Os democratas conquistaram o controle do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 2026, impondo uma derrota ao presidente Donald Trump e aos candidatos apoiados por grandes empresários do setor de tecnologia.
O resultado reflete a insatisfação dos eleitores com o custo de vida, a corrupção e a expansão dos data centers de inteligência artificial (IA). Também representa um revés para bilionários que investiram centenas de milhões de dólares nas campanhas republicanas.
Donald Trump sofreu uma derrota eleitoral com a conquista democrata do controle do Congresso dos Estados Unidos. – Imagem: YousufDean/Shutterstock
Texas se torna símbolo da derrota republicana
No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton e se tornou o primeiro democrata eleito para o Senado pelo estado em quase quatro décadas. Na disputa pelo governo estadual, Gina Hinojosa venceu Greg Abbott, que estava no cargo havia três mandatos. Ela será a primeira governadora democrata do Texas desde Ann Richards, que deixou o posto em 1995.
A derrota também atingiu candidatos escolhidos pessoalmente por Trump, que havia feito dezenas de endossos durante a campanha. O resultado no Texas ganhou destaque em meio à resistência de parte dos eleitores à expansão da infraestrutura tecnológica. Hinojosa defendeu a suspensão de novos projetos de data centers até que regras mais rigorosas sejam adotadas.
A preocupação com essas instalações apareceu em uma pesquisa da CNBC: 56% dos entrevistados disseram que a questão teve importância decisiva ou significativa na escolha de seus candidatos.
Bilionários da tecnologia enfrentam reação dos eleitores
A derrota republicana também representa um revés para empresários e grupos de interesse que financiaram candidatos favoráveis à expansão da infraestrutura de inteligência artificial. Elon Musk, o maior doador individual do ciclo eleitoral e o homem mais rico do mundo, gastou valores recordes para tentar manter os republicanos no poder. No Texas, investiu mais de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,08 bilhão) em esforços para impedir a vitória de Talarico.
O peso desse financiamento aparece também no perfil dos principais doadores: 14 dos 20 maiores grupos apoiaram exclusivamente ou quase exclusivamente candidatos republicanos. Interesses ligados a criptomoedas, inteligência artificial e jogos de azar on-line investiram mais de US$ 377 milhões (aproximadamente R$ 2,04 bilhões).
A vitória democrata no Texas foi marcada por propostas de interrupção de novos projetos de data centers até a criação de regras rígidas. – Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock
Congresso deve ampliar fiscalização sobre empresas de IA
Com a conquista da maioria na Câmara e no Senado, os democratas terão mais poder para fiscalizar o governo Trump, convocar autoridades e abrir investigações. Parlamentares já defenderam chamar executivos de empresas de inteligência artificial para depor sob juramento.
A mudança no equilíbrio político também põe em xeque as tentativas republicanas de redesenhar distritos eleitorais para favorecer seus candidatos. Democratas venceram disputas em áreas do Texas, da Flórida e da Carolina do Norte cujos limites haviam sido alterados com esse objetivo.
Outras vitórias ampliaram o alcance da mudança no mapa eleitoral: os democratas venceram disputas na Carolina do Sul, em Ohio, na Geórgia e em New Hampshire, além de conquistar cadeiras no Senado em Iowa e na Carolina do Norte.
A insatisfação econômica teve papel central na eleição. Muitos eleitores atribuíram a piora das condições econômicas às tarifas impostas por Trump e à guerra contra o Irã. Uma pesquisa da CNBC realizada em outubro apontou a corrupção como a principal preocupação dos entrevistados.
Após a divulgação dos resultados, os contratos futuros dos índices Dow Jones e S&P 500 recuaram. Com o novo controle do Congresso, os democratas poderão bloquear parte da agenda presidencial e intensificar a fiscalização sobre o governo nos dois últimos anos do mandato de Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta terça-feira (27), que pretende proibir oficialmente o uso da expressão “inteligência artificial” em documentos e outros contextos. Em publicação na rede social Truth Social, ele voltou a defender que a tecnologia passe a ser chamada de “superinteligência”, por considerar o nome atual impreciso.
A declaração foi feita em crítica ao jornal americano The Wall Street Journal, que, segundo Trump, ainda não adotou a terminologia de sua preferência.
“Em pouco tempo, vamos PROIBIR oficialmente o termo ‘IA/inteligência artificial’ em todos os documentos relevantes e em tudo mais, devido à sua imprecisão”, escreveu o presidente.
A manifestação amplia iniciativa que Trump já havia colocado em prática no governo. Em 29 de setembro, ele assinou uma ordem executiva determinando que departamentos e agências do Executivo federal adotassem os termos “Super Intelligence” e “SI” em correspondências oficiais, comunicações públicas e documentos de políticas públicas, deixando de usar as expressões “Artificial Intelligence” e “AI”.
A nova declaração, no entanto, não esclarece como uma eventual proibição mais ampla funcionaria, quais outros contextos seriam afetados nem quando as novas medidas entrariam em vigor.
Por que Trump quer mudar o nome da inteligência artificial?
Trump considera que a palavra “artificial” transmite uma ideia equivocada sobre a tecnologia. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em setembro, o presidente argumentou que o termo faz a inteligência parecer falsa, quando, na visão dele, as capacidades desses sistemas seriam extraordinárias;
A preferência por “superinteligência” também foi incorporada ao discurso oficial do governo estadunidense, que apresenta a mudança como uma forma de reconhecer os avanços tecnológicos;
O conceito, porém, tem significado específico no campo da tecnologia. A superinteligência costuma ser associada a sistemas capazes de superar as habilidades cognitivas humanas em praticamente todas as áreas intelectuais. Trata-se de categoria distinta da inteligência artificial (IA) em sentido amplo, que abrange desde sistemas de reconhecimento de imagens até ferramentas generativas, como o ChatGPT;
Em análise publicada pela revista científica Nature em outubro, pesquisadores destacaram justamente essa diferença: a superinteligência é uma categoria aspiracional de sistemas tecnológicos, e não uma descrição consolidada de todas as ferramentas de IA existentes atualmente.
O que muda na prática?
Por enquanto, a mudança estabelecida pela ordem executiva de setembro se concentra no Poder Executivo federal. A declaração mais recente de Trump sugere a intenção de ampliar a substituição da terminologia, mas não apresenta detalhes suficientes para determinar o alcance de eventual proibição.
Também não há, na publicação citada, uma definição federal definitiva que estabeleça quais tecnologias se enquadrariam na categoria de “superinteligência”. A própria Casa Branca informou, ao anunciar a ordem executiva, que o governo deveria elaborar uma definição oficial para os termos “Super Intelligence” e “SI”.
Assim, a iniciativa representa uma mudança na linguagem adotada pelo governo estadunidense, mas não significa que todas as tecnologias atualmente conhecidas como inteligência artificial tenham passado a ser tecnicamente classificadas como superinteligência.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (8) que pessoas ou empresas que continuarem usando o termo “inteligência artificial”, em vez de “superinteligência” (SI, na sigla em inglês), serão consideradas “inimigas” da Casa Branca.
A declaração foi publicada por Trump na rede Truth Social. Segundo ele, “superinteligência” seria um termo mais aceito e preciso para descrever a tecnologia. A mudança de nomenclatura ocorre depois de a Casa Branca determinar que órgãos e agências federais passem a usar “Super Intelligence” e “SI” em comunicações oficiais.
A determinação, porém, não se aplica a empresas privadas, como OpenAI. O governo federal não teria autoridade legal para obrigar companhias a adotarem a nova terminologia. Ainda assim, pelo menos uma empresa já sinalizou uma mudança: Elon Musk afirmou que a unidade de inteligência artificial da SpaceX, atualmente chamada SpaceXAI, passará a se chamar SpaceXSI.
A mudança também apareceu durante um evento na Casa Branca nesta quinta-feira. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, corrigiu a si mesmo depois de usar “AI” em vez de “SI”, enquanto o presidente da OpenAI, Greg Brockman, afirmou que a empresa “constrói inteligência artificial”. O CEO da OpenAI, Sam Altman, também disse recentemente que não há planos para mudar o nome da empresa, embora a companhia continue falando sobre superinteligência.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, neste domingo (4), a criação da Super Intelligence Force (SIF) (Força da Superinteligência, na tradução literal), força-tarefa voltada à coordenação das ações do governo estaduniense relacionadas ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
O anúncio ocorreu após Trump se reunir, na semana passada, com líderes das maiores empresas de IA dos Estados Unidos, em meio à crescente pressão pela criação de mecanismos de segurança para a tecnologia.
“Após o Histórico Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência, no qual as empresas de tecnologia mais importantes do mundo se reuniram e confirmaram suas responsabilidades perante o povo americano, estou anunciando a formação da Super Intelligence Force (SIF)”, escreveu Trump em publicação no Truth Social.
Segundo o presidente, a força-tarefa vai coordenar ações com o governo federal para “garantir que a América continue liderando o mundo em superinteligência”.
O termo “superinteligência” passou a ser a expressão que Trump determinou que o governo federal utilize no lugar de “inteligência artificial”.
Quem vai comandar a força-tarefa
Trump afirmou que a SIF será responsável por manter contato com consumidores, grupos de interesse público, organizações religiosas, fornecedores de infraestrutura e líderes do setor de tecnologia;
O grupo será liderado pelo diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Jay Clayton, que também deverá ocupar a posição de czar de IA;
Além de Clayton, Trump anunciou que Andrew Ferguson, presidente da Comissão Federal de Comércio (FTC); Emil Michael, subsecretário de pesquisa e engenharia e diretor de tecnologia do Pentágono; e Scott Kupor, diretor do Escritório de Gestão de Pessoas, também estarão à frente da força-tarefa;
Os quatro responderão diretamente a Trump e à chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles.
Trump afirmou que a SIF será responsável por manter contato com consumidores, grupos de interesse público, organizações religiosas, fornecedores de infraestrutura e líderes do setor de tecnologia – Imagem: VideoFlow/Shutterstock
O anúncio acontece poucos dias depois de Trump se reunir na Casa Branca com representantes de algumas das principais empresas de IA do país: OpenAI, Anthropic, Google, Meta, Nvidia e SpaceXAI. Após o encontro, as empresas assinaram um conjunto de padrões voluntários de segurança para seus sistemas.
Trump classificou os compromissos como “moralmente vinculantes” e afirmou posteriormente que estava observando uma “tremenda autorregulação” por parte das companhias.
De acordo com uma cópia do acordo de uma página divulgada pelo presidente, as empresas se comprometeram a adotar quatro camadas de controles e auditorias para verificar se os modelos de IA estão funcionando conforme o planejado.
As medidas incluem avaliações internas, auditorias realizadas por uma empresa externa e análises pelos conselhos de administração de cada companhia.
Os executivos também concordaram em se reunir regularmente para estabelecer padrões e boas práticas com o objetivo de melhorar a segurança de seus sistemas.
A criação da Força da Superinteligência amplia a participação direta do governo estadunidense no debate sobre os riscos e a segurança dos sistemas de IA, ao mesmo tempo em que Trump busca garantir que os Estados Unidos mantenham a liderança no desenvolvimento da tecnologia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve nomear Jay Clayton como o novo “czar” de inteligência artificial da Casa Branca. Segundo a CNN, que ouviu fontes ligadas ao assunto, o atual diretor de inteligência nacional vai comandar a força-tarefa criada para fomentar o setor no país.
A indicação dá sequência à iniciativa anunciada por Trump em setembro. A Casa Branca quer acelerar o desenvolvimento da tecnologia e aposta em mecanismos de autorregulação, enquanto o presidente rejeita a criação de leis federais específicas para controlar o setor.
A Casa Branca aposta na autorregulação enquanto busca acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial nos Estados Unidos. – Imagem: Funtap/Shutterstock
Aceleração sem novas regras
A postura da Casa Branca contrasta com os apelos por uma desaceleração do desenvolvimento da IA. Trump já descartou a criação de normas nacionais para regular a tecnologia e classificou ações contra a inteligência artificial e os centros de dados como uma “conspiração doentia”.
A aposta na autorregulação ganhou um formato concreto no fim de setembro. Executivos de empresas como Google, Nvidia, Anthropic e X assinaram na Casa Branca um código voluntário de boas práticas para lidar com riscos associados aos sistemas de IA.
O que prevê o código
O documento estabelece diferentes mecanismos de acompanhamento e avaliação dos sistemas. Entre eles estão:
Supervisão em quatro níveis: a estrutura prevê diferentes etapas de controle interno para acompanhar os riscos dos modelos;
Avaliações independentes: auditorias externas devem verificar as avaliações de segurança realizadas pelas próprias empresas;
Revisão por gestores: um comitê independente deverá analisar essas avaliações, seguindo uma estrutura inspirada em órgãos de autorregulação do mercado financeiro dos Estados Unidos.
As medidas foram apresentadas após incidentes recentes envolvendo sistemas de inteligência artificial. Como comentamos aqui no Olhar Digital, programas autônomos da OpenAI acessaram plataformas do governo americano sem autorização.
A discussão também ultrapassa a questão regulatória. O governo dos Estados Unidos considera os avanços em IA cruciais para a competitividade econômica e militar do país, em um cenário marcado pelo desacordo com a China sobre o acesso a chips avançados e os rumos da indústria.
Auditorias externas e um comitê independente estão entre as medidas previstas no código de boas práticas – Crédito: Imagem gerada por IA
Quem é Jay Clayton
A possível nomeação coloca no centro da política de IA um nome com passagem por diferentes áreas do governo americano. Ex-advogado do escritório Sullivan & Cromwell, Clayton presidiu a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) durante o primeiro mandato de Trump. Na época, construiu uma reputação de perfil moderado e buscou consenso com comissários democratas.
Em abril de 2025, Trump o nomeou procurador interino do Distrito Sul de Nova York. Desde junho de 2026, Clayton ocupa o cargo de diretor de inteligência nacional dos EUA, responsável por liderar as ações de espionagem do governo norte-americano.
Ao defender a criação do novo cargo, Trump afirmou que o governo não vai “impedir ou sufocar o crescimento desta indústria incrível”. Se a nomeação for confirmada, Clayton passará a comandar a força-tarefa encarregada de fomentar a inteligência artificial na Casa Branca.
As principais empresas de inteligência artificial (IA) dos Estados Unidos assinaram, na terça-feira (29), um código voluntário de boas práticas apresentado pelo governo de Donald Trump. O acordo estabelece compromissos relacionados à segurança, à inovação e ao desenvolvimento da tecnologia de IA.
O documento foi assinado durante reunião entre Trump e executivos de grandes empresas do setor na Casa Branca. Entre os participantes estavam representantes de companhias, como OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft, Meta, Amazon e xAI.
O código é organizado em quatro áreas principais.
Segurança dos sistemas de IA
Um dos compromissos prevê que as empresas desenvolvam e adotem práticas destinadas a aumentar a segurança de seus modelos de IA;
O objetivo é reduzir riscos associados ao desenvolvimento e à utilização de sistemas cada vez mais avançados. As companhias também se comprometem a compartilhar informações sobre riscos e incidentes relacionados à segurança de seus modelos;
A proposta ocorre em momento de preocupação crescente com sistemas capazes de executar tarefas de maneira mais autônoma e com possíveis consequências não previstas de seu funcionamento.
O acordo também busca estimular o avanço da pesquisa em IA. As empresas signatárias se comprometem a continuar investindo no desenvolvimento de modelos e tecnologias de IA, com o objetivo de preservar a liderança dos Estados Unidos no setor.
Trump recebeu gigantes de tecnologia na Casa Branca nesta terça-feira (29) – Imagem: reprodução/Casa Branca
O governo Trump vem defendendo a expansão da indústria de IA no país como parte de sua estratégia para manter a competitividade tecnológica estadunidense.
Infraestrutura e energia
Outro ponto do código trata da infraestrutura necessária para sustentar a expansão da IA.
O crescimento dos modelos de IA exige grandes quantidades de capacidade computacional e energia. Por isso, o documento inclui compromissos relacionados à expansão da infraestrutura necessária para atender à demanda do setor.
A iniciativa também está ligada aos esforços do governo estadunidense para acelerar a construção de estruturas capazes de sustentar o desenvolvimento da IA no país.
Uso responsável da IA
O quarto eixo envolve o uso responsável da tecnologia. As empresas assumem compromissos relacionados à forma como seus sistemas serão desenvolvidos e utilizados, incluindo medidas para lidar com possíveis riscos associados à IA.
O código, no entanto, tem caráter voluntário. Isso significa que as empresas não estão sujeitas às mesmas obrigações de uma legislação aprovada pelo Congresso estadunidense.
A iniciativa faz parte da estratégia do governo Trump de estimular o desenvolvimento da inteligência artificial nos Estados Unidos, enquanto busca estabelecer parâmetros para o setor sem criar, neste momento, um conjunto amplo de novas regras federais obrigatórias.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu, nesta terça-feira (29), alguns dos principais executivos do setor de tecnologia para discutir o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), seus riscos e a necessidade de manter a liderança estadunidense na área.
O encontro aconteceu durante um almoço na Casa Branca e reuniu nomes, como Jensen Huang, CEO da Nvidia; Mark Zuckerberg, CEO da Meta; Sundar Pichai, CEO do Google; Dario Amodei, CEO da Anthropic; Greg Brockman, presidente da OpenAI; Elon Musk, da Tesla, SpaceX e xAI; Satya Nadella, CEO da Microsoft; e Jeff Bezos, fundador da Amazon.
Ao lado dos executivos, Trump afirmou que as empresas estão dispostas a adotar mecanismos próprios de segurança e disse que os participantes assinaram um acordo que chamou de “moralmente vinculante”.
O documento, apresentado como “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência”, estabelece compromissos voluntários para empresas que desenvolvem e implementam modelos de IA de fronteira. Entre as medidas estão controles internos, avaliações independentes e supervisão por comitês ligados aos conselhos de administração.
O acordo também prevê que as empresas participantes se reúnam regularmente para estabelecer padrões e boas práticas de segurança. O texto não descarta que, futuramente, parte dessas medidas possa ser transformada em leis ou regulamentos.
O que as empresas se comprometeram a fazer
O documento prevê quatro frentes principais:
A primeira é a criação de controles internos para acompanhar as capacidades e o comportamento dos modelos durante o treinamento e a utilização. A ideia é monitorar riscos relacionados a áreas, como cibersegurança, biossegurança e ameaças químicas, além de tentar evitar que os sistemas acessem ou invadam outros sistemas de maneira não intencional;
A segunda medida determina que cada empresa tenha uma equipe interna responsável por verificar os mecanismos de controle e monitoramento e garantir que eventuais problemas sejam corrigidos;
As companhias também deverão contratar avaliadores ou auditores independentes para verificar se os controles e mecanismos de segurança estão funcionando adequadamente;
Por fim, cada empresa deverá criar um comitê independente ligado ao conselho de administração, responsável por acompanhar os relatórios das equipes internas e dos avaliadores externos e monitorar a correção de eventuais falhas.
Mark Zuckerberg afirmou que as empresas concordaram em desenvolver controles internos robustos e que auditores deverão verificar esses procedimentos e reportar os resultados aos conselhos das companhias.
Apesar de Trump ter chamado o acordo de “moralmente vinculante”, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, descreveu o documento como uma declaração de princípios voluntária por parte da indústria.
Trump também afirmou que sua administração está considerando criar um comitê com dez integrantes para supervisionar a segurança da IA. Ele não informou quem faria parte do grupo.
Data centers também estiveram na pauta do presidente estadunidense – Imagem: shihabsarkar/Shutterstock
Trump defende autorregulação e expansão dos data centers
Durante o encontro, Trump afirmou que não pretende interromper o desenvolvimento da IA e defendeu a autorregulação pelas empresas. Segundo o presidente, além dos mecanismos criados pelo próprio setor, órgãos, como o Departamento de Justiça e o FBI, já possuem autoridade para agir em casos problemáticos.
Trump também voltou a defender a expansão dos enormes data centers necessários para treinar e operar sistemas de IA. Os empreendimentos vêm enfrentando resistência de comunidades estadunidenses por causa de questões, como consumo de eletricidade e custos para os serviços locais.
O presidente afirmou que as empresas de tecnologia deverão trabalhar com as comunidades onde os data centers forem instalados e fazer contribuições financeiras para essas regiões. “Eles querem ver comunidades seguras e felizes, e vão tornar as comunidades muito, muito felizes”, afirmou Trump.
Em outro momento, o presidente disse que as empresas fariam “contribuições enormes” para as comunidades que receberem essas estruturas.
A ideia também apareceu nas declarações de executivos. A CEO da AMD, Lisa Su, afirmou que saiu do encontro “muito encorajada” e destacou que existe uma responsabilidade das empresas de demonstrar o potencial da tecnologia ao mesmo tempo em que garantem sua segurança.
“É nossa responsabilidade mostrar o poder da tecnologia e também garantir que ela seja muito segura”, disse Su.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, participou do encontro depois de ter se reunido individualmente com Trump no domingo (27).
Amodei vem defendendo medidas para lidar com os riscos associados ao avanço dos sistemas de IA. Após o almoço, ele afirmou que as regras para enfrentar esses riscos ainda estão em discussão. “Todos nós precisamos trabalhar juntos para garantir que possamos vencer, e podemos vencer com segurança. Se fizermos isso da maneira certa, se trabalharmos com o presidente e todos aqui, poderemos vencer com segurança”, declarou.
A presença de Amodei também chama atenção porque a Anthropic está entre as empresas que defendem medidas de segurança para sistemas cada vez mais avançados. Na semana passada, líderes do setor, incluindo Amodei e o CEO da OpenAI, Sam Altman, participaram de discussões internacionais sobre os riscos da tecnologia e a necessidade de mecanismos de segurança.
No encontro desta terça-feira, entretanto, o foco ficou na tentativa de estabelecer controles dentro das próprias empresas, em vez de uma nova estrutura federal obrigatória.
Trump quer chamar IA de “superinteligência”
Além do acordo de segurança, Trump anunciou uma mudança de nomenclatura para a tecnologia. Segundo o presidente, ele assinou um documento para “oficialmente” mudar o nome de inteligência artificial para “superinteligência”.
“Nós mudamos oficialmente o nome hoje”, afirmou Trump. Segundo ele, o novo termo teria sido assinado pelos principais nomes da indústria reunidos na Casa Branca. Questionado se a mudança teria algum caráter obrigatório, Trump respondeu que o documento era “moralmente vinculante”.
Mike Johnson explicou que o documento assinado pelos participantes se chama “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência: Compromisso Conjunto sobre Responsabilidades da Superinteligência de Fronteira” e reúne compromissos voluntários da indústria.
A expressão “superinteligência”, porém, já é utilizada no setor de tecnologia para descrever sistemas de IA hipotéticos ou futuros capazes de superar seres humanos nas mais diversas tarefas. Portanto, o anúncio de Trump funciona como uma mudança de nomenclatura, e não como a criação de uma nova categoria tecnológica.
O presidente havia consultado seus seguidores nas redes sociais na semana anterior sobre possíveis novos nomes para a tecnologia, colocando em votação as opções “SUPER INTELLIGENCE” e “SUPERIOR INTELLIGENCE” (“superinteligência” e “inteligência superior”, em tradução livre).
Trump também mudou o nome da IA – Imagem: YousufDean / Shutterstock
Disputa entre segurança e desenvolvimento
O encontro ocorre em momento de aumento das discussões sobre a segurança de sistemas de IA. OpenAI e Anthropic relataram incidentes envolvendo agentes capazes de realizar ações não autorizadas, enquanto empresas e pesquisadores discutem como estabelecer limites para modelos cada vez mais autônomos.
Na Casa Branca, Trump manteve a defesa de uma abordagem baseada principalmente na autorregulação. “Acho que estou vendo uma enorme autorregulação. E eles entendem que precisam se autorregular”, disse o presidente.
O acordo firmado nesta terça-feira estabelece mecanismos internos e avaliações externas para acompanhar os sistemas, mas deixa aberta a possibilidade de que parte dessas medidas seja transformada em regras obrigatórias no futuro.
Ao mesmo tempo, Trump afirmou que os Estados Unidos precisam preservar sua vantagem tecnológica sobre a China. “É ótimo para nós, e estamos liderando por muito, e vamos continuar assim”, afirmou o presidente. “Vai ser muito, muito seguro, e haverá autorregulação, e também haverá uma fiscalização conjunta.”
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, discursaram nesta quinta-feira (24) em Washington.
Os dois protagonizam a maior rivalidade geopolítica atualmente. Xi Jinping chegou à capital americana nesta quarta-feira (23) para se encontrar com Trump. Ele não falará na Assembleia Geral da ONU, realizada ao longo desta semana, em Nova York.
Sobre inteligência artificial, o líder chinês afirmou que se preocupa em regular o avanço da tecnologia. O republicano, na contramão, não demonstra qualquer interesse em colocar o pé no freio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (24) que a inteligência artificial será um dos principais temas da reunião com o presidente chinês, Xi Jinping, em Washington.
O encontro ocorre em meio à disputa entre os dois países pelo avanço da tecnologia. Trump defende o desenvolvimento acelerado da IA, enquanto crescem os alertas sobre os riscos de sistemas cada vez mais avançados.
A superinteligência estará entre os assuntos discutidos por Trump e Xi Jinping durante o encontro desta quinta-feira. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock
IA virou ponto de disputa
Trump afirmou em sua rede social que a superinteligência estará entre os assuntos discutidos com Xi. “Um dia importante com o Presidente Xi, da China. A Superinteligência artificial (SI) será um grande tema de discussão, mas quero deixá-la exatamente onde está. Essa também é a posição da China. Nossa salvaguarda é o Departamento de Justiça!”, declarou.
Nas últimas semanas, Trump também rejeitou pedidos para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Ele disse que não pretende frear um setor que, em sua avaliação, poderá superar o impacto da Revolução Industrial ou da própria internet.
A disputa envolve:
desenvolvimento de sistemas de IA mais avançados;
riscos relacionados à segurança nacional;
restrições dos EUA à exportação de chips de IA;
competição pela liderança tecnológica;
comunicação sobre incidentes envolvendo IA.
Os dois países discutem um mecanismo de notificação para incidentes de inteligência artificial que afetem a segurança nacional. – Imagem: CHIEW/Shutterstock
EUA e China avaliam cooperação
Mesmo em meio à disputa, Washington e Pequim discutem uma forma de ampliar a comunicação sobre riscos relacionados à tecnologia.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que os EUA propuseram um novo mecanismo de notificação para incidentes de IA capazes de afetar a segurança nacional.
“Acreditamos que, assim como em qualquer atividade transfronteiriça, passar da opacidade para uma maior transparência entre a primeira e a segunda maiores potências de IA do mundo é muito importante”, afirmou Bessent.
A proposta foi apresentada antes da reunião entre Trump e Xi. O encontro desta quinta-feira coloca a inteligência artificial no centro das conversas entre os dois países.
A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping coloca a segurança da inteligência artificial nas discussões entre Estados Unidos e China. Os dois governos avaliam como lidar com sistemas cada vez mais autônomos, enquanto mantêm a corrida pelo avanço da tecnologia.
Uma possível aproximação envolve regras comuns, comunicação em casos graves e mecanismos para verificar informações. Segundo a CNBC, porém, um acordo para desacelerar o desenvolvimento da IA é considerado extremamente improvável.
As restrições americanas aos chips avançados para a China continuam sendo um ponto de tensão tecnológica. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital
Por que a segurança entrou na conversa
A preocupação aumentou depois que sistemas de IA passaram a executar tarefas mais complexas. A OpenAI afirmou que um modelo de pesquisa conseguiu acesso não autorizado a partes da plataforma Hugging Face. A Anthropic também identificou o uso de IA para automatizar etapas de ataques cibernéticos.
Episódios assim alimentam o temor de que modelos mais autônomos possam tornar ataques mais rápidos e difíceis de conter. Aalok Mehta, diretor do Wadhwani AI Center, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), disse à CNBC que os dois países estão especialmente preocupados com agentes capazes de escapar de mecanismos de controle e invadir sites.
Antes do encontro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, discutiu com o vice-premiê chinês He Lifeng a criação de um diálogo bilateral sobre IA. A proposta inclui um canal para tratar de incidentes que possam alcançar o nível de segurança nacional.
O que pode ser discutido
Mehta aponta dois possíveis pontos de aproximação: definições e estruturas comuns para a segurança de modelos avançados e um mecanismo de comunicação emergencial.
Chris McGuire, pesquisador sênior do Conselho de Relações Exteriores (CFR), considera esse canal para incidentes de segurança nacional um passo modesto, mas positivo. Para ele, porém, um acordo para reduzir o ritmo de desenvolvimento da IA é extremamente improvável.
Entre os assuntos que podem aparecer nas conversas estão:
definições comuns para segurança de sistemas avançados;
comunicação sobre incidentes de segurança;
mecanismos para verificar informações compartilhadas;
acusações sobre o uso de “distillation” por empresas chinesas;
restrições americanas à exportação dos chips de IA mais avançados.
A possível cooperação em segurança não significa uma pausa na disputa entre EUA e China pelo avanço da IA. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock
A corrida pelos chips continua
O possível diálogo ocorre em meio a uma disputa tecnológica que permanece ativa. Os Estados Unidos restringem o acesso chinês aos chips mais avançados da Nvidia e acusam empresas chinesas de usar “distillation”, prática de treinar modelos a partir das respostas de sistemas mais avançados. Pequim rejeita a acusação.
Segundo a CNBC, várias empresas chinesas também teriam conseguido acessar remotamente a capacidade computacional desses chips por meio de data centers no Sudeste Asiático, apesar das restrições americanas.
Trump, por sua vez, defende a competição tecnológica com a China. “Se não vencermos a IA, estaremos em uma posição muito ruim”, afirmou o presidente americano no início deste mês.
Verificação pode ser decisiva
Para Mehta, qualquer cooperação precisa preservar a capacidade de Estados Unidos e China competirem no desenvolvimento de suas tecnologias. O outro requisito é estabelecer uma forma confiável de verificar o que cada lado compartilha.
O deputado americano Ro Khanna, que representa parte do Vale do Silício, defendeu a criação de salvaguardas comuns. “Por que não concordamos simplesmente que não deveria ser possível ter uma IA que se autoaperfeiçoe?”, questionou.
A desconfiança entre os governos torna os mecanismos de verificação especialmente importantes. Na avaliação de Mehta, ferramentas técnicas e de governança seriam necessárias para conferir a precisão das informações trocadas.
O encontro pode criar um canal de comunicação sobre os riscos da IA sem interromper a competição tecnológica entre Estados Unidos e China.