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Casa Branca cria novas regras para IA e isenta modelos de código aberto

O governo dos Estados Unidos definiu um novo modelo de supervisão para sistemas avançados de inteligência artificial (IA).

Pela proposta apresentada nesta terça-feira (4) a executivos das principais empresas do setor, apenas determinados modelos de IA de código fechado serão submetidos a uma avaliação voluntária de segurança antes de serem lançados ao público.

A estrutura, desenvolvida pela administração do presidente Donald Trump, exclui, ao menos por enquanto, os chamados modelos de código aberto (ou open source), decisão que pode beneficiar empresas que apostam nessa estratégia de desenvolvimento e reacender o debate sobre a regulamentação da IA.

Segundo pessoas familiarizadas com as discussões, em fala ao The Wall Street Journal, apenas desenvolvedores de modelos proprietários de IA que atinjam níveis considerados de ponta — incluindo capacidades avançadas em cibersegurança e invasão de sistemas, medidas por testes de desempenho — serão convidados a submeter voluntariamente essas tecnologias à avaliação do governo antes do lançamento.

Entre as empresas que provavelmente precisarão participar do processo estão OpenAI, Anthropic e Google, cujos modelos figuram entre os mais avançados do mercado. Já companhias que priorizam modelos abertos, como Nvidia e Meta, devem ficar de fora dessa primeira fase, embora isso possa mudar à medida que essas tecnologias evoluam.

Revisão faz parte da estratégia de Trump para IA

  • O novo procedimento integra ordem executiva assinada por Trump em junho, criada para aumentar a supervisão sobre sistemas de IA considerados mais poderosos, sem comprometer a competitividade dos EUA na disputa tecnológica com a China;
  • Embora a participação das empresas seja voluntária, executivos do setor avaliam que ignorar a revisão pode representar um risco reputacional caso problemas de segurança sejam descobertos posteriormente;
  • “Empresas que optarem por colaborar com a administração por meio dessa estrutura estão colocando a inovação, a segurança e a defesa cibernética dos Estados Unidos em primeiro lugar”, afirmou Liz Huston, porta-voz da Casa Branca;
  • As regras foram apresentadas durante uma reunião com representantes de empresas, como OpenAI, Anthropic, Microsoft, Meta, Google e Nvidia;
  • Apesar de pedir contribuições das empresas, a Casa Branca informou que as regras do processo de revisão dos modelos de IA já estão praticamente concluídas, segundo pessoas familiarizadas com as discussões em conversa com o The New York Times.

Exclusão de modelos abertos gera críticas

A decisão de deixar de fora os modelos de código aberto chamou a atenção de especialistas. Esses sistemas disponibilizam seu código para que desenvolvedores possam baixá-lo, modificá-lo e executá-lo livremente. Empresas, como Nvidia, Meta e Google, oferecem versões desse tipo de tecnologia.

O tema ganhou importância após o avanço de modelos abertos desenvolvidos por empresas chinesas, como Alibaba, DeepSeek e Moonshot AI, que recentemente passaram a apresentar desempenho próximo ao dos principais modelos estadunidenses.

OpenAI e Anthropic devem ser duas das empresas de IA que a Casa Branca vai convocar – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Apesar da preocupação com a rápida evolução dessas ferramentas, autoridades estadunidenses reconhecem que será difícil submetê-las às revisões, já que empresas chinesas dificilmente aceitariam participar voluntariamente do processo conduzido pelos Estados Unidos.

Para Lindsay Gorman, ex-conselheira de tecnologia do governo Joe Biden, o novo modelo deixa questões importantes sem resposta. “Não acho que essa estrutura enfrente seriamente a pergunta sobre quais deveriam ser os limites para a inteligência artificial avançada e se essas barreiras deveriam se tornar mais rígidas à medida que a tecnologia evolui”, afirmou.

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Incidentes recentes aceleraram criação das regras

O novo marco regulatório surge poucos dias após a divulgação de novos incidentes envolvendo modelos de inteligência artificial.

Nesta semana, o Instituto de Segurança em IA do Reino Unido (AI Security Institute) informou que modelos da OpenAI e da Anthropic realizaram ações potencialmente prejudiciais durante avaliações de segurança, incluindo tentativas de inserir código malicioso em um projeto de software de código aberto e ataques contra organizações reais.

A OpenAI também revelou que um de seus modelos explorou uma falha de configuração durante outro teste para acessar a internet e explorar um site sem autorização.

Os episódios reforçaram as preocupações do governo estadunidense sobre os riscos associados aos sistemas mais avançados de IA e aumentaram a pressão para a criação de mecanismos de supervisão.

Detalhes permanecerão em sigilo

Apesar de formalizar um processo de revisão para modelos avançados, a Casa Branca decidiu manter em sigilo diversos aspectos da iniciativa.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo Times, os detalhes do framework que regerá a revisão dos modelos de IA não serão divulgados publicamente. Também permanecerá em sigilo a lista de instituições consideradas “confiáveis” que terão acesso antecipado aos modelos avançados juntamente com o governo.

A decisão foi criticada por especialistas em governança de IA. “Um conjunto de regras só consegue manter as empresas de IA sob controle se pessoas de fora dessas empresas souberem quais são essas regras”, afirmou Brad Carson, presidente da organização Americans for Responsible Innovation, ao Times. “Manter essa estrutura em segredo reduz a transparência e enfraquece a responsabilização pública.”

Disputa com a China influencia estratégia

A definição das novas diretrizes também ocorre em meio à crescente competição entre Estados Unidos e China pelo domínio da IA.

Trump tem defendido que a regulamentação não pode impedir o avanço das empresas estadunidenses. “Na China praticamente não há controles. Eles têm muito mais liberdade. Precisamos ter cuidado para não restringir nossas empresas a ponto de ficarmos atrás da China”, afirmou o presidente na semana passada.

Ao mesmo tempo, integrantes da administração têm discutido possíveis restrições a algumas empresas chinesas, sob a alegação de que elas teriam utilizado avanços desenvolvidos por companhias estadunidenses para treinar seus próprios modelos de forma considerada desleal.

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Casa Branca convoca OpenAI, Google e Meta após IAs invadirem sistemas

A Casa Branca realizará, nesta terça-feira (4), uma reunião com representantes de OpenAI, Google, Meta e Anthropic para discutir a criação de testes voluntários de segurança destinados a avaliar a capacidade dos modelos de inteligência artificial (IA) mais avançados dos Estados Unidos de realizar ataques cibernéticos.

A iniciativa ocorre após recentes revelações de que sistemas de IA desenvolvidos por OpenAI e Anthropic conseguiram invadir ambientes digitais durante testes controlados, aumentando a preocupação de autoridades estadunidenses sobre o potencial uso dessas tecnologias em ataques hackers.

Governo prepara testes de cibersegurança

Um integrante da Casa Branca disse à Reuters que o governo do presidente Donald Trump concluiu os detalhes de um conjunto de testes voluntários que medirão as capacidades ofensivas dos modelos mais avançados de IA desenvolvidos nos EUA. A expectativa é que os critérios sejam apresentados e discutidos com as empresas durante o encontro.

Até o momento, a Casa Branca não divulgou como os testes serão conduzidos, quais métricas serão utilizadas, como os resultados serão reportados, nem se essas informações serão tornadas públicas.

Empresas confirmam participação

De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, OpenAI, Google, Meta e Anthropic foram convidadas para participar das discussões.

A Meta confirmou que recebeu o convite, enquanto uma fonte próxima ao encontro afirmou que a Anthropic também participará. O Google preferiu não comentar o assunto, e a OpenAI não respondeu aos pedidos de posicionamento da Reuters.

Na semana passada, o CEO da OpenAI, Sam Altman, esteve na Casa Branca para discutir tanto os testes voluntários quanto os próximos lançamentos da empresa.

Nesta segunda-feira (3), a OpenAI afirmou ainda que defende que especialistas em segurança de IA do Departamento de Comércio dos EUA desempenhem papel central na condução das avaliações. A empresa também destacou que a China adota uma estratégia mais centralizada para o desenvolvimento e supervisão da IA.

OpenAI e Anthropic revelaram que suas IAs saíram do controle e invadiram sistemas – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

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Testes ganharam força após incidentes recentes

A discussão sobre segurança ganhou impulso após duas divulgações feitas pelas próprias empresas. Na semana passada, a Anthropic informou que alguns de seus modelos conseguiram invadir os sistemas de três empresas durante avaliações de cibersegurança.

Pouco antes, a OpenAI revelou que um de seus agentes de IA escapou de um ambiente de testes e conseguiu acessar sistemas da plataforma Hugging Face durante experimentos internos.

Esses episódios aumentaram a preocupação de parlamentares estadunidenses quanto ao potencial uso de modelos de IA para facilitar ataques cibernéticos.

Procuradores investigam OpenAI

Também nesta segunda, um grupo formado por 15 procuradores-gerais republicanos pediu que a OpenAI preserve todos os documentos relacionados ao episódio envolvendo o agente de IA que teria escapado do ambiente de testes.

Segundo os procuradores, a empresa pode ter violado leis estaduais de proteção ao consumidor. O pedido cita uma reportagem da Reuters, segundo a qual, em um dos testes, o agente deixou instruções para que versões futuras conseguissem escapar das barreiras de segurança internas.

Relação conturbada entre governo e Anthropic

O governo Trump também mantém uma relação delicada com a Anthropic. No início deste ano, a empresa se recusou a permitir que as Forças Armadas dos Estados Unidos utilizassem seus modelos de IA para vigilância doméstica e sistemas de armas totalmente autônomos. Como resposta, o governo incluiu a companhia em uma lista nacional de restrições de segurança.

A elaboração dos novos testes de cibersegurança foi determinada por Donald Trump em junho, quando o presidente orientou sua equipe a desenvolver mecanismos para avaliar a capacidade ofensiva dos sistemas de IA mais avançados do país.

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OpenAI debate com a Casa Branca medidas para ampliar segurança de sistemas de IA

O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, deve discutir nesta quinta-feira (30) com integrantes do governo dos Estados Unidos medidas voluntárias de segurança cibernética para sistemas avançados de inteligência artificial, após um teste interno revelar que um agente de IA da empresa conseguiu escapar de um ambiente controlado.

O encontro ocorrerá em Washington e envolverá autoridades da Casa Branca responsáveis por tecnologia e segurança nacional, além do Departamento de Comércio. A reunião acontece pouco mais de uma semana depois da OpenAI divulgar o incidente envolvendo seu modelo durante uma avaliação de segurança.

O caso ganhou atenção porque o agente testado realizou ações que afetaram infraestruturas externas de empresas de tecnologia, incluindo uma plataforma utilizada por desenvolvedores de modelos de inteligência artificial.

OpenAI leva incidente de segurança a autoridades americanas

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

Durante a agenda no governo americano, Altman tratará dos próximos modelos desenvolvidos pela OpenAI e das propostas de testes voluntários que devem avaliar riscos associados a sistemas avançados de IA.

A reunião contará com a presença da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, do diretor nacional de cibersegurança, Sean Cairncross, e do assessor de tecnologia Michael Kratsios, conforme informou um porta-voz da OpenAI à Reuters. O executivo também tem uma conversa prevista com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

A movimentação ocorre depois que a empresa revelou que um agente de inteligência artificial escapou dos limites estabelecidos em um teste de segurança. De acordo com as informações divulgadas, o sistema conseguiu executar uma invasão que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores para armazenar e colaborar em projetos relacionados a modelos de IA.

Além disso, o agente também teria afetado um cliente de uma segunda empresa de tecnologia, a Modal Labs, sediada em Nova York, conforme reportagem anterior da Reuters sobre o episódio.

Sam Altman
Sam Altman – Imagem: FotoField/Shutterstock

A preocupação com avaliações de segurança para modelos avançados ganhou força após uma determinação do presidente Donald Trump, feita em 2 de junho, para que seus assessores elaborassem testes voluntários de cibersegurança voltados às tecnologias mais sofisticadas de inteligência artificial.

A iniciativa deveria contar com a participação das próprias empresas desenvolvedoras, e o prazo estabelecido pelo governo para finalizar os detalhes do programa termina em 1º de agosto.

Altman afirmou a jornalistas na quarta-feira que teve acesso aos planos preliminares dos testes propostos pelo governo, mas não apresentou detalhes sobre o conteúdo dessas medidas.

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Casa Branca passa a controlar acesso a modelos de IA de ponta

O governo Donald Trump deu novos passos para assumir o controle sobre o lançamento de modelos de inteligência artificial (IA) de fronteira, passando a ditar quais empresas e entidades têm acesso às versões mais recentes dessas ferramentas. A informação foi apurada pela CNBC com duas fontes familiarizadas com o assunto.

Até agora, essa decisão cabia às próprias empresas de IA estadunidenses. Anthropic e OpenAI eram as responsáveis por definir quem acessava seus modelos mais avançados — o que geralmente incluía grandes clientes corporativos.

A Anthropic apresentou seu modelo de cibersegurança, o Mythos, a um grupo restrito de parceiros por meio do Project Glasswing. A OpenAI, por sua vez, foi solicitada pela administração a restringir o lançamento recente do GPT-5.6 e mantém um consórcio semelhante, chamado Daybreak, para seu modelo de cibersegurança.

Um oficial da Casa Branca disse à CNBC que o governo não fornece aprovações para lançamentos de IA de empresas privadas. Segundo o oficial, quaisquer engajamentos, testes ou reuniões com especialistas do governo são “voluntários” e “as decisões sobre o momento e o escopo dos lançamentos cabem inteiramente às empresas”. O oficial remeteu à CNBC o recente decreto executivo do presidente Trump.

“A administração continua colaborando com todos os laboratórios de fronteira estadunidenses para fortalecer a segurança dessa tecnologia sem sufocar a inovação”, escreveu o oficial.

Anthropic apresentou seu modelo de cibersegurança, Mythos, a grupo restrito de parceiros por meio do Project Glasswing – Imagem: gguy/Shutterstock

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Bloqueios e negociações

  • No mês passado, porém, o governo Trump bloqueou o Claude Mythos 5 e o Fable 5 por “preocupações de segurança nacional”, restabelecendo o acesso semanas depois, após negociações intensas com a Anthropic;
  • Também no mês passado, a OpenAI anunciou que limitaria novos modelos de IA a “parceiros confiáveis” para atender a pedidos do governo;
  • Em junho, Trump assinou um decreto executivo pedindo que as empresas dessem ao governo acesso antecipado a modelos para fins de teste;
  • Nesta semana, a administração lançou seu próprio programa, chamado “Gold Eagle”, voltado à colaboração com o setor privado para identificar e corrigir vulnerabilidades cibernéticas.

O chamado clearinghouse colocaria a Casa Branca no comando de aprovar quais empresas podem acessar novos modelos de IA, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato para discutir informações que não são públicas.

Segundo essa fonte, os lançamentos futuros exigirão aprovação explícita do governo para definir quais parceiros podem ser envolvidos. As iniciativas lideradas pelas empresas, como o Project Glasswing e o Daybreak, têm seu futuro em dúvida diante dessas movimentações.

O governo caminha sobre uma linha tênue em um momento em que ferramentas de IA sofisticadas representam riscos massivos de cibersegurança e modelos de código aberto mais baratos da China fecham rapidamente a distância em relação aos laboratórios estadunidenses de fronteira.

A startup chinesa Moonshot AI apresentou, nesta sexta-feira (17), seu modelo Kimi K3, que alcançou desempenho próximo ao do Fable e do GPT-5.6 e superou os modelos estadunidenses de fronteira em pelo menos um benchmark independente.

David Sacks, fundador da Craft Ventures e ex-czar de IA da Casa Branca, classificou o avanço como “preocupante”. “É assim que se perde a corrida da IA”, escreveu. “O resto do mundo não vai jogar pelas nossas regras se nos atolarmos.”

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Governo dos EUA mantém restrições a modelos de IA da Anthropic e amplia tensão

A empresa de inteligência artificial Anthropic enfrenta um impasse com o governo dos Estados Unidos após receber uma determinação para restringir o acesso aos seus modelos mais recentes, Fable 5 e Mythos 5. A medida, comunicada na última sexta-feira (12), foi justificada por preocupações ligadas à segurança nacional e desencadeou uma série de questionamentos dentro da companhia.

Seis dias após a ordem, as negociações entre representantes da empresa e integrantes da administração do presidente Donald Trump continuam sem resultado concreto. Enquanto isso, funcionários seguem sem explicações detalhadas sobre os motivos da restrição e demonstram preocupação com os impactos da decisão sobre o futuro dos negócios.

O episódio ocorre em meio a uma relação já desgastada entre a Anthropic e o governo americano, que nos últimos meses passou a acompanhar de perto o desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial produzidos pela companhia.

Conflito amplia pressão sobre empresa de inteligência artificial

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

A crise teve início quando a Anthropic foi informada pela Casa Branca de que deveria retirar do mercado seus modelos mais recentes de IA em um prazo extremamente curto. Internamente, a comunicação sobre as razões da medida mudou ao longo das horas seguintes. Funcionários receberam explicações distintas, que incluíam desde riscos relacionados ao acesso por empresas estrangeiras até a existência de uma suposta vulnerabilidade relevante nos sistemas.

A falta de informações precisas alimentou dúvidas entre equipes da companhia. Em conversas internas, profissionais passaram a questionar os possíveis reflexos da decisão governamental sobre os planos da empresa, incluindo expectativas relacionadas à abertura de capital prevista para este ano. A incerteza também foi reforçada por notícias que apresentavam versões divergentes sobre as razões da intervenção federal.

A atual disputa representa o segundo grande embate entre a Anthropic e a administração Trump em menos de um ano. O relacionamento entre as partes já havia sido abalado após divergências envolvendo um contrato de US$ 200 milhões firmado com o Departamento de Defesa para o emprego de inteligência artificial em sistemas classificados.

Na ocasião, divergências públicas sobre o uso da tecnologia em operações militares culminaram na classificação da empresa como um risco para a cadeia de suprimentos por parte do governo. A designação, segundo o The New York Times, nunca havia sido aplicada anteriormente a uma companhia estadunidense. A Anthropic contestou a medida judicialmente.

As discussões voltaram a ganhar intensidade após o anúncio do Mythos. A própria empresa afirmou que o modelo possuía capacidade excepcional para identificar vulnerabilidades em softwares, a ponto de provocar uma transformação significativa na área de segurança digital. Por causa desse potencial, o acesso inicial foi limitado a um grupo restrito de organizações.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

O lançamento estimulou debates dentro da Casa Branca sobre a criação de mecanismos para avaliar novos sistemas de inteligência artificial antes de sua disponibilização ao público. Nesse contexto, representantes da Anthropic participaram de reuniões com integrantes do governo e colaboraram nas discussões sobre possíveis diretrizes regulatórias.

Mais recentemente, a empresa lançou o Fable 5, uma versão desenvolvida para ampliar salvaguardas e reduzir riscos associados ao uso da tecnologia. Antes da disponibilização, o modelo foi submetido a testes realizados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, procedimento já adotado em lançamentos anteriores da companhia.

Parte da controvérsia atual envolve uma análise conduzida por pesquisadores da Amazon. O estudo identificou uma situação na qual o Fable 5 poderia ser induzido a revelar falhas presentes em determinados códigos vulneráveis. O documento foi compartilhado com a Anthropic e posteriormente discutido com integrantes do governo americano.

Autoridades que tiveram acesso ao material classificaram os resultados como preocupantes. No entanto, especialistas em segurança digital sustentam que a capacidade de localizar vulnerabilidades também pode fortalecer mecanismos de proteção cibernética, auxiliando profissionais encarregados de corrigir falhas antes que sejam exploradas por agentes mal-intencionados.

Entre os críticos da restrição está a pesquisadora Katie Moussouris, que analisou o trabalho produzido pela Amazon a pedido da Anthropic. Em publicação sobre o tema, ela argumentou que impedir esse tipo de funcionalidade comprometeria justamente uma das aplicações mais úteis da inteligência artificial para a defesa digital.

Defensores precisam conseguir pedir à IA que corrija falhas em um arquivo, explique por que a correção é importante e escreva testes que confirmem que o ajuste funciona. Isso não representa uma quebra de proteção” , afirmou Katie Moussouris, especialista em cibersegurança, em comentário citado pelo The New York Times.

notebook com várias linhas coloridas de código na tela
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Embora parte das preocupações tenha sido associada ao estudo da Amazon, um integrante do governo ouvido pela reportagem original indicou que as objeções da administração americana também envolveriam outros aspectos relacionados à segurança nacional e às relações da empresa com determinadas organizações. Ainda assim, pessoas com conhecimento das discussões afirmaram que esse ponto não teria sido apresentado diretamente à Anthropic.

Sem esclarecimentos públicos mais detalhados, a companhia permanece negociando com autoridades americanas em busca de uma solução. Paralelamente, especialistas da área de segurança digital organizaram uma carta aberta solicitando a retirada das restrições impostas aos modelos da empresa.

O documento reuniu mais de 150 assinaturas de pesquisadores e profissionais ligados à segurança cibernética e à inteligência artificial. Os signatários defenderam que o Fable 5 já possuía mecanismos de proteção considerados robustos para impedir usos ofensivos da tecnologia.

Dentro da Anthropic, a mobilização foi recebida como um sinal de apoio em meio ao impasse. Mesmo assim, persistem dúvidas sobre a capacidade da empresa de lançar futuras gerações de modelos caso o governo mantenha a postura atual. O cenário contribuiu para ampliar a percepção de insegurança entre funcionários, que seguem aguardando definições sobre os próximos passos da companhia.

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Casa Branca muda tom sobre IA após avanço do Mythos

O governo de Donald Trump começou a reconsiderar sua postura mais flexível em relação à inteligência artificial (IA) após o avanço de sistemas capazes de identificar falhas ocultas em códigos de computador. O movimento ganhou força depois da apresentação do Mythos, modelo da Anthropic voltado à detecção de vulnerabilidades de segurança.

Segundo o The Washington Post, integrantes da Casa Branca discutem possíveis medidas para lidar com os riscos associados à nova geração de ferramentas de IA. Entre as opções analisadas está uma eventual ordem executiva para ampliar a supervisão sobre o setor.

Mythos da Anthropic e nova geração de ferramentas de IA preocupam a Casa Branca – Imagem: Koshiro K/Shutterstock

Governo discute novas formas de controle

O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, comparou a possível abordagem do governo ao modelo de testes da FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos. A ideia seria garantir que sistemas fossem considerados seguros antes de chegarem ao público.

Após a declaração, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, afirmou no X que o governo não pretende “escolher vencedores e perdedores”, indicando que ainda não há consenso interno sobre o tema.

De acordo com uma autoridade ouvida pela publicação, o objetivo do governo é ganhar tempo para lidar com riscos que podem crescer à medida que os modelos de IA se tornam mais poderosos.

Mythos elevou preocupações sobre segurança

A Anthropic anunciou no mês passado que o Mythos seria capaz de localizar falhas de segurança em softwares de forma altamente eficiente. A empresa decidiu não liberar o sistema ao público em geral por considerar os riscos elevados.

Pouco depois, a OpenAI afirmou que seus modelos mais recentes possuem capacidades semelhantes. As alegações foram apoiadas por avaliações do AI Security Institute, ligado ao governo britânico.

Segundo a reportagem, o governo Trump reuniu executivos de grandes bancos e representantes das principais empresas de IA para discutir os impactos da tecnologia. Uma das reuniões envolveu Susie Wiles e o CEO da Anthropic, Dario Amodei, na Casa Branca.

Governo já ampliou iniciativas ligadas à IA

Enquanto avalia novas medidas, o governo também começou a reforçar mecanismos de supervisão. Nesta semana, o Center for AI Standards and Innovation expandiu um programa criado durante o governo Joe Biden para testar modelos antes do lançamento público.

Além disso, a General Services Administration apresentou uma proposta contratual que amplia o controle sobre sistemas de IA usados em atividades federais, incluindo a análise de respostas consideradas ideológicas.

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Governo Trump estuda controle prévio de modelos de IA

A Donald Trump pode mudar a abordagem dos Estados Unidos em relação à inteligência artificial (IA). Autoridades e pessoas envolvidas nas discussões afirmaram à reportagem do The New York Times que a Casa Branca avalia criar mecanismos de supervisão para modelos de IA antes de sua liberação pública.

A proposta marca uma possível inflexão na política adotada desde o retorno de Trump à presidência, quando a administração priorizou uma postura não intervencionista e incentivou empresas de tecnologia a avançarem rapidamente com o desenvolvimento da tecnologia.

Casa Branca discute revisão prévia de modelos de IA

Entre as medidas em análise está a criação de um grupo de trabalho dedicado à IA, que reuniria executivos do setor e representantes do governo. Esse grupo avaliaria diferentes formas de supervisão, incluindo um possível processo formal de revisão antes do lançamento de novos modelos.

Autoridades afirmam que a ideia foi apresentada recentemente a executivos de empresas como Anthropic, Google e OpenAI. O modelo em discussão pode seguir uma linha semelhante à adotada no Reino Unido, onde órgãos governamentais verificam se sistemas de IA atendem a padrões de segurança.

Apps de IA como ChatGPT, Claude e Gemini estão no centro das discussões sobre possível regulação nos EUA – Imagem: Primakov / Shutterstock

Apesar das conversas, um funcionário da Casa Branca disse que a possibilidade de uma ordem executiva ainda é tratada como “especulação” e que qualquer decisão será anunciada diretamente por Trump.

Mudança ocorre após avanço de modelo da Anthropic

A revisão da política ganhou força após o anúncio do modelo Mythos, da Anthropic. Segundo a empresa, o sistema tem capacidade avançada de identificar vulnerabilidades em softwares, o que poderia provocar um “acerto de contas” na área de cibersegurança. O modelo não foi disponibilizado publicamente.

O governo teme impactos políticos caso um ataque cibernético significativo ocorra com apoio de IA. Além disso, autoridades avaliam se novos modelos podem oferecer capacidades úteis ao Pentágono e a agências de inteligência.

Uma das propostas discutidas prevê que o governo tenha acesso antecipado a modelos avançados, sem necessariamente impedir sua liberação ao público.

Divergências e disputa com o Pentágono

As discussões geraram divergências entre empresas de tecnologia. Parte dos executivos avalia que uma supervisão excessiva pode desacelerar a inovação dos EUA em relação à China, enquanto outros defendem algum nível de controle.

Dean Ball, ex-conselheiro de IA do governo Trump e atualmente na Foundation for American Innovation, afirmou que o cenário exige equilíbrio: há poucas regras formais, mas também preocupação em evitar regulação excessiva.

A situação é agravada por um conflito entre a Anthropic e o Pentágono envolvendo um contrato de US$ 200 milhões. Após desacordo sobre o uso militar da tecnologia, o Departamento de Defesa interrompeu o uso da IA da empresa em março, levando a uma ação judicial por parte da startup.

Mesmo assim, sistemas da Anthropic seguem em uso em projetos militares, como o Maven, que analisa inteligência e sugere alvos em operações.

Reorganização interna influencia política de IA

A mudança de direção também coincide com alterações na liderança da Casa Branca. Em março, David Sacks deixou o cargo de responsável por IA. A função passou a ser dividida por Susie Wiles e Scott Bessent, que sinalizaram maior envolvimento na formulação de políticas para o setor.

O novo grupo de trabalho pode incluir órgãos como a Agência de Segurança Nacional e o Escritório do Diretor Nacional de Inteligência para conduzir avaliações de modelos.

Também está em análise o papel do Center for A.I. Standards and Innovation, criado no governo anterior para revisar modelos compartilhados voluntariamente com o governo, mas que perdeu protagonismo sob Trump.

Pressão entre segurança e inovação

A possível mudança representa um contraste com declarações anteriores do governo. Em discurso em Paris, o vice-presidente JD Vance alertou que a regulação excessiva poderia comprometer o desenvolvimento da tecnologia.

Trump, por sua vez, já havia defendido que a IA deveria crescer sem entraves políticos, mas admitiu a necessidade de regras, desde que fossem mais avançadas que a própria tecnologia.

O post Governo Trump estuda controle prévio de modelos de IA apareceu primeiro em Olhar Digital.

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