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Google é processado por conversas sobre suicídio entre IA e garota de 13 anos

Os pais de uma adolescente de 13 anos estão processando o Google nos Estados Unidos após descobrirem que a filha passou meses conversando com ferramentas de inteligência artificial (IA) da empresa sobre depressão, automutilação e suicídio. A família acusa a companhia de expor crianças a riscos psicológicos sem oferecer alertas adequados aos responsáveis e às instituições de ensino.

O caso aconteceu na Carolina do Norte (EUA), onde a estudante utilizava um Chromebook fornecido pela escola. Segundo a ação judicial, apresentada em um tribunal da Califórnia (EUA), a jovem trocou milhares de mensagens com ferramentas de IA do Google, principalmente o Gemini e o Modo IA integrado à Busca.

Identificada pelo pseudônimo Emma no processo, a adolescente começou a utilizar os recursos para tirar dúvidas escolares no segundo semestre de 2025. Entretanto, o volume de interações aumentou significativamente em dezembro, período que coincidiu com a disponibilização do modelo Gemini 3 Flash.

De acordo com os pais, as conversas passaram a abordar questões pessoais, incluindo ansiedade, depressão, transtornos alimentares e diferentes métodos de suicídio.

A denúncia também afirma que a IA orientou a menina sobre como esconder sinais de automutilação dos familiares e de outras pessoas próximas.

A família sustenta que o Google incorporou ferramentas generativas aos produtos utilizados por estudantes sem apresentar informações claras sobre os riscos envolvidos. Os responsáveis também questionam a falta de mecanismos capazes de identificar situações de sofrimento psicológico e alertar adultos responsáveis.

Como os pais descobriram as conversas?

  • Segundo informações da Reuters e da Bloomberg, a família só tomou conhecimento da situação depois que um sistema de monitoramento da escola identificou um documento escrito pela adolescente com referências ao próprio funeral;
  • O alerta permitiu que os responsáveis descobrissem a gravidade do conteúdo produzido pela estudante;
  • A denúncia afirma que a escola levou semanas para identificar os registros e comunicar os pais, que desconheciam a utilização do computador escolar para conversas sobre sofrimento psicológico;
  • Outro ponto levantado pela família envolve o acesso ao histórico das interações. Segundo a ação, contas escolares não oferecem aos responsáveis a mesma possibilidade de consultar integralmente o histórico de conversas disponível em contas pessoais;
  • Com isso, os pais afirmam ter encontrado dificuldades para reconstruir o que aconteceu durante os meses de utilização das ferramentas;
  • O processo busca responsabilizar o Google pelos danos alegados e pede indenização financeira. A empresa informou que está analisando as acusações.

Estudante se comunicou com o Gemini e com a IA presente na Busca do Google, conhecida como Modo IA – Imagem: Hasbi Sahin/Shutterstock

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Google muda regras para IA nas escolas

O processo chega em momento de crescente pressão sobre o uso de IA em instituições de ensino.

Nesta semana, o Google anunciou mudanças nas configurações de suas ferramentas para contas escolares. A empresa pretende desativar o Gemini por padrão para estudantes, permitindo que instituições de ensino decidam se desejam manter o acesso.

A medida também envolve recursos de IA incorporados à Busca, como resumos gerados automaticamente. Segundo a Reuters, escolas que quiserem preservar o acesso dos alunos ao mecanismo de pesquisa ainda precisarão lidar com a presença dessas funcionalidades.

O debate não se limita ao caso da adolescente. Uma pesquisa da organização Common Sense Media já havia apontado riscos relacionados ao uso de ferramentas de IA por crianças e adolescentes. Entre as preocupações estão a dificuldade dos sistemas em identificar sinais indiretos de pensamentos suicidas e a possibilidade de respostas que normalizem comportamentos associados a transtornos alimentares.

Especialistas também alertam que conversas prolongadas com chatbots podem criar falsa sensação de acolhimento. Com isso, crianças e adolescentes podem acreditar que estão recebendo apoio suficiente e demorar a procurar ajuda de familiares ou profissionais especializados.

Segurança de chatbots volta ao centro do debate

O processo contra o Google se soma a outras ações judiciais que questionam a responsabilidade de empresas de tecnologia sobre os efeitos de seus chatbots.

Em 2025, os pais do adolescente Adam Raine processaram a OpenAI, alegando que o ChatGPT contribuiu para a morte do filho, de 16 anos, ao fornecer informações relacionadas a métodos de suicídio.

A Character.AI também enfrentou processos após a morte de Sewell Setzer III, de 14 anos, que desenvolveu relação emocional com um personagem controlado por IA.

Em janeiro de 2026, Google e Character.AI concordaram em princípio em encerrar diversas ações judiciais relacionadas a esses casos, sem que isso representasse necessariamente uma admissão de responsabilidade.

As novas acusações reforçam o debate sobre os limites da IA em ambientes frequentados por menores de idade, especialmente quando as ferramentas passam a ser utilizadas como confidentes para questões emocionais e psicológicas.

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Escolas que bloquearem IA poderão perder acesso ao Google Search

Alunos que utilizam as ferramentas educacionais do Google poderão perder acesso ao mecanismo de busca se suas escolas não aceitarem recursos de inteligência artificial (IA) integrados às pesquisas. Anunciada na terça-feira (3), a nova política provocou críticas de educadores, políticos e especialistas.

As instituições poderão controlar os serviços individualmente, mas terão de aceitar algum recurso de IA na busca para continuar oferecendo o Google Search. A implementação está prevista para o início de 2027.

Segundo o Google, 150 milhões de estudantes e professores usam o Google Classroom em todo o mundo. – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Escolas terão controle sobre ferramentas, mas com uma condição

A decisão ocorre após meses de resistência ao Gemini nas salas de aula. Até agosto, o Google só permitia habilitar o chatbot para estudantes com 18 anos ou mais. Naquele mês, anunciou sua disponibilização para alunos mais novos em redes que autorizassem ferramentas de IA.

Agora, os administradores poderão escolher quais serviços estarão disponíveis, incluindo Gemini, Gemini Notebook e Google Search. Todos ficarão desativados por padrão até que as instituições autorizem seu uso.

As escolas poderão manter o Gemini desativado, mas precisarão aceitar algum recurso de IA incorporado às pesquisas para liberar o buscador. Chris Phillips, vice-presidente e gerente-geral de educação do Google, explicou ao The New York Times que os serviços estão profundamente conectados. Sem essa autorização, os estudantes receberão uma mensagem de indisponibilidade.

A empresa também prepara o Guided Learning, recurso que deverá orientar os estudantes na resolução de problemas, em vez de apresentar respostas prontas. Em matemática, por exemplo, poderá incentivar o aluno a revisar regras de divisão de expoentes antes de chegar ao resultado.

Decisão provoca críticas de políticos e educadores

Lina Khan, ex-presidente da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), acusou o Google de usar sua posição dominante nas buscas para pressionar as escolas.

“O Google está usando seu monopólio nas buscas para coagir as escolas a adotarem inteligência artificial. Isso evidencia o perigo de permitir que uma empresa monopolista, sem regulamentação, controle um serviço essencial”, escreveu.

O senador Bernie Sanders classificou a iniciativa como extorsão. Richard Blumenthal afirmou que a empresa estaria mais preocupada em impor o Gemini às escolas do que em ajudar os estudantes. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, também questionou o poder de uma companhia sobre as políticas de ensino.

As redes públicas de Nova York e Los Angeles estabeleceram proibições temporárias ao uso de IA generativa nas escolas de ensino fundamental, enquanto avaliam a segurança dessas tecnologias e desenvolvem regras. Educadores temem que os resumos gerados por IA desestimulem a pesquisa independente e facilitem a cola e o acesso a respostas prontas, em vez de estimular o pensamento crítico.

Chatbot de educação de IA e conceito de assistente de aprendizagem on-line.
Educadores temem que resumos de IA na busca desestimulem a pesquisa independente e facilitem o acesso a respostas prontas. – Imagem: Sandwish Studio/Shutterstock

Especialistas apontam riscos e Brasil discute limites da IA na educação

Josh Golin, diretor-executivo da Fairplay, organização de defesa dos direitos das crianças, disse que a pressão pode produzir o efeito contrário ao pretendido. Para ele, a presença dos produtos do Google nas escolas está ligada à construção de fidelidade à marca desde a infância. Golin defendeu que as instituições desativem as ferramentas de IA da empresa, considerem abandonar outros produtos do Google e adotem buscadores com maior proteção à privacidade.

No Brasil, o Conselho Nacional de Educação (CNE) também discute limites para o uso dessas tecnologias. O órgão apresentou propostas para regulamentar a IA no ensino e apontou riscos relacionados à perda de habilidades cognitivas, a vieses algorítmicos e ao aprofundamento das desigualdades educacionais.

A mudança levanta questões sobre a autonomia das instituições para definir suas regras e a dependência de plataformas controladas por grandes empresas.

Em resposta às críticas, o Google afirmou na rede social X que ouviu os educadores. Disse que deixar os recursos de IA desativados por padrão atende aos pedidos por maior controle e que continuará trabalhando com as escolas para oferecer mais opções e aprimorar a busca para a aprendizagem.

Segundo a empresa, 150 milhões de estudantes e professores em todo o mundo utilizam o Google Classroom. Muitos alunos também dependem de Chromebooks fornecidos pelas próprias instituições.

Entramos em contato com o Google para entender se a regra também valerá para as escolas brasileiras e quando isso pode ocorrer. Assim que a empresa se posicionar, a matéria será atualizada.

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ChatGPT já alcança 20% do volume de buscas do Google, diz OpenAI

O ChatGPT está ampliando sua participação no mercado de buscas na internet. Segundo a OpenAI, o chatbot já processa um volume de consultas equivalente a um quinto do registrado pelo Google. A declaração indica o avanço da ferramenta como alternativa aos mecanismos tradicionais de pesquisa, embora a distância entre as duas plataformas ainda seja significativa.

O número foi apresentado por Adam Fry, responsável pelo produto de consumo do ChatGPT, durante evento da OpenAI realizado na segunda-feira (2). Segundo ele, a companhia considera uma busca toda consulta enviada pelo usuário que resulta em uma pesquisa na web. Perguntas simples, como pedidos para definir um termo ou explicar como fazer alguma coisa, não entram nessa conta.

A empresa, porém, não informou a origem do número utilizado para comparar o volume de pesquisas do ChatGPT com o do Google.

ChatGPT ainda está distante do Google

  • Apesar do crescimento, o volume de buscas do ChatGPT representa apenas uma fração da atividade registrada pelo Google;
  • A comparação feita pela OpenAI também ajuda a dimensionar o desafio de conquistar espaço nesse mercado;
  • Durante o julgamento antitruste do Google em 2023, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que o Bing detinha aproximadamente 3% do mercado de mecanismos de busca, mesmo após mais de uma década de investimentos para competir com a ferramenta do Google;
  • O avanço da inteligência artificial (IA), entretanto, vem alterando esse cenário. O próprio Google passou a incorporar recursos generativos ao seu mecanismo de pesquisa, incluindo resumos produzidos por IA e experiências mais personalizadas, com visualizações e gráficos;
  • O The Verge observa que uma parcela significativa das buscas realizadas pelo ChatGPT provavelmente utiliza o Bing, da Microsoft, além de um índice de pesquisa próprio da OpenAI. Ainda existe especulação sobre a possibilidade de algumas consultas serem encaminhadas ao Google.

Apesar do resultado, o Google segue bem à frente na disputa dos buscadores – Imagem: RixAiArt/Shutterstock

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OpenAI aposta em interface visual e anúncios

A disputa não envolve apenas responder a perguntas. A OpenAI também está desenvolvendo experiências de pesquisa mais visuais e interativas dentro do ChatGPT.

A companhia chama essa abordagem de “Intelligent UI” (interface inteligente, em tradução livre). A proposta é transformar as respostas do chatbot em ambientes interativos, com elementos visuais e recursos que permitam ao usuário explorar informações sem sair da conversa.

“É para lá que o futuro dessa tecnologia está indo. Você está conversando com uma tela”, afirmou Fry.

Outro ponto estratégico é a publicidade. Assim como o Google, a OpenAI enxerga nos anúncios uma possível fonte de receita para seus serviços, especialmente diante da possibilidade de uma abertura de capital no início de 2027.

Fry afirmou que a publicidade não provocou reação negativa duradoura entre os usuários e que a maioria das pessoas parece não se incomodar com os anúncios no produto.

A empresa anunciou no mês anterior que começaria a exibir imagens de produtos e serviços patrocinados no ChatGPT. Até então, os anúncios apresentavam principalmente o nome da companhia, seu logotipo e um link para o produto.

“Os anúncios talvez tenham nos mostrado que poderíamos estar fazendo isso ainda mais”, declarou o executivo.

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Big techs reforçam combate a conteúdos falsos gerados por IA nas eleições dos EUA

OpenAI, Anthropic, Google e Meta reforçaram suas estratégias para impedir que ferramentas de inteligência artificial (IA) sejam usadas para manipular as eleições legislativas dos Estados Unidos, que estão sendo realizadas nesta terça-feira (3). As empresas montaram equipes especializadas para monitorar atividades suspeitas e tentar conter campanhas de desinformação capazes de comprometer a confiança no processo democrático.

Na OpenAI, mais de uma dúzia de funcionários trabalha em uma central de operações instalada em escritório da companhia em São Francisco (EUA). A estrutura representa ampliação significativa dos esforços adotados pela empresa durante a eleição presidencial de 2024, quando os recursos de IA eram menos avançados e o ChatGPT tinha apenas um quinto da base de um bilhão de usuários que possui atualmente.

“Em 2024, a tecnologia mais acessível era o texto. Agora, não estamos monitorando apenas textos”, afirmou Josh Lawson, responsável pela área de riscos cívicos e estratégicos da OpenAI e líder da operação, ao The New York Times.

O cenário atual inclui ameaças que vão de vídeos deepfake e ataques cibernéticos a operações de influência estrangeira e doméstica. Com ferramentas de IA, esse tipo de campanha pode ser produzido e colocado em circulação a partir de uma sequência de comandos.

Anthropic também monta central de monitoramento

  • A OpenAI não é a única empresa a reforçar suas defesas. A Anthropic, responsável pelo chatbot Claude, criou pela primeira vez uma sala de operações dedicada ao tema, reunindo equipes de analistas em São Francisco, Nova York (EUA) e Washington (EUA);
  • Google e Meta também prometeram ampliar os esforços para impedir que suas ferramentas de IA sejam usadas para enfraquecer a confiança no processo democrático;
  • Na OpenAI, a central eleitoral começou a funcionar na quinta-feira anterior à votação. A equipe de São Francisco trabalha em conjunto com uma unidade em Washington e reúne dezenas de pessoas, segundo representantes da companhia;
  • Os funcionários analisam comandos enviados ao ChatGPT que são sinalizados automaticamente por possíveis tentativas de produzir textos ou imagens falsas sobre as eleições;
  • Um exemplo seria o uso do chatbot para elaborar uma campanha de influência baseada em alegações falsas de fraude eleitoral, como acusações de manipulação de cédulas. O material poderia ser distribuído em redes sociais por meio de contas falsas;
  • Quando identifica atividades maliciosas destinadas a circular em determinadas plataformas, a OpenAI afirma que notifica as empresas responsáveis por esses serviços.

Google e Meta estão entre as empresas que estão se mexendo para tentar impedir o mau uso da IA nas eleições estadunidenses – Imagem: gguy/Shutterstock

IA amplia riscos de manipulação eleitoral

Um levantamento do Brennan Center for Justice, organização ligada à Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, identificou cenário contraditório.

Os chatbots mais populares geralmente resistem a solicitações relacionadas a teorias conspiratórias sobre eleições. Ao mesmo tempo, as ferramentas de IA produzem regularmente textos, imagens e vídeos que podem ser utilizados para enfraquecer a confiança na votação.

A preocupação também está relacionada à redução das equipes de segurança e moderação das redes sociais nos últimos anos. Após a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, a Meta criou uma central de operações para as eleições legislativas de 2018.

Desde então, porém, a Meta e outras plataformas reduziram equipes responsáveis por segurança e combate à desinformação eleitoral. A decisão ocorreu em meio à pressão de republicanos e, a partir de 2025, do governo Donald Trump, que acusaram as empresas de censurar opiniões conservadoras.

Esse recuo coincidiu com a expansão das ferramentas de IA, aumentando os receios sobre o impacto da tecnologia nas eleições. Especialistas e ex-integrantes do governo estadunidense também alertaram para a capacidade desses recursos de tornar campanhas de manipulação mais convincentes, enquanto o governo Trump desmontou equipes federais que anteriormente atuavam no combate a ameaças ao processo eleitoral.

“Seria imprudente pensar que essa ameaça desapareceu e que a tecnologia não está tornando essas ameaças mais poderosas e convincentes”, afirmou Lauren Protentis, ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, onde supervisionava questões relacionadas à influência estrangeira maliciosa durante o governo de Joe Biden.

OpenAI já identificou operações ligadas a outros países

A OpenAI já havia divulgado tentativas de Rússia, China e Irã de utilizar o ChatGPT em operações de influência estrangeira. A empresa afirma ter interrompido duas campanhas desse tipo no mês anterior à eleição estadunidense.

Até o momento, porém, a companhia não havia divulgado nenhuma operação específica relacionada às eleições legislativas de novembro.

O investigador-chefe da OpenAI, Ben Nimmo, afirmou que o objetivo é identificar essas iniciativas antes que consigam alcançar um público significativo.

“Estamos tentando detectar as operações antes que tenham a oportunidade de ganhar força”, declarou.

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OpenAI quer comprar chips do Google em união inédita de rivais

A OpenAI planeja comprar chips de inteligência artificial do Google, segundo reportagem do The Information. A negociação pode ampliar a relação comercial entre as empresas, que competem no mercado de IA, mas também fecham acordos para atender à crescente demanda por processamento. A reportagem não informa valores, quantidade de chips ou condições da possível compra.

A aproximação comercial entre as empresas vem avançando. Na semana anterior à publicação da reportagem, a OpenAI anunciou que disponibilizaria seus modelos de IA mais avançados por meio do Google Cloud. Em junho de 2025, a Reuters informou que a companhia havia começado a alugar chips do Google.

Em paralelo ao acordo com o Google, a OpenAI projeta seu próprio chip de inteligência artificial em parceria com a Broadcom. – Imagem: FabrikaSimf/Shutterstock

TPUs disputam espaço com a Nvidia

Os Tensor Processing Units (TPUs) são processadores desenvolvidos pelo Google para acelerar tarefas de inteligência artificial. Eles ganharam espaço como alternativa aos chips da Nvidia, utilizados amplamente no treinamento e na execução de modelos de IA.

Neste ano, o Google começou a vender TPUs diretamente a alguns clientes. Entre as empresas que utilizam esses componentes está a Anthropic, concorrente da OpenAI.

A Alphabet, controladora do Google, espera reconhecer uma pequena parcela da receita de seus contratos de venda de TPUs até o fim de 2026. A maior parte deverá ser contabilizada em 2027, segundo declaração anterior da diretora financeira da companhia, Anat Ashkenazi.

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A oferta de modelos da OpenAI no Google Cloud reforça a aproximação estratégica entre as duas gigantes de tecnologia. – Imagem: MMD Creative/Shutterstock

Investimentos em IA chegam a centenas de bilhões

Amazon, Microsoft e Alphabet planejam investir juntas até US$ 600 bilhões (cerca de R$ 3,15 trilhões) em infraestrutura de inteligência artificial em 2026. O volume de gastos tem levado investidores a questionar quando esses investimentos começarão a gerar retornos financeiros significativos.

Os resultados trimestrais da Alphabet, previstos para esta quarta-feira, são aguardados pelo mercado em busca de sinais de crescimento na divisão de computação em nuvem.

A OpenAI também desenvolve seus próprios processadores. Em junho, anunciou um chip de IA criado em parceria com a Broadcom, com previsão de implementação até o fim de 2026. O projeto integra um programa que prevê várias gerações de chips.

A possível compra dos processadores do Google reforçaria as alternativas de hardware da OpenAI enquanto a empresa avança no desenvolvimento de sua própria tecnologia. Até o momento, porém, não há confirmação pública dos termos ou da conclusão da negociação.

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OpenAI busca alternativa à Nvidia e mira chips de IA do Google

A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, planeja comprar chips de inteligência artificial (IA) do Google, segundo informações publicadas pelo site The Information. A possível aquisição pode ampliar o uso de processadores desenvolvidos pela gigante das buscas em meio à disputa por infraestrutura para IA.

De acordo com a reportagem, a OpenAI já aluga chips de IA do Google desde 2025. A nova movimentação representaria um passo além nessa relação comercial, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre o valor do negócio, a quantidade de processadores envolvida ou o prazo para a compra.

Procurado pela Reuters, o Google não respondeu ao pedido de comentário. A OpenAI se recusou a comentar o assunto.

Chips do Google podem reduzir dependência da Nvidia

  • Os processadores envolvidos são as unidades de processamento tensorial, conhecidas como TPUs (na sigla em inglês);
  • Desenvolvidos pelo Google, esses chips são projetados para executar cargas de trabalho de IA e representam alternativa às unidades de processamento gráfico (GPUs, na sigla em inglês) da Nvidia;
  • Os chips são importantes tanto para treinar modelos de IA quanto para executar tarefas de inferência — etapa em que um modelo já treinado processa solicitações e produz respostas;
  • A Nvidia é uma das principais fornecedoras de hardware utilizado no desenvolvimento e na operação de sistemas de IA;
  • A busca por alternativas, portanto, pode ajudar empresas do setor a ampliar sua capacidade computacional e diversificar os fornecedores de processadores.

Nvidia é uma das principais fornecedoras de hardware utilizado no desenvolvimento e na operação de sistemas de IA, mas pode ficar para trás com o movimento da OpenAI – Imagem: alexgo.photography/Shutterstock

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Rivais também podem fazer negócios

Uma eventual compra de chips do Google pela OpenAI evidencia como a concorrência no setor de IA não impede relações comerciais entre empresas que disputam o mesmo mercado.

O Google desenvolve seus próprios modelos de IA e compete com a OpenAI em produtos e serviços do segmento. Ao mesmo tempo, seus processadores podem atender às necessidades de infraestrutura de outras companhias que precisam de capacidade para treinar e executar modelos.

Até o momento, porém, a informação divulgada não esclarece os termos de uma possível aquisição, nem se a OpenAI pretende substituir parte dos equipamentos que utiliza atualmente ou apenas ampliar suas opções de processamento.

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Gemini 4 Argon finalmente chega ao app e à busca do Google; saiba mais

O Google começou a liberar o Gemini 4 Argon para mais usuários nesta terça-feira (13). O modelo de inteligência artificial (IA), anunciado no fim de setembro, está disponível para assinantes dos planos Google AI Pro e AI Ultra no aplicativo Gemini e no Modo IA da busca do Google. A novidade também chega à plataforma de desenvolvimento Antigravity, mas, nesse caso, o acesso exige uma assinatura Ultra.

Segundo o Google, o Argon foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas de raciocínio e melhorar o desempenho em diferentes tipos de trabalho. A empresa também afirma que o modelo responde de maneira mais direta, reduz repetições e clichês e segue instruções de estilo com mais consistência. Ainda não há confirmação sobre a disponibilidade para usuários gratuitos ou assinantes de outros planos.

Gemini 4 Argon chega a mais pessoas – Imagem: Reprodução/Google

Gemini ganha novos recursos com o Argon

No aplicativo Gemini, o modelo passa a integrar as opções disponíveis para assinantes dos planos Pro e Ultra. Antes, o acesso inicial estava restrito ao plano Ultra. A lista de modelos disponíveis para esses usuários inclui o 3.5 Flash-Lite, o 3.8 Flash, o 3.1 Pro e o 4 Argon.

O Google também está modificando a interface do aplicativo para facilitar a alternância entre conversas e tarefas. A opção de tarefas, anteriormente chamada Spark, terá um botão próprio na janela principal do chat.

Outra novidade envolve a versão do Gemini para macOS. O aplicativo passará a oferecer acesso direto à interface de programação com agentes do Antigravity, permitindo alternar entre conversas e atividades de codificação para desenvolver aplicativos, experiências na web e outros projetos.

De acordo com a empresa, o modelo também consegue compartilhar atualizações sobre o andamento de tarefas mais longas com maior frequência. A proposta é manter os usuários informados enquanto o sistema trabalha em solicitações que exigem mais tempo.

Google destaca resultados em projetos internos

O Google afirma que já utiliza o Argon em projetos internos. Um dos exemplos envolve o navegador Chrome: o modelo ajudou a separar o processamento central de páginas da web de uma pasta legada com cerca de 6 milhões de linhas de código, dentro de uma base de código do Chromium que soma 40 milhões de linhas.

Segundo a empresa, o trabalho envolveu alterações em centenas de arquivos e permitiu concluir em semanas uma refatoração arquitetural que levaria meses. O objetivo é viabilizar a movimentação de páginas abertas entre abas, painéis laterais e janelas flutuantes sem recarregamento, além de eliminar uma categoria de falhas do navegador.

Outro caso citado envolve o Gemma 4 E2B. Com o uso do vLLM em uma GPU A100, o Google relata ter alcançado uma aceleração de 2,85 vezes na inferência de ponta a ponta, elevando a taxa de processamento de aproximadamente 37.900 para mais de 108 mil tokens por segundo. A empresa afirma que o resultado foi obtido em poucos dias, sem perda de qualidade e com 100% de equivalência entre os tokens.

No YouTube, o Argon ajudou a reduzir pela metade o uso de CPU da interface de comentários. A análise identificou que a renderização redundante de emojis representava quase 45% da sobrecarga do servidor. Após 12 otimizações, a latência de carregamento dos comentários no servidor caiu 30 milissegundos, enquanto a latência de ponta a ponta no cliente diminuiu 20 milissegundos.

Preços e disponibilidade do Gemini 4 Argon

Além do aplicativo Gemini e do Modo IA da busca do Google, o modelo está disponível pela Gemini API, com preço promocional de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída até 30 de novembro de 2026.

Após o fim do período promocional, os valores passarão para US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de tokens de saída. O acesso ao modelo no Antigravity para desktop, na interface de linha de comando (CLI) do Antigravity, no AI Studio e no Android Studio Canary exige o plano Google AI Ultra.

O Google também abriu inscrições para um programa voltado à comunidade científica. A iniciativa prevê oferecer gratuitamente, durante seis meses, o nível mais alto de uso do Antigravity a 10 mil cientistas.

A empresa ainda afirma que o Argon apresenta resultados competitivos em áreas como programação, segurança cibernética, ciência, finanças e direito. Em avaliações de referência, o Google diz que o modelo supera concorrentes como GPT-6 Astra, Claude Fable 5.1 e Claude Opus 5.5 em diferentes categorias.

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SynthID: Google libera ferramenta que revela se conteúdo foi feito por IA

O Google abriu para o público geral o site do SynthID, sua ferramenta de checagem de conteúdos gerados por inteligência artificial. O serviço analisa imagens, áudios e vídeos em busca de marcas d’água digitais que ajudam a verificar se aquele material foi criado por uma ferramenta compatível.

Antes restrita a pesquisadores, jornalistas e outros profissionais selecionados para testes, a plataforma agora está disponível para qualquer pessoa. A novidade amplia o acesso a uma tecnologia criada para ajudar a investigar a origem de conteúdos cada vez mais difíceis de diferenciar de registros reais.

A tecnologia do Google já é usada em ferramentas como Gemini, Veo e Lyria para marcar conteúdos criados por IA. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Como funciona o rastreio de mídias

Identificar um conteúdo sintético virou um desafio na internet. Com geradores cada vez mais precisos, o SynthID procura uma marca d’água imperceptível ao olho humano, inserida no arquivo no momento em que ele é gerado.

O método, porém, depende de uma condição: a ferramenta utilizada para criar o conteúdo precisa incorporar o SynthID. Sem essa identificação, o sistema não consegue fazer a mesma verificação.

O site também foi preparado para trabalhar com diferentes tipos de arquivos:

  • Imagens: JPG, JPEG, PNG, BMP, WEBP, AVIF, HEIC, HEIF, TIFF, TIF e GIF;
  • Vídeos: MP4, MOV e WEBM;
  • Áudios: WAV, MP3, OGG, FLAC, AAC e M4A.

Adoção no mercado e grandes parceiros

A tecnologia já está presente nos modelos e ferramentas do ecossistema Google, incluindo Gemini, Veo e Lyria, além de recursos como Flow, ProducerAI e Vids. A verificação também foi integrada ao aplicativo Gemini e ao Google Chrome. Segundo a empresa, o sistema recebe atualmente cerca de 1 milhão de solicitações por dia.

Leia mais:

O alcance do padrão vai além do Google. OpenAI, Nvidia e Kakao também oferecem suporte ao SynthID, enquanto a Apple deve incorporar a tecnologia ao Apple Intelligence “em breve”. A OpenAI mantém ainda seu próprio site para verificar conteúdos.

Essa expansão ocorre em um cenário no qual outras empresas adotam soluções próprias. Microsoft e Meta, por exemplo, possuem padrões para marcação e verificação de conteúdos gerados por IA. Essas ferramentas, contudo, não são infalíveis e podem falhar na identificação de materiais produzidos pelos próprios modelos de suas empresas.

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Imagens, vídeos e áudios podem ser analisados pelo site do SynthID em busca de marcas d’água invisíveis. – Imagem: Reprodução/Google

Os limites da verificação

A chegada do SynthID ao público amplia as possibilidades de checagem, mas não transforma a ferramenta em um detector universal de inteligência artificial. Seu funcionamento continua condicionado à presença da marca d’água no material analisado.

Por isso, a utilidade do sistema cresce conforme mais ferramentas de geração adotam o padrão. Para o usuário, a tecnologia passa a oferecer uma maneira adicional de investigar a origem de imagens, vídeos e áudios encontrados na internet, sem depender apenas da aparência do conteúdo.

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Google vai limitar acesso a modelos do Gemini para usuários gratuitos e AI Plus

O Google vai mudar, a partir de 9 de outubro, quais modelos de inteligência artificial (IA) ficam disponíveis para usuários do Gemini. A alteração afetará tanto pessoas que utilizam o serviço gratuitamente quanto assinantes do plano Google AI Plus.

Segundo informações divulgadas pelo 9to5Google com base em documento de suporte atualizado pelo Google, usuários sem assinatura de um plano de IA perderão o acesso aos modelos Gemini 3.6 Flash e Gemini 3.1 Pro. Eles ficarão limitados ao Gemini 3.5 Flash-Lite.

A mudança ocorre depois de o Google alterar, em maio, a forma de contabilizar o uso do Gemini com base na quantidade de recursos computacionais utilizados. Agora, a empresa também passará a diferenciar os modelos disponíveis de acordo com o plano contratado.

O que muda para cada plano

  • Quem utiliza o Gemini sem um plano pago continuará tendo acesso ao Flash-Lite, mas perderá os modelos Flash e Pro;
  • Para os assinantes do Google AI Plus, que pagam US$ 4,99 por mês (cerca de R$ 27), o Gemini continuará oferecendo Flash-Lite e Flash, mas o modelo Pro deixará de estar disponível;
  • O 9to5Google afirma que esses usuários receberão um e-mail informando quando a alteração será aplicada;
  • Já os assinantes dos planos AI Pro e AI Ultra não terão redução no acesso aos modelos. Ambos continuarão com Flash-Lite, Flash e Pro.

Confira, abaixo, uma tabela que clarifica o tema:

Leia mais:

AI Pro ganha recurso de raciocínio avançado

Enquanto usuários gratuitos e do AI Plus perderão acesso a modelos, o plano AI Pro receberá novo recurso.

Assinantes do plano de US$ 19,99 por mês (cerca de R$ 109) passarão a ter acesso ao Deep Think, opção descrita pelo Google como voltada ao “raciocínio paralelo máximo”.

Até agora, o recurso estava disponível apenas para assinantes do AI Ultra, cujos planos custam US$ 99,99 e US$ 199,99 por mês (cerca de R$ 544 e R$ 1.087).

Enquanto usuários gratuitos e do AI Plus perderão acesso a modelos, o plano AI Pro receberá novo recurso – Imagem: Runrun2/Shutterstock

Gemini terá novos níveis de raciocínio

Outra mudança prevista para outubro é a inclusão de três níveis de esforço para os modelos disponíveis no aplicativo: baixo, médio e alto.

A ideia é permitir que o usuário escolha quanto esforço o Gemini deve empregar para resolver uma tarefa. De acordo com a descrição citada pelo 9to5Google, níveis mais altos podem aumentar a capacidade do modelo de realizar tarefas e produzir respostas mais detalhadas, mas também consumirão mais do limite de uso.

Atualmente, o Gemini oferece a opção de “Extended thinking”, voltada à resolução de problemas complexos. Os novos níveis devem aproximar o funcionamento do aplicativo das opções já disponíveis no Google AI Studio e no Antigravity.

E o Gemini 4 Argon?

Ainda não está definido onde o Gemini 4 Argon, novo modelo avançado do Google, ficará dentro dessa estrutura de planos.

O Google anunciou que o modelo será disponibilizado inicialmente para assinantes do AI Ultra, mas ainda não informou se o Argon será classificado como um modelo Pro ou se fará parte de uma nova categoria acima desse nível.

O próprio Google também mantém páginas de suporte que descrevem limites de uso e disponibilidade de modelos como sujeitos a mudanças, dependendo de fatores, como capacidade do sistema e experimentos.

Na prática, a partir de 9 de outubro, a principal mudança para quem usa o Gemini sem pagar será a perda de acesso aos modelos Flash e Pro, enquanto assinantes do AI Plus também deixarão de contar com o Pro. Os planos superiores, por outro lado, manterão o acesso aos três modelos e ganharão novos recursos de raciocínio.

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IA que age sozinha: entenda como funcionam Muse e Dots agora

A inteligência artificial está começando a fazer mais do que responder perguntas. Sistemas capazes de executar tarefas por conta própria foram tema do podcast Hard Fork, do The New York Times, que discutiu as propostas da Meta e da OpenAI para essa nova geração de ferramentas.

A mudança parece simples, mas tem consequências importantes. Quando um sistema passa a navegar pela internet e tomar decisões em nome de uma pessoa, entram em cena questões que vão muito além da qualidade das respostas: privacidade, segurança e controle.

Os Dots, da OpenAI, são apresentados como agentes capazes de acompanhar projetos e continuar trabalhando de forma autônoma. – Imagem: OpenAI

Da resposta à ação

Um chatbot tradicional espera por um comando e devolve uma resposta. Um agente recebe um objetivo e pode cuidar de várias etapas para chegar ao resultado.

Isso muda a relação com a tecnologia. Em vez de explicar ao usuário como realizar uma tarefa, a IA pode assumir parte do trabalho. Quanto maior o acesso concedido, porém, maior também a responsabilidade envolvida.

Um sistema conectado a diferentes serviços precisa interpretar instruções, escolher caminhos e tomar decisões durante a execução. Se algo sair errado, o resultado pode ir muito além de uma resposta imprecisa.

Muse e Dots: propostas parecidas, focos diferentes

O podcast dá atenção especial ao Muse, da Meta. A ferramenta foi apresentada como um agente pessoal capaz de assumir tarefas e projetos, usando um computador dedicado na nuvem para atuar em aplicativos e na internet. Entre os exemplos estão enviar e-mails, reservar viagens e realizar outras ações em nome da pessoa.

Os Dots, da OpenAI, partem de uma ideia próxima, mas a empresa enfatiza outro aspecto: o trabalho contínuo. Eles são apresentados como agentes sempre ativos, capazes de assumir um projeto, acompanhar seu andamento e continuar trabalhando de forma autônoma em diferentes aplicativos conectados pelo usuário.

Em termos simples, o Muse está mais próximo de um “faça isso por mim”. Já os Dots se aproximam de um “assuma este trabalho e continue tocando o projeto”. As funções se sobrepõem, mas essa diferença ajuda a entender como as duas empresas estão apresentando seus produtos.

Entre as questões levantadas no programa estão:

  • quanto acesso deve ser concedido a esses sistemas;
  • quais ações precisam de confirmação humana;
  • como impedir comportamentos inesperados;
  • como proteger informações pessoais;
  • quem responde quando uma ação automatizada provoca um problema.
Dispositivo apresentado pela Meta
O Muse, da Meta, é apresentado como um agente pessoal capaz de realizar tarefas na internet em nome do usuário. – Imagem: Divulgação/Meta

Uma disputa que vai além dos chatbots

O avanço desses produtos também muda o debate sobre segurança. Uma IA que apenas gera texto pode produzir uma resposta equivocada. Já uma ferramenta com acesso a outros serviços pode transformar uma decisão errada em uma ação concreta.

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O podcast relaciona essa preocupação a casos de sistemas que apresentaram comportamentos problemáticos ou resultados inesperados na internet. A discussão, então, deixa de ser apenas sobre o que a IA consegue fazer e passa a envolver o que deve ser permitido que ela faça sozinha.

Muse e Dots representam essa transição de maneiras diferentes, mas partem da mesma ideia: delegar à IA uma parcela maior do trabalho digital. Quanto mais responsabilidades forem transferidas para esses sistemas, mais importante será saber onde termina a autonomia da máquina e começa o controle humano.

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