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Quanto custa estudar IA em 2026 – e como pagar menos para isso

O boom da inteligência artificial (IA) criou a ideia de que todo mundo precisa fazer uma pós-graduação na área para não ficar ultrapassado. Na prática, a regra é mais simples. Aprender IA é parecido com aprender a dirigir: é bom você saber guiar o carro na rotina, mas não precisa se tornar um piloto de corrida nem entender como o motor foi construído.

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Qual caso é o seu? Bem, isso depende do seu objetivo no mercado. Quem só quer resolver tarefas do dia a dia precisa de letramento digital, algo que cursos rápidos resolvem. Já a educação formal, como pós-graduação e MBA, serve para outro grupo: profissionais que vão construir e gerenciar sistemas de IA. Ou pessoas que querem avançar na carreira apostando num certificado que, geralmente, pesa no recrutamento.

Quem precisa de educação formal (graduação, pós, MBA) em IA

A educação formal em IA se divide em dois caminhos. De um lado estão os cursos de graduação e pós-graduação técnica, voltados a desenvolvedores, engenheiros de software e cientistas de dados. Nesses programas, o estudante aprende, por exemplo: a base matemática, a arquitetura de redes neurais e o desenvolvimento de modelos para criar, treinar e otimizar tecnologias do zero.

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Do outro lado estão os MBAs e especializações aplicadas, buscados por gestores, advogados e profissionais de áreas como marketing e finanças. O objetivo dessas formações é preparar o profissional para liderar a implementação da tecnologia no ambiente de negócios. Isso envolve avaliar o retorno sobre o investimento, garantir o cumprimento de regras de governança e escolher fornecedores no mercado, por exemplo.

A educação formal em IA se divide em dois caminhos atualmente – Imagem: CoreDESIGN/Shutterstock

Além da bagagem conceitual e metodológica, a escolha por um curso de longa duração resvala na percepção do mercado. Em entrevista ao Olhar Digital, Eduardo Endo, gerente geral de pós-graduações da Faculdade Impacta Digital, explicou que enquanto o curso livre entrega aprendizado pontual, a educação formal atua como uma alavanca de transformação profissional.

“Quando falamos em chamar a atenção dos recrutadores, uma pós-graduação tende a ter um peso muito maior, pois demonstra não apenas a aquisição de conhecimento, mas também dedicação, comprometimento e vontade de mudar e evoluir profissionalmente”, afirma Endo.

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Quem precisa de cursos rápidos

Para profissionais de áreas como Direito, Marketing, Finanças e Recursos Humanos, o caminho no aprendizado da IA é mais simples. Esse público não precisa aprender a programar nem entender a arquitetura dos sistemas para ter ganhos de produtividade no trabalho. O objetivo aqui é o letramento digital, focado em resolver problemas práticos da rotina.

A capacitação para esse perfil costuma ocorrer em cursos livres de curta duração, que variam entre oito e 40 horas de aula. O foco dessas aulas é te mostrar o uso de ChatGPT, Claude, Gemini e Copilot, por exemplo, como ferramentas de trabalho, estudo, pesquisa. Isso envolve, por exemplo, ter noções básicas de engenharia de prompt e de critérios para checar respostas e evitar vazamentos de dados.

Captura de tela de plataforma de cursos do Olhar Digital
Clube Olhar Digital tem plataforma com mais de 130 cursos – Imagem: Reprodução

Atualmente, o Clube Olhar Digital tem um catálogo com mais de 130 cursos. Entre eles, estão:

“A IA ainda não substitui o conhecimento em tecnologia, mas já consegue automatizar muita coisa. Por isso, para quem não é de uma área técnica, o mais importante é entender as possibilidades da IA e como aplicá-las aos problemas reais da sua profissão”, explica Eduardo Endo.

Na plataforma, você encontra cursos sobre áreas e ferramentas para além da IA, como: 

A chave para quem não é de TI está em olhar para a própria rotina e mapear quais tarefas podem ser otimizadas ou aprimoradas. Afinal, sempre há espaço para melhorar. O ponto aqui é: em vez de tentar se transformar num especialista na tecnologia, a estratégia mais eficiente é encará-la como complemento para potencializar sua profissão atual. Seu ofício. E nossos assinantes têm 15% de desconto em todos os cursos disponíveis na plataforma exclusiva do Clube Olhar Digital.

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ChatGPT na escola: quando a IA ajuda – e quando prejudica o aprendizado

Pela primeira vez, o Pisa avaliou o impacto da inteligência artificial (IA) nos estudos. A sigla significa Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. É um trabalho feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), órgão que mede o desenvolvimento econômico no mundo.

Para Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP e especialista em IA pela Universidade de Stanford, deu para notar uma tendência nos resultados do Pisa 2025, divulgados na terça-feira (08).

“Os alunos que nunca ou quase nunca usam IA costumam ir melhor do que aqueles que usam pouco. E os alunos que usam muito tendem a ir melhor do que os que usam de forma esporádica”, disse o especialista no programa Olhar Digital News.

Em suma: quem nunca usa vai melhor, quem usa muito vai melhor e quem usa ali no meio vai um pouco pior.

Como a IA pode estar impactando o aprendizado de alunos

Para entender a análise do especialista, é preciso, primeiro, destrinchar os resultados da pesquisa.

Para começar, o Pisa é um trabalho aplicado a cada três anos para medir o conhecimento dos estudantes em leitura, matemática e ciência.

O que a edição divulgada neste ano apontou foi: ao menos uma vez por semana, quase metade dos alunos brasileiros (48%) de 15 anos usa chatbots de IA, como o ChatGPT, para estudar.

Comparação entre Brasil e a média da OCDE quando o assunto é uso de IA por estudantes – Gráfico gerado com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Ainda segundo o levantamento, alunos que usam IA com frequência para resumir leituras, fazer pesquisas preliminares ou redigir redações obtêm, em média, 20 pontos a menos em ciências do que os que não usam a tecnologia. 

Pela métrica da OCDE, essa diferença equivale a perder um ano inteiro de escolaridade em relação aos seus colegas. Mas, segundo Pena, existem outros tipos de uso frequente que podem ser bons para o aprendizado.

Usar IA no aprendizado é bom ou ruim?

Vamos separar a análise do especialista sobre os resultados do Pisa 2025 em partes. A primeira: os alunos que dizem nunca usar IA. Esses não usam atalhos. “Eles vão ter que utilizar o seu próprio senso crítico, sua própria memorização, vão ter que pôr o seu cérebro realmente para exercitar, e acabam tendo um bom desempenho por justamente não estarem delegando nada para a IA”, disse Spinelli. “O aluno que nunca usa tem que fazer o trabalho escolar, vai ter que se debruçar e fazer a pesquisa por conta própria.”

Estudante com chatgpt ligado no celular
Usar muito a IA nos estudos pode ser bom – depende de como o aluno usa a tecnologia – Imagem: BongkarnGraphic/Shutterstock

A segunda parte: os alunos que dizem usar muito a IA. Para o especialista, esses podem estar usando a tecnologia como uma espécie de tutor. “Aquele tutor personalizado que vai tirar muitas dúvidas que muitas vezes o aluno precisaria esperar o professor estar ali na sua frente – e às vezes o aluno tem vergonha de perguntar”, disse Pena.

“A IA vai poder ensinar de outras maneiras, talvez melhores do que o jeito que a escola ensina”, acrescentou o especialista. “Então, o aluno passa a ter esse tutor personalizado. Isso poderia justificar a melhora no desempenho.”

A terceira parte: os alunos que dizem usar a IA de maneira esporádica. Para Pena, esses podem estar fazendo “o pior uso” da tecnologia. “Talvez o aluno fale ‘faça o trabalho escolar para mim, escreva para mim”. E às vezes nem revisa”, disse o especialista.

Para Spinelli, este pode ser o tipo de aluno que “delega para a IA o seu pensamento, não aprende nada de verdade e aí chega na prova e vai pior”.

Aqueles que nunca usam ainda mantêm a necessidade de exercitar o cérebro ao máximo, sem delegar nada para a IA, pensando por conta própria. Já aquele que usa muito pode estar aproveitando o benefício de ter um tutor personalizado, um jeito novo de aprender e uma tecnologia mais rápida para fazer conexões.

Roberto “Pena” Spinelli, especialista em IA por Stanford, no Olhar Digital News.

Alunos brasileiros usam IA em pesquisas preliminares

O uso de IA por estudantes brasileiros ficou significativamente acima em duas “categorias” importantes: ajudar a aprender e fazer pesquisa preliminar sobre um novo tema. O segundo teve a maior margem de diferença (para cima). A média do Brasil foi 40%. A da OCDE, 31%.

Pessoa fazendo pesquisa no ChatGPT
Fazer pesquisa preliminar numa IA pode ser bom para aprendizado – Imagem: Nwz/Shutterstock

Fazer pesquisa preliminar significa “dar um Google” num chatbot, ao invés de num buscador. Assim, o ponto de partida (ou a pesquisa toda, dependendo da situação) é a resposta da IA, não uma lista de links para o aluno acessar.

Isso é bom ou ruim? Para Pena, é bom. “O que acho ruim é quando a IA já está redigindo o trabalho final”, disse o especialista.

‘Estamos passando por um momento de transição’, diz especialista

Para Spinelli, a conclusão que podemos tirar dos resultados do Pisa 2025 é: estamos passando por um momento de transição. Segundo o especialista, é “um momento de descoberta no qual as pessoas estão entendendo como usar IA”.

“Metade dos alunos está usando, metade não está usando, sendo que temos resultados benéficos em ambos os caminhos”, acrescenta Pena. “Por outro lado, ainda temos desafios muito grandes quanto a esse uso prejudicial, em que se delega demais para a IA e não se aprende nada.”

“O brasileiro é um early adopter por natureza. O que o estudo mostra são os desafios inerentes da tecnologia. Ainda temos muito o que aprender e muito a comparar nos próximos anos”, finaliza o especialista.

Assista abaixo a análise completa de Roberto “Pena” Spinelli sobre os resultados do Pisa 2025 no Olhar Digital News:

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Uso diário de IA pode afetar o desempenho escolar, diz OCDE

O uso diário de inteligência artificial na rotina de estudos pode estar associado a um desempenho pior em avaliações. Dados do Pisa, divulgados pela OCDE, mostram que alunos de 15 anos que recorrem a chatbots todos os dias para determinadas tarefas escolares obtêm notas menores do que colegas que quase não usam a tecnologia.

No Brasil, quase metade dos estudantes já utiliza IA para estudar. Os próprios dados, porém, mostram que a relação entre tecnologia e desempenho depende da frequência e, principalmente, da maneira como essas ferramentas são usadas.

O relatório da OCDE alerta para o descarregamento cognitivo, quando o aluno transfere tarefas difíceis para a IA. Imagem: gorodenkoff/iStock

Uso frequente de IA acende alerta

O mais recente levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) reuniu dados de mais de 760 mil jovens em 91 países. Entre os alunos que usam IA diariamente ou quase todos os dias para elaborar textos escolares, a pontuação média em ciências foi de 481 pontos. Entre os que nunca ou quase nunca recorrem à tecnologia para essa finalidade, o resultado chegou a 509 pontos.

A diferença de 28 pontos, calculada após ajustes socioeconômicos, corresponde a aproximadamente um ano e meio de ensino. Padrão semelhante aparece quando os chatbots são usados para pesquisas preliminares sobre novos temas ou para resumir leituras.

Da mesma forma que não ficamos em forma assistindo a esportes, mas praticando esportes, o aprendizado não ocorre através do consumo de conteúdo, mas como uma luta cognitiva produtiva da mente com novo material.

Andreas Schleicher, diretor de Educação e Habilidades da OCDE, à Bloomberg.

Schleicher defende que a IA seja usada como “um andaime, não como uma muleta”. Segundo ele, a tecnologia pode contribuir para o aprendizado quando estimula o esforço intelectual, mas pode prejudicar o desenvolvimento quando faz esse trabalho no lugar do estudante.

Quase metade dos brasileiros usa IA

No Brasil, como falamos aqui no Olhar Digital, 48% dos estudantes de 15 anos afirmam usar chatbots de IA pelo menos uma vez por semana para estudar. O percentual está próximo da média de 46% registrada entre os países da OCDE.

A tecnologia aparece em diferentes momentos da rotina escolar:

  • Pesquisas preliminares: 40% dos brasileiros usam IA para explorar novos assuntos, ante 31% na média da OCDE.
  • Resumo de leituras: 31% utilizam a ferramenta para resumir textos, contra 30% na OCDE.
  • Rascunho de trabalhos: 27% recorrem aos sistemas para elaborar rascunhos, enquanto a média da OCDE é de 29%.
  • Uso raro ou nulo: 11% disseram nunca ou quase nunca usar chatbots nas atividades escolares analisadas, contra 14% na OCDE.

Desempenho brasileiro fica abaixo da OCDE

Os resultados educacionais do Brasil ficaram abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas. Em ciências, 48% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência, contra 74% na organização. Apenas 1% chegou aos níveis 5 ou 6, ante 7% na OCDE.

Em matemática, 28% alcançaram ao menos o nível 2, enquanto a média da OCDE foi de 65%. Em leitura, o Brasil registrou 49%, contra 69% na organização.

Os dados também mostram que a tecnologia não é necessariamente prejudicial. Estudantes que usam IA uma ou duas vezes por semana tendem a superar tanto os que utilizam menos quanto os que recorrem à ferramenta diariamente.

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Segundo a OCDE, a tecnologia na educação deve atuar como um andaime para o aprendizado, e não como uma muleta que substitui o esforço. Imagem: Deemerwha studio/ Shutterstock

Escolas discutem limites para a tecnologia

O avanço da IA generativa também ampliou o debate sobre o uso de dispositivos e tecnologia nas salas de aula. A Bloomberg destaca que um número crescente de países avalia restringir celulares nas escolas, em meio à preocupação de que ferramentas digitais possam tirar dos estudantes a concentração necessária para aprender.

Leia mais:

A discussão ganhou força junto com os receios sobre o chamado “descarregamento cognitivo”, quando alunos transferem para a IA tarefas que exigiriam seu próprio raciocínio. Ao mesmo tempo, defensores da tecnologia argumentam que ela pode favorecer o aprendizado personalizado e ajudar professores em tarefas administrativas.

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IA não poderá mais corrigir provas e redações nas escolas; veja o que muda

O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação, aprovou nesta terça-feira (1º) novas diretrizes para o uso de inteligência artificial (IA) na educação brasileira. Entre as principais regras está a proibição do uso de IA para corrigir, avaliar ou atribuir notas a redações e provas dissertativas em todas as etapas do ensino.

A decisão faz parte das Diretrizes Orientadoras da Utilização da Inteligência Artificial na Educação Brasileira, documento que estabelece parâmetros nacionais para orientar escolas, universidades e sistemas de ensino públicos e privados sobre a adoção da tecnologia nos processos educacionais.

As novas diretrizes também determinam que crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, até o 5º ano, não poderão acessar diretamente ferramentas de IA sem supervisão.

As normas entrarão em vigor a partir da publicação da resolução no Diário Oficial da União (DOU). A partir dessa publicação, sistemas de ensino e instituições educacionais terão 12 meses para se adequar às novas regras. As proibições previstas no parecer, porém, terão aplicação imediata.

Segundo o CNE, o objetivo é criar um “filtro ético-pedagógico” para o uso da tecnologia em escolas e universidades.

As orientações abrangem todos os níveis, etapas e modalidades da educação e partem do princípio de que “a Inteligência Artificial deve ampliar as capacidades humanas e educacionais, sem substituir a responsabilidade, a mediação pedagógica e o julgamento das pessoas”.

Uso de IA nas escolas ganhou novas diretrizes, tanto na hora de corrigir exames, como na hora da utilização por parte dos alunos – Imagem: Digineer Station / Shutterstock

O que muda com as novas regras

IA não poderá corrigir redações e provas dissertativas

Sistemas de IA não poderão ser usados para corrigir, avaliar ou sugerir notas para redações e provas dissertativas. Nas provas objetivas, a tecnologia poderá ser utilizada como ferramenta de apoio. O resultado, porém, deverá ser validado por uma pessoa.

O CNE também determina que decisões relevantes relacionadas a notas e aprovação de estudantes não poderão ser tomadas exclusivamente por sistemas automatizados.

Detectores de IA não poderão punir alunos sozinhos

As instituições de ensino também deverão ter cautela com ferramentas utilizadas para identificar textos produzidos por IA. O resultado de um detector de IA não poderá, isoladamente, servir como base para punir um estudante.

A decisão busca impedir que uma avaliação automatizada seja utilizada como única evidência para responsabilizar um aluno por suposto uso indevido da tecnologia.

Crianças até o 5º ano terão acesso restrito

Outra regra estabelece que crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, até o 5º ano, não poderão utilizar diretamente ferramentas de IA sem supervisão.

A medida faz parte das regras específicas estabelecidas pelo CNE para proteger estudantes mais novos durante a incorporação da tecnologia ao ambiente educacional.

Ensino de IA deverá entrar no currículo

As instituições também deverão incorporar o ensino sobre IA de maneira progressiva e transversal. A proposta prevê que os estudantes desenvolvam conhecimentos relacionados à tecnologia ao longo da formação, em vez de tratar o tema apenas de forma isolada.

Dados dos estudantes terão novas exigências de proteção

As escolas e universidades deverão adotar medidas para proteger os dados dos alunos e também fiscalizar os fornecedores de tecnologias utilizadas no ambiente educacional.

O objetivo é estabelecer maior controle sobre o tratamento das informações dos estudantes por ferramentas e serviços baseados em IA.

Universidades deverão criar políticas próprias

As universidades também terão novas responsabilidades. Elas deverão estabelecer políticas próprias para o uso da IA em atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão.

A medida reconhece que a utilização da tecnologia pode ocorrer em diferentes áreas das instituições de ensino superior e exige regras específicas para cada contexto.

Leia mais:

Algumas aplicações ficam proibidas

As diretrizes também estabelecem uma lista de práticas que não poderão ser utilizadas no ambiente educacional.

Entre os usos proibidos estão:

  • Reconhecimento de emoções;
  • Pontuação social;
  • Vigilância biométrica contínua;
  • Exploração comercial de dados educacionais.

As novas regras estabelecem, portanto, limites para a utilização da IA na educação, ao mesmo tempo em que permitem seu emprego como ferramenta de apoio quando houver supervisão e responsabilidade humana.

As instituições e redes de ensino terão 12 meses após a publicação da resolução no DOU para adequar suas políticas e contratos, enquanto as vedações previstas no parecer terão aplicação imediata.

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‘A IA cria incentivos para a mentira’, alerta neurocientista

Usar inteligência artificial (IA) para fazer tarefas da escola ou do escritório criou um problema que vai além do aprendizado. Ao entregar um texto ou projeto gerado pela máquina como se fosse próprio, a pessoa obtém uma vantagem rápida e sem esforço. Para o neurocientista Álvaro Machado Dias, essa dinâmica cria incentivos para a mentira.

O impacto, porém, não se limita à questão ética. Em sua coluna no programa Olhar Digital News, o especialista alerta que a facilidade em evitar a fricção mental reduz as barreiras morais dos indivíduos com o tempo. Além disso, a dependência contínua da tecnologia atrofia a capacidade de tomar decisões difíceis e amplia as desigualdades no mercado de trabalho.

Novas fronteiras da IA na mente e na sociedade

Para o neurocientista, a crise provocada pela IA na educação está nos métodos de avaliação baseados em trabalhos feitos fora da sala de aula. Ao permitir que tarefas sejam automatizadas e entregues sem esforço real, a tecnologia premia a trapaça em vez do desenvolvimento do aluno. 

“O problema vai além da economia de esforço. Isso cria incentivos para a mentira. Quando construímos ambientes em que mentir é vantajoso, diminuímos a barreira ética para mentiras futuras. Assim, acabamos formando pessoas menos éticas”, explica o doutor Álvaro Machado Dias, que também é professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Esse hábito de transferir o trabalho mental para a máquina, processo conhecido como cognitive offloading, afeta a mente de forma seletiva. As escolhas diárias mais simples continuam preservadas, mas a capacidade de resolver problemas complexos começa a se degradar. 

O hábito de transferir o trabalho mental para a máquina é conhecido como cognitive offloading – Imagem: Jack_the_sparow/Shutterstock

“Decisões rápidas e intuitivas praticamente não são afetadas. O problema está nas decisões difíceis, aquelas que exigem avaliar opções, construir modelos mentais e imaginar possibilidades. É justamente aí que o cognitive offloading reduz a qualidade das nossas decisões”, diz o neurocientista.

A busca por atalhos é uma tendência biológica do cérebro para economizar energia. No entanto, evitar a fricção e o desconforto mental de forma contínua traz um impacto negativo para a saúde intelectual e o bem-estar. 

“Quando você evita o esforço, no curto prazo parece ótimo, porque não sofreu nem se cansou. Mas, no médio prazo, essa perda de potência intelectual é vivida como perda de vitalidade. E a vitalidade está diretamente ligada ao bem-estar”, aponta o professor da Unifesp.

O paradoxo é que aquilo que evita um desconforto momentâneo acaba produzindo uma insatisfação duradoura.

Doutor Álvaro Machado Dias, neurocientista e professor na Unifesp, em entrevista ao Olhar Digital.

Além dos efeitos cognitivos e éticos no indivíduo, a tecnologia altera a dinâmica das profissões. Em tarefas repetitivas e operacionais, como nos call centers, os algoritmos elevam o desempenho dos trabalhadores iniciantes e nivelam as competências por baixo. “Os resultados mostram que a IA eleva bastante o desempenho de quem estava na base, enquanto melhora muito pouco o desempenho dos especialistas. Ou seja, ela nivela as competências”, analisa o neurocientista.

O cenário muda em funções complexas, que exigem gerenciar processos, pessoas e estratégias. Quem já domina essas competências usa a IA como amplificador, abrindo distância em relação aos trabalhadores operacionais. “Nesses casos, a assimetria cresce bastante”, diz o especialista. 

“Quem consegue incorporar a IA ao seu trabalho passa a ter uma produtividade e uma capacidade de transformação da realidade muito superiores às de quem permanece em processos mais operacionais. Por isso, a IA democratiza capacidades, mas também aumenta desigualdades”, conclui o doutor Álvaro Machado Dias.

Confira abaixo a coluna do neurocientista no Olhar Digital News:

Como o cérebro chega a esse estágio

Essa tendência de terceirizar o pensamento é o desdobramento da descarga cognitiva (tradução livre de “cognitive offloading”). Ferramentas tradicionais, como cadernos e calculadoras, apenas guardavam dados de forma estática. Já a IA generativa interpreta, gera e estrutura o conteúdo em tempo real. Isso intensifica o “Efeito Google“, fenômeno no qual o cérebro deixa de armazenar informações por saber que elas estão a um clique de distância.

A transição do armazenamento passivo para a delegação do próprio raciocínio traz riscos à autonomia intelectual. Ao evitar o trabalho mental necessário para aprender de fato, o indivíduo passa a atuar como mero curador de resultados prontos, o que atrofia capacidades de síntese e resolução de problemas. 

“Quando a IA passa a funcionar como uma ‘bengala’ permanente do pensamento, existe o risco de enfraquecermos nossa capacidade de refletir, elaborar e criar”, alerta a psicóloga e psicanalista Beatriz Breves, em entrevista ao Olhar Digital.

Ilustração de cérebro humano com coisas em volta que remetem a tecnologia, inteligência artificial (IA) e ideias
Ferramentas de IA oferecem atalhos quase irresistíveis para o pensamento – e isso é perigoso – Imagem: SvetaZi/Shutterstock

Esse comportamento é alimentado pelo circuito de recompensa imediata das plataformas de IA. Ao contrário da rolagem de redes sociais, que usa recompensas aleatórias, os chatbots entregam uma resposta precisa e rápida a cada comando. 

Essa satisfação sem a contrapartida do esforço vicia o cérebro na ausência de fricção mental. Com o tempo, essa busca por respostas instantâneas consolida o terreno para as perdas de vitalidade e o uso de atalhos em tarefas complexas.

O resultado desse processo é a chamada “algoritmização do pensamento”, na qual a mente passa a raciocinar na mesma estrutura engessada da máquina. “Uma coisa que acontece com muito uso de algoritmo para ajudar a pensar: a pessoa começa a transformar as coisas em itens. Ela vira a pessoa dos bullet points“, observa o doutor Álvaro Machado Dias, em entrevista ao Olhar Digital

Como o conteúdo gerado por IA se baseia na média estatística, a dependência excessiva dessa tecnologia limita a criação original e impede a consolidação do senso crítico. Então, o maior desafio diante da IA generativa é comportamental: manter a fricção mental para evitar que a busca por eficiência atrofie sua potência intelectual e afrouxe seus limites morais.

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IA vence professores em respostas para estudantes de Direito

A inteligência artificial pode estar prestes a ganhar um novo papel nas universidades: o de tutora jurídica. Um estudo da Universidade Stanford revelou que respostas geradas por IA foram consideradas mais úteis do que as dadas por professores em boa parte dos testes. Os avaliadores preferiram as respostas produzidas por IA em 75% das comparações. Segundo a Reuters, o resultado surpreendeu pesquisadores e reacendeu o debate sobre o uso da tecnologia no ensino do Direito.

A pesquisa envolveu docentes de 14 faculdades de Direito dos Estados Unidos, que elaboraram uma lista de 40 perguntas representativas de contratos do primeiro ano — do tipo que alunos costumam fazer durante o horário de atendimento. Os professores escreveram respostas para essas perguntas, e os pesquisadores submeteram as mesmas questões a duas plataformas de IA: o Gemini 2.5 Pro, do Google, e o NotebookLM.

Ferramentas de inteligência artificial tiveram desempenho equivalente ao do professor mais bem avaliado no estudo conduzido por pesquisadores de Stanford. Imagem: Shutterstock/Beautrium

IA virou “assistente de estudos” no Direito

Os mesmos professores que elaboraram as perguntas atuaram como juízes, avaliando as respostas de forma cega — sem saber se cada resposta havia sido escrita por um humano ou gerada por IA. Ao comparar as respostas lado a lado, os avaliadores escolheram as produzidas pela IA como as mais benéficas para os alunos em 75% dos casos. As plataformas de IA tiveram desempenho equivalente ao do professor mais bem avaliado no estudo.

Menos de 4% das respostas geradas por IA foram classificadas como “prejudiciais” ao aprendizado pelos juízes. Entre as respostas escritas por professores, esse índice chegou a 12%.

Ficamos francamente surpresos com a magnitude dos resultados. Essas não eram apenas perguntas simples com respostas óbvias.

Julian Nyarko, professor de Direito de Stanford, em artigo publicado no site da universidade.

A pesquisa aparece em um momento em que universidades e escritórios jurídicos tentam entender até onde a inteligência artificial pode ser utilizada. Nos últimos anos, ferramentas de IA já conseguiram:

  • passar no exame da Ordem nos EUA;
  • obter notas máximas em avaliações acadêmicas;
  • corrigir provas de Direito;
  • responder dúvidas jurídicas complexas;
  • atuar como apoio em estudos e pesquisas.
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Sistemas de IA podem funcionar como apoio sob demanda para estudantes de Direito em dúvidas acadêmicas e orientação especializada. Imagem: BongkarnGraphic / Shutterstock

O que o estudo conclui sobre tutoria com IA

Segundo o estudo, em vez de depender de colegas ou de e-mails esporádicos a instrutores, estudantes de Direito poderiam usar IA para obter respostas sob demanda com resultados confiáveis. “Descobrimos que, quando avaliados por educadores jurídicos, os tutores de IA podem oferecer suporte sob demanda de alta qualidade que complementa o ensino em sala de aula e pode ampliar o acesso à orientação especializada”, afirmou o coautor do estudo e pesquisador de Stanford, Alejandro Salinas.

A pesquisa é publicada em um momento em que faculdades de Direito e a profissão jurídica discutem como incorporar a IA ao ensino e à prática. Estudos anteriores já haviam indicado que a IA consegue ser aprovada no exame de ordem, obter notas A+ em faculdades de Direito e avaliar provas acadêmicas nos Estados Unidos.

Ícones de um martelo de juiz, lâmpada, mãos se cumprimentando, cérebro humano, chip de IA e outros rondando os dizeres "AI Ethics", que está sendo tocado por um dedo humano
Estudo reacende debate sobre o papel da inteligência artificial nas universidades e o impacto da tecnologia na formação de futuros profissionais do Direito. Imagem: mayam_studio/Shutterstock

Abordagens divergem entre as faculdades

Apesar dos avanços, nem todas as instituições enxergam a IA com tranquilidade. Algumas faculdades passaram a exigir aulas sobre inteligência artificial já no primeiro ano do curso. Outras preferem limitar o uso das ferramentas.

Leia mais:

A Faculdade de Direito de Berkeley, da Universidade da Califórnia, por exemplo, adotou recentemente uma política que restringe de forma significativa o uso de IA pelos alunos em trabalhos acadêmicos.

De qualquer forma, o estudo reforça que a inteligência artificial deve ganhar cada vez mais espaço dentro das universidades, especialmente como ferramenta de apoio.

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