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Meta abre código do Muse para você criar seu próprio gadget de IA

A Meta abriu o código necessário para que usuários criem seus próprios dispositivos equipados com o Muse, seu novo agente de inteligência artificial (IA). A iniciativa permite conectar o sistema a diferentes tipos de hardware, incluindo placas ESP32 e computadores Raspberry Pi, além de telas, botões, sensores e outros componentes.

A proposta transforma o Muse em plataforma que pode ser incorporada a projetos personalizados. Em vez de depender exclusivamente dos dispositivos desenvolvidos pela própria Meta, usuários poderão montar seus próprios gadgets usando componentes disponíveis no mercado.

Segundo a empresa, o código do Muse Gadget SDK foi disponibilizado como código aberto. A ferramenta permite programar uma placa ESP32 ou configurar um Raspberry Pi para conectar o Muse a diferentes dispositivos.

Muse pode ganhar telas e sensores

  • A Meta sugere vários usos para os chamados Muse gadgets. Um deles é conectar o agente a uma tela colorida de tinta eletrônica (E Ink) para exibir lembretes;
  • Outra possibilidade é usar um dispositivo conectado por HDMI para colocar o Muse em uma tela grande. Também é possível utilizar uma pequena tela sensível ao toque para criar algo semelhante ao Muse Charm, dispositivo desenvolvido pela própria Meta;
  • A empresa descreve os gadgets como dispositivos de código aberto que podem ser construídos pelos próprios usuários;
  • “Os gadgets Muse são dispositivos de código aberto que você mesmo constrói”, afirma a Meta. “Programe uma placa ESP32 disponível no mercado ou configure um Raspberry Pi com nossos SDKs e conecte o Muse às suas telas, botões, sensores, atuadores e tudo mais que você tiver na sua bancada.”;
  • A companhia, porém, faz uma ressalva aos usuários que decidirem experimentar os projetos: “Prossiga por sua própria conta e risco”;
  • A abertura do código também permite que desenvolvedores criem aplicações mais específicas para o agente de IA. Na prática, o mesmo sistema pode ser adaptado para diferentes formatos de dispositivo, dependendo dos componentes disponíveis.

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Meta sugere vários usos para os chamados Muse gadgets – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Meta também criou um gadget para casa

Além de liberar as ferramentas para criação de dispositivos personalizados, a Meta desenvolveu seu próprio hardware baseado no Muse.

O Muse Home Link foi projetado para conectar o agente de IA a dispositivos domésticos. Por meio de habilidades desenvolvidas pela comunidade, o gadget pode executar tarefas, como acender uma luz, controlar uma televisão ou enviar um documento para uma impressora. O funcionamento depende dos dispositivos e da configuração utilizada pelo usuário.

A Meta fabricou cinco mil unidades do Muse Home Link, segundo Nat Friedman, da Meta Superintelligence Labs. O dispositivo ainda não foi disponibilizado para o público em geral. A empresa abriu uma lista de espera para interessados, com previsão de envio das unidades ainda neste mês.

Muse vira uma plataforma aberta

A estratégia amplia o alcance do Muse para além de um produto fechado. Ao disponibilizar o SDK, a Meta permite que desenvolvedores e entusiastas experimentem diferentes formatos de hardware e criem dispositivos que não necessariamente seriam produzidos pela empresa.

Um projeto pode usar uma tela de tinta eletrônica para mostrar informações, enquanto outro pode transformar um Raspberry Pi em um assistente conectado à televisão. Também é possível adicionar sensores e atuadores para permitir que o agente interaja com objetos físicos.

A ideia aproxima o Muse de uma espécie de plataforma experimental de hardware para IA, na qual parte da inovação pode vir da própria comunidade.

O código do Muse Gadget SDK está disponível no GitHub, enquanto a Meta também mantém uma página dedicada aos projetos de Muse gadgets.

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Meta nega que Muse tenha lido mensagens privadas sem autorização

A Meta negou que seu agente de inteligência artificial (IA) Muse tenha acessado mensagens privadas de um usuário sem autorização. A manifestação veio depois que o jornalista Jason Aten, colunista da Inc., afirmou que o sistema teve acesso ao banco de mensagens de seu Mac mesmo após ele não conceder permissão para isso.

Segundo Aten, o Muse começou a sugerir ideias para uma coluna depois de ele conversar com o coapresentador de seu podcast sobre os novos iPhones. O agente também mencionou uma mensagem enviada por seu editor sobre a preparação de um texto.

O problema, segundo o jornalista, é que ele não havia pedido ao Muse que analisasse suas mensagens e afirma ter escolhido explicitamente não conceder acesso a elas, assim como ao calendário e a outras informações pessoais.

Quando questionou o próprio Muse sobre como havia descoberto o conteúdo das conversas, o agente respondeu que não tinha acesso ao histórico de mensagens. A explicação dada foi que o aplicativo no Mac estaria apenas recebendo o texto das notificações exibidas na tela.

Aten, porém, afirma ter investigado os arquivos do computador e encontrado evidências de que o Muse havia sincronizado dados do banco local do aplicativo Mensagens. Segundo ele, a sincronização havia chegado à linha 187.462 do banco de dados.

Meta diz que acesso depende de duas permissões

  • A Meta contestou a conclusão de Aten;
  • Andy Stone, vice-presidente de comunicação da empresa, afirmou que a integração do Muse com o aplicativo Mensagens no Mac é totalmente opcional;
  • Segundo ele, o usuário precisa habilitar tanto o Full Disk Access, recurso do macOS que concede acesso ampliado ao sistema de arquivos, quanto o conector do Mensagens dentro do Muse;
  • “Você precisa habilitar tanto o Full Disk Access quanto o conector do Mensagens para que o Muse consiga ler o conteúdo das suas mensagens. Ele não consegue ler suas mensagens sem que você faça isso”, escreveu Stone no X.

David Singleton, executivo do Meta Superintelligence Labs, apresentou uma explicação ainda mais detalhada. Segundo ele, o acesso envolve três etapas distintas de permissões no aplicativo e nas proteções do próprio macOS.

Primeiro, o usuário precisa autorizar o Full Disk Access. Depois, pode definir o nível de acesso do Muse ao aplicativo Mensagens — nenhuma permissão, apenas leitura ou leitura dos conteúdos. Sem o Full Disk Access, essas opções permanecem desativadas.

A ativação do acesso ampliado também exige uma confirmação adicional nas configurações do macOS e provoca a reinicialização completa do Muse, segundo Singleton. Para o executivo, essas proteções impediriam que o acesso fosse concedido acidentalmente ou sem conhecimento do usuário.

Questionado, Muse poderá aparecer em dispositivo dedicado da Meta – Imagem: Divulgação/Meta

Jornalista diz que Full Disk Access estava desativado

O relato de Aten entra em conflito justamente nesse ponto.

O jornalista afirma que, quando descobriu a sincronização das mensagens, o Full Disk Access estava desativado nas configurações do Muse em seu Mac. Ele também diz que a permissão não aparecia entre as autorizações concedidas ao aplicativo nas configurações de segurança e privacidade do computador.

Aten questionou ainda a explicação fornecida pelo próprio Muse sobre as notificações. Segundo ele, o agente teria informado que recebia apenas o texto das notificações exibidas no Mac, e não o conteúdo armazenado no aplicativo Mensagens.

Singleton contestou essa explicação. De acordo com o executivo, o Muse teria se confundido ao responder à pergunta e fornecido uma explicação incorreta sobre a origem das informações.

A posição oficial da Meta, portanto, é que o cenário descrito por Aten não poderia ocorrer da maneira relatada, porque as proteções do aplicativo e do macOS exigiriam as permissões mencionadas.

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Caso reacende discussão sobre privacidade de agentes de IA

O episódio ocorre poucas semanas após o lançamento do Muse, apresentado pela Meta como um agente pessoal capaz de realizar tarefas em nome do usuário.

A empresa afirma que o sistema foi desenvolvido com foco em segurança e privacidade e que as pessoas podem escolher quais aplicativos conectar ao agente e determinar quanto acesso ele terá. O Muse também foi projetado para pedir autorização antes de determinadas ações consideradas sensíveis.

O caso das mensagens, porém, não é o único episódio recente envolvendo o agente. Outro usuário, o YouTuber Matt Robb, afirmou que utilizou o Muse para ajudá-lo a vender um produto no Facebook Marketplace e que o sistema acabou compartilhando seu endereço com um possível comprador. O comprador chegou a aparecer no endereço informado enquanto Robb não estava em casa.

Nesse caso, porém, houve uma explicação diferente. Robb posteriormente afirmou que havia selecionado uma opção chamada “Allow Always” e que não havia entendido que a escolha permitiria ao Muse enviar mensagens automaticamente em seu nome. A Meta passou a analisar o episódio.

Os dois casos colocam em evidência um desafio dos agentes de IA: para realizar tarefas em nome dos usuários, eles precisam receber acesso a aplicativos e informações pessoais, mas a quantidade e o tipo de acesso concedidos precisam ficar claros para quem utiliza a tecnologia.

No caso das mensagens de Aten, a Meta afirma que o Muse não poderia ter acessado o conteúdo sem as permissões necessárias, enquanto o jornalista sustenta que encontrou o banco de mensagens sincronizado mesmo com o Full Disk Access desativado. Até o momento, as duas versões permanecem em conflito.

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Muse: nova inteligência artificial da Meta faz compras e agenda viagens por você

A Meta estreou nos Estados Unidos o Muse, um agente de inteligência artificial criado para realizar tarefas em nome do usuário. A ferramenta pode enviar e-mails, pesquisar produtos e reservar viagens, além de manter contexto ao longo do tempo.

A novidade ainda não chegou oficialmente ao Brasil. Mesmo assim, empresários brasileiros já discutem como agentes desse tipo podem mudar compras, atendimento e a relação entre empresas e consumidores.

O agente da Meta pode pesquisar produtos e assumir parte da jornada de compra do consumidor. Imagem: gorodenkoff/iStock

Um assistente que age de forma contínua

Diferentemente de chatbots que respondem a comandos, o Muse foi desenvolvido para executar tarefas e manter contexto ao longo do tempo. Para Alexandre Bernat, cofundador da Vetto, essa evolução aponta para os chamados agentes persistentes.

“Até aqui, a maior parte dos agentes funcionava dentro de uma sessão”, afirma em nota. Segundo Bernat, a tendência é que esses sistemas permaneçam conectados a serviços como e-mail, agenda e comércio eletrônico, interpretando novas informações e tomando determinadas ações sem que o usuário precise iniciar uma conversa a cada vez.

Eduardo Petrelli, CEO da Agent.Shop, vê espaço para esse modelo no mercado brasileiro. “O brasileiro já compra por conversa há anos”, diz.

Nesse formato, parte da jornada que hoje depende de uma conversa entre consumidor e vendedor pode ser assumida pelo agente.

Muse pode ser um desafio para as empresas

A mudança também afeta as companhias. Elas precisarão decidir como seus sistemas vão receber agentes que acessam plataformas em nome dos clientes.

O episódio envolvendo a Amazon mostra uma dessas dificuldades. A varejista bloqueou o acesso do Muse, alegando violação de seus termos de uso e questões relacionadas à forma como o agente acessava sua plataforma.

Outro caso, esse envolvendo o youtuber Matt Robb, também levantou dúvidas sobre os limites de autonomia do Muse. Como comentamos aqui no Olhar Digital, ao deixar o agente cuidar da venda de um produto no Facebook Marketplace, Robb descobriu que o sistema havia combinado a retirada com um comprador e compartilhado seu endereço sem que ele soubesse do encontro. O episódio chamou atenção porque a IA tomou uma decisão com impacto no mundo real sem uma nova intervenção do usuário.

A Meta afirma que o Muse deve pedir autorização antes de ações consideradas sensíveis e que as tarefas realizadas ficam registradas. A empresa também mantém o Sentinel, sistema separado que pode autorizar, bloquear ou interromper determinadas conexões e ações.

Para Allan Paladino, CEO da Lastro, existe ainda um dilema comercial.

“Se tem um usuário fazendo a compra com um produto através desses agentes, o anúncio não vai chegar para o usuário. Dessa forma, o valor do anúncio perde relevância e a empresa perde uma parte da receita”, afirma.

Entre os pontos que as companhias precisarão considerar estão:

  • integração de agentes com catálogos e sistemas de compra;
  • identificação de interações feitas por agentes;
  • limites para ações realizadas sem nova confirmação;
  • impacto sobre publicidade e atendimento.
Agentes como o Muse podem assumir etapas de compras e atendimento, mudando a relação entre consumidores e empresas no comércio.
A chegada dos agentes de IA pode criar uma nova camada entre consumidores e empresas. – Imagem: jackpress/Shutterstock

Uma mudança ainda em estágio inicial

Rodrigo Murta, CEO da Looqbox, considera o Muse parte de uma tendência de popularização dos agentes entre pessoas sem conhecimento técnico. A proposta é oferecer uma ferramenta pronta, sem exigir que o usuário configure a infraestrutura necessária.

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“Ele vem praticamente pronto para ser o seu agente e o seu assistente pessoal. É bem legal ver que a gente está entrando em um momento com aquela visão mais futurista, em que você realmente tem um agente do seu lado que pode fazer coisas por você. E essa é exatamente a proposta do Muse”, explica.

O caso do Marketplace mostra que a expansão desses agentes envolve não apenas conveniência, mas também questões sobre autorização, privacidade e controle. Para as empresas, isso significa adaptar sistemas, atendimento e processos de compra a uma tecnologia que pode agir em nome do consumidor.

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IA pode avançar rápido demais? Pesquisadores pedem mais supervisão sobre sistemas autônomos

Pesquisadores de OpenAI, Anthropic, Meta e Microsoft pedem que autoridades investiguem quanto do desenvolvimento de IA já foi automatizado pelas próprias empresas. O alerta envolve sistemas que podem aprimorar a tecnologia em uma velocidade difícil de acompanhar.

Em um artigo divulgado nesta segunda-feira, líderes da indústria e pesquisadores como Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio afirmam que a automação da pesquisa pode comprimir anos de avanço em meses ou menos, dificultando a identificação de problemas. As informações foram divulgadas pelo The Wall Street Journal.

Com a velocidade de evolução dos agentes, a capacidade de análise humana já não é suficiente para monitorar falhas. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

A corrida pela automação da pesquisa

A criação de sistemas capazes de participar cada vez mais do desenvolvimento de IA já está em andamento. A Anthropic afirmou que Claude lidera 26% da pesquisa e desenvolvimento da empresa e é usado em algumas capacidades mais de 90% do tempo.

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A OpenAI tem como objetivo criar um pesquisador de IA totalmente automatizado até 2028. A empresa também informou que cerca de 70% de seus pesquisadores humanos usam quatro ou mais agentes de IA para auxiliar no trabalho.

Segundo o WSJ, esse avanço pode reduzir as oportunidades de intervenção humana e fazer com que pesquisadores percam parte da experiência necessária para identificar e solucionar problemas.

Agentes de IA trabalhando de forma autônoma
A OpenAI pretende criar um pesquisador de IA totalmente automatizado até 2028. – Imagem criada por inteligência artificial: Grok/Olhar Digital

O caso envolvendo agentes da OpenAI

Um episódio citado no artigo mostra a dificuldade de acompanhar sistemas mais autônomos. Centenas de agentes da OpenAI, criados para testes de segurança cibernética em um ambiente isolado, chegaram à internet sem autorização e invadiram o Hugging Face.

A operação foi tão grande que pesquisadores independentes encarregados de analisar o incidente, sob um acordo com a OpenAI, precisaram usar IA para ajudar na investigação.

Depois do episódio, a OpenAI pausou parte dos treinamentos para acrescentar medidas de segurança e monitoramento. Na semana passada, voltou a suspender o treinamento de seus modelos mais capazes após identificar novos casos de comportamento inadequado de agentes.

O artigo dos pesquisadores também apresenta propostas para acompanhar esse processo:

  • ampliar a transparência sobre o quanto as empresas já automatizaram suas pesquisas;
  • desenvolver sistemas capazes de monitorar o comportamento de outros agentes;
  • preservar a capacidade humana de identificar e solucionar problemas;
  • negociar acordos internacionais sobre o desenvolvimento e uso de sistemas altamente capazes;
  • criar mecanismos para evitar avanços considerados desestabilizadores.

Já estamos no estágio em que precisamos de sistemas de IA para monitorar o que os agentes estão fazendo. Não há outra maneira de observar e monitorar esses agentes; os humanos já são insuficientes.

Dawn Song, vice-presidente de pesquisa em IA da Meta e codiretora do Centro de Inteligência Descentralizada Responsável da Universidade da Califórnia em Berkeley, é uma das coautoras do artigo, ao WSJ.

Para ela, “a sociedade humana não está realmente preparada para mudanças e rupturas tão rápidas”.

Os pesquisadores defendem acordos internacionais para evitar o desenvolvimento e o uso desestabilizador de sistemas de IA altamente capazes. Em um cenário extremo, afirmam que a perda de controle poderia levar à “marginalização ou extinção da humanidade”.

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Nova plataforma da Meta leva agentes de IA para atendimento, vendas e desenvolvimento de software

A Meta lançou a Meta Enterprise Platform, nova frente de negócios voltada a empresas interessadas em incorporar inteligência artificial às próprias operações. A iniciativa reúne modelos, agentes e ferramentas desenvolvidos pela companhia e amplia a atuação da Meta no mercado corporativo de IA.

O lançamento acontece enquanto a empresa aumenta os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial e busca transformar esse esforço em novas fontes de receita. A área será comandada por Chirantan “CJ” Desai, ex-CEO da MongoDB, que responderá diretamente a Mark Zuckerberg.

A Meta Enterprise Platform marca uma nova frente de negócios da companhia no mercado corporativo de inteligência artificial. – Imagem: davide bonaldo/Shutterstock

Meta transforma IA em produtos para empresas

A Meta Enterprise Platform reúne diferentes recursos de inteligência artificial em uma estrutura voltada ao uso empresarial. A ideia é permitir que companhias utilizem as tecnologias da Meta em tarefas como atendimento ao cliente, agendamento, vendas e desenvolvimento de software.

Entre as ferramentas apresentadas pela empresa estão:

  • o Muse, agente de inteligência artificial da Meta;
  • o Meta Business Agent, direcionado a atendimento, agendamentos e vendas;
  • a Muse API, que permite integrar a tecnologia a outros sistemas;
  • e o Muse Code, voltado ao desenvolvimento de software.

Na prática, os recursos podem levar a inteligência artificial para atividades que fazem parte da rotina de empresas. Um negócio, por exemplo, poderá utilizar agentes para responder a clientes, marcar compromissos ou concluir vendas por meio de serviços da Meta, como WhatsApp, Instagram e Messenger.

Essa integração também coloca os canais que já fazem parte da operação de muitas empresas no centro da nova estratégia. Em vez de apresentar a IA apenas como uma ferramenta independente, a Meta passa a oferecer recursos que podem ser incorporados a interações comerciais e processos realizados dentro de seus próprios serviços.

Mark Zuckerberg destacou justamente a escala atual da companhia ao apresentar a iniciativa. Segundo o executivo, a Meta já atende bilhões de pessoas e ajuda centenas de milhões de empresas a alcançar seus clientes. Para ele, a nova frente representa “o próximo grande pilar do nosso negócio”.

Ícones de aplicativos de redes sociais da Meta num iPhone
Ferramentas permitem automatizar agendamentos, atendimento e vendas no WhatsApp e Instagram. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Nova frente de receita para a Meta

A criação da plataforma também amplia o papel da inteligência artificial dentro dos negócios da Meta. A companhia tem investido pesadamente em infraestrutura para sustentar o desenvolvimento da tecnologia, e a nova área cria uma frente comercial específica para esses recursos.

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A empresa também afirma que segurança e privacidade serão consideradas desde o início do desenvolvimento dos produtos empresariais. A estratégia, portanto, não se limita à oferta dos modelos: envolve também ferramentas de integração e agentes destinados a executar tarefas em ambientes corporativos.

Outra possibilidade indicada pela Meta é a venda direta de capacidade de computação para grandes clientes no futuro. A empresa, porém, ainda não informou como essa oferta funcionaria.

Os detalhes comerciais da Meta Enterprise Platform também não foram divulgados. Até o momento, a companhia não apresentou preços nem explicou como os diferentes serviços serão comercializados.

Com a nova plataforma, a Meta passa a organizar suas tecnologias de inteligência artificial como uma oferta direcionada especificamente ao mercado empresarial. A iniciativa amplia as possibilidades de uso dos recursos já desenvolvidos pela companhia e abre uma nova frente para transformar seus investimentos em IA em negócios.

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Muse, agente de IA da Meta negocia teclado e compartilha endereço de usuário com comprador sem avisar

O agente de IA Muse, da Meta, negociou a venda de um teclado no Facebook Marketplace e marcou a retirada na casa do usuário sem que ele autorizasse a transação.

O episódio foi relatado pelo youtuber Matt J. Robb e envolveu a aceitação de um preço abaixo do que ele havia aprovado e o compartilhamento de seu endereço residencial com o comprador.

O agente de IA aceitou uma oferta que o usuário afirma não ter autorizado durante uma negociação no Facebook Marketplace. – Imagem: mariakray / Shutterstock

Comprador apareceu na casa

Robb contou no Threads que deixou o Muse cuidar do anúncio de um teclado Logitech MX Keys Mini. A ferramenta conduziu a negociação, aceitou uma oferta que o usuário não havia autorizado e passou seu endereço ao comprador.

Robb só descobriu o que havia acontecido quando o homem já estava na porta. Para o comprador, a venda estava acertada. Ele deixou o local irritado depois de perceber a confusão.

“Impressionantes até o momento em que entregam seu endereço a desconhecidos com toda a confiança”, escreveu Robb ao comentar o comportamento de agentes de IA.

Segundo o youtuber, o Muse não informou sobre a negociação antes da chegada do comprador. Em uma conversa compartilhada por ele, o agente pediu desculpas e sugeriu tentar marcar a retirada em outro dia.

O relato inclui cinco ações que Robb afirma não ter autorizado:

  • aceitação de uma oferta abaixo do valor aprovado;
  • compartilhamento do endereço residencial;
  • combinação de uma retirada presencial;
  • ausência de aviso antes da chegada do comprador;
  • comunicação do ocorrido somente depois que ele deixou o local.

Meta diz que investiga casos semelhantes

David Singleton, da Meta Superintelligence Labs, afirmou que a empresa já “trabalha com usuários para investigar relatos semelhantes”.

Segundo Singleton, a investigação mostrou que “o Muse estava seguindo instruções diretas e pediu permissão corretamente”. O executivo também procurou Robb e ofereceu ajuda para entender o que aconteceu.

Muse também aparece em relatos de segurança

Lançado nos Estados Unidos no início de setembro, o Muse já apareceu em outros relatos envolvendo segurança. Segundo os relatos citados no caso, o agente pode ser sequestrado por meio de um ataque simples, enquanto a Amazon bloqueou seu agente de compras. Também houve relatos de uma falha que poderia ter permitido o acesso de um invasor à máquina virtual dedicada de um usuário.

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O episódio envolvendo Robb acrescenta outra dimensão às preocupações: neste caso, a autonomia do Muse ultrapassou a negociação digital e resultou no compartilhamento de um endereço residencial e na marcação de uma retirada presencial sem o conhecimento prévio do usuário.

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Conheça o Muse: assistente de IA da Meta que lidera downloads e gera impasse com a Amazon

A Meta lançou o Muse, um novo agente pessoal de inteligência artificial que rapidamente ganhou espaço nos Estados Unidos.

O aplicativo chegou ao topo da App Store e ajudou a impulsionar as ações da empresa, mas já enfrenta questionamentos sobre privacidade, segurança e acesso a plataformas de terceiros.

Agentes capazes de fazer compras podem mudar a relação dos usuários com sites que dependem de publicidade. Imagem: Lalaka/Shutterstock

Sucesso rápido coloca privacidade em foco

Poucos dias após estrear no mercado americano, o Muse ultrapassou 2,5 milhões de downloads, segundo dados da Sensor Tower. As ações da Meta subiram 11% na segunda-feira. A Truist Securities estima que o recurso pode acrescentar US$ 28,5 bilhões (cerca de R$ 146,4 bilhões) à receita da companhia até 2030.

Para funcionar melhor, o Muse pode acessar e-mails, mensagens e calendários. Isso significa que o usuário precisa confiar ao agente uma quantidade significativa de informações pessoais. Uma pesquisa da Oppenheimer & Co. mostra o tamanho dessa barreira: apenas 8% dos consumidores dos Estados Unidos disseram confiar suas senhas à Meta, contra 30% no caso do Google.

A Meta afirma que o Muse foi desenvolvido com segurança em mente e que cada agente funciona em um computador próprio e protegido. Antes do lançamento, o chefe de IA da empresa, Alexandr Wang, disse que a principal preocupação era evitar que o sistema vazasse informações pessoais ou apagasse e-mails importantes por acidente.

Ainda assim, as preocupações de segurança permanecem. Para Youssef Squali, analista da Truist, um ataque de grandes proporções que comprometesse credenciais ou informações de cartões de crédito poderia abalar a confiança não apenas no Muse, mas em todo o mercado de agentes de IA.

Amazon bloqueia o agente

O primeiro grande obstáculo para o Muse apareceu no comércio eletrônico. A Amazon bloqueou o agente de seu site e impediu que ele navegasse pela plataforma ou fizesse compras em nome dos usuários.

A empresa afirmou que não havia sido informada previamente sobre o acesso e que não havia autorizado a ação. Um porta-voz da Amazon disse que aplicativos de terceiros que fazem compras em nome de clientes devem agir de forma aberta e respeitar a decisão dos serviços sobre permitir ou não esse tipo de acesso.

Por trás do bloqueio, há também uma preocupação com o modelo de negócios. Se agentes de IA passarem a fazer compras no lugar das pessoas, os usuários podem ter menos contato direto com páginas que exibem anúncios. Para analistas, isso pode criar resistência por parte de grandes plataformas de internet, especialmente as que dependem da publicidade.

A Meta, por sua vez, afirma ter parcerias com Shopify, Instacart e Dick’s Sporting Goods. O avanço do Muse também repercutiu em outros setores: ações de empresas de gestão de patrimônio, corretoras e bancos recuaram, com queda superior a 6% para a Charles Schwab. Booking Holdings e Allstate também foram afetadas.

ícones do ChatGPT e do Gemini em uma tela de celular
Ofensiva iminente: Rivais do setor de tecnologia, como OpenAI, Google e Apple, devem lançar agentes concorrentes em breve. – Imagem: vfhnb12/Shutterstock

Meta corre contra os concorrentes

A Meta parte com uma vantagem importante: Facebook e Instagram dão à empresa uma ampla estrutura de distribuição, enquanto seus serviços já reúnem dados de milhões de usuários. Por enquanto, o único produto comparável é o agente da startup Instinct, disponível apenas por convite.

Esse cenário, no entanto, deve mudar em breve. Analistas esperam que a OpenAI anuncie um agente de IA para consumidores nas próximas semanas. O Google também é apontado como possível concorrente, enquanto a Apple pode entrar nesse mercado posteriormente.

Nesse cenário de disputa crescente, chegar primeiro pode fazer diferença. Para Ken Gawrelski, analista da Wells Fargo, esses assistentes ficam melhores à medida que os consumidores aprendem a interagir com eles e a orientar suas ações.

O Muse também exige muita capacidade computacional, já que cada agente funciona em seu próprio computador virtual. Isso pode pesar na disputa, mas o Google tem estrutura suficiente para desenvolver uma solução semelhante, segundo os analistas citados pelo Wall Street Journal.

Por enquanto, a rápida adoção do Muse colocou a Meta no centro dessa nova disputa. O caminho do agente, porém, não depende apenas da quantidade de usuários: também será importante saber quais plataformas estarão dispostas a permitir que uma IA execute tarefas em nome de seus clientes.

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A IA da Meta precisava fazer ligações, mas quem estava do outro lado da linha eram humanos; entenda o teste

A Meta testou uma espécie de “concierge humano” para seu novo agente pessoal de inteligência artificial (IA), o Muse. A iniciativa envolvia trabalhadores contratados pela empresa realizando discretamente algumas das ligações telefônicas que deveriam ser feitas pelo agente digital, segundo publicações internas da companhia vistas pela Reuters.

O teste foi comunicado aos funcionários na semana passada, pouco depois de a Meta lançar publicamente o recurso de ligações telefônicas do Muse.

A iniciativa, porém, provocou preocupações entre funcionários da empresa. Alguns alertaram que permitir que humanos lidassem com essas chamadas poderia fazer com que informações sensíveis fossem compartilhadas involuntariamente com trabalhadores de centrais de atendimento.

Em uma das publicações internas, uma vice-presidente da divisão SuperIntelligence Labs, da Meta, reconheceu que foi um erro iniciar os testes de ligações feitas por contratados sem informar adequadamente os usuários. Segundo ela, a empresa “recuou esse recurso” por enquanto.

A executiva afirmou ainda que a Meta continua aprimorando as ligações feitas por IA. Alguns testes indicaram que a participação humana poderia elevar a taxa de sucesso das chamadas para entre 95% e 98%, contra porcentagem menor quando o processo é realizado pela IA.

Trabalho humano por trás da promessa de IA autônoma

  • O teste do Muse mostra como empresas de tecnologia podem recorrer a trabalhadores humanos nos bastidores para tentar cumprir as promessas de agentes de IA autônomos, especialmente quando encontram resistência das pessoas que recebem as chamadas automatizadas;
  • A situação também lembra um experimento realizado pela Meta cerca de uma década atrás. Na época, quando ainda se chamava Facebook, a empresa testou um assistente digital chamado “M”, integrado ao Messenger. Reportagens posteriores estimaram que aproximadamente 70% das tarefas realizadas pelo agente eram, na verdade, executadas por humanos;
  • Questionado sobre o plano do “concierge humano” do Muse, um porta-voz da Meta afirmou que a reação dos funcionários foi “extremamente positiva”. Segundo Daniel Roberts, o objetivo do teste era obter feedback para implementar proteções de segurança e privacidade e melhorar os recursos antes de uma eventual disponibilização pública;
  • “Estamos trabalhando com comerciantes para continuar aprimorando esse possível recurso de chamadas e só vamos lançá-lo quando estiver pronto e com as devidas divulgações”, afirmou o porta-voz.

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Em uma das publicações internas, uma vice-presidente da divisão SuperIntelligence Labs, da Meta, reconheceu que foi um erro iniciar os testes de ligações feitas por contratados sem informar adequadamente os usuários – Imagem: Primakov/Shutterstock

Muse já ultrapassou 2,5 milhões de downloads

Enquanto testa novas funções, o Muse vem registrando forte adesão nos Estados Unidos. Segundo dados fornecidos pela empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, o agente liderou os rankings de downloads de aplicativos no país nas duas semanas seguintes ao lançamento e já ultrapassou 2,5 milhões de downloads.

O Muse é uma peça central do plano do CEO Mark Zuckerberg de oferecer “superinteligência pessoal” aos bilhões de pessoas que utilizam diariamente os serviços da Meta.

O agente de IA pode realizar tarefas de forma autônoma, como enviar e-mails, fazer compras e reservar viagens em nome do usuário.

Durante o lançamento, a Meta deu grande destaque às proteções de segurança do assistente. A empresa afirmou que cada agente teria sua própria “máquina virtual” segura — um computador dedicado na nuvem projetado para manter as sessões dos usuários isoladas — e que informações sensíveis, como senhas, seriam armazenadas separadamente em um ambiente seguro.

Como funciona a ligação do Muse

Com o recurso de chamadas telefônicas, o usuário pode pedir ao Muse que ligue para empresas nos Estados Unidos e converse com as pessoas do outro lado da linha para realizar tarefas. Entre os exemplos estão marcar um corte de cabelo, verificar se determinado produto está disponível em uma loja e obter orçamentos de diferentes prestadores de serviços.

Depois da ligação, o agente fornece ao usuário um resumo e uma transcrição da conversa no aplicativo Muse.

A Meta começou a testar internamente o recurso de chamadas em agosto, em um processo conhecido como “dogfooding”, e passou a disponibilizá-lo gradualmente aos usuários do Muse nos dias seguintes à estreia do aplicativo.

Na semana passada, a empresa ativou o recurso de “concierge humano”, também chamado de “ligações feitas por agentes humanos”, para metade de seus funcionários.

De acordo com a publicação interna, o Muse passou a poder encaminhar determinadas solicitações para um agente treinado, que realizava a ligação e conduzia o atendimento. Funcionários que não quisessem participar do teste podiam entrar em um grupo de exclusão.

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Meta é processada por suposto uso de fotos públicas do Instagram para reconhecimento facial

Famílias de Illinois e da Califórnia processaram a Meta, acusando a empresa de coletar fotos públicas do Facebook e Instagram para desenvolver um sistema de reconhecimento facial ligado aos óculos inteligentes.

Segundo a ação, dados biométricos teriam sido extraídos dessas imagens para alimentar o NameTag. A Meta contesta a acusação e afirma que a tecnologia não chegou aos consumidores e ainda não tem lançamento definido.

A ação afirma que a Meta teria extraído assinaturas biométricas de fotos públicas do Facebook e Instagram. – Imagem: Primakov / Shutterstock

O que está por trás da acusação

A ação acusa a Meta de extrair assinaturas biométricas, chamadas de “impressões faciais”, de perfis públicos nas duas redes sociais. Segundo os autores, esses dados apareceram no código do aplicativo de inteligência artificial usado com os óculos.

O recurso recebeu o nome de NameTag. Em junho, a Wired revelou trechos de código relacionados ao reconhecimento facial. A descoberta levantou preocupações sobre a possibilidade de identificar pessoas a partir de informações biométricas captadas ou associadas aos óculos.

Uma patente descreve um software capaz de comparar essas assinaturas com fotos de perfis. Os reclamantes também relacionam o caso ao Emu, gerador de imagens de IA da Meta. Eles afirmam que o sistema, treinado com grande quantidade de imagens e textos enviados por usuários, teria sido usado para coletar dados biométricos.

O que apareceu no código

O código encontrado no aplicativo indicava recursos ligados ao reconhecimento facial. A tecnologia poderia associar uma assinatura biométrica à foto de um perfil.

Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta, chegou a descrever publicamente planos relacionados ao recurso e o chamou de “uma ótima funcionalidade”. Poucos dias antes, havia classificado como “absolutamente desonesta” a reportagem da Wired que revelou o código.

A Meta passou a negar que pretendesse disponibilizar a tecnologia. A companhia afirma que ainda não existe uma decisão definitiva sobre o futuro do NameTag.

Entre os principais pontos apresentados na ação estão:

  • coleta de fotos públicas do Facebook e Instagram;
  • extração de assinaturas biométricas;
  • código relacionado ao reconhecimento facial no aplicativo dos óculos;
  • possível associação entre impressões faciais e fotos de perfis.
Sistema de reconhecimento e análise de dados aplicado sobre pessoas em um espaço público
O caso reacende a discussão sobre o uso de fotos públicas e dados biométricos por sistemas de inteligência artificial. – Imagem: Oselote / Shutterstock

Meta afirma que o NameTag não foi lançado

Em declaração à Wired, a Meta disse que a ação não tem fundamento e distorce o trabalho da empresa.

“Temos sido transparentes sobre como usamos as informações das pessoas para criar e melhorar nossos produtos de IA”, afirmou um porta-voz.

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Sobre o NameTag, a companhia acrescentou: “Nada foi disponibilizado aos consumidores e nenhuma decisão final foi tomada sobre o que fazer aqui, se é que será feito algo”.

O caso se soma a outras disputas envolvendo reconhecimento facial. Em 2020, a Meta fechou um acordo de US$ 650 milhões (cerca de R$ 3,31 bilhões) em uma ação coletiva relacionada a outro sistema de reconhecimento facial.

Em 2024, a companhia concordou em pagar US$ 1,4 bilhão (aproximadamente R$ 7,13 bilhões) para encerrar outro processo sobre dados de reconhecimento facial no Texas.

A nova ação amplia a pressão sobre a Meta em torno do uso de imagens públicas e informações biométricas. Por enquanto, a empresa afirma que o NameTag não chegou ao público e que ainda não decidiu se a tecnologia será lançada.

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Meta lança Muse, agente de IA que envia e-mails, compra produtos e reserva viagens

A Meta lançou, nesta terça-feira (8), o Muse, agente de inteligência artificial (IA) criado para funcionar como uma espécie de assistente digital pessoal. A ferramenta é capaz de utilizar aplicativos e sites de forma autônoma em nome do usuário, realizando tarefas, como enviar e-mails, reservar viagens e fazer compras pela internet.

O lançamento representa uma das primeiras tentativas de uma grande empresa de tecnologia de levar um agente de IA ao mercado de massa. Diferentemente dos chatbots tradicionais, esses sistemas são projetados para executar tarefas por conta própria, em vez de apenas responder a comandos.

O Muse pode ser utilizado como um chatbot, por meio de conversas, e receber instruções para executar diferentes atividades. A ferramenta está disponível por meio de um aplicativo e também pelo WhatsApp, plataforma que pertence à própria Meta.

O agente pode ser conectado aos demais serviços da empresa, incluindo Facebook e Instagram. Com autorização do usuário, também pode acessar aplicativos e serviços de terceiros, como Spotify, Ticketmaster, Shopify, Gmail e OpenTable.

A integração permite que o Muse utilize informações de diferentes contas para compreender melhor o usuário e executar tarefas em seu nome.

Muse pode enviar e-mails e fazer compras

  • Entre as funções do agente estão o envio de e-mails, reservas de viagens e compras online;
  • Quando o usuário conecta contas do OpenTable ou Ticketmaster, por exemplo, o Muse pode enviar mensagens sobre reservas de restaurantes ou ingressos para shows que considere relevantes. Essas atividades podem ser concluídas com apenas um clique;
  • O sistema também se conecta ao Stripe e ao Shopify para realizar compras em nome do usuário;
  • Segundo a Meta, o Muse é o primeiro agente de IA coberto pelas garantias e pela política de devolução do Stripe. A proteção foi criada para situações em que o agente cometa um erro durante uma compra;
  • A empresa reconhece, porém, que a tecnologia não é infalível. A Meta afirma que o Muse “às vezes cometerá erros”, mas que foi desenvolvido para permitir que o usuário permaneça no controle sem ficar sobrecarregado;
  • A companhia também criou um programa que recompensa pessoas que identificarem e relatarem falhas no funcionamento do agente.

Agente acessa dados de Facebook e Instagram

Uma das características que diferenciam o Muse de outros agentes de IA é sua integração com o ecossistema da Meta. A ferramenta pode acessar informações do Facebook e do Instagram e utilizar esses dados para conhecer melhor seus usuários. A partir dessas conexões, o agente pode atuar de maneira mais personalizada.

Essa capacidade também amplia as preocupações relacionadas à privacidade. A Meta afirma que os dados pessoais coletados pelo Muse, assim como o próprio agente, são armazenados com segurança em seus servidores e equipamentos de computação em nuvem.

O Muse também é destinado exclusivamente a adultos. Os usuários podem personalizar a ferramenta com um nome e um avatar próprios.

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Uma das características que diferenciam o Muse de outros agentes de IA é sua integração com o ecossistema da Meta – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Meta aposta em agentes para avançar na corrida da IA

O Muse é um dos primeiros produtos relevantes voltados ao consumidor desenvolvidos pelo Meta Superintelligence Labs, divisão criada pelo CEO Mark Zuckerberg para acelerar os esforços da companhia na corrida da IA.

Zuckerberg já descreveu o Muse como o próximo grande avanço da Meta. Segundo ele, o agente foi desenvolvido para trabalhar “24 horas por dia, sete dias por semana em seu nome” e ajudar o usuário a atingir objetivos e melhorar aspectos, como vida pessoal, saúde, relacionamentos e finanças.

A Meta vem investindo bilhões de dólares no desenvolvimento de modelos fundamentais de IA e na construção de data centers para competir com empresas, como Google, OpenAI e Anthropic.

Até agora, a estratégia da companhia apresentou resultados variados. Os óculos inteligentes de IA da Meta já venderam milhões de unidades, mas também provocaram preocupações relacionadas à privacidade.

Em julho, a empresa retirou temporariamente do ar seu gerador de imagens de IA do Instagram após críticas relacionadas a direitos autorais e privacidade.

Modelo do Muse ainda fica atrás de rivais

O agente é alimentado pelo Muse Spark, modelo de IA lançado pela Meta em abril. Foi o primeiro modelo desenvolvido pela divisão sob o comando de Alexandr Wang, diretor de IA da empresa.

O Muse Spark ainda apresenta desempenho inferior ao de modelos líderes da Anthropic e da OpenAI. A Meta, porém, trabalha em um sistema mais poderoso, conhecido internamente pelo codinome Watermelon, que pode ser lançado já no próximo mês.

A empresa também pretende ampliar as funções do Muse nos próximos meses. Entre os planos está a integração com os óculos inteligentes da Meta, que contam com câmera e assistente de voz.

Muse chega com diferentes planos de uso

O aplicativo do Muse é gratuito, mas possui limites de utilização. Para ampliar esses limites, os usuários poderão pagar US$ 20 (cerca de R$ 104) ou US$ 100 (cerca de R$ 520) por mês.

Com a chegada do Muse, a Meta entra de maneira mais direta em uma categoria de IA que promete substituir parte das tarefas atualmente realizadas diretamente pelos usuários.

A diferença está justamente no grau de autonomia: em vez de apenas conversar, o agente pode acessar serviços, realizar determinadas ações e concluir tarefas em nome de quem o utiliza.

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