Semicondutores

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China recebeu tecnologia proibida? ASML se pronuncia sobre suspeita

A ASML negou nesta sexta-feira que qualquer uma de suas máquinas EUV tenha sido enviada para a China, respondendo a preocupações levantadas por autoridades dos Estados Unidos sobre um possível descumprimento das restrições de exportação.

O caso chama atenção porque envolve equipamentos considerados fundamentais para a fabricação de semicondutores avançados, comenta a Reuters.

A ASML negou que qualquer máquina EUV, utilizada para a fabricação de chips, tenha sido enviada à China, após preocupações levantadas por autoridades dos EUA. Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock

ASML responde a preocupações levantadas pelos EUA

A reportagem que deu origem ao caso informou que autoridades norte-americanas estariam preocupadas com a possibilidade de máquinas EUV da ASML terem chegado à China. Segundo o relato, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, levou essa preocupação a executivos da companhia holandesa durante uma série de reuniões.

A resposta da empresa foi direta. Em comunicado enviado à Reuters, a fabricante afirmou: “A ASML nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem enviamos para a China qualquer componente, módulo ou equipamento projetado especificamente para ser usado em uma máquina EUV”.

A companhia também declarou que contestou as alegações relacionadas ao descumprimento dos controles de exportação e ressaltou que adapta continuamente suas operações para acompanhar mudanças regulatórias e cumprir novas exigências.

Sistemas de litografia EUV para fabricação de semicondutores
A fabricação de semicondutores avançados depende de equipamentos altamente especializados, como os sistemas EUV. Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

O que torna as máquinas EUV tão especiais

As máquinas de litografia ultravioleta extrema, conhecidas pela sigla EUV, estão entre os equipamentos mais complexos utilizados pela indústria de semicondutores. Elas são consideradas peças-chave para a produção dos componentes mais avançados do setor.

Os sistemas mais modernos da ASML chamam atenção por características impressionantes:

  • Têm tamanho aproximado ao de um ônibus escolar
  • O peso chega a cerca de 180 toneladas
  • Estão sujeitas a rígidas regras de exportação
  • São utilizadas na fabricação de chips avançados
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A tecnologia usada para fabricar chips avançados virou tema de discussões envolvendo China, EUA e Europa. Imagem: William Potter/Shutterstock

Controles de exportação permanecem no centro do debate

O governo da Holanda reforçou que a exportação de equipamentos para fabricação de semicondutores segue critérios rigorosos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores holandês destacou: “Todos os equipamentos, componentes e tecnologias que se enquadram explicitamente nessas regras exigem uma licença”.

O ministério também afirmou que aplica essa política de forma rigorosa e intervém sempre que considera necessário para garantir o cumprimento das normas.

O debate ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos para ampliar o alinhamento internacional em torno dos controles de exportação ligados ao setor de semicondutores. Em abril, Washington propôs uma legislação para que países aliados sigam regras semelhantes, com o objetivo de limitar a capacidade chinesa de produzir semicondutores avançados. Equipamentos fabricados pela ASML foram citados na proposta.

Em dezembro, a Reuters informou que cientistas chineses desenvolveram um protótipo de máquina EUV criado por uma equipe formada por ex-engenheiros da ASML, em um projeto descrito como a versão chinesa do Projeto Manhattan.

A questão segue no radar de governos e empresas envolvidos no setor de semicondutores. O episódio ocorre enquanto diferentes países discutem regras para a exportação de tecnologias ligadas à fabricação de chips avançados.

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Taiwan avalia endurecer bloqueio a chips de IA para China em alinhamento com estratégia dos EUA

Nesta terça-feira (09), as autoridades de Taipei (Taiwan) estudam a possibilidade de aplicar um endurecimento significativo nas regras de exportação de chips de inteligência artificial para a China. A iniciativa busca aproximar o regime local das restrições já adotadas pelos Estados Unidos.

O movimento ocorre em meio à pressão de aliados ocidentais e à preocupação crescente com o uso estratégico desses semicondutores por Pequim (China).

Endurecimento regulatório e alinhamento internacional

Imagem: YAO23/Shutterstock

O pacote em discussão prevê ampliar o alcance das restrições, alcançando não apenas empresas já listadas em sanções, mas também todos os compradores localizados na China. A proposta inclui ainda a criação de instrumentos legais mais robustos para punir exportações irregulares dentro do território taiwanês.

Entre os pontos analisados está a possibilidade de transformar a exportação não autorizada de chips de IA em crime, ampliando o poder de investigação e punição das autoridades locais. O debate também envolve a definição de limites técnicos de processamento para determinar quais chips seriam bloqueados nas vendas.

Segundo as informações disponíveis na Bloomberg, a discussão faz parte de tratativas mais amplas com os Estados Unidos, que já impõem desde 2022 restrições à venda de semicondutores avançados a empresas chinesas sem autorização específica de Washington.

Pressão externa, investigações e impacto no setor

Taiwan IA
Imagem: Tomas Ragina/Shutterstock

O contexto do endurecimento regulatório inclui preocupações sobre a transferência indireta de tecnologia por meio de empresas intermediárias e subsidiárias estrangeiras. Autoridades dos Estados Unidos têm buscado fechar brechas que permitiriam o acesso de companhias chinesas a chips avançados fora do território chinês.

Além disso, parlamentares norte-americanos enviaram um apelo recente a órgãos reguladores pedindo ações mais diretas contra práticas de aquisição via subsidiárias de empresas chinesas, envolvendo fabricantes como a TSMC.

No mercado, as ações da TSMC apresentaram oscilações após a divulgação das discussões, refletindo a sensibilidade do setor a possíveis mudanças nas regras de exportação e no fluxo global de semicondutores.

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Google fecha com Intel produção de mais de 3 milhões de chips de IA

A empresa Alphabet, controladora do Google, firmou uma encomenda com a Intel para a produção de mais de 3 milhões de unidades de chips voltados à inteligência artificial, conhecidos como Tensor Processing Units (TPUs). A fabricação está prevista para ocorrer até 2028, segundo informações publicadas pelo The Information.

A decisão ocorre após meses de testes envolvendo a tecnologia de fabricação da Intel, em um movimento que indica a abertura de uma nova etapa na cadeia de suprimentos de semicondutores para IA. O acordo surge em meio à pressão global por maior capacidade produtiva no setor.

A iniciativa também reflete a busca por alternativas à concentração da produção na Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, que enfrenta limitações para atender à demanda crescente. O cenário envolve ainda outras empresas avaliando a Intel como possível parceira para produção de chips avançados.

Para quem tem pressa:

  • Google fechou contrato com a Intel para produzir milhões de chips de IA até 2028, reforçando sua aposta em hardware próprio;
  • Movimento ocorre em meio à disputa global por capacidade de fabricação e limitações na cadeia de semicondutores;
  • Intel ganha impulso no setor com novos acordos e interesse de grandes empresas de tecnologia e inteligência artificial.

Google e Intel oficializam uma parceria para a produção de semicondutores

Produção industrial de eletrônicos depende de semicondutores, cuja escassez afetou cadeias globais – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock

A encomenda do Google à Intel representa um passo relevante na estratégia de expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial, com foco na produção de seus próprios processadores. O volume estimado ultrapassa três milhões de unidades, destinadas aos chips especializados usados em operações de IA.

De acordo com relatos do mercado, a escolha pela Intel foi precedida por testes técnicos realizados ao longo de meses, nos quais a companhia norte-americana demonstrou capacidade de atender parte da demanda de fabricação. Esse movimento reforça o papel da Intel como possível alternativa no setor de fundição de semicondutores.

O contexto mais amplo envolve a pressão sobre a cadeia global de produção de chips, especialmente diante da limitação de capacidade da TSMC, hoje uma das principais fabricantes do mundo. Esse cenário tem levado grandes empresas de tecnologia a buscar diversificação de fornecedores.

Detalhe de chips e do encaixe de um processador
Semicondutor (Imagem: aPhoenix photographer/Shutterstock)

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Além do Google, outras companhias também aparecem no radar da Intel. A Nvidia avalia o uso da tecnologia da fabricante para possíveis novos projetos, enquanto a Apple teria avançado em negociações preliminares para produção de componentes de seus dispositivos. Há ainda o caso da Tesla, que já definiu a Intel como fornecedora para processos de fabricação de próxima geração.

A movimentação ocorre em meio à disputa estratégica pelo domínio da produção de semicondutores voltados à inteligência artificial, segmento que se tornou central para o crescimento de grandes empresas de tecnologia.

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Europa mira autonomia digital com novo pacote de tecnologia e IA

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira (3) um conjunto de novas regras voltadas ao fortalecimento de chips, IA e serviços de computação em nuvem desenvolvidos dentro do bloco. A iniciativa ocorre em meio à crescente dependência da Europa em relação a produtos e serviços dos Estados Unidos e da China.

As propostas precisam ser aprovadas pelos 27 estados-membros para entrar em vigor. Entre as medidas anunciadas estão ações para impulsionar a fabricação avançada de semicondutores e a computação em nuvem de origem europeia, explica a CNBC.

Europa quer reforçar infraestrutura digital própria e diminuir dependência de fornecedores estrangeiros. Imagem: RaffMaster/Shutterstock

Dependência tecnológica e o alerta europeu

O debate ganhou força com a percepção de que Europa depende fortemente de tecnologias dos EUA e da China, especialmente em áreas críticas como nuvem e semicondutores. Para autoridades do bloco, essa dependência pode representar riscos em cenários de crise.

Não podemos nos dar ao luxo de depender de outros para as tecnologias que mantêm nossos hospitais funcionando, nossas redes de energia estáveis e nossos serviços seguros.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em nota.

Ao fundo, bandeira da União Europeia; à frente, um chip sendo segurado
Pacote europeu busca fortalecer chips, computação em nuvem e proteção de dados sensíveis no continente. Imagem: VGV MEDIA/Shutterstock

Nuvem, IA e novas regras de soberania digital

Um dos pilares do pacote é o Cloud and AI Development Act (CADA), criado com o objetivo de “mitigar os riscos decorrentes da dependência da UE de países terceiros para serviços de computação em nuvem”. O instrumento prevê um marco europeu que estabelece diferentes níveis de soberania exigidos para a computação em nuvem aplicada a cargas de trabalho sensíveis em organizações públicas, conforme comunicado da Comissão.

A vice-presidente executiva da Comissão, Henna Virkkunen, afirmou a jornalistas que o objetivo é garantir que provedores de nuvem responsáveis por cargas de trabalho críticas não tenham um “interruptor de desligamento” — mecanismo que permitiria cortar o acesso aos serviços.

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Virkkunen acrescentou que seria difícil para empresas americanas atingir os níveis mais altos de soberania previstos no marco por causa do Cloud Act dos EUA, legislação que autoriza autoridades policiais americanas a solicitar dados de usuários a empresas norte-americanas independentemente de onde esses dados estejam armazenados.

“Queremos garantir que nossos dados sensíveis mais críticos sejam armazenados na Europa”, disse Virkkunen.

mão estendida com uma nuvem desenhada por cima, simbolizando serviços de nuvem
Regras visam proteger dados críticos e fortalecer serviços de nuvem europeus. Imagem: Apichatn/Shutterstock – Imagem: Apichatn/Shutterstock

Pressão geopolítica como pano de fundo

Em meio ao avanço da inteligência artificial e ao aumento da demanda por poder computacional, energia e talentos, autoridades europeias afirmam que o objetivo é garantir maior autonomia tecnológica.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que um movimento excessivamente fechado pode limitar a competitividade global da região, já que as grandes potências também precisam exportar e desenvolver tecnologias em escala mundial.

Com isso, a Comissão Europeia quer garantir diferentes níveis de soberania para cargas de trabalho críticas e reforçar a infraestrutura digital do continente, garantindo:

  • Fortalecimento da produção de semicondutores na Europa
  • Criação de regras para serviços de nuvem e IA
  • Redução da dependência tecnológica dos EUA e da China
  • Proteção de dados sensíveis em território europeu

O anúncio ocorre em um contexto de crescentes apelos para que a Europa reduza sua dependência de provedores não europeus de tecnologias críticas, incluindo empresas americanas que atualmente dominam o mercado europeu.

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