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Trump promete apoiar estados que investirem em inteligência artificial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que pretende apoiar estados interessados em expandir a inteligência artificial (IA). Em publicação nas redes sociais, classificou a tecnologia como uma fonte de riqueza e declarou ser favorável ao desenvolvimento da superinteligência artificial.

A manifestação ocorre após uma onda de vendas de ações de empresas de tecnologia e em meio à preocupação dos investidores com os altos investimentos em IA e possíveis restrições à construção de data centers.

Trump prometeu trabalhar com governos estaduais interessados em apostar na tecnologia e criticou lideranças contrárias à expansão do setor.

“Como presidente, sou 100% a favor da Superinteligência (SI) e trabalharei com os muitos estados dos EUA que querem se tornar RICOS ao tê-la. Eles são OURO, e só uma liderança tola vai dizer ‘NÃO’ às riquezas que ela traz!”, escreveu.

O presidente não detalhou quais medidas pretende adotar. A declaração também ocorre após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), que ampliou as discussões sobre possíveis regras para o setor.

Investidores demonstraram apreensão com o volume de investimentos exigido e os custos de infraestrutura para operar superinteligências. Imagem criada por inteligência artificial: Dall-E/Olhar Digital

Vitória democrata aumenta preocupação com data centers

O resultado eleitoral acrescentou incertezas aos planos de expansão das empresas de tecnologia. Investidores temem que uma maior resistência à construção de centros de dados dificulte novos projetos nos Estados Unidos.

Essas instalações concentram os equipamentos responsáveis por armazenar e processar grandes volumes de informações. Embora sejam fundamentais para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial, enfrentam resistência de comunidades em algumas regiões americanas devido ao consumo elevado de energia e água.

Para Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), a vitória democrata não provocou a queda das ações, mas acrescentou um risco a um mercado que já apresentava sinais de fragilidade.

“A eleição americana não é a causa da queda. Ela foi o gatilho. O mercado de IA já vinha frágil”, afirma ao g1.

Segundo o especialista, os riscos mais imediatos estão nos estados, onde decisões sobre licenciamento, fornecimento de energia e eventuais moratórias podem afetar a construção de data centers. Ele também aponta possíveis mudanças nos incentivos fiscais.

Camilo ressalta que alterações legislativas relevantes costumam demorar e que o presidente americano mantém o poder de veto. Na avaliação do professor, a reação mais intensa do mercado tende a ser pontual, mas a revisão das expectativas de valorização das empresas ligadas à IA pode continuar.

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O alto consumo de energia e água por data centers provoca resistência de comunidades em algumas regiões dos EUA. – Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Queda das ações atinge mercados asiáticos

A pressão sobre as empresas de tecnologia também chegou aos mercados asiáticos nesta sexta-feira (6). No Japão, o índice Nikkei caiu 5,96%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 6,02%. Durante o pregão, a queda do índice sul-coreano chegou a 8,55%, levando à suspensão das negociações por 20 minutos.

Entre as fabricantes de chips afetadas, a sul-coreana SK Hynix perdeu 10,4%, e a Samsung Electronics recuou 6,4%. No Japão, a SoftBank caiu cerca de 11%. Já a taiwanesa TSMC fechou em baixa de 4,7%.

Nos Estados Unidos, as perdas também atingiram as maiores empresas de tecnologia. As sete gigantes conhecidas como Magnificent Seven encerraram o pregão em queda. A Tesla recuou 10,8%, a Nvidia perdeu 9,3% e a AMD caiu 17,3%. O índice de semicondutores da Filadélfia registrou baixa de 12,2%.

O desempenho desses mercados também tem reflexos sobre a indústria asiática de tecnologia. A região concentra algumas das principais fabricantes de chips do mundo, fornecedoras de componentes essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial. Uma possível desaceleração dos investimentos em infraestrutura da tecnologia pode afetar diretamente essas companhias.

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Claude agora pode acessar contas bancárias para analisar gastos

A Anthropic anunciou a chegada do Personal Finance ao assistente Claude. O recurso permite conectar contas bancárias e cartões de crédito para acompanhar despesas e esclarecer dúvidas financeiras em linguagem simples.

A integração utiliza a plataforma Plaid e oferece acesso somente para leitura. Isso significa que o sistema não pode movimentar, administrar ou investir o dinheiro dos usuários.

O Personal Finance pode consultar até dois anos de histórico de transações das contas conectadas. – Imagem: Divulgação/Anthropic

Análise de gastos e identificação de cobranças

Com a ferramenta, o usuário pode consultar a distribuição das despesas ao longo do mês, organizadas em categorias como aluguel, alimentação e compras. Também é possível fazer perguntas adicionais para comparar os gastos com períodos anteriores e identificar mudanças no orçamento.

O Claude ainda analisa as transações para sinalizar possíveis problemas, como cobranças duplicadas, tarifas inesperadas e contas que aumentam gradualmente. O assistente também pode avaliar se o usuário está gastando mais do que ganha, explicar conceitos financeiros, como a taxa percentual anual (APR), e calcular quanto foi pago em juros nos últimos 12 meses.

Em comunicado, a Anthropic destacou a proposta de apresentar informações financeiras em linguagem acessível: “O Claude fornece respostas em linguagem cotidiana, a partir de seus saldos e transações, e explica qualquer termo que seja novo para você”.

Privacidade dos dados e concorrência

A conexão com as contas financeiras permite o acesso a um conjunto limitado de informações, segundo a Anthropic. São elas:

  • Nome do banco, da conta e seu tipo;
  • Quatro últimos dígitos do número da conta;
  • Saldo e limite de crédito;
  • Histórico de transações de até dois anos.

A empresa também afirma que as conversas realizadas no ambiente Personal Finance não são utilizadas para treinar seus modelos de IA.

A ferramenta não oferece anúncios ou recomendações patrocinadas, nem comercializa cartões de crédito, empréstimos ou contas de poupança próprios. Essa característica também foi destacada pela Anthropic como parte da proposta de oferecer respostas sem interesses comerciais na indicação de produtos financeiros.

O lançamento coloca o Claude em concorrência com o ChatGPT, da OpenAI, que apresentou recursos semelhantes em maio. A ferramenta da empresa também permite conectar contas financeiras e consultar informações sobre despesas e planejamento de longo prazo.

Ao fundo, tela com códigos de programação; à frente, mão de uma pessoa segurando um celular que exibe o logo do ChatGPT
O lançamento aproxima o Claude dos recursos de finanças pessoais apresentados pelo ChatGPT em maio. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Disponibilidade do recurso

O Personal Finance começa a ser liberado em versão beta nesta semana para assinantes dos planos Pro, Max e Ultra nos Estados Unidos.

A novidade faz parte da expansão do Claude para setores específicos. No início deste ano, a Anthropic também lançou o Claude for Legal, voltado à área jurídica, e o Claude for Financial Services, direcionado ao mercado de serviços financeiros.

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Startup chinesa tenta contornar restrições dos EUA para acessar chips da Nvidia

A chinesa Moonshot AI, desenvolvedora dos modelos de inteligência artificial Kimi, negociou o aluguel de capacidade computacional em data centers europeus equipados com chips avançados da Nvidia. As conversas envolvem sistemas Blackwell, cuja exportação direta para a China é restringida pelos Estados Unidos.

Segundo fontes ouvidas pela CNBC, a empresa pretende acessar os componentes remotamente por serviços de computação em nuvem, modalidade que ainda apresenta brechas na legislação americana.

Provedores de nuvem que compram chips da Nvidia repassam a capacidade de processamento via contratos de aluguel. Propostas comerciais previam pagamento antecipado de 30% a 50% maior para clientes da China. – Imagem: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

Negociações envolvem milhares de chips Blackwell

Quatro pessoas familiarizadas com o assunto disseram à CNBC que a Moonshot negociou, ao longo deste ano, possíveis contratos com empresas conhecidas como neoclouds. Essas companhias alugam capacidade de processamento em estruturas de computação em nuvem equipadas com GPUs da Nvidia, permitindo que clientes utilizem os chips sem precisar instalá-los em seus próprios data centers.

Nas conversas, a empresa chinesa demonstrou interesse em alugar capacidade de clusters com 8 mil ou mais GPUs Blackwell instaladas na Europa. O objetivo seria ampliar o acesso a poder computacional para operar seus modelos de inteligência artificial. Duas fontes ouvidas pela CNBC mencionaram especificamente o uso dos equipamentos para inferência, etapa em que os modelos processam informações e respondem às solicitações dos usuários. Uma delas também relatou interesse em capacidade destinada ao treinamento de modelos.

A busca por esses recursos foi descrita por uma das fontes como “muito agressiva”. O movimento ocorre após a Casa Branca afirmar, em julho, que a Moonshot havia acessado chips Blackwell remotamente por meio de uma instalação na Tailândia. De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, as conversas sobre o aluguel de capacidade em data centers europeus começaram depois dessa declaração.

O interesse da Moonshot também evidencia uma dificuldade para a política de controle de exportações dos Estados Unidos. As regras americanas restringem o envio dos chips mais avançados da Nvidia diretamente para a China, mas a legislação atual não dá aos órgãos reguladores poderes amplos para controlar o acesso remoto a esses componentes quando eles estão instalados em serviços de computação em nuvem hospedados em outros países.

Demanda pelo Kimi pressiona infraestrutura da empresa

Fundada em 2023 e sediada em Pequim, a Moonshot AI está entre as principais desenvolvedoras chinesas de modelos de inteligência artificial. Em julho, lançou o Kimi K3, modelo que, segundo a própria empresa, reduziu a distância em relação aos sistemas da Anthropic e da OpenAI.

A ferramenta ganhou espaço como alternativa de menor custo às soluções americanas. O aumento da procura pressionou a infraestrutura da companhia, que suspendeu temporariamente novas assinaturas para priorizar os usuários existentes.

Em uma publicação no LinkedIn, a empresa afirmou estar “adicionando capacidade o mais rápido possível e reabriremos as vagas para novas assinaturas em lotes”.

A procura por processamento também aparece nas condições comerciais discutidas. Nesse mercado, os clientes geralmente pagam antecipadamente uma parcela do valor total dos contratos para garantir acesso à infraestrutura.

Uma das fontes ouvidas pela CNBC afirmou que foi proposto que a Moonshot pagasse entre 30% e 50% a mais antecipadamente do que um cliente não chinês. Acordos com empresas chinesas podem gerar pagamentos iniciais maiores porque operadores de nuvem e financiadores procuram se proteger contra uma eventual proibição futura do acesso remoto.

Disputa entre China e EUA no mercado de IA.
O Congresso dos EUA analisa a lei RASA para barrar o acesso remoto de empresas estrangeiras, principalmente chinesas, a chips na nuvem. – Imagem: wildpixel/iStock

EUA discutem ampliar controles sobre acesso remoto

A possibilidade de empresas chinesas utilizarem chips americanos por meio de estruturas no exterior também está no centro das discussões regulatórias em Washington. Parlamentares propuseram o Remote Access Security Act (RASA), projeto que pretende ampliar os controles de exportação para incluir o acesso remoto, por serviços em nuvem, a equipamentos e softwares estratégicos. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Representantes em janeiro, mas ainda não passou pelo Senado.

Outras movimentações ajudam a dimensionar a pressão sobre o setor:

  • O Financial Times informou que a Nvidia comunicou a provedores de nuvem que pelo menos 51% dos serviços deveriam ser destinados a clientes não chineses.
  • A fabricante defendeu que a infraestrutura americana de inteligência artificial precisa manter presença competitiva no mercado mundial.
  • Em agosto, Washington autorizou algumas vendas dos chips H200, de uma geração anterior, mas as operações ficaram sujeitas a restrições do governo chinês, interessado em fortalecer os fabricantes nacionais de semicondutores.

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Pioneiro da IA diz que mundo estaria melhor sem inteligência artificial

O cientista Geoffrey Hinton, um dos pioneiros da inteligência artificial (IA), afirmou que a humanidade talvez estivesse melhor sem desenvolver a tecnologia. Ele também alertou que sistemas avançados podem provocar incidentes de grande escala ainda em 2026 ou 2027.

Vencedor do Prêmio Nobel, Hinton critica dirigentes de grandes empresas de tecnologia por priorizarem lucros e participação de mercado em detrimento da segurança. Para reduzir os riscos, defende avaliações independentes e testes obrigatórios antes do lançamento de modelos avançados.

O especialista comparou tentativas de invasão cibernética por inteligência artificial a avisos prévios de acidentes nucleares. – Imagem: TSViPhoto/Shutterstock

Hinton critica empresas e prevê incidentes graves

Em entrevista ao The Guardian, Hinton, de 78 anos, afirmou que os próximos dez anos, possivelmente menos, serão decisivos para determinar se a humanidade conseguirá controlar os riscos da IA e alcançar o que chamou de “abundância radical”. Caso contrário, o cenário poderá incluir desigualdade acentuada, desemprego em massa, problemas culturais e divisões sociais.

Uma das preocupações do pesquisador é a possibilidade de sistemas de inteligência artificial desenvolverem comportamentos que dificultem o controle humano. Ele já havia alertado que, se essas tecnologias passarem a buscar mais autonomia e controle, a humanidade poderá enfrentar sérios problemas.

Hinton também questionou a postura dos dirigentes de empresas que disputam a liderança do setor. Ele afirmou não confiar em Sam Altman, CEO da OpenAI, e criticou Mark Zuckerberg, da Meta, e Elon Musk, da xAI.

“Eles entendem os riscos e não dão a mínima. Preferem ficar com o dinheiro. Essa é a minha opinião”, declarou ao The Guardian.

O cientista considera especialmente preocupante que Altman esteja à frente de uma das principais empresas norte-americanas na disputa com a China pelo desenvolvimento dos sistemas de IA mais avançados.

Hinton trabalha com inteligência artificial há aproximadamente 44 anos. Na década de 1970, cunhou o conceito de redes neurais artificiais, sistemas matemáticos capazes de aprender com experiências. Em 2023, deixou o Google para falar publicamente sobre os riscos da tecnologia.

Um episódio envolvendo agentes de IA da OpenAI, que conspiraram para invadir o site Hugging Face, reforçou suas preocupações. Hinton comparou o caso ao acidente nuclear de Three Mile Island, ocorrido em 1979, nos Estados Unidos, considerando-o um primeiro sinal de alerta.

Na avaliação do pesquisador, um evento ainda mais grave, comparável a Chernobyl, poderá acontecer até o fim de 2027. Entre os cenários mencionados estão:

  • Um ataque cibernético contra o sistema de geração de eletricidade;
  • Uma interrupção de grande escala no fornecimento de energia;
  • A paralisação do sistema financeiro durante uma semana.

Hinton acredita que um episódio desse tipo poderia chamar a atenção de líderes mundiais para os riscos da tecnologia. Ao falar sobre quem precisaria reagir, excluiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Uma proposta apoiada por 33 países prevê testes obrigatórios e avaliações independentes para modelos avançados de IA. – Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock

Hinton defende fiscalização independente da IA

Trump rejeita iniciativas de controle internacional e defende que as próprias empresas estabeleçam suas regras, sob o argumento de que restrições poderiam prejudicar a posição dos Estados Unidos na disputa com a China.

Hinton apoia uma proposta respaldada por 33 países, incluindo Finlândia, Alemanha, Canadá, Austrália e Singapura. O plano prevê avaliações obrigatórias dos modelos mais avançados, análises independentes e padrões comuns entre governos.

Para explicar como essa fiscalização deveria funcionar, o pesquisador recorreu ao exemplo da agência norte-americana responsável pela aprovação de medicamentos, a FDA. Sua proposta é que as empresas apresentem evidências estatísticas a uma autoridade independente para demonstrar que os benefícios dos sistemas superam os riscos antes de lançar os modelos.

Hinton citou a talidomida, medicamento desenvolvido na década de 1950 que provocou graves malformações congênitas, para argumentar que não basta disponibilizar um produto e responsabilizar seus fabricantes depois que os danos acontecem.

Apesar das advertências, o cientista acredita que ainda é possível evitar uma catástrofe. “Meu instinto diz que ainda estamos no controle”, afirmou. Ele ressalvou, porém, que isso dependerá de um esforço significativo.

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Eleição nos EUA expõe reação a bilionários e data centers de IA

Os democratas conquistaram o controle do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 2026, impondo uma derrota ao presidente Donald Trump e aos candidatos apoiados por grandes empresários do setor de tecnologia.

O resultado reflete a insatisfação dos eleitores com o custo de vida, a corrupção e a expansão dos data centers de inteligência artificial (IA). Também representa um revés para bilionários que investiram centenas de milhões de dólares nas campanhas republicanas.

Donald Trump sofreu uma derrota eleitoral com a conquista democrata do controle do Congresso dos Estados Unidos. – Imagem: YousufDean/Shutterstock

Texas se torna símbolo da derrota republicana

No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton e se tornou o primeiro democrata eleito para o Senado pelo estado em quase quatro décadas. Na disputa pelo governo estadual, Gina Hinojosa venceu Greg Abbott, que estava no cargo havia três mandatos. Ela será a primeira governadora democrata do Texas desde Ann Richards, que deixou o posto em 1995.

A derrota também atingiu candidatos escolhidos pessoalmente por Trump, que havia feito dezenas de endossos durante a campanha. O resultado no Texas ganhou destaque em meio à resistência de parte dos eleitores à expansão da infraestrutura tecnológica. Hinojosa defendeu a suspensão de novos projetos de data centers até que regras mais rigorosas sejam adotadas.

A preocupação com essas instalações apareceu em uma pesquisa da CNBC: 56% dos entrevistados disseram que a questão teve importância decisiva ou significativa na escolha de seus candidatos.

Bilionários da tecnologia enfrentam reação dos eleitores

A derrota republicana também representa um revés para empresários e grupos de interesse que financiaram candidatos favoráveis à expansão da infraestrutura de inteligência artificial. Elon Musk, o maior doador individual do ciclo eleitoral e o homem mais rico do mundo, gastou valores recordes para tentar manter os republicanos no poder. No Texas, investiu mais de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,08 bilhão) em esforços para impedir a vitória de Talarico.

O peso desse financiamento aparece também no perfil dos principais doadores: 14 dos 20 maiores grupos apoiaram exclusivamente ou quase exclusivamente candidatos republicanos. Interesses ligados a criptomoedas, inteligência artificial e jogos de azar on-line investiram mais de US$ 377 milhões (aproximadamente R$ 2,04 bilhões).

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A vitória democrata no Texas foi marcada por propostas de interrupção de novos projetos de data centers até a criação de regras rígidas. – Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Congresso deve ampliar fiscalização sobre empresas de IA

Com a conquista da maioria na Câmara e no Senado, os democratas terão mais poder para fiscalizar o governo Trump, convocar autoridades e abrir investigações. Parlamentares já defenderam chamar executivos de empresas de inteligência artificial para depor sob juramento.

A mudança no equilíbrio político também põe em xeque as tentativas republicanas de redesenhar distritos eleitorais para favorecer seus candidatos. Democratas venceram disputas em áreas do Texas, da Flórida e da Carolina do Norte cujos limites haviam sido alterados com esse objetivo.

Outras vitórias ampliaram o alcance da mudança no mapa eleitoral: os democratas venceram disputas na Carolina do Sul, em Ohio, na Geórgia e em New Hampshire, além de conquistar cadeiras no Senado em Iowa e na Carolina do Norte.

A insatisfação econômica teve papel central na eleição. Muitos eleitores atribuíram a piora das condições econômicas às tarifas impostas por Trump e à guerra contra o Irã. Uma pesquisa da CNBC realizada em outubro apontou a corrupção como a principal preocupação dos entrevistados.

Após a divulgação dos resultados, os contratos futuros dos índices Dow Jones e S&P 500 recuaram. Com o novo controle do Congresso, os democratas poderão bloquear parte da agenda presidencial e intensificar a fiscalização sobre o governo nos dois últimos anos do mandato de Trump.

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Flamengo usa dados para aprimorar análise de desempenho dos jogadores

O Flamengo está modernizando sua infraestrutura de dados em parceria com a BlueShift e o Google Cloud. O projeto organiza informações sobre partidas e jogadores para ampliar os recursos de análise e apoiar as decisões da comissão técnica.

A iniciativa utiliza uma arquitetura que facilita o processamento de estatísticas e prepara o clube para incorporar aplicações de inteligência artificial no futuro.

A plataforma centralizada fornece relatórios estratégicos para auxiliar a comissão técnica na preparação tática e estudo de rivais. – Imagem:Sinrich Sydnes/Shutterstock

Lakehouse e BigQuery organizam dados do futebol

Durante os 90 minutos de uma partida, são registrados mais de 3 mil eventos em campo, entre passes, chutes e toques na bola. Para transformar esse volume de informações em análises úteis, o projeto separou os fluxos de registro e análise e centralizou o ambiente analítico no BigQuery, serviço do Google Cloud.

A modernização também envolveu a construção de uma arquitetura lakehouse, que combina armazenamento e análise de grandes volumes de dados em um ambiente integrado. As informações são organizadas em camadas, desde os registros originais até os dados tratados e prontos para consulta.

Na prática, essa estrutura permite à comissão técnica trabalhar com diferentes indicadores de desempenho dos atletas. Entre as possibilidades de análise estão:

  • Comparar métricas de desempenho dos jogadores;
  • Acompanhar a evolução individual e coletiva dos atletas;
  • Identificar padrões individuais e coletivos nas partidas.

A solução também levou em consideração as ferramentas e competências já utilizadas pelos profissionais do clube, favorecendo a adoção da plataforma na rotina de trabalho.

Dados ajudam a orientar decisões da comissão técnica

Com as informações organizadas, os analistas podem explorar diferentes cenários e fornecer subsídios para o planejamento esportivo. A plataforma também oferece ambientes seguros para consulta e análise dos dados, com controle de recursos e custos.

Segundo Esteban Huerta, especialista em Google Cloud na BlueShift, o principal desafio está em transformar grandes volumes de registros em informações úteis para o futebol.

“O diferencial não está apenas em reunir grandes volumes de dados, mas em transformá-los em informações que apoiem decisões mais assertivas”, explica.

inteligência de dados no futebol
A solução foi projetada para incorporar no futuro o Vertex AI, permitindo cruzar estatísticas e imagens sem reconstruir o sistema. – Imagem: vectorfusionart/Shutterstock

Inteligência artificial está nos planos para o futuro

A infraestrutura também foi preparada para permitir a incorporação futura de aplicações de inteligência artificial por meio do Vertex AI, plataforma do Google Cloud. A proposta é combinar estatísticas, imagens e outros tipos de informação para ampliar os recursos de análise, sem exigir a reconstrução da estrutura já implementada.

Essa etapa ainda representa uma possibilidade de evolução do projeto. Huerta afirma que a base tecnológica foi planejada para acompanhar novas demandas e permitir que o Flamengo adote ferramentas mais avançadas sem precisar reconstruir sua infraestrutura a cada nova necessidade.

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IAs chinesas usaram dados do GPT-6 Astra para treinar modelos

Os laboratórios chineses DeepSeek e Moonshot AI recorreram a respostas do GPT-6 Astra, modelo avançado da OpenAI, para treinar suas versões mais recentes, segundo reportagem do The Information.

A prática, chamada destilação, ajuda a reproduzir capacidades de modelos de inteligência artificial (IA) com menos recursos computacionais. O uso de sistemas proprietários por concorrentes, porém, é alvo de críticas de empresas americanas em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.

O modelo Kimi K3.1 Pro e o V4.1-Flash 1017, da DeepSeek, foram apontados como beneficiários de dados do GPT-6 Astra em reportagem recente. – Imagem: mundissima/Shutterstock

Modelos chineses recorreram ao GPT-6 Astra

Segundo pessoas com conhecimento direto do assunto ouvidas pelo The Information, a Moonshot AI usou respostas do Astra durante o desenvolvimento do Kimi K3.1 Pro, lançado na semana passada. Já o V4.1-Flash 1017, atualização do modelo V4.1-Flash da DeepSeek lançada em 17 de outubro, também se beneficiou da técnica.

A destilação consiste em usar as respostas de um modelo para treinar outro. OpenAI e Anthropic aplicam o método no desenvolvimento de versões menores, mais rápidas e baratas de seus próprios sistemas. A controvérsia surge quando empresas externas tentam reproduzir capacidades de modelos proprietários sem autorização.

Para isso, os laboratórios podem tentar extrair etapas do raciocínio interno dos sistemas, informações que os desenvolvedores não disponibilizam deliberadamente. A coleta de dados úteis para treinamento pode exigir mais de dez vezes o número de solicitações normalmente usado, segundo fontes ouvidas pela publicação, além de múltiplas contas para evitar mecanismos de detecção.

A destilação não explica sozinha o avanço dos modelos chineses. Restrições americanas à exportação de chips avançados e limitações de recursos também levaram empresas como a DeepSeek a buscar formas de desenvolver e operar sistemas com menos capacidade computacional.

Anthropic reforçou proteções contra a destilação

Até recentemente, os modelos Claude, da Anthropic, eram os principais alvos desse tipo de atividade entre laboratórios chineses, segundo o The Information. A publicação atribui a mudança em direção ao Astra, em parte, ao reforço das defesas da Anthropic nos últimos meses.

No início de outubro, a empresa informou que novas medidas reduziram entre 90% e 99% os dados coletados em ataques de destilação. As proteções dificultam a extração do raciocínio interno do Claude por redes de intermediários, cujo uso viola as políticas da companhia. Tentativas repetidas também podem resultar em limites de acesso mais rígidos e banimentos.

A Anthropic informou em documentos relacionados à sua planejada oferta pública inicial de ações que clientes que violaram seus termos representaram cerca de 5% a 7% da receita nos primeiros nove meses de 2026. Um operador de redes de intermediários na China estimou que os clientes desse tipo de serviço contribuíram com aproximadamente US$ 10 milhões mensais para a receita da empresa.

Celular com Moonshot AI aberto; ao fundo, monitor exibe ilustração de cérebro em silhueta de cabeça humana
A OpenAI afirmou ter identificado uma campanha coordenada de destilação iniciada em julho e ligada a indivíduos associados à Moonshot AI. – Imagem: gguy/Shutterstock

OpenAI associou campanha a pessoas ligadas à Moonshot

No fim de setembro, a OpenAI afirmou ter identificado e interrompido uma campanha coordenada de destilação iniciada em julho, que associou a indivíduos ligados à Moonshot AI. Segundo a empresa, os envolvidos tentaram extrair o raciocínio protegido de seus modelos por meio de interações que tornavam esse conteúdo acessível.

Um porta-voz da OpenAI disse ao The Information que a companhia leva o problema muito a sério e continua aprimorando suas defesas. A empresa não estimou o impacto da destilação em sua receita.

A Moonshot não comentou a reportagem, e a DeepSeek não respondeu ao pedido de posicionamento. As duas empresas não responderam publicamente às alegações citadas na publicação.

O The Information também relatou que o presidente-executivo da DeepSeek, Liang Wenfeng, inicialmente resistia a recorrer à destilação no desenvolvimento da geração V4. Segundo duas fontes com conhecimento do processo, ele acabou cedendo à pressão competitiva após o avanço dos modelos GLM, da concorrente chinesa Z.ai, que também teriam sido desenvolvidos com a técnica.

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Anthropic expõe os custos e os riscos da inteligência artificial antes de IPO

A Anthropic, criadora da inteligência artificial Claude, apresentou documentos para abrir capital nos Estados Unidos. O prospecto revela uma empresa em rápida expansão, mas pressionada por custos elevados e riscos que vão de ataques cibernéticos a falhas nas proteções de seus modelos.

O documento reúne as primeiras demonstrações financeiras auditadas da companhia e detalha os desafios que podem afetar seus planos de crescimento.

O documento de IPO admite que as travas de segurança da IA têm falhas e podem ser burladas por agentes maliciosos. – Imagem: jackpress/Shutterstock

Crescimento acelerado, mas com custos elevados

Fundada em 2021, a Anthropic ampliou rapidamente suas receitas, mas os gastos também cresceram. Os números apresentados no prospecto mostram a dimensão desse avanço e o peso financeiro da infraestrutura necessária para desenvolver e operar seus modelos de IA.

Os principais valores informados pela companhia são:

  • Receita no primeiro semestre de 2026: US$ 16,3 bilhões (cerca de R$ 86,39 bilhões).
  • Prejuízo no primeiro semestre de 2026: US$ 80 bilhões (cerca de R$ 424 bilhões), incluindo uma despesa extraordinária de US$ 72,4 bilhões (R$ 383,72 bilhões).
  • Receita em 2025: US$ 4,585 bilhões (cerca de R$ 24,3 bilhões).
  • Prejuízo em 2025: aproximadamente US$ 33,9 bilhões (cerca de R$ 179,67 bilhões).
  • Gastos com infraestrutura de IA no primeiro semestre de 2026: quase US$ 9 bilhões (cerca de R$ 47,7 bilhões), ante US$ 2,3 bilhões (R$ 12,19 bilhões) no mesmo período de 2025.
  • Avaliação estimada por alguns investidores: entre US$ 1,5 trilhão (R$ 7,95 trilhões) e US$ 2 trilhões (R$ 10,6 trilhões). A Anthropic não informou uma avaliação pretendida para a abertura de capital.

A concentração de clientes também preocupa: os cinco maiores compradores respondem por 25% dos negócios. A perda de um deles poderia afetar os resultados da empresa.

O potencial da IA esbarra em riscos de segurança

A Anthropic aposta em aplicações da tecnologia na medicina, na biologia, nas finanças e na robótica. Segundo a companhia, o Claude reduziu de meses para minutos o tempo necessário para elaborar relatórios de ensaios clínicos. A empresa também relata descobertas biológicas que podem contribuir para o desenvolvimento de ferramentas de edição genética.

Esses avanços, no entanto, convivem com limitações que a própria empresa reconhece. No prospecto, a Anthropic afirma que as proteções de seus modelos podem ficar desatualizadas, ser contornadas ou falhar. A companhia também admite que seus sistemas mais avançados podem ajudar pessoas mal-intencionadas a desenvolver armas químicas ou biológicas.

Os riscos já incluem ataques cibernéticos. A empresa relata o que considera o primeiro caso documentado de uma operação em larga escala com pouca intervenção humana. Segundo a Anthropic, um grupo de hackers patrocinado pelo Estado chinês manipulou uma ferramenta de programação do Claude para tentar invadir cerca de 30 alvos, entre eles empresas de tecnologia, instituições financeiras, fabricantes de produtos químicos e órgãos governamentais.

O uso da IA para fins de vigilância e repressão também preocupa a companhia. A Anthropic alerta que governos autoritários podem recorrer à tecnologia para ampliar essas práticas. A empresa enfrenta ainda um conflito com o governo Trump por se recusar a flexibilizar as restrições ao uso de seus modelos para vigilância doméstica e armas letais autônomas.

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A estreia da Anthropic na bolsa será o teste definitivo para saber se o mercado aceita bancar perdas bilionárias em IA. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Os riscos para os negócios

Nas 92 páginas dedicadas aos riscos, a empresa também aborda a concorrência com Google e OpenAI, a dependência de executivos importantes e as incertezas regulatórias.

Outros fatores podem comprometer suas operações:

  • Infraestrutura: restrições na rede elétrica, desastres naturais e limitações à construção de centros de dados.
  • Seguros: dificuldade para obter cobertura adequada para determinadas responsabilidades relacionadas à IA.
  • Contratação: mudanças nas políticas migratórias dos Estados Unidos podem dificultar a atração de profissionais qualificados.
  • Compromissos sociais: como empresa de benefício público, a Anthropic precisa conciliar resultados financeiros e metas de impacto social.

Para reduzir a dependência dos Estados Unidos, a companhia afirma estar ampliando sua infraestrutura de centros de dados em outros países. Ainda assim, admite que pode não conseguir contratar seguros em condições comerciais razoáveis para determinadas responsabilidades ligadas à IA.

“Podemos não conseguir obter cobertura para determinadas responsabilidades relacionadas à IA em condições comercialmente razoáveis, ou mesmo obter qualquer cobertura, o que nos deixaria expostos a perdas potencialmente significativas”, afirma o prospecto.

A abertura de capital colocará sob maior escrutínio a capacidade da Anthropic de sustentar o crescimento, administrar os custos e lidar com os riscos associados à expansão da inteligência artificial.

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Bolha de IA estoura na China e faz mercado perder US$ 480 bilhões

Empresas chinesas de inteligência artificial (IA) e semicondutores perderam US$ 480 bilhões (cerca de R$ 2,52 trilhões) em valor de mercado em menos de quatro meses. A queda reflete preocupações com a demanda por IA, avaliações elevadas e possíveis restrições às exportações chinesas.

O índice STAR50 recuou 40% no período, interrompendo uma sequência de valorização de dois anos. O movimento também atingiu o CSI300, principal índice de ações de grandes empresas chinesas, que caiu cerca de 20% em relação ao pico registrado em junho.

O colapso no mercado chinês levanta questionamentos sobre até quando as valorizações de IA vão se sustentar no Ocidente. – Imagem: Thx4Stock team/Shutterstock

Ações de tecnologia perdem valor

A onda de vendas não teve um único gatilho. Operadores ouvidos pela Reuters apontaram os preços elevados das ações, os impostos e o risco de os Estados Unidos e outros países restringirem o uso de equipamentos chineses em centros de dados.

A dimensão da crise está ligada ao peso que o setor ganhou na bolsa. Segundo o Goldman Sachs, ações relacionadas à IA chegaram a representar 42% da capitalização de mercado e 57% do volume negociado em ações na China continental e em Hong Kong.

Entre as empresas afetadas, estão fabricantes de robôs, chips e componentes utilizados em equipamentos de tecnologia:

  • Unitree: a fabricante de robôs teve demanda 8.000 vezes superior à oferta em sua estreia na bolsa, mas suas ações perderam metade do valor desde agosto.
  • CXMT: a fabricante de semicondutores perdeu mais de um quarto do valor de suas ações em um mês.
  • MetaX e Moore Threads: as duas empresas de chips perderam cerca de metade do valor das ações desde julho, depois de dispararem 700% e 400%, respectivamente, em suas estreias na bolsa.
  • Zhongji Innolight e Eoptolink Technology: as fabricantes de componentes ópticos acumulam quedas de aproximadamente 60% em relação aos picos registrados em junho e julho.

No caso das duas últimas empresas, parte da pressão vem dos movimentos de Washington para restringir o fornecimento de componentes a centros de dados nos Estados Unidos.

Pequenos investidores sentem o impacto

A desvalorização atingiu investidores que apostaram na alta das empresas de tecnologia. Chen Wensheng, empresário da província de Hainan, contou à Reuters que comprou ações por acreditar no apoio oficial a companhias como a Unitree, que recebeu investimentos de fundos ligados ao Estado chinês. Agora, ele e seus amigos acumulam prejuízos.

O recuo também pode dificultar a captação de recursos por empresas de tecnologia que pretendem abrir capital. Hong Hao, sócio-gerente e diretor de investimentos da Lotus Asset Management, em Hong Kong, avalia que a crise deve frear novas ofertas de ações.

Mesmo depois das perdas, as avaliações continuam elevadas. O STAR50 negocia a cerca de 100 vezes os lucros acumulados nos últimos 12 meses, abaixo do pico de quase 250 vezes. Para comparação, o múltiplo do Nasdaq 100, nos Estados Unidos, está em torno de 30 vezes.

Robôs humanoides
A fabricante de robôs Unitree viu o valor de suas ações cair pela metade mesmo após alta procura na estreia. – Imagem: Divulgação/UBTECH

Pequim tenta conter a volatilidade

A turbulência ocorre enquanto as autoridades chinesas buscam reduzir as oscilações do mercado e melhorar os retornos dos investimentos. Entre as medidas estão o combate às operações alavancadas e às negociações de alta frequência. Investidores ligados ao Estado também venderam ações durante períodos de alta para conter os ganhos.

Para Leo Wang, sócio da gestora Qianchuang Capital, em Pequim, a concentração excessiva em empresas de tecnologia prejudica o equilíbrio do mercado. “Isso criou uma bolha severa em determinados setores e uma drenagem séria de recursos de outros”, afirmou.

Algumas gestoras veem oportunidades nas ações que ficaram mais baratas. O Goldman Sachs incluiu empresas chinesas de IA em uma lista atualizada de recomendações. Outros investidores, porém, preferem esperar por avaliações menores.

Wang Zhuo, sócio da gestora Zhuozhu Investment Management, em Xangai, prevê que fabricantes de chips e fornecedores de IA enfrentarão uma guerra de preços, como ocorre em outros setores industriais chineses. “Não há exceção. Todas as bolhas inevitavelmente estouram”, disse.

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IPO da Anthropic pode mudar o mercado global de inteligência artificial

A Anthropic, criadora do assistente Claude, iniciou o processo para abrir seu capital e pode protagonizar uma das maiores ofertas públicas de ações da história. A operação será um teste para o mercado de inteligência artificial (IA), em meio às dúvidas sobre as avaliações bilionárias do setor.

O resultado também pode influenciar a futura estreia da OpenAI na Bolsa e mudar a disposição dos investidores de financiar empresas ligadas à tecnologia.

O desempenho da startup na bolsa serve como teste definitivo para medir a sustentabilidade do boom global de IA. – Imagem: RixAiArt/Shutterstock

Crescimento acelerado e pressão por resultados

Investidores já avaliam a Anthropic em trilhões de dólares. Fundada há cinco anos, a empresa divide com a OpenAI o protagonismo no mercado de IA. A concorrente também apresentou documentos confidenciais para abrir seu capital, mas não prevê uma estreia antes de 2027.

O cenário financeiro, porém, ficou menos favorável. Empresas de computação em nuvem voltadas à IA e operadoras de data centers sofreram quedas nas ações. A australiana Firmus retirou seus planos de IPO, assim como a Solidigm, unidade americana da SK Hynix.

A Anthropic chega à Bolsa com resultados expressivos, mas também com perdas elevadas. No primeiro semestre, acumulou mais de US$ 80 bilhões (R$ 420 bilhões) em perdas, segundo a CNBC. No mesmo período, a receita avançou rapidamente, impulsionada pela adoção de ferramentas de programação e produtividade por empresas.

No segundo trimestre, o faturamento atingiu US$ 11,56 bilhões (R$ 60,69 bilhões), ante US$ 787 milhões (R$ 4,13 bilhões) no mesmo período do ano anterior. A companhia encerrou junho com quase US$ 132 bilhões (R$ 693 bilhões) em caixa, equivalentes e investimentos de curto prazo. Depois de cinco trimestres com prejuízo operacional, registrou US$ 974 milhões (R$ 5,11 bilhões) de lucro operacional no segundo trimestre.

“Se tiver um desempenho abaixo das expectativas, será um pouco como um castelo de cartas”, afirmou Jai Das, cofundador da Sapphire Ventures.

Gigantes de tecnologia também estão expostas

A relação da Anthropic com as grandes empresas do setor vai além da concorrência. Quase metade de sua receita vem da venda do Claude por meio dos serviços de nuvem da Microsoft, Amazon e Alphabet, controladora do Google. As três companhias também investem na desenvolvedora.

A infraestrutura necessária para desenvolver os modelos envolve chips da Nvidia, AMD, Amazon e Google. Por isso, uma mudança na disposição dos investidores em financiar a IA pode repercutir em diferentes segmentos da indústria.

Brad Bernstein, sócio-gerente da FTV Capital, avalia que um desempenho abaixo das expectativas pode provocar uma reavaliação mais ampla dos investimentos em startups de inteligência artificial.

“A avaliação deles refletirá essa variação de desempenho, e então haverá um efeito cascata sobre tudo o que está acontecendo no mundo da IA de capital de risco, com o excesso de capital sendo investido. Tudo terá de ser reajustado”.

O impacto pode alcançar diferentes partes da cadeia tecnológica:

  • Fabricantes de memória: enfrentam a disputa por componentes necessários à infraestrutura de IA.
  • Investidores de capital de risco: podem rever aportes e avaliações de startups do setor.
  • Empresas de software: precisam avaliar custos e benefícios da incorporação de modelos de IA.
  • Provedores de infraestrutura: dependem da demanda para justificar a expansão de data centers e da capacidade computacional.
Logo da OpenAI em um smartphone que está em cima de várias notas de dólar
A estreia da Anthropic também pode afetar as expectativas em torno da futura abertura de capital da OpenAI, prevista não antes de 2027. – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

Concorrência e riscos para o setor

Outro desafio vem dos modelos de pesos abertos, que permitem personalização e podem custar menos. Entre os concorrentes estão soluções da Moonshot AI, DeepSeek e Zhipu. No documento apresentado para a abertura de capital, a Anthropic citou nominalmente OpenAI e Google como concorrentes, mas reconheceu a existência de um conjunto mais amplo de fornecedores.

A empresa vê espaço para crescer: no trimestre mais recente, companhias da lista Fortune 500 comprometeram menos de 0,1% de suas despesas totais com seus modelos e serviços.

A avaliação trilionária também coloca a operação em um grupo restrito. Se estrear com valor superior a US$ 1 trilhão (R$ 5,25 trilhões), a Anthropic será a terceira empresa a alcançar esse patamar em uma abertura de capital, depois da Saudi Aramco e da SpaceX.

Há, contudo, riscos para o mercado. Juros mais altos encarecem a captação de recursos, e uma redução da liquidez destinada à IA pode pressionar as ações. David Trainer, presidente-executivo da New Constructs, estima um risco de queda de 20% no S&P 500, concentrado principalmente nos papéis ligados ao setor.

A estreia da Anthropic será, portanto, um teste para as expectativas em torno da inteligência artificial. A reação dos investidores poderá influenciar tanto as avaliações de outras empresas quanto os planos da OpenAI de entrar na Bolsa.

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