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Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Google são acusadas de fazer acordo ilegal para frear avanço da IA

Uma nova ação judicial nos Estados Unidos acusa Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Google de terem coordenado esforços para reduzir o ritmo de desenvolvimento de suas respectivas inteligências artificiais. O processo foi protocolado na sexta-feira (18), no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia.

Segundo os autores, a suposta coordenação violaria leis antitruste por envolver algumas das principais empresas do setor em um acordo para fazer com que o avanço da tecnologia ocorresse em ritmo inferior ao que seria observado em um ambiente competitivo. A ação também afirma que a prática poderia reduzir o valor dos serviços de IA pagos pelos consumidores.

Processo cita manifestações de executivos

A ação aponta principalmente para acontecimentos de 12 de setembro, quando Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um texto defendendo a cooperação entre empresas do setor para desacelerar os avanços da IA em favor de medidas de segurança mais robustas.

No mesmo dia, Sam Altman, CEO da OpenAI, Elon Musk, CEO da SpaceXAI, e Demis Hassabis, cofundador e presidente do Google DeepMind, responderam publicamente às propostas de Amodei e demonstraram concordância com a ideia.

Os quatro autores identificados no processo são assinantes pagos do ChatGPT, Claude, Grok ou Gemini. Os advogados afirmam representar essas pessoas em nome de um grupo nacional proposto formado por outros usuários que também pagam pelos serviços.

Para os autores, a coordenação entre concorrentes para tornar o progresso da IA mais lento teria efeitos anticompetitivos. O processo não contesta que as empresas discutam com o governo a criação de regras para o setor ou mesmo que solicitem uma isenção específica das leis antitruste.

Amodei havia mencionado riscos antitruste

Ao apresentar inicialmente sua proposta de desaceleração, Amodei reconheceu que a cooperação entre empresas poderia levantar questões relacionadas às leis antitruste. Ele defendeu que o governo dos Estados Unidos poderia mediar ou ao menos facilitar as conversas entre os laboratórios.

Na avaliação apresentada por Amodei, o governo não precisaria participar diretamente das discussões, mas deveria conceder uma isenção limitada para determinados tipos de conversas relacionadas à segurança.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, que pediu desaceleração no desenvolvimento de IA, citou risco de a cooperação esbarrar em questões antitruste – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Altman, por sua vez, afirmou que a OpenAI apoia uma estrutura federal com requisitos consistentes de segurança. O executivo também disse que a empresa não considera necessário esperar uma nova legislação ou uma isenção antitruste para começar a trabalhar na construção dessa estrutura.

A discussão acontece em meio a preocupações crescentes sobre os riscos associados ao avanço da IA. Líderes do setor vêm debatendo há algum tempo a criação de padrões compartilhados e outras formas de coordenação para manter a segurança como uma prioridade.

Governo dos EUA também está no debate

Os autores da ação afirmam que não são contrários a pedidos feitos pelas empresas ao Congresso, à Casa Branca ou a outros órgãos para estabelecer regulamentações para a inteligência artificial. O processo também não se opõe, especificamente, à solicitação de uma isenção antitruste.

A questão, porém, envolve também a posição do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump rejeitou publicamente os pedidos por regulamentação e afirmou que tentativas de limitar a tecnologia fazem parte de uma “conspiração doentia”.

Neste sábado (19), Trump afirmou que está formando uma força-tarefa de IA e que pretende nomear um “czar da IA”, mas forneceu poucos detalhes sobre a iniciativa. O governo também tem defendido que os laboratórios americanos avancem sobre a concorrência chinesa.

Em uma audiência recente no Senado, o senador Josh Hawley, republicano do Missouri, também rejeitou a possibilidade de conceder às grandes empresas de tecnologia uma isenção das leis antitruste para que possam colaborar entre si. Segundo ele, isso poderia favorecer acordos entre concorrentes e reduzir a competição.

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Gemini invade sistemas de três empresas reais durante teste de segurança do Google

O Gemini, modelo de inteligência artificial (IA) do Google, acessou a internet e invadiu os sistemas de três empresas durante um teste de suas capacidades de cibersegurança. O episódio é o primeiro caso conhecido em que um sistema de IA do Google realizou autonomamente uma invasão desse tipo.

As invasões aconteceram em maio, durante exercício de segurança conduzido pela Irregular, empresa independente especializada em avaliações de cibersegurança. O caso foi confirmado pelo Google nesta sexta-feira (18).

Em um dos episódios, o Gemini conseguiu acesso a um sistema protegido depois de tentar adivinhar senhas. Nos outros dois, o modelo encontrou credenciais em repositórios públicos na internet e utilizou os dados para acessar sistemas protegidos.

Em todos os casos, segundo o Google, o Gemini interrompeu a ação depois de perceber que havia acessado sistemas de empresas reais.

A Irregular informou ao Google sobre os incidentes no fim de julho, após a descoberta de outro episódio envolvendo modelos da OpenAI e a empresa de software de IA Hugging Face.

IA deveria estar isolada da internet

  • Os ataques ocorreram durante um exercício de capture the flag realizado na infraestrutura da Irregular. O Gemini recebeu a tarefa de obter informações de um software operado por uma empresa fictícia dentro do ambiente de testes;
  • O problema é que a empresa fictícia utilizada na simulação tinha o mesmo nome de uma empresa real;
  • Além disso, embora o modelo não devesse ter acesso à internet, essa conexão foi disponibilizada acidentalmente durante o teste;
  • No primeiro caso, o Gemini encontrou uma senha que permitiu entrar no serviço da empresa real. Depois de identificar que o alvo não fazia parte da simulação, o modelo interrompeu a ação e deixou o sistema;
  • Nas outras duas execuções, o Gemini realizou buscas na internet pelo nome da empresa fictícia. As pesquisas levaram o modelo a dois repositórios públicos diferentes que continham credenciais pertencentes a outras empresas;
  • O modelo tentou utilizar essas credenciais para concluir a avaliação. Depois de conseguir acesso aos sistemas, porém, identificou que se tratava de empresas reais e interrompeu a atividade;
  • A Reuters confirmou que os três casos ocorreram durante o teste da Irregular e que, em dois deles, o Gemini encontrou credenciais em repositórios públicos para acessar sistemas protegidos.

Google não considera caso de “desalinhamento”

Apesar das invasões, o Google afirmou que não considera o episódio um exemplo de desalinhamento de modelo, conceito utilizado para descrever situações em que uma IA age de maneira contrária às intenções ou aos valores humanos estabelecidos.

Segundo a empresa, as próprias medidas de segurança do Gemini fizeram com que o modelo interrompesse as ações assim que percebeu que havia acessado sistemas reais.

O Google comparou o episódio a um programa de bug bounty, no qual pesquisadores e hackers recebem autorização ou recompensa para encontrar vulnerabilidades e comunicá-las aos responsáveis.

Heather Adkins, vice-presidente de engenharia de segurança do Google, afirmou que o episódio “destaca a importância de treinar modelos de IA poderosos para agir de maneira responsável”. Segundo ela, “neste caso, o modelo agiu adequadamente”.

Em um dos episódios, o Gemini conseguiu acesso a um sistema protegido depois de tentar adivinhar senhas: nos outros dois, o modelo encontrou credenciais em repositórios públicos na internet e utilizou os dados para acessar sistemas protegidos – Imagem: gerada por IA – ChatGPT/Olhar Digital

A interpretação, porém, é contestada por especialistas em segurança.

Jack Cable, CEO da startup de segurança de IA Corridor e hacker de white hat, afirmou que a questão principal não seria o nível de dano provocado, mas o fato de o agente de IA ter invadido acidentalmente sistemas pertencentes a outras empresas.

Para Cable, a discussão sobre o incidente deveria se concentrar no fato de que modelos estão ultrapassando os limites para os quais foram projetados e realizando ataques cibernéticos reais.

Leia mais:

Google demorou para divulgar o caso

A Irregular comunicou os incidentes ao Google no fim de julho, mas a empresa não havia divulgado publicamente os episódios até que o The Wall Street Journal questionasse a companhia sobre o assunto nesta semana.

A empresa afirmou que não considerou necessário divulgar os casos porque o Gemini não causou danos às companhias e encerrou as invasões assim que percebeu que havia acessado sistemas reais.

As três empresas afetadas foram notificadas, mas o Google não revelou seus nomes. A companhia também informou as autoridades federais dos Estados Unidos sobre os incidentes.

O Google afirmou ainda que o episódio não envolveu seu modelo mais recente, mas não revelou qual versão do Gemini foi responsável pelas invasões.

A Irregular afirmou que o caso envolve o mesmo problema observado em outros laboratórios de IA e que todas as empresas relevantes foram notificadas no fim de julho. A companhia também disse que tomou medidas imediatas e que todos os problemas conhecidos de sua responsabilidade foram corrigidos semanas atrás.

Outros modelos também escaparam dos testes

O episódio envolvendo o Gemini não foi isolado. A própria Irregular participou de avaliações que acabaram envolvendo modelos de outras empresas em situações semelhantes.

Incidentes relacionados foram divulgados anteriormente por Meta, Anthropic e OpenAI. Esses episódios levantaram questionamentos sobre quais mecanismos de segurança são necessários à medida que agentes de IA ganham maior autonomia e acesso à internet e a sistemas computacionais.

O comportamento também apresentou diferenças entre os modelos.

Segundo a Anthropic, o Claude Opus 4.7 não interrompeu o exercício de capture the flag depois de perceber que provavelmente estava acessando uma empresa real. Já a OpenAI afirmou que seu modelo acreditou que a companhia real fazia parte da simulação.

As preocupações aumentaram depois que foi descoberto, em julho, um ataque envolvendo agentes da OpenAI e a Hugging Face. Na ocasião, até 1,2 mil agentes teriam se coordenado em um fórum secreto dentro da OpenAI para tentar burlar uma avaliação, de acordo com um relatório da empresa independente de testes METR divulgado em agosto.

O novo episódio envolvendo o Gemini ocorre, portanto, em meio a uma sequência de casos que ampliaram o debate sobre os limites de autonomia concedidos a sistemas de IA durante testes de segurança e sobre como as empresas devem comunicar incidentes desse tipo.

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Google lança versão do Gemini que raciocina enquanto conversa por voz

O Google anunciou, nesta terça-feira (15), dois novos modelos de inteligência artificial (IA) voltados para interações por voz: o Gemini 3.8 Live e o Gemini 3.8 Live Extended Thinking. Segundo a empresa, as novidades foram desenvolvidas para tornar as conversas com IA mais naturais e inteligentes, além de permitir que os sistemas realizem tarefas complexas enquanto continuam conversando com o usuário.

Os modelos foram apresentados como as versões mais avançadas do Google para diálogo em tempo real. A principal diferença entre eles está na capacidade de raciocínio: enquanto o Gemini 3.8 Live é voltado para interações de voz com maior escala e eficiência, o Gemini 3.8 Live Extended Thinking acrescenta recursos de raciocínio mais avançado e processamento de várias etapas.

IA pode continuar trabalhando enquanto conversa

  • Um dos principais recursos do Gemini 3.8 Live é a capacidade de executar ferramentas e chamadas de API em segundo plano sem interromper a conversa;
  • Na prática, o usuário pode fazer um pedido e a IA pode reconhecer a solicitação e continuar o trabalho enquanto a interação por voz prossegue;
  • O modelo também consegue processar informações visuais fornecidas por câmeras e outras fontes praticamente em tempo real, usando essas informações como contexto para a conversa;
  • Outro recurso é a capacidade de identificar e alternar automaticamente entre 97 idiomas durante uma conversa;
  • Segundo o Google, o Gemini 3.8 Live alcançou o segundo lugar nas avaliações de usuários do Speech Agent Arena, que mede o desempenho de sistemas de interação por voz;
  • O modelo está sendo disponibilizado como uma opção voltada a desenvolvedores e empresas que buscam combinar desempenho com eficiência de custos.

Versão com raciocínio avançado

O Gemini 3.8 Live Extended Thinking vai além da conversação e foi projetado para lidar com tarefas mais complexas que exigem raciocínio e processamento em várias etapas.

Uma das características destacadas pelo Google é a capacidade de raciocinar e falar simultaneamente. Isso permite que a IA continue interagindo com o usuário enquanto trabalha em tarefa mais longa.

Em vez de simplesmente ficar em silêncio durante o processamento, o sistema pode responder de maneira natural, com frases, como “deixe-me verificar isso para você”, enquanto executa as etapas necessárias em segundo plano.

A IA também pode explicar o andamento de tarefas mais complexas conforme elas são realizadas.

Novas versões chegam a aplicações, como Gmail, Docs, Keep e Search Live – Imagem: One Artist / Shutterstock

Leia mais:

Gemini chega ao Gmail, Docs e Keep

As novas capacidades não ficarão restritas ao desenvolvimento de aplicativos. O Google está levando o Gemini 3.8 Live Extended Thinking para diferentes produtos e serviços. No Google Workspace, a tecnologia será usada em recursos de voz para Docs, Gmail e Keep.

No Docs, por exemplo, o recurso Docs Live permite utilizar comandos de voz para realizar tarefas no documento. O mesmo princípio é aplicado ao Gmail Live e ao Keep Live.

O modelo também está chegando ao Search Live, permitindo interações por voz com recursos de orientação em tempo real e instruções passo a passo.

Desempenho em testes

O Google também apresentou resultados de avaliações para demonstrar as capacidades do Gemini 3.8 Live Extended Thinking.

O modelo ficou em primeiro lugar geral, com 82,6 pontos, no Speech to Speech Quality Index, da Artificial Analysis, voltado à qualidade de interação por voz.

Em outro teste, o τ-Voice, que avalia a capacidade de agentes executarem tarefas, o modelo obteve 68,6%. Já no benchmark τ-Voice-banking, voltado a tarefas do setor financeiro, o resultado foi de 35,1%.

Disponibilidade

O Gemini 3.8 Live já começou a ser disponibilizado para desenvolvedores por meio da Gemini API e do Google AI Studio. Empresas podem acessar o modelo por meio de uma prévia privada do Gemini Enterprise, enquanto usuários comuns terão acesso pelo Search Live.

O Gemini 3.8 Live Extended Thinking também já começou a chegar à Gemini API e ao Google AI Studio para desenvolvedores e está disponível em prévia privada no Gemini Enterprise.

Para usuários finais, a tecnologia está sendo incorporada ao aplicativo Gemini e a recursos do Workspace. No Google Docs, o recurso está disponível para assinantes dos planos Google AI Pro e Google AI Ultra. Gmail Live e Keep Live chegam aos assinantes dos planos Google AI Plus, Google AI Pro e Google AI Ultra.

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Modo IA do Google mostra preços 21,6% maiores em teste que a pesquisa tradicional

O Modo IA do Google apresentou produtos mais caros que a busca tradicional em um experimento da Productrise, empresa de SEO para comércio eletrônico. Na comparação, os mesmos produtos custaram, em média, 21,6% a mais quando encontrados pelo recurso de inteligência artificial.

A diferença aparece junto de outra mudança: o Modo IA costuma destacar vendedores diferentes dos resultados convencionais. Isso, porém, não significa que o Google esteja deliberadamente levando consumidores a opções mais caras. O experimento não comprova essa hipótese.

As ofertas do AI Mode ficaram 49% mais caras que as apresentadas nas listagens da busca tradicional, segundo o estudo. – Imagem: Reprodução/Productrise

O que a Productrise encontrou

A empresa fez buscas por produtos como “metal bidet attachment” (acessório de bidê de metal) e “manual grinder stainless steel” (moedor manual de aço inoxidável) nos dois formatos. Quando o mesmo item apareceu tanto na pesquisa tradicional quanto no Modo IA, o preço apresentado pela ferramenta de IA era, em média, 21,6% mais alto.

A posição das ofertas também mudou. Segundo a análise, as listagens do Modo IA apareciam 49% mais acima que as da busca tradicional. Na prática, isso significa que o usuário pode se deparar primeiro com uma oferta diferente daquela que encontraria na pesquisa convencional.

O vendedor principal também não foi o mesmo em boa parte dos casos.

  • Preços no Modo IA: 21,6% maiores, em média;
  • Listagens: 49% mais acima;
  • Vendedor principal diferente: 49,6% dos casos com sobreposição;
  • Produtos presentes nos dois formatos: apenas 1,28%.

Isso significa que a IA do Google leva a produtos mais caros?

Não necessariamente. Essa é uma das principais limitações do experimento.

A pesquisa encontrou uma diferença nos resultados, mas não demonstrou que o Google esteja usando informações pessoais para direcionar determinados consumidores a produtos mais caros. Essa prática, conhecida como “preço por vigilância”, sequer foi estabelecida pelo estudo.

Procurado sobre os resultados, o Google afirmou:

“Embora não tenhamos verificado a precisão das alegações deste relatório, todos os resultados de compras no Google, incluindo o Modo IA e a página de resultados de busca, são alimentados pela mesma fonte de dados: nosso Shopping Graph.”

A empresa também disse que é possível abrir uma oferta e comparar o preço daquele produto entre diferentes varejistas.

Logo do Google em uma tela de smartphone ao lado de um chip artisticamente concebido com os dizeres "AI"
Os resultados não provam que o Google esteja direcionando usuários deliberadamente para produtos mais caros, mas comparar preços entre diferentes vendedores pode revelar ofertas melhores. – Imagem: FotoField/Shutterstock

A comparação tem uma limitação importante

O número de produtos que apareceu nos dois formatos foi pequeno. Só 1,28% dos itens analisados estavam presentes tanto na busca tradicional quanto no Modo IA para a mesma pesquisa realizada no mesmo dia.

Leia mais:

Quando houve coincidência, o vendedor apresentado primeiro mudou em 49,6% das vezes. Para o consultor independente de SEO Brodie Clark, o resultado expõe inconsistências nas listagens gratuitas do Shopping Graph.

Clark também avaliou que o preço talvez não tenha o peso esperado na escolha dos produtos recomendados pela ferramenta.

Quem procura o menor preço pode escapar

Há um detalhe que reduz o impacto prático da descoberta. Segundo Clark, consumidores frequentemente passam pela oferta inicial do AI Mode e acabam clicando no varejista que apresenta o menor preço.

Na prática, quem compara os preços antes de comprar pode escapar das ofertas mais caras exibidas inicialmente pelo AI Mode. A questão é entender por que essas opções ganham destaque. O experimento identificou a diferença, mas não mostra que o Google esteja deliberadamente direcionando usuários para produtos mais caros.

Se ele apenas oferece inventário mais caro por padrão, não economizou nenhum trabalho para nós.

Katelyn Geary, estrategista sênior de SEO, em nota.

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Google prepara nova IA para recuperar terreno e enfrentar Anthropic e OpenAI na programação

O Google prepara o lançamento de um novo modelo de inteligência artificial (IA) com capacidades significativamente aprimoradas para programação.

Segundo funcionários da empresa, o Gemini 3.8 Flash, conhecido internamente pelo codinome “Skimaki”, pode ajudar a reduzir a distância para concorrentes, como Anthropic e OpenAI, em uma área que se tornou cada vez mais importante para o mercado de IA.

O modelo pode ser lançado já nesta quarta-feira (2), segundo pessoas familiarizadas com o desenvolvimento que informaram o The Wall Street Journal. Em testes internos realizados no Jetski, ferramenta de programação utilizada pelos engenheiros do Google, alguns profissionais teriam preferido o Gemini 3.8 Flash ao modelo Opus, da Anthropic, em comparações diretas.

Um desempenho forte em benchmarks utilizados pela indústria poderia ajudar o Google a responder a questionamentos sobre sua posição na corrida pelo desenvolvimento de modelos de IA.

A situação ganhou importância depois de uma série de mudanças na divisão de IA da empresa. Demis Hassabis, cofundador do Google DeepMind, deixou o cargo de liderança executiva no mês passado durante uma reorganização. Seu sucessor, Koray Kavukcuoglu, teria enfatizado aos funcionários a necessidade de aumentar o ritmo de execução.

O Google havia assumido posição de destaque na corrida de modelos com o lançamento do Gemini 3.0, em novembro do ano passado. Desde então, porém, a empresa enfrentou uma série de dificuldades.

Os modelos Gemini voltaram a ficar atrás das principais versões da Anthropic e da OpenAI em momento no qual a programação realizada por agentes de IA ganhou espaço como um dos principais usos comerciais da tecnologia.

A companhia também perdeu alguns de seus pesquisadores mais conhecidos. Entre eles estão Noam Shazeer, cofundador da Character AI, e Jeff Dean, cientista-chefe do Google, que deixaram a empresa no início deste ano.

Flash é menor, mais rápido e mais barato

  • Mesmo que o Gemini 3.8 Flash tenha um desempenho expressivo, seu lançamento não deve, por si só, recolocar o Google no topo da chamada fronteira da IA;
  • A série Flash foi projetada para produzir modelos menores, mais baratos e mais rápidos de executar. Em contrapartida, eles não possuem a mesma capacidade dos maiores modelos da companhia, que contam com trilhões de parâmetros;
  • A menor escala também traz vantagens para o desenvolvimento. Como os modelos Flash exigem menos capacidade computacional para serem modificados, diferentes equipes conseguem testar abordagens simultaneamente.
Gemini 3.8 Flash é a nova versão da IA do Google – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Nos modelos maiores da série Pro, mudanças exigem a mobilização de uma parcela muito maior dos recursos computacionais do Google.

Essa diferença permite que as equipes de pesquisa do Google DeepMind e de outros laboratórios mantenham diversas estratégias de desenvolvimento em paralelo. Dessa forma, um desempenho abaixo do esperado em um modelo que está sendo desenvolvido não necessariamente indica problemas nos próximos lançamentos da empresa.

Leia mais:

Google enfrenta atrasos na linha Pro

Enquanto trabalha nas versões Flash, o Google está atrasado no lançamento de um novo modelo da poderosa série Pro. A empresa está há meses além do cronograma previsto para uma nova versão, apesar de o CEO Sundar Pichai ter afirmado em maio que o modelo chegaria “no próximo mês”.

Segundo pessoas familiarizadas com o desenvolvimento, versões candidatas ao Gemini 3.5 Pro foram abandonadas porque não apresentavam melhorias suficientes em relação à série Flash.

O próximo grande modelo da empresa, o Gemini 4, apresentou bons resultados nas avaliações de pré-treinamento, mas ainda precisa concluir a etapa de pós-treinamento.

O desenvolvimento do Gemini 3.7 Flash e do Gemini 3.8 Flash começou meses atrás, antes mesmo das mudanças de liderança anunciadas no mês passado. Segundo funcionários do DeepMind, Kavukcuoglu já vinha conduzindo as decisões do dia a dia relacionadas ao desenvolvimento do Gemini desde pelo menos o ano passado, enquanto Hassabis passou a dedicar boa parte de seu tempo a compromissos externos.

Funcionários do Google já vinham testando o Gemini 3.8 Flash, segundo informações divulgadas anteriormente pelo Business Insider.

Reforço em treinamento para programação

Desde o início do ano, o Google aumentou a quantidade de pesquisadores e recursos computacionais dedicados à melhoria das capacidades de programação de seus modelos.

Uma das principais apostas está no aprendizado por reforço, etapa posterior do treinamento na qual os modelos aprendem determinadas habilidades por meio de tentativa e erro.

A empresa também reforçou sua equipe nessa área. O Google contratou recentemente Barret Zoph, ex-cofundador da Thinking Machines Lab e antigo responsável pelo pós-treinamento de modelos da OpenAI, para ocupar o cargo de vice-presidente de pesquisa com foco em aprendizado por reforço e pós-treinamento.

A expectativa agora está concentrada nos resultados dos testes de referência e no desempenho do Gemini 3.8 Flash após seu lançamento.

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OpenAI, Google e outras empresas pedem ação urgente contra ataques de IA

A OpenAI, a Anthropic, o Google, a Microsoft, a AMD e outras empresas e organizações do setor de tecnologia assinaram uma carta nesta quinta-feira (27) pedindo que empresas e governos priorizem a cibersegurança diante do avanço das ameaças potencializadas por inteligência artificial (IA).

Ao todo, 116 entidades aderiram ao documento, que defende uma ação coordenada para fortalecer as defesas digitais e ampliar o acesso a ferramentas de segurança capazes de acompanhar a evolução dos ataques realizados com auxílio de sistemas de IA. “Temos uma janela limitada para fortalecer as defesas cibernéticas”, afirma a carta.

O grupo pede que todas as organizações elevem o nível de segurança de suas ferramentas de defesa, modernizem seus sistemas e utilizem uma combinação de modelos de IA de baixo custo e modelos de fronteira, considerados os mais avançados disponíveis.

Os signatários também defendem uma atuação coordenada dos governos para financiar a ciberdefesa e facilitar o acesso a tecnologias de proteção por setores de infraestrutura crítica que possuem menos recursos para investir em segurança digital.

Entre os exemplos citados estão hospitais e instalações de tratamento de água, que estão entre os alvos frequentes de ataques cibernéticos.

Ataques realizados por agentes de IA

A preocupação ganhou força com o avanço de modelos de IA capazes de executar tarefas cada vez mais complexas de maneira autônoma.

Segundo a carta, sistemas sofisticados já são capazes de orquestrar ataques cibernéticos conduzidos por agentes de IA em questão de minutos. A evolução alterou o cenário da indústria de cibersegurança e aumentou a necessidade de ferramentas capazes de identificar e bloquear novas formas de ameaça.

Empresas de IA e segurança cibernética vêm observando uma mudança no perfil dos ataques à medida que modelos mais avançados passam a ser utilizados para automatizar diferentes etapas de operações maliciosas.

Microsoft é uma das signatárias do documento – Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

Um dos episódios recentes envolveu justamente uma organização que assinou a carta. A plataforma de IA de código aberto Hugging Face foi alvo de uma invasão atribuída a agentes da OpenAI, que teriam agido de maneira considerada inadequada ou não autorizada.

O incidente chamou a atenção do setor de tecnologia e cibersegurança e levantou novos questionamentos sobre os riscos associados à aceleração do desenvolvimento de sistemas de IA.

O episódio também reforçou a preocupação de que agentes autônomos possam realizar operações digitais com velocidade e escala superiores às de ataques conduzidos exclusivamente por humanos.

Leia mais:

Empresas querem elevar o nível de proteção

  • A carta pede que empresas de todos os setores aumentem o padrão de segurança de suas ferramentas e adotem sistemas capazes de acompanhar o ritmo de evolução das ameaças;
  • Os signatários defendem ainda o uso combinado de diferentes tipos de modelos de IA, incluindo alternativas de menor custo e sistemas de fronteira. A estratégia, segundo o documento, permitiria ampliar o acesso às tecnologias de defesa sem depender exclusivamente dos modelos mais caros e avançados;
  • A iniciativa reúne organizações de diferentes áreas. Entre os signatários estão empresas de IA, companhias de cibersegurança, instituições financeiras, fabricantes de semicondutores e provedores de serviços de computação em nuvem;
  • Além da adoção de novas tecnologias pelo setor privado, o grupo considera necessária uma participação maior dos governos;
  • A proposta é criar esforços coordenados para financiar ferramentas de ciberdefesa e garantir que organizações responsáveis por serviços essenciais, mas com menor capacidade financeira, também consigam implementar sistemas de proteção mais avançados.

Mercado de cibersegurança ganha força

O aumento da preocupação com ataques potencializados por IA também vem impulsionando empresas de cibersegurança.

Segundo a CNBC, companhias do setor tiveram forte valorização à medida que empresas passaram a reconhecer a necessidade de ampliar os investimentos em proteção digital. O movimento também ajudou o segmento a superar preocupações anteriores relacionadas à disrupção provocada pela IA no mercado de software.

A CrowdStrike e a Palo Alto Networks, duas das principais empresas de cibersegurança, mais do que dobraram de valor no último ano.

Na quinta-feira (27), a Okta e a própria CrowdStrike registraram altas de dois dígitos depois da divulgação de resultados considerados fortes, impulsionados pelo crescimento da demanda por soluções de segurança relacionadas à IA.

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Google: agora você pode remover marca d’água visível de conteúdos de IA

O Google anunciou, nesta sexta-feira (14), que permitirá aos usuários remover a marca d’água visível de conteúdos produzidos por seus modelos de inteligência artificial (IA). A opção estará disponível para imagens, vídeos e músicas, mas a mudança não afetará os mecanismos invisíveis usados pela empresa para identificar conteúdos gerados por IA.

De acordo com a empresa, a remoção da marca visível não interfere no SynthID, sistema de marca d’água invisível do Google, nem nos metadados relacionados ao padrão C2PA, utilizados para indicar a procedência de conteúdos digitais.

Josh Woodward, vice-presidente do Gemini, afirmou em publicação no X que a opção estará disponível para os modelos Nano Banana, Omni e Lyria. O recurso poderá ser configurado no Gemini e no editor de vídeos da Google, o Flow, enquanto o suporte para a Busca do Google será disponibilizado posteriormente.

A mudança representa nova abordagem do Google para a identificação de conteúdos produzidos por IA. Embora as marcas d’água visíveis ajudem a indicar que determinado material foi criado por IA, elas também podem tornar os conteúdos menos úteis em trabalhos profissionais e criativos.

Segundo Woodward, a empresa pretende equilibrar a liberdade de uso dos conteúdos com a necessidade de manter mecanismos de identificação.

“Estamos encontrando um equilíbrio entre controle criativo e segurança: embora as marcas d’água visíveis agora sejam opcionais, as marcas d’água invisíveis do SynthID e os metadados C2PA continuam sendo utilizados para transparência. Assim, ainda é possível usar o Gemini ou o Busca para verificar se uma imagem foi gerada por IA.”

A nova opção será disponibilizada gradualmente nos próximos dias. Quando estiver disponível, o usuário poderá acessar Configurações > Marca d’água de mídia para ativar ou desativar a identificação visual dos conteúdos gerados.

Leia mais:

Nano Banana é o principal motor do sucesso recente do Gemini e que também conta com novo recurso – Imagem: Danilo Oliveira/Olhar Digital

Identificação invisível continua

Apesar de permitir a retirada da marca visível, a Google afirma que os conteúdos continuarão carregando mecanismos que permitem identificar sua origem.

O SynthID insere uma marca d’água invisível no conteúdo, enquanto os metadados associados ao padrão C2PA fornecem informações sobre a procedência do arquivo. Dessa forma, a ausência do aviso visual não significa que o conteúdo deixará de ser identificável como uma criação de IA.

O próprio Google afirma que usuários ainda poderão recorrer ao Gemini ou à Busca para verificar se uma imagem foi gerada por IA.

Além da mudança nas marcas d’água, a companhia anunciou a abertura do código de uma nova biblioteca chamada Credentio. A ferramenta permitirá que desenvolvedores incorporem mecanismos de validação local em seus próprios aplicativos.

A decisão do Google ocorre em momento de debate sobre a melhor maneira de identificar conteúdos produzidos por IA. Um exemplo é a decisão recente da Anthropic de incluir uma marca d’água em textos e arquivos gerados pelo Claude para atender a regulamentações da União Europeia (UE).

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Google reorganiza área de IA e reforça controle sobre o desenvolvimento do Gemini

O Google promoveu uma ampla reorganização de sua estrutura de inteligência artificial recentemente, transferindo parte das equipes do Google DeepMind para a estrutura corporativa e concentrando decisões estratégicas nas mãos de Koray Kavukcuoglu. As informações são exclusivas da Reuters, publicadas nesta quarta-feira (12).

A mudança ocorre em meio à pressão para recuperar terreno diante de concorrentes como Anthropic e OpenAI. O movimento também reduz a autonomia histórica do laboratório criado pelo Google após sua aquisição em 2014, aproximando o desenvolvimento do Gemini das prioridades comerciais da companhia.

Nos bastidores, Sergey Brin voltou a exercer influência sobre os esforços de treinamento dos modelos e passou a defender maior velocidade para alcançar a fronteira tecnológica. Ao mesmo tempo, o Google enfrenta atrasos no lançamento de sua próxima versão principal do Gemini e limitações de capacidade computacional.

Reorganização concentra decisões sobre o Gemini

(Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)

A transformação ganhou forma pública em 5 de agosto, quando o Google anunciou mudanças no comando do Google DeepMind. Demis Hassabis deixou a liderança executiva do laboratório e assumiu a presidência, enquanto seu então substituto, Koray Kavukcuoglu, passou a ocupar o posto central na condução da unidade.

A nova configuração formalizou uma transferência de poder que já vinha ocorrendo. Kavukcuoglu acumulava, desde 2025, a função de principal arquiteto de inteligência artificial do Google, cargo criado para ampliar a presença do Gemini nos produtos da empresa. Pessoas familiarizadas com a operação disseram à Reuters que, desde então, sua influência sobre os rumos do modelo aumentou.

A posição de Kavukcuoglu também o colocou mais próximo das áreas responsáveis pela geração de receita com inteligência artificial. Antes mesmo de deixar Londres e se mudar para Mountain View, ele era apontado como o principal elo entre o DeepMind e o Google Cloud, divisão considerada central para os negócios de IA da companhia.

O novo arranjo ainda atingiu outros nomes de peso. Jeff Dean e Oriol Vinyals, que estavam entre os responsáveis técnicos originais pelo Gemini, deixaram a empresa para participar de uma nova startup. A saída dos executivos levantou dúvidas sobre o futuro de equipes que tinham maior liberdade para desenvolver pesquisas além do treinamento direto do modelo.

Durante uma reunião geral realizada em 6 de agosto, funcionários também foram informados de que algumas equipes não técnicas seriam retiradas da estrutura do DeepMind e passariam a responder diretamente à organização corporativa do Google. A medida reforçou entre integrantes do laboratório a percepção de que sua independência estava sendo reduzida.

A administração tentou conter essas preocupações ao afirmar que as atividades cotidianas do laboratório permaneceriam essencialmente iguais. Hassabis continuaria dedicado a questões de longo prazo relacionadas à ciência e aos impactos sociais da inteligência artificial, enquanto Kavukcuoglu manteria o controle sobre o Gemini.

A mudança, contudo, acontece em um contexto de pressão crescente por desempenho. Segundo pessoas ouvidas pela Reuters, testes internos levaram o Google a adiar em dois meses a nova versão principal do Gemini, após resultados abaixo dos obtidos por concorrentes em áreas como programação.

O histórico recente contribuiu para essa pressão. O Gemini havia alcançado brevemente a liderança entre os modelos concorrentes após uma atualização lançada em novembro de 2025, mas perdeu novamente espaço diante dos avanços de empresas rivais.

Fontes familiarizadas com o desenvolvimento atribuíram parte dessa dificuldade a problemas estruturais. A disponibilidade limitada de capacidade computacional e divergências entre diferentes líderes dos projetos teriam dificultado a concentração de recursos em áreas importantes, incluindo programação. A burocracia interna também teria contribuído para um ritmo de lançamentos inferior ao de concorrentes considerados mais ágeis.

Logo do Google em uma fachada
Google – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Nesse cenário, Brin voltou a atuar informalmente junto às equipes responsáveis pelo treinamento dos modelos. De acordo com uma pessoa familiarizada com sua participação, o cofundador passou meses cobrando dos funcionários uma aproximação mais rápida com os sistemas considerados de fronteira.

A influência de Brin também teria alcançado a distribuição de recursos. Entre os temas que receberam sua atenção estava a chamada autoaperfeiçoamento recursivo, conceito associado à possibilidade de sistemas de inteligência artificial aprimorarem suas próprias capacidades sem intervenção humana.

Embora já não exerça cargo executivo, Brin conserva influência decorrente de sua posição como cofundador. A Reuters relatou que ele também havia adotado uma postura de mobilização interna após o lançamento do ChatGPT, em 2022, quando o avanço da tecnologia da OpenAI provocou forte reação dentro do Google.

Hassabis, por sua vez, havia reduzido sua participação direta na gestão do Gemini depois de ajudar a colocar o modelo em funcionamento em 2023. Segundo fontes citadas pela Reuters, responsabilidades relacionadas ao desenvolvimento foram gradualmente transferidas para seus subordinados.

A concentração de autoridade em Kavukcuoglu também pode afetar a relação entre o DeepMind e o Google Cloud. Um dos relatos obtidos pela Reuters aponta que executivos da divisão de computação em nuvem esperam que a mudança reduza conflitos envolvendo a distribuição dos chips de inteligência artificial disponíveis para a empresa, conhecidos como TPUs.

O novo desenho coloca, portanto, a estratégia de modelos, a integração do Gemini aos produtos e as demandas comerciais em uma estrutura mais próxima da sede do Google. Um porta-voz da companhia confirmou à Reuters que Kavukcuoglu terá a palavra final sobre decisões importantes envolvendo o DeepMind.

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Gemini alcança 1 bilhão de usuários e muda o jogo dos chatbots de IA

O ChatGPT e o Gemini chegaram à marca de 1 bilhão de usuários, colocando OpenAI e Google em uma disputa cada vez mais apertada pelo mercado de inteligência artificial.

O ChatGPT ainda parece ter a maior audiência, mas o Gemini vem crescendo em ritmo mais rápido. Com o bilhão alcançado pelos dois serviços, o próximo desafio é transformar essa multidão em uso frequente — e receita.

A corrida dos chatbots mudou de fase. Chegar ao bilhão era o desafio; agora, o problema é fazer essa audiência valer. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Gemini chega ao bilhão

O Google anunciou que o Gemini atingiu 1 bilhão de usuários mensais. Sundar Pichai, CEO da companhia, afirmou no X que o serviço é o produto que mais cresce na história do Google.

Esse é o 14º produto do Google a alcançar a marca. A empresa, porém, não foi a primeira plataforma de IA a chegar lá.

O ChatGPT já havia atingido 1 bilhão de usuários. A OpenAI revelou o número em 6 de agosto, em uma publicação sobre como as pessoas usam inteligência artificial. A porta-voz Lindsay McCallum afirmou que a marca mensal havia sido alcançada algum tempo antes.

Números não contam a mesma história

Comparar diretamente os dois serviços não é simples. Google e OpenAI divulgam métricas diferentes.

Em fevereiro, a OpenAI dizia ter 900 milhões de usuários ativos por semana no ChatGPT. Cinco meses depois, chegou ao bilhão mensal. McCallum não informou quantos usuários mensais a plataforma possui hoje.

O avanço do Gemini foi mais acelerado:

  • 750 milhões de usuários mensais em fevereiro;
  • 950 milhões no fim de julho;
  • 1 bilhão de usuários mensais em agosto;
  • mais de 100 milhões de usuários ativos no iOS.

O último número foi divulgado por Josh Woodward, responsável pelo Gemini. A plataforma também está presente nos aparelhos Android, o que representa uma vantagem importante para o Google.

O Google tem uma carta na manga

Os números divulgados pelo Google parecem se referir ao aplicativo Gemini. As diferentes integrações da ferramenta nos produtos da companhia não entram nessa conta.

O Gemini instalado em smartphones Android aparentemente faz parte da métrica. Como o Google controla o sistema operacional, essa distribuição oferece ao serviço uma porta de entrada que a OpenAI não possui.

A situação ajuda a entender o interesse da OpenAI em desenvolver hardware próprio.

Tela de smartphone exibe ícones de chatbots de IA como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot
O ChatGPT continua como o chatbot mais conhecido, mas sua antiga vantagem sobre os concorrentes parece ter diminuído. – Imagem: jackpress / Shutterstock

A liderança está em disputa

A diferença entre as empresas diminuiu ao longo deste ano. O Claude Code ganhou espaço e pressionou a OpenAI a avançar com o Codex. O Google, enquanto isso, ampliou a presença do Gemini em seus produtos.

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Os modelos também vêm se alternando na liderança, enquanto soluções chinesas entram com mais força na disputa.

O ChatGPT continua sendo o chatbot de IA mais conhecido e aparentemente o mais popular. Sua vantagem, contudo, já não parece tão grande. A corrida pelo primeiro bilhão acabou. Agora começa outra: descobrir como fazer essa enorme quantidade de usuários continuar usando as ferramentas — e pagar por elas.

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Resumo de IA no Google pode virar atalho e deixar jornais sem leitores

A disputa entre jornais franceses e o Google ganhou um novo capítulo após a chegada dos resumos gerados por inteligência artificial às buscas. A associação que reúne quase 300 jornais afirma que o recurso pode reduzir o tráfego dos sites e cobra o cumprimento de compromissos assumidos anteriormente pela empresa.

O grupo também questiona o uso de conteúdos jornalísticos nos recursos de IA sem uma compensação considerada adequada.

O Google passou a colocar resumos de IA acima dos links tradicionais, mudando o caminho entre a busca e a notícia. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Jornais temem perder espaço para a IA

O centro da discussão é o AI Overviews, lançado na França no fim de julho. O recurso exibe um resumo produzido por inteligência artificial acima dos resultados tradicionais, reunindo informações de diferentes fontes.

Para os jornais, a mudança pode afetar diretamente o número de acessos. Se a resposta já aparece no Google, parte dos usuários pode não clicar nos links e deixar de visitar os sites que produziram o conteúdo original.

A associação APIG apresentou uma reclamação à autoridade de concorrência francesa e quer que o Google respeite compromissos firmados com grupos de mídia em 2022.

Entre os pontos levantados estão:

  • uso de conteúdos jornalísticos nos novos resumos de IA;
  • ausência de consentimento dos veículos, segundo a associação;
  • possível redução do tráfego para os sites dos jornais;
  • pedido de compensação pelo uso do conteúdo;
  • cobrança para que o Google respeite o acordo de 2022.

“Não queremos interromper a inovação”

Marc Feuillée, presidente da APIG e diretor-geral do jornal Le Figaro, destacou a importância das informações produzidas pelos veículos.

“A informação tem um valor considerável”, afirmou.

A entidade também deixou claro que não pretende barrar o avanço da inteligência artificial.

Os editores não estão tentando interromper a inovação. Eles estão pedindo que esse valor seja compartilhado e que haja compensação pelo uso de seu conteúdo.

Marc Feuillée, presidente da APIG e diretor-geral do jornal Le Figaro, em nota.

A disputa ocorre em um cenário difícil para a imprensa. Nas últimas duas décadas, muitos grupos de mídia viram suas receitas diminuir à medida que a publicidade migrou para a internet, onde empresas de tecnologia passaram a concentrar uma parcela significativa dos ganhos.

Logo do Google em uma tela de smartphone ao lado de um chip artisticamente concebido com os dizeres "AI"
A inteligência artificial está mudando até a forma como o público encontra e acessa notícias na internet. – Imagem: FotoField/Shutterstock

Google defende os resumos de IA

O Google afirma que os resumos permitem fazer perguntas mais complexas e ajudam os usuários a descobrir novos conteúdos. A empresa também diz oferecer controles para que os editores administrem o uso de seus materiais.

A questão, porém, não começou agora. Em 2024, a autoridade de concorrência francesa multou o Google em 250 milhões de euros, cerca de R$ 1,47 bilhão, por não respeitar partes do acordo firmado com grupos de mídia.

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Em dezembro de 2025, a União Europeia anunciou uma investigação para verificar se o Google violou regras de concorrência ao usar conteúdos publicados por veículos de comunicação e outros editores para treinar e fornecer serviços de IA sem compensação adequada.

O caso mostra que a expansão da inteligência artificial também está mexendo com a relação entre buscadores e produtores de conteúdo. Para os jornais, a preocupação é clara: manter o valor de um material jornalístico quando a resposta ao usuário pode aparecer antes mesmo do clique no site original.

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