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A IA sai do roteiro (de novo): agente da OpenAI acessa sistema de saúde australiano sem autorização

Um agente de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela OpenAI obteve acesso não autorizado ao portal público de estatísticas do Medicare, sistema público de saúde da Austrália, durante teste realizado pela empresa em junho. O episódio levou o governo australiano a abrir investigação para determinar exatamente quais sistemas foram acessados e quais informações foram obtidas.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que o caso é motivo de “extrema preocupação” e disse ter conversado pessoalmente com o CEO da OpenAI, Sam Altman, sobre o episódio. Segundo Albanese, a conversa ocorreu depois que o governo tomou conhecimento do incidente e questionou a empresa sobre o acesso realizado pelo agente.

A OpenAI informou que o episódio aconteceu durante uma avaliação interna de seus modelos. O objetivo do teste era verificar a capacidade dos sistemas de encontrar respostas e estatísticas relacionadas à Austrália. Durante a avaliação, porém, os modelos realizaram ações que não haviam sido planejadas pela empresa.

Agente da OpenAI acessou arquivos públicos e não públicos

  • De acordo com a reportagem, o agente conseguiu acessar arquivos públicos e também arquivos que não estavam destinados ao acesso público no portal administrado pela Services Australia;
  • Até o momento, contudo, não há evidências de que registros pessoais de pacientes tenham sido acessados;
  • A OpenAI afirmou que identificou atividades envolvendo vários sites e serviços do governo australiano durante a avaliação. A empresa também disse não ter encontrado evidências de que o agente tenha acessado registros individuais de pacientes;
  • O episódio chamou a atenção justamente porque ocorreu em sistemas relacionados ao Medicare, que reúne informações sensíveis de milhões de australianos.

Governo australiano abriu investigação

O governo iniciou uma investigação forense para descobrir a extensão do incidente e verificar se outros sistemas foram afetados.

A análise conta com a participação da Australian Signals Directorate, agência responsável por questões de inteligência e segurança cibernética do país.

Sam Altman teria conversado diretamente com o primeiro-ministro australiano – Imagem: FotoField/Shutterstock

A investigação deverá determinar quais sistemas foram acessados, quais arquivos foram consultados e se houve algum comprometimento além dos dados que estavam disponíveis no portal de estatísticas.

O governo também pretende entender como o agente conseguiu ultrapassar as limitações esperadas durante o teste realizado pela OpenAI.

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Albanese critica demora para comunicar o incidente

Albanese afirmou que ficou particularmente preocupado com a forma como a OpenAI lidou com o episódio. Segundo o primeiro-ministro, houve uma demora para que o governo australiano fosse informado sobre o ocorrido. Ele disse ter manifestado diretamente a Altman sua preocupação com a situação.

O contato entre os dois líderes ocorreu enquanto autoridades australianas buscavam obter mais informações sobre o acesso realizado pelo agente.

A preocupação do governo está relacionada não apenas ao episódio específico, mas também ao fato de sistemas de IA estarem adquirindo capacidade para realizar tarefas de forma cada vez mais autônoma.

OpenAI diz que foi um teste interno

A OpenAI afirmou que o acesso ocorreu durante uma avaliação destinada a testar seus modelos. A empresa estava verificando se os sistemas conseguiam encontrar informações e responder perguntas sobre estatísticas australianas. Durante o processo, entretanto, o modelo tomou determinadas ações que não faziam parte do comportamento pretendido pela equipe responsável pelo teste.

A companhia identificou posteriormente atividades envolvendo diferentes sites e serviços governamentais. A OpenAI afirmou que investigou o episódio e que não encontrou evidências de acesso a registros de pacientes.

O caso, porém, levantou questões sobre os limites que precisam ser impostos a agentes capazes de navegar pela internet, interagir com serviços e executar ações de maneira relativamente autônoma.

A investigação australiana deverá esclarecer a extensão do acesso e determinar se houve exposição de informações que não deveriam ter sido alcançadas pelo agente.

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TSE lança ChatVote, assistente de inteligência artificial para tirar dúvidas sobre as Eleições 2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou o ChatVote, assistente virtual baseado em inteligência artificial (IA) criado para facilitar o acesso a informações sobre as Eleições 2026. A ferramenta permite que eleitoras e eleitores façam perguntas em linguagem natural e recebam respostas de forma rápida.

O chatbot já está disponível na página inicial do Portal do TSE e no aplicativo e-Título. Segundo o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, a iniciativa busca ampliar o acesso dos cidadãos às informações da Justiça Eleitoral.

Entre os assuntos disponíveis estão dia, horário e local de votação, justificativa de ausência às urnas, orientações para mesários e conteúdo das resoluções das eleições. O ChatVote também responde às dúvidas mais frequentes recebidas pela Justiça Eleitoral.

No Portal do TSE, o assistente pode ser acessado pelo ícone localizado no canto inferior direito da página. No e-Título, o acesso ocorre pelo assistente disponível no aplicativo.

Primeiro chatbot próprio do TSE

  • Embora a Justiça Eleitoral já utilize soluções de chatbot desde as Eleições 2020, esta é a primeira vez que o TSE desenvolve uma ferramenta própria;
  • Segundo o Tribunal, a iniciativa aumenta a autonomia da instituição para gerenciar e atualizar o sistema de acordo com as necessidades da Justiça Eleitoral e com a preparação para as eleições deste ano;
  • Com a incorporação da IA, a interação deixa de ser baseada em menus fechados e passa a ocorrer em formato conversacional. Dessa forma, o eleitor pode formular perguntas de maneira mais livre, sem precisar necessariamente navegar por diferentes opções para encontrar uma informação;
  • O projeto foi conduzido pela Diretoria de Assuntos Estratégicos (DAE), com participação de diferentes áreas do Tribunal, incluindo a Secretaria de Tecnologia da Informação (STI), a Secretaria de Comunicação e Multimídia (Secom) e os setores responsáveis pela produção dos conteúdos disponibilizados na ferramenta.

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ChatVote é assistente virtual baseado em IA criado para facilitar o acesso a informações sobre as Eleições 2026 – Imagem: Secom/TSE

ChatVote funcionará 24 horas por dia

Um dos diferenciais do novo assistente é a disponibilidade permanente. O ChatVote ficará acessível no Portal do TSE 24 horas por dia, sete dias por semana.

O Tribunal também informou que acompanhará continuamente as perguntas feitas pelos usuários e a qualidade das respostas fornecidas pelo sistema. A análise deverá ajudar a identificar necessidades de atualização e aprimoramento da ferramenta.

O próprio chatbot informa que utiliza IA e orienta o eleitor a consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral sempre que houver alguma dúvida.

Em caso de divergência entre uma resposta do assistente e uma informação oficial do Tribunal, prevalecem as informações oficiais do TSE.

WhatsApp e voz estão nos planos

O TSE prevê novas funcionalidades para o ChatVote.

Entre as próximas evoluções estão a implementação de um sistema para que os usuários avaliem as respostas recebidas, a integração do assistente ao WhatsApp e a realização de testes para permitir interação por voz.

A iniciativa faz parte da preparação da Justiça Eleitoral para as Eleições 2026, com o objetivo de ampliar os canais pelos quais os eleitores podem obter informações sobre o processo eleitoral.

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Chefes de OpenAI e Anthropic pedem cooperação internacional para controlar riscos da IA após fala de Trump na ONU

Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, e da Anthropic, Dario Amodei, defenderam, nesta quarta-feira (23), uma maior cooperação internacional para lidar com os riscos associados ao avanço da inteligência artificial (IA) durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).

A participação dos dois executivos ocorre um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar o que chamou de um “esquema globalista” para controlar a IA durante discurso na Assembleia Geral da ONU. Trump afirmou que os EUA continuarão incentivando o desenvolvimento da tecnologia e que não pretende “frear” seu crescimento.

Na ONU, Altman apresentou posição diferente. Para o executivo, países que competem entre si e nem sempre mantêm boas relações podem trabalhar juntos diante de tecnologias capazes de produzir impactos significativos. “Acreditamos que este deve ser um desses momentos”, afirmou Altman, defendendo que a IA seja tratada como uma questão que exige cooperação internacional.

Altman e Amodei se aproximam na questão da segurança

A posição conjunta dos executivos chama atenção porque OpenAI e Anthropic são concorrentes diretas no desenvolvimento de modelos avançados de IA.

No início de setembro, Amodei publicou um texto defendendo que a indústria desacelere o ritmo de desenvolvimento dos modelos de fronteira. O CEO da Anthropic argumentou que o avanço das capacidades dos sistemas poderia superar a capacidade das empresas e dos governos de compreender e controlar seus riscos.

A proposta apresentada por Amodei envolve três frentes principais: permitir que avaliadores independentes tenham acesso aos sistemas das empresas para verificar suas práticas de segurança; ampliar a coordenação entre companhias que desenvolvem modelos de fronteira; e estabelecer cooperação internacional para reduzir riscos associados à tecnologia.

Altman manifestou publicamente apoio à ideia de estabelecer um ritmo mais controlado para o desenvolvimento da chamada IA de fronteira.

A discussão ganhou força depois de uma série de episódios envolvendo modelos avançados e preocupações sobre sua capacidade de executar ações potencialmente prejudiciais.

A Reuters informou que executivos de OpenAI, Anthropic e Hugging Face participaram da sessão do Conselho de Segurança em meio a alertas de que sistemas cada vez mais avançados poderiam adquirir novas capacidades e representar riscos para a segurança internacional.

Trump rejeita a ideia de limitar o avanço da IA

As declarações de Altman e Amodei ocorreram um dia depois do discurso de Trump na Assembleia Geral da ONU.

O presidente estadunidense rejeitou propostas de criação de mecanismos internacionais para controlar o desenvolvimento da IA e afirmou que os Estados Unidos não deveriam impedir o crescimento da tecnologia. “Não vou impedir o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial”, disse Trump.

Trump também afirmou que os EUA rejeitam qualquer tentativa de criar um “esquema globalista” para controlar a IA. O presidente defendeu que o país continue avançando no desenvolvimento da tecnologia e afirmou que quem dominar primeiro essa área terá uma vantagem estratégica.

O governo estadunidense também passou a defender o uso do termo “superinteligência” em documentos oficiais em lugar de “inteligência artificial”.

A posição de Trump contrasta com as recentes manifestações de executivos de empresas de IA que defendem algum grau de coordenação para lidar com os riscos do desenvolvimento de modelos cada vez mais capazes.

Altman e Amodei foram uma só voz na ONU – Imagem: FotoField/Shutterstock

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Debate envolve segurança e competição internacional

A discussão na ONU acontece em momento em que governos e empresas tentam definir como lidar com sistemas capazes de executar tarefas cada vez mais complexas.

A sessão do Conselho de Segurança foi organizada para discutir questões, como o uso malicioso da IA e a possibilidade de perda de controle sobre sistemas avançados. Além de Altman e Amodei, participaram ou foram convidados representantes da Hugging Face e especialistas ligados ao painel científico independente da ONU sobre IA.

O debate também envolve a competição tecnológica entre Estados Unidos e China. A busca por mecanismos de segurança precisa ser conciliada, na visão de diferentes participantes, com a preocupação de que regras excessivamente restritivas possam afetar o desenvolvimento e a competitividade das empresas.

A OpenAI, por exemplo, passou a defender a criação de padrões internacionais para avaliar capacidades e riscos de sistemas avançados e uma maior cooperação entre os Estados Unidos e a China em questões relacionadas à segurança da IA.

Pressão aumenta sobre as empresas de IA

As discussões ocorrem enquanto OpenAI e Anthropic avançam na expansão de seus negócios e se preparam para possíveis ofertas públicas de ações.

Nenhuma das duas empresas divulgou oficialmente uma data para uma eventual abertura de capital, embora as duas sejam apontadas como candidatas a realizar grandes IPOs.

Isso cria uma questão adicional para as companhias: ao mesmo tempo em que seus executivos defendem maior cautela no desenvolvimento da IA, as empresas estão submetidas a fortes pressões comerciais para continuar ampliando a capacidade de seus modelos.

Amodei, porém, afirma que desacelerar não significa interromper o desenvolvimento da tecnologia. A proposta apresentada pelo CEO da Anthropic busca criar mecanismos de avaliação e coordenação que acompanhem o ritmo de evolução dos modelos.

Na ONU, Altman resumiu a posição defendida pelas empresas ao argumentar que a cooperação internacional pode ser necessária mesmo entre países que permanecem competidores.

“Em nossa história, houve momentos em que países que competem e nem sempre gostam muito uns dos outros ainda assim se uniram por interesses compartilhados e pelo bem coletivo diante de uma nova tecnologia poderosa”, afirmou o CEO da OpenAI.

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IA está ajudando a fazer praias “crescerem” e pode virar uma nova arma contra a erosão causada pela elevação do mar

O avanço do nível dos oceanos está fazendo praias recuarem em várias partes do mundo. Nas Maldivas, uma equipe usa inteligência artificial, imagens de satélite e dados sobre correntes marítimas para entender a erosão e tentar recuperar áreas de areia.

O projeto da Coastal Assembly, criado a partir de um laboratório do MIT, já estendeu uma faixa de praia em cerca de 27 metros. Em outro ponto, um banco de areia com mais de 849 m³ de material foi formado em seis meses.

A praia recuperada nas Maldivas praticamente dobrou de tamanho após a instalação das estruturas submersas. – Imagem: Pakhnyushchy/Shutterstock

Como a tecnologia funciona

No Atol de Kaafu, a equipe analisou dez anos de imagens de satélite, correntes e outros dados para identificar como a erosão avançava. O estudo serviu de base para o desenho de 54 estruturas de concreto marinho, produzidas com areia e conchas trituradas, comenta o The New York Times.

As peças ficam submersas e foram dispostas em uma sequência de hexágonos. O formato reduz a força das ondas sem impedir a circulação da água. Com isso, areia e sedimentos podem se acumular na região.

O efeito já aparece na paisagem. Segundo os responsáveis pelo projeto, a praia praticamente dobrou de tamanho. Corais também cresceram nas estruturas, que passaram a ser ocupadas por peixes e outros animais marinhos.

Parte do trabalho acontece antes mesmo da instalação. A tecnologia da empresa acompanha a erosão em tempo real em quase 900 pontos costeiros. Skylar Tibbits, um dos fundadores da Coastal Assembly, conta que o processo era muito mais lento no início.

“Levávamos meses para fazer um único local. No começo, tudo era feito manualmente.”

Hoje, segundo Tibbits, a equipe consegue prever a erosão futura e desenvolver um plano para enfrentar o problema em um único dia.

O que vem pela frente

O uso de imagens de satélite e inteligência artificial ganhou força justamente quando países insulares enfrentam dificuldades para obter dados sobre suas próprias costas. Um relatório das Nações Unidas citado no projeto aponta o mapeamento e a observação por satélite como uma base importante para a adaptação às mudanças climáticas.

A Coastal Assembly deixou o MIT no fim do ano passado e passou a operar como uma empresa de benefício público. Há outras dez instalações previstas nas Maldivas, além de projetos planejados para as Bahamas, Boston Harbor e Miami.

Ainda não há resposta para uma questão fundamental: quanto tempo as praias recuperadas permanecerão estáveis? Correntes sazonais, movimentação de sedimentos e a elevação contínua do nível do mar podem alterar os resultados.

O que o projeto já fez:

  • A praia ampliada avançou cerca de 27 metros em direção ao oceano.
  • Outro projeto criou um banco de areia com mais de 849 m³ de material.
  • Foram instaladas 54 estruturas submersas.
  • A tecnologia acompanha quase 900 áreas costeiras.
  • Há dez novas instalações planejadas nas Maldivas.
Atol de Kaafu
Nas Maldivas, a tecnologia tenta trabalhar com as correntes marítimas em vez de bloquear completamente o movimento da água. – Imagem: Koapan/Shutterstock

Uma alternativa às barreiras tradicionais

Mohamed Nasheed, ex-presidente das Maldivas, acompanhou os resultados de perto e vê na iniciativa uma alternativa às soluções tradicionais usadas para conter a erosão. “Eu vi. Realmente funciona.”

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Para Nasheed, grandes barreiras de concreto podem ser caras. O bombeamento e a dragagem de areia também exigem investimentos repetidos e podem afetar os ecossistemas costeiros. A aposta, portanto, está em uma intervenção que aproveite o comportamento natural da água em vez de tentar bloqueá-lo.

Essa possibilidade também chamou a atenção de Hyun Kim, consultor sênior do Global Centre for Climate Mobility, ligado às Nações Unidas. Ele considera a tecnologia uma solução concreta e afirmou que a organização trabalha para levá-la a outros países de baixa altitude.

Apesar dos resultados observados nas Maldivas, a experiência ainda está em fase de acompanhamento. A durabilidade das praias recuperadas e a possibilidade de aplicar a técnica em diferentes regiões continuam em aberto. São justamente essas respostas que vão mostrar até onde a solução pode chegar.

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Vídeos falsos e IA superam fake news como ameaça à democracia, alerta novo guia do CGI.br

Vídeos falsos produzidos por inteligência artificial e informações de baixa qualidade já representam uma ameaça maior às eleições e à democracia do que as tradicionais fake news. É o que aponta o novo Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado pelo CGI.br.

Segundo a Agência Brasil, o documento compara o cenário atual com o de 2018, quando as redes abertas tinham papel central na disseminação de desinformação. Hoje, redes mais restritas, como o WhatsApp, ganharam espaço nessa circulação.

A multiplicação de conteúdos falsos pode alimentar a desconfiança até diante de informações verdadeiras. Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Vídeo assume protagonismo

A desinformação também deixou de depender de uma única plataforma. Segundo o guia, conteúdos enganosos circulam ao mesmo tempo em diferentes ambientes digitais, com o vídeo passando a ser o principal vetor.

Em geral, esses vídeos vêm acompanhados de textos curtos que ajudam a sustentar e dar aparência de legitimidade à narrativa falsa. A IA generativa, que já apareceu no ciclo eleitoral de 2022, deve ganhar ainda mais espaço neste ano, combinada a ferramentas capazes de direcionar mensagens para perfis específicos.

Entre os pontos destacados pelo CGI.br estão:

  • crescimento do uso de vídeos na desinformação;
  • maior circulação de conteúdos em redes restritas, como o WhatsApp;
  • uso de IA generativa para produzir conteúdos enganosos;
  • direcionamento de mensagens a perfis específicos;
  • técnicas que tornam narrativas falsas mais convincentes.

Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem.

Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, à Agência Brasil.

O problema das deepfakes

O realismo das deepfakes está entre as principais preocupações levantadas pelo estudo. À medida que essas ferramentas avançam, identificar uma falsificação pode se tornar difícil até para pessoas acostumadas a avaliar informações.

A consequência pode ir além de acreditar em uma mentira. O guia alerta para a possibilidade de que a multiplicação de conteúdos falsos provoque desconfiança até diante de informações verdadeiras.

A perda de confiança na imprensa e no Judiciário, associada à polarização política, também aparece como fator de preocupação. Segundo o guia, esse ambiente pode favorecer situações em que convicções pessoais acabam se sobrepondo à checagem dos fatos.

ícone do whatsapp na tela de um celular
Aplicativos como o WhatsApp ganharam espaço na circulação de conteúdos enganosos durante a transformação do ambiente digital. – Imagem: Primakov/Shutterstock

Quando a crença pesa mais

O estudo chama atenção para outro comportamento: a tendência de buscar conteúdos que confirmem aquilo que a pessoa já pensa. Informações contrárias às próprias convicções podem ser descartadas. O guia chama esse mecanismo de racionalidade motivada e aponta seu potencial de reforçar posições ideológicas.

Os influenciadores também entram nessa discussão. O CGI.br reconhece sua relevância na comunicação digital, mas ressalta uma diferença em relação ao jornalismo: eles não seguem um código de ética nem respondem institucionalmente pela veracidade de suas afirmações da mesma forma que o jornalismo.

A publicação explica o funcionamento dos sistemas de recomendação e discute o impacto da IA generativa nas eleições. Também apresenta conceitos ligados às deepfakes e aos modelos de linguagem conversacionais.

O material reúne ainda orientações para instituições enfrentarem a desinformação e recomendações para que cidadãos não se tornem vítimas ou propagadores de conteúdos falsos ou enganosos.

A mudança apontada pelo CGI.br mostra como a desinformação eleitoral passou a combinar novos formatos, inteligência artificial e diferentes canais de distribuição. O desafio envolve não apenas identificar uma informação falsa, mas também compreender como ela é produzida e chega a públicos específicos.

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Conheça o Muse: assistente de IA da Meta que lidera downloads e gera impasse com a Amazon

A Meta lançou o Muse, um novo agente pessoal de inteligência artificial que rapidamente ganhou espaço nos Estados Unidos.

O aplicativo chegou ao topo da App Store e ajudou a impulsionar as ações da empresa, mas já enfrenta questionamentos sobre privacidade, segurança e acesso a plataformas de terceiros.

Agentes capazes de fazer compras podem mudar a relação dos usuários com sites que dependem de publicidade. Imagem: Lalaka/Shutterstock

Sucesso rápido coloca privacidade em foco

Poucos dias após estrear no mercado americano, o Muse ultrapassou 2,5 milhões de downloads, segundo dados da Sensor Tower. As ações da Meta subiram 11% na segunda-feira. A Truist Securities estima que o recurso pode acrescentar US$ 28,5 bilhões (cerca de R$ 146,4 bilhões) à receita da companhia até 2030.

Para funcionar melhor, o Muse pode acessar e-mails, mensagens e calendários. Isso significa que o usuário precisa confiar ao agente uma quantidade significativa de informações pessoais. Uma pesquisa da Oppenheimer & Co. mostra o tamanho dessa barreira: apenas 8% dos consumidores dos Estados Unidos disseram confiar suas senhas à Meta, contra 30% no caso do Google.

A Meta afirma que o Muse foi desenvolvido com segurança em mente e que cada agente funciona em um computador próprio e protegido. Antes do lançamento, o chefe de IA da empresa, Alexandr Wang, disse que a principal preocupação era evitar que o sistema vazasse informações pessoais ou apagasse e-mails importantes por acidente.

Ainda assim, as preocupações de segurança permanecem. Para Youssef Squali, analista da Truist, um ataque de grandes proporções que comprometesse credenciais ou informações de cartões de crédito poderia abalar a confiança não apenas no Muse, mas em todo o mercado de agentes de IA.

Amazon bloqueia o agente

O primeiro grande obstáculo para o Muse apareceu no comércio eletrônico. A Amazon bloqueou o agente de seu site e impediu que ele navegasse pela plataforma ou fizesse compras em nome dos usuários.

A empresa afirmou que não havia sido informada previamente sobre o acesso e que não havia autorizado a ação. Um porta-voz da Amazon disse que aplicativos de terceiros que fazem compras em nome de clientes devem agir de forma aberta e respeitar a decisão dos serviços sobre permitir ou não esse tipo de acesso.

Por trás do bloqueio, há também uma preocupação com o modelo de negócios. Se agentes de IA passarem a fazer compras no lugar das pessoas, os usuários podem ter menos contato direto com páginas que exibem anúncios. Para analistas, isso pode criar resistência por parte de grandes plataformas de internet, especialmente as que dependem da publicidade.

A Meta, por sua vez, afirma ter parcerias com Shopify, Instacart e Dick’s Sporting Goods. O avanço do Muse também repercutiu em outros setores: ações de empresas de gestão de patrimônio, corretoras e bancos recuaram, com queda superior a 6% para a Charles Schwab. Booking Holdings e Allstate também foram afetadas.

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Ofensiva iminente: Rivais do setor de tecnologia, como OpenAI, Google e Apple, devem lançar agentes concorrentes em breve. – Imagem: vfhnb12/Shutterstock

Meta corre contra os concorrentes

A Meta parte com uma vantagem importante: Facebook e Instagram dão à empresa uma ampla estrutura de distribuição, enquanto seus serviços já reúnem dados de milhões de usuários. Por enquanto, o único produto comparável é o agente da startup Instinct, disponível apenas por convite.

Esse cenário, no entanto, deve mudar em breve. Analistas esperam que a OpenAI anuncie um agente de IA para consumidores nas próximas semanas. O Google também é apontado como possível concorrente, enquanto a Apple pode entrar nesse mercado posteriormente.

Nesse cenário de disputa crescente, chegar primeiro pode fazer diferença. Para Ken Gawrelski, analista da Wells Fargo, esses assistentes ficam melhores à medida que os consumidores aprendem a interagir com eles e a orientar suas ações.

O Muse também exige muita capacidade computacional, já que cada agente funciona em seu próprio computador virtual. Isso pode pesar na disputa, mas o Google tem estrutura suficiente para desenvolver uma solução semelhante, segundo os analistas citados pelo Wall Street Journal.

Por enquanto, a rápida adoção do Muse colocou a Meta no centro dessa nova disputa. O caminho do agente, porém, não depende apenas da quantidade de usuários: também será importante saber quais plataformas estarão dispostas a permitir que uma IA execute tarefas em nome de seus clientes.

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Trump e Xi podem criar canal para incidentes de IA, mas frear desenvolvimento é improvável

A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping coloca a segurança da inteligência artificial nas discussões entre Estados Unidos e China. Os dois governos avaliam como lidar com sistemas cada vez mais autônomos, enquanto mantêm a corrida pelo avanço da tecnologia.

Uma possível aproximação envolve regras comuns, comunicação em casos graves e mecanismos para verificar informações. Segundo a CNBC, porém, um acordo para desacelerar o desenvolvimento da IA é considerado extremamente improvável.

As restrições americanas aos chips avançados para a China continuam sendo um ponto de tensão tecnológica. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Por que a segurança entrou na conversa

A preocupação aumentou depois que sistemas de IA passaram a executar tarefas mais complexas. A OpenAI afirmou que um modelo de pesquisa conseguiu acesso não autorizado a partes da plataforma Hugging Face. A Anthropic também identificou o uso de IA para automatizar etapas de ataques cibernéticos.

Episódios assim alimentam o temor de que modelos mais autônomos possam tornar ataques mais rápidos e difíceis de conter. Aalok Mehta, diretor do Wadhwani AI Center, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), disse à CNBC que os dois países estão especialmente preocupados com agentes capazes de escapar de mecanismos de controle e invadir sites.

Antes do encontro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, discutiu com o vice-premiê chinês He Lifeng a criação de um diálogo bilateral sobre IA. A proposta inclui um canal para tratar de incidentes que possam alcançar o nível de segurança nacional.

O que pode ser discutido

Mehta aponta dois possíveis pontos de aproximação: definições e estruturas comuns para a segurança de modelos avançados e um mecanismo de comunicação emergencial.

Chris McGuire, pesquisador sênior do Conselho de Relações Exteriores (CFR), considera esse canal para incidentes de segurança nacional um passo modesto, mas positivo. Para ele, porém, um acordo para reduzir o ritmo de desenvolvimento da IA é extremamente improvável.

Entre os assuntos que podem aparecer nas conversas estão:

  • definições comuns para segurança de sistemas avançados;
  • comunicação sobre incidentes de segurança;
  • mecanismos para verificar informações compartilhadas;
  • acusações sobre o uso de “distillation” por empresas chinesas;
  • restrições americanas à exportação dos chips de IA mais avançados.
Ilustração sobre a corrida entre China e Estados Unidos no setor da inteligência artificial (IA)
A possível cooperação em segurança não significa uma pausa na disputa entre EUA e China pelo avanço da IA. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

A corrida pelos chips continua

O possível diálogo ocorre em meio a uma disputa tecnológica que permanece ativa. Os Estados Unidos restringem o acesso chinês aos chips mais avançados da Nvidia e acusam empresas chinesas de usar “distillation”, prática de treinar modelos a partir das respostas de sistemas mais avançados. Pequim rejeita a acusação.

Segundo a CNBC, várias empresas chinesas também teriam conseguido acessar remotamente a capacidade computacional desses chips por meio de data centers no Sudeste Asiático, apesar das restrições americanas.

Trump, por sua vez, defende a competição tecnológica com a China. “Se não vencermos a IA, estaremos em uma posição muito ruim”, afirmou o presidente americano no início deste mês.

Verificação pode ser decisiva

Para Mehta, qualquer cooperação precisa preservar a capacidade de Estados Unidos e China competirem no desenvolvimento de suas tecnologias. O outro requisito é estabelecer uma forma confiável de verificar o que cada lado compartilha.

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O deputado americano Ro Khanna, que representa parte do Vale do Silício, defendeu a criação de salvaguardas comuns. “Por que não concordamos simplesmente que não deveria ser possível ter uma IA que se autoaperfeiçoe?”, questionou.

A desconfiança entre os governos torna os mecanismos de verificação especialmente importantes. Na avaliação de Mehta, ferramentas técnicas e de governança seriam necessárias para conferir a precisão das informações trocadas.

O encontro pode criar um canal de comunicação sobre os riscos da IA sem interromper a competição tecnológica entre Estados Unidos e China.

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lula na onu 22 de setembro de 2026 1024x576

Resumo do OD: enquanto ONU discute IAs, líderes do setor lançam novas tecnologias

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos EUA, Donald Trump, discursaram no debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU na manhã desta terça-feira (22). E um tópico em comum entre as falas foi a inteligência artificial (IA).

“Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das big techs e da inteligência artificial”, disse Lula.

Já Trump anunciou que seu governo vai deixar de usar o termo “inteligência artificial”. Sai a IA. Entra a SI. A “superinteligência”.

‘Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes com grandes riscos e oportunidades’, diz Lula na ONU

Lula disse que a sociedade passa por uma “revolução tecnológica sem precedentes”. E que essa revolução tem “grandes riscos e oportunidades”.

O presidente também disse que “um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital sem regras nem transparência”.

Para Lula, esses “tecno-oligarcas” estão “promovendo uma corrida sem freios éticos, à revelia da ONU e do painel científico sobre inteligência artificial”.

(O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o presidente da assembleia, Khalilur Rahman, também falaram sobre IA em seus discursos na abertura da Assembleia.)

“Empresas que conhecem o risco de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos”, disse o mandatário.

Lula falou sobre IA, big techs, bets e ECA Digital em discurso na Assembleia Geral da ONU – Imagem: Reprodução/ONU

Ainda na seara tecnológica, o presidente falou sobre bets e a aprovação do ECA Digital.

“A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro” – afirmou o presidente.

Ainda sobre bets, Lula disse que “a disseminação vertiginosa está endividando e destruindo milhões de lares”. “O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio.”

Já sobre a aprovação do ECA Digital, o presidente afirmou que esta é “uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital”.

Lula também defendeu o Pix. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamento pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, disse.

O presidente do Brasil voltou a defender a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos.

Lula disse que “a proximidade geográfica com a maior potência do mundo é inescapável”. Mas frisou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

“O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, finalizou Lula.

Em seu discurso, o presidente também falou sobre tarifaço e combate ao crime organizado. E defendeu a paz e o multilateralismo.

Trump na ONU: ‘Bem-vindos ao mundo da superinteligência’

Trump anunciou, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, que seu governo vai deixar de usar o termo “inteligência artificial” nos documentos. E vai passar a adotar “superinteligência”.

Segundo Trump, a mudança seria mais adequada porque a palavra “artificial” faria parecer que a inteligência produzida pela tecnologia é falsa.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Trump disse que os EUA ‘rejeitam totalmente’ um sistema global para controlar a IA – Imagem: Reprodução/ONU

“É superinteligência. Em outras palavras, bem-vindos ao novo mundo da superinteligência – SI” – declarou Trump.

Trump também afirmou que os Estados Unidos “rejeitam totalmente” qualquer tentativa de construir um sistema global para controlar a inteligência artificial.

Para ele, o desenvolvimento da tecnologia deve continuar, ainda que acompanhado de mecanismos para lidar com eventuais problemas.

“Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial”, disse Trump.

O presidente afirmou que os Estados Unidos vão acompanhar o desenvolvimento da tecnologia por meio do Departamento de Justiça e de outras autoridades de aplicação da lei.

Segundo ele, esses órgãos poderão intervir caso seja necessário, mas a orientação geral será incentivar a chamada “superinteligência”, e não restringi-la.

Ao falar sobre a disputa tecnológica, Trump afirmou que os Estados Unidos atualmente lideram a área de “superinteligência” e continuarão nessa posição.

“Quem vencer a SI, quem vencer a superinteligência, vence”, declarou.

O presidente também disse que os Estados Unidos estão à frente da China “por muito” e que seu governo pretende manter essa vantagem.

Trump também criticou pessoas que alertam para possíveis riscos associados ao avanço da inteligência artificial.

Segundo ele, os mesmos grupos que fizeram previsões sobre os efeitos das mudanças climáticas agora afirmam que a IA poderia causar uma catástrofe.

O presidente citou especificamente previsões de que a IA poderia “matar todos”, além de afirmações de que robôs poderiam atacar seres humanos.

Em seguida, associou essas preocupações a outras controvérsias políticas que classificou como “hoaxes”, termo usado em inglês para se referir a farsas ou informações falsas apresentadas como verdadeiras.

Apesar das críticas, Trump reconheceu que a tecnologia apresenta desafios. “Toda grande nova tecnologia traz desafios, e a superinteligência não é exceção”, afirmou.

Ao final do trecho dedicado ao tema, o presidente declarou que os Estados Unidos lideram o mundo em “superinteligência” e que continuarão fazendo isso de maneira “segura e responsável”.

Falamos sobre ONU e IA no Olhar Digital News. Você pode acompanhar a entrevista com o colunista Roberto Pena Spinelli clicando aqui.

Por falar em IAs…

OpenAI: GPT-6 Sol e Luna

A OpenAI ampliou nesta terça-feira (22) sua nova geração de modelos de inteligência artificial (IA) com o lançamento do GPT-6 Sol e do GPT-6 Luna. As duas versões chegam depois do GPT-6 Astra, apresentado pela empresa no início de setembro, e foram desenvolvidas para oferecer parte dos avanços da geração mais potente com custos menores.

Segundo a OpenAI, Sol e Luna foram treinados com métodos semelhantes aos utilizados no Astra, incorporando avanços em áreas, como trabalho profissional, programação, uso de computadores, factualidade e alinhamento.

A principal diferença está na relação entre capacidade e custo. A empresa afirma que melhorias no armazenamento em cache e na inferência permitiram reduzir em 50% os preços de acesso pela API em comparação com os valores promocionais dos modelos GPT-5.6 correspondentes.

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Anthropic: Claude 5.5 Opus

A Anthropic lançou nesta terça-feira (22) o Claude Opus 5.5, primeiro modelo da família Claude 5.5. A empresa afirma que a nova versão melhora o desempenho em programação, uso de computadores e tarefas de conhecimento, com custo menor e maior velocidade.

O modelo também chega com mecanismos de segurança mais rígidos. Entre eles estão proteções para cibersegurança e biologia, defesas contra ataques de prompt injection e medidas para reduzir tentativas de contornar limites de ambientes de teste.

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E nos outros destaques do dia…

Discord passa a estimar idade dos usuários e cria novas restrições para adolescentes

O Discord começou a colocar em prática nova política de verificação de idade que divide automaticamente os usuários entre grupos de adultos e adolescentes. A mudança chega após a plataforma ter adiado, em fevereiro, a implementação global do sistema diante de preocupações relacionadas à privacidade e à coleta de dados pessoais.

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Sorria! Você está sendo filmado

Empresas de tecnologia apostam em óculos inteligentes e outros dispositivos equipados com inteligência artificial (IA) como possíveis sucessores dos smartphones, mas uma velha preocupação pode dificultar essa transição: a privacidade.

Os dispositivos conseguem observar, ouvir e responder ao ambiente ao redor do usuário, recursos que podem torná-los mais úteis, mas também aumentam o risco de registrar pessoas que nunca autorizaram a captura de suas imagens ou vozes.

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Quando o tempo começou?

Uma pesquisa com mais de 1.600 físicos mostra que algumas das perguntas mais fundamentais sobre o Universo continuam sem uma resposta consensual. O dado que mais chama atenção é que 68% dos participantes não consideram que o Big Bang necessariamente marque o início do tempo.

O levantamento, realizado a partir de uma chamada internacional aberta em 2025, também revelou divergências sobre inflação cósmica, matéria escura, energia escura, buracos negros e a própria natureza da gravidade. Para os autores, o resultado não representa uma crise, mas mostra onde a física ainda tem perguntas em aberto.

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A IA da Meta precisava fazer ligações, mas quem estava do outro lado da linha eram humanos; entenda o teste

A Meta testou uma espécie de “concierge humano” para seu novo agente pessoal de inteligência artificial (IA), o Muse. A iniciativa envolvia trabalhadores contratados pela empresa realizando discretamente algumas das ligações telefônicas que deveriam ser feitas pelo agente digital, segundo publicações internas da companhia vistas pela Reuters.

O teste foi comunicado aos funcionários na semana passada, pouco depois de a Meta lançar publicamente o recurso de ligações telefônicas do Muse.

A iniciativa, porém, provocou preocupações entre funcionários da empresa. Alguns alertaram que permitir que humanos lidassem com essas chamadas poderia fazer com que informações sensíveis fossem compartilhadas involuntariamente com trabalhadores de centrais de atendimento.

Em uma das publicações internas, uma vice-presidente da divisão SuperIntelligence Labs, da Meta, reconheceu que foi um erro iniciar os testes de ligações feitas por contratados sem informar adequadamente os usuários. Segundo ela, a empresa “recuou esse recurso” por enquanto.

A executiva afirmou ainda que a Meta continua aprimorando as ligações feitas por IA. Alguns testes indicaram que a participação humana poderia elevar a taxa de sucesso das chamadas para entre 95% e 98%, contra porcentagem menor quando o processo é realizado pela IA.

Trabalho humano por trás da promessa de IA autônoma

  • O teste do Muse mostra como empresas de tecnologia podem recorrer a trabalhadores humanos nos bastidores para tentar cumprir as promessas de agentes de IA autônomos, especialmente quando encontram resistência das pessoas que recebem as chamadas automatizadas;
  • A situação também lembra um experimento realizado pela Meta cerca de uma década atrás. Na época, quando ainda se chamava Facebook, a empresa testou um assistente digital chamado “M”, integrado ao Messenger. Reportagens posteriores estimaram que aproximadamente 70% das tarefas realizadas pelo agente eram, na verdade, executadas por humanos;
  • Questionado sobre o plano do “concierge humano” do Muse, um porta-voz da Meta afirmou que a reação dos funcionários foi “extremamente positiva”. Segundo Daniel Roberts, o objetivo do teste era obter feedback para implementar proteções de segurança e privacidade e melhorar os recursos antes de uma eventual disponibilização pública;
  • “Estamos trabalhando com comerciantes para continuar aprimorando esse possível recurso de chamadas e só vamos lançá-lo quando estiver pronto e com as devidas divulgações”, afirmou o porta-voz.

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Em uma das publicações internas, uma vice-presidente da divisão SuperIntelligence Labs, da Meta, reconheceu que foi um erro iniciar os testes de ligações feitas por contratados sem informar adequadamente os usuários – Imagem: Primakov/Shutterstock

Muse já ultrapassou 2,5 milhões de downloads

Enquanto testa novas funções, o Muse vem registrando forte adesão nos Estados Unidos. Segundo dados fornecidos pela empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, o agente liderou os rankings de downloads de aplicativos no país nas duas semanas seguintes ao lançamento e já ultrapassou 2,5 milhões de downloads.

O Muse é uma peça central do plano do CEO Mark Zuckerberg de oferecer “superinteligência pessoal” aos bilhões de pessoas que utilizam diariamente os serviços da Meta.

O agente de IA pode realizar tarefas de forma autônoma, como enviar e-mails, fazer compras e reservar viagens em nome do usuário.

Durante o lançamento, a Meta deu grande destaque às proteções de segurança do assistente. A empresa afirmou que cada agente teria sua própria “máquina virtual” segura — um computador dedicado na nuvem projetado para manter as sessões dos usuários isoladas — e que informações sensíveis, como senhas, seriam armazenadas separadamente em um ambiente seguro.

Como funciona a ligação do Muse

Com o recurso de chamadas telefônicas, o usuário pode pedir ao Muse que ligue para empresas nos Estados Unidos e converse com as pessoas do outro lado da linha para realizar tarefas. Entre os exemplos estão marcar um corte de cabelo, verificar se determinado produto está disponível em uma loja e obter orçamentos de diferentes prestadores de serviços.

Depois da ligação, o agente fornece ao usuário um resumo e uma transcrição da conversa no aplicativo Muse.

A Meta começou a testar internamente o recurso de chamadas em agosto, em um processo conhecido como “dogfooding”, e passou a disponibilizá-lo gradualmente aos usuários do Muse nos dias seguintes à estreia do aplicativo.

Na semana passada, a empresa ativou o recurso de “concierge humano”, também chamado de “ligações feitas por agentes humanos”, para metade de seus funcionários.

De acordo com a publicação interna, o Muse passou a poder encaminhar determinadas solicitações para um agente treinado, que realizava a ligação e conduzia o atendimento. Funcionários que não quisessem participar do teste podiam entrar em um grupo de exclusão.

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OpenAI lança GPT-6 Sol e Luna, novos modelos de IA que prometem mais desempenho por menos dinheiro

A OpenAI ampliou nesta terça-feira (22) sua nova geração de modelos de inteligência artificial (IA) com o lançamento do GPT-6 Sol e do GPT-6 Luna. As duas versões chegam depois do GPT-6 Astra, apresentado pela empresa no início de setembro, e foram desenvolvidas para oferecer parte dos avanços da geração mais potente com custos menores.

Segundo a OpenAI, Sol e Luna foram treinados com métodos semelhantes aos utilizados no Astra, incorporando avanços em áreas, como trabalho profissional, programação, uso de computadores, factualidade e alinhamento.

A principal diferença está na relação entre capacidade e custo. A empresa afirma que melhorias no armazenamento em cache e na inferência permitiram reduzir em 50% os preços de acesso pela API em comparação com os valores promocionais dos modelos GPT-5.6 correspondentes.

GPT-6 Sol e Luna custam menos

  • Na API da OpenAI, o GPT-6 Sol passa a custar US$ 2 (R$ 10,24) por milhão de tokens de entrada e US$ 10 (R$ 51,20) por milhão de tokens de saída;
  • No GPT-5.6 Sol, os valores promocionais anteriores eram de US$ 4 (R$ 20,48) e US$ 20 (R$ 102,40), respectivamente;
  • Já o GPT-6 Luna custa US$ 0,10 (R$ 0,51) por milhão de tokens de entrada e US$ 0,50 (R$ 2,56) por milhão de tokens de saída;
  • No GPT-5.6 Luna, os preços promocionais eram de US$ 0,20 (R$ 1,02) e US$ 1,20 (R$ 6,14);
  • A companhia destaca que a redução de custos foi pensada para permitir que desenvolvedores executem mais tarefas e façam mais iterações com os modelos;
  • O GPT-6 Astra, por sua vez, continua sendo apresentado pela OpenAI como o modelo de maior capacidade da família para quem busca o desempenho máximo.

Foco em programação e agentes de IA

O GPT-6 Sol recebeu atenção especial para tarefas profissionais e de programação. A OpenAI afirma que o modelo apresenta avanços significativos em relação ao GPT-5.6 Sol em testes voltados para agentes capazes de trabalhar em bases de código reais.

No benchmark FrontierCode 1.1 Main, que avalia não apenas se o código funciona, mas também aspectos como qualidade dos testes, organização e aderência aos padrões do projeto, a empresa afirma que o Sol apresentou melhora significativa em relação ao antecessor.

Em outro teste, o DeepSWE v1.1, voltado para tarefas complexas de engenharia de software em projetos reais, o GPT-6 Sol atingiu 68,8% com esforço máximo. Segundo a OpenAI, o resultado ficou a 1,1 ponto percentual da maior pontuação do Claude Fable 5, de 69,9%, mas com custo aproximadamente 80% menor por tarefa. O GPT-6 Luna também apresentou desempenho de 66,6% no mesmo teste, de acordo com a empresa.

Esses recursos também chegam ao Codex, plataforma da OpenAI voltada para tarefas de programação. A companhia afirma que os custos menores dos novos modelos podem permitir que desenvolvedores executem mais tarefas de codificação e agentes de IA.

Desempenho em tarefas profissionais

A OpenAI também destacou resultados do GPT-6 Sol em tarefas profissionais que envolvem múltiplos aplicativos e ferramentas.

No AutomationBench, que testa agentes em fluxos de trabalho de vendas, marketing, operações, suporte, finanças e recursos humanos, o Sol, com esforço máximo, atingiu 33,2%, segundo a empresa.

A OpenAI afirma que esse resultado superou o Claude Opus 5 com esforço máximo, que marcou 26,9% no teste citado pela companhia. O custo estimado por tarefa também teria sido significativamente menor para o Sol.

Em outro teste, chamado Agents’ Last Exam, o GPT-6 Sol atingiu 56,4% com esforço máximo. A OpenAI afirma que o resultado ficou acima da maior pontuação do Claude Opus 5 registrada na avaliação, de 60%, mas com custo 60% menor por tarefa.

OpenAI afirma que esse resultado superou o Claude Opus 5 com esforço máximo, que marcou 26,9% no teste citado pela companhia – Imagem: Camilo Concha/Shutterstock

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Modelos também melhoram uso do computador

O uso de computadores é outra área destacada pela OpenAI.

No teste OSWorld 2.0 offline, o GPT-6 Sol, com esforço extra, atingiu 60,5%, segundo a empresa, contra 60,3% do Claude Opus 5 com esforço médio. A OpenAI afirma que o resultado foi obtido com aproximadamente 80% menos custo por tarefa.

O GPT-6 Luna, por sua vez, teria superado o GPT-5.6 Sol com esforço médio no mesmo tipo de avaliação, custando cerca de um décimo do valor por tarefa.

Apesar dos avanços, a OpenAI mantém o GPT-6 Astra como seu modelo de referência para uso de computadores.

Respostas mais claras e menos verbosas

Além dos ganhos técnicos, Sol e Luna também receberam mudanças no estilo de comunicação introduzido no GPT-6 Astra.

A OpenAI afirma que os novos modelos devem apresentar respostas mais claras, com menos jargões, menos construções estranhas e menos detalhes considerados de baixo valor. A empresa também espera respostas um pouco mais curtas, sem perda de conteúdo.

A mudança deve ser especialmente perceptível em conversas técnicas e relacionadas a programação.

Expansão da família GPT-6

O lançamento de Sol e Luna amplia rapidamente a família GPT-6. O primeiro modelo da geração, o GPT-6 Astra, foi apresentado no início de setembro com foco em tarefas, como programação, pesquisa científica, uso de computadores, cibersegurança e trabalho profissional.

Agora, a OpenAI passa a oferecer modelos com diferentes combinações de capacidade e custo. O Astra permanece no topo da linha, enquanto Sol e Luna buscam levar parte dos recursos da nova geração para tarefas que exigem maior volume de processamento.

A chegada dos dois modelos também reforça a estratégia da empresa de reduzir o custo de execução de agentes e aplicações de IA, especialmente em cenários nos quais os sistemas precisam realizar muitas operações consecutivas.

Sol e Luna já estão sendo disponibilizados pela OpenAI em seus produtos e pela API, ampliando o acesso à nova geração de modelos.

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