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A China acaba de lançar o maior modelo aberto de IA do mundo

A startup chinesa Moonshot entrou de vez na disputa pela liderança da inteligência artificial ao apresentar o Kimi K3. Com 2,8 trilhões de parâmetros, a empresa afirma ter criado o maior modelo de pesos abertos do mundo.

Segundo a Reuters, o lançamento mostra a velocidade com que a China vem reduzindo a distância em relação aos sistemas mais avançados desenvolvidos nos Estados Unidos.

Avaliações independentes apontam desempenho do Kimi K3 próximo aos modelos mais avançados do mercado. – Imagem: Reprodução/Kimi K3

Kimi K3 aposta em tamanho e abertura

O Kimi K3 foi projetado para executar tarefas de raciocínio avançado, programação de longo prazo e atividades intensivas em conhecimento. Segundo a Moonshot, ele é o primeiro modelo de pesos abertos a se aproximar da marca de 3 trilhões de parâmetros.

Mas o tamanho não é a única novidade. O modelo traz uma janela de contexto de 1 milhão de tokens, capaz de processar uma quantidade muito maior de informações em um único comando do que versões anteriores.

Entre os recursos destacados pela empresa estão:

  • 2,8 trilhões de parâmetros;
  • janela de contexto de 1 milhão de tokens;
  • foco em raciocínio avançado e programação complexa;
  • modelo de pesos abertos, permitindo personalização pelos usuários.

Na prática, isso permite que desenvolvedores baixem, executem e adaptem o sistema para diferentes aplicações, algo que não acontece com modelos fechados.

Logo da Alibaba ao fundo, com sombras de pessoas e outros objetos à frente
Apoiada por Alibaba e Tencent, a Moonshot amplia investimentos para fortalecer sua posição no mercado de inteligência artificial. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Testes colocam o modelo entre os mais competitivos

Segundo a Moonshot, o Kimi K3 apresentou desempenho competitivo em relação ao Fable 5 e superou Opus 4.8, GPT 5.6 Sol e GPT 5.5 em otimização de kernels de GPU, técnica usada para aproveitar melhor o hardware e reduzir a latência.

Os resultados também apareceram em avaliações independentes. A Arena.ai colocou o modelo na primeira posição em um benchmark voltado à criação de interfaces web. Já a Vals AI o classificou em segundo lugar, atrás apenas do Fable 5 e à frente do GPT-5.6 Sol. A Artificial Analysis apontou desempenho semelhante ao GPT-5.5 e ao Claude Opus 4.8 em testes de tarefas complexas realizadas em múltiplas etapas.

Especialistas fazem ponderações

O avanço, porém, não elimina algumas limitações. “Eles podem ser executados por uma fração do custo que a OpenAI cobra de seus clientes”, afirmou Lian Jye Su, analista-chefe da Omdia. Ao mesmo tempo, ele observou que “isso não significa necessariamente que você tenha o melhor desempenho automaticamente”.

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Ryan Fedasiuk, pesquisador do American Enterprise Institute, destacou que executar localmente um modelo desse porte exigiria equipamentos avaliados em centenas de milhares de dólares.

Bandeiras de EUA e China com um punho fechado no meio
O lançamento reforça o ritmo acelerado da evolução da IA na China e aumenta a pressão sobre concorrentes dos Estados Unidos. – Imagem: CHIEW/Shutterstock

Empresa amplia investimentos

A Reuters informa que a Moonshot, apoiada por Alibaba e Tencent, continua expandindo sua capacidade financeira e tecnológica. Segundo reportagem da Bloomberg citada pela agência, a startup busca captar US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11,1 bilhões) com uma avaliação próxima de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 166,5 bilhões) antes de uma possível abertura de capital em Hong Kong.

Com o anúncio do Kimi K3, a empresa reforça sua estratégia de disputar espaço no mercado global de inteligência artificial em um momento de forte aceleração do setor.

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Startup brasileira de IA jurídica vira unicórnio

A startup brasileira de tecnologia jurídica Enter anunciou uma nova rodada de investimentos que elevou sua avaliação para US$ 1,2 bilhão, passando a integrar o grupo de empresas conhecidas como unicórnios — termo usado para startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. O aporte de US$ 100 milhões foi liderado pela Founders Fund, com participação de investidores como Sequoia Capital e Ribbit Capital.

Com sede em São Paulo, a Enter desenvolve soluções de inteligência artificial (IA) voltadas ao setor jurídico, com foco em ajudar empresas a lidar com o grande volume de processos de consumo e trabalhistas no Brasil. A proposta da companhia é automatizar todas as etapas do litígio, do início ao fim.

Da esquerda para a direita, Henrique Vaz, Mateus Costa-Ribeiro e Michael Mac-Vicar, fundadores da startup brasileira de IA jurídica Enter – Imagem: Divulgação / Enter

IA para automatizar processos jurídicos

Segundo o cofundador e CEO Mateus Costa-Ribeiro, a tecnologia da empresa atua em todas as fases de um processo. “Cada etapa que você pode imaginar em um caso judicial é primeiro conduzida por um agente de IA antes de envolver um humano”, afirmou à Bloomberg.

Fundada em 2023 por Costa-Ribeiro ao lado de Michael Mac-Vicar e Henrique Vaz, ex-executivos da Wildlife Studios, a Enter atende clientes como Airbnb, Azul, Bradesco, LATAM Airlines, Mercado Livre e Nubank. A plataforma pode elaborar peças jurídicas, calcular custos de acordos e até buscar informações específicas, como condições climáticas relacionadas a disputas.

A empresa também utiliza engenheiros dedicados para integrar suas soluções aos sistemas das companhias clientes, muitas vezes considerados antigos ou fragmentados.

Crescimento e mercado competitivo

A Enter faz parte de uma nova geração de startups de IA voltadas ao setor jurídico, que têm atraído investimentos relevantes. Empresas como Harvey e Legora também receberam avaliações bilionárias recentemente, enquanto desenvolvedoras como Anthropic PBC ampliam sua atuação nesse segmento.

Costa-Ribeiro afirma ver espaço para consolidar a atuação da Enter no Brasil e na América Latina. Já Matias Van Thienen, sócio do Founders Fund, destacou que o investimento considera o potencial da empresa em um dos mercados mais litigiosos do mundo.

Modelo de negócios e expansão

Atualmente, a Enter possui mais de 45 clientes, incluindo empresas de setores regulados como o bancário, e já ultrapassou a marca de 300 mil casos gerenciados por ano. Cerca de 30% da remuneração da empresa depende do sucesso nos processos, enquanto o restante é cobrado antecipadamente pelo uso da tecnologia.

De acordo com o CEO, muitos casos são resolvidos em dois a três meses, o que contribui para a redução de custos dos clientes. Com o novo investimento, a empresa pretende expandir suas operações para outras regiões, embora não tenha detalhado quais mercados serão priorizados. Também há planos para ampliar a equipe de cerca de 100 para 150 funcionários.

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“Padrinho francês da IA” lança startup com investimento de R$ 5,2 bilhões

Yann LeCun, figura central na área de inteligência artificial (IA) e um dos laureados com o Prêmio Turing, anunciou o lançamento de sua mais recente empreitada: a startup Advanced Machine Intelligence (AMI). A nova empresa de IA conseguiu investimento inicial de pouco mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).

O anúncio da AMI foi feito por LeCun em suas redes sociais na terça-feira (10). O objetivo principal da startup é desenvolver sistemas de IA mais robustos e seguros, que sejam capazes de tomar decisões mais informadas, aproveitando dados provenientes de fontes, como câmeras e sensores.

Leia mais:

Novo paradigma para criação de IAs

  • A AMI propõe uma abordagem inovadora para o treinamento de sistemas de IA;
  • Em vez de depender majoritariamente de comandos de texto, conhecidos como text prompts, a startup foca na construção de “modelos de mundo“;
  • Estes modelos, explicados no próprio site da empresa, são sistemas de IA que aprendem diretamente a partir de dados do mundo real;
  • Isso significa que, ao coletar informações de sensores e câmeras, a AMI busca criar IAs que antecipem, com maior precisão, as consequências de suas ações;
  • Essa capacidade de previsão aprimorada é vista como um passo fundamental para aumentar a segurança e a confiabilidade das aplicações de IA.
LeCun já ganhou o Prêmio Turing (Imagem: Darshika Maduranga/Shutterstock)

Para liderar essa iniciativa, a AMI já realizou contratações estratégicas. O empreendedor de IA Alex LeBrun foi nomeado CEO da companhia, enquanto Saining Xie, um pesquisador com experiência na Meta e Google, assumiu o cargo de Diretor Científico.

A iniciativa de LeCun recebeu elogios do presidente francês, Emmanuel Macron. Em uma publicação no X, Macron afirmou que LeCun “abre um novo capítulo na inteligência artificial” com a fundação da AMI, e adicionou: “Esta é a França dos pesquisadores, dos construtores e dos audaciosos. Bravo!”

Quem é o “pai da IA francesa”?

Yann LeCun, cientista franco-estadunidense, é uma figura proeminente no campo da IA. Em 2018, ele foi agraciado com o Prêmio Turing, considerado o mais prestigioso da ciência da computação, juntamente com os pesquisadores Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio.

O prêmio reconheceu o trabalho pioneiro do trio no deep learning (aprendizado profundo), um tipo de IA que identifica padrões em grandes volumes de dados.

A estrutura operacional da AMI será distribuída globalmente, com escritórios e equipes atuando em regiões estratégicas, como Paris (França), Nova York (EUA), Montreal (Canadá) e Singapura, reforçando a ambição de impacto internacional da startup.

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