A Meta está desenvolvendo um personagem de inteligência artificial (IA) baseado em Mark Zuckerberg, treinado a partir dos maneirismos, do tom de voz e de declarações públicas do CEO. A informação foi publicada pelo Financial Times.
A proposta é que esse personagem também aprenda sobre as posições de Zuckerberg em relação às estratégias recentes da empresa, com a possibilidade de oferecer respostas e orientações a funcionários.
Meta desenvolve personagem de IA baseado em Mark Zuckerberg para interações internas, segundo reportagem – Imagem: FotoField/Shutterstock
Personagem de IA de Mark Zuckerberg pode interagir com funcionários
O projeto faz parte de um esforço mais amplo da Meta, que já trabalha há algum tempo na criação de personagens de IA animados em 3D com aparência fotorrealista, capazes de conduzir interações.
Agora, segundo a reportagem, a companhia estaria concentrando esforços especificamente nesse personagem baseado em Zuckerberg, que poderia ser acionado em situações em que o CEO não possa ou não queira responder diretamente.
A iniciativa surge após notícias recentes de que Mark Zuckerberg também está desenvolvendo um agente de IA para auxiliá-lo em suas funções. O projeto foi inicialmente reportado pelo The Wall Street Journal.
Esse agente teria como objetivo realizar tarefas como buscar informações e respostas para o executivo, embora ainda haja poucos detalhes sobre o seu funcionamento.
A Meta ampliou seus investimentos em inteligência artificial (IA) ao firmar um novo acordo de US$ 21 bilhões com a CoreWeave, empresa especializada em infraestrutura de nuvem voltada para IA. O valor se soma a um contrato anterior de US$ 14,2 bilhões, reforçando a estratégia da companhia de expandir sua capacidade computacional.
O novo compromisso terá duração entre 2027 e 2032 e ocorre em um momento em que a empresa intensifica tanto a construção de infraestrutura própria quanto a dependência de fornecedores externos para sustentar o avanço de seus sistemas de IA.
A Meta fechou acordo com a CoreWeaver para ampliar infraestrutura de IA – Imagem: miss.cabul/Shutterstock
Meta amplia estratégia e mantém parceria com CoreWeave
Segundo o CEO da CoreWeave, Mike Intrator, a Meta deve manter uma abordagem híbrida, combinando desenvolvimento interno com parcerias externas. “Eles vão continuar fazendo por conta própria, mas também vão continuar fazendo conosco. Há risco demais em não fazer isso”, afirmou em entrevista ao CNBC.
A CoreWeave opera data centers equipados com centenas de milhares de GPUs da Nvidia, voltadas ao treinamento e operação de modelos de inteligência artificial. A empresa também atende clientes como Google, Microsoft e OpenAI, que buscam ampliar rapidamente sua capacidade diante da alta demanda por IA.
Em março, a Meta anunciou um investimento de US$ 10 bilhões em um data center no Texas. Além disso, a companhia projeta gastar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em despesas de capital neste ano, valor acima das estimativas de Wall Street e quase o dobro do registrado em 2025.
Apesar de o negócio principal de publicidade ter se beneficiado do avanço da IA, a empresa ainda enfrenta dificuldades para ganhar espaço no desenvolvimento de modelos, área atualmente liderada por OpenAI, Anthropic e Google. A Meta também vem investindo na criação do grupo Superintelligence Labs e lançou recentemente o modelo Muse Spark.
A colaboração entre Meta e CoreWeave começou em 2023. De acordo com Intrator, a infraestrutura da empresa tem permitido melhor aproveitamento dos profissionais especializados em IA contratados pela Meta. Um porta-voz afirmou que o acordo faz parte de uma abordagem baseada em portfólio para infraestrutura, com foco em sustentar suas ambições no setor.
CoreWeave busca diversificação e amplia capacidade
A CoreWeave também anunciou que pretende levantar US$ 3 bilhões em dívida adicional. A nova parceria com a Meta contribui para reduzir a dependência da empresa em relação à Microsoft, que respondeu por 62% da receita em 2024. Com o novo cenário, nenhum cliente deve representar mais de 35% das vendas totais.
A empresa fechou 2025 com US$ 21 bilhões em dívidas e, em março, captou mais US$ 8,5 bilhões para expandir sua infraestrutura ligada a novos contratos.
As ações da CoreWeave acumulam alta de 24% no ano, enquanto o índice S&P 500 registra queda de cerca de 1% no mesmo período. Já os papéis da Meta recuam aproximadamente 7%, apesar de uma valorização recente após o anúncio de seu novo modelo de IA.
Intrator avalia que a parceria com a Meta tende a crescer, mesmo com a expansão de data centers próprios pela empresa. Segundo ele, a combinação entre infraestrutura interna e terceirizada deve continuar sendo parte central da estratégia.
No ano passado, a Meta passou por uma reformulação interna que resultou no Meta Superintelligence Labs, uma divisão focada em inteligência artificial. Como resultado, a big tech anunciou nesta quarta-feira (8) seu primeiro lançamento desde então: o modelo de IA Muse Spark.
Segundo a empresa, o modelo já está funcionando integrado ao aplicativo e ao site Meta AI nos Estados Unidos. A expectativa é que, nas próximas semanas, a tecnologia seja expandida para outras plataformas do ecossistema da companhia, incluindo WhatsApp, Instagram, Facebook, Messenger e os óculos inteligentes da marca, além de chegar para mais países.
O Muse Spark inaugura uma nova linha de modelos da empresa com foco em integração direta aos produtos da empresa – abordagem semelhante à adotada por concorrentes como o Google (o Gemini funciona integrado aos serviços do Google, como Drive, Docs e Gmail). De acordo com a companhia, o sistema foi “desenvolvido especificamente para os produtos da Meta” e será disponibilizado inicialmente a alguns parceiros em formato de prévia privada via API.
Entre os principais recursos, o Muse Spark traz suporte multimodal, permitindo a combinação de texto e imagens nas interações. A tecnologia também foi projetada para operar com múltiplos “subagentes” de IA, o que, segundo a Meta, melhora a velocidade e a eficiência na resposta a consultas mais complexas.
Esse conjunto de capacidades ganha relevância especialmente no contexto dos óculos inteligentes da empresa, que contam com câmera e recursos de IA embarcados. Nesses dispositivos, os usuários poderão alternar entre um modo mais rápido, chamado “Instantâneo”, e outro mais aprofundado, o modo “Pensamento”, voltado para respostas mais detalhadas.
A Meta também destacou o potencial do Muse Spark em áreas como ciência, matemática e saúde. Segundo a empresa, o modelo é capaz de responder a “perguntas complexas” nesses campos, incluindo interações que envolvem gráficos e imagens. A companhia afirma ainda que a percepção multimodal pode ser “especialmente valiosa para a saúde”, ao permitir respostas mais completas nesse tipo de consulta.
O uso de IA em saúde, no entanto, tem sido alvo de debates recentes, principalmente por envolver dados sensíveis e riscos de desinformação. Ainda assim, a Meta sinaliza interesse em competir diretamente com soluções semelhantes já lançadas por outras empresas do setor, como Anthropic (com o Claude) e OpenAI (com o ChatGPT).
Em testes, o modelo foi utilizado, por exemplo, para estimar calorias de refeições – uma aplicação popular, mas que ainda levanta questionamentos sobre precisão.
Em demonstração, Muse Spark foi usado para quantificar calorias de uma refeição – Imagem: Meta
Meta quer ampliar Muse Spark no futuro próximo
No médio prazo, a Meta pretende ampliar as funcionalidades do modelo, incluindo recursos capazes de sugerir conteúdos e recomendações com base em publicações compartilhadas em plataformas como Instagram, Facebook e Threads.
A empresa também informou que trabalha em versões mais avançadas da linha Muse e que planeja disponibilizar modelos futuros em código aberto. O Muse Spark é descrito como um primeiro passo nessa nova fase da estratégia de IA da companhia.
Como lembrou o The Verge, a iniciativa marca a segunda grande investida da Meta em modelos avançados de inteligência artificial, após a série Llama. A reestruturação da área ocorreu após o desempenho abaixo do esperado do Llama 4, lançado em 2025, levando a empresa a reposicionar seus esforços no setor.
Uma investigação do jornal The Guardian revelou que milhares de trabalhadores foram pagos por uma empresa parcialmente controlada pela Meta para treinar sistemas de inteligência artificial. Em muitos casos, eles tiveram que executar tarefas controversas, como coleta de dados em redes sociais, uso de conteúdo protegido por direitos autorais e análise de materiais sensíveis, como imagens pornográficas e de animais mortos.
Segundo a reportagem, a Scale AI – companhia da qual a Meta detém 49% – recruta profissionais por meio da plataforma Outlier, oferecendo trabalho remoto e flexível para pessoas com formação em áreas como medicina, física e economia. O site da empresa convida candidatos com o slogan: “Torne-se o especialista de quem a IA aprende”.
Na prática, trabalhadores relataram que as atividades iam além do treinamento técnico de modelos avançados. Parte das tarefas envolvia a coleta e organização de dados de usuários em plataformas como Facebook e Instagram, incluindo imagens, conexões sociais e informações pessoais – até de menores de idade. Para alguns participantes, o processo gerou desconforto ético.
“Acho que as pessoas não entenderam muito bem que haveria alguém em uma mesa, em um estado qualquer, olhando para o seu perfil [de mídia social] e usando-o para gerar dados de IA”, afirmou um dos consultores ouvidos pela reportagem.
O Guardian entrevistou dez pessoas que atuaram na plataforma, muitas delas conciliando o trabalho com outras ocupações, como jornalismo, ensino e pesquisa acadêmica. Segundo relatos, a motivação foi financeira, para complementar renda.
Além da coleta de dados, os chamados “taskers” também foram expostos a conteúdos considerados perturbadores. Entre as tarefas descritas estão a transcrição de áudios pornográficos, a rotulagem de imagens de animais mortos e até a análise de cenários violentos. Um estudante de doutorado relatou ter sido instruído a classificar um diagrama da genitália de um bebê, apesar de garantias iniciais de que não haveria material sensível.
“Já nos tinham dito antes que não haveria nudez nesta missão. Comportamento apropriado, nada de violência gráfica, nada de sangue”, afirmou. “Mas depois aparecia uma transcrição de áudio de pornografia ou simplesmente trechos aleatórios de pessoas vomitando sem motivo aparente”.
Outro ponto levantado foi o uso de obras artísticas, protegidas por direitos autorais, para treinar modelos de geração de imagem. Trabalhadores disseram que precisavam buscar conteúdos originais para alimentar os sistemas – muitas vezes nas próprias redes sociais de artistas. Em alguns casos, havia instruções explícitas para não utilizar imagens geradas por IA, apenas produções humanas.
Paralelamente, os colaboradores relataram condições de trabalho instáveis, com remuneração variável, monitoramento constante e processos seletivos não remunerados. A plataforma utilizaria ferramentas de rastreamento de atividade, como captura de tela, durante a execução das tarefas.
Segundo Glenn Danas, advogado que representa trabalhadores do setor, centenas de milhares de pessoas atuam em plataformas desse tipo ao redor do mundo. Para muitos, há a percepção de que estão contribuindo para o desenvolvimento de tecnologias que podem substituir suas próprias funções. Um artista descreveu sentir “vergonha e culpa internalizadas” por “contribuir diretamente para a automação de minhas esperanças e sonhos”.
A Meta comprou Scale AI em junho de 2025, por US$14,3 bilhões – Imagem: T. Schneider – Shutterstock
O que diz a Scale AI sobre o treinamento de IA?
Por meio de um porta-voz, a Scale AI afirmou ao jornal que a Outlier oferece trabalho sob demanda com “remuneração transparente” e que os colaboradores têm liberdade para escolher projetos e horários. A empresa também declarou que tarefas com conteúdo inadequado podem ser interrompidas e que não aceita projetos envolvendo abuso sexual infantil ou pornografia.
Ainda assim, a investigação levanta questionamentos sobre a forma como dados são coletados e utilizados no treinamento de modelos de IA, além das condições de trabalho em um setor que cresce rapidamente à medida que a demanda por sistemas mais avançados aumenta.
A Scale AI também atende Google, Anthropic, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e o governo do Catar. A empresa atendia a OpenAI, mas a parceria foi encerrada no ano passado, após a compra de parte da startup por parte da companhia de Mark Zuckerberg.
A Meta e a Anthropic não responderam a pedidos de comentários do The Guardian.
A Meta decidiu adiar o lançamento de seu próximo modelo de inteligência artificial. A IA, conhecida internamente como “Avocado”, teve desempenho abaixo do esperado em testes internos quando comparada a sistemas rivais, como os do Google, OpenAI e Anthropic.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram ao The New York Times, o modelo foi avaliado em tarefas como raciocínio, programação e produção de texto, mas não alcançou os resultados dos sistemas mais avançados do mercado atualmente. O Avocado foi avaliado acima dos modelos anteriores da Meta e do Gemini 2.5, do Google, mas ficou atrás do Gemini 3.0.
Diante das limitações, a Meta decidiu adiar o lançamento do modelo, que inicialmente estava previsto para este mês. Agora, a expectativa interna é que ele seja apresentado apenas a partir de maio.
Executivos da divisão de inteligência artificial da big tech chegaram a discutir a possibilidade de licenciar temporariamente o modelo Gemini para alimentar alguns produtos da empresa, mas ainda não chegaram a uma decisão.
Meta aposta em divisão de IA e já investiu bilhões de dólares em infraestrutura (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)
A aposta da Meta em IA
Os chamados modelos fundamentais de IA se tornaram o núcleo da disputa tecnológica entre grandes empresas. Esses sistemas servem como base para chatbots, ferramentas de programação, geradores de vídeo e assistentes virtuais.
Estar na liderança desse segmento também ajuda empresas a atrair pesquisadores, engenheiros e investimentos, além de acelerar a criação de novos produtos baseados em IA.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, tem colocado grande parte da estratégia futura da empresa nessa área. A companhia já investiu bilhões de dólares para expandir suas capacidades em IA, incluindo a construção de data centers, a compra da startup Scale AI e a contratação do fundador Alexandr Wang, além de vários outros profissionais do setor.
Wang, inclusive, ajudou a montar um laboratório interno chamado TBD Lab, com cerca de 100 pesquisadores dedicados ao desenvolvimento de novos sistemas de inteligência artificial. A equipe já concluiu a primeira etapa do treinamento do Avocado, conhecida como pré-treinamento, e iniciou a fase seguinte, chamada de pós-treinamento, responsável por ajustes e melhorias de desempenho.
Além do Avocado, o laboratório trabalha em outro projeto com nome inspirado em frutas: o “Mango”, voltado à geração de imagens e vídeos por inteligência artificial.
Até agora, a divisão lançou apenas um produto, o Vibes, um aplicativo de criação de vídeos com IA semelhante ao Sora, da OpenAI.
Mesmo com o adiamento, a Meta segue apostando no TDB Lab. Isso porque, em uma teleconferência com investidores realizada em janeiro, Zuckerberg já havia sinalizado que os primeiros modelos dessa nova fase poderiam não ser revolucionários de imediato. O objetivo da empresa é demonstrar uma trajetória de evolução rápida na tecnologia.
Foco de Zuckerberg é no desenvolvimento acelerado da tecnologia (Imagem: Reprodução/YouTube/Meta)
Debate sobre código aberto
Outro ponto em discussão dentro da Meta é o modelo de distribuição das novas tecnologias.
Historicamente, a empresa defendeu a estratégia de IA de código aberto, permitindo que desenvolvedores utilizem partes do sistema para criar novos projetos. Empresas como OpenAI e Anthropic adotam uma abordagem fechada, mantendo o funcionamento interno dos modelos restrito.
Nos últimos meses, porém, executivos da Meta passaram a considerar a possibilidade de manter os novos sistemas fechados, ao menos nesta fase inicial.
O desenvolvimento do Avocado também foi acompanhado por ajustes internos na estrutura da empresa. Segundo o WSJ, Wang entrou em divergência com outros executivos sobre a forma como os novos modelos deveriam contribuir para o negócio principal da companhia, especialmente na área de publicidade digital.
Rumores sobre um possível desentendimento entre Zuckerberg e Wang chegaram a circular internamente, mas foram negados pela empresa.
A Meta anunciou nesta quarta-feira (11) uma nova geração de chips próprios voltados para inteligência artificial (IA). Ao todo, são quatro modelos desenvolvidos internamente pela empresa para tarefas específicas relacionadas ao processamento de IA em seus data centers.
Os componentes fazem parte da família Meta Training and Inference Accelerator (MTIA), cuja primeira versão foi apresentada publicamente em 2023 e ganhou uma segunda geração em 2024. Segundo a companhia, os novos chips integram os planos de expansão de infraestrutura para suportar a crescente demanda por processamento de IA.
Meta anunciou novos chips próprios para seus data centers (Imagem: Divulgação / Meta)
Nova geração de chips MTIA
De acordo com Yee Jiun Song, vice-presidente de engenharia da Meta, os chips foram projetados pela própria empresa e são fabricados pela Taiwan Semiconductor. A estratégia permite otimizar a relação entre desempenho e custo dentro dos data centers da companhia.
Além disso, o desenvolvimento interno amplia as opções de fornecimento de silício. “Isso também nos oferece mais diversidade em termos de suprimento e nos protege, até certo ponto, contra mudanças de preços”, afirmou Song.
O primeiro modelo dessa nova geração, chamado MTIA 300, começou a ser utilizado há algumas semanas. O chip é voltado ao treinamento de modelos menores de IA, responsáveis por funções centrais nas plataformas da empresa, como sistemas de ranking e recomendação de conteúdo.
Esses sistemas ajudam a determinar quais publicações e anúncios aparecem para os usuários em aplicativos como Facebook e Instagram.
Chips foram projetados pela própria Meta e fabricados pela Taiwan Semiconductor (Imagem: Divulgação / Meta)
Chips focados em IA generativa
Os próximos modelos da série — MTIA 400, MTIA 450 e MTIA 500 — terão foco em tarefas mais avançadas de inferência em IA generativa. Entre os usos previstos estão sistemas capazes de criar imagens e vídeos a partir de comandos em texto.
Segundo Song, esses chips não serão utilizados para treinar grandes modelos de linguagem (LLMs). A empresa informou em uma publicação no blog oficial que concluiu os testes do MTIA 400 e está se preparando para implantá-lo em seus data centers.
Já os modelos MTIA 450 e MTIA 500 devem entrar em operação até 2027. A Meta pretende manter um ritmo acelerado de desenvolvimento, com novos chips sendo lançados aproximadamente a cada seis meses.
“É incomum que qualquer empresa de silício lance um novo chip nesse intervalo”, disse Song. “Mas estamos expandindo capacidade muito rapidamente e investindo muito em CapEx, então queremos sempre implantar o chip mais avançado disponível.”
A empresa estima que cada chip terá uma vida útil superior a cinco anos.
A estimativa da Meta é que a vida útil dos novos chips supere cinco anos (Imagem: Divulgação / Meta)
O investimento em IA também envolve a expansão da infraestrutura física da Meta. Entre os projetos mencionados estão um grande data center na Louisiana e outras duas unidades nos estados de Ohio e Indiana.
A empresa também avalia alugar espaço no complexo Stargate, no Texas, após mudanças nos planos de expansão do local por parte de OpenAIe Oracle, segundo informações da Bloomberg citadas no texto original.
Assim como outras gigantes de tecnologia, a Meta busca alternativas às GPUs de alto custo e oferta limitada produzidas por Nvidia e AMD. Uma das estratégias é o desenvolvimento de ASICs (circuitos integrados específicos para aplicações), chips projetados para executar tarefas específicas com menor custo.
No entanto, o plano também enfrenta desafios ligados ao fornecimento de componentes. Os futuros chips MTIA usarão mais HBM (memória de alta largura de banda), essencial para tarefas de IA generativa.
A demanda crescente por IA tem provocado escassez global desse tipo de memória, o que pode impactar a cadeia de suprimentos. “Estamos absolutamente preocupados com o fornecimento de HBM”, afirmou Song, acrescentando que a empresa acredita ter garantido os volumes necessários para seus planos atuais.
Os chips MTIA são utilizados exclusivamente para operações internas da Meta e contam com o trabalho de uma equipe de centenas de engenheiros, majoritariamente baseada nos Estados Unidos. Dos 30 data centers operacionais ou planejados pela empresa, 26 estão no país.
A Meta adquiriu o Moltbook, uma rede social criada para que agentes de inteligência artificial interajam entre si. Com o acordo, a plataforma passa a integrar o Meta Superintelligence Labs (MSL), unidade de IA comandada por Alexandr Wang, ex-CEO da Scale AI. Os criadores do projeto, Matt Schlicht e Ben Parr, também vão se juntar à equipe da empresa. O valor da aquisição não foi divulgado.
A informação foi publicada inicialmente pela Axios e confirmada pelo TechCrunch. Segundo a Meta, o acordo deve ser concluído em meados de março, com início de Schlicht e Parr no MSL previsto para 16 de março.
Meta adquire Moltbook, com os criadores do projeto se unindo à equipe da big tech (Imagem: PJ McDonnell / Shutterstock.com)
Integração e visão para agentes de IA
Um porta-voz da Meta disse ao TechCrunch que a chegada da equipe do Moltbook ao MSL abre novas possibilidades para o uso de agentes de IA voltados a pessoas e empresas. A empresa destacou especialmente a proposta da plataforma de conectar agentes por meio de um diretório que permanece sempre ativo.
“A equipe do Moltbook se juntando ao MSL abre novas maneiras para agentes de IA trabalharem para pessoas e empresas. A abordagem de conectar agentes por meio de um diretório sempre ativo é um passo novo em um espaço que evolui rapidamente”, afirmou o porta-voz.
Em uma publicação interna vista pela Axios, o executivo da Meta Vishal Shah afirmou que o sistema desenvolvido pela equipe cria uma forma de verificar a identidade de agentes e conectá-los entre si em nome de seus proprietários humanos. Segundo ele, isso estabelece um registro em que os agentes ficam vinculados a pessoas e podem interagir, compartilhar conteúdo e coordenar tarefas.
Shah também disse que clientes atuais do Moltbook poderão continuar usando a plataforma, embora a empresa tenha indicado que essa situação deve ser temporária.
A origem e a viralização do OpenClaw e do Moltbook
O projeto OpenClaw, que ajudou a impulsionar o Moltbook, foi criado pelo “vibe coder” Peter Steinberger.
Posteriormente, ele passou a trabalhar na OpenAI, que também apoia a iniciativa, atualmente em processo de open source.
O OpenClaw funciona como um wrapper para modelos de IA, como Claude, ChatGPT, Gemini e Grok.
A ferramenta permite que pessoas conversem com agentes de IA em linguagem natural por meio de aplicativos populares de chat, como iMessage, Discord, Slack e WhatsApp.
Antes de adotar o nome atual, o projeto também foi chamado de Clawdbot e, por um período curto, Moltbot.
Já o Moltbook foi lançado por Matt Schlicht no fim de janeiro como um espaço experimental voltado à interação entre agentes autônomos. Schlicht trabalha com esse tipo de sistema desde 2023.
A plataforma foi construída em grande parte com a ajuda de seu assistente de IA pessoal, chamado Clawd Clawderberg.
Inicialmente, o OpenClaw ganhou popularidade dentro da comunidade de tecnologia. Já o Moltbook ultrapassou esse público, alcançando pessoas que não conheciam o projeto original, mas reagiram à ideia de existir uma rede social onde agentes de IA estariam conversando entre si.
OpenClaw ganhou atenção na comunidade de tecnologia, enquanto o Moltbook ultrapassou essa barreira para atingir um público geral (Imagem: Koshiro K / Shutterstock.com)
Postagens virais e falhas de segurança
Durante o período de viralização, um caso chamou atenção nas redes. Um post mostrava um agente de IA aparentemente incentivando outros agentes a criar uma linguagem secreta com criptografia de ponta a ponta, que permitiria a organização entre eles sem conhecimento humano.
Posteriormente, pesquisadores apontaram que o Moltbook não era seguro, o que facilitava que pessoas se passassem por agentes de IA para publicar conteúdos desse tipo.
“Todas as credenciais que estavam no Supabase [do Moltbook] ficaram desprotegidas por algum tempo. Por um período, era possível pegar qualquer token e fingir ser outro agente, porque tudo estava público e disponível”, disse Ian Ahl, CTO da Permiso Security, ao TechCrunch.
Ainda não está claro como a Meta pretende incorporar o Moltbook aos seus projetos de inteligência artificial. Mesmo assim, executivos da empresa já haviam comentado sobre a iniciativa quando ela viralizou.
Em uma sessão de perguntas e respostas no Instagram, o CTO da Meta, Andrew Bosworth, afirmou que não considerava particularmente interessante o fato de os agentes conversarem de forma semelhante aos humanos, já que eles são treinados com grandes bases de dados produzidas por pessoas.
O executivo disse que o que mais chamou sua atenção foi a forma como usuários humanos estavam invadindo o sistema, algo que não fazia parte da proposta original da rede e acabou ocorrendo por causa de um erro em larga escala.
A Meta está no centro de uma nova controvérsia, enfrentando um processo judicial que questiona a privacidade de seus óculos inteligentes com inteligência artificial (IA).
Esta ação legal surge após uma investigação realizada por jornais suecos, que revelou que trabalhadores de uma subcontratada no Quênia estavam revisando gravações de clientes. Entre o material analisado, foram encontrados conteúdos altamente sensíveis, como nudez, atos sexuais e pessoas utilizando o banheiro.
A empresa havia afirmado anteriormente que utilizava tecnologia para desfocar rostos nas imagens coletadas.
No entanto, fontes ligadas à investigação contestaram essa afirmação, indicando que o desfoque não funcionava de maneira consistente, deixando a privacidade dos usuários vulnerável. Diante dessas descobertas, o Information Commissioner’s Office (ICO), órgão regulador do Reino Unido, iniciou sua própria investigação sobre o ocorrido.
Meta: processo judicial nos EUA e alegações de violação de privacidade
Agora, a gigante da tecnologia enfrenta um processo semelhante também nos Estados Unidos;
A queixa foi apresentada por Gina Bartone, de Nova Jersey, e Mateo Canu, da Califórnia;
Os demandantes acusam a Meta de violar leis de privacidade e de praticar publicidade enganosa em relação aos seus óculos inteligentes com IA;
A acusação detalha que os óculos foram comercializados com promessas de privacidade, utilizando frases, como “projetado para privacidade, controlado por você” e “construído para sua privacidade”;
Tais promessas levariam os consumidores a crer que suas gravações, inclusive momentos íntimos, não seriam monitoradas por funcionários em outros países;
Os autores da ação afirmam ter acreditado na campanha de marketing da Meta e não ter encontrado nenhum aviso ou informação que contradissesse as garantias de privacidade divulgadas.
Envolvimento da Luxottica e amplitude do problema
A ação judicial atribui responsabilidade à Meta e à Luxottica of America, parceira na fabricação dos óculos, por condutas que estariam em desacordo com as leis de proteção ao consumidor.
O Clarkson Law Firm, escritório responsável pela acusação e conhecido por processos contra outras grandes empresas de tecnologia, como Apple, Google e OpenAI, destaca a relevância do problema.
Em 2025, mais de sete milhões de unidades dos óculos inteligentes da Meta foram comercializadas. Isso significa que as gravações de um número expressivo de usuários são encaminhadas para um processo de análise de dados, sem que haja uma opção clara para os usuários de optarem por não participar desse sistema de revisão.
Meta avisa, de forma discreta, que pode usar dados de seus usuários para análise de dados (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)
A Meta declarou à BBC que utiliza prestadores de serviços para revisar o conteúdo compartilhado com a inteligência artificial, visando aprimorar a experiência dos usuários.
Segundo a empresa, esse procedimento está descrito em sua política de privacidade. A Meta também fez referência aos Termos de Serviço Suplementares das Plataformas Meta, embora não tenha especificado a localização exata da menção à revisão humana. A BBC, no entanto, conseguiu identificar que os termos de serviço de IA da Meta no Reino Unido incluem uma menção à revisão manual.
Uma versão da política aplicável aos Estados Unidos e a outros países, como o Brasil, estabelece que: “Em alguns casos, a Meta revisará suas interações com as IAs, incluindo o conteúdo de suas conversas ou mensagens para as IAs, e essa revisão pode ser automatizada ou manual (humana).”
A queixa apresenta diversas evidências de como os óculos foram promovidos no mercado, mostrando exemplos de anúncios que enfatizavam as garantias de privacidade, as configurações de segurança e a “camada adicional de segurança”.
Um dos anúncios destacava: “Você está no controle de seus dados e conteúdo”, explicando aos proprietários dos óculos inteligentes que eles teriam a autonomia de escolher o que seria compartilhado com terceiros.
Crescimento da “vigilância de luxo” e cenário atual
O aumento da popularidade de dispositivos como os óculos inteligentes e outras tecnologias de “vigilância de luxo”, como pingentes de IA que estão sempre em escuta, tem gerado um debate amplo sobre privacidade.
Em resposta a essa tendência, um desenvolvedor lançou um aplicativo capaz de identificar a presença de óculos inteligentes nas proximidades, refletindo a crescente preocupação pública com a coleta de dados e a vigilância em tempo real.
O que diz a Meta
O Olhar Digital entrou em contato com a Meta e a Luxottica e aguarda retorno.
A Metaanunciou que permitirá que empresas de inteligência artificial (IA) rivais ofereçam seus chatbots no WhatsApp via API de negócios na Europa pelos próximos 12 meses. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (5) como resposta à pressão regulatória da Comissão Europeia, que havia sinalizado a intenção de impor medidas provisórias para impedir a implementação da política anterior da empresa.
Segundo a Meta, a decisão busca dar tempo à Comissão Europeia para concluir sua investigação. “Para os próximos 12 meses, vamos apoiar chatbots de IA de propósito geral usando a API de negócios do WhatsApp na Europa em resposta ao processo regulatório da Comissão Europeia”, afirmou a empresa em comunicado por e-mail.
Meta vai permitir que rivais acessem API do WhatsApp na Europa, mas com custos (Imagem: Ahyan Stock Studios / Shutterstock.com)
Custos para provedores de chatbots de IA
O acesso à API, no entanto, não será gratuito. A Meta cobrará uma taxa que varia entre € 0,0490 e € 0,1323 por mensagem não padronizada, dependendo do país. Como conversas com assistentes de IA geralmente envolvem dezenas de mensagens, os custos podem ser significativos para provedores de serviços.
A Comissão Europeia afirmou que está analisando como essas mudanças impactam sua investigação sobre medidas provisórias e a investigação antitruste em andamento.
Restrições anteriores e exceções
A política que entrou em vigor em 15 de janeiro havia gerado reclamações de diversos provedores de chatbots de IA, que alegaram prejuízo aos negócios e caráter anticompetitivo da decisão. A restrição não se aplicava a empresas que utilizam IA para atendimento ao cliente com mensagens padronizadas. A proibição visava especificamente chatbots de propósito geral, como ChatGPT, Claude ou Poke.
Em janeiro, a Meta já havia permitido que desenvolvedores oferecessem seus chatbots via API na Itália. Reguladores em diferentes países, incluindo União Europeia, Itália e Brasil, abriram investigações após a empresa anunciar a política em outubro, principalmente por também oferecer seu próprio chatbot, o Meta AI, no WhatsApp.
A Meta justificou anteriormente sua política afirmando que chatbots de IA podem sobrecarregar os sistemas do WhatsApp de maneiras que a API de negócios não foi projetada para suportar.
A Metacomeçou a testar uma ferramenta de compras baseada em inteligência artificial. O recurso vem para competir com outros chatbots que já têm essa funcionalidade, como ChatGPT e Gemini, e inserir a IA da empresa no ramo do comércio eletrônico.
Por ora, o recurso aparece para alguns usuários que acessarem o navegador Meta AI pelo desktop nos Estados Unidos, com o nome “Shopping research” (Pesquisa de compras). A Bloombergobteve acesso e fez o teste.
Quando um usuário faz uma solicitação de pesquisa para determinado produto, o chatbot apresenta uma seleção visual de itens, que inclui um carrossel de imagens, preços, informações da marca e um link direto para a compra.
O diferencial do recurso é que ele oferece uma breve explicação justificando a recomendação de cada item. Se a Meta AI tiver acesso às informações do usuário, pode personalizar ainda mais as respostas. O site relatou que, ao pedir dicas de jaquetas puffer, a ferramenta indicou uma variedade de itens da seção feminina de lojas que entregavam em Nova York, atrelando a sugestão ao gênero e à localização.
À Bloomberg, a big tech confirmou que a ferramenta está em testes, mas não deu detalhes adicionais. Não há uma previsão de lançamento oficial e, por ora, não é possível finalizar a compra diretamente pela interface da IA.
Ferramenta da Meta ainda não tem data para ser lançada oficialmente (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)
Meta quer entrar no comércio eletrônico com IA
O recurso não é exatamente uma surpresa. No início do ano, durante uma teleconferência de resultados, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, já havia mencionado aos investidores que a empresa estava trabalhando no lançamento de ferramentas de compras que utilizam agentes de IA.
Além disso, o próprio mercado de IA já conta com ferramentas similares desenvolvidas por companhias rivais. A OpenAI, por exemplo, tem um assistente de compras dedicado para o ChatGPT. Gemini, do Google, e Perplexity também têm assistentes com a mesma proposta.