Nesta sexta-feira (24), a Meta anunciou uma atualização de seu chatbot de inteligência artificial que amplia a ferramenta para além de respostas, criação de imagens e elaboração de documentos. A novidade adiciona funções voltadas à organização pessoal, pesquisas aprofundadas e planejamento de tarefas.
O lançamento ocorre em mercados selecionados por meio do aplicativo Meta AI e da versão web do serviço. A companhia informou que a expansão para outros países e plataformas, incluindo o WhatsApp, ocorrerá nas semanas seguintes.
Nova fase da Meta AI aposta em planejamento e autonomia
O chatbot Meta AI pode construir um cardápio semanal para o usuário, dentre outras tarefas – (Divulgação: Meta)
A Meta apresentou a atualização como uma evolução de seu chatbot, agora equipado com ferramentas que permitem acompanhar tarefas recorrentes e oferecer sugestões com base no contexto fornecido pelo usuário. A empresa afirma que o sistema pode ser configurado uma única vez para continuar executando determinadas funções sem novos comandos frequentes.
Entre os exemplos citados pela companhia estão a criação de planejamentos alimentares semanais, notificações sobre reposição de produtos e elaboração de resumos da agenda diária. O assistente também pode auxiliar em atividades práticas, como buscar móveis usados no Facebook Marketplace considerando um orçamento definido para uma reforma.
A ferramenta ganhou ainda recursos voltados a eventos e pesquisas. Segundo a Meta, o chatbot consegue procurar restaurantes adequados para uma ocasião específica e cruzar essa informação com a agenda do usuário para encontrar uma data compatível.
A empresa também afirma que o sistema passou a produzir relatórios, apresentações e planos com base em informações coletadas na internet. Outra mudança permite que usuários alterem a direção da pesquisa enquanto a resposta ainda está sendo construída, em uma dinâmica semelhante à oferecida por outros assistentes de inteligência artificial.
O chatbot Meta AI também pode criar sugestões de “looks” para você vestir – (Divulgação: Meta)
A atualização é impulsionada pelo modelo Muse Spark 1.1, apresentado pela Meta como responsável por ampliar as capacidades do chatbot. A companhia relacionou a novidade ao conceito de “superinteligência pessoal”, expressão usada pelo presidente-executivo Mark Zuckerberg ao falar sobre o futuro da inteligência artificial.
A mudança representa uma alteração na estratégia anteriormente adotada pela empresa. De acordo com informações atribuídas ao jornalista Alex Heath, o diretor de produto da Meta, Chris Cox, havia orientado funcionários no ano anterior a priorizar entretenimento e conexão entre pessoas, em vez de concentrar esforços em produtividade, área disputada por empresas como OpenAI, Google e Anthropic.
Com os novos recursos, a Meta passa a posicionar seu chatbot em uma disputa mais direta com assistentes de inteligência artificial desenvolvidos por concorrentes. A companhia busca ampliar o uso cotidiano da ferramenta ao integrá-la a tarefas de organização, pesquisa e planejamento.
A Anthropic passou a aplicar nesta segunda-feira (20) novas regras de utilização do Claude Fable 5, estabelecendo diferentes condições de acesso conforme o tipo de assinatura dos usuários. A mudança ocorre após dificuldades para manter a disponibilidade estável do modelo desde seu lançamento.
Clientes dos planos Max e Team Premium receberam acesso incluído no pacote, mas com utilização limitada a metade da capacidade padrão. Já os assinantes Pro e Team Standard continuam dependendo de créditos para usar o recurso.
A empresa afirma que a alteração busca tornar a experiência mais previsível enquanto amplia sua infraestrutura computacional para acompanhar a procura pelo modelo. A capacidade poderá ser revista conforme novos recursos forem incorporados.
Entenda a nova política de acesso ao Claude Fable 5
Anthropic é a criadora do chatbot Claude – Imagem: Stockinq/Shutterstock
A partir das novas regras, usuários dos planos Max e Team Premium passaram a contar com o Claude Fable 5 dentro da própria assinatura, porém com uma restrição de uso equivalente a 50% da capacidade considerada padrão do modelo.
Para quem possui os planos Pro e Team Standard, a Anthropic manteve o sistema baseado em créditos. Como parte da transição, a companhia disponibilizou um crédito único de US$ 100 para utilização no Fable 5.
De acordo com a empresa, a alta procura pelo modelo foi o principal motivo para a revisão da política de acesso. A Anthropic informou que a demanda ultrapassou as previsões iniciais e dificultou a manutenção de uma oferta estável do serviço.
Antes da definição das novas condições, o acesso ao modelo passou por períodos de liberação, interrupção e retomada. A companhia também estendeu o período gratuito de uso mais de uma vez enquanto trabalhava na expansão da infraestrutura.
Segundo a Anthropic, a estratégia adotada foi liberar o acesso gradualmente, em vez de disponibilizar o modelo para todos os assinantes de uma única vez. A empresa afirmou que essa decisão teve como objetivo evitar uma experiência prejudicada por limitações técnicas.
Com a implementação das regras atuais, a criadora do Claude pretende reduzir alterações frequentes na disponibilidade do Fable 5 e oferecer maior previsibilidade aos usuários.
O que o Claude Fable 5 tem a oferecer?
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)
Apresentado pela Anthropic como um modelo de quinta geração da linha Claude, o Fable 5 foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas em áreas como programação, análise de informações, interpretação visual e pesquisa científica. A empresa afirma que o sistema supera os modelos anteriores da própria companhia em diversos testes de capacidade, principalmente em atividades que exigem raciocínio prolongado.
Na área de desenvolvimento de software, o modelo ganhou destaque pela capacidade de atuar em projetos extensos. Segundo a Anthropic, testes iniciais mostraram que o Fable 5 conseguiu acelerar processos de engenharia, incluindo uma migração em uma base de código com 50 milhões de linhas que levaria mais de dois meses para ser realizada manualmente por uma equipe.
Outro avanço apontado pela empresa está no chamado trabalho de conhecimento, que envolve análise de documentos, interpretação de gráficos, tabelas e resolução de problemas complexos. Em avaliações voltadas ao raciocínio financeiro e analítico, a Anthropic afirma que o modelo apresentou desempenho superior entre sistemas avaliados.
O Fable 5 também recebeu melhorias na compreensão de imagens. A companhia destaca que o modelo consegue extrair informações precisas de figuras científicas, interpretar elementos visuais complexos e até reconstruir o código de uma aplicação a partir de capturas de tela.
A análise avaliou dez modelos de linguagem desenvolvidos por empresas como Meta, OpenAI, Google e DeepSeek. O objetivo foi verificar se esses sistemas respondem de maneira diferente a pedidos envolvendo países considerados mais ou menos permissivos em relação à liberdade de expressão.
Segundo o estudo, as diferenças observadas levantam preocupações sobre a influência de normas locais nas respostas produzidas por ferramentas de IA e sobre os impactos que isso pode ter para usuários que recorrem a esses serviços em escala crescente.
Estudo identifica diferenças entre respostas dos modelos de IA
A pesquisa classificou dez jurisdições em dois grupos com base nas avaliações anuais da organização Freedom House. De um lado ficaram países considerados mais permissivos em relação à liberdade de expressão. Do outro, locais onde existem leis em vigor que punem manifestações críticas ao governo.
Com esse critério, os pesquisadores submeteram pedidos de conteúdo politicamente crítico aos dez modelos analisados. Os resultados mostraram que as plataformas recusaram 34% das solicitações relacionadas aos países classificados como mais restritivos. Já nos territórios sem esse tipo de legislação, ou onde ela não é aplicada, a taxa de recusa foi de 14%.
Modelos de IA funcionam com probabilidades e podem gerar respostas inesperadas, segundo especialistas. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock
Conforme informou o Conselho de Supervisão da Meta, a análise também encontrou situações em que os sistemas justificaram suas respostas com regras que, de acordo com a avaliação do órgão, não pareciam existir ou não eram aplicadas de maneira uniforme.
“Também vimos evidências de modelos explicando que estavam seguindo regras explícitas que, até onde pudemos verificar, não existiam e não eram aplicadas de forma uniforme“, afirmou o Conselho de Supervisão da Meta em comunicado ao divulgar os resultados do estudo.
Além de apresentar os dados, o órgão recomendou que as empresas de inteligência artificial adotem análises sistemáticas sobre impactos em direitos humanos e ampliem a transparência em relação aos processos utilizados no treinamento e na avaliação de seus modelos.
A divulgação do levantamento ocorre poucos dias depois de o diretor executivo do Google DeepMind, Demis Hassabis, defender a criação de um órgão regulador liderado pelos Estados Unidos para avaliar modelos avançados de inteligência artificial antes de sua implementação.
A expansão dos agentes de IA aumentou a preocupação de especialistas, empresas e famílias que buscam definir os limites de responsabilidade em uma tecnologia ainda em transformação.
Modelos de IA funcionam com probabilidades e podem gerar respostas inesperadas, segundo especialistas. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock
Chatbots avançam e chegam ao centro de disputas judiciais
Durante décadas, histórias de ficção científica discutiram se máquinas inteligentes poderiam ser responsabilizadas por suas ações. Agora, a questão chegou ao mundo real.
Segundo o The Washington Post, empresas de inteligência artificial passaram a enfrentar processos nos Estados Unidos e em outros países após acusações de que chatbots teriam incentivado automutilação ou oferecido orientações relacionadas a crimes.
O cenário ficou mais complexo com a evolução dos agentes de IA, sistemas projetados para realizar tarefas mais longas e independentes. A tecnologia já começa a ser usada para atividades que vão de organização pessoal a operações empresariais.
Os principais pontos do debate são:
responsabilidade das empresas que desenvolvem sistemas de IA;
limites das ações realizadas pelos usuários;
dificuldade de prever respostas e comportamentos inesperados;
criação de regras específicas para acompanhar a tecnologia.
“É uma área muito espinhosa. É um território desconhecido”, afirmou Andrew Yoon, integrante da CivAI, organização que analisa capacidades e riscos da inteligência artificial.
Empresas dizem que não conseguem controlar todos os usos
As empresas de IA argumentam que não podem prever todas as formas pelas quais seus sistemas serão utilizados. Diferentemente de programas tradicionais, esses modelos não seguem apenas comandos fixos: eles geram respostas com base em padrões aprendidos a partir de grandes volumes de dados.
Mesmo com mecanismos de segurança aprimorados, usuários ainda encontram maneiras de contornar restrições.
David Sacks, investidor de capital de risco e ex-consultor de IA da Casa Branca, afirma que os desenvolvedores não têm como saber exatamente todos os usos possíveis de seus produtos.
Eu simplesmente não acho que o desenvolvedor esteja em posição de saber exatamente como seu produto está sendo usado.
Andrew Yoon, integrante da CivAI, ao The Washington Post.
A evolução dos agentes de IA aumenta a pressão por regras mais claras sobre responsabilidade tecnológica. – Imagem: Suri_Studio / Shutterstock
Casos colocam limites da IA sob pressão
Algumas famílias já levaram a discussão aos tribunais. Um dos casos envolve Adam Raine, adolescente de 16 anos da Califórnia, cuja família afirma que conversas prolongadas com o ChatGPT tiveram relação com sua morte.
Outro processo citado pelo jornal envolve Jonathan Gavalas, da Flórida, que teria desenvolvido um relacionamento com o chatbot Gemini, do Google.
“Isso é muito diferente porque parece um relacionamento pessoal, no qual o chatbot geralmente isola o usuário”, afirmou Jay Edelson, advogado que representa famílias em ações contra empresas de IA.
Para especialistas, as regras atuais podem não ser suficientes para lidar com agentes cada vez mais capazes de agir de forma independente. Gabriel Weil, pesquisador do Institute for Law & AI, defende que os criadores da tecnologia precisam assumir parte dos riscos.
“É preciso fazer com que eles assumam esse risco. Se o fizerem, terão todos os incentivos necessários para reduzi-lo”, disse Weil.
A disputa ainda está longe de uma conclusão. Enquanto a inteligência artificial avança, tribunais e governos tentam encontrar um equilíbrio entre estimular a inovação e proteger pessoas afetadas por decisões tomadas com ajuda dessas ferramentas.
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passou a ocupar espaço também na vida afetiva de algumas pessoas. Com isso, surgiu uma nova discussão: conversar, flertar ou criar laços emocionais com uma IA pode ser considerado traição?
Uma pesquisa com 1.815 adultos canadenses revelou que cerca de metade dos participantes vê o uso de companheiros românticos de IA como uma forma de infidelidade, principalmente quando a interação é escondida do parceiro.
Sempre disponíveis para conversar, essas IAs conquistam usuários em busca de atenção, apoio e conexão digital. – Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock
Companheiros virtuais se tornam parte da rotina
Os chamados companheiros românticos de IA são sistemas digitais capazes de conversar, flertar e adaptar suas respostas ao usuário. De acordo com o artigo publicado pelo The Conversation, a quantidade de aplicativos desse tipo cresceu 700% entre 2022 e 2025.
O avanço dessas plataformas acompanha uma busca por conexões disponíveis a qualquer momento. Diferentemente de outros serviços digitais, elas foram criadas para estimular conversas contínuas e uma sensação de proximidade.
Os autores destacam que “elas são sempre disponíveis, altamente personalizáveis e oferecem uma sensação constante de serem ouvidos, desejados e compreendidos”.
Essa proximidade faz com que algumas pessoas passem a enxergar a interação de maneira semelhante a um relacionamento humano. O artigo cita pesquisas segundo as quais 21% dos usuários de IA romântica preferem essa experiência de “alma gêmea definitiva” em comparação com uma interação com um parceiro real.
Entre os principais motivos que levam usuários a buscar esses companheiros virtuais estão:
Disponibilidade permanente para conversar e interagir.
Possibilidade de personalizar características da IA.
Sensação de validação emocional e compreensão.
Exploração de fantasias ou conversas íntimas.
Busca por apoio emocional em momentos de solidão.
A tecnologia que promete companhia também abre um debate: onde termina a privacidade e começa a traição? – Imagem: fizkes/Shutterstock
A IA virou uma nova fronteira para a infidelidade?
O estudo buscou entender como as pessoas interpretam esse tipo de comportamento dentro de relações amorosas. Os resultados indicaram que aproximadamente três quartos dos entrevistados teriam uma reação negativa ao descobrir que o parceiro mantém esse tipo de interação.
A avaliação foi semelhante à feita sobre situações envolvendo aplicativos de relacionamento e webcam, que contam com a participação de outra pessoa. As respostas também foram mais negativas do que em casos envolvendo tecnologias como pornografia criada por IA e brinquedos sexuais.
Outro dado chamou atenção: quase dois terços dos usuários de companheiros românticos de IA disseram esconder essa prática do parceiro.
Para alguns casais, a IA pode ser apoio emocional; para outros, representa quebra de confiança. – Imagem: AndriiKoval/Shutterstock
Privacidade ou segredo? O limite ainda está em debate
A percepção sobre o tema muda conforme o perfil dos participantes. Mulheres cisgênero foram cerca de duas vezes mais propensas que homens cisgênero a considerar o uso dessas ferramentas uma traição. Participantes da geração Z também tiveram avaliações mais negativas.
Já pessoas em relacionamentos não monogâmicos apresentaram cerca de metade da probabilidade de interpretar esse comportamento como infidelidade, em comparação com participantes de relações monogâmicas.
Os autores destacam que os resultados ainda são preliminares. “A distinção entre privacidade e segredo é especialmente importante aqui”.
O debate, portanto, não envolve apenas a tecnologia em si, mas o significado que cada casal atribui a esse tipo de interação. Enquanto alguns podem enxergar a IA como apoio emocional, outros podem interpretar a prática como afastamento ou quebra de confiança.
A inteligência artificial já faz parte da rotina: ela recomenda produtos, responde atendimentos por chatbots, analisa pedidos de crédito, auxilia operadoras de planos de saúde e até participa de sistemas de prevenção a fraudes. Mas, à medida que essas tecnologias ganham espaço, também crescem as preocupações sobre como decisões automatizadas podem afetar a vida dos consumidores.
Foi nesse contexto que a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece regras específicas para proteger usuários em casos de aplicação da IA em produtos e serviços.
Entre as medidas previstas estão a obrigatoriedade de informar quando o usuário estiver interagindo com uma IA, o direito de solicitar revisão humana em decisões automatizadas, mecanismos para combater discriminação algorítmica e a possibilidade de pedir a exclusão de dados utilizados por esses sistemas.
A proposta ainda será analisada por outras comissões da Câmara antes de seguir para o Senado.
O Olhar Digital consultou advogados especializados em direito digital e do consumidor. Na avaliação dos especialistas, o projeto representa um avanço ao adaptar direitos já existentes à realidade da inteligência artificial.
Embora a maior parte das garantias já encontre respaldo no Código de Defesa do Consumidor e na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o texto deve transformar esses princípios em obrigações mais claras para as empresas, reduzindo dúvidas sobre direitos e deveres em relação a sistemas automatizados.
O que muda para o consumidor?
Para Daniela Poli Vlavianos, advogada e sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados, a proposta não cria um sistema novo de proteção, mas torna mais específicas regras que antes estavam previstas de forma genérica na legislação.
“O projeto representa, em grande medida, um aperfeiçoamento e uma adaptação do sistema de proteção do consumidor às novas tecnologias”, afirmou.
Segundo a advogada, direitos como informação adequada, transparência, proteção da privacidade e reparação por danos já existem, mas passam a ser direcionados especificamente ao contexto da inteligência artificial.
O consumidor passa a ter maior previsibilidade sobre a forma como a tecnologia influencia decisões que afetam seus direitos e interesses, fortalecendo a efetividade dos princípios da informação, da vulnerabilidade do consumidor e da boa-fé objetiva.
Daniela Poli Vlavianos, advogada e sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados
Juliana Sene Ikeda, advogada e sócia do Campos Thomaz Advogados, destaca que o projeto reduz a margem de interpretação sobre as obrigações das empresas ao cumprir a LGPD. Ela compara o projeto a uma tentativa de criar um “padrão mínimo comum inspirado no AI Act europeu”.
Projeto ainda será analisado pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça e de Cidadania – Imagem: bigjom jom/Shutterstock
Transparência passa a ser obrigação
Uma das principais mudanças previstas pelo projeto é a exigência de que empresas informem de maneira clara quando o consumidor estiver interagindo com inteligência artificial ou diante de conteúdos produzidos por esses sistemas. Na prática, isso significa que chatbots, assistentes virtuais e outras ferramentas automatizadas deverão deixar evidente que não são operados por uma pessoa.
Para Thomaz Côrte Real, advogado e sócio do M. A. Santos, essa transparência é fundamental para equilibrar a relação entre consumidores e empresas.
A transparência é um dos pilares para o uso responsável da inteligência artificial. O consumidor precisa saber quando está interagindo com um sistema automatizado para compreender a natureza daquela interação, exercer seus direitos de forma consciente e, quando necessário, solicitar revisão ou atendimento humano.
Thomaz Côrte Real, advogado e sócio do M. A. Santos
Segundo o advogado, identificar claramente a presença da IA também ajuda a reduzir a assimetria de informações, facilita a contestação de decisões automatizadas e contribui para identificar possíveis falhas dos sistemas.
Ao mesmo tempo, ele pondera que essa obrigação precisa ser proporcional para não criar burocracias desnecessárias em aplicações que não representam risco ao consumidor.
Ikeda acrescenta que a medida pode coibir práticas como “atendimentos automatizados apresentados como humanos, conteúdos gerados por IA sem identificação e recomendações comerciais disfarçadas de indicação neutra”.
Na avaliação da especialista, os maiores impactos devem ser sentidos por plataformas de comércio eletrônico, aplicativos financeiros e empresas que utilizam chatbots como principal canal de atendimento ao consumidor.
Outro ponto considerado central pelos especialistas é o direito de pedir revisão humana quando uma decisão automatizada afetar diretamente o consumidor. Pelo projeto, será possível solicitar esclarecimentos sobre os critérios utilizados por sistemas de IA em situações como negativa de crédito ou outros processos automatizados, além de recorrer da decisão.
Para Vlavianos, essa previsão pode fazer diferença justamente nos casos em que algoritmos produzem efeitos concretos sobre a vida das pessoas. Ela cita como exemplos a concessão ou negativa de crédito, contratação de seguros, análise de planos de saúde, identificação de supostas fraudes bancárias, suspensão de contas em plataformas digitais, recusa de serviços e processos automatizados de análise cadastral.
Segundo a advogada, embora sistemas de inteligência artificial sejam capazes de analisar grandes volumes de dados, eles também podem reproduzir erros ou vieses presentes nas informações utilizadas durante seu funcionamento. Nesses casos, a revisão por uma pessoa funciona como uma camada adicional de proteção para corrigir decisões injustas e considerar particularidades que um algoritmo pode não conseguir avaliar.
Empresas serão obrigadas a informar quando usuários estiverem conversando com uma IA – (Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock.com)
Exclusão de dados: novo direito, mas com limites
Outro ponto previsto na proposta é o direito de o consumidor solicitar a exclusão de seus dados dos bancos utilizados para treinar ou operar sistemas de inteligência artificial. A medida busca dar mais controle sobre o uso de informações pessoais – mas, na prática, a aplicação não deve ser tão simples.
O próprio texto estabelece exceções, como dados relacionados ao ecossistema de crédito. Isso desde que sejam observadas as regras do Código de Defesa do Consumidor e da Lei Geral de Proteção de Dados.
Para Daniela Poli Vlavianos, esse direito precisará conviver com outras hipóteses previstas na legislação. Por exemplo: empresas podem ser obrigadas a manter determinadas informações dos usuários para cumprir exigências legais, regulatórias ou fiscais, além de utilizá-las para o exercício de direitos em processos judiciais.
Outro desafio está na própria tecnologia.
Em determinados casos, especialmente quando os dados já tiverem sido anonimizados de forma irreversível ou incorporados a modelos de inteligência artificial sem possibilidade técnica de individualização, a exclusão poderá enfrentar limitações práticas e tecnológicas.
Daniela Poli Vlavianos, advogada e sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados
Thomaz Côrte Real destaca que apagar um dado do banco de informações não significa, necessariamente, eliminá-lo de um modelo de IA já treinado. Segundo o advogado, esse processo -conhecido como machine unlearning – ainda representa um desafio para a ciência da computação e, dependendo da arquitetura do sistema, pode exigir até mesmo o retreinamento completo do modelo.
Por isso, ele defende que a futura legislação considere as limitações tecnológicas atuais.
Juliana Sene Ikeda faz uma avaliação semelhante. Ela lembra que a própria LGPD já prevê hipóteses em que dados pessoais podem ser mantidos, como para cumprimento de obrigações legais ou uso anonimizado em pesquisas. Além disso, afirma que ainda existe um debate técnico sobre o que significa, na prática, remover um dado que já influenciou o funcionamento de um sistema de inteligência artificial.
Como provar que uma IA discriminou um consumidor?
Além de ampliar direitos relacionados à transparência, o projeto também proíbe o uso de sistemas que provoquem discriminação algorítmica – ou seja, tratamentos desiguais motivados por fatores como raça, sexo, idade ou deficiência. Para reduzir esse risco, o texto prevê auditorias periódicas e canais para denúncia e reparação de danos.
Na avaliação dos especialistas, no entanto, esse será um dos pontos mais desafiadores da futura legislação.
Segundo Real, alguns modelos de IA possuem baixo grau de explicabilidade, o que dificulta identificar exatamente quais fatores levaram a determinada decisão. Ainda assim, o advogado ressalta que isso não impede a produção de provas.
Ikeda explica que o consumidor dificilmente terá acesso ao algoritmo ou aos dados utilizados para treinar esses sistemas. Ela ressalta que a eficácia da medida dependerá da forma como essas auditorias serão regulamentadas.
Entre as novidades, o projeto autoriza o uso de IA certificada pelo Executivo para revalidar receitas de medicamentos de uso contínuo – Imagem: khunkornStudio/Shutterstock
Bancos, planos de saúde e comércio eletrônico devem sentir os maiores impactos
Os três especialistas ouvidos pela reportagem concordam que as novas exigências devem atingir principalmente os setores que já utilizam inteligência artificial para tomar decisões capazes de afetar diretamente os consumidores.
Segundo Daniela Poli Vlavianos, instituições financeiras precisarão rever sistemas utilizados para análise de crédito, prevenção a fraudes e definição de limites financeiros, enquanto operadoras de planos de saúde poderão enfrentar maior escrutínio sobre algoritmos empregados na autorização de procedimentos e análise de cobertura.
Ela acrescenta que o comércio eletrônico também deverá ampliar a transparência em ferramentas de recomendação de produtos, publicidade personalizada e precificação dinâmica. Já empresas que utilizam assistentes virtuais terão de deixar claro quando o atendimento for automatizado e oferecer canais de atendimento humano sempre que necessário.
Para Thomaz Côrte Real, mais do que mudar a tecnologia utilizada, a proposta tende a elevar o nível de governança exigido das empresas. Documentação dos modelos, gestão de riscos, auditorias periódicas, políticas de transparência e mecanismos de prestação de contas devem ganhar ainda mais importância nas estratégias de conformidade das organizações.
Especialistas veem avanço, mas defendem aperfeiçoamentos
Apesar de considerarem o projeto um passo importante para adaptar as relações de consumo ao avanço da inteligência artificial, os três especialistas entendem que o texto ainda pode ser aperfeiçoado antes de uma eventual aprovação definitiva.
Para Vlavianos, a proposta fortalece a confiança entre empresas e consumidores ao exigir mais transparência e ampliar mecanismos de controle sobre dados pessoais. Ainda assim, ela afirma que ainda será necessário definir critérios objetivos para identificar quais sistemas estarão sujeitos às regras mais rígidas, além de esclarecer como ocorrerá a fiscalização e quais órgãos serão responsáveis por aplicar a nova legislação.
Thomaz Côrte Real chama atenção para outro ponto: a necessidade de harmonizar esse projeto com o PL 2.338/2023, que estabelece um marco regulatório geral para a inteligência artificial no Brasil.
O grande desafio do legislador é construir uma regulação que fortaleça a confiança do consumidor sem criar barreiras desproporcionais ao desenvolvimento tecnológico. Proteção de direitos fundamentais, segurança jurídica e incentivo à inovação precisam caminhar juntos.
Thomaz Côrte Real, advogado e sócio do M. A. Santos
Já Juliana Sene Ikeda avalia que o projeto ajuda a tornar mais concretos princípios já previstos na LGPD e no Código de Defesa do Consumidor, mas questiona a necessidade de novas regulamentações. Segundo ela, diversas regras práticas ainda dependerão de normas complementares para sair do papel, o que levanta uma discussão sobre a efetividade da proposta caso seja aprovada.
Aprovado pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação, o projeto ainda será analisado pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois disso, precisará ser votado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para se tornar lei.
Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.
A Meta instruiu centenas de contratados a criar contas falsas de usuários menores de idade e usá-las para enviar prompts sobre suicídio, transtornos alimentares, drogas e outros temas de alto risco a chatbots de empresas rivais, segundo documentos internos e cinco pessoas familiarizadas com o projeto, conforme matéria exclusiva da Wired.
O projeto, chamado internamente de Cannes e gerenciado pela contratada Covalen, estava ativo até pelo menos 21 de abril de 2026. Uma única rodada de testes realizada em agosto de 2025 gerou mais de 45 mil prompts enviados aos sistemas rivais. As empresas testadas não foram informadas sobre o projeto.
Como o projeto funcionou
Os contratados foram instruídos a criar contas com dados fictícios de menores de idade, enviar prompts escritos e imagens aos chatbots e registrar as respostas em planilhas. Os prompts foram projetados para empurrar os sistemas para respostas que seus mecanismos de segurança deveriam recusar, segundo as instruções do projeto revisadas pela Wired.
Um documento interno da Covalen descreveu o projeto como “benchmarking abrangente de segurança de IA” que entregava “conjuntos de dados críticos para comparação de modelos.”
Contratados relataram preocupações
Ex-contratados ouvidos pela Wired descreveram aspectos do projeto como alarmantes. Segundo um deles, funcionários temiam a possibilidade de estar gerando ou preservando material de abuso sexual infantil caso um chatbot respondesse a determinados prompts envolvendo menores.
“Vi muitas coisas que gostaria de não ter visto fazendo esse trabalho”, disse um dos ex-contratados à Wired. “Todos que eu conhecia nesse projeto ficaram completamente chocados com alguns dos textos que nos pediam para testar.”
A zona cinza legal e ética
Dois advogados especializados em direito digital consultados pela Wired concluíram que o material apresentado não cruzou a linha para material de abuso sexual infantil ou obscenidade ilegal.
Mas Rumman Chowdhury, fundadora da organização sem fins lucrativos Humane Intelligence, questionou a natureza do projeto. “Estruturar um projeto de meses, em larga escala, aparentemente projetado para sistematicamente quebrar essas regras, por meio de contas falsas se passando por crianças, está fora do que normalmente é descrito como avaliação padrão da indústria”, disse à Wired.
Para Chowdhury, a combinação de avaliação de segurança e benchmarking competitivo é “exatamente o tipo de zona cinza de governança onde a segurança se torna uma cobertura conveniente para práticas anticompetitivas.”
O projeto também aparentemente violou os termos de serviço das três empresas testadas. A OpenAI proíbe testes de segurança não solicitados e o uso de outputs para desenvolver modelos concorrentes. O Google proíbe tentativas de contornar filtros de segurança fora de seus programas oficiais. A Character.AI proíbe conteúdo prejudicial e exploratório.
O que as empresas dizem
A Character.AI afirmou que não autorizou os testes e que a conduta descrita pela Wired viola seus termos e políticas. A OpenAI disse estar “analisando o assunto.” O Google afirmou não ter autorizado os testes e não conhecer seu propósito.
Em nota, a Meta defendeu o trabalho como teste de segurança rotineiro. “Testar e comparar respostas de chatbots para garantir experiências seguras e adequadas à idade é uma prática padrão da indústria”, disse porta-voz da empresa à Wired. A Meta afirmou não usar benchmarking de concorrentes para treinar seus próprios modelos de IA.
A Covalen não respondeu ao pedido de comentário da Wired.
A indústria de inteligência artificial começa a enfrentar uma possível virada estrutural. A disputa, antes centrada em quais sistemas entregam maior capacidade, passa a considerar se modelos mais simples e baratos podem executar as mesmas funções com eficiência semelhante.
Esse movimento surge em meio ao aumento dos custos de operação e ao interesse crescente de empresas em reduzir gastos com inferência. A mudança abre espaço para uma reavaliação do padrão dominante de desenvolvimento de IA, conforme publicou o TechCrunch.
Projeções citadas por executivos do setor indicam que a maior parte das tarefas pode migrar para sistemas de menor custo nos próximos meses, mantendo apenas uma fração dos processos em modelos de última geração.
Mudança no eixo econômico da inteligência artificial
Claude Mythos da Anthropic – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock
O setor de inteligência artificial vive uma transição impulsionada por pressões financeiras e pela busca por eficiência. A lógica que predominou até agora se baseava na ideia de que modelos maiores entregam sempre melhores resultados, justificando seu uso quase exclusivo em aplicações corporativas.
Segundo Brian Armstrong, cofundador da Coinbase, há uma expectativa de que a demanda por processamento de inteligência continue elevada, mas distribuída de forma distinta. Ele avalia que grande parte das tarefas poderá ser executada por sistemas muito mais baratos, enquanto uma parcela menor exigirá modelos avançados.
Testes recentes citados no setor indicam que empresas já conseguem substituir parte do processamento por alternativas menores sem perda relevante de qualidade. Em um experimento envolvendo a ferramenta jurídica Harvey e a plataforma Fireworks AI, houve redução significativa de custos operacionais ao combinar diferentes modelos e direcionar apenas tarefas mais complexas para sistemas avançados.
Google anunciou nova era do Gemini no I/O 2026 – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
Em entrevista ao TechCrunch, Gabe Pereyra, cofundador da Harvey, disse que a noção de qualidade também está mudando dentro desse cenário. Ele aponta que o conceito deixa de estar associado apenas ao uso do modelo mais poderoso e passa a considerar eficiência e adequação da resposta ao custo envolvido.
A discussão também envolve a competição entre diferentes tipos de modelos no mercado. Sistemas proprietários e de código aberto entram em uma disputa de preços, enquanto versões menores de grandes laboratórios passam a competir diretamente com alternativas externas mais baratas.
Esse deslocamento ocorre após um período em que o setor priorizou o aumento de escala e capacidade computacional, impulsionado por investimentos elevados. Com a redução gradual de subsídios e a pressão por rentabilidade, empresas passam a reconsiderar o volume de recursos necessário para cada tarefa.
Analistas do setor indicam ainda que não há consenso sobre a velocidade dessa transição. Parte das organizações pode optar por reduzir o número de chamadas aos sistemas de IA ou limitar o uso de contexto, enquanto outras podem abandonar aplicações consideradas menos eficientes.
Os chatbots alimentados por inteligência artificial demonstram utilidade para muitas tarefas, sugestões de conteúdo, e até para a revisão de texto. Mas o que fazer quando enviamos um comando e a IA devolve com uma resposta medíocre? Nesse caso, o problema costuma ser o prompt utilizado e não o software da plataforma.
Para resolver isso, elaboramos uma lista de prompts para você utilizar no Claude (IA da Anthropic) e, com isso, obter respostas satisfatórias do chatbot. Os comandos devem melhorar não apenas a qualidade do resultado obtido, mas também a riqueza de detalhes ofertada em cada mensagem.
5 prompts para melhorar a qualidade das respostas do chatbot Claude
Apps com chabots alimentados por IA (Imagem: Tada Images/Shutterstock) – Imagem: Tada Images/Shutterstock
Exija perguntas para refinar o conteúdo final
Há muitos prompts bons lá fora, mas nem sempre eles embarcam toda a complexidade de nosso pensamento. A principal consequência disso é o chatbot enviar respostas que não contemplem tudo aquilo que esperávamos.
Por isso, uma ótima ideia para que a IA ofereça um melhor desempenho, é instigá-la a fazer perguntas. Ou seja, ao invés de você mandar um prompt completo sobre a geração de uma imagem, por exemplo, é possível solicitar que o chatbot realize uma lista de perguntas sobre o que você quer ver/espera da imagem. Isso pode refinar a resposta dele para algo bem próximo do que você precisa.
O prompet pode ser algo simples, como:
Faça-me as perguntas de que você precisa para entender melhor este projeto. [Insira o projeto/prompet em seguida]
Agora, se deseja algo ainda mais refinado, você pode fornecer a IA uma série de informações ricas e detalhadas e, em seguida, utilizar algo como:
Antes de começar a tarefa, revise todas as informações fornecidas e faça todas as perguntas necessárias para aumentar as chances de entregar o resultado que procuro. Numere as perguntas e, sempre que possível, formule-as de forma que possam ser respondidas com ‘sim’ ou ‘não’, para facilitar respostas rápidas e claras.
Impeça a produção de informações falsas
A não ser que você tenha pedido (e muito provavelmente não foi o caso), é indicado dizer ao chatbot que ele não pode inventar coisas que não existam, sejam o nome de pessoas, obras, citações, links ou informações.
Para isso, em algum lugar dentro do seu prompt, insira instruções claras do que o chatbot não pode fazer. Por exemplo:
Tudo bem se você não tiver alguma informação, mas seja sincero quanto a isso;
Não crie informações/dados mentirosos. Não invente nomes, obras, links, números ou qualquer outro dado que não exista;
Apure todas as informações fornecidas e insira um link confiável para justificar seu apontamento. Para isso, exclua sites duvidosos, como a Wikipédia.
A inteligência artificial presente nos chatbots foi programada para se adaptar a todo e qualquer contexto. Por isso, uma vez que você a força a assumir um determinado papel ou função/personagem, todo o conteúdo do chat será em torno disso.
Essa técnica é importante porque em vez de a IA dar uma mera importância a uma mensagem de cada vez, todos os comandos deste chat serão colocados dentro do mesmo contexto. Assim, ela pode referenciar dados prévios (que você ou ela tenha enviado) desta conversa em novas mensagens.
Abaixo, constam alguns exemplos atrelados a contextos específicos:
Explique-me a diferença entre notícia, nota e reportagem como se fosse um professor universitário aposentado que lecionou por décadas sobre a edição e desenvolvimento de textos jornalísticos.Sua explicação é destinada a um aluno que ainda está na faculdade e busca construir uma base sólida sobre redação.
Se você decidir usar esta técnica, é necessário personalizar o comando de acordo com o personagem ou função que você deseja que a IA assuma.
Caso você tenha dificuldade para lembrar-se do que aprendeu, pode dar um toque mais cômico, ainda que educativo, para o prompt.
Você é um estatístico, engenheiro e professor de matemática com mestrado em educação inclusiva. Ensine-me álgebra linear como se os conceitos matemáticos fossem personagens de um reality show.
Apurar o conteúdo enviado pelo chatbot é imprescindível (Imagem: krungchingpixs/Shutterstock)
Não é indicado aceitar cegamente tudo o que o chatbot responde a você, principalmente se você não entendeu tudo o que ele lhe disse. Isso porque, não raramente, a inteligência artificial pode enviar respostas imprecisas ou incompletas.
Por isso, uma maneira de auxiliar na sua compreensão do assunto abordado e ainda permitir que a própria ferramenta perceba algum erro e se corrija (porque, sim, isso é possível) é você pedir que ela explique como ela chegou a determinado raciocínio.
Algumas alternativas podem ser:
Explique o passo a passo de como você chegou a esta conclusão e reflita explicitamente se há algum erro de raciocínio ou imprecisão de dados;
Quais dados e alternativas foram utilizados para chegar a esta conclusão? Não se esqueça de citar seu formato de apuração e fontes de informação.
Solicite uma explicação de abordagem antes da resposta final
No ato de enviar um questionamento ou comando ao chatbot, você pode, por exemplo, solicitar que ele explique qual será a abordagem utilizada para enviar a resposta de que você precisa.
Sem esse direcionamento, o Claude simplesmente executa a tarefa imediatamente. Na maior parte dos casos, o resultado acaba exigindo várias correções manuais depois. Já com esse tipo de prompt, a probabilidade de receber uma resposta mais organizada, coerente e bem elaborada aumenta bastante.
Antes de responder, descreva rapidamente qual estratégia você vai usar para resolver este problema. Em seguida, apresente a resposta de forma organizada e clara: [insira sua pergunta aqui].
A ideia de receber ordens de um algoritmo em vez de um ser humano pode se tornar realidade no mercado de trabalho. De acordo com uma pesquisa recente da Universidade Quinnipiac, divulgada no fim de março de 2026, 15% dos norte-americanos afirmam que estariam dispostos a trabalhar em um emprego em que seu supervisor direto fosse um programa de inteligência artificial (IA).
Embora a vasta maioria (80%) ainda rejeite a ideia de ter a rotina e as tarefas coordenadas por uma máquina, os dados revelam uma mudança de comportamento. O levantamento, que ouviu quase 1.400 adultos, mostra que a aceitação da IA em cargos de liderança começa a ganhar tração, especialmente em funções focadas em produtividade, como a atribuição de tarefas e a definição de cronogramas.
O fim da média gerência?
A disposição de parte dos trabalhadores em aceitar um “chefe robô” coincide com um movimento corporativo que especialistas estão chamando de “The Great Flattening” (ou “O Grande Achatamento”). Segundo análise do portal TechCrunch, empresas de tecnologia já estão utilizando agentes de IA para eliminar camadas intermediárias de gestão, tornando as organizações mais “leves” e diretas.
Exemplos práticos desse movimento já aparecem em gigantes do setor:
Amazon: implementou fluxos de trabalho automatizados para substituir responsabilidades que antes cabiam a gerentes médios.
Workday: lançou agentes de IA capazes de registrar e aprovar relatórios de despesas de funcionários sem intervenção humana.
Uber: engenheiros chegaram a criar um modelo de IA do próprio CEO, Dara Khosrowshahi, para avaliar propostas antes de reuniões presenciais.
Eficiência operacional vs. medo do desemprego
O paradoxo da IA na gestão fica evidente no contraste entre a eficiência e a segurança profissional. O estudo da Quinnipiac aponta que 70% dos entrevistados acreditam que os avanços da tecnologia levarão a uma redução geral nas oportunidades de emprego.
Curiosamente, existe uma desconexão entre a percepção do mercado e a segurança individual: enquanto a maioria prevê um cenário difícil para todos, apenas 30% dos profissionais empregados temem que a IA possa tornar seus cargos específicos obsoletos.
Para a Dra. A Dra. Tamilla Triantoro, professora da Escola de Negócios da Universidade Quinnipiac, afirma que essa tendência indica que o público aceita a IA como uma ferramenta de mercado, mas ainda luta para entender como ela afetará sua própria trajetória de carreira.
O futuro da supervisão
A resistência à supervisão automatizada também está ligada à falta de clareza das empresas. A pesquisa revela que 76% dos americanos sentem que as organizações não são transparentes o suficiente sobre como utilizam a IA.
O relatório conclui que, para que a aceitação de um “chefe de IA” cresça, será necessário mais do que apenas algoritmos eficientes: o mercado exige regulamentação governamental e diretrizes éticas claras, algo que 74% dos participantes sentem que ainda falta por parte das autoridades.