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CEOs de OpenAI, Anthropic e Google participam do G7 ao lado de líderes mundiais

Os principais executivos de empresas de inteligência artificial estão chegando à conferência do G7 que acontece nesta quarta-feira (17) em Evian, na França.

Sam Altman, da OpenAI, Dario Amodei, da Anthropic, e Demis Hassabis, do Google DeepMind, integram o grupo de líderes do setor de tecnologia convidados para um almoço na cúpula.

Também confirmados para o encontro estão Arthur Mensch, da francesa Mistral, Aidan Gomez, da canadense Cohere, Uljan Sharka, da italiana Domyn, Victor Riparbelli, da britânica Synthesia, e Robin Rombach, da alemã Black Forest Labs.

Marc Benioff, da Salesforce, Alex Wang, da Meta, os fundadores da indiana Sarvam e da japonesa Sakana completam a lista de possíveis participantes.

Lembrando que o G7 reúne os EUA, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão. A União Europeia participa ativamente dos trabalhos do G7.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também viajou.

O que está na pauta

Riscos da IA, infraestrutura e soberania tecnológica estão entre os temas previstos para as discussões. A proteção de crianças na internet também faz parte da agenda, segundo informações divulgadas pelo governo francês em coletiva de imprensa na semana passada.

A OpenAI declarou à CNBC, no início de junho, que esperava que as empresas de tecnologia saíssem da cúpula com um conjunto de “compromissos voluntários”.

Esses compromissos devem envolver segurança para jovens, riscos de fronteira em segurança cibernética e biossegurança. A ideia é que eles se tornem um padrão global de fato.

É o que disse à CNBC Jessica Brandt, pesquisadora sênior de tecnologia e segurança nacional no Council on Foreign Relations – que pode ser traduzido como Conselho de Relações Exteriores -, um think tank americano voltado a política externa e relações internacionais.

Influência geopolítica em debate

Segundo Brandt, “isso mostra que, para assumir compromissos críveis sobre IA, os chefes de Estado agora precisam da cooperação, senão do aval, de um punhado de executivos do setor privado que estão de fato construindo a tecnologia. Estamos vendo uma mudança em quem tem assento à mesa e um sinal de onde o poder está”.

O pano de fundo do encontro inclui tensões entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos. A empresa segue em negociações com a administração Trump após Washington impor controles de exportação sobre os modelos Fable 5 e Mythos 5 da companhia, por razões de segurança nacional.

O lançamento recente de modelos de IA com capacidades cibernéticas avançadas — incluindo o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5 Cyber, da OpenAI — gerou preocupações de empresas e governos em relação a vulnerabilidades de segurança digital.

Cameron Kerry, pesquisador visitante da Brookings Institution, disse à CNBC que o lançamento do Mythos marcou um “ponto de inflexão” no desenvolvimento da IA e levou a administração Trump a considerar a regulação da tecnologia.

Para Emerson Brooking, pesquisador sênior do Atlantic Council, os controles de exportação americanos sobre os modelos da Anthropic “mudaram tudo”.

“Vários países do G7 já haviam mencionado a necessidade de investimento em IA soberana, mas sempre havia a suposição de que isso ocorreria junto com o acesso à infraestrutura tecnológica dos EUA”, disse ele à CNBC. “Agora os EUA sinalizaram disposição para cortar o acesso do G7 e até de aliados de tratado a certas capacidades de IA” – completou.

Os laboratórios de ponta parecem interessados em moldar esses debates antes que existam regras determinadas e vinculantes.

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Pesquisa brasileira revela: alunos que usaram ChatGPT aprenderam menos

A inteligência artificial virou companheira de estudos para milhões de estudantes. Em segundos, a tecnologia resume textos, explica conceitos complexos e até monta apresentações completas. Mas toda essa praticidade pode ter um custo invisível: a capacidade de aprender e reter conhecimento.

É o que sugere um trabalho publicado na revista científica Science Direct, conduzida por André Barcaui, professor, consultor e pós-doutorado em Inteligência Artificial pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O estudo concluiu que universitários que utilizaram o ChatGPT livremente durante uma atividade acadêmica apresentaram pior retenção de conhecimento do que alunos que recorreram apenas a métodos tradicionais de estudo.

Os participantes que estudaram sem inteligência artificial alcançaram média de 68,5% de acertos em um teste surpresa aplicado 45 dias após os estudos. Entre os estudantes que usaram o ChatGPT, o índice caiu para 57,5%.

A diferença chamou a atenção porque não se tratava de uma avaliação imediata. O objetivo era medir o quanto do conteúdo realmente permaneceu na memória dos alunos semanas após o período de estudo.

“O uso da IA acaba funcionando como uma muleta cognitiva”, afirmou o pesquisador em entrevista ao Olhar Digital. “O problema não é ter acesso a uma fonte extraordinária de informação. O problema é quando ela passa a substituir o seu pensamento”.

Como a pesquisa foi feita

O estudo acompanhou 120 estudantes de Administração de Empresas de uma universidade brasileira.

Metade dos participantes recebeu autorização para utilizar livremente ferramentas de inteligência artificial. A outra metade precisou recorrer apenas a livros, artigos científicos, mecanismos de busca tradicionais e materiais acadêmicos.

Durante duas semanas, todos estudaram temas relacionados a inteligência artificial e machine learning para preparar apresentações sobre o assunto.

A principal diferença veio depois: após 45 dias, Barcaui aplicou um teste surpresa sobre o assunto. A intenção era medir a memória de longo prazo, sem que os estudantes tivessem oportunidade de revisar o conteúdo previamente. Alunos do grupo ‘tradicional’ tiveram vantagem significativa nos resultados.

Um dado ajuda a explicar parte do resultado: quem utilizou IA estudou, em média, 3,2 horas. Já os estudantes do grupo tradicional dedicaram cerca de 5,8 horas à atividade.

O pesquisador destacou que a diferença não se resume ao tempo investido. Segundo o artigo, o uso da IA pode reduzir processos mentais importantes para a consolidação da memória, como a recuperação ativa de informações, a elaboração de respostas próprias e o esforço cognitivo necessário para resolver problemas.

Estudo defende que IA pode criar uma sensação de domínio sem que o conhecimento tenha sido realmente internalizado – Imagem: Gumbariya/Shutterstock

A sensação de aprender sem aprender

Um dos conceitos apresentados por Barcaui é o de “competência emprestada”.

A ideia descreve uma situação cada vez mais comum: o estudante obtém respostas bem estruturadas com poucos cliques, mas nem sempre internaliza o conhecimento necessário para reproduzir aquele raciocínio sozinho.

Barcaui compara o fenômeno a ter um especialista permanentemente ao lado.

É como se você tivesse um adulto disponível para responder qualquer pergunta. Isso não é um problema em si. O problema é usar essa fonte como substituta do seu pensamento, e não como uma ferramenta para ampliar o pensamento.

André Barcaui

Segundo ele, a IA pode criar uma sensação enganosa de domínio sobre determinado assunto. “Você pensa que entendeu. Mas, na verdade, quem entendeu foi o ChatGPT e explicou para você”, declarou.

A hipótese dialoga com preocupações levantadas por pesquisadores de diferentes áreas. Um artigo intitulado “O ChatGPT está nos deixando estúpidos?”, publicado pelo professor Aaron French no site The Conversation, argumentou que ferramentas de IA generativa não apenas ajudam a encontrar informações, mas podem assumir etapas inteiras do raciocínio humano, reduzindo a necessidade de análise crítica e interpretação.

O problema não é a IA

Barcaui fez questão de destacar os benefícios da inteligência artificial e reforçar que ela não deve ser banida das salas de aula.

Pelo contrário. Ele defende que a tecnologia oferece ganhos reais de produtividade e pode desempenhar papel importante no aprendizado quando utilizada da forma correta. “Eu sou um entusiasta da IA. Acho uma tecnologia extraordinária. O problema não é a ferramenta. É o uso indiscriminado dela”, afirmou.

Na visão do pesquisador, a inteligência artificial funciona melhor quando entra no processo após o esforço inicial do estudante. A lógica é simples: primeiro o aluno tenta resolver o problema sozinho. Depois utiliza a IA para obter feedback, revisar conceitos, identificar erros ou aprofundar a compreensão.

Você precisa ter uma base de conhecimento para dialogar com a ferramenta. Quando isso acontece, a IA aumenta o pensamento. Quando não acontece, ela apenas substitui o pensamento.

André Barcaui

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Curva de esquecimento ao longo dos 45 dias após o aprendizado. Linha vermelha representa os alunos que estudaram por métodos tradicionais; linha azul representa alunos que usaram IA – Imagem: André Barcaui/Science Direct

O desafio para escolas e universidades

Os resultados também levantam uma questão que começa a preocupar educadores: como ensinar em um mundo em que a inteligência artificial está disponível o tempo todo?

Para Barcaui, a resposta não tem a ver com proibições. “Proibir a IA é um erro. É uma briga perdida. Os alunos vão usar e precisam usar”, declarou.

O desafio, segundo ele, é ensinar como utilizar essas ferramentas de maneira produtiva. Isso inclui desenvolver habilidades que a tecnologia não substitui facilmente, como leitura aprofundada, escrita, pensamento crítico, capacidade de interpretação e a tomada de decisões por conta própria.

Na avaliação do pesquisador, o risco não está na inteligência artificial em si, mas em formar uma geração acostumada a terceirizar etapas fundamentais do raciocínio.

O professor precisa mudar de papel. O mundo mudou. O aluno mudou. A escola e a universidade também terão que mudar. (…) A IA deve fazer parte do processo de aprendizagem. Mas ela não pode ser a protagonista do aprendizado.

André Barcaui

Ele também destacou a importância do letramento para ensinar os melhores usos da tecnologia, bem como limites e questões éticas – o que vale tanto para alunos quanto para professores.

ChatGPT como muleta do aprendizado

O próprio estudo reconhece suas limitações. A pesquisa foi realizada com estudantes de uma única universidade e de uma única área de formação. Além disso, não avaliou outros benefícios que a IA pode trazer, como aumento de produtividade, melhoria na escrita, geração de ideias ou resolução de problemas.

Entre as conclusões, a pesquisa destacou:

  • O estudo não demonstra que toda forma de uso de inteligência artificial prejudica a aprendizagem;
  • O que ele indica é que, em um cenário de uso livre e sem orientação pedagógica, estudantes que recorreram ao ChatGPT apresentaram menor retenção de conhecimento após 45 dias do que colegas que estudaram por métodos tradicionais;
  • Em outras palavras, a pesquisa sugere que a questão central talvez não seja se a IA está tornando as pessoas menos capazes de aprender, mas como ela está sendo incorporada ao processo de aprendizagem.

Nesse sentido, Barcaui reforçou os benefícios da inteligência artificial, mas destacou a importância do pensamento crítico.

O pessoal quer resposta para ontem. E tudo bem, a IA faz esse papel muito bem. Só que o que restou daquela resposta que você deu quando você substituiu o seu pensamento pelo pensamento de uma máquina?

André Barcaui

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Novo Android 17 transforma o celular em “central de IA”

O Google lançou nesta terça-feira o Android 17 e o Wear OS 7, seu sistema para smartwatches. A atualização chega primeiro aos celulares Pixel e vem junto de um Pixel Drop com novidades em inteligência artificial, incluindo o Lyria 3, o Gemini Omni e recursos de tradução de voz com o AudioLM no Pixel 10a.

Segundo o TechCrunch, no fundo, o movimento reforça algo que o Google já vem deixando bem claro: a IA virou o eixo central do Android. E isso também entra na disputa com a Apple, que prepara mudanças na Siri e no iOS 27.

Android 17 chega com IA no centro e novas funções que mudam a forma de usar o celular no dia a dia. Imagem: Layse Ventura via ChatGPT / Olhar Digital

O que chega com o Pixel Drop

Uma das mudanças mais comentadas é a integração entre o Android Quick Share e o AirDrop da Apple em aparelhos Pixel mais antigos, como o 8a e o 9a. Na prática, isso reduz um pouco a distância entre os dois ecossistemas — algo que até pouco tempo atrás parecia improvável.

O Gemini Omni agora consegue editar vídeos dentro de uma conversa. Já o Lyria 3 cria músicas a partir de texto ou imagens direto no app do Gemini. É uma mistura de ferramentas criativas que começa a empurrar o celular para além do uso tradicional.

Tem também funções mais simples, mas úteis no dia a dia. Agora é possível gravar uma mensagem de áudio personalizada para quem liga e não é atendido. O recurso “Take a Message” também está sendo expandido para mais países.

No Pixel Watch, entra um sistema de detecção de emergências. Se houver acidente de carro, queda ou algo como ausência de pulso, o relógio pode acionar automaticamente ajuda e contatos de emergência. É uma função discreta, mas que fica sempre ativa ali no fundo.

Bubbles é uma das funções do Android 17
Novo Android 17 usa a “bubble bar” para deixar apps recentes em formato de bolhas na parte inferior da tela. Imagem: Divulgação/Google – Imagem: Divulgação/Google

Android 17 e multitarefa

O Android 17 traz a chamada “bubble bar”, uma barra de bolhas que organiza apps recentes na parte inferior da tela. A ideia é reduzir o vai e vem entre aplicativos e deixar tudo mais rápido de acessar.

Outro recurso chama a atenção pelo uso mais cotidiano: dá para gravar a tela e a câmera frontal ao mesmo tempo. Isso facilita vídeos de reação, algo que já virou padrão em redes sociais como TikTok, YouTube e Instagram.

Na parte de segurança, o sistema ganhou reforços. Tem o “Mark as Lost” no Find Hub, detecção de ameaças em tempo real e controles parentais mais flexíveis, que agora podem ser configurados com PIN, sem precisar de conta Google.

Também aparece um modo de jogo para dispositivos dobráveis, com tela dividida em 50/50 e um gamepad dinâmico ajustando a interface.

E o Wear OS 7?

Nos smartwatches, o Wear OS 7 melhora a integração com o celular. As notificações e atualizações de aplicativos passam a aparecer em tempo real no Pixel Watch, deixando a experiência mais contínua entre os dispositivos.

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Mais adiante, o sistema vai ganhar recursos do Gemini, como criação de widgets por descrição e uma função chamada “Personal Intelligence”, que conecta apps do Google e histórico de conversas para personalizar respostas.

O Google fala ainda em até 10% de ganho de bateria e automações mais inteligentes. Não é uma mudança que salta aos olhos de imediato, mas no uso diário pode fazer diferença.

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Cursor: o que é a ferramenta de IA que a SpaceX comprou por US$ 60 bilhões

A SpaceX, empresa de Elon Musk, anunciou nesta terça-feira (16) a compra da Anysphere – startup por trás da ferramenta de codificação com IA Cursor – por US$ 60 bilhões em ações.

O negócio, revelado em um registro na SEC (a CVM americana), é a maior aquisição de uma startup de capital de risco da história – desconsiderando a xAI, que foi comprada pela própria SpaceX.

Mas o que é a Cursor, por que ela vale tanto, e o que isso diz sobre os planos de Musk para dominar o mercado de IA?

O que é a Cursor?

A Cursor é um agente de IA para programação – na prática, um editor de código turbinado por inteligência artificial que permite a qualquer pessoa criar, editar e depurar software usando linguagem natural, sem precisar digitar código linha por linha.

Fundada em 2022 por quatro ex-alunos do MIT, incluindo o CEO Michael Truell, a empresa surgiu como uma derivação do editor VS Code – o mesmo usado por milhões de desenvolvedores ao redor do mundo – e foi incorporando capacidades de IA cada vez mais avançadas.

Com ela, é possível pedir mudanças no código em português (ou qualquer idioma), buscar informações em bases de código gigantescas, rodar comandos e concluir tarefas complexas de programação. O resultado: engenheiros de empresas como Nvidia, Uber, Adobe, Salesforce e Samsung adotaram a ferramenta, e ela já está presente em mais da metade das empresas da Fortune 500.

Por que a SpaceX pagou US$ 60 bilhões?

Números ajudam a entender: em meados de 2026, a Cursor já gerava bilhões de dólares em receita anual recorrente, com crescimento explosivo impulsionado pela demanda por ferramentas de desenvolvimento com IA.

Antes da SpaceX aparecer, a Cursor estava prestes a fechar uma rodada de US$ 2 bilhões com fundos como Andreessen Horowitz, Thrive e Nvidia, numa avaliação de US$ 50 bilhões. A empresa ainda recusou uma proposta de aquisição da OpenAI porque queria manter a independência – o que torna a venda para Musk ainda mais surpreendente.

Do lado da SpaceX, a lógica estratégica é clara: a companhia prometeu a investidores do seu IPO um mercado endereçável de US$ 28,5 trilhões – e boa parte desse número depende de IA para empresas. A Cursor é o atalho mais rápido para chegar lá.

A SpaceX está virando uma empresa de IA

O anúncio veio apenas quatro dias após a SpaceX abrir capital na Nasdaq, numa listagem que avaliou a empresa em mais de US$ 2 trilhões e, no papel, tornou Musk o primeiro trilionário do mundo.

A aquisição foi estruturada como uma fusão em ações – ou seja, sem uso do dinheiro levantado no IPO. As ações da SpaceX subiram 10% com o anúncio, colocando a empresa na rota de superar a Amazon em valor de mercado.

A estratégia faz sentido dentro de uma transformação maior: a SpaceX não é mais essencialmente uma empresa espacial – é uma empresa de inteligência artificial que também lança foguetes e transmite internet via satélite. A compra da Cursor é a prova mais contundente disso até agora.

Para completar o quadro: em fevereiro, a SpaceX já havia incorporado a xAI, a empresa de IA de Musk e criadora do chatbot Grok. Com a Cursor, a divisão de IA da SpaceX passa a contar com uma das ferramentas de desenvolvimento mais usadas no mundo corporativo.

O que a Cursor ganha com o negócio?

Além dos bilhões em ações, a Cursor passa a ter acesso ao supercomputador Colossus, da SpaceX – com capacidade equivalente a um milhão de GPUs H100. Essa infraestrutura era um gargalo para o desenvolvimento de modelos mais poderosos, incluindo o Composer, o modelo mais recente da empresa.

O que muda na prática?

O negócio deve ser concluído no terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias. Se o negócio não for concluído, a SpaceX pagará US$ 1,5 bilhão em multa mais US$ 8,5 bilhões em recursos de computação à Cursor – o que dá uma ideia de quanto Musk quer fechar esse negócio.

Para os usuários da Cursor, desenvolvedores e profissionais que dependem da ferramenta no dia a dia, a principal questão é se a independência que tornou o produto tão popular será mantida dentro do ecossistema de Musk. Por enquanto, a empresa não se pronunciou sobre mudanças nos planos ou na experiência do produto.

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Alibaba lança modelos de IA para robôs e acelera transição de chatbots para agentes autônomos na China

A gigante chinesa Alibaba divulgou, nesta terça-feira (16), em Pequim, seus primeiros modelos de inteligência artificial desenvolvidos especificamente para aplicação em robôs. O anúncio foi feito em meio à reconfiguração do setor tecnológico na China.

A iniciativa surge em um momento em que empresas do país passam a reduzir o foco em sistemas de chatbot tradicionais e direcionam esforços para agentes de IA mais avançados. Esses sistemas são projetados para executar tarefas mais complexas e ampliar a capacidade operacional de máquinas.

Segundo a companhia, a estratégia acompanha uma tendência mais ampla da indústria, que busca aplicações de maior valor econômico e maior autonomia para sistemas inteligentes.

Alibaba acelera aposta em inteligência artificial voltada à robótica

Imagem: testing/Shutterstock

O movimento da Alibaba ocorre dentro de uma transição mais ampla no mercado chinês de tecnologia, que vem migrando de soluções baseadas em conversação para ferramentas capazes de executar ações práticas. A empresa integra esse esforço ao lançar seus primeiros modelos de IA com foco em robôs.

Alibaba
(Imagem: zhu difeng / Shutterstock)

De acordo com a empresa, a nova geração de sistemas busca tornar máquinas mais inteligentes e funcionais, com capacidade de lidar com tarefas mais complexas. Essa mudança acompanha a evolução do setor, que enxerga nos chamados agentes de inteligência artificial uma oportunidade de expansão mais rentável.

O anúncio foi registrado em Pequim e ocorre em um ambiente de forte competição entre companhias de tecnologia na China. O reposicionamento estratégico indica uma tentativa de capturar valor em áreas além dos chatbots, que até então concentravam grande parte do desenvolvimento em inteligência artificial.

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Startup chinesa DeepSeek já é a mais valiosa da China no setor de inteligência artificial

A DeepSeek entrou em um novo patamar no mercado global de inteligência artificial depois de levantar mais de US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões) em sua primeira grande rodada de financiamento. O volume chama atenção não só pelo tamanho, mas pelo momento em que a disputa entre China e Estados Unidos na área de IA vem se intensificando, afirma o The Wall Street Journal.

Com esse aporte, a startup passou a ser avaliada em mais de US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 275 bilhões) e se tornou a empresa de inteligência artificial mais valiosa da China, segundo fontes ligadas à operação. É um salto relevante para um setor em que o capital vem sendo direcionado de forma cada vez mais seletiva.

Mesmo com crescimento rápido, a DeepSeek ainda enfrenta gigantes como OpenAI e Anthropic no mercado global. Imagem: JRdes/Shutterstock

Rodada bilionária coloca DeepSeek no topo da IA chinesa

O ponto mais incomum dessa rodada está no controle da empresa. O fundador Liang Wenfeng segue com forte participação: antes do novo investimento, ele detinha cerca de 90% da DeepSeek e chegou a investir aproximadamente US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões) do próprio patrimônio.

O modelo de governança também foge do padrão tradicional. Em vez de participação direta no capital, a maior parte dos investidores entra por meio de uma estrutura de sociedade limitada administrada pelo próprio fundador. E há ainda um detalhe importante: quem investe precisa manter a posição por pelo menos cinco anos. Isso reduz a liquidez, mas reforça o caráter de aposta de longo prazo.

Ao fundo, bandeira da China; à frente, logo da DeepSeek em um smartphone
Startup chinesa mira IA geral e novas fontes de receita enquanto cresce a disputa global com os EUA. Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Investidores apostam pesado em expansão e infraestrutura

A rodada reuniu alguns dos nomes mais fortes do ecossistema tecnológico chinês. Estão no grupo Tencent, JD.com, NetEase e a fabricante de baterias CATL, além de fundos como IDG Capital.

  • Tencent investiu cerca de US$ 1,5 bilhão (aprox. R$ 8,25 bilhões)
  • CATL aportou aproximadamente US$ 740 milhões (cerca de R$ 4,07 bilhões)
  • Fundo estatal de IA da China investiu cerca de US$ 150 milhões (aprox. R$ 825 milhões)
  • JD.com e NetEase também participaram da rodada
  • IDG Capital e Monolith completam o grupo de investidores

Esse dinheiro deve ir principalmente para pesquisa, desenvolvimento e ampliação da infraestrutura de computação. E aqui há um ponto sensível: a China ainda enfrenta limitações no acesso a chips avançados, o que torna esse tipo de investimento ainda mais estratégico.

Estratégia mira IA avançada e novas fontes de receita

A DeepSeek vem reforçando sua aposta em inteligência artificial geral — sistemas capazes de executar tarefas cognitivas em nível semelhante ao humano. É uma ambição de longo prazo, que exige muito mais do que apenas capital: envolve também infraestrutura e acesso a poder de processamento.

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Ao mesmo tempo, cresce a pressão de investidores por modelos mais claros de monetização. Entre as possibilidades em discussão estão serviços pagos e ferramentas baseadas em agentes de IA, que conseguem executar tarefas mais complexas de forma autônoma.

Nos bastidores, a empresa também tem se aproximado do ecossistema chinês de hardware, incluindo parcerias com companhias como a Huawei. Isso ajuda a contornar parte das restrições impostas pelos Estados Unidos no fornecimento de semicondutores avançados.

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O aporte bilionário reforça a corrida tecnológica entre China e Estados Unidos no setor de inteligência artificial. Imagem: Knight00730/Shutterstock

Corrida global de IA fica ainda mais acirrada

Mesmo com o novo valuation, a DeepSeek ainda atua em um cenário bastante desigual quando comparada aos grandes laboratórios americanos. O avanço é significativo, mas a distância para nomes como OpenAI e Anthropic ainda é grande.

De todo modo, o movimento reforça uma tendência que já vinha se desenhando: a disputa pela liderança em inteligência artificial está longe de estar definida — e tende a ficar ainda mais intensa nos próximos anos.

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SpaceX fecha acordo de US$ 60 bilhões para adquirir empresa de IA Cursor

A SpaceX anunciou nesta terça-feira (16) a compra da Cursor por US$ 60 bilhões em ações da própria companhia, em uma das maiores transações recentes envolvendo ferramentas de inteligência artificial voltadas ao desenvolvimento de software. A conclusão da operação está prevista para o terceiro trimestre de 2026.

O acordo foi divulgado poucos dias após a estreia histórica da SpaceX na bolsa de valores, movimento que elevou a empresa a um valor de mercado superior a US$ 2 trilhões e fortaleceu sua posição entre as companhias mais valiosas dos Estados Unidos.

Com a incorporação da Cursor, a SpaceX busca ampliar sua atuação em inteligência artificial ao combinar uma plataforma consolidada de programação assistida por IA com a infraestrutura computacional desenvolvida por seus negócios ligados ao setor.

SpaceX amplia aposta em inteligência artificial com aquisição bilionária

Empresa espacial teve avaliação recorde – Imagem: Walter Cicchetti/iStock

Segundo documentos divulgados pela empresa, os acionistas da Cursor receberão US$ 60 bilhões em ações da SpaceX. A expectativa é que o processo de incorporação seja concluído ainda neste ano, após o cumprimento das etapas regulatórias e societárias previstas para a transação.

Fundada em 2023 por quatro ex-alunos do MIT, a Cursor iniciou suas atividades como uma empresa voltada a mensagens criptografadas. Com o passar do tempo, direcionou seus esforços para o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicadas à programação, segmento que ganhou relevância com a expansão dos chamados agentes autônomos de código.

A plataforma desenvolvida pela companhia permite que programadores utilizem diferentes modelos de IA em um único ambiente de trabalho. Entre as opções disponíveis estão tecnologias fornecidas por empresas como OpenAI, Anthropic, xAI e Google, o que posicionou a Cursor entre os principais nomes do setor.

A empresa também disputa espaço em um mercado cada vez mais competitivo. Entre os concorrentes citados estão ferramentas capazes de criar códigos, corrigir falhas em softwares e executar tarefas automatizadas para desenvolvedores.

Consoante informações divulgadas anteriormente pela própria SpaceX, a companhia já havia assegurado em abril o direito de adquirir a Cursor. Na ocasião, afirmou que mantinha uma colaboração próxima com a empresa em iniciativas relacionadas à programação e inteligência artificial.

Em uma publicação na rede social X, a SpaceX declarou que a união entre as duas empresas poderia acelerar o desenvolvimento de modelos avançados de IA ao combinar a presença da Cursor entre engenheiros de software com a capacidade computacional disponível em sua infraestrutura tecnológica.

A estrutura mencionada pela companhia inclui o Colossus, complexo de computação para inteligência artificial criado pela xAI em Memphis, no estado do Tennessee. Atualmente, a xAI integra os negócios da SpaceX, fortalecendo a estratégia da empresa para ampliar sua presença no setor.

Página da SpaceX no Twitter aberta em celular rodeado de notas de dólar numa mesa
SpaceX promete maior IPO da história – Imagem: FellowNeko/Shutterstock

O interesse da indústria pela Cursor não é recente. A reportagem informa que a companhia recusou propostas de aquisição apresentadas por grandes empresas de inteligência artificial no ano passado. Além disso, uma rodada de investimentos concluída em novembro atribuiu à empresa uma avaliação de mercado de US$ 29,3 bilhões.

A aquisição também ocorre em meio à busca da SpaceX por maior capacidade computacional. Embora a empresa já disponha da infraestrutura desenvolvida por sua divisão de IA, a necessidade de ampliar o poder de processamento continua sendo apontada como um dos desafios para sustentar seus planos de expansão.

Além dos investimentos em tecnologia, a SpaceX pretende utilizar ativos ligados ao setor espacial para competir em áreas associadas à inteligência artificial. Entre as iniciativas mencionadas está o pedido encaminhado a reguladores para autorizar a implantação de até um milhão de satélites voltados ao suporte de operações computacionais em órbita.

A reação do mercado foi imediata. As ações da SpaceX registraram forte valorização nas negociações pré-abertura desta terça-feira (16), ampliando uma sequência de ganhos iniciada após a estreia da empresa na Nasdaq.

Nos dois primeiros pregões após a abertura de capital, os papéis acumularam avanços expressivos. Caso o movimento seja mantido, a empresa poderá superar o valor de mercado da Amazon e assumir posição entre as cinco companhias abertas mais valiosas dos Estados Unidos.

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Domínio do ChatGPT encolhe e concorrentes ganham força no mercado de IA

Pela primeira vez desde seu lançamento, o ChatGPT perdeu a marca de 50% de participação no mercado global de assistentes de IA. O movimento reflete o avanço de concorrentes que vêm atraindo cada vez mais usuários, segundo o relatório State of AI 2026, da Sensor Tower.

Embora siga na liderança, o chatbot da OpenAI viu sua fatia de mercado cair para 46,4% em maio. Enquanto isso, Gemini e Claude ganharam espaço em um setor que continua crescendo rapidamente, comenta o TechCrunch.

ChatGPT ainda lidera em usuários, mas já sente a pressão dos concorrentes no mercado global de IA. Imagem: Primakov / Shutterstock – Imagem: Primakov / Shutterstock

ChatGPT segue líder, mas vê concorrência avançar

Até janeiro de 2026, o ChatGPT concentrava mais da metade do mercado de assistentes de IA. No fim de maio, sua participação havia recuado para 46,4%. O Gemini, do Google, alcançou 27,7%, enquanto o Claude, da Anthropic, chegou a 10,3%.

Apesar da queda relativa, o ChatGPT continua sendo o assistente de IA mais utilizado do mundo, com mais de 1,1 bilhão de usuários mensais. O Gemini aparece em segundo lugar, com 662 milhões, seguido pelo Claude, com 245 milhões.

O relatório também destaca que os usuários estão mais dispostos a experimentar diferentes plataformas. Um dos fatores observados foi o aumento das desinstalações após o anúncio do acordo entre a OpenAI e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O episódio sugere que muitos usuários levam em consideração não apenas os recursos oferecidos, mas também as decisões tomadas pelas empresas responsáveis pelas ferramentas.

Enquanto o crescimento do Gemini está ligado à integração com o ecossistema do Google, o Claude ganhou destaque em tarefas de produtividade e vem se aproximando dos índices de retenção do ChatGPT.

Ícone do ChatGPT em um smartphone
OpenAI testa anúncios no ChatGPT e amplia estratégia de monetização da plataforma de IA. Imagem: Ascannio/Shutterstock – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Mercado de IA acelera receitas e tempo de uso

A Sensor Tower estima que os usuários baixarão quase 2,3 bilhões de aplicativos de IA no primeiro semestre de 2026. Além disso, os gastos devem superar US$ 4,2 bilhões, acima dos US$ 1,83 bilhão registrados no mesmo período de 2025.

Os principais destaques do levantamento incluem:

  • ChatGPT abaixo de 50% de participação pela primeira vez;
  • Crescimento consistente de Gemini e Claude;
  • Quase 2,3 bilhões de downloads previstos em 2026;
  • Mais de US$ 4,2 bilhões em gastos com aplicativos de IA;
  • Maior foco das empresas em monetização.

O estudo também aponta que o tempo gasto em aplicativos de IA deve saltar de 17,2 bilhões para cerca de 36 bilhões de horas entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Os três principais assistentes concentram 89% desse total.

As diferenças regionais também chamam atenção. A Ásia registrou queda de 3,3% nos downloads no primeiro trimestre de 2026, puxada por recuos na China e na Índia. Ainda assim, a região segue liderando em volume de instalações.

Anúncios e compras ganham espaço

A OpenAI começou a testar anúncios no ChatGPT em fevereiro de 2026. Em maio, cerca de 17% dos usuários diários visualizaram publicidade na plataforma.

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Ao mesmo tempo, o chatbot ampliou sua atuação no comércio eletrônico, direcionando tráfego para varejistas como Walmart, Target e Costco. Já a Amazon, que bloqueou os rastreadores web do ChatGPT, registrou crescimento estagnado nesse tipo de tráfego.

O relatório mostra que a disputa entre assistentes de IA está entrando em uma nova fase. Além de conquistar usuários, as empresas agora buscam aumentar receitas, fortalecer a retenção e ampliar sua presença em áreas como publicidade e compras digitais.

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O que é Manus, IA chinesa que Meta tentou comprar e não conseguiu

A Manus AI se tornou um dos nomes mais comentados do mercado de inteligência artificial (IA) após apresentar uma plataforma baseada em agentes autônomos, sistemas capazes de executar tarefas complexas com pouca intervenção humana. A rápida expansão da empresa chamou a atenção da Meta, que anunciou a compra da startup por cerca de US$ 2 bilhões no fim de 2025.

Meses depois, porém, o negócio se transformou em um impasse geopolítico. Reguladores chineses determinaram a reversão da aquisição por razões ligadas à segurança nacional e ao controle de tecnologias consideradas estratégicas. A Meta iniciou a separação operacional entre as duas companhias, interrompendo o compartilhamento de dados e restringindo o acesso da Manus a seus sistemas internos.

O que é a Manus

A Manus surgiu a partir da Butterfly Effect, empresa fundada na China pelo empreendedor Xiao Hong. Em 2025, a companhia transferiu sua sede e parte relevante de sua equipe para Singapura, movimento que antecedeu a aquisição anunciada pela Meta meses depois.

A startup ganhou projeção internacional após uma demonstração viral de sua tecnologia. Diferentemente dos chatbots que popularizaram a inteligência artificial generativa nos últimos anos, a proposta da Manus era permitir que sistemas de IA executassem tarefas de forma mais independente.

A Manus ganhou notoriedade ao desenvolver agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem depender de comandos constantes dos usuários – Imagem: QINQIE99/Shutterstock

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, explicou ao Olhar Digital que a empresa ajudou a popularizar uma nova abordagem para o uso da inteligência artificial. “Enquanto nós estávamos em uma corrida de ferramentas, como ChatGPT, Gemini e Copilot, [a Manus] foi a primeira a apontar esse caminho da IA agêntica, da IA assumindo o trabalho”, afirma.

Na prática, o usuário pode definir um objetivo e deixar que o sistema realize diferentes etapas para chegar ao resultado final. Dependendo da tarefa, a plataforma pode pesquisar informações, navegar por páginas na internet, organizar dados, gerar arquivos e integrar diferentes ferramentas sem a necessidade de novos comandos a cada etapa.

Segundo Lucas Gilbert, especialista em inovação e tecnologia, a principal mudança está na forma como o usuário interage com a ferramenta.

Você não fica conversando com ela, você entrega um objetivo e ela se vira pra cumprir. Você pode dizer ‘encontra os dez melhores candidatos pra essa vaga, organiza numa planilha e me devolve pronto’, e ela vai pesquisar, abrir os sites, escrever o código que precisar, montar a planilha e te entregar o resultado, tudo sozinha, sem você ficar empurrando cada etapa.

Lucas Gilbert

A empresa também registrou um crescimento acelerado após o lançamento. Segundo a própria Manus, a startup atingiu US$ 100 milhões em receita recorrente anual (ARR) oito meses após seu lançamento.

O que diferencia a Manus de ChatGPT, Gemini e Claude?

A principal aposta da Manus está no conceito conhecido como agentes de IA. Enquanto ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude operam principalmente por meio de interações em formato de conversa, agentes autônomos são projetados para planejar e executar sequências de ações para cumprir um objetivo definido pelo usuário.

Gilbert afirma que esses sistemas utilizam capacidades já presentes nos grandes modelos de linguagem, mas acrescentam mecanismos para executar ações e planejar etapas sem depender de comandos constantes dos usuários.

O ChatGPT, o Gemini e o Claude funcionam como o cérebro: eles pensam, escrevem, raciocinam muito bem, mas ficam parados esperando você dizer o que fazer a cada passo.

Lucas Gilbert

Ícones dos aplicativos ChatGPT, Claude e Gemini exibidos na tela de um smartphone
ChatGPT, Claude e Gemini se popularizaram por meio de conversas com usuários, enquanto agentes de IA como a Manus buscam executar tarefas de forma mais autônoma – Imagem: Primakov / Shutterstock

Segundo o especialista, o diferencial da Manus não está necessariamente em um modelo de inteligência artificial mais avançado do que os concorrentes, mas na forma como essa tecnologia é aplicada. “A Manus não inventou um cérebro novo nem uma inteligência superior. O mérito dela nunca foi criar a inteligência, foi dar mãos pra ela”, afirma.

Igreja também vê os agentes autônomos como uma evolução importante do setor. “A questão é a IA agêntica, é a IA que assume trabalho, que gera escala, que gera economia”, afirma.

Por que a Meta quis comprar a startup

A aquisição anunciada pela Meta foi interpretada como uma tentativa de acelerar sua atuação no mercado de agentes autônomos, considerado por parte da indústria como uma das principais tendências da inteligência artificial.

Para Igreja, o valor da negociação ajuda a explicar como grandes empresas de tecnologia costumam agir diante de startups promissoras.

Para a Meta é mais barato ir lá e comprar. Ela já larga com um baita time e uma baita marca. Até ela copiar, o pessoal da Manus já vai mais adiante.

Arthur Igreja

O especialista lembra que a companhia tem histórico de adquirir empresas ainda em estágio inicial de crescimento, em vez de esperar que elas se transformem em concorrentes maiores ou mais caras.

Gilbert avalia que a tecnologia da Manus poderia complementar a base de bilhões de usuários dos serviços da Meta ao oferecer sistemas capazes de executar tarefas concretas, e não apenas responder perguntas.

Por que a China barrou o negócio?

Apesar de a aquisição ter sido anunciada em dezembro de 2025, reguladores chineses passaram a examinar a operação nos meses seguintes. As autoridades apontaram preocupações relacionadas à exportação de tecnologia, investimento estrangeiro e segurança nacional.

Em abril deste ano, Pequim determinou a reversão do negócio. Desde então, Meta e Manus vêm conduzindo um processo de separação que inclui o encerramento do compartilhamento de dados e a migração de projetos para sistemas próprios da empresa americana.

Bandeira da China ao lado do logo da Meta exibido em um smartphone
O governo chinês determinou a reversão da compra da Manus pela Meta, citando preocupações com tecnologia estratégica e segurança nacional – Imagem: Koshiro K / Shutterstock

Na avaliação de Igreja, a reação chinesa está ligada ao valor estratégico que tecnologias de IA passaram a ter para governos. “Será que eu quero deixar essa tecnologia, esse time sair daqui? Tem mais a ver com isso, com governança, segurança, soberania”, afirma.

Para Gilbert, o episódio mostra que a inteligência artificial passou a ocupar um papel semelhante ao de setores considerados estratégicos para os países. “A IA deixou de ser assunto de empresa e virou questão de Estado”, diz.

O especialista avalia que o caso também reforça uma tendência de maior separação entre os ecossistemas de inteligência artificial da China e dos Estados Unidos. Segundo ele, investimentos, talentos e tecnologias passam a enfrentar cada vez mais restrições para circular entre os dois mercados.

Para Igreja, o episódio da Manus dificilmente será um caso isolado. O especialista compara a situação às disputas envolvendo o TikTok nos Estados Unidos e avalia que aquisições internacionais de empresas de IA podem enfrentar obstáculos semelhantes nos próximos anos.

São ativos estratégicos. Não só do ponto de vista empresarial. É estratégico para a Meta, estratégico para a China, estratégico para um país.

Arthur Igreja

Os fundadores da Manus agora buscam levantar cerca de US$ 1 bilhão para recomprar a empresa e reorganizar suas operações, enquanto a startup continua desenvolvendo novos recursos e integrações para sua plataforma.

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Anthropic intensifica negociações para derrubar bloqueio dos EUA a modelos de inteligência artificial

A Anthropic mobilizou sua cúpula técnica e representantes de políticas públicas para Washington no fim de semana, após o governo de Donald Trump restringir o uso internacional dos modelos de inteligência artificial Fable 5 e Mythos 5. A medida, anunciada na sexta-feira (12), levou a empresa a suspender o acesso às ferramentas fora dos Estados Unidos.

As conversas envolveram integrantes da administração federal e executivos da startup, que buscam uma saída para as limitações impostas às tecnologias. O impasse surgiu depois que autoridades americanas passaram a questionar mecanismos de proteção dos sistemas, diante de pesquisas que apontaram a possibilidade de obter informações sobre vulnerabilidades de softwares.

O objetivo das negociações é encontrar uma solução que permita restabelecer o acesso aos modelos mais avançados da companhia, ao mesmo tempo em que atenda às exigências de segurança levantadas pelo governo.

Empresa busca acordo após restrição atingir modelos de ponta

Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Segundo o The Wall Street Journal, representantes da Anthropic e integrantes do governo estadunidense passaram horas em reuniões e ligações ao longo do fim de semana para discutir os impactos da decisão.

Entre os participantes estavam o secretário de Comércio, Howard Lutnick, o diretor nacional de cibernética, Sean Cairncross, além de Tom Brown, cofundador e diretor de computação da startup, e Sarah Heck, responsável pela área de políticas públicas da empresa.

Pessoas familiarizadas com as conversas relataram à publicação que existe interesse mútuo em encerrar o impasse. Ainda assim, não havia clareza sobre quais condições poderiam viabilizar a retomada do acesso aos modelos bloqueados.

Paralelamente, especialistas da área de segurança digital manifestaram preocupação com a decisão. Um grupo de profissionais divulgou uma carta defendendo a retirada das restrições, argumentando que a medida pode prejudicar a posição dos Estados Unidos na corrida pela liderança em inteligência artificial.

Na avaliação dos signatários, “essa ação tirou os melhores modelos dos defensores, criou incerteza no mercado e colocou em risco a liderança de IA dos Estados Unidos sem nenhum risco real para justificá-la”, afirmaram pesquisadores de segurança cibernética em carta encaminhada à administração estadunidense.

O episódio ocorre após meses de divergências entre a Anthropic e órgãos do governo sobre regras de utilização e supervisão de sistemas avançados de inteligência artificial. O texto informa que também havia desacordos envolvendo o uso dos modelos pela área militar e discussões relacionadas à formulação de políticas públicas para o setor.

A controvérsia ganhou força depois que pesquisadores da Amazon identificaram formas de contornar determinadas barreiras de proteção do Fable. Segundo a reportagem, os testes permitiram obter informações sobre falhas existentes em pelo menos quatro programas de computador ao modificar a forma como os pedidos eram feitos ao sistema.

Logo da Anthropic em um smartphone; ao fundo, várias linhas de código de programação
Preocupações com segurança ganharam força – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Especialistas ouvidos pela publicação observaram, porém, que o estudo não apontou a geração de ferramentas ofensivas destinadas a ataques cibernéticos. O material teria demonstrado a capacidade de localizar vulnerabilidades, recurso que também pode ser empregado por equipes responsáveis pela defesa de redes e sistemas.

Consoante a posição divulgada pela Anthropic, as fragilidades destacadas pelos pesquisadores seriam relativamente simples e poderiam ser identificadas por outros modelos já disponíveis ao público. A empresa também sustentou que os resultados não configurariam uma quebra completa das salvaguardas implementadas na tecnologia.

Em meio à escalada da crise, a companhia enviou a Washington alguns de seus principais especialistas em segurança e avaliação de riscos. A expectativa era apresentar detalhes técnicos sobre os mecanismos de proteção adotados e reduzir a tensão entre a empresa e a administração federal.

A reação do governo ocorreu rapidamente. Após discussões internas e contatos entre autoridades e representantes do setor privado, a Anthropic recebeu pressão para retirar os modelos de circulação. Na mesma noite em que a restrição foi formalizada, a startup interrompeu o acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 para cumprir a determinação.

Para parte da comunidade de segurança digital, a resposta oficial foi excessiva. Katie Moussouris, diretora-executiva da empresa de cibersegurança Luta Security, avaliou que a suspensão da versão mais recente do Mythos produz efeitos negativos para atividades de proteção digital e para interesses estratégicos do próprio país.

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