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‘A IA cria empregos’, diz CEO de empresa mais valiosa do mundo

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, mandou um recado para quem teme o avanço da inteligência artificial (IA): a tecnologia não é uma ameaça ao mercado de trabalho, mas sim um “motor” de geração de empregos em escala industrial. 

Em conversa com a jornalista Becky Quick no Instituto Milken durante um evento na segunda-feira (04), o executivo disse que o trabalhador não precisa entrar em pânico com a ideia de desemprego em massa. Para Huang, a IA é uma ferramenta que auxilia ao invés de substituir.

Huang também afirmou que a IA representa a “melhor oportunidade” para os Estados Unidos se reindustrializarem. Para ele, o setor está criando uma infraestrutura tecnológica inédita que exige força de trabalho ativa e vai servir como base para o crescimento econômico do país.

Por que automatizar tarefas não é o mesmo que eliminar empregos?

Huang usou uma explicação didática para acalmar os ânimos: existe uma diferença crucial entre a tarefa de um trabalho e o seu propósito funcional. 

Segundo o CEO, a IA pode até assumir atividades específicas e repetitivas dentro de uma rotina. Mas a função estratégica e o papel que o colaborador desempenha na organização tendem a permanecer necessários.

Essa nova engrenagem econômica é movida pelo que ele chama de uma “nova linhagem de fábricas“. Essas unidades não produzem bens de consumo tradicionais, mas sim o hardware e a infraestrutura que permitem que a IA funcione em larga escala. 

IA pode até assumir tarefas, mas a função estratégica do colaborador humano tende a permanecer necessária, segundo CEO da Nvidia – Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Como essa indústria está em expansão, ela gera uma demanda natural e crescente por trabalhadores para sustentar esse ecossistema.

O executivo também criticou o tom alarmista de quem diz que a IA vai dominar a humanidade ou dizimar setores inteiros. Para Huang, narrativas de “ficção científica” criadas por “doomers” (profetas do apocalipse) são perigosas porque assustam a população. 

O risco, segundo o CEO, é que o medo impeça as pessoas de se engajarem e aprenderem a dominar uma ferramenta considerada por ele essencial para o futuro.

Apesar do otimismo da Nvidia, o cenário real ainda divide especialistas e traz alertas importantes. Dados de organizações financeiras e acadêmicas indicam que cerca de 15% dos empregos nos Estados Unidos podem ser eliminados nos próximos anos devido à automação. 

O grande debate agora gira em torno de como gerenciar essa transição para evitar que a velocidade da tecnologia aprofunde a desigualdade social.

(Essa matéria também usou informações de TechCrunch.)

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‘Podslop’: programas gerados por IA inundam plataformas de streaming

A indústria de conteúdo em áudio enfrenta uma inundação sem precedentes de conteúdo automatizado, fenômeno apelidado de “podslop”. De acordo com dados recentes do Podcast Index, aproximadamente 4.243 dos 10.871 feeds criados em nove dias (cerca de 39%) foram provavelmente gerados por inteligência artificial (IA). 

O volume colossal de produções levanta debates sobre a saturação das plataformas de streaming e a monetização de conteúdos sem curadoria humana.

O crescimento exponencial do setor é exemplificado por startups como a Inception Point AI. Em oito meses, a empresa saltou de uma produção de três mil episódios semanais para o controle de mais de dez mil programas ativos

Segundo Jeanine Wright, cofundadora da startup, a equipe publicou 877 programas num intervalo de 48 horas. Para Wright, as críticas da indústria tradicional refletem o medo diante do que ela considera ser o futuro inevitável da mídia. As informações são da Soundbite, newsletter da Bloomberg.

Monetização e falta de regras desafiam o mercado de podcasts

O avanço do “podslop” coloca grandes plataformas num impasse regulatório. 

Atualmente, a Apple Podcasts, por exemplo, exige que os criadores de conteúdo informem se parte do seu programa foi feito por IA. A plataforma proíbe conteúdos enganosos, evidentemente. 

Já o Spotify não possui diretrizes específicas para a tecnologia. O streaming apenas suas regras gerais contra conteúdos perigosos. Enquanto isso, programas automatizados geram lucros por meio de anúncios programáticos.

Programas gerados por IA geram lucros por meio de anúncios programáticos no Spotify – Imagem: PixieMe/Shutterstock

A Spreaker, que pertence à iHeartMedia, permite que programas gerados por IA participem de seu mercado de anúncios, pagando aos donos deles 60% da receita gerada

Em contrapartida, a concorrente RSS.com adota uma linha mais dura: a empresa suspende os anúncios se identificar que o programa é “slop”, termo definido pelo cofundador Alberto Betella como “conteúdo totalmente automatizado sem revisão humana”. 

Betella argumenta que permitir esse tipo de conteúdo fere a reputação do negócio e de todo o ecossistema de podcasts.

Enquanto gigantes como a Amazon já usam a tecnologia para criar “quasi-podcasts” que explicam produtos aos clientes, a definição do que é lixo digital continua subjetiva. 

O empreendedor Adam Levy, que usa IA para analisar processos judiciais e produzir episódios rapidamente, defende que a ferramenta viabiliza reportagens que seriam caras demais no modelo tradicional. 

No entanto, a indústria ainda tenta equilibrar a eficiência da IA com a manutenção da qualidade e da integridade jornalística.

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Por que o Redata acabou? Entenda o fim dos incentivos para data centers no Brasil

O programa Redata, que dava descontos em impostos para incentivar a construção de data centers no Brasil, chegou ao fim nesta quinta-feira (26). Isso aconteceu porque a regra que garantia esse alívio (uma medida provisória) perdeu a validade.

O plano era substituir essa regra temporária, criada pelo governo em setembro de 2025, pelo Projeto de Lei nº 278 de 2026, aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (25). Mas o Senado não votou a proposta dentro do prazo legal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), encerrou a sessão sem decidir sobre o tema, o que pegou o governo de surpresa.

Governo estuda meios de reativar incentivos sem violar a Lei de Responsabilidade Fiscal

Agora, o Ministério da Fazenda tenta descobrir se existe um caminho jurídico para reativar os incentivos sem desrespeitar as leis de controle de gastos. 

Com o fim do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (nome completo do Redata), volta a cobrança de impostos como IPI, PIS/Cofins e Imposto de Importação sobre os equipamentos usados nos data centers (você encontra mais detalhes sobre o programa no final desta matéria). O problema é que o programa era considerado essencial para atrair parte dos US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 257 bilhões) que o setor pretende investir na América Latina.

Redata era considerado essencial para atrair parte dos bilhões de dólares que o setor pretende investir no Brasil e na América Latina (Imagem: AlexLMX/Shutterstock)

O governo defende que ter esses data centers aqui é uma questão de segurança e soberania nacional. Hoje, 60% dos dados pessoais dos brasileiros são processados em outros países, longe do alcance direto das nossas leis de proteção. Além disso, depender de infraestrutura estrangeira deixa os serviços digitais mais caros e gera prejuízo para a economia do país. Em 2025, o Brasil gastou US$ 7,9 bilhões (R$ 41 bilhões) a mais do que recebeu nesse setor.

Empresas de tecnologia criticam a falta de votação. Para elas, o Brasil está perdendo a chance de ser competitivo nesse setor. De um lado, Alcolumbre justifica que o projeto chegou tarde demais ao Senado. De outro, o governo afirma que o texto já estava alinhado entre as Casas (mas já se percebia um impasse no Congresso sobre o tema). O maior obstáculo agora é uma lei de 2025 que proíbe novos benefícios fiscais. A volta do Redata depende de um novo acordo político entre o governo e os presidentes da Câmara e do Senado.

Glossário

O que é data center:

  • Um data center é uma instalação (física ou modular) onde ficam servidores, redes e sistemas de armazenamento que processam e guardam dados de empresas e serviços online;
  • Ele fornece energia, refrigeração, segurança e conexão para manter aplicativos e sites funcionando com alta disponibilidade;
  • Com o avanço das IAs, esse é um mercado em expansão em todo o mundo.

O que o PL do Redata determinava:

  • As empresas interessadas em investir no setor aqui no Brasil vão contar com a suspensão de tributos por cinco anos na compra de equipamentos.
  • A habilitação no Redata será autorizada pelo Ministério da Fazenda e envolve diversos tributos na compra de componentes eletrônicos – seja no mercado interno ou por importação. São eles: Imposto de Importação, PIS/Cofins, PIS/Cofins-Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
  • A empresa vendedora dos equipamentos também será beneficiada, mas apenas para os produtos usados na fabricação dos computadores do data center.
  • No caso do IPI, a suspensão vale para componentes industrializados na Zona Franca de Manaus e listados pelo governo.
  • No caso do Imposto de Importação, a suspensão vale para produtos sem similar no mercado interno.
  • Depois de cumpridos todos os requisitos e entrega dos produtos, a suspensão será convertida em isenção definitiva.

Exemplos de contrapartidas presentes no PL:

  • Uso de energia de fonte limpa (hidrelétricas) ou renovável (solar e eólica);
  • Para ter direito aos benefícios, também é preciso estar em dia com os tributos federais;
  • Direcionar ao mercado interno um mínimo de 10% do fornecimento efetivo de processamento;
  • Realizar investimentos no país equivalentes a 2% do valor dos produtos comprados no mercado interno ou importados com o benefício fiscal;
  • Honrar a totalidade de sua demanda contratual de energia elétrica – seja com contratos de suprimento ou autoprodução de fontes limpas ou renováveis.

(Essa matéria usou informações de CNN Brasil e G1.)

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