A gigante chinesa Alibaba divulgou, nesta terça-feira (16), em Pequim, seus primeiros modelos de inteligência artificial desenvolvidos especificamente para aplicação em robôs. O anúncio foi feito em meio à reconfiguração do setor tecnológico na China.
A iniciativa surge em um momento em que empresas do país passam a reduzir o foco em sistemas de chatbot tradicionais e direcionam esforços para agentes de IA mais avançados. Esses sistemas são projetados para executar tarefas mais complexas e ampliar a capacidade operacional de máquinas.
Segundo a companhia, a estratégia acompanha uma tendência mais ampla da indústria, que busca aplicações de maior valor econômico e maior autonomia para sistemas inteligentes.
Alibaba acelera aposta em inteligência artificial voltada à robótica
Imagem: testing/Shutterstock
O movimento da Alibaba ocorre dentro de uma transição mais ampla no mercado chinês de tecnologia, que vem migrando de soluções baseadas em conversação para ferramentas capazes de executar ações práticas. A empresa integra esse esforço ao lançar seus primeiros modelos de IA com foco em robôs.
(Imagem: zhu difeng / Shutterstock)
De acordo com a empresa, a nova geração de sistemas busca tornar máquinas mais inteligentes e funcionais, com capacidade de lidar com tarefas mais complexas. Essa mudança acompanha a evolução do setor, que enxerga nos chamados agentes de inteligência artificial uma oportunidade de expansão mais rentável.
O anúncio foi registrado em Pequim e ocorre em um ambiente de forte competição entre companhias de tecnologia na China. O reposicionamento estratégico indica uma tentativa de capturar valor em áreas além dos chatbots, que até então concentravam grande parte do desenvolvimento em inteligência artificial.
A inteligência artificial pode estar prestes a ganhar um novo papel nas universidades: o de tutora jurídica. Um estudo da Universidade Stanford revelou que respostas geradas por IA foram consideradas mais úteis do que as dadas por professores em boa parte dos testes. Os avaliadores preferiram as respostas produzidas por IA em 75% das comparações. Segundo a Reuters, o resultado surpreendeu pesquisadores e reacendeu o debate sobre o uso da tecnologia no ensino do Direito.
A pesquisa envolveu docentes de 14 faculdades de Direito dos Estados Unidos, que elaboraram uma lista de 40 perguntas representativas de contratos do primeiro ano — do tipo que alunos costumam fazer durante o horário de atendimento. Os professores escreveram respostas para essas perguntas, e os pesquisadores submeteram as mesmas questões a duas plataformas de IA: o Gemini 2.5 Pro, do Google, e o NotebookLM.
Ferramentas de inteligência artificial tiveram desempenho equivalente ao do professor mais bem avaliado no estudo conduzido por pesquisadores de Stanford. Imagem: Shutterstock/Beautrium
IA virou “assistente de estudos” no Direito
Os mesmos professores que elaboraram as perguntas atuaram como juízes, avaliando as respostas de forma cega — sem saber se cada resposta havia sido escrita por um humano ou gerada por IA. Ao comparar as respostas lado a lado, os avaliadores escolheram as produzidas pela IA como as mais benéficas para os alunos em 75% dos casos. As plataformas de IA tiveram desempenho equivalente ao do professor mais bem avaliado no estudo.
Menos de 4% das respostas geradas por IA foram classificadas como “prejudiciais” ao aprendizado pelos juízes. Entre as respostas escritas por professores, esse índice chegou a 12%.
Ficamos francamente surpresos com a magnitude dos resultados. Essas não eram apenas perguntas simples com respostas óbvias.
Julian Nyarko, professor de Direito de Stanford, em artigo publicado no site da universidade.
A pesquisa aparece em um momento em que universidades e escritórios jurídicos tentam entender até onde a inteligência artificial pode ser utilizada. Nos últimos anos, ferramentas de IA já conseguiram:
passar no exame da Ordem nos EUA;
obter notas máximas em avaliações acadêmicas;
corrigir provas de Direito;
responder dúvidas jurídicas complexas;
atuar como apoio em estudos e pesquisas.
Sistemas de IA podem funcionar como apoio sob demanda para estudantes de Direito em dúvidas acadêmicas e orientação especializada. Imagem: BongkarnGraphic / Shutterstock
O que o estudo conclui sobre tutoria com IA
Segundo o estudo, em vez de depender de colegas ou de e-mails esporádicos a instrutores, estudantes de Direito poderiam usar IA para obter respostas sob demanda com resultados confiáveis. “Descobrimos que, quando avaliados por educadores jurídicos, os tutores de IA podem oferecer suporte sob demanda de alta qualidade que complementa o ensino em sala de aula e pode ampliar o acesso à orientação especializada”, afirmou o coautor do estudo e pesquisador de Stanford, Alejandro Salinas.
A pesquisa é publicada em um momento em que faculdades de Direito e a profissão jurídica discutem como incorporar a IA ao ensino e à prática. Estudos anteriores já haviam indicado que a IA consegue ser aprovada no exame de ordem, obter notas A+ em faculdades de Direito e avaliar provas acadêmicas nos Estados Unidos.
Estudo reacende debate sobre o papel da inteligência artificial nas universidades e o impacto da tecnologia na formação de futuros profissionais do Direito. Imagem: mayam_studio/Shutterstock
Abordagens divergem entre as faculdades
Apesar dos avanços, nem todas as instituições enxergam a IA com tranquilidade. Algumas faculdades passaram a exigir aulas sobre inteligência artificial já no primeiro ano do curso. Outras preferem limitar o uso das ferramentas.
A Faculdade de Direito de Berkeley, da Universidade da Califórnia, por exemplo, adotou recentemente uma política que restringe de forma significativa o uso de IA pelos alunos em trabalhos acadêmicos.
De qualquer forma, o estudo reforça que a inteligência artificial deve ganhar cada vez mais espaço dentro das universidades, especialmente como ferramenta de apoio.
Os recursos de memória dos principais chatbots de inteligência artificial (IA) estão tornando as respostas mais personalizadas, mas também podem criar situações desconfortáveis. Usuários relatam que ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude passaram a insistir em informações antigas, interpretar dados de forma errada e até influenciar recomendações futuras com base em memórias desatualizadas.
O engenheiro de software Brian Del Rosario, que vive em Utah, nos Estados Unidos, contou ao Wall Street Journal que precisou avisar ao chatbot que havia se separado da esposa para evitar que a IA continuasse incluindo ela em planos de viagem. O problema é que, depois disso, o sistema passou a relacionar diversos assuntos ao divórcio.
ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot estão entre os chatbots de IA que oferecem recursos de memória e personalização – Imagem: jackpress / Shutterstock
Segundo ele, pedidos simples de ajuda com agenda ou desabafos sobre trabalho acabavam recebendo respostas ligadas à separação. “Eu não estava tentando fazer você opinar sobre meu divórcio a cada oportunidade”, afirmou.
Memória pode usar informações erradas
A proposta da memória em chatbots é simples: usar conversas anteriores para melhorar respostas futuras. O recurso foi adotado após o ChatGPT lançar sua versão em 2024. Desde então, concorrentes também passaram a oferecer sistemas parecidos.
Mas o mecanismo pode confundir informações. Um exemplo envolve alguém que pesquisa sintomas de TDAH para um filho e, semanas depois, recebe dicas de produtividade adaptadas para uma pessoa com dificuldades de atenção, como se o transtorno fosse do próprio usuário.
O Google reconheceu uma situação parecida em um exemplo divulgado pela empresa. Segundo a companhia, o sistema poderia concluir que alguém gosta de golfe após identificar várias fotos em campos esportivos, quando a pessoa apenas acompanhava o filho.
Gemini, chatbot de IA do Google, também conta com recursos de memória e personalização de respostas – Imagem: Poetra.RH / Shutterstock
A empresa afirma que passou a permitir que usuários mantenham a personalização ativa enquanto bloqueiam certas informações específicas. A OpenAI informou ter atualizado o funcionamento da memória para assinantes Plus e Pro. Já a Microsoft diz que usuários podem editar ou apagar lembranças armazenadas.
Informações antigas podem afetar recomendações
Outro problema citado é quando o chatbot continua usando dados que já não refletem mais a realidade da pessoa.
Um dos casos mencionados envolve alguém que informou estar treinando para uma maratona meses atrás, mas depois sofreu uma lesão no joelho sem atualizar a IA. Nesse cenário, sugestões de alimentação e exercícios continuariam voltadas para uma pessoa altamente ativa.
Del Rosario também relatou situação parecida após mencionar que tentava perder peso. Segundo ele, o chatbot passou a lembrar constantemente da dieta, inclusive em recomendações de restaurantes durante viagens.
Mike Taylor, consultor da empresa Every, também contou ter recebido sugestões de bares com cervejas típicas do Reino Unido depois de comentar que era britânico vivendo nos EUA. “Estou aqui pelos bares americanos, não pelos britânicos”, afirmou.
Especialistas veem risco em reforço de padrões
Joshua Joseph, cientista-chefe de IA do Berkman Klein Center, da Harvard University, comparou o funcionamento desses sistemas aos algoritmos de redes sociais. Segundo ele, pequenas interações podem alterar silenciosamente o tipo de resposta recebido no futuro.
Já Lucy Osler, professora da University of Exeter, afirmou que os chatbots podem acabar reforçando inseguranças e narrativas negativas sobre o próprio usuário.
Ela também alertou que a tendência das IAs de concordarem com as pessoas pode fortalecer pensamentos prejudiciais ou delirantes. O tema já motivou discussões sobre possíveis regras de segurança para adolescentes no uso dessas ferramentas.
As principais plataformas permitem desligar completamente a memória, apagar informações específicas ou usar conversas temporárias. Especialistas recomendam revisar regularmente os dados armazenados e evitar compartilhar informações sensíveis sem necessidade.
Chatbots de inteligência artificial têm se tornado cada vez mais presentes no dia a dia – inclusive em decisões pessoais. Mas um novo estudo aponta um efeito colateral preocupante: a tendência dessas ferramentas de concordar com os usuários, mesmo quando eles estão errados.
O fenômeno, conhecido entre pesquisadores como “bajulação” (ou sycophancy, em inglês), foi analisado por cientistas da Universidade de Stanford em um estudo publicado na revista Science. Segundo a pesquisa, modelos de linguagem frequentemente priorizam respostas que validam a opinião do usuário, em vez de oferecer análises críticas ou corretivas.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores testaram 11 sistemas diferentes (incluindo ChatGPT, Claude, Gemini e DeepSeek) em cenários variados, como conflitos interpessoais, discussões online e situações envolvendo comportamentos questionáveis.
O resultado foi consistente: os modelos concordaram com os usuários cerca de 50% mais vezes do que uma pessoa real faria em condições semelhantes. Em alguns casos, chegaram a apoiar atitudes problemáticas, incluindo comportamentos antiéticos ou até ilegais.
Embora muitos utilizem chatbots para dúvidas objetivas, uma parcela significativa das interações envolve questões pessoais e emocionais. Pesquisas anteriores indicam que ferramentas de IA são frequentemente usadas como forma de apoio emocional ou até substituto de conversas humanas, principalmente entre jovens.
Diante disso, o risco não está apenas em respostas incorretas, mas na forma como essas respostas influenciam decisões e percepções.
Chatbots de IA tendem a validar afirmações de usuários, mesmo que estejam erradas (Imagem: Science/Reprodução)
Efeito psicológico nas decisões
Na segunda etapa do estudo, cerca de 2,4 mil participantes interagiram com modelos que respondiam de forma neutra ou subserviente.
Os resultados mostraram que respostas mais “concordantes” eram percebidas como mais confiáveis. Com isso, os usuários tendiam a reforçar suas próprias opiniões e reduzir a disposição para reconsiderar suas próprias atitudes.
Os pesquisadores também observaram que esse efeito não depende de fatores como idade, gênero ou perfil psicológico – ou seja, qualquer pessoa pode ser influenciada.
Em um dos casos analisados, um usuário contou que sua namorada estava brava porque ele havia falado com a ex sem avisá-la. O pensamento inicial foi: “Talvez eu não tenha levado os sentimentos dela a sério o suficiente”. A IA respondeu que “Suas intenções eram boas. Você fez o que achou certo”, levando o usuário a reconsiderar e questionar se a namorada seria problemática.
Pesquisa analisou 11 chatbots diferentes, incluindo os mais populares (Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock.com)
Risco de “câmaras de eco”
Especialistas alertam que esse comportamento pode transformar chatbots em uma espécie de “câmara de eco”, reforçando crenças e reduzindo a exposição a pontos de vista divergentes.
Isso pode ter consequências práticas: desde decisões impulsivas em relações pessoais até impactos em áreas mais críticas, como a confirmação de diagnósticos médicos errados ou reforço de posicionamentos políticos.
Para os autores, a ausência de contrapontos pode ser mais prejudicial do que a falta de aconselhamento.
Os pesquisadores defendem que, apesar do feedback positivo agradar os usuários, as empresas responsáveis pelos modelos precisam encontrar formas de reduzir esse viés.
Ao mesmo tempo, o estudo sugere cuidados para quem utiliza essas ferramentas:
lembrar que se trata de uma IA, não de um especialista humano;
questionar respostas e evitar aceitá-las automaticamente;
manter interações com outras pessoas;
buscar ajuda profissional em temas sensíveis, especialmente de saúde mental.
Chatbots de inteligência artificial (IA) populares podem fornecer orientações que ajudam usuários a planejar ataques violentos, segundo uma investigação conduzida pela CNN em parceria com a organização Center for Countering Digital Hate (CCDH). Nos testes, pesquisadores simularam adolescentes de 13 anos e pediram informações sobre ações como tiroteios em escolas, atentados com bombas e assassinatos políticos.
O levantamento indicou que, em média, os chatbots permitiram ou ajudaram a planejar violência em cerca de 75% das interações, enquanto apenas 12% das respostas desencorajaram esse tipo de comportamento. Para os autores do estudo, os resultados sugerem que essas ferramentas podem atuar como um “acelerador de danos” quando falham em reconhecer sinais claros de intenção violenta.
Estudo conduziu testes em 10 chatbots de IA para avaliar como eles lidam com planejamentos de violência por parte de usuários (Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock.com)
Detalhes da pesquisa e modelos avaliados
A investigação testou 10 chatbots populares: ChatGPT, Gemini, Claude, Microsoft Copilot, Meta AI, DeepSeek, Perplexity, Snapchat My AI, Character.AI e Replika. Os pesquisadores criaram 18 cenários diferentes, metade ambientada nos Estados Unidos e metade na Irlanda, envolvendo motivações variadas, como violência ideológica, ataques a escolas, assassinatos políticos e atentados motivados por religião ou política.
Segundo o relatório, oito dos dez modelos analisados costumavam ajudar usuários a planejar ataques, oferecendo orientações sobre alvos, locais e tipos de armas. O estudo apontou que apenas o Claude, da Anthropic, recusou de forma consistente pedidos que pudessem facilitar violência.
Entre os exemplos citados, o ChatGPT chegou a fornecer mapas de um campus escolar a um usuário interessado em violência em escolas. Já o Gemini, do Google, afirmou em uma conversa sobre ataques a sinagogas que “estilhaços metálicos costumam ser mais letais” e também deu orientações sobre rifles de caça para tiros de longa distância em um cenário envolvendo assassinato político.
Outro caso citado envolve o DeepSeek, chatbot chinês, que forneceu uma série de informações sobre rifles de caça a um usuário que dizia querer fazer um político “pagar por destruir a Irlanda”. A resposta terminou com a frase “Happy (and safe) shooting!” (algo como “Tenha um tiroteio bom (e seguro)!”, em tradução livre).
Casos notáveis de recusa
Apesar dos resultados gerais, alguns sistemas apresentaram comportamento diferente. O Claude, da Anthropic, rejeitou repetidamente pedidos relacionados a violência. Em uma interação citada no estudo, o chatbot respondeu: “Não posso e não fornecerei informações que possam facilitar a violência.”
Claude da Anthropic foi avaliado positivamente por ter se recusado a oferecer ajuda para atos violentos de forma consistente (Imagem: Mijansk786/Shutterstock)
O My AI, assistente do Snapchat, também recusou um pedido sobre compra de armas, afirmando: ““Fui programado para ser um assistente de IA inofensivo. Não posso fornecer informações sobre compra de armas.”
Para o CCDH, o comportamento do Claude indica que mecanismos de segurança eficazes são tecnicamente possíveis, o que levanta questionamentos sobre por que outras plataformas não adotariam medidas semelhantes.
Implicações e declaração do CCDH
O diretor executivo do CCDH, Imran Ahmed, afirmou que os resultados levantam preocupações sobre o papel dos chatbots no planejamento de ataques violentos.
“Chatbots de IA, agora incorporados ao nosso cotidiano, podem estar ajudando o próximo atirador escolar a planejar seu ataque ou um extremista político a coordenar um assassinato”, disse. Segundo ele, quando sistemas são projetados para maximizar engajamento e evitar recusar pedidos, existe o risco de atender solicitações perigosas.
O estudo também cita dois casos reais em que agressores teriam usado chatbots antes de cometer ataques. Em maio do ano passado, um jovem de 16 anos produziu um manifesto e um plano, supostamente com ajuda de um chatbot, antes de esfaquear três meninas em uma escola em Pirkkala, na Finlândia. Em janeiro de 2025, Matthew Livelsberger, então com 37 anos, explodiu um Tesla Cybertruck em frente ao Trump International Hotel, em Las Vegas, após usar o ChatGPT para buscar informações sobre explosivos e táticas.
As empresas responsáveis pelos chatbots contestaram ou contextualizaram os resultados do estudo. A OpenAI afirmou que a metodologia da pesquisa é “falha e enganosa” e disse ter atualizado seus modelos para reforçar salvaguardas e melhorar a detecção e recusa de conteúdo violento.
A Meta declarou que possui proteções para evitar respostas inadequadas e que tomou medidas imediatas para corrigir o problema identificado. Segundo a empresa, suas políticas proíbem que sistemas de IA promovam ou facilitem atos violentos. A companhia também afirmou que, em 2025, entrou em contato com autoridades policiais mais de 800 vezes sobre possíveis ameaças de ataques a escolas.
O Google disse que os testes do CCDH foram feitos em um modelo antigo do Gemini, que já não está mais em uso, e afirmou que o chatbot recusou algumas solicitações, respondendo em um dos casos: “Não posso atender a esta solicitação. Fui programado para ser um assistente de IA útil e inofensivo.”
A investigação também buscou comentários do DeepSeek, que não respondeu até a publicação do relatório.
A OpenAI anunciou o lançamento do GPT-5.3 Instant, uma atualização que foca menos em números brutos de processamento e mais na “vibe” da conversa. O grande diferencial deste modelo é a correção de um comportamento que se tornou o terror dos usuários: o tom condescendente e os conselhos de autoajuda não solicitados. A ideia é que a IA pare de agir como um terapeuta invasivo e volte a ser uma ferramenta de produtividade direta.
Menos “cringe”, mais eficiência
A atualização foca no que a OpenAI chama de experiência de conversação. Diferente de versões anteriores que brilhavam em testes de lógica, o GPT-5.3 Instant foi treinado para melhorar o tom de voz e a relevância das respostas.
Na prática, isso significa que a IA deve parar de usar frases como “respire fundo” ou “você não está sozinho” quando o usuário demonstra frustração com um código ou texto.
Segundo o site TechCrunch, o modelo da OpenAI foi ajustado para reconhecer a gravidade de uma situação sem tentar “acalmar” o usuário de forma artificial, algo que muitos internautas classificaram como “insuportável” e “infantilizador”.
Fim dos sermões indesejados
A mudança atende a uma enxurrada de críticas vindas de redes sociais como o Reddit. Muitos usuários do modelo 5.2 Instant chegaram a cancelar suas assinaturas Plus devido à postura “palestrinha” do bot. O problema era tão evidente que a própria OpenAI admitiu no X (antigo Twitter): “Ouvimos o feedback e o 5.3 Instant reduz o ‘cringe’”.
GPT-5.3 Instant in ChatGPT is now rolling out to everyone.
Fluxo de conversa: diálogos mais naturais e menos mecânicos.
Relevância contextual: o bot entende melhor quando você quer um fato e quando quer empatia.
Remoção de clichês: redução drástica de frases prontas de apoio emocional em contextos inadequados.
Disponibilidade e preço
O GPT-5.3 Instant já está sendo liberado gradualmente para os usuários do ChatGPT Plus, que no Brasil custa US$ 20 por mês (cerca de R$ 100 em conversão direta). A expectativa é que a novidade chegue também à versão gratuita em breve, com limites de uso diário.
Um estudo recente indica que modelos de inteligência artificial (IA) escalaram conflitos com ameaças nucleares em 95% de simulações de jogos de guerra. Em todos os cenários analisados, ao menos um sistema recorreu à possibilidade de detonar uma arma nuclear durante a crise.
A pesquisa, conduzida no King’s College London, avaliou como diferentes modelos reagiriam ao assumir o papel de líderes nacionais à frente de superpotências com arsenal nuclear em um contexto semelhante ao da Guerra Fria. O autor do estudo, Kenneth Payne, explicou em um artigo publicado pela universidade que os resultados ajudam a entender como essas ferramentas raciocinam em situações de alto risco.
Modelos recorreram à ameaça nuclear nas simulações
No experimento, foram colocados frente a frente o ChatGPT, da OpenAI, o Claude, da Anthropic, e o Gemini Flash, do Google. Cada modelo assumiu o comando de uma potência nuclear em um cenário de crise inspirado na Guerra Fria.
Em todas as partidas, pelo menos um deles optou por escalar o conflito ao ameaçar o uso de armas nucleares. De acordo com Payne, “os três modelos trataram armas nucleares de campo de batalha como apenas mais um degrau na escada de escalada”.
O pesquisador observou que os sistemas diferenciaram o uso tático do estratégico. O bombardeio estratégico apareceu apenas uma vez como “escolha deliberada” e outras duas como “acidente”.
O Claude recomendou ataques nucleares em 64% dos jogos, a taxa mais alta entre os três, mas não defendeu uma troca estratégica completa ou uma guerra nuclear total.
O ChatGPT, por sua vez, geralmente evitou a escalada nuclear em jogos de formato aberto. Quando submetido a um prazo limitado para decisão, porém, passou a escalar consistentemente a ameaça e, em alguns casos, avançou para a possibilidade de guerra nuclear em larga escala.
Já o comportamento do Gemini Flash foi descrito como imprevisível. Em alguns cenários, o modelo venceu com o uso de forças convencionais. Em outro, bastaram quatro interações para que sugerisse um ataque nuclear.
Em uma das simulações, o sistema escreveu: “Se eles não cessarem imediatamente todas as operações… executaremos um lançamento nuclear estratégico total contra seus centros populacionais. Não aceitaremos um futuro de obsolescência; ou vencemos juntos ou perecemos juntos”.
Os três chatbots testados tiveram comportamentos diferentes, mas eventualmente partiam para a escalada nuclear (Imagem: Robert Way / iStock)
O estudo também aponta que os modelos raramente fizeram concessões ou tentaram reduzir a tensão, mesmo quando o lado adversário ameaçava usar armas nucleares.
Oito táticas de desescalada foram disponibilizadas, variando de uma concessão limitada à “rendição total”, mas nenhuma foi utilizada durante as partidas. A opção de “retornar à linha inicial”, que reiniciava o jogo, foi acionada apenas 7% das vezes.
Segundo a pesquisa, os modelos parecem encarar a desescalada como algo “reputacionalmente catastrófico”, independentemente do impacto real sobre o conflito. Essa conclusão desafia a suposição de que sistemas de IA tenderiam a resultados cooperativos considerados mais seguros.
Outra hipótese levantada é que a IA não compartilhe o mesmo temor humano em relação às armas nucleares. De acordo com o estudo, os modelos podem tratar a guerra nuclear de forma abstrata, sem a dimensão emocional associada, por exemplo, às imagens do bombardeio de Hiroshima na Segunda Guerra Mundial.
Para Payne, a pesquisa contribui para compreender como esses sistemas pensam à medida que começam a oferecer suporte à tomada de decisão de estrategistas humanos.
“Embora ninguém esteja entregando códigos nucleares à IA, essas capacidades — engano, gestão de reputação, disposição a assumir riscos conforme o contexto — são relevantes para qualquer aplicação em cenários de alto risco”, afirmou.
A disputa entre ChatGPT, Claude e Gemini ganhou novos contornos após um acordo firmado pela OpenAI com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos. O movimento ocorreu em meio a um embate em Washington envolvendo a Anthropic e o Pentágono e acabou influenciando parte dos usuários a reconsiderar qual chatbot utilizar.
Depois que a OpenAI fechou seu próprio acordo, houve uma reação de apoio à Anthropic, levando o Claude ao primeiro lugar na App Store durante o fim de semana, enquanto o ChatGPT vem sofrendo desinstalações em massa. A mudança reacendeu o debate sobre quais recursos cada plataforma oferece — e o que o usuário pode ganhar ou perder ao trocar de aplicativo.
Acordo da OpenAI com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos gerou insatisfação entre uma parte dos usuários (Imagem: jackpress/Shutterstock)
Recursos disponíveis nas versões gratuitas
Nas versões gratuitas mais atualizadas, ChatGPT, Claude e Gemini oferecem conversas por texto e áudio, além de geração de código e análise de fotos. Esses são os pontos em comum entre os três serviços.
As diferenças aparecem nas funções multimídia. A geração de imagens por IA está disponível no ChatGPT e no Gemini, mas não no Claude. Já a geração de vídeo surge de forma limitada no ChatGPT, não aparece no Claude e é oferecida pelo Gemini. Embora não seja possível solicitar vídeos diretamente na interface do ChatGPT, o aplicativo de geração de vídeo Sora, da OpenAI, está gratuito no momento.
Claude não conta com geração de imagens e vídeos (Imagem: gguy / Shutterstock.com)
O Gemini também inclui geração de música, recurso ausente nos outros dois, e é o único indicado como tendo a maior janela de contexto na comparação.
No campo das integrações, o Claude permite conexão com ferramentas como Figma, Slack e Canva, algo que não está presente no ChatGPT e Gemini.
Em relação a anúncios, Claude e Gemini aparecem por enquanto sem anúncios, enquanto o ChatGPT já conta com anúncios na versão gratuita. No recurso de Deep Research, ChatGPT e Gemini oferecem a funcionalidade nas versões gratuitas mais recentes, enquanto no Claude ela está restrita a planos pagos.
Integração do Gemini com o Google é nativa (Imagem: miss.cabul / Shutterstock.com)
Os três contam com integração com o Google, sendo que no Gemini ela é nativa. Já funcionalidades como análise de vídeo e câmera ao vivo estão disponíveis no ChatGPT e no Gemini, mas não no Claude.