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Demanda por chips de IA supera capacidade da TSMC, diz CEO

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), maior fabricante de semicondutores do mundo, afirmou que a crescente demanda por chips voltados à inteligência artificial (IA) continuará acima da capacidade de produção da empresa por um longo período. A avaliação foi feita pelo CEO da companhia, C.C. Wei, durante uma reunião de acionistas realizada nesta quinta-feira em Hsinchu, Taiwan, segundo informações divulgadas pela Reuters e Bloomberg.

Segundo o executivo, a procura por componentes avançados segue em ritmo acelerado, especialmente entre clientes dos Estados Unidos. Mesmo com a expansão da produção em território americano e novos investimentos anunciados pela empresa, a TSMC ainda não conseguirá atender integralmente às necessidades do mercado nos próximos anos.

A TSMC é a maior fabricante de semicondutores do mundo – Imagem: Ascannio / Shutterstock

Expansão não será suficiente para atender toda a demanda

Durante o encontro com acionistas, Wei afirmou que a empresa trabalha para evitar que sua capacidade produtiva se torne um obstáculo para a indústria, mas reconheceu que a situação continua desafiadora.

“A demanda dos clientes é tão alta, e nós só conseguimos atender até certo ponto”, disse o executivo. “Estamos fazendo o nosso melhor para garantir que a TSMC não se torne um gargalo.”

De acordo com Wei, levará um “tempo muito longo” até que a companhia consiga atender plenamente à demanda dos clientes. A observação vale inclusive para a produção baseada nos Estados Unidos, onde a fabricante vem ampliando sua presença industrial.

A TSMC já colocou em operação uma fábrica no Arizona e planeja investir US$ 165 bilhões na construção de três novas unidades de fabricação de chips, além de duas instalações avançadas de empacotamento e um centro de pesquisa e desenvolvimento.

IA impulsiona corrida por semicondutores

O avanço da inteligência artificial tem aumentado a procura por componentes utilizados em data centers e sistemas de computação avançada. Segundo Wei, a demanda gerada por esse mercado continuará pressionando a capacidade global de produção da TSMC pelos próximos anos.

A companhia ocupa uma posição central nesse ecossistema, produzindo semicondutores avançados utilizados por empresas como Nvidia e AMD. Ao mesmo tempo, grandes operadores de infraestrutura tecnológica devem investir US$ 725 bilhões em inteligência artificial apenas neste ano, ampliando ainda mais a necessidade de novos chips.

A forte procura já provoca impactos em outros segmentos da indústria. O mercado de memória, por exemplo, enfrenta restrições de oferta, com a escassez de RAM e NAND Flash sendo apontada como um problema que pode persistir por anos.

TSMC mantém perspectiva positiva para 2026

Apesar das limitações de capacidade, a empresa manteve uma visão otimista para seus resultados financeiros. Wei reiterou a previsão de que a TSMC registrará crescimento de vendas superior a 30% em 2026, projeção que havia sido elevada recentemente pela companhia.

O executivo também afirmou que a fabricante não pretende adotar aumentos abruptos de preços semelhantes aos observados no setor de memória. Segundo ele, a prioridade da empresa é preservar a estabilidade dos negócios enquanto amplia sua capacidade de produção para acompanhar a expansão da inteligência artificial.

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Peça essencial dos chips de IA vira alvo de alerta nos EUA

A corrida da inteligência artificial ganhou um novo foco, e ele está longe dos próprios chips. Autoridades e empresas dos EUA passaram a olhar com mais atenção para as placas de circuito impresso usadas em sistemas de IA, explica a CNBC.

Essenciais para o funcionamento de praticamente qualquer eletrônico moderno, essas placas agora são vistas como um possível risco à segurança nacional. O receio é que componentes maliciosos sejam inseridos discretamente durante a fabricação.

Dependência da China em peças essenciais da IA acende alerta de segurança nos EUA. Imagem: Pla2na/Shutterstock – Imagem: Pla2na/Shutterstock

O elo silencioso da inteligência artificial

Quando se fala em IA, quase toda a atenção vai para GPUs, data centers e empresas como Nvidia. Só que existe uma peça menos lembrada — e indispensável — nessa engrenagem: as placas de circuito impresso, conhecidas como PCIs.

Elas funcionam como a base que conecta os chips e permite a troca de sinais entre os componentes. Sem isso, simplesmente nada opera.

“Os chips não flutuam”, resumiu Cathie Gridley, vice-presidente executiva da TTM, em entrevista à CNBC. “Eles precisam ser montados em uma placa para que todo o conjunto funcione corretamente.”

Só que existe um detalhe que preocupa Washington: boa parte dessa produção hoje está concentrada na China. Segundo a Associação de Placas de Circuito Impresso da América (PCBAA), os EUA já responderam por cerca de 30% da produção global. Atualmente, o índice caiu para apenas 4%.

David Schild, diretor executivo da entidade, classificou o cenário como uma “dependência arriscada”.

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Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA. Imagem: Mijansk786 / Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Risco vai além da espionagem

A preocupação americana não envolve apenas a disputa comercial entre as duas potências. O Departamento de Defesa teme que placas comprometidas possam abrir espaço para sabotagens em equipamentos estratégicos.

Chips, substratos e placas de circuito impresso representam múltiplas vias de ataque para um potencial agente malicioso.

Mike Cadenazzi, secretário adjunto de guerra dos EUA para política de base industrial, à CNBC.

Segundo ele, um ataque desse tipo poderia até afetar armas em operação. “Um código específico é ativado e, de repente, a placa de circuito impresso, em combinação com o chip, decide interromper a orientação da munição”, explicou.

Especialistas alertam que as PCBs são vulneráveis justamente porque componentes podem ser escondidos em diferentes camadas da estrutura sem chamar atenção.

Entre as principais preocupações do setor estão:

  • inserção de componentes maliciosos;
  • desvio de dados sensíveis;
  • redução proposital de desempenho;
  • interrupção de sistemas militares;
  • dependência excessiva da cadeia chinesa.

Durante anos, as placas de circuito ficaram longe dos holofotes da indústria. Agora, viraram peça estratégica na disputa tecnológica entre EUA e China.

Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA.
Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA. Imagem: BLKstudio/Shutterstock

Produção de chips nos EUA tenta ganhar força

Com a demanda por IA disparando, empresas americanas tentam acelerar a fabricação doméstica. A TTM Technologies e a Sanmina, duas das poucas fabricantes relevantes nos EUA, ampliam suas operações impulsionadas pelo crescimento do setor.

A TTM já anunciou novas unidades em Nova York e Wisconsin. Ainda assim, mantém sete fábricas na Ásia, incluindo sua maior planta em território chinês.

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O impacto também começou a aparecer nos preços. Segundo relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters, as PCIs registraram alta de até 40% entre março e abril. A própria TTM informou reajustes entre 5% e 25%.

Além da corrida pela inteligência artificial, conflitos internacionais ajudam a pressionar ainda mais o setor. A guerra no Oriente Médio e os impactos envolvendo o Irã afetam o fornecimento de matérias-primas importantes, como cobre e resina.

Mesmo diante desse cenário, o governo dos EUA quer fortalecer a indústria local. Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA, além de bilhões de dólares em subsídios para fabricantes nacionais.

“Tem que ser nos EUA e, em breve, na Europa”, afirmou Edwin Roks, CEO da TTM, ao comentar os riscos da atual dependência chinesa.

Para os EUA, o desafio agora não é apenas fabricar chips mais poderosos. A meta também passa por controlar toda a cadeia necessária para que esses sistemas funcionem.

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Meta revela quatro chips próprios para IA em seus data centers

A Meta anunciou nesta quarta-feira (11) uma nova geração de chips próprios voltados para inteligência artificial (IA). Ao todo, são quatro modelos desenvolvidos internamente pela empresa para tarefas específicas relacionadas ao processamento de IA em seus data centers.

Os componentes fazem parte da família Meta Training and Inference Accelerator (MTIA), cuja primeira versão foi apresentada publicamente em 2023 e ganhou uma segunda geração em 2024. Segundo a companhia, os novos chips integram os planos de expansão de infraestrutura para suportar a crescente demanda por processamento de IA.

Meta anunciou novos chips próprios para seus data centers (Imagem: Divulgação / Meta)

Nova geração de chips MTIA

De acordo com Yee Jiun Song, vice-presidente de engenharia da Meta, os chips foram projetados pela própria empresa e são fabricados pela Taiwan Semiconductor. A estratégia permite otimizar a relação entre desempenho e custo dentro dos data centers da companhia.

Além disso, o desenvolvimento interno amplia as opções de fornecimento de silício. “Isso também nos oferece mais diversidade em termos de suprimento e nos protege, até certo ponto, contra mudanças de preços”, afirmou Song.

O primeiro modelo dessa nova geração, chamado MTIA 300, começou a ser utilizado há algumas semanas. O chip é voltado ao treinamento de modelos menores de IA, responsáveis por funções centrais nas plataformas da empresa, como sistemas de ranking e recomendação de conteúdo.

Esses sistemas ajudam a determinar quais publicações e anúncios aparecem para os usuários em aplicativos como Facebook e Instagram.

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Chips foram projetados pela própria Meta e fabricados pela Taiwan Semiconductor (Imagem: Divulgação / Meta)

Chips focados em IA generativa

Os próximos modelos da série — MTIA 400, MTIA 450 e MTIA 500 — terão foco em tarefas mais avançadas de inferência em IA generativa. Entre os usos previstos estão sistemas capazes de criar imagens e vídeos a partir de comandos em texto.

Segundo Song, esses chips não serão utilizados para treinar grandes modelos de linguagem (LLMs). A empresa informou em uma publicação no blog oficial que concluiu os testes do MTIA 400 e está se preparando para implantá-lo em seus data centers.

Já os modelos MTIA 450 e MTIA 500 devem entrar em operação até 2027. A Meta pretende manter um ritmo acelerado de desenvolvimento, com novos chips sendo lançados aproximadamente a cada seis meses.

“É incomum que qualquer empresa de silício lance um novo chip nesse intervalo”, disse Song. “Mas estamos expandindo capacidade muito rapidamente e investindo muito em CapEx, então queremos sempre implantar o chip mais avançado disponível.”

A empresa estima que cada chip terá uma vida útil superior a cinco anos.

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A estimativa da Meta é que a vida útil dos novos chips supere cinco anos (Imagem: Divulgação / Meta)

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Expansão de data centers e desafios de memória

O investimento em IA também envolve a expansão da infraestrutura física da Meta. Entre os projetos mencionados estão um grande data center na Louisiana e outras duas unidades nos estados de Ohio e Indiana.

A empresa também avalia alugar espaço no complexo Stargate, no Texas, após mudanças nos planos de expansão do local por parte de OpenAI e Oracle, segundo informações da Bloomberg citadas no texto original.

Assim como outras gigantes de tecnologia, a Meta busca alternativas às GPUs de alto custo e oferta limitada produzidas por Nvidia e AMD. Uma das estratégias é o desenvolvimento de ASICs (circuitos integrados específicos para aplicações), chips projetados para executar tarefas específicas com menor custo.

No entanto, o plano também enfrenta desafios ligados ao fornecimento de componentes. Os futuros chips MTIA usarão mais HBM (memória de alta largura de banda), essencial para tarefas de IA generativa.

A demanda crescente por IA tem provocado escassez global desse tipo de memória, o que pode impactar a cadeia de suprimentos. “Estamos absolutamente preocupados com o fornecimento de HBM”, afirmou Song, acrescentando que a empresa acredita ter garantido os volumes necessários para seus planos atuais.

Os chips MTIA são utilizados exclusivamente para operações internas da Meta e contam com o trabalho de uma equipe de centenas de engenheiros, majoritariamente baseada nos Estados Unidos. Dos 30 data centers operacionais ou planejados pela empresa, 26 estão no país.

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