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EUA e China discutem canal para alertar um ao outro sobre incidentes de inteligência artificial que envolvam riscos

Estados Unidos e China iniciaram conversas para criar um sistema de notificação sobre incidentes de inteligência artificial. O objetivo é evitar que falhas técnicas ou crises de segurança nacional desencadeiem conflitos entre as potências.

A iniciativa faz parte de um diálogo bilateral sobre a tecnologia e ganha força no momento em que a indústria enfrenta alertas crescentes sobre os riscos de modelos avançados.

Falhas técnicas em sistemas de IA podem ganhar um novo canal de comunicação entre Washington e Pequim. – Imagem: wildpixel/iStock

Canal de comunicação para evitar crises

A ideia é criar uma ponte direta entre Washington e Pequim para notificar falhas graves e episódios críticos em tempo real, evitando mal-entendidos diplomáticos.

O tema deve entrar na pauta do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.

Achamos que, como em qualquer atividade transfronteiriça, sair do opaco para mais transparência entre a potência número um e a número dois em IA no mundo é muito importante.

Scott Bessent, Secretário do Tesouro americano, em entrevista coletiva.

Insegurança em modelos de ponta impulsiona acordo

Alertas disparados nas últimas semanas colocaram em dúvida as travas de proteção dos sistemas atuais. Relatos de funcionários da Anthropic, por exemplo, mencionaram riscos extremos em ferramentas de ponta.

A discussão dividiu o setor em visões opostas:

  • Executivos da OpenAI e da Anthropic defendem desacelerar o desenvolvimento para estabelecer normas de segurança.
  • Donald Trump rejeita pausar as pesquisas para não perder a vantagem dos EUA na corrida tecnológica: “Quem vencer a IA, vence!”, afirmou.
  • Especialistas do mercado cobram a aplicação de leis de responsabilidade e cibersegurança que já estão em vigor.
Ilustração de mãos com bandeiras da China e dos Estados Unidos puxando corda
O debate sobre segurança de IA envolve governos e empresas diante dos riscos de modelos cada vez mais avançados. Imagem: Andy.LIU/Shutterstock

Divergências sobre regulação e concorrência

Enquanto governos tentam prevenir acidentes tecnológicos, o setor privado debate os limites das regras. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou a criação de novas normas alarmistas.

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“Aplique isso primeiro. Não deixe essa narrativa apocalíptica permitir que alguém se livre das leis que já existem.”

Na mesma linha, fundadores de plataformas de código aberto, como Thomas Wolf, da Hugging Face, alertam que a busca por supremacia tecnológica compromete a cooperação internacional. Ao mesmo tempo, os EUA mantêm barreiras para limitar o acesso chinês a chips avançados.

A criação do canal de alerta tenta impor ordem a um setor que avança sem fronteiras claras. O desafio agora será manter essa via de comunicação aberta enquanto a disputa comercial e tecnológica entre as duas potências segue acirrada.

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Anthropic vence Trump em queda de braço judicial sobre IA

A Justiça dos Estados Unidos decidiu que o governo Trump agiu ilegalmente ao classificar a Anthropic como risco à cadeia de fornecimento e barrar negócios da empresa com o governo. A juíza federal Rita Lin entendeu que houve retaliação por manifestações protegidas pela Primeira Emenda.

O conflito começou depois que a Anthropic impôs limites ao uso militar de sua inteligência artificial. Segundo o The New York Times, a decisão encerra a primeira de duas ações judiciais apresentadas pela empresa contra o governo.

Um contrato de US$ 200 milhões com o Pentágono esteve no centro da disputa entre Anthropic e governo Trump. – Imagem: Chip Somodevilla e Stockinq – Shutterstock

Contrato de US$ 200 milhões está no centro da disputa

A briga ganhou força no início do ano, quando Anthropic e governo não chegaram a um acordo sobre um contrato de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,03 bilhão) para fornecer tecnologia de IA ao Pentágono em sistemas classificados.

A empresa queria impedir dois usos específicos: vigilância em massa de americanos e armas autônomas capazes de matar alvos sem supervisão humana.

O Pentágono discordou. Para o governo, uma empresa privada não poderia estabelecer políticas para os Estados Unidos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, acabou classificando a Anthropic como um risco à cadeia de fornecimento.

Essa categoria havia sido utilizada contra empresas estrangeiras consideradas ameaças à segurança nacional. Com a classificação, fornecedores e contratados das Forças Armadas ficaram impedidos de fazer negócios com a Anthropic.

Governo não convenceu a juíza

A Anthropic levou o caso à Justiça e alegou que a classificação não se aplicava à companhia. Também afirmou que a medida tinha motivação ideológica e violava seus direitos constitucionais.

Na decisão de 59 páginas, Rita Lin concluiu que o governo retaliou a empresa por atividades protegidas pela Constituição.

“O uso vazio da segurança nacional não é um cheque em branco para punir e retaliar críticos do governo”, escreveu a juíza.

Outro argumento analisado envolvia a possibilidade de a Anthropic desativar ou alterar seus modelos durante uma guerra. Lin já havia questionado a existência de evidências para essa hipótese. De acordo com o The New York Times, o governo recuou de várias de suas principais alegações sobre o assunto.

Para a juíza, a decisão de barrar a empresa tinha como objetivo transformá-la em um exemplo público por sua postura crítica.

Logo da Anthropic em uma parede com pessoas ao redor
A vitória da Anthropic não encerra a disputa: uma segunda ação judicial contra o governo Trump continua em andamento. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Disputa ainda continua

A Anthropic apresentou duas ações em 9 de março. A primeira, na Califórnia, resultou na decisão de Lin. A segunda tramita no Tribunal de Apelações dos EUA para o Circuito do Distrito de Columbia.

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O episódio também teve um novo capítulo envolvendo o modelo de IA Mythos. Em junho, o governo pediu que a Anthropic restringisse o acesso de clientes ao sistema por razões de segurança nacional. Após duas semanas de negociações, a empresa pôde restaurar o acesso à maioria dos clientes, com algumas salvaguardas.

“Saudamos a decisão do tribunal de que essa classificação de risco à cadeia de fornecimento foi ilegal”, afirmou a Anthropic.

A decisão é uma vitória para a empresa, mas não encerra a disputa. O governo Trump ainda pode recorrer, enquanto o segundo processo continua em andamento.

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Disputa com Casa Branca expõe riscos políticos da Anthropic antes do IPO

A relação entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos entrou em rota de colisão após divergências sobre o uso militar de inteligência artificial. O impasse envolveu decisões de segurança nacional e medidas de restrição que atingiram diretamente a empresa.

Nos últimos meses, porém, o clima começou a mudar em Washington. Ainda sem acordo definitivo, mas com sinais de aproximação, explica a Reuters.

Debate sobre uso de IA militar segue no centro da relação entre empresas de tecnologia e a Casa Branca. Imagem: Artem Onoprienko/iStock

Impasse começou com restrições ao uso militar de IA

A tensão começou quando a Anthropic recusou permitir que suas tecnologias fossem usadas pelas Forças Armadas dos EUA em vigilância doméstica e em sistemas de armas totalmente autônomos. A resposta do governo veio em seguida: a empresa foi incluída em uma lista de segurança nacional, cuja aplicação deve entrar em vigor ainda este ano.

Em março, o Departamento de Defesa foi além e classificou a empresa como um “risco para a cadeia de suprimentos”. É a primeira vez que uma companhia americana recebe esse tipo de enquadramento, geralmente reservado a empresas ligadas a países considerados adversários. Na prática, a decisão impede que contratados militares usem modelos da Anthropic em projetos ligados às Forças Armadas.

Sempre que o governo sinaliza que está se desvinculando de uma empresa, isso é um grande problema para ela.

Franklin Turner, advogado que atua com contratos governamentais, à Reuters.

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Disputa entre Anthropic e governo dos EUA envolve uso de IA em defesa e vigilância doméstica. Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Sinais de reaproximação começaram na Casa Branca

A mudança de clima começou a aparecer depois de uma visita do CEO Dario Amodei à Casa Branca, em abril. Foi o primeiro encontro mais amplo desde o início da disputa, abrindo espaço para conversas sobre possível cooperação.

Um dos episódios mais simbólicos dessa reaproximação foi o convite para que Amodei participasse da assinatura de uma ordem executiva sobre inteligência artificial. O evento acabou sendo cancelado, mas a ordem foi posteriormente assinada pelo presidente Donald Trump. Em comunicado, a Anthropic afirmou que espera “colaborar” com a Casa Branca na implementação das diretrizes.

Nos bastidores, representantes da empresa também se reuniram com autoridades econômicas dos Estados Unidos para discutir segurança cibernética e políticas de IA. Esses encontros ajudaram a alimentar parte das discussões que embasaram a nova ordem executiva.

Pontos da disputa

  • Recusa da Anthropic em apoiar usos militares de IA em vigilância e armas autônomas
  • Inclusão da empresa em lista de segurança nacional dos EUA
  • Classificação como “risco para a cadeia de suprimentos” pelo Pentágono
  • Reaproximação após reuniões na Casa Branca e encontros com autoridades
  • Processo judicial ainda em andamento e impacto sobre o IPO da empresa
Logo da Anthropic em um smartphone
Especialistas avaliam que impacto da crise entre Anthropic e EUA pode ser mais reputacional no curto prazo. Imagem: JRdes/Shutterstock – Imagem: JRdes/Shutterstock

Disputa segue aberta e ainda gera incertezas

Apesar dos sinais de aproximação, o conflito não foi encerrado. O Pentágono continua contestando a classificação de risco aplicada à empresa, e o caso segue em disputa judicial.

Outro ponto que chamou atenção no setor foi a ausência de executivos da Anthropic em uma simulação militar de ataques cibernéticos organizada pelo Exército dos EUA. O exercício contou com representantes de outras grandes empresas de tecnologia.

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No mercado, o caso é acompanhado de perto. Analistas avaliam que o impacto imediato é mais reputacional do que estrutural, embora ainda gere ruído. “É uma contusão de curto prazo”, resumiu o analista Harrison Rolfes, da PitchBook.

O pano de fundo é a preparação da Anthropic para uma possível abertura de capital, que pode avaliar a empresa em até US$ 1 trilhão. Um movimento que coloca ainda mais pressão sobre a relação com o governo americano.

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Peça essencial dos chips de IA vira alvo de alerta nos EUA

A corrida da inteligência artificial ganhou um novo foco, e ele está longe dos próprios chips. Autoridades e empresas dos EUA passaram a olhar com mais atenção para as placas de circuito impresso usadas em sistemas de IA, explica a CNBC.

Essenciais para o funcionamento de praticamente qualquer eletrônico moderno, essas placas agora são vistas como um possível risco à segurança nacional. O receio é que componentes maliciosos sejam inseridos discretamente durante a fabricação.

Dependência da China em peças essenciais da IA acende alerta de segurança nos EUA. Imagem: Pla2na/Shutterstock – Imagem: Pla2na/Shutterstock

O elo silencioso da inteligência artificial

Quando se fala em IA, quase toda a atenção vai para GPUs, data centers e empresas como Nvidia. Só que existe uma peça menos lembrada — e indispensável — nessa engrenagem: as placas de circuito impresso, conhecidas como PCIs.

Elas funcionam como a base que conecta os chips e permite a troca de sinais entre os componentes. Sem isso, simplesmente nada opera.

“Os chips não flutuam”, resumiu Cathie Gridley, vice-presidente executiva da TTM, em entrevista à CNBC. “Eles precisam ser montados em uma placa para que todo o conjunto funcione corretamente.”

Só que existe um detalhe que preocupa Washington: boa parte dessa produção hoje está concentrada na China. Segundo a Associação de Placas de Circuito Impresso da América (PCBAA), os EUA já responderam por cerca de 30% da produção global. Atualmente, o índice caiu para apenas 4%.

David Schild, diretor executivo da entidade, classificou o cenário como uma “dependência arriscada”.

logo da nvidia em um smarphone com um gráfico subindo ao fundo
Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA. Imagem: Mijansk786 / Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Risco vai além da espionagem

A preocupação americana não envolve apenas a disputa comercial entre as duas potências. O Departamento de Defesa teme que placas comprometidas possam abrir espaço para sabotagens em equipamentos estratégicos.

Chips, substratos e placas de circuito impresso representam múltiplas vias de ataque para um potencial agente malicioso.

Mike Cadenazzi, secretário adjunto de guerra dos EUA para política de base industrial, à CNBC.

Segundo ele, um ataque desse tipo poderia até afetar armas em operação. “Um código específico é ativado e, de repente, a placa de circuito impresso, em combinação com o chip, decide interromper a orientação da munição”, explicou.

Especialistas alertam que as PCBs são vulneráveis justamente porque componentes podem ser escondidos em diferentes camadas da estrutura sem chamar atenção.

Entre as principais preocupações do setor estão:

  • inserção de componentes maliciosos;
  • desvio de dados sensíveis;
  • redução proposital de desempenho;
  • interrupção de sistemas militares;
  • dependência excessiva da cadeia chinesa.

Durante anos, as placas de circuito ficaram longe dos holofotes da indústria. Agora, viraram peça estratégica na disputa tecnológica entre EUA e China.

Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA.
Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA. Imagem: BLKstudio/Shutterstock

Produção de chips nos EUA tenta ganhar força

Com a demanda por IA disparando, empresas americanas tentam acelerar a fabricação doméstica. A TTM Technologies e a Sanmina, duas das poucas fabricantes relevantes nos EUA, ampliam suas operações impulsionadas pelo crescimento do setor.

A TTM já anunciou novas unidades em Nova York e Wisconsin. Ainda assim, mantém sete fábricas na Ásia, incluindo sua maior planta em território chinês.

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O impacto também começou a aparecer nos preços. Segundo relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters, as PCIs registraram alta de até 40% entre março e abril. A própria TTM informou reajustes entre 5% e 25%.

Além da corrida pela inteligência artificial, conflitos internacionais ajudam a pressionar ainda mais o setor. A guerra no Oriente Médio e os impactos envolvendo o Irã afetam o fornecimento de matérias-primas importantes, como cobre e resina.

Mesmo diante desse cenário, o governo dos EUA quer fortalecer a indústria local. Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA, além de bilhões de dólares em subsídios para fabricantes nacionais.

“Tem que ser nos EUA e, em breve, na Europa”, afirmou Edwin Roks, CEO da TTM, ao comentar os riscos da atual dependência chinesa.

Para os EUA, o desafio agora não é apenas fabricar chips mais poderosos. A meta também passa por controlar toda a cadeia necessária para que esses sistemas funcionem.

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