A Microsoft reformulou a plataforma Copilot e transformou o assistente em um aplicativo unificado de produtividade. A nova versão reúne conversa, criação de código e automação em uma mesma interface, em uma tentativa de ampliar o uso pago da ferramenta entre clientes corporativos do Office 365.
Segundo a CNBC, hoje, menos de 7% das mais de 450 milhões de licenças corporativas do Office 365 incluem a versão paga dos recursos de inteligência artificial da Microsoft. Na prática, isso significa que menos de uma em cada 14 licenças tem acesso ao Copilot pago.
O agente Autopilot roda na nuvem e continua executando tarefas mesmo quando o usuário está offline. – Imagem: Divulgação/Microsoft
Três abas para diferentes tarefas
O novo aplicativo Copilot organiza os recursos em três abas principais, cada uma voltada a um tipo de trabalho:
Home: é a tela inicial do aplicativo e reúne o Chat e o Cowork. Também integra Word, Excel e PowerPoint para criar e editar arquivos em tempo real.
Code: permite que pessoas sem experiência em programação criem pequenos aplicativos, painéis e automações descrevendo o que precisam em linguagem natural. A ferramenta usa a mesma tecnologia do GitHub Copilot.
Autopilot: funciona como um assistente que continua executando tarefas mesmo quando o usuário não está trabalhando. Ele pode acompanhar conversas no Teams, e-mails no Outlook e outras atividades recorrentes.
Assim como o Office definiu o trabalho para a era do PC, o novo Copilot foi construído para defini-lo para a era da IA.
Jared Spataro, diretor de marketing de IA para o trabalho na Microsoft, em nota.
Gestão de custos e cobrança por uso
A Microsoft também mudou a forma de cobrar pelos recursos mais avançados. A licença comercial do Microsoft 365 Copilot custa US$ 30 por usuário ao mês (cerca de R$ 155). Já Cowork, Code e Autopilot serão cobrados conforme a quantidade de uso.
Para ajudar as empresas a controlar esses gastos, a Microsoft apresentou o FinOps for AI, conjunto de ferramentas que permite acompanhar o consumo de inteligência artificial. Administradores podem definir limites de gastos, aprovar pedidos de crédito e escolher quais modelos de IA estarão disponíveis para diferentes grupos de funcionários.
“Estamos mantendo um padrão muito alto. Este produto está no seu melhor quando otimiza o valor para o usuário, a qualidade do resultado e aquilo que consegue entregar”, disse Jacob Andreou, vice-presidente executivo do Copilot na Microsoft.
A nova estrutura começa a chegar aos usuários nas próximas semanas. Home e Code serão disponibilizados primeiro aos participantes do programa de testes Frontier, enquanto o Autopilot entra em prévia privada até o fim de setembro.
A Microsoft vai permitir que organizadores desliguem recursos de IA no Teams, como o Copilot, o Facilitator e o resumo automático das reuniões. A mudança foi revelada pelo Windows Central e chega como resposta a uma demanda bem direta: mais controle sobre o que a IA faz dentro das reuniões.
A liberação começa a ser aplicada em fases ao longo de julho de 2026.
Copilot pode ser desligado em reuniões do Teams com nova função anunciada pela Microsoft para julho de 2026. – Imagem: Azulblue / Shutterstock.com
O que muda no uso do Teams na prática
Na rotina das reuniões, a novidade dá mais poder a quem organiza o encontro. Agora será possível desativar funções como o Copilot e o “recap” automático, além do Facilitator — ferramentas que hoje ajudam a organizar informações e resumir discussões.
Só que isso não será liberado de forma geral. Tem um detalhe importante aqui: apenas organizadores com licença poderão mexer nesses controles. Ou seja, não é algo aberto para qualquer participante.
A Microsoft comunicou a atualização pela Central de Mensagens do Microsoft 365 e confirmou que ela vale para todas as versões do Teams, sem exceção — desktop, web e mobile entram no pacote.
Desligamento do Copilot durante reuniões
Controle do Facilitator e do resumo automático
Restrito a organizadores com licença
Disponível em todas as versões do Teams
O pacote de IA dentro das reuniões
O chamado “Meeting AI” reúne os principais recursos de inteligência artificial do Teams. Entre eles estão o Copilot, o Facilitator e o Intelligent Recap, que monta resumos automáticos depois das reuniões.
Na teoria, essas ferramentas ajudam bastante: organizam notas, preenchem lacunas e destacam o que foi mais importante. Mas nem sempre agradam todo mundo — e isso a própria Microsoft já reconheceu em diferentes comunicações.
Em reportagem, o Windows Central observa que os recursos podem melhorar a produtividade, desde que não sejam usados de forma automática demais, sem critério.
Organizador de reunião no Teams poderá decidir quando usar IA como Copilot e quando manter tudo manual. – Imagem: El editorial/Shutterstock
Por que a Microsoft mudou agora
Existe uma pressão crescente por mais controle sobre a IA no ambiente corporativo. Muita gente simplesmente quer decidir quando essas ferramentas entram ou não na reunião — e isso virou uma discussão constante no setor.
O Windows Central também lembra que já existe um debate mais amplo sobre dependência de IA no trabalho. Em tom quase irônico, um analista chegou a comentar a ideia de “proibir IA nas tardes de sexta-feira”, refletindo um certo cansaço com automações em excesso.
Pesquisadores da própria Microsoft, citados pelo site, já apontaram que chatbots podem perder eficiência em conversas longas. Isso ajuda a explicar por que ajustes como esse estão sendo feitos agora.
No fim das contas, a mudança não tira a IA do Teams. Só deixa mais fácil escolher quando ela entra — e quando fica de fora.
A Microsoft deve aproveitar a conferência Build desta semana para mostrar até onde pretende levar sua aposta em inteligência artificial. Entre as novidades esperadas estão novos modelos de IA, mudanças importantes no Windows 11 e uma reformulação do Copilot.
O evento acontece em São Francisco em um momento sensível para a empresa, que tenta recuperar a confiança de desenvolvedores após problemas recentes envolvendo Windows e GitHub, afirma o The Verge.
Novo ambiente do Windows 11 promete menos distrações, ferramentas pré-instaladas e mais praticidade para programação. Imagem: aileenchik/Shutterstock
Windows com foco em desenvolvedores
A Microsoft deve apresentar uma experiência otimizada do Windows 11 para desenvolvedores, com ambiente sem distrações, aplicativos pré-instalados, ferramentas e scripts. A empresa também deve detalhar seus esforços para reescrever partes do Windows 11 com o objetivo de melhorar desempenho e experiência geral — um plano apresentado no início deste ano que já gerou melhorias iniciais.
Haverá ainda anúncios sobre como o Windows está se adaptando a novos chips, como o RTX Spark, da Nvidia. Fontes indicam que o evento terá foco maior em modelos de IA rodando localmente no Windows, permitindo que desenvolvedores usem capacidade de processamento local em vez de depender de modelos na nuvem. O chefe do Windows, Pavan Davuluri, havia antecipado na semana passada que “algo novo está chegando para desenvolvedores” no Build.
Durante a keynote, o CEO Satya Nadella deve discutir o anúncio do RTX Spark ao lado do CEO da Nvidia, Jensen Huang. A Qualcomm também deve marcar presença para falar sobre seu trabalho contínuo com a Microsoft no crescimento do Windows em processadores Arm. PCs compactos com RTX Spark da Microsoft e da HP estiveram notavelmente ausentes na lista de fabricantes exibida durante a keynote da Nvidia na Computex.
Build 2026 deve revelar novos modelos de IA da Microsoft para Windows, chips Arm e processamento local. Imagem: TippaPatt / Shutterstock
Novo modelo de raciocínio e outros lançamentos de IA
Mustafa Suleyman, chefe da Microsoft AI, deve apresentar o MAI-Thinking-1, descrito como o primeiro modelo de raciocínio da empresa. De acordo com as fontes, a Microsoft não utilizou destilação para criar esse modelo — ou seja, ele não foi treinado a partir dos resultados de outro modelo de IA. O MAI-Thinking-1 deve ser direcionado principalmente para uso corporativo.
Além do modelo de raciocínio, outros lançamentos esperados incluem:
MAI-Image-2.5;
MAI-Image-2.5-Flash;
Novos modelos locais para Windows;
Recursos voltados para chips Arm;
RTX Spark;
Melhorias para IA executada localmente.
O próprio Suleyman havia antecipado o lançamento do MAI-Image-2.5 na semana passada, prometendo mais detalhes no Build.
Microsoft prepara aplicativo unificado para concentrar recursos de IA do Copilot em um só lugar. Imagem: Mijansk786/Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock
Super app do Copilot ainda em desenvolvimento
A Microsoft também deve apresentar seu “super app” do Copilot no evento. A publicação Fortune foi a primeira a reportar o projeto, descrevendo-o como um aplicativo que reúne os diferentes assistentes de IA do Copilot em uma única interface. Fontes confirmam que o desenvolvimento está em andamento, mas indicam que o screenshot vazado na sexta-feira anterior ao evento é apenas um mockup preparado para as demonstrações do Build.
A imagem vazada também mostra uma prévia do Microsoft Scout, descrito como um novo agente de IA baseado no trabalho interno da Microsoft chamado OpenClaw. O super app do Copilot não estará disponível durante o Build, já que a empresa ainda está no processo de criação. A previsão é que ele chegue em prévia somente no final do verão no hemisfério norte.
GitHub sob pressão
O GitHub também deve ser tema no Build. A plataforma enfrenta uma série de problemas: onda de saídas, instabilidades e incidentes de segurança, com desenvolvedores de alto perfil passando a levantar alertas sobre a situação. Parte da organização do Build está sendo conduzida pela equipe do GitHub, e a expectativa é de que a Microsoft aborde os problemas da plataforma durante o evento.
A Microsoft está cancelando a maioria das licenças do Claude Code da Anthropic e direcionando milhares de seus desenvolvedores para o GitHub Copilot CLI. A decisão marca o fim de um experimento de seis meses que permitiu que funcionários da empresa experimentassem a ferramenta de codificação baseada em inteligência artificial (IA).
A empresa havia aberto acesso ao Claude Code em dezembro, convidando milhares de desenvolvedores internos a usar a ferramenta de codificação da Anthropic diariamente. O objetivo era permitir que gerentes de projetos, designers e outros funcionários experimentassem programação pela primeira vez. Segundo fontes, o Claude Code se tornou muito popular dentro da Microsoft nos últimos seis meses.
Microsoft faz transição forçada para o GitHub Copilot CLI
Apesar da popularidade, a Microsoft está planejando remover a maioria das licenças do Claude Code e direcionar desenvolvedores para o Copilot CLI;
A ferramenta da Anthropic acabou prejudicando a adoção do novo GitHub Copilot CLI da Microsoft — uma versão de linha de comando do GitHub Copilot que funciona fora de aplicações de desenvolvimento, como o Visual Studio Code;
A equipe Experiences + Devices da Microsoft, que inclui engenheiros responsáveis pelo Windows, Microsoft 365, Outlook, Microsoft Teams e Surface, está encerrando o uso do Claude Code até o final de junho;
Fontes indicaram ao The Verge que os engenheiros estão sendo encorajados a migrar seus fluxos de trabalho para o GitHub Copilot CLI nas próximas semanas, antes do prazo final.
A Microsoft está comunicando aos funcionários que a decisão visa convergir para o Copilot CLI como principal ferramenta de interface de linha de comando across a divisão Experiences + Devices. No entanto, fontes revelam que a decisão também tem motivação financeira.
“Quando começamos a oferecer o Copilot CLI e o Claude Code, nosso objetivo era aprender rapidamente, avaliar as ferramentas em fluxos de trabalho de engenharia reais e entender o que melhor atendia às nossas equipes”, diz Rajesh Jha, vice-presidente executivo do grupo de experiências e dispositivos da Microsoft, em memorando interno visto pelo Notepad.
“O Claude Code foi uma parte importante desse aprendizado… Ao mesmo tempo, o Copilot CLI nos proporcionou algo especialmente importante: um produto que podemos ajudar a moldar diretamente com o GitHub para os repositórios, fluxos de trabalho, expectativas de segurança e necessidades de engenharia da Microsoft.”
A mudança do uso do Claude Code para o GitHub Copilot promete ser um processo complicado para os engenheiros da Microsoft. Nos últimos meses, a empresa vinha incentivando até mesmo funcionários sem experiência em programação a utilizarem o Claude Code, permitindo que profissionais, como designers e gerentes de projeto, criassem protótipos com a ferramenta.
Em um primeiro momento, a estratégia da Microsoft também previa que os funcionários utilizassem simultaneamente o Claude Code e o GitHub Copilot. O objetivo era comparar o desempenho das duas plataformas e coletar feedback interno sobre a experiência de uso.
Apesar do encerramento, a relação entre Anthropic e Microsoft segue inabalada – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
Segundo o Verge, os próprios desenvolvedores da Microsoft passaram a demonstrar preferência pelo Claude Code em vez do GitHub Copilot CLI nos últimos meses. Ainda de acordo com o relato, persistem diferenças e limitações entre os dois produtos que agora precisam ser solucionadas pela companhia.
A Microsoft chegou a considerar a aquisição da Cursor — que, recentemente, fechou acordo de cooperação com a SpaceX — nos últimos meses como forma de diminuir a distância em relação ao GitHub Copilot.
Posteriormente, porém, a empresa teria começado a avaliar outras startups de IA para fortalecer suas ambições no setor e evitar possíveis obstáculos regulatórios. “Estamos trabalhando em estreita colaboração com o GitHub e continuamos a aprimorar o Copilot CLI para engenheiros da Microsoft”, afirma Jha.
“A equipe do GitHub já implementou melhorias significativas com base no feedback da Microsoft, e a Experiences + Devices continuará intimamente envolvida na definição do produto. Essa é uma responsabilidade compartilhada entre o GitHub e a liderança da E+D: tornar o Copilot CLI a melhor experiência de programação orientada a agentes para engenheiros da Microsoft.”
Os modelos da Anthropic continuarão acessíveis por meio do Copilot CLI, bem como modelos internos da Microsoft e a gama de modelos da OpenAI. A Microsoft também está incentivando os desenvolvedores a enviar relatórios de bugs e feedbacks sobre o Copilot CLI antes do fim do uso do Claude Code.
A Microsoft se consolidou rapidamente, no início deste ano, como um dos principais clientes da Anthropic e, segundo relatos, chegou até mesmo a contabilizar a comercialização dos modelos de IA da empresa em suas próprias metas de vendas do Azure.
Em novembro, as duas companhias também firmaram um acordo que permite aos clientes do Microsoft Foundry acessar os modelos Claude Sonnet 4.5, Claude Opus 4.1 e Claude Haiku 4.5.
A decisão de cancelar as licenças do Claude Code não afeta o acordo envolvendo o Foundry. Ainda assim, funcionários da Microsoft continuam demonstrando preferência pelos modelos Claude em aplicações do Microsoft 365 e no Copilot, já que essas ferramentas têm apresentado desempenho superior ao das soluções da OpenAI em determinadas tarefas.
Recentemente, a Microsoft também colaborou de forma estreita com a Anthropic para integrar ao Microsoft 365 Copilot a tecnologia utilizada no Claude Cowork.
Com isso, cresce a pressão sobre a equipe do GitHub, pertencente à Microsoft, para aprimorar o Copilot CLI e, ao mesmo tempo, superar o Claude Code. No ano passado, a Microsoft informou que 91% de suas equipes de engenharia utilizavam o GitHub Copilot. Entretanto, o crescimento do uso do Claude Code nos últimos seis meses aparentemente afetou esse índice.
Agora, a empresa busca reverter esse cenário e fazer com que seus próprios engenheiros voltem a concentrar esforços no desenvolvimento de sua ferramenta de programação baseada em IA.
Esta semana, a gigante Microsoft passou a implementar para os assinantes dos planos do Office uma atualização do Copilot: o Agent Mode. O update é descrito como uma versão mais poderosa, que agora promete a execução de ações diretas nos documentos de formato Word, Excel e PowerPoint.
Outrora conhecida por “vibe working” no ano passado, o Agent Mode oferta um molde de inteligência artificial mais refinado do que a versão anterior do Copilot. A empresa destaca, inclusive, que essa atualização executa tarefas em várias etapas sem se perder no contexto em que trabalha.
Isso é importante porque, anteriormente, o Copilot trabalhava respondendo perguntas e auxiliava em sugestões de aprimoramento de conteúdo. Mas o modelo Agent Mode pode fazer isso enquanto compreende os comandos recebidos com maior eficácia, além de realizar edições diretas. Ou seja, o software tornou-se mais ‘ativo’.
Agent Mode: Microsoft anuncia implementação de um update no Copilot
Sistema Copilot em ação dentro dos softwares do pacote office (Imagem: Azulblue / Shutterstock.com)
Ao site The Verge, o vice-presidente corporativo do grupo, Sumit Chauhan, disse o seguinte:
Quando lançamos o Copilot pela primeira vez, os modelos fundamentais não eram poderosos o suficiente para usar o Copilot para comandar os aplicativos. Isso significava que o Copilot era um parceiro passivo nos documentos: ele podia responder perguntas, mas não conseguia executar ações diretamente no conteúdo.
— Sumit Chauhan, vice-presidente corporativo da Microsoft
A Microsoft também garante uma melhor qualidade geral das respostas geradas, maior capacidade de raciocínio e uma compreensão mais eficiente sobre as instruções recebidas. Isso auxilia na realização de tarefas mais complexas, como múltiplas edições seguidas.
A título de comparação com o Copilot ‘mais simples’, a versão com Agent Mode permite ao usuário acompanhar em tempo real todas as modificações implementadas pela IA via uma barra lateral na tela.
Sistema Copilot atrelado ao Word (Divulgação: Microsoft) – (Divulgação: Microsoft)
Como exemplo de ações práticas, a Microsoft destaca a criação de fórmulas, tabelas e alteração geral de planilhas (no Excel); a atualização de um slide com novas informações pertinentes sem comprometer o design (no PowerPoint); e a edição textual com maior autonomia (no Word).
O update foi desenvolvido para seguir melhor comandos e edições em documentos, planilhas e apresentações. “Ao longo do último ano, os modelos deram avanços significativos na capacidade de seguir instruções, raciocinar e na qualidade geral, e agora são melhores em lidar com edições de múltiplas etapas de forma confiável sem perder a intenção do usuário”, afirmou Chauhan.
Por padrão, o Copilot Agent Mode está em fase de liberação para assinantes dos planos Microsoft 365 Copilot e Microsoft 365 Copilot Premium. Contudo, a empresa ressalta que também estarão disponíveis nos planos Personal e Family.
A Microsoft está explorando formas de integrar recursos similares ao OpenClaw no 365 Copilot, segundo reportagem do The Information. Os testes fazem parte dos esforços para fazer o assistente de IA da 365 Copilot “funcionar autonomamente 24 horas por dia” enquanto completa tarefas em nome dos usuários.
Omar Shahine, vice-presidente corporativo da Microsoft, confirmou ao The Information que a empresa está “explorando o potencial de tecnologias, como o OpenClaw, em um contexto empresarial“. O OpenClaw é uma plataforma de código aberto que permite aos usuários criar agentes de IA que funcionam localmente no dispositivo do usuário.
OpenClaw: preocupações de segurança e implementação empresarial
A plataforma OpenClaw ganhou popularidade no início deste ano, mas, desde então, levantou uma série de sérias preocupações de segurança;
Fontes informaram ao The Information que a Microsoft está confiante de que pode implementar versões “mais seguras” da ferramenta;
A versão sempre ativa do 365 Copilot poderia, segundo as fontes, fazer coisas, como monitorar a caixa de entrada do Outlook e o calendário de um usuário, e apresentar uma lista de tarefas sugeridas diariamente;
A Microsoft também está explorando agentes similares ao OpenClaw adaptados para certas funções, como marketing, vendas e contabilidade, para “limitar as permissões que o agente precisa“, isolando-os de outras partes de um negócio.
OpenClaw se mostra prático por automatizar tarefas, mas já entrou em polêmicas por conta disso – Imagem: Koshiro K/Shutterstock
Conforme observado pelo The Information, a Microsoft pretende apresentar algumas dessas funcionalidades durante sua conferência Build, que começa em 2 de junho.
No ano passado, a Anthropic lançou integrações com seu chatbot Claude dentro dos serviços Microsoft 365, além de trazer sua ferramenta Claude Cowork para o Copilot para ajudar a completar “tarefas de múltiplas etapas e longa duração“.
Trazer capacidades similares ao OpenClaw para o Copilot pode ajudar a Microsoft a recuperar alguns dos clientes que perdeu para serviços rivais.
A Microsoft tem sido alvo de comentários nas redes sociais por causa dos termos de uso do Copilot, que incluem um aviso direto sobre as limitações da ferramenta. O documento, que teria sido atualizado pela última vez em 24 de outubro de 2025, afirma que o sistema deve ser utilizado com cautela.
Apesar do foco da empresa em ampliar a adoção do Copilot entre clientes corporativos, o conteúdo desses termos chamou atenção ao destacar que a ferramenta não deve ser considerada confiável para orientações importantes.
Copilot apresenta mensagem dizendo ser apenas para “fins de entretenimento” – Imagem: Primakov/Shutterstock
Aviso sobre uso do Copilot
Nos termos de uso, a Microsoft afirma que o Copilot é “apenas para fins de entretenimento”. O texto também alerta que a ferramenta pode cometer erros e não funcionar como esperado.
A empresa orienta os usuários a não confiarem no Copilot para conselhos importantes e reforça que o uso ocorre por conta e risco de quem acessa o serviço.
Atualizações nos termos
Em declaração ao PCMag, um porta-voz da Microsoft informou que a empresa pretende atualizar o que classificou como “linguagem legada” presente nesses termos.
Segundo o representante, com a evolução do produto, esse trecho já não reflete como o Copilot é utilizado atualmente e deverá ser alterado em uma próxima atualização.
O uso desse tipo de ressalva não é exclusivo da Microsoft. De acordo com o Tom’s Hardware, outras empresas de inteligência artificial também adotam orientações semelhantes.
A OpenAI, por exemplo, afirma que suas respostas não devem ser usadas como “única fonte de verdade ou informação factual”, enquanto a xAI recomenda que os usuários não tratem os resultados como “a verdade”.
OpenAI também tem mensagem de alerta em seus produtos – Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock
A Microsoft está redirecionando parte de sua estratégia em inteligência artificial (IA) sob a liderança de Mustafa Suleyman, atual CEO de IA da empresa. Após uma reestruturação anunciada em meados de março, o executivo transferiu algumas responsabilidades e passou a concentrar seus esforços no desenvolvimento de superinteligência.
Segundo Suleyman, essa mudança já vinha sendo planejada há meses e ganhou tração após a renegociação do contrato com a OpenAI. “Esse tem sido um plano de longa data”, afirmou. Para ele, o conceito de superinteligência está diretamente ligado à capacidade de modelos entregarem valor prático para empresas e usuários.
Embora termos como superinteligência e inteligência geral artificial (AGI) ainda tenham definições em aberto na indústria, o executivo afirma que o foco da Microsoft está em aplicações concretas. A meta é atender desenvolvedores, empresas e consumidores com modelos de linguagem capazes de gerar resultados em escala.
Novo modelo de transcrição
A Microsoft apresentou o MAI-Transcribe-1, um modelo de transcrição que, segundo a empresa, avança no reconhecimento de fala. De acordo com Suleyman, a tecnologia opera com cerca de metade do custo de GPU em comparação com outros modelos de ponta, o que representa economia operacional.
O modelo foi desenvolvido para lidar com condições adversas de áudio, como ruído de fundo, baixa qualidade e sobreposição de falas. Ele é capaz de transcrever reuniões, gerar legendas para vídeos e analisar interações em call centers em 25 idiomas.
O treinamento envolveu uma combinação de transcrições revisadas por humanos e conteúdos gerados por máquinas. Os dados incluem gravações em estúdios controlados, além de áudios captados em ambientes com ruído, como ruas movimentadas e cenários domésticos, além de dados públicos disponíveis na internet.
Estratégia e desenvolvimento
A reestruturação da Microsoft também unificou equipes voltadas para consumidores e empresas sob a marca Copilot. Com isso, parte das operações passou a ser liderada por Jacob Andreou, enquanto Suleyman direciona seu foco para o desenvolvimento de novos modelos de fronteira.
Microsoft unificou equipes voltadas para consumidores sob a marca Copilot – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock
O MAI-Transcribe-1 passa a integrar o portfólio da empresa ao lado dos modelos MAI-Voice-1 e MAI-Image-2, disponíveis na plataforma Microsoft Foundry e no novo Microsoft AI Playground. Segundo a empresa, é a primeira vez que esses modelos estão amplamente disponíveis para uso comercial.
Suleyman atribui parte do desempenho do novo modelo a uma equipe reduzida, com cerca de dez pessoas, dedicada exclusivamente ao desenvolvimento. Segundo ele, o grupo opera com menos interferência burocrática, enquanto outras equipes dão suporte em tarefas como coleta de dados e gestão de fornecedores.
A estratégia da Microsoft também acompanha movimentos de outras empresas do setor, como Meta, Amazon e Google, que vêm testando estruturas organizacionais mais enxutas para acelerar o desenvolvimento de IA.
Suleyman afirma que o objetivo é criar sistemas de IA centrados no usuário. “Todos terão um assistente de IA no bolso, de classe mundial, responsável e alinhado aos seus interesses”, disse. A proposta, segundo ele, é oferecer ferramentas que atuem diretamente em benefício dos usuários.
A Microsoft anunciou nesta segunda-feira (30) uma série de atualizações em seu assistente Copilot, com foco em ampliar o uso de inteligência artificial (IA) em fluxos de trabalho corporativos. Entre as novidades, a empresa revelou recursos que permitem utilizar múltiplos modelos de IA simultaneamente, além de disponibilizar o agente Copilot Cowork para um grupo inicial de clientes.
As mudanças fazem parte da estratégia da companhia para aumentar a adoção de suas ferramentas de IA em meio à concorrência crescente no setor. A iniciativa inclui melhorias voltadas à confiabilidade das respostas e à produtividade dos usuários, além da expansão do acesso a recursos experimentais por meio de seu programa Frontier.
Copilot agora tem recurso que combina IAs da Anthropic e OpenAI para gerar respostas mais confiáveis (Imagem: Tada Images / Shutterstock.com)
Uso combinado de modelos de IA
Um dos principais anúncios é o recurso chamado “Critique”, integrado ao agente Researcher do Copilot. Com ele, a ferramenta passa a combinar resultados de diferentes modelos de IA em uma única resposta.
Na prática, o sistema utiliza o modelo GPT, da OpenAI, para gerar o conteúdo inicial. Em seguida, o modelo Claude, da Anthropic, realiza uma revisão da resposta, avaliando aspectos como precisão e qualidade antes da entrega ao usuário.
Segundo Nicole Herskowitz, vice-presidente corporativa de Microsoft 365 e Copilot, a proposta vai além de apenas oferecer múltiplos modelos. “Os clientes passam a ter o benefício dos modelos trabalhando juntos”, afirmou em entrevista à Reuters.
A empresa também informou que pretende tornar esse fluxo bidirecional no futuro, permitindo que o GPT revise respostas geradas pelo Claude.
Redução de erros e ganho de produtividade
De acordo com a Microsoft, a abordagem com múltiplos modelos pode ajudar a reduzir alucinações de IA, termo usado quando sistemas geram informações incorretas. A expectativa é que o cruzamento entre diferentes modelos contribua para respostas mais confiáveis.
Além disso, a empresa afirma que o recurso pode acelerar tarefas e melhorar a qualidade das entregas, impactando diretamente a produtividade dos usuários.
Microsoft aposta em múltiplos modelos trabalhando juntos para fornecer menos alucinações e respostas mais confiáveis (Imagem: Skorzewiak/Shutterstock)
Comparação entre respostas de IA
Outra novidade é o “Model Council”, funcionalidade que permite comparar respostas de diferentes modelos lado a lado. A ideia é dar mais transparência e controle ao usuário na escolha da melhor resposta para cada contexto.
Esse tipo de comparação também pode ajudar equipes a entender melhor o comportamento de diferentes modelos em tarefas específicas.
A Microsoft também anunciou a ampliação do acesso ao Copilot Cowork, ferramenta baseada no Claude Cowork, da Anthropic. O recurso havia sido apresentado em fase de testes no início do mês e agora passa a ser disponibilizado para usuários do programa Frontier.
Esse programa oferece acesso antecipado a funcionalidades experimentais da empresa, permitindo que clientes testem novas soluções antes do lançamento mais amplo.
A Microsoft anunciou uma reorganização interna nas equipes responsáveis pelas diferentes versões do seu assistente de inteligência artificial, o Copilot. A mudança, comunicada pelo CEO Satya Nadella em um memorando interno, elimina a separação entre as equipes voltadas ao segmento corporativo e ao consumidor comum, que segundo funcionários gerava uma experiência fragmentada e confusa para os usuários.
Com a reestruturação, a empresa passa a adotar uma única experiência de produto que abrange tanto aplicações empresariais quanto de consumo. Nadella afirmou que o novo modelo permitirá entregas mais coerentes e competitivas, com capacidade de evoluir conforme os modelos de IA avançam. O CEO também reforçou que os modelos de inteligência artificial são mais críticos do que nunca para o sucesso da companhia na próxima década. As informações são do Wall Street Journal.
Mudança foi comunicada pelo CEO da companhia, Satya Nadella (Imagem: QubixStudio / Shutterstock.com)
Novos papéis na liderança
A reorganização redefine as responsabilidades de executivos-chave. Jacob Andreou, que até então liderava produto e crescimento da Microsoft AI, assume o cargo de vice-presidente executivo do Copilot, passando a responder pelo design, produto, crescimento e engenharia da solução.
Já Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI — contratado em 2024 para liderar o Copilot voltado ao consumidor —, passará a concentrar seus esforços nos modelos de IA proprietários da empresa e na busca pelo que a companhia denomina superinteligência. Os aplicativos do Microsoft 365 ficarão sob responsabilidade de um grupo de executivos que inclui Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn e vice-presidente executivo da Microsoft.
Desafios de adoção e concorrência
A reestruturação acontece em um momento de pressão crescente. Em fevereiro, a Microsoft divulgou ter comercializado 15 milhões de assentos do Microsoft 365 Copilot — número modesto diante de uma base total de mais de 450 milhões de assentos pagos do Microsoft 365. No segmento de consumo, a empresa registrou mais de 150 milhões de usuários ativos mensais do Copilot em suas plataformas.
Os concorrentes seguem na frente: o Gemini, do Google, ultrapassa 650 milhões de usuários mensais, enquanto o ChatGPT registra cerca de 900 milhões de usuários ativos semanais. Pesquisas internas da Microsoft apontaram que os usuários se mostram confusos com as múltiplas versões do produto, reflexo direto dos silos organizacionais entre as equipes.
Copilot corre atrás de concorrentes como Gemini e ChatGPT (Imagem: jackpress / Shutterstock.com)
O esforço para desenvolver modelos proprietários competitivos também enfrentou obstáculos. Segundo o Wall Street Journal, o processo foi prejudicado por escassez de capacidade computacional, e os modelos da Microsoft ficaram atrás dos concorrentes em testes de benchmark.
Para ampliar a base de usuários do Copilot voltado ao consumidor, a Microsoft vem investindo em novas funcionalidades. Entre elas, uma ferramenta anunciada recentemente que permite ao chatbot oferecer orientações personalizadas de saúde com base no histórico médico de cada usuário.
No balanço financeiro mais recente, a companhia informou estar destinando mais capacidade computacional para aprimorar seus produtos Copilot, após ganhar maior confiança em sua capacidade de monetizá-los.