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China recebeu tecnologia proibida? ASML se pronuncia sobre suspeita

A ASML negou nesta sexta-feira que qualquer uma de suas máquinas EUV tenha sido enviada para a China, respondendo a preocupações levantadas por autoridades dos Estados Unidos sobre um possível descumprimento das restrições de exportação.

O caso chama atenção porque envolve equipamentos considerados fundamentais para a fabricação de semicondutores avançados, comenta a Reuters.

A ASML negou que qualquer máquina EUV, utilizada para a fabricação de chips, tenha sido enviada à China, após preocupações levantadas por autoridades dos EUA. Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock

ASML responde a preocupações levantadas pelos EUA

A reportagem que deu origem ao caso informou que autoridades norte-americanas estariam preocupadas com a possibilidade de máquinas EUV da ASML terem chegado à China. Segundo o relato, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, levou essa preocupação a executivos da companhia holandesa durante uma série de reuniões.

A resposta da empresa foi direta. Em comunicado enviado à Reuters, a fabricante afirmou: “A ASML nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem enviamos para a China qualquer componente, módulo ou equipamento projetado especificamente para ser usado em uma máquina EUV”.

A companhia também declarou que contestou as alegações relacionadas ao descumprimento dos controles de exportação e ressaltou que adapta continuamente suas operações para acompanhar mudanças regulatórias e cumprir novas exigências.

Sistemas de litografia EUV para fabricação de semicondutores
A fabricação de semicondutores avançados depende de equipamentos altamente especializados, como os sistemas EUV. Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

O que torna as máquinas EUV tão especiais

As máquinas de litografia ultravioleta extrema, conhecidas pela sigla EUV, estão entre os equipamentos mais complexos utilizados pela indústria de semicondutores. Elas são consideradas peças-chave para a produção dos componentes mais avançados do setor.

Os sistemas mais modernos da ASML chamam atenção por características impressionantes:

  • Têm tamanho aproximado ao de um ônibus escolar
  • O peso chega a cerca de 180 toneladas
  • Estão sujeitas a rígidas regras de exportação
  • São utilizadas na fabricação de chips avançados
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A tecnologia usada para fabricar chips avançados virou tema de discussões envolvendo China, EUA e Europa. Imagem: William Potter/Shutterstock

Controles de exportação permanecem no centro do debate

O governo da Holanda reforçou que a exportação de equipamentos para fabricação de semicondutores segue critérios rigorosos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores holandês destacou: “Todos os equipamentos, componentes e tecnologias que se enquadram explicitamente nessas regras exigem uma licença”.

O ministério também afirmou que aplica essa política de forma rigorosa e intervém sempre que considera necessário para garantir o cumprimento das normas.

O debate ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos para ampliar o alinhamento internacional em torno dos controles de exportação ligados ao setor de semicondutores. Em abril, Washington propôs uma legislação para que países aliados sigam regras semelhantes, com o objetivo de limitar a capacidade chinesa de produzir semicondutores avançados. Equipamentos fabricados pela ASML foram citados na proposta.

Em dezembro, a Reuters informou que cientistas chineses desenvolveram um protótipo de máquina EUV criado por uma equipe formada por ex-engenheiros da ASML, em um projeto descrito como a versão chinesa do Projeto Manhattan.

A questão segue no radar de governos e empresas envolvidos no setor de semicondutores. O episódio ocorre enquanto diferentes países discutem regras para a exportação de tecnologias ligadas à fabricação de chips avançados.

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Governo dos EUA mantém restrições a modelos de IA da Anthropic e amplia tensão

A empresa de inteligência artificial Anthropic enfrenta um impasse com o governo dos Estados Unidos após receber uma determinação para restringir o acesso aos seus modelos mais recentes, Fable 5 e Mythos 5. A medida, comunicada na última sexta-feira (12), foi justificada por preocupações ligadas à segurança nacional e desencadeou uma série de questionamentos dentro da companhia.

Seis dias após a ordem, as negociações entre representantes da empresa e integrantes da administração do presidente Donald Trump continuam sem resultado concreto. Enquanto isso, funcionários seguem sem explicações detalhadas sobre os motivos da restrição e demonstram preocupação com os impactos da decisão sobre o futuro dos negócios.

O episódio ocorre em meio a uma relação já desgastada entre a Anthropic e o governo americano, que nos últimos meses passou a acompanhar de perto o desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial produzidos pela companhia.

Conflito amplia pressão sobre empresa de inteligência artificial

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

A crise teve início quando a Anthropic foi informada pela Casa Branca de que deveria retirar do mercado seus modelos mais recentes de IA em um prazo extremamente curto. Internamente, a comunicação sobre as razões da medida mudou ao longo das horas seguintes. Funcionários receberam explicações distintas, que incluíam desde riscos relacionados ao acesso por empresas estrangeiras até a existência de uma suposta vulnerabilidade relevante nos sistemas.

A falta de informações precisas alimentou dúvidas entre equipes da companhia. Em conversas internas, profissionais passaram a questionar os possíveis reflexos da decisão governamental sobre os planos da empresa, incluindo expectativas relacionadas à abertura de capital prevista para este ano. A incerteza também foi reforçada por notícias que apresentavam versões divergentes sobre as razões da intervenção federal.

A atual disputa representa o segundo grande embate entre a Anthropic e a administração Trump em menos de um ano. O relacionamento entre as partes já havia sido abalado após divergências envolvendo um contrato de US$ 200 milhões firmado com o Departamento de Defesa para o emprego de inteligência artificial em sistemas classificados.

Na ocasião, divergências públicas sobre o uso da tecnologia em operações militares culminaram na classificação da empresa como um risco para a cadeia de suprimentos por parte do governo. A designação, segundo o The New York Times, nunca havia sido aplicada anteriormente a uma companhia estadunidense. A Anthropic contestou a medida judicialmente.

As discussões voltaram a ganhar intensidade após o anúncio do Mythos. A própria empresa afirmou que o modelo possuía capacidade excepcional para identificar vulnerabilidades em softwares, a ponto de provocar uma transformação significativa na área de segurança digital. Por causa desse potencial, o acesso inicial foi limitado a um grupo restrito de organizações.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

O lançamento estimulou debates dentro da Casa Branca sobre a criação de mecanismos para avaliar novos sistemas de inteligência artificial antes de sua disponibilização ao público. Nesse contexto, representantes da Anthropic participaram de reuniões com integrantes do governo e colaboraram nas discussões sobre possíveis diretrizes regulatórias.

Mais recentemente, a empresa lançou o Fable 5, uma versão desenvolvida para ampliar salvaguardas e reduzir riscos associados ao uso da tecnologia. Antes da disponibilização, o modelo foi submetido a testes realizados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, procedimento já adotado em lançamentos anteriores da companhia.

Parte da controvérsia atual envolve uma análise conduzida por pesquisadores da Amazon. O estudo identificou uma situação na qual o Fable 5 poderia ser induzido a revelar falhas presentes em determinados códigos vulneráveis. O documento foi compartilhado com a Anthropic e posteriormente discutido com integrantes do governo americano.

Autoridades que tiveram acesso ao material classificaram os resultados como preocupantes. No entanto, especialistas em segurança digital sustentam que a capacidade de localizar vulnerabilidades também pode fortalecer mecanismos de proteção cibernética, auxiliando profissionais encarregados de corrigir falhas antes que sejam exploradas por agentes mal-intencionados.

Entre os críticos da restrição está a pesquisadora Katie Moussouris, que analisou o trabalho produzido pela Amazon a pedido da Anthropic. Em publicação sobre o tema, ela argumentou que impedir esse tipo de funcionalidade comprometeria justamente uma das aplicações mais úteis da inteligência artificial para a defesa digital.

Defensores precisam conseguir pedir à IA que corrija falhas em um arquivo, explique por que a correção é importante e escreva testes que confirmem que o ajuste funciona. Isso não representa uma quebra de proteção” , afirmou Katie Moussouris, especialista em cibersegurança, em comentário citado pelo The New York Times.

notebook com várias linhas coloridas de código na tela
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Embora parte das preocupações tenha sido associada ao estudo da Amazon, um integrante do governo ouvido pela reportagem original indicou que as objeções da administração americana também envolveriam outros aspectos relacionados à segurança nacional e às relações da empresa com determinadas organizações. Ainda assim, pessoas com conhecimento das discussões afirmaram que esse ponto não teria sido apresentado diretamente à Anthropic.

Sem esclarecimentos públicos mais detalhados, a companhia permanece negociando com autoridades americanas em busca de uma solução. Paralelamente, especialistas da área de segurança digital organizaram uma carta aberta solicitando a retirada das restrições impostas aos modelos da empresa.

O documento reuniu mais de 150 assinaturas de pesquisadores e profissionais ligados à segurança cibernética e à inteligência artificial. Os signatários defenderam que o Fable 5 já possuía mecanismos de proteção considerados robustos para impedir usos ofensivos da tecnologia.

Dentro da Anthropic, a mobilização foi recebida como um sinal de apoio em meio ao impasse. Mesmo assim, persistem dúvidas sobre a capacidade da empresa de lançar futuras gerações de modelos caso o governo mantenha a postura atual. O cenário contribuiu para ampliar a percepção de insegurança entre funcionários, que seguem aguardando definições sobre os próximos passos da companhia.

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SpaceX fecha acordo de US$ 60 bilhões para adquirir empresa de IA Cursor

A SpaceX anunciou nesta terça-feira (16) a compra da Cursor por US$ 60 bilhões em ações da própria companhia, em uma das maiores transações recentes envolvendo ferramentas de inteligência artificial voltadas ao desenvolvimento de software. A conclusão da operação está prevista para o terceiro trimestre de 2026.

O acordo foi divulgado poucos dias após a estreia histórica da SpaceX na bolsa de valores, movimento que elevou a empresa a um valor de mercado superior a US$ 2 trilhões e fortaleceu sua posição entre as companhias mais valiosas dos Estados Unidos.

Com a incorporação da Cursor, a SpaceX busca ampliar sua atuação em inteligência artificial ao combinar uma plataforma consolidada de programação assistida por IA com a infraestrutura computacional desenvolvida por seus negócios ligados ao setor.

SpaceX amplia aposta em inteligência artificial com aquisição bilionária

Empresa espacial teve avaliação recorde – Imagem: Walter Cicchetti/iStock

Segundo documentos divulgados pela empresa, os acionistas da Cursor receberão US$ 60 bilhões em ações da SpaceX. A expectativa é que o processo de incorporação seja concluído ainda neste ano, após o cumprimento das etapas regulatórias e societárias previstas para a transação.

Fundada em 2023 por quatro ex-alunos do MIT, a Cursor iniciou suas atividades como uma empresa voltada a mensagens criptografadas. Com o passar do tempo, direcionou seus esforços para o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicadas à programação, segmento que ganhou relevância com a expansão dos chamados agentes autônomos de código.

A plataforma desenvolvida pela companhia permite que programadores utilizem diferentes modelos de IA em um único ambiente de trabalho. Entre as opções disponíveis estão tecnologias fornecidas por empresas como OpenAI, Anthropic, xAI e Google, o que posicionou a Cursor entre os principais nomes do setor.

A empresa também disputa espaço em um mercado cada vez mais competitivo. Entre os concorrentes citados estão ferramentas capazes de criar códigos, corrigir falhas em softwares e executar tarefas automatizadas para desenvolvedores.

Consoante informações divulgadas anteriormente pela própria SpaceX, a companhia já havia assegurado em abril o direito de adquirir a Cursor. Na ocasião, afirmou que mantinha uma colaboração próxima com a empresa em iniciativas relacionadas à programação e inteligência artificial.

Em uma publicação na rede social X, a SpaceX declarou que a união entre as duas empresas poderia acelerar o desenvolvimento de modelos avançados de IA ao combinar a presença da Cursor entre engenheiros de software com a capacidade computacional disponível em sua infraestrutura tecnológica.

A estrutura mencionada pela companhia inclui o Colossus, complexo de computação para inteligência artificial criado pela xAI em Memphis, no estado do Tennessee. Atualmente, a xAI integra os negócios da SpaceX, fortalecendo a estratégia da empresa para ampliar sua presença no setor.

Página da SpaceX no Twitter aberta em celular rodeado de notas de dólar numa mesa
SpaceX promete maior IPO da história – Imagem: FellowNeko/Shutterstock

O interesse da indústria pela Cursor não é recente. A reportagem informa que a companhia recusou propostas de aquisição apresentadas por grandes empresas de inteligência artificial no ano passado. Além disso, uma rodada de investimentos concluída em novembro atribuiu à empresa uma avaliação de mercado de US$ 29,3 bilhões.

A aquisição também ocorre em meio à busca da SpaceX por maior capacidade computacional. Embora a empresa já disponha da infraestrutura desenvolvida por sua divisão de IA, a necessidade de ampliar o poder de processamento continua sendo apontada como um dos desafios para sustentar seus planos de expansão.

Além dos investimentos em tecnologia, a SpaceX pretende utilizar ativos ligados ao setor espacial para competir em áreas associadas à inteligência artificial. Entre as iniciativas mencionadas está o pedido encaminhado a reguladores para autorizar a implantação de até um milhão de satélites voltados ao suporte de operações computacionais em órbita.

A reação do mercado foi imediata. As ações da SpaceX registraram forte valorização nas negociações pré-abertura desta terça-feira (16), ampliando uma sequência de ganhos iniciada após a estreia da empresa na Nasdaq.

Nos dois primeiros pregões após a abertura de capital, os papéis acumularam avanços expressivos. Caso o movimento seja mantido, a empresa poderá superar o valor de mercado da Amazon e assumir posição entre as cinco companhias abertas mais valiosas dos Estados Unidos.

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Copa do Mundo 2026: segundo supercomputador reforça previsão para o vencedor

Nesta sexta-feira (12), a Universidade de Liverpool, na Inglaterra, divulgou as projeções de um supercomputador desenvolvido por pesquisadores da instituição sobre o resultado da Copa do Mundo Fifa 2026. 

A seleção apontada como campeã por esse modelo de inteligência artificial (IA) é a mesma revelada como favorita ao título pelo supercomputador da Opta Analyst, empresa especializada em estatísticas esportivas: a Espanha.

Enquanto o modelo de Liverpool, desenvolvido pelos pesquisadores Benjamin Holmes e Ian McHale, considera variáveis como desempenho individual dos jogadores, lesões, suspensões, condições climáticas e até os efeitos da altitude, a Opta Analyst adota uma abordagem baseada em rankings de desempenho, força das seleções e milhões de simulações computacionais do torneio.

Mais um supercomputador fez previsões nada animadoras para o Brasil sobre quem vai vencer a Copa do Mundo de 2026 – Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini

O que o supercomputador projeta para a Copa

Nas projeções, a Opta realizou 25 mil simulações da Copa do Mundo e apontou 16,38% de probabilidade de título para a Espanha. Já o modelo britânico simulou mil cenários e atribuiu ao time comandado por Luis de la Fuente 26,1% de chances de conquistar a taça.

Além da Espanha, o supercomputador de Liverpool coloca a Inglaterra como principal rival na disputa pelo título, ainda que com uma probabilidade menor, em torno de 17%. França aparece logo atrás, seguida pela Argentina, atual campeã, e por Portugal, que também surge como candidato relevante. O cenário desenhado reforça um equilíbrio entre seleções tradicionais do futebol mundial.

As simulações também projetam possíveis caminhos no mata-mata. A Inglaterra, por exemplo, teria boas chances de liderar seu grupo e avançar com certa tranquilidade. No caminho, poderia enfrentar adversários como o Brasil nas quartas de final e Portugal na semifinal, em um roteiro que já começa a animar torcedores mais ansiosos – e a dar dor de cabeça aos matemáticos.

Troféu da Copa do Mundo
E aí, quem deve vencer a Copa do Mundo 2026, que promete ser a mais tecnológica da história? – Crédito: Paparacy/Shutterstock

Outro destaque curioso das projeções envolve a Escócia, que aparece como possível terceira colocada em seu grupo, com chance de 11,8% de chegar às oitavas de final. Não é exatamente um favoritismo, mas já seria suficiente para manter viva a esperança dos torcedores britânicos mais otimistas.

A disputa pela Chuteira de Ouro também entrou nas contas do modelo. O norueguês Erling Haaland e o espanhol Mikel Oyarzabal aparecem empatados nas simulações, com média de 5,2 gols cada. A briga promete ser apertada, embora os goleiros certamente não compartilhem do mesmo entusiasmo.

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“Futebol é imprevisível”, reforça pesquisador

Segundo Holmes, o modelo foi aprimorado com novas variáveis, como a forma de interação entre jogadores em campo. Ele explica: “Desde o Euro 2024, expandimos nosso modelo de simulação com uma série de novos recursos”.

O pesquisador afirma que fatores externos também foram incluídos. “Agora adicionamos simulações de lesões, suspensões e até quem marca os gols. Também modelamos clima e altitude”, disse.

Holmes reconhece que, apesar da sofisticação do modelo, o futebol continua imprevisível. “Embora nosso modelo concorde com as casas de apostas, que apontam a Espanha como favorita”, disse, “o futebol ainda guarda espaço para surpresas”.

Então, não vamos desanimar! Afinal, os números não entram em campo. Por mais avançados que sejam os modelos matemáticos e as simulações feitas por IA, o futebol continua sendo decidido por talento, estratégia e momentos que nenhum algoritmo consegue prever. 

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EUA proíbem uso das novas IAs da Anthropic por estrangeiros

Uma decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos na sexta-feira (12) provocou forte repercussão no setor de inteligência artificial. O Departamento de Comércio determinou que estrangeiros não poderão acessar os novos modelos de IA lançados pela Anthropic, empresa responsável pelo assistente Claude

A medida vale tanto para pessoas que vivem fora do país quanto para estrangeiros que estão em território estadunidense.

Especialistas alertam que a IA poderosa da Anthropic pode ser usada para obter informações sensíveis, burlar regras de segurança ou explorar vulnerabilidades tecnológicas. – Crédito: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

Em resumo:

  • EUA proibiram estrangeiros de acessar novos modelos da Anthropic;
  • Anthropic suspendeu globalmente ferramentas Fable 5 e Mythos 5;
  • Governo teme jailbreaks que burlam proteções de segurança;
  • Empresa critica medida e pede regras transparentes;
  • Caso amplia debate entre inovação, segurança e regulação.

Para cumprir a determinação, a companhia precisou interromper o acesso global aos modelos recém-lançados. A ordem foi emitida poucos dias após a chegada ao mercado das ferramentas Fable 5 e Mythos 5, apresentadas pela empresa como uma nova geração de sistemas de inteligência artificial com capacidades avançadas.

Anthropic vê exagero na decisão do governo

Embora o governo não tenha detalhado oficialmente os motivos da restrição, fontes ligadas ao caso indicam que a preocupação estaria relacionada à possibilidade de os sistemas serem alvo de técnicas conhecidas como “jailbreak”, segundo o jornal The New York Times. Esse tipo de procedimento busca contornar os mecanismos de segurança das IAs para obter respostas ou comportamentos que normalmente seriam bloqueados.

Na prática, um jailbreak utiliza instruções elaboradas, simulações ou estratégias de engenharia de prompt para convencer o sistema a ignorar limitações impostas pelos desenvolvedores. Especialistas alertam que esse recurso pode ser usado para obter informações sensíveis, burlar regras de segurança ou explorar vulnerabilidades tecnológicas.

A Anthropic afirmou que sempre reconheceu a existência desse tipo de risco, mas considera a reação do governo exagerada. Em comunicado divulgado em seu site e nas redes sociais, a empresa classificou a decisão como um possível mal-entendido e defendeu que eventuais restrições devem seguir critérios transparentes, baseados em evidências técnicas e em processos regulatórios claros.

Para a companhia, impedir o acesso aos modelos por causa da possibilidade de jailbreak criaria um precedente que poderia afetar praticamente toda a indústria de inteligência artificial. Isso porque nenhuma grande empresa do setor está totalmente livre desse tipo de vulnerabilidade, apesar dos constantes investimentos em mecanismos de proteção.

Os modelos afetados haviam sido disponibilizados ao público poucos dias antes da restrição. Inicialmente, o acesso seria gratuito por um período limitado. Depois, os usuários passariam a utilizar a tecnologia por meio de cobrança baseada em requisições feitas às interfaces de programação (APIs).

O sistema Fable 5 foi desenvolvido com camadas extras de proteção para impedir respostas relacionadas a temas considerados sensíveis, como cibersegurança ofensiva, biologia avançada e outras áreas que poderiam ser exploradas para atividades ilegais. A empresa afirma que consultas consideradas de maior risco seriam direcionadas para versões mais antigas da tecnologia.

Logo da Anthropic em um smartphone na horizontal
EUA restringem acesso ao Fable, IA da Anthropic voltada para segurança digital e análise de código. – Crédito: Samuel Boivin/Shutterstock

Especialistas divergem sobre a medida

Apesar dessas barreiras, especialistas divergem sobre a eficácia das medidas. Parte da comunidade de segurança digital considera que sistemas tão avançados podem representar novas ameaças caso caiam em mãos mal-intencionadas. Outros pesquisadores argumentam que as mesmas capacidades podem ser utilizadas para fortalecer defesas e identificar vulnerabilidades antes que criminosos as explorem.

As discussões sobre os riscos dos novos modelos ganharam força após testes realizados por pesquisadores que tiveram acesso antecipado ao Mythos. Alguns classificaram a ferramenta como um avanço preocupante no campo da cibersegurança, enquanto outros a enxergaram como uma evolução gradual das tecnologias já disponíveis no mercado.

A decisão dos EUA também ocorre em meio a um debate mais amplo sobre a supervisão da IA. Recentemente, o governo passou a discutir mecanismos para ampliar o monitoramento de sistemas avançados antes de sua liberação ao público. A mudança representa uma postura mais cautelosa em relação ao rápido crescimento da tecnologia.

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“Não tenho palavras”, diz ex-conselheiro de Inteligência Artificial de Trump

A relação entre a Casa Branca e a Anthropic já vinha apresentando atritos. Meses atrás, órgãos federais foram orientados a interromper o uso de ferramentas da empresa após divergências sobre a utilização dos modelos por forças militares. A startup defendia a adoção de salvaguardas técnicas para evitar usos considerados inadequados.

Mesmo diante das restrições, modelos anteriores da Anthropic continuam disponíveis. A empresa informou que sistemas como o Opus 4.8 não foram afetados pela ordem governamental e seguem operando normalmente para clientes autorizados.

A decisão causou surpresa entre especialistas em tecnologia e ex-integrantes do governo americano. Entre os críticos está Dean Ball, ex-conselheiro de inteligência artificial da administração Trump, que reagiu à notícia nas redes sociais dizendo: “Não tenho palavras”. Em seguida, classificou a medida como “desconcertante”. Para analistas do setor, a restrição contrasta com outras iniciativas recentes dos Estados Unidos voltadas ao fortalecimento da liderança do país no desenvolvimento de tecnologias avançadas.

O caso também reacendeu o debate sobre como equilibrar inovação e segurança. Enquanto governos discutem formas de reduzir riscos associados às novas tecnologias, empresas do setor alertam para a necessidade de regras claras que não impeçam o avanço de ferramentas consideradas estratégicas para a economia e para a pesquisa científica. Por enquanto, não há previsão oficial para o fim das restrições impostas aos novos modelos da Anthropic.

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Google contesta decisão histórica sobre responsabilidade por conteúdo de IA

A Alphabet, empresa-mãe do Google, anunciou, nesta sexta-feira (12), que irá recorrer de uma decisão judicial alemã que considerou a empresa legalmente responsável por alegações falsas que aparecem nos Resumos de IA (AI Overviews), uma funcionalidade que exibe sumários gerados por inteligência artificial (IA) acima dos resultados tradicionais de busca.

Decisão judicial contra o Google marca precedente importante

  • O tribunal de Munique (Alemanha) emitiu uma decisão histórica contra os resumos gerados por IA do Google, determinando que o AI Overviews constitui conteúdo próprio da empresa;
  • Esta decisão pode impactar significativamente outros desenvolvedores de inteligência artificial;
  • “Este caso foca em erros específicos e pontuais, não na forma fundamental como o AI Overviews exibe conteúdo da web. Discordamos da decisão e planejamos recorrer”, disse um porta-voz do Google por e-mail à Reuters;
  • O processo foi movido por duas editoras alemãs que alegaram que os Resumos de IA falsamente as vincularam a golpes e práticas comerciais duvidosas;
  • A empresa reconhece que, embora a grande maioria dos AI Overviews seja precisa, podem ocorrer casos em que os resumos perdem contexto ou interpretam mal o conteúdo da web.
Tribunal de Munique (Alemanha) emitiu uma decisão histórica contra os resumos gerados por IA do Google, determinando que o AI Overviews constitui conteúdo próprio da empresa – Imagem: Ascannio/Shutterstock

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Impactos na indústria de conteúdo

A integração de IA nos resultados de busca online do Google tem gerado críticas de editores e provedores de conteúdo, que afirmam que isso afetou negativamente seu tráfego, audiência e receita. Reguladores antitruste também estão investigando a questão.

O Google afirmou que toma ações rápidas contra violações de suas políticas para AI Overviews e que está comprometido em melhorar continuamente a precisão da tecnologia.

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Engenheiro da xAI diz que foi demitido após alertar sobre problemas com o Grok

Um ex-engenheiro da xAI, Devin Kim, entrou com um processo alegando ter sido demitido depois de levantar preocupações sobre a segurança do chatbot Grok, desenvolvido pela empresa de Elon Musk.

O caso envolve acusações de retaliação e falhas em mecanismos de segurança, explica o The Guardian. E surge num momento em que o setor de inteligência artificial volta a ser pressionado por temas de responsabilidade e controle.

Processo acusa retaliação após alertas sobre segurança da IA na xAI, empresa de inteligência artificial de Musk. Imagem: Algi Febri Sugita/Shutterstock – Imagem: Algi Febri Sugita/Shutterstock

As acusações contra a xAI

Na ação apresentada na Califórnia, Devin Kim afirma que foi afastado após insistir na criação de regras mais rígidas para o desenvolvimento do Grok. Segundo ele, os alertas sobre riscos da IA não foram levados a sério pela liderança da empresa.

O ponto central do processo é a forma como esses alertas teriam sido recebidos internamente. Kim sustenta que a falta de prioridade em segurança poderia gerar consequências graves. “O Sr. Kim reclamou repetidamente que a falha da xAI em priorizar a segurança da IA, particularmente em relação ao Grok, praticamente garantia que a empresa cometeria atos ilegais, desde fomentar a discriminação até proliferar armas de destruição em massa”, afirma o documento.

Ele também diz que a demissão ocorreu pouco antes de uma apresentação interna sobre segurança da IA para executivos da empresa. Esse detalhe, segundo o engenheiro, reforça a tese de retaliação dentro da organização.

Celular mostrando logomarca do Grok; ao fundo, um monitor exibe uma foto de Elon Musk como se ele olhasse para o aparelho
Processo contra xAI levanta debate sobre segurança em IA e acusa empresa de retaliação após críticas ao chatbot Grok. Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Grok, investigações e pressão internacional

O caso não aparece sozinho. Ele se encaixa numa sequência de críticas e investigações envolvendo o Grok e suas ferramentas de geração de imagens.

Autoridades canadenses afirmam que o chatbot teria violado leis de privacidade ao permitir a criação de imagens manipuladas e sexualizadas sem consentimento. Isso levou a investigações formais e ajustes na plataforma.

E a pressão não ficou restrita a um único país. Reino Unido e Canadá passaram a monitorar com mais atenção conteúdos gerados por IA, especialmente aqueles envolvendo imagens sensíveis ou potencialmente abusivas.

Entre os problemas mais citados nessas investigações, aparecem situações recorrentes:

  • deepfakes sexualizados criados sem consentimento e circulando na plataforma
  • uso indevido de imagens de pessoas reais em contextos manipulados
  • riscos diretos à privacidade de usuários comuns
  • possibilidade de envolvimento de menores em conteúdos gerados por IA
  • cobrança por regras mais duras de moderação e controle

O bilionário Elon Musk negou ter conhecimento sobre conteúdos ilegais gerados pelo sistema. “Não tinha conhecimento de nenhuma imagem de menores de idade nuas gerada pelo Grok. Literalmente zero.”, afirmou em resposta às acusações.

Verificação biométrica de uma jovem mulher com tecnologia de rastreamento facial
“Deepfakes sexualizados” e privacidade em risco: processo contra a xAI coloca o Grok no centro da crise de IA. Imagem: Mihai Surdu/Shutterstock

O impacto no setor de inteligência artificial

A xAI, criada por Musk em 2023 como alternativa a outras empresas do setor, já vinha sendo citada em debates sobre segurança e governança da inteligência artificial.

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O caso de Devin Kim só adiciona mais tensão a esse cenário. E reforça um conflito que vem se tornando cada vez mais comum no setor: a disputa entre acelerar o desenvolvimento e criar mecanismos reais de controle.

Também chama atenção o fato de Kim ter passado a atuar em um centro voltado à segurança em IA, o que dá ainda mais peso simbólico ao episódio.

No centro dessa disputa, fica uma pergunta que ainda não tem resposta clara: até que ponto as empresas estão preparadas para lidar com os riscos das próprias tecnologias que estão construindo.

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Anthropic amplia aposta em data centers e negocia apoio financeiro do Google, diz The Information

A Anthropic está estruturando uma expansão agressiva de sua infraestrutura de inteligência artificial ao arrendar e operar data centers próprios nos Estados Unidos, movimento sustentado pela forte demanda por seus modelos e ancorado em uma relação cada vez mais estratégica com a Alphabet. A informação foi apurada e publicada pelo site The Information.

Nesse arranjo, a controladora do Google surge não apenas como possível financiadora, mas também como parceira tecnológica, ao participar do ecossistema de chips de servidor que pode sustentar as novas instalações da startup.

As conversas incluem ainda a possibilidade de a Alphabet oferecer garantias financeiras para pagamentos bilionários de arrendamento, enquanto a Anthropic avança em direção a uma oferta pública inicial mantida sob confidencialidade.

Expansão de infraestrutura e escala de computação

Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

A empresa assinou mais de uma dúzia de acordos preliminares para contratação de data centers nos Estados Unidos, somando capacidade superior a 1 gigawatt. O objetivo é garantir escala suficiente para suportar o crescimento acelerado do uso de seus modelos de IA.

Esse movimento representa uma mudança relevante de postura operacional, já que a Anthropic passa a controlar de forma mais direta a base física necessária para rodar seus sistemas de inteligência artificial em larga escala.

A pressão por capacidade vem do aumento contínuo da demanda pela família de modelos Claude, especialmente em aplicações empresariais e de desenvolvimento de software.

Alphabet como pilar financeiro e tecnológico

Alphabet dispara na bolsa enquanto disputa mercado de IA com Nvidia
(Imagem: Markus Mainka / Shutterstock.com)

A relação com a Alphabet se intensifica em múltiplas frentes. Além de já ter sido citada como investidora com potencial de aporte de até 40 bilhões de dólares, a empresa também participa do desenvolvimento de chips de servidor que podem ser utilizados nos data centers planejados pela Anthropic.

Nesse contexto, discute-se um mecanismo de garantia financeira em que a Alphabet poderia respaldar pagamentos de contratos de arrendamento, reduzindo o risco da expansão agressiva da infraestrutura da startup.

Esse vínculo coloca a Alphabet simultaneamente como financiadora potencial, parceira tecnológica e agente de estabilidade para a estratégia de crescimento da Anthropic.

IPO e pressão de crescimento

A Anthropic também teria submetido, de forma confidencial, documentos para uma oferta pública inicial nos Estados Unidos, sem divulgar termos ou tamanho da operação.

O avanço da infraestrutura e os acordos com grandes parceiros ocorrem em paralelo a uma rodada de captação recente, que avaliou a empresa em aproximadamente 965 bilhões de dólares após levantar outros 65 bilhões.

A combinação entre expansão física, apoio de grandes grupos de tecnologia e forte demanda por seus modelos posiciona a companhia em uma disputa direta por escala no mercado global de inteligência artificial.

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Empresas estão usando a inteligência artificial como bode expiatório para demissões?

Mais da metade das empresas admite destacar a inteligência artificial ao justificar demissões e congelamentos de vagas. É o que mostra uma pesquisa da Resume Templates realizada com 1 mil gestores de contratação nos Estados Unidos.

O dado chama atenção porque o impacto real da tecnologia sobre o emprego parece bem menor do que o discurso adotado por muitas organizações, explica o G1.

Nem toda vaga cortada foi ocupada por um robô. Pesquisa mostra um cenário mais complexo nas empresas. Imagem: VesnaArt/Shutterstock

Inteligência artificial virou a justificativa perfeita?

A inteligência artificial passou a ocupar um papel de destaque no discurso usado por empresas para explicar cortes de pessoal.

Segundo o levantamento, 59% das empresas admitem destacar o papel da IA ao justificar demissões ou congelamentos de vagas porque essa explicação tende a ser melhor recebida do que razões ligadas a dificuldades financeiras. Entre os entrevistados, 17% afirmaram que suas empresas usam diretamente a tecnologia como justificativa para essas decisões, enquanto outros 42% disseram fazer isso parcialmente.

Somados, os percentuais mostram que quase seis em cada dez empresas reconhecem enfatizar o papel da IA porque essa narrativa costuma ser mais bem aceita por funcionários, investidores e pelo mercado.

O contraste com outros resultados da pesquisa é evidente. Apenas 9% dos gestores afirmaram que determinadas funções foram totalmente substituídas pela tecnologia. Já 45% disseram que a IA reduziu parcialmente a necessidade de novas contratações, enquanto outros 45% relataram pouco ou nenhum impacto no tamanho das equipes.

IA sugere progresso em vez de problemas.

Kara Dennison, consultora-chefe de carreira da Resume Templates, em nota.

E isso, para ela, explica esse comportamento.

Segundo a especialista, associar mudanças à inovação tecnológica transmite uma imagem de modernização e planejamento estratégico. Já atribuir cortes a dificuldades financeiras pode gerar preocupações sobre a saúde da empresa.

Ela alerta, porém, que a estratégia pode produzir o efeito contrário caso os funcionários não percebam mudanças concretas provocadas pela tecnologia em suas atividades. Nesse cenário, a justificativa pode gerar dúvidas sobre os reais motivos das decisões.

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O mercado segue em movimento: empresas reduzem algumas funções enquanto reforçam áreas estratégicas. Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock

O mercado continua em movimento

Apesar das preocupações em torno da automação, os dados mostram que as empresas continuam contratando.

Embora 55% das organizações planejem realizar demissões em 2026, 92% afirmam que também pretendem contratar novos profissionais. O cenário retratado pelo levantamento aponta mais para uma reorganização das equipes do que para uma retração generalizada do mercado de trabalho.

Os principais motivos citados para cortes de pessoal foram:

  • Impacto da inteligência artificial (44%)
  • Reestruturações organizacionais (42%)
  • Restrições orçamentárias (39%)

Enquanto algumas funções perdem espaço, outras áreas recebem mais investimentos, especialmente aquelas ligadas à eficiência operacional, tecnologia e crescimento.

“Estamos vendo um reequilíbrio da força de trabalho”, afirma Dennison.

De acordo com a especialista, as empresas estão priorizando “capacidade, flexibilidade e impacto”, em vez de simplesmente manter estruturas tradicionais.

Lupa examinando blocos de madeira com chip de IA e ícone de dinheiro
A familiaridade com ferramentas de IA ficou atrás de competências humanas como comunicação e resolução de problemas. Imagem: patpitchaya/Shutterstock – Imagem: patpitchaya/Shutterstock

As habilidades que seguem em alta

A capacidade de resolver problemas aparece no topo da lista de competências mais valorizadas, sendo citada por 54% dos gestores. Em seguida vêm a habilidade de aprender rapidamente novas ferramentas e tecnologias (44%), a comunicação (43%), a adaptabilidade (39%) e a colaboração em equipe (36%).

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Outro resultado chama atenção. A familiaridade com ferramentas de inteligência artificial foi mencionada por apenas 31% dos entrevistados, ficando atrás de todas essas competências.

O levantamento foi realizado em dezembro de 2025 com 1 mil gestores de contratação dos Estados Unidos. As respostas foram coletadas de forma anônima por meio da plataforma Pollfish.

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9,46 bilhões de litros: o consumo de água da Amazon que virou polêmica

A Amazon divulgou que seus data centers consumiram 2,5 bilhões de galões (9,46 bilhões de litros) de água no último ano, reacendendo o debate sobre o impacto ambiental da infraestrutura digital em escala global.

O número surge em um momento de pressão crescente sobre grandes empresas de tecnologia, que enfrentam cobranças por mais transparência no uso de recursos naturais.

Consumo de água da Amazon equivale a cerca de 5% de Seattle e levanta alerta sobre infraestrutura digital. Imagem: Reprodução/YouTube/Amazon

Consumo de água volta ao centro da discussão

Segundo a Bloomberg, o dado divulgado pela Amazon não passou despercebido: são 2,5 bilhões de galões de água usados globalmente em apenas um ano — algo em torno de 5% do consumo anual da região metropolitana de Seattle.

A empresa diz que resolveu abrir essas informações para mostrar eficiência em seus sistemas de resfriamento e também se posicionar em relação a outras gigantes da tecnologia.

Mas o contexto é mais amplo e, em alguns pontos, até desconfortável para o setor. Em várias regiões, o crescimento acelerado de data centers já levou governos locais a discutir limites para novas instalações. Em certos casos, até moratórias entram no radar.

Transparência ainda é o ponto mais sensível

Apesar dos números divulgados, o setor ainda enfrenta críticas fortes pela falta de dados padronizados sobre consumo de água.

E isso pesa. Sem métricas iguais entre empresas, comparar impacto ambiental vira quase um exercício de aproximação.

“Precisamos de mais transparência”, disse Iris Stewart-Frey, professora de ciências ambientais da Universidade de Santa Clara. Ela destaca que, sem isso, comunidades locais ficam sem clareza sobre os impactos reais dessas instalações.

Hoje, poucas empresas divulgam dados mais completos — entre elas, Google e Meta. Ainda assim, o setor segue longe de um padrão consolidado.

Data center preocupa entidades nos EUA por consumo de energia, água e aumento da poluição
Data centers usam água para resfriar servidores e operação pode variar conforme clima e localização. Imagem: eric1207cvb/Shutterstock

Como a água entra no funcionamento dos data centers

Na prática, a água é usada principalmente para resfriar servidores que operam continuamente em alta carga. O sistema varia conforme clima e localização.

Em alguns casos, o ar externo é usado como base de resfriamento. Em períodos de calor mais intenso, ele passa por filtros com água, que evapora durante o processo.

O funcionamento pode ser resumido assim:

  • Uso de ar externo como primeira etapa de resfriamento
  • Aplicação de filtros com água em temperaturas mais altas
  • Evaporação parcial durante o processo térmico
  • Alternativas sem uso direto de água em regiões secas
  • Sistemas fechados que priorizam resfriamento a ar

A Amazon afirma que, em regiões como Phoenix e partes da Arábia Saudita, evita o uso de fontes externas de água e adota sistemas alternativos.

Eficiência vira argumento de comparação

Segundo a empresa, sua eficiência chegou a 0,12 litro por quilowatt-hora no último ano — abaixo do registrado em 2024. A Amazon também afirma estar à frente da Microsoft, que reportou 0,27 litro por quilowatt-hora.

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A AWS ainda calcula que a média do setor seja mais alta, o que colocaria suas operações em posição relativamente eficiente.

Mas aqui entra um ponto que o próprio setor reconhece como problema: sem uma metodologia única de medição, qualquer comparação acaba sendo parcial.

Meta de retorno hídrico até 2030

A Amazon afirma que pretende devolver ao meio ambiente mais água do que consome até 2030. Para isso, investe em projetos de recuperação de bacias hidrográficas e restauração de sistemas hídricos.

A empresa também já leva água por tubulações para parte de seus data centers e participa de mais de 100 iniciativas de reuso e compensação hídrica.

O tema tende a ganhar ainda mais peso nos próximos anos, especialmente com a expansão da computação em nuvem e o avanço de aplicações de inteligência artificial, que aumentam a demanda por infraestrutura de processamento.

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