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A visão do CEO da Microsoft sobre o futuro da inteligência artificial

O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que todos são “stakeholders” da inteligência artificial e que a tecnologia pode elevar salários e distribuir ganhos.

Em um evento do New York Times em San Francisco, ele falou sobre a reação negativa à IA, o risco de impactos no emprego e o avanço da discussão política em torno do tema.

CEO da Microsoft comenta reação negativa à IA e alerta para mudanças no mercado de trabalho. Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

IA e percepção pública

Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse em San Francisco que a inteligência artificial virou um dos assuntos mais sensíveis do momento nos Estados Unidos. Não é só pela velocidade dos avanços, mas pelo incômodo que a tecnologia vem gerando em parte da população.

A fala ocorreu durante o Hard Fork Live, evento do New York Times. No palco, ele reconheceu algo que já aparece em pesquisas e discussões do setor: a percepção da IA ainda é majoritariamente negativa em alguns grupos, mesmo com o crescimento acelerado das aplicações práticas.

E há um ponto que ele fez questão de destacar. Para Nadella, existe uma distância grande entre o que a tecnologia pode gerar em termos econômicos e o que as pessoas realmente enxergam no dia a dia.

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Microsoft aposta na OpenAI e vê a IA como peça central na nova disputa tecnológica global. Imagem: Renata Mendes via Gemini 3 Pro / Olhar Digital

“Stakeholders” e impacto social

O executivo não ignorou um dos pontos mais sensíveis do debate: o impacto no trabalho. Ele admitiu que a IA pode substituir funções, mas argumentou que os ganhos de produtividade tendem a aparecer, ao longo do tempo, na forma de salários mais altos.

Em um momento mais direto da conversa, ele resumiu o clima em torno da tecnologia com a frase: “Não dá para negar que a percepção é péssima”. Em seguida, reforçou a ideia de que o impacto da IA ​​não fica restrito às empresas de tecnologia: “todo mundo é uma parte interessada na IA”.

Esse debate já saiu do campo técnico há algum tempo. Nos Estados Unidos, a discussão passou a envolver políticos, economistas e grupos sociais diversos. Nomes como o senador Bernie Sanders e o presidente Donald Trump já trouxeram a ideia de que a riqueza gerada pela IA deveria ser compartilhada de forma mais ampla.

Satya Nadella ao lado de um smartphone exibindo o logo da Microsoft em sua tela
Nadella defende que os benefícios da IA devem ser compartilhados por toda a sociedade. – Imagem: QubixStudio/Shutterstock

Estratégia da Microsoft na corrida da IA

Dentro da Microsoft, a leitura é de que a corrida da inteligência artificial exige escolhas cada vez mais difíceis. A empresa foi uma das primeiras a apostar na OpenAI e ampliou esse investimento ao longo dos anos, ajudando a impulsionar ferramentas como o ChatGPT.

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Mas essa relação não ficou exatamente do mesmo jeito. Houve ajustes recentes para reduzir a dependência entre as duas empresas, embora a parceria siga estratégica para ambos os lados.

O ponto mais concreto levantado por Nadella, no entanto, não é político nem filosófico — é infraestrutura. A escassez de chips e memória já virou um gargalo real para o crescimento de data centers e para a expansão dos sistemas de IA.

Isso respinga em várias áreas da empresa, inclusive na divisão Xbox, que também disputa recursos dentro da Microsoft. No fim, segundo o executivo, o desafio é simples de dizer e difícil de resolver: crescer sem perder controle de custos, energia e capacidade computacional.

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Microsoft quer reinventar o computador com o Project Solara

A Microsoft anunciou o Project Solara, uma nova plataforma voltada para dispositivos criados em torno de agentes de inteligência artificial (IA). A iniciativa foi apresentada por Steven Bathiche, vice-presidente corporativo e technical fellow do Applied Sciences Group da empresa, durante a Build 2026.

Segundo a companhia, o projeto combina hardware e software para criar experiências “agent-first”, nas quais os agentes assumem papel central na interação entre usuários e computadores. A proposta é facilitar o desenvolvimento de dispositivos especializados para diferentes ambientes de trabalho, reduzindo a complexidade normalmente envolvida na criação de novas categorias de equipamentos.

Microsoft aposta em uma nova geração de dispositivos

No anúncio, Bathiche afirmou que os agentes estão se tornando uma nova forma de interação entre pessoas e máquinas. A visão da empresa é que a linguagem natural passe a ocupar um papel mais relevante, diminuindo a dependência de interfaces tradicionais baseadas em aplicativos e comandos manuais.

De acordo com a Microsoft, o Project Solara foi desenvolvido para um cenário com múltiplos agentes, permitindo que empresas utilizem soluções da própria companhia ou criem agentes personalizados para suas necessidades. A plataforma conecta dispositivos e nuvem para oferecer experiências adaptadas a diferentes contextos.

Segurança e integração fazem parte da proposta

A Microsoft destacou três pilares do projeto: segurança corporativa, interação baseada em agentes e integração com agentes de terceiros. Entre os recursos previstos estão o sistema operacional Microsoft Device Ecosystem Platform (MDEP), gerenciamento via Microsoft Intune, autenticação com Entra ID e recursos do Hello for Business.

A empresa também apresentou o conceito de just-in-time UI, que busca adaptar automaticamente a interface dos agentes a diferentes telas e formas de interação, como voz, toque e recursos multimodais.

Dois dispositivos-conceito foram apresentados

Para demonstrar a plataforma, a Microsoft mostrou dois dispositivos de referência. O primeiro é um crachá inteligente portátil desenvolvido com a Qualcomm, equipado com tela touchscreen, sensor biométrico, câmera, microfones e conectividade 5G.

Conceito portátil do Project Solara funciona como um crachá inteligente com acesso a agentes de IA, biometria e conectividade 5G – Imagem: Divulgação / Microsoft

O segundo é um dispositivo de mesa criado em parceria com a MediaTek. O equipamento possui tela sensível ao toque, autenticação facial e pode atuar de forma independente, como complemento para um PC ou como cliente do Windows 365 quando conectado a um monitor externo.

Conceito Desk do Project Solara, dispositivo de mesa da Microsoft com tela touchscreen, autenticação facial e controles de privacidade para interação com agentes de IA
Conceito de mesa do Project Solara inclui tela sensível ao toque, autenticação via Hello for Business e integração com agentes de IA – Imagem: Divulgação / Microsoft

A Microsoft informou que centenas de funcionários já utilizam os conceitos internamente. Nos próximos meses, a empresa iniciará um programa piloto com organizações como AccuWeather, Best Buy, CVS Health, Levi’s e Target.

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Microsoft lança IA própria para rivalizar com OpenAI

A Microsoft anunciou nesta terça-feira seus primeiros modelos proprietários de inteligência artificial voltados para desenvolvedores, durante a conferência Build realizada em San Francisco. A iniciativa marca uma mudança no posicionamento da empresa, que até agora atuou principalmente como fornecedora de infraestrutura de nuvem e investidora em outras companhias de IA.

O primeiro modelo apresentado é o MAI-Code-1-Flash, descrito como o modelo inaugural da Microsoft no segmento de codificação por IA. Ele recebe descrições em texto e gera código-fonte para aplicativos e sites. O segundo é o MAI-Thinking-1, um modelo de raciocínio de tamanho médio. Ambos têm eficiência como ponto central de divulgação.

Novos modelos da Microsoft prometem criar códigos com mais eficiência e menor custo para desenvolvedores e empresas. Imagem: bluestork/Shutterstock

Microsoft aposta em eficiência e custo como diferenciais

Kyle Daigle, chefe de marketing para desenvolvedores da Microsoft e diretor de operações do GitHub, descreveu o MAI-Thinking-1 em um post como “construído para alta eficiência e desempenho, mas, principalmente, com baixo custo em tokens”. Tokens são a unidade usada por desenvolvedores para pagar pelo uso de modelos de IA.

O modelo de codificação foi descrito por Daigle como “ultra-eficiente em inferência”. O MAI-Thinking-1 está disponível em prévia privada pelo Microsoft Foundry, serviço voltado à integração de modelos em aplicações. Clientes podem manifestar interesse em testá-lo antes da disponibilização ampla e poderão aumentar a precisão do modelo incorporando dados próprios.

Para a Microsoft, desenvolver modelos próprios traz benefícios econômicos que podem ser repassados aos desenvolvedores: a empresa pode rodar esses modelos na própria infraestrutura Azure, sem pagar a terceiros como o OpenAI.

Logo da OpenAI exibido na tela de um smartphone
Novos modelos da Microsoft chegam para disputar espaço com o GPT-5 no mercado de inteligência artificial generativa. Imagem: Samuel Boivin / Shutterstock – Imagem: Samuel Boivin / Shutterstock

Desempenho comparado ao GPT-5 da OpenAI

Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, afirmou que, após ajustar seus modelos para as necessidades da consultoria McKinsey, a Microsoft conseguiu superar o GPT-5 da OpenAI com eficiência de custo dez vezes maior.

O que vocês acabaram de ver é uma mudança bastante significativa. Acreditamos que chegou a hora de cada empresa deixar de apenas consumir um modelo de fronteira para participar plenamente no ecossistema de fronteira.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a conferência. 

Estratégia tenta diminuir dependência da OpenAI

A Microsoft investiu US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões) no OpenAI e US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões) na Anthropic, disponibilizando os modelos de ambas pelo Azure. A Anthropic anunciou na segunda-feira que protocolou confidencialmente um pedido de IPO; o OpenAI também estuda uma oferta pública, possivelmente ainda este ano.

Leia mais:

O MAI-Code-1-Flash está disponível no serviço GitHub Copilot e no editor Visual Studio Code. Além dos dois modelos principais, a Microsoft anunciou versões atualizadas de modelos em nuvem para reconhecimento de voz, geração de voz sintética e geração de imagens, além de modelos Aion de menor porte que podem rodar em PCs com Windows.

Em maio, o Google anunciou o Gemini 3.5 Flash, modelo capaz de codificar e executar outras tarefas nos data centers da empresa.

Dedo de uma pessoa apertando o botão do Windows em um teclado
Novas IAs da Microsoft foram desenvolvidas para funcionar localmente em computadores com sistema Windows. Imagem: tomeqs/Shutterstock – Imagem: tomeqs/Shutterstock

Novos recursos chegam ao GitHub e Windows

Os anúncios da Build não ficaram restritos à programação. A Microsoft também revelou atualizações em modelos de reconhecimento de fala, geração de voz sintética e criação de imagens na nuvem.

Outro destaque foi a chegada dos pequenos modelos Aion, desenvolvidos para funcionar diretamente em computadores com Windows.

Entre os principais anúncios da empresa estão:

  • MAI-Code-1-Flash para geração de código;
  • MAI-Thinking-1 focado em raciocínio lógico;
  • novos recursos de voz, imagem e reconhecimento de fala;
  • modelos Aion otimizados para PCs com Windows;
  • integração dos modelos ao GitHub Copilot e Visual Studio Code.

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Microsoft lança Scout, agente de IA que atua sozinho

A Microsoft anunciou uma nova categoria de agentes de inteligência artificial (IA) chamada Autopilots, projetada para operar continuamente em segundo plano e executar tarefas de forma autônoma dentro dos ambientes corporativos. Junto com a novidade, a empresa revelou o Microsoft Scout, descrito como o primeiro agente dessa categoria, integrado ao ecossistema Microsoft 365.

Segundo a companhia, os Autopilots foram desenvolvidos para ir além das interações pontuais comuns em sistemas de IA. A proposta é que esses agentes permaneçam ativos de forma permanente, compreendam como o trabalho é realizado em diferentes aplicativos e tomem ações sem depender de comandos constantes dos usuários. A Microsoft afirma que eles operam com uma identidade própria e atuam dentro das permissões e políticas definidas pelas organizações.

Microsoft Scout estreia como primeiro Autopilot

O Microsoft Scout foi apresentado como o primeiro representante dessa nova categoria. A ferramenta está integrada aos aplicativos do Microsoft 365 e funciona em ambientes de nuvem, desktop e web. O agente se conecta a serviços como Teams, Outlook, OneDrive e SharePoint, além de utilizar dados de chats, e-mails, calendários e contatos para executar suas funções.

A interação com o Scout acontece principalmente pelo Teams, mas a Microsoft afirma que seu alcance pode ser ampliado por meio do aplicativo para desktop, que permite acesso ao navegador, recursos locais e servidores compatíveis com o protocolo de contexto de modelos. A empresa destaca que o produto foi desenvolvido com controles e mecanismos de segurança voltados para ambientes corporativos e utiliza a tecnologia de código aberto OpenClaw como base.

Agente pode coordenar tarefas e identificar riscos

De acordo com a Microsoft, o Scout foi criado para reduzir atividades de coordenação que costumam consumir tempo ao longo do dia. Entre as capacidades descritas estão o agendamento automático de reuniões entre diferentes fusos horários, a identificação de compromissos considerados importantes e a geração de materiais preparatórios para os participantes.

O sistema também pode identificar entregas futuras e reservar horários na agenda do usuário para auxiliar no cumprimento de prazos. Outra função apresentada é a detecção de possíveis riscos, como decisões que ficaram paradas e podem se transformar em obstáculos para projetos em andamento.

A Microsoft afirma ainda que, com o tempo, o Scout desenvolve contexto por meio de uma tecnologia chamada Work IQ, que aprende padrões de trabalho, prioridades e próximas ações necessárias. Segundo a empresa, isso permite que o agente se torne mais alinhado às necessidades de cada usuário.

Foco em segurança e acesso corporativo

A companhia informou que também contribuirá com recursos de conformidade de políticas diretamente para o projeto OpenClaw. Com isso, organizações que utilizam a tecnologia poderão verificar se seus ambientes atendem aos requisitos de segurança e conformidade definidos internamente.

No ambiente empresarial, cada agente do Scout opera sob uma identidade própria gerenciada pelo Entra, evitando o uso de contas compartilhadas. A Microsoft afirma que as credenciais são protegidas, limitadas às tarefas autorizadas e ocultadas de registros e diagnósticos. Além disso, ações consideradas sensíveis podem exigir aprovação humana antes de serem executadas. Políticas de proteção de dados do Microsoft Purview também são aplicadas durante as operações do agente.

Disponibilidade inicial

Segundo a empresa, funcionários da Microsoft já utilizam uma versão inicial do Scout para avaliar seu funcionamento em situações reais de trabalho. Agora, a experiência está sendo ampliada para um grupo seleto de clientes em uma fase de visualização privada e para organizações participantes do programa Frontier.

O acesso exige inscrição no Frontier, configuração de políticas do Intune e uma confirmação voluntária de participação. Usuários que possuam licença do GitHub Copilot podem então baixar e instalar a experiência experimental.

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Microsoft lança MAI-Thinking-1, seu primeiro modelo avançado de IA

A Microsoft anunciou durante o Build 2026 uma nova geração de modelos de inteligência artificial (IA) desenvolvidos internamente pela companhia. Entre os lançamentos está o MAI-Thinking-1, descrito pela empresa como seu novo modelo principal e o primeiro focado em capacidades avançadas de raciocínio.

O anúncio marca mais um passo da estratégia da Microsoft para ampliar seu portfólio próprio de IA. A empresa começou a desenvolver modelos internos no ano passado, após anos utilizando principalmente tecnologias da OpenAI. Recentemente, as duas companhias renegociaram seu acordo, flexibilizando a relação entre elas.

Microsoft anunciou seu primeiro modelo de IA avançado, MAI-Thinking-1 – Imagem: Reprodução / Microsoft

MAI-Thinking-1 é o novo modelo principal da Microsoft

Segundo a Microsoft, o MAI-Thinking-1 é um modelo de porte médio que alcança desempenho comparável ao de modelos líderes em benchmarks considerados importantes para engenharia de software.

A empresa afirma que o sistema foi treinado integralmente com dados próprios e limpos, sem utilizar técnicas de destilação a partir de modelos de terceiros. Esse método é frequentemente empregado para transferir capacidades de um modelo maior para outro menor, mas a Microsoft destaca que não recorreu a essa abordagem no desenvolvimento do novo modelo.

O lançamento representa uma expansão dos esforços da companhia na criação de tecnologias próprias de inteligência artificial, área na qual vinha investindo desde a introdução de seus primeiros modelos internos em 2025.

Novos modelos cobrem imagem, voz, transcrição e programação

Além do MAI-Thinking-1, a Microsoft revelou outros seis modelos voltados para diferentes aplicações de IA.

Os modelos MAI-Image 2.5 e sua versão Flash foram desenvolvidos para geração de imagens a partir de texto e também para edição de imagens.

Já o MAI-Transcribe-1.5 é destinado à transcrição de áudio. De acordo com a empresa, ele opera em uma velocidade cinco vezes superior à de modelos concorrentes.

Na área de voz, a companhia apresentou o MAI-Voice-2 e anunciou uma versão Flash, que será disponibilizada futuramente. A nova geração adiciona suporte a 15 novos idiomas e amplia as opções de vozes disponíveis.

Para desenvolvimento de software, a Microsoft também lançou o MAI-Code-1, descrito como um modelo eficiente em inferência. A tecnologia já está integrada ao GitHub Copilot e ao Visual Studio Code, ferramentas amplamente utilizadas por programadores.

Ao todo, a empresa anunciou sete novos modelos durante o Build 2026, reforçando sua estratégia de ampliar a oferta de soluções próprias de inteligência artificial para diferentes tipos de aplicação.

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Microsoft Build 2026: novos modelos de IA, super app do Copilot e melhorias no Windows

A Microsoft deve aproveitar a conferência Build desta semana para mostrar até onde pretende levar sua aposta em inteligência artificial. Entre as novidades esperadas estão novos modelos de IA, mudanças importantes no Windows 11 e uma reformulação do Copilot.

O evento acontece em São Francisco em um momento sensível para a empresa, que tenta recuperar a confiança de desenvolvedores após problemas recentes envolvendo Windows e GitHub, afirma o The Verge.

Novo ambiente do Windows 11 promete menos distrações, ferramentas pré-instaladas e mais praticidade para programação. Imagem: aileenchik/Shutterstock

Windows com foco em desenvolvedores

A Microsoft deve apresentar uma experiência otimizada do Windows 11 para desenvolvedores, com ambiente sem distrações, aplicativos pré-instalados, ferramentas e scripts. A empresa também deve detalhar seus esforços para reescrever partes do Windows 11 com o objetivo de melhorar desempenho e experiência geral — um plano apresentado no início deste ano que já gerou melhorias iniciais.

Haverá ainda anúncios sobre como o Windows está se adaptando a novos chips, como o RTX Spark, da Nvidia. Fontes indicam que o evento terá foco maior em modelos de IA rodando localmente no Windows, permitindo que desenvolvedores usem capacidade de processamento local em vez de depender de modelos na nuvem. O chefe do Windows, Pavan Davuluri, havia antecipado na semana passada que “algo novo está chegando para desenvolvedores” no Build.

Durante a keynote, o CEO Satya Nadella deve discutir o anúncio do RTX Spark ao lado do CEO da Nvidia, Jensen Huang. A Qualcomm também deve marcar presença para falar sobre seu trabalho contínuo com a Microsoft no crescimento do Windows em processadores Arm. PCs compactos com RTX Spark da Microsoft e da HP estiveram notavelmente ausentes na lista de fabricantes exibida durante a keynote da Nvidia na Computex.

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
Build 2026 deve revelar novos modelos de IA da Microsoft para Windows, chips Arm e processamento local. Imagem: TippaPatt / Shutterstock

Novo modelo de raciocínio e outros lançamentos de IA

Mustafa Suleyman, chefe da Microsoft AI, deve apresentar o MAI-Thinking-1, descrito como o primeiro modelo de raciocínio da empresa. De acordo com as fontes, a Microsoft não utilizou destilação para criar esse modelo — ou seja, ele não foi treinado a partir dos resultados de outro modelo de IA. O MAI-Thinking-1 deve ser direcionado principalmente para uso corporativo.

Além do modelo de raciocínio, outros lançamentos esperados incluem:

  • MAI-Image-2.5;
  • MAI-Image-2.5-Flash;
  • Novos modelos locais para Windows;
  • Recursos voltados para chips Arm;
  • RTX Spark;
  • Melhorias para IA executada localmente.

O próprio Suleyman havia antecipado o lançamento do MAI-Image-2.5 na semana passada, prometendo mais detalhes no Build.

Ao fundo, logo da Microsoft; à frente, logo do Copilot em um smartphone
Microsoft prepara aplicativo unificado para concentrar recursos de IA do Copilot em um só lugar. Imagem: Mijansk786/Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Super app do Copilot ainda em desenvolvimento

A Microsoft também deve apresentar seu “super app” do Copilot no evento. A publicação Fortune foi a primeira a reportar o projeto, descrevendo-o como um aplicativo que reúne os diferentes assistentes de IA do Copilot em uma única interface. Fontes confirmam que o desenvolvimento está em andamento, mas indicam que o screenshot vazado na sexta-feira anterior ao evento é apenas um mockup preparado para as demonstrações do Build.

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A imagem vazada também mostra uma prévia do Microsoft Scout, descrito como um novo agente de IA baseado no trabalho interno da Microsoft chamado OpenClaw. O super app do Copilot não estará disponível durante o Build, já que a empresa ainda está no processo de criação. A previsão é que ele chegue em prévia somente no final do verão no hemisfério norte.

GitHub sob pressão

O GitHub também deve ser tema no Build. A plataforma enfrenta uma série de problemas: onda de saídas, instabilidades e incidentes de segurança, com desenvolvedores de alto perfil passando a levantar alertas sobre a situação. Parte da organização do Build está sendo conduzida pela equipe do GitHub, e a expectativa é de que a Microsoft aborde os problemas da plataforma durante o evento.

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Anthropic paga bilhões à SpaceX e negocia com Microsoft para expandir infraestrutura de IA

A Anthropic, empresa de inteligência artificial, conduz negociações com a Microsoft para acesso a chips de servidores de IA, conforme informações divulgadas nesta quarta-feira (21) pelo The Information. A iniciativa busca aumentar sua capacidade de processamento para sustentar a demanda crescente por seus modelos Claude.

Em paralelo, a companhia firmou um contrato de larga escala para utilização de centros de dados associados à SpaceX, localizados em Memphis, nos Estados Unidos. O acordo envolve pagamentos anuais estimados em 15 bilhões de dólares.

As duas movimentações indicam a intensificação da disputa por infraestrutura computacional no setor de IA, com contratos que combinam expansão de capacidade e mecanismos de flexibilidade operacional.

Para quem tem pressa:

  • A Anthropic busca ampliar sua capacidade de IA negociando acesso a chips da Microsoft e avançando em novas parcerias de infraestrutura;
  • A empresa também fechou um acordo de US$ 15 bilhões por ano com data centers ligados à SpaceX em Memphis até 2029;
  • Os contratos incluem cláusulas de ajuste e saída rápida, refletindo a disputa global por poder computacional em IA.

Expansão da base computacional e contratos de grande escala

Fachada da Microsoft – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

As tratativas com a Microsoft envolvem o uso de chips desenvolvidos para infraestrutura de inteligência artificial, conhecidos internamente como Maia.

Esses componentes fazem parte da estratégia da empresa de tecnologia para reduzir dependência de fornecedores externos e ampliar sua atuação no mercado de hardware para IA. No caso da Anthropic, o objetivo é utilizar esse tipo de recurso para executar seus modelos Claude com maior escala.

No outro eixo de sua estratégia, a empresa fechou um acordo com a SpaceX para acesso a centros de dados conhecidos como Colossus I e Colossus II.

O contrato estabelece pagamentos de aproximadamente 1,25 bilhão de dólares por mês (isto é, 15 bilhões anualmente), com vigência até 2029. O arranjo prevê ajustes de custo durante a fase inicial de expansão da capacidade operacional.

Fachada da Starbase, da Spacex
SpaceX – Imagem: Findaview/Shutterstock

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O acordo também inclui uma cláusula que permite a qualquer uma das partes encerrar a parceria mediante aviso prévio de 90 dias. Segundo informações vinculadas ao documento regulatório da SpaceX, o volume financeiro do contrato tem potencial para se aproximar ou até superar parte relevante da receita anual da empresa em 2025.

Além disso, o cenário descrito aponta para uma pressão crescente sobre empresas de IA na busca por poder computacional, em um ambiente marcado por limitações de infraestrutura e expansão acelerada de demanda.

Em declarações associadas ao tema, foi mencionado que a oferta de capacidade de processamento em larga escala está se tornando um componente estratégico central nesse mercado.

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Microsoft cancela licenças do Claude Code para desenvolvedores

A Microsoft está cancelando a maioria das licenças do Claude Code da Anthropic e direcionando milhares de seus desenvolvedores para o GitHub Copilot CLI. A decisão marca o fim de um experimento de seis meses que permitiu que funcionários da empresa experimentassem a ferramenta de codificação baseada em inteligência artificial (IA).

A empresa havia aberto acesso ao Claude Code em dezembro, convidando milhares de desenvolvedores internos a usar a ferramenta de codificação da Anthropic diariamente. O objetivo era permitir que gerentes de projetos, designers e outros funcionários experimentassem programação pela primeira vez. Segundo fontes, o Claude Code se tornou muito popular dentro da Microsoft nos últimos seis meses.

Microsoft faz transição forçada para o GitHub Copilot CLI

  • Apesar da popularidade, a Microsoft está planejando remover a maioria das licenças do Claude Code e direcionar desenvolvedores para o Copilot CLI;
  • A ferramenta da Anthropic acabou prejudicando a adoção do novo GitHub Copilot CLI da Microsoft — uma versão de linha de comando do GitHub Copilot que funciona fora de aplicações de desenvolvimento, como o Visual Studio Code;
  • A equipe Experiences + Devices da Microsoft, que inclui engenheiros responsáveis pelo Windows, Microsoft 365, Outlook, Microsoft Teams e Surface, está encerrando o uso do Claude Code até o final de junho;
  • Fontes indicaram ao The Verge que os engenheiros estão sendo encorajados a migrar seus fluxos de trabalho para o GitHub Copilot CLI nas próximas semanas, antes do prazo final.

A Microsoft está comunicando aos funcionários que a decisão visa convergir para o Copilot CLI como principal ferramenta de interface de linha de comando across a divisão Experiences + Devices. No entanto, fontes revelam que a decisão também tem motivação financeira.

“Quando começamos a oferecer o Copilot CLI e o Claude Code, nosso objetivo era aprender rapidamente, avaliar as ferramentas em fluxos de trabalho de engenharia reais e entender o que melhor atendia às nossas equipes”, diz Rajesh Jha, vice-presidente executivo do grupo de experiências e dispositivos da Microsoft, em memorando interno visto pelo Notepad.

“O Claude Code foi uma parte importante desse aprendizado… Ao mesmo tempo, o Copilot CLI nos proporcionou algo especialmente importante: um produto que podemos ajudar a moldar diretamente com o GitHub para os repositórios, fluxos de trabalho, expectativas de segurança e necessidades de engenharia da Microsoft.”

A mudança do uso do Claude Code para o GitHub Copilot promete ser um processo complicado para os engenheiros da Microsoft. Nos últimos meses, a empresa vinha incentivando até mesmo funcionários sem experiência em programação a utilizarem o Claude Code, permitindo que profissionais, como designers e gerentes de projeto, criassem protótipos com a ferramenta.

Em um primeiro momento, a estratégia da Microsoft também previa que os funcionários utilizassem simultaneamente o Claude Code e o GitHub Copilot. O objetivo era comparar o desempenho das duas plataformas e coletar feedback interno sobre a experiência de uso.

Apesar do encerramento, a relação entre Anthropic e Microsoft segue inabalada – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Segundo o Verge, os próprios desenvolvedores da Microsoft passaram a demonstrar preferência pelo Claude Code em vez do GitHub Copilot CLI nos últimos meses. Ainda de acordo com o relato, persistem diferenças e limitações entre os dois produtos que agora precisam ser solucionadas pela companhia.

A Microsoft chegou a considerar a aquisição da Cursor — que, recentemente, fechou acordo de cooperação com a SpaceX — nos últimos meses como forma de diminuir a distância em relação ao GitHub Copilot.

Posteriormente, porém, a empresa teria começado a avaliar outras startups de IA para fortalecer suas ambições no setor e evitar possíveis obstáculos regulatórios. “Estamos trabalhando em estreita colaboração com o GitHub e continuamos a aprimorar o Copilot CLI para engenheiros da Microsoft”, afirma Jha.

“A equipe do GitHub já implementou melhorias significativas com base no feedback da Microsoft, e a Experiences + Devices continuará intimamente envolvida na definição do produto. Essa é uma responsabilidade compartilhada entre o GitHub e a liderança da E+D: tornar o Copilot CLI a melhor experiência de programação orientada a agentes para engenheiros da Microsoft.

Os modelos da Anthropic continuarão acessíveis por meio do Copilot CLI, bem como modelos internos da Microsoft e a gama de modelos da OpenAI. A Microsoft também está incentivando os desenvolvedores a enviar relatórios de bugs e feedbacks sobre o Copilot CLI antes do fim do uso do Claude Code.

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Estreita parceria

A Microsoft se consolidou rapidamente, no início deste ano, como um dos principais clientes da Anthropic e, segundo relatos, chegou até mesmo a contabilizar a comercialização dos modelos de IA da empresa em suas próprias metas de vendas do Azure.

Em novembro, as duas companhias também firmaram um acordo que permite aos clientes do Microsoft Foundry acessar os modelos Claude Sonnet 4.5, Claude Opus 4.1 e Claude Haiku 4.5.

A decisão de cancelar as licenças do Claude Code não afeta o acordo envolvendo o Foundry. Ainda assim, funcionários da Microsoft continuam demonstrando preferência pelos modelos Claude em aplicações do Microsoft 365 e no Copilot, já que essas ferramentas têm apresentado desempenho superior ao das soluções da OpenAI em determinadas tarefas.

Recentemente, a Microsoft também colaborou de forma estreita com a Anthropic para integrar ao Microsoft 365 Copilot a tecnologia utilizada no Claude Cowork.

Com isso, cresce a pressão sobre a equipe do GitHub, pertencente à Microsoft, para aprimorar o Copilot CLI e, ao mesmo tempo, superar o Claude Code. No ano passado, a Microsoft informou que 91% de suas equipes de engenharia utilizavam o GitHub Copilot. Entretanto, o crescimento do uso do Claude Code nos últimos seis meses aparentemente afetou esse índice.

Agora, a empresa busca reverter esse cenário e fazer com que seus próprios engenheiros voltem a concentrar esforços no desenvolvimento de sua ferramenta de programação baseada em IA.

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Brasil é destaque no uso avançado de IA no trabalho, segundo Microsoft

O Brasil aparece entre os países mais avançados na adoção prática de inteligência artificial no ambiente corporativo, segundo o Work Trend Index 2026, estudo divulgado pela Microsoft neste mês. A pesquisa aponta que o país tem proporcionalmente mais profissionais considerados “de fronteira” no uso de IA do que mercados como Estados Unidos, Japão e Índia.

De acordo com o relatório, 27% dos trabalhadores brasileiros que utilizam IA já atuam em níveis considerados avançados pela empresa. Esse grupo reúne profissionais capazes de automatizar fluxos de trabalho com agentes de IA, criar sistemas multiagentes, reformular rotinas e identificar processos repetitivos que podem ser automatizados.

Além disso, esses usuários também ajudam a estabelecer padrões internos para o uso da tecnologia dentro das equipes. Globalmente, os chamados “Frontier Professionals” representam, em média, 16% dos usuários de IA.

A pesquisa foi baseada em trilhões de sinais de produtividade anonimizados do Microsoft 365, além de entrevistas com 20 mil trabalhadores em dez países.

Outro dado que colocou o Brasil em destaque foi a velocidade da transformação no cotidiano profissional. Segundo o estudo, 72% dos brasileiros afirmam desempenhar hoje atividades que não realizavam há um ano por causa da inteligência artificial. A média global é de 58%.

Entre os profissionais classificados como mais avançados no uso da tecnologia, esse índice chega a 80%.

Relatório da Microsoft analisa impacto da IA no mercado de trabalho ao redor do mundo – Imagem: gguy/Shutterstock

Adoção de IA: profissionais x empresas

O levantamento sugere que parte dessa aceleração pode estar relacionada à pressão sentida pelos trabalhadores diante do avanço da IA. No Brasil, quase 80% afirmam temer ficar para trás caso não aprendam rapidamente a utilizar essas ferramentas no trabalho. No cenário global, esse percentual é de 65%.

Apesar do avanço no uso da tecnologia, a pesquisa indica que as empresas ainda não acompanham o mesmo ritmo de transformação. A Microsoft afirma existir um descompasso crescente entre aquilo que os profissionais já conseguem fazer com IA e o quanto as organizações estão preparadas para sustentar essa mudança do ponto de vista estrutural.

Segundo o relatório, os fatores organizacionais (como cultura corporativa, apoio da liderança e gestão de talentos) têm impacto mais do que duas vezes maior no sucesso da adoção da IA do que fatores individuais. A influência institucional representa 67% do impacto total, enquanto aspectos ligados ao comportamento e mentalidade dos trabalhadores respondem por 32%.

Para a empresa, o principal gargalo deixou de ser falta de habilidade técnica dos funcionários e passou a ser a capacidade das organizações de redesenhar o trabalho para incorporar a inteligência artificial.

O estudo também aponta uma mudança na forma como a IA está sendo utilizada dentro das empresas. Em vez de substituir pensamento crítico, a tecnologia estaria assumindo tarefas operacionais e liberando profissionais para funções mais estratégicas.

Uma análise de mais de 100 mil interações no Microsoft 365 Copilot mostrou que 49% das conversas envolvendo IA estão relacionadas a trabalho cognitivo, incluindo análise de informações, resolução de problemas, avaliação e criatividade. Nesse contexto, as habilidades humanas consideradas mais importantes passam a ser justamente aquelas ligadas à supervisão da própria IA.

Segundo os entrevistados, as competências mais valorizadas em um ambiente cada vez mais automatizado são o controle de qualidade das respostas geradas pela IA, citado por 50% dos participantes, e o pensamento crítico, apontado por 46%.

Relatório Anual do Índice de Tendências de Trabalho de 2026 da Microsoft
Principal impacto da IA no mercado de trabalho é em fatores organizacionais, como cultura corporativo, gestão e gerenciamento de talentos – Imagem: Relatório Anual do Índice de Tendências de Trabalho de 2026 da Microsoft

IA torna ambiente de trabalho mais inseguro

O relatório também identificou um conflito crescente dentro das empresas: embora exista pressão para acelerar a adoção da inteligência artificial, muitos profissionais ainda sentem receio de transformar radicalmente seus processos de trabalho.

Globalmente, 45% afirmam que ainda consideram mais seguro manter o foco nas metas atuais do que reformular completamente suas rotinas em torno da IA.

Além disso, o reconhecimento corporativo pela reinvenção ainda parece limitado. No Brasil, apenas 16% dos profissionais dizem ser recompensados por usar IA para transformar sua forma de trabalhar e gerar mais resultados. Na média global, esse índice cai para 13%.

Outro ponto destacado pela Microsoft é o crescimento acelerado do uso de agentes de IA dentro do ecossistema Microsoft 365. O número dessas ferramentas aumentou 15 vezes em um ano e chegou a crescer 18 vezes nas grandes empresas.

Segundo a companhia, as organizações mais avançadas não estão apenas adotando inteligência artificial, mas redesenhando completamente a forma como o trabalho é executado.

O relatório conclui que as empresas mais competitivas serão aquelas capazes de transformar aprendizado contínuo em parte central da operação, utilizando IA não apenas como ferramenta de produtividade, mas como base para novos modelos organizacionais.

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Pentágono fecha acordo com sete empresas para uso militar da IA; Anthropic ficou de fora

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos formalizou acordos com sete empresas de tecnologia para integrar ferramentas de inteligência artificial em seus sistemas. A iniciativa marca um novo passo na estratégia do Pentágono para ampliar o uso de IA em operações militares e acelerar a adoção no dia a dia das Forças Armadas.

As sete companhias são: OpenAI, Google, Microsoft, Amazon Web Services (AWS), NVIDIA, SpaceX e a startup Reflection AI. Com os contratos, o governo americano passa a utilizar modelos e plataformas dessas empresas em ambientes confidenciais, incluindo redes de alto nível de segurança conhecidas como Níveis de Impacto 6 e 7.

Segundo o Departamento de Defesa, a medida busca ampliar o acesso de militares a ferramentas de ponta. A principal plataforma interna do órgão, a GenAI.mil, já foi utilizada por mais de 1,3 milhão de funcionários em apenas cinco meses de operação.

A expansão ocorre em meio a uma corrida global por aplicações militares de IA. Empresas do Vale do Silício têm demonstrado maior disposição em colaborar com o governo americano, aceitando condições para o uso de suas tecnologias em contextos de defesa. Para autoridades, o objetivo é garantir vantagem estratégica frente às rivais.

Anthropic foi classificada como risco à cadeia de suprimentos e está impedida de fechar contratos governamentais – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Anthropic ficou de fora

Apesar da ampliação da lista de parceiros, uma ausência chama atenção: a Anthropic. A empresa, que já teve seus modelos amplamente utilizados em ambientes militares, foi recentemente classificada pelo Pentágono como um risco à cadeia de suprimentos, após divergências sobre as regras de uso de suas ferramentas. O Olhar Digital explicou a briga aqui.

A disputa entre a startup e o governo se arrasta há meses. Durante esse período, o governo dos EUA passou a priorizar alternativas para reduzir a dependência de um único fornecedor.

Em declarações recentes, Emil Michael , subsecretário de defesa para pesquisa e engenharia e ex-executivo de tecnologia, afirmou que a Anthropic ainda representa um risco, mas que o modelo Mythos é um “momento de segurança nacional à parte”.

O cenário, no entanto, pode mudar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou recentemente que a desenvolvedora está “melhorando” aos olhos da administração, o que pode abrir caminho para uma eventual reversão da restrição e um novo acordo com o Pentágono.

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Pentágono não quer depender de uma única empresa – Imagem: Keith J Finks/Shutterstock

Pentágono na corrida pela IA militar

Os novos acordos também refletem diferentes abordagens tecnológicas. Enquanto empresas como OpenAI e Google operam majoritariamente com modelos fechados, a inclusão da Nvidia e da Reflection indica o interesse crescente do Pentágono em soluções de código aberto. Esses modelos permitem maior personalização e transparência, características vistas como estratégicas em aplicações militares.

“A segurança é francamente aprimorada com o código aberto”, disse Jensen Huang, CEO da NVIDIA, ao defender esse tipo de abordagem em contextos de segurança nacional.

Ao mesmo tempo, empresas envolvidas nos contratos afirmam ter estabelecido limites para o uso de suas tecnologias, incluindo restrições relacionadas a vigilância em massa e armamentos autônomos. O Departamento de Defesa, por sua vez, declarou que seguirá as leis e diretrizes aplicáveis no uso dessas ferramentas.

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