto empresarial e disputa no mercado de IA
O lançamento ocorre em um cenário em que outras empresas também apostam na incorporação de contexto organizacional em sistemas de inteligência artificial voltados ao ambiente corporativo.
Entre os exemplos citados estão iniciativas da Microsoft, com soluções baseadas em Graph e Copilot, além de plataformas como Snowflake e Databricks, que buscam estruturar dados empresariais para consumo por agentes de IA.
Também há concorrência de empresas como Glean, que trabalham na criação de camadas de inteligência capazes de conectar modelos de linguagem às informações internas das organizações.
Segundo a companhia, quando acionado, esse procedimento, o usuário poderá ser solicitado a enviar documentos oficiais, como passaporte ou carteira de motorista, além de imagem facial ou vídeo. A verificação será realizada com apoio de uma empresa terceirizada.
De acordo com a empresa, a mudança busca reforçar processos de revisão de contas e oferecer uma via de contestação a usuários que tenham sido marcados por possível fraude, em vez de simples bloqueio permanente.
Mudança na política de verificação da Anthropic e impacto no Claude
IA poderosa da Anthropic causa muitas preocupações – Crédito: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock
A atualização da política de privacidade da Anthropic foi registrada em junho e está prevista para entrar em vigor em 8 de julho. O texto estabelece que a verificação de idade ou identidade poderá ocorrer em “certas circunstâncias”, sem detalhar todos os cenários possíveis.
Quando o mecanismo for acionado, usuários do Claude podem precisar enviar cópias digitais de documentos oficiais e também uma selfie ou gravação em vídeo. O sistema inclui ainda a criação de um modelo geométrico facial, tratado como dado biométrico em algumas jurisdições.
A verificação será feita por meio da empresa Persona, responsável por processar os dados enviados. A Anthropic informou que também registra o resultado da checagem, como confirmação de idade mínima.
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock
Segundo a companhia, a medida se aplica a uma parcela reduzida de usuários, especialmente aqueles com contas sinalizadas por suspeita de irregularidade. A empresa não detalhou a quantidade exata de pessoas impactadas, mas afirmou que sua base pode alcançar dezenas de milhões de usuários mensais.
No contexto mais amplo, a decisão ocorre em meio a pressões regulatórias e disputas políticas nos Estados Unidos envolvendo acesso e controle de ferramentas de inteligência artificial. O caso também se conecta a tensões recentes entre a empresa e autoridades federais, incluindo críticas relacionadas a modelos de segurança e possíveis usos indevidos da tecnologia.
Além disso, já houve episódios em que o Departamento de Defesa norte-americano classificou a empresa como “risco na cadeia de suprimentos”, após divergências sobre o uso da tecnologia em aplicações militares e de vigilância.
A inteligência artificial está cada vez mais concentrada nas mãos de poucas empresas. Esse foi o alerta feito por Satya Nadella.
Na visão do CEO da Microsoft, esse cenário pode acabar criando um desequilíbrio difícil de reverter no futuro.
E há uma preocupação adicional no discurso: o atual rumo da IA pode não ser sustentável para usuários e empresas comuns.
O CEO da Microsoft questiona o domínio das big techs na corrida pela inteligência artificial global. – Imagem: FotoField/Shutterstock
“Não podemos deixar a IA dominar a economia”
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Nadella criticou o cenário atual da inteligência artificial, marcado pela forte concentração de poder em um pequeno grupo de companhias que lidera o desenvolvimento dos modelos mais avançados.
Na prática, ele questiona não só o modelo de negócio, mas também o impacto dessa centralização.
Você não pode dizer que todos os empregos de escritório vão acabar e, ao mesmo tempo, pedir poder ilimitado para construir data centers.
Satya Nadella, CEO da Microsoft, ao WSJ.
Para ele, o ponto central é simples: não faz sentido imaginar um futuro em que poucas empresas controlem sozinhas o aprendizado da IA em escala global.
Microsoft aposta em modelos de IA mais acessíveis enquanto critica o atual cenário dominado por poucos players. – Imagem: Azulblue/Shutterstock
Microsoft muda estratégia e aposta em modelos mais baratos
Enquanto faz críticas ao setor, a própria Microsoft já começou a ajustar sua abordagem.
A empresa passou a lançar modelos de inteligência artificial mais baratos e a testar formas de reduzir custos para clientes que lidam com contas cada vez mais altas no uso dessas tecnologias.
O movimento aparece em diferentes frentes dentro dos produtos da companhia.
Entre as iniciativas estão:
modelos de IA mais acessíveis para empresas
opção de escolher diferentes modelos dentro do Copilot
agentes de IA para execução de tarefas mais longas
testes com modelos alternativos, como o DeepSeek
A ideia é reduzir a dependência de poucos fornecedores e ampliar as opções disponíveis para os usuários.
Disputa aberta com os gigantes da tecnologia
Mesmo sem citar nomes diretamente, Nadella fez críticas que atingem empresas como OpenAI, Anthropic e Google, que hoje lideram o desenvolvimento dos chamados modelos de fronteira.
O executivo defende uma mudança de direção: em vez de um mercado concentrado, a IA deveria evoluir como um ecossistema mais distribuído, com diferentes níveis de preço, acesso e capacidade.
Na prática, isso muda o centro da disputa global pela inteligência artificial.
A Microsoft, que mantém parceria com a OpenAI, também vem ampliando acordos com outras empresas e avaliando novas integrações em seus serviços.
O futuro do trabalho também entra na discussão: IA deve apoiar, não apenas substituir empregos, diz Nadella. – Imagem: Skorzewiak / Shutterstock
IA e o futuro do trabalho: ajuste, não ruptura
Outro ponto forte da fala de Nadella foi o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Ele defende que o debate não deve se limitar à substituição de empregos, mas sim à forma como as funções serão reorganizadas dentro das empresas.
A ideia, segundo ele, é que a adaptação seja gradual e baseada em equilíbrio entre tecnologia e trabalho humano.
IA como apoio direto à produtividade
reorganização de funções dentro das empresas
organizações funcionando como sistemas contínuos de aprendizado
combinação entre conhecimento humano e inteligência artificial
A fala de Satya Nadella mostra uma mudança de tom dentro de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Entre críticas à concentração de poder e a defesa de modelos mais acessíveis, a Microsoft tenta reposicionar seu papel na disputa global da inteligência artificial — um debate que segue aberto e sem previsão de consenso no setor.
A empresa de inteligência artificial Anthropic enfrenta um impasse com o governo dos Estados Unidos após receber uma determinação para restringir o acesso aos seus modelos mais recentes, Fable 5 e Mythos 5. A medida, comunicada na última sexta-feira (12), foi justificada por preocupações ligadas à segurança nacional e desencadeou uma série de questionamentos dentro da companhia.
Seis dias após a ordem, as negociações entre representantes da empresa e integrantes da administração do presidente Donald Trump continuam sem resultado concreto. Enquanto isso, funcionários seguem sem explicações detalhadas sobre os motivos da restrição e demonstram preocupação com os impactos da decisão sobre o futuro dos negócios.
O episódio ocorre em meio a uma relação já desgastada entre a Anthropic e o governo americano, que nos últimos meses passou a acompanhar de perto o desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial produzidos pela companhia.
Conflito amplia pressão sobre empresa de inteligência artificial
Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock
A crise teve início quando a Anthropic foi informada pela Casa Branca de que deveria retirar do mercado seus modelos mais recentes de IA em um prazo extremamente curto. Internamente, a comunicação sobre as razões da medida mudou ao longo das horas seguintes. Funcionários receberam explicações distintas, que incluíam desde riscos relacionados ao acesso por empresas estrangeiras até a existência de uma suposta vulnerabilidade relevante nos sistemas.
A falta de informações precisas alimentou dúvidas entre equipes da companhia. Em conversas internas, profissionais passaram a questionar os possíveis reflexos da decisão governamental sobre os planos da empresa, incluindo expectativas relacionadas à abertura de capital prevista para este ano. A incerteza também foi reforçada por notícias que apresentavam versões divergentes sobre as razões da intervenção federal.
A atual disputa representa o segundo grande embate entre a Anthropic e a administração Trump em menos de um ano. O relacionamento entre as partes já havia sido abalado após divergências envolvendo um contrato de US$ 200 milhões firmado com o Departamento de Defesa para o emprego de inteligência artificial em sistemas classificados.
Na ocasião, divergências públicas sobre o uso da tecnologia em operações militares culminaram na classificação da empresa como um risco para a cadeia de suprimentos por parte do governo. A designação, segundo o The New York Times, nunca havia sido aplicada anteriormente a uma companhia estadunidense. A Anthropic contestou a medida judicialmente.
As discussões voltaram a ganhar intensidade após o anúncio do Mythos. A própria empresa afirmou que o modelo possuía capacidade excepcional para identificar vulnerabilidades em softwares, a ponto de provocar uma transformação significativa na área de segurança digital. Por causa desse potencial, o acesso inicial foi limitado a um grupo restrito de organizações.
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock
O lançamento estimulou debates dentro da Casa Branca sobre a criação de mecanismos para avaliar novos sistemas de inteligência artificial antes de sua disponibilização ao público. Nesse contexto, representantes da Anthropic participaram de reuniões com integrantes do governo e colaboraram nas discussões sobre possíveis diretrizes regulatórias.
Mais recentemente, a empresa lançou o Fable 5, uma versão desenvolvida para ampliar salvaguardas e reduzir riscos associados ao uso da tecnologia. Antes da disponibilização, o modelo foi submetido a testes realizados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, procedimento já adotado em lançamentos anteriores da companhia.
Parte da controvérsia atual envolve uma análise conduzida por pesquisadores da Amazon. O estudo identificou uma situação na qual o Fable 5 poderia ser induzido a revelar falhas presentes em determinados códigos vulneráveis. O documento foi compartilhado com a Anthropic e posteriormente discutido com integrantes do governo americano.
Autoridades que tiveram acesso ao material classificaram os resultados como preocupantes. No entanto, especialistas em segurança digital sustentam que a capacidade de localizar vulnerabilidades também pode fortalecer mecanismos de proteção cibernética, auxiliando profissionais encarregados de corrigir falhas antes que sejam exploradas por agentes mal-intencionados.
Entre os críticos da restrição está a pesquisadora Katie Moussouris, que analisou o trabalho produzido pela Amazon a pedido da Anthropic. Em publicação sobre o tema, ela argumentou que impedir esse tipo de funcionalidade comprometeria justamente uma das aplicações mais úteis da inteligência artificial para a defesa digital.
“Defensores precisam conseguir pedir à IA que corrija falhas em um arquivo, explique por que a correção é importante e escreva testes que confirmem que o ajuste funciona. Isso não representa uma quebra de proteção” , afirmou Katie Moussouris, especialista em cibersegurança, em comentário citado pelo The New York Times.
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)
Embora parte das preocupações tenha sido associada ao estudo da Amazon, um integrante do governo ouvido pela reportagem original indicou que as objeções da administração americana também envolveriam outros aspectos relacionados à segurança nacional e às relações da empresa com determinadas organizações. Ainda assim, pessoas com conhecimento das discussões afirmaram que esse ponto não teria sido apresentado diretamente à Anthropic.
Sem esclarecimentos públicos mais detalhados, a companhia permanece negociando com autoridades americanas em busca de uma solução. Paralelamente, especialistas da área de segurança digital organizaram uma carta aberta solicitando a retirada das restrições impostas aos modelos da empresa.
O documento reuniu mais de 150 assinaturas de pesquisadores e profissionais ligados à segurança cibernética e à inteligência artificial. Os signatários defenderam que o Fable 5 já possuía mecanismos de proteção considerados robustos para impedir usos ofensivos da tecnologia.
Dentro da Anthropic, a mobilização foi recebida como um sinal de apoio em meio ao impasse. Mesmo assim, persistem dúvidas sobre a capacidade da empresa de lançar futuras gerações de modelos caso o governo mantenha a postura atual. O cenário contribuiu para ampliar a percepção de insegurança entre funcionários, que seguem aguardando definições sobre os próximos passos da companhia.
As conversas envolveram integrantes da administração federal e executivos da startup, que buscam uma saída para as limitações impostas às tecnologias. O impasse surgiu depois que autoridades americanas passaram a questionar mecanismos de proteção dos sistemas, diante de pesquisas que apontaram a possibilidade de obter informações sobre vulnerabilidades de softwares.
O objetivo das negociações é encontrar uma solução que permita restabelecer o acesso aos modelos mais avançados da companhia, ao mesmo tempo em que atenda às exigências de segurança levantadas pelo governo.
Empresa busca acordo após restrição atingir modelos de ponta
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock
Segundo o The Wall Street Journal, representantes da Anthropic e integrantes do governo estadunidense passaram horas em reuniões e ligações ao longo do fim de semana para discutir os impactos da decisão.
Entre os participantes estavam o secretário de Comércio, Howard Lutnick, o diretor nacional de cibernética, Sean Cairncross, além de Tom Brown, cofundador e diretor de computação da startup, e Sarah Heck, responsável pela área de políticas públicas da empresa.
Pessoas familiarizadas com as conversas relataram à publicação que existe interesse mútuo em encerrar o impasse. Ainda assim, não havia clareza sobre quais condições poderiam viabilizar a retomada do acesso aos modelos bloqueados.
Paralelamente, especialistas da área de segurança digital manifestaram preocupação com a decisão. Um grupo de profissionais divulgou uma carta defendendo a retirada das restrições, argumentando que a medida pode prejudicar a posição dos Estados Unidos na corrida pela liderança em inteligência artificial.
Na avaliação dos signatários, “essa ação tirou os melhores modelos dos defensores, criou incerteza no mercado e colocou em risco a liderança de IA dos Estados Unidos sem nenhum risco real para justificá-la”, afirmaram pesquisadores de segurança cibernética em carta encaminhada à administração estadunidense.
O episódio ocorre após meses de divergências entre a Anthropic e órgãos do governo sobre regras de utilização e supervisão de sistemas avançados de inteligência artificial. O texto informa que também havia desacordos envolvendo o uso dos modelos pela área militar e discussões relacionadas à formulação de políticas públicas para o setor.
A controvérsia ganhou força depois que pesquisadores da Amazon identificaram formas de contornar determinadas barreiras de proteção do Fable. Segundo a reportagem, os testes permitiram obter informações sobre falhas existentes em pelo menos quatro programas de computador ao modificar a forma como os pedidos eram feitos ao sistema.
Preocupações com segurança ganharam força – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock
Especialistas ouvidos pela publicação observaram, porém, que o estudo não apontou a geração de ferramentas ofensivas destinadas a ataques cibernéticos. O material teria demonstrado a capacidade de localizar vulnerabilidades, recurso que também pode ser empregado por equipes responsáveis pela defesa de redes e sistemas.
Consoante a posição divulgada pela Anthropic, as fragilidades destacadas pelos pesquisadores seriam relativamente simples e poderiam ser identificadas por outros modelos já disponíveis ao público. A empresa também sustentou que os resultados não configurariam uma quebra completa das salvaguardas implementadas na tecnologia.
Em meio à escalada da crise, a companhia enviou a Washington alguns de seus principais especialistas em segurança e avaliação de riscos. A expectativa era apresentar detalhes técnicos sobre os mecanismos de proteção adotados e reduzir a tensão entre a empresa e a administração federal.
A reação do governo ocorreu rapidamente. Após discussões internas e contatos entre autoridades e representantes do setor privado, a Anthropic recebeu pressão para retirar os modelos de circulação. Na mesma noite em que a restrição foi formalizada, a startup interrompeu o acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 para cumprir a determinação.
Para parte da comunidade de segurança digital, a resposta oficial foi excessiva. Katie Moussouris, diretora-executiva da empresa de cibersegurança Luta Security, avaliou que a suspensão da versão mais recente do Mythos produz efeitos negativos para atividades de proteção digital e para interesses estratégicos do próprio país.
Uma decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos na sexta-feira (12) provocou forte repercussão no setor de inteligência artificial. O Departamento de Comércio determinou que estrangeiros não poderão acessar os novos modelos de IA lançados pela Anthropic, empresa responsável pelo assistente Claude.
A medida vale tanto para pessoas que vivem fora do país quanto para estrangeiros que estão em território estadunidense.
Especialistas alertam que a IA poderosa da Anthropic pode ser usada para obter informações sensíveis, burlar regras de segurança ou explorar vulnerabilidades tecnológicas. – Crédito: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock
Em resumo:
EUA proibiram estrangeiros de acessar novos modelos da Anthropic;
Anthropic suspendeu globalmente ferramentas Fable 5 e Mythos 5;
Governo teme jailbreaks que burlam proteções de segurança;
Empresa critica medida e pede regras transparentes;
Caso amplia debate entre inovação, segurança e regulação.
Para cumprir a determinação, a companhia precisou interromper o acesso global aos modelos recém-lançados. A ordem foi emitida poucos dias após a chegada ao mercado das ferramentas Fable 5 e Mythos 5, apresentadas pela empresa como uma nova geração de sistemas de inteligência artificial com capacidades avançadas.
Anthropic vê exagero na decisão do governo
Embora o governo não tenha detalhado oficialmente os motivos da restrição, fontes ligadas ao caso indicam que a preocupação estaria relacionada à possibilidade de os sistemas serem alvo de técnicas conhecidas como “jailbreak”, segundo o jornal The New York Times. Esse tipo de procedimento busca contornar os mecanismos de segurança das IAs para obter respostas ou comportamentos que normalmente seriam bloqueados.
Na prática, um jailbreak utiliza instruções elaboradas, simulações ou estratégias de engenharia de prompt para convencer o sistema a ignorar limitações impostas pelos desenvolvedores. Especialistas alertam que esse recurso pode ser usado para obter informações sensíveis, burlar regras de segurança ou explorar vulnerabilidades tecnológicas.
A Anthropic afirmou que sempre reconheceu a existência desse tipo de risco, mas considera a reação do governo exagerada. Em comunicado divulgado em seu site e nas redes sociais, a empresa classificou a decisão como um possível mal-entendido e defendeu que eventuais restrições devem seguir critérios transparentes, baseados em evidências técnicas e em processos regulatórios claros.
The US government, citing national security authorities, has issued an export control directive to suspend all access to Fable 5 and Mythos 5 by any foreign national, whether inside or outside the United States, including foreign national Anthropic employees.
Para a companhia, impedir o acesso aos modelos por causa da possibilidade de jailbreak criaria um precedente que poderia afetar praticamente toda a indústria de inteligência artificial. Isso porque nenhuma grande empresa do setor está totalmente livre desse tipo de vulnerabilidade, apesar dos constantes investimentos em mecanismos de proteção.
Os modelos afetados haviam sido disponibilizados ao público poucos dias antes da restrição. Inicialmente, o acesso seria gratuito por um período limitado. Depois, os usuários passariam a utilizar a tecnologia por meio de cobrança baseada em requisições feitas às interfaces de programação (APIs).
O sistema Fable 5 foi desenvolvido com camadas extras de proteção para impedir respostas relacionadas a temas considerados sensíveis, como cibersegurança ofensiva, biologia avançada e outras áreas que poderiam ser exploradas para atividades ilegais. A empresa afirma que consultas consideradas de maior risco seriam direcionadas para versões mais antigas da tecnologia.
EUA restringem acesso ao Fable, IA da Anthropic voltada para segurança digital e análise de código. – Crédito: Samuel Boivin/Shutterstock
Especialistas divergem sobre a medida
Apesar dessas barreiras, especialistas divergem sobre a eficácia das medidas. Parte da comunidade de segurança digital considera que sistemas tão avançados podem representar novas ameaças caso caiam em mãos mal-intencionadas. Outros pesquisadores argumentam que as mesmas capacidades podem ser utilizadas para fortalecer defesas e identificar vulnerabilidades antes que criminosos as explorem.
As discussões sobre os riscos dos novos modelos ganharam força após testes realizados por pesquisadores que tiveram acesso antecipado ao Mythos. Alguns classificaram a ferramenta como um avanço preocupante no campo da cibersegurança, enquanto outros a enxergaram como uma evolução gradual das tecnologias já disponíveis no mercado.
A decisão dos EUA também ocorre em meio a um debate mais amplo sobre a supervisão da IA. Recentemente, o governo passou a discutir mecanismos para ampliar o monitoramento de sistemas avançados antes de sua liberação ao público. A mudança representa uma postura mais cautelosa em relação ao rápido crescimento da tecnologia.
“Não tenho palavras”, diz ex-conselheiro de Inteligência Artificial de Trump
A relação entre a Casa Branca e a Anthropic já vinha apresentando atritos. Meses atrás, órgãos federais foram orientados a interromper o uso de ferramentas da empresa após divergências sobre a utilização dos modelos por forças militares. A startup defendia a adoção de salvaguardas técnicas para evitar usos considerados inadequados.
Mesmo diante das restrições, modelos anteriores da Anthropic continuam disponíveis. A empresa informou que sistemas como o Opus 4.8 não foram afetados pela ordem governamental e seguem operando normalmente para clientes autorizados.
A decisão causou surpresa entre especialistas em tecnologia e ex-integrantes do governo americano. Entre os críticos está Dean Ball, ex-conselheiro de inteligência artificial da administração Trump, que reagiu à notícia nas redes sociais dizendo: “Não tenho palavras”. Em seguida, classificou a medida como “desconcertante”. Para analistas do setor, a restrição contrasta com outras iniciativas recentes dos Estados Unidos voltadas ao fortalecimento da liderança do país no desenvolvimento de tecnologias avançadas.
If this is true, it is just baffling. An administration whose posture is that we *should* export advanced AI chips to China, which also wants to ban… Britain (and every other non-American on Earth)… from using our best models? I have no words. https://t.co/xcJpPVaxsY
O caso também reacendeu o debate sobre como equilibrar inovação e segurança. Enquanto governos discutem formas de reduzir riscos associados às novas tecnologias, empresas do setor alertam para a necessidade de regras claras que não impeçam o avanço de ferramentas consideradas estratégicas para a economia e para a pesquisa científica. Por enquanto, não há previsão oficial para o fim das restrições impostas aos novos modelos da Anthropic.
A Anthropic protocolou em 1º de junho seu pedido confidencial de abertura de capital nos EUA. A OpenAI seguiu no dia 8, uma semana depois. A disputa pelo IPO é só a mais recente batalha entre as duas empresas – e a Reuters revelou nesta quinta-feira (11) a história por trás da guerra.
ChatGPT em duas semanas
Em novembro de 2022, a OpenAI soube que a Anthropic desenvolvia um chatbot. Sam Altman imediatamente ordenou que a equipe acelerasse um produto concorrente, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters.
Duas semanas depois, a OpenAI lançou o ChatGPT. “De repente, era: precisamos lançar isso em duas semanas”, disse um funcionário à agência. O produto se tornou o aplicativo de crescimento mais rápido da história.
A inversão de poder
Por três anos, a Anthropic correu para alcançar a OpenAI. No final de 2025, o cenário virou. A empresa lançou uma atualização poderosa do Claude Code e passou a liderar no mercado enterprise de programação com IA.
A OpenAI redirecionou recursos para o mercado corporativo. Reforçou o Codex, seu produto de codificação, e criou a DeployCo – joint venture com 19 firmas globais para levar engenheiros diretamente às empresas.
A Anthropic, que nasceu como dissidência da OpenAI, agora vale mais que a empresa original. “É uma guerra total entre eles”, disse à Reuters Anastasios Angelopoulos, CEO da Arena, empresa de benchmarking de IA.
A briga pelos números
As duas empresas divergem até na forma de reportar receita. A OpenAI acusa a Anthropic de inflar seus números em bilhões, segundo a Reuters.
A Anthropic contabiliza o valor total pago pelos clientes. A OpenAI registra apenas a receita líquida, já deduzidos os repasses à Microsoft. A Anthropic afirma seguir práticas contábeis estabelecidas.
A corrida pelo IPO
A OpenAI havia comunicado a alguns investidores que pretendia abrir capital em setembro. A Anthropic saiu na frente ao protocolar primeiro – e pode assim definir como empresas de IA reportam resultados para o mercado.
Internamente, Altman pressionou a CFO Sarah Friar pelo cronograma agressivo. Segundo a Reuters, ele disse que ela deveria resolver ou contratar outros banqueiros e advogados capazes de cumpri-lo.
A recusa no palco
A tensão entre os CEOs extrapolou o mundo corporativo. Em fevereiro, em uma cúpula de IA na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi pediu que os executivos presentes se dessem as mãos em gesto de unidade.
Altman e Amodei, lado a lado no palco, recusaram. O momento foi registrado em vídeo e viralizou.
A Anthropic está estruturando uma expansão agressiva de sua infraestrutura de inteligência artificial ao arrendar e operar data centers próprios nos Estados Unidos, movimento sustentado pela forte demanda por seus modelos e ancorado em uma relação cada vez mais estratégica com a Alphabet. A informação foi apurada e publicada pelo site The Information.
Nesse arranjo, a controladora do Google surge não apenas como possível financiadora, mas também como parceira tecnológica, ao participar do ecossistema de chips de servidor que pode sustentar as novas instalações da startup.
As conversas incluem ainda a possibilidade de a Alphabet oferecer garantias financeiras para pagamentos bilionários de arrendamento, enquanto a Anthropic avança em direção a uma oferta pública inicial mantida sob confidencialidade.
Expansão de infraestrutura e escala de computação
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)
A empresa assinou mais de uma dúzia de acordos preliminares para contratação de data centers nos Estados Unidos, somando capacidade superior a 1 gigawatt. O objetivo é garantir escala suficiente para suportar o crescimento acelerado do uso de seus modelos de IA.
Esse movimento representa uma mudança relevante de postura operacional, já que a Anthropic passa a controlar de forma mais direta a base física necessária para rodar seus sistemas de inteligência artificial em larga escala.
A pressão por capacidade vem do aumento contínuo da demanda pela família de modelos Claude, especialmente em aplicações empresariais e de desenvolvimento de software.
Alphabet como pilar financeiro e tecnológico
(Imagem: Markus Mainka / Shutterstock.com)
A relação com a Alphabet se intensifica em múltiplas frentes. Além de já ter sido citada como investidora com potencial de aporte de até 40 bilhões de dólares, a empresa também participa do desenvolvimento de chips de servidor que podem ser utilizados nos data centers planejados pela Anthropic.
Nesse contexto, discute-se um mecanismo de garantia financeira em que a Alphabet poderia respaldar pagamentos de contratos de arrendamento, reduzindo o risco da expansão agressiva da infraestrutura da startup.
Esse vínculo coloca a Alphabet simultaneamente como financiadora potencial, parceira tecnológica e agente de estabilidade para a estratégia de crescimento da Anthropic.
IPO e pressão de crescimento
A Anthropic também teria submetido, de forma confidencial, documentos para uma oferta pública inicial nos Estados Unidos, sem divulgar termos ou tamanho da operação.
O avanço da infraestrutura e os acordos com grandes parceiros ocorrem em paralelo a uma rodada de captação recente, que avaliou a empresa em aproximadamente 965 bilhões de dólares após levantar outros 65 bilhões.
A combinação entre expansão física, apoio de grandes grupos de tecnologia e forte demanda por seus modelos posiciona a companhia em uma disputa direta por escala no mercado global de inteligência artificial.