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Governo dos EUA mantém restrições a modelos de IA da Anthropic e amplia tensão

A empresa de inteligência artificial Anthropic enfrenta um impasse com o governo dos Estados Unidos após receber uma determinação para restringir o acesso aos seus modelos mais recentes, Fable 5 e Mythos 5. A medida, comunicada na última sexta-feira (12), foi justificada por preocupações ligadas à segurança nacional e desencadeou uma série de questionamentos dentro da companhia.

Seis dias após a ordem, as negociações entre representantes da empresa e integrantes da administração do presidente Donald Trump continuam sem resultado concreto. Enquanto isso, funcionários seguem sem explicações detalhadas sobre os motivos da restrição e demonstram preocupação com os impactos da decisão sobre o futuro dos negócios.

O episódio ocorre em meio a uma relação já desgastada entre a Anthropic e o governo americano, que nos últimos meses passou a acompanhar de perto o desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial produzidos pela companhia.

Conflito amplia pressão sobre empresa de inteligência artificial

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

A crise teve início quando a Anthropic foi informada pela Casa Branca de que deveria retirar do mercado seus modelos mais recentes de IA em um prazo extremamente curto. Internamente, a comunicação sobre as razões da medida mudou ao longo das horas seguintes. Funcionários receberam explicações distintas, que incluíam desde riscos relacionados ao acesso por empresas estrangeiras até a existência de uma suposta vulnerabilidade relevante nos sistemas.

A falta de informações precisas alimentou dúvidas entre equipes da companhia. Em conversas internas, profissionais passaram a questionar os possíveis reflexos da decisão governamental sobre os planos da empresa, incluindo expectativas relacionadas à abertura de capital prevista para este ano. A incerteza também foi reforçada por notícias que apresentavam versões divergentes sobre as razões da intervenção federal.

A atual disputa representa o segundo grande embate entre a Anthropic e a administração Trump em menos de um ano. O relacionamento entre as partes já havia sido abalado após divergências envolvendo um contrato de US$ 200 milhões firmado com o Departamento de Defesa para o emprego de inteligência artificial em sistemas classificados.

Na ocasião, divergências públicas sobre o uso da tecnologia em operações militares culminaram na classificação da empresa como um risco para a cadeia de suprimentos por parte do governo. A designação, segundo o The New York Times, nunca havia sido aplicada anteriormente a uma companhia estadunidense. A Anthropic contestou a medida judicialmente.

As discussões voltaram a ganhar intensidade após o anúncio do Mythos. A própria empresa afirmou que o modelo possuía capacidade excepcional para identificar vulnerabilidades em softwares, a ponto de provocar uma transformação significativa na área de segurança digital. Por causa desse potencial, o acesso inicial foi limitado a um grupo restrito de organizações.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

O lançamento estimulou debates dentro da Casa Branca sobre a criação de mecanismos para avaliar novos sistemas de inteligência artificial antes de sua disponibilização ao público. Nesse contexto, representantes da Anthropic participaram de reuniões com integrantes do governo e colaboraram nas discussões sobre possíveis diretrizes regulatórias.

Mais recentemente, a empresa lançou o Fable 5, uma versão desenvolvida para ampliar salvaguardas e reduzir riscos associados ao uso da tecnologia. Antes da disponibilização, o modelo foi submetido a testes realizados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, procedimento já adotado em lançamentos anteriores da companhia.

Parte da controvérsia atual envolve uma análise conduzida por pesquisadores da Amazon. O estudo identificou uma situação na qual o Fable 5 poderia ser induzido a revelar falhas presentes em determinados códigos vulneráveis. O documento foi compartilhado com a Anthropic e posteriormente discutido com integrantes do governo americano.

Autoridades que tiveram acesso ao material classificaram os resultados como preocupantes. No entanto, especialistas em segurança digital sustentam que a capacidade de localizar vulnerabilidades também pode fortalecer mecanismos de proteção cibernética, auxiliando profissionais encarregados de corrigir falhas antes que sejam exploradas por agentes mal-intencionados.

Entre os críticos da restrição está a pesquisadora Katie Moussouris, que analisou o trabalho produzido pela Amazon a pedido da Anthropic. Em publicação sobre o tema, ela argumentou que impedir esse tipo de funcionalidade comprometeria justamente uma das aplicações mais úteis da inteligência artificial para a defesa digital.

Defensores precisam conseguir pedir à IA que corrija falhas em um arquivo, explique por que a correção é importante e escreva testes que confirmem que o ajuste funciona. Isso não representa uma quebra de proteção” , afirmou Katie Moussouris, especialista em cibersegurança, em comentário citado pelo The New York Times.

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Embora parte das preocupações tenha sido associada ao estudo da Amazon, um integrante do governo ouvido pela reportagem original indicou que as objeções da administração americana também envolveriam outros aspectos relacionados à segurança nacional e às relações da empresa com determinadas organizações. Ainda assim, pessoas com conhecimento das discussões afirmaram que esse ponto não teria sido apresentado diretamente à Anthropic.

Sem esclarecimentos públicos mais detalhados, a companhia permanece negociando com autoridades americanas em busca de uma solução. Paralelamente, especialistas da área de segurança digital organizaram uma carta aberta solicitando a retirada das restrições impostas aos modelos da empresa.

O documento reuniu mais de 150 assinaturas de pesquisadores e profissionais ligados à segurança cibernética e à inteligência artificial. Os signatários defenderam que o Fable 5 já possuía mecanismos de proteção considerados robustos para impedir usos ofensivos da tecnologia.

Dentro da Anthropic, a mobilização foi recebida como um sinal de apoio em meio ao impasse. Mesmo assim, persistem dúvidas sobre a capacidade da empresa de lançar futuras gerações de modelos caso o governo mantenha a postura atual. O cenário contribuiu para ampliar a percepção de insegurança entre funcionários, que seguem aguardando definições sobre os próximos passos da companhia.

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Trump avalia participação do governo dos EUA em empresas de IA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (5) que sua equipe irá analisar a possibilidade de empresas de inteligência artificial (IA) concederem uma participação ao público americano. A declaração foi feita a jornalistas a bordo do Air Force One, em meio a discussões dentro do governo sobre formas de distribuir os benefícios econômicos gerados pela tecnologia.

Segundo Trump, a proposta tem características de uma parceria entre as companhias e a população dos Estados Unidos. O presidente também informou que pretende realizar uma reunião com executivos do setor de IA já na próxima semana, embora a Casa Branca não tenha divulgado detalhes sobre o encontro nem confirmado quais temas estarão na pauta.

Governo e empresas discutem participação acionária

As declarações ocorrem após o site NOTUS informar que autoridades graduadas do governo americano realizaram conversas preliminares com empresas de inteligência artificial sobre a possibilidade de o governo federal adquirir ações dessas companhias.

De acordo com a publicação, as discussões envolveram a hipótese de as empresas transferirem voluntariamente uma parte de suas ações ao governo. Os retornos financeiros obtidos com essa participação poderiam ser direcionados a finalidades públicas, incluindo o pagamento de dividendos para famílias americanas.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, teria discutido a ideia com integrantes do governo dos Estados Unidos – Imagem: FotoField/Shutterstock

O NOTUS informou ainda que Sam Altman, CEO da OpenAI, discutiu a ideia com integrantes do governo Trump em diferentes ocasiões desde o início do segundo mandato do presidente. Segundo fontes ouvidas pelo veículo, Altman teria apresentado a proposta diretamente a Trump no começo de 2025 e retomado as conversas nas últimas semanas.

A OpenAI já havia defendido, em um documento divulgado em abril, a criação de um “Fundo de Riqueza Pública” para distribuir de forma mais ampla os ganhos econômicos relacionados à inteligência artificial. Questionada pelo NOTUS, a empresa apontou para esse relatório como referência sobre sua posição.

Debate ocorre em meio a discussões sobre regulação

A iniciativa surge em um momento em que o governo Trump ainda busca definir qual será sua abordagem regulatória para a inteligência artificial. Em maio, a Casa Branca cancelou uma cerimônia de assinatura de uma ordem executiva sobre IA após críticas do setor de tecnologia a alguns de seus pontos.

Na ocasião, Trump declarou que não queria adotar medidas que pudessem prejudicar a posição dos Estados Unidos na disputa tecnológica com a China. Já nesta semana, o presidente assinou uma versão revisada da ordem executiva, que solicita que desenvolvedores líderes de IA submetam voluntariamente seus modelos mais avançados a testes governamentais de segurança cibernética antes de disponibilizá-los ao público.

As discussões também acontecem em um cenário de crescente preocupação com os impactos da tecnologia. Entre os fatores citados está o lançamento da ferramenta Mythos, da Anthropic. Especialistas mencionados pela Reuters afirmam que o sistema poderia acelerar ataques cibernéticos sofisticados caso fosse utilizado de forma inadequada, especialmente em setores que dependem de infraestruturas tecnológicas complexas e antigas.

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O lançamento da Mythos da Anthropic está entre os fatores citados – Imagem: gguy/Shutterstock

Possíveis conflitos de interesse geram críticas

A possibilidade de o governo se tornar acionista de empresas de IA tem despertado questionamentos de diferentes setores. Críticos argumentam que a medida poderia criar um conflito de interesses, já que o governo passaria a atuar simultaneamente como regulador e investidor das companhias.

O NOTUS destaca que ainda não está claro qual mecanismo jurídico permitiria a transferência de participação acionária para o governo federal. Fontes ouvidas pelo veículo afirmam que as negociações continuam em estágio inicial e que não há garantia de que um acordo será concretizado.

A administração Trump já adotou uma postura mais ativa em investimentos corporativos desde o início do segundo mandato. Segundo o NOTUS, o governo realizou investimentos diretos em pelo menos dez empresas, incluindo a fabricante de chips Intel e companhias ligadas aos setores de terras raras e computação quântica.

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Trump assina ordem executiva para acesso antecipado a modelos de IA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que cria um mecanismo voluntário para o governo federal analisar novos modelos de inteligência artificial (IA) antes de serem disponibilizados ao público.

A medida, assinada nesta terça-feira (2), busca fortalecer a segurança nacional e a cibersegurança diante dos riscos associados aos sistemas de IA mais avançados — e representa uma virada em relação à postura desregulatória que marcou o início do seu mandato.

Pelo novo framework, empresas de tecnologia serão solicitadas a compartilhar seus modelos de IA com o governo para revisão voluntária com até 30 dias de antecedência em relação ao lançamento público. A Casa Branca afirma que o processo permitirá identificar ameaças à segurança nacional, especialmente no campo da cibersegurança.

IAs devem passar por análise governamental até 30 dias antes de seu lançamento oficial – Imagem: Frame Stock Footage / Shutterstock

Revisão voluntária, não obrigatória

  • A ordem executiva não impõe revisão obrigatória às empresas que desenvolvem modelos de IA — exigência que constava de versões anteriores do documento;
  • Apoiadores mais radicais do movimento Make America Great Again (MAGA) pressionavam Trump por um processo mais rígido, enquanto aliados da indústria de tecnologia defendiam menos restrições;
  • A medida contrasta com a postura inicial do presidente sobre o tema;
  • Uma das primeiras ações de Trump ao assumir o cargo foi revogar uma ordem executiva do governo Joe Biden que estabelecia padrões para o desenvolvimento seguro de IA.

Governo Trump tinha acordos prévios com grandes empresas

No mês passado, o governo Trump havia firmado acordos com Microsoft, Google DeepMind e xAI para revisão antecipada de novos modelos.

O Centro para Padrões e Inovação em IA (CAISI, na sigla em inglês), vinculado ao Departamento de Comércio dos EUA, já mantinha acordos similares com OpenAI e Anthropic. O governo federal removeu recentemente os detalhes do acordo com Microsoft, Google DeepMind e xAI de seu site, sem que o motivo tenha sido esclarecido.

O governo afirma que esse tipo de compartilhamento de informações é prática padrão e relevante para a segurança nacional. Defensores da liberdade de expressão, por outro lado, alertaram que controle excessivo do governo pode levar à censura.

Leia mais:

Preocupações com modelos avançados

As novas regras surgem em meio a preocupações crescentes sobre os riscos dos modelos de IA mais recentes. O Claude Mythos, da Anthropic — modelo com capacidades avançadas de cibersegurança —, gerou alertas entre especialistas em segurança de IA, governos e empresas de tecnologia por sua capacidade de explorar vulnerabilidades em softwares amplamente utilizados em escala sem precedentes.

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Claude Mythos seria “perigoso demais”, segundo a Anthropic – Imagem: gguy/Shutterstock

A ordem executiva determina que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e o Departamento de Defesa ajudem a definir quais modelos de IA precisarão de análise governamental, enquanto o Departamento do Tesouro terá papel central na identificação de vulnerabilidades.

O governo também foi orientado a contratar mais profissionais de cibersegurança e IA e a reforçar os sistemas de proteção em infraestruturas essenciais, como hospitais e bancos.

Em dezembro, Trump havia assinado outra ordem executiva com foco em IA, voltada a impedir que estados regulem a tecnologia de forma independente. Aquela medida criou uma força-tarefa federal para contestar leis estaduais sobre IA.

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Desconfiados um do outro, Trump e Xi Jinping devem discutir sobre IA nesta semana

O presidente dos EUA, Donald Trump, deve colocar a inteligência artificial (IA) no centro das discussões em sua visita a Pequim para encontrar o líder chinês Xi Jinping nesta semana, segundo a Reuters

Embora a tecnologia tenha ganhado peso estratégico, autoridades norte-americanas consideram improvável a assinatura de compromissos. Isso por conta da desconfiança mútua entre as nações.

A rivalidade tecnológica entre as duas potências se intensificou após o lançamento do Mythos, modelo de IA mais avançado da Anthropic. Isso elevou as apostas para ambos os lados. 

Observadores comparam o atual cenário de disputa em IA a uma corrida armamentista nuclear nos moldes da Guerra Fria.

Diálogo diplomático tenta evitar colapsos financeiros e ameaças de segurança cibernética

A presença do CEO da Nvidia, Jensen Huang, e do consultor de políticas tecnológicas da Casa Branca, Michael Kratsios, na delegação de Trump sinaliza que discussões sobre os chips H200 podem estar na pauta do encontro. 

A China teme que a exclusão do acesso a modelos de ponta como o Mythos, cujos testes foram bloqueados para o país, crie um “hiato geracional” em suas capacidades de defesa e segurança cibernética.

Rivalidade entre EUA e China se intensificou após o lançamento do Mythos, modelo de IA mais avançado da Anthropic – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Pequim propôs formalmente a criação de um mecanismo de diálogo liderado pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-ministro das Finanças da China, Liao Min

Entretanto, as expectativas de resultados práticos permanecem baixas, uma vez que as agências envolvidas não são especializadas em IA. E o governo Trump só recentemente passou a focar na verificação de segurança de modelos avançados.

O modelo Mythos identificou “milhares” de vulnerabilidades graves em sistemas operacionais e softwares, o que disparou uma corrida de bancos e governos mundo afora para reforçar suas defesas. 

Pesquisadores advertem que o avanço descontrolado da IA pode acelerar o design de bioarmas, causar choques financeiros sistêmicos e até resultar em sistemas “rebeldes” que agem de forma independente do controle humano.

Kwan Yee Ng, da consultoria Concordia AI, defende a criação de uma “linha direta sem culpa” para que os países possam sinalizar incidentes gerados por IA. 

Segundo a especialista, o impasse é ideológico. “Quando um lado vê a IA como um risco de proliferação a ser contido e o outro vê a contenção como um ataque a uma tecnologia de uso geral, isso torna muito difícil encontrar um terreno comum”, disse Kwan à agência de notícias.

Enquanto o governo chinês denuncia um “bloqueio sistemático do ecossistema” tecnológico ocidental, legisladores dos EUA pressionam pela aprovação do MATCH Act, que impõe novos limites ao acesso de Pequim às cadeias de suprimento de semicondutores. 

Atualmente, a escassez de poder computacional e as restrições de exportação já obrigam diversos modelos de IA chineses a racionar o acesso de seus usuários.

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Anthropic discute modelo de IA com Trump, diz cofundador

A Anthropic está discutindo seu modelo de IA de fronteira Claude Mythos com a administração de Donald Trump, disse o cofundador da empresa nesta segunda-feira (13), mesmo após o Pentágono ter cortado negócios com a empresa de inteligência artificial (IA) estadunidense após disputa contratual.

Uma disputa entre a Anthropic e o Pentágono sobre salvaguardas para como os militares poderiam usar suas ferramentas de IA levou a agência a classificar a Anthropic como um risco da cadeia de suprimentos no mês passado, proibindo seu uso pelo Pentágono e seus contratados.

“Temos uma disputa contratual restrita, mas não quero que isso atrapalhe o fato de que nos importamos profundamente com a segurança nacional”, disse o cofundador da Anthropic, Jack Clark, no evento Semafor World Economy em Washington (EUA).

“Nossa posição é que o governo tem que saber sobre essas coisas… Então, absolutamente, estamos conversando com eles sobre o Mythos e vamos conversar com eles sobre os próximos modelos também.”

Pentágono declarou criadora do Claude como um risco à cadeia de suprimentos e à segurança nacional – Imagem: RixAiArt/Shutterstock

Leia mais:

Capacidades do Anthropic Claude Mythos

  • O Mythos, anunciado em 7 de abril, é o modelo “ainda mais capaz” da Anthropic para codificação e tarefas agênticas, disse a empresa em um post de blog, referindo-se à capacidade do modelo de atuar de forma autônoma;
  • Suas capacidades de codificar em alto nível lhe deram uma habilidade potencialmente sem precedentes para identificar vulnerabilidades de segurança cibernética e elaborar maneiras de explorá-las, disseram especialistas à Reuters;
  • Um tribunal federal de apelações de Washington, D.C., recusou-se, na semana passada, a bloquear a lista negra de segurança nacional do Pentágono da Anthropic por enquanto, uma vitória para a administração Trump que vem depois de outro tribunal de apelações chegar à conclusão oposta em um desafio legal separado da Anthropic;
  • A natureza e os detalhes das conversas da Anthropic com o governo estadunidense, incluindo quais agências estão envolvidas, não ficaram imediatamente claros.

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Trump cria conselho de IA com CEOs de Meta, Oracle e Nvidia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação de um conselho tecnológico que reúne alguns dos principais nomes do setor, como Mark Zuckerberg, CEO da Meta Platforms, Larry Ellison, presidente executivo da Oracle, e Jensen Huang, CEO da Nvidia. O grupo terá como função aconselhar o governo em temas ligados à inteligência artificial (IA) e outras questões tecnológicas.

O colegiado será chamado de President’s Council of Advisors on Science and Technology (PCAST), segundo a Casa Branca. A iniciativa faz parte da estratégia do atual mandato de Trump, que tem dado ênfase à criação de um ambiente regulatório voltado para fortalecer a liderança dos Estados Unidos em IA e criptomoedas.

Liderança dupla para questões de IA e tecnologia

O conselho será liderado por David Sacks, que atua como responsável por IA e criptomoedas na Casa Branca, e por Michael Kratsios, também conselheiro na área de tecnologia.

De acordo com o governo, o PCAST deve atuar em temas relacionados às oportunidades e aos desafios das tecnologias emergentes, com impacto direto sobre a força de trabalho e o desenvolvimento econômico do país.

Perfil dos conselheiros escolhidos

Além de Zuckerberg, Ellison e Huang, Trump nomeou um grupo inicial de 13 membros da indústria, incluindo o cofundador do Google, Sergey Brin, e o fundador da Dell Technologies, Michael Dell. A expectativa é que o conselho possa chegar a até 24 integrantes, conforme previsto em ordem executiva.

Em declaração, Zuckerberg afirmou que os Estados Unidos têm a oportunidade de liderar o avanço global em inteligência artificial e disse estar honrado em integrar o conselho ao lado de outros líderes do setor.

Michael Dell também declarou que pretende colaborar com o grupo para avançar políticas que reforcem a competitividade americana e a segurança nacional.

Foco nas políticas de inteligência artificial

O conselho atuará como um grupo consultivo da Casa Branca em temas estratégicos, com destaque para a inteligência artificial e seus desdobramentos econômicos e sociais.

Segundo o governo, a proposta é garantir que o país aproveite as oportunidades da inovação tecnológica ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios trazidos por essas mudanças.

Experiência prévia em conselhos governamentais

A criação do PCAST segue uma tradição de administrações anteriores, incluindo os governos de George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden, que também estabeleceram conselhos semelhantes para assessorar decisões em ciência e tecnologia.

No primeiro mandato de Trump, um conselho do mesmo tipo também foi criado, embora com menor presença de executivos de grande visibilidade e apenas no terceiro ano de governo.

Leia mais:

Implicações para o setor tecnológico

A participação de líderes de grandes empresas marca uma mudança em relação ao primeiro mandato de Trump, quando houve boicotes e renúncias de executivos do setor em iniciativas semelhantes.

Agora, a adesão de nomes relevantes da indústria indica maior disposição de colaboração entre o governo e empresas de tecnologia em discussões sobre políticas públicas e inovação.

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Governo Trump apresenta nova estrutura política nacional de IA

Nesta sexta-feira (20), o governo dos Estados Unidos divulgou um arcabouço legislativo para uma política nacional única sobre inteligência artificial (IA).

O objetivo do governo de Donald Trump é o de criar diretrizes uniformes de segurança em torno da IA, enquanto impede que os estados promulguem leis próprias sobre a tecnologia.

Trump centraliza a IA

  • O plano de seis frentes propõe várias regulações sobre produtos e infraestrutura de IA, indo de implantação de regras para a segurança infantil à padronização do licenciamento e uso de energia por data centers;
  • Há ainda um estímulo ao Congresso para que aborde questões delicadas sobre direitos de propriedade intelectual e elabore regras que “impeçam que sistemas de IA sejam usados ​​para silenciar ou censurar expressões políticas legítimas ou dissidências”;
  • Em comunicado, o governo Trump diz querer trabalhar com o Congresso “nos próximos meses” para que a proposta vire um projeto de lei pronto para sanção presidencial;
  • A ideia é transformar a proposta em lei “ainda este ano” e a Casa Branca entende que ela pode ter apoio bipartidário, segundo Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, em entrevista à Fox News.

Com as preocupações cada vez maiores em cima da IA e de seus impactos, legisladores de Nova York, Califórnia e outros estados pressionam o governo para implantar suas próprias regulações estaduais.

Líderes da indústria de IA se opõem aos esforços estaduais, alegando que uma “colcha de retalhos” de leis prejudicaria a inovação e permitiria que concorrentes globais, como a China, ganhassem grande vantagem na corrida pelo domínio da tecnologia.

Trump trouxe a IA para seu governo e visa criar leis para regulação da tecnologia (Imagem: Chip Somodevilla/Shutterstock)

Leia mais:

Em dezembro, Trump já havia assinado uma ordem executiva para um padrão regulatório nacional único para a IA.

No documento apresentado nesta sexta, a Casa Branca diz que “o Congresso deve se antecipar às leis estaduais de IA que impõem encargos indevidos para garantir um padrão nacional minimamente oneroso e consistente com essas recomendações, e não cinquenta padrões discordantes”.

Kratsios voltou a se pronunciar nesta sexta e, em comunicado, afirmou que “a estrutura legislativa nacional de IA da Casa Branca liberará o engenho americano para vencer a corrida global da IA, proporcionando avanços que criarão empregos, reduzirão custos e melhorarão a vida dos americanos em todo o país”.

“Ao mesmo tempo, aborda preocupações reais de frente — proteger nossas crianças online, proteger as famílias de custos de energia mais altos, respeitar os direitos dos criadores e apoiar os trabalhadores americanos — para que todos os cidadãos possam confiar e se beneficiar dessa tecnologia incrível”, completou.

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Vídeo de IA do Irã usa “Divertidamente” para atacar Trump

O governo do Irã divulgou nesta quinta-feira (12) um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) que provoca o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à guerra entre os dois países. A peça foi publicada nas redes sociais pelo perfil da Embaixada do Irã em Haia e faz referências ao filme Divertidamente, além de citar a relação de Trump com Jeffrey Epstein.

O vídeo foca no bombardeio contra uma escola na cidade de Minab, no sul do Irã, que deixou cerca de 170 mortos, a maioria crianças. O episódio se tornou um dos pontos mais controversos do conflito. Irã e Estados Unidos trocam acusações sobre quem foi responsável pelo ataque, embora uma investigação militar norte-americana tenha indicado preliminarmente que o próprio Exército dos EUA pode ter realizado o bombardeio.

Ao fim do vídeo, vemos o título em inglês do filme (Inside Out) e “Epstein’s Client”, ou “Cliente de Epstein”.

Vídeo usa referência a Divertidamente para criticar Trump

No vídeo divulgado por Teerã, Trump aparece em uma coletiva de imprensa sendo questionado por repórteres sobre o ataque à escola. Na cena, o presidente afirma que os Estados Unidos não miram civis, argumento que ele e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, vêm repetindo publicamente nos últimos dias.

A narrativa então muda para uma sequência inspirada no universo do filme Divertidamente. A câmera entra na cabeça do presidente e mostra personagens semelhantes a demônios, que incentivam o líder norte-americano a mentir para a imprensa.

Essas figuras pressionam um botão identificado como “mentira”, que aparece ao lado de outros controles com as palavras “matar” e um globo com a inscrição “Epstein”. A referência faz alusão ao escândalo envolvendo o empresário Jeffrey Epstein.

Após essa sequência, a cena retorna à coletiva. O Trump do vídeo então declara que os Estados Unidos não possuem mísseis Tomahawk e afirma que “os EUA se importam profundamente com o povo iraniano”.

Propaganda de guerra iraniana “entra” na mente de Donald Trump como referência ao fime da Pixar Divertidamente (Imagem: Reprodução / X)

Propaganda digital marca disputa narrativa da guerra

O material divulgado pela diplomacia iraniana faz parte de uma estratégia de comunicação do regime em meio ao conflito. Nos últimos dias, Teerã também publicou outro vídeo com tom provocativo, dessa vez utilizando elementos do universo Lego para ironizar os Estados Unidos.

A disputa por narrativa ocorre nas redes sociais e envolve os dois lados do conflito. O governo de Donald Trump também tem compartilhado vídeos e mensagens online que ridicularizam o Irã durante a guerra.

O ataque à escola em Minab permanece como um dos episódios mais sensíveis da guerra entre os dois países, com investigações e acusações cruzadas sobre quem seria o responsável pela tragédia.

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Anthropic vai à Justiça contra Pentágono, diz CEO

No fim da noite desta quinta-feira (5), o CEO da Anthropic, Dario Amodei, confirmou os rumores de que a Anthropic teria recebido a classificação de risco à cadeia de suprimentos pelo Pentágono.

Além disso, ele afirmou que a empresa pretende contestar isso na Justiça. Segundo ele, a companhia “não teve outra escolha” senão recorrer aos tribunais após a designação oficial.

Amodei confirmou que o governo dos EUA declarou a Anthropic como um risco de cadeia de suprimentos na quinta-feira (5). A classificação ocorre em meio a um impasse entre a startup e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DOD) sobre a forma como seus modelos de inteligência artificial (IA), o Claude, podem ser utilizados.

A empresa vinha se desentendendo com o Pentágono sobre limites para o uso da tecnologia. No fim da semana passada, a Anthropic foi informada — por meio de publicações em redes sociais — de que estava sendo incluída em uma lista que a impediria de participar de contratos governamentais.

A companhia buscava garantias de que sua tecnologia não seria utilizada para armas totalmente autônomas ou para vigilância doméstica em massa. Já o DOD queria que a Anthropic concedesse acesso irrestrito ao Claude para qualquer finalidade legal.

“Como afirmamos na sexta-feira passada, não acreditamos, e nunca acreditamos, que seja papel da Anthropic ou de qualquer empresa privada se envolver na tomada de decisões operacionais — esse é o papel dos militares”, escreveu Amodei.

“Nossas únicas preocupações sempre foram nossas exceções para armas totalmente autônomas e vigilância doméstica em massa, que se relacionam a áreas de uso de alto nível, e não à tomada de decisões operacionais.”

CEO disse que não há outra saída senão ir à Justiça contra o Pentágono (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

Leia mais:

Anthropic: Amodei diz que não há outra saída

  • Segundo o executivo, a Anthropic é a única empresa estadunidense a ser publicamente classificada como risco para a cadeia de suprimentos;
  • A designação agora oficial exige que fornecedores e contratados do setor de defesa certifiquem que não utilizam os modelos da empresa em trabalhos realizados com o Pentágono;
  • Esse tipo de classificação costuma ser aplicado a organizações que operam em países considerados adversários dos Estados Unidos, como a empresa chinesa de tecnologia Huawei;
  • Ainda há incerteza sobre se empresas contratadas pelo setor de defesa poderão continuar usando a tecnologia da Anthropic em projetos que não estejam relacionados ao trabalho militar;
  • Amodei afirmou que a designação “não limita (e não pode limitar) o uso do Claude ou relações comerciais com a Anthropic quando não estão relacionadas a contratos específicos com o Departamento de Guerra”.

A Microsoft, que anunciou, em novembro, planos de investir até US$ 5 bilhões (R$ 26,3 bilhões) na Anthropic, afirmou, em comunicado, que seus advogados analisaram a designação e concluíram que os produtos da empresa podem continuar disponíveis para clientes que não sejam o DOD.

A Anthropic havia firmado em julho um contrato de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) com o Departamento de Defesa e foi o primeiro laboratório de inteligência artificial a integrar seus modelos a fluxos de trabalho de missões em redes classificadas. No entanto, com o avanço das divergências nas negociações, concorrentes também passaram a firmar acordos semelhantes.

A OpenAI, de Sam Altman, e a xAI, de Elon Musk, concordaram em implantar seus modelos em ambientes classificados. Altman anunciou o acordo de sua companhia com o Departamento de Defesa poucas horas depois de a Anthropic ter sido colocada na lista de restrições na sexta-feira (27).

Em uma publicação no X, Altman afirmou que a agência demonstrou “profundo respeito pela segurança e o desejo de fazer parceria para alcançar o melhor resultado possível”.

À frente e à esquerda, Sam Altman com um pequeno sorriso; à direita e ao fundo, o logo da OpenAI em uma tela
Executivo da OpenAI garantiu que o Departamento vai seguir suas restrições (Imagem: FotoField/Shutterstock)

Relação tensa

A relação entre a Anthropic e o governo do presidente Trump tem se tornado cada vez mais tensa nos últimos meses. Amodei chegou a pedir desculpas por um memorando interno crítico à administração que vazou para a imprensa na quarta-feira (4).

De acordo com uma reportagem do The Information, o executivo teria dito a funcionários que o governo não simpatizava com a Anthropic porque a empresa não havia feito doações nem oferecido “elogios no estilo ditador a Trump”.

Amodei afirmou que o memorando foi escrito na sexta-feira (27), após “um dia difícil para a empresa”, e que não reflete suas “opiniões cuidadosas ou ponderadas”. Ele acrescentou que o texto representa uma “avaliação desatualizada da situação atual”.

“A Anthropic não vazou essa publicação nem orientou ninguém a fazê-lo — não é do nosso interesse escalar essa situação”, escreveu o executivo.

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Como o Pentágono usou o Claude no Irã enquanto Trump bania a Anthropic

No último sábado (28), enquanto os Estados Unidos iniciavam a Operação Epic Fury – uma ofensiva aérea de larga escala contra alvos no Irã –, o Departamento de Defesa se viu em meio a uma contradição tecnológica sem precedentes.

Segundo informações da Reuters e do Wall Street Journal, o Pentágono utilizou ferramentas de inteligência artificial da Anthropic para coordenar os ataques, menos de 24 horas após o presidente Donald Trump ter ordenado o banimento da empresa, classificando-a como um “risco à segurança nacional”.

Inteligência artificial em campo

A ofensiva utilizou um arsenal diversificado, incluindo bombardeiros furtivos B-2 e mísseis Tomahawk. No entanto, o “cérebro” por trás de parte da operação foi o Claude, o modelo de linguagem da Anthropic que concorre diretamente com o ChatGPT.

De acordo com o WSJ, o Comando Central dos EUA (Centcom) integrou a ferramenta para avaliações de inteligência, identificação de alvos e simulação de cenários de batalha. A ironia é cronológica: o uso intensivo da IA ocorreu poucas horas depois de Trump assinar uma diretiva ordenando que as agências federais cessassem o uso dos programas da startup.

O cabo de guerra

O estopim da crise entre o governo e a Anthropic, conforme detalhado pelo portal Axios, foi a recusa do CEO da empresa, Dario Amodei, em atender a um ultimato do Pentágono. O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, exigia “acesso irrestrito” aos modelos de IA, o que implicava na remoção de travas de segurança.

A Anthropic, que possui um contrato de US$ 200 milhões com o governo desde 2025, traçou uma linha ética clara:

  • Vigilância: recusa em permitir o uso da IA para monitoramento em massa de cidadãos.
  • Autonomia bélica: proibição do uso do sistema em armas totalmente autônomas e letais sem supervisão humana.

Em sua rede social, Trump criticou a postura da empresa, afirmando que o “egoísmo” da startup colocava tropas americanas em perigo. Por outro lado, a Anthropic defende que a tecnologia atual não é confiável o suficiente para operar armas letais sem o controle final de um ser humano, como reportado pelo G1.

Um divórcio complexo

Embora o governo tenha rotulado a Anthropic como um “risco à cadeia de suprimentos” – um selo geralmente reservado a adversários estrangeiros –, a desconexão não será imediata. O Wall Street Journal destaca que a IA da empresa está profundamente entranhada nas operações militares, tendo sido peça-chave até na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em fevereiro.

Para substituir o Claude, o Pentágono já fechou acordos com a OpenAI e a xAI, de Elon Musk. No entanto, especialistas ouvidos pela imprensa americana alertam que o processo de transição pode levar pelo menos seis meses, dada a complexidade da integração dos sistemas via provedores como a Amazon e a Palantir.

A resistência do Vale do Silício

O caso da Anthropic parece ser o sintoma de um movimento maior. Segundo a Axios, grandes corporações americanas (de varejistas como Costco a gigantes da indústria como a 3M) começam a demonstrar uma “espinha dorsal” contra políticas da administração Trump, priorizando valores de mercado e diretrizes éticas em detrimento da conformidade imediata.

No campo de batalha do Irã, a Operação Epic Fury pode ter sido um sucesso militar, mas deixou exposta uma vulnerabilidade estratégica: a dependência de uma inteligência que o próprio governo não consegue (ou não é autorizado a) controlar totalmente.

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