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Claude agora pode acessar contas bancárias para analisar gastos

A Anthropic anunciou a chegada do Personal Finance ao assistente Claude. O recurso permite conectar contas bancárias e cartões de crédito para acompanhar despesas e esclarecer dúvidas financeiras em linguagem simples.

A integração utiliza a plataforma Plaid e oferece acesso somente para leitura. Isso significa que o sistema não pode movimentar, administrar ou investir o dinheiro dos usuários.

O Personal Finance pode consultar até dois anos de histórico de transações das contas conectadas. – Imagem: Divulgação/Anthropic

Análise de gastos e identificação de cobranças

Com a ferramenta, o usuário pode consultar a distribuição das despesas ao longo do mês, organizadas em categorias como aluguel, alimentação e compras. Também é possível fazer perguntas adicionais para comparar os gastos com períodos anteriores e identificar mudanças no orçamento.

O Claude ainda analisa as transações para sinalizar possíveis problemas, como cobranças duplicadas, tarifas inesperadas e contas que aumentam gradualmente. O assistente também pode avaliar se o usuário está gastando mais do que ganha, explicar conceitos financeiros, como a taxa percentual anual (APR), e calcular quanto foi pago em juros nos últimos 12 meses.

Em comunicado, a Anthropic destacou a proposta de apresentar informações financeiras em linguagem acessível: “O Claude fornece respostas em linguagem cotidiana, a partir de seus saldos e transações, e explica qualquer termo que seja novo para você”.

Privacidade dos dados e concorrência

A conexão com as contas financeiras permite o acesso a um conjunto limitado de informações, segundo a Anthropic. São elas:

  • Nome do banco, da conta e seu tipo;
  • Quatro últimos dígitos do número da conta;
  • Saldo e limite de crédito;
  • Histórico de transações de até dois anos.

A empresa também afirma que as conversas realizadas no ambiente Personal Finance não são utilizadas para treinar seus modelos de IA.

A ferramenta não oferece anúncios ou recomendações patrocinadas, nem comercializa cartões de crédito, empréstimos ou contas de poupança próprios. Essa característica também foi destacada pela Anthropic como parte da proposta de oferecer respostas sem interesses comerciais na indicação de produtos financeiros.

O lançamento coloca o Claude em concorrência com o ChatGPT, da OpenAI, que apresentou recursos semelhantes em maio. A ferramenta da empresa também permite conectar contas financeiras e consultar informações sobre despesas e planejamento de longo prazo.

Ao fundo, tela com códigos de programação; à frente, mão de uma pessoa segurando um celular que exibe o logo do ChatGPT
O lançamento aproxima o Claude dos recursos de finanças pessoais apresentados pelo ChatGPT em maio. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Disponibilidade do recurso

O Personal Finance começa a ser liberado em versão beta nesta semana para assinantes dos planos Pro, Max e Ultra nos Estados Unidos.

A novidade faz parte da expansão do Claude para setores específicos. No início deste ano, a Anthropic também lançou o Claude for Legal, voltado à área jurídica, e o Claude for Financial Services, direcionado ao mercado de serviços financeiros.

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Anthropic diz que IA pode acelerar o próprio desenvolvimento

A Anthropic afirmou que pode estar próxima de desenvolver uma inteligência artificial capaz de acelerar o próprio aprimoramento. O alerta aparece em uma atualização de seu prospecto de abertura de capital (S-1/A), enviada à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).

A empresa afirma que ainda não atingiu esse estágio, mas suas estimativas indicam que isso pode acontecer em breve.

A empresa já utiliza inteligência artificial em atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos modelos. – Imagem: gguy/Shutterstock

O que é a autossuperação recursiva da IA?

Conhecida como recursive self-improvement (RSI), ou autossuperação recursiva, a tecnologia descreve um estágio em que sistemas de inteligência artificial conseguem aprimorar seus próprios processos de desenvolvimento, acelerando a evolução de suas capacidades.

A possibilidade divide opiniões. Para críticos preocupados com os riscos da IA, esse avanço poderia levar à criação de sistemas tão poderosos que escapassem ao controle humano e causassem danos enquanto perseguissem seus objetivos. Já os entusiastas enxergam na RSI uma oportunidade de ampliar a produtividade e acelerar descobertas científicas.

A Anthropic reconhece os dois lados dessa discussão. No documento enviado à SEC, a empresa afirma que já utiliza inteligência artificial em suas atividades de pesquisa e desenvolvimento, mas alerta que essa estratégia também pode representar um risco considerável à segurança, especialmente se acelerar drasticamente o ritmo do progresso.

Empresa admite que pode atingir esse estágio em breve

A atualização inclui novos alertas na seção de fatores de risco. A Anthropic revela que já utilizou sistemas de inteligência artificial para desenvolver novos modelos sem perceber, naquele momento, a dimensão dos avanços de capacidade alcançados.

O uso crescente de IA nas pesquisas também pode fazer com que os modelos evoluam mais rapidamente do que a capacidade da empresa de desenvolver, validar e implementar medidas de segurança, alinhamento e proteção.

Segundo o documento, estimativas internas e projeções sobre modelos futuros indicam que a companhia pode atingir em breve o que sua Política de Escalonamento Responsável define como “progresso dramaticamente acelerado atribuível à IA”.

A empresa ressalva que nenhum de seus modelos atuais foi classificado como tendo ultrapassado esse limite. A avaliação dos dados continua em andamento.

Conceito de monitoramento de inteligência artificial com lupa com estrelas cintilantes e circuito em fundo azul.
A empresa considera atualizar sua Política de Escalonamento Responsável para manter humanos no controle. – Imagem: tete_escape/Shutterstock

Supervisão humana deve continuar

Mesmo diante dessa possibilidade, a Anthropic afirma que não espera conseguir utilizar o Claude para projetar e construir, de maneira totalmente autônoma, sucessivas gerações de modelos avançados sem supervisão ou compreensão humana significativa.

A companhia também considera atualizar sua Política de Escalonamento Responsável para manter as pessoas no controle do desenvolvimento de seus modelos mais avançados.

O documento também merece ser considerado no contexto em que foi apresentado: registros enviados à SEC cumprem obrigações de divulgação, mas podem funcionar como instrumentos de apresentação das perspectivas da empresa ao mercado.

A Anthropic destaca que as capacidades do Claude avançaram neste ano, especialmente em programação, matemática e segurança cibernética. Ainda assim, nenhum modelo atual foi considerado pela empresa como tendo alcançado o estágio de autossuperação recursiva.

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Anthropic expõe os custos e os riscos da inteligência artificial antes de IPO

A Anthropic, criadora da inteligência artificial Claude, apresentou documentos para abrir capital nos Estados Unidos. O prospecto revela uma empresa em rápida expansão, mas pressionada por custos elevados e riscos que vão de ataques cibernéticos a falhas nas proteções de seus modelos.

O documento reúne as primeiras demonstrações financeiras auditadas da companhia e detalha os desafios que podem afetar seus planos de crescimento.

O documento de IPO admite que as travas de segurança da IA têm falhas e podem ser burladas por agentes maliciosos. – Imagem: jackpress/Shutterstock

Crescimento acelerado, mas com custos elevados

Fundada em 2021, a Anthropic ampliou rapidamente suas receitas, mas os gastos também cresceram. Os números apresentados no prospecto mostram a dimensão desse avanço e o peso financeiro da infraestrutura necessária para desenvolver e operar seus modelos de IA.

Os principais valores informados pela companhia são:

  • Receita no primeiro semestre de 2026: US$ 16,3 bilhões (cerca de R$ 86,39 bilhões).
  • Prejuízo no primeiro semestre de 2026: US$ 80 bilhões (cerca de R$ 424 bilhões), incluindo uma despesa extraordinária de US$ 72,4 bilhões (R$ 383,72 bilhões).
  • Receita em 2025: US$ 4,585 bilhões (cerca de R$ 24,3 bilhões).
  • Prejuízo em 2025: aproximadamente US$ 33,9 bilhões (cerca de R$ 179,67 bilhões).
  • Gastos com infraestrutura de IA no primeiro semestre de 2026: quase US$ 9 bilhões (cerca de R$ 47,7 bilhões), ante US$ 2,3 bilhões (R$ 12,19 bilhões) no mesmo período de 2025.
  • Avaliação estimada por alguns investidores: entre US$ 1,5 trilhão (R$ 7,95 trilhões) e US$ 2 trilhões (R$ 10,6 trilhões). A Anthropic não informou uma avaliação pretendida para a abertura de capital.

A concentração de clientes também preocupa: os cinco maiores compradores respondem por 25% dos negócios. A perda de um deles poderia afetar os resultados da empresa.

O potencial da IA esbarra em riscos de segurança

A Anthropic aposta em aplicações da tecnologia na medicina, na biologia, nas finanças e na robótica. Segundo a companhia, o Claude reduziu de meses para minutos o tempo necessário para elaborar relatórios de ensaios clínicos. A empresa também relata descobertas biológicas que podem contribuir para o desenvolvimento de ferramentas de edição genética.

Esses avanços, no entanto, convivem com limitações que a própria empresa reconhece. No prospecto, a Anthropic afirma que as proteções de seus modelos podem ficar desatualizadas, ser contornadas ou falhar. A companhia também admite que seus sistemas mais avançados podem ajudar pessoas mal-intencionadas a desenvolver armas químicas ou biológicas.

Os riscos já incluem ataques cibernéticos. A empresa relata o que considera o primeiro caso documentado de uma operação em larga escala com pouca intervenção humana. Segundo a Anthropic, um grupo de hackers patrocinado pelo Estado chinês manipulou uma ferramenta de programação do Claude para tentar invadir cerca de 30 alvos, entre eles empresas de tecnologia, instituições financeiras, fabricantes de produtos químicos e órgãos governamentais.

O uso da IA para fins de vigilância e repressão também preocupa a companhia. A Anthropic alerta que governos autoritários podem recorrer à tecnologia para ampliar essas práticas. A empresa enfrenta ainda um conflito com o governo Trump por se recusar a flexibilizar as restrições ao uso de seus modelos para vigilância doméstica e armas letais autônomas.

Ao fundo, meio desfocado, logo da Anthropic; à frente, smartphone mostrando a página de download do Claude
A estreia da Anthropic na bolsa será o teste definitivo para saber se o mercado aceita bancar perdas bilionárias em IA. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Os riscos para os negócios

Nas 92 páginas dedicadas aos riscos, a empresa também aborda a concorrência com Google e OpenAI, a dependência de executivos importantes e as incertezas regulatórias.

Outros fatores podem comprometer suas operações:

  • Infraestrutura: restrições na rede elétrica, desastres naturais e limitações à construção de centros de dados.
  • Seguros: dificuldade para obter cobertura adequada para determinadas responsabilidades relacionadas à IA.
  • Contratação: mudanças nas políticas migratórias dos Estados Unidos podem dificultar a atração de profissionais qualificados.
  • Compromissos sociais: como empresa de benefício público, a Anthropic precisa conciliar resultados financeiros e metas de impacto social.

Para reduzir a dependência dos Estados Unidos, a companhia afirma estar ampliando sua infraestrutura de centros de dados em outros países. Ainda assim, admite que pode não conseguir contratar seguros em condições comerciais razoáveis para determinadas responsabilidades ligadas à IA.

“Podemos não conseguir obter cobertura para determinadas responsabilidades relacionadas à IA em condições comercialmente razoáveis, ou mesmo obter qualquer cobertura, o que nos deixaria expostos a perdas potencialmente significativas”, afirma o prospecto.

A abertura de capital colocará sob maior escrutínio a capacidade da Anthropic de sustentar o crescimento, administrar os custos e lidar com os riscos associados à expansão da inteligência artificial.

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IPO da Anthropic pode mudar o mercado global de inteligência artificial

A Anthropic, criadora do assistente Claude, iniciou o processo para abrir seu capital e pode protagonizar uma das maiores ofertas públicas de ações da história. A operação será um teste para o mercado de inteligência artificial (IA), em meio às dúvidas sobre as avaliações bilionárias do setor.

O resultado também pode influenciar a futura estreia da OpenAI na Bolsa e mudar a disposição dos investidores de financiar empresas ligadas à tecnologia.

O desempenho da startup na bolsa serve como teste definitivo para medir a sustentabilidade do boom global de IA. – Imagem: RixAiArt/Shutterstock

Crescimento acelerado e pressão por resultados

Investidores já avaliam a Anthropic em trilhões de dólares. Fundada há cinco anos, a empresa divide com a OpenAI o protagonismo no mercado de IA. A concorrente também apresentou documentos confidenciais para abrir seu capital, mas não prevê uma estreia antes de 2027.

O cenário financeiro, porém, ficou menos favorável. Empresas de computação em nuvem voltadas à IA e operadoras de data centers sofreram quedas nas ações. A australiana Firmus retirou seus planos de IPO, assim como a Solidigm, unidade americana da SK Hynix.

A Anthropic chega à Bolsa com resultados expressivos, mas também com perdas elevadas. No primeiro semestre, acumulou mais de US$ 80 bilhões (R$ 420 bilhões) em perdas, segundo a CNBC. No mesmo período, a receita avançou rapidamente, impulsionada pela adoção de ferramentas de programação e produtividade por empresas.

No segundo trimestre, o faturamento atingiu US$ 11,56 bilhões (R$ 60,69 bilhões), ante US$ 787 milhões (R$ 4,13 bilhões) no mesmo período do ano anterior. A companhia encerrou junho com quase US$ 132 bilhões (R$ 693 bilhões) em caixa, equivalentes e investimentos de curto prazo. Depois de cinco trimestres com prejuízo operacional, registrou US$ 974 milhões (R$ 5,11 bilhões) de lucro operacional no segundo trimestre.

“Se tiver um desempenho abaixo das expectativas, será um pouco como um castelo de cartas”, afirmou Jai Das, cofundador da Sapphire Ventures.

Gigantes de tecnologia também estão expostas

A relação da Anthropic com as grandes empresas do setor vai além da concorrência. Quase metade de sua receita vem da venda do Claude por meio dos serviços de nuvem da Microsoft, Amazon e Alphabet, controladora do Google. As três companhias também investem na desenvolvedora.

A infraestrutura necessária para desenvolver os modelos envolve chips da Nvidia, AMD, Amazon e Google. Por isso, uma mudança na disposição dos investidores em financiar a IA pode repercutir em diferentes segmentos da indústria.

Brad Bernstein, sócio-gerente da FTV Capital, avalia que um desempenho abaixo das expectativas pode provocar uma reavaliação mais ampla dos investimentos em startups de inteligência artificial.

“A avaliação deles refletirá essa variação de desempenho, e então haverá um efeito cascata sobre tudo o que está acontecendo no mundo da IA de capital de risco, com o excesso de capital sendo investido. Tudo terá de ser reajustado”.

O impacto pode alcançar diferentes partes da cadeia tecnológica:

  • Fabricantes de memória: enfrentam a disputa por componentes necessários à infraestrutura de IA.
  • Investidores de capital de risco: podem rever aportes e avaliações de startups do setor.
  • Empresas de software: precisam avaliar custos e benefícios da incorporação de modelos de IA.
  • Provedores de infraestrutura: dependem da demanda para justificar a expansão de data centers e da capacidade computacional.
Logo da OpenAI em um smartphone que está em cima de várias notas de dólar
A estreia da Anthropic também pode afetar as expectativas em torno da futura abertura de capital da OpenAI, prevista não antes de 2027. – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

Concorrência e riscos para o setor

Outro desafio vem dos modelos de pesos abertos, que permitem personalização e podem custar menos. Entre os concorrentes estão soluções da Moonshot AI, DeepSeek e Zhipu. No documento apresentado para a abertura de capital, a Anthropic citou nominalmente OpenAI e Google como concorrentes, mas reconheceu a existência de um conjunto mais amplo de fornecedores.

A empresa vê espaço para crescer: no trimestre mais recente, companhias da lista Fortune 500 comprometeram menos de 0,1% de suas despesas totais com seus modelos e serviços.

A avaliação trilionária também coloca a operação em um grupo restrito. Se estrear com valor superior a US$ 1 trilhão (R$ 5,25 trilhões), a Anthropic será a terceira empresa a alcançar esse patamar em uma abertura de capital, depois da Saudi Aramco e da SpaceX.

Há, contudo, riscos para o mercado. Juros mais altos encarecem a captação de recursos, e uma redução da liquidez destinada à IA pode pressionar as ações. David Trainer, presidente-executivo da New Constructs, estima um risco de queda de 20% no S&P 500, concentrado principalmente nos papéis ligados ao setor.

A estreia da Anthropic será, portanto, um teste para as expectativas em torno da inteligência artificial. A reação dos investidores poderá influenciar tanto as avaliações de outras empresas quanto os planos da OpenAI de entrar na Bolsa.

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Anthropic mira IPO histórico, mas registra prejuízo bilionário

A Anthropic, criadora do chatbot Claude, prepara sua abertura de capital em uma operação que pode se tornar a maior da história. A empresa pode alcançar uma avaliação de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,5 trilhões) e captar mais de US$ 100 bilhões (R$ 525 bilhões).

Os documentos apresentados pela companhia revelam também o custo dessa expansão. Apesar do forte crescimento da receita, a Anthropic registrou um prejuízo expressivo no primeiro semestre de 2026.

Apesar do avanço nas vendas, a Anthropic reportou prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Receita dispara, mas prejuízo chama atenção

Entre janeiro e junho, a receita da Anthropic chegou a US$ 16,3 bilhões (aproximadamente R$ 85,6 bilhões), 14 vezes mais que no mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente por empresas que adotaram suas ferramentas de inteligência artificial (IA).

No mesmo semestre, a companhia acumulou um prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões (cerca de R$ 423,7 bilhões), ante US$ 13 bilhões um ano antes. O resultado inclui um encargo extraordinário de US$ 72,4 bilhões (aproximadamente R$ 380,1 bilhões) relacionado a notas conversíveis, um tipo de dívida que pode se transformar em participação acionária.

A valorização desses instrumentos ampliou a perda contábil, que não corresponde necessariamente a uma saída de caixa do mesmo montante.

A Anthropic já havia captado cerca de US$ 130 bilhões (R$ 682,5 bilhões) em investimentos privados. Agora, a possível estreia na bolsa pode ampliar ainda mais os recursos disponíveis para financiar seu crescimento.

Anthropic pode superar a SpaceX e a OpenAI

Se levantar mais de US$ 100 bilhões, a Anthropic poderá superar a SpaceX, de Elon Musk, e estabelecer um novo recorde de abertura de capital. Em maio, a empresa já havia ultrapassado a rival OpenAI em avaliação de mercado: US$ 900 bilhões (cerca de R$ 4,725 trilhões), contra US$ 730 bilhões (aproximadamente R$ 3,83 trilhões) da concorrente.

A OpenAI também considera uma nova rodada de financiamento que poderia elevar seu valor a US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 7,875 trilhões) antes de uma eventual oferta pública de ações.

A operação da Anthropic será coordenada pelos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley. A empresa ainda não divulgou quantas ações pretende vender nem o preço dos papéis, mas planeja negociá-los na Nasdaq sob o código ANT.

Dario Amodei, CEO da Anthropic
Dario Amodei ressaltou no registro financeiro que uma tecnologia tão potente quanto a IA pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Empresa reconhece riscos da inteligência artificial

O documento corporativo também aborda possíveis consequências negativas da tecnologia, como a perda de controle sobre sistemas de IA e seu uso para abusos autoritários.

“Acreditamos que a IA é uma das tecnologias mais importantes da história da humanidade”, afirmaram Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e os outros seis fundadores.

Em outro trecho, os executivos destacaram a dualidade da tecnologia: “Criar IA é aproveitar a própria cognição, e algo tão poderoso pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal”.

Amodei defende maior atenção à segurança e à regulamentação da inteligência artificial. Essa posição provocou críticas de outros líderes do setor, incluindo Jensen Huang, da Nvidia, e Mark Zuckerberg, da Meta, que o acusaram de tentar concentrar o poder sobre a tecnologia.

Entre os fatores que ajudam a contextualizar a trajetória da Anthropic estão:

  • Origem: a empresa foi fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que divergiam sobre como desenvolver a inteligência artificial.
  • Foco comercial: as ferramentas de programação ajudaram a Anthropic a conquistar clientes corporativos e acelerar seu crescimento.
  • Incerteza no mercado: outras companhias adiaram planos de abertura de capital diante das dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA.

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ChatGPT e Gemini entram na estratégia de campanhas políticas dos EUA

Candidatos políticos dos Estados Unidos estão tentando influenciar o que chatbots como ChatGPT, Claude e Gemini dizem sobre eles. Documentos obtidos pela Reuters revelam estratégias para fazer com que essas ferramentas recomendem determinados nomes aos eleitores.

A iniciativa aposta na publicação de conteúdos na internet e no monitoramento das respostas das IAs, que vêm sendo consultadas por eleitores para obter informações sobre candidatos e propostas.

A estratégia conhecida como GEO tenta influenciar as informações sobre políticos usadas por sistemas de inteligência artificial. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Da busca tradicional às recomendações de IA

Uma apresentação preparada para Mike Minogue, candidato republicano ao governo de Massachusetts contra a governadora Maura Healey, detalha como ampliar a presença do político nas respostas dos assistentes virtuais.

O plano, elaborado pela consultoria Visigent, recorre à GEO, sigla em inglês para otimização para mecanismos generativos. A proposta é influenciar as informações que os sistemas encontram ao responder a perguntas políticas.

O documento recomenda criar centenas de páginas sobre as propostas de Minogue, publicar referências em sites frequentemente citados pelas IAs e produzir conteúdo para YouTube e Reddit. A estratégia também prevê acompanhar as respostas dos chatbots e ajustar os materiais publicados na internet.

“Se você não divulgar as informações certas, quem sabe o que os mecanismos de IA vão encontrar?”, afirmou Thomas Howell, CEO da Visigent, à Reuters.

A campanha de Minogue não respondeu aos pedidos de comentário da agência.

Eleitores recorrem aos chatbots

O interesse das campanhas acompanha a mudança nos hábitos de consulta dos eleitores. Segundo Cameron Hickey, CEO da National Conference on Citizenship, cerca de 25% dos eleitores elegíveis já perguntaram a um chatbot sobre algum candidato ao decidir em quem votar.

Meg Schwenzfeier, da Caucus AI, que monitora o uso dessas ferramentas por eleitores, alerta para outro aspecto dessa mudança: os sistemas podem apresentar informações não verificadas com bastante segurança.

“Os chatbots falam com muita autoridade e podem consumir grandes quantidades de informações não verificadas, por isso precisamos nos proteger contra a desinformação”, afirmou à Reuters.

A preocupação não se limita ao conteúdo publicado pelas próprias campanhas. Informações encontradas em diferentes fontes também podem influenciar a maneira como os candidatos são apresentados, o que torna a confiabilidade dessas referências uma questão importante.

Jordan Haines, diretor de tecnologia da organização Run for Something, oferece uma avaliação menos alarmista. Ele afirmou à Reuters que, até o momento, os modelos têm conseguido distinguir informações confiáveis de conteúdos de procedência duvidosa. Segundo Haines, a organização chegou a observar informações publicadas no Reddit aparecerem nas respostas das IAs no dia seguinte.

Logo do Gemini em um smartphone
Campanhas políticas migraram o foco do SEO tradicional para o treinamento direto de robôs de IA como ChatGPT, Claude e Gemini. – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Quanto custa influenciar as respostas?

Os preços variam conforme o serviço contratado e o tamanho da campanha. A reportagem da Reuters apresenta opções que vão de ferramentas de monitoramento a consultorias com publicidade paga.

  • Monitoramento básico: software da Visigent a partir de US$ 134 mensais (cerca de R$ 668,66).
  • Campanhas menores: a CampSight cobra entre US$ 9 e US$ 250 por mês (aproximadamente R$ 44,91 a R$ 1.247,50).
  • Consultoria política: os contratos da Visigent começam em US$ 5 mil mensais (cerca de R$ 24.950).
  • Estratégias com publicidade e influenciadores: os custos podem chegar a US$ 50 mil por mês (aproximadamente R$ 249.500), com remuneração de até US$ 200 mil (cerca de R$ 998 mil) por uma vitória em determinada categoria.

Joe Bonilla, sócio-diretor da consultoria Relentless Awareness, acredita que a prática ganhará escala até a próxima eleição presidencial americana. “As campanhas que usam treinamento para influenciar a IA são uma realidade que enfrentamos e isso será onipresente no ciclo eleitoral de 2028”, afirmou.

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Elvis vs IA: entenda o processo milionário contra a Anthropic

A Authentic Brands Group, responsável pelos direitos sobre a música e a imagem de Elvis Presley, processou a Anthropic por supostamente usar 274 canções do artista no treinamento de modelos de inteligência artificial sem autorização.

A ação pede indenização de US$ 150 mil (aproximadamente R$ 750 mil) por faixa, o que pode chegar a US$ 41 milhões (cerca de R$ 205 milhões).

A acusação cobra até R$ 750 mil por cada uma das obras musicais que teriam sido usadas sem autorização pela startup. – Imagem: gguy/Shutterstock

Processo cita 274 músicas de Elvis Presley

Divulgada inicialmente pela revista Billboard, a ação acusa a desenvolvedora do Claude de violar os direitos autorais de 274 músicas de Elvis. Entre elas estão Can’t Help Falling in Love, All Shook Up e A Little Less Conversation.

Na petição, o advogado dos autores, Richard Busch, critica a atuação da empresa e afirma que ela teria construído seu modelo de negócios com base em violações de direitos autorais em larga escala.

O documento também alega que o Claude gera conteúdo que infringe direitos relacionados a praticamente todas as músicas de catálogos disponíveis na internet. Os representantes do cantor questionam ainda os mecanismos de proteção implementados pela Anthropic para impedir a geração de material protegido. Segundo a ação, essas barreiras seriam ineficazes, e a empresa teria conhecimento de suas limitações.

As acusações ainda precisam ser avaliadas judicialmente.

Disputa pode influenciar o treinamento de IA

O caso se soma a outras disputas entre empresas de inteligência artificial e a indústria musical. A Recording Industry Association of America (RIAA) e gravadoras como Sony, Universal e Warner Records também já apresentaram acusações relacionadas ao uso de obras protegidas por sistemas de IA.

A ação envolvendo Elvis está entre os primeiros grandes desafios judiciais movidos diretamente por representantes de um artista contra uma desenvolvedora desse tipo de tecnologia. A decisão poderá influenciar futuras discussões sobre os limites do uso de catálogos musicais no treinamento de modelos.

Na petição, Busch afirma que os representantes do cantor buscam proteger seus direitos exclusivos contra práticas que considera inéditas em escala. O documento também sustenta que a Anthropic continuou a infringir direitos musicais mesmo depois de implementar mecanismos para tentar bloquear a geração de conteúdo protegido.

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O desfecho desta disputa deve definir novas regras para o uso de acervos protegidos na instrução de novos modelos. Imagem: fabrikasimf/Freepik

Como a disputa afeta o mercado musical

Sistemas de geração musical com inteligência artificial analisam gravações para aprender características sonoras e estruturas de composição. Com base nesse aprendizado, podem produzir faixas a partir de comandos escritos ou falados.

A tecnologia preocupa artistas por diferentes motivos:

  • Remuneração: titulares de direitos discutem como suas obras devem ser licenciadas e remuneradas quando usadas no desenvolvimento de IA.
  • Autenticidade: ferramentas podem gerar músicas que imitam características de artistas existentes.
  • Transparência: músicos e detentores de catálogos buscam entender quais gravações foram utilizadas no treinamento dos modelos.
  • Distribuição: o crescimento da música gerada por IA aumenta a pressão sobre plataformas que recomendam conteúdo aos ouvintes.

O Spotify também tomou medidas contra esse tipo de conteúdo. Na semana anterior à publicação da reportagem original, a plataforma anunciou a remoção de cerca de 50 milhões de músicas consideradas conteúdo de baixa qualidade gerado por IA de suas recomendações ao longo do ano anterior.

O processo contra a Anthropic acrescenta mais um capítulo à disputa entre titulares de direitos autorais e empresas de inteligência artificial, cujo desfecho poderá ajudar a definir como obras musicais protegidas podem ser utilizadas no desenvolvimento dessas tecnologias.

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Nova IA da Anthropic prepara relatórios, monitora e-mails e navega na web

A Anthropic anunciou, nesta quarta-feira (21), o Claude Duet, agente de inteligência artificial (IA) capaz de organizar tarefas, acompanhar e-mails e calendários e continuar trabalhando mesmo quando o usuário fecha o aplicativo. A novidade amplia a disputa com o ChatGPT Dots, da OpenAI, e o Meta Muse, em mercado que aposta em assistentes capazes de executar tarefas, e não apenas responder a perguntas.

O recurso está sendo disponibilizado gradualmente, em versão de testes (research preview), para assinantes dos planos Pro e Max nos Estados Unidos. O acesso ocorre por meio de lista de espera, com convites liberados em etapas.

O Claude Duet não tem custo adicional para os assinantes elegíveis, mas utiliza os limites de uso já incluídos nos planos. Como as tarefas executadas em segundo plano também entram nessa conta, a Anthropic alerta que os usuários podem atingir seus limites mais rapidamente do que em conversas convencionais.

Como funciona o Claude Duet?

  • A proposta do Claude Duet é funcionar como um assistente que acompanha as demandas do usuário e toma a iniciativa quando identifica algo que precisa de atenção;
  • O agente pode consultar aplicativos conectados, organizar informações e dar continuidade a tarefas sem exigir que a pessoa permaneça com o aplicativo aberto. Para isso, funciona em um computador próprio baseado na nuvem, permitindo que o trabalho continue mesmo depois que o usuário se afasta;
  • O sistema também utiliza as mesmas memórias, habilidades e conexões de aplicativos disponíveis no Claude convencional. Além disso, pode pesquisar conversas anteriores para recuperar informações e evitar que o usuário precise repetir instruções;
  • Entre as possibilidades descritas pela Anthropic estão preparar um resumo das prioridades do dia a partir dos e-mails e compromissos da agenda, elaborar respostas para revisão, acompanhar conversas que ficaram sem retorno e executar trabalhos mais complexos;
  • O usuário também pode solicitar projetos maiores, que podem resultar em arquivos editáveis, como relatórios de pesquisa, modelos financeiros, apresentações e painéis de dados. Os trabalhos concluídos ficam disponíveis na aba Make;
  • A interação pode ocorrer por mensagens digitadas ou de voz. Também é possível criar canais separados para diferentes assuntos, mantendo uma memória compartilhada entre eles.

Agente pode executar tarefas, mas precisa de autorização

Um dos pontos centrais do Claude Duet é a combinação entre autonomia e supervisão humana.

Segundo a Anthropic, o sistema foi projetado para pedir autorização antes de enviar uma mensagem, realizar um pagamento, assinar um documento ou excluir qualquer conteúdo.

A ferramenta também oferece integrações voltadas a atividades comerciais. Com o Stripe, por exemplo, pode verificar faturas não pagas e preparar lembretes de cobrança. Já as integrações com Link e Shop Pay permitem realizar compras com aprovação do usuário.

O agente também aceita plugins, incluindo ferramentas destinadas a pequenas empresas, e pode sugerir extensões adequadas ao trabalho solicitado.

A proposta é permitir que a IA avance em tarefas de várias etapas sem retirar do usuário o controle sobre ações importantes.

Um dos pontos centrais do Claude Duet, da Anthropic, é a combinação entre autonomia e supervisão humana – Imagem: daily_creativity/Shutterstock

Leia mais:

Claude Duet será gratuito para assinantes?

O Claude Duet está incluído nos planos Pro e Max elegíveis, sem cobrança adicional pelo recurso. No entanto, o uso do agente consome a franquia dos planos, inclusive quando as tarefas são executadas em segundo plano.

A disponibilização inicial está restrita aos Estados Unidos e ocorre por meio de convites enviados gradualmente aos usuários inscritos na lista de espera.

A Anthropic informou que o Claude Duet ainda não está disponível nos planos Team e Enterprise, mas pretende ampliar o acesso a essas modalidades no futuro.

Anthropic entra na disputa por agentes pessoais de IA

O lançamento coloca a Anthropic em disputa crescente com empresas que tentam transformar assistentes de IA em agentes capazes de realizar trabalhos de forma proativa.

A OpenAI apresentou o ChatGPT Dots como uma ferramenta que pode executar tarefas em segundo plano, trabalhar com aplicativos conectados e entrar em contato com o usuário quando precisa de atenção ou de informações adicionais.

Já o Meta Muse aposta em assistente pessoal capaz de assumir tarefas e projetos em diferentes áreas da vida cotidiana.

O Claude Duet segue direção semelhante, mas aproveita a infraestrutura de memórias, habilidades e integrações já disponível no ecossistema Claude. A ferramenta busca transformar o assistente em colaborador que acompanha demandas recorrentes e continua trabalhando mesmo quando o usuário não está presente.

Com o lançamento, a Anthropic amplia sua aposta em agentes de IA capazes de executar tarefas complexas e administrar fluxos de trabalho, em vez de se limitar ao formato tradicional de perguntas e respostas.

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Anthropic destinará 5% de suas ações a fundo de benefício público

A Anthropic, criadora do Claude, destinará 5% de suas ações a um fundo voltado a projetos de benefício público. A iniciativa permitirá ampliar as doações e financiar ações para enfrentar os impactos da inteligência artificial (IA) na sociedade.

O fundo poderá receber novas ações conforme a valorização da empresa. O anúncio ocorre enquanto a Anthropic planeja uma possível abertura de capital, que pode estar entre as maiores da história.

A Anthropic já reservou US$ 200 milhões para estudar e enfrentar mudanças no mercado de trabalho causadas pela IA. – Imagem: Jack_the_sparow/Shutterstock

Fundo poderá receber mais ações

A estrutura prevê uma sociedade de responsabilidade limitada controlada integralmente pelo fundo. Para cada valorização de 50% da Anthropic acima de um patamar de referência ainda não divulgado, o conselho poderá autorizar a transferência de outros 2% das ações.

Os recursos poderão apoiar diferentes frentes, entre elas:

  • Doações a organizações sem fins lucrativos;
  • Distribuição direta de recursos a grupos específicos da população;
  • Estudos sobre os efeitos da inteligência artificial no mercado de trabalho;
  • Iniciativas voltadas a outras necessidades de interesse público.

A empresa informou que divulgará nos próximos meses detalhes sobre a governança do fundo, sua estrutura e os critérios para ampliar a participação acionária. Também pretende publicar um relatório sobre os avanços de sua missão de benefício público.

Segurança da IA e impactos no emprego

A criação do fundo ocorre em meio às preocupações com o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial. A própria Anthropic já afirmou que a tecnologia pode representar “riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade”. Segundo a Reuters, cerca de 80 das 261 páginas do corpo principal do prospecto da empresa são dedicadas a fatores de risco.

Os efeitos sobre o emprego também estão entre as prioridades. A companhia já havia anunciado um compromisso de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,01 bilhão) para estudar e enfrentar as mudanças no mercado de trabalho provocadas pela IA.

A preocupação não se limita à Anthropic. Empresas de diversos setores vêm cortando milhares de postos de trabalho após investir na tecnologia, e muitas atribuem as decisões aos ganhos de eficiência.

Na semana anterior ao anúncio, Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que cerca de 40% dos empregos no mundo podem ser afetados pela IA. Nas economias avançadas, a proporção chega a 60%.

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Elon Musk criticou o fundo da rival e prometeu doações diretas de ações da SpaceX para crianças nos Estados Unidos. – Imagem: FotoField/Shutterstock

Fundo não financiará atividades políticas

A Anthropic informou que as ações destinadas ao fundo não serão usadas para financiar lobby ou doações políticas nos Estados Unidos ou no exterior. A restrição foi anunciada enquanto autoridades americanas avaliam ampliar a supervisão do setor.

O novo fundo se soma ao compromisso dos cofundadores de doar 80% de suas participações e a um programa de contribuição equivalente para doações de funcionários. Juntos, esses compromissos devem destinar aproximadamente 20% das ações da Anthropic a finalidades públicas. A estimativa não inclui eventuais transferências adicionais ao fundo.

A proposta também motivou uma manifestação de Elon Musk, que lidera a concorrente SpaceXSI. Em uma publicação na rede social X, ele defendeu a distribuição direta das ações à população e anunciou que pretende doar uma ação da SpaceX a cada criança nos Estados Unidos no próximo ano.

“Recomendo dar as ações diretamente ao público”, escreveu Musk. Em seguida, acrescentou: “No próximo ano, darei uma de minhas ações da SpaceX a cada criança nos Estados Unidos. Esta será a primeira de muitas”.

A Anthropic ainda precisa esclarecer como o fundo será administrado e quais critérios determinarão o aumento de sua participação. Esses detalhes devem ajudar a definir como a empresa pretende transformar parte de seu crescimento em recursos para iniciativas de benefício público.

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IA da Anthropic envia denúncia falsa de homicídio à polícia nos EUA

Um modelo de inteligência artificial (IA) da Anthropic enviou uma denúncia falsa sobre um homicídio não solucionado à polícia da Filadélfia (EUA), durante teste realizado pela empresa. O formulário foi encaminhado em julho, mas acabou marcado como spam e não chegou a ser analisado pelos investigadores.

O caso veio à tona nesta sexta-feira (9), após a divulgação de um comunicado do Departamento de Polícia da Filadélfia. Segundo a corporação, a Anthropic identificou o envio em 28 de setembro e só notificou as autoridades em 7 de outubro. A polícia classificou o intervalo de aproximadamente dois meses entre o incidente e a comunicação como inaceitável.

A empresa afirmou que o episódio aconteceu durante um experimento no qual o modelo interagia com páginas da internet selecionadas aleatoriamente. A ferramenta acessou uma página sobre um assassinato não solucionado e preencheu um formulário on-line destinado ao recebimento de informações sobre o caso.

Como a IA enviou a denúncia falsa?

  • O modelo envolvido foi o Claude Haiku 4.5. Durante o teste, a ferramenta recebeu a tarefa de gerar e executar atividades de exemplo em páginas da internet escolhidas aleatoriamente;
  • Em uma dessas interações, o sistema encontrou uma página que mencionava um homicídio ainda sem solução e continha um formulário de denúncias da polícia. A IA preencheu o campo de mensagem com uma informação fictícia, afirmando que poderia ter dados relevantes sobre o caso;
  • O texto dizia que o sistema se lembrava de ter visto alguém com características semelhantes às descritas na região e no período em questão. No entanto, a página consultada não apresentava uma descrição do suspeito;
  • O modelo deixou os campos de nome e contato vazios, algo permitido pelo formulário, e enviou a mensagem. O sistema automatizado da polícia identificou o conteúdo como spam, impedindo que a denúncia fosse encaminhada para investigação;
  • Segundo a Anthropic, as instruções dadas ao modelo proibiam ações, como entrar em contas, criar cadastros, inserir dados pessoais, realizar compras ou executar ações destrutivas. No entanto, não havia uma proibição explícita de enviar formulários;
  • A empresa afirmou que o modelo aparentemente estava apenas produzindo conteúdo de exemplo para cumprir a tarefa, e não tentando enganar as autoridades para alcançar algum objetivo.
Claude Haiku 4.5 foi o responsável pelo envio falso – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Leia mais:

Anthropic interrompe teste após incidente

Após descobrir o envio da denúncia, a Anthropic interrompeu o processo de testes que levou ao episódio. A empresa também publicou um relatório sobre ações não intencionais de seus modelos durante interações com sites reais.

O documento descreve diferentes categorias de comportamento identificadas durante os experimentos, incluindo o envio de formulários que não deveriam ter sido submetidos.

O caso da Filadélfia foi apresentado como exemplo desse tipo de falha. Embora o sistema não tenha conseguido provocar uma investigação, a situação expôs risco associado a agentes de IA capazes de navegar pela internet e interagir diretamente com serviços de terceiros.

O Departamento de Polícia da Filadélfia cobrou medidas adicionais para impedir que situações semelhantes afetem sistemas públicos sem o conhecimento das autoridades.

“A empresa precisa reforçar suas salvaguardas para evitar que incidentes semelhantes afetem os sistemas da cidade sem o conhecimento do município”, afirmou a corporação. A polícia também criticou a demora de dois meses para receber a notificação.

Denúncia falsa pode configurar crime

O episódio também chama a atenção para as consequências de sistemas automatizados realizarem ações em plataformas públicas. Na Pensilvânia, estado onde fica a Filadélfia, registrar uma denúncia falsa à polícia é ilegal.

Neste caso, porém, a mensagem foi identificada como spam e não chegou a ser encaminhada aos investigadores. As informações divulgadas não indicam que tenha sido aberta uma investigação criminal contra a Anthropic em decorrência do episódio.

O incidente ocorre em meio à crescente preocupação com agentes de IA que executam tarefas de forma autônoma na internet. Diferentemente de ferramentas que apenas respondem a perguntas, esses sistemas podem preencher formulários, acessar páginas e realizar ações em serviços externos.

A situação reforça a importância de estabelecer limites claros para as atividades que esses modelos podem executar, especialmente quando envolvem sistemas públicos, informações policiais ou serviços que podem gerar consequências no mundo real.

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