O Departamento de Defesa dos Estados Unidos formalizou acordos com sete empresas de tecnologia para integrar ferramentas de inteligência artificial em seus sistemas. A iniciativa marca um novo passo na estratégia do Pentágono para ampliar o uso de IA em operações militares e acelerar a adoção no dia a dia das Forças Armadas.
As sete companhias são: OpenAI, Google, Microsoft, Amazon Web Services (AWS), NVIDIA, SpaceX e a startup Reflection AI. Com os contratos, o governo americano passa a utilizar modelos e plataformas dessas empresas em ambientes confidenciais, incluindo redes de alto nível de segurança conhecidas como Níveis de Impacto 6 e 7.
Segundo o Departamento de Defesa, a medida busca ampliar o acesso de militares a ferramentas de ponta. A principal plataforma interna do órgão, a GenAI.mil, já foi utilizada por mais de 1,3 milhão de funcionários em apenas cinco meses de operação.
A expansão ocorre em meio a uma corrida global por aplicações militares de IA. Empresas do Vale do Silício têm demonstrado maior disposição em colaborar com o governo americano, aceitando condições para o uso de suas tecnologias em contextos de defesa. Para autoridades, o objetivo é garantir vantagem estratégica frente às rivais.
Anthropic foi classificada como risco à cadeia de suprimentos e está impedida de fechar contratos governamentais – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock
Anthropic ficou de fora
Apesar da ampliação da lista de parceiros, uma ausência chama atenção: a Anthropic. A empresa, que já teve seus modelos amplamente utilizados em ambientes militares, foi recentemente classificada pelo Pentágono como um risco à cadeia de suprimentos, após divergências sobre as regras de uso de suas ferramentas. O Olhar Digital explicou a briga aqui.
A disputa entre a startup e o governo se arrasta há meses. Durante esse período, o governo dos EUA passou a priorizar alternativas para reduzir a dependência de um único fornecedor.
Em declarações recentes, Emil Michael , subsecretário de defesa para pesquisa e engenharia e ex-executivo de tecnologia, afirmou que a Anthropic ainda representa um risco, mas que o modelo Mythos é um “momento de segurança nacional à parte”.
O cenário, no entanto, pode mudar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou recentemente que a desenvolvedora está “melhorando” aos olhos da administração, o que pode abrir caminho para uma eventual reversão da restrição e um novo acordo com o Pentágono.
Pentágono não quer depender de uma única empresa – Imagem: Keith J Finks/Shutterstock
Pentágono na corrida pela IA militar
Os novos acordos também refletem diferentes abordagens tecnológicas. Enquanto empresas como OpenAI e Google operam majoritariamente com modelos fechados, a inclusão da Nvidia e da Reflection indica o interesse crescente do Pentágono em soluções de código aberto. Esses modelos permitem maior personalização e transparência, características vistas como estratégicas em aplicações militares.
“A segurança é francamente aprimorada com o código aberto”, disse Jensen Huang, CEO da NVIDIA, ao defender esse tipo de abordagem em contextos de segurança nacional.
Ao mesmo tempo, empresas envolvidas nos contratos afirmam ter estabelecido limites para o uso de suas tecnologias, incluindo restrições relacionadas a vigilância em massa e armamentos autônomos. O Departamento de Defesa, por sua vez, declarou que seguirá as leis e diretrizes aplicáveis no uso dessas ferramentas.
O Google anunciou uma mudança significativa em uma das ferramentas de segurança mais utilizadas da internet, o reCAPTCHA, conhecido popularmente pelo teste “eu não sou um robô”. A reformulação marca uma resposta direta ao avanço dos agentes de inteligência artificial (IA), que já conseguem simular comportamentos humanos com facilidade.
A alteração foi apresentada durante o evento Google Cloud Next, junto com o lançamento do Gemini Enterprise Agent Platform, conjunto de serviços voltado para empresas que desejam adotar modelos baseados em agentes de IA, descritas como “empresas agênticas”.
Novo sistema será dotado de QR Codes sempre que necessário – Imagem: Divulgação/Google
Teste de robô do Google vai mudar
O reCAPTCHA, criado originalmente para impedir acessos automatizados, passa agora a se chamar Google Cloud Fraud Defense;
A nova proposta amplia o escopo da ferramenta, que deixa de focar apenas na distinção entre humanos e bots tradicionais para incluir também agentes de IA, considerados a nova fronteira tecnológica;
Esses agentes são capazes de executar tarefas de forma autônoma em nome dos usuários, como acessar sites, comparar preços, realizar reservas e efetuar pagamentos;
Ao mesmo tempo, esse tipo de tecnologia pode ser explorado para acessos indevidos a serviços, colocando em risco o funcionamento de plataformas digitais.
Segundo o Google, a nova solução busca preparar a internet para esse cenário, descrito como “web agêntica”. Para isso, a ferramenta passa a monitorar a atividade desses agentes nos sites, identificando, classificando e analisando o tráfego gerado por eles. Além disso, será possível conectar identidades humanas às dos agentes, com o objetivo de avaliar riscos associados aos acessos.
O sistema também utilizará sinais de risco, tipos de automação e a identidade dos agentes para bloquear entradas consideradas suspeitas. Em casos em que um agente tente se passar por uma pessoa, será exigida uma comprovação de identidade humana por meio do escaneamento de um QR Code com o celular.
Apesar das mudanças, o Google afirma que o reCaptcha continuará existindo. No entanto, com a expansão dos agentes de IA, a empresa indica que métodos, como o uso de QR Codes, podem substituir gradualmente a tradicional verificação baseada na frase “eu não sou um robô”.
Big tech quer preparar a internet para a era da “web agêntica” – Imagem: ZikG/Shutterstock
De acordo com a empresa, a atualização estabelece uma nova camada de proteção diante de um cenário em que o tráfego inválido gerado por bots tende a evoluir para fraudes massivas de identidade conduzidas por agentes de IA.
Ainda que a mudança seja praticamente invisível para a maioria dos usuários, o novo sistema atuará em diferentes etapas da navegação, desde o cadastro e login em sites até processos de pagamento. O objetivo é acompanhar toda a jornada desses agentes, que se tornam cada vez mais autônomos ao circular por plataformas digitais.
Segundo informações do The Washington Post, centenas de funcionários do Google encaminharam uma carta ao CEO, Sundar Pichai, nesta segunda-feira (27), na qual pedem ao executivo que impeça o Pentágono de usar a inteligência artificial (IA) da empresa para trabalhos confidenciais.
O pedido vem dois meses após a rival Anthropic ser dispensada pelo Departamento de Defesa por se opor à mesma solicitação do órgão federal. A carta foi assinada por mais de 600 trabalhadores, sendo boa parte dos que trabalham no braço de IA do Google, o DeepMind.
Segundo o Post, eles pedem que Pichai não firme acordos com a Defesa que permitam o uso da IA da empresa de forma restrita. O documento alega que tal uso impediria que os representantes da big tech soubessem como a tecnologia da empresa estaria sendo utilizada.
Na carta, os funcionários dizem o seguinte: “Queremos ver a IA beneficiar a humanidade; não queremos vê-la sendo usada de maneiras desumanas ou extremamente prejudiciais. Isso inclui armas autônomas letais e vigilância em massa, mas vai muito além.”
Carta foi endereçada ao CEO Sundar Pichai – Imagem: photosince/Shutterstock
“A única maneira de garantir que o Google não seja associado a tais danos é rejeitar quaisquer cargas de trabalho classificadas. Caso contrário, tais usos podem ocorrer sem nosso conhecimento ou poder para impedi-los”, prossegue o documento.
“Vidas humanas já estão sendo perdidas e liberdades civis estão em risco, tanto no país quanto no exterior, devido ao uso indevido da tecnologia que estamos ajudando a construir”, escreveram, sem especificar qual seria essa tecnologia.
A carta insta o Google a declinar qualquer trabalho classificado de uso restrito para garantir que a tecnologia da empresa não seja utilizada de maneiras que possam prejudicar direitos civis ou humanos.
O Google não respondeu a pedido de comentário do Post. O Olhar Digital também tentou contato com a empresa e aguarda retorno.
A carta aparece em momento no qual a IA está no cerne das guerras atuais, com a indústria debatendo se as empresas do setor ou seus funcionários devem ter voz ativa sobre como os militares usam a tecnologia;
Líderes do Pentágono dizem que precisam de liberdade para utilizar a IA comercial “para todos os usos legais” — expressão que, de acordo com autoridades, permite flexibilidades em várias situações, mas seguindo em conformidade com a legislação e procedimentos militares estadunidenses;
Contudo, alguns especialistas em IA alegam que tais garantias são insuficientes;
No ano passado, o Claude, modelo de IA da rival Anthropic, foi rapidamente integrado aos sistemas militares dos EUA para análise de dados e identificação de alvos em potencial, segundo o Post;
Contudo, em fevereiro, empresa e Defesa entraram em litígio após a startup tentar incluir uma cláusula no contrato que garantisse que seu modelo não seria usado para vigilância em massa, tampouco para alimentar armas autônomas letais.
Essa disputa fez crescer o escrutínio sobre outras empresas do setor, como Google e OpenAI, que também fornecem tecnologia de IA para o Pentágono.
Ainda em fevereiro, pouco tempo depois de o Pentágono ter dispensado a Anthropic, a OpenAI fez um contrato com o órgão para fornecimento de IA para cargas de trabalho confidenciais.
O CEO e cofundador, Sam Altman, disse estar confiante de que o contrato firmado garante que a tecnologia da startup não será usada para vigilância em massa em solo estadunidense nem para equipar armas autônomas letais.
Contrato do Google deve ser similar ao da OpenAI – Imagem: JRdes/Shutterstock
Google também vive dilema antigo por uso militar
O Google, por sua vez, é reincidente quando se trata de debater o uso ou não de sua IA de forma militar. Em 2018, a companhia desistiu de renovar um acordo que detinha com o Pentágono, que previa o uso de sua IA para reconhecimento de objetos em imagens de drones. A decisão foi tomada após os funcionários se juntarem (novamente) e criarem uma petição pedindo o fim da parceria.
Após o ocorrido, o Google prometeu que sua IA não seria usada para armas ou vigilância. Mas, nos últimos anos, a empresa fortaleceu sua busca por acordos comerciais com os militares dos EUA. No ano passado, a big tech foi além e removeu suas restrições quanto ao uso de IA para armas e vigilância. Em dezembro, firmou contrato com a Defesa para usar o Gemini.
O Google informou, nesta quarta-feira (22), que 75% do novo código desenvolvido internamente pela empresa já é gerado por inteligência artificial (IA), sendo posteriormente revisado por engenheiros humanos.
O índice vem crescendo de forma consistente nos últimos anos. Em outubro de 2024, cerca de um quarto do código da empresa era produzido com auxílio de IA. Já no outono (nos EUA) passado, esse percentual havia subido para 50%.
Big tech incentiva o uso de IA na programação
Segundo a Business Insider, a companhia tem incentivado seus funcionários a adotarem ferramentas de inteligência artificial tanto para programação quanto para outras atividades;
Em publicação em blog nesta quarta, o CEO, Sundar Pichai, afirmou que o Google está migrando para “fluxos de trabalho verdadeiramente agentivos”, nos quais engenheiros passam a operar tarefas mais autônomas;
“Recentemente, uma migração de código particularmente complexa, realizada por agentes e engenheiros trabalhando juntos, foi concluída seis vezes mais rápido do que era possível há um ano apenas com engenheiros”, disse Pichai.
Sundar Pichai disse que empresa está migrando para “fluxos de trabalho verdadeiramente agentivos” – Imagem: photosince/Shutterstock
Os engenheiros do Google utilizam modelos Gemini para a geração de código. Alguns profissionais também receberam metas específicas relacionadas ao uso de inteligência artificial, que serão consideradas nas avaliações de desempenho deste ano.
Nos últimos meses, funcionários do Google DeepMind foram autorizados a utilizar o Claude Code, ferramenta da Anthropic. A medida, no entanto, gerou tensões internas entre colaboradores, segundo reportagem anterior do Business Insider.
Gemini Enterprise: a plataforma que posiciona o Google como grande ator na era dos agentes de IA
O Google Cloud Next 2026 acontece de 22 a 24 de abril em Las Vegas. A conferência reúne especialistas da área de tecnologia e representantes de diferentes empresas.
Nesta quarta-feira (22), o Google anunciou no evento Google Cloud Next 2026 uma nova infraestrutura de dados baseada em inteligência artificial, intitulada Agentic Data Cloud. A proposta é criar uma nuvem/rede de dados que forneça a alta eficiência que agentes de IA requerem para funcionar sem gargalos.
Isto é, em vez de sistemas que apenas armazenam informações ou respondem a perguntas, a empresa defende a criação de plataformas capazes de interpretar dados, tomar decisões e executar ações de forma autônoma.
O desenvolvimento desta tecnologia é justificado porque a arquitetura de software passada, ainda utilizada pelas IAs generativas, não dará conta das necessidades dos agentes de IA, que ao invés de precisarem de um comando para agir, trabalham ‘autonomamente’.
Além disso, a proposta procura superar problemas comuns nos modelos tradicionais de dados, como a dispersão das informações em diferentes sistemas, a complexidade na gestão e controle dos dados, e a ausência de uma camada de significado semântico.
Ou seja, a dificuldade das máquinas em interpretar o verdadeiro sentido dos dados corporativos. Segundo o Google, quando esse nível de compreensão não existe, os agentes de inteligência artificial acabam produzindo respostas menos precisas ou até incompletas.
Entre os destaques apresentados estão novas soluções voltadas à integração de dados, à padronização dos significados dentro das organizações e à conexão entre sistemas distribuídos em múltiplas nuvens, incluindo Google Cloud, AWS e Azure. Essa estratégia multicloud tem como objetivo diminuir as limitações de integração entre plataformas de diferentes fornecedores e viabilizar a circulação constante de dados entre variados ambientes corporativos.
Além disso, a empresa introduziu funcionalidades que automatizam processos de engenharia de dados e oferecem análise em formato conversacional, possibilitando que usuários consultem e explorem bases complexas utilizando linguagem natural. Na prática, isso diminui a dependência de consultas técnicas complexas e da geração manual de relatórios, tornando o acesso aos sistemas de dados mais direto para usuários de áreas de negócio.
O que é o Google Cloud Next?
Banner do evento Google Cloud Next 2026 (Divulgação: Google) – (Divulgação: Google)
O Google Cloud Next é uma conferência anual na qual a empresa divulga novidades relacionadas à computação em nuvem, cibersegurança, inteligência artificial, novos produtos e muito mais.
A edição de 2026 ocorre entre os dias 22 e 24 de abril no Mandalay Bay Convention Center, Las Vegas (EUA). O evento é destinado a desenvolvedores, engenheiros de dados, profissionais de TI e jornalistas que cobrem tecnologia.
O que é o Agentic Data Cloud?
Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital
O Agentic Data Cloud é a principal proposta apresentada pelo Google para a nova geração de infraestrutura de dados.
Em vez de enxergar os dados como um armazenamento fixo e passivo, essa abordagem os converte em um ecossistema ativo e em constante movimentação, no qual agentes de inteligência artificial interpretam as informações e interagem diretamente com os sistemas das empresas. Isso transforma a própria infraestrutura de dados em um “motor de decisão” automatizado.
O objetivo central é aproximar o momento de compreensão dos dados da execução de ações práticas, o que diminui a separação entre análise e operação. Com isso, é possível automatizar processos corporativos de maneira mais abrangente, eficiente e com maior capacidade de decisão inteligente.
O objetivo final é desenvolver sistemas corporativos que vão além de apenas fornecer informações, passando também a realizar tarefas de maneira automática e contínua.
Ilustração de várias linhas de código (Reprodução: Rahul Mishra/Unsplash)
Um dos fundamentos do sistema é o chamado Knowledge Catalog, que representa uma evolução das ferramentas tradicionais de catalogação de dados.
Ele estabelece uma camada de significado sobre as informações corporativas, garantindo que termos como “lucro”, “cliente ativo” ou “margem” tenham definições padronizadas e consistentes. Dessa forma, evita-se que a inteligência artificial dependa de interpretações ambíguas ou inconsistentes desses conceitos.
Processamento de dados não estruturados
A solução também inclui a capacidade de analisar automaticamente conteúdos não estruturados, como arquivos PDF, imagens e documentos diversos.
Esses materiais passam a ser interpretados por modelos de IA, que conseguem identificar entidades, relações entre informações e contexto, tornando a exploração desses dados mais simples e acessível para os agentes.
Integração entre sistemas corporativos
Imagem: Apichatn/Shutterstock
Outro elemento importante é a integração com plataformas corporativas externas, como Salesforce, SAP e Workday. Essa conectividade permite que dados antes fragmentados e isolados em diferentes sistemas sejam reunidos dentro de uma única camada contextual, facilitando o acesso e a utilização conjunta das informações.
Além disso, o Google ressaltou a adoção do conceito de “zero-copy federation”, uma abordagem que possibilita consultar e utilizar dados distribuídos em diferentes sistemas sem a necessidade de copiá-los ou transferi-los fisicamente.
Com isso, há uma redução de custos operacionais, eliminação de duplicidades e maior agilidade no acesso às informações por agentes de inteligência artificial.
O projeto também projeta mudanças de funções para programadores
Mulher programando um software (Imagem: gorodenkoff/iStock)
Outro aspecto fundamental da proposta envolve uma mudança no papel de engenheiros de dados e desenvolvedores. Em vez de construírem manualmente pipelines e integrações, esses profissionais passam a desempenhar uma função mais voltada à coordenação e supervisão de agentes de inteligência artificial.
Nesse contexto, o Google apresentou o Data Agent Kit, um conjunto de ferramentas que pode ser incorporado a ambientes de desenvolvimento já utilizados, como o VS Code e terminais de programação. A proposta é viabilizar que a própria IA produza código de forma automatizada, selecione frameworks adequados e organize fluxos de dados com maior autonomia.
Dentro desse ecossistema, também foram apresentados agentes com funções específicas, como:
O Data Engineering Agent, responsável por automatizar a criação de pipelines e assegurar práticas de governança de dados;
O Data Science Agent, que apoia o treinamento e a gestão do ciclo de vida de modelos de inteligência artificial;
E o Database Observability Agent, voltado ao monitoramento de bancos de dados e à detecção de falhas em tempo real.
Infraestrutura multicloud e eliminação de silos
O Google também enfatizou o desenvolvimento de uma arquitetura de dados multicloud, voltada a permitir que organizações integrem diferentes provedores de nuvem sem comprometer o desempenho.
Essa abordagem contempla conexões diretas com AWS e Azure, além da adoção de padrões abertos baseados em tecnologias como Apache Iceberg, o que possibilita a leitura e o compartilhamento de dados entre diversas plataformas sem a necessidade de migração.
Outro destaque mencionado foi o Spanner Omni, uma solução que viabiliza a execução do banco de dados global do Google em múltiplos ambientes, incluindo outras nuvens e infraestruturas locais, preservando a consistência dos dados e garantindo alta disponibilidade.
O Google Cloud Next 2026 acontece de 22 a 24 de abril em Las Vegas. A conferência reúne especialistas da área de tecnologia e representantes de diferentes empresas. Entre os principais anúncios do ano está o Gemini Enterprise. Uma plataforma para criar e administrar agentes de inteligência artificial, capaz de reunir, em um só lugar, funcionários, aplicativos e dados de empresas. Nela, equipes de desenvolvedores podem construir ferramentas que atendam às necessidades de cada organização de forma integrada às operações de TI.
De acordo com Brian Delahunty, VP de Engenharia, e Michael Gerstenhaber, VP de Gerenciamento de Produto, ambos da divisão de Cloud AI do Google Cloud, o Gemini Enterprise é “um sistema de ponta a ponta para a era dos agentes, construído para agentes que podem executar processos de trabalho complexos e de várias etapas. Ele combina o acesso a modelos de IA, uma interface intuitiva, uma estrutura de desenvolvimento segura e a capacidade de implementar agentes em escala com sucesso.” A solução é considerada a sucessora da Vertex AI, plataforma de desenvolvimento unificada para criar e utilizar IA generativa.
Confira abaixo os principais anúncios e detalhes relacionados ao ecossistema do Gemini Enterprise:
Gemini Enterprise Agent Platform
A plataforma oferece recursos para que as empresas possam construir, escalar, gerenciar e otimizar agentes, permitindo que operem de forma autônoma em fluxos de trabalho complexos. A escala é garantida pelos “bancos de memória” e “perfis de memória”, recursos que asseguram aos agentes uma memória contextual de longo prazo.
Além disso, o sistema disponibiliza acesso a mais de 200 modelos por meio do Model Garden (Jardim de Modelos). Entre os destaques estão o Gemini 3.1 Pro, Gemini 3.1 Flash Image e Lyria 3, além de modelos abertos, como o Gemma 4, e opções de terceiros, como o Claude Opus e Sonnet.
Gemini Enterprise App
O Gemini Enterprise app permite que as equipes acessem e executem os agentes criados na plataforma, além de possibilitar a criação e o compartilhamento desses agentes. O aplicativo integra informações corporativas, incluindo dados armazenados em sistemas de terceiros.
O Canvas permite criar e editar em equipe – Imagem: Google Cloud/Reprodução
O software também permite a colaboração entre membros de uma mesma equipe por meio do Projects. Ele funciona de maneira similar ao Google Docs, permitindo o compartilhamento e a edição conjunta de um mesmo projeto. Outra ferramenta colaborativa é o Canvas, um editor interativo para cocriar e editar no Google Docs e Slides, sendo possível exportar os arquivos para os formatos comuns do Microsoft Office.
Interação entre empresas
A integração do ecossistema permite, ainda, ativar agentes de outras empresas parceiras do Google Cloud Marketplace. Isso ocorre por meio da Agent Gallery, que contém uma coleção de agentes validados de líderes de SaaS e startups inovadoras, como Adobe, Salesforce, ServiceNow e Workday.
A “galeria de agentes” reúne os agentes de IA da empresa e de terceiros – Imagem: Google/Cloud
De acordo com o Google Cloud, o Gemini Enterprise viabiliza o gerenciamento de permissões e atividades de forma segura. A plataforma oferece o mesmo nível de supervisão e auditabilidade encontrado em aplicações de negócios essenciais, como sistemas de folha de pagamento ou relatórios financeiros trimestrais.
Nesta quarta-feira (22), um dos destaques do Google Cloud Next 2026 foi a apresentação da oitava geração de chips (processadores): peças de hardware projetadas para alimentar supercomputadores com inteligência artificial, desenvolvidos sob medida. Ao todo, dois chips foram divulgados: o TPU 8t e o TPU 8i.
O Google destaca que esses periféricos impulsionaram o funcionamento do Gemini e são úteis para treinar IA, criar novos agentes de IA, e auxiliar chatbots de IA a responderem o questionamento dos usuários com maior eficácia.
A companhia ainda destaca que as novas peças podem rodar inteligência artificial em grande escala, ou seja, atendendo a milhões de usuários, e até a consumir menos energia para funcionar.
A justificativa por trás do desenvolvimento dos novos processadores é a maior demanda de trabalho, ocasionada pelo número crescente de usuários que acessam a inteligência artificial. Com o novo poder de processamento, é possível executar fluxos de trabalho com muito mais etapas.
O resultado deste projeto é fruto de uma parceria com o departamento Google DeepMind, o laboratório da empresa focado em pesquisa com IA.
O que é o Google Cloud Next?
Banner do evento Google Cloud Next 2026 (Divulgação: Google) – (Divulgação: Google)
O Google Cloud Next é uma conferência anual na qual a empresa divulga novidades relacionadas à computação em nuvem, cibersegurança, inteligência artificial, novos produtos e muito mais.
A edição de 2026 ocorre entre os dias 22 e 24 de abril no Mandalay Bay Convention Center, Las Vegas (EUA). O evento é destinado a desenvolvedores, engenheiros de dados, profissionais de TI e jornalistas que cobrem tecnologia.
Conheça os novos processadores de IA do Google: TPU 8t e TPU 8i
Após a alta demanda de tarefas para os chatbots alimentados por inteligência artificial, as empresas de tecnologia (como o Google) desenvolveram algo mais “autônomo”: agentes de IA, softwares programados para executar tarefas de forma ‘autônoma’.
O Google justifica a criação dos novos processadores TPU 8t e TPU 8i como uma forma de criar agentes de IA que raciocinassem mais rápido para executar um maior fluxo de trabalho, com múltiplas etapas, e capazes de aprender com suas próprias ações em ciclos contínuos.
Nisso, a empresa comenta que ficou mais de uma década desenvolvendo os processadores e que produziu duas versões de chips para cada uma obter uma especialização diferente quanto ao ganho de eficiência e desempenho.
Ou seja, a IA ficou mais complexa com o passar dos anos e novos hardwares precisaram ser construídos. Sobre os chips do Google, um é especializado em treinar modelos ‘gigantes’ e o outro é indicado para rodar a IA no ‘mundo real’.
Essa divisão torna tudo mais barato e eficiente. Confira a diferença entre ambos abaixo.
O TPU 8t foi desenvolvido com foco no treinamento de sistemas de inteligência artificial em larga escala. Ele se destaca por ser ajustado para lidar com cargas de trabalho extremamente exigentes, que demandam alto desempenho computacional e comunicação eficiente entre diversos chips.
Sua finalidade é tornar mais rápido o avanço de modelos complexos, encurtando processos de treinamento que antes levavam meses para apenas algumas semanas. Para isso, conta com grande capacidade de processamento, elevada taxa de transferência de dados entre os componentes e acesso ágil a grandes volumes de informação, permitindo que estruturas amplas operem de maneira integrada.
Além disso, o TPU 8t foi pensado para funcionar em ambientes de grande escala, reunindo milhares de unidades que atuam como um único sistema coeso. Ele busca aproveitar ao máximo o tempo de execução, reduzindo interrupções e falhas que poderiam comprometer o progresso do treinamento.
Esse aspecto é crucial em projetos de IA de grande porte, onde qualquer perda de eficiência pode significar atrasos significativos. Assim, esse processador tem como prioridade oferecer desempenho elevado aliado à confiabilidade durante longos períodos de operação contínua.
Esse tipo de arquitetura opera em uma escala extremamente ampla. Um único cluster baseado no TPU 8t pode integrar até cerca de 9.600 chips atuando de forma coordenada, todos conectados a um sistema de memória compartilhada de altíssima capacidade.
Com isso, modelos de inteligência artificial muito grandes conseguem utilizar esse conjunto como se fosse um único supercomputador unificado. A interligação entre os chips também foi otimizada, garantindo taxas de comunicação mais rápidas em comparação com gerações anteriores.
Sistema de hardware equipado com o chip TPU 8t (Divulgação: Google) – (Divulgação: Google)
Outro ponto importante é a capacidade de expansão. Mesmo quando o sistema cresce para dezenas de milhares ou até mesmo milhões de chips operando em conjunto, ele mantém um nível elevado de eficiência e desempenho.
Isso é viabilizado por uma combinação de redes especializadas e softwares de gerenciamento que organizam o tráfego de dados e coordenam as tarefas entre todos os componentes.
Além disso, essa infraestrutura foi projetada com foco em alta confiabilidade. Caso alguma parte do sistema apresente falhas, o processamento não precisa ser interrompido: o próprio sistema identifica automaticamente os problemas e se reorganiza para continuar funcionando.
O TPU 8i, em contraste, é voltado para a fase de inferência, isto é, quando os modelos de inteligência artificial já estão treinados e passam a ser utilizados no dia a dia. Sua otimização é direcionada para o processamento rápido de respostas, priorizando baixa latência e um uso eficiente dos recursos de memória.
Esse tipo de arquitetura é especialmente importante em aplicações que exigem interação imediata, muitas vezes envolvendo vários sistemas de IA atuando em conjunto e trocando dados em tempo real.
Para atender a esse cenário, o TPU 8i foi projetado para minimizar atrasos e manter o máximo de informações possível próximas do processador, reduzindo o tempo de acesso aos dados. Ele também aprimora a troca de informações entre diferentes componentes do sistema, algo essencial quando múltiplos modelos precisam colaborar em tarefas mais complexas.
Assim, seu principal objetivo é assegurar respostas rápidas, consistentes e eficientes, mesmo quando há uma grande quantidade de solicitações acontecendo simultaneamente.
O TPU 8i foi projetado para maximizar o aproveitamento dos processadores, reduzindo ao mínimo os períodos em que eles ficam sem trabalho. Para isso, ele combina grandes volumes de memória de alta velocidade com armazenamento integrado ao próprio chip, o que garante que os dados necessários aos modelos estejam sempre acessíveis sem depender constantemente de sistemas externos.
Novos processadores TPU do Google: 8t (a esquerda) e 8i (a direita). (Divulgação: Google) – (Divulgação: Google)
Em termos de arquitetura, ele também recebeu melhorias no desempenho computacional, incorporando mais unidades de processamento por servidor e utilizando CPUs baseadas em designs personalizados da arquitetura ARM.
Outro destaque é a adaptação para modelos modernos de inteligência artificial, especialmente aqueles que utilizam a abordagem de mistura de especialistas (MoE), na qual diferentes partes do modelo são ativadas conforme a necessidade. Para suportar esse tipo de carga, o TPU 8i reforça significativamente a comunicação entre chips, diminuindo gargalos e tornando o fluxo de dados mais rápido.
O Google anunciou nesta quinta-feira (16) uma atualização significativa para o Gemini que promete tornar a geração de imagens muito mais pessoal e menos trabalhosa. Por meio do recurso “Personal Intelligence” (Inteligência Pessoal), a IA agora pode acessar dados de aplicativos conectados, como o Google Fotos, para criar imagens que refletem automaticamente os gostos, o estilo de vida e até o rosto do usuário e de seus familiares.
A novidade utiliza o modelo de imagem de última geração Nano Banana 2. Segundo o comunicado oficial, o objetivo é eliminar a necessidade de prompts longos e complexos. Em vez de descrever cada detalhe, o usuário pode dar ordens simples, e o Gemini usará o contexto que já possui para “preencher as lacunas”.
IA que conhece você
Com a nova integração, o Gemini passa a ter uma compreensão inerente das preferências do usuário desde o início. Se você pedir para a IA “projetar a casa dos meus sonhos”, o resultado refletirá escolhas estéticas baseadas no seu histórico e contexto colhidos nos apps do Google.
O maior destaque, porém, é a integração com a biblioteca de fotos. O Gemini pode usar fotos reais de você, de seus amigos, familiares e até animais de estimação para guiar a criação.
Uso de etiquetas: a IA aproveita as etiquetas que você já criou no Google Fotos para identificar pessoas e pets.
Comandos criativos: é possível pedir, por exemplo, para “criar uma imagem em estilo massinha de mim e minha família curtindo nossa atividade favorita”, e a IA gerará a cena automaticamente com base nas referências visuais da sua galeria.
Estilos artísticos: o recurso suporta diversos estilos, como aquarela, esboços a carvão ou pinturas a óleo.
Privacidade e controle
Um ponto crítico abordado pelo Google é a privacidade. A empresa enfatizou que não treina seus modelos de IA diretamente na sua biblioteca privada do Google Fotos. O treinamento ocorre apenas em “informações limitadas”, como os prompts específicos enviados ao Gemini e as respostas geradas pelo modelo.
Para garantir que o usuário mantenha o controle criativo, foram adicionadas ferramentas de ajuste:
Refinamento: se a imagem não ficar correta, você pode dizer ao Gemini o que está errado ou clicar no ícone “+” para selecionar manualmente uma foto de referência diferente no Google fotos.
Botão de fontes: um novo botão “Sources” mostrará exatamente qual foto da sua biblioteca foi selecionada automaticamente para guiar a criação.
Transparência: segundo o portal The Verge, o porta-voz do Google, Elijah Lawal, confirmou que o sistema usa as etiquetas do Google Fotos para identificar as pessoas, mas o usuário pode questionar a IA sobre as atribuições usadas em cada imagem.
Disponibilidade
Por enquanto, a experiência está sendo lançada gradualmente para assinantes dos planos Google AI Plus, Pro e Ultra localizados nos Estados Unidos. O Google planeja expandir o recurso para o Gemini no Chrome (desktop) e para mais usuários em breve.
A Alphabet, controladora do Google, está em negociações com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para permitir o uso de seus modelos de inteligência artificial (IA) Gemini em ambientes com informações sigilosas. A informação foi publicada nesta quinta-feira (16) pelo site The Information, com base em duas fontes com conhecimento direto das conversas.
Segundo o relatório, o acordo em discussão permitiria ao Pentágono utilizar a tecnologia do Google para todos os usos legais, ampliando a presença da empresa no setor governamental. As tratativas ocorrem em um contexto de crescente adoção de inteligência artificial por órgãos federais dos EUA, com foco em redução de custos e maior agilidade administrativa.
Gemini, IA do Google, pode passar a ser utilizada em ambientes com informações sigilosas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos – Imagem: Poetra.RH/Shutterstock
Proposta inclui restrições ao uso da IA
Durante as negociações, o Google teria sugerido a inclusão de cláusulas específicas para limitar a aplicação de seus sistemas. Entre os pontos propostos está a proibição do uso da IA em vigilância doméstica em massa e em armas autônomas sem controle humano adequado.
A inclusão dessas condições indica uma tentativa da empresa de estabelecer diretrizes para o uso responsável da tecnologia, mesmo em cenários sensíveis como operações militares e ambientes classificados.
Até o momento, nem a Alphabet nem o Departamento de Defesa responderam aos pedidos de comentário feitos pela Reuters sobre o possível acordo.
Estratégia amplia presença do Google no governo
Um eventual contrato com o Pentágono pode fortalecer os laços da Alphabet com o governo dos Estados Unidos, em um momento em que o país intensifica a incorporação de soluções baseadas em IA em suas operações internas.
A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo do governo norte-americano para modernizar processos, reduzir despesas e aumentar a eficiência administrativa por meio de novas tecnologias.
Mudança de nome do departamento está em discussão
Paralelamente às negociações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Defesa passe a se chamar Departamento de Guerra. A mudança, no entanto, ainda depende de aprovação do Congresso para ser implementada.
Donald Trump quer que o Departamento de Defesa do país seja chamado de Departamento de Guerra – Joshua Sukoff/Shutterstock
Um dia após lançar seu novo aplicativo de busca para Windows, o Google liberou nesta terça-feira (14) o aplicativo nativo do Gemini para Mac. De acordo com o Engadget, a novidade chega com o objetivo de se tornar o assistente pessoal definitivo para usuários de computadores Apple, antecipando-se à reformulação da Siri prometida para os próximos meses.
Diferente de uma simples aba no navegador, o Gemini para macOS é uma experiência integrada ao sistema. Ele pode ser acessado por atalhos de teclado: Option + Espaço abre um chat rápido, enquanto Option + Shift + Espaço expande a experiência completa do assistente.
O que o Gemini para Mac consegue fazer?
O grande trunfo da versão desktop é a capacidade de “enxergar” o que o usuário está fazendo. Com a permissão de compartilhamento de tela, o Gemini pode:
Analisar documentos e códigos: você pode pedir para a IA explicar um erro de programação ou resumir um PDF longo que está aberto na tela.
Contexto visual: o assistente entende imagens e dados exibidos em janelas abertas, respondendo a perguntas sobre o fluxo de trabalho atual.
Geração multimídia: o app já vem integrado com o modelo Nano Banana para criação de imagens e o Veo para geração de vídeos de alta fidelidade.
Corrida contra a Apple
O lançamento é estratégico. A Apple deve apresentar uma versão “turbinada” da Siri com IA generativa na conferência WWDC, em junho. Curiosamente, a própria Apple está em negociações para usar os modelos Gemini na base dessa nova Siri, mas o Google parece querer garantir que sua própria interface seja a escolha primária dos usuários de Mac.
O aplicativo exige o macOS 15 (Sequoia) ou superior e está disponível em todos os países e idiomas nos quais o Gemini já opera. Assim como na versão para Windows, o usuário pode customizar os atalhos de teclado nas configurações para não conflitar com o Spotlight original da Apple.