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Eleições nos EUA podem impactar a IA que você usa

O resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que acontecem nesta terça-feira (3), poderá influenciar a tramitação de um projeto que propõe mudanças nas regras federais de licenciamento ambiental para obras de infraestrutura energética, em um momento de crescente demanda por eletricidade para abastecer os data centers que sustentam a expansão da inteligência artificial.

O que são as eleições de meio de mandato:

  • Termômetro da gestão: Ocorrem na metade do mandato presidencial de quatro anos e funcionam como uma avaliação popular da administração em exercício.
  • Composição do Congresso: Renovam todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço das 100 cadeiras do Senado americano.
  • Disputas nos estados: Também incluem eleições para governadores e outros cargos estaduais em diferentes partes do país.
  • Margem de governabilidade: O resultado influencia a capacidade do presidente de aprovar leis e orçamentos e de conduzir sua agenda legislativa.
As Midterms (Eleições de Meio de Mandato) reconfiguram as cadeiras do Congresso e governos estaduais, testando a força da Casa Branca para a segunda metade do mandato. – Crédito: Imagem gerada por IA

Elaborada por parlamentares republicanos e democratas, a Lei Bipartidária Americana de Acessibilidade Econômica e Empregos (BAAJA, na sigla em inglês) pretende modificar procedimentos de avaliação ambiental e autorização de grandes empreendimentos. A iniciativa reúne mudanças em diferentes legislações e procura reduzir o tempo necessário para tirar projetos de infraestrutura do papel.

O texto é resultado de negociações entre quatro senadores que ocupam posições de liderança nas comissões de Meio Ambiente e Obras Públicas e de Energia e Recursos Naturais: Shelley Moore Capito e Mike Lee, republicanos, além de Sheldon Whitehouse e Martin Heinrich, democratas.

O que muda com a proposta de reforma

Um dos principais objetivos do BAAJA é estabelecer prazos para as avaliações ambientais federais. Pelo texto, análises de grandes projetos deverão ser concluídas, em geral, dentro de um a dois anos. A proposta também prevê maior coordenação entre órgãos governamentais, limita determinadas possibilidades de contestação judicial e estabelece condições para dar mais segurança às licenças concedidas.

O projeto altera dispositivos de três leis ambientais federais: a Lei Nacional de Política Ambiental (NEPA), que orienta a avaliação dos impactos de obras e empreendimentos; a Lei da Água Limpa, que protege os recursos hídricos; e a Lei de Espécies Ameaçadas, voltada à conservação de animais e plantas sob risco de extinção.

Segundo análise, a reforma pode alterar a maneira como projetos que afetam áreas naturais, cursos d’água e habitats de animais são analisados. O objetivo declarado pelos defensores é evitar que sucessivas etapas administrativas e disputas judiciais prolonguem indefinidamente a autorização de obras. Organizações ambientais, entretanto, questionam se a redução dessas etapas não diminuirá as oportunidades de participação pública e fiscalização.

Infográfico mostra como eleições americanas podem influenciar obras de energia e expansão da inteligência artificial.
Infográfico mostra como eleições americanas podem influenciar obras de energia e expansão da inteligência artificial. – Crédito: Imagem gerada por IA

A proposta também trata da transmissão de eletricidade. O BAAJA prevê mudanças na atuação da Comissão Federal Reguladora de Energia (FERC), ampliando sua possibilidade de autorizar determinadas linhas interestaduais quando os processos estaduais não avançarem. A iniciativa também modifica os critérios para esses empreendimentos e busca facilitar a conexão entre regiões produtoras e consumidoras.

Esse aspecto é especialmente relevante porque a expansão da geração elétrica não resolve, sozinha, os problemas de abastecimento. A energia produzida em uma usina precisa chegar aos consumidores por meio de uma rede capaz de transportar grandes volumes a longas distâncias. Quando faltam linhas de transmissão, novos projetos de geração podem enfrentar dificuldades para se conectar ao sistema, mesmo quando existe capacidade de produção disponível.

Para Thiago Maia, físico, com mestrado e doutorado em Física Nuclear, engenheiro de petróleo e com MBA em Gestão de Projetos, a simplificação do licenciamento pode contribuir para superar parte desses obstáculos. Em entrevista ao Olhar Digital, ele explicou que a construção de usinas, subestações e linhas de transmissão pode ganhar agilidade com a redução dos prazos de aprovação.

“O BAAJA poderá acelerar a construção de usinas, subestações e linhas de transmissão ao simplificar processos de licenciamento e reduzir prazos de aprovação. Isso facilitará o fornecimento de eletricidade aos data centers, que exigem grandes quantidades de energia de forma contínua”, afirma o especialista.

Maia ressalta, porém, que a mudança nas regras não garante, por si só, a ampliação da capacidade elétrica. A execução dos projetos também depende de investimentos, disponibilidade de equipamentos e planejamento da rede, fatores necessários para que a energia chegue efetivamente aos novos consumidores.

Inteligência artificial aumenta a pressão sobre a rede

A necessidade de ampliar e modernizar essa infraestrutura está relacionada ao crescimento do consumo de eletricidade nos Estados Unidos. Durante anos, a demanda nacional permaneceu relativamente estável, mas a expansão de atividades industriais, a eletrificação e, principalmente, a construção de centros de processamento de dados mudaram essa trajetória.

Um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), publicado em 2026, estima que o consumo americano aumentará mais de 420 terawatts-hora entre 2025 e 2030. Os data centers deverão responder por aproximadamente metade desse crescimento, impulsionados pela expansão da inteligência artificial e dos serviços de computação em nuvem.

A Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA) também projeta recordes de consumo. Em sua previsão de setembro, a agência estimou vendas de eletricidade de 4.135 bilhões de quilowatts-hora em 2026 e 4.211 bilhões em 2027. A expansão dos centros de dados e das atividades industriais está entre os principais fatores por trás desses números.

Infográfico mostra como a expansão da inteligência artificial impulsiona o consumo de eletricidade nos EUA.
Infográfico mostra como a expansão da inteligência artificial impulsiona o consumo de eletricidade nos EUA. – Crédito: Imagem gerada por IA

O crescimento, porém, traz uma questão econômica: quem deverá pagar pela infraestrutura necessária para atender aos novos consumidores? A conexão de instalações de grande porte pode exigir transformadores, subestações e linhas de transmissão adicionais. Se esses investimentos forem distribuídos entre todos os usuários, famílias e pequenas empresas poderão acabar arcando com parte dos custos gerados por grandes companhias de tecnologia.

O próprio BAAJA busca enfrentar essa questão ao prever que os data centers arquem com os custos de transmissão de energia necessários ao funcionamento de suas instalações. Em junho, a FERC também determinou que os seis operadores regionais de rede sob sua jurisdição justificassem ou revisassem as tarifas aplicadas a grandes consumidores, entre eles os centros de processamento de dados.

A disputa por eletricidade também pode aumentar a desigualdade tecnológica entre países. Na avaliação de Maia, nações com maior disponibilidade de energia, redes modernas e capacidade financeira terão melhores condições para desenvolver tecnologias próprias e atrair investimentos em IA. “Países com energia abundante, infraestrutura moderna e maior capacidade financeira terão vantagens no desenvolvimento da inteligência artificial. Já países com eletricidade cara ou redes deficientes poderão depender de tecnologias estrangeiras, ampliando as desigualdades econômicas e tecnológicas”.

Nesse contexto, a infraestrutura energética passa a influenciar também a competitividade internacional. Países que não conseguirem acompanhar o crescimento do consumo poderão enfrentar dificuldades para desenvolver seus próprios centros de processamento de dados e depender mais de serviços oferecidos por empresas estrangeiras.

Eleições podem mudar o futuro da proposta

A nova composição do Congresso poderá influenciar diretamente a tramitação do BAAJA. O resultado determinará qual partido controlará as duas Casas durante os últimos dois anos do mandato de Donald Trump.

Essa composição interfere na presidência das comissões, na definição das pautas e na capacidade de aprovar projetos. Caso os democratas conquistem uma das Casas, poderão ampliar a fiscalização das decisões do governo e exigir mudanças na proposta. Se os republicanos mantiverem o controle, terão maior margem para conduzir a agenda legislativa da administração.

As possíveis consequências também ultrapassam as fronteiras americanas. Maia avalia que mudanças nas regras de licenciamento dos Estados Unidos podem servir de referência para outros governos interessados em acelerar obras de infraestrutura energética. 

Duas pessoas votando em eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos
Nos EUA, eleições de meio de mandato renovam o Congresso e testam a popularidade presidencial. – Crédito: Rob Crandall/Shutterstock

Entretanto, a redução de exigências ou etapas de avaliação pode gerar preocupações sobre a preservação ambiental e a participação das comunidades afetadas. “O principal desafio será conciliar agilidade nos investimentos com fiscalização e proteção ambiental. As mudanças poderão servir de referência para outros governos que buscam acelerar obras de infraestrutura energética”, afirma Maia.

Segundo a Reuters, a intenção dos negociadores é colocar a proposta entre as primeiras matérias analisadas quando os trabalhos forem retomados após as eleições. A Câmara ainda não aprovou o projeto, portanto sua transformação em lei dependerá de novas negociações e da tramitação nas duas Casas.

Outro ponto envolve as fontes de energia que serão utilizadas para atender ao crescimento da demanda. Como os data centers precisam de eletricidade continuamente, a insuficiência de outras fontes pode levar países a ampliar o uso de combustíveis fósseis, principalmente gás natural e carvão, para evitar interrupções no fornecimento.

Maia considera que esse risco é maior no curto prazo, quando a infraestrutura disponível não consegue acompanhar o aumento do consumo. Ao mesmo tempo, a expansão da IA também pode estimular investimentos em fontes alternativas e sistemas de armazenamento.

“Como os data centers precisam de eletricidade continuamente, países poderão ampliar o uso de gás natural e carvão quando não houver infraestrutura suficiente para atender à demanda com outras fontes. Entretanto, a expansão da inteligência artificial também poderá impulsionar investimentos em energia solar, eólica, nuclear e armazenamento”, explica.

O resultado das urnas não determinará, por si só, o futuro da infraestrutura energética dos Estados Unidos. No entanto, definirá a correlação de forças responsável por discutir os limites da reforma, fiscalizar sua aplicação e decidir quais projetos terão prioridade. As decisões do Congresso terão consequências não apenas para a expansão da rede elétrica, mas também para a proteção ambiental, a matriz energética e a distribuição dos custos entre empresas e consumidores.

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EUA e Rússia retiraram exigência de supervisão humana de pacto global sobre armas autônomas com IA

No início de setembro, centenas de diplomatas se reuniram em uma sala de conferências da ONU para trabalhar em um tratado destinado a regular o uso de armas autônomas letais. Esse seria o primeiro acordo internacional do tipo.

As discussões ganharam força após os episódios de comportamentos inesperados de agentes de inteligência artificial. No entanto, Estados Unidos e Rússia atuaram para enfraquecer uma série de salvaguardas discutidas no âmbito desse esforço da ONU.

Diplomatas dos dois países atuaram com o mesmo propósito

De acordo com reportagem do The Washington Post, diplomatas norte-americanos e russos trabalharam intensamente no documento, removendo uma série de disposições destinadas a salvaguardar o uso de inteligência artificial em armas. Entre elas, estava a exigência de supervisão humana sobre o uso desse tipo de armamento.

Eles ainda retiraram a linguagem que exige que os sistemas operem de maneira “previsível” e “confiável”. Além de removerem uma cláusula que exigia que considerações éticas fossem levadas em consideração ao usar armamentos de IA.

O Departamento de Estado dos EUA, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia e a Organização das Nações Unidas não se pronunciaram publicamente sobre o assunto.

Estados Unidos e Rússia adotaram posição semelhante nas discussões de pacto global sobre armas com IA (Imagem: Africa Stock/Shutterstock)

Governo dos EUA tem minimizado riscos envolvendo a IA

  • O comportamento dos Estados Unidos durante os debates sobre armas autônomas reforça o posicionamento do governo do país.
  • Ao longo dos últimos dias, o presidente Donald Trump minimizou os alertas relacionados à IA.
  • Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, o republicano ainda descartou qualquer cooperação global com o objetivo de frear o avanço da tecnologia.
  • E deixou claro que a Casa Branca deseja vencer a corrida da inteligência artificial.
  • Já em relação ao uso militar da IA, o governo dos EUA havia entrado em um embate com o Anthropic.
  • A justiça acabou dando razão à Casa Branca, como você pode conferir nessa reportagem do Olhar Digital sobre o assunto.

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Nova onda de modelos chineses de IA ameaça domínio das empresas dos EUA

A indústria chinesa de inteligência artificial ganhou novo impulso nas últimas semanas com uma sequência de lançamentos que reduziu a distância em relação aos principais desenvolvedores norte-americanos. Alibaba, Moonshot AI, DeepSeek, Z.ai e ByteDance passaram a disputar espaço no grupo de modelos considerados mais avançados.

O movimento começou já neste ano, com empresas chinesas apresentando sistemas voltados a tarefas complexas, programação, raciocínio e geração de vídeos. A estratégia combinou avanços técnicos com preços inferiores aos praticados por concorrentes dos Estados Unidos.

A expansão desses modelos aumentou a pressão sobre empresas como OpenAI e Anthropic, que passaram a enfrentar um cenário no qual desempenho elevado e eficiência de custos se tornaram fatores decisivos para conquistar usuários e desenvolvedores em escala global.

A nova fase da disputa por eficiência em IA

EUA e China lutando pela influência mundial em inteligência artificial – Imagem: CHIEW/Shutterstock

A recente onda chinesa marca uma mudança em relação aos primeiros impactos provocados pelo avanço da DeepSeek. Antes visto como um caso isolado, o progresso do setor passou a ser interpretado como resultado de um ambiente capaz de produzir sucessivos modelos competitivos em curto espaço de tempo.

Entre os lançamentos citados estão o Qwen3.8-Max, da Alibaba, apresentado como o modelo mais avançado da empresa; o Kimi K3, da Moonshot AI; o V4 Flash, da DeepSeek; o GLM-5.2, da Z.ai; e novas versões da ferramenta Seedance, da ByteDance, voltada à criação de vídeos por inteligência artificial.

O ponto central da disputa deixou de ser apenas quem desenvolve o sistema mais poderoso. A redução de custos passou a ocupar posição estratégica. Dados de avaliação independente mencionados no material apontam que determinadas tarefas executadas pelo DeepSeek V4 Flash poderiam custar centavos, enquanto alternativas americanas avaliadas no mesmo cenário chegariam a valores muito superiores.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Esse cenário criou uma pressão sobre empresas intermediárias do mercado. Companhias que não conseguem entregar mais capacidade pelo mesmo preço ou oferecer custos menores podem perder espaço, já que usuários passam a comparar diretamente desempenho e valor.

A competição também alterou a forma como algumas empresas utilizam diferentes modelos. De acordo com Dermot McGrath, fundador da consultoria ZenGen Labs, alguns profissionais passaram a combinar ferramentas americanas e chinesas: modelos dos Estados Unidos para planejamento e sistemas chineses para execução de tarefas específicas.

O avanço chinês ainda envolve uma disputa tecnológica e política. Washington demonstrou preocupação com questões relacionadas à propriedade intelectual e ao impacto desses avanços sobre sua liderança no setor, ao mesmo tempo em que debate medidas de controle sem comprometer sua posição competitiva.

Outro elemento apontado no crescimento chinês é a disposição das empresas de aceitar retornos financeiros menores no curto prazo para conquistar usuários, desenvolvedores e relevância internacional. Essa estratégia contribuiu para uma forte disputa de preços dentro do próprio mercado chinês.

Além dos modelos de linguagem, a área de geração de vídeos se tornou outro exemplo dessa expansão. A ByteDance ampliou investimentos no Seedance, enquanto a Kuaishou avançou com sua ferramenta Kling AI, que recebeu apoio financeiro de Alibaba e Tencent em uma rodada de US$ 2,8 bilhões.

No centro dessa corrida está uma disputa por liderança tecnológica. Enquanto laboratórios americanos mantêm planos de grandes valorizações de mercado baseadas em modelos de negócios de alta margem, a concorrência chinesa coloca em debate até que ponto esses preços poderão permanecer elevados diante de alternativas mais baratas.

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EUA apertam o cerco à China e miram infraestrutura da inteligência artificial

O governo do presidente Donald Trump elabora uma medida para impedir a entrada nos Estados Unidos de novos modelos de componentes chineses utilizados em data centers. A proposta, conduzida pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), pretende reforçar a proteção da infraestrutura que sustenta o desenvolvimento e a operação de sistemas de inteligência artificial.

A iniciativa foi revelada exclusivamente pela Reuters nesta terça-feira (4) e, caso avance, poderá ser publicada ainda em 2026. O plano prevê restrições à importação de transceptores ópticos produzidos por empresas chinesas, dispositivos responsáveis pela transmissão de dados por cabos de fibra óptica em alta velocidade dentro dos centros de processamento.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a intenção é reduzir riscos relacionados à segurança nacional, evitando que equipamentos considerados sensíveis sejam incorporados à cadeia tecnológica dos Estados Unidos antes que se tornem parte essencial da infraestrutura do país.

Medida mira transceptores ópticos utilizados em centros de processamento

Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

A proposta em análise pela FCC concentra-se nos transceptores ópticos, componentes responsáveis por transportar informações por meio de cabos de fibra óptica dentro dos data centers. Esses equipamentos desempenham papel essencial na comunicação entre servidores e na operação das estruturas utilizadas para treinar e executar modelos de inteligência artificial.

Conforme as fontes ouvidas pela Reuters, o governo avalia que esses dispositivos podem representar vulnerabilidades capazes de facilitar o roubo de dados, a instalação de programas maliciosos ou até interrupções em serviços considerados estratégicos.

A reportagem ressalta, contudo, que a restrição ainda não foi oficialmente aprovada. Pessoas próximas às discussões afirmaram que a proposta permanece em elaboração e poderá ser modificada ou até descartada antes de sua publicação.

Para Divyansh Kaushik, especialista em políticas de inteligência artificial da consultoria Beacon Global Strategies, a proteção da cadeia de suprimentos precisa acompanhar a expansão dos data centers. “Os transceptores definitivamente representam um risco. À medida que a expansão dos data centers ganha escala, é preciso garantir desde o início que a cadeia de suprimentos seja segura“, afirmou o especialista à Reuters.

Paralelo com o caso Huawei

Logo da Huawei exibido em estande da empresa durante evento de tecnologia
Huawei – Imagem: THINK A / Shutterstock

A preocupação das autoridades americanas é evitar que se repita uma situação semelhante à enfrentada com equipamentos da Huawei. Integrantes do governo entendem que a presença ampla de produtos da empresa na infraestrutura de telecomunicações tornou o processo de substituição lento, caro e incompleto após a aplicação de sanções pelos Estados Unidos.

Embora a FCC tenha atuação historicamente independente, a Reuters lembra que uma decisão da Suprema Corte Americana, tomada em junho, fortaleceu os poderes do presidente Donald Trump sobre determinados órgãos reguladores ao validar a demissão de uma integrante democrata da Comissão Federal de Comércio.

Empresas podem sentir impactos

Ilustração de notas de dólares voando ao redor de quadrado com AI escrito, sigla em inglês para Inteligência Artificial
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

Caso a medida seja implementada, uma das companhias potencialmente mais afetadas será a chinesa Zhongji Innolight, apontada como uma das maiores fornecedoras mundiais de transceptores ópticos. A empresa foi incluída, em junho, na lista do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que reúne organizações acusadas de manter vínculos com o setor militar chinês.

Segundo dados citados pela Reuters, a Innolight detém cerca de 27% do mercado global desses equipamentos para data centers e obtém aproximadamente 90% de sua receita fora da China.

Por outro lado, fabricantes americanos como Coherent e Lumentum aparecem entre as empresas que poderiam ser beneficiadas pela mudança regulatória. Ainda assim, um relatório da Foundation for American Innovation indica que essas companhias ainda não possuem capacidade suficiente para substituir integralmente os fornecedores chineses.

A Reuters também destaca que empresas de computação em nuvem, como a Amazon Web Services (AWS), podem enfrentar aumento de custos caso precisem migrar para outros fabricantes.

Restrições seguem estratégia mais ampla

A possível proibição faz parte de uma série de ações adotadas recentemente pela FCC contra equipamentos chineses considerados sensíveis. A agência já anunciou restrições envolvendo drones, roteadores, robôs e inversores, utilizando a chamada “Covered List”, criada pelo Congresso americano para impedir a comercialização futura de produtos classificados como ameaça à segurança nacional.

A reportagem lembra ainda que o Departamento de Comércio chegou a interromper, após uma trégua comercial firmada no ano passado, um conjunto de medidas que também atingiria equipamentos chineses para data centers. Diante desse cenário, a FCC assumiu protagonismo na condução de novas restrições voltadas ao setor.

Em resposta, a Embaixada da China em Washington afirmou que os Estados Unidos deveriam considerar as manifestações da comunidade empresarial dos dois países e deixar de atacar empresas chinesas com acusações e sanções. A representação diplomática acrescentou que Pequim adotará as medidas que considerar necessárias caso seus interesses sofram prejuízos materiais.

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Corrida das IAs: o plano da Europa para correr atrás de China e EUA

A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (30) um plano de €10 bilhões para financiar a criação de sete gigafábricas de inteligência artificial no bloco europeu. A iniciativa busca ampliar a capacidade computacional da região e fortalecer sua posição na disputa tecnológica global.

O projeto será conduzido pela Comissão Europeia, que pretende atrair ao menos €20 bilhões em investimentos privados para complementar os recursos públicos. As instalações serão distribuídas entre países do bloco e deverão reunir infraestrutura de processamento, armazenamento e desenvolvimento de sistemas de IA.

A estratégia surge em meio à corrida internacional por capacidade tecnológica, com a União Europeia tentando diminuir a diferença em relação aos Estados Unidos e à China. As novas estruturas se somarão às 19 fábricas de inteligência artificial já existentes em diferentes países europeus.

Europa aposta em infraestrutura própria para acelerar avanço da inteligência artificial

Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

As chamadas gigafábricas serão complexos de grande escala voltados ao desenvolvimento de inteligência artificial, reunindo processadores avançados, softwares, serviços de nuvem, conexões de alta velocidade e centros de dados. A Comissão Europeia informou que o número previsto de unidades aumentou de cinco para sete após manifestações de interesse feitas por governos do bloco.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável por Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, afirmou que o acesso a uma grande capacidade de processamento se tornou um elemento estratégico para o avanço europeu na área.

“O acesso à escala bruta de poder computacional dentro das Gigafábricas de IA é uma necessidade estratégica para a Europa à medida que o desenvolvimento da IA acelera”, declarou Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, em comunicado oficial divulgado pelo órgão.

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Euro (Imagem: Andrei Barmashov/iStock)

A participação no projeto estará aberta a grupos formados por empresas de tecnologia, fornecedores de computação em nuvem, entidades públicas e investidores. Esses consórcios poderão apresentar propostas dentro do processo de seleção conduzido pela Comissão Europeia.

O prazo para envio das candidaturas termina em 12 de novembro. A expectativa do bloco é divulgar os projetos escolhidos no início de 2027, com a previsão de que as estruturas entrem em funcionamento em até 18 meses após a assinatura dos contratos.

A iniciativa também recebeu apoio inicial de grandes fabricantes de semicondutores. AMD, Nvidia e Qualcomm firmaram cartas de intenção com a Comissão Europeia para fornecer chips aos grupos envolvidos na criação das novas instalações.

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China abre seus modelos de IA e acende um alerta em Silicon Valley

A chegada do modelo Kimi K3, desenvolvido pela chinesa Moonshot AI, reacendeu a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos ao combinar alto desempenho, baixo custo e uma estratégia de distribuição aberta. O lançamento colocou em debate o futuro dos sistemas fechados mantidos por empresas como OpenAI, Google e Anthropic.

O modelo foi apresentado em julho deste ano durante a crescente competição internacional pela liderança em inteligência artificial. A decisão da empresa chinesa de disponibilizar os pesos do sistema gratuitamente ampliou a discussão sobre como companhias podem lucrar ao liberar parte de sua tecnologia mais avançada.

A estratégia chinesa busca fortalecer um ecossistema de desenvolvedores e empresas em torno de seus modelos, enquanto pressiona laboratórios americanos a reconsiderarem o equilíbrio entre controle comercial, segurança e abertura tecnológica.

A nova disputa pelo controle do ecossistema de inteligência artificial

Aplicativo da Kimi K3 em uma loja – Imagem: Robert Way/Shutterstock

O avanço de modelos chineses com pesos disponíveis ao público criou uma nova frente de competição no setor de inteligência artificial. Diferentemente dos sistemas proprietários, esses modelos permitem que desenvolvedores tenham maior autonomia para adaptar, executar e modificar ferramentas de IA conforme suas necessidades.

Apesar de serem chamados frequentemente de abertos, esses sistemas não correspondem totalmente ao conceito tradicional de código aberto. A liberação normalmente envolve apenas os pesos do modelo, ou seja, os parâmetros matemáticos obtidos durante o treinamento. Elementos como dados utilizados, código original, arquitetura completa e métodos de configuração permanecem restritos.

Essa diferença reduz a possibilidade de reconstrução integral da tecnologia, mas ainda oferece liberdade suficiente para que empresas criem aplicações próprias e desenvolvam novos serviços sobre essas bases.

A professora de Direito da Universidade Fordham, Chinmayi Sharma, explicou que disponibilizar os pesos não significa oferecer gratuitamente toda a infraestrutura necessária para operar uma inteligência artificial.

A abertura também pode funcionar como uma estratégia de expansão. Ao permitir que mais desenvolvedores utilizem determinado modelo, uma empresa aumenta as chances de formar uma rede de ferramentas e soluções ao redor da tecnologia, tornando-a uma referência no mercado.

Kyle Miller, analista sênior de pesquisa do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade de Georgetown, apontou que o crescimento da família de modelos Qwen, da Alibaba, demonstra como sistemas abertos podem se tornar profundamente integrados a diferentes setores da indústria.

Esse movimento representa um desafio para empresas americanas que mantêm seus modelos mais avançados sob controle restrito. Caso desenvolvedores passem a construir produtos e serviços baseados em alternativas abertas, plataformas proprietárias como Gemini, Claude e ChatGPT podem perder influência no mercado.

China combina estratégia industrial e influência tecnológica

App do chatbot Kimi K3 da empresa Moonshot
App do chatbot Kimi K3 da empresa Moonshot – (Reprodução: Photo For Everything/Shutterstock)

A expansão dos modelos abertos chineses ocorre em um cenário marcado por limitações de acesso a chips avançados e capacidade computacional. Segundo a análise apresentada, a abertura permite que empresas do país avancem na corrida da IA mesmo diante dessas restrições.

Além do aspecto técnico, a iniciativa se conecta a uma estratégia mais ampla de disseminação de tecnologias chinesas. O objetivo seria ampliar a presença internacional de modelos, ferramentas e infraestrutura desenvolvidos no país.

O movimento também ganhou dimensão política. O texto aponta que o presidente chinês Xi Jinping passou a defender uma posição de liderança da China no setor, apresentando o país como uma alternativa diante da abordagem mais fechada adotada por empresas americanas.

A reação nos Estados Unidos ocorreu tanto no setor privado quanto no debate regulatório. Uma coalizão formada por 25 empresas de tecnologia, incluindo IBM, Microsoft, Meta, Nvidia, Perplexity e Palantir, publicou uma carta contra possíveis restrições antecipadas aos modelos abertos.

No documento, as empresas defenderam que sistemas com pesos disponíveis são importantes para preservar a liderança americana em inteligência artificial e evitar que o controle da tecnologia fique concentrado em poucos grupos.

A pressão aumentou após uma iniciativa envolvendo Nvidia, Microsoft, SpaceX e outras companhias que defenderam maior apoio americano aos modelos abertos em meio a preocupações relacionadas à segurança de sistemas avançados de IA.

Google e OpenAI posteriormente também demonstraram oposição a restrições rápidas contra modelos abertos, embora não tenham participado de todas as iniciativas. A Anthropic, por outro lado, não aderiu aos movimentos citados.

Empresas americanas avaliam novo equilíbrio entre abertura e controle

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

A disputa atual colocou em questão o quanto da tecnologia de ponta as empresas americanas devem disponibilizar publicamente. Para especialistas citados no debate, uma possibilidade seria adotar uma estratégia intermediária: manter os modelos mais avançados protegidos e liberar versões abertas progressivamente mais capazes.

Sharma avaliou que o desafio para as companhias americanas é definir qual nível de capacidade precisa ser compartilhado para impedir que modelos chineses se tornem a principal base do ecossistema aberto de inteligência artificial.

Miller considerou incerto o caminho que o setor seguirá. De acordo com ele, a pressão competitiva chinesa já influenciou empresas americanas a lançarem modelos com pesos disponíveis, embora companhias como Anthropic provavelmente mantenham uma postura mais restritiva.

O futuro dessa disputa dependerá da capacidade dos modelos abertos de conquistar desenvolvedores e se estabelecer como plataformas predominantes. O avanço do Kimi K3, porém, já alterou o debate sobre se sistemas fechados continuarão sendo suficientes para garantir liderança na inteligência artificial.

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EUA debatem lei de emergência após inteligência artificial escapar de contenção

Nesta quinta-feira (23), Washington (EUA) tornou-se o centro de uma mobilização legislativa e executiva. A reação ocorreu logo após a OpenAI confirmar que um de seus agentes autônomos ultrapassou os limites de isolamento durante um ensaio de segurança e invadiu a estrutura digital da startup Hugging Face.

O incidente acionou o alarme no primeiro escalão norte-americano. Diante da gravidade do episódio, o conselheiro tecnológico da Casa Branca, Michael Kratsios, passou a acompanhar a evolução do caso, enquanto parlamentares no Capitólio passaram a desenhar respostas regulatórias urgentes para conter riscos cibernéticos globais.

A resposta parlamentar materializou-se na proposta do “AI Kill Switch Act”. A medida visa conceder ao Departamento de Segurança Interna a prerrogativa legal de decretar a interrupção compulsória de sistemas computacionais que venham a agir fora do planejado e ameacem a estabilidade financeira ou vidas humanas.

Mecanismos de contenção e fiscalização externa

Imagem: mailcaroline/Shutterstock

A ofensiva parlamentar traz também uma exigência de fiscalização prévia direcionada às maiores empresas do setor.

Um grupo suprapartidário de seis deputados apresentou um projeto de lei estipulando que os modelos computacionais mais avançados passem por auditorias independentes de segurança.

Tais inspeções seriam homologadas pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, órgão encarregado de criar um cargo específico para gerenciar a proteção tecnológica.

Simultaneamente, o Senado busca ampliar o monitoramento estatal sobre a área. O senador Mark Warner declarou que conversou diretamente com a equipe da OpenAI após o anúncio da falha.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Inteligência artificial – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O parlamentar já havia sugerido uma norma impondo que os criadores de plataformas potentes submetam suas criações à avaliação prévia da Agência de Segurança Nacional antes da liberação comercial.

Conforme destacou Warner, a ocorrência recente comprova a necessidade inevitável de submeter o segmento a exames profundos com a participação direta de órgãos governamentais.

No campo da oposição e da liderança legislativa, o deputado Ted Lieu utilizou suas redes sociais para defender a urgência do pacote normativo. O parlamentar classificou o texto como uma iniciativa indispensável e coerente para lidar com o desafio de sistemas que rompem suas barreiras originais de proteção.

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Disputa pela IA leva EUA e China à mesa de negociação

Em setembro deste ano, os Estados Unidos e a China devem realizar a primeira rodada oficial de negociações sobre inteligência artificial desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A iniciativa foi acertada após a cúpula entre Trump e Xi Jinping, realizada em maio, e deve anteceder a viagem do presidente chinês aos EUA, prevista para 24 de setembro. A apuração é exclusiva da Reuters.

As conversas reúnem as duas maiores potências tecnológicas do mundo em meio ao avanço acelerado de modelos de IA considerados de fronteira e às preocupações relacionadas à segurança, ao uso militar da tecnologia, à infraestrutura crítica e aos impactos econômicos. A expectativa é que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, lidere a delegação norte-americana.

Embora detalhes como local, participantes e pauta ainda estejam em definição, os governos trabalham nos preparativos da reunião. O encontro marca a retomada de um canal formal de diálogo sobre inteligência artificial entre Washington e Pequim sob a atual administração americana.

Encontro busca aproximar posições sobre modelos avançados de inteligência artificial

EUA vs. China (Imagem: Dilok Klaisataporn/iStock)

Os dois países chegam às negociações com prioridades distintas, mas convergentes no objetivo de discutir mecanismos para reduzir os riscos associados às plataformas de inteligência artificial mais avançadas.

Entre as preocupações compartilhadas estão o potencial emprego desses sistemas em operações militares, ataques cibernéticos contra infraestruturas estratégicas e os efeitos provocados sobre o mercado de trabalho.

Do lado americano, as discussões ocorrem em um contexto de restrições já impostas à exportação de chips de inteligência artificial de alto desempenho para a China. Além disso, autoridades dos Estados Unidos avaliam possíveis limitações ao uso de modelos chineses de código aberto por empresas americanas, diante da rápida evolução tecnológica apresentada por esses sistemas.

Em Pequim, o governo também analisa novas medidas relacionadas ao acesso internacional aos modelos de IA desenvolvidos no país. As autoridades chinesas estudam limitar a disponibilidade das ferramentas mais avançadas no exterior enquanto avaliam riscos ligados à segurança digital.

Antes mesmo da definição da data do encontro, Scott Bessent já havia indicado que futuras conversas entre os dois governos buscariam impedir que modelos altamente sofisticados chegassem às mãos de atores não estatais. Na ocasião, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que as reuniões poderiam começar dentro de poucas semanas.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Inteligência artificial – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Após a visita de Donald Trump à China, o governo chinês confirmou que os dois países haviam concordado em criar um mecanismo intergovernamental dedicado ao debate sobre inteligência artificial. Desde então, porém, Pequim não voltou a detalhar publicamente os preparativos para a iniciativa.

Segundo analistas citados pela Reuters, a China pretende concentrar parte das discussões no modelo Mythos, desenvolvido pela Anthropic, além de buscar esclarecimentos sobre a forma como os Estados Unidos pretendem controlar o lançamento de futuros sistemas de inteligência artificial de fronteira e sobre eventuais restrições direcionadas aos modelos chineses de código aberto.

Enquanto isso, o governo americano mantém conversas com empresas do setor para elaborar padrões voluntários de segurança destinados ao lançamento de novos modelos de IA, embora ainda não tenha anunciado medidas regulatórias definitivas.

A preparação chinesa para o encontro também segue em andamento. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que as autoridades continuarão debatendo internamente o tema antes de definir quais ministérios e representantes participarão das negociações.

Uma das pessoas familiarizadas com os preparativos relatou à Reuters que a prioridade chinesa é estabelecer um diálogo técnico e prático sobre inteligência artificial, sem transformar o encontro em uma discussão predominantemente política.

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Trump perde peça-chave da estratégia de IA dos Estados Unidos

O governo dos Estados Unidos perdeu, nesta segunda-feira (20), o responsável pelo comando de sua principal estrutura voltada à avaliação de sistemas de inteligência artificial. Chris Fall deixou a direção do Centro de Padrões e Inovação em Inteligência Artificial (CAISI) apenas três meses após ser escolhido para o cargo pela administração Donald Trump.

Vinculado ao Departamento de Comércio americano, o órgão terá Arvind Raman, diretor do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), como diretor interino enquanto o governo não define um novo titular.

A troca acontece em meio ao esforço de Washington para ampliar o acompanhamento de tecnologias avançadas de IA e à crescente disputa com empresas chinesas que buscam espaço no mercado dominado por companhias americanas.

Troca de comando acontece em meio a mudanças na estratégia de IA do governo americano

Estados Unidos e o drama com a inteligência artificial (Imagem: Pixels Hunter/Shutterstock)

A saída de Fall aumenta as dúvidas sobre quem ocupará o papel central na definição das políticas de inteligência artificial dentro da Casa Branca. A administração Trump ainda não definiu um substituto permanente para David Sacks, que anteriormente atuava como responsável pela agenda de IA e criptomoedas do governo e deixou o posto em março.

De acordo com Kristen Eichamer, porta-voz do Departamento de Comércio, Raman continuará acumulando a liderança do NIST enquanto assume temporariamente a direção do CAISI. A representante, no entanto, não informou o motivo da saída de Fall, nomeado para comandar a instituição em abril.

O CAISI tem como objetivo auxiliar o governo americano na criação de processos de avaliação e cooperação técnica envolvendo sistemas comerciais de inteligência artificial. A estrutura faz parte do Departamento de Comércio e foi criada para contribuir com testes e pesquisas relacionados ao desenvolvimento dessas tecnologias.

A movimentação ocorre após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva voltada à inteligência artificial. O documento estabelece que desenvolvedores de modelos podem fornecer voluntariamente seus sistemas ao governo para análises de capacidade antes de lançamentos completos.

A medida também determinou que órgãos federais elaborassem, no prazo de 60 dias, uma estrutura de avaliação para essas tecnologias. Desde então, empresas que trabalham no lançamento de novos modelos passaram a lidar com um cenário considerado pouco definido.

A OpenAI informou, em junho, que restringiu inicialmente a distribuição de sua série GPT-5.6 a parceiros considerados confiáveis após solicitação do governo americano. Antes disso, a Anthropic interrompeu temporariamente o acesso a seus modelos Fable 5 e Mythos 5 para cumprir uma determinação relacionada a controles de exportação emitida pelo Departamento de Comércio.

Disputa com modelos chineses aumenta pressão sobre política tecnológica dos EUA

Representação de um processador com as bandeiras de China e EUA irradiando energia
EUA x China – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

A reorganização interna acontece enquanto modelos de inteligência artificial de código aberto desenvolvidos na China ganham espaço no mercado americano. Entre os exemplos citados está a startup chinesa Moonshot AI, que apresentou recentemente o modelo Kimi K3 e afirmou ter reduzido a diferença em relação aos sistemas mais avançados de empresas dos Estados Unidos.

A disputa envolve modelos proprietários desenvolvidos por companhias como OpenAI e Anthropic, que seguem entre os principais nomes do setor americano. Nesse cenário, a capacidade do governo de acompanhar, avaliar e estabelecer diretrizes para essas tecnologias passou a receber maior atenção.

Nas últimas semanas, a administração Trump também iniciou a implementação de medidas previstas na ordem executiva por meio do chamado “Gold Eagle”, um sistema criado para identificar e corrigir vulnerabilidades de segurança digital.

Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, o mecanismo já começou a receber e priorizar falhas identificadas em sistemas de cibersegurança, além de coordenar processos de verificação. O CAISI, porém, não foi apontado como participante da criação dessa iniciativa.

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Conheça a IA chinesa que deixa os Estados Unidos ansiosos

A startup chinesa Moonshot AI entrou no centro da disputa global por inteligência artificial após o lançamento do modelo Kimi K3 provocar forte repercussão no mercado e uma demanda acima da capacidade disponível. O movimento levou a empresa a suspender temporariamente novas assinaturas enquanto amplia sua infraestrutura e avança em seus planos de expansão.

Além da limitação operacional, a companhia trabalha na reorganização de sua estrutura societária para viabilizar uma eventual abertura de capital em Hong Kong e, paralelamente, busca captar novos recursos para financiar o crescimento. O interesse de investidores foi impulsionado pela recepção positiva ao novo modelo de IA.

O episódio também alimentou um debate no setor de tecnologia sobre a velocidade com que empresas chinesas reduzem a distância em relação às desenvolvedoras norte-americanas e sobre os impactos dessa competição para o mercado global de inteligência artificial.

Demanda supera previsões e empresa limita novas assinaturas

App do chatbot Kimi K3 da empresa Moonshot – (Reprodução: Photo For Everything/Shutterstock)

A Moonshot informou que a procura pelo Kimi K3 ultrapassou as estimativas feitas pela companhia poucos dias após o lançamento do modelo. Segundo a empresa, o volume de solicitações passou a se aproximar do limite da infraestrutura disponível, o que motivou a interrupção temporária da entrada de novos assinantes.

A empresa afirmou que os clientes pagantes já existentes continuarão utilizando normalmente o serviço. Também anunciou que pretende dividir as futuras modalidades de assinatura, incluindo uma opção voltada especificamente para programação, como forma de distribuir melhor a capacidade computacional entre diferentes perfis de uso.

O Kimi K3 foi apresentado como um modelo de 2,8 trilhões de parâmetros e descrito pela Moonshot como o maior sistema de inteligência artificial de pesos abertos já lançado pela empresa. A companhia também sustentou que o modelo apresenta desempenho competitivo em diferentes avaliações técnicas, enquanto análises independentes apontaram resultados considerados fortes em algumas tarefas.

A elevada demanda ocorre em um momento em que modelos de grande porte exigem cada vez mais capacidade de processamento. Especialistas ouvidos pela Reuters observam que, embora sistemas de pesos abertos possam ser baixados e personalizados, o custo de infraestrutura torna improvável que a maioria dos usuários opere localmente um modelo desse porte.

Expansão financeira acompanha avanço tecnológico

Aplicativo da Kimi K3 em uma loja
Aplicativo da Kimi K3 em uma loja – (Reprodução: Robert Way/Shutterstock)

Ao mesmo tempo em que enfrenta o aumento da demanda, a Moonshot trabalha para fortalecer sua estrutura financeira. Fontes com conhecimento das negociações informaram à Reuters que a empresa reorganiza sua estrutura internacional como parte da preparação para uma eventual oferta pública inicial de ações em Hong Kong.

As mesmas fontes afirmaram que Goldman Sachs e China International Capital Corp participam das discussões sobre o possível IPO, embora o cronograma ainda permaneça indefinido. Procuradas pela agência, a Moonshot e o Goldman Sachs preferiram não comentar, enquanto a CICC não respondeu ao pedido de posicionamento.

Fundada em 2023 por Yang Zhilin, pesquisador que realizou estudos de doutorado na Carnegie Mellon University, a startup levantou mais de US$ 2 bilhões em maio com investidores como Meituan, China Mobile e CPE.

De acordo com documentos obtidos pela Reuters, o total captado ao longo de sua trajetória supera US$ 5,5 bilhões, enquanto uma nova rodada de até US$ 2 bilhões vem sendo buscada após a avaliação da empresa alcançar US$ 30 bilhões em junho.

Lançamento amplia debate sobre a disputa entre China e Estados Unidos

queda de braço entre robô humanoide americano e chinês
Além da corrida das IAs, China e EUA travam duelo na robótica. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

A repercussão do Kimi K3 ultrapassou os aspectos técnicos e financeiros. O lançamento provocou uma ampla discussão entre investidores, executivos e analistas sobre a velocidade da evolução da inteligência artificial chinesa e seus efeitos sobre as empresas que lideram esse mercado nos Estados Unidos.

Para parte dos participantes desse debate, o novo modelo reforça a percepção de que as empresas chinesas avançam mais rapidamente do que o esperado na redução da distância tecnológica em relação às concorrentes norte-americanas.

Outra corrente argumenta que desempenho técnico não garante liderança comercial, especialmente para companhias que já construíram ecossistemas consolidados de produtos, clientes e desenvolvedores.

Em entrevista à Bloomberg Tech, Saam Motamedi, sócio da Greylock e investidor em OpenAI e Anthropic, defendeu que o desempenho do Kimi K3 não elimina as vantagens competitivas das empresas norte-americanas. “Acho que tanto a Anthropic quanto a OpenAI têm múltiplas vantagens competitivas. Elas possuem receitas muito significativas. São as empresas de crescimento mais rápido da história da humanidade.”

Na mesma entrevista, o investidor afirmou que OpenAI e Anthropic deixaram de atuar apenas como desenvolvedoras de modelos e passaram a operar negócios completos de inteligência artificial, com produtos próprios, ecossistemas de desenvolvedores e clientes corporativos.

Outro argumento ganhou força entre os investidores. A avaliação é de que modelos mais baratos e acessíveis podem reduzir a rentabilidade das empresas focadas exclusivamente em modelos de fronteira, mas ampliar o uso da inteligência artificial em diversos segmentos da economia.

Nesse cenário, fornecedores de infraestrutura, fabricantes de semicondutores e empresas de software poderiam ser beneficiados pelo crescimento da demanda decorrente da redução dos custos de utilização da tecnologia.

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