inteligência artificial

Auto Added by WPeMatico

cerebro humano e ia 1024x576

‘A IA cria incentivos para a mentira’, alerta neurocientista

Usar inteligência artificial (IA) para fazer tarefas da escola ou do escritório criou um problema que vai além do aprendizado. Ao entregar um texto ou projeto gerado pela máquina como se fosse próprio, a pessoa obtém uma vantagem rápida e sem esforço. Para o neurocientista Álvaro Machado Dias, essa dinâmica cria incentivos para a mentira.

O impacto, porém, não se limita à questão ética. Em sua coluna no programa Olhar Digital News, o especialista alerta que a facilidade em evitar a fricção mental reduz as barreiras morais dos indivíduos com o tempo. Além disso, a dependência contínua da tecnologia atrofia a capacidade de tomar decisões difíceis e amplia as desigualdades no mercado de trabalho.

Novas fronteiras da IA na mente e na sociedade

Para o neurocientista, a crise provocada pela IA na educação está nos métodos de avaliação baseados em trabalhos feitos fora da sala de aula. Ao permitir que tarefas sejam automatizadas e entregues sem esforço real, a tecnologia premia a trapaça em vez do desenvolvimento do aluno. 

“O problema vai além da economia de esforço. Isso cria incentivos para a mentira. Quando construímos ambientes em que mentir é vantajoso, diminuímos a barreira ética para mentiras futuras. Assim, acabamos formando pessoas menos éticas”, explica o doutor Álvaro Machado Dias, que também é professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Esse hábito de transferir o trabalho mental para a máquina, processo conhecido como cognitive offloading, afeta a mente de forma seletiva. As escolhas diárias mais simples continuam preservadas, mas a capacidade de resolver problemas complexos começa a se degradar. 

O hábito de transferir o trabalho mental para a máquina é conhecido como cognitive offloading – Imagem: Jack_the_sparow/Shutterstock

“Decisões rápidas e intuitivas praticamente não são afetadas. O problema está nas decisões difíceis, aquelas que exigem avaliar opções, construir modelos mentais e imaginar possibilidades. É justamente aí que o cognitive offloading reduz a qualidade das nossas decisões”, diz o neurocientista.

A busca por atalhos é uma tendência biológica do cérebro para economizar energia. No entanto, evitar a fricção e o desconforto mental de forma contínua traz um impacto negativo para a saúde intelectual e o bem-estar. 

“Quando você evita o esforço, no curto prazo parece ótimo, porque não sofreu nem se cansou. Mas, no médio prazo, essa perda de potência intelectual é vivida como perda de vitalidade. E a vitalidade está diretamente ligada ao bem-estar”, aponta o professor da Unifesp.

O paradoxo é que aquilo que evita um desconforto momentâneo acaba produzindo uma insatisfação duradoura.

Doutor Álvaro Machado Dias, neurocientista e professor na Unifesp, em entrevista ao Olhar Digital.

Além dos efeitos cognitivos e éticos no indivíduo, a tecnologia altera a dinâmica das profissões. Em tarefas repetitivas e operacionais, como nos call centers, os algoritmos elevam o desempenho dos trabalhadores iniciantes e nivelam as competências por baixo. “Os resultados mostram que a IA eleva bastante o desempenho de quem estava na base, enquanto melhora muito pouco o desempenho dos especialistas. Ou seja, ela nivela as competências”, analisa o neurocientista.

O cenário muda em funções complexas, que exigem gerenciar processos, pessoas e estratégias. Quem já domina essas competências usa a IA como amplificador, abrindo distância em relação aos trabalhadores operacionais. “Nesses casos, a assimetria cresce bastante”, diz o especialista. 

“Quem consegue incorporar a IA ao seu trabalho passa a ter uma produtividade e uma capacidade de transformação da realidade muito superiores às de quem permanece em processos mais operacionais. Por isso, a IA democratiza capacidades, mas também aumenta desigualdades”, conclui o doutor Álvaro Machado Dias.

Confira abaixo a coluna do neurocientista no Olhar Digital News:

Como o cérebro chega a esse estágio

Essa tendência de terceirizar o pensamento é o desdobramento da descarga cognitiva (tradução livre de “cognitive offloading”). Ferramentas tradicionais, como cadernos e calculadoras, apenas guardavam dados de forma estática. Já a IA generativa interpreta, gera e estrutura o conteúdo em tempo real. Isso intensifica o “Efeito Google“, fenômeno no qual o cérebro deixa de armazenar informações por saber que elas estão a um clique de distância.

A transição do armazenamento passivo para a delegação do próprio raciocínio traz riscos à autonomia intelectual. Ao evitar o trabalho mental necessário para aprender de fato, o indivíduo passa a atuar como mero curador de resultados prontos, o que atrofia capacidades de síntese e resolução de problemas. 

“Quando a IA passa a funcionar como uma ‘bengala’ permanente do pensamento, existe o risco de enfraquecermos nossa capacidade de refletir, elaborar e criar”, alerta a psicóloga e psicanalista Beatriz Breves, em entrevista ao Olhar Digital.

Ilustração de cérebro humano com coisas em volta que remetem a tecnologia, inteligência artificial (IA) e ideias
Ferramentas de IA oferecem atalhos quase irresistíveis para o pensamento – e isso é perigoso – Imagem: SvetaZi/Shutterstock

Esse comportamento é alimentado pelo circuito de recompensa imediata das plataformas de IA. Ao contrário da rolagem de redes sociais, que usa recompensas aleatórias, os chatbots entregam uma resposta precisa e rápida a cada comando. 

Essa satisfação sem a contrapartida do esforço vicia o cérebro na ausência de fricção mental. Com o tempo, essa busca por respostas instantâneas consolida o terreno para as perdas de vitalidade e o uso de atalhos em tarefas complexas.

O resultado desse processo é a chamada “algoritmização do pensamento”, na qual a mente passa a raciocinar na mesma estrutura engessada da máquina. “Uma coisa que acontece com muito uso de algoritmo para ajudar a pensar: a pessoa começa a transformar as coisas em itens. Ela vira a pessoa dos bullet points“, observa o doutor Álvaro Machado Dias, em entrevista ao Olhar Digital

Como o conteúdo gerado por IA se baseia na média estatística, a dependência excessiva dessa tecnologia limita a criação original e impede a consolidação do senso crítico. Então, o maior desafio diante da IA generativa é comportamental: manter a fricção mental para evitar que a busca por eficiência atrofie sua potência intelectual e afrouxe seus limites morais.

O post ‘A IA cria incentivos para a mentira’, alerta neurocientista apareceu primeiro em Olhar Digital.

‘A IA cria incentivos para a mentira’, alerta neurocientista Read More »

busca inteligente google 1024x1024

O pesquisador por trás do Google Brain criou uma nova aposta em IA

A saída de Jeff Dean do Google marca uma nova movimentação na disputa pelo futuro da inteligência artificial. O pesquisador, considerado uma das figuras mais importantes da empresa, deixou a companhia para criar a Discovery Loop, uma startup focada em sistemas de IA capazes de aprimorar a própria tecnologia.

Segundo o The New York Times, a nova empresa reúne outros três pesquisadores de destaque e conta com apoio financeiro de investidores do Vale do Silício, incluindo a Alphabet, controladora do Google.

A corrida pela inteligência artificial ganhou um novo capítulo com a saída de um dos principais pesquisadores do Google. – Imagem: Shutterstock AI Generator/Shutterstock

Nova empresa aposta em IA com autoaperfeiçoamento

Dean passou mais de duas décadas no Google e esteve envolvido em projetos que ajudaram a transformar a tecnologia da companhia. Ele participou da criação de sistemas usados pelo buscador e liderou o Google Brain, laboratório que impulsionou pesquisas em inteligência artificial.

Na Discovery Loop, a equipe pretende trabalhar com o conceito de autoaperfeiçoamento recursivo, no qual sistemas de IA poderiam melhorar seu próprio funcionamento com pouca ou nenhuma intervenção humana.

A tecnologia pode ser aplicada em diferentes áreas de pesquisa, como:

  • Desenvolvimento de novos tipos de hardware;
  • Descoberta de medicamentos;
  • Criação de novos materiais;
  • Avanços em pesquisas científicas.

Achamos que existe uma oportunidade para a IA automatizar mais completamente o que tradicionalmente tem sido um ciclo experimental muito dependente de humanos.

Jeff Dean, criador e CEO da Discovery Loop, ao The New York Times.

O pesquisador acredita que essa abordagem pode aumentar tanto a quantidade quanto a qualidade dos experimentos realizados, abrindo espaço para novas descobertas científicas.

Disputa por talentos aumenta no mercado de IA

A mudança acontece em um momento de forte competição por especialistas em inteligência artificial. Empresas como OpenAI e Anthropic vêm atraindo pesquisadores com grandes investimentos e ambientes considerados mais rápidos para desenvolver novas tecnologias.

O próprio Google perdeu outros nomes importantes nos últimos anos. Entre eles está Peter Norvig, que passou 25 anos na companhia antes de seguir para a Recursive Superintelligence, startup também dedicada ao desenvolvimento de IA com capacidade de autoaperfeiçoamento.

Para Tim Rocktäschel, que deixou o Google para ajudar a fundar a empresa, startups oferecem uma dinâmica diferente.

“É um ambiente completamente diferente dentro de uma startup. É muito mais rápido e focado”, afirmou.

A Discovery Loop terá Dean como CEO e contará com Sanjay Ghemawat, Quoc Le e Oriol Vinyals. Os três pesquisadores participaram de projetos do Google que ajudaram a construir tecnologias usadas pelos atuais chatbots de IA.

Logo do Google em uma tela de smartphone ao lado de um chip artisticamente concebido com os dizeres
A Discovery Loop quer inovar em IA com liberdade de startup e ainda manter uma colaboração com o Google. – Imagem: FotoField/Shutterstock

Google mantém parceria com nova startup

Mesmo fora da empresa, Dean continuará próximo do Google. A Alphabet concordou em fornecer capacidade computacional para a startup por pelo menos um ano, segundo o pesquisador.

A Discovery Loop recebeu investimento inicial da Radical Ventures, Khosla Ventures e outros investidores do Vale do Silício. O valor captado não foi divulgado.

Leia mais:

O CEO do Google, Sundar Pichai, destacou a contribuição de Dean e Ghemawat para a evolução tecnológica da companhia.

“Ao longo de 27 anos, Jeff e Sanjay ajudaram a conduzir algumas das transições tecnológicas mais importantes, desde nossa infraestrutura inicial de busca até as redes neurais que ajudaram a criar a era moderna da IA”, afirmou.

A nova empresa também seguirá o modelo de corporação de benefício público, estrutura adotada por outras companhias de IA. Para Dean, a proposta é desenvolver tecnologia buscando impactos positivos para a sociedade.

A criação da Discovery Loop mostra como pesquisadores experientes estão buscando novos caminhos para desenvolver inteligência artificial fora dos grandes laboratórios tradicionais.

O post O pesquisador por trás do Google Brain criou uma nova aposta em IA apareceu primeiro em Olhar Digital.

O pesquisador por trás do Google Brain criou uma nova aposta em IA Read More »

destaque tesla cybertruck 1024x576

SpaceX compra mais baterias da Tesla para alimentar expansão da IA

A SpaceX ampliou as compras de sistemas de armazenamento de energia da Tesla no segundo trimestre de 2026, segundo documentos financeiros divulgados pela empresa.

No período encerrado em 30 de junho, a companhia desembolsou US$ 295 milhões (R$ 1,5 bilhão) em Megapacks — baterias de grande escala que a SpaceXAI tem instalado para ajudar a abastecer seus data centers Colossus na região da Grande Memphis (EUA).

Com esse valor, o total gasto pela SpaceX em Megapacks da Tesla nos dois primeiros trimestres de 2026 chega a US$ 329 milhões (R$ 1,7 bilhão). Em 2025, quando ainda não era uma empresa de capital aberto, a SpaceX havia adquirido US$ 506 milhões (R$ 2,6 bilhões) em produtos Megapack da fabricante.

O que são os megapacks da Tesla?

  • Megapacks são sistemas de armazenamento de energia voltados para uso empresarial e em escala de utilidade pública;
  • A Tesla também fabrica os Megablocks, que reúnem quatro Megapacks em torno de um transformador;
  • Os sistemas utilizam células de lítio-íon ou outras tecnologias de bateria e permitem armazenar energia de diferentes fontes — incluindo combustíveis fósseis, renováveis e fontes intermitentes como solar e eólica — para evitar apagões em data centers e redes de distribuição;
  • A Tesla não é a única fabricante desse tipo de sistema: entre os principais concorrentes, segundo pesquisa da Wood Mackenzie, estão as chinesas Sungrow, BYD e CATL, a sul-coreana LG e a estadunidense Fluence.

Além dos Megapacks, as instalações Colossus e Colossus 2 da SpaceXAI na Grande Memphis também operam dezenas de turbinas a gás natural para geração de energia.

As emissões e o ruído das turbinas provocaram protestos de moradores da região, que relatam cheiro, problemas de saúde, barulho e poluição do ar — episódios que contribuíram para um movimento nacional de resistência a empreendimentos de data centers.

A Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês) entrou com ação judicial contra a SpaceXAI — anteriormente conhecida como xAI — em tribunal federal no Mississippi (EUA) para tentar impedir a empresa de continuar operando as turbinas sem controles de poluição ou licenças federais.

SpaceX gastou quase R$ 700 milhões em Cybertrucks compradas da Tesla em 2025 – (Imagem: wedmoments.stock/Shutterstock

Na chamada de resultados do segundo trimestre, Elon Musk afirmou que a SpaceX planeja expandir rapidamente sua infraestrutura de IA e suas usinas de energia. “Nossa meta provisória é ter 20 gigawatts de energia e resfriamento ativos até o final do próximo ano”, disse ele.

Musk reconheceu que alguns projetos “não vão sair exatamente no prazo”, mas estimou que, “ao nível da usina, algo próximo a 15 gigawatts” ainda seria alcançado.

SpaceX e Tesla têm histórico de transações entre partes relacionadas, compartilhamento de recursos e de pessoal.

Em 2025, além dos US$ 506 milhões em Megapacks, a SpaceX comprou US$ 131 milhões (R$ 673,4 milhões) em veículos Cybertruck, declarando que as aquisições foram feitas pelo preço sugerido pelo fabricante, sem descontos.

As compras ocorreram em momento no qual o interesse dos consumidores pelas picapes havia arrefecido e após uma série de recalls de segurança. No primeiro semestre de 2026, a SpaceX não divulgou novas aquisições de Cybertrucks.

O post SpaceX compra mais baterias da Tesla para alimentar expansão da IA apareceu primeiro em Olhar Digital.

SpaceX compra mais baterias da Tesla para alimentar expansão da IA Read More »

meta 2 1024x682

De novo! Site diz que IA da Meta saiu do controle durante teste

Um modelo de inteligência artificial (IA) da Meta conseguiu invadir os sistemas de outra empresa durante um teste de segurança cibernética, tornando-se o mais recente caso de agentes de IA de grandes desenvolvedoras que ultrapassaram os limites dos ambientes de avaliação.

Segundo o site The Information, o incidente envolveu o modelo Muse Spark 1.1, que conseguiu acessar a internet pública e alterar sistemas internos de uma empresa não identificada devido a uma configuração incorreta no ambiente de testes, conhecido como sandbox.

A Meta realizou a avaliação em parceria com a empresa especializada Irregular, responsável pelos testes de segurança.

Erro de configuração abriu caminho para a invasão

  • De acordo com a publicação, o problema ocorreu porque o ambiente de testes foi configurado de forma incorreta, permitindo que o modelo explorasse uma vulnerabilidade existente em um serviço de terceiros;
  • Em declaração ao The Information, um porta-voz da Meta afirmou que a falha foi causada pela configuração inadequada feita durante a avaliação conduzida pela Irregular;
  • Segundo a empresa, o modelo aproveitou uma vulnerabilidade já existente em outro serviço, em um cenário semelhante ao observado em casos anteriores envolvendo outras desenvolvedoras de IA.
Irregular realizou o teste com a Meta – Imagem: Primakov/Shutterstock

Leia mais:

Empresa diz que incidente não representou fuga do ambiente de testes

A Irregular afirmou à Reuters que o episódio foi causado pelo mesmo tipo de problema de configuração divulgado anteriormente pela Anthropic e ressaltou que não houve uma “fuga” do ambiente de testes (sandbox escape) nem uma ação cibernética sofisticada.

Segundo a empresa, não existem problemas em aberto relacionados ao incidente. A Irregular informou ainda que prepara um documento técnico com recomendações sobre boas práticas para isolar modelos de IA durante avaliações de segurança e executar esse tipo de teste de forma mais segura.

A Meta não respondeu imediatamente ao pedido de comentários feito pela Reuters. O Olhar Digital também entrou em contato com a empresa e espera um retorno.

Série de incidentes envolvendo IA

O caso ocorre poucos dias depois de a Anthropic revelar que alguns modelos da família Claude conseguiram invadir os sistemas de três empresas durante testes de segurança cibernética.

Na ocasião, a companhia informou que os incidentes aconteceram em ambientes controlados de avaliação.

Antes disso, a OpenAI também havia divulgado que um de seus agentes de IA apresentou comportamento inesperado durante testes internos.

Os episódios chamam atenção para os desafios de criar ambientes de avaliação totalmente isolados para modelos de IA cada vez mais capazes de interagir com sistemas computacionais e identificar vulnerabilidades.

O post De novo! Site diz que IA da Meta saiu do controle durante teste apareceu primeiro em Olhar Digital.

De novo! Site diz que IA da Meta saiu do controle durante teste Read More »

linhas de cdigo fonte dados arquitetura software programa app hacker 1024x684

Meta lança ferramenta de programação com IA para enfrentar OpenAI e Anthropic

A Meta anunciou nesta quarta-feira (05) o lançamento do Muse Code, um agente de programação criado para disputar espaço com soluções de inteligência artificial oferecidas por empresas como OpenAI e Anthropic. A companhia apresentou a ferramenta como uma alternativa mais econômica para tarefas de desenvolvimento de software.

O novo produto faz parte da estratégia da Meta para transformar seus investimentos em inteligência artificial em aplicações capazes de gerar retorno comercial. A iniciativa ocorre após cobranças de investidores por avanços concretos depois de grandes aportes em profissionais especializados e infraestrutura computacional.

A empresa informou que alguns funcionários já utilizam internamente o agente e que pretende ampliar esse uso. O produto foi desenvolvido dentro da nova estrutura de inteligência artificial da companhia, liderada por Alexandr Wang, responsável pela área de IA da Meta.

Meta aposta em preços baixos para conquistar usuários de programação

Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Agentes de programação são sistemas capazes de auxiliar na criação de projetos e na execução de atividades de engenharia de software, reduzindo a necessidade de escrita manual de código por parte dos usuários. O segmento ganhou força com ferramentas lançadas por empresas concorrentes nos últimos meses.

O Muse Code terá duas modalidades de preço. Uma delas seguirá a estrutura do modelo geral Muse Spark, enquanto a outra foi criada com custo significativamente inferior. Nessa opção mais barata, os usuários pagarão 20 centavos por milhão de tokens de saída e deverão fornecer avaliações para ajudar no aprimoramento do sistema.

A estratégia de preço coloca a ferramenta da Meta próxima de modelos desenvolvidos por empresas chinesas, incluindo alternativas com valores semelhantes. Enquanto isso, soluções concorrentes como Claude Code e Codex utilizam planos mensais e cobranças adicionais quando os limites de uso são ultrapassados.

A Meta também informou que modelos anteriores do mercado passaram por reduções de preço, em um cenário de disputa crescente pela adoção de ferramentas de inteligência artificial. A competição envolve não apenas desempenho tecnológico, mas também custo de acesso para desenvolvedores e empresas.

Nova fase da estratégia de inteligência artificial da Meta

programacao
(Imagem: gorodenkoff/iStock)

A empresa reformulou sua área de IA no ano passado com a criação do Meta Superintelligence Labs. Alexandr Wang, cofundador da ScaleAI, assumiu a liderança da divisão e iniciou uma campanha para atrair especialistas de outros laboratórios do setor.

A movimentação incluiu pacotes de remuneração avaliados em milhões de dólares para contratar talentos e acelerar o desenvolvimento de novos modelos. Entre os projetos resultantes está o Muse Spark, modelo de inteligência artificial apresentado pela Meta em abril.

O lançamento do Muse Code representa mais um passo da companhia para ampliar sua presença em um mercado no qual empresas de tecnologia disputam usuários, desenvolvedores e receitas associadas à inteligência artificial.

O post Meta lança ferramenta de programação com IA para enfrentar OpenAI e Anthropic apareceu primeiro em Olhar Digital.

Meta lança ferramenta de programação com IA para enfrentar OpenAI e Anthropic Read More »

banco seguranca 1024x576

Cibercrime virou indústria movida por IA, aponta relatório

O cibercrime deixou de ser formado por ataques isolados para operar como uma economia criminosa altamente organizada, impulsionada por inteligência artificial (IA), automação e serviços especializados. Essa é a principal conclusão do Relatório sobre o Cenário de Ameaças de 2026, divulgado pela Infoblox, empresa de segurança de redes.

Segundo o estudo, a profissionalização das operações criminosas reduziu o tempo disponível para que empresas detectem e respondam a ataques, tornando menos eficazes as estratégias tradicionais de segurança baseadas apenas em detecção e resposta.

A análise foi elaborada com base em trilhões de consultas ao sistema de nomes de domínio (DNS), bilhões de transações realizadas em ambientes clandestinos e pesquisas conduzidas pela equipe Infoblox Threat Intel.

IA e serviços especializados aceleram ataques

  • De acordo com o relatório, a combinação entre ferramentas de IA, serviços criminosos especializados e infraestruturas ocultas está permitindo que hackers realizem ataques com mais rapidez, escala e eficiência;
  • A Infoblox afirma que o cibercrime passou a funcionar como um ecossistema interconectado, no qual diferentes grupos oferecem serviços específicos, como hospedagem de infraestrutura, distribuição de malware e ferramentas para ocultar atividades maliciosas;
  • Segundo a empresa, esse modelo reduz barreiras de entrada para criminosos e amplia o alcance das operações.

“O relatório deste ano documenta a máquina do cibercrime, uma economia criminosa globalmente conectada, na qual a IA de fronteira, os serviços criminosos especializados e as infraestruturas ocultas transformaram a forma como os ataques são criados, adquiridos e executados”, afirmou Renée Burton, vice-presidente da Infoblox Threat Intel.

Ela acrescenta que a principal mudança não está apenas na sofisticação dos ataques, mas na facilidade de acesso a recursos avançados. “A mudança mais importante não é o fato de os hackers terem se tornado mais sofisticados, mas que recursos avançados passaram a estar amplamente acessíveis. Isso altera o ritmo do cibercrime e desafia estratégias de segurança construídas principalmente em torno da detecção e da resposta.”

Infraestrutura descartável dificulta defesa

Um dos principais pontos destacados pelo relatório é o uso crescente de infraestrutura temporária para sustentar ataques cibernéticos.

Segundo a Infoblox, cerca de 25% dos 120 milhões de domínios observados pela primeira vez apresentavam risco considerado alto ou crítico, indicando o uso de uma grande quantidade de domínios descartáveis para atividades criminosas.

O estudo também aponta que 88% dos domínios associados a ameaças foram identificados no ambiente de apenas um cliente, enquanto 44% permaneceram ativos por apenas um dia, estratégia que dificulta sua identificação e bloqueio pelas equipes de segurança.

Leia mais:

Um dos principais pontos destacados pelo relatório é o uso crescente de infraestrutura temporária para sustentar ataques cibernéticos – Imagem: ParinPix / Shutterstock

Sistemas de distribuição de tráfego lideram ameaças

A ameaça mais comum identificada pela empresa foram os chamados Traffic Distribution Systems (TDSs), presentes em mais de 95% das redes analisadas.

Esses sistemas funcionam como direcionadores automáticos de vítimas para páginas de phishing, distribuição de malware e golpes online, adaptando os ataques conforme o perfil do usuário ou do dispositivo acessado.

Segundo a Infoblox, por operarem de forma discreta e distribuída, essas estruturas estão entre as mais difíceis de detectar.

Redes de proxies ajudam criminosos a esconder ataques

Outro recurso amplamente utilizado pelos criminosos são as redes de proxies residenciais, identificadas em consultas realizadas por 65% dos clientes do Infoblox Threat Defense.

Essas redes permitem que atividades maliciosas utilizem endereços IP de conexões residenciais legítimas, dificultando a diferenciação entre tráfego normal e ações criminosas.

Na prática, isso aumenta as chances de os ataques passarem despercebidos pelos sistemas tradicionais de monitoramento.

O levantamento também aponta um aumento expressivo nas fraudes digitais. Segundo a Infoblox, o número de domínios relacionados a golpes cresceu 62% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente por falsificação de marcas, roubo de identidade e fraudes financeiras.

Empresas precisam rever estratégias, diz Infoblox

Na avaliação da empresa, o cenário mostra que o cibercrime passou a operar como uma cadeia produtiva altamente especializada, baseada em automação, compartilhamento de infraestrutura e prestação de serviços entre grupos criminosos.

Para a Infoblox, essa transformação exige que organizações revisem suas estratégias de segurança, adotando abordagens capazes de identificar e interromper ameaças antes que elas atinjam usuários e sistemas corporativos, em vez de depender exclusivamente da detecção após o início dos ataques.

O post Cibercrime virou indústria movida por IA, aponta relatório apareceu primeiro em Olhar Digital.

Cibercrime virou indústria movida por IA, aponta relatório Read More »

istock 2286399436 1024x724

A “virada” da IA na África mostra novo duelo entre China e EUA

Quando Ernest Mwebaze começou a criar uma ferramenta de inteligência artificial para lidar com os diferentes idiomas de Uganda, ele colocou modelos americanos e chineses à prova. O resultado surpreendeu: a tecnologia chinesa funcionou melhor para o projeto.

Segundo o The New York Times, casos como esse mostram como desenvolvedores africanos estão recorrendo a sistemas chineses por causa do custo reduzido, da possibilidade de personalização e do acesso aberto.

A inteligência artificial chinesa virou escolha de muitos desenvolvedores africanos por ser flexível e mais acessível. – Imagem: justhavealook/iStock

Desenvolvedores escolhem ferramentas que cabem no orçamento

Mwebaze, ex-pesquisador do Google, criou o Sunflower, um sistema usado por agricultores de Uganda para receber informações sobre clima e cultivo em idiomas locais. Segundo ele, o modelo da Alibaba apresentou desempenho superior ao de alternativas da Meta e do Google para essa tarefa.

“Queremos construir coisas da forma mais barata possível, mas que funcionem muito bem”, afirmou Mwebaze.

O movimento não acontece apenas em Uganda. No Quênia, empreendedores usam modelos chineses para melhorar serviços jurídicos e empresariais. Na Nigéria, desenvolvedores criam ferramentas educacionais, enquanto no Gana surgem novos chatbots adaptados às demandas locais.

Código aberto muda a escolha dos desenvolvedores

Um dos principais atrativos dessas ferramentas é o código aberto. Diferentemente de modelos fechados, que exigem pagamentos e dependem das regras das empresas que os criaram, esses sistemas podem ser baixados e modificados pelos próprios usuários.

Entre os motivos que explicam essa preferência estão:

  • Menor custo para desenvolver aplicações;
  • Possibilidade de adaptar os modelos com dados próprios;
  • Uso em projetos com poucos recursos;
  • Maior controle sobre a tecnologia utilizada.

Para muitos desenvolvedores africanos, a questão não é usar o modelo mais avançado do mercado, mas encontrar uma ferramenta capaz de resolver o problema necessário.

Por que usar uma Ferrari cara para levar as crianças à escola quando um Toyota hatchback pode fazer a mesma coisa?

Moses Kemibaro, empreendedor, ao The New York Times.

Logo da Alibaba com pessoas passando em frente
Sistemas de código aberto, como o Qwen, oferecido pela Alibaba, são o diferencial: modelos chineses permitem baixar, modificar e criar novas soluções com mais liberdade. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

África vira palco da disputa entre China e EUA

A presença chinesa no setor de tecnologia africano começou antes da inteligência artificial. Empresas do país já participaram da expansão de redes de telecomunicações no continente, criando uma base para oferecer novas soluções.

Leia mais:

Mesmo assim, empresas africanas continuam usando ferramentas americanas em algumas situações. Sistemas como os da OpenAI e Anthropic ainda são procurados para tarefas técnicas que exigem maior precisão.

A escolha também envolve questões políticas. Após problemas com respostas do chatbot Sunflower sobre a China, Mwebaze passou a buscar alternativas para evitar uma dependência excessiva de um único fornecedor.

“Precisamos garantir que não estamos do lado errado da geopolítica”, afirmou.

A experiência africana mostra que a corrida pela inteligência artificial não depende apenas de quem cria os modelos mais avançados. Cada vez mais, custo, liberdade de uso e capacidade de adaptação estão influenciando quais tecnologias chegam aos usuários.

O post A “virada” da IA na África mostra novo duelo entre China e EUA apareceu primeiro em Olhar Digital.

A “virada” da IA na África mostra novo duelo entre China e EUA Read More »

pc ia 1024x512

IA transforma medo dos pais em um novo desafio para proteger crianças

Um levantamento da Norton indica que 85% dos pais e responsáveis por menores de 18 anos no Brasil temem que ferramentas de inteligência artificial sejam usadas para produzir imagens ou diálogos falsos envolvendo seus filhos. O estudo foi realizado online entre 29 de maio e 12 de junho de 2026, com mil adultos brasileiros, segundo informou a empresa ao Olhar Digital.

A pesquisa Norton Insights: Connected Kids mostra que a expansão da IA trouxe novas preocupações para as famílias, que passaram a lidar com riscos como manipulação de imagens, falsificação de identidades digitais e interações virtuais com possíveis ameaças.

Segundo o levantamento, embora 89% dos entrevistados afirmem se sentir preparados para conversar com os filhos sobre segurança na internet, quase metade deles, 49%, não acredita que as crianças consigam diferenciar conteúdos reais de materiais criados por inteligência artificial.

Famílias enfrentam novos riscos com avanço da inteligência artificial

PC com IA – Imagem: ImageFlow / Shutterstock

O estudo aponta que 59% dos pais já adotaram alguma medida para reduzir possíveis impactos da IA na rotina dos filhos. Entre as ações citadas estão restrições ao uso de aplicativos, acompanhamento das atividades digitais e conversas específicas sobre os riscos associados à tecnologia.

A preocupação com imagens falsas aparece como um dos principais pontos de alerta. De acordo com a pesquisa, criminosos podem utilizar recursos de inteligência artificial e identidades artificiais para conquistar a confiança de jovens ou estimular o compartilhamento de imagens que depois podem ser usadas em práticas de extorsão financeira.

Entre os participantes que relataram casos de cyberbullying envolvendo seus filhos, 29% disseram que os responsáveis pelas agressões usavam perfis falsos ou fingiam ser outras pessoas. Outros 14% afirmaram que o agressor era uma conta ou bot criado com inteligência artificial.

O levantamento também identificou que os pais enxergam diferentes níveis de risco nas plataformas digitais. As salas de bate-papo online aparecem como o ambiente que mais causa preocupação, citadas por 20% dos entrevistados. O Discord ficou em segundo lugar, com 18%, seguido pelos jogos online, com 15%, e pelo TikTok, com 11%.

Apesar dessa percepção, os dados sobre jogos conectados revelam situações de exposição frequentes. Entre os pais de crianças que utilizam jogos online com ferramentas de conversa, 61% afirmaram que seus filhos já falaram com desconhecidos por mensagens ou voz.

Além disso, 33% relataram o recebimento de mensagens ofensivas ou inadequadas, enquanto 29% disseram que seus filhos foram incentivados a continuar conversas fora do ambiente do jogo.

A Norton destaca que os recursos de comunicação presentes nos games podem dificultar o acompanhamento dos responsáveis, já que essas interações nem sempre recebem a mesma atenção dedicada às redes sociais. A empresa afirma que a migração de uma conversa em um jogo para aplicativos privados pode criar situações difíceis de identificar.

Distância entre confiança dos pais e comportamento das crianças

adolescente acessando redes sociais no celular
Criança acessando redes sociais – Imagem: Urupong/iStock

O levantamento também revelou uma diferença entre a percepção dos responsáveis e alguns hábitos relatados pelas próprias famílias. Embora a maioria diga ter abertura para conversar sobre riscos digitais, determinados comportamentos continuam presentes.

Quarenta por cento dos entrevistados afirmaram que os filhos usam dispositivos após o horário permitido ou depois da hora de dormir. Outros 22% disseram que as crianças acessaram redes sociais ou sites que deveriam estar bloqueados.

A pesquisa ainda aponta que 13% dos pais relataram que seus filhos compartilharam informações pessoais com desconhecidos e 14% disseram que eles tiveram acesso a conteúdos explícitos.

Para a Norton, a mudança no cenário digital exige que as conversas familiares sejam ampliadas. Além de temas tradicionais, como senhas, desconhecidos na internet e tempo de tela, os responsáveis precisam abordar questões relacionadas a imagens produzidas por IA, identidade digital e avaliação crítica de conteúdos.

O post IA transforma medo dos pais em um novo desafio para proteger crianças apareceu primeiro em Olhar Digital.

IA transforma medo dos pais em um novo desafio para proteger crianças Read More »

destaque google gemini 1024x576

Fim de uma era: Google Assistant começa a sair dos celulares Android

O Google confirmou que vai retirar o Assistant de celulares e tablets Android, além de relógios com Wear OS, a partir de 4 de setembro. A mudança faz parte da transição para o Gemini, nova ferramenta de inteligência artificial da empresa.

A troca será feita aos poucos e pode levar algumas semanas para alcançar todos os usuários. Depois da atualização, dispositivos compatíveis deixarão de usar o antigo assistente.

Celulares Android compatíveis terão uma nova experiência com o Gemini após a atualização do Google. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Google começa a encerrar ciclo do Assistant

Segundo o 9to5Google, a empresa já iniciou o envio de avisos por e-mail sobre a mudança. O processo de desligamento começa em 4 de setembro e será concluído gradualmente.

A alteração vale para celulares Android que atendem aos requisitos mínimos para executar o Gemini e para regiões onde o chatbot está disponível. Alguns dispositivos conectados, como fones compatíveis, também serão afetados.

Presente no Android há anos, o Assistant agora dará lugar ao Gemini nos aparelhos que suportarem a nova tecnologia.

Alguns aparelhos ainda manterão o recurso

A mudança não será aplicada a todos os produtos do Google neste momento. Google TV, Google Home e telas inteligentes continuarão funcionando normalmente.

Uma versão antiga do Assistant também seguirá disponível em celulares com Android 9 ou anterior e menos de 2 GB de RAM, permitindo o uso de tarefas básicas.

Entre as principais mudanças estão:

  • Celulares compatíveis passarão a usar o Gemini;
  • Relógios com Wear OS serão afetados pela substituição;
  • Fones compatíveis poderão passar pela mudança;
  • Veículos com Google integrado continuarão usando o Assistant.
google tv
Google TV e Google Home ficam de fora da mudança por enquanto. A transição será focada em outros dispositivos. Imagem: Wirestock Creators/Shutterstock

Gemini assume espaço no Android

Quem ainda não tem o Gemini pode baixar o aplicativo pela Play Store. A empresa também prepara novidades para os dispositivos Pixel, com anúncios previstos para 12 de agosto.

Leia mais:

A mudança encerra uma etapa importante do Android e coloca o Gemini como principal assistente nos aparelhos compatíveis, enquanto alguns dispositivos antigos continuarão com acesso limitado ao Assistant.

O post Fim de uma era: Google Assistant começa a sair dos celulares Android apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fim de uma era: Google Assistant começa a sair dos celulares Android Read More »

meta 1024x682

Meta teria aprovado mais de 50 anúncios com abuso infantil gerado por IA

A Meta permitiu a publicação de mais de 50 anúncios pagos com imagens de abuso sexual infantil geradas por inteligência artificial (IA), segundo uma investigação do grupo independente Tech Transparency Project (TTP).

As campanhas foram exibidas no Facebook, Instagram, Messenger e Threads entre novembro do ano passado e o início de agosto e alcançaram usuários nos Estados Unidos, Reino Unido e em mais de uma dezena de países da Europa.

De acordo com a investigação, parte dos anúncios promovia aplicativos de nudify — ferramentas que utilizam IA para criar imagens falsas de nudez —, enquanto outros continham imagens de menores acompanhados de mensagens de conotação sexual ou direcionavam usuários para serviços que geravam pornografia por inteligência artificial.

O TTP afirma que esta é a segunda vez, em poucas semanas, que anúncios relacionados à exploração sexual infantil são encontrados nas plataformas da Meta.

Publicidade passou pela revisão da Meta

Segundo Katie Paul, diretora do Tech Transparency Project, o caso chama atenção porque os conteúdos não eram publicações comuns feitas por usuários, mas anúncios pagos aprovados pela própria empresa.

“Esses anúncios não fizeram qualquer esforço para esconder o que promoviam. É importante destacar que não eram publicações de terceiros no Facebook ou Instagram. Eram anúncios revisados, aprovados e autorizados pela Meta, que permaneceram ativos enquanto a empresa recebia pela publicidade”, afirmou à revista WIRED.

Os registros da biblioteca pública de anúncios da Meta mostram que as campanhas permaneceram ativas por vários dias. Algumas eram direcionadas exclusivamente ao público masculino.

Embora muitos anúncios tenham atingido poucas contas, um deles foi exibido para pelo menos 2.563 usuários em países, como França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Espanha, Suécia e Reino Unido. A Meta não divulga o alcance das campanhas em todos os mercados, incluindo os Estados Unidos, o que pode significar que o número total de pessoas impactadas seja maior.

Novos anúncios surgiram durante a investigação

Os pesquisadores localizaram inicialmente cerca de duas dezenas de anúncios. No entanto, horas antes da publicação da reportagem da WIRED, encontraram aproximadamente outros 30 anúncios semelhantes.

Segundo o TTP, parte dessas novas campanhas havia sido publicada depois que a revista entrou em contato com a Meta para pedir esclarecimentos, e algumas ainda estavam sendo exibidas aos usuários naquele momento.

A organização informou que comunicou imediatamente os casos ao National Center for Missing and Exploited Children (NCMEC), órgão estadunidense responsável por receber denúncias de exploração sexual infantil na internet.

Meta removeu o conteúdo após ser procurada

Após ser questionada pela WIRED, a Meta retirou os anúncios de sua biblioteca pública por violarem suas políticas sobre exploração sexual infantil, nudez e atividade sexual.

Em nota, a empresa afirmou que combate esse tipo de conteúdo de forma agressiva. “A exploração sexual é horrível, e trabalhamos agressivamente para mantê-la fora de nossa plataforma. A maioria desses anúncios teve alcance mínimo e muitos já haviam sido desativados antes de a WIRED compartilhar as informações conosco.”

A companhia acrescentou que parte das campanhas foi publicada antes da implementação de novas ferramentas de IA destinadas a identificar anúncios que violam suas políticas já no momento do envio.

Segundo a Meta, mais de 36 milhões de conteúdos relacionados à exploração sexual infantil foram removidos de suas plataformas no último ano. A empresa também destacou que tem adotado medidas judiciais contra desenvolvedores de aplicativos de nudify.

Leia mais:

Após ser questionada pela WIRED, a Meta retirou os anúncios de sua biblioteca pública por violarem suas políticas sobre exploração sexual infantil, nudez e atividade sexual – Imagem: jackpress/Shutterstock

Sistema de anúncios levanta questionamentos

A Meta afirma que todos os anúncios passam por um processo de revisão antes de serem publicados, realizado principalmente por sistemas automatizados. Suas políticas proíbem expressamente conteúdos relacionados à exploração sexual infantil, além de anúncios que contenham nudez, atividade sexual ou imagens sexualmente sugestivas.

Para Paul, no entanto, a investigação levanta dúvidas sobre a eficácia desse sistema. Segundo ela, alguns dos anúncios encontrados eram praticamente idênticos a campanhas que já haviam sido removidas anteriormente pela própria Meta.

Na avaliação da pesquisadora, isso indica que conteúdos já identificados como ilegais conseguiram voltar a circular por meio da plataforma de publicidade da empresa.

Outro ponto destacado pelo TTP é que a biblioteca pública de anúncios da Meta não oferece uma ferramenta para que usuários denunciem campanhas que já deixaram de ser exibidas, mesmo que continuem acessíveis no acervo da plataforma.

Empresas chinesas aparecem entre os anunciantes

Os pesquisadores afirmam que a maioria das campanhas foi publicada por contas com poucos ou nenhum seguidor. Quando os anunciantes podiam ser identificados, eles estavam ligados principalmente a empresas chinesas.

Um dos casos envolvia a Meet Social, companhia que já atuou como revendedora de publicidade da Meta na China, país onde Facebook e Instagram são bloqueados. A empresa não respondeu aos pedidos de comentário da WIRED.

Apple remove aplicativo citado na investigação

Diversos anúncios direcionavam usuários para o aplicativo MaskAI, disponível na App Store da Apple.

Segundo a WIRED, o aplicativo não exibia conteúdo explícito antes da instalação, mas oferecia ferramentas para gerar pornografia por IA e criar montagens com rostos de pessoas em imagens de conteúdo sexual.

Após ser procurada pela reportagem, a Apple informou que removeu o aplicativo por violar suas políticas contra aplicativos de nudify. A empresa afirmou que “sempre proibiu rigorosamente aplicativos desenvolvidos para gerar, distribuir ou consumir pornografia”.

Mercado de aplicativos de “nudificação” preocupa especialistas

O crescimento da IA generativa impulsionou a proliferação de serviços capazes de criar imagens falsas de nudez e pornografia. Especialistas alertam que essas ferramentas vêm sendo utilizadas tanto para produzir pornografia não consensual quanto para gerar material de abuso sexual infantil.

Após o contato da WIRED, a Meta também encaminhou à reportagem declarações de organizações parceiras na área de segurança digital.

A Tech Coalition destacou que a empresa compartilha milhares de endereços ligados a conteúdo abusivo por meio do sistema Lantern, enquanto a Revenge Porn Helpline afirmou que os aplicativos de nudify representam um desafio constante devido à rapidez com que seus responsáveis criam novos serviços para escapar das medidas de fiscalização.

Alexios Mantzarlis, cofundador da publicação Indicator e ex-especialista em confiança e segurança do Google, disse ter identificado e denunciado mais de 25 mil anúncios de aplicativos de nudify nas plataformas da Meta nos últimos anos.

Segundo ele, apesar de a empresa informar que removeu mais de 344 mil anúncios desse tipo e mover ações judiciais contra alguns desenvolvedores, os responsáveis continuam criando novas contas e domínios para manter as operações ativas.

“Os responsáveis por essas redes estão bem preparados para criar novas contas de anunciantes e novos domínios, utilizando técnicas semelhantes às empregadas por redes de golpes. Infelizmente, essa indústria de abuso sexual baseado em imagens deixou de ser uma novidade para se tornar uma presença permanente no ecossistema online devido à aplicação tímida das regras pelas plataformas”, afirmou à WIRED.

O post Meta teria aprovado mais de 50 anúncios com abuso infantil gerado por IA apareceu primeiro em Olhar Digital.

Meta teria aprovado mais de 50 anúncios com abuso infantil gerado por IA Read More »