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Guerra dos chips leva Samsung e SK Hynix a testar fornecedores chineses

Samsung e SK Hynix avaliam equipamentos chineses para fabricação de chips como uma alternativa diante de possíveis novas restrições dos Estados Unidos. A medida pode ajudar as empresas a reduzir riscos em suas fábricas instaladas na China.

Segundo a Reuters, os testes envolvem máquinas da Advanced Micro-Fabrication Equipment (AMEC) e indicam uma tentativa de encontrar novos caminhos em meio à disputa tecnológica entre China e EUA.

A guerra dos chips está mudando estratégias. Gigantes do setor agora avaliam fornecedores chineses para suas fábricas. – Imagem: rawf8/Shutterstock

Fabricantes buscam alternativa para produção na China

Samsung e SK Hynix começaram a testar equipamentos de gravação de chips da chinesa AMEC há cerca de dois anos, segundo fontes ouvidas pela Reuters. O movimento ganhou força com as incertezas sobre futuras regras americanas para exportação de tecnologias.

As avaliações não representam uma substituição imediata dos fornecedores atuais, mas mostram que grandes fabricantes de memória passaram a considerar opções chinesas para evitar possíveis impactos em suas operações.

A preocupação está principalmente nas fábricas já instaladas na China. Novas restrições poderiam afetar não apenas a compra de máquinas, mas também serviços de manutenção, reparos e reposição de componentes de equipamentos estrangeiros.

Entre os principais pontos desse movimento estão:

  • busca por alternativas diante de possíveis novas restrições dos EUA;
  • testes de equipamentos chineses em fábricas de memória na China;
  • tentativa de garantir a continuidade das linhas de produção;
  • avanço de empresas chinesas em segmentos específicos da fabricação de chips.

AMEC tenta conquistar espaço entre gigantes do setor

Para a AMEC, sediada em Xangai, conquistar a aprovação de Samsung ou SK Hynix seria um avanço importante no mercado internacional. A empresa já fornece equipamentos para fabricantes chineses, incluindo a produtora de memórias YMTC.

Embora companhias chinesas ainda tenham desvantagem em áreas como litografia avançada e sistemas de inspeção, elas avançaram em tecnologias como gravação, deposição, limpeza e planarização.

O custo também pesa na disputa. Segundo Dan Hutcheson, vice-presidente da consultoria TechInsights, equipamentos chineses podem custar entre 20% e 30% menos do que alternativas de fornecedores tradicionais.

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As restrições dos EUA abriram espaço para fabricantes chineses crescerem em um mercado antes dominado por empresas ocidentais. – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Disputa tecnológica muda mercado de equipamentos

As restrições criadas por Washington tinham como objetivo limitar o avanço da indústria chinesa de semicondutores, mas também abriram espaço para fabricantes locais de máquinas ampliarem sua atuação.

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A Samsung mantém uma fábrica de chips NAND em Xian, enquanto a SK Hynix opera unidades em Dalian e Wuxi. Essas instalações ainda dependem de equipamentos de empresas americanas, como Applied Materials e Lam Research.

Segundo estimativas, empresas chinesas como AMEC, Naura Technology, Piotech e ACM Research podem superar US$ 1 bilhão em receita em 2026 (cerca de R$ 5,12 bilhões).

A adoção desses equipamentos por grandes fabricantes globais ainda dependerá do desempenho das máquinas, da capacidade de suporte dos fornecedores e das decisões políticas entre China e Estados Unidos. O movimento, porém, já mostra uma tentativa da indústria de chips de reduzir sua dependência de uma cadeia tecnológica concentrada em poucos países.

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Estreia da SK Hynix na Bolsa testa o futuro da IA e dos chips

A gigante sul-coreana de semicondutores SK Hynix estreia na bolsa de valores Nasdaq, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (10). A chegada da companhia ao mercado americano ocorre por meio de uma oferta que movimentou US$ 26,5 bilhões (aproximadamente R$ 136 bilhões) – a segunda maior venda de ações recente no país, atrás apenas do IPO da SpaceX. O movimento serve como teste para medir o fôlego e a confiança dos investidores na durabilidade do boom da inteligência artificial (IA).

A listagem vem num ano de crescimento vertiginoso para a empresa, cujo valor de mercado agora orbita a marca histórica de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões). Isso após suas ações dispararem cerca de 630% nos últimos 12 meses. Embora os papéis tenham sofrido uma correção recente de 25% em relação ao seu pico histórico de duas semanas atrás, a oferta nos EUA foi sobrecarregada por pedidos de compra.

Na Coreia do Sul, SK Hynix só perde para a Samsung – e já fechou parceria com a Nvidia

A SK Hynix é a segunda empresa mais valiosa da Coreia do Sul, posicionada logo atrás da Samsung. E fornece componentes “invisíveis”, mas vitais, para eletrônicos de marcas como Apple e Dell. Junto à própria Samsung e a americana Micron, ela compõe o trio que domina o fornecimento global de memórias RAM tradicionais. 

No entanto, o diferencial que a catapultou ao estrelato de Wall Street é a sua liderança isolada na produção de memórias de alta largura de banda (HBM), circuitos complexos que empilham camadas de chips para processar dados em velocidades altíssimas.

Essa tecnologia transformou a companhia na principal fornecedora do ecossistema de chips de IA da Nvidia e da AMD, que dependem diretamente dessas memórias para o funcionamento de suas unidades de processamento gráfico (GPUs). 

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, viajou a Seul para fechar parceria com a SK Hynix – Imagem: FotoField/Shutterstock

Analistas projetam que a SK Hynix deva capturar mais da metade do mercado mundial de HBM ainda em 2026. A relevância técnica é tão expressiva que o próprio CEO da Nvidia, Jensen Huang, fez uma visita a Seul para consolidar uma parceria plurianual de fornecimento com a fabricante.

O impacto financeiro desse monopólio reflete-se nos balanços: a receita anual quase triplicou entre 2023 e 2025, saltando para US$ 65 bilhões (R$ 333 bilhões). E projeções de analistas indicam que o faturamento pode triplicar novamente em 2026, atingindo cerca de US$ 235 bilhões (R$ 1,2 trilhão). 

Para sustentar essa demanda, a empresa planeja investir até US$ 720 bilhões (R$ 3,6 trilhões) na expansão de complexos fabris na Coreia do Sul. Parte desse montante – cerca de US$ 7,8 bilhões (R$ 40 bilhões), até o final de 2027 – será destinada à aquisição de máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) da fabricante holandesa ASML, essenciais para a gravação dos circuitos microscópicos dos chips avançados.

A expansão também contempla uma forte ofensiva estrutural no território norte-americano. A SK Hynix está erguendo uma fábrica de chips avaliada em US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) na cidade de West Lafayette, no estado de Indiana, programada para operar em 2028. Ela será parcialmente financiada por subsídios da lei federal CHIPS Act dos EUA. 

Paralelamente, a companhia expande a Solidigm, sua divisão focada em armazenamento de dados de alta capacidade. Sediada na Califórnia, ela foi comprada da Intel por US$ 9 bilhões (R$ 46 bilhões) em 2021.

Contudo, o agressivo plano de expansão carrega os riscos históricos de um setor conhecido por ciclos brutais de “boom e bust” (frenesi e colapso). Fundada em 1983 como Hyundai Electronics, a empresa passou por severas crises de superoferta globais e fusões complexas até ser rebatizada sob o controle do grupo SK em 2012. 

Cientes de que ondas de hipercrescimento tecnológico no passado já resultaram em excesso de estoque e quedas severas de preços, a SK Hynix e suas concorrentes tentam agora mudar a dinâmica do setor por meio de contratos de longo prazo, exigindo que clientes deem previsibilidade de pedidos com anos de antecedência para estabilizar o mercado.

(Esta matéria usou informações de CNBC e Reuters.)

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Gigante da IA derruba Samsung e conquista posto histórico na Coreia do Sul

A SK Hynix alcançou um marco histórico ao superar a Samsung Electronics e se tornar a empresa listada mais valiosa da Coreia do Sul. A mudança no topo acontece em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial.

Há pouco mais de duas décadas, explica a Reuters, um cenário como esse parecia improvável. Na época, a fabricante enfrentava uma grave crise financeira. Hoje, impulsionada pela demanda por chips usados em sistemas de IA, vive uma fase completamente diferente.

SK Hynix quase faliu nos anos 2000, mas hoje lidera o mercado global de chips de memória usados em sistemas de IA. – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

A onda da IA virou o mercado

O avanço da inteligência artificial mudou a dinâmica do setor de semicondutores, e poucas empresas aproveitaram tanto essa transformação quanto a SK Hynix. Atualmente, ela é a principal fornecedora de memórias HBM, componentes essenciais para aplicações de IA usadas por gigantes como Nvidia e Google.

Na segunda-feira, as ações da fabricante avançaram 5,6%, elevando seu valor de mercado para 2.080,4 trilhões de won, equivalentes a US$ 1,35 trilhão (cerca de R$ 7,3 trilhões). A Samsung, que liderava o ranking desde 2000, ficou logo atrás, com valor de mercado de 2.066,7 trilhões de won.

Segundo Kim Sunwoo, analista sênior da Meritz Securities, “o surgimento da memória de IA personalizada mudou fundamentalmente a economia do setor e permitiu que a SK Hynix se estabelecesse como líder de mercado”.

Uma reviravolta que parecia improvável

Nem sempre a trajetória foi de crescimento. No início dos anos 2000, quando ainda se chamava Hynix Semiconductor, a companhia quase foi vendida para a Micron após acumular dívidas em uma agressiva expansão. Como o negócio não avançou, a fabricante permaneceu sob controle dos credores por quase dez anos.

Em 2003, suas ações despencaram para apenas 135 won, sendo consideradas uma “penny stock”. Poucos imaginariam naquele momento que a empresa se tornaria a fabricante de chips de memória mais valiosa do mundo anos depois.

O cenário voltou a piorar em 2023, quando a sul-coreana registrou um prejuízo operacional anual de 7,73 trilhões de won. Um ano depois, a situação era completamente diferente. Impulsionada pelo boom da IA, a empresa alcançou um lucro operacional recorde de 23,5 trilhões de won.

Por trás dessa recuperação, alguns fatores foram determinantes:

  • Foco em chips HBM voltados para IA;
  • Continuidade dos investimentos durante a crise do setor;
  • Crescimento da demanda por aplicações de inteligência artificial;
  • Maior poder de precificação em comparação com memórias convencionais.
Sistemas de litografia EUV para fabricação de semicondutores
O avanço da IA transformou a SK Hynix na fabricante de memória mais valiosa do mundo, superando rivais históricos. – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

Agora, a pressão está do outro lado

Analistas apontam que a decisão de investir nas memórias HBM foi decisiva para essa ascensão. A tecnologia oferece maior desempenho e menor consumo de energia. Em 2025, a SK Hynix detinha 61% desse segmento global, enquanto Samsung e Micron tinham 17% e 21%, respectivamente.

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O presidente do Grupo SK, Chey Tae-won, explicou a estratégia em um livro publicado neste ano. “O que eu realmente queria realizar quando adquirimos a Hynix era transformá-la de uma produtora de memória de baixo custo em uma empresa de semicondutores convencional cujos produtos são indispensáveis”, afirmou.

Ele destacou ainda que “o que antes era um componente periférico tornou-se um componente essencial”, referindo-se à importância dessas memórias para os sistemas de IA.

Analistas avaliam que a liderança histórica da Samsung no mercado de DRAM pode enfrentar pressão crescente nos próximos anos. Além disso, a Reuters informou que a SK Hynix está escolhendo a Nasdaq para uma futura listagem nos Estados Unidos, movimento que pode ampliar sua presença entre investidores globais.

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