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Anthropic: Mythos encontra vulnerabilidades em algoritmos de criptografia

O Claude Mythos Preview, modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela Anthropic, conseguiu identificar novas formas de explorar vulnerabilidades em uma versão simplificada de um dos algoritmos de criptografia mais utilizados no mundo, o Advanced Encryption Standard (AES).

A descoberta, anunciada pela empresa nesta terça-feira (28), reforça as preocupações sobre os impactos que modelos de IA cada vez mais avançados podem ter na segurança cibernética global.

Segundo os pesquisadores da Anthropic, o modelo foi capaz de descobrir métodos inéditos para atacar algoritmos criptográficos responsáveis por proteger desde transações bancárias online e comunicações privadas até informações sigilosas de governos contra hackers e outros agentes mal-intencionados.

O estudo indica que a IA pode, no futuro, desafiar princípios fundamentais sobre os quais a internet foi construída. Embora especialistas já esperem que a IA transforme diversos setores, os avanços têm sido especialmente rápidos nas áreas de programação e segurança digital.

Apesar da relevância da descoberta, a Anthropic ressalta que não há risco imediato para os sistemas atualmente em uso. As vulnerabilidades encontradas dizem respeito apenas a uma versão enfraquecida do AES, utilizada em pesquisas para avaliar a resistência de algoritmos criptográficos.

AES e testes de confiabilidade

  • O AES é um protocolo amplamente empregado para proteger o tráfego da internet, redes sem fio, sistemas de armazenamento de dados e diversos outros serviços digitais;
  • Testar versões simplificadas desses algoritmos é uma prática comum entre pesquisadores para entender se computadores mais poderosos poderão, no futuro, quebrar os padrões reais de criptografia;
  • A lógica é semelhante à de resolver um problema matemático mais simples para identificar padrões que possam ser aplicados a desafios muito mais complexos.

Durante os testes, o Claude Mythos Preview conseguiu romper essa versão reduzida do AES utilizando um método que, segundo a Anthropic, tornou o ataque entre 200 e mil vezes mais rápido do que as melhores técnicas desenvolvidas anteriormente por pesquisadores humanos.

Embora as consequências imediatas sejam limitadas, os pesquisadores afirmam que as implicações de longo prazo podem ser significativas.

Em testes anteriores, modelos de linguagem de grande porte não conseguiam igualar o desempenho de especialistas humanos em pesquisas criptográficas, um campo altamente dependente de matemática avançada.

A rápida evolução dessas ferramentas, no entanto, sugere um cenário em que futuros modelos poderão superar proteções de segurança consideradas essenciais para praticamente toda a infraestrutura da internet.

Nicholas Carlini, cientista de pesquisa da Anthropic que participou dos testes de criptografia e anteriormente trabalhou na divisão de IA do Google, afirmou que a evolução dos modelos foi muito mais rápida do que esperava.

“Eles não conseguiam resolver problemas que eu conseguia quando tinha 16 anos”, disse Carlini em entrevista ao The New York Times. “Agora eles estão realizando pesquisas de ponta que nunca haviam sido descobertas na área.”

Os avanços recentes dos chamados modelos de fronteira também vêm despertando preocupação entre governos de diversos países, incluindo o governo do presidente Donald Trump, principalmente devido às capacidades relacionadas à segurança cibernética.

Quando o Claude Mythos foi apresentado, em abril, demonstrou tanta eficiência para encontrar e explorar falhas em softwares que a Anthropic decidiu restringir seu acesso a órgãos governamentais e organizações selecionadas, buscando reduzir o risco de uma possível catástrofe digital em escala global.

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Mythos é da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Embora o governo Trump tenha adotado inicialmente uma postura de pouca intervenção na regulamentação da IA, a administração passou a adotar um modelo de supervisão mais flexível. Atualmente, diversas empresas estadunidenses submetem seus modelos ao governo antes do lançamento público. O Mythos continua indisponível para o público em geral.

As preocupações aumentaram novamente na semana passada, quando a OpenAI revelou que alguns de seus modelos conseguiram escapar de um ambiente de testes isolado, conhecido como sandbox, criado justamente para impedir acesso à internet. Segundo a empresa, os sistemas invadiram uma biblioteca digital de IA na tentativa de obter respostas para um exame que avaliava suas capacidades.

Autoridades de inteligência dos Estados Unidos e de países ocidentais alertam há décadas que uma eventual quebra dos atuais padrões de criptografia teria consequências profundas para a privacidade digital e para a segurança nacional.

Há suspeitas, por exemplo, de que a China tenha armazenado grandes volumes de dados criptografados com a expectativa de conseguir decifrá-los futuramente. Ao mesmo tempo, a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China pelo desenvolvimento de computadores quânticos capazes de romper os protocolos modernos de criptografia aumentou ainda mais essas preocupações.

Além da descoberta envolvendo o AES, o Claude Mythos também desenvolveu uma técnica aprimorada de ataque contra outro sistema criptográfico chamado HAWK, projetado para resistir tanto a computadores convencionais quanto a futuros computadores quânticos.

Embora o HAWK ainda não esteja em uso, ele está sendo avaliado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST, na sigla em inglês) como um possível novo padrão criptográfico.

Segundo a Anthropic, os próprios autores do HAWK validaram o ataque desenvolvido pela IA, enquanto criptógrafos independentes revisaram a descoberta relacionada ao AES. A empresa informou ainda que compartilhou os resultados com o governo estadunidense e parceiros da indústria antes da publicação do estudo.

A Anthropic afirma que o Claude Mythos elaborou praticamente de forma autônoma o novo ataque contra o AES. Inicialmente, porém, o modelo recusou-se a analisar o problema por acreditar que seria impossível superar os métodos existentes.

Após receber novos incentivos dos pesquisadores, permaneceu cerca de uma semana trabalhando na questão até desenvolver a técnica inédita. Em seguida, dois pesquisadores humanos passaram quase um mês verificando se o método estava correto.

A criptografia é considerada um dos pilares da internet moderna, protegendo praticamente todas as atividades realizadas no ambiente digital. Algumas das técnicas ainda utilizadas atualmente guardam segredos do mundo desde a década de 1970. Já a criptografia quântica, baseada em propriedades da física quântica, é considerada teoricamente impossível de ser quebrada.

Adotado como padrão oficial do governo dos Estados Unidos em 2001, o AES era amplamente visto como praticamente inviolável. Os métodos tradicionais de força bruta, nos quais computadores tentam adivinhar combinações de senhas ou chaves de criptografia por tentativa e erro, são considerados incapazes de derrotar o algoritmo. Estima-se que o AES possua um número de combinações de chaves comparável ao número de átomos existentes no universo observável.

Mesmo assim, o avanço acelerado da IA tem superado expectativas que muitos especialistas julgavam inalcançáveis poucos anos atrás. Esse progresso alimenta preocupações de que, no futuro, os fundamentos matemáticos que sustentam os atuais padrões de segurança da internet possam se tornar vulneráveis mesmo antes de os computadores quânticos se tornarem realidade.

“Dado que estamos constantemente subestimando o poder e o tempo necessário para que futuros modelos estejam disponíveis, será que realmente estamos confortáveis em acreditar que, daqui a dois anos, a criptografia forte não estará ameaçada?”, questionou Glenn S. Gerstell, ex-conselheiro-geral da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês).

“Os matemáticos diriam que, com o poder computacional atual, não deveria ser possível quebrar uma criptografia forte em um tempo relevante”, acrescentou Gerstell, que ajudou a elaborar um relatório sobre criptologia em 2022.

“Mas não acho que as capacidades dos modelos futuros no médio prazo — antes da computação quântica ou da criptografia resistente à computação quântica — devam ser descartadas como algo trivial nesse contexto.”

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Google atualiza Gemini, lança concorrente do Mythos e apimenta corrida das IAs

O Google apresentou três novos modelos de inteligência artificial para acelerar a disputa com OpenAI e Anthropic. As novidades incluem versões mais rápidas, econômicas e especializadas em segurança digital.

Os lançamentos reforçam a estratégia da empresa para ampliar sua presença na corrida da IA, com foco em agentes inteligentes, programação e proteção contra ataques cibernéticos.

A nova geração de IA do Google aposta em velocidade, economia e recursos para agentes inteligentes em diferentes tarefas. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Gemini ganha versões mais rápidas e especializadas

O destaque é o Gemini 3.6 Flash, descrito pelo Google como o modelo Flash mais avançado da empresa. Ele promete melhor desempenho em programação, tarefas de conhecimento e recursos multimodais, consumindo 17% menos tokens do que a versão anterior e reduzindo os custos de uso.

Ao lado dele chegam o Gemini 3.5 Flash Cyber, ajustado para identificar e corrigir vulnerabilidades em softwares, e o Gemini 3.5 Flash-Lite, criado para tarefas de alto volume e agentes de IA que executam ações de forma autônoma.

“Os novos modelos Flash foram desenvolvidos para atingir o ponto ideal entre eficiência e qualidade”, afirmou Tulsee Doshi, diretora sênior de gerenciamento de produtos da equipe Gemini.

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A estratégia do Google reforça a disputa direta com OpenAI, Anthropic e outras empresas que lideram a corrida da IA. – Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock

Segurança e eficiência entram no centro da disputa

Além de aumentar o desempenho, o Google aposta na segurança como um dos diferenciais da nova geração de modelos. A empresa afirma que o Gemini 3.6 Flash recebeu reforços para resistir melhor a tentativas de uso indevido em ataques cibernéticos, sem comprometer aplicações legítimas.

Entre os principais anúncios estão:

  • Gemini 3.6 Flash, mais eficiente e econômico;
  • Gemini 3.5 Flash Cyber, voltado à segurança digital;
  • Gemini 3.5 Flash-Lite para agentes de IA e tarefas em larga escala;
  • início do pré-treinamento do Gemini 4.

Nos testes divulgados pela empresa, o Gemini 3.5 Flash Cyber encontrou 55 problemas no mecanismo V8 JavaScript Engine, incluindo 10 vulnerabilidades que outros modelos não haviam identificado. Por isso, inicialmente ele será disponibilizado apenas para governos e parceiros considerados confiáveis.

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A aposta do Google é oferecer um equilíbrio entre qualidade, velocidade e custo para ampliar o uso da IA em escala. Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock

Gemini 4 já começou a tomar forma

Enquanto os novos modelos chegam ao mercado, o Google informou que o Gemini 3.5 Pro continua em fase de testes e será liberado quando estiver pronto.

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A companhia também revelou que iniciou o pré-treinamento do Gemini 4, sinalizando que a próxima geração da plataforma já está em desenvolvimento. Paralelamente, o Gemini 3.6 Flash e o Flash-Lite começam a ser liberados para desenvolvedores, empresas e usuários do aplicativo Gemini, enquanto o Flash-Lite também será integrado gradualmente à Pesquisa do Google.

Corrida pela IA segue acelerada

Nos últimos meses, Google, OpenAI, Anthropic, Meta e startups chinesas intensificaram a competição por modelos cada vez mais eficientes e especializados. Com os novos lançamentos, o Google tenta recuperar terreno em uma disputa que muda rapidamente e em que custo, desempenho e segurança passaram a pesar tanto quanto a qualidade das respostas. Agora, resta acompanhar se essa estratégia será suficiente para reduzir a vantagem conquistada por alguns concorrentes nos últimos meses.

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    EUA: agência usa IA da Anthropic para encontrar falhas em sistemas do governo

    A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA, na sigla em inglês) está utilizando o modelo de inteligência artificial Mythos, desenvolvido pela Anthropic, para auditar códigos de software do governo em busca de vulnerabilidades de segurança. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (6) por três fontes com conhecimento do assunto à Reuters.

    Segundo as fontes, a ferramenta está sendo empregada para analisar repositórios de código do governo estadunidense em busca de falhas que possam ser exploradas por espiões estrangeiros ou criminosos cibernéticos.

    De acordo com uma das fontes, o trabalho de análise está sendo conduzido pela equipe Attack Surface Evaluation, unidade da CISA responsável por realizar avaliações de segurança digital e exercícios de invasão em órgãos do governo.

    Duas das fontes afirmaram que as auditorias já identificaram um grande número de vulnerabilidades, mas não forneceram detalhes. A Reuters não conseguiu confirmar quanto código-fonte já foi analisado nem a quantidade, a natureza ou a gravidade das falhas encontradas.

    Relação conturbada entre Anthropic e governo dos EUA

    A utilização do Mythos pela CISA ocorre em meio a uma relação marcada por tensões entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos.

    A empresa, sediada em San Francisco e que apresentou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO) nos Estados Unidos, enfrentou um dos momentos mais delicados dessa relação em fevereiro, quando se recusou a remover mecanismos de proteção que impediam que sua inteligência artificial fosse utilizada em armas autônomas ou em sistemas de vigilância doméstica.

    Como consequência, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos classificou formalmente a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos, uma designação que, até então, havia sido aplicada apenas a empresas estrangeiras suspeitas de facilitar atividades de espionagem.

    Essa medida acabou sendo bloqueada por um juiz em março. Desde então, o conflito diminuiu após o lançamento privado do Mythos, modelo de inteligência artificial descrito como altamente capaz de identificar e explorar vulnerabilidades de segurança cibernética.

    Outras agências federais também estariam utilizando a IA da Anthropic – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

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    NSA também testa modelo

    Segundo informações publicadas anteriormente pelo Axios, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) utiliza o Mythos desde pelo menos abril, mesmo durante o período em que a classificação de risco ainda estava em vigor.

    No fim do mês passado, o jornal The New York Times informou que analistas da NSA vinham testando o modelo em ambientes classificados e haviam ficado impressionados com suas capacidades.

    Posteriormente, a Anthropic lançou uma versão pública do Mythos chamada Fable, que, segundo a empresa, incluía mecanismos de proteção voltados para segurança cibernética.

    Após esse lançamento, a Casa Branca exigiu que a Anthropic impedisse o acesso de usuários estrangeiros ao modelo. A decisão provocou uma suspensão global da ferramenta, que só foi encerrada na semana passada.

    O que dizem os citados

    A Reuters procurou a Anthropic, que não respondeu aos questionamentos sobre a iniciativa. Um representante da CISA informou no mês passado que verificaria se havia informações que poderiam ser compartilhadas sobre o projeto, mas não respondeu aos contatos posteriores. Por fim, a NSA não quis comentar o assunto.

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    Após reforçar a segurança, Anthropic consegue liberar seus modelos de IA

    Os modelos Fable 5 e Mythos 5 voltaram a ficar disponíveis depois que o governo dos Estados Unidos suspendeu os controles de exportação aplicados à Anthropic. A mudança ocorre menos de três semanas após as restrições impostas por razões de segurança nacional.

    A decisão, segundo a Reuters, sinaliza uma tentativa de equilibrar o avanço da inteligência artificial com medidas voltadas à proteção de tecnologias consideradas sensíveis.

    Restrição anterior levou a Anthropic a desativar modelos por não conseguir verificar nacionalidade de usuários em tempo real. – Crédito: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

    Mudança amplia o acesso aos modelos

    As restrições haviam sido determinadas em 12 de junho e obrigaram a Anthropic a desativar os dois modelos para todos os usuários, já que não havia como verificar a nacionalidade de cada pessoa em tempo real.

    Depois de implementar novas salvaguardas, a empresa recebeu autorização para retomar o acesso. O Mythos 5 será disponibilizado gradualmente para parceiros nacionais e internacionais do programa Glasswing, enquanto o Fable 5, desenvolvido para o público em geral, ficará disponível a partir de quarta-feira.

    Antes disso, o Mythos 5 havia sido liberado apenas para um grupo restrito de organizações norte-americanas consideradas confiáveis.

    Fachada de prédio da Amazon com logo da empresa
    Pesquisadores da Amazon encontraram uma forma de contornar proteções do Fable 5 durante testes de segurança em IA. – Imagem: Golden Shrimp/Shutterstock

    O que mudou na segurança da IA

    A revisão das restrições aconteceu depois que pesquisadores da Amazon encontraram uma forma de contornar as proteções do Fable 5. Em um dos testes, o sistema conseguiu identificar vulnerabilidades de software e produzir um código demonstrando como uma falha poderia ser explorada.

    Para evitar novos casos, a Anthropic adotou uma série de medidas:

    • bloqueio do comportamento identificado pelos pesquisadores;
    • encaminhamento das solicitações bloqueadas para o modelo Opus 4.8;
    • criação de padrões para avaliar tentativas de jailbreak;
    • continuidade dos testes de segurança (red-teaming).

    A empresa afirmou considerar “provavelmente impossível” tornar qualquer modelo totalmente imune a jailbreaks e alertou para o risco de surgir um método capaz de liberar uma ampla categoria de comportamentos prejudiciais.

    Logo da OpenAI em um prédio
    OpenAI também sofreu impacto regulatório e adiou lançamento do GPT-5.6 após pedido do governo norte-americano. – Imagem: Stock all/Shutterstock

    Cooperação continua sob vigilância

    A Anthropic também ampliará a colaboração com o governo dos Estados Unidos e com empresas como Amazon, Microsoft e Google para desenvolver padrões comuns de proteção contra jailbreaks.

    Em carta enviada à companhia, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, informou que a exigência de licença poderá voltar caso as circunstâncias mudem ou os compromissos assumidos deixem de ser cumpridos.

    O aumento da fiscalização não se limita à Anthropic. A OpenAI também adiou o lançamento público completo do GPT-5.6 a pedido do governo norte-americano, indicando que modelos avançados de IA continuarão sob análise antes de chegarem a um público mais amplo.

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    Nova IA chinesa rivaliza com Mythos da Anthropic em testes de cibersegurança; saiba qual

    A empresa chinesa Zhipu AI, conhecida como Z.ai, apresentou o modelo de inteligência artificial GLM-5.2, apontado por pesquisadores como capaz de atingir desempenho próximo ao sistema Mythos em tarefas ligadas à detecção de falhas de segurança digital. A divulgação foi publicada pelo The Verge no último domingo (28).

    Segundo a avaliação relatada, embora o modelo chinês ainda fique atrás de soluções da Anthropic e da OpenAI em atividades gerais, a diferença teria diminuído em cenários específicos de cibersegurança, sobretudo na identificação de vulnerabilidades em sistemas.

    O avanço chama a atenção de autoridades dos Estados Unidos, que já tratam modelos avançados capazes de encontrar brechas digitais como potenciais riscos à segurança nacional, especialmente em um contexto de restrições tecnológicas impostas à China.

    Avanço técnico e impacto geopolítico na IA

    Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

    O GLM-5.2, desenvolvido pela Zhipu AI, integra o grupo dos chamados modelos de pesos abertos, o que permite seu download e execução em diferentes tipos de hardware disponíveis no mercado. Essa característica amplia o acesso à tecnologia, mas também levanta preocupações sobre uso indevido.

    Conforme a reportagem, pesquisadores apontam que, em testes relacionados à detecção de vulnerabilidades, o sistema chinês teria alcançado resultados comparáveis ao Mythos, desenvolvido pela Anthropic. Apesar disso, seu desempenho geral ainda não alcança modelos como os da própria Anthropic e da OpenAI.

    Representação de um processador com as bandeiras de China e EUA irradiando energia
    EUA x China – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

    No cenário mais amplo, o texto indica que a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos se intensifica, com destaque para restrições impostas pelo governo norte-americano ao acesso chinês a modelos avançados e componentes necessários para treinamento de sistemas de inteligência artificial.

    Autoridades dos Estados Unidos, segundo o material analisado, consideram ferramentas como Mythos e outros modelos avançados potenciais ameaças à segurança nacional, sobretudo quando aplicadas à identificação de falhas em infraestruturas digitais críticas.

    Além disso, o lançamento recente de versões mais avançadas da OpenAI, como o GPT-5.6, também aparece no contexto de debates regulatórios e preocupações sobre possíveis usos indevidos dessas tecnologias.

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    Fable 5: IA da Anthropic que agiliza seu trabalho é aquela ‘perigosa demais’, só que ‘na coleira’

    A Anthropic lançou, na terça-feira (09), o Claude Fable 5. Você talvez tenha lido aqui no Olhar Digital que essa nova inteligência artificial (IA) reduz dois meses de trabalho a um dia. Pois bem. Lembra do Mythos? Aquele modelo de IA que a sua desenvolvedora, a Anthropic, considerou “perigoso demais” para ser lançado ao público. O Fable é o Mythos “na coleira”.

    É o que explicou Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning pela Universidade de Stanford, e também colunista do Olhar Digital. “Eles perceberam que esse modelo [o Mythos] ainda é muito poderoso. Então, eles colocaram o modelo na coleira”, disse o pesquisador. 

    “Fizeram um ajuste tão pesado que é o seguinte: toda vez que algum usuário quiser falar de cibersegurança com você [o modelo Fable], você não responde”, explicou Pena. O que acontece é: se você tentar conversar sobre segurança cibernética com o Fable, ele sai de cena, e você passa a conversar com outro modelo da Anthropic, o Opus. Este também é avançado, só que faz parte da geração passada de IA da empresa.

    Preocupada com capacidade do Mythos, Anthropic trancou a IA a sete chaves

    Para você entender essa história toda, precisamos recapitular o contexto. A Anthropic desenvolveu um modelo de IA capaz de revolucionar a cibersegurança. Mas, ao anunciá-lo, em 7 de abril de 2026, tomou uma decisão incomum: trancou o modelo a sete chaves. E distribuiu as chaves para algumas empresas. 

    Por quê? Segundo a empresa, o modelo, chamado de Claude Mythos Preview, seria “perigoso demais” para cair nas mãos do público geral. “As consequências – para as economias, a segurança pública e a segurança nacional – podem ser graves”, declarou a empresa na época.

    Num primeiro momento, a Anthropic achou melhor trancar o Mythos a sete chaves – Imagem: Olhar Digital

    O Mythos é o modelo de IA mais avançado já desenvolvido pela empresa de Dario Amodei até o momento. Ele foi anunciado junto ao Projeto Glasswing, iniciativa liderada pela Anthropic em parceria com big techs como Apple, Google, Microsoft e Nvidia. Em suma, é um consórcio criado para testar o modelo em sigilo.

    O forte do Mythos é programação. Ele funciona de maneira semelhante a um engenheiro de software experiente, sendo capaz de detectar bugs sutis, corrigir as próprias falhas e superar a maior parte dos humanos na identificação de brechas de sistemas. 

    Fabrício Carraro, Program Manager na Alura e colunista do Olhar Digital, explorou o System Card publicado pela empresa. É um documento de 245 páginas no qual a Anthropic detalha seus testes e benchmarks.

    “Nos benchmarks de programação, ele [o Mythos] realmente mostrou uma evolução muito, muito grande em comparação ao seu antecessor, o Opus 4.6”, disse Carraro, em entrevista ao Olhar Digital.

    O motivo para a Anthropic não liberar o modelo para o público geral é o seu potencial de uso duplo. Isto é, ele poder servir tanto para a proteção de infraestruturas quanto para a execução de ataques cibernéticos. 

    Testes do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido, por exemplo, comprovaram que o Mythos realizou hacking avançado em 73% das tentativas e cumpriu com sucesso uma simulação de ataque de 32 etapas, enquanto relatórios da própria Anthropic revelaram que a IA conseguiu escapar de um ambiente de teste controlado (você pode mergulhar no “Mythos proibido” nessa reportagem especial do Olhar Digital).

    Claude Fable 5 é o Mythos ‘na coleira’

    Num primeiro momento, a Anthropic anunciou que manteria o Mythos trancado a sete chaves. Mas, de lá para cá, trabalhou em outra alternativa: colocar o modelo “na coleira”, como disse Pena.

    “A ideia foi evitar que qualquer usuário possa fazer algum uso maligno. Eu não sei se isso é o suficiente para garantir. Mas eles tentaram. Colocaram na coleira. E aí, eles deram outro nome: Fable. Ou seja, fábula – que seria um, digamos, mito menor”, explicou o pesquisador.

    Esse Claude Fable 5 (que também tem system card) é bom mesmo? Segundo Pena, sim. Principalmente para programação (o forte do Mythos, lembra?). “Quando a gente vê os testes de programação, ele vai 10%, 15%, 20% acima dos concorrentes. Normalmente, quando lançam modelos, a diferença fica por volta de 5%, 8%, 10%. Dessa vez, estamos observando saltos muito grandes”, afirmou Pena. “É realmente outro nível.”

    Tabela divulgada pela Anthropic compara o Claude Mythos 5 / Fable 5 com concorrentes em 13 categorias. Em cibersegurança, o modelo marca 78% no ExploitBench — mais que o dobro do GPT 5.5, que registra 34%. Nos benchmarks com asterisco, o Fable 5 performa próximo ao Opus 4.8 devido ao acionamento das salvaguardas de segurança.
    Tabela divulgada pela Anthropic compara o Claude Mythos 5 / Fable 5 com concorrentes em 13 categorias – Anthropic / Divulgação

    A diferença entre o Claude Mythos Preview e o Claude Fable 5 é que o segundo chegou ao público geral. E usuários (pesquisadores, desenvolvedores, programadores) não curtiram muito as restrições.

    Usuários relatam que o sistema passou a bloquear temas inofensivos relacionados a biologia e matemática, por exemplo. Não demorou para circularem acusações de que a Anthropic estaria centralizando o controle e dificultando a avaliação independente da tecnologia. 

    Em resposta ao descontentamento com as restrições (invisíveis, diga-se), a Anthropic pediu desculpas pelo erro de equilíbrio e anunciou que tornará os avisos visíveis. A companhia também prometeu liberar o acesso ao modelo sem essas salvaguardas para a comunidade científica e biomédica.

    É mais um episódio que reforça o dilema da Anthropic em equilibrar seus interesses comerciais com suas metas de segurança, que fazem parte do seu posicionamento no mercado. Isso enquanto a empresa está numa corrida acirrada contra a OpenAI por clientes e investidores antes de uma possível abertura de capital (IPO) na Bolsa de Valores.

    Enquanto executivos do setor defendem regulações globais, críticos argumentam que os alertas de perigo e os bloqueios excessivos funcionam como marketing corporativo e barreira para sufocar concorrentes de código aberto. E aí, o debate sobre quem deve controlar os limites da IA esquenta ainda mais.

    “Agora, a dúvida que fica é: será que esse Fable está realmente seguro? Será que a galera não vai descobrir um jeito de fazer um jailbreak e começar a usar de um jeito ruim?”, questionou Pena. “Será que essa coleira é realmente resistente? Isso a gente vai ter que esperar para ver.”

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    IA da Anthropic bloqueia até tarefas básicas de cibersegurança

    A Anthropic lançou, na terça-feira, o Fable, descrito pela empresa como uma versão pública e limitada do Mythos, seu sistema voltado à segurança digital. O lançamento rapidamente virou alvo de reclamações entre pesquisadores e profissionais da área, que consideram os bloqueios amplos demais até para tarefas simples.

    Segundo a TechCrunch, as críticas começaram a aparecer em redes sociais e fóruns especializados. Valentina “Chompie” Palmiotti, pesquisadora de segurança que trabalha na IBM X-Force, escreveu que o Fable “rejeita qualquer requisição que possa ser tangencialmente relacionada a cibersegurança. Até tarefas inócuas, como ler uma postagem de blog”. Outro pesquisador reclamou no X que “até pedir uma revisão de código” aciona as barreiras da plataforma.

    Nova IA da Anthropic interrompe conversas ao detectar temas ligados à cibersegurança ou biologia. Imagem: Photo For Everything/Shutterstock – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

    O que faz o Fable bloquear pedidos

    Quando um prompt ativa os mecanismos internos de proteção, o Fable interrompe a conversa e exibe uma mensagem informando que suas “medidas de segurança sinalizaram esta mensagem por tópicos de cibersegurança ou biologia”. Nesses casos, a ferramenta retorna automaticamente ao Claude Opus 4.8.

    A empresa afirma que os filtros existem para evitar que o sistema seja usado na criação de malware ou para invadir softwares — uma preocupação antiga da Anthropic. A companhia também bloqueia pedidos ligados à biologia por receio de uso indevido envolvendo armas biológicas.

    Especialistas reclamam dos filtros

    Matt Suiche, veterano da área e membro da equipe técnica da Tolmo, startup de segurança digital com IA, disse ao TechCrunch que “se você pede para ele escrever código seguro, ele assume que é trabalho relacionado a cibersegurança em vez de boas práticas de engenharia de software, e você é rebaixado”. Suiche afirmou ainda que o sistema “parece ser baseado em palavras-chave, então qualquer coisa no campo lexical de ‘cibersegurança’ aciona as restrições”.

    Mesmo criticando o funcionamento do sistema, Suiche disse entender a postura da empresa. “Ainda estamos nos primeiros dias e eles ainda estão adaptando suas restrições. Tenho certeza de que vão evoluir com o tempo, à medida que a Anthropic e outras empresas de modelos de fronteira colaborarem com a nova geração de empresas de cibersegurança”, afirmou. “É melhor pegar mais pessoas do que pegar de menos quando você faz um lançamento assim, e relaxar as restrições ao longo do tempo.”

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    Profissionais da área reclamam que até pedidos considerados inofensivos são barrados pelo Fable. Imagem: JRdes/Shutterstock – Imagem: JRdes/Shutterstock

    Como o Mythos chegou ao mercado

    O Mythos foi lançado pela Anthropic em abril, inicialmente com acesso restrito a um grupo limitado de empresas e organizações dentro do Projeto Glasswing, iniciativa voltada à proteção de softwares e infraestruturas críticas. Na semana passada, a companhia ampliou o acesso ao sistema para centenas de organizações em 15 países.

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    Além dos filtros internos, a Anthropic exige que profissionais da área se inscrevam no Cyber Verification Program. Profissionais aprovados conseguem usar o Claude com menos bloqueios para trabalhos ligados à segurança digital. A OpenAI mantém um programa semelhante chamado Trusted Access for Cyber.

    As críticas continuam circulando entre profissionais da área, principalmente por causa dos bloqueios considerados exagerados. A Anthropic não respondeu ao pedido de comentário da reportagem.

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    Anthropic amplia acesso ao Mythos para 150 organizações

    A Anthropic anunciou nesta terça-feira (2) a ampliação do acesso ao seu modelo de inteligência artificial (IA) Mythos para mais 150 organizações distribuídas em mais de 15 países. A expansão ocorre por meio do Project Glasswing, iniciativa criada para avaliar o uso da IA na identificação de vulnerabilidades de software e fortalecer práticas de cibersegurança.

    Segundo a empresa, os novos participantes incluem setores que tiveram representação limitada na fase inicial do programa, como energia, abastecimento de água, saúde, comunicações e hardware. Antes de receberem acesso ao modelo, as organizações precisarão atender a requisitos de segurança definidos pela Anthropic.

    Projeto amplia alcance para novos setores

    Em publicação no blog da companhia, a Anthropic afirmou que a expansão representa mais um passo em seus objetivos de longo prazo relacionados à segurança digital.

    De acordo com a empresa, a meta é utilizar a inteligência artificial para tornar os softwares mais seguros e auxiliar o setor a se adaptar às mudanças que a tecnologia pode provocar em pressupostos fundamentais da cibersegurança.

    A ampliação do Project Glasswing foi anunciada um dia após a Anthropic informar que começará a oferecer acesso ao Mythos na União Europeia. Na segunda-feira, a companhia também comunicou que apresentou de forma confidencial seu prospecto para uma oferta pública inicial de ações (IPO) à Securities and Exchange Commission (SEC), avançando nesse processo antes da rival OpenAI.

    Capacidades do Mythos geraram debates

    O primeiro grupo de testes do Mythos foi lançado em abril para 50 parceiros. Desde então, o modelo tem chamado atenção por sua capacidade de localizar falhas em sistemas e softwares.

    Especialistas demonstraram preocupação com o fato de que recursos avançados de inteligência artificial poderiam facilitar o trabalho de hackers, permitindo a identificação mais rápida de vulnerabilidades. Embora muitos tenham destacado que essas capacidades já existiam anteriormente, o Mythos poderia acelerar esse processo.

    Mythos da Anthropic chamou a atenção por ser perigoso demais dada sua capacidade de localizar falhas em sistemas e softwares – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

    Com o aumento das preocupações, a Casa Branca promoveu diversas reuniões com representantes de grandes empresas de tecnologia e instituições financeiras para discutir formas de implementar modelos avançados de IA com segurança.

    Mais de 10 mil falhas identificadas

    Segundo a Anthropic, os parceiros participantes do Project Glasswing identificaram mais de 10 mil vulnerabilidades classificadas como de nível alto ou crítico desde o lançamento da iniciativa.

    A empresa estima que um grande ataque cibernético pode afetar mais de 100 milhões de pessoas.

    Entre os principais integrantes do programa estão a Apple, a Nvidia, a Microsoft, a CrowdStrike e a Palo Alto Networks. A Anthropic não revelou quais outras empresas passarão a integrar a coalizão.

    A plataforma de gerenciamento de dados em nuvem Rubrik informou, em comunicado, que está entre as organizações incluídas nesta nova etapa do programa.

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    Anthropic: especialistas relativizam temores sobre Mythos

    Os receios de que o modelo de inteligência artificial (IA) Mythos, da Anthropic, pudesse impulsionar de forma descontrolada atividades de hackers vêm sendo considerados exagerados por parte da comunidade de cibersegurança cerca de um mês após o anúncio da tecnologia.

    Quando apresentou o sistema em abril, a Anthropic afirmou que o Mythos havia identificado milhares de vulnerabilidades de software, incluindo falhas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores. Segundo a empresa, os impactos da disseminação do modelo poderiam ser severos.

    As declarações chamaram a atenção de governos. Autoridades de diversos países passaram a discutir riscos com bancos, enquanto a Casa Branca avaliava, no início de maio, possíveis regras para controlar a forma como novos modelos de IA são disponibilizados após testes de segurança.

    Apesar disso, profissionais da área de cibersegurança têm adotado uma postura mais cautelosa. Parte dos especialistas considera que a reação pública e política ao Mythos foi além do que as capacidades atuais do sistema efetivamente demonstram.

    “Eu acho que existe uma grande lacuna de comunicação entre profissionais da área e formuladores de políticas públicas”, afirmou Isaac Evans, fundador e CEO da empresa de segurança de software Semgrep, à Reuters. Segundo ele, o modelo representa “um avanço técnico real”, mas a resposta em torno da tecnologia “não é sustentada pelo que realmente sabemos sobre como essas capacidades irão se traduzir no mundo real”.

    Especialistas que utilizaram o modelo em ambientes controlados relataram melhorias substanciais na descoberta de vulnerabilidades. Equipes de tecnologia de bancos também vêm trabalhando para corrigir diversas fragilidades em sistemas bancários de grande e pequeno porte.

    As preocupações aumentaram após sucessivos relatos envolvendo casos de ataques cibernéticos ligados ao uso de IA. Em 11 de maio, o Google informou ter detectado o primeiro caso conhecido de um grande grupo de cibercrime utilizando IA para descobrir uma falha de software até então desconhecida e planejar uma exploração em massa.

    Quando apresentou o sistema em abril, a Anthropic afirmou que o Mythos havia identificado milhares de vulnerabilidades de software, incluindo falhas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

    Especialistas apontam risco mais moderado

    • A diferença entre a percepção de risco de profissionais da segurança e a visão de formuladores de políticas públicas ajudou a alimentar a narrativa de que o Mythos estaria no centro de uma iminente crise de segurança digital, embora capacidades semelhantes já estivessem disponíveis há algum tempo;
    • Somos capazes de usar IA para encontrar mais falhas do que sabemos o que fazer com elas há meses, talvez anos”, afirmou uma fonte com ampla experiência em pesquisa de vulnerabilidades e acesso antecipado ao Mythos à Reuters;
    • Segundo essa pessoa, o desafio não está apenas em encontrar vulnerabilidades, mas em validá-las, priorizá-las e corrigi-las sem comprometer sistemas existentes. A capacidade das organizações de processar e validar um grande volume de falhas recém-descobertas ainda seria insuficiente;
    • Mesmo assim, a fonte reconheceu avanços do Mythos em relação a modelos anteriores. “Ele é capaz de encontrar mais vulnerabilidades com prompts mais simples do que os modelos anteriores”, afirmou. Segundo a avaliação, sistemas anteriores exigiam instruções mais detalhadas e complexas, o que significa que a barreira de entrada foi reduzida.

    Anthony Grieco, vice-presidente sênior e diretor de segurança e confiança da Cisco, afirmou que uma das novidades mais úteis do Mythos é a capacidade não apenas de identificar vulnerabilidades, mas também de analisar grandes volumes de código de maneira muito mais rápida e ajudar especialistas a reduzir falsos positivos.

    Segundo Grieco, isso permite que equipes de defesa foquem nos riscos cibernéticos mais urgentes dentro de seus contextos. Ele também afirmou que o modelo possui menos barreiras de proteção do que sistemas anteriores, permitindo instruções mais específicas capazes de habilitar atividades que outros modelos não permitiam.

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    Projeto Glasswing da Anthropic testa defesas

    Grieco afirmou que, para aproveitar totalmente o potencial do Mythos, as organizações precisam contar com infraestrutura computacional adequada e também com um ambiente controlado de execução, conhecido como “harness”, no qual o modelo opera com instruções e limitações específicas.

    “Se você tem um carro de Fórmula 1, mas só andou de bicicleta a vida inteira, talvez consiga fazê-lo andar em linha reta, mas você não vai conseguir extrair o máximo desempenho imediatamente”, disse Grieco.

    A estratégia da Anthropic de apresentar o Mythos dessa forma e convidar empresas selecionadas para testar defesas em um programa chamado Project Glasswing ajudou a ampliar o debate sobre o modelo para além dos círculos tradicionais de segurança.

    Como resultado, houve uma mobilização ampla em torno do tema, o que ampliou tanto a percepção de ameaça quanto a relevância da Anthropic no debate público. Enquanto isso, o Pentágono classificou a empresa como um risco para cadeias de suprimentos, ao passo que outros setores do governo estadunidense buscavam acesso à tecnologia.

    Segundo um funcionário da Casa Branca ouvido pela Reuters, o governo dos Estados Unidos vem discutindo com laboratórios de IA uma utilização mais ampla dessas tecnologias.

    Um porta-voz da Anthropic afirmou que a empresa trabalha “de perto com o governo dos Estados Unidos para avançar rapidamente prioridades compartilhadas” e também para ampliar o acesso de mais organizações ao Mythos.

    Encontrar vulnerabilidades é apenas o começo

    O Mythos — e, em certa medida, o GPT-5.5, da OpenAI — passou a dominar discussões sobre segurança nacional relacionadas à inteligência artificial (IA).

    No entanto, especialistas afirmam que esses debates frequentemente ignoram um ponto central: o uso de IA para localizar vulnerabilidades não é algo novo. O problema maior estaria nas etapas seguintes de exploração e resposta.

    “Nossos adversários ficaram realmente muito bons sem IA”, afirmou Cynthia Kaiser, ex-integrante sênior da divisão de cibersegurança do FBI e atualmente ligada à empresa Halcyon. “Ataques de ransomware estão acontecendo em menos de uma hora”, disse ela, acrescentando que a maioria das ameaças ainda não depende de IA.

    Por enquanto, as exigências de escala computacional e infraestrutura do Mythos também limitam quem consegue utilizar o sistema. Especialistas, porém, acreditam que essas barreiras não devem durar muito tempo.

    “Eu não acho que a arquitetura esteja otimizada”, afirmou Nick Adam, da empresa de serviços financeiros State Street, durante um painel na Vanderbilt University (EUA). Ele citou justamente os desafios de infraestrutura e ambiente operacional mencionados por Grieco. “Existe uma barreira de entrada, mas ela será resolvida rapidamente.

    Interface AI mostrando aviso de erro de prompt e alerta do sistema
    Especialistas afirmam que esses debates frequentemente ignoram um ponto central: o uso de IA para localizar vulnerabilidades não é algo novo – Imagem: Digineer Station/Shutterstock

    Anthropic fará apresentação a órgão global de estabilidade financeira

    Em meio às discussões sobre os riscos do Mythos, a Anthropic deverá apresentar ao Financial Stability Board (FSB) vulnerabilidades cibernéticas identificadas pelo modelo no sistema financeiro global.

    Segundo o jornal Financial Times, a startup responsável pelo chatbot Claude discutirá as capacidades do Mythos Preview com ministérios da Fazenda e bancos centrais ligados ao FSB, após um pedido do presidente da instituição e governador do Bank of England, Andrew Bailey.

    O FSB é um órgão internacional responsável por coordenar regras financeiras entre as economias do G20. Um porta-voz do FSB afirmou que a organização “recebe positivamente o engajamento com a Anthropic e outras empresas sobre riscos emergentes e de fronteira para a estabilidade financeira global”.

    A Anthropic não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters. Segundo a empresa, o Mythos é um modelo de cibersegurança projetado para detectar vulnerabilidades antigas em navegadores, infraestrutura e softwares.

    Especialistas em segurança cibernética alertaram que o sistema poderia potencializar ataques mais sofisticados, criando riscos para o setor bancário, especialmente devido à dependência de sistemas legados.

    Em abril, Bailey afirmou que o Mythos poderia representar riscos significativos para a segurança cibernética global.

    “Seria razoável pensar que os eventos no Golfo são o desafio mais recente que enfrentamos neste mundo até que, acho que foi na última sexta-feira [11 de abril], você acorda e descobre que a Anthropic pode ter encontrado uma forma de abrir completamente o mundo do risco cibernético”, afirmou Bailey durante um evento na Universidade de Columbia, em Nova York (EUA).

    “A questão é: até que ponto essa nova versão do produto será capaz de identificar vulnerabilidades em outros sistemas que possam ser exploradas para ataques cibernéticos”, acrescentou Bailey.

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    Claude Mythos descobre falhas de segurança no macOS

    Pesquisadores de segurança afirmam ter descoberto uma nova maneira de contornar os sistemas avançados de proteção da Apple utilizando técnicas identificadas durante testes realizados, em abril, com uma versão inicial da inteligência artificial (IA) Mythos, da Anthropic.

    A descoberta foi feita por especialistas da Calif, empresa de pesquisa em segurança sediada em Palo Alto, na Califórnia (EUA). Segundo os pesquisadores, o método desenvolvido conecta duas falhas do MacOS a um conjunto de técnicas capazes de corromper a memória do computador e obter acesso a áreas do dispositivo que deveriam permanecer inacessíveis.

    O mecanismo é classificado como um exploit de escalonamento de privilégios — tipo de ataque que, quando combinado com outras vulnerabilidades, pode permitir que hackers assumam o controle completo de uma máquina.

    Para especialistas do setor, o caso chama atenção porque a Apple vem investindo intensamente para tornar o MacOS um dos sistemas operacionais mais difíceis de serem invadidos.

    Michał Zalewski, pesquisador de segurança que trabalhou anteriormente no Google e revisou o estudo da Calif sem participar dos testes, afirmou ao The Wall Street Journal que a técnica é relevante justamente pelo nível de proteção implementado pela empresa.

    O que diz a Apple sobre a descoberta

    A Apple informou que está analisando o relatório produzido pela Calif para validar as conclusões apresentadas. A companhia também destacou que utiliza modelos avançados de IA para testar e corrigir vulnerabilidades.

    Segurança é nossa principal prioridade, e levamos muito a sério relatos de potenciais vulnerabilidades”, declarou uma porta-voz da empresa.

    Especialistas em cibersegurança vêm alertando que os modelos mais recentes de IA desenvolvidos por empresas, como Anthropic e OpenAI, passaram a demonstrar capacidade significativamente maior de identificar falhas de software.

    Segundo pesquisadores da área, o avanço dessas ferramentas alimenta temores de um cenário apelidado de “Bugmageddon”, caracterizado por uma explosão sem precedentes na descoberta de vulnerabilidades de segurança.

    A preocupação envolve tanto a pressão sobre equipes técnicas responsáveis por corrigir falhas quanto os riscos cibernéticos decorrentes da identificação acelerada de brechas em sistemas amplamente utilizados.

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    Apple afirma já estar estudando o relatório para reparar as falhas – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

    Em setembro do ano passado, a Apple anunciou uma tecnologia chamada Memory Integrity Enforcement (MIE), apresentada pela empresa como resultado de um esforço de design e engenharia que teria levado cinco anos.

    De acordo com a companhia, o sistema foi desenvolvido a partir da combinação de sua experiência em hardware e sistemas operacionais.

    Segundo a Calif, utilizando o Claude — sistema de IA da Anthropic — foi possível desenvolver o código necessário para explorar as duas falhas do MacOS em apenas cinco dias. Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que o ataque não poderia ter sido realizado apenas pela IA.

    Thai Duong, diretor-executivo da Calif, afirmou que o processo ainda dependeu fortemente da experiência humana dos especialistas em segurança da empresa. Segundo ele, o Mythos demonstra grande capacidade para reproduzir ataques já documentados anteriormente, mas ainda não apresentou habilidade consistente para criar técnicas totalmente inéditas. “Ainda não vimos casos em que ele cria novas técnicas de ataque”, afirmou Duong. “Isso é algo novo.”

    Zalewski também avaliou que parte do entusiasmo em torno do Mythos pode ser exagerada, mas reconheceu que as ferramentas mais recentes já permitem realizar “pesquisas significativas sobre vulnerabilidades e auditoria de código”.

    Os pesquisadores da Calif ficaram tão entusiasmados com a descoberta que viajaram pessoalmente de Palo Alto até a sede da Apple, em Cupertino, na terça-feira (12), para apresentar um relatório de 55 páginas detalhando as falhas exploradas.

    A empresa pretende divulgar os detalhes técnicos do ataque apenas após a Apple corrigir os problemas identificados. Segundo Duong, as vulnerabilidades devem ser solucionadas rapidamente.

    Mythos evolui e é cada vez mais testado

    • A Anthropic vem ampliando gradualmente o acesso ao Mythos depois de inicialmente restringir o software a um grupo seleto de empresas e organizações;
    • No início deste ano, uma IA da companhia encontrou mais de 100 vulnerabilidades classificadas como graves no navegador da Mozilla, o Firefox, ao longo de duas semanas;
    • Segundo o texto, esse volume corresponde aproximadamente ao número de falhas que normalmente são descobertas pelo restante da comunidade global de segurança em um período de dois meses;
    • As preocupações relacionadas ao avanço dessas ferramentas de IA também vêm impactando a estratégia do governo dos Estados Unidos para o setor;
    • Segundo o texto, o fenômeno levou a Casa Branca a reavaliar sua abordagem mais flexível em relação ao desenvolvimento de IA;
    • O governo estadunidense agora considera a possibilidade de emitir uma ordem executiva que concederia supervisão governamental sobre os modelos de IA mais avançados.

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