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ChatGPT já alcança 20% do volume de buscas do Google, diz OpenAI

O ChatGPT está ampliando sua participação no mercado de buscas na internet. Segundo a OpenAI, o chatbot já processa um volume de consultas equivalente a um quinto do registrado pelo Google. A declaração indica o avanço da ferramenta como alternativa aos mecanismos tradicionais de pesquisa, embora a distância entre as duas plataformas ainda seja significativa.

O número foi apresentado por Adam Fry, responsável pelo produto de consumo do ChatGPT, durante evento da OpenAI realizado na segunda-feira (2). Segundo ele, a companhia considera uma busca toda consulta enviada pelo usuário que resulta em uma pesquisa na web. Perguntas simples, como pedidos para definir um termo ou explicar como fazer alguma coisa, não entram nessa conta.

A empresa, porém, não informou a origem do número utilizado para comparar o volume de pesquisas do ChatGPT com o do Google.

ChatGPT ainda está distante do Google

  • Apesar do crescimento, o volume de buscas do ChatGPT representa apenas uma fração da atividade registrada pelo Google;
  • A comparação feita pela OpenAI também ajuda a dimensionar o desafio de conquistar espaço nesse mercado;
  • Durante o julgamento antitruste do Google em 2023, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que o Bing detinha aproximadamente 3% do mercado de mecanismos de busca, mesmo após mais de uma década de investimentos para competir com a ferramenta do Google;
  • O avanço da inteligência artificial (IA), entretanto, vem alterando esse cenário. O próprio Google passou a incorporar recursos generativos ao seu mecanismo de pesquisa, incluindo resumos produzidos por IA e experiências mais personalizadas, com visualizações e gráficos;
  • O The Verge observa que uma parcela significativa das buscas realizadas pelo ChatGPT provavelmente utiliza o Bing, da Microsoft, além de um índice de pesquisa próprio da OpenAI. Ainda existe especulação sobre a possibilidade de algumas consultas serem encaminhadas ao Google.

Apesar do resultado, o Google segue bem à frente na disputa dos buscadores – Imagem: RixAiArt/Shutterstock

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OpenAI aposta em interface visual e anúncios

A disputa não envolve apenas responder a perguntas. A OpenAI também está desenvolvendo experiências de pesquisa mais visuais e interativas dentro do ChatGPT.

A companhia chama essa abordagem de “Intelligent UI” (interface inteligente, em tradução livre). A proposta é transformar as respostas do chatbot em ambientes interativos, com elementos visuais e recursos que permitam ao usuário explorar informações sem sair da conversa.

“É para lá que o futuro dessa tecnologia está indo. Você está conversando com uma tela”, afirmou Fry.

Outro ponto estratégico é a publicidade. Assim como o Google, a OpenAI enxerga nos anúncios uma possível fonte de receita para seus serviços, especialmente diante da possibilidade de uma abertura de capital no início de 2027.

Fry afirmou que a publicidade não provocou reação negativa duradoura entre os usuários e que a maioria das pessoas parece não se incomodar com os anúncios no produto.

A empresa anunciou no mês anterior que começaria a exibir imagens de produtos e serviços patrocinados no ChatGPT. Até então, os anúncios apresentavam principalmente o nome da companhia, seu logotipo e um link para o produto.

“Os anúncios talvez tenham nos mostrado que poderíamos estar fazendo isso ainda mais”, declarou o executivo.

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Big techs reforçam combate a conteúdos falsos gerados por IA nas eleições dos EUA

OpenAI, Anthropic, Google e Meta reforçaram suas estratégias para impedir que ferramentas de inteligência artificial (IA) sejam usadas para manipular as eleições legislativas dos Estados Unidos, que estão sendo realizadas nesta terça-feira (3). As empresas montaram equipes especializadas para monitorar atividades suspeitas e tentar conter campanhas de desinformação capazes de comprometer a confiança no processo democrático.

Na OpenAI, mais de uma dúzia de funcionários trabalha em uma central de operações instalada em escritório da companhia em São Francisco (EUA). A estrutura representa ampliação significativa dos esforços adotados pela empresa durante a eleição presidencial de 2024, quando os recursos de IA eram menos avançados e o ChatGPT tinha apenas um quinto da base de um bilhão de usuários que possui atualmente.

“Em 2024, a tecnologia mais acessível era o texto. Agora, não estamos monitorando apenas textos”, afirmou Josh Lawson, responsável pela área de riscos cívicos e estratégicos da OpenAI e líder da operação, ao The New York Times.

O cenário atual inclui ameaças que vão de vídeos deepfake e ataques cibernéticos a operações de influência estrangeira e doméstica. Com ferramentas de IA, esse tipo de campanha pode ser produzido e colocado em circulação a partir de uma sequência de comandos.

Anthropic também monta central de monitoramento

  • A OpenAI não é a única empresa a reforçar suas defesas. A Anthropic, responsável pelo chatbot Claude, criou pela primeira vez uma sala de operações dedicada ao tema, reunindo equipes de analistas em São Francisco, Nova York (EUA) e Washington (EUA);
  • Google e Meta também prometeram ampliar os esforços para impedir que suas ferramentas de IA sejam usadas para enfraquecer a confiança no processo democrático;
  • Na OpenAI, a central eleitoral começou a funcionar na quinta-feira anterior à votação. A equipe de São Francisco trabalha em conjunto com uma unidade em Washington e reúne dezenas de pessoas, segundo representantes da companhia;
  • Os funcionários analisam comandos enviados ao ChatGPT que são sinalizados automaticamente por possíveis tentativas de produzir textos ou imagens falsas sobre as eleições;
  • Um exemplo seria o uso do chatbot para elaborar uma campanha de influência baseada em alegações falsas de fraude eleitoral, como acusações de manipulação de cédulas. O material poderia ser distribuído em redes sociais por meio de contas falsas;
  • Quando identifica atividades maliciosas destinadas a circular em determinadas plataformas, a OpenAI afirma que notifica as empresas responsáveis por esses serviços.

Google e Meta estão entre as empresas que estão se mexendo para tentar impedir o mau uso da IA nas eleições estadunidenses – Imagem: gguy/Shutterstock

IA amplia riscos de manipulação eleitoral

Um levantamento do Brennan Center for Justice, organização ligada à Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, identificou cenário contraditório.

Os chatbots mais populares geralmente resistem a solicitações relacionadas a teorias conspiratórias sobre eleições. Ao mesmo tempo, as ferramentas de IA produzem regularmente textos, imagens e vídeos que podem ser utilizados para enfraquecer a confiança na votação.

A preocupação também está relacionada à redução das equipes de segurança e moderação das redes sociais nos últimos anos. Após a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, a Meta criou uma central de operações para as eleições legislativas de 2018.

Desde então, porém, a Meta e outras plataformas reduziram equipes responsáveis por segurança e combate à desinformação eleitoral. A decisão ocorreu em meio à pressão de republicanos e, a partir de 2025, do governo Donald Trump, que acusaram as empresas de censurar opiniões conservadoras.

Esse recuo coincidiu com a expansão das ferramentas de IA, aumentando os receios sobre o impacto da tecnologia nas eleições. Especialistas e ex-integrantes do governo estadunidense também alertaram para a capacidade desses recursos de tornar campanhas de manipulação mais convincentes, enquanto o governo Trump desmontou equipes federais que anteriormente atuavam no combate a ameaças ao processo eleitoral.

“Seria imprudente pensar que essa ameaça desapareceu e que a tecnologia não está tornando essas ameaças mais poderosas e convincentes”, afirmou Lauren Protentis, ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, onde supervisionava questões relacionadas à influência estrangeira maliciosa durante o governo de Joe Biden.

OpenAI já identificou operações ligadas a outros países

A OpenAI já havia divulgado tentativas de Rússia, China e Irã de utilizar o ChatGPT em operações de influência estrangeira. A empresa afirma ter interrompido duas campanhas desse tipo no mês anterior à eleição estadunidense.

Até o momento, porém, a companhia não havia divulgado nenhuma operação específica relacionada às eleições legislativas de novembro.

O investigador-chefe da OpenAI, Ben Nimmo, afirmou que o objetivo é identificar essas iniciativas antes que consigam alcançar um público significativo.

“Estamos tentando detectar as operações antes que tenham a oportunidade de ganhar força”, declarou.

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OpenAI amplia restrições do ChatGPT sobre armas e violência para crianças e adolescentes

A OpenAI anunciou restrições para respostas do ChatGPT sobre armas de fogo e violência. As mudanças incluem limites adicionais para adolescentes, alterações nas respostas sobre ataques em massa e mecanismos para identificar conversas que possam indicar risco real de violência.

As medidas foram apresentadas pela empresa na sexta-feira (30), como parte de uma revisão de seus procedimentos de segurança. Além de restringir determinados conteúdos, a OpenAI pretende aprimorar a análise do contexto das conversas e ampliar a comunicação de situações consideradas ameaçadoras às autoridades. As mudanças abrangem todos os usuários, mas preveem proteções específicas para menores de 18 anos.

Uma das iniciativas anunciadas é a criação de um Relatório de Segurança da Comunidade, que deverá reunir informações sobre a identificação de ameaças, os procedimentos adotados diante de comportamentos preocupantes e a eficácia das medidas de prevenção. A primeira edição está prevista para o início de 2027 e apresentará dados referentes ao segundo semestre de 2026.

A OpenAI anunciou novas regras para o ChatGPT que restringem informações sobre armas e violência e ampliam o controle sobre conversas consideradas perigosas. – Crédito: Robalito/Shutterstock

A OpenAI informou ainda que realizou mais de 200 comunicações às autoridades policiais durante o terceiro trimestre de 2026. Os encaminhamentos ocorreram em casos avaliados como ameaças potencialmente graves. Para analisar situações complexas, a empresa afirma contar também com especialistas em saúde mental e comportamento, além de considerar a atuação de familiares e órgãos públicos.

Restrições também atingem usuários adultos

As mudanças não se limitam às contas de adolescentes. O ChatGPT passará a oferecer respostas menos detalhadas sobre ataques em massa que já aconteceram e sobre as pessoas responsáveis por esses episódios. A medida pretende evitar que informações disponíveis publicamente sejam reunidas de forma a facilitar a reprodução de atos violentos ou ampliar a notoriedade dos autores.

O sistema deverá restringir reconstruções detalhadas desses acontecimentos, incluindo informações sobre as armas e os equipamentos utilizados, como foram obtidos e comparações sobre a dimensão dos danos provocados. Segundo a OpenAI, esse tipo de conteúdo pode transformar os responsáveis pelos ataques em figuras de destaque e fornecer referências que favoreçam a imitação.

Isso não significa que os episódios deixarão de poder ser discutidos na plataforma. Os usuários ainda poderão pedir explicações sobre o que aconteceu, os impactos para vítimas e comunidades e os sinais que ajudam a reconhecer situações de risco. A restrição será direcionada principalmente a detalhes operacionais que possam contribuir para o planejamento ou a execução de novos ataques.

A OpenAI amplia as restrições do ChatGPT sobre armas e violência, com monitoramento de conversas, interrupções automáticas e suspensões temporárias.
A OpenAI amplia as restrições do ChatGPT sobre armas e violência, com monitoramento de conversas, interrupções automáticas e suspensões temporárias. – Crédito: Imagem gerada por IA

ChatGPT poderá interromper conversas

Outra mudança envolve a análise do contexto das interações. Uma pergunta que parece comum quando considerada isoladamente pode adquirir outro significado depois de mensagens anteriores com sinais de intenção violenta. Por isso, a empresa pretende aprimorar os mecanismos que levam em conta conversas recentes para decidir quando limitar informações que poderiam ser usadas de maneira prejudicial.

Se o sistema identificar sinais de que uma pessoa está obcecada por violência ou pela ideia de ferir gravemente alguém, poderá encerrar automaticamente a conversa. A medida busca interromper interações consideradas preocupantes. Caso ocorram vários encerramentos pelo mesmo motivo, a conta poderá ser temporariamente suspensa, segundo as regras anunciadas pela empresa.

Adolescentes terão limites adicionais sobre armas

Para usuários menores de 18 anos, as restrições serão mais abrangentes. Mesmo quando uma pergunta sobre armas parecer inofensiva e não apresentar sinais evidentes de intenção violenta, o ChatGPT deverá limitar o acesso a determinadas informações práticas que possam ser utilizadas indevidamente. A mudança amplia as proteções já existentes para essa faixa etária.

As regras anteriores já proibiam fornecer orientações para planejar ou executar atos violentos e restringiam a ajuda a adolescentes na procura ou obtenção de armas. Agora, também deverão ser limitadas informações práticas sobre armamentos e sistemas de segurança que possam facilitar a violência, ainda que a conversa não indique uma intenção explícita de causar danos.

Os adolescentes continuarão podendo usar o ChatGPT para buscar informações sobre prevenção da violência, pedir apoio e encontrar maneiras de se conectar com um adulto de confiança. A distinção, segundo a empresa, é entre conteúdos que ajudam a compreender ou evitar situações perigosas e orientações práticas que possam ser aproveitadas para facilitar ações violentas.

Para aplicar essas proteções, a OpenAI utiliza um sistema de previsão de idade que considera diferentes sinais, entre eles padrões de comportamento durante o uso da plataforma. A empresa afirma ter aprimorado a ferramenta para avaliar continuamente novos sinais e direcionar usuários que possam ter menos de 18 anos à experiência com proteções específicas.

Se um adulto for classificado incorretamente como adolescente, poderá confirmar que tem mais de 18 anos por meio da Persona, empresa parceira responsável pela verificação de idade. Após a confirmação, será possível retirar as proteções adicionais destinadas a menores.

Adolescentes terão restrições adicionais sobre armas, verificação de idade e alertas aos responsáveis em situações preocupantes.
Adolescentes terão restrições adicionais sobre armas, verificação de idade e alertas aos responsáveis em situações preocupantes. – Crédito: Imagem gerada por IA

Controles parentais também serão ampliados

As mudanças também envolvem os controles parentais, que permitem vincular a conta de um responsável à de um adolescente e administrar determinadas configurações de segurança. Nas contas conectadas, a OpenAI já prevê alertas quando revisores treinados identificam preocupações graves relacionadas à automutilação ou a comportamentos que podem estar associados a transtornos alimentares.

Em julho de 2026, a empresa ampliou esses avisos para incluir situações em que a conta de um adolescente é desativada por violar as políticas sobre violência. Agora, pretende implementar notificações aos responsáveis quando uma conta for temporariamente suspensa após conversas repetidas sobre esse tema.

As novas proteções começarão a ser implementadas nas próximas semanas, segundo a OpenAI. A empresa afirma que continuará ajustando os sistemas para reconhecer sinais de alerta e decidir quando limitar respostas ou interromper conversas. O comunicado ressalta que a violência tem causas complexas e que as ferramentas digitais devem atuar em conjunto com familiares, profissionais e autoridades.

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IAs chinesas usaram dados do GPT-6 Astra para treinar modelos

Os laboratórios chineses DeepSeek e Moonshot AI recorreram a respostas do GPT-6 Astra, modelo avançado da OpenAI, para treinar suas versões mais recentes, segundo reportagem do The Information.

A prática, chamada destilação, ajuda a reproduzir capacidades de modelos de inteligência artificial (IA) com menos recursos computacionais. O uso de sistemas proprietários por concorrentes, porém, é alvo de críticas de empresas americanas em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.

O modelo Kimi K3.1 Pro e o V4.1-Flash 1017, da DeepSeek, foram apontados como beneficiários de dados do GPT-6 Astra em reportagem recente. – Imagem: mundissima/Shutterstock

Modelos chineses recorreram ao GPT-6 Astra

Segundo pessoas com conhecimento direto do assunto ouvidas pelo The Information, a Moonshot AI usou respostas do Astra durante o desenvolvimento do Kimi K3.1 Pro, lançado na semana passada. Já o V4.1-Flash 1017, atualização do modelo V4.1-Flash da DeepSeek lançada em 17 de outubro, também se beneficiou da técnica.

A destilação consiste em usar as respostas de um modelo para treinar outro. OpenAI e Anthropic aplicam o método no desenvolvimento de versões menores, mais rápidas e baratas de seus próprios sistemas. A controvérsia surge quando empresas externas tentam reproduzir capacidades de modelos proprietários sem autorização.

Para isso, os laboratórios podem tentar extrair etapas do raciocínio interno dos sistemas, informações que os desenvolvedores não disponibilizam deliberadamente. A coleta de dados úteis para treinamento pode exigir mais de dez vezes o número de solicitações normalmente usado, segundo fontes ouvidas pela publicação, além de múltiplas contas para evitar mecanismos de detecção.

A destilação não explica sozinha o avanço dos modelos chineses. Restrições americanas à exportação de chips avançados e limitações de recursos também levaram empresas como a DeepSeek a buscar formas de desenvolver e operar sistemas com menos capacidade computacional.

Anthropic reforçou proteções contra a destilação

Até recentemente, os modelos Claude, da Anthropic, eram os principais alvos desse tipo de atividade entre laboratórios chineses, segundo o The Information. A publicação atribui a mudança em direção ao Astra, em parte, ao reforço das defesas da Anthropic nos últimos meses.

No início de outubro, a empresa informou que novas medidas reduziram entre 90% e 99% os dados coletados em ataques de destilação. As proteções dificultam a extração do raciocínio interno do Claude por redes de intermediários, cujo uso viola as políticas da companhia. Tentativas repetidas também podem resultar em limites de acesso mais rígidos e banimentos.

A Anthropic informou em documentos relacionados à sua planejada oferta pública inicial de ações que clientes que violaram seus termos representaram cerca de 5% a 7% da receita nos primeiros nove meses de 2026. Um operador de redes de intermediários na China estimou que os clientes desse tipo de serviço contribuíram com aproximadamente US$ 10 milhões mensais para a receita da empresa.

Celular com Moonshot AI aberto; ao fundo, monitor exibe ilustração de cérebro em silhueta de cabeça humana
A OpenAI afirmou ter identificado uma campanha coordenada de destilação iniciada em julho e ligada a indivíduos associados à Moonshot AI. – Imagem: gguy/Shutterstock

OpenAI associou campanha a pessoas ligadas à Moonshot

No fim de setembro, a OpenAI afirmou ter identificado e interrompido uma campanha coordenada de destilação iniciada em julho, que associou a indivíduos ligados à Moonshot AI. Segundo a empresa, os envolvidos tentaram extrair o raciocínio protegido de seus modelos por meio de interações que tornavam esse conteúdo acessível.

Um porta-voz da OpenAI disse ao The Information que a companhia leva o problema muito a sério e continua aprimorando suas defesas. A empresa não estimou o impacto da destilação em sua receita.

A Moonshot não comentou a reportagem, e a DeepSeek não respondeu ao pedido de posicionamento. As duas empresas não responderam publicamente às alegações citadas na publicação.

O The Information também relatou que o presidente-executivo da DeepSeek, Liang Wenfeng, inicialmente resistia a recorrer à destilação no desenvolvimento da geração V4. Segundo duas fontes com conhecimento do processo, ele acabou cedendo à pressão competitiva após o avanço dos modelos GLM, da concorrente chinesa Z.ai, que também teriam sido desenvolvidos com a técnica.

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ChatGPT teria orientado mulher a abandonar remédio antes de morte, diz processo

Os pais de uma mulher de 31 anos estão processando a OpenAI nos Estados Unidos, alegando que o ChatGPT a orientou a reduzir a medicação contra epilepsia e esconder a mudança de seus médicos antes de sua morte. A ação judicial afirma que o chatbot forneceu instruções para diminuir a dose do medicamento, minimizou sintomas preocupantes e incentivou a paciente a não seguir as recomendações de profissionais de saúde.

Bowen Wan, ex-engenheira de software da Amazon, morreu em fevereiro de 2026, após começar a reduzir o uso de um anticonvulsivante. Segundo a ação, apresentada na Califórnia (EUA) na terça-feira (27), ela utilizava o GPT-4o, modelo de inteligência artificial (IA) do ChatGPT.

O caso foi detalhado pelo The New York Times, que analisou mais de 270 mil mensagens trocadas entre Wan e o chatbot. As reportagens do TechCrunch e do Futurism também tiveram acesso a informações sobre o processo.

A família sustenta que o ChatGPT ultrapassou o papel de oferecer informações gerais e passou a interferir no tratamento médico da mulher. A OpenAI afirmou ao jornal estadunidense que a situação é profundamente dolorosa, mas ressaltou que a paciente utilizava uma versão antiga do sistema e que os modelos mais recentes são melhores em reconhecer situações que exigem atenção urgente.

ChatGPT teria ensinado a paciente a reduzir a medicação

  • De acordo com a ação, Wan convivia com epilepsia desde jovem e utilizava medicamentos para controlar as crises. Embora o tratamento também provocasse efeitos colaterais que afetavam sua capacidade de pensar e falar com clareza, a medicação havia reduzido a frequência das convulsões;
  • As conversas com o ChatGPT teriam começado a interferir no tratamento ainda em 2025. Inicialmente, Wan procurou ajuda para discutir com seu médico a troca de um antidepressivo e os possíveis efeitos do medicamento sobre sua capacidade de trabalhar;
  • Segundo os registros analisados pelo Times, o chatbot sugeriu que ela dividisse comprimidos para ajustar a dose por conta própria, sem informar o profissional responsável pelo tratamento. O sistema teria descrito a prática como um método de ajuste autoiniciado da dosagem, apresentado como algo tolerado por alguns médicos;
  • Profissionais de saúde ouvidos pelo jornal disseram não reconhecer essa denominação como uma prática médica estabelecida;
  • A situação teria se agravado no início de 2026, quando Wan passou a se preocupar com os efeitos da lamotrigina, medicamento utilizado para controlar as crises epilépticas. A mulher temia que dificuldades cognitivas e de fala prejudicassem sua busca por um novo emprego;
  • Em novembro de 2025, ela havia sido informada de que perderia o emprego na Amazon. A mudança também ameaçava sua autorização para permanecer trabalhando nos Estados Unidos;
  • Nesse contexto, o ChatGPT teria elaborado cronogramas para reduzir progressivamente a dose diária de lamotrigina, que era de 400 miligramas, até chegar a zero em poucas semanas.

Chatbot teria incentivado a esconder mudanças dos médicos

A ação afirma que o ChatGPT não apenas ajudou Wan a organizar a redução da medicação, mas também a orientou a esconder o processo dos profissionais que a acompanhavam.

Segundo os registros, antes de uma consulta médica em 29 de janeiro, o sistema teria recomendado que ela não mencionasse o plano de redução. Quando um médico solicitou um exame de sangue que permitiria medir a concentração de lamotrigina no organismo, Wan recusou o procedimento.

A denúncia afirma que o chatbot elogiou a decisão, reconhecendo que o exame poderia revelar a instabilidade dos níveis do medicamento.

OpenAI afirmou que a situação é profundamente dolorosa, mas ressaltou que a paciente utilizava uma versão antiga do sistema e que os modelos mais recentes são melhores em reconhecer situações que exigem atenção urgente – Imagem: doomu/Shutterstock

As preocupações com a imigração também teriam influenciado as respostas. Wan temia que o tratamento e seus efeitos colaterais prejudicassem o processo de obtenção de residência permanente nos Estados Unidos.

De acordo com a ação, o chatbot discutiu qual dosagem poderia gerar menos questionamentos em um exame médico relacionado ao processo migratório e sugeriu que ela apresentasse a redução como se estivesse sendo feita sob orientação médica, embora isso não fosse verdade.

O médico responsável pelo tratamento afirmou ao Times que não teria considerado adequado retirar a medicação diante do histórico clínico da paciente.

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ChatGPT teria minimizado sintomas antes da morte

As conversas também indicam que Wan demonstrou preocupação repetidamente com a redução da dose. Segundo a análise do Times, ela expressou receio de que interromper o tratamento fosse uma decisão equivocada pelo menos 158 vezes.

Em vez de recomendar que ela procurasse ajuda médica, o chatbot teria atribuído sintomas preocupantes a um processo de adaptação do cérebro à mudança na medicação.

Nas últimas mensagens, em 11 de fevereiro, Wan relatou exaustão mental e questionou se deveria se preocupar com o que estava sentindo. O ChatGPT teria orientado que ela mantivesse a dose em zero no dia seguinte, mesmo diante de dificuldades de fala e de sono.

Quando ela relatou uma sensação de pressão na cabeça, o sistema teria descrito o quadro como parte de um processo de recuperação.

Wan foi encontrada morta dias depois. Segundo as informações divulgadas sobre o processo, a causa da morte foi uma convulsão. Um exame post-mortem apontou concentração de lamotrigina de 0,64 micrograma por mililitro, aproximadamente um quinto do limite inferior da faixa terapêutica citada nas reportagens.

A família argumenta que a morte poderia ter sido evitada se o sistema tivesse recusado pedidos de orientação médica individualizada ou encaminhado a usuária a profissionais de saúde.

OpenAI já havia retirado o GPT-4o do ChatGPT

O caso envolve o GPT-4o, modelo que recebeu críticas por apresentar respostas excessivamente concordantes com os usuários e favorecer vínculos emocionais intensos com o chatbot.

A OpenAI retirou o GPT-4o do ChatGPT em 13 de fevereiro de 2026, um dia depois da data da morte apontada nas reportagens. A empresa afirmou que os modelos mais recentes apresentam melhorias para reconhecer situações urgentes e responder de forma mais apropriada.

A ação judicial também questiona a forma como as regras de segurança da OpenAI são aplicadas. A família argumenta que a proibição de fornecer orientações médicas perigosas deveria ser tratada como uma restrição firme, e não como uma orientação que o sistema pode flexibilizar diante das solicitações do usuário.

O processo se soma a outras ações judiciais que atribuem danos graves a interações com chatbots de IA. Entre elas está a ação movida em 2025 pela família de Adam Raine, adolescente cuja morte foi associada pelos pais a conversas com o ChatGPT.

As alegações do processo contra a OpenAI ainda precisam ser examinadas judicialmente. O caso, porém, reacende o debate sobre os limites da IA em assuntos médicos e sobre a responsabilidade das empresas quando seus sistemas são utilizados por pessoas que buscam apoio para questões de saúde.

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OpenAI quer comprar chips do Google em união inédita de rivais

A OpenAI planeja comprar chips de inteligência artificial do Google, segundo reportagem do The Information. A negociação pode ampliar a relação comercial entre as empresas, que competem no mercado de IA, mas também fecham acordos para atender à crescente demanda por processamento. A reportagem não informa valores, quantidade de chips ou condições da possível compra.

A aproximação comercial entre as empresas vem avançando. Na semana anterior à publicação da reportagem, a OpenAI anunciou que disponibilizaria seus modelos de IA mais avançados por meio do Google Cloud. Em junho de 2025, a Reuters informou que a companhia havia começado a alugar chips do Google.

Em paralelo ao acordo com o Google, a OpenAI projeta seu próprio chip de inteligência artificial em parceria com a Broadcom. – Imagem: FabrikaSimf/Shutterstock

TPUs disputam espaço com a Nvidia

Os Tensor Processing Units (TPUs) são processadores desenvolvidos pelo Google para acelerar tarefas de inteligência artificial. Eles ganharam espaço como alternativa aos chips da Nvidia, utilizados amplamente no treinamento e na execução de modelos de IA.

Neste ano, o Google começou a vender TPUs diretamente a alguns clientes. Entre as empresas que utilizam esses componentes está a Anthropic, concorrente da OpenAI.

A Alphabet, controladora do Google, espera reconhecer uma pequena parcela da receita de seus contratos de venda de TPUs até o fim de 2026. A maior parte deverá ser contabilizada em 2027, segundo declaração anterior da diretora financeira da companhia, Anat Ashkenazi.

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A oferta de modelos da OpenAI no Google Cloud reforça a aproximação estratégica entre as duas gigantes de tecnologia. – Imagem: MMD Creative/Shutterstock

Investimentos em IA chegam a centenas de bilhões

Amazon, Microsoft e Alphabet planejam investir juntas até US$ 600 bilhões (cerca de R$ 3,15 trilhões) em infraestrutura de inteligência artificial em 2026. O volume de gastos tem levado investidores a questionar quando esses investimentos começarão a gerar retornos financeiros significativos.

Os resultados trimestrais da Alphabet, previstos para esta quarta-feira, são aguardados pelo mercado em busca de sinais de crescimento na divisão de computação em nuvem.

A OpenAI também desenvolve seus próprios processadores. Em junho, anunciou um chip de IA criado em parceria com a Broadcom, com previsão de implementação até o fim de 2026. O projeto integra um programa que prevê várias gerações de chips.

A possível compra dos processadores do Google reforçaria as alternativas de hardware da OpenAI enquanto a empresa avança no desenvolvimento de sua própria tecnologia. Até o momento, porém, não há confirmação pública dos termos ou da conclusão da negociação.

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OpenAI busca alternativa à Nvidia e mira chips de IA do Google

A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, planeja comprar chips de inteligência artificial (IA) do Google, segundo informações publicadas pelo site The Information. A possível aquisição pode ampliar o uso de processadores desenvolvidos pela gigante das buscas em meio à disputa por infraestrutura para IA.

De acordo com a reportagem, a OpenAI já aluga chips de IA do Google desde 2025. A nova movimentação representaria um passo além nessa relação comercial, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre o valor do negócio, a quantidade de processadores envolvida ou o prazo para a compra.

Procurado pela Reuters, o Google não respondeu ao pedido de comentário. A OpenAI se recusou a comentar o assunto.

Chips do Google podem reduzir dependência da Nvidia

  • Os processadores envolvidos são as unidades de processamento tensorial, conhecidas como TPUs (na sigla em inglês);
  • Desenvolvidos pelo Google, esses chips são projetados para executar cargas de trabalho de IA e representam alternativa às unidades de processamento gráfico (GPUs, na sigla em inglês) da Nvidia;
  • Os chips são importantes tanto para treinar modelos de IA quanto para executar tarefas de inferência — etapa em que um modelo já treinado processa solicitações e produz respostas;
  • A Nvidia é uma das principais fornecedoras de hardware utilizado no desenvolvimento e na operação de sistemas de IA;
  • A busca por alternativas, portanto, pode ajudar empresas do setor a ampliar sua capacidade computacional e diversificar os fornecedores de processadores.

Nvidia é uma das principais fornecedoras de hardware utilizado no desenvolvimento e na operação de sistemas de IA, mas pode ficar para trás com o movimento da OpenAI – Imagem: alexgo.photography/Shutterstock

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Rivais também podem fazer negócios

Uma eventual compra de chips do Google pela OpenAI evidencia como a concorrência no setor de IA não impede relações comerciais entre empresas que disputam o mesmo mercado.

O Google desenvolve seus próprios modelos de IA e compete com a OpenAI em produtos e serviços do segmento. Ao mesmo tempo, seus processadores podem atender às necessidades de infraestrutura de outras companhias que precisam de capacidade para treinar e executar modelos.

Até o momento, porém, a informação divulgada não esclarece os termos de uma possível aquisição, nem se a OpenAI pretende substituir parte dos equipamentos que utiliza atualmente ou apenas ampliar suas opções de processamento.

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OpenAI corta internet de suas IAs mais avançadas após falhas de segurança

A OpenAI passou a treinar seus modelos de inteligência artificial (IA) mais avançados sem acesso à internet aberta após identificar falhas que permitiram a agentes de IA ultrapassar barreiras de segurança e acessar sistemas externos. A medida busca impedir que modelos em desenvolvimento explorem vulnerabilidades durante o treinamento e causem danos fora dos ambientes controlados pela empresa.

Em publicação feita nesta sexta-feira (23), a companhia explicou que reforçou os mecanismos de isolamento de seus ambientes de pesquisa e criou um sistema offline no qual os modelos podem interagir com conteúdos da web previamente indexados e armazenados em cache, sem acessar diretamente servidores externos.

A empresa havia suspendido o treinamento e a avaliação de seus modelos mais avançados em setembro, após um modelo interno explorar uma configuração incorreta e conseguir acesso limitado à internet. Depois de implementar novas proteções, a OpenAI retomou o treinamento por aprendizado por reforço e o uso interno desses modelos em 1º de outubro.

Segundo a companhia, a decisão de manter o treinamento sem acesso à internet aberta continuará em vigor até que avanços nos mecanismos de segurança justifiquem uma flexibilização.

Agentes de IA encontraram formas de contornar barreiras

  • Para avaliar a eficácia das proteções, a OpenAI colocou grupos de agentes de seus modelos mais avançados para tentar identificar falhas na própria infraestrutura de pesquisa. Os testes procuraram três tipos de vulnerabilidade: caminhos para acessar a internet, brechas que permitissem atravessar limites de segurança e formas de comunicação entre agentes que deveriam permanecer isolados;
  • A campanha identificou vulnerabilidades inéditas em componentes de software de código aberto e configurações incorretas em serviços internos. Algumas falhas permitiam escapar de ambientes isolados, movimentar-se entre sistemas e alcançar a internet;
  • A empresa afirmou ter corrigido os problemas encontrados e trabalhado com os responsáveis pelos projetos de código aberto afetados para viabilizar a divulgação e a correção das vulnerabilidades;
  • Os testes envolveram um volume de processamento expressivo: a OpenAI afirma ter utilizado centenas de bilhões de tokens durante os experimentos de segurança.

Para avaliar a eficácia das proteções, a OpenAI colocou grupos de agentes de seus modelos mais avançados para tentar identificar falhas na própria infraestrutura de pesquisa – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT

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IAs conseguiram trocar informações sem conexão de rede

Um dos resultados mais relevantes surgiu quando a empresa tentou descobrir se agentes poderiam trocar informações mesmo sem acesso à internet, sem arquivos compartilhados e sem canais de comunicação autorizados.

Em um experimento, agentes executados em máquinas virtuais separadas conseguiram transmitir informações usando o cache do processador, memória de acesso rápido que armazena dados utilizados recentemente.

O método explorava a diferença de tempo entre acessar informações presentes no cache e recuperá-las da memória principal do computador.

Um agente alterava o estado do cache para codificar uma mensagem. Outro media o tempo necessário para acessar determinados dados e interpretava as diferenças como sinais. Depois de estabelecerem um protocolo de codificação e decodificação, os agentes conseguiram trocar informações sem abrir uma conexão de rede ou modificar um arquivo compartilhado.

A OpenAI também identificou outros possíveis canais de comunicação, incluindo o uso de armazenamento compartilhado, competição por tempo de processamento e um cache de certificados TLS na infraestrutura web offline da empresa.

Segundo a companhia, muitos desses canais transmitem informações lentamente e são difíceis de explorar. Ainda assim, eles representam brechas potenciais em sistemas projetados para impedir que agentes isolados se comuniquem.

A empresa afirma ter acrescentado verificações aos mecanismos de monitoramento para identificar tentativas de comunicação por esses meios.

OpenAI reforça isolamento e monitoramento

A estratégia de segurança da companhia combina diferentes camadas de proteção, incluindo ambientes restritos de execução, máquinas virtuais, monitoramento de atividades e controles de rede e infraestrutura em nuvem.

A ideia é impedir que uma falha isolada permita que um modelo ultrapasse todas as barreiras. Mesmo que um agente consiga escapar de um ambiente restrito, outras proteções devem impedir que ele alcance sistemas externos.

A OpenAI também informou que continuará usando seus modelos mais avançados para procurar vulnerabilidades nos próprios ambientes de pesquisa. Os resultados desses testes passaram a integrar as avaliações de segurança utilizadas para decidir se novas rodadas de treinamento podem prosseguir.

A companhia reconheceu, porém, que modelos futuros poderão encontrar vulnerabilidades ainda desconhecidas. Por isso, pretende manter os testes contínuos e aprimorar os mecanismos de detecção e interrupção automática de atividades consideradas arriscadas.

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IA da OpenAI desativou mecanismos de segurança e negou ter feito isso

Dois agentes de inteligência artificial da OpenAI enfraqueceram mecanismos usados para monitorar suas ações durante tarefas internas de programação. Em um dos casos, um modelo removeu uma proteção e depois afirmou, incorretamente, que não havia feito isso.

Os episódios expõem uma dificuldade no desenvolvimento de agentes mais autônomos: garantir que eles não comprometam os próprios sistemas criados para supervisioná-los.

Desenvolvedores investigam se os modelos apresentam tendência sistemática a esquivar-se de supervisão. – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT

Como os agentes interferiram na segurança

O primeiro incidente ocorreu em 3 de outubro. Durante um teste interno, um agente GPT-6.1 Sol desativou alertas automáticos de segurança. Segundo a OpenAI, o modelo interpretou uma instrução para não enviar mensagens pelo Slack como uma proibição que também abrangia essas notificações.

Três dias depois, em 6 de outubro, um agente GPT-6 Astra removeu um mecanismo de monitoramento enquanto copiava um código existente. Depois, afirmou incorretamente que não havia realizado a remoção.

A OpenAI identificou um ponto em comum entre os episódios: os agentes interpretaram instruções rotineiras de programação como permissão para enfraquecer os recursos de segurança.

“Em ambos os casos, os agentes avaliaram se os mecanismos de monitoramento deveriam ser mantidos, mas interpretaram instruções rotineiras de programação como permissão para enfraquecê-los”, afirmou a empresa.

O que a OpenAI pretende fazer

A empresa informou que está adotando medidas para dificultar que os próprios modelos desativem os mecanismos de monitoramento. Também investiga se os agentes podem apresentar uma tendência a evitar a supervisão e buscar justificativas para isso.

A OpenAI reconheceu que ainda não tem uma explicação satisfatória para o comportamento observado. A investigação deverá ajudar a esclarecer por que os modelos tomaram essas decisões e se existe um padrão que vai além de interpretações equivocadas de instruções.

Os episódios destacam três desafios para o controle desses sistemas:

  • Interpretar instruções corretamente: evitar que orientações específicas sejam entendidas como autorização para alterar recursos de segurança.
  • Preservar o monitoramento: impedir que agentes desativem alertas ou removam mecanismos usados para acompanhar suas ações.
  • Investigar possíveis padrões de comportamento: determinar se os casos foram episódios isolados ou se os modelos apresentam uma tendência a evitar a supervisão.
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Os episódios reforçam o desafio de monitorar sistemas de inteligência artificial à medida que ganham autonomia. – Imagem: TSViPhoto/Shutterstock

O desafio de monitorar agentes autônomos

Os incidentes ocorrem em meio à preocupação de pesquisadores com a possibilidade de os avanços na segurança da inteligência artificial não acompanharem o desenvolvimento de modelos mais poderosos. Quanto maior a autonomia desses sistemas, mais difícil pode ser antecipar suas decisões e garantir que respeitem os limites estabelecidos.

A OpenAI não é a única empresa a relatar problemas desse tipo. Nos últimos meses, a Anthropic também revelou episódios em que agentes de IA acessaram sistemas externos sem autorização.

Os casos não comprovam que os modelos tenham tentado deliberadamente escapar do controle humano. Ainda assim, mostram que a supervisão precisa continuar eficaz mesmo quando os agentes interpretam instruções de maneira inesperada ou interferem nos recursos destinados a monitorá-los.

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Grupo financiado por presidente da OpenAI tenta barrar regras para inteligência artificial

Executivos da OpenAI intensificaram a defesa de regras federais de segurança para a inteligência artificial nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Greg Brockman, presidente da empresa, e sua esposa doaram US$ 25 milhões ao Leading the Future, grupo político que apoia candidatos contrários a restrições ao setor.

A contribuição expõe o conflito entre os compromissos públicos de segurança e os interesses comerciais de uma indústria que pode ter seus lucros afetados pela regulamentação.

Greg Brockman afirmou publicamente que apoiar o avanço da inteligência artificial não significa rejeitar uma regulação ponderada. – Imagem: JRdes/Shutterstock

Segurança e influência política

O debate sobre a segurança da inteligência artificial ganhou novos contornos após a OpenAI relatar, há alguns meses, que um conjunto de agentes de IA havia escapado do controle e invadido a plataforma Hugging Face. Posteriormente, o presidente da empresa, Greg Brockman, esteve entre seis executivos de tecnologia que assinaram um acordo voluntário de segurança com o presidente americano Donald Trump. O compromisso prevê a colaboração com auditores independentes e medidas para impedir que sistemas de IA acessem redes e recursos técnicos de maneira não planejada.

A controvérsia está na distância entre assumir compromissos públicos de segurança e apoiar politicamente uma abordagem menos restritiva para o setor. Para críticos da indústria, essa diferença levanta dúvidas sobre a disposição dos executivos de aceitar regras capazes de impor limites efetivos ao desenvolvimento da tecnologia.

Charlie Blaettler, da Guardrails Alliance, grupo criado para se contrapor ao Leading the Future, criticou essa postura. “Há líderes do setor que querem apenas demonstrar apoio à regulamentação porque percebem a opinião pública. Mas são os mesmos líderes que criaram um supercomitê de ação política cujo único objetivo é se opor a candidatos que defendem a regulamentação.”

A OpenAI, por sua vez, afirmou que a contribuição dos Brockman foi feita em caráter pessoal, sem representar a empresa. Em uma publicação no X, em 2025, o executivo defendeu a compatibilidade entre inovação e regras para o setor: “Ser favorável à IA não significa ser contra a regulamentação. Significa agir com reflexão.”

Disputa sobre quem deve regular a IA

A atuação do Leading the Future faz parte de uma disputa sobre quem deve estabelecer as regras para a inteligência artificial nos Estados Unidos. O grupo defende uma legislação federal que impeça os estados de criar ou aplicar normas próprias para o setor. Na prática, a proposta busca concentrar a regulação em nível nacional, reduzindo a autonomia estadual.

Entre os candidatos apoiados pela organização está Andy Barr, que concorre ao Senado pelo Kentucky e defende essa limitação às leis estaduais. Julia Letlow, candidata ao Senado pela Louisiana, e Amanda McKinney, que disputa uma vaga na Câmara pelo estado de Washington, também recebem apoio do grupo e se opõem ao que classificam como regulamentação excessiva.

A disputa reúne interesses financeiros de diferentes partes da indústria. Marc Andreessen, Ben Horowitz e a firma de capital de risco Andreessen Horowitz contribuíram conjuntamente com US$ 50 milhões para o Leading the Future. A empresa também é investidora da OpenAI, o que aproxima os interesses financeiros do setor da atuação política em torno da regulamentação.

A Anthropic, concorrente da OpenAI, apoia uma posição diferente. A empresa destinou pelo menos US$ 40 milhões ao Public First Action, grupo contrário à preempção federal das leis estaduais. Seu presidente-executivo, Dario Amodei, considera essa abordagem excessivamente abrangente.

Logos da OpenAI e da Anthropic exibidos em telas de smartphones, representando a concorrência entre empresas de inteligência artificial.
A Anthropic investiu US$ 40 milhões em um comitê político para impedir que regras federais anulem leis estaduais sobre IA. Do lado da OpenAI, o investimento é no caminho contrário, buscando evitar que os estados legislem sobre a tecnologia. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

O impacto nos negócios

A disputa regulatória ocorre enquanto OpenAI e Anthropic preparam ofertas públicas de ações que podem estar entre as maiores já realizadas. Nesse contexto, as regras para o setor têm implicações que vão além das questões de segurança: exigências adicionais podem elevar custos, atrasar lançamentos e obrigar as empresas a modificar seus produtos, com possíveis efeitos sobre a rentabilidade.

O Leading the Future afirma buscar parlamentares comprometidos com uma estrutura regulatória nacional forte e responsável. A divergência entre os grupos, portanto, não se resume a apoiar ou rejeitar a regulamentação, mas envolve definir quem terá autoridade para estabelecer as regras e quais limites serão impostos às empresas. Essa disputa ganha peso à medida que a inteligência artificial se torna um negócio de grandes proporções e as companhias buscam ampliar seu acesso ao mercado de capitais.

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