A startup indiana Emergent, conhecida por sua plataforma de vibe-coding, acaba de dar um passo ambicioso no campo da inteligência artificial. A empresa lançou o Wingman, um agente de IA autônomo focado em mensagens, que não apenas ajuda a criar softwares, mas passa a executá-los e operar fluxos de trabalho em segundo plano.
Conforme reportado pelo TechCrunch, o Wingman entra em um território explorado por ferramentas como o OpenClaw e os agentes da Anthropic. O objetivo é permitir que a IA realize tarefas rotineiras — como gerenciar e-mails, calendários e softwares corporativos — de forma independente, mas sob a supervisão do usuário.
O copiloto que vive no seu chat
O grande diferencial da Emergent é a interface. Em vez de exigir que o usuário aprenda a usar uma nova plataforma, o Wingman funciona dentro de aplicativos de mensagens que já fazem parte do dia a dia, como WhatsApp, Telegram e iMessage.
“Muitas tarefas reais já acontecem via chat, voz e e-mail – pedir algo, fazer o acompanhamento, compartilhar contexto. Cada vez mais, essas serão as principais formas de trabalharmos com agentes também”, afirmou Mukund Jha, cofundador e CEO da Emergent, ao TechCrunch.
Principais recursos do Wingman:
Fronteiras de confiança: o agente realiza tarefas rotineiras sozinho, mas, para passos mais consequentes ou decisões críticas, ele interrompe a execução e pede aprovação via chat.
Integração total: ele roda em segundo plano conectado a ferramentas de produtividade, sendo capaz de cruzar dados entre o seu calendário e o seu e-mail para resolver pendências.
Acessibilidade: focado em usuários não técnicos, ele segue a filosofia do “vibe-coding”, em que basta dizer o que você quer que seja feito.
Uma startup de US$ 300 milhões
Fundada em 2025 e sediada em Bengaluru, a Emergent já é considerada uma “queridinha” dos investidores de risco. Em janeiro, a startup levantou US$ 70 milhões em uma rodada liderada por gigantes como SoftBank e Khosla Ventures, atingindo uma avaliação de US$ 300 milhões.
Atualmente, mais de 8 milhões de pessoas já utilizaram as ferramentas de criação da empresa. Com o Wingman, a Emergent quer provar que a IA pode ir além de ser apenas uma ferramenta de consulta ou criação, tornando-se uma ferramenta de execução.
O Wingman está sendo lançado em um modelo de teste gratuito limitado. Após esse período, o acesso será pago, com integração direta para quem já possui contas na plataforma da Emergent.
A Metaanunciou que permitirá que empresas de inteligência artificial (IA) rivais ofereçam seus chatbots no WhatsApp via API de negócios na Europa pelos próximos 12 meses. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (5) como resposta à pressão regulatória da Comissão Europeia, que havia sinalizado a intenção de impor medidas provisórias para impedir a implementação da política anterior da empresa.
Segundo a Meta, a decisão busca dar tempo à Comissão Europeia para concluir sua investigação. “Para os próximos 12 meses, vamos apoiar chatbots de IA de propósito geral usando a API de negócios do WhatsApp na Europa em resposta ao processo regulatório da Comissão Europeia”, afirmou a empresa em comunicado por e-mail.
Meta vai permitir que rivais acessem API do WhatsApp na Europa, mas com custos (Imagem: Ahyan Stock Studios / Shutterstock.com)
Custos para provedores de chatbots de IA
O acesso à API, no entanto, não será gratuito. A Meta cobrará uma taxa que varia entre € 0,0490 e € 0,1323 por mensagem não padronizada, dependendo do país. Como conversas com assistentes de IA geralmente envolvem dezenas de mensagens, os custos podem ser significativos para provedores de serviços.
A Comissão Europeia afirmou que está analisando como essas mudanças impactam sua investigação sobre medidas provisórias e a investigação antitruste em andamento.
Restrições anteriores e exceções
A política que entrou em vigor em 15 de janeiro havia gerado reclamações de diversos provedores de chatbots de IA, que alegaram prejuízo aos negócios e caráter anticompetitivo da decisão. A restrição não se aplicava a empresas que utilizam IA para atendimento ao cliente com mensagens padronizadas. A proibição visava especificamente chatbots de propósito geral, como ChatGPT, Claude ou Poke.
Em janeiro, a Meta já havia permitido que desenvolvedores oferecessem seus chatbots via API na Itália. Reguladores em diferentes países, incluindo União Europeia, Itália e Brasil, abriram investigações após a empresa anunciar a política em outubro, principalmente por também oferecer seu próprio chatbot, o Meta AI, no WhatsApp.
A Meta justificou anteriormente sua política afirmando que chatbots de IA podem sobrecarregar os sistemas do WhatsApp de maneiras que a API de negócios não foi projetada para suportar.
Recentemente, três alunos de Ciência da Computação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP São Carlos criaram um chatbot para o combate de fake news online. O chamado “Tá Certo isso AI” analisa e verifica a veracidade das informações recebidas via mensagens pelo WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem).
O software foi desenvolvido por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Costa e Pedro Henrique Silva, equipe vencedora do Programa AI4Good da Brazil Conference. Esse evento é uma conferência internacional que reúne brasileiros nos EUA — incluindo especialistas, líderes, estudantes e empreendedores — para debater e criar estratégias que enfrentem desafios tecnológicos, políticos e socioeconômicos do país.
O evento ocorrerá presencialmente na Universidade Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos dias 27, 28 e 29 de março.
Para quem tem pressa:
Estudantes da USP São Carlos criaram um chatbot que analisa e verifica a veracidade das informações recebidas via WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem);
O software “Tá Certo Isso AI?” foi o vencedor do Programa AI4Good;
As informações analisadas pela ferramenta são checadas emmeios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais e fontes especializadas na checagem de fatos. A ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária, mas que auxilie no processo de combate à desinformação.
Funcionamento do chatbot e curadoria de informações
O softwate “Tá Certo isso AI?” é público e pode ser acessado por qualquer pessoa de diferentes formas.
Na primeira forma, você pode adicionar o telefone 35 8424-8271 nos contatos da sua agenda do celular e salvá-lo. Em seguida, basta abrir uma conversa com este número no WhatsApp.
A segunda maneira é por meio do site oficial do projeto, clicando aqui. Ainda é possível adicionar a ferramenta a grupos de WhatsApp onde, após a adição, é possível marcar o bot com @ na informação que deseja confirmação.
Na análise, o chatbot busca a veracidade das informações em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais, e fontes especializadas na checagem de fatos. Em entrevista ao Jornal da USP, um dos desenvolvedores do projeto, Luiz Felipe Diniz Costa, afirmou que a ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária.
“O bot não aceita qualquer fonte. Ele faz a checagem apenas em bases que já passaram por esse filtro de confiabilidade, o que reduz o risco de erro e aumenta a qualidade das respostas”, afirmou Luiz Felipe Costa, um dos idealizadores do projeto.
Jovem interage com diversas plataformas tecnológicas em seu celular – (Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
O “Tá Certo Isso AI?” começou com a participação dos estudantes no Hackathon 2025, uma maratona de programação onde os alunos tiveram apenas 10 horas para esboçar a ferramenta e saíram vencedores. O tema era justamente “Soluções para mitigar o impacto das fake news na sociedade”.
A partir daí, Cauê afirmou que soube que o edital do AI4Good estava aberto e viu uma oportunidade para continuar o desenvolvimento do projeto. “Foram cerca de 170 grupos inscritos e apenas oito foram selecionados para participar do processo de monitoria e aceleração”, comentou um dos desenvolvedores.
Após a aprovação no processo, foram aproximadamente seis semanas para aprimorar o “Tá Certo isso AI?” e colocá-lo em vigor.
Para continuar o desenvolvimento da ferramenta, Luiz Costa analisou a proporção que o chatbot tem tomado e vê como uma oportunidade para investimentos no projeto:
Acreditamos que a visibilidade proporcionada pela Brazil Conference pode abrir caminho não apenas para colaborações com órgãos governamentais e veículos de comunicação, já que o enfrentamento à desinformação é um interesse comum a essas esferas, mas também para impulsionar nossas trajetórias profissionais, por meio do desenvolvimento de projetos com impacto social.
— Luiz Costa, um dos idealizadores do “Tá Certo isso AI?”
A disputa pelo domínio da inteligência artificial (IA) dentro do WhatsApp ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (2), aprofundando o embate entre a Meta e um grupo que reúne as startups Zapia e Luzia, além das gigantes Microsoft e OpenAI.
No Brasil, o conflito já chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e também foi parar na Justiça, em embate que coloca em jogo o acesso à plataforma digital mais disseminada do país.
No centro da disputa está a oferta de chatbots de IA dentro do WhatsApp. Para as empresas envolvidas, marcar presença no aplicativo significa fincar posição estratégica no principal canal de comunicação digital dos brasileiros.
Após obter decisão judicial favorável para restringir concorrentes do Meta AI, a Meta, agora, enfrenta um novo movimento da Zapia, que promete elevar o nível de complexidade da briga.
Zapia tenta “contornar” políticas da Meta
A startup uruguaia, criada há dois anos, está, segundo o UOL, prestes a anunciar a oferta de agentes de IA — considerados símbolos da nova fase da IA;
Diferentemente dos chatbots tradicionais, esses agentes são descritos como robôs autônomos capazes de executar tarefas sozinhos, aprender as necessidades dos usuários e agir proativamente, antecipando demandas antes mesmo de serem solicitadas;
A novidade será lançada inicialmente no próprio aplicativo da Zapia, mas a empresa já testa a integração da função ao WhatsApp e pretende implementá-la futuramente na plataforma, segundo o UOL. Internamente, a chegada desses assistentes ao app da Meta é vista como “bem provável”;
Caso se concretize, o movimento representará não apenas uma intensificação da presença da Zapia no território da concorrente, mas também uma antecipação à oferta de agentes dentro do ecossistema da Meta — a Manus AI, adquirida pela companhia de Mark Zuckerberg, já liberou agentes, porém no Telegram.
Atualmente, a Zapia afirma atender seis milhões de pessoas na América Latina. Seu agente de IA realiza reservas, cria lembretes, gerencia agendas, responde dúvidas e executa tarefas, como a maioria dos chatbots disponíveis no mercado.
Agora, com o lançamento do Zapia Max, a empresa inaugura sua entrada na era dos agentes de IA. O novo sistema poderá interagir com outros aplicativos para pesquisar e comparar preços em diferentes lojas, detectar quedas de valores, organizar caixas de e-mail e editar documentos ou planilhas.
O motor dessa transformação, diz o UOL, é o OpenClaw, sistema de código aberto projetado para atuar como agente de IA — com capacidade de controlar um computador, executar tarefas complexas e automatizar fluxos de trabalho. Entre suas vantagens está a possibilidade de operar diretamente no aparelho do usuário e também via plataformas de mensagem, como WhatsApp, Telegram, Discord e Slack.
Só há um porém: em postagem de blog passada, a Zapia desqualificou o OpenClaw ante sua própria ferramenta. A empresa uruguaia afirma que não concederá controle irrestrito ao OpenClaw em sua aplicação. Segundo a empresa, o agente só navegará e executará ações em nome dos usuários mediante permissões especiais.
Leia mais:
Startup uruguaia lidera revolução dos agentes de IA em mensageiros, como o WhatsApp (Imagem: Reprodução/Zapia)
Agentes de IA em alta
Os agentes de IA tornaram-se alvo de interesse das grandes empresas de tecnologia. O OpenClaw deu origem ao Moltbook, rede social que chamou atenção por ser alimentada exclusivamente por robôs, com humanos atuando apenas como espectadores.
Seu fundador, o desenvolvedor Peter Steinberger, foi recentemente contratado pela OpenAI, com anúncio feito pelo próprio Sam Altman. Steinberger continuará mantendo o sistema e o transferirá para uma fundação que receberá recursos da desenvolvedora do ChatGPT.
A própria Meta também investiu pesado nesse segmento. No ano passado, a empresa adquiriu a Manus AI por US$ 3 bilhões (R$ 15,5 bilhões). A companhia nasceu na China e foi posteriormente realocada em Singapura, destacando-se no desenvolvimento de agentes de IA.
O embate entre Meta e as startups ganhou força em janeiro, quando a big tech proibiu desenvolvedores de IA de oferecer seus serviços no WhatsApp. Permaneceram autorizadas apenas empresas que utilizam IA generativa para aprimorar o atendimento ao cliente. Zapia e Luzia denunciaram a conduta ao Cade, que suspendeu a medida no Brasil após abrir investigação para apurar se a restrição prejudicava a concorrência.
Em outros países, a disputa assumiu contornos diferentes. Onde não conseguiu manter o banimento, como na Itália, a Meta passou a cobrar por mensagem trocada com chatbots. No Brasil, porém, após obter decisão favorável, a empresa não tem planos de implementar a cobrança por ora, aponta o UOL.
Para a Zapia, a restrição imposta pela Meta acabou acelerando a transformação de seu próprio aplicativo no principal canal de distribuição. A estratégia se completa com o lançamento simplificado dos agentes de IA.
A startup uruguaia, inclusive, conta com reforço financeiro relevante. A empresa recebeu investimento de R$ 36 milhões da Prosus Ventures, braço de investimentos da Prosus, companhia holandesa comandada pelo brasileiro Fabrício Bloisi, ex-líder do iFood. Além do aporte financeiro, a expectativa é que a Zapia se beneficie da expertise do grupo em situações adversas, compartilhada por outras empresas investidas.
Considerada uma gigante discreta do setor de tecnologia, a Prosus é dona de iFood, Decolar e OLX, além de deter participação na chinesa Tencent — controladora do WeChat e de jogos, como League of Legends, Fortnite e Valorant — e no Nubank. Coincidentemente, também é investidora da Luzia, outra empresa que disputa espaço no WhatsApp.
Sob a liderança de Bloisi, o plano é ampliar os recursos destinados à Zapia e direcionar investimentos para outras startups de IA, fortalecendo a presença do grupo no setor e adicionando novos capítulos à disputa que tem o WhatsApp como palco principal.
O que diz a Zapia
O Olhar Digital entrou em contato com a Zapia e aguarda retorno.