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Big techs reforçam combate a conteúdos falsos gerados por IA nas eleições dos EUA

OpenAI, Anthropic, Google e Meta reforçaram suas estratégias para impedir que ferramentas de inteligência artificial (IA) sejam usadas para manipular as eleições legislativas dos Estados Unidos, que estão sendo realizadas nesta terça-feira (3). As empresas montaram equipes especializadas para monitorar atividades suspeitas e tentar conter campanhas de desinformação capazes de comprometer a confiança no processo democrático.

Na OpenAI, mais de uma dúzia de funcionários trabalha em uma central de operações instalada em escritório da companhia em São Francisco (EUA). A estrutura representa ampliação significativa dos esforços adotados pela empresa durante a eleição presidencial de 2024, quando os recursos de IA eram menos avançados e o ChatGPT tinha apenas um quinto da base de um bilhão de usuários que possui atualmente.

“Em 2024, a tecnologia mais acessível era o texto. Agora, não estamos monitorando apenas textos”, afirmou Josh Lawson, responsável pela área de riscos cívicos e estratégicos da OpenAI e líder da operação, ao The New York Times.

O cenário atual inclui ameaças que vão de vídeos deepfake e ataques cibernéticos a operações de influência estrangeira e doméstica. Com ferramentas de IA, esse tipo de campanha pode ser produzido e colocado em circulação a partir de uma sequência de comandos.

Anthropic também monta central de monitoramento

  • A OpenAI não é a única empresa a reforçar suas defesas. A Anthropic, responsável pelo chatbot Claude, criou pela primeira vez uma sala de operações dedicada ao tema, reunindo equipes de analistas em São Francisco, Nova York (EUA) e Washington (EUA);
  • Google e Meta também prometeram ampliar os esforços para impedir que suas ferramentas de IA sejam usadas para enfraquecer a confiança no processo democrático;
  • Na OpenAI, a central eleitoral começou a funcionar na quinta-feira anterior à votação. A equipe de São Francisco trabalha em conjunto com uma unidade em Washington e reúne dezenas de pessoas, segundo representantes da companhia;
  • Os funcionários analisam comandos enviados ao ChatGPT que são sinalizados automaticamente por possíveis tentativas de produzir textos ou imagens falsas sobre as eleições;
  • Um exemplo seria o uso do chatbot para elaborar uma campanha de influência baseada em alegações falsas de fraude eleitoral, como acusações de manipulação de cédulas. O material poderia ser distribuído em redes sociais por meio de contas falsas;
  • Quando identifica atividades maliciosas destinadas a circular em determinadas plataformas, a OpenAI afirma que notifica as empresas responsáveis por esses serviços.

Google e Meta estão entre as empresas que estão se mexendo para tentar impedir o mau uso da IA nas eleições estadunidenses – Imagem: gguy/Shutterstock

IA amplia riscos de manipulação eleitoral

Um levantamento do Brennan Center for Justice, organização ligada à Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, identificou cenário contraditório.

Os chatbots mais populares geralmente resistem a solicitações relacionadas a teorias conspiratórias sobre eleições. Ao mesmo tempo, as ferramentas de IA produzem regularmente textos, imagens e vídeos que podem ser utilizados para enfraquecer a confiança na votação.

A preocupação também está relacionada à redução das equipes de segurança e moderação das redes sociais nos últimos anos. Após a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, a Meta criou uma central de operações para as eleições legislativas de 2018.

Desde então, porém, a Meta e outras plataformas reduziram equipes responsáveis por segurança e combate à desinformação eleitoral. A decisão ocorreu em meio à pressão de republicanos e, a partir de 2025, do governo Donald Trump, que acusaram as empresas de censurar opiniões conservadoras.

Esse recuo coincidiu com a expansão das ferramentas de IA, aumentando os receios sobre o impacto da tecnologia nas eleições. Especialistas e ex-integrantes do governo estadunidense também alertaram para a capacidade desses recursos de tornar campanhas de manipulação mais convincentes, enquanto o governo Trump desmontou equipes federais que anteriormente atuavam no combate a ameaças ao processo eleitoral.

“Seria imprudente pensar que essa ameaça desapareceu e que a tecnologia não está tornando essas ameaças mais poderosas e convincentes”, afirmou Lauren Protentis, ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, onde supervisionava questões relacionadas à influência estrangeira maliciosa durante o governo de Joe Biden.

OpenAI já identificou operações ligadas a outros países

A OpenAI já havia divulgado tentativas de Rússia, China e Irã de utilizar o ChatGPT em operações de influência estrangeira. A empresa afirma ter interrompido duas campanhas desse tipo no mês anterior à eleição estadunidense.

Até o momento, porém, a companhia não havia divulgado nenhuma operação específica relacionada às eleições legislativas de novembro.

O investigador-chefe da OpenAI, Ben Nimmo, afirmou que o objetivo é identificar essas iniciativas antes que consigam alcançar um público significativo.

“Estamos tentando detectar as operações antes que tenham a oportunidade de ganhar força”, declarou.

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Meta quer captar R$ 475 bilhões para ampliar sua estrutura de IA

A Meta pretende captar até US$ 95 bilhões (cerca de R$ 475 bilhões) com a venda de ações para financiar a expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial (IA), incluindo data centers e capacidade de computação em nuvem.

A dona do Facebook, Instagram e WhatsApp iniciou ofertas de ações de aproximadamente US$ 35 bilhões (R$ 175 bilhões) e planeja vender até US$ 60 bilhões (R$ 300 bilhões) adicionais a partir de 2027.

A Meta planeja captar até 95 bilhões de dólares em ações para financiar a construção de novos data centers e expandir sua IA. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

Fabricantes de chips demonstram interesse

A oferta inicial reúne ações ordinárias e preferenciais conversíveis. Já o segundo programa de vendas depende do início das negociações de novas ações Classe C, sem direito a voto, previsto para o primeiro trimestre de 2027.

Nvidia, AMD e Broadcom demonstraram interesse em comprar até US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões) em ações ordinárias Classe A da Meta incluídas na oferta.

A captação ocorre enquanto a empresa amplia os gastos para competir com OpenAI e Anthropic. Na semana passada, a Meta elevou o limite mínimo de sua previsão de despesas de capital para 2026, que passou de US$ 130 bilhões para US$ 135 bilhões. O teto permaneceu em US$ 145 bilhões.

A companhia também assumiu compromissos de gastos futuros de aproximadamente US$ 825 bilhões (R$ 4,125 trilhões), impulsionados principalmente pelos investimentos em data centers, infraestrutura de IA e computação em nuvem.

Logo da Meta
A busca massiva por investimentos visa garantir capacidade computacional para disputar espaço contra a OpenAI e a Anthropic. – Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Pressão sobre o caixa

O aumento dos gastos já aparece nos resultados financeiros. No terceiro trimestre, a Meta registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões (R$ 10,6 bilhões), seu primeiro resultado negativo nesse indicador em mais de dez anos. No mesmo período do ano anterior, havia registrado fluxo positivo de US$ 10,63 bilhões (R$ 53,15 bilhões).

Em 30 de setembro, a empresa tinha US$ 82,45 bilhões (R$ 412,25 bilhões) em caixa, equivalentes de caixa e títulos negociáveis, pouco acima dos US$ 80,92 bilhões (R$ 404,6 bilhões) em dívida de longo prazo.

Apesar da pressão financeira, a receita superou as expectativas dos analistas no terceiro trimestre. A Meta faturou US$ 64,60 bilhões (R$ 323 bilhões), ante projeção de US$ 63,37 bilhões (R$ 316,85 bilhões).

Para o quarto trimestre, a companhia estima uma receita entre US$ 73 bilhões (R$ 365 bilhões) e US$ 76 bilhões (R$ 380 bilhões).

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Meta descumpre ordens do TSE sobre IA e pode ser multada no Brasil

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) defende que a Meta seja multada por descumprir parte das determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir igualdade entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições.

O parecer também aponta indícios de tratamento desigual na inteligência artificial da empresa. A manifestação ocorreu após o ministro Marco Aurélio Bellizze, relator do caso, cobrar provas de que as regras impostas à plataforma foram cumpridas.

Ministério Público Eleitoral exige dados detalhados sobre o bloqueio e a reavaliação de anúncios políticos nas plataformas. – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock

Procuradoria aponta falhas na prestação de informações

Na avaliação da PGE, a Meta não comprovou o cumprimento de todas as obrigações determinadas pela Justiça Eleitoral. Entre os pontos questionados estão o processamento igualitário de denúncias, a apresentação de informações individualizadas sobre anúncios reavaliados e suspensos e a entrega de um relatório sigiloso em português.

A empresa afirmou ao TSE, na terça-feira (20), que cumpriu as determinações sobre a distribuição de conteúdos políticos e a veiculação de anúncios eleitorais. Também negou qualquer seletividade.

O parecer reconhece que algumas providências foram adotadas, mas cobra esclarecimentos sobre a apuração interna de 255 perfis considerados inautênticos. Embora a Meta tenha informado que concluiu o procedimento e individualizou as medidas para cada conta, a Procuradoria afirma que a documentação disponível não comprova integralmente essas ações.

Traduções e imagens geradas por IA entram na disputa

A campanha de Lula apresentou novos elementos que, segundo a PGE, podem indicar outro descumprimento da exigência de tratamento igualitário. Um dos casos envolve o tradutor automático das redes sociais.

De acordo com a representação, comentários críticos a Flávio Bolsonaro estariam sendo traduzidos com o sentido invertido. A frase “Flávio futuro presidiário!!”, por exemplo, teria sido convertida em “Flávio future president!!” (“Flávio futuro presidente”). Já “Nosso futuro presidiário” teria virado “Our future president” (“Nosso futuro presidente”).

Para a Procuradoria, diferenças nas respostas conforme a candidatura mencionada enfraquecem a hipótese de uma falha aleatória. O problema também pode afetar as manifestações espontâneas dos eleitores e as métricas associadas aos comentários.

A campanha acusa ainda a ferramenta Meta AI de gerar conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro a partir de comandos genéricos sobre política. Segundo a representação, pedidos relacionados a termos como “presidente”, “presidência da República” e “eleições” poderiam resultar em imagens com o número 22, mesmo quando o contexto não justificasse essa associação.

A PGE pede que os episódios sejam incluídos na análise do cumprimento da decisão judicial e que a empresa apresente explicações técnicas específicas.

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O caso reacende o debate nacional sobre a responsabilidade das big techs no controle de conteúdo gerado por inteligência artificial. – Imagem: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

O que ainda está em discussão

Entre os pontos que precisam ser esclarecidos na apuração estão:

  • Como a Meta avaliou os 255 perfis considerados inautênticos;
  • Quais medidas foram efetivamente aplicadas a cada conta;
  • Como a empresa verificou o funcionamento da tradução automática e da geração de imagens;
  • Quais documentos e relatórios comprovam o cumprimento das determinações.

Em 15 de outubro, Bellizze determinou que a Meta não reduzisse a distribuição, excluísse recomendações ou restringisse buscas de conteúdos político-eleitorais de qualquer candidatura do segundo turno. A decisão também estabeleceu regras para os sistemas de recomendação e para a Meta AI.

A Procuradoria defende que a multa seja calculada desde o momento em que cada obrigação foi descumprida. O parecer não fixa um valor, mas o relator já indicou a possibilidade de penalidade de até R$ 1 milhão por dia. A análise do caso deverá considerar as medidas já adotadas pela empresa e as pendências apontadas pelo MPE.

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Deepfakes podem dificultar análise de provas, alertam OpenAI e Meta

Representantes da OpenAI e da Meta alertaram integrantes do Judiciário dos Estados Unidos na quinta-feira (15) sobre as dificuldades crescentes para identificar vídeos e áudios falsos produzidos por inteligência artificial (IA). Segundo os especialistas, os chamados deepfakes estão se tornando tão sofisticados que será cada vez mais difícil verificar a autenticidade de provas audiovisuais apresentadas em julgamentos.

O alerta foi feito durante uma reunião em Boston do Comitê Consultivo sobre Regras de Provas da Conferência Judicial dos Estados Unidos. Desde 2023, o grupo discute como lidar com os riscos de conteúdos fabricados por IA nos tribunais e quais critérios devem ser aplicados para confirmar a validade desse tipo de evidência.

Deepfakes dificultam a verificação de provas

Shira Anderson, advogada de políticas públicas da OpenAI, afirmou que os avanços na geração de imagens por IA tornam cada vez mais difícil desenvolver métodos científicos capazes de identificar conteúdos artificiais.

“As imagens de IA estão cada vez melhores, e não acho que haverá uma maneira científica de detectá-las no futuro”, disse Anderson ao comitê.

Devin Norder, diretor de gerenciamento de produtos da Meta, também destacou a evolução da tecnologia. Segundo ele, conteúdos produzidos pelos modelos de IA mais avançados já podem ser indistinguíveis, para observadores humanos, de mídias autênticas ou de outros materiais gerados artificialmente.

Norder acrescentou que o custo e o tempo necessários para criar esse tipo de conteúdo são muito baixos. Isso aumenta a preocupação com a possibilidade de materiais falsos serem apresentados como provas legítimas em processos judiciais.

Poucos casos identificados até agora

Apesar dos alertas, ainda há poucos registros de disputas judiciais envolvendo deepfakes nos Estados Unidos. Em março, o Centro Judicial Federal, órgão de pesquisa do Judiciário americano, informou que apenas 15 dos 931 juízes que responderam a uma pesquisa haviam enfrentado casos em que uma das partes contestou a apresentação de provas por suspeitar que fossem deepfakes.

Jesse Furman, juiz federal de Manhattan e presidente do comitê, afirmou que existe uma quantidade significativa de análises acadêmicas e previsões sobre o impacto da tecnologia nos tribunais, mas que os casos concretos ainda são limitados.

Na reunião de quinta-feira, Furman nomeou um subcomitê para aprofundar a análise do problema. Especialistas da indústria, da academia e do governo, porém, ressaltaram que o desafio não deve ser tratado como uma possibilidade distante. Para eles, a capacidade dos tribunais de impedir o uso de provas falsas tende a se tornar mais difícil.

Ferramentas de detecção têm limitações

Empresas como OpenAI e Meta vêm desenvolvendo ferramentas e serviços para ajudar a verificar a autenticidade de conteúdos visuais. Além disso, novas leis na Califórnia e na União Europeia exigem o uso de marcas d’água digitais destinadas a facilitar a identificação de deepfakes.

Anderson, no entanto, alertou que não existe um padrão universal para detectar essas marcas ou confirmar a autenticidade de imagens e vídeos. Como cada empresa adota seus próprios sistemas, as ferramentas disponíveis não permitem uma verificação confiável de todos os conteúdos.

A representante da OpenAI também afirmou acreditar que os mecanismos de identificação continuarão evoluindo, mas não serão totalmente infalíveis.

Juízes defendem cautela na criação de regras

Valerie Caproni, juíza federal de Manhattan e integrante do comitê, demonstrou cautela em relação à criação imediata de regras específicas para provas geradas por IA. Segundo ela, ainda faltam dados que indiquem que os deepfakes se tornaram um problema disseminado nos tribunais.

Caproni também observou que as normas e leis atuais já proíbem a apresentação de provas fraudulentas e permitem que juízes avaliem se determinado material foi falsificado.

A magistrada ressaltou que a manipulação de evidências não é um problema novo no sistema judicial. Por isso, a discussão envolve determinar se as regras existentes são suficientes para lidar com as dificuldades adicionais trazidas pela inteligência artificial.

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Meta pode pagar R$500 mil por dia por tratamento diferenciado entre Lula e Flávio Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta garanta isonomia (tratamento igualitário) aos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em suas redes sociais e serviços de Inteligência Artificial (IA). Em caso de descumprimento, a empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp pagará multa diária de R$500 mil.

O que aconteceu:

  • Usuários relataram esta semana que a Meta AI gerava imagens para Flávio Bolsonaro, mas bloqueava solicitações relacionadas a Lula;
  • A campanha de Lula acionou a Justiça por suposto viés político;
  • A Meta negou intenção política e garantiu estar cumprindo as regras eleitorais do Brasil;
  • O Ministério Público Federal abriu investigação para apurar a conduta das plataformas da empresa;
  • O TSE apontou falha temporária e exigiu isonomia sob pena de multa diária.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. – Imagem: TSE

Decisão busca garantir isonomia na reta final da eleição 

A ordem do ministro Marco Aurélio Bellizze proíbe que a plataforma reduza a entrega de postagens, limite recomendações ou altere resultados de buscas de qualquer candidatura. A decisão busca evitar que falhas no sistema afetem a disputa e prejudiquem o acesso à informação.

A ação foi movida pela campanha do candidato Lula ao constatar um desequilíbrio na plataforma. A equipe informou à Justiça que a ferramenta de IA da empresa bloqueava imagens do petista, enquanto liberava a criação de conteúdos sobre o candidato Flávio Bolsonaro.

O ministro destacou à Agência Brasil que a medida se aplica igualmente a ambos os candidatos e não afeta as opiniões dos usuários. “Estão presentes, portanto, a probabilidade do direito, nos limites das medidas a seguir, e o perigo de dano, evidenciado pela proximidade do segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026, e pelo início, em 22 de outubro de 2026, dos períodos em que a lei veda a publicação de novos conteúdos sintéticos e o impulsionamento de propaganda eleitoral. Eventual falha nesse intervalo não poderá ser reparada após o pleito.”

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Meta AI gerou imagem relacionada a Flávio Bolsonaro, mas se negou a produzir uma similar de Lula – Crédito: Olhar Digital

Meta passa a proibir imagens dos candidatos para cumprir lei eleitoral

Apesar de confirmar a falha técnica, o ministro do TSE ressaltou que não há evidências de ação deliberada da empresa contra Lula. Para ele, os indícios apontam apenas uma instabilidade temporária no mecanismo de controle de comandos do sistema de inteligência artificial.

Em nota oficial, a Meta declarou ter bloqueado temporariamente a geração e recomendação de imagens de candidatos para cumprir a legislação eleitoral brasileira. “Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”.

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Nvidia, Meta e Apple lançam novos modelos abertos de IA nos EUA

A Nvidia anunciou três novos modelos abertos de inteligência artificial voltados à criação de agentes de IA para empresas. No mesmo dia, a Meta apresentou um modelo de pesos abertos e anunciou uma parceria com a Apple para executá-lo localmente em computadores Mac de alto desempenho.

Os lançamentos ampliam as opções de IA desenvolvidas nos Estados Unidos, embora ainda não se saiba se conseguirão atrair usuários de modelos chineses mais baratos.

Especialistas apontam que a customização de modelos abertos pode superar a eficiência de grandes sistemas proprietários fechados. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

Nvidia aposta em agentes de IA

Os três modelos fazem parte da família Nemotron. Um deles, o Nemotron 3.5 Super VL, foi desenvolvido para tarefas que exigem agentes de IA em funcionamento contínuo. Segundo a Nvidia, o sistema é mais rápido em atividades de longa duração e processa textos, imagens e vídeos.

Kari Briski, vice-presidente de software de inteligência artificial generativa para empresas da Nvidia, afirmou que a companhia pretende continuar lançando modelos abertos aprimorados.

“Esta é uma mensagem para desenvolvedores, nossos parceiros e empresas de que eles podem contar conosco”, disse Briski em nota.

Segundo a executiva, o interesse pelos modelos Nemotron aumentou porque eles são desenvolvidos nos Estados Unidos e permitem inspecionar os dados subjacentes. Órgãos públicos e instituições financeiras demonstram preocupação particular com o uso de modelos chineses.

Empresas personalizam modelos abertos

Atlassian, CrowdStrike, Dassault Systèmes, Salesforce e Synopsys estão entre as empresas que adaptaram o Nemotron com dados próprios, segundo o The Wall Street Journal.

O processo, conhecido como fine-tuning ou ajuste fino, consiste em adaptar um modelo existente para melhorar seu desempenho em tarefas específicas. Segundo Briski, essa personalização pode gerar resultados melhores do que o uso de modelos de ponta, justamente por atender às necessidades de cada empresa.

A abordagem também permite:

  • Direcionar o modelo para atividades específicas de cada setor.
  • Incorporar informações próprias ao processo de adaptação.
  • Modificar um sistema existente sem precisar desenvolver outro do zero.
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A execução local de inteligência artificial em computadores, como propõem a Meta e a Apple, garante mais privacidade e rapidez no processamento de dados sensíveis. Imagem: mundissima/Shutterstock

Meta e Apple apostam em IA local

A Meta anunciou um novo modelo de pesos abertos que poderá ser executado localmente em computadores Mac de alto desempenho, em colaboração com a Apple. Nesse formato, o processamento ocorre no próprio dispositivo, sem depender integralmente de servidores remotos.

As iniciativas ampliam a oferta de modelos americanos para empresas e desenvolvedores. Ainda não há, porém, informações suficientes para determinar se os lançamentos conseguirão competir com as alternativas chinesas de menor custo.

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Meta lança IA de peso aberto que roda em Macs; veja como funciona

A Meta lançou, nesta quinta-feira (15), o Muse Spark Open, modelo de inteligência artificial (IA) de peso aberto voltado a tarefas complexas de programação, raciocínio e execução de atividades por agentes de IA. A novidade chama a atenção por ter sido otimizada para funcionar diretamente em computadores da Apple, em colaboração entre duas empresas que historicamente disputam espaço no setor de tecnologia.

De acordo com a Meta, o modelo reúne 816 bilhões de parâmetros e conta com janela de contexto de até um milhão de tokens. Os pesos estão disponíveis para download, permitindo que desenvolvedores executem e adaptem a tecnologia em suas próprias infraestruturas, dentro das condições estabelecidas pela licença.

A iniciativa também representa aposta na execução local de modelos avançados, reduzindo a dependência de serviços de IA hospedados exclusivamente na nuvem.

Como funciona o Muse Spark Open?

O Muse Spark Open foi desenvolvido para lidar com tarefas que exigem várias etapas de raciocínio, projetos complexos de software e atividades executadas por agentes de IA. Diferentemente de assistentes que apenas respondem a perguntas, esses agentes podem trabalhar em sequências de ações para atingir um objetivo.

O modelo é multimodal: consegue receber informações em texto, imagens, áudio e vídeo, embora sua saída seja textual. Segundo a documentação técnica da Meta, ele utiliza arquitetura chamada mixture of experts (mistura de especialistas).

Embora tenha 816 bilhões de parâmetros no total, cerca de 42 bilhões ficam ativos para cada token processado. Isso permite concentrar o processamento em partes específicas da rede neural, sem dispensar a memória necessária para manter o modelo completo carregado.

A Meta afirma que a tecnologia foi projetada para trabalhos prolongados de programação, engenharia de software e raciocínio em múltiplas etapas. O modelo também pode ser personalizado por desenvolvedores.

Por que são necessários dois Macs potentes?

  • A empresa trabalhou com a Apple para otimizar a execução do modelo por meio do MLX, estrutura de aprendizado de máquina desenvolvida para os chips da companhia;
  • A configuração destacada pelas empresas utiliza dois computadores Mac Studio equipados com chips M5 Ultra, cada um com até 512 GB de memória unificada. Juntos, os equipamentos podem oferecer até 1 TB de memória para manter o modelo disponível durante a execução;
  • A arquitetura dos chips da Apple permite que a GPU integrada acesse a memória unificada. Segundo a Meta, a largura de banda de memória do M5 Ultra chega a 1,2 TB/s, característica importante para alimentar o processamento de modelos dessa dimensão;
  • Na prática, isso significa que executar o Muse Spark Open localmente exige equipamentos de alto desempenho e não é opção viável para qualquer Mac. A configuração apresentada é voltada principalmente a desenvolvedores e equipes com recursos para montar infraestrutura robusta;
  • A empresa demonstrou o modelo em tarefas que incluem alterações em aplicativo de peso aberto para Mastodon, com correções de erros, novos recursos e compilação do projeto. Também mostrou o sistema trabalhando com o DaVinci Resolve, software de edição de vídeo, para analisar imagens e selecionar trechos que poderiam ser recortados em formato vertical.

Leia mais:

Modelo pode ser usado fora dos computadores da Apple

Apesar da parceria com a Apple, o Muse Spark Open não está restrito aos Macs. A Meta disponibilizou os pesos para download e anunciou acesso por plataformas de API, incluindo Baseten, Fireworks AI, Groq, Modal, Nebius, OpenRouter e Together AI.

O modelo também é compatível com diferentes ferramentas de execução, entre elas SGLang, vLLM, TensorRT-LLM, Hugging Face Transformers, MLX e llama.cpp. Há configurações voltadas a diferentes tipos de hardware, incluindo aceleradores de empresas, como AMD, Intel e Nvidia.

A documentação técnica descreve versões com diferentes formatos de precisão. O formato BF16 ocupa aproximadamente 1,65 TB em pesos, enquanto a versão compactada NVFP4 tem cerca de 537 GB. Mesmo a versão menor exige infraestrutura de memória considerável para funcionar, além do espaço necessário para os próprios pesos.

O que significa ter pesos abertos?

Modelos de pesos abertos disponibilizam os parâmetros treinados para que outras pessoas possam baixar, executar e, conforme as condições da licença, adaptar a tecnologia. Isso oferece mais flexibilidade do que sistemas proprietários, cujo funcionamento depende exclusivamente dos serviços controlados pela empresa desenvolvedora.

A abordagem também pode facilitar a execução de tarefas dentro da infraestrutura de uma organização, ampliando o controle sobre dados e processos. Por outro lado, rodar modelos grandes localmente exige hardware, conhecimento técnico e recursos para manutenção.

A disponibilização dos pesos do Muse Spark Open não significa, porém, que o modelo seja inteiramente de código aberto ou que não existam restrições. A Meta utiliza a Muse Model License, que prevê condições específicas para o uso comercial.

Com o lançamento, a companhia amplia sua aposta em modelos que desenvolvedores podem executar e adaptar, enquanto a parceria com a Apple demonstra como computadores pessoais de alto desempenho podem ser usados para tarefas de IA que, até então, eram frequentemente associadas a grandes infraestruturas de servidores.

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Zuckerberg rejeita freio na IA e promete novos gastos da Meta

Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, afirmou nesta segunda-feira (12) que a empresa alcançou a fronteira da inteligência artificial (IA) e pretende continuar investindo bilhões de dólares para competir com OpenAI e Anthropic. Ao Financial Times, o executivo também rejeitou pedidos para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia, argumentando que os sistemas podem avançar de maneira responsável com a adoção de salvaguardas.

As declarações ocorreram durante o lançamento do Muse Wonder, novo modelo de IA da Meta. Para Zuckerberg, a companhia precisa acompanhar os avanços mais recentes do setor para concretizar sua visão de superinteligência pessoal, voltada a consumidores individuais. O executivo afirmou que a empresa já trabalha na próxima etapa de desenvolvimento e espera que o progresso dos modelos acelere.

Zuckerberg defende novos investimentos em IA

Segundo Zuckerberg, o desenvolvimento do Muse Wonder exigiu grande capacidade computacional, investimentos elevados e trabalho científico conduzido pela equipe ao longo de um período prolongado. Desde o ano passado, a Meta destinou bilhões de dólares à infraestrutura de IA e à contratação de pesquisadores especializados.

A estratégia ganhou força após o Llama 4 ficar abaixo das expectativas em abril do ano passado. A empresa passou a investir mais em talentos e infraestrutura para disputar espaço com OpenAI, Anthropic e Google. Nesse processo, Zuckerberg contratou Alexandr Wang, fundador da Scale AI, para liderar o TBD Lab, unidade central nos planos de inteligência artificial da companhia.

O executivo afirmou que a Meta precisa estar na fronteira tecnológica para desenvolver os produtos que pretende oferecer. Segundo ele, os modelos já apresentam avanços em determinadas áreas acadêmicas, mas ainda não têm bom senso suficiente para funcionar como assistentes pessoais ideais.

Zuckerberg também diferenciou a estratégia da Meta daquela adotada por concorrentes. Enquanto outras empresas estariam mais concentradas em trabalhos intelectuais e automação, disse ele, a companhia pretende priorizar ferramentas voltadas ao uso pessoal da inteligência artificial.

Executivo minimiza riscos e rejeita desaceleração

Zuckerberg voltou a se posicionar contra pedidos para desacelerar o desenvolvimento da IA, defendidos por executivos como Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI. Ele também evitou estimar a chamada “P(doom)”, expressão usada no Vale do Silício para representar a probabilidade de a inteligência artificial provocar destruição em massa.

Em vez disso, o presidente-executivo da Meta argumentou que cabe a cada laboratório garantir a segurança de seus sistemas. Ele afirmou acreditar que a tecnologia pode ser projetada com salvaguardas e desenvolvida de maneira responsável, em oposição à ideia de que a IA simplesmente agirá por conta própria.

A discussão ocorre em meio a preocupações com o avanço de agentes autônomos. Em julho, mais de mil agentes da OpenAI teriam escapado de um ambiente de testes e invadido a startup Hugging Face.

O executivo também teve participação importante na elaboração do Acordo sobre Superinteligência da Casa Branca, iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltada à autorregulação do setor. Críticos, porém, consideram que o acordo está aquém do necessário para estabelecer uma estrutura global formal de governança da IA.

Para Zuckerberg, o avanço tecnológico ainda precisa resolver limitações importantes. Ele citou a diferença entre modelos capazes de realizar cálculos matemáticos avançados e sistemas que consigam atender clientes de maneira confiável. Na avaliação do executivo, esse contraste mostra que ainda há trabalho a fazer, mesmo com o progresso recente da inteligência artificial.

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Meta lança Muse Wonder, nova IA para competir com OpenAI e Anthropic

A Meta apresentou nesta segunda-feira (12) dois novos modelos de inteligência artificial (IA), chamados Muse Wonder e Muse Wonder Full, para ampliar sua atuação no mercado de sistemas avançados. A empresa afirma que os modelos apresentam resultados próximos aos das ferramentas mais avançadas da Anthropic em testes de raciocínio, escrita e programação.

O lançamento faz parte dos esforços da companhia de Mark Zuckerberg para fortalecer sua divisão de IA e ampliar as possibilidades de receita além da publicidade on-line. O acesso às novidades será integrado a produtos da empresa, incluindo o aplicativo de agentes pessoais Muse e a ferramenta de programação Muse Code, com diferentes modalidades de assinatura.

Modelos chegam com foco em programação e tarefas complexas

O desenvolvimento do Muse Wonder começou após a contratação de Alexandr Wang, fundador da startup Scale AI, para o cargo de diretor de inteligência artificial da Meta, em junho de 2025. A nova família é a segunda série de modelos lançada pela divisão liderada por Wang e a primeira que a empresa apresenta explicitamente como concorrente de sistemas de fronteira, conhecidos como frontier models.

Esses modelos estão entre os sistemas de IA mais avançados e normalmente exigem grande capacidade computacional para funcionar. Segundo a Meta, o Muse Wonder também apresenta avanços significativos em programação em comparação com as versões anteriores da empresa.

O modelo foi desenvolvido para aprimorar agentes pessoais e profissionais, que executam tarefas em nome dos usuários. Em entrevista à CNBC, Wang afirmou que o treinamento buscou preparar o sistema para tentar abordagens alternativas quando encontra obstáculos, em vez de interromper a atividade e pedir orientações ao usuário.

Entre os exemplos mencionados pelo executivo estão tarefas do cotidiano, como fazer reservas em restaurantes e verificar disponibilidade. A proposta é permitir que os agentes lidem melhor com imprevistos durante a execução dessas atividades.

O ranking do Artificial Analysis Intelligence Index compara modelos de IA, incluindo as versões Muse Wonder e Muse Wonder Full, da Meta – Imagem: Divulgação / Meta

Acesso aos modelos terá diferentes assinaturas

O Muse Wonder será incorporado a partes do aplicativo Muse, lançado no mês anterior. Embora o aplicativo tenha uma versão gratuita, o acesso ao novo modelo exigirá uma assinatura mensal de US$ 20 ou US$ 100.

O modelo também estará disponível para desenvolvedores por meio da Meta Model API. Wang afirmou que essa modalidade terá preço superior ao das assinaturas convencionais, por se tratar de um sistema maior e de nível avançado. Ainda assim, segundo ele, o custo ficará significativamente abaixo do cobrado pelos principais modelos da OpenAI e da Anthropic.

Já o Muse Wonder Full será a versão mais potente da nova família. O acesso ficará restrito aos desenvolvedores que assinarem o Muse Code, ferramenta de IA voltada à engenharia de software. Os planos mencionados pela CNBC custam US$ 50 ou US$ 200 por mês.

Meta destaca medidas de segurança

O lançamento ocorre em meio a preocupações sobre o comportamento de modelos avançados e agentes de IA. Em publicação no blog da empresa, a Meta afirmou que o novo modelo oferece suas proteções mais robustas até o momento contra usos indevidos relacionados à segurança cibernética. Por enquanto, essas medidas estão disponíveis apenas na versão paga.

A equipe de Wang também acompanha incidentes e problemas relacionados ao uso do Muse. Alguns usuários reclamaram nas redes sociais que o agente teria acessado mensagens pessoais sem autorização, uma alegação contestada pela empresa.

Segundo Wang, a Meta está orientando os usuários sobre o funcionamento do aplicativo e as permissões concedidas durante as conversas. O executivo afirmou que algumas pessoas podem ter autorizado determinadas comunicações anteriormente e depois se esquecido dessa autorização.

Durante o desenvolvimento do Muse Wonder, a Meta enfrentou atrasos. Em julho, a empresa suspendeu uma etapa de treinamento conhecida como pré-treinamento, o que adiou o lançamento dos modelos para outubro, conforme informações publicadas anteriormente pelo The New York Times.

Os modelos, que tinham o codinome interno Watermelon, representam mais uma etapa da estratégia da Meta para ampliar sua presença no mercado de IA. A empresa também busca aumentar a venda de serviços de inteligência artificial para outras companhias, em um segmento no qual OpenAI e Anthropic já ocupam posições relevantes.

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Países começam a impor limites ao uso de óculos inteligentes

Os óculos inteligentes da Meta entraram na mira de governos, tribunais e empresas ao redor do mundo. A preocupação é que câmeras e microfones embutidos nos modelos Ray-Ban possam registrar pessoas ou materiais confidenciais sem que elas percebam.

Com a popularização da tecnologia, diferentes países começaram a avaliar se as regras atuais são suficientes para lidar com dispositivos capazes de gravar imagens e sons de forma discreta.

Nova York proibiu óculos e acessórios com recursos de gravação em todas as instalações judiciais. Imagem gerada por inteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital

Restrições já aparecem em diferentes países

Nos Estados Unidos, o Sistema Judiciário Unificado de Nova York proibiu, desde 20 de julho, óculos e acessórios com câmeras, microfones, computadores ou outras tecnologias de gravação em todas as suas instalações. Na Inglaterra e no País de Gales, tribunais também proibiram os óculos inteligentes da Meta por causa das regras para fotografias e vídeos nesses espaços.

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O movimento chegou aos cinemas britânicos. Segundo a Associação de Cinemas do Reino Unido, operadores estão adotando políticas para proibir ou limitar o uso de óculos inteligentes com câmeras.

Na Austrália, o governo federal avalia uma possível proibição dos modelos com câmeras em locais de trabalho governamentais. A ministra do Serviço Público, Katy Gallagher, pediu uma análise sobre a medida e as possíveis exceções.

Ray-Ban e Meta fizeram parceria para lançar óculos inteligentes no mercado
O avanço acelerado da tecnologia vestível coloca em xeque a privacidade em locais públicos e ambientes de trabalho. Imagem: JLStock / Shutterstock

Europa ainda discute como agir

Na União Europeia, reguladores de proteção de dados e parlamentares também passaram a examinar a tecnologia. O Comitê Europeu de Proteção de Dados encomendou um relatório sobre a “aceitabilidade social” dos dispositivos.

A parlamentar europeia Veronika Cifrová Ostrihoňová pediu que a Comissão Europeia avalie possíveis medidas. Até agora, não há uma legislação específica da União Europeia sobre os óculos inteligentes.

A Noruega pretende propor uma proibição temporária dos chamados óculos de inteligência artificial em locais de concentração do público, como parques, praias, museus, centros comerciais e eventos. Em Oslo, o uso dos dispositivos nas escolas já foi proibido em agosto.

O cenário atual inclui:

  • Nova York: proibição em todas as instalações judiciais;
  • Reino Unido: restrições em tribunais e políticas próprias em cinemas;
  • União Europeia: avaliação regulatória, sem lei específica;
  • Noruega: proposta de restrição em locais públicos e proibição nas escolas de Oslo;
  • Austrália: análise de possível proibição em ambientes de trabalho do governo.

A expansão dos óculos inteligentes coloca uma questão cada vez mais prática para governos e instituições: como proteger a privacidade quando câmeras e microfones passam a fazer parte de um acessório usado no rosto.

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