Desinformação

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Vídeos falsos e IA superam fake news como ameaça à democracia, alerta novo guia do CGI.br

Vídeos falsos produzidos por inteligência artificial e informações de baixa qualidade já representam uma ameaça maior às eleições e à democracia do que as tradicionais fake news. É o que aponta o novo Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado pelo CGI.br.

Segundo a Agência Brasil, o documento compara o cenário atual com o de 2018, quando as redes abertas tinham papel central na disseminação de desinformação. Hoje, redes mais restritas, como o WhatsApp, ganharam espaço nessa circulação.

A multiplicação de conteúdos falsos pode alimentar a desconfiança até diante de informações verdadeiras. Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Vídeo assume protagonismo

A desinformação também deixou de depender de uma única plataforma. Segundo o guia, conteúdos enganosos circulam ao mesmo tempo em diferentes ambientes digitais, com o vídeo passando a ser o principal vetor.

Em geral, esses vídeos vêm acompanhados de textos curtos que ajudam a sustentar e dar aparência de legitimidade à narrativa falsa. A IA generativa, que já apareceu no ciclo eleitoral de 2022, deve ganhar ainda mais espaço neste ano, combinada a ferramentas capazes de direcionar mensagens para perfis específicos.

Entre os pontos destacados pelo CGI.br estão:

  • crescimento do uso de vídeos na desinformação;
  • maior circulação de conteúdos em redes restritas, como o WhatsApp;
  • uso de IA generativa para produzir conteúdos enganosos;
  • direcionamento de mensagens a perfis específicos;
  • técnicas que tornam narrativas falsas mais convincentes.

Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem.

Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, à Agência Brasil.

O problema das deepfakes

O realismo das deepfakes está entre as principais preocupações levantadas pelo estudo. À medida que essas ferramentas avançam, identificar uma falsificação pode se tornar difícil até para pessoas acostumadas a avaliar informações.

A consequência pode ir além de acreditar em uma mentira. O guia alerta para a possibilidade de que a multiplicação de conteúdos falsos provoque desconfiança até diante de informações verdadeiras.

A perda de confiança na imprensa e no Judiciário, associada à polarização política, também aparece como fator de preocupação. Segundo o guia, esse ambiente pode favorecer situações em que convicções pessoais acabam se sobrepondo à checagem dos fatos.

ícone do whatsapp na tela de um celular
Aplicativos como o WhatsApp ganharam espaço na circulação de conteúdos enganosos durante a transformação do ambiente digital. – Imagem: Primakov/Shutterstock

Quando a crença pesa mais

O estudo chama atenção para outro comportamento: a tendência de buscar conteúdos que confirmem aquilo que a pessoa já pensa. Informações contrárias às próprias convicções podem ser descartadas. O guia chama esse mecanismo de racionalidade motivada e aponta seu potencial de reforçar posições ideológicas.

Os influenciadores também entram nessa discussão. O CGI.br reconhece sua relevância na comunicação digital, mas ressalta uma diferença em relação ao jornalismo: eles não seguem um código de ética nem respondem institucionalmente pela veracidade de suas afirmações da mesma forma que o jornalismo.

A publicação explica o funcionamento dos sistemas de recomendação e discute o impacto da IA generativa nas eleições. Também apresenta conceitos ligados às deepfakes e aos modelos de linguagem conversacionais.

O material reúne ainda orientações para instituições enfrentarem a desinformação e recomendações para que cidadãos não se tornem vítimas ou propagadores de conteúdos falsos ou enganosos.

A mudança apontada pelo CGI.br mostra como a desinformação eleitoral passou a combinar novos formatos, inteligência artificial e diferentes canais de distribuição. O desafio envolve não apenas identificar uma informação falsa, mas também compreender como ela é produzida e chega a públicos específicos.

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AGU dá 72 horas para YouTube agir contra falsos médicos com IA

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para remover ou sinalizar vídeos que usam inteligência artificial para criar falsos médicos e outros profissionais de saúde. A cobrança do governo busca conter a divulgação de promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica na internet.

O pedido veio após o Ministério da Saúde identificar 97 perfis desse tipo entre 1º de janeiro e 10 de julho deste ano. Segundo a pasta, os conteúdos podem incentivar a automedicação, atrasar a procura por atendimento profissional e levar à interrupção ou substituição de tratamentos.

Conceito de tecnologia moderna da internet: gerador de fake news baseado em deep learning e deepfake.
Avatares com aparência humana se apresentam como médicos ou especialistas e usam qualificações profissionais fictícias. – Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock

Médicos virtuais tentam parecer reais

Os canais usam avatares com aparência humana que se apresentam como médicos ou especialistas. Com qualificações profissionais fictícias e linguagem alarmista, os personagens tentam transmitir autoridade e dar credibilidade às informações divulgadas.

Parte dos perfis tem como alvo especialmente a população idosa. A suposta autoridade desses personagens também é usada para vender produtos, e-books ou serviços pagos.

Os riscos para quem acredita

O Ministério da Saúde alerta que esse tipo de conteúdo pode levar ao uso de medicamentos e terapias sem eficácia comprovada. Também existe o risco de a pessoa adiar a busca por atendimento profissional ou abandonar um tratamento.

Entre os principais problemas apontados pela pasta estão:

  • Automedicação: uso de medicamentos sem orientação profissional;
  • Terapias sem eficácia comprovada: adoção de tratamentos que não demonstraram eficácia;
  • Atraso no atendimento: demora para procurar um profissional de saúde;
  • Interrupção de tratamentos: abandono ou substituição de terapias em andamento.

A aparência dos avatares e a forma como eles se apresentam podem dificultar a identificação de informações falsas. Para quem procura orientação sobre saúde na internet, uma figura que aparenta ser especialista pode transmitir uma autoridade que, na realidade, não existe.

Vários comprimidos dentro de uma fita métrica enrolada
O Ministério da Saúde alerta para o risco de automedicação e uso de terapias sem eficácia comprovada. – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

AGU dá 72 horas para o YouTube

A notificação foi enviada na sexta-feira (4). A AGU deu ao YouTube 72 horas para tornar indisponíveis os conteúdos identificados pelo Ministério da Saúde. Dependendo do caso, a plataforma poderá adotar mecanismos de rotulagem e contextualização para informar aos usuários que os personagens são artificiais.

Leia mais:

A plataforma também foi instada a analisar outros canais e vídeos apontados no relatório, de acordo com suas regras sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético. A AGU pediu ainda medidas para impedir a disseminação desse tipo de material.

A ação integra uma força-tarefa do governo federal que reúne Ministério da Saúde, AGU e Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Por meio do programa Saúde com Ciência, o ministério monitora redes sociais, checa informações e encaminha denúncias aos órgãos responsáveis.

A orientação da pasta é procurar informações sobre saúde em fontes oficiais e confiáveis e denunciar conteúdos que possam colocar outras pessoas em risco.

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Nova pesquisa brasileira relata aumento de fake news com uso de IA

Uma nova pesquisa, conduzida pela agência de checagem Lupa, evidenciou um aumento considerável da inteligência artificial em conteúdos falsos divulgados online. Dentre os principais assuntos, as postagens com desinformação apresentam temas como eleições, guerras e golpes. É possível consultar os resultados do estudo clicando aqui.

Os dados obtidos pelo estudo concentram o todo de 1.294 checagens profissionais em, pelo menos, dez idiomas diferentes, e asseguram que 81,2% das fake news com algum uso de IA surgiram apenas nos últimos dois anos (entre janeiro de 2024 e março de 2026).

Os posts com informações falsas podem apresentar recortes de notícias inteiramente produzidas por geradores de imagens e até deepfakes (um vídeo falso com o rosto de alguém conhecido e com a mesma voz, falando coisas que a pessoa em si nunca disse ou distorcendo algo já dito).

Com isso, a Lupa sugere que o uso das ferramentas de geração e edição de conteúdo, alimentadas por IA, elevou a necessidade de desconfiança daquilo que é visto online.

Além disso, o levantamento aponta que a disseminação de conteúdos falsos com inteligência artificial cresceu 308% no Brasil entre 2024 e 2025, indicando uma aceleração significativa desse tipo de desinformação. No período analisado, o número de casos envolvendo IA passou de 39 para 159 ocorrências, representando uma mudança estrutural no uso dessas tecnologias para produção de conteúdos enganosos.

Para quem tem pressa:

  • Uma pesquisa, conduzida pela Agência Lupa, acendeu um alerta para o aumento escalonado de fake news com uso de inteligência artificial;
  • Posts com desinformação abordam assuntos como guerra, eleições e golpes;
  • Cenário é ainda mais preocupante em períodos eleitorais.

O perigo da disseminação online de fake news

Ilustração de fake news (Imagem: Arkadiusz Warguła/iStock)

Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, disse em entrevista à Agência Brasil que “A IA dificilmente tem sido feita para impulsionar conteúdos verdadeiros.”

Segundo a pesquisadora, a desinformação pode atingir o público em inúmeras frentes (fotos, vídeos, textos e áudios) e gera grande preocupação em períodos eleitorais.

Isso porque, ainda no cenário eleitoral, os eleitores são constantemente bombardeados com conteúdos que, frequentemente, apresentam informações falsas ou distorcidas. Ou seja, o uso da IA deixou de ser pontual para se tornar uma estratégia permanente de manipulação.

Ela ainda informa que, pelo menos no Brasil, o volume de checagens para esse tipo de conteúdo foi de 160 casos (em 2023) para 578 (em 2025). Até março de 2026, já acumularam mais de 205 verificações.

O estudo também indica que a desinformação produzida com IA passou a ter forte viés político. Em 2025, quase 45% dos conteúdos falsos gerados com essas ferramentas estavam ligados a disputas ideológicas, enquanto no ano anterior esse percentual era menor. Além disso, a maioria das peças utilizou imagens ou vozes de figuras públicas para aumentar a credibilidade das mensagens falsas.

Leia mais:

Reflexões da pesquisadora sobre o estudo conduzido

Deepfake
Deepfakes são muito comuns em épocas de eleição (Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock)

O estudo conduzido pela Agência Lupa apresenta recortes linguísticos. Em língua inglesa, foram encontrados 427 casos de desinformações por IA, incluindo deepfakes. Em espanhol, foram 198; em português, 111.

Tardáguila defende que a atitude mais importante para combater as fake news é incentivar a “educação midiática”. Isto é, um conjunto de práticas para melhorar o senso de interpretação e raciocínio lógico dos internautas para fazê-los questionar aquilo que recebem e incentivá-los a apurar a informação.

Outro ponto destacado pela pesquisa é a mudança nas plataformas de disseminação. Embora o WhatsApp ainda concentre parte significativa da circulação de conteúdos falsos, houve uma redução da dependência desse aplicativo e uma maior dispersão para outras redes sociais, incluindo plataformas de vídeos curtos e redes emergentes.

A jornalista também afirma que os projetos e empresas especializadas em checagem de informação apoiam legislações que buscam promover, incentivar e estimular os cidadãos a analisar possíveis dados falsos em postagens.

Eleições 2024 votação
Título de eleitor (Imagem: Leonidas Santana / Shutterstock.com)

O levantamento também identificou que líderes políticos e autoridades públicas figuram entre os principais alvos das desinformações criadas com inteligência artificial, reforçando o caráter estratégico desse tipo de conteúdo no debate público.

A gente precisa que a vacina contra a desinformação, que é, na verdade, a informação de qualidade, chegue antes para que as pessoas possam estar preparadas e resilientes quando elas virem a mentira em formato de IA.

— Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, em entevista à Agência Brasil

A jornalista sugere a criação de uma política pública que instaure nas escolas uma rotina de aprendizado sobre a educação midiática, a fim de estimular os jovens, desde cedo, a analisar e questionar as informações recebidas online.

O relatório também integra o primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, que inaugura uma série histórica para analisar padrões, estratégias e impactos da desinformação no país, com o objetivo de subsidiar jornalistas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas no enfrentamento desse fenômeno.

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Estudantes da USP vencem prêmio internacional de IA com chatbot para WhatsApp

Recentemente, três alunos de Ciência da Computação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP São Carlos criaram um chatbot para o combate de fake news online. O chamado “Tá Certo isso AIanalisa e verifica a veracidade das informações recebidas via mensagens pelo WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem).

O software foi desenvolvido por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Costa e Pedro Henrique Silva, equipe vencedora do Programa AI4Good da Brazil Conference. Esse evento é uma conferência internacional que reúne brasileiros nos EUA — incluindo especialistas, líderes, estudantes e empreendedores — para debater e criar estratégias que enfrentem desafios tecnológicos, políticos e socioeconômicos do país.

O evento ocorrerá presencialmente na Universidade Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos dias 27, 28 e 29 de março.

Para quem tem pressa:

  • Estudantes da USP São Carlos criaram um chatbot que analisa e verifica a veracidade das informações recebidas via WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem);
  • O software “Tá Certo Isso AI?” foi o vencedor do Programa AI4Good;
  • As informações analisadas pela ferramenta são checadas em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais e fontes especializadas na checagem de fatos. A ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária, mas que auxilie no processo de combate à desinformação.

Funcionamento do chatbot e curadoria de informações

O softwate “Tá Certo isso AI?” é público e pode ser acessado por qualquer pessoa de diferentes formas.

Na primeira forma, você pode adicionar o telefone 35 8424-8271 nos contatos da sua agenda do celular e salvá-lo. Em seguida, basta abrir uma conversa com este número no WhatsApp.

A segunda maneira é por meio do site oficial do projeto, clicando aqui. Ainda é possível adicionar a ferramenta a grupos de WhatsApp onde, após a adição, é possível marcar o bot com @ na informação que deseja confirmação.

Na análise, o chatbot busca a veracidade das informações em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais, e fontes especializadas na checagem de fatos. Em entrevista ao Jornal da USP, um dos desenvolvedores do projeto, Luiz Felipe Diniz Costa, afirmou que a ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária.

“O bot não aceita qualquer fonte. Ele faz a checagem apenas em bases que já passaram por esse filtro de confiabilidade, o que reduz o risco de erro e aumenta a qualidade das respostas”, afirmou Luiz Felipe Costa, um dos idealizadores do projeto.

Leia mais:

Idealização do projeto

Jovem interage com diversas plataformas tecnológicas em seu celular – (Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O “Tá Certo Isso AI?” começou com a participação dos estudantes no Hackathon 2025, uma maratona de programação onde os alunos tiveram apenas 10 horas para esboçar a ferramenta e saíram vencedores. O tema era justamente “Soluções para mitigar o impacto das fake news na sociedade”.

A partir daí, Cauê afirmou que soube que o edital do AI4Good estava aberto e viu uma oportunidade para continuar o desenvolvimento do projeto. “Foram cerca de 170 grupos inscritos e apenas oito foram selecionados para participar do processo de monitoria e aceleração”, comentou um dos desenvolvedores.

Após a aprovação no processo, foram aproximadamente seis semanas para aprimorar o “Tá Certo isso AI?” e colocá-lo em vigor.

Desenvolvimentos futuros

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
Usuário utilizando chatbot (Imagem: TippaPatt / Shutterstock)

Para continuar o desenvolvimento da ferramenta, Luiz Costa analisou a proporção que o chatbot tem tomado e vê como uma oportunidade para investimentos no projeto:

Acreditamos que a visibilidade proporcionada pela Brazil Conference pode abrir caminho não apenas para colaborações com órgãos governamentais e veículos de comunicação, já que o enfrentamento à desinformação é um interesse comum a essas esferas, mas também para impulsionar nossas trajetórias profissionais, por meio do desenvolvimento de projetos com impacto social.

— Luiz Costa, um dos idealizadores do “Tá Certo isso AI?”

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