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Governo dos EUA mantém restrições a modelos de IA da Anthropic e amplia tensão

A empresa de inteligência artificial Anthropic enfrenta um impasse com o governo dos Estados Unidos após receber uma determinação para restringir o acesso aos seus modelos mais recentes, Fable 5 e Mythos 5. A medida, comunicada na última sexta-feira (12), foi justificada por preocupações ligadas à segurança nacional e desencadeou uma série de questionamentos dentro da companhia.

Seis dias após a ordem, as negociações entre representantes da empresa e integrantes da administração do presidente Donald Trump continuam sem resultado concreto. Enquanto isso, funcionários seguem sem explicações detalhadas sobre os motivos da restrição e demonstram preocupação com os impactos da decisão sobre o futuro dos negócios.

O episódio ocorre em meio a uma relação já desgastada entre a Anthropic e o governo americano, que nos últimos meses passou a acompanhar de perto o desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial produzidos pela companhia.

Conflito amplia pressão sobre empresa de inteligência artificial

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

A crise teve início quando a Anthropic foi informada pela Casa Branca de que deveria retirar do mercado seus modelos mais recentes de IA em um prazo extremamente curto. Internamente, a comunicação sobre as razões da medida mudou ao longo das horas seguintes. Funcionários receberam explicações distintas, que incluíam desde riscos relacionados ao acesso por empresas estrangeiras até a existência de uma suposta vulnerabilidade relevante nos sistemas.

A falta de informações precisas alimentou dúvidas entre equipes da companhia. Em conversas internas, profissionais passaram a questionar os possíveis reflexos da decisão governamental sobre os planos da empresa, incluindo expectativas relacionadas à abertura de capital prevista para este ano. A incerteza também foi reforçada por notícias que apresentavam versões divergentes sobre as razões da intervenção federal.

A atual disputa representa o segundo grande embate entre a Anthropic e a administração Trump em menos de um ano. O relacionamento entre as partes já havia sido abalado após divergências envolvendo um contrato de US$ 200 milhões firmado com o Departamento de Defesa para o emprego de inteligência artificial em sistemas classificados.

Na ocasião, divergências públicas sobre o uso da tecnologia em operações militares culminaram na classificação da empresa como um risco para a cadeia de suprimentos por parte do governo. A designação, segundo o The New York Times, nunca havia sido aplicada anteriormente a uma companhia estadunidense. A Anthropic contestou a medida judicialmente.

As discussões voltaram a ganhar intensidade após o anúncio do Mythos. A própria empresa afirmou que o modelo possuía capacidade excepcional para identificar vulnerabilidades em softwares, a ponto de provocar uma transformação significativa na área de segurança digital. Por causa desse potencial, o acesso inicial foi limitado a um grupo restrito de organizações.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

O lançamento estimulou debates dentro da Casa Branca sobre a criação de mecanismos para avaliar novos sistemas de inteligência artificial antes de sua disponibilização ao público. Nesse contexto, representantes da Anthropic participaram de reuniões com integrantes do governo e colaboraram nas discussões sobre possíveis diretrizes regulatórias.

Mais recentemente, a empresa lançou o Fable 5, uma versão desenvolvida para ampliar salvaguardas e reduzir riscos associados ao uso da tecnologia. Antes da disponibilização, o modelo foi submetido a testes realizados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, procedimento já adotado em lançamentos anteriores da companhia.

Parte da controvérsia atual envolve uma análise conduzida por pesquisadores da Amazon. O estudo identificou uma situação na qual o Fable 5 poderia ser induzido a revelar falhas presentes em determinados códigos vulneráveis. O documento foi compartilhado com a Anthropic e posteriormente discutido com integrantes do governo americano.

Autoridades que tiveram acesso ao material classificaram os resultados como preocupantes. No entanto, especialistas em segurança digital sustentam que a capacidade de localizar vulnerabilidades também pode fortalecer mecanismos de proteção cibernética, auxiliando profissionais encarregados de corrigir falhas antes que sejam exploradas por agentes mal-intencionados.

Entre os críticos da restrição está a pesquisadora Katie Moussouris, que analisou o trabalho produzido pela Amazon a pedido da Anthropic. Em publicação sobre o tema, ela argumentou que impedir esse tipo de funcionalidade comprometeria justamente uma das aplicações mais úteis da inteligência artificial para a defesa digital.

Defensores precisam conseguir pedir à IA que corrija falhas em um arquivo, explique por que a correção é importante e escreva testes que confirmem que o ajuste funciona. Isso não representa uma quebra de proteção” , afirmou Katie Moussouris, especialista em cibersegurança, em comentário citado pelo The New York Times.

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Embora parte das preocupações tenha sido associada ao estudo da Amazon, um integrante do governo ouvido pela reportagem original indicou que as objeções da administração americana também envolveriam outros aspectos relacionados à segurança nacional e às relações da empresa com determinadas organizações. Ainda assim, pessoas com conhecimento das discussões afirmaram que esse ponto não teria sido apresentado diretamente à Anthropic.

Sem esclarecimentos públicos mais detalhados, a companhia permanece negociando com autoridades americanas em busca de uma solução. Paralelamente, especialistas da área de segurança digital organizaram uma carta aberta solicitando a retirada das restrições impostas aos modelos da empresa.

O documento reuniu mais de 150 assinaturas de pesquisadores e profissionais ligados à segurança cibernética e à inteligência artificial. Os signatários defenderam que o Fable 5 já possuía mecanismos de proteção considerados robustos para impedir usos ofensivos da tecnologia.

Dentro da Anthropic, a mobilização foi recebida como um sinal de apoio em meio ao impasse. Mesmo assim, persistem dúvidas sobre a capacidade da empresa de lançar futuras gerações de modelos caso o governo mantenha a postura atual. O cenário contribuiu para ampliar a percepção de insegurança entre funcionários, que seguem aguardando definições sobre os próximos passos da companhia.

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Casa Branca muda tom sobre IA após avanço do Mythos

O governo de Donald Trump começou a reconsiderar sua postura mais flexível em relação à inteligência artificial (IA) após o avanço de sistemas capazes de identificar falhas ocultas em códigos de computador. O movimento ganhou força depois da apresentação do Mythos, modelo da Anthropic voltado à detecção de vulnerabilidades de segurança.

Segundo o The Washington Post, integrantes da Casa Branca discutem possíveis medidas para lidar com os riscos associados à nova geração de ferramentas de IA. Entre as opções analisadas está uma eventual ordem executiva para ampliar a supervisão sobre o setor.

Mythos da Anthropic e nova geração de ferramentas de IA preocupam a Casa Branca – Imagem: Koshiro K/Shutterstock

Governo discute novas formas de controle

O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, comparou a possível abordagem do governo ao modelo de testes da FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos. A ideia seria garantir que sistemas fossem considerados seguros antes de chegarem ao público.

Após a declaração, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, afirmou no X que o governo não pretende “escolher vencedores e perdedores”, indicando que ainda não há consenso interno sobre o tema.

De acordo com uma autoridade ouvida pela publicação, o objetivo do governo é ganhar tempo para lidar com riscos que podem crescer à medida que os modelos de IA se tornam mais poderosos.

Mythos elevou preocupações sobre segurança

A Anthropic anunciou no mês passado que o Mythos seria capaz de localizar falhas de segurança em softwares de forma altamente eficiente. A empresa decidiu não liberar o sistema ao público em geral por considerar os riscos elevados.

Pouco depois, a OpenAI afirmou que seus modelos mais recentes possuem capacidades semelhantes. As alegações foram apoiadas por avaliações do AI Security Institute, ligado ao governo britânico.

Segundo a reportagem, o governo Trump reuniu executivos de grandes bancos e representantes das principais empresas de IA para discutir os impactos da tecnologia. Uma das reuniões envolveu Susie Wiles e o CEO da Anthropic, Dario Amodei, na Casa Branca.

Governo já ampliou iniciativas ligadas à IA

Enquanto avalia novas medidas, o governo também começou a reforçar mecanismos de supervisão. Nesta semana, o Center for AI Standards and Innovation expandiu um programa criado durante o governo Joe Biden para testar modelos antes do lançamento público.

Além disso, a General Services Administration apresentou uma proposta contratual que amplia o controle sobre sistemas de IA usados em atividades federais, incluindo a análise de respostas consideradas ideológicas.

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Governo Trump estuda controle prévio de modelos de IA

A Donald Trump pode mudar a abordagem dos Estados Unidos em relação à inteligência artificial (IA). Autoridades e pessoas envolvidas nas discussões afirmaram à reportagem do The New York Times que a Casa Branca avalia criar mecanismos de supervisão para modelos de IA antes de sua liberação pública.

A proposta marca uma possível inflexão na política adotada desde o retorno de Trump à presidência, quando a administração priorizou uma postura não intervencionista e incentivou empresas de tecnologia a avançarem rapidamente com o desenvolvimento da tecnologia.

Casa Branca discute revisão prévia de modelos de IA

Entre as medidas em análise está a criação de um grupo de trabalho dedicado à IA, que reuniria executivos do setor e representantes do governo. Esse grupo avaliaria diferentes formas de supervisão, incluindo um possível processo formal de revisão antes do lançamento de novos modelos.

Autoridades afirmam que a ideia foi apresentada recentemente a executivos de empresas como Anthropic, Google e OpenAI. O modelo em discussão pode seguir uma linha semelhante à adotada no Reino Unido, onde órgãos governamentais verificam se sistemas de IA atendem a padrões de segurança.

Apps de IA como ChatGPT, Claude e Gemini estão no centro das discussões sobre possível regulação nos EUA – Imagem: Primakov / Shutterstock

Apesar das conversas, um funcionário da Casa Branca disse que a possibilidade de uma ordem executiva ainda é tratada como “especulação” e que qualquer decisão será anunciada diretamente por Trump.

Mudança ocorre após avanço de modelo da Anthropic

A revisão da política ganhou força após o anúncio do modelo Mythos, da Anthropic. Segundo a empresa, o sistema tem capacidade avançada de identificar vulnerabilidades em softwares, o que poderia provocar um “acerto de contas” na área de cibersegurança. O modelo não foi disponibilizado publicamente.

O governo teme impactos políticos caso um ataque cibernético significativo ocorra com apoio de IA. Além disso, autoridades avaliam se novos modelos podem oferecer capacidades úteis ao Pentágono e a agências de inteligência.

Uma das propostas discutidas prevê que o governo tenha acesso antecipado a modelos avançados, sem necessariamente impedir sua liberação ao público.

Divergências e disputa com o Pentágono

As discussões geraram divergências entre empresas de tecnologia. Parte dos executivos avalia que uma supervisão excessiva pode desacelerar a inovação dos EUA em relação à China, enquanto outros defendem algum nível de controle.

Dean Ball, ex-conselheiro de IA do governo Trump e atualmente na Foundation for American Innovation, afirmou que o cenário exige equilíbrio: há poucas regras formais, mas também preocupação em evitar regulação excessiva.

A situação é agravada por um conflito entre a Anthropic e o Pentágono envolvendo um contrato de US$ 200 milhões. Após desacordo sobre o uso militar da tecnologia, o Departamento de Defesa interrompeu o uso da IA da empresa em março, levando a uma ação judicial por parte da startup.

Mesmo assim, sistemas da Anthropic seguem em uso em projetos militares, como o Maven, que analisa inteligência e sugere alvos em operações.

Reorganização interna influencia política de IA

A mudança de direção também coincide com alterações na liderança da Casa Branca. Em março, David Sacks deixou o cargo de responsável por IA. A função passou a ser dividida por Susie Wiles e Scott Bessent, que sinalizaram maior envolvimento na formulação de políticas para o setor.

O novo grupo de trabalho pode incluir órgãos como a Agência de Segurança Nacional e o Escritório do Diretor Nacional de Inteligência para conduzir avaliações de modelos.

Também está em análise o papel do Center for A.I. Standards and Innovation, criado no governo anterior para revisar modelos compartilhados voluntariamente com o governo, mas que perdeu protagonismo sob Trump.

Pressão entre segurança e inovação

A possível mudança representa um contraste com declarações anteriores do governo. Em discurso em Paris, o vice-presidente JD Vance alertou que a regulação excessiva poderia comprometer o desenvolvimento da tecnologia.

Trump, por sua vez, já havia defendido que a IA deveria crescer sem entraves políticos, mas admitiu a necessidade de regras, desde que fossem mais avançadas que a própria tecnologia.

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