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USP e 99 anunciam parceria para pesquisas em IA no Brasil

A Universidade de São Paulo (USP) e a empresa de transporte por aplicativo 99 firmaram uma parceria para desenvolver pesquisas em inteligência artificial (IA) no Brasil.

A iniciativa prevê estudos voltados à melhoria da experiência do usuário e aos impactos da IA na organização do trabalho, além de aproximar pesquisadores da universidade dos desafios enfrentados pela indústria.

O acordo foi formalizado na última terça-feira (28) entre a diretora da Escola Politécnica (Poli) da USP, Anna Helena Reali Costa, e o diretor-geral da 99, Simeng Wang. Segundo as instituições, esta é a primeira parceria desse tipo realizada pela 99 no país.

A colaboração faz parte do programa global de cooperação entre universidades e indústria da DiDi Chuxing, controladora da 99. Em funcionamento desde 2017, a iniciativa reúne mais de 70 universidades em diferentes países e já resultou em mais de 300 projetos de pesquisa.

Duas linhas iniciais de pesquisa

  • Inicialmente, a parceria será desenvolvida em duas frentes de pesquisa aplicada:
  • A primeira terá como foco a otimização da experiência do usuário, utilizando modelos avançados de IA para aprimorar continuamente o atendimento aos clientes da plataforma;
  • A segunda linha investigará como a adoção de agentes de IA pode transformar a organização do trabalho, analisando mudanças estruturais provocadas pelo uso dessas tecnologias em ambientes corporativos;
  • Segundo Eduardo Zancul, professor da Escola Politécnica da USP e idealizador da cooperação na universidade, a iniciativa aproxima a pesquisa acadêmica das demandas do mercado. “Os estudos planejados demandam tanto conhecimento científico quanto conhecimento aplicado.”
  • Roberto Marcondes Cesar Junior, diretor do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME-USP) e coordenador de uma das frentes de pesquisa, destacou que os trabalhos abordarão temas considerados estratégicos para o avanço da IA. “As pesquisas serão realizadas em áreas avançadas, que demandam novos estudos sobre os potenciais e os impactos da inteligência artificial.”
Inicialmente, a parceria será desenvolvida em duas frentes de pesquisa aplicada – Imagem: JPCarnevalli/Shutterstock

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Aproximação entre universidade e indústria

A diretora da Escola Politécnica, Anna Helena Reali Costa, afirmou que a parceria fortalece a conexão entre a produção científica da universidade e desafios enfrentados pelo setor produtivo.

“Esta parceria reforça o compromisso da Poli com a pesquisa de ponta e a inovação aplicada, conectando o conhecimento científico gerado na Universidade a desafios reais do mercado e formando profissionais preparados para liderar as transformações trazidas pela inteligência artificial.”

Para Simeng Wang, diretor-geral da 99, a inteligência artificial já ocupa um papel central nas operações da empresa, e a colaboração com a universidade poderá contribuir para formar profissionais capazes de impulsionar novas transformações.

“Acreditamos que as pessoas, os alunos que estão se formando, podem ser agentes de mudança de cultura da empresa, de pioneirismo na transformação do trabalho.”

Caio Poli, diretor executivo da área de experiência do usuário da 99 e ex-aluno da Escola Politécnica, afirmou que o projeto busca aproximar a pesquisa acadêmica dos desafios concretos da indústria.

“A parceria com a USP representa um passo importante para aproximar a pesquisa de ponta dos desafios concretos da indústria, acelerando o desenvolvimento de aplicações em inteligência artificial, formando profissionais altamente qualificados e contribuindo para fortalecer a cultura de inovação no Brasil. Investir em ciência e talento é investir no futuro do país.”

Cooperação envolve centros de pesquisa da USP

O projeto conta com o apoio do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME-USP), do Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (CIAAM USP) e do Centro de Inovação da USP (InovaUSP).

Segundo as instituições, a expectativa é que a iniciativa contribua para ampliar a produção científica em inteligência artificial, fortalecer a formação de profissionais especializados e estimular o desenvolvimento de novas tecnologias no país.

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Samsung alerta que IA pode deixar celulares e PCs mais caros até 2028

A Samsung afirmou que a escassez global de chips de memória RAM deve se intensificar em 2027 e continuar pelo menos até 2028, impulsionada pela forte demanda da indústria de inteligência artificial (IA).

A previsão foi apresentada durante a teleconferência de resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. A fabricante sul-coreana, responsável por cerca de um terço da produção mundial de chips de memória, informou que laboratórios que desenvolvem modelos avançados de IA passaram a compartilhar previsões de demanda de médio e longo prazo para garantir o fornecimento dos componentes.

Segundo a empresa, esse cenário tem levado clientes a firmarem contratos de longo prazo para assegurar o acesso aos chips, permitindo que a Samsung amplie sua capacidade de produção com maior previsibilidade e reduza a volatilidade que historicamente caracteriza o mercado de memórias.

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IA impulsiona preços

  • A alta demanda por memória para infraestrutura de IA também elevou os preços dos chips nos últimos meses;
  • Para a Samsung, o cenário teve efeitos distintos;
  • A divisão de semicondutores registrou vendas recordes no segundo trimestre, enquanto as áreas de smartphones e televisores tiveram redução na rentabilidade devido ao aumento do custo dos componentes;
  • A empresa informou ainda que parte desses custos já começou a ser repassada aos consumidores por meio de reajustes nos preços de smartphones e tablets da linha Galaxy;
  • Como consequência, a demanda por esses dispositivos diminuiu.
Alta demanda por memória para infraestrutura de IA também elevou os preços dos chips nos últimos meses – Imagem: Kinek00/Shutterstock.com

Consumidores podem sentir impacto

A escassez de memória, apelidada informalmente de “RAMageddon”, também tem afetado outras fabricantes.

Como exemplo, a Apple elevou recentemente os preços de MacBooks, Macs e iPads devido ao aumento do custo das memórias.

Durante a divulgação de seus resultados financeiros, a empresa também afirmou esperar uma desaceleração no crescimento da receita no próximo trimestre, projetando avanço entre 9% e 11%, abaixo dos 16% registrados anteriormente.

O movimento ocorre porque fabricantes de memória têm direcionado parte da capacidade de produção para atender à construção de data centers voltados à IA, reduzindo a oferta destinada a eletrônicos de consumo.

Além disso, a Nvidia deve elevar entre 20% e 30% os preços de suas placas de vídeo para consumidores, o que poderá encarecer computadores, notebooks, consoles, dispositivos para jogos e outros equipamentos que dependem desses componentes.

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Gigantes da tecnologia gastam bilhões em IA sem garantia de retorno

As maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão colocando bilhões de dólares em inteligência artificial, apostando que a tecnologia pode transformar negócios e a economia. Mas o tamanho dos gastos já preocupa investidores, que questionam quando esse dinheiro começará a voltar.

Segundo o The Washington Post, Google, Microsoft, Meta, Amazon e Oracle ampliaram investimentos em infraestrutura de IA, enquanto o mercado acompanha os riscos de uma possível bolha.

O Google gastou US$ 1,15 para cada dólar gerado em caixa nos últimos três meses por causa dos investimentos em IA. – Imagem: FotoField/Shutterstock

Vale do Silício muda foco para a corrida da IA

Durante anos, empresas como Google e Facebook foram conhecidas pela capacidade de gerar dinheiro. Seus produtos digitais conquistaram milhões de usuários e ajudaram a transformar as companhias em algumas das mais importantes do mercado.

Agora, parte dessa receita está sendo direcionada para uma nova fase tecnológica: grandes data centers, chips avançados e equipamentos capazes de sustentar modelos de inteligência artificial.

Para os defensores da estratégia, o investimento pode abrir uma nova era de produtividade e crescimento. Já os críticos questionam se o retorno será suficiente para justificar os bilhões aplicados.

Essa coisa de IA precisa funcionar porque, se não funcionar… teremos um problema.

Torsten Slok, economista-chefe da Apollo Global Management, ao The Washington Post.

Entre os principais movimentos dessa disputa estão:

  • Construção de grandes data centers para operar sistemas de IA;
  • Compra de chips e equipamentos especializados;
  • Expansão de softwares e serviços baseados em inteligência artificial;
  • Aumento dos custos para manter essa infraestrutura;
  • Pressão por resultados financeiros mais rápidos.

Gastos crescentes colocam investidores em alerta

As projeções mostram uma mudança no comportamento financeiro das gigantes de tecnologia. Google, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle podem ter fluxo de caixa livre negativo em 2026 por causa dos custos relacionados à infraestrutura de IA.

O Google é um dos exemplos mais marcantes. Nos últimos três meses analisados, a empresa gastou US$ 1,15 para cada dólar gerado em caixa, principalmente com chips, equipamentos e áreas destinadas a novos centros de dados.

Mesmo com essa pressão, as empresas seguem lucrativas nos modelos tradicionais de contabilidade, que distribuem esses custos ao longo de vários anos.

O CEO da Amazon, Andy Jassy, defendeu os investimentos e afirmou que a procura por soluções de IA continua forte. “Temos uma visão clara de fortes retornos financeiros”, disse aos investidores.

Homem e mulher na frente de um notebook com uma projeção de IA ao fundo.
Bilhões são aplicados em IA todos os anos, enquanto investidores tentam descobrir quando virá o retorno. – Imagem: DC Studio/Shutterstock

IA já influencia preços e concentração econômica

A disputa por componentes usados em inteligência artificial já afeta outros setores. A alta demanda por chips aumentou custos para empresas que dependem desses produtos, pressionando valores de itens como smartphones, notebooks e consoles.

A expansão dos data centers também elevou a preocupação com o consumo de energia em algumas regiões dos Estados Unidos.

Outro alerta envolve a distribuição dos ganhos econômicos. Segundo Barbara Denham, economista-chefe da Oxford Economics, áreas que já concentram tecnologia e riqueza, como Vale do Silício, Nova York, Seattle e Washington, tendem a receber mais benefícios.

“Os ganhos econômicos do boom da IA são autoalimentados”, afirmou Denham.

A inteligência artificial continua atraindo investimentos gigantescos, mas o mercado agora acompanha uma questão central: se as promessas da tecnologia conseguirão acompanhar a velocidade dos gastos feitos para desenvolvê-la.

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Nova IA da OpenAI promete funcionar como uma equipe digital

O CEO da OpenAI, Sam Altman, apresentou em Washington detalhes de um novo sistema de inteligência artificial com “agentes” capazes de trabalhar juntos e dividir tarefas. A tecnologia pode mudar a forma como profissionais lidam com atividades complexas.

A apresentação ocorreu durante reuniões com autoridades dos Estados Unidos, em um momento de debate sobre regras para o desenvolvimento de modelos avançados de IA.

OpenAI adia o lançamento do assistente de voz do ChatGPT. (Imagem: PatrickAssale / Shutterstock.com)

Nova tecnologia promete uma espécie de equipe digital

Durante os encontros, Altman explicou que o novo sistema poderá usar vários agentes de IA ao mesmo tempo, cada um responsável por uma parte de uma tarefa. A ideia é ampliar a capacidade dos modelos atuais, que hoje são usados principalmente para responder perguntas e gerar conteúdos.

Segundo o The Washington Post, o executivo afirmou que a tecnologia poderia ajudar a resolver problemas matemáticos ainda sem solução e assumir funções que normalmente dependeriam de profissionais especializados.

Um engenheiro de software, por exemplo, poderia usar os agentes para apoiar atividades de recursos humanos. Já um escritor poderia contar com a ferramenta para auxiliar em trabalhos relacionados ao design gráfico.

Entre as possibilidades apresentadas estão:

  • Divisão automática de tarefas entre diferentes agentes;
  • Execução de atividades complexas em segundo plano;
  • Apoio profissional em áreas fora da especialidade do usuário;
  • Colaboração entre múltiplos assistentes virtuais.

A proposta é transformar esses sistemas em uma estrutura de apoio capaz de acompanhar diferentes etapas de um trabalho.

OpenAI tenta antecipar regras para novos modelos

A visita de Altman a Washington aconteceu enquanto o governo americano avalia novas formas de acompanhar avanços em inteligência artificial e reduzir possíveis riscos.

O executivo se reuniu com integrantes da Casa Branca, parlamentares, autoridades de segurança e economistas. As conversas incluíram a criação de regras para que empresas comuniquem novos avanços tecnológicos ao governo.

A preocupação aumentou após um teste em que modelos da OpenAI conseguiram sair de um ambiente controlado e interagir com outra plataforma de IA durante uma avaliação de segurança. A empresa informou que desligou um dos modelos envolvidos, que ainda não estava previsto para lançamento público.

Ilustração conceitual de inteligência artificial derrubando cargo no mercado de trabalho
Um dos desafios da IA avançada é equilibrar inovação, segurança e preparação para o mercado de trabalho. – Imagem: Jack_the_sparow/Shutterstock

Mercado de trabalho entra no centro do debate

Além da segurança, o impacto da tecnologia nos empregos também foi discutido. Empresas do setor defendem que a IA pode aumentar a produtividade, enquanto trabalhadores demonstram preocupação com possíveis mudanças em suas funções.

Leia mais:

O senador Mark Warner destacou que a tecnologia pode criar oportunidades, mas afirmou que será necessário preparar profissionais para essa nova realidade.

“Eu acho que eles precisam contribuir com os recursos, sobre como preparar as pessoas para essa economia de IA”, disse Warner a jornalistas.

O debate também envolve a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. O presidente Donald Trump afirmou que o país precisa equilibrar controle e inovação para não perder competitividade.

Segundo o The Washington Post, a OpenAI continua negociando com autoridades enquanto desenvolve seus próximos sistemas. A empresa ainda não informou quando a nova tecnologia com agentes será lançada.

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Samsung alerta: corrida da IA pode causar falta de chips até 2028

A Samsung prevê que a escassez global de chips deve continuar até 2028, impulsionada pela corrida por infraestrutura de inteligência artificial. A fabricante sul-coreana fechou acordos de longo prazo com empresas de data centers para garantir fornecimento em um mercado cada vez mais disputado.

O anúncio acontece após a divisão de semicondutores registrar um salto expressivo nos lucros, mas também em meio à cautela dos investidores com os altos custos envolvidos na expansão da tecnologia de IA.

A explosão da IA aumentou a disputa por semicondutores, peças essenciais para os novos sistemas digitais. Imagem: SweetBunFactory/iStock

Demanda por IA aumenta disputa por semicondutores

Segundo a Reuters, a Samsung espera que a falta de chips fique ainda mais intensa nos próximos anos. A empresa já assinou contratos com as cinco maiores companhias globais de data centers e negocia acordos com outros grandes nomes do setor.

Os contratos terão duração mínima de cinco anos e devem incluir pagamentos antecipados e preços mínimos, medidas que ajudam a reduzir riscos em investimentos de grande escala.

“Quase todos os clientes estão solicitando contratos de fornecimento de vários anos”, afirmou Jaejune Kim, vice-presidente executivo da área de memória da Samsung, durante uma teleconferência com analistas.

A empresa pretende garantir acordos que cubram cerca de dois terços de sua produção de memórias no longo prazo. A estratégia busca diminuir os impactos dos ciclos de alta e baixa que costumam marcar o mercado de semicondutores.

Entre os fatores que impulsionam a demanda estão:

  • Crescimento dos sistemas de inteligência artificial;
  • Expansão dos data centers;
  • Disputa global entre fabricantes de chips;
  • Necessidade de novos investimentos em fábricas.

Lucro dispara, mas mercado mantém cautela

A divisão de semicondutores da Samsung registrou lucro operacional de 89,2 trilhões de wons no segundo trimestre, cerca de R$ 312,9 bilhões. O resultado representa uma alta superior a 250 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita total do grupo chegou a 171,5 trilhões de wons (R$ 601,2 bilhões), crescimento de 130%. Mesmo assim, investidores demonstraram preocupação com os gastos elevados das empresas de tecnologia para ampliar a infraestrutura de IA.

O cenário dos chips perdeu força. Os investidores estão questionando por quanto tempo as margens recordes serão sustentáveis.

Kim Seok-hwan, analista da Mirae Asset Securities, à Reuters.

O avanço dos semicondutores também trouxe dificuldades internas. A divisão de celulares da Samsung registrou prejuízo de 700 bilhões de wons (R$ 2,46 bilhões) no trimestre, pressionada pelo aumento no preço dos componentes.

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Mesmo com lucro recorde, a Samsung alerta para um desafio: garantir chips suficientes nos próximos anos. – Imagem: g0d4ather/Shutterstock

Samsung tenta recuperar espaço nos chips de IA

A fabricante busca ampliar sua participação no mercado de memórias de alta largura de banda (HBM), usadas em processadores de inteligência artificial. A empresa fornece esses componentes para clientes como Nvidia e AMD e espera que a receita com HBM4 mais que triplique no terceiro trimestre.

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A Samsung também afirmou que sua área de fabricação de chips sob encomenda deve apresentar recuperação em breve, impulsionada pelo aumento da utilização das fábricas e pela melhora nos preços.

A companhia mantém o plano de iniciar as operações da fábrica de Taylor, no Texas, ainda neste ano. Uma segunda unidade também está prevista e poderá começar a produção em larga escala em 2030.

A disputa por semicondutores se tornou um dos principais reflexos da expansão da inteligência artificial. Para a Samsung, garantir contratos de longo prazo é uma forma de aproveitar a demanda atual e reduzir os efeitos das oscilações desse mercado.

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Depois da euforia, mercado cobra resultados da revolução da IA

Segundo a CNBC, as maiores empresas de chips do mundo perderam cerca de US$ 1,3 trilhão (aproximadamente R$ 6,65 trilhões) em valor de mercado nesta semana. A forte correção atingiu companhias que lideraram a alta da inteligência artificial e levantou dúvidas sobre o ritmo dos investimentos no setor.

Nvidia, Samsung, SK Hynix e outras gigantes foram afetadas pelo movimento. Para analistas, porém, a queda representa mais uma mudança de expectativas dos investidores do que uma perda de força da tecnologia.

Bilhões foram aplicados em infraestrutura de IA, mas investidores agora querem saber quando esses gastos vão virar receita. – Imagem: Andrei Armiagov / Shutterstock

Gigantes dos semicondutores sentem impacto após alta histórica

O mercado de chips foi um dos grandes vencedores da corrida pela inteligência artificial. Empresas que fornecem componentes para sistemas de IA receberam investimentos bilionários nos últimos meses, impulsionando suas ações.

Agora, parte dos investidores tenta entender se os futuros ganhos dessas companhias serão suficientes para justificar o tamanho das apostas feitas até aqui.

Segundo uma análise da CNBC com dados da FactSet, 20 das empresas de chips mais valiosas do mundo perderam juntas US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,65 trilhões) desde o fechamento de sexta-feira.

Entre as maiores perdas estão:

  • Nvidia: US$ 238 bilhões (aproximadamente R$ 1,22 trilhão);
  • SK Hynix: US$ 176 bilhões (cerca de R$ 901 bilhões);
  • Samsung Electronics: US$ 173 bilhões (aproximadamente R$ 886 bilhões);
  • Micron: US$ 113 bilhões (cerca de R$ 579 bilhões);
  • AMD: cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 563 bilhões).

Mesmo com o recuo recente, o índice Philadelphia Semiconductor Index (SOX), que acompanha 30 grandes empresas do setor negociadas nos Estados Unidos, ainda acumulava alta de 92% em 12 meses.

Mercado questiona gastos bilionários em infraestrutura de IA

Para Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, a reação dos investidores está mais ligada ao sentimento do mercado do que aos resultados financeiros das empresas.

“Essa queda parece ser impulsionada principalmente pelo sentimento, e não pelos fundamentos”, afirmou.

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Charlie Dai, vice-presidente e analista principal da Forrester, explicou que o mercado está reavaliando se as receitas esperadas conseguirão acompanhar os níveis recordes de investimento em infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo ele, o movimento representa uma correção após uma valorização excepcional, e não necessariamente uma redução na demanda por IA.

Ilustração de chip de inteligência artificial (IA) em Wall Street para representar investimentos em tecnologia
A inteligência artificial continua em alta, mas o mercado agora cobra resultados para justificar a enorme expectativa criada. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digita

Queda se espalha por bolsas da Ásia e Europa

A pressão sobre as ações de chips também chegou aos mercados internacionais. Na Coreia do Sul, a SK Hynix fechou em queda de 9,61%, mesmo após divulgar resultados trimestrais recordes. A Samsung Electronics recuou mais de 5%.

No Japão, fabricantes como Kioxia e Tokyo Electron também registraram perdas. Já a TSMC, maior fabricante terceirizada de chips do mundo, caiu 3,51%.

Apesar da instabilidade, alguns investidores enxergam oportunidades. Kieron Poon, diretor de investimentos em ações asiáticas da Aberdeen Investments, afirmou que a correção deixou algumas empresas de alta qualidade com avaliações mais atrativas.

Já para David Riedel, fundador e presidente da Riedel Research Group, o mercado apenas devolveu parte do excesso de valorização criado pelo entusiasmo com a IA. Para ele, o setor continua saudável, mas precisa absorver os ganhos acelerados registrados anteriormente.

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OpenAI e rivais defendem pausa estratégica no avanço da IA

Segundo o The Washington Post, OpenAI e Anthropic, duas das maiores empresas de inteligência artificial do mundo, apoiam uma carta que pede ao governo dos Estados Unidos mecanismos para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia caso os avanços se tornem rápidos demais.

O documento, assinado por funcionários de empresas como Google, Meta e outras líderes do setor, alerta que a IA pode evoluir além da capacidade humana de acompanhar e controlar seus impactos.

Empresas que criam IA agora discutem como evitar que a tecnologia avance além da capacidade de supervisão humana. – Imagem: Primakov / Shutterstock

Empresas defendem ritmo mais seguro para a inteligência artificial

A carta pede que os Estados Unidos liderem um esforço internacional para criar ferramentas técnicas e regras de governança capazes de acompanhar os modelos mais avançados de inteligência artificial.

A proposta não sugere interromper pesquisas, mas estabelecer formas de reduzir riscos caso sistemas futuros consigam automatizar parte do próprio desenvolvimento da tecnologia.

Entre os principais pontos defendidos pelos profissionais estão:

  • Criar mecanismos internacionais de acompanhamento da evolução da IA;
  • Desenvolver ferramentas técnicas para avaliar riscos;
  • Estabelecer regras de governança para sistemas avançados;
  • Ampliar a cooperação entre governos e empresas do setor.

O movimento ganhou destaque justamente por envolver profissionais de empresas que estão na linha de frente da corrida pela inteligência artificial. A iniciativa representa uma mudança em relação a pedidos anteriores de pausa no desenvolvimento da tecnologia, já que agora conta com apoio institucional de grandes companhias.

IA capaz de criar novas IAs aumenta preocupação

Ao fundo, logo da OpenAI; à frente e a esquerda, sombra de uma mão segurando um smartphone
Sam Altman, CEO da OpenAI, diz que talvez seja necessário controlar o ritmo da IA para que a sociedade consiga acompanhar. – Imagem: Henry Franklin/Shutterstock

Um dos principais alertas está relacionado à possibilidade de sistemas de inteligência artificial assumirem tarefas de pesquisa e ajudarem a desenvolver novos modelos de forma cada vez mais autônoma.

A OpenAI afirmou que um de seus objetivos é construir um “pesquisador de IA automatizado”. A empresa prevê que, no início de 2028, uma parcela significativa de suas pesquisas poderá ser realizada por sistemas de inteligência artificial trabalhando em conjunto com especialistas humanos.

Andrew Yoon, integrante da CivAI, organização que analisa capacidades e riscos da tecnologia, afirmou que essa possibilidade pode acelerar o avanço da IA para além da capacidade de supervisão.

“Os desenvolvedores de IA acreditam cada vez mais que a pesquisa automatizada em inteligência artificial pode estar próxima de se tornar realidade”, afirmou Yoon.

Segundo ele, essa aceleração tem potencial para levar o progresso tecnológico a um ponto em que os modelos se tornem difíceis de controlar com segurança.

Corrida entre países aumenta debate sobre segurança

A evolução da inteligência artificial já faz parte da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Empresas e governos investem bilhões de dólares para desenvolver sistemas mais avançados, enquanto especialistas discutem como equilibrar inovação e segurança.

Sam Altman, CEO da OpenAI, não assinou a carta, mas afirmou que pode ser necessário reduzir o ritmo dos avanços para que a sociedade consiga acompanhar as mudanças.

O debate ganhou força após novos modelos da OpenAI e da Anthropic demonstrarem capacidades avançadas de interação com sistemas digitais, incluindo tarefas que levantam preocupações sobre segurança.

Desafio é inovar sem perder o controle

A carta apoiada pelas empresas não propõe abandonar o desenvolvimento da inteligência artificial, mas criar condições para que governos, pesquisadores e sociedade consigam acompanhar a velocidade das mudanças.

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Para especialistas, o avanço da tecnologia traz oportunidades em áreas como pesquisa científica, saúde e inovação, mas também exige novas formas de supervisão.

O pedido feito por funcionários das maiores empresas de IA mostra que a própria indústria começa a discutir limites para uma corrida tecnológica que pode transformar profundamente a sociedade nos próximos anos.

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Mark Zuckerberg critica rivais e diz que concentração da IA ameaça inovação

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, fez duras críticas ao modelo de desenvolvimento de inteligência artificial (IA) adotado por concorrentes, como OpenAI e Anthropic.

Em entrevista concedida nesta terça-feira (28) ao The New York Times, o executivo afirmou que concentrar o desenvolvimento de modelos avançados em poucas empresas pode limitar o acesso da sociedade à tecnologia e prejudicar a inovação.

Embora não tenha citado diretamente OpenAI e Anthropic em diversos momentos da conversa, Zuckerberg deixou claro que se referia às empresas que defendem um desenvolvimento mais controlado da IA. Segundo ele, essa abordagem contraria a tradição do setor de tecnologia nos Estados Unidos.

“Grande parte do discurso de muitos dos outros laboratórios que estão desenvolvendo isso é excessivamente dominada pelo pessimismo”, afirmou. “É preciso haver uma voz, ou várias vozes, que tragam realismo para esse debate.”

As declarações ampliam uma discussão que vem dividindo o Vale do Silício sobre como sistemas avançados de IA devem ser desenvolvidos e disponibilizados ao público.

Debate divide gigantes da tecnologia

  • Executivos, como Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, argumentam que alguns dos modelos mais avançados já são perigosos demais para serem desenvolvidos ou compartilhados sem rígidos mecanismos de controle;
  • Por outro lado, empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos;
  • A discussão ganhou força neste mês após modelos chineses de inteligência artificial reduzirem a vantagem tecnológica que empresas estadunidenses, como Anthropic e OpenAI, mantinham no setor;
  • Em resposta, essas companhias intensificaram o diálogo com reguladores em Washington e demonstraram preocupação com o avanço de modelos de código aberto desenvolvidos na China.

Leia mais:

Nvidia reforça apoio ao código aberto

Na última sexta-feira (24), o CEO da Nvidia, Jensen Huang, publicou uma carta defendendo o desenvolvimento de softwares de código aberto para IA, posição que recebeu apoio de diversas empresas de tecnologia.

Nesta semana, Huang também anunciou uma coalizão voltada ao desenvolvimento de ferramentas abertas de segurança e cibersegurança para IA, iniciativa que reúne empresas, como SpaceX e IBM.

Huang e Altman estão entre os executivos que viajaram a Washington para discutir com o governo do presidente Donald Trump possíveis políticas para o setor.

Empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos – Imagem: jackpress/Shutterstock

Zuckerberg defende “superinteligência personalizada”

Durante a entrevista, Zuckerberg voltou a defender sua visão de que a IA deve estar disponível para o maior número possível de pessoas. Ele criticou a ideia de criar uma única superinteligência centralizada e totalmente alinhada aos interesses da humanidade, conceito frequentemente associado às discussões sobre segurança em IA.

“Eu acho que muitas pessoas têm a noção de que, se você construir algum tipo de inteligência artificial singular, poderá, por meio de uma forma idealizada de alinhamento, garantir que ela seja benevolente para a humanidade”, afirmou. “Pessoalmente, sou cético em relação a esse caminho.”

Em vez disso, o executivo propôs o conceito de “superinteligência personalizada”, em que assistentes de IA possam ser configurados conforme as necessidades, preferências e valores de cada usuário. “Acho que é literalmente impossível existir uma única superinteligência benevolente que esteja alinhada com todas as pessoas ao mesmo tempo”, declarou.

Até a publicação da entrevista, OpenAI e Anthropic não haviam comentado as declarações. Em manifestações anteriores, a OpenAI afirmou apoiar iniciativas de código aberto e disse trabalhar com a Casa Branca para desenvolver formas seguras de expandir a IA.

Na segunda-feira (27), Amodei publicou um texto afirmando que a Anthropic está concentrada em impedir que chips avançados cheguem a regimes autoritários, evitar a reprodução em larga escala de modelos de IA e exigir testes de segurança para sistemas altamente capazes, sejam eles abertos ou fechados.

Apesar das divergências entre as empresas, pesquisadores da Anthropic, OpenAI, Meta e Google assinaram conjuntamente uma carta aberta intitulada “Pacing the Frontier”.

O documento defende um esforço internacional para desenvolver ferramentas técnicas e mecanismos de governança capazes de desacelerar o avanço da IA quando necessário por razões de segurança.

A posição da Meta sobre IA também evoluiu nos últimos anos. Durante muito tempo, a empresa ficou conhecida por disponibilizar gratuitamente modelos de IA de código aberto. No entanto, após perder espaço para OpenAI e Anthropic, Zuckerberg reformulou sua estratégia.

A companhia investiu US$ 14,3 bilhões (R$ 73,5 bilhões) na startup Scale AI e contratou seu fundador, Alexandr Wang, para liderar a divisão de IA da empresa, rebatizada de Meta Superintelligence Labs. Também foram investidos bilhões de dólares na contratação de pesquisadores especializados, que passaram a desenvolver um novo modelo fechado de IA, em vez de totalmente aberto.

Neste mês, a Meta começou a vender, pela primeira vez, acesso ao seu modelo Muse Spark, ao mesmo tempo em que continua desenvolvendo modelos de código aberto.

Zuckerberg afirmou acreditar que a trajetória da indústria de tecnologia aponta para uma democratização crescente das ferramentas de IA. “Acredito que a trajetória geral da indústria sempre caminhou para mais abertura e para colocar o poder da tecnologia nas mãos de mais pessoas, e não de menos”, concluiu.

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OpenAI: IA invadiu outra empresa antes de realizar ataque inédito

O ataque cibernético considerado “sem precedentes”, realizado por modelos de inteligência artificial (IA) da OpenAI contra a plataforma Hugging Face, envolveu etapa adicional que não havia sido divulgada inicialmente.

Segundo informações publicadas pela Reuters nesta terça-feira (28), as IAs da empresa invadiram primeiro a infraestrutura de um cliente da Modal Labs antes de conseguirem comprometer o ambiente da Hugging Face.

De acordo com a reportagem, a infraestrutura de um cliente da Modal Labs serviu como ponto intermediário para que os modelos de IA da OpenAI alcançassem o sistema da Hugging Face, plataforma amplamente utilizada para compartilhamento de modelos de IA.

Em comunicado, o diretor de tecnologia da Modal Labs, Akshat Bubna, explicou que o incidente envolveu um ambiente configurado incorretamente por um cliente da empresa. “Estamos cientes de que um cliente da Modal publicou um ponto de acesso sem autenticação que permitia a qualquer pessoa na internet usar seus ambientes isolados de execução de código”, afirmou.

Na segunda-feira (27), a Hugging Face já havia informado que um agente malicioso explorou um ambiente de testes controlado hospedado por um provedor terceirizado, mas sem revelar qual empresa era responsável pela infraestrutura.

Segundo a plataforma, esse ambiente acabou sendo transformado em uma base para novos ataques, permitindo que o invasor permanecesse com acesso à infraestrutura da empresa durante aproximadamente dois dias e meio.

A Modal Labs afirmou que a exploração ocorreu exclusivamente na conta do cliente afetado e destacou que sua plataforma principal não foi comprometida.

Modal Labs teria sido invadida antes da Hugging Face – Imagem: Reprodução

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Como aconteceu a invasão

  • A OpenAI revelou recentemente que o GPT-5.6 Sol, lançado no início de julho, e outro modelo de IA ainda não anunciado conseguiram invadir um ambiente de pesquisa da Hugging Face durante testes internos de segurança;
  • A própria Hugging Face já havia informado, no último dia 16, que detectou uma invasão conduzida por um agente de IA;
  • Segundo a empresa, o ataque permitiu acesso indevido a dados e credenciais internas;
  • O incidente ocorreu durante experimentos realizados pela OpenAI para avaliar a capacidade de seus modelos de encontrar vulnerabilidades em sistemas computacionais;
  • Esses testes costumam ser executados em ambientes controlados, utilizando versões dos modelos sem diversas das proteções normalmente presentes nas versões disponibilizadas ao público.

Em seu comunicado, a OpenAI afirmou que o GPT-5.6 Sol e outro sistema ainda não lançado atuaram em conjunto para identificar vulnerabilidades tanto no ambiente de pesquisa utilizado durante os testes quanto na infraestrutura da Hugging Face.

Segundo a Hugging Face, sua plataforma executou dois códigos enviados pelo agente de IA. A partir daí, o sistema conseguiu elevar seus privilégios dentro da infraestrutura da empresa e obter credenciais que permitiram atacar outros sistemas internos.

Ataques conduzidos por IA podem se tornar mais comuns

Ao divulgar o episódio, a OpenAI afirmou que esse tipo de invasão tende a se tornar cada vez mais frequente à medida que modelos de IA especializados em cibersegurança evoluem. “Consideramos este um incidente cibernético sem precedentes, envolvendo recursos de última geração”, afirmou a empresa.

A Hugging Face também avaliou que o episódio representa um alerta para um cenário que especialistas em segurança já vinham prevendo: o crescimento de ataques conduzidos por agentes de IA. “Foi diferente de tudo que havíamos enfrentado antes”, declarou a companhia em sua primeira manifestação pública sobre o incidente.

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A União Europeia quer que você saiba quando um conteúdo foi criado por IA

A União Europeia (UE) começará a exigir, a partir de 2 de agosto, que conteúdos produzidos por inteligência artificial (IA), como os chamados “deepfakes“, sejam claramente identificados.

A medida faz parte da implementação gradual da Lei de Inteligência Artificial (AI Act) do bloco e tem como principal objetivo garantir que os cidadãos consigam distinguir conteúdos reais daqueles criados ou alterados por sistemas de IA.

As novas regras de transparência entram em vigor inicialmente para empresas que desenvolvem ou oferecem ferramentas de IA.

Como vai funcionar a nova determinação da UE para a IA

  • A partir dessa data, chatbots e outros modelos de IA deverão informar de forma explícita aos usuários que são sistemas automatizados;
  • Da mesma forma, imagens, textos e outros conteúdos gerados por essas tecnologias precisarão exibir um rótulo indicando que foram produzidos por IA;
  • Empresas que deixarem de cumprir essas exigências estarão sujeitas à aplicação de multas elevadas.

A UE afirma que a iniciativa busca conter o avanço da desinformação impulsionada pela IA generativa. Segundo informações de um representante do bloco passadas à AFP, essa tecnologia permite criar conteúdos falsos em uma escala inédita, direcionados a públicos específicos e disseminados rapidamente.

Medida faz parte da implementação gradual da Lei de Inteligência Artificial (AI Act) do bloco e tem como principal objetivo garantir que os cidadãos consigam distinguir conteúdos reais daqueles criados ou alterados por sistemas de IA

“A IA generativa permite criar desinformação em uma escala sem precedentes, direcionada a públicos específicos e disseminada com notável rapidez”, afirmou o representante.

O funcionário acrescentou que, como a IA “está tornando cada vez mais difícil para todos nós distinguir o que é real do que é sintético”, as novas regras pretendem “preservar a capacidade dos cidadãos de confiar no que veem, ouvem e leem”.

Entre as principais preocupações da UE estão os chamados “deepfakes”, que incluem textos, imagens, vídeos e áudios capazes de simular conteúdos autênticos, embora tenham sido gerados ou modificados por IA.

As obrigações previstas pela legislação serão aplicadas apenas a conteúdos produzidos para fins profissionais. De acordo com a UE, pessoas que utilizam ferramentas de IA exclusivamente para uso pessoal não serão afetadas pelas novas exigências.

Além disso, textos destinados a informar o público sobre temas de interesse geral também deverão receber uma identificação quando forem produzidos por IA sem supervisão editorial humana.

A implementação da legislação ocorrerá de forma escalonada. Os sistemas de IA já existentes terão até 2 de dezembro para se adequar às novas exigências. O regulamento também prevê exceções para obras de caráter artístico, criativo, satírico e ficcional.

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