Os acordos envolvem principalmente a contratação de capacidade em data centers, instalações responsáveis pelo processamento e armazenamento de dados para serviços digitais. Os valores ainda não aparecem integralmente como dívidas nos balanços das empresas porque os centros contratados ainda não estão disponíveis para uso.
O movimento revela a dimensão da aposta das maiores companhias de tecnologia do mundo na expansão da IA, mas também expõe um possível risco: caso a procura por esses serviços não acompanhe o ritmo esperado, as empresas podem ficar obrigadas a manter contratos de longo prazo com custos elevados.
Contratos bilionários ampliam infraestrutura, mas criam novos desafios financeiros
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)
Os compromissos assumidos pelas cinco empresas representam uma parcela expressiva dos investimentos previstos para sustentar o crescimento da inteligência artificial. De acordo com dados divulgados pela Reuters a partir de documentos corporativos, o montante futuro é quase quatro vezes superior aos cerca de US$ 285 bilhões em contratos de aluguel que já aparecem registrados nas demonstrações financeiras das companhias.
A diferença entre os valores contratados e as dívidas reconhecidas oficialmente está relacionada às regras contábeis. Enquanto uma estrutura ainda não está pronta ou disponível para utilização, a obrigação costuma ser apresentada apenas nas notas explicativas dos balanços, sem ser contabilizada como dívida naquele momento.
O cenário não significa que todo o valor de US$ 1,09 trilhão possa ser acrescentado diretamente ao endividamento das empresas. Os contratos representam pagamentos distribuídos ao longo de vários anos, enquanto a dívida registrada considera critérios financeiros que calculam o valor equivalente dessas obrigações no presente.
A Oracle aparece como a companhia com maior exposição proporcional entre as analisadas. A empresa declarou US$ 260 bilhões em contratos futuros relacionados principalmente a data centers que devem entrar em operação entre os anos fiscais de 2027 e 2029, com acordos previstos para durar de 15 a 19 anos.
Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock
A companhia informou existir a possibilidade de incompatibilidade entre os contratos firmados para construir ou utilizar esses centros de processamento e os acordos mantidos com seus próprios clientes. Caso parte da demanda esperada não se confirme, a Oracle poderá continuar responsável pelos custos dessas estruturas.
Segundo cálculos apresentados pela Reuters, a dívida da Oracle correspondia a aproximadamente 4,4 vezes o Ebitda ao final de maio. Considerando também os contratos de aluguel já reconhecidos no balanço, essa relação subiria para cerca de 5,7 vezes.
A avaliação da agência S&P Global Ratings também considera os compromissos futuros da companhia. A instituição afirmou que incorporou os US$ 260 bilhões em contratos da Oracle em sua análise de dívida e projeta que o indicador permaneça próximo de 4,4 vezes o Ebitda no ano fiscal de 2027.
Entre as demais empresas, a Microsoft aparece com o maior volume absoluto de contratos futuros, somando US$ 329 bilhões, enquanto possui US$ 88,5 bilhões registrados em seu balanço.
A Meta informou compromissos de US$ 279 bilhões ainda não iniciados e acrescentou novos acordos de US$ 68 bilhões em julho para ampliar sua rede de data centers. Com isso, o conjunto conhecido de compromissos das cinco empresas chegou a aproximadamente US$ 1,16 trilhão.
A Alphabet declarou contratos futuros de US$ 85,2 bilhões, enquanto a Amazon informou US$ 137,2 bilhões. No caso da empresa de comércio eletrônico e computação em nuvem, o valor inclui não apenas instalações de processamento de dados, mas também outros contratos relacionados a imóveis, aeronaves, escritórios e veículos.
A Casa Branca realizará, nesta terça-feira (4), uma reunião com representantes de OpenAI, Google, Meta e Anthropic para discutir a criação de testes voluntários de segurança destinados a avaliar a capacidade dos modelos de inteligência artificial (IA) mais avançados dos Estados Unidos de realizar ataques cibernéticos.
A iniciativa ocorre após recentes revelações de que sistemas de IA desenvolvidos por OpenAI e Anthropic conseguiram invadir ambientes digitais durante testes controlados, aumentando a preocupação de autoridades estadunidenses sobre o potencial uso dessas tecnologias em ataques hackers.
Governo prepara testes de cibersegurança
Um integrante da Casa Branca disse à Reuters que o governo do presidente Donald Trump concluiu os detalhes de um conjunto de testes voluntários que medirão as capacidades ofensivas dos modelos mais avançados de IA desenvolvidos nos EUA. A expectativa é que os critérios sejam apresentados e discutidos com as empresas durante o encontro.
Até o momento, a Casa Branca não divulgou como os testes serão conduzidos, quais métricas serão utilizadas, como os resultados serão reportados, nem se essas informações serão tornadas públicas.
Empresas confirmam participação
De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, OpenAI, Google, Meta e Anthropic foram convidadas para participar das discussões.
A Meta confirmou que recebeu o convite, enquanto uma fonte próxima ao encontro afirmou que a Anthropic também participará. O Google preferiu não comentar o assunto, e a OpenAI não respondeu aos pedidos de posicionamento da Reuters.
Na semana passada, o CEO da OpenAI, Sam Altman, esteve na Casa Branca para discutir tanto os testes voluntários quanto os próximos lançamentos da empresa.
Nesta segunda-feira (3), a OpenAI afirmou ainda que defende que especialistas em segurança de IA do Departamento de Comércio dos EUA desempenhem papel central na condução das avaliações. A empresa também destacou que a China adota uma estratégia mais centralizada para o desenvolvimento e supervisão da IA.
OpenAI e Anthropic revelaram que suas IAs saíram do controle e invadiram sistemas – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock
A discussão sobre segurança ganhou impulso após duas divulgações feitas pelas próprias empresas. Na semana passada, a Anthropic informou que alguns de seus modelos conseguiram invadir os sistemas de três empresas durante avaliações de cibersegurança.
Pouco antes, a OpenAI revelou que um de seus agentes de IA escapou de um ambiente de testes e conseguiu acessar sistemas da plataforma Hugging Face durante experimentos internos.
Esses episódios aumentaram a preocupação de parlamentares estadunidenses quanto ao potencial uso de modelos de IA para facilitar ataques cibernéticos.
Procuradores investigam OpenAI
Também nesta segunda, um grupo formado por 15 procuradores-gerais republicanos pediu que a OpenAI preserve todos os documentos relacionados ao episódio envolvendo o agente de IA que teria escapado do ambiente de testes.
Segundo os procuradores, a empresa pode ter violado leis estaduais de proteção ao consumidor. O pedido cita uma reportagem da Reuters, segundo a qual, em um dos testes, o agente deixou instruções para que versões futuras conseguissem escapar das barreiras de segurança internas.
Relação conturbada entre governo e Anthropic
O governo Trump também mantém uma relação delicada com a Anthropic. No início deste ano, a empresa se recusou a permitir que as Forças Armadas dos Estados Unidos utilizassem seus modelos de IA para vigilância doméstica e sistemas de armas totalmente autônomos. Como resposta, o governo incluiu a companhia em uma lista nacional de restrições de segurança.
A elaboração dos novos testes de cibersegurança foi determinada por Donald Trump em junho, quando o presidente orientou sua equipe a desenvolver mecanismos para avaliar a capacidade ofensiva dos sistemas de IA mais avançados do país.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, fez duras críticas ao modelo de desenvolvimento de inteligência artificial (IA) adotado por concorrentes, como OpenAI e Anthropic.
Em entrevista concedida nesta terça-feira (28) ao The New York Times, o executivo afirmou que concentrar o desenvolvimento de modelos avançados em poucas empresas pode limitar o acesso da sociedade à tecnologia e prejudicar a inovação.
Embora não tenha citado diretamente OpenAI e Anthropic em diversos momentos da conversa, Zuckerberg deixou claro que se referia às empresas que defendem um desenvolvimento mais controlado da IA. Segundo ele, essa abordagem contraria a tradição do setor de tecnologia nos Estados Unidos.
“Grande parte do discurso de muitos dos outros laboratórios que estão desenvolvendo isso é excessivamente dominada pelo pessimismo”, afirmou. “É preciso haver uma voz, ou várias vozes, que tragam realismo para esse debate.”
As declarações ampliam uma discussão que vem dividindo o Vale do Silício sobre como sistemas avançados de IA devem ser desenvolvidos e disponibilizados ao público.
Debate divide gigantes da tecnologia
Executivos, como Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, argumentam que alguns dos modelos mais avançados já são perigosos demais para serem desenvolvidos ou compartilhados sem rígidos mecanismos de controle;
Por outro lado, empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos;
A discussão ganhou força neste mês após modelos chineses de inteligência artificial reduzirem a vantagem tecnológica que empresas estadunidenses, como Anthropic e OpenAI, mantinham no setor;
Em resposta, essas companhias intensificaram o diálogo com reguladores em Washington e demonstraram preocupação com o avanço de modelos de código aberto desenvolvidos na China.
Na última sexta-feira (24), o CEO da Nvidia, Jensen Huang, publicou uma carta defendendo o desenvolvimento de softwares de código aberto para IA, posição que recebeu apoio de diversas empresas de tecnologia.
Nesta semana, Huang também anunciou uma coalizão voltada ao desenvolvimento de ferramentas abertas de segurança e cibersegurança para IA, iniciativa que reúne empresas, como SpaceX e IBM.
Huang e Altman estão entre os executivos que viajaram a Washington para discutir com o governo do presidente Donald Trump possíveis políticas para o setor.
Empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos – Imagem: jackpress/Shutterstock
Durante a entrevista, Zuckerberg voltou a defender sua visão de que a IA deve estar disponível para o maior número possível de pessoas. Ele criticou a ideia de criar uma única superinteligência centralizada e totalmente alinhada aos interesses da humanidade, conceito frequentemente associado às discussões sobre segurança em IA.
“Eu acho que muitas pessoas têm a noção de que, se você construir algum tipo de inteligência artificial singular, poderá, por meio de uma forma idealizada de alinhamento, garantir que ela seja benevolente para a humanidade”, afirmou. “Pessoalmente, sou cético em relação a esse caminho.”
Em vez disso, o executivo propôs o conceito de “superinteligência personalizada”, em que assistentes de IA possam ser configurados conforme as necessidades, preferências e valores de cada usuário. “Acho que é literalmente impossível existir uma única superinteligência benevolente que esteja alinhada com todas as pessoas ao mesmo tempo”, declarou.
Até a publicação da entrevista, OpenAI e Anthropic não haviam comentado as declarações. Em manifestações anteriores, a OpenAI afirmou apoiar iniciativas de código aberto e disse trabalhar com a Casa Branca para desenvolver formas seguras de expandir a IA.
Na segunda-feira (27), Amodei publicou um texto afirmando que a Anthropic está concentrada em impedir que chips avançados cheguem a regimes autoritários, evitar a reprodução em larga escala de modelos de IA e exigir testes de segurança para sistemas altamente capazes, sejam eles abertos ou fechados.
Apesar das divergências entre as empresas, pesquisadores da Anthropic, OpenAI, Meta e Google assinaram conjuntamente uma carta aberta intitulada “Pacing the Frontier”.
O documento defende um esforço internacional para desenvolver ferramentas técnicas e mecanismos de governança capazes de desacelerar o avanço da IA quando necessário por razões de segurança.
A posição da Meta sobre IA também evoluiu nos últimos anos. Durante muito tempo, a empresa ficou conhecida por disponibilizar gratuitamente modelos de IA de código aberto. No entanto, após perder espaço para OpenAI e Anthropic, Zuckerberg reformulou sua estratégia.
A companhia investiu US$ 14,3 bilhões (R$ 73,5 bilhões) na startup Scale AI e contratou seu fundador, Alexandr Wang, para liderar a divisão de IA da empresa, rebatizada de Meta Superintelligence Labs. Também foram investidos bilhões de dólares na contratação de pesquisadores especializados, que passaram a desenvolver um novo modelo fechado de IA, em vez de totalmente aberto.
Neste mês, a Meta começou a vender, pela primeira vez, acesso ao seu modelo Muse Spark, ao mesmo tempo em que continua desenvolvendo modelos de código aberto.
Zuckerberg afirmou acreditar que a trajetória da indústria de tecnologia aponta para uma democratização crescente das ferramentas de IA. “Acredito que a trajetória geral da indústria sempre caminhou para mais abertura e para colocar o poder da tecnologia nas mãos de mais pessoas, e não de menos”, concluiu.
Uma disputa sobre o futuro da inteligência artificial (IA) ganhou força no Vale do Silício e passou a envolver as maiores empresas do setor, executivos de tecnologia e integrantes do governo dos Estados Unidos.
O debate opõe companhias, como OpenAI e Anthropic, que defendem maiores restrições aos modelos chineses de IA de código aberto, e um grupo formado por empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta e IBM, que argumenta que esse tipo de tecnologia deve permanecer aberto para estimular inovação, segurança e novos negócios.
A discussão, que há anos divide a indústria de tecnologia sobre o desenvolvimento de IA, se intensificou diante do avanço acelerado da China na criação de modelos de código aberto.
OpenAI e Anthropic defendem restrições
De um lado estão OpenAI e Anthropic, que sustentam que determinados modelos de IA são perigosos demais para serem desenvolvidos de forma aberta e, por isso, devem permanecer sob controle rígido das empresas responsáveis por sua criação.
Nos bastidores, segundo pessoas próximas às discussões contaram ao The New York Times, as duas companhias vêm pressionando reguladores em Washington (EUA) ao levantar preocupações sobre os modelos chineses de código aberto.
O debate passou a envolver também o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e Michael Kratsios, assessor de ciência e tecnologia do presidente Donald Trump, que discutem a importância dos modelos estadunidenses como propriedade intelectual estratégica.
As empresas afirmam que laboratórios chineses construíram parte de seus modelos por meio da coleta indevida de dados gerados por sistemas de IA estadunidenses, prática que, segundo elas, não deveria ser permitida.
Microsoft, Nvidia e outras gigantes defendem código aberto
Na direção oposta, empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta, IBM e Palantir, defendem que os modelos de código aberto são essenciais para o avanço da IA;
Na sexta-feira (24), o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, publicou pela primeira vez no X que “o mundo precisa tanto de modelos fechados de fronteira quanto de modelos abertos de fronteira”. Nove minutos depois, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA”;
Ambos assinaram uma carta em defesa do código aberto, acompanhados por executivos da Meta, Palantir e IBM;
Segundo essas empresas, modelos abertos impulsionam o desenvolvimento tecnológico, permitem que pesquisadores examinem sua segurança e aumentam a demanda por serviços de computação em nuvem e chips utilizados para executar aplicações de IA.
Para fundadores de startups do Vale do Silício, restringir o código aberto também poderia consolidar a vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic, dificultando o surgimento de concorrentes.
“Você tem duas facções brigando por essa questão”, afirmou Bill Gurley, investidor de capital de risco do Vale do Silício contrário às restrições ao código aberto. “Há as pessoas que querem que OpenAI e Anthropic sejam donas de tudo, e depois há todo o resto, incluindo os clientes.”
Avanço chinês aumenta tensão
O conflito ganhou intensidade devido ao rápido progresso da China no desenvolvimento de modelos abertos de IA. Nas últimas semanas, as startups chinesas Z.ai e Moonshot AI lançaram modelos que competem com os desenvolvidos pela Anthropic e outros laboratórios estadunidenses.
No ano passado, a startup chinesa DeepSeek já havia surpreendido a indústria ao apresentar um sistema de IA de código aberto considerado comparável aos modelos das empresas dos Estados Unidos.
O governo chinês também passou a defender essa estratégia. Neste mês, o presidente Xi Jinping apresentou o país como um defensor global da abordagem aberta para IA.
Segundo pessoas familiarizadas com as discussões internas, o avanço chinês aumentou a preocupação entre executivos da OpenAI e da Anthropic, que temem perder a vantagem construída ao longo dos últimos anos.
Acusações de roubo de propriedade intelectual
Empresas estadunidenses de IA acusam laboratórios chineses de realizar o chamado processo de “destilação”, copiando secretamente seus sistemas para desenvolver modelos concorrentes. O tema chamou a atenção do governo de Donald Trump.
Na quarta-feira (22), Scott Bessent afirmou que a administração avaliou impor sanções contra empresas chinesas acusadas de roubar propriedade intelectual de companhias estadunidenses. “Código aberto não significa temporada aberta para a propriedade intelectual estadunidense”, declarou.
No mesmo dia, Michael Kratsios afirmou que “a destilação industrial secreta em larga escala destinada a roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e enfraquecer a pesquisa estadunidense é inaceitável”.
Apesar disso, autoridades estadunidenses ainda discutem quais medidas adotar. Segundo pessoas com conhecimento das conversas que falaram com o Times, a tendência é que os modelos chineses sejam analisados individualmente sob a ótica da segurança nacional, em vez da adoção de uma proibição ampla.
CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA” – Imagem: FotoField/Shutterstock
Google e Amazon tentam evitar confronto
Enquanto OpenAI e Anthropic defendem restrições, outras gigantes do setor buscaram inicialmente evitar envolvimento direto. Google e Amazon, que investiram bilhões de dólares em empresas, como Anthropic e OpenAI, passaram boa parte da semana sem participar do debate.
No sábado (25), porém, o CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou nas redes sociais que sua empresa “há muito tempo se beneficia do código aberto” e também assinou a carta da indústria em defesa desse modelo de desenvolvimento.
Debate antigo ganha nova dimensão
A discussão entre software aberto e fechado acompanha a indústria de tecnologia desde seus primeiros anos. Defensores do código aberto argumentam que compartilhar informações acelera a inovação, melhora a segurança dos sistemas e torna os softwares mais confiáveis.
Já os críticos afirmam que o desenvolvimento dessas tecnologias exige investimentos elevados e que disponibilizá-las gratuitamente representa um modelo de negócios insustentável.
Atualmente, grande parte da infraestrutura da internet opera sobre tecnologias de código aberto, assim como sistemas amplamente utilizados, incluindo o Android, do Google.
Como resposta ao avanço chinês, OpenAI e Anthropic passaram a oferecer modelos de IA mais baratos para empresas que não necessitam das versões mais avançadas.
Na sexta, a Anthropic lançou o Claude Opus 5, descrito pela companhia como um modelo “próximo da inteligência de fronteira do Fable 5 pela metade do preço”. A OpenAI também promove modelos de menor custo.
Lobby em Washington
Segundo pessoas próximas às negociações, executivos da OpenAI, Anthropic e investidores das empresas vêm realizando reuniões reservadas em Washington. Nesses encontros, eles citam preocupações relacionadas à economia global, segurança da IA e segurança nacional para convencer reguladores a ampliar as restrições aos modelos chineses de código aberto.
Sarah Heck, responsável pelas políticas públicas da Anthropic, escreveu nas redes sociais que “a destilação ilícita por adversários é roubo de propriedade intelectual e espionagem industrial que fortalece capacidades militares e de inteligência de adversários”.
Ela afirmou ainda que modelos de código aberto derivados dos sistemas da Anthropic representam riscos elevados caso circulem livremente.
A OpenAI também defende novas regras. Em publicação feita no mês passado, a empresa informou que propôs ao governo Trump políticas que tornariam obrigatórias avaliações de segurança para determinados modelos de IA sob supervisão de agências governamentais.
Segundo a companhia, ela está “encorajada” pelo trabalho conjunto realizado com a administração estadunidense na construção desse marco regulatório.
Movimento pró-código aberto reage
Os defensores do código aberto também ampliaram sua mobilização. Na quarta, quase 200 startups do Vale do Silício, reunidas sob o nome Little Tech Association, enviaram cartas ao governo Trump pedindo que o acesso aos modelos chineses de código aberto não fosse limitado.
Na sexta, grandes empresas passaram a aderir publicamente ao movimento. Elon Musk, Mark Zuckerberg, Sam Altman e outros executivos manifestaram apoio às declarações de Jensen Huang e Satya Nadella. “Jensen está certo”, escreveu Musk. “Isso tem meu total apoio.”
Zuckerberg também defendeu a iniciativa, afirmando que “o código aberto é uma força positiva e importante”.
Teste da OpenAI alimenta discussão
Um episódio ocorrido durante a semana reforçou a polarização. Na terça-feira (21), a OpenAI revelou que alguns de seus modelos mais avançados romperam os mecanismos de contenção durante um teste de segurança cibernética, conseguiram acesso à internet e invadiram servidores do Hugging Face.
Executivos da OpenAI utilizaram o episódio para demonstrar que modelos de IA podem representar riscos mesmo quando operam em ambientes fechados, reforçando sua defesa por regulamentação.
Já o CEO da Hugging Face, Clem Delangue, adotou posição oposta. Para proteger a empresa durante o incidente, ele recorreu a um modelo de código aberto desenvolvido pela chinesa Z.ai. Na sexta, Delangue deixou clara sua posição nas redes sociais ao anunciar uma marcha em São Francisco (EUA) em apoio ao código aberto. “Modelos abertos são a melhor escolha!”, escreveu.
Nesta sexta-feira (24), a Meta anunciou uma atualização de seu chatbot de inteligência artificial que amplia a ferramenta para além de respostas, criação de imagens e elaboração de documentos. A novidade adiciona funções voltadas à organização pessoal, pesquisas aprofundadas e planejamento de tarefas.
O lançamento ocorre em mercados selecionados por meio do aplicativo Meta AI e da versão web do serviço. A companhia informou que a expansão para outros países e plataformas, incluindo o WhatsApp, ocorrerá nas semanas seguintes.
Nova fase da Meta AI aposta em planejamento e autonomia
O chatbot Meta AI pode construir um cardápio semanal para o usuário, dentre outras tarefas – (Divulgação: Meta)
A Meta apresentou a atualização como uma evolução de seu chatbot, agora equipado com ferramentas que permitem acompanhar tarefas recorrentes e oferecer sugestões com base no contexto fornecido pelo usuário. A empresa afirma que o sistema pode ser configurado uma única vez para continuar executando determinadas funções sem novos comandos frequentes.
Entre os exemplos citados pela companhia estão a criação de planejamentos alimentares semanais, notificações sobre reposição de produtos e elaboração de resumos da agenda diária. O assistente também pode auxiliar em atividades práticas, como buscar móveis usados no Facebook Marketplace considerando um orçamento definido para uma reforma.
A ferramenta ganhou ainda recursos voltados a eventos e pesquisas. Segundo a Meta, o chatbot consegue procurar restaurantes adequados para uma ocasião específica e cruzar essa informação com a agenda do usuário para encontrar uma data compatível.
A empresa também afirma que o sistema passou a produzir relatórios, apresentações e planos com base em informações coletadas na internet. Outra mudança permite que usuários alterem a direção da pesquisa enquanto a resposta ainda está sendo construída, em uma dinâmica semelhante à oferecida por outros assistentes de inteligência artificial.
O chatbot Meta AI também pode criar sugestões de “looks” para você vestir – (Divulgação: Meta)
A atualização é impulsionada pelo modelo Muse Spark 1.1, apresentado pela Meta como responsável por ampliar as capacidades do chatbot. A companhia relacionou a novidade ao conceito de “superinteligência pessoal”, expressão usada pelo presidente-executivo Mark Zuckerberg ao falar sobre o futuro da inteligência artificial.
A mudança representa uma alteração na estratégia anteriormente adotada pela empresa. De acordo com informações atribuídas ao jornalista Alex Heath, o diretor de produto da Meta, Chris Cox, havia orientado funcionários no ano anterior a priorizar entretenimento e conexão entre pessoas, em vez de concentrar esforços em produtividade, área disputada por empresas como OpenAI, Google e Anthropic.
Com os novos recursos, a Meta passa a posicionar seu chatbot em uma disputa mais direta com assistentes de inteligência artificial desenvolvidos por concorrentes. A companhia busca ampliar o uso cotidiano da ferramenta ao integrá-la a tarefas de organização, pesquisa e planejamento.
Funcionários da Meta Platforms abriram uma ação judicial nos Estados Unidos contra a empresa, alegando que sistemas de inteligência artificial escolheram os funcionários a serem demitidos pela empresa. O processo coloca em debate os obstáculos para comprovar o papel dessas tecnologias em decisões trabalhistas.
A disputa ocorre após cortes anunciados pela companhia e envolve 26 empregados que afirmam ter sido prejudicados por critérios relacionados a deficiência, afastamentos médicos ou licenças familiares. A ação tramita nos EUA e busca impedir temporariamente a conclusão das demissões enquanto os argumentos são analisados.
O principal desafio dos trabalhadores é demonstrar como as ferramentas de IA foram utilizadas internamente pela empresa. Sem acesso aos sistemas e aos critérios adotados, os funcionários enfrentam dificuldades para reunir provas capazes de sustentar a acusação.
Processo revela dificuldade de responsabilizar empresas pelo uso de inteligência artificial no trabalho
Meta – Imagem: IgorGolovniov/Shutterstock
A ação contra a Meta é apontada como uma das primeiras iniciativas judiciais a questionar diretamente o uso de inteligência artificial em um processo de redução de quadro de funcionários. O caso também ajuda a explicar por que ainda são raras as disputas públicas envolvendo decisões trabalhistas tomadas com apoio de tecnologia.
Na avaliação de especialistas citados no processo, trabalhadores costumam ter pouco conhecimento sobre a forma como sistemas automatizados são empregados pelas companhias. Além disso, muitos profissionais estão submetidos a acordos de arbitragem, mecanismos que retiram determinados conflitos da Justiça tradicional e levam a discussão para procedimentos privados.
Essa combinação de falta de acesso às informações e limitações processuais dificulta a formação de ações coletivas. Os empregados, nesses casos, podem perder a possibilidade de apresentar o caso perante um júri ou buscar compensações em processos públicos.
A advogada Christine Webber, integrante da área de direitos civis e relações trabalhistas do escritório Cohen Milstein Sellers & Toll, afirmou que mesmo uma eventual identificação de falhas em um sistema poderia ficar restrita ao caso individual.
“Mesmo que seja comprovado que um determinado sistema produziria resultados discriminatórios repetidamente, não haveria uma forma de compartilhar essa informação com outros funcionários”, declarou Webber, em entrevista mencionada pela Reuters. A profissional não representa os trabalhadores envolvidos no processo contra a Meta.
Outro caso envolvendo inteligência artificial no ambiente de trabalho envolve a Workday, empresa que fornece softwares de gestão de recursos humanos. A companhia é acusada de manter uma ferramenta que teria eliminado candidatos a vagas com base em características como raça, idade e deficiência.
A empresa nega as acusações, e a questão da arbitragem não aparece nesse processo porque a Workday não possui acordos desse tipo com candidatos das empresas que utilizam seus serviços.
Funcionário demitido levando seus pertences para casa (Imagem: 4 PM production/Shutterstock)
No processo contra a Meta, os funcionários tentam obter uma decisão judicial que suspenda temporariamente os desligamentos. Embora os contratos assinados pelos trabalhadores tenham uma exceção que permite pedidos urgentes à Justiça, esse tipo de medida costuma ser usado em situações como disputas envolvendo segredos comerciais, e não em cortes de empregados.
O juiz William Orrick recusou inicialmente o pedido para impedir que a Meta concluísse as demissões. Segundo a decisão, os trabalhadores não apresentaram provas suficientes capazes de contrariar a versão da empresa de que as escolhas foram feitas por pessoas, e não por sistemas automatizados.
Ainda assim, o magistrado deixou aberta a possibilidade de rever a decisão caso surjam evidências sobre um eventual uso inadequado de inteligência artificial. Uma audiência está marcada para 24 de agosto, e qualquer uma das partes poderá recorrer.
Os funcionários sustentam que a Meta utilizou diferentes ferramentas internas de IA durante a avaliação dos trabalhadores, incluindo sistemas capazes de acompanhar produtividade e uso de recursos tecnológicos. Eles alegam que essas análises teriam prejudicado pessoas que ficaram afastadas por motivos médicos ou por responsabilidades familiares.
Entre as ferramentas citadas na ação está o assistente interno chamado “Metamate”, descrito pelos autores do processo como uma espécie de apoio baseado em inteligência artificial para funcionários.
A petição também menciona um sistema de pontuação de produtividade que analisaria informações como registros de teclado, conteúdo de telas, mensagens eletrônicas e histórico de navegação.
A Meta rejeita essa interpretação. Em documentos apresentados ao tribunal e em declarações após a abertura do processo, a companhia afirmou que as decisões relativas às quase 8 mil demissões anunciadas no período foram tomadas por seres humanos. A empresa também negou que o uso de inteligência artificial tenha servido como critério para selecionar funcionários dispensados ou avaliar desempenho.
Os advogados dos trabalhadores reconhecem que a principal dificuldade está no acesso às informações internas da companhia. Em manifestação conjunta, eles pediram que atuais e antigos funcionários da Meta apresentem dados sobre a maneira como ferramentas de inteligência artificial teriam sido usadas na definição dos cortes.
A inteligência artificial começa a gerar resultados para as gigantes da tecnologia, mas o ritmo dos investimentos também aumenta a pressão sobre o caixa dessas empresas.
Segundo a Reuters, o mercado acompanhará os próximos balanços em busca de sinais de que o crescimento das receitas conseguirá acompanhar os gastos com infraestrutura.
A inteligência artificial já traz receitas, mas também exige aportes cada vez maiores das gigantes. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digita
Mercado observa se a conta vai fechar
Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle — as chamadas hyperscalers — seguem ampliando seus investimentos em inteligência artificial. A expectativa, porém, é que o avanço dos gastos supere a geração de fluxo de caixa livre até 2027.
Levantamento da Reuters, com base em estimativas da LSEG, aponta que essas empresas deverão ampliar o fluxo de caixa operacional anual em US$ 340 bilhões (aproximadamente R$ 1,72 trilhão) entre 2025 e 2027. No mesmo período, os investimentos devem crescer cerca de US$ 534 bilhões (aproximadamente R$ 2,71 trilhões), o equivalente a US$ 1,57 aplicado para cada US$ 1 adicional gerado em caixa.
Receita cresce, mas os gastos também
Os primeiros sinais de retorno já aparecem. A Microsoft informou que sua divisão de IA alcançou um ritmo anual de receita superior a US$ 37 bilhões (cerca de R$ 187,6 bilhões). Na Amazon, a AWS registrou crescimento de 28% no primeiro trimestre.
Segundo Shay Boloor, estrategista-chefe de mercado da Futurum Equities, “os investidores estão subestimando o quanto a IA está mudando fundamentalmente o modelo de negócios das Big Tech”.
Ele afirma que software, publicidade e computação em nuvem passaram a depender cada vez mais de grandes investimentos em infraestrutura física.
Esse movimento inclui:
Construção de novos data centers;
Compra de servidores e equipamentos de rede;
Expansão da infraestrutura em nuvem;
Maior demanda por aplicações de inteligência artificial.
Data centers e servidores viraram peças-chave na nova fase de expansão da inteligência artificial. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
Oracle concentra as maiores preocupações
A Microsoft registrou US$ 35,8 bilhões (cerca de R$ 181,5 bilhões) em fluxo de caixa operacional no segundo trimestre fiscal, enquanto seus investimentos chegaram a US$ 37,5 bilhões (aproximadamente R$ 190,1 bilhões).
O crescimento dos lucros pode não ser suficiente para justificar os investimentos se os gastos de capital estiverem consumindo o caixa. As empresas existem para ganhar dinheiro, não para gastá-lo.
David Russell, chefe global de estratégia de mercado da TradeStation, à Reuters.
Entre as cinco empresas, a Oracle desperta maior preocupação. As ações acumulam queda de 36% no ano, o fluxo de caixa livre ficou negativo e a companhia pretende captar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões (cerca de R$ 228,2 bilhões a R$ 253,5 bilhões) para ampliar sua infraestrutura em nuvem. Os próximos balanços mostrarão se o avanço da IA conseguirá acompanhar esse ritmo de investimentos.
Desenvolvedores brasileiros terão a chance de criar aplicativos para os óculos inteligentes da Meta. A empresa abriu inscrições para um programa que reúne estudantes, pesquisadores e profissionais interessados em explorar os recursos do dispositivo.
Realizada em parceria com o CEIA-UFG, a iniciativa oferece capacitação, hackathon e premiação em dinheiro. Ao mesmo tempo, reforça um debate que acompanha esses óculos desde o lançamento: a privacidade dos usuários.
A Meta quer ideias para saúde, educação, turismo, acessibilidade e muito mais. A criatividade está liberada. Imagem: Divulgação/Meta
Desenvolvedores brasileiros ganham espaço
Depois de conquistar milhões de usuários, os óculos inteligentes da Meta entraram em uma nova fase. Agora, a empresa quer aumentar a quantidade de aplicativos compatíveis e aposta nos desenvolvedores brasileiros para acelerar esse processo.
O Programa AI Glasses Brasil, criado em parceria com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), convida estudantes, pesquisadores e desenvolvedores a pensar em novas aplicações para recursos como câmera, áudio, comandos de voz e inteligência artificial.
As propostas poderão envolver áreas como acessibilidade, educação, saúde, turismo, produtividade e criatividade.
O programa será dividido em etapas:
Capacitação técnica online;
Maratona virtual de ideias com palestras, workshops e mentorias;
Hackathon presencial na sede da Meta, em São Paulo, para as equipes selecionadas;
Premiação em dinheiro e entrega de óculos inteligentes aos vencedores.
As inscrições seguem abertas até 30 de julho. As equipes classificadas para a etapa presencial terão transporte e hospedagem pagos pela empresa. Os vencedores receberão US$ 3 mil (cerca de R$ 15 mil), enquanto o segundo e o terceiro lugares ganharão US$ 2 mil (cerca de R$ 10 mil) e US$ 1 mil (cerca de R$ 5 mil). Todos também receberão um par de óculos da Meta.
Estudantes, pesquisadores e desenvolvedores terão a chance de testar ideias em um hackathon da Meta. Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock
O que os óculos já conseguem fazer
Os recursos do aparelho vão além de fotografar e gravar vídeos. Também é possível enviar imagens pelo WhatsApp usando apenas comandos de voz, visualizar informações nas lentes e executar ações por gestos.
Mesmo assim, a oferta de aplicativos ainda é pequena. Foi justamente por isso que a Meta disponibilizou um kit de desenvolvimento e agora tenta atrair novos criadores de soluções.
O desafio da Meta não é só criar novos aplicativos, mas também conquistar a confiança dos usuários. Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock
Privacidade continua cercada de dúvidas
Quanto mais funções surgem, maiores ficam as preocupações. Um exemplo veio de estudantes de Harvard, que desenvolveram um sistema de reconhecimento facial para funcionar nos óculos da Meta e exibir informações encontradas na internet sobre pessoas filmadas pelas câmeras.
Também há relatos do uso do equipamento por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos durante operações, ampliando as discussões sobre vigilância.
Outro ponto sensível envolve as imagens registradas pelo aparelho. Fotos e vídeos ficam armazenados na nuvem da Meta e podem ser usados para treinar seus modelos de inteligência artificial, inclusive com participação de revisores humanos.
A empresa também precisou reagir quando usuários passaram a tentar desativar o LED que indica uma gravação em andamento. Hoje, os óculos deixam de gravar caso esse indicador seja danificado. O programa abre espaço para novas aplicações, mas a expectativa é que elas avancem junto com mecanismos capazes de reforçar a proteção da privacidade.
Um juiz federal dos Estados Unidos negou, nesta sexta-feira (17), o pedido de um grupo de 26 funcionários da Meta Platforms para impedir temporariamente demissões que, segundo eles, teriam sido definidas com auxílio de ferramentas de inteligência artificial capazes de prejudicar trabalhadores com deficiência ou que haviam tirado licença médica.
A decisão foi tomada pelo juiz William Orrick, em Oakland, na Califórnia, onde tramita a disputa. O magistrado considerou que os empregados não demonstraram, neste momento, que a perda dos postos de trabalho representaria um dano irreparável capaz de justificar uma ordem emergencial contra os desligamentos previstos.
A controvérsia envolve cortes anunciados pela Meta em maio, quando a empresa informou a redução de aproximadamente 8 mil vagas, equivalente a cerca de 10% de sua força global de trabalho. Os funcionários questionam se critérios baseados em sistemas de IA influenciaram a escolha dos nomes incluídos na lista de dispensas.
Funcionários alegam que ferramentas de IA afetaram critérios de seleção
Fachada da Meta – Imagem: Derick Hudson/iStock
Os trabalhadores afirmam que a empresa utilizou mecanismos automatizados para avaliar desempenho, produtividade e adoção de recursos de inteligência artificial, fatores que teriam colocado em desvantagem pessoas afastadas por motivos médicos ou por responsabilidades familiares.
A ação judicial sustenta que sistemas internos da Meta, incluindo um assistente baseado em modelo de linguagem chamado “Metamate”, além de ferramentas voltadas ao acompanhamento de produtividade, participaram da análise dos funcionários. Conforme a acusação, esses recursos teriam considerado dados como comunicações internas, documentos, histórico de navegação, conteúdo de tela e registros de uso de teclado.
Os autores do processo também afirmam que os sistemas continuaram sendo usados como referência durante períodos de férias e licenças protegidas por lei. Na avaliação deles, isso teria reduzido indicadores associados à utilização de inteligência artificial e influenciado negativamente suas posições na seleção para desligamento.
A Meta rejeitou as acusações e declarou que as decisões relacionadas às demissões foram tomadas por pessoas, não por sistemas automatizados. A companhia não apresentou comentários específicos sobre a decisão judicial.
Funcionário recolhendo seus pertences de um escritório após ser demitido (Imagem: 4 PM production/Shutterstock)
A defesa dos funcionários argumentou que a interrupção imediata das demissões era necessária porque os empregados poderiam perder não apenas salários, mas também benefícios importantes, como opções de ações e cobertura de saúde.
Durante uma audiência, a advogada Barbara Cowan afirmou que determinadas perdas não poderiam ser compensadas posteriormente, citando situações envolvendo nascimento de filhos e tratamentos médicos.
A representante jurídica da Meta, Erin Connell, contestou essa interpretação. Segundo ela, os trabalhadores não ficariam sem cobertura de saúde e eventuais prejuízos financeiros poderiam ser recuperados caso eles obtivessem vitória na arbitragem.
O juiz Orrick manteve a possibilidade de rever sua decisão caso novas provas apresentem detalhes adicionais sobre a participação da inteligência artificial no processo de redução de pessoal. A disputa seguirá em arbitragem privada, conforme previsto nos acordos firmados entre a empresa e seus empregados.
O caso é acompanhado como uma das primeiras ações contra uma grande empresa dos Estados Unidos a questionar judicialmente o suposto uso de inteligência artificial como elemento de apoio em decisões de demissão.
Os funcionários envolvidos atuavam em diferentes áreas, incluindo engenharia, gestão, pesquisa e design. Eles foram informados sobre os cortes em maio e, segundo documentos apresentados no processo, muitos permanecem na folha de pagamento até a conclusão dos desligamentos, embora tenham perdido acesso aos sistemas internos da empresa desde 20 de maio.
Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.
A medida tenta equilibrar dois pontos sensíveis: preservar a privacidade dos jovens e permitir que familiares recebam informações para oferecer ajuda em situações de risco.
Conversas com o Meta AI poderão gerar alertas quando houver sinais de automutilação ou pensamentos suicidas. – Imagem: Regi Cris/Shutterstock
Alertas serão enviados após análise das conversas
O recurso será disponibilizado para pais que utilizam as ferramentas de supervisão do Instagram. Quando o Meta AI identificar uma conversa que sugira possível risco, os responsáveis poderão receber uma notificação acompanhada de orientações de especialistas.
A Meta explica que o sistema foi criado para identificar referências diretas e também sinais mais discretos de sofrimento emocional. Antes que qualquer alerta seja enviado, as conversas marcadas pela inteligência artificial passarão por uma revisão manual.
Caso a intenção do adolescente não esteja totalmente clara, a empresa afirma que seguirá uma abordagem preventiva e poderá comunicar os pais para evitar que uma possível situação de risco passe despercebida.
Entre os casos que podem gerar alertas estão:
comentários diretos ou indiretos sobre vontade de se machucar;
conversas relacionadas a sofrimento emocional intenso;
sinais identificados pelo sistema desenvolvido pela Meta;
situações em que o adolescente possa precisar de apoio fora do ambiente digital.
A empresa destaca que o recurso não substitui acompanhamento profissional nem o diálogo entre pais e filhos. A proposta é ajudar responsáveis a perceber sinais que poderiam passar despercebidos.
Embora eu acredite que os adolescentes têm direito à privacidade, também acredito que os pais precisam ser informados se seus filhos podem estar em risco de se machucar.
Larry Magid, CEO e cofundador da ConnectSafely, em nota.
Contas de adolescentes terão regras mais rígidas no Meta AI para limitar conteúdos considerados inadequados. – Imagem: Fabio Principe/Shutterstock
Meta quer ampliar proteção para situações extremas
Além dos avisos aos familiares, a Meta desenvolve uma ferramenta capaz de acionar serviços de emergência quando uma conversa com o Meta AI indicar risco imediato de suicídio, seja envolvendo adolescentes ou adultos.
A iniciativa segue uma estratégia semelhante à já aplicada em Facebook e Instagram. Segundo a empresa, mais de 19 mil encaminhamentos para serviços de emergência foram realizados no último ano após a identificação de publicações com risco de suicídio.
Para melhorar o comportamento da inteligência artificial, a Meta consultou mais de 75 profissionais especializados em saúde mental de adolescentes. Eles analisaram centenas de respostas e sugeriram ajustes para tornar o sistema mais adequado.
Antes de avisar os pais, conversas identificadas pela IA passarão por revisão manual para confirmar possíveis riscos. – Imagem: DavideAngelini / Shutterstock
Meta AI terá regras mais rígidas para adolescentes
Contas de adolescentes já utilizam automaticamente uma configuração de conteúdo voltada para usuários com 13 anos ou mais. Nesse modo, o Meta AI evita participar de conversas sexuais ou românticas e não fornece conteúdos como receitas de bebidas alcoólicas.
A empresa também informou que o modo “Conteúdo Limitado”, opção mais restritiva disponível no Instagram, passará a afetar as conversas com o assistente de IA. Com isso, pais poderão reduzir ainda mais os tipos de interação disponíveis para adolescentes.
Segundo a psicóloga Ji-yeon Lee, que participou da análise das respostas do sistema, a avaliação especializada foi essencial para aprimorar a ferramenta. “Esse tipo de refinamento baseado em especialistas e cenários é essencial para tornar as experiências com IA mais seguras para adolescentes”, afirmou.
Os novos alertas já funcionam para pais que usam a supervisão do Instagram nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá. A Meta prevê ampliar o recurso para outros países até o fim do ano.