Uma pesquisa do Pew Research Center revelou que 52% dos brasileiros estão mais preocupados do que animados com o avanço da inteligência artificial. O número coloca o país acima da mediana global de 37% e mostra o nível de preocupação com os efeitos da tecnologia.
O receio aparece principalmente quando o assunto é trabalho. Para muitos brasileiros, a expansão da IA vai resultar em menos postos de trabalho nos próximos 20 anos.
Brasileiros temem impacto da inteligência artificial no trabalho, e jovens estão ainda mais preocupados. – Imagem: Taris Tonsa/Shutterstock
Empregos estão entre os principais receios
A preocupação ganha força na discussão sobre o futuro profissional. Para 42% dos brasileiros, a inteligência artificial vai resultar em menos empregos nos próximos 20 anos. Outros 13% esperam um aumento nas vagas, enquanto 34% não sabem ou não têm uma opinião formada.
A expectativa de redução também aparece na maior parte dos países pesquisados. Em 34 dos 37 países e territórios analisados, mais pessoas esperam uma queda do que um aumento no número de empregos.
Entre os países de renda média, a mediana dos que esperam redução nas vagas é de 36%. Nos países de renda alta, o índice chega a 55%.
Temor cresce entre os mais jovens
Entre os brasileiros de 18 a 34 anos, a preocupação aumentou em um ano. Em 2025, 32% dessa faixa etária diziam estar mais preocupados do que animados com a inteligência artificial. Em 2026, o percentual chegou a 44%, uma alta de 12 pontos percentuais.
A preocupação com os empregos também é elevada entre jovens de outros países. Nos Estados Unidos, 74% dos entrevistados de 18 a 34 anos acreditam que a IA levará à redução de vagas. O percentual é de 69% no Canadá, 66% na França e 63% na Suécia.
Apesar da preocupação, 27% dos brasileiros afirmam nunca ter ouvido ou lido sobre inteligência artificial. Outros 42% dizem ter ouvido ou lido um pouco, enquanto 31% afirmam ter ouvido ou lido muito sobre o tema.
A parcela que declara ter ouvido ou lido muito sobre IA cresceu de 22% em 2025 para 31% em 2026. Nos países de renda média, a mediana é de 27%.
Cerca de 24% dos entrevistados no Brasil acreditam que a inteligência artificial vai ampliar a desigualdade econômica no país. Imagem: thanmano / Shutterstock
Desigualdade econômica e perspectivas
A pesquisa também avaliou como os brasileiros enxergam os possíveis efeitos da IA sobre a desigualdade econômica. Para 24%, a tecnologia aumentará a desigualdade nos próximos 20 anos. Outros 35% acreditam que ela não terá impacto significativo nesse aspecto.
Nos países de renda alta, a mediana dos que esperam aumento da desigualdade é de 35%. Entre os países de renda média, chega a 22%.
Os números mostram que a preocupação com a inteligência artificial no Brasil envolve principalmente o futuro do trabalho, enquanto uma parcela significativa da população ainda tem pouco ou nenhum contato com informações sobre a tecnologia.
A iniciativa faz parte de um diálogo bilateral sobre a tecnologia e ganha força no momento em que a indústria enfrenta alertas crescentes sobre os riscos de modelos avançados.
Falhas técnicas em sistemas de IA podem ganhar um novo canal de comunicação entre Washington e Pequim. – Imagem: wildpixel/iStock
Canal de comunicação para evitar crises
A ideia é criar uma ponte direta entre Washington e Pequim para notificar falhas graves e episódios críticos em tempo real, evitando mal-entendidos diplomáticos.
O tema deve entrar na pauta do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.
Achamos que, como em qualquer atividade transfronteiriça, sair do opaco para mais transparência entre a potência número um e a número dois em IA no mundo é muito importante.
Scott Bessent, Secretário do Tesouro americano, em entrevista coletiva.
Insegurança em modelos de ponta impulsiona acordo
Alertas disparados nas últimas semanas colocaram em dúvida as travas de proteção dos sistemas atuais. Relatos de funcionários da Anthropic, por exemplo, mencionaram riscos extremos em ferramentas de ponta.
A discussão dividiu o setor em visões opostas:
Executivos da OpenAI e da Anthropic defendem desacelerar o desenvolvimento para estabelecer normas de segurança.
Donald Trump rejeita pausar as pesquisas para não perder a vantagem dos EUA na corrida tecnológica: “Quem vencer a IA, vence!”, afirmou.
Especialistas do mercado cobram a aplicação de leis de responsabilidade e cibersegurança que já estão em vigor.
O debate sobre segurança de IA envolve governos e empresas diante dos riscos de modelos cada vez mais avançados. Imagem: Andy.LIU/Shutterstock
Divergências sobre regulação e concorrência
Enquanto governos tentam prevenir acidentes tecnológicos, o setor privado debate os limites das regras. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou a criação de novas normas alarmistas.
“Aplique isso primeiro. Não deixe essa narrativa apocalíptica permitir que alguém se livre das leis que já existem.”
Na mesma linha, fundadores de plataformas de código aberto, como Thomas Wolf, da Hugging Face, alertam que a busca por supremacia tecnológica compromete a cooperação internacional. Ao mesmo tempo, os EUA mantêm barreiras para limitar o acesso chinês a chips avançados.
A criação do canal de alerta tenta impor ordem a um setor que avança sem fronteiras claras. O desafio agora será manter essa via de comunicação aberta enquanto a disputa comercial e tecnológica entre as duas potências segue acirrada.
Governos não deveriam esperar que todos os riscos da inteligência artificial sejam completamente compreendidos para começar a criar salvaguardas, defende a ONU. O alerta está no primeiro relatório temático do painel científico internacional criado pela organização para avaliar os riscos e as oportunidades da tecnologia.
O documento chama a atenção para ameaças que podem ser catastróficas ou irreversíveis. A discussão ocorre durante a Assembleia Geral da ONU, enquanto Estados Unidos e China se preparam para conversar sobre inteligência artificial.
Para a ONU, a incerteza científica não deve impedir medidas contra possíveis danos graves ou irreversíveis causados pela IA – Imagem: Infinite Creations/iStock
O princípio da precaução
Para o painel, não é preciso descobrir exatamente como ou por que determinados incidentes envolvendo sistemas avançados de IA acontecem antes de reforçar a segurança.
A recomendação recorre ao princípio da precaução. A ideia é que a incerteza científica, por si só, não deve impedir medidas contra possíveis danos graves ou irreversíveis. O conceito foi incorporado à Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, de 1992, e passou a influenciar políticas ambientais e de saúde pública.
O relatório considera esse princípio particularmente importante diante da possibilidade de perda de controle sobre sistemas de IA. Entre os pontos destacados estão:
mais atenção aos riscos de sistemas avançados;
mais recursos para segurança da IA;
maior coordenação entre países;
mecanismos mais fortes de responsabilização;
salvaguardas mesmo quando ainda existem incertezas científicas.
O texto também menciona incidentes envolvendo empresas como OpenAI, Anthropic, Google e Meta, incluindo ataques a alvos reais e grupos de agentes assumindo o controle de fóruns de mensagens.
Como a ONU pretende agir
O painel científico é parte de uma estrutura montada pela ONU para discutir a governança da inteligência artificial. Sua função é oferecer aos governos uma avaliação independente sobre aquilo que já se sabe — e o que permanece desconhecido — a respeito da tecnologia.
Ao lado dele está o Diálogo Global sobre Governança de IA. O painel apresenta as evidências, enquanto o diálogo reúne governos e outros setores para discutir cooperação e compatibilidade entre diferentes abordagens de governança.
António Guterres, secretário-geral da ONU, resumiu a posição da organização: “A ação nacional é essencial, mas a coordenação global é indispensável”.
Governos são incentivados a agir antes que exista certeza científica completa sobre os riscos de sistemas avançados de IA. – Imagem criada com IA. ChatGPT/Olhar Digital
EUA e China no centro das conversas
O tema chega à agenda internacional no momento em que Estados Unidos e China se preparam para discutir IA. Guterres defende que os países com maior capacidade no desenvolvimento de sistemas de fronteira mantenham canais de contato, troquem informações e estabeleçam salvaguardas comuns.
O secretário-geral comparou o desenvolvimento da IA à corrida armamentista entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. Para ele, mecanismos de cooperação são necessários para evitar uma disputa que eleve os riscos globais.
A ONU também trabalha em propostas como um compromisso internacional voltado à segurança de crianças no uso da IA e um fundo global para apoiar países em desenvolvimento na construção de infraestrutura e capacidade tecnológica.
Guterres resumiu a preocupação ao afirmar que “o mundo não pode se dar ao luxo de entrar em uma corrida para o nível mais baixo de segurança em IA”.
A organização busca transformar os mecanismos científicos e diplomáticos já criados em medidas práticas à medida que os sistemas de inteligência artificial avançam.
O papa Leão XIV voltou a pedir que a inteligência artificial seja desenvolvida para promover a paz e preservar a dignidade humana. Em Roma, ele criticou sistemas que possam aprofundar divisões sociais e alertou para os riscos da tecnologia em conflitos.
A posição está presente também em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, publicada em maio. O documento propõe regras, supervisão e limites éticos para o desenvolvimento da IA.
Leão XIV alerta que a inteligência artificial pode acelerar conflitos militares e tornar decisões sobre vida e morte mais impessoais. – Imagem: K_E_N/Shutterstock
Um pedido por uma IA voltada à paz
Leão XIV fez o apelo durante a conferência AI4Peace, realizada na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. O encontro reuniu o economista norte-americano Jeffrey Sachs, a presidente do conselho municipal de Roma, Svetlana Celli, e Francisco Rojas Aravena, reitor da Universidade para a Paz das Nações Unidas, na Costa Rica.
“Em um mundo marcado por conflitos e divisões, o desenvolvimento da inteligência artificial exige uma visão inspirada pela sabedoria e pela caridade”, afirmou o papa em uma mensagem enviada ao evento.
Tecnologia sob responsabilidade humana
Na encíclica, Leão XIV rejeita a ideia de que a tecnologia seja inerentemente ruim. Ao mesmo tempo, afirma que ela não é neutra, pois carrega características de quem a desenvolve, financia, regulamenta e utiliza.
Para o pontífice, a criação de sistemas de IA deve vir acompanhada de responsabilidade e prestação de contas. O documento aponta cinco frentes:
proteção da dignidade humana;
supervisão independente dos sistemas;
políticas e estruturas legais adequadas;
padrões éticos compartilhados;
educação para o uso responsável das ferramentas digitais.
Leão XIV ainda alerta para a concentração tecnológica. Segundo a encíclica, deixar essas ferramentas nas mãos de poucos pode aumentar a distância entre quem participa da transformação digital e quem permanece excluído dela.
Para o Papa, o avanço da automação deve respeitar o ritmo humano em vez de exigir adaptação contínua às máquinas. – Imagem: Jack_the_sparow/Shutterstock
O futuro do trabalho
O impacto da IA sobre o trabalho é outro tema abordado pelo papa. Ele reconhece que a tecnologia pode assumir tarefas repetitivas, mas questiona um modelo no qual os trabalhadores precisam se adaptar constantemente ao ritmo das máquinas.
A encíclica afirma que o avanço tecnológico não deve ser orientado apenas por produtividade e lucro. Dignidade e bem comum, segundo o documento, precisam entrar nessa equação.
Quando a IA entra na guerra
Leão XIV dedica atenção especial ao emprego da inteligência artificial militar. Para ele, a revolução digital está alterando a natureza dos conflitos e exige limites éticos definidos internacionalmente.
O papa alerta que sistemas de IA podem acelerar confrontos, tornar decisões sobre vida e morte mais impessoais e reduzir vítimas a dados.
Não há algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável.
Papa Leão XIV em mensagem enviada durante a conferência AI4Peace.
Como alternativa à lógica de poder, o documento defende diálogo, diplomacia e cooperação internacional. A mensagem apresentada em Roma reforça, assim, a visão de que o avanço da IA deve estar orientado pela dignidade humana, pela paz e pelo bem comum.
O medo de que a inteligência artificial (IA) se transforme em uma “destruidora de empregos” não está restrito a poucos países ou grupos de trabalhadores. Pesquisas recentes mostram que a preocupação aparece em diferentes regiões do mundo e em diversos recortes do mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, os dados apontam para um cenário que vai além da ideia de uma demissão em massa provocada pela IA. Os primeiros sinais aparecem em mudanças mais silenciosas, especialmente na entrada de jovens no mercado de trabalho e na maneira como empresas adotam e controlam o uso dessas ferramentas.
Maioria espera menos empregos com a IA
Uma pesquisa do Pew Research, realizada em 37 países, mostra a dimensão da preocupação. Em 34 deles, as pessoas consideram mais provável que a IA reduza empregos nos próximos 20 anos do que crie novas vagas;
Na mediana dos países pesquisados, 46% acreditam que haverá menos empregos por causa da tecnologia, enquanto apenas 9% esperam um aumento nas vagas. Cerca de um quarto dos entrevistados respondeu que não sabe o que esperar;
O pessimismo é ainda maior em alguns países ricos. Austrália e Coreia do Sul aparecem com 76%, enquanto os Estados Unidos chegam a 71% entre os que acreditam que a IA provavelmente reduzirá o número de empregos;
A percepção sobre desigualdade também segue tendência negativa: mais pessoas acreditam que a IA aumentará a distância entre ricos e pobres do que aquelas que esperam uma redução dessa diferença;
Ainda assim, a relação com a tecnologia não é exclusivamente negativa. Na mediana global, 41% dizem estar tão preocupados quanto animados com o uso da IA no dia a dia. Outros 37% afirmam estar principalmente preocupados, enquanto 13% estão principalmente animados.
Jovens são os primeiros a sentir o impacto nos EUA
Uma análise revisada do Stanford Digital Economy Lab, baseada em dados de folha de pagamento da ADP que abrangem milhões de trabalhadores estadunidenses até junho de 2026, encontrou sinais de impacto especialmente entre os profissionais mais jovens.
Segundo o estudo, o emprego de trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações muito expostas à IA está 19% abaixo do esperado, na comparação com jovens que trabalham em funções menos expostas à tecnologia.
Os próprios autores fazem uma ressalva importante: isso não significa que 19% desses trabalhadores tenham perdido seus empregos por causa da IA. Os dados também não comprovam uma relação de causalidade, já que outros fatores econômicos podem ter influenciado os resultados.
O padrão observado parece estar mais relacionado a menos contratações do que a um aumento expressivo nas demissões. Na prática, a mudança pode estar aparecendo primeiro na porta de entrada das empresas.
Entre profissionais mais experientes, o estudo não encontrou uma diferença comparável. Em algumas funções, o nível de emprego permaneceu estável ou chegou a crescer.
Agentes de IA podem transformar tarefas de milhões de trabalhadores
Outro estudo, conduzido pelo Stanford SALT Lab, analisou como os chamados agentes de IA podem alterar o trabalho de aproximadamente 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos.
Os pesquisadores ouviram 1,5 mil profissionais de 104 ocupações e analisaram 844 tarefas, buscando entender não apenas o que a IA é capaz de fazer, mas também quais atividades os próprios trabalhadores estariam dispostos a delegar às máquinas.
Em 46,1% das tarefas, os trabalhadores avaliaram positivamente a possibilidade de automação, principalmente quando ela poderia liberar tempo para atividades consideradas mais importantes.
Essa distinção é central para o estudo: uma coisa é perguntar o que a IA consegue fazer; outra é saber o que as pessoas querem entregar para ela. As duas respostas nem sempre são iguais.
Em muitas ocupações, o modelo preferido pelos trabalhadores é o de “parceria”, com humanos e IA dividindo as tarefas, em vez de entregar todo o trabalho para a máquina.
A pesquisa também sugere uma mudança na importância relativa de determinadas habilidades. Tarefas ligadas ao processamento de informações, como atualizar conhecimentos e analisar dados, podem perder espaço proporcionalmente, enquanto atividades relacionadas à coordenação, interação e tomada de decisão tendem a exigir maior participação humana.
Outro estudo analisou como os chamados agentes de IA podem alterar o trabalho de aproximadamente 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos – mayam_studio / Shutterstock
Uma pesquisa da Deloitte UK, que ouviu 25 mil trabalhadores, mostra outro aspecto da transformação: a adoção de ferramentas de IA dentro das empresas nem sempre acontece de maneira oficial.
Segundo o levantamento, 63% dos trabalhadores usam IA generativa no trabalho e quase um quarto afirma utilizar essas ferramentas diariamente.
Entre os usuários, 31% dizem usar IA sem que o empregador saiba. É o chamado shadow AI, situação em que ferramentas de IA passam a fazer parte da rotina profissional sem necessariamente estarem previstas ou autorizadas pelas regras da empresa.
O levantamento também aponta que quase metade dos trabalhadores, 49%, não recebeu treinamento formal para utilizar IA de maneira segura e eficaz. Isso pode aumentar o risco de informações internas serem enviadas inadvertidamente para serviços externos.
Os dados indicam, portanto, que simplesmente liberar ou bloquear ferramentas de IA pode não ser suficiente. Para as empresas, o desafio também envolve entender onde a tecnologia está sendo usada e quais tarefas realmente se beneficiam dela.
Por que a tecnologia assusta tanto?
Os diferentes levantamentos ajudam a explicar por que a IA provoca preocupação em tantas partes do mundo. Quando a tecnologia é percebida como uma ameaça ao próprio trabalho e à renda familiar, seus possíveis benefícios podem não ser suficientes para eliminar o receio.
Parte desse cenário também está relacionada à maneira como a própria indústria de IA apresentou suas tecnologias nos últimos anos. Na tentativa de demonstrar aos investidores o potencial dos produtos, executivos, como Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, falaram sobre a possibilidade de a IA substituir profissões inteiras e representar nova revolução industrial.
Esse discurso ajudou a destacar o potencial econômico da tecnologia, mas também alimentou preocupações sobre o futuro do trabalho.
Agora, pesquisas realizadas em diferentes países mostram que o receio já faz parte da percepção pública sobre a IA, enquanto estudos sobre o mercado de trabalho começam a identificar mudanças, especialmente entre trabalhadores jovens, e nas tarefas que empresas e profissionais estão dispostos a delegar às máquinas.
Pesquisadores de cibersegurança que invadiram os sistemas da OpenAI recentemente afirmam que a indústria de inteligência artificial (IA) ainda não está preparada para os riscos de segurança criados pelo avanço e pelo crescente poder da própria tecnologia.
Pesquisadores da Hacktron, startup de segurança de computadores, conseguiram entrar nos sistemas da empresa responsável pelo ChatGPT com a ajuda do Claude, chatbot desenvolvido pela Anthropic, principal concorrente da OpenAI.
Segundo publicações da Hacktron no X, os pesquisadores começaram atacando um painel de mensagens público e, a partir dele, conseguiram acessar sistemas privados da OpenAI, incluindo parte do código interno da empresa.
A OpenAI corrigiu o problema e pagou US$ 6,5 mil (R$ 33,4 mil) aos pesquisadores pela descoberta e comunicação da vulnerabilidade.
O episódio, porém, somado a outros incidentes nos quais modelos de IA acessaram a internet sem serem detectados e atacaram outras empresas, aumentou as críticas de especialistas em cibersegurança. Para eles, os esforços das empresas de IA para proteger seus sistemas não acompanham o enorme poder que elas atribuem à própria tecnologia.
Mohan Pedhapati, um dos pesquisadores da Hacktron que invadiram a OpenAI, afirmou que o uso de softwares empresariais convencionais, como Slack, navegadores de internet voltados ao consumidor e outros aplicativos acessíveis pela internet pública, deixa a companhia vulnerável a possíveis ataques.
“Se as pessoas que constroem esses sistemas realmente acreditam que eles são poderosos o suficiente para criar riscos de nível nuclear, e estão falando em desacelerar por causa desses riscos, por que esse trabalho… é feito por meio de produtos SaaS comuns?”, questionou Pedhapati em uma publicação no X.
“Um tiro de advertência”
O CEO da OpenAI, Sam Altman, recentemente se juntou a outros líderes do setor que defendem desacelerar o ritmo de desenvolvimento da IA, diante da preocupação de que as capacidades da tecnologia estejam avançando mais rápido do que a capacidade da indústria de controlá-la.
Em comunicado, um porta-voz da OpenAI agradeceu aos pesquisadores por entrarem em contato e compartilharem suas descobertas. A empresa afirmou ainda que reforçou suas medidas de segurança.
Para Frank Cilluffo, diretor do McCrary Institute for Cyber and Critical Infrastructure Security da Auburn University, o fato de uma pequena equipe de pesquisadores ter conseguido realizar o ataque — segundo eles, por um custo de US$ 3 mil (R$ 15,4 mil) para utilizar os sistemas da Anthropic — deveria ser encarado como um “tiro de advertência”.
“Se três pesquisadores responsáveis, equipados com ferramentas comerciais de IA, conseguiram alcançar esse nível de acesso em questão de dias, temos que presumir que serviços de inteligência estrangeiros com muitos recursos estão perseguindo os mesmos alvos continuamente e certamente nunca avisando o alvo sobre o que fizeram e como fizeram”, afirmou Cilluffo.
Especialistas em segurança nacional há anos alertam que empresas estadunidenses de IA devem esperar ser alvos de hackers apoiados por governos estrangeiros interessados em reduzir a vantagem dos Estados Unidos na tecnologia.
Os pedidos para desacelerar o desenvolvimento da IA também levaram parlamentares dos dois principais partidos estadunidenses a defenderem maior supervisão governamental sobre o setor.
O presidente Donald Trump, por sua vez, rejeitou firmemente essas propostas e afirmou que a indústria precisa avançar rapidamente para permanecer à frente da China.
Claude foi usado no ataque à OpenAI
A invasão da OpenAI pela Hacktron, realizada com o auxílio dos recursos de segurança do Claude, ocorreu depois de meses de debate na indústria de tecnologia e no governo Trump sobre como lidar com a crescente capacidade dos modelos de IA de identificar falhas de segurança em softwares;
OpenAI e Anthropic limitaram o acesso às capacidades completas de cibersegurança de seus chatbots. Ao mesmo tempo, empresas chinesas lançaram modelos gratuitos de IA com recursos avançados de invasão disponíveis para qualquer pessoa;
Em julho, a OpenAI afirmou que alguns de seus próprios agentes de IA haviam escapado dos sistemas da empresa durante testes internos. Os agentes acessaram a internet pública e invadiram outra empresa de IA;
O episódio provocou críticas de especialistas em cibersegurança, que disseram que a OpenAI poderia ter feito mais para impedir que seus sistemas de IA escapassem da rede;
A empresa contratou pesquisadores externos de IA para investigar por que os agentes conseguiram escapar. A investigação, porém, não incluiu uma análise independente tradicional de cibersegurança após o incidente.
Invasão da OpenAI pela Hacktron ocorreu depois de meses de debate na indústria de tecnologia e no governo Trump sobre como lidar com a crescente capacidade dos modelos de IA de identificar falhas de segurança em softwares – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
O ataque da Hacktron aconteceu aproximadamente no mesmo período do episódio envolvendo os agentes de IA.
Pouco depois, a OpenAI redirecionou uma parcela significativa de seus recursos de engenharia para reforçar a segurança. Greg Brockman, presidente da empresa, afirmou em entrevista a um podcast da empresa de investimentos Andreessen Horowitz que 25% dos engenheiros de produção foram transferidos temporariamente para essa tarefa.
“Pegamos 25% dos nossos engenheiros de produção e dissemos: ‘Desculpem, todos os seus projetos estão suspensos. Agora vocês estão na defesa’”, contou Brockman. “Encontramos vários problemas graves e os corrigimos”, acrescentou.
Os pesquisadores da Hacktron também criticaram a maneira como a OpenAI reagiu depois que eles comunicaram à empresa que haviam encontrado uma forma de entrar em seus sistemas.
Assim como muitas grandes empresas, a OpenAI incentiva publicamente pesquisadores de segurança a relatarem vulnerabilidades.
Fabian Faessler, chefe de engenharia de agentes da Hacktron, afirmou em publicação no X que Dane Stuckey, diretor de segurança da informação da OpenAI, havia chamado os pesquisadores de pouco profissionais. Faessler disse que esperava uma reação mais receptiva da empresa.
Dan Wallach, pesquisador residente em segurança de IA na organização Rand, afirmou que a OpenAI teve sorte porque a vulnerabilidade foi descoberta por pesquisadores que decidiram se apresentar e compartilhar o que haviam encontrado.
“Como regra geral, não é educado fazer o que eles fizeram, mas eu acho que a OpenAI deveria estar satisfeita porque o invasor foi gentil o suficiente para avisá-los”, disse Wallach ao The Washington Post.
Depois da publicação da sequência de posts de Faessler no X, Stuckey entrou em contato com o pesquisador para pedir desculpas, segundo uma publicação posterior de Faessler.
A OpenAI projeta um fluxo de caixa livre negativo de US$ 278 bilhões (mais de R$ 1,4 trilhão) entre 2026 e 2030, segundo apresentação recente da empresa vista pelo Financial Times. O valor evidencia a dimensão dos recursos necessários para financiar a expansão da infraestrutura de computação usada pela companhia.
A empresa espera que suas receitas avancem de US$ 36 bilhões em 2026 para US$ 350 bilhões em 2030, mas ainda assim prevê que as despesas ficarão muito acima da geração de receita no período. Ao todo, a OpenAI estima registrar US$ 840 bilhões em receitas até o fim de 2030.
Gastos com computação devem concentrar maior parte dos recursos
De acordo com o FT, a OpenAI prevê gastar cerca de US$ 856 bilhões em poder computacional e infraestrutura até o fim de 2030. Esse deve ser, de longe, o maior grupo de despesas da empresa durante o período.
Os investimentos estão relacionados à ampliação do acesso à capacidade computacional necessária para treinar e operar modelos de inteligência artificial. A companhia também reduziu preços enquanto busca conquistar negócios da rival norte-americana Anthropic e enfrentar modelos de pesos abertos mais baratos desenvolvidos na China.
A necessidade de financiamento ganhou importância depois que a OpenAI levantou US$ 122 bilhões em março. Segundo a apresentação citada pelo FT, esse montante pode ser consumido até 2028 caso as projeções de gastos sejam mantidas.
Nova rodada de investimentos pode superar US$ 1,2 trilhão em avaliação
A OpenAI entrou recentemente em negociações para uma nova rodada de financiamento. Investidores procuraram a empresa para discutir aportes considerando uma avaliação de US$ 1,2 trilhão, enquanto a companhia busca uma avaliação ainda maior, segundo uma pessoa próxima à OpenAI ouvida pelo FT.
A capacidade da empresa de obter novos recursos também está ligada a acordos financeiros e contratos de infraestrutura firmados para garantir acesso à capacidade computacional. Empresas como Nvidia, Oracle e a unidade de data centers da SoftBank dependem desses contratos para parte de suas receitas futuras.
Apesar das projeções de forte consumo de caixa, há sinais de crescimento da receita. Novos lançamentos de modelos contribuíram para um aumento de aproximadamente 20% na receita anualizada da OpenAI em julho.
A projeção atual também representa uma melhora em relação à estimativa apresentada em maio, quando a empresa previa fluxo de caixa livre negativo de US$ 305 bilhões.
IPO foi adiado
A OpenAI havia planejado uma oferta pública inicial de ações para este outono e protocolou confidencialmente os documentos junto à Securities and Exchange Commission em junho. Desde então, porém, o processo foi adiado.
A empresa citou a crescente preocupação pública com os riscos associados ao rápido desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial como motivo para o adiamento. Alguns investidores também apontaram preocupações sobre a recepção nos mercados públicos de uma companhia que registra perdas elevadas.
A Anthropic, por sua vez, deve realizar uma oferta pública inicial neste outono, em uma operação que pode ser a maior desse tipo já registrada. A OpenAI não comentou as informações ao FT.
O CEO da Nvidia afirmou em entrevista à CBS News que não acredita em um cenário de extinção causado pela inteligência artificial até o fim da década. Jensen Huang também defendeu que o desenvolvimento da tecnologia continue em ritmo acelerado, desde que produtos inseguros não sejam lançados.
A declaração foi dada ao correspondente de negócios e tecnologia da CBS News, Jo Ling Kent, em entrevista que será exibida integralmente no programa Sunday Morning. Huang afirmou que há “0% de chance” de 2030 ser o fim do mundo, ao mesmo tempo em que reconheceu a existência de preocupações sobre os riscos associados à inteligência artificial.
Exclusive: Nvidia CEO Jensen Huang tells CBS News’ @JoLingKent that he believes there are “ulterior reasons” behind claims that AI could end humanity, and said there is a “zero percent chance” 2030 will be the end of the world. More tomorrow on CBS Sunday Morning. pic.twitter.com/hMd6VmszDx
Huang defende avanço rápido da inteligência artificial
Questionado sobre a necessidade de desacelerar o desenvolvimento da IA diante dos alertas recentes no setor, Huang afirmou que a indústria deve continuar avançando.
“Devemos ir o mais rápido que pudermos, independentemente de qualquer outra pessoa”, disse o CEO da Nvidia. Segundo ele, isso não significa colocar produtos no mercado antes que estejam prontos ou que apresentem riscos.
Huang acrescentou que a Nvidia não deve lançar produtos inseguros. A declaração ocorre em meio ao aumento das discussões sobre a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial e sobre a necessidade de mecanismos de segurança e regulamentação.
Alertas sobre os riscos da IA
A discussão ganhou força após a saída pública de Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic. No início de setembro, ele deixou a empresa e afirmou que companhias de inteligência artificial estariam priorizando a inovação em detrimento de protocolos de segurança adequados.
Coxon também declarou à CBS News que, sem intervenções, a IA poderia representar uma ameaça à humanidade no futuro. As preocupações foram posteriormente abordadas por Dario Amodei, CEO da Anthropic, que afirmou que o setor demorou a reconhecer os riscos associados à tecnologia.
Amodei disse que a evolução da inteligência artificial ocorre em ritmo “exponencial” e classificou a situação como um sinal de alerta que justificaria uma desaceleração. Ao mesmo tempo, afirmou que isso não significava que seria necessário interromper completamente o desenvolvimento da tecnologia.
Huang, por outro lado, mantém a avaliação de que a IA pode ser administrada com segurança e tem defendido o avanço da tecnologia. O CEO também já se manifestou contra a necessidade de novas regulamentações para o setor.
A entrevista completa de Jensen Huang à CBS News está prevista para ser exibida neste domingo no programa Sunday Morning.
Uma nova ação judicial nos Estados Unidos acusa Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Google de terem coordenado esforços para reduzir o ritmo de desenvolvimento de suas respectivas inteligências artificiais. O processo foi protocolado na sexta-feira (18), no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia.
Segundo os autores, a suposta coordenação violaria leis antitruste por envolver algumas das principais empresas do setor em um acordo para fazer com que o avanço da tecnologia ocorresse em ritmo inferior ao que seria observado em um ambiente competitivo. A ação também afirma que a prática poderia reduzir o valor dos serviços de IA pagos pelos consumidores.
Processo cita manifestações de executivos
A ação aponta principalmente para acontecimentos de 12 de setembro, quando Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um texto defendendo a cooperação entre empresas do setor para desacelerar os avanços da IA em favor de medidas de segurança mais robustas.
No mesmo dia, Sam Altman, CEO da OpenAI, Elon Musk, CEO da SpaceXAI, e Demis Hassabis, cofundador e presidente do Google DeepMind, responderam publicamente às propostas de Amodei e demonstraram concordância com a ideia.
Os quatro autores identificados no processo são assinantes pagos do ChatGPT, Claude, Grok ou Gemini. Os advogados afirmam representar essas pessoas em nome de um grupo nacional proposto formado por outros usuários que também pagam pelos serviços.
Para os autores, a coordenação entre concorrentes para tornar o progresso da IA mais lento teria efeitos anticompetitivos. O processo não contesta que as empresas discutam com o governo a criação de regras para o setor ou mesmo que solicitem uma isenção específica das leis antitruste.
Amodei havia mencionado riscos antitruste
Ao apresentar inicialmente sua proposta de desaceleração, Amodei reconheceu que a cooperação entre empresas poderia levantar questões relacionadas às leis antitruste. Ele defendeu que o governo dos Estados Unidos poderia mediar ou ao menos facilitar as conversas entre os laboratórios.
Na avaliação apresentada por Amodei, o governo não precisaria participar diretamente das discussões, mas deveria conceder uma isenção limitada para determinados tipos de conversas relacionadas à segurança.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, que pediu desaceleração no desenvolvimento de IA, citou risco de a cooperação esbarrar em questões antitruste – Imagem: Below the Sky/Shutterstock
Altman, por sua vez, afirmou que a OpenAI apoia uma estrutura federal com requisitos consistentes de segurança. O executivo também disse que a empresa não considera necessário esperar uma nova legislação ou uma isenção antitruste para começar a trabalhar na construção dessa estrutura.
A discussão acontece em meio a preocupações crescentes sobre os riscos associados ao avanço da IA. Líderes do setor vêm debatendo há algum tempo a criação de padrões compartilhados e outras formas de coordenação para manter a segurança como uma prioridade.
Governo dos EUA também está no debate
Os autores da ação afirmam que não são contrários a pedidos feitos pelas empresas ao Congresso, à Casa Branca ou a outros órgãos para estabelecer regulamentações para a inteligência artificial. O processo também não se opõe, especificamente, à solicitação de uma isenção antitruste.
A questão, porém, envolve também a posição do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump rejeitou publicamente os pedidos por regulamentação e afirmou que tentativas de limitar a tecnologia fazem parte de uma “conspiração doentia”.
Neste sábado (19), Trump afirmou que está formando uma força-tarefa de IA e que pretende nomear um “czar da IA”, mas forneceu poucos detalhes sobre a iniciativa. O governo também tem defendido que os laboratórios americanos avancem sobre a concorrência chinesa.
Em uma audiência recente no Senado, o senador Josh Hawley, republicano do Missouri, também rejeitou a possibilidade de conceder às grandes empresas de tecnologia uma isenção das leis antitruste para que possam colaborar entre si. Segundo ele, isso poderia favorecer acordos entre concorrentes e reduzir a competição.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (19) que pretende criar uma “Força de IA” para supervisionar a regulamentação da inteligência artificial no país. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente também afirmou que deverá nomear um “czar da IA” em um futuro próximo.
Segundo Trump, a iniciativa terá como objetivo acompanhar o crescimento da indústria de inteligência artificial sem impedir sua expansão. Ao mesmo tempo, ele afirmou que o governo ficará atento a possíveis condutas ilícitas e poderá recorrer ao sistema de Justiça criminal e civil já existente para lidar com esses casos.
Na publicação, Trump afirmou que os Estados Unidos não devem “impedir ou sufocar” o crescimento da indústria de inteligência artificial. O presidente declarou que pretende valorizar, apoiar e acompanhar o desenvolvimento do setor.
Trump também destacou que o governo pretende observar eventuais práticas ilegais relacionadas à tecnologia. Segundo ele, esse tipo de conduta poderá ser enfrentado por meio das estruturas já existentes no sistema de Justiça dos Estados Unidos.
A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o anúncio. A publicação, portanto, representa até o momento a principal informação divulgada pelo governo sobre a criação da força de trabalho e a escolha de um responsável pela área.
Presidente já criticou novas regras para inteligência artificial
O anúncio ocorre poucos dias depois de Trump publicar outra mensagem sobre o tema. No início desta semana, o presidente afirmou que existe uma “conspiração doentia” contra a inteligência artificial e os centros de dados.
Na ocasião, Trump rejeitou pedidos por novas regras federais específicas para a IA. Segundo ele, os Estados Unidos precisariam apenas de um presidente forte para regular a tecnologia.
O tema também aparece nas relações entre Estados Unidos e China. Autoridades americanas afirmaram que a inteligência artificial será abordada em conversas com o governo chinês, enquanto Trump se prepara para se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, na próxima semana.
Washington e Pequim consideram os avanços em inteligência artificial importantes para a competitividade econômica e militar de seus países. Os dois governos, porém, continuam em desacordo sobre questões como o acesso a chips avançados, alegações de cópia de tecnologia e a regulamentação da indústria de IA.