Desinformação

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Nova pesquisa brasileira relata aumento de fake news com uso de IA

Uma nova pesquisa, conduzida pela agência de checagem Lupa, evidenciou um aumento considerável da inteligência artificial em conteúdos falsos divulgados online. Dentre os principais assuntos, as postagens com desinformação apresentam temas como eleições, guerras e golpes. É possível consultar os resultados do estudo clicando aqui.

Os dados obtidos pelo estudo concentram o todo de 1.294 checagens profissionais em, pelo menos, dez idiomas diferentes, e asseguram que 81,2% das fake news com algum uso de IA surgiram apenas nos últimos dois anos (entre janeiro de 2024 e março de 2026).

Os posts com informações falsas podem apresentar recortes de notícias inteiramente produzidas por geradores de imagens e até deepfakes (um vídeo falso com o rosto de alguém conhecido e com a mesma voz, falando coisas que a pessoa em si nunca disse ou distorcendo algo já dito).

Com isso, a Lupa sugere que o uso das ferramentas de geração e edição de conteúdo, alimentadas por IA, elevou a necessidade de desconfiança daquilo que é visto online.

Além disso, o levantamento aponta que a disseminação de conteúdos falsos com inteligência artificial cresceu 308% no Brasil entre 2024 e 2025, indicando uma aceleração significativa desse tipo de desinformação. No período analisado, o número de casos envolvendo IA passou de 39 para 159 ocorrências, representando uma mudança estrutural no uso dessas tecnologias para produção de conteúdos enganosos.

Para quem tem pressa:

  • Uma pesquisa, conduzida pela Agência Lupa, acendeu um alerta para o aumento escalonado de fake news com uso de inteligência artificial;
  • Posts com desinformação abordam assuntos como guerra, eleições e golpes;
  • Cenário é ainda mais preocupante em períodos eleitorais.

O perigo da disseminação online de fake news

Ilustração de fake news (Imagem: Arkadiusz Warguła/iStock)

Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, disse em entrevista à Agência Brasil que “A IA dificilmente tem sido feita para impulsionar conteúdos verdadeiros.”

Segundo a pesquisadora, a desinformação pode atingir o público em inúmeras frentes (fotos, vídeos, textos e áudios) e gera grande preocupação em períodos eleitorais.

Isso porque, ainda no cenário eleitoral, os eleitores são constantemente bombardeados com conteúdos que, frequentemente, apresentam informações falsas ou distorcidas. Ou seja, o uso da IA deixou de ser pontual para se tornar uma estratégia permanente de manipulação.

Ela ainda informa que, pelo menos no Brasil, o volume de checagens para esse tipo de conteúdo foi de 160 casos (em 2023) para 578 (em 2025). Até março de 2026, já acumularam mais de 205 verificações.

O estudo também indica que a desinformação produzida com IA passou a ter forte viés político. Em 2025, quase 45% dos conteúdos falsos gerados com essas ferramentas estavam ligados a disputas ideológicas, enquanto no ano anterior esse percentual era menor. Além disso, a maioria das peças utilizou imagens ou vozes de figuras públicas para aumentar a credibilidade das mensagens falsas.

Leia mais:

Reflexões da pesquisadora sobre o estudo conduzido

Deepfake
Deepfakes são muito comuns em épocas de eleição (Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock)

O estudo conduzido pela Agência Lupa apresenta recortes linguísticos. Em língua inglesa, foram encontrados 427 casos de desinformações por IA, incluindo deepfakes. Em espanhol, foram 198; em português, 111.

Tardáguila defende que a atitude mais importante para combater as fake news é incentivar a “educação midiática”. Isto é, um conjunto de práticas para melhorar o senso de interpretação e raciocínio lógico dos internautas para fazê-los questionar aquilo que recebem e incentivá-los a apurar a informação.

Outro ponto destacado pela pesquisa é a mudança nas plataformas de disseminação. Embora o WhatsApp ainda concentre parte significativa da circulação de conteúdos falsos, houve uma redução da dependência desse aplicativo e uma maior dispersão para outras redes sociais, incluindo plataformas de vídeos curtos e redes emergentes.

A jornalista também afirma que os projetos e empresas especializadas em checagem de informação apoiam legislações que buscam promover, incentivar e estimular os cidadãos a analisar possíveis dados falsos em postagens.

Eleições 2024 votação
Título de eleitor (Imagem: Leonidas Santana / Shutterstock.com)

O levantamento também identificou que líderes políticos e autoridades públicas figuram entre os principais alvos das desinformações criadas com inteligência artificial, reforçando o caráter estratégico desse tipo de conteúdo no debate público.

A gente precisa que a vacina contra a desinformação, que é, na verdade, a informação de qualidade, chegue antes para que as pessoas possam estar preparadas e resilientes quando elas virem a mentira em formato de IA.

— Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, em entevista à Agência Brasil

A jornalista sugere a criação de uma política pública que instaure nas escolas uma rotina de aprendizado sobre a educação midiática, a fim de estimular os jovens, desde cedo, a analisar e questionar as informações recebidas online.

O relatório também integra o primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, que inaugura uma série histórica para analisar padrões, estratégias e impactos da desinformação no país, com o objetivo de subsidiar jornalistas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas no enfrentamento desse fenômeno.

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Estudantes da USP vencem prêmio internacional de IA com chatbot para WhatsApp

Recentemente, três alunos de Ciência da Computação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP São Carlos criaram um chatbot para o combate de fake news online. O chamado “Tá Certo isso AIanalisa e verifica a veracidade das informações recebidas via mensagens pelo WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem).

O software foi desenvolvido por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Costa e Pedro Henrique Silva, equipe vencedora do Programa AI4Good da Brazil Conference. Esse evento é uma conferência internacional que reúne brasileiros nos EUA — incluindo especialistas, líderes, estudantes e empreendedores — para debater e criar estratégias que enfrentem desafios tecnológicos, políticos e socioeconômicos do país.

O evento ocorrerá presencialmente na Universidade Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos dias 27, 28 e 29 de março.

Para quem tem pressa:

  • Estudantes da USP São Carlos criaram um chatbot que analisa e verifica a veracidade das informações recebidas via WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem);
  • O software “Tá Certo Isso AI?” foi o vencedor do Programa AI4Good;
  • As informações analisadas pela ferramenta são checadas em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais e fontes especializadas na checagem de fatos. A ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária, mas que auxilie no processo de combate à desinformação.

Funcionamento do chatbot e curadoria de informações

O softwate “Tá Certo isso AI?” é público e pode ser acessado por qualquer pessoa de diferentes formas.

Na primeira forma, você pode adicionar o telefone 35 8424-8271 nos contatos da sua agenda do celular e salvá-lo. Em seguida, basta abrir uma conversa com este número no WhatsApp.

A segunda maneira é por meio do site oficial do projeto, clicando aqui. Ainda é possível adicionar a ferramenta a grupos de WhatsApp onde, após a adição, é possível marcar o bot com @ na informação que deseja confirmação.

Na análise, o chatbot busca a veracidade das informações em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais, e fontes especializadas na checagem de fatos. Em entrevista ao Jornal da USP, um dos desenvolvedores do projeto, Luiz Felipe Diniz Costa, afirmou que a ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária.

“O bot não aceita qualquer fonte. Ele faz a checagem apenas em bases que já passaram por esse filtro de confiabilidade, o que reduz o risco de erro e aumenta a qualidade das respostas”, afirmou Luiz Felipe Costa, um dos idealizadores do projeto.

Leia mais:

Idealização do projeto

Jovem interage com diversas plataformas tecnológicas em seu celular – (Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O “Tá Certo Isso AI?” começou com a participação dos estudantes no Hackathon 2025, uma maratona de programação onde os alunos tiveram apenas 10 horas para esboçar a ferramenta e saíram vencedores. O tema era justamente “Soluções para mitigar o impacto das fake news na sociedade”.

A partir daí, Cauê afirmou que soube que o edital do AI4Good estava aberto e viu uma oportunidade para continuar o desenvolvimento do projeto. “Foram cerca de 170 grupos inscritos e apenas oito foram selecionados para participar do processo de monitoria e aceleração”, comentou um dos desenvolvedores.

Após a aprovação no processo, foram aproximadamente seis semanas para aprimorar o “Tá Certo isso AI?” e colocá-lo em vigor.

Desenvolvimentos futuros

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
Usuário utilizando chatbot (Imagem: TippaPatt / Shutterstock)

Para continuar o desenvolvimento da ferramenta, Luiz Costa analisou a proporção que o chatbot tem tomado e vê como uma oportunidade para investimentos no projeto:

Acreditamos que a visibilidade proporcionada pela Brazil Conference pode abrir caminho não apenas para colaborações com órgãos governamentais e veículos de comunicação, já que o enfrentamento à desinformação é um interesse comum a essas esferas, mas também para impulsionar nossas trajetórias profissionais, por meio do desenvolvimento de projetos com impacto social.

— Luiz Costa, um dos idealizadores do “Tá Certo isso AI?”

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