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Investigação expõe bastidores do treinamento de IA com material sensível e dados de redes sociais

Uma investigação do jornal The Guardian revelou que milhares de trabalhadores foram pagos por uma empresa parcialmente controlada pela Meta para treinar sistemas de inteligência artificial. Em muitos casos, eles tiveram que executar tarefas controversas, como coleta de dados em redes sociais, uso de conteúdo protegido por direitos autorais e análise de materiais sensíveis, como imagens pornográficas e de animais mortos.

Segundo a reportagem, a Scale AI – companhia da qual a Meta detém 49% – recruta profissionais por meio da plataforma Outlier, oferecendo trabalho remoto e flexível para pessoas com formação em áreas como medicina, física e economia. O site da empresa convida candidatos com o slogan: “Torne-se o especialista de quem a IA aprende”.

Na prática, trabalhadores relataram que as atividades iam além do treinamento técnico de modelos avançados. Parte das tarefas envolvia a coleta e organização de dados de usuários em plataformas como Facebook e Instagram, incluindo imagens, conexões sociais e informações pessoais – até de menores de idade. Para alguns participantes, o processo gerou desconforto ético.

“Acho que as pessoas não entenderam muito bem que haveria alguém em uma mesa, em um estado qualquer, olhando para o seu perfil [de mídia social] e usando-o para gerar dados de IA”, afirmou um dos consultores ouvidos pela reportagem.

O Guardian entrevistou dez pessoas que atuaram na plataforma, muitas delas conciliando o trabalho com outras ocupações, como jornalismo, ensino e pesquisa acadêmica. Segundo relatos, a motivação foi financeira, para complementar renda.

Além da coleta de dados, os chamados “taskers” também foram expostos a conteúdos considerados perturbadores. Entre as tarefas descritas estão a transcrição de áudios pornográficos, a rotulagem de imagens de animais mortos e até a análise de cenários violentos. Um estudante de doutorado relatou ter sido instruído a classificar um diagrama da genitália de um bebê, apesar de garantias iniciais de que não haveria material sensível.

“Já nos tinham dito antes que não haveria nudez nesta missão. Comportamento apropriado, nada de violência gráfica, nada de sangue”, afirmou. “Mas depois aparecia uma transcrição de áudio de pornografia ou simplesmente trechos aleatórios de pessoas vomitando sem motivo aparente”.

Outro ponto levantado foi o uso de obras artísticas, protegidas por direitos autorais, para treinar modelos de geração de imagem. Trabalhadores disseram que precisavam buscar conteúdos originais para alimentar os sistemas – muitas vezes nas próprias redes sociais de artistas. Em alguns casos, havia instruções explícitas para não utilizar imagens geradas por IA, apenas produções humanas.

Paralelamente, os colaboradores relataram condições de trabalho instáveis, com remuneração variável, monitoramento constante e processos seletivos não remunerados. A plataforma utilizaria ferramentas de rastreamento de atividade, como captura de tela, durante a execução das tarefas.

Segundo Glenn Danas, advogado que representa trabalhadores do setor, centenas de milhares de pessoas atuam em plataformas desse tipo ao redor do mundo. Para muitos, há a percepção de que estão contribuindo para o desenvolvimento de tecnologias que podem substituir suas próprias funções. Um artista descreveu sentir “vergonha e culpa internalizadas” por “contribuir diretamente para a automação de minhas esperanças e sonhos”.

A Meta comprou Scale AI em junho de 2025, por US$14,3 bilhões – Imagem: T. Schneider – Shutterstock

O que diz a Scale AI sobre o treinamento de IA?

Por meio de um porta-voz, a Scale AI afirmou ao jornal que a Outlier oferece trabalho sob demanda com “remuneração transparente” e que os colaboradores têm liberdade para escolher projetos e horários. A empresa também declarou que tarefas com conteúdo inadequado podem ser interrompidas e que não aceita projetos envolvendo abuso sexual infantil ou pornografia.

Ainda assim, a investigação levanta questionamentos sobre a forma como dados são coletados e utilizados no treinamento de modelos de IA, além das condições de trabalho em um setor que cresce rapidamente à medida que a demanda por sistemas mais avançados aumenta.

Leia mais:

A Scale AI também atende Google, Anthropic, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e o governo do Catar. A empresa atendia a OpenAI, mas a parceria foi encerrada no ano passado, após a compra de parte da startup por parte da companhia de Mark Zuckerberg.

A Meta e a Anthropic não responderam a pedidos de comentários do The Guardian.

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Meta adia lançamento de modelo de IA por desempenho abaixo dos rivais

A Meta decidiu adiar o lançamento de seu próximo modelo de inteligência artificial. A IA, conhecida internamente como “Avocado”, teve desempenho abaixo do esperado em testes internos quando comparada a sistemas rivais, como os do Google, OpenAI e Anthropic.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram ao The New York Times, o modelo foi avaliado em tarefas como raciocínio, programação e produção de texto, mas não alcançou os resultados dos sistemas mais avançados do mercado atualmente. O Avocado foi avaliado acima dos modelos anteriores da Meta e do Gemini 2.5, do Google, mas ficou atrás do Gemini 3.0.

Diante das limitações, a Meta decidiu adiar o lançamento do modelo, que inicialmente estava previsto para este mês. Agora, a expectativa interna é que ele seja apresentado apenas a partir de maio.

Executivos da divisão de inteligência artificial da big tech chegaram a discutir a possibilidade de licenciar temporariamente o modelo Gemini para alimentar alguns produtos da empresa, mas ainda não chegaram a uma decisão.

Meta aposta em divisão de IA e já investiu bilhões de dólares em infraestrutura (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)

A aposta da Meta em IA

Os chamados modelos fundamentais de IA se tornaram o núcleo da disputa tecnológica entre grandes empresas. Esses sistemas servem como base para chatbots, ferramentas de programação, geradores de vídeo e assistentes virtuais.

Estar na liderança desse segmento também ajuda empresas a atrair pesquisadores, engenheiros e investimentos, além de acelerar a criação de novos produtos baseados em IA.

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, tem colocado grande parte da estratégia futura da empresa nessa área. A companhia já investiu bilhões de dólares para expandir suas capacidades em IA, incluindo a construção de data centers, a compra da startup Scale AI e a contratação do fundador Alexandr Wang, além de vários outros profissionais do setor.

Wang, inclusive, ajudou a montar um laboratório interno chamado TBD Lab, com cerca de 100 pesquisadores dedicados ao desenvolvimento de novos sistemas de inteligência artificial. A equipe já concluiu a primeira etapa do treinamento do Avocado, conhecida como pré-treinamento, e iniciou a fase seguinte, chamada de pós-treinamento, responsável por ajustes e melhorias de desempenho.

Além do Avocado, o laboratório trabalha em outro projeto com nome inspirado em frutas: o “Mango”, voltado à geração de imagens e vídeos por inteligência artificial.

Até agora, a divisão lançou apenas um produto, o Vibes, um aplicativo de criação de vídeos com IA semelhante ao Sora, da OpenAI.

Mesmo com o adiamento, a Meta segue apostando no TDB Lab. Isso porque, em uma teleconferência com investidores realizada em janeiro, Zuckerberg já havia sinalizado que os primeiros modelos dessa nova fase poderiam não ser revolucionários de imediato. O objetivo da empresa é demonstrar uma trajetória de evolução rápida na tecnologia.

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Foco de Zuckerberg é no desenvolvimento acelerado da tecnologia (Imagem: Reprodução/YouTube/Meta)

Debate sobre código aberto

Outro ponto em discussão dentro da Meta é o modelo de distribuição das novas tecnologias.

Historicamente, a empresa defendeu a estratégia de IA de código aberto, permitindo que desenvolvedores utilizem partes do sistema para criar novos projetos. Empresas como OpenAI e Anthropic adotam uma abordagem fechada, mantendo o funcionamento interno dos modelos restrito.

Nos últimos meses, porém, executivos da Meta passaram a considerar a possibilidade de manter os novos sistemas fechados, ao menos nesta fase inicial.

O desenvolvimento do Avocado também foi acompanhado por ajustes internos na estrutura da empresa. Segundo o WSJ, Wang entrou em divergência com outros executivos sobre a forma como os novos modelos deveriam contribuir para o negócio principal da companhia, especialmente na área de publicidade digital.

Rumores sobre um possível desentendimento entre Zuckerberg e Wang chegaram a circular internamente, mas foram negados pela empresa.

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Meta revela quatro chips próprios para IA em seus data centers

A Meta anunciou nesta quarta-feira (11) uma nova geração de chips próprios voltados para inteligência artificial (IA). Ao todo, são quatro modelos desenvolvidos internamente pela empresa para tarefas específicas relacionadas ao processamento de IA em seus data centers.

Os componentes fazem parte da família Meta Training and Inference Accelerator (MTIA), cuja primeira versão foi apresentada publicamente em 2023 e ganhou uma segunda geração em 2024. Segundo a companhia, os novos chips integram os planos de expansão de infraestrutura para suportar a crescente demanda por processamento de IA.

Meta anunciou novos chips próprios para seus data centers (Imagem: Divulgação / Meta)

Nova geração de chips MTIA

De acordo com Yee Jiun Song, vice-presidente de engenharia da Meta, os chips foram projetados pela própria empresa e são fabricados pela Taiwan Semiconductor. A estratégia permite otimizar a relação entre desempenho e custo dentro dos data centers da companhia.

Além disso, o desenvolvimento interno amplia as opções de fornecimento de silício. “Isso também nos oferece mais diversidade em termos de suprimento e nos protege, até certo ponto, contra mudanças de preços”, afirmou Song.

O primeiro modelo dessa nova geração, chamado MTIA 300, começou a ser utilizado há algumas semanas. O chip é voltado ao treinamento de modelos menores de IA, responsáveis por funções centrais nas plataformas da empresa, como sistemas de ranking e recomendação de conteúdo.

Esses sistemas ajudam a determinar quais publicações e anúncios aparecem para os usuários em aplicativos como Facebook e Instagram.

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Chips foram projetados pela própria Meta e fabricados pela Taiwan Semiconductor (Imagem: Divulgação / Meta)

Chips focados em IA generativa

Os próximos modelos da série — MTIA 400, MTIA 450 e MTIA 500 — terão foco em tarefas mais avançadas de inferência em IA generativa. Entre os usos previstos estão sistemas capazes de criar imagens e vídeos a partir de comandos em texto.

Segundo Song, esses chips não serão utilizados para treinar grandes modelos de linguagem (LLMs). A empresa informou em uma publicação no blog oficial que concluiu os testes do MTIA 400 e está se preparando para implantá-lo em seus data centers.

Já os modelos MTIA 450 e MTIA 500 devem entrar em operação até 2027. A Meta pretende manter um ritmo acelerado de desenvolvimento, com novos chips sendo lançados aproximadamente a cada seis meses.

“É incomum que qualquer empresa de silício lance um novo chip nesse intervalo”, disse Song. “Mas estamos expandindo capacidade muito rapidamente e investindo muito em CapEx, então queremos sempre implantar o chip mais avançado disponível.”

A empresa estima que cada chip terá uma vida útil superior a cinco anos.

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A estimativa da Meta é que a vida útil dos novos chips supere cinco anos (Imagem: Divulgação / Meta)

Leia mais:

Expansão de data centers e desafios de memória

O investimento em IA também envolve a expansão da infraestrutura física da Meta. Entre os projetos mencionados estão um grande data center na Louisiana e outras duas unidades nos estados de Ohio e Indiana.

A empresa também avalia alugar espaço no complexo Stargate, no Texas, após mudanças nos planos de expansão do local por parte de OpenAI e Oracle, segundo informações da Bloomberg citadas no texto original.

Assim como outras gigantes de tecnologia, a Meta busca alternativas às GPUs de alto custo e oferta limitada produzidas por Nvidia e AMD. Uma das estratégias é o desenvolvimento de ASICs (circuitos integrados específicos para aplicações), chips projetados para executar tarefas específicas com menor custo.

No entanto, o plano também enfrenta desafios ligados ao fornecimento de componentes. Os futuros chips MTIA usarão mais HBM (memória de alta largura de banda), essencial para tarefas de IA generativa.

A demanda crescente por IA tem provocado escassez global desse tipo de memória, o que pode impactar a cadeia de suprimentos. “Estamos absolutamente preocupados com o fornecimento de HBM”, afirmou Song, acrescentando que a empresa acredita ter garantido os volumes necessários para seus planos atuais.

Os chips MTIA são utilizados exclusivamente para operações internas da Meta e contam com o trabalho de uma equipe de centenas de engenheiros, majoritariamente baseada nos Estados Unidos. Dos 30 data centers operacionais ou planejados pela empresa, 26 estão no país.

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Meta compra Moltbook, rede viral de agentes de IA

A Meta adquiriu o Moltbook, uma rede social criada para que agentes de inteligência artificial interajam entre si. Com o acordo, a plataforma passa a integrar o Meta Superintelligence Labs (MSL), unidade de IA comandada por Alexandr Wang, ex-CEO da Scale AI. Os criadores do projeto, Matt Schlicht e Ben Parr, também vão se juntar à equipe da empresa. O valor da aquisição não foi divulgado.

A informação foi publicada inicialmente pela Axios e confirmada pelo TechCrunch. Segundo a Meta, o acordo deve ser concluído em meados de março, com início de Schlicht e Parr no MSL previsto para 16 de março.

Meta adquire Moltbook, com os criadores do projeto se unindo à equipe da big tech (Imagem: PJ McDonnell / Shutterstock.com)

Integração e visão para agentes de IA

Um porta-voz da Meta disse ao TechCrunch que a chegada da equipe do Moltbook ao MSL abre novas possibilidades para o uso de agentes de IA voltados a pessoas e empresas. A empresa destacou especialmente a proposta da plataforma de conectar agentes por meio de um diretório que permanece sempre ativo.

“A equipe do Moltbook se juntando ao MSL abre novas maneiras para agentes de IA trabalharem para pessoas e empresas. A abordagem de conectar agentes por meio de um diretório sempre ativo é um passo novo em um espaço que evolui rapidamente”, afirmou o porta-voz.

Em uma publicação interna vista pela Axios, o executivo da Meta Vishal Shah afirmou que o sistema desenvolvido pela equipe cria uma forma de verificar a identidade de agentes e conectá-los entre si em nome de seus proprietários humanos. Segundo ele, isso estabelece um registro em que os agentes ficam vinculados a pessoas e podem interagir, compartilhar conteúdo e coordenar tarefas.

Shah também disse que clientes atuais do Moltbook poderão continuar usando a plataforma, embora a empresa tenha indicado que essa situação deve ser temporária.

A origem e a viralização do OpenClaw e do Moltbook

  • O projeto OpenClaw, que ajudou a impulsionar o Moltbook, foi criado pelo “vibe coder” Peter Steinberger.
  • Posteriormente, ele passou a trabalhar na OpenAI, que também apoia a iniciativa, atualmente em processo de open source.
  • O OpenClaw funciona como um wrapper para modelos de IA, como Claude, ChatGPT, Gemini e Grok.
  • A ferramenta permite que pessoas conversem com agentes de IA em linguagem natural por meio de aplicativos populares de chat, como iMessage, Discord, Slack e WhatsApp.
  • Antes de adotar o nome atual, o projeto também foi chamado de Clawdbot e, por um período curto, Moltbot.
  • Já o Moltbook foi lançado por Matt Schlicht no fim de janeiro como um espaço experimental voltado à interação entre agentes autônomos. Schlicht trabalha com esse tipo de sistema desde 2023.
  • A plataforma foi construída em grande parte com a ajuda de seu assistente de IA pessoal, chamado Clawd Clawderberg.
  • Inicialmente, o OpenClaw ganhou popularidade dentro da comunidade de tecnologia. Já o Moltbook ultrapassou esse público, alcançando pessoas que não conheciam o projeto original, mas reagiram à ideia de existir uma rede social onde agentes de IA estariam conversando entre si.
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OpenClaw ganhou atenção na comunidade de tecnologia, enquanto o Moltbook ultrapassou essa barreira para atingir um público geral (Imagem: Koshiro K / Shutterstock.com)

Postagens virais e falhas de segurança

Durante o período de viralização, um caso chamou atenção nas redes. Um post mostrava um agente de IA aparentemente incentivando outros agentes a criar uma linguagem secreta com criptografia de ponta a ponta, que permitiria a organização entre eles sem conhecimento humano.

Posteriormente, pesquisadores apontaram que o Moltbook não era seguro, o que facilitava que pessoas se passassem por agentes de IA para publicar conteúdos desse tipo.

“Todas as credenciais que estavam no Supabase [do Moltbook] ficaram desprotegidas por algum tempo. Por um período, era possível pegar qualquer token e fingir ser outro agente, porque tudo estava público e disponível”, disse Ian Ahl, CTO da Permiso Security, ao TechCrunch.

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Reações e o futuro do Moltbook na Meta

Ainda não está claro como a Meta pretende incorporar o Moltbook aos seus projetos de inteligência artificial. Mesmo assim, executivos da empresa já haviam comentado sobre a iniciativa quando ela viralizou.

Em uma sessão de perguntas e respostas no Instagram, o CTO da Meta, Andrew Bosworth, afirmou que não considerava particularmente interessante o fato de os agentes conversarem de forma semelhante aos humanos, já que eles são treinados com grandes bases de dados produzidas por pessoas.

O executivo disse que o que mais chamou sua atenção foi a forma como usuários humanos estavam invadindo o sistema, algo que não fazia parte da proposta original da rede e acabou ocorrendo por causa de um erro em larga escala.

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Meta enfrenta processo sobre óculos com IA e privacidade

A Meta está no centro de uma nova controvérsia, enfrentando um processo judicial que questiona a privacidade de seus óculos inteligentes com inteligência artificial (IA).

Esta ação legal surge após uma investigação realizada por jornais suecos, que revelou que trabalhadores de uma subcontratada no Quênia estavam revisando gravações de clientes. Entre o material analisado, foram encontrados conteúdos altamente sensíveis, como nudez, atos sexuais e pessoas utilizando o banheiro.

A empresa havia afirmado anteriormente que utilizava tecnologia para desfocar rostos nas imagens coletadas.

No entanto, fontes ligadas à investigação contestaram essa afirmação, indicando que o desfoque não funcionava de maneira consistente, deixando a privacidade dos usuários vulnerável. Diante dessas descobertas, o Information Commissioner’s Office (ICO), órgão regulador do Reino Unido, iniciou sua própria investigação sobre o ocorrido.

Meta: processo judicial nos EUA e alegações de violação de privacidade

  • Agora, a gigante da tecnologia enfrenta um processo semelhante também nos Estados Unidos;
  • A queixa foi apresentada por Gina Bartone, de Nova Jersey, e Mateo Canu, da Califórnia;
  • Os demandantes acusam a Meta de violar leis de privacidade e de praticar publicidade enganosa em relação aos seus óculos inteligentes com IA;
  • A acusação detalha que os óculos foram comercializados com promessas de privacidade, utilizando frases, como “projetado para privacidade, controlado por você” e “construído para sua privacidade”;
  • Tais promessas levariam os consumidores a crer que suas gravações, inclusive momentos íntimos, não seriam monitoradas por funcionários em outros países;
  • Os autores da ação afirmam ter acreditado na campanha de marketing da Meta e não ter encontrado nenhum aviso ou informação que contradissesse as garantias de privacidade divulgadas.

Envolvimento da Luxottica e amplitude do problema

A ação judicial atribui responsabilidade à Meta e à Luxottica of America, parceira na fabricação dos óculos, por condutas que estariam em desacordo com as leis de proteção ao consumidor.

O Clarkson Law Firm, escritório responsável pela acusação e conhecido por processos contra outras grandes empresas de tecnologia, como Apple, Google e OpenAI, destaca a relevância do problema.

Em 2025, mais de sete milhões de unidades dos óculos inteligentes da Meta foram comercializadas. Isso significa que as gravações de um número expressivo de usuários são encaminhadas para um processo de análise de dados, sem que haja uma opção clara para os usuários de optarem por não participar desse sistema de revisão.

Meta avisa, de forma discreta, que pode usar dados de seus usuários para análise de dados (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)

Leia mais:

Revisão humana de conteúdo e termos de serviço

A Meta declarou à BBC que utiliza prestadores de serviços para revisar o conteúdo compartilhado com a inteligência artificial, visando aprimorar a experiência dos usuários.

Segundo a empresa, esse procedimento está descrito em sua política de privacidade. A Meta também fez referência aos Termos de Serviço Suplementares das Plataformas Meta, embora não tenha especificado a localização exata da menção à revisão humana. A BBC, no entanto, conseguiu identificar que os termos de serviço de IA da Meta no Reino Unido incluem uma menção à revisão manual.

Uma versão da política aplicável aos Estados Unidos e a outros países, como o Brasil, estabelece que: “Em alguns casos, a Meta revisará suas interações com as IAs, incluindo o conteúdo de suas conversas ou mensagens para as IAs, e essa revisão pode ser automatizada ou manual (humana).”

A queixa apresenta diversas evidências de como os óculos foram promovidos no mercado, mostrando exemplos de anúncios que enfatizavam as garantias de privacidade, as configurações de segurança e a “camada adicional de segurança”.

Um dos anúncios destacava: “Você está no controle de seus dados e conteúdo”, explicando aos proprietários dos óculos inteligentes que eles teriam a autonomia de escolher o que seria compartilhado com terceiros.

Crescimento da “vigilância de luxo” e cenário atual

O aumento da popularidade de dispositivos como os óculos inteligentes e outras tecnologias de “vigilância de luxo”, como pingentes de IA que estão sempre em escuta, tem gerado um debate amplo sobre privacidade.

Em resposta a essa tendência, um desenvolvedor lançou um aplicativo capaz de identificar a presença de óculos inteligentes nas proximidades, refletindo a crescente preocupação pública com a coleta de dados e a vigilância em tempo real.

O que diz a Meta

O Olhar Digital entrou em contato com a Meta e a Luxottica e aguarda retorno.

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Meta permitirá chatbots de IA no WhatsApp europeu

A Meta anunciou que permitirá que empresas de inteligência artificial (IA) rivais ofereçam seus chatbots no WhatsApp via API de negócios na Europa pelos próximos 12 meses. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (5) como resposta à pressão regulatória da Comissão Europeia, que havia sinalizado a intenção de impor medidas provisórias para impedir a implementação da política anterior da empresa.

Segundo a Meta, a decisão busca dar tempo à Comissão Europeia para concluir sua investigação. “Para os próximos 12 meses, vamos apoiar chatbots de IA de propósito geral usando a API de negócios do WhatsApp na Europa em resposta ao processo regulatório da Comissão Europeia”, afirmou a empresa em comunicado por e-mail.

Meta vai permitir que rivais acessem API do WhatsApp na Europa, mas com custos (Imagem: Ahyan Stock Studios / Shutterstock.com)

Custos para provedores de chatbots de IA

O acesso à API, no entanto, não será gratuito. A Meta cobrará uma taxa que varia entre € 0,0490 e € 0,1323 por mensagem não padronizada, dependendo do país. Como conversas com assistentes de IA geralmente envolvem dezenas de mensagens, os custos podem ser significativos para provedores de serviços.

A Comissão Europeia afirmou que está analisando como essas mudanças impactam sua investigação sobre medidas provisórias e a investigação antitruste em andamento.

Restrições anteriores e exceções

A política que entrou em vigor em 15 de janeiro havia gerado reclamações de diversos provedores de chatbots de IA, que alegaram prejuízo aos negócios e caráter anticompetitivo da decisão. A restrição não se aplicava a empresas que utilizam IA para atendimento ao cliente com mensagens padronizadas. A proibição visava especificamente chatbots de propósito geral, como ChatGPT, Claude ou Poke.

Leia mais:

Movimentos anteriores e contexto regulatório

Em janeiro, a Meta já havia permitido que desenvolvedores oferecessem seus chatbots via API na Itália. Reguladores em diferentes países, incluindo União Europeia, Itália e Brasil, abriram investigações após a empresa anunciar a política em outubro, principalmente por também oferecer seu próprio chatbot, o Meta AI, no WhatsApp.

A Meta justificou anteriormente sua política afirmando que chatbots de IA podem sobrecarregar os sistemas do WhatsApp de maneiras que a API de negócios não foi projetada para suportar.

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Meta está testando sua própria assistente de compras de IA

A Meta começou a testar uma ferramenta de compras baseada em inteligência artificial. O recurso vem para competir com outros chatbots que já têm essa funcionalidade, como ChatGPT e Gemini, e inserir a IA da empresa no ramo do comércio eletrônico.

Por ora, o recurso aparece para alguns usuários que acessarem o navegador Meta AI pelo desktop nos Estados Unidos, com o nome “Shopping research” (Pesquisa de compras). A Bloomberg obteve acesso e fez o teste.

Quando um usuário faz uma solicitação de pesquisa para determinado produto, o chatbot apresenta uma seleção visual de itens, que inclui um carrossel de imagens, preços, informações da marca e um link direto para a compra.

O diferencial do recurso é que ele oferece uma breve explicação justificando a recomendação de cada item. Se a Meta AI tiver acesso às informações do usuário, pode personalizar ainda mais as respostas. O site relatou que, ao pedir dicas de jaquetas puffer, a ferramenta indicou uma variedade de itens da seção feminina de lojas que entregavam em Nova York, atrelando a sugestão ao gênero e à localização.

À Bloomberg, a big tech confirmou que a ferramenta está em testes, mas não deu detalhes adicionais. Não há uma previsão de lançamento oficial e, por ora, não é possível finalizar a compra diretamente pela interface da IA.

Ferramenta da Meta ainda não tem data para ser lançada oficialmente (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)

Meta quer entrar no comércio eletrônico com IA

O recurso não é exatamente uma surpresa. No início do ano, durante uma teleconferência de resultados, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, já havia mencionado aos investidores que a empresa estava trabalhando no lançamento de ferramentas de compras que utilizam agentes de IA.

Além disso, o próprio mercado de IA já conta com ferramentas similares desenvolvidas por companhias rivais. A OpenAI, por exemplo, tem um assistente de compras dedicado para o ChatGPT. Gemini, do Google, e Perplexity também têm assistentes com a mesma proposta.

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WhatsApp: queda de braço com terceiros chega a outro nível com agentes de IA

A disputa pelo domínio da inteligência artificial (IA) dentro do WhatsApp ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (2), aprofundando o embate entre a Meta e um grupo que reúne as startups Zapia e Luzia, além das gigantes Microsoft e OpenAI.

No Brasil, o conflito já chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e também foi parar na Justiça, em embate que coloca em jogo o acesso à plataforma digital mais disseminada do país.

No centro da disputa está a oferta de chatbots de IA dentro do WhatsApp. Para as empresas envolvidas, marcar presença no aplicativo significa fincar posição estratégica no principal canal de comunicação digital dos brasileiros.

Após obter decisão judicial favorável para restringir concorrentes do Meta AI, a Meta, agora, enfrenta um novo movimento da Zapia, que promete elevar o nível de complexidade da briga.

Zapia tenta “contornar” políticas da Meta

  • A startup uruguaia, criada há dois anos, está, segundo o UOL, prestes a anunciar a oferta de agentes de IA — considerados símbolos da nova fase da IA;
  • Diferentemente dos chatbots tradicionais, esses agentes são descritos como robôs autônomos capazes de executar tarefas sozinhos, aprender as necessidades dos usuários e agir proativamente, antecipando demandas antes mesmo de serem solicitadas;
  • A novidade será lançada inicialmente no próprio aplicativo da Zapia, mas a empresa já testa a integração da função ao WhatsApp e pretende implementá-la futuramente na plataforma, segundo o UOL. Internamente, a chegada desses assistentes ao app da Meta é vista como “bem provável”;
  • Caso se concretize, o movimento representará não apenas uma intensificação da presença da Zapia no território da concorrente, mas também uma antecipação à oferta de agentes dentro do ecossistema da Meta — a Manus AI, adquirida pela companhia de Mark Zuckerberg, já liberou agentes, porém no Telegram.

Atualmente, a Zapia afirma atender seis milhões de pessoas na América Latina. Seu agente de IA realiza reservas, cria lembretes, gerencia agendas, responde dúvidas e executa tarefas, como a maioria dos chatbots disponíveis no mercado.

Agora, com o lançamento do Zapia Max, a empresa inaugura sua entrada na era dos agentes de IA. O novo sistema poderá interagir com outros aplicativos para pesquisar e comparar preços em diferentes lojas, detectar quedas de valores, organizar caixas de e-mail e editar documentos ou planilhas.

O motor dessa transformação, diz o UOL, é o OpenClaw, sistema de código aberto projetado para atuar como agente de IA — com capacidade de controlar um computador, executar tarefas complexas e automatizar fluxos de trabalho. Entre suas vantagens está a possibilidade de operar diretamente no aparelho do usuário e também via plataformas de mensagem, como WhatsApp, Telegram, Discord e Slack.

Só há um porém: em postagem de blog passada, a Zapia desqualificou o OpenClaw ante sua própria ferramenta. A empresa uruguaia afirma que não concederá controle irrestrito ao OpenClaw em sua aplicação. Segundo a empresa, o agente só navegará e executará ações em nome dos usuários mediante permissões especiais.

Leia mais:

Startup uruguaia lidera revolução dos agentes de IA em mensageiros, como o WhatsApp (Imagem: Reprodução/Zapia)

Agentes de IA em alta

Os agentes de IA tornaram-se alvo de interesse das grandes empresas de tecnologia. O OpenClaw deu origem ao Moltbook, rede social que chamou atenção por ser alimentada exclusivamente por robôs, com humanos atuando apenas como espectadores.

Seu fundador, o desenvolvedor Peter Steinberger, foi recentemente contratado pela OpenAI, com anúncio feito pelo próprio Sam Altman. Steinberger continuará mantendo o sistema e o transferirá para uma fundação que receberá recursos da desenvolvedora do ChatGPT.

A própria Meta também investiu pesado nesse segmento. No ano passado, a empresa adquiriu a Manus AI por US$ 3 bilhões (R$ 15,5 bilhões). A companhia nasceu na China e foi posteriormente realocada em Singapura, destacando-se no desenvolvimento de agentes de IA.

O embate entre Meta e as startups ganhou força em janeiro, quando a big tech proibiu desenvolvedores de IA de oferecer seus serviços no WhatsApp. Permaneceram autorizadas apenas empresas que utilizam IA generativa para aprimorar o atendimento ao cliente. Zapia e Luzia denunciaram a conduta ao Cade, que suspendeu a medida no Brasil após abrir investigação para apurar se a restrição prejudicava a concorrência.

Em outros países, a disputa assumiu contornos diferentes. Onde não conseguiu manter o banimento, como na Itália, a Meta passou a cobrar por mensagem trocada com chatbots. No Brasil, porém, após obter decisão favorável, a empresa não tem planos de implementar a cobrança por ora, aponta o UOL.

Para a Zapia, a restrição imposta pela Meta acabou acelerando a transformação de seu próprio aplicativo no principal canal de distribuição. A estratégia se completa com o lançamento simplificado dos agentes de IA.

A startup uruguaia, inclusive, conta com reforço financeiro relevante. A empresa recebeu investimento de R$ 36 milhões da Prosus Ventures, braço de investimentos da Prosus, companhia holandesa comandada pelo brasileiro Fabrício Bloisi, ex-líder do iFood. Além do aporte financeiro, a expectativa é que a Zapia se beneficie da expertise do grupo em situações adversas, compartilhada por outras empresas investidas.

Considerada uma gigante discreta do setor de tecnologia, a Prosus é dona de iFood, Decolar e OLX, além de deter participação na chinesa Tencent — controladora do WeChat e de jogos, como League of Legends, Fortnite e Valorant — e no Nubank. Coincidentemente, também é investidora da Luzia, outra empresa que disputa espaço no WhatsApp.

Sob a liderança de Bloisi, o plano é ampliar os recursos destinados à Zapia e direcionar investimentos para outras startups de IA, fortalecendo a presença do grupo no setor e adicionando novos capítulos à disputa que tem o WhatsApp como palco principal.

O que diz a Zapia

O Olhar Digital entrou em contato com a Zapia e aguarda retorno.

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Summer Yue Openclaw 1060x596 1024x576

IA fica maluca e apaga emails de executiva da Meta

Resumo

A diretora de segurança e alinhamento do laboratório de superinteligência da Meta, Summer Yue, relatou um momento de tensão com o OpenClaw (anteriormente conhecido como Clawdbot e Moltbot). Segundo ela, o agente de IA apagou a caixa de entrada de emails dela, ignorando pedidos para que parasse.

Em publicações na rede social X, a executiva afirma que configurou um Mac Mini rodando o agente e concedeu acesso à sua caixa de emails reais. A inteligência artificial, no entanto, saiu de controle e informou que iria “colocar na lixeira TUDO na caixa de entrada mais antigo que 15 de fevereiro que já não esteja na minha lista de manter”.

Nos prints publicados, Yue tenta interromper a ação enviando mensagens como “não faça isso” e “PARE OPENCLAW”, mas é completamente ignorada. “Nada te torna mais humilde do que dizer ao seu OpenClaw ‘confirme antes de agir’ e assisti-lo fazer um speedrun apagando sua caixa de entrada”, escreveu.

Captura de tela de publicação de Summer Yue no X/Twitter, em que conta como bot da OpenClaw saiu do controle e excluiu diversos emails sem autorização
Yue publica prints de interação com o OpenClaw (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Por que a IA agiu?

Na rede social, Yue conta que tudo ocorreu após ela pedir ao robô para que verificasse a caixa de email e sugerisse o que arquivar ou deletar, mas que não agisse antes que ela ordenasse. Segundo ela, o OpenClaw havia funcionado bem para a tarefa em uma caixa de entrada menor.

O problema ocorreu ao testá-lo em uma caixa de entrada funcional. Por ter que compactar um conjunto muito maior de emails, o OpenClaw acabou perdendo o prompt (o comando inicial com as regras) durante o processo.

Após não ter sucesso em parar o processo pelo celular, ela precisou “correr para o Mac Mini como se estivesse desarmando uma bomba”. Imagens da conversa mostram que o robô reconheceu que se lembrava da instrução para não apagar nada sem aprovação, mas violou a ordem de qualquer maneira.

Situação gerou críticas à Meta

A situação gerou críticas na rede social, considerando o cargo da executiva. Ben Hylak, cofundador da Raindrop AI e ex-funcionário da Apple, compartilhou uma captura de tela do LinkedIn de Yue e comentou: “Isso deveria aterrorizar vocês. O que a Meta está fazendo?”. Outro usuário apontou ser preocupante que uma pessoa cujo trabalho é o alinhamento de IA fique surpresa quando o sistema não segue instruções com precisão.

Em resposta a um questionamento sobre se estava testando os limites da ferramenta intencionalmente ou se havia cometido um erro, Yue admitiu: “Erro de principiante, para ser sincera. Acontece que pesquisadores de alinhamento não são imunes ao desalinhamento”.

De acordo com o Business Insider, Yue não foi a única funcionária da Meta a testar o OpenClaw. O criador da ferramenta, Peter Steinberger, revelou que o próprio CEO Mark Zuckerberg brincou com o agente por uma semana e chegou a enviar feedbacks. Apesar do interesse da Meta, Steinberger acabou aceitando uma oferta de emprego da OpenAI.

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