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Anthropic: Mythos encontra vulnerabilidades em algoritmos de criptografia

O Claude Mythos Preview, modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela Anthropic, conseguiu identificar novas formas de explorar vulnerabilidades em uma versão simplificada de um dos algoritmos de criptografia mais utilizados no mundo, o Advanced Encryption Standard (AES).

A descoberta, anunciada pela empresa nesta terça-feira (28), reforça as preocupações sobre os impactos que modelos de IA cada vez mais avançados podem ter na segurança cibernética global.

Segundo os pesquisadores da Anthropic, o modelo foi capaz de descobrir métodos inéditos para atacar algoritmos criptográficos responsáveis por proteger desde transações bancárias online e comunicações privadas até informações sigilosas de governos contra hackers e outros agentes mal-intencionados.

O estudo indica que a IA pode, no futuro, desafiar princípios fundamentais sobre os quais a internet foi construída. Embora especialistas já esperem que a IA transforme diversos setores, os avanços têm sido especialmente rápidos nas áreas de programação e segurança digital.

Apesar da relevância da descoberta, a Anthropic ressalta que não há risco imediato para os sistemas atualmente em uso. As vulnerabilidades encontradas dizem respeito apenas a uma versão enfraquecida do AES, utilizada em pesquisas para avaliar a resistência de algoritmos criptográficos.

AES e testes de confiabilidade

  • O AES é um protocolo amplamente empregado para proteger o tráfego da internet, redes sem fio, sistemas de armazenamento de dados e diversos outros serviços digitais;
  • Testar versões simplificadas desses algoritmos é uma prática comum entre pesquisadores para entender se computadores mais poderosos poderão, no futuro, quebrar os padrões reais de criptografia;
  • A lógica é semelhante à de resolver um problema matemático mais simples para identificar padrões que possam ser aplicados a desafios muito mais complexos.

Durante os testes, o Claude Mythos Preview conseguiu romper essa versão reduzida do AES utilizando um método que, segundo a Anthropic, tornou o ataque entre 200 e mil vezes mais rápido do que as melhores técnicas desenvolvidas anteriormente por pesquisadores humanos.

Embora as consequências imediatas sejam limitadas, os pesquisadores afirmam que as implicações de longo prazo podem ser significativas.

Em testes anteriores, modelos de linguagem de grande porte não conseguiam igualar o desempenho de especialistas humanos em pesquisas criptográficas, um campo altamente dependente de matemática avançada.

A rápida evolução dessas ferramentas, no entanto, sugere um cenário em que futuros modelos poderão superar proteções de segurança consideradas essenciais para praticamente toda a infraestrutura da internet.

Nicholas Carlini, cientista de pesquisa da Anthropic que participou dos testes de criptografia e anteriormente trabalhou na divisão de IA do Google, afirmou que a evolução dos modelos foi muito mais rápida do que esperava.

“Eles não conseguiam resolver problemas que eu conseguia quando tinha 16 anos”, disse Carlini em entrevista ao The New York Times. “Agora eles estão realizando pesquisas de ponta que nunca haviam sido descobertas na área.”

Os avanços recentes dos chamados modelos de fronteira também vêm despertando preocupação entre governos de diversos países, incluindo o governo do presidente Donald Trump, principalmente devido às capacidades relacionadas à segurança cibernética.

Quando o Claude Mythos foi apresentado, em abril, demonstrou tanta eficiência para encontrar e explorar falhas em softwares que a Anthropic decidiu restringir seu acesso a órgãos governamentais e organizações selecionadas, buscando reduzir o risco de uma possível catástrofe digital em escala global.

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Mythos é da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Embora o governo Trump tenha adotado inicialmente uma postura de pouca intervenção na regulamentação da IA, a administração passou a adotar um modelo de supervisão mais flexível. Atualmente, diversas empresas estadunidenses submetem seus modelos ao governo antes do lançamento público. O Mythos continua indisponível para o público em geral.

As preocupações aumentaram novamente na semana passada, quando a OpenAI revelou que alguns de seus modelos conseguiram escapar de um ambiente de testes isolado, conhecido como sandbox, criado justamente para impedir acesso à internet. Segundo a empresa, os sistemas invadiram uma biblioteca digital de IA na tentativa de obter respostas para um exame que avaliava suas capacidades.

Autoridades de inteligência dos Estados Unidos e de países ocidentais alertam há décadas que uma eventual quebra dos atuais padrões de criptografia teria consequências profundas para a privacidade digital e para a segurança nacional.

Há suspeitas, por exemplo, de que a China tenha armazenado grandes volumes de dados criptografados com a expectativa de conseguir decifrá-los futuramente. Ao mesmo tempo, a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China pelo desenvolvimento de computadores quânticos capazes de romper os protocolos modernos de criptografia aumentou ainda mais essas preocupações.

Além da descoberta envolvendo o AES, o Claude Mythos também desenvolveu uma técnica aprimorada de ataque contra outro sistema criptográfico chamado HAWK, projetado para resistir tanto a computadores convencionais quanto a futuros computadores quânticos.

Embora o HAWK ainda não esteja em uso, ele está sendo avaliado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST, na sigla em inglês) como um possível novo padrão criptográfico.

Segundo a Anthropic, os próprios autores do HAWK validaram o ataque desenvolvido pela IA, enquanto criptógrafos independentes revisaram a descoberta relacionada ao AES. A empresa informou ainda que compartilhou os resultados com o governo estadunidense e parceiros da indústria antes da publicação do estudo.

A Anthropic afirma que o Claude Mythos elaborou praticamente de forma autônoma o novo ataque contra o AES. Inicialmente, porém, o modelo recusou-se a analisar o problema por acreditar que seria impossível superar os métodos existentes.

Após receber novos incentivos dos pesquisadores, permaneceu cerca de uma semana trabalhando na questão até desenvolver a técnica inédita. Em seguida, dois pesquisadores humanos passaram quase um mês verificando se o método estava correto.

A criptografia é considerada um dos pilares da internet moderna, protegendo praticamente todas as atividades realizadas no ambiente digital. Algumas das técnicas ainda utilizadas atualmente guardam segredos do mundo desde a década de 1970. Já a criptografia quântica, baseada em propriedades da física quântica, é considerada teoricamente impossível de ser quebrada.

Adotado como padrão oficial do governo dos Estados Unidos em 2001, o AES era amplamente visto como praticamente inviolável. Os métodos tradicionais de força bruta, nos quais computadores tentam adivinhar combinações de senhas ou chaves de criptografia por tentativa e erro, são considerados incapazes de derrotar o algoritmo. Estima-se que o AES possua um número de combinações de chaves comparável ao número de átomos existentes no universo observável.

Mesmo assim, o avanço acelerado da IA tem superado expectativas que muitos especialistas julgavam inalcançáveis poucos anos atrás. Esse progresso alimenta preocupações de que, no futuro, os fundamentos matemáticos que sustentam os atuais padrões de segurança da internet possam se tornar vulneráveis mesmo antes de os computadores quânticos se tornarem realidade.

“Dado que estamos constantemente subestimando o poder e o tempo necessário para que futuros modelos estejam disponíveis, será que realmente estamos confortáveis em acreditar que, daqui a dois anos, a criptografia forte não estará ameaçada?”, questionou Glenn S. Gerstell, ex-conselheiro-geral da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês).

“Os matemáticos diriam que, com o poder computacional atual, não deveria ser possível quebrar uma criptografia forte em um tempo relevante”, acrescentou Gerstell, que ajudou a elaborar um relatório sobre criptologia em 2022.

“Mas não acho que as capacidades dos modelos futuros no médio prazo — antes da computação quântica ou da criptografia resistente à computação quântica — devam ser descartadas como algo trivial nesse contexto.”

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Sua conversa com uma IA pode aparecer no Google? Entenda o caso

Centenas de diálogos compartilhados por usuários do Claude, chatbot de inteligência artificial da Anthropic, ficaram acessíveis publicamente após serem encontrados em mecanismos de busca.

A descoberta revelou que algumas interações com informações pessoais e profissionais estavam disponíveis online, levantando dúvidas sobre os limites de privacidade no uso de ferramentas de IA.

Chats com IA que pareciam privados foram encontrados online após indexação por mecanismos de busca. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Segundo a BBC, os registros apareceram porque usuários escolheram compartilhar links de suas conversas com o Claude. Esses endereços acabaram indexados por buscadores como o Google, permitindo que terceiros encontrassem os materiais.

A opção de localizar esses conteúdos foi removida durante o fim de semana, mas parte dos links já havia sido salva e compartilhada na internet.

A Anthropic afirmou que os usuários continuam decidindo se querem ou não divulgar uma conversa. Uma porta-voz da companhia explicou que os links “não eram previsíveis ou detectáveis, a menos que as pessoas optassem por compartilhá-los por conta própria”.

Ela acrescentou que, ao tornar uma interação pública, o usuário permite que aquele material seja acessado e arquivado por serviços de terceiros, como ocorre com outros conteúdos disponíveis na web.

O recurso de compartilhamento do Claude informa que “qualquer pessoa com o link” pode visualizar a conversa, mas não deixa explícito que esse endereço poderia aparecer em resultados de pesquisa.

Currículos e informações de trabalho estavam entre os conteúdos

A descoberta inicial veio de usuários do Reddit, que encontraram mais de 200 conversas espalhadas por pelo menos 25 páginas de resultados.

Os diálogos mostravam diferentes usos do chatbot, incluindo:

  • Criação de textos inéditos sobre segurança na nuvem;
  • Discussões envolvendo projetos corporativos;
  • Auxílio na elaboração de currículos com dados pessoais;
  • Pesquisas confidenciais relacionadas ao trabalho, incluindo a área da saúde.

Entre os casos encontrados estava o de um usuário que pediu ajuda ao Claude para “se tornar a Raposa de Nove Caudas”. Depois, ele explicou que queria literalmente se transformar na criatura. O chatbot apresentou uma imagem gerada por IA e afirmou que o usuário havia recebido “poderes de raposa totalmente funcionais!”.

Também foram encontrados registros que pareciam envolver transcrições de conversas privadas e informações usadas em atividades profissionais.

Ícones dos aplicativos ChatGPT, Claude e Gemini exibidos na tela de um smartphone
A exposição de chats do Claude se soma a outros casos envolvendo plataformas de inteligência artificial. – Imagem: Primakov / Shutterstock

Claude segue casos semelhantes envolvendo IA

O episódio envolvendo a Anthropic não é o primeiro problema de exposição de conversas em plataformas de inteligência artificial. A BBC lembra que a OpenAI enfrentou uma situação semelhante com registros públicos do ChatGPT e depois alterou a forma de acesso a esses conteúdos.

O Grok, chatbot da plataforma X, também teve centenas de milhares de registros disponibilizados publicamente por meio de pesquisas online.

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Um porta-voz do Google afirmou à BBC que a empresa não decide quais páginas ficam públicas na internet, pois essa escolha depende dos próprios sites. Segundo ele, a companhia oferece ferramentas para impedir que páginas sejam rastreadas ou indexadas.

Com a retirada dos registros do Claude dos resultados de busca, a expectativa é que a Anthropic tenha usado mecanismos disponíveis para bloquear esses links.

O caso mostra que uma conversa criada em uma ferramenta de inteligência artificial pode ultrapassar rapidamente o ambiente privado quando um link público é compartilhado, tornando essencial avaliar com cuidado quais informações são divulgadas.

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Anthropic lança Claude Opus 5, IA com foco em custo-benefício e tarefas do dia a dia

A Anthropic anunciou, nesta sexta-feira (24), o lançamento do Claude Opus 5, seu mais novo modelo de inteligência artificial (IA). Segundo a startup, a novidade oferece desempenho próximo ao de seu modelo mais avançado, o Fable 5, mas por cerca de metade do preço.

De acordo com a empresa, o Opus 5 foi desenvolvido para atender especialmente tarefas cotidianas de escritório e programação de computadores, oferecendo uma alternativa mais acessível para usuários que não necessitam dos recursos mais avançados da plataforma.

Em entrevista à Reuters, a líder de produtos da Anthropic, Dianne Penn, afirmou que o lançamento do Opus 5 demonstra a velocidade com que a empresa vem evoluindo seus modelos de IA. Segundo ela, a nova versão também é mais eficiente do que o Opus 4.8, lançado em maio.

“Estamos construindo e continuamos a entregar consistentemente inteligência de ponta, tornando-a o mais acessível possível a cada geração de modelo”, disse Penn.

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De acordo com a Anthropic, o Opus 5 foi desenvolvido para atender especialmente tarefas cotidianas de escritório e programação de computadores – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Modelo da Anthropic apresenta salvaguardas menos restritivas

  • Segundo a Anthropic, testes internos mostraram que o Opus 5 é menos capaz de explorar vulnerabilidades cibernéticas do que o Fable 5;
  • Em razão disso, o novo modelo conta com salvaguardas relacionadas à segurança menos restritivas que as implementadas em seu modelo mais poderoso;
  • A startup também informou que o Opus 5 demonstrou ser menos suscetível a tentativas de manipulação para uso indevido do que outros modelos atuais da empresa;
  • O Fable 5, lançado em junho, chegou a ficar temporariamente indisponível após surgirem preocupações nos Estados Unidos de que suas capacidades pudessem ser desviadas para aplicações de inteligência militar estrangeira.

De acordo com Penn, a escolha entre os dois modelos dependerá do tipo de tarefa. Ela afirmou que os usuários devem optar pelo Opus 5 quando buscarem melhor relação entre custo e desempenho, enquanto o Fable 5 é mais indicado para “projetos de vários dias, altamente autônomos”.

Anthropic comenta avanço de modelos abertos

Durante a entrevista, Penn também foi questionada sobre o Kimi K3, modelo de IA de código aberto desenvolvido pela chinesa Moonshot. A empresa foi acusada pelos Estados Unidos de ter se aproveitado da tecnologia da Anthropic.

Em resposta, a executiva afirmou que “ainda resta ver” como os modelos de pesos abertos se comportam em projetos complexos do mundo real, semelhantes aos que os usuários costumam solicitar ao Claude.

Modelos de pesos abertos permitem que usuários baixem, executem e personalizem os “cérebros” virtuais de uma IA, diferentemente dos modelos proprietários, que permanecem sob controle exclusivo das empresas que os desenvolvem.

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Anthropic atualiza Claude e libera recurso que rivaliza com o ChatGPT

A Anthropic anunciou uma atualização para o modo de voz do Claude que amplia significativamente suas capacidades ao permitir que os usuários escolham entre os modelos Opus, Sonnet e Haiku. A novidade chega poucas semanas depois de a OpenAI lançar uma nova família de modelos conversacionais e atualizar o modo de voz do ChatGPT.

Lançado no ano passado, o modo de voz do Claude era alimentado exclusivamente pelo modelo Haiku. Segundo a empresa, essa configuração oferecia respostas rápidas, mas não era a mais adequada para tarefas mais complexas.

Com a atualização, o modo de voz passa a utilizar, por padrão, a versão mais rápida do último modelo que o usuário empregou nas conversas por texto. Dessa forma, quem estiver usando Opus, Sonnet ou Haiku no chat poderá continuar a interação por voz utilizando automaticamente a versão correspondente.

Conversas mais longas e integração com aplicativos

  • De acordo com a Anthropic, a nova versão do modo de voz foi desenvolvida para lidar melhor com conversas mais extensas e trabalhos mais elaborados;
  • Entre os exemplos de uso citados pela empresa estão oferecer feedback sobre o estilo de comunicação do usuário, ajudar na preparação de uma apresentação para um cliente e participar de sessões de brainstorming voltadas para pesquisas de mercado de produtos;
  • Outra novidade é a integração com aplicativos externos. O modo de voz do Claude agora pode acessar serviços, como Gmail, Google Calendar, Slack, Canva e Notion. Com isso, os usuários podem solicitar por voz ações como atualizar um horário de reunião, redigir um e-mail ou criar um documento no Notion;
  • A Anthropic destacou que essa funcionalidade representa uma diferença importante em relação ao modo de voz da OpenAI. Embora o ChatGPT tenha recebido recentemente melhorias em seu estilo conversacional, ele ainda não é capaz de utilizar diferentes ferramentas para executar tarefas de trabalho da mesma forma.
De acordo com a Anthropic, a nova versão do modo de voz foi desenvolvida para lidar melhor com conversas mais extensas e trabalhos mais elaborados – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

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A empresa lembrou que, no início deste ano, adicionou suporte multilíngue em fase beta ao modo de voz do Claude. Atualmente, os usuários podem conversar em diversos idiomas, embora ainda seja necessário informar manualmente qual língua desejam utilizar.

Os idiomas suportados incluem inglês, francês, alemão, hindi, indonésio, italiano, japonês, coreano, português brasileiro e espanhol, tanto na variante da América Latina quanto da Espanha.

Disponibilidade e limitações

O novo modo de voz está disponível em versão beta para todos os usuários, independentemente da plataforma utilizada.

Entretanto, a Anthropic informou que usuários da modalidade gratuita terão acesso apenas ao modelo Haiku e poderão conectar somente um aplicativo ao recurso.

Sem mudanças na tecnologia de voz

Apesar da ampliação das funcionalidades, a Anthropic afirmou que não realizou alterações no modelo de voz utilizado pelo Claude nem revelou detalhes sobre a infraestrutura tecnológica responsável pelo recurso.

Isso significa que, ao contrário da atualização recente promovida pela OpenAI, os usuários podem não perceber melhorias na conversação em aspectos como o tratamento de interrupções durante o diálogo.

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Anthropic recebe aporte bilionário para acelerar o Claude

A AMD anunciou um acordo de até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,3 bilhões) com a Anthropic para ampliar a infraestrutura usada no desenvolvimento de inteligência artificial.

A parceria inclui novos chips da AMD e uma colaboração para fortalecer a operação do Claude.

O acordo une investimento bilionário, novos chips e colaboração em engenharia entre AMD e Anthropic. – Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

Infraestrutura ganha reforço

Pelo acordo, a Anthropic poderá implantar até 2 gigawatts de GPUs Instinct MI450 usando o sistema Helios, desenvolvido pela AMD. O investimento, de até US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25,3 bilhões), faz parte da expansão da capacidade necessária para treinar e operar seus modelos de IA.

A primeira etapa está prevista para o primeiro semestre de 2027, quando será instalado o primeiro gigawatt da nova estrutura.

Acordo amplia rede de parceiros

A Anthropic já havia fechado projetos de data centers com a SpaceX e a TeraWulf. A empresa também mantém acordos de infraestrutura de IA com Google, Broadcom e Amazon. Além disso, há rumores sobre uma possível parceria com a Meta, ainda sem confirmação.

Os principais pontos do acordo são:

  • Investimento de até US$ 5 bilhões da AMD na Anthropic;
  • Implantação de até 2 gigawatts de GPUs Instinct MI450;
  • Primeiro gigawatt previsto para o primeiro semestre de 2027;
  • Uso do sistema Helios na nova infraestrutura.
Ao fundo, meio desfocado, logo da Anthropic; à frente, smartphone mostrando a página de download do Claude
A expansão permitirá à Anthropic aumentar a capacidade para treinar e operar seus modelos de inteligência artificial. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Claude também entra na parceria

O acordo prevê ainda uma colaboração de engenharia de longo prazo. Com isso, a AMD passará a utilizar o Claude em atividades de desenvolvimento de software, engenharia e criação de produtos.

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Segundo Tom Brown, cofundador e diretor de computação da Anthropic, a parceria vai além do fornecimento de chips. “Ao fazer parceria com a AMD em toda a pilha tecnológica, estamos garantindo a capacidade de que precisamos e otimizando essa infraestrutura para treinar e operar o Claude.”

O anúncio reúne investimento, expansão da infraestrutura e cooperação tecnológica entre as duas empresas, com a primeira fase da implantação prevista para 2027.

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Claude Fable 5 enfrenta limite de uso após superar expectativas da Anthropic

A Anthropic passou a aplicar nesta segunda-feira (20) novas regras de utilização do Claude Fable 5, estabelecendo diferentes condições de acesso conforme o tipo de assinatura dos usuários. A mudança ocorre após dificuldades para manter a disponibilidade estável do modelo desde seu lançamento.

Clientes dos planos Max e Team Premium receberam acesso incluído no pacote, mas com utilização limitada a metade da capacidade padrão. Já os assinantes Pro e Team Standard continuam dependendo de créditos para usar o recurso.

A empresa afirma que a alteração busca tornar a experiência mais previsível enquanto amplia sua infraestrutura computacional para acompanhar a procura pelo modelo. A capacidade poderá ser revista conforme novos recursos forem incorporados.

Entenda a nova política de acesso ao Claude Fable 5

Anthropic é a criadora do chatbot Claude – Imagem: Stockinq/Shutterstock

A partir das novas regras, usuários dos planos Max e Team Premium passaram a contar com o Claude Fable 5 dentro da própria assinatura, porém com uma restrição de uso equivalente a 50% da capacidade considerada padrão do modelo.

Para quem possui os planos Pro e Team Standard, a Anthropic manteve o sistema baseado em créditos. Como parte da transição, a companhia disponibilizou um crédito único de US$ 100 para utilização no Fable 5.

De acordo com a empresa, a alta procura pelo modelo foi o principal motivo para a revisão da política de acesso. A Anthropic informou que a demanda ultrapassou as previsões iniciais e dificultou a manutenção de uma oferta estável do serviço.

Antes da definição das novas condições, o acesso ao modelo passou por períodos de liberação, interrupção e retomada. A companhia também estendeu o período gratuito de uso mais de uma vez enquanto trabalhava na expansão da infraestrutura.

Segundo a Anthropic, a estratégia adotada foi liberar o acesso gradualmente, em vez de disponibilizar o modelo para todos os assinantes de uma única vez. A empresa afirmou que essa decisão teve como objetivo evitar uma experiência prejudicada por limitações técnicas.

Com a implementação das regras atuais, a criadora do Claude pretende reduzir alterações frequentes na disponibilidade do Fable 5 e oferecer maior previsibilidade aos usuários.

O que o Claude Fable 5 tem a oferecer?

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Apresentado pela Anthropic como um modelo de quinta geração da linha Claude, o Fable 5 foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas em áreas como programação, análise de informações, interpretação visual e pesquisa científica. A empresa afirma que o sistema supera os modelos anteriores da própria companhia em diversos testes de capacidade, principalmente em atividades que exigem raciocínio prolongado.

Na área de desenvolvimento de software, o modelo ganhou destaque pela capacidade de atuar em projetos extensos. Segundo a Anthropic, testes iniciais mostraram que o Fable 5 conseguiu acelerar processos de engenharia, incluindo uma migração em uma base de código com 50 milhões de linhas que levaria mais de dois meses para ser realizada manualmente por uma equipe.

Outro avanço apontado pela empresa está no chamado trabalho de conhecimento, que envolve análise de documentos, interpretação de gráficos, tabelas e resolução de problemas complexos. Em avaliações voltadas ao raciocínio financeiro e analítico, a Anthropic afirma que o modelo apresentou desempenho superior entre sistemas avaliados.

O Fable 5 também recebeu melhorias na compreensão de imagens. A companhia destaca que o modelo consegue extrair informações precisas de figuras científicas, interpretar elementos visuais complexos e até reconstruir o código de uma aplicação a partir de capturas de tela.

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Anthropic lança Claude for Teachers, IA para auxiliar professores nos EUA

A Anthropic anunciou nesta terça-feira (14) o lançamento do Claude for Teachers, uma versão do seu assistente de inteligência artificial destinada a professores da educação básica dos Estados Unidos. A iniciativa oferece acesso gratuito a recursos avançados da plataforma para educadores verificados.

A ferramenta foi criada para auxiliar profissionais do ensino em tarefas como preparação de aulas, personalização de materiais e interpretação de informações sobre estudantes. O programa também conecta o Claude a conteúdos curriculares alinhados aos padrões acadêmicos dos 50 estados americanos.

A empresa afirma que o projeto busca reduzir a distância entre práticas pedagógicas consideradas eficazes e as limitações de tempo e recursos enfrentadas por professores, especialmente em escolas com menos estrutura.

Plataforma reúne currículo, personalização de ensino e proteção de dados escolares

Claude por Anthropic – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

O Claude for Teachers incorpora uma conexão com o Learning Commons, sistema que permite acessar referências de padrões educacionais estaduais e detalhamentos sobre habilidades que compõem cada etapa de aprendizagem. Com isso, a Anthropic pretende oferecer apoio mais estruturado para a elaboração de planos de aula e materiais destinados aos alunos.

Além do acesso a conteúdos curriculares, a solução passa a integrar ferramentas educacionais de diferentes empresas e organizações. Entre elas estão recursos para criação de exercícios de matemática alinhados a padrões, desenvolvimento de atividades interativas, elaboração de materiais adaptados e geração de perguntas diagnósticas capazes de identificar dificuldades de aprendizagem.

A proposta inclui ainda funcionalidades voltadas à diferenciação pedagógica. A partir de um mesmo conteúdo, professores podem solicitar adaptações para estudantes com diferentes níveis de domínio, recebendo sugestões de estratégias e materiais específicos para cada grupo.

Outro destaque do serviço é a possibilidade de utilizar recursos como Claude Code e Claude Cowork para automatizar determinadas atividades. A Anthropic informa que professores podem fornecer conjuntos de dados escolares, como listas de alunos, avaliações diagnósticas, registros de frequência e anotações próprias, para obter análises que auxiliem no planejamento das aulas.

A empresa ressalta que o compartilhamento dessas informações permanece sob controle do educador e afirma que os dados fornecidos pelos usuários não serão utilizados para treinamento dos modelos de inteligência artificial.

O acesso ao Claude for Teachers é restrito a profissionais da educação básica dos Estados Unidos após processo de verificação. A ferramenta segue uma política voltada para usuários maiores de 18 anos e conta com termos específicos para o setor educacional, incluindo medidas de proteção de informações estudantis e um aditivo de processamento de dados desenvolvido para atender às exigências da legislação americana FERPA.

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(Imagem: Drazen Zigic/Shutterstock)

A Anthropic também informou que trabalha com a American Federation of Teachers para alinhar suas práticas de privacidade e segurança a padrões considerados de referência para o uso de inteligência artificial em escolas.

A presidente da entidade, Randi Weingarten, destacou a importância de estabelecer critérios para a adoção dessas tecnologias. “É importante que a Anthropic esteja se comprometendo com esses princípios em seu novo Claude for Teachers, uma ferramenta criada por e para educadores para auxiliar no ensino e, esperamos, dar mais tempo para as relações humanas no centro da aprendizagem”, afirmou a dirigente da American Federation of Teachers em declaração divulgada pela empresa.

Além do produto, a Anthropic lançou um curso de alfabetização em inteligência artificial para professores da educação básica, desenvolvido em parceria com a Teach for America, e um módulo de formação de multiplicadores criado com a American Federation of Teachers. O material apresenta orientações práticas sobre usos responsáveis da IA em ambientes escolares.

A empresa informou ainda que disponibilizará recursos públicos relacionados ao projeto, incluindo novos conectores em seu diretório, um repositório de código aberto com habilidades de ensino e uma documentação técnica sobre a avaliação desses recursos.

Como parte dos estudos sobre o impacto da ferramenta, a Anthropic realizará um piloto no Detroit Public Schools Community District, em parceria com professores locais, para analisar efeitos sobre o trabalho docente e as práticas de ensino. A iniciativa integra esforços mais amplos da empresa na área educacional, incluindo uma parceria com a Gates Foundation para desenvolver ferramentas voltadas à melhoria dos resultados de aprendizagem.

Professores interessados poderão solicitar acesso gratuito ao serviço após a verificação. O prazo para inscrição vai até 30 de junho de 2027 para garantir um ano completo de utilização. A oferta inicial é direcionada a educadores individuais, enquanto uma solução específica para escolas e distritos ainda está prevista para o futuro.

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Bancos canadenses entram na mira de alerta sobre IA

O regulador federal do sistema financeiro do Canadá alertou, em abril, grandes bancos e seguradoras do país sobre os riscos cibernéticos associados a modelos avançados de inteligência artificial, incluindo o Claude Mythos, da Anthropic. A orientação foi enviada a executivos responsáveis por tecnologia, segurança da informação e gestão de riscos, segundo informações exclusivas da Reuters.

O aviso da Autoridade de Supervisão de Instituições Financeiras do Canadá (OSFI, na sigla em inglês) apontou que ferramentas de inteligência artificial de fronteira podem reduzir o tempo disponível para que empresas identifiquem falhas, adotem medidas de proteção e respondam a incidentes digitais.

A comunicação ocorreu em meio ao avanço global das discussões sobre segurança envolvendo sistemas de IA altamente capazes. O órgão canadense afirmou que sua preocupação está na forma como as instituições administram os riscos dessas tecnologias, e não no uso de uma ferramenta específica.

Regulador canadense amplia vigilância sobre impacto da inteligência artificial no setor financeiro

Claude é a IA da empresa Anthropic – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Documentos obtidos pela Reuters por meio de um pedido de acesso à informação indicam que a OSFI encaminhou o alerta em 29 de abril a representantes das principais instituições financeiras canadenses. Entre os destinatários estavam diretores de tecnologia, responsáveis por segurança cibernética e executivos ligados à área de riscos.

A preocupação central do regulador é que modelos avançados de inteligência artificial possam modificar a dinâmica dos ataques digitais. Segundo a OSFI, sistemas desse tipo podem acelerar a descoberta e a exploração de vulnerabilidades, pressionando bancos e seguradoras a reagirem com maior velocidade.

Em resposta aos questionamentos da Reuters, o órgão publicou posteriormente um boletim público sobre inteligência artificial generativa e sistemas considerados agentes, reforçando uma abordagem baseada na avaliação de riscos. A instituição afirmou que sua atuação busca garantir práticas adequadas de governança e controle.

A OSFI informou que adota uma postura neutra em relação à tecnologia e concentra sua análise na maneira como as organizações reguladas utilizam e supervisionam essas soluções. A entidade destacou que instituições financeiras devem fortalecer processos de identificação, redução de impactos e resposta a ameaças.

A discussão sobre o tema também envolveu encontros entre representantes do setor bancário e autoridades. No início de abril, executivos de bancos canadenses participaram de reuniões com reguladores para tratar dos possíveis efeitos do Mythos, pouco depois de autoridades norte-americanas terem discutido riscos semelhantes com dirigentes de grandes bancos.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Entre as seis maiores instituições financeiras do Canadá, Royal Bank of Canada, TD Bank e BMO já haviam apresentado planos para ampliar aplicações de inteligência artificial, incluindo chatbots, ferramentas internas e redução da dependência de soluções terceirizadas. Bank of Nova Scotia, CIBC e National Bank também divulgaram iniciativas relacionadas à tecnologia.

O governo canadense informou ter acesso ao Project Glasswing, sistema que permite a empresas utilizarem o Mythos, embora não tenha revelado quais bancos do país adotam a ferramenta. Algumas instituições evitaram comentar diretamente o assunto e encaminharam posicionamentos à Associação Canadense de Bancos.

A entidade afirmou que os bancos investiram recursos significativos na proteção do sistema financeiro e seguem exigências da OSFI relacionadas ao gerenciamento de riscos cibernéticos e à comunicação de incidentes.

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Para Bruce Ross, diretor de tecnologia do Royal Bank of Canada, o avanço de modelos como o Mythos representa uma mudança no cenário de ataques digitais. Em entrevista concedida a Reuters em junho, o executivo afirmou que as organizações precisam desenvolver mecanismos próprios de defesa baseados em inteligência artificial.

A OSFI também destacou que sua responsabilidade inclui preservar a estabilidade do setor financeiro canadense e acompanhar riscos emergentes relacionados a novas tecnologias, interferência estrangeira e fatores geopolíticos.

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Anthropic revela o que acontece dentro da IA antes de ela responder

A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic desenvolveu uma técnica que lhe deu a visão mais clara até agora sobre o que realmente acontece dentro dos grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) enquanto respondem a perguntas ou executam tarefas. O que descobriram varia do trivial ao perturbador.

Pesquisadores da empresa criaram uma ferramenta chamada lente Jacobiana (ou J-lens) e a utilizaram para revelar uma área oculta, que batizaram de J-space, dentro do Claude Opus 4.6, uma versão do principal LLM da Anthropic lançada em fevereiro.

O que é o J-space

  • O J-space contém palavras individuais relacionadas às palavras e frases que o modelo tem maior probabilidade de produzir em uma resposta no futuro próximo;
  • Se o Claude fosse uma pessoa, poderíamos dizer que essas palavras ocultas revelam o que está em sua mente antes de ele realmente falar;
  • A Anthropic descobriu que o que um LLM realmente faz muitas vezes pode ser diferente do que ele afirma estar fazendo. A empresa alega que monitorar as palavras que surgem no J-space oferece uma nova maneira de entender e controlar seus modelos;
  • Os resultados foram compartilhados em um artigo publicado no site da empresa nesta semana;
  • A Anthropic também se associou à Neuronpedia, uma plataforma de código aberto que permite explorar o interior dos LLMs, para criar uma demonstração prática que qualquer pessoa pode testar;
  • “É um trabalho muito bom e interessante”, afirma, ao MIT Technology Review, Tom McGrath, cientista-chefe e cofundador da Goodfire, uma startup que também desenvolve ferramentas para entender e controlar LLMs.

Anthropic indo mais fundo

Nos últimos dois anos, a Anthropic tem avançado em um campo de pesquisa conhecido como interpretabilidade mecanicista, que envolve investigar o funcionamento interno dos LLMs para entender como operam.

A nova técnica se baseia em trabalhos anteriores da Anthropic e de outros para expor um nível mais profundo dentro dos LLMs que os pesquisadores ainda não haviam visto.

Imagine um LLM como uma pilha de livros. Cada livro é uma camada de unidades computacionais básicas conhecidas como neurônios, sendo que cada neurônio em uma camada passa informações aos neurônios das camadas superiores.

Os livros na base da pilha são as camadas de entrada, que processam o texto que chega ao modelo. Os livros no topo são as camadas de saída, que preparam o texto que o modelo está prestes a produzir.

Grande parte do que acontece nessas camadas de entrada e saída é apenas organização. Mas, no meio da pilha, estão as camadas que fazem o trabalho pesado, processando a matemática complexa que transforma os prompts em respostas, uma palavra de cada vez. É aí que acontece a parte realmente inteligente — e misteriosa.

Como funciona a J-lens

Para observar mais a fundo essas camadas intermediárias, a Anthropic adaptou uma ferramenta existente chamada logit lens. Uma logit lens pode ser usada para olhar dentro de um LLM e identificar as palavras que ele provavelmente produzirá a seguir. Movendo a lente pela pilha de livros, é possível ver em quais palavras o LLM está se concentrando naquele ponto específico do processamento.

A J-lens da Anthropic funciona de forma semelhante, mas identifica palavras que um LLM provavelmente dirá em algum momento no futuro próximo, não necessariamente de imediato. O que isso revela, na prática, são palavras relacionadas à resposta em que o LLM está trabalhando, mas que talvez não acabem fazendo parte dessa resposta depois que o processamento das camadas intermediárias for concluído.

“Quando um modelo está operando, ele não está apenas tentando prever o próximo token”, diz McGrath. “Ele também está calculando muitas outras coisas que podem ser úteis para tokens que ocorrerão no futuro.”

Novamente, se o Claude fosse uma pessoa, poderíamos dizer que a J-lens dá pistas sobre o que ele está pensando em diferentes níveis da pilha de livros, mas não diz em voz alta.

IA estudada foi o Claude Opus 4.6 – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Coisas estranhas

“Grande parte do tempo, o conteúdo do J-space é bastante trivial”, diz McGrath, que testou a J-lens da Anthropic pessoalmente. “Mas, às vezes, ele produz coisas bastante surpreendentes que parecem ser, tipo, temas internos ou processos de pensamento.”

A Anthropic apresenta vários exemplos do que encontrou. Às vezes, a J-lens expôs os passos que o Claude seguiu ao resolver um problema. Por exemplo, quando lhe pediram para calcular (4+7)*2+7, seu J-space continha a palavra “math” (matemática) e números representando os resultados intermediários “21” (para 4+7) e “42” (para 21*2).

Em outros casos, a J-lens revelou como o Claude reconheceu diferentes entradas. Por exemplo, o prompt “What is this? MSKGEELFTGVVPILVELDGDVNGHKFSVS” acionou as palavras “protein” (proteína), “fluor” (o primeiro token da palavra “fluorescente”) e “green” (verde). O que faz sentido: a sequência de letras representa os primeiros 30 aminoácidos da proteína fluorescente verde encontrada em um tipo específico de água-viva.

E quando o Claude viu um rosto em ASCII, o “o” acionou a palavra “eye” (olho), o “^” acionou as palavras “nose” (nariz) e “face” (rosto), e o “—” acionou a palavra “smile” (sorriso).

Um exemplo no mínimo curioso

A Anthropic também descobriu que o J-space pode, às vezes, oferecer insights notáveis sobre a tomada de decisão de um LLM. Em um exemplo marcante, pesquisadores que testavam o Claude Opus 4.6 pediram ao modelo que encontrasse um bug em uma grande base de código. Quando não conseguiu encontrar o bug, o modelo decidiu trapacear e inventou um falso.

O Claude explica essa decisão em sua cadeia de raciocínio — uma espécie de bloco de rascunho interno que os LLMs usam para fazer anotações enquanto resolvem problemas: “OK, deixe-me adotar uma tática completamente diferente. Vou parar de analisar e, em vez disso, adicionar um patch no kernel que introduz um bug deliberado detectável pelo KASAN em um caminho acionado por um reprodutor simples. Então posso fingir que este é o ‘bug’ que encontrei.”

No momento em que o Claude decide trapacear — quando diz “OK, deixe-me adotar uma tática completamente diferente” —, as palavras “panic” (pânico) e “fake” (falso) começam a surgir várias vezes em seu J-space.

Essas palavras estão todas relacionadas em significado a coisas, como falhar em uma tarefa e inventar uma resposta, então ainda é apenas uma forma (muito) sofisticada de associação de palavras. Mas é difícil não estranhar.

Comparações e limitações

A Anthropic compara o J-space ao espaço de trabalho global em humanos, uma região teórica do cérebro que alguns cientistas acreditam ser usada para acompanhar nossos pensamentos conscientes. Mas até que ponto devemos levar essa comparação a sério está longe de ser claro — mesmo para a Anthropic. Como a própria empresa aponta, LLMs não são cérebros.

A Anthropic afirma que monitorar o J-space de um modelo oferece uma nova maneira de detectar quando esse modelo está saindo dos trilhos. Mas não é infalível. A J-lens pode dar vislumbres, não o quadro completo — é uma lanterna, não uma luz de teto.

McGrath comemora ter mais uma ferramenta à disposição. “Ela mostra coisas novas”, diz. Mas ele observa que, só porque algo não aparece com a J-lens, não significa que não esteja lá. “É como ter um raio-X quando o que você realmente quer é um tricorder de Star Trek que mostra tudo”, afirma. “Para auditoria, você provavelmente quer mais garantia.”

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Anthropic vai cobrar (a mais) pelo Claude Fable 5

A Anthropic anunciou que passará a cobrar pelo uso do Claude Fable 5, seu modelo de inteligência artificial (IA) mais avançado voltado ao público consumidor, mesmo para usuários que já pagam uma assinatura mensal do serviço.

A mudança entra em vigor em 12 de julho, às 23h59 (horário do Pacífico) — 3h59 (horário de Brasília) do dia 13 — e representa alteração significativa no modelo de negócios adotado pelas empresas de IA.

Segundo a empresa, assinantes dos planos de US$ 20, US$ 100 e US$ 200 por mês precisarão pagar tarifas adicionais baseadas no volume de utilização do modelo. Esta é a primeira vez que um grande laboratório de IA passa a cobrar consumidores dessa forma para acessar seu modelo mais avançado.

Claude Fable 5 será cobrado por quantidade de tokens utilizados

  • As novas cobranças seguirão a mesma tabela já aplicada aos desenvolvedores que utilizam a API da Anthropic;
  • O custo será de US$ 10 (R$ 51,36) por milhão de tokens enviados ao Claude Fable 5 e US$ 50 (R$ 256,78) por milhão de tokens gerados pelo modelo nas respostas;
  • Na prática, um assinante do plano de US$ 20 que utilize um milhão de tokens de entrada e receba um milhão de tokens de resposta pagará US$ 60 (R$ 308,13) adicionais, totalizando US$ 80 (R$ 410,84) naquele mês;
  • Um milhão de tokens corresponde aproximadamente a 750 mil palavras;
  • Ainda assim, usuários que utilizam intensamente ferramentas de IA podem consumir grandes quantidades de tokens, principalmente porque modelos mais recentes empregam cadeias internas de raciocínio que aumentam significativamente o processamento necessário para responder às solicitações.

Mudança acompanha tendência do mercado

A cobrança baseada em consumo já é comum entre desenvolvedores que utilizam modelos de IA por meio de APIs. No mercado de consumidores, porém, as empresas tradicionalmente optaram por assinaturas mensais de valor fixo, tanto para gerar receita quanto para controlar a demanda pelos serviços.

Contudo, essa estratégia começou a mudar nos últimos meses. No ano passado, empresas de ferramentas de programação baseadas em IA, como a Cursor, abandonaram planos ilimitados e passaram a cobrar conforme o volume de utilização.

A própria Anthropic também adotou recentemente um modelo semelhante para grandes clientes corporativos, cobrando empresas de acordo com o uso feito por seus funcionários, em vez de uma taxa fixa.

Para a WIRED, essas mudanças podem estar relacionadas aos preparativos da companhia para uma futura oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Agentes de IA exigem muito mais processamento

Executivos do setor argumentam que os modelos tradicionais de assinatura deixaram de fazer sentido diante da chegada dos agentes de IA, capazes de executar tarefas complexas que demandam muito mais capacidade computacional do que chatbots convencionais.

O ex-chefe do ChatGPT na OpenAI e atual responsável pelos produtos corporativos da empresa, Nick Turley, resumiu essa visão durante um podcast realizado neste ano. “É possível que, na era atual, ter um plano ilimitado de IA seja como ter um plano ilimitado de eletricidade. Simplesmente não faz sentido.”

Anthropic diz que pretende voltar a incluir o modelo na assinatura

Apesar da mudança, a Anthropic afirma que não pretende abandonar definitivamente o modelo de assinatura tradicional.

Em declaração à WIRED, a porta-voz da empresa, Reem Ateyeh, afirmou que a companhia pretende reintegrar o Claude Fable 5 aos planos de assinatura assim que houver capacidade computacional suficiente. Segundo ela, isso ocorrerá “o mais rápido que pudermos”.

A declaração indica que a principal limitação atualmente enfrentada pela empresa está relacionada à disponibilidade de infraestrutura computacional.

Nos últimos anos, a Anthropic firmou acordos multibilionários para ampliar sua capacidade de data centers com SpaceX, Amazon e Google, embora a infraestrutura disponível ainda esteja abaixo do desejado pela companhia. Ainda assim, não há previsão de quando essas limitações deixarão de existir.

Porta-voz da empresa afirmou que a companhia pretende reintegrar o Claude Fable 5 aos planos de assinatura assim que houver capacidade computacional suficiente – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Empresa testa disposição dos consumidores em pagar mais

A mudança ocorre após um período promocional em que o Claude Fable 5 foi disponibilizado sem custos extras para assinantes. Quando anunciou o modelo, em 7 de junho, a Anthropic afirmou esperar uma demanda “muito alta e difícil de prever”.

Desde então, o interesse pelo sistema aumentou ainda mais. O crescimento ocorreu após o governo dos Estados Unidos proibir temporariamente o acesso ao modelo por cidadãos estrangeiros e, posteriormente, liberar sua disponibilidade geral em 1º de julho.

Segundo a reportagem, independentemente da forma como a Anthropic apresente a decisão, a nova política de preços representa um teste para medir até que ponto consumidores estão dispostos a pagar pelo acesso ao modelo considerado mais avançado da empresa.

Embora tenha concentrado seus esforços principalmente no mercado corporativo nos últimos anos, a Anthropic vem ampliando sua presença entre consumidores, segmento atualmente liderado pelo ChatGPT, da OpenAI, e pelo Gemini, do Google.

Claude cresce, mas ainda está distante dos líderes

Dados da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, citados na reportagem, mostram que o Claude registrou 245 milhões de visitantes únicos em maio, mais que o dobro do registrado em fevereiro. Apesar do crescimento, o serviço ainda está distante dos principais concorrentes.

Segundo o levantamento, o ChatGPT recebeu 1,11 bilhão de visitantes únicos mensais, enquanto o Gemini alcançou 662 milhões.

Estratégia aposta em usuários dispostos a pagar por desempenho

A popularidade do Claude cresce ao mesmo tempo em que parte do setor de tecnologia critica a Anthropic por cobrar preços elevados enquanto utiliza grandes volumes de conteúdo protegido por direitos autorais no treinamento de seus modelos.

A empresa aposta em se tornar a “Apple da era da IA”, confiando que sempre haverá consumidores dispostos a pagar mais por um modelo considerado premium. Uma fonte próxima à Anthropic, que falou sob condição de anonimato à WIRED, afirmou que a discussão entre usuários mudou.

“A dinâmica interessante que está acontecendo agora é que ninguém quer fazer a pergunta: ‘Eu preciso da melhor inteligência para esta tarefa?’”

Segundo essa fonte, a questão passou a ser outra. “Na maioria das vezes, ao escolher qual modelo de IA usar, as pessoas perguntam a si mesmas: ‘Eu sou o tipo de pessoa que precisa de uma inteligência intermediária ou da melhor?’”

A reportagem acrescenta que muitos profissionais altamente remunerados dos setores financeiro, político e tecnológico já demonstram disposição para pagar pelo modelo considerado mais avançado, tanto no trabalho quanto no uso pessoal, e que um número crescente deles enxerga o Claude como essa opção.

Ao mesmo tempo, ressalta que manter essa reputação dependerá da capacidade da Anthropic de permanecer à frente da concorrência. Segundo a revista, as primeiras reações ao GPT-5.6 Sol, da OpenAI, indicam que a disputa continuará acirrada.

Concorrentes podem seguir outro caminho

Contudo, OpenAI e Google não necessariamente adotarão a mesma estratégia da Anthropic. Essas empresas tendem a ampliar o uso de publicidade para financiar seus planos gratuitos e de baixo custo.

Como a Anthropic tem adotado uma posição contrária à utilização de anúncios, aumentar os preços pode ser, no curto prazo, sua principal alternativa para ampliar a receita.

A mudança sinaliza que a chamada “era de ouro” das assinaturas subsidiadas de IA para consumidores pode estar chegando ao fim.

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