Mark Zuckerberg, CEO da Meta, afirmou em uma reunião interna realizada nesta quinta-feira (2) que o desenvolvimento de agentes de inteligência artificial dentro da companhia tem avançado em velocidade inferior ao projetado. A informação foi revelada em caráter exclusivo pela agência de notícias Reuters.
Segundo o executivo, os resultados obtidos nos últimos quatro meses não acompanharam a aceleração esperada pela empresa. A avaliação foi feita em um contexto de revisão das apostas estratégicas da companhia na área de inteligência artificial.
Zuckerberg também mencionou que a reorganização interna da empresa, que incluiu cortes de postos de trabalho, não ocorreu de forma tão organizada quanto o planejado e que as iniciativas ligadas à nova estrutura ainda não produziram os resultados esperados.
Reorganização interna e apostas em IA ainda sem retorno claro
Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
Durante o encontro com funcionários, o dirigente da Meta avaliou que mudanças estruturais recentes ainda não se traduziram em ganhos concretos para os projetos prioritários da empresa. A reorganização foi acompanhada por ajustes no quadro de funcionários, parte de uma estratégia mais ampla de reorientação interna.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta – Imagem: FotoField/Shutterstock
De acordo com o conteúdo da reunião, a empresa vinha apostando em uma nova configuração organizacional para acelerar áreas-chave, especialmente ligadas à inteligência artificial. No entanto, o desempenho recente indica que esses movimentos ainda não alcançaram o efeito desejado.
A fala de Zuckerberg indica um momento de reavaliação interna sobre o ritmo de evolução das tecnologias de IA dentro da companhia, além da efetividade das mudanças administrativas implementadas nos últimos meses.
Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.
A Meta instruiu centenas de contratados a criar contas falsas de usuários menores de idade e usá-las para enviar prompts sobre suicídio, transtornos alimentares, drogas e outros temas de alto risco a chatbots de empresas rivais, segundo documentos internos e cinco pessoas familiarizadas com o projeto, conforme matéria exclusiva da Wired.
O projeto, chamado internamente de Cannes e gerenciado pela contratada Covalen, estava ativo até pelo menos 21 de abril de 2026. Uma única rodada de testes realizada em agosto de 2025 gerou mais de 45 mil prompts enviados aos sistemas rivais. As empresas testadas não foram informadas sobre o projeto.
Como o projeto funcionou
Os contratados foram instruídos a criar contas com dados fictícios de menores de idade, enviar prompts escritos e imagens aos chatbots e registrar as respostas em planilhas. Os prompts foram projetados para empurrar os sistemas para respostas que seus mecanismos de segurança deveriam recusar, segundo as instruções do projeto revisadas pela Wired.
Um documento interno da Covalen descreveu o projeto como “benchmarking abrangente de segurança de IA” que entregava “conjuntos de dados críticos para comparação de modelos.”
Contratados relataram preocupações
Ex-contratados ouvidos pela Wired descreveram aspectos do projeto como alarmantes. Segundo um deles, funcionários temiam a possibilidade de estar gerando ou preservando material de abuso sexual infantil caso um chatbot respondesse a determinados prompts envolvendo menores.
“Vi muitas coisas que gostaria de não ter visto fazendo esse trabalho”, disse um dos ex-contratados à Wired. “Todos que eu conhecia nesse projeto ficaram completamente chocados com alguns dos textos que nos pediam para testar.”
A zona cinza legal e ética
Dois advogados especializados em direito digital consultados pela Wired concluíram que o material apresentado não cruzou a linha para material de abuso sexual infantil ou obscenidade ilegal.
Mas Rumman Chowdhury, fundadora da organização sem fins lucrativos Humane Intelligence, questionou a natureza do projeto. “Estruturar um projeto de meses, em larga escala, aparentemente projetado para sistematicamente quebrar essas regras, por meio de contas falsas se passando por crianças, está fora do que normalmente é descrito como avaliação padrão da indústria”, disse à Wired.
Para Chowdhury, a combinação de avaliação de segurança e benchmarking competitivo é “exatamente o tipo de zona cinza de governança onde a segurança se torna uma cobertura conveniente para práticas anticompetitivas.”
O projeto também aparentemente violou os termos de serviço das três empresas testadas. A OpenAI proíbe testes de segurança não solicitados e o uso de outputs para desenvolver modelos concorrentes. O Google proíbe tentativas de contornar filtros de segurança fora de seus programas oficiais. A Character.AI proíbe conteúdo prejudicial e exploratório.
O que as empresas dizem
A Character.AI afirmou que não autorizou os testes e que a conduta descrita pela Wired viola seus termos e políticas. A OpenAI disse estar “analisando o assunto.” O Google afirmou não ter autorizado os testes e não conhecer seu propósito.
Em nota, a Meta defendeu o trabalho como teste de segurança rotineiro. “Testar e comparar respostas de chatbots para garantir experiências seguras e adequadas à idade é uma prática padrão da indústria”, disse porta-voz da empresa à Wired. A Meta afirmou não usar benchmarking de concorrentes para treinar seus próprios modelos de IA.
A Covalen não respondeu ao pedido de comentário da Wired.
O Google teria limitado o uso do modelo de inteligência artificialGemini pela Meta depois que a empresa de Mark Zuckerberg passou do limite de capacidade computacional disponível. A informação foi revelada por fontes ao Financial Times e expõe um cenário em que até as big techs estão esbarrando em falta de infraestrutura.
No fim das contas, o que parece mais avançado na IA ainda depende de uma base bem concreta: poder de processamento disponível.
Nem mesmo as big techs escapam: Meta excede limite e Google restringe acesso ao Gemini em meio à corrida por IA. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
Pressão por infraestrutura chega às gigantes
Segundo as fontes, o Google precisou impor restrições após a Meta ultrapassar o volume de uso combinado. Isso aconteceu no meio da corrida global por infraestrutura de inteligência artificial, onde data centers viraram peça central da disputa — quase tão importantes quanto os próprios modelos.
A Meta não opera uma nuvem própria e vem correndo para ampliar sua estrutura. Só que a demanda cresce mais rápido do que a capacidade instalada.
Uso de IA no atendimento ao cliente
Chatbots para anunciantes e suporte interno
Programação e apoio em desenvolvimento de software
Detecção de golpes e moderação de conteúdo
Processamento de grandes volumes de dados
Em março, o Google já tinha avisado a Meta sobre os limites de capacidade. Depois disso, a empresa passou a controlar melhor o uso de tokens entre equipes.
Por que a Meta acabou usando o Gemini?
A Meta recorreu ao Gemini porque, em algumas tarefas, o modelo entregava melhor desempenho do que alternativas internas, segundo fontes. Além dele, a empresa também usa outros sistemas, como o Claude, da Anthropic.
Isso acontece porque, na prática, nem sempre os modelos próprios dão conta de tudo. Em alguns casos, o que pesa é simplesmente o resultado final — estabilidade, precisão, velocidade.
Meta usava o Gemini em chatbots, programação e suporte, mas Google precisou impor restrições após excesso de demanda. – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock
Quando a infraestrutura vira gargalo
O episódio deixa mais evidente um problema que já vinha aparecendo: a infraestrutura de IA está no limite em várias frentes. Mesmo com investimentos gigantescos em data centers, as empresas seguem enfrentando dificuldade para acompanhar o ritmo de uso.
O custo também entrou na conta. O uso de tokens e o consumo pesado de processamento já fazem empresas reverem como e onde aplicam IA no dia a dia.
Um mercado onde o “bastidor” manda tanto quanto o modelo
O caso entre Google e Meta mostra que a disputa na inteligência artificial não acontece só no desenvolvimento dos modelos. O acesso ao poder computacional virou parte central do jogo.
E talvez esse seja o ponto mais importante: não basta ter a melhor IA no papel se não existe estrutura suficiente para rodá-la em escala.
A corrida pela inteligência artificial (IA) está custando cada vez mais caro às gigantes da tecnologia. Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta devem investir juntas entre US$ 650 bilhões e US$ 720 bilhões em infraestrutura de IA ao longo de 2026, ampliando gastos com data centers, chips e desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados. Ao mesmo tempo, investidores e o próprio mercado ainda questionam quando esses investimentos começarão a gerar retorno financeiro.
As dúvidas, porém, vão além das big techs. Enquanto empresas buscam transformar projetos de IA em resultados concretos e consumidores avaliam se vale a pena pagar por recursos baseados na tecnologia, especialistas ouvidos pelo Olhar Digital afirmam que o desafio já não está apenas no desenvolvimento da IA, mas em como aplicá-la de forma estratégica, gerar retorno financeiro e construir modelos de negócio sustentáveis.
Bilhões em investimentos, resultados desiguais
Os investimentos bilionários em inteligência artificial não geram os mesmos resultados para todos os participantes desse mercado. Enquanto empresas responsáveis pela infraestrutura da tecnologia vivem um momento de forte expansão, companhias que desenvolvem aplicações ou incorporam IA aos seus produtos ainda buscam transformar esses aportes em crescimento sustentável.
Para Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação, essa diferença acontece porque a cadeia da inteligência artificial é composta por diferentes camadas, cada uma com desafios e oportunidades próprios. Ele recorre a uma analogia popularizada pelo CEO da Nvidia, Jensen Huang, que compara o mercado de IA a um “bolo de cinco camadas” (“Five-Layer Cake“): energia, chips, data centers, modelos e aplicações. Segundo o especialista, os resultados variam conforme a posição ocupada nessa cadeia.
Na segunda camada, para quem vende chips, como é o caso da Nvidia, os resultados têm sido incríveis, com recorde atrás de recorde, margens espetaculares, crescimento contínuo e uma trajetória muito positiva. Agora, à medida que vamos subindo nessa cadeia, chegando às aplicações e às big techs, o cenário muda um pouco. Os resultados em faturamento e o retorno sobre esses investimentos ainda não estão acontecendo em todas as frentes.
Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação
Data centers estão entre os principais destinos dos investimentos bilionários realizados por empresas que apostam na expansão da inteligência artificial – Imagem: Make more Aerials / Shutterstock
Na avaliação do especialista, esse comportamento é comum em grandes ciclos de inovação. Enquanto alguns segmentos conseguem capturar rapidamente o retorno dos investimentos, outros ainda passam por um período de adaptação até encontrar modelos de negócio sustentáveis — e nem todas as empresas conseguirão fazer essa transição com sucesso.
Essa diferença também aparece na avaliação de Lucas Gilbert, especialista em Tecnologia Digital. Segundo ele, fabricantes de chips e empresas responsáveis pela infraestrutura da inteligência artificial já conseguem transformar investimentos em faturamento. Mas a realidade é diferente para organizações que adotam a tecnologia em suas operações. Nelas, o desafio ainda é transformar ganhos de produtividade em resultados financeiros concretos.
O desafio não é adotar IA, mas gerar retorno
Levar a inteligência artificial para dentro das empresas deixou de ser o principal obstáculo. O desafio agora é transformar esse movimento em ganhos concretos para o negócio. Embora cada vez mais organizações testem ferramentas baseadas em IA, poucas conseguem incorporá-las à operação de forma a gerar impacto financeiro mensurável.
Na avaliação de Lucas Gilbert, essa dificuldade está menos relacionada à tecnologia e mais à forma como ela é implementada. Segundo ele, muitas empresas utilizam a IA para automatizar tarefas simples, mas “difícil é redesenhar o jeito que a empresa trabalha para que a IA realmente economize dinheiro ou gere receita”.
Empresas ampliam o uso de ferramentas de inteligência artificial, mas transformar essa adoção em retorno financeiro ainda é um desafio para muitas organizações – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock
Pesquisas recentes ajudam a ilustrar esse cenário. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), por exemplo, apontou que 95% dos projetos-piloto de IA não geram impacto mensurável nos resultados das empresas. Já um levantamento da PwC mostrou que mais da metade dos CEOs ainda não observou benefícios financeiros relevantes com a tecnologia.
Para Gilbert, esse cenário não significa que a inteligência artificial tenha fracassado, mas que muitas empresas ainda não aprenderam a transformar ganhos individuais de produtividade em retorno financeiro para a organização.
O entusiasmo corre na velocidade de quem testa. O uso prático corre na velocidade de quem transforma a operação. E são velocidades bem diferentes.
Lucas Gilbert, especialista em Tecnologia Digital
Os dados sobre a maturidade da adoção corporativa ajudam a explicar esse descompasso. Segundo Alessandra Montini, professora e diretora do LabData, da FIA, embora praticamente todas as empresas reconheçam a importância estratégica da inteligência artificial, a maior parte ainda está nos estágios iniciais de implementação.
A especialista cita dados do estudo A Nova Força de Trabalho Híbrida, produzido pelo TEC Institute em parceria com a Skyone, segundo o qual 99% das organizações consideram agentes de IA centrais para os negócios nos próximos três anos. Apesar disso, 74% ainda se encontram em níveis iniciais ou intermediários de adoção. O levantamento também mostra que 57% das empresas não contam com orçamento dedicado para iniciativas de IA e que 59% afirmam não estar preparadas para operar, no curto prazo, com equipes formadas por pessoas e sistemas inteligentes.
O consumidor está disposto a pagar pela IA?
Se convencer empresas a transformar inteligência artificial em retorno financeiro já é um desafio, conquistar o consumidor representa outra etapa dessa equação. Embora ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude tenham popularizado a tecnologia, ainda há dúvidas sobre a disposição do público em pagar por esses recursos.
Os dados disponíveis indicam que a adoção cresce mais rapidamente do que a monetização. Um relatório da Menlo Ventures, baseado em uma pesquisa com mais de 5 mil adultos nos Estados Unidos, estima que cerca de 1,8 bilhão de pessoas já utilizaram ferramentas de IA em todo o mundo. Apesar disso, o mercado consumidor movimenta cerca de US$ 12 bilhões por ano, o que representa uma taxa de conversão de aproximadamente 3% para serviços premium. O levantamento também estima que o ChatGPT converta cerca de 5% de seus usuários ativos em assinantes pagos.
Ferramentas como o ChatGPT popularizaram o uso da inteligência artificial, mas a parcela de consumidores que paga por recursos avançados ainda é relativamente pequena – Imagem: Thaspol Sangsee / Shutterstock
Na avaliação de Lucas Gilbert, esse cenário indica que o consumidor médio ainda vê a inteligência artificial como um recurso incorporado aos serviços que já utiliza, e não como uma assinatura indispensável. Segundo ele, quem mais aceita pagar pela tecnologia são profissionais que conseguem compensar esse custo com ganhos de produtividade.
Arthur Igreja observa o cenário por outro ângulo. Para o especialista, a disposição para pagar pela inteligência artificial já existe em diferentes perfis de usuários, desde consumidores que utilizam ferramentas para editar imagens e vídeos até profissionais que dependem da tecnologia em atividades mais avançadas. Na avaliação dele, a decisão de pagar depende menos do perfil do usuário e mais da capacidade da ferramenta de resolver um problema concreto.
Acredito que não é uma questão de um recorte de perfil de usuário ou de tipo de empresa, a questão é onde ela gera valor e gerou valor, alguém vai estar disposto a pagar para usar.
Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação
Realmente precisamos das IAs?
Embora os investimentos bilionários e o avanço da inteligência artificial tenham colocado a tecnologia no centro das discussões do setor, especialistas ouvidos avaliam que o valor da IA depende menos da sua presença em produtos e serviços e mais da capacidade de resolver problemas concretos.
Arthur Igreja avalia que a inteligência artificial representa uma transformação tecnológica sem volta. Isso, porém, não significa que todas as iniciativas terão sucesso ou que a tecnologia faça sentido em qualquer contexto. Segundo ele, o desafio das empresas é identificar onde a IA realmente agrega valor e onde sua adoção ocorre apenas pelo receio de ficar para trás em relação à concorrência.
Lucas Gilbert faz uma distinção semelhante. Para ele, a inteligência artificial entrega resultados consistentes em atividades repetitivas, de grande volume e com impacto fácil de mensurar, como atendimento ao cliente, detecção de fraudes, processamento de documentos e apoio à programação. Em contrapartida, o especialista afirma que muitas empresas passaram a incorporar recursos de IA em produtos e serviços mais para acompanhar uma tendência de mercado do que para resolver uma necessidade concreta dos usuários.
A pergunta que separa uma coisa da outra é simples: tira a IA daqui e alguém sente falta? Se a resposta é não, provavelmente era enfeite.
Lucas Gilbert, especialista em Tecnologia Digital
Para Alessandra Montini, a inteligência artificial tende a gerar mais valor quando deixa de ser tratada como uma ferramenta isolada e passa a fazer parte da estratégia das empresas. Na avaliação da diretora do LabData, da FIA, o potencial da tecnologia está menos na presença de recursos de IA e mais na capacidade de transformar processos e gerar resultados para o negócio.
As avaliações dos especialistas apontam para uma mesma direção: a inteligência artificial tende a gerar mais valor quando é aplicada para resolver problemas concretos e produzir resultados mensuráveis. Nos casos em que é incorporada apenas para acompanhar uma tendência de mercado, os benefícios costumam ser mais difíceis de justificar.
Mais do que desenvolver IA, o desafio é aplicá-la
As análises dos especialistas mostram que, embora a inteligência artificial avance em diferentes ritmos entre empresas e consumidores, o principal desafio para os próximos anos será transformar o potencial da tecnologia em resultados consistentes para empresas e usuários.
Alessandra Montini diz que esse desafio passa menos pelo desenvolvimento de modelos mais sofisticados e mais pela capacidade das empresas de incorporar a inteligência artificial à estratégia do negócio. Na avaliação da especialista, tratar a tecnologia apenas como uma ferramenta de produtividade limita seu potencial de gerar impacto nas organizações.
O principal desafio não é a tecnologia, mas a capacidade das empresas de integrá-la à estratégia do negócio. Muitas organizações ainda tratam a inteligência artificial como uma iniciativa isolada ou uma ferramenta de produtividade, quando seu maior potencial está na transformação dos processos e na geração de valor para o negócio.
Alessandra Montini, diretora do LabData da FIA
O conjunto de investimentos recordes, desafios de monetização e diferentes estágios de adoção mostra que a discussão sobre inteligência artificial já não gira apenas em torno da capacidade da tecnologia. O foco passa, cada vez mais, pela capacidade de transformar esse potencial em resultados concretos para empresas e consumidores.
A Manus AI se tornou um dos nomes mais comentados do mercado de inteligência artificial (IA) após apresentar uma plataforma baseada em agentes autônomos, sistemas capazes de executar tarefas complexas com pouca intervenção humana. A rápida expansão da empresa chamou a atenção da Meta, que anunciou a compra da startup por cerca de US$ 2 bilhões no fim de 2025.
Meses depois, porém, o negócio se transformou em um impasse geopolítico. Reguladores chineses determinaram a reversão da aquisição por razões ligadas à segurança nacional e ao controle de tecnologias consideradas estratégicas. A Meta iniciou a separação operacional entre as duas companhias, interrompendo o compartilhamento de dados e restringindo o acesso da Manus a seus sistemas internos.
O que é a Manus
A Manus surgiu a partir da Butterfly Effect, empresa fundada na China pelo empreendedor Xiao Hong. Em 2025, a companhia transferiu sua sede e parte relevante de sua equipe para Singapura, movimento que antecedeu a aquisição anunciada pela Meta meses depois.
A startup ganhou projeção internacional após uma demonstração viral de sua tecnologia. Diferentemente dos chatbots que popularizaram a inteligência artificial generativa nos últimos anos, a proposta da Manus era permitir que sistemas de IA executassem tarefas de forma mais independente.
A Manus ganhou notoriedade ao desenvolver agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem depender de comandos constantes dos usuários – Imagem: QINQIE99/Shutterstock
Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, explicou ao Olhar Digital que a empresa ajudou a popularizar uma nova abordagem para o uso da inteligência artificial. “Enquanto nós estávamos em uma corrida de ferramentas, como ChatGPT, Gemini e Copilot, [a Manus] foi a primeira a apontar esse caminho da IA agêntica, da IA assumindo o trabalho”, afirma.
Na prática, o usuário pode definir um objetivo e deixar que o sistema realize diferentes etapas para chegar ao resultado final. Dependendo da tarefa, a plataforma pode pesquisar informações, navegar por páginas na internet, organizar dados, gerar arquivos e integrar diferentes ferramentas sem a necessidade de novos comandos a cada etapa.
Segundo Lucas Gilbert, especialista em inovação e tecnologia, a principal mudança está na forma como o usuário interage com a ferramenta.
Você não fica conversando com ela, você entrega um objetivo e ela se vira pra cumprir. Você pode dizer ‘encontra os dez melhores candidatos pra essa vaga, organiza numa planilha e me devolve pronto’, e ela vai pesquisar, abrir os sites, escrever o código que precisar, montar a planilha e te entregar o resultado, tudo sozinha, sem você ficar empurrando cada etapa.
Lucas Gilbert
A empresa também registrou um crescimento acelerado após o lançamento. Segundo a própria Manus, a startup atingiu US$ 100 milhões em receita recorrente anual (ARR) oito meses após seu lançamento.
O que diferencia a Manus de ChatGPT, Gemini e Claude?
A principal aposta da Manus está no conceito conhecido como agentes de IA. Enquanto ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude operam principalmente por meio de interações em formato de conversa, agentes autônomos são projetados para planejar e executar sequências de ações para cumprir um objetivo definido pelo usuário.
Gilbert afirma que esses sistemas utilizam capacidades já presentes nos grandes modelos de linguagem, mas acrescentam mecanismos para executar ações e planejar etapas sem depender de comandos constantes dos usuários.
O ChatGPT, o Gemini e o Claude funcionam como o cérebro: eles pensam, escrevem, raciocinam muito bem, mas ficam parados esperando você dizer o que fazer a cada passo.
Lucas Gilbert
ChatGPT, Claude e Gemini se popularizaram por meio de conversas com usuários, enquanto agentes de IA como a Manus buscam executar tarefas de forma mais autônoma – Imagem: Primakov / Shutterstock
Segundo o especialista, o diferencial da Manus não está necessariamente em um modelo de inteligência artificial mais avançado do que os concorrentes, mas na forma como essa tecnologia é aplicada. “A Manus não inventou um cérebro novo nem uma inteligência superior. O mérito dela nunca foi criar a inteligência, foi dar mãos pra ela”, afirma.
Igreja também vê os agentes autônomos como uma evolução importante do setor. “A questão é a IA agêntica, é a IA que assume trabalho, que gera escala, que gera economia”, afirma.
Por que a Meta quis comprar a startup
A aquisição anunciada pela Meta foi interpretada como uma tentativa de acelerar sua atuação no mercado de agentes autônomos, considerado por parte da indústria como uma das principais tendências da inteligência artificial.
Para Igreja, o valor da negociação ajuda a explicar como grandes empresas de tecnologia costumam agir diante de startups promissoras.
Para a Meta é mais barato ir lá e comprar. Ela já larga com um baita time e uma baita marca. Até ela copiar, o pessoal da Manus já vai mais adiante.
Arthur Igreja
O especialista lembra que a companhia tem histórico de adquirir empresas ainda em estágio inicial de crescimento, em vez de esperar que elas se transformem em concorrentes maiores ou mais caras.
Gilbert avalia que a tecnologia da Manus poderia complementar a base de bilhões de usuários dos serviços da Meta ao oferecer sistemas capazes de executar tarefas concretas, e não apenas responder perguntas.
Por que a China barrou o negócio?
Apesar de a aquisição ter sido anunciada em dezembro de 2025, reguladores chineses passaram a examinar a operação nos meses seguintes. As autoridades apontaram preocupações relacionadas à exportação de tecnologia, investimento estrangeiro e segurança nacional.
Em abril deste ano, Pequim determinou a reversão do negócio. Desde então, Meta e Manus vêm conduzindo um processo de separação que inclui o encerramento do compartilhamento de dados e a migração de projetos para sistemas próprios da empresa americana.
O governo chinês determinou a reversão da compra da Manus pela Meta, citando preocupações com tecnologia estratégica e segurança nacional – Imagem: Koshiro K / Shutterstock
Na avaliação de Igreja, a reação chinesa está ligada ao valor estratégico que tecnologias de IA passaram a ter para governos. “Será que eu quero deixar essa tecnologia, esse time sair daqui? Tem mais a ver com isso, com governança, segurança, soberania”, afirma.
Para Gilbert, o episódio mostra que a inteligência artificial passou a ocupar um papel semelhante ao de setores considerados estratégicos para os países. “A IA deixou de ser assunto de empresa e virou questão de Estado”, diz.
O especialista avalia que o caso também reforça uma tendência de maior separação entre os ecossistemas de inteligência artificial da China e dos Estados Unidos. Segundo ele, investimentos, talentos e tecnologias passam a enfrentar cada vez mais restrições para circular entre os dois mercados.
Para Igreja, o episódio da Manus dificilmente será um caso isolado. O especialista compara a situação às disputas envolvendo o TikTok nos Estados Unidos e avalia que aquisições internacionais de empresas de IA podem enfrentar obstáculos semelhantes nos próximos anos.
São ativos estratégicos. Não só do ponto de vista empresarial. É estratégico para a Meta, estratégico para a China, estratégico para um país.
Arthur Igreja
Os fundadores da Manus agora buscam levantar cerca de US$ 1 bilhão para recomprar a empresa e reorganizar suas operações, enquanto a startup continua desenvolvendo novos recursos e integrações para sua plataforma.
A Meta anunciou nesta quinta-feira o lançamento de um novo assistente de inteligência artificial (IA) para criadores de conteúdo no Facebook. A ferramenta foi desenvolvida para fornecer recomendações personalizadas com base no estilo de publicação, desempenho, comunidade e objetivos de cada usuário.
Segundo a empresa, o recurso chega inicialmente para criadores nos Estados Unidos, Canadá e Índia. A proposta é facilitar o acesso a informações sobre desempenho e oferecer sugestões para a produção de novos conteúdos, sem que seja necessário navegar por diferentes gráficos e painéis de análise.
O novo assistente funciona por meio de conversas. Os criadores podem fazer perguntas como “Quando devo publicar?” ou “O que as pessoas estão dizendo nos meus comentários?” e receber respostas rápidas baseadas em sua própria atividade na plataforma.
O Creator Assistant permite que criadores façam perguntas em linguagem natural e recebam análises sobre audiência, comentários e desempenho de conteúdo – Imagem: Divulgação / Meta
Análises personalizadas e perguntas de acompanhamento
De acordo com a Meta, a ferramenta também permite aprofundar a análise dos dados por meio de perguntas adicionais. Os usuários podem, por exemplo, investigar como sua audiência mudou ao longo do tempo ou entender quais ações podem contribuir para melhorar o desempenho das publicações.
As respostas são geradas a partir da presença individual do criador na rede social e de informações relacionadas ao seu histórico de conteúdo. A empresa afirma que o assistente busca transformar dados de desempenho em orientações mais acessíveis e fáceis de interpretar.
O Creator Assistant reúne indicadores de desempenho e sugere ações para ajudar criadores a ampliar o alcance de seus conteúdos – Imagem: Divulgação / Meta
Além das métricas, o recurso pode ajudar na criação de novas publicações. O sistema utiliza informações sobre tendências para sugerir ideias de conteúdo, incluindo o uso de áudios em alta e temas relacionados a momentos culturais que estejam gerando interesse do público.
Meta busca manter criadores dentro de seu ecossistema
A iniciativa também faz parte da estratégia da Meta para manter criadores ativos no Facebook em meio à concorrência de plataformas como TikTok e YouTube.
Ao oferecer sugestões de conteúdo e análises diretamente no aplicativo, a empresa reduz a necessidade de recorrer a ferramentas externas para obter insights ou desenvolver ideias. Segundo a Meta, isso ajuda a concentrar essas atividades dentro de seu próprio ecossistema.
A expectativa é que o acesso facilitado a informações e recomendações estimule publicações mais frequentes, o que pode contribuir para aumentar o engajamento dos usuários na plataforma.
Meta anunciou um assistente de IA para ajudar criadores com análises de desempenho e sugestões de conteúdo no Facebook – Imagem: Divulgação / Meta
Traduções por IA ganham novos idiomas
Junto com o anúncio do assistente, a Meta informou a ampliação dos idiomas disponíveis para suas traduções por inteligência artificial no Facebook. Entre as novas opções estão árabe, bahasa indonésio, francês, tailandês e vietnamita.
A funcionalidade de tradução automática para Reels foi lançada no ano passado e tem como objetivo permitir que criadores alcancem públicos em diferentes idiomas. Segundo a empresa, a tecnologia preserva o tom de voz e o áudio original durante a tradução.
Os criadores também podem utilizar um recurso de sincronização labial que ajusta a tradução aos movimentos da boca do vídeo, tornando o resultado mais natural.
De acordo com a Meta, mais de 500 milhões de usuários assistem semanalmente a vídeos traduzidos por IA no Facebook.
Nesta segunda-feira (04), o Instagram divulgou à imprensa o lançamento de uma nova etiqueta para classificar os perfis da plataforma, denominada “Criador de conteúdo de IA”. A novidade serve para frisar aos seguidores da conta que os conteúdos postados são frutos de IA.
A Meta, empresa responsável pela rede social, informa que este selo começa a ser disponibilizado hoje, mas ainda está em fase de testes. O recurso deve chegar para mais perfis nas próximas semanas. Até o momento, a ativação da etiqueta é opcional; ou seja, o criador é quem decide ativá-la ou não.
Mudanças no Instagram refletem a tentativa de transparência por parte da Meta
Meta AI – Imagem: jackpress/Shutterstock
Uma vez que o recurso se encontra ativo, o aviso sobre conteúdo gerado por IA aparece no perfil, reels, feed e até na aba Explorar.
A medida é o resultado da tentativa da Meta de aumentar a transparência para o público sobre a origem dos conteúdos postados.
No entanto, conforme a etiqueta for opcional, é provável que muitos perfis permaneçam postando conteúdos gerados por IA sem ter ativado a etiqueta. Isso pode ser ainda mais problemático, sobretudo, nos casos de contas que propagam fake news para influenciar em questões políticas.
Segundo o Engadget, a Meta não tem a capacidade necessária para detectar, em larga escala e de forma confiável, quais perfis vivem da publicação de conteúdo gerado por IA. O próprio conselho da Meta, voltado para listar e sugerir mudanças quanto às políticas da empresa referentes à inteligência artificial, não obteve respostas após solicitar as mudanças necessárias.
A Meta está desenvolvendo um personagem de inteligência artificial (IA) baseado em Mark Zuckerberg, treinado a partir dos maneirismos, do tom de voz e de declarações públicas do CEO. A informação foi publicada pelo Financial Times.
A proposta é que esse personagem também aprenda sobre as posições de Zuckerberg em relação às estratégias recentes da empresa, com a possibilidade de oferecer respostas e orientações a funcionários.
Meta desenvolve personagem de IA baseado em Mark Zuckerberg para interações internas, segundo reportagem – Imagem: FotoField/Shutterstock
Personagem de IA de Mark Zuckerberg pode interagir com funcionários
O projeto faz parte de um esforço mais amplo da Meta, que já trabalha há algum tempo na criação de personagens de IA animados em 3D com aparência fotorrealista, capazes de conduzir interações.
Agora, segundo a reportagem, a companhia estaria concentrando esforços especificamente nesse personagem baseado em Zuckerberg, que poderia ser acionado em situações em que o CEO não possa ou não queira responder diretamente.
A iniciativa surge após notícias recentes de que Mark Zuckerberg também está desenvolvendo um agente de IA para auxiliá-lo em suas funções. O projeto foi inicialmente reportado pelo The Wall Street Journal.
Esse agente teria como objetivo realizar tarefas como buscar informações e respostas para o executivo, embora ainda haja poucos detalhes sobre o seu funcionamento.
A Meta ampliou seus investimentos em inteligência artificial (IA) ao firmar um novo acordo de US$ 21 bilhões com a CoreWeave, empresa especializada em infraestrutura de nuvem voltada para IA. O valor se soma a um contrato anterior de US$ 14,2 bilhões, reforçando a estratégia da companhia de expandir sua capacidade computacional.
O novo compromisso terá duração entre 2027 e 2032 e ocorre em um momento em que a empresa intensifica tanto a construção de infraestrutura própria quanto a dependência de fornecedores externos para sustentar o avanço de seus sistemas de IA.
A Meta fechou acordo com a CoreWeaver para ampliar infraestrutura de IA – Imagem: miss.cabul/Shutterstock
Meta amplia estratégia e mantém parceria com CoreWeave
Segundo o CEO da CoreWeave, Mike Intrator, a Meta deve manter uma abordagem híbrida, combinando desenvolvimento interno com parcerias externas. “Eles vão continuar fazendo por conta própria, mas também vão continuar fazendo conosco. Há risco demais em não fazer isso”, afirmou em entrevista ao CNBC.
A CoreWeave opera data centers equipados com centenas de milhares de GPUs da Nvidia, voltadas ao treinamento e operação de modelos de inteligência artificial. A empresa também atende clientes como Google, Microsoft e OpenAI, que buscam ampliar rapidamente sua capacidade diante da alta demanda por IA.
Em março, a Meta anunciou um investimento de US$ 10 bilhões em um data center no Texas. Além disso, a companhia projeta gastar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em despesas de capital neste ano, valor acima das estimativas de Wall Street e quase o dobro do registrado em 2025.
Apesar de o negócio principal de publicidade ter se beneficiado do avanço da IA, a empresa ainda enfrenta dificuldades para ganhar espaço no desenvolvimento de modelos, área atualmente liderada por OpenAI, Anthropic e Google. A Meta também vem investindo na criação do grupo Superintelligence Labs e lançou recentemente o modelo Muse Spark.
A colaboração entre Meta e CoreWeave começou em 2023. De acordo com Intrator, a infraestrutura da empresa tem permitido melhor aproveitamento dos profissionais especializados em IA contratados pela Meta. Um porta-voz afirmou que o acordo faz parte de uma abordagem baseada em portfólio para infraestrutura, com foco em sustentar suas ambições no setor.
CoreWeave busca diversificação e amplia capacidade
A CoreWeave também anunciou que pretende levantar US$ 3 bilhões em dívida adicional. A nova parceria com a Meta contribui para reduzir a dependência da empresa em relação à Microsoft, que respondeu por 62% da receita em 2024. Com o novo cenário, nenhum cliente deve representar mais de 35% das vendas totais.
A empresa fechou 2025 com US$ 21 bilhões em dívidas e, em março, captou mais US$ 8,5 bilhões para expandir sua infraestrutura ligada a novos contratos.
As ações da CoreWeave acumulam alta de 24% no ano, enquanto o índice S&P 500 registra queda de cerca de 1% no mesmo período. Já os papéis da Meta recuam aproximadamente 7%, apesar de uma valorização recente após o anúncio de seu novo modelo de IA.
Intrator avalia que a parceria com a Meta tende a crescer, mesmo com a expansão de data centers próprios pela empresa. Segundo ele, a combinação entre infraestrutura interna e terceirizada deve continuar sendo parte central da estratégia.
No ano passado, a Meta passou por uma reformulação interna que resultou no Meta Superintelligence Labs, uma divisão focada em inteligência artificial. Como resultado, a big tech anunciou nesta quarta-feira (8) seu primeiro lançamento desde então: o modelo de IA Muse Spark.
Segundo a empresa, o modelo já está funcionando integrado ao aplicativo e ao site Meta AI nos Estados Unidos. A expectativa é que, nas próximas semanas, a tecnologia seja expandida para outras plataformas do ecossistema da companhia, incluindo WhatsApp, Instagram, Facebook, Messenger e os óculos inteligentes da marca, além de chegar para mais países.
O Muse Spark inaugura uma nova linha de modelos da empresa com foco em integração direta aos produtos da empresa – abordagem semelhante à adotada por concorrentes como o Google (o Gemini funciona integrado aos serviços do Google, como Drive, Docs e Gmail). De acordo com a companhia, o sistema foi “desenvolvido especificamente para os produtos da Meta” e será disponibilizado inicialmente a alguns parceiros em formato de prévia privada via API.
Entre os principais recursos, o Muse Spark traz suporte multimodal, permitindo a combinação de texto e imagens nas interações. A tecnologia também foi projetada para operar com múltiplos “subagentes” de IA, o que, segundo a Meta, melhora a velocidade e a eficiência na resposta a consultas mais complexas.
Esse conjunto de capacidades ganha relevância especialmente no contexto dos óculos inteligentes da empresa, que contam com câmera e recursos de IA embarcados. Nesses dispositivos, os usuários poderão alternar entre um modo mais rápido, chamado “Instantâneo”, e outro mais aprofundado, o modo “Pensamento”, voltado para respostas mais detalhadas.
A Meta também destacou o potencial do Muse Spark em áreas como ciência, matemática e saúde. Segundo a empresa, o modelo é capaz de responder a “perguntas complexas” nesses campos, incluindo interações que envolvem gráficos e imagens. A companhia afirma ainda que a percepção multimodal pode ser “especialmente valiosa para a saúde”, ao permitir respostas mais completas nesse tipo de consulta.
O uso de IA em saúde, no entanto, tem sido alvo de debates recentes, principalmente por envolver dados sensíveis e riscos de desinformação. Ainda assim, a Meta sinaliza interesse em competir diretamente com soluções semelhantes já lançadas por outras empresas do setor, como Anthropic (com o Claude) e OpenAI (com o ChatGPT).
Em testes, o modelo foi utilizado, por exemplo, para estimar calorias de refeições – uma aplicação popular, mas que ainda levanta questionamentos sobre precisão.
Em demonstração, Muse Spark foi usado para quantificar calorias de uma refeição – Imagem: Meta
Meta quer ampliar Muse Spark no futuro próximo
No médio prazo, a Meta pretende ampliar as funcionalidades do modelo, incluindo recursos capazes de sugerir conteúdos e recomendações com base em publicações compartilhadas em plataformas como Instagram, Facebook e Threads.
A empresa também informou que trabalha em versões mais avançadas da linha Muse e que planeja disponibilizar modelos futuros em código aberto. O Muse Spark é descrito como um primeiro passo nessa nova fase da estratégia de IA da companhia.
Como lembrou o The Verge, a iniciativa marca a segunda grande investida da Meta em modelos avançados de inteligência artificial, após a série Llama. A reestruturação da área ocorreu após o desempenho abaixo do esperado do Llama 4, lançado em 2025, levando a empresa a reposicionar seus esforços no setor.