A Anthropic escolheu Mariano-Florentino Cuéllar para liderar sua área global de assuntos públicos em um momento de pressão sobre as regras de inteligência artificial nos Estados Unidos. A nomeação ocorre enquanto a empresa tenta ampliar o diálogo com governos e lidar com disputas envolvendo o uso de seus sistemas.
Segundo a Reuters, Cuéllar será responsável por administrar as relações da Anthropic com autoridades americanas e governos de outros países onde a companhia está expandindo suas operações.
A inteligência artificial entrou em uma nova fase: empresas agora precisam negociar regras, segurança e relações políticas. – Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock
Executivo chega para aproximar Anthropic de governos
Criadora dos modelos Claude, a Anthropic aposta na experiência de Cuéllar no setor público para conduzir conversas sobre regulamentação e segurança da inteligência artificial. Conhecido como Tino, o executivo responderá diretamente à presidente da empresa, Daniela Amodei.
O novo chefe global de assuntos públicos ficará baseado na sede da companhia, em São Francisco. Entre suas atribuições estará a construção de relações com representantes governamentais em diferentes mercados.
Cuéllar já tinha ligação com a Anthropic. Desde janeiro, ele fazia parte do Long-Term Benefit Trust, estrutura criada para acompanhar o compromisso da empresa com sua missão de benefício público. Agora, deixará essa função para integrar oficialmente a companhia.
Histórico em governo e segurança pesa na escolha
A trajetória do executivo inclui uma passagem pela Casa Branca durante o governo do ex-presidente Barack Obama, onde atuou como assistente especial, além da liderança do Carnegie Endowment for International Peace até julho. Nesse período, também copresidiu uma força-tarefa sobre segurança nacional dos Estados Unidos e proliferação nuclear.
Na prática, Cuéllar deverá concentrar esforços em quatro frentes principais:
Relacionamento com governos dos Estados Unidos e de outros países;
Discussões sobre regulamentação para empresas de inteligência artificial;
Segurança e riscos ligados ao uso de modelos avançados de IA;
Diálogo com diferentes setores políticos sobre o futuro da tecnologia.
Em uma declaração divulgada pela empresa, Cuéllar afirmou que o desenvolvimento e a regulamentação da inteligência artificial chegaram a um ponto decisivo. “As escolhas que fazemos hoje determinarão se a humanidade poderá aproveitar possibilidades extraordinárias para avançar a ciência e melhorar vidas em todo o mundo ou enfrentar enormes riscos e desigualdade crescente”, disse.
A Anthropic vive pressão nos EUA e aposta em um especialista em política para administrar conflitos e ampliar diálogos – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
Disputas com governo americano aumentam pressão
A nomeação acontece enquanto a Anthropic enfrenta conflitos relacionados ao uso militar de sua tecnologia. A empresa teve seus sistemas incluídos em uma lista de bloqueios do Pentágono e contestou a decisão judicialmente.
Além disso, a administração de Donald Trump estabeleceu temporariamente controles de exportação que impediram a venda dos modelos Mythos 5 e Fable 5 para usuários estrangeiros, alegando preocupações de segurança nacional.
Para Oren Cass, fundador do American Compass, Cuéllar tem um perfil pragmático e aberto ao diálogo. “Sua abordagem será provocar uma boa formulação de políticas deliberativas com a administração”, afirmou à Reuters.
Com a nova função, o executivo terá o desafio de representar a Anthropic nas discussões sobre regras para inteligência artificial enquanto a empresa busca equilibrar expansão comercial, segurança e exigências governamentais.
A inteligência artificial (IA) se tornou um dos principais argumentos de venda da indústria de computadores. Nos últimos anos, fabricantes passaram a destacar a presença de unidades de processamento neural (NPUs) dedicadas a acelerar tarefas de IA, anunciar ganhos de desempenho em recursos generativos e apresentar uma nova categoria de dispositivos: os chamados PCs com IA (ou AI PCs).
Na prática, porém, essa transformação ainda parece distante para a maioria dos consumidores. Embora esses computadores já ofereçam funções e recursos impulsionados por IA, a experiência de uso continua bastante semelhante à de notebooks convencionais para a maior parte das atividades do dia a dia.
Esse cenário levanta uma pergunta: se o hardware evoluiu tanto, por que a inteligência artificial ainda não mudou a forma como usamos os computadores?
Na avaliação da Intel, a resposta está menos nos chips e mais nos programas. Carlos Buarque, diretor de marketing da Intel Brasil, afirmou em conversa com o Olhar Digital que a indústria vive um momento em que o hardware avançou mais rápido do que o ecossistema de softwares capaz de explorar esses novos recursos.
Para a empresa, a popularização dos PCs com IA depende justamente da evolução dessas aplicações — movimento que, segundo a Intel, passa também por levar esse tipo de hardware a notebooks de categorias mais acessíveis, estratégia que ganhou um novo capítulo com o lançamento da linha Intel Core Series 3.
O que falta para os PCs com IA decolarem?
Na visão da Intel, a principal barreira para a popularização dos PCs com IA já não está no hardware. Para a empresa, os computadores necessários para essa nova fase já começaram a chegar ao mercado, mas o desenvolvimento de aplicações capazes de explorar esses recursos ainda acontece em um ritmo mais lento.
Os chamados PCs com IA são computadores projetados para executar tarefas de inteligência artificial de forma mais eficiente. Para isso, combinam três motores de processamento: a CPU, responsável pelas tarefas gerais; a GPU, voltada para cargas paralelas, como gráficos; e a NPU (unidade de processamento neural), dedicada a acelerar operações de IA com maior eficiência energética.
Na avaliação de Carlos Buarque, o desafio é que esse hardware ainda não encontrou um ecossistema de softwares suficientemente amplo para justificar, para a maioria dos consumidores, a troca de computador.
Você tem uma questão do ovo e da galinha. O desenvolvedor fala: ‘Vou desenvolver para quem?’. E o consumidor pergunta: ‘Por que eu vou comprar um computador novo se não tem nenhuma aplicação que use isso?’.
Carlos Buarque, diretor de marketing da Intel Brasil
A NPU (unidade de processamento neural) é um dos componentes que diferenciam os chamados PCs com IA, sendo responsável por acelerar tarefas de inteligência artificial com maior eficiência energética – Imagem: taylor-nero / Shutterstock
Na avaliação de Buarque, esse cenário deve começar a mudar conforme os PCs com IA deixarem de ser uma categoria restrita aos modelos mais caros e passarem a alcançar um público maior. Segundo ele, esse movimento tende a incentivar desenvolvedores a criar aplicações voltadas para esse tipo de hardware, ampliando também o interesse dos consumidores.
Por que a IA ainda não convenceu o consumidor?
Para Carlos Buarque, a chegada de novas tecnologias costuma seguir um caminho parecido em diferentes setores. O executivo compara a evolução dos PCs com IA ao mercado automotivo, em que inovações desenvolvidas para categorias de alto desempenho, como a Fórmula 1, chegam primeiro aos veículos mais caros antes de, anos depois, serem incorporadas a modelos mais acessíveis.
Segundo ele, esse movimento também explica por que os recursos de inteligência artificial apareceram inicialmente em notebooks premium. Agora, afirma, a tendência é que esse hardware seja gradualmente incorporado a outras faixas de preço, ampliando a base de usuários e criando um ambiente mais atrativo para desenvolvedores de software.
Esse processo, porém, não significa que os consumidores passarão a trocar de computador apenas porque os novos modelos contam com uma NPU ou prometem maior capacidade de processamento para IA. Na avaliação de Buarque, a decisão continuará sendo motivada pelas aplicações que conseguirem demonstrar uma vantagem concreta no dia a dia.
Segundo Buarque, alguns exemplos dessa mudança já começam a aparecer. Em chamadas de vídeo, recursos como remoção de ruído, desfoque de fundo e enquadramento automático podem ser executados diretamente pelo computador. Em softwares de edição, ferramentas de preenchimento generativo e remoção de objetos tendem a se beneficiar da execução local de modelos de IA. Já nos jogos, a expectativa é que personagens controlados pelo computador (NPCs) passem a utilizar modelos de inteligência artificial para tornar as interações mais naturais.
O gamer vai querer comprar um AI PC na hora que tiver um jogo que tire melhor proveito disso. Quem trabalha com produção de conteúdo, se o software que ele usa utilizar melhor os recursos do AI PC para editar um vídeo ou uma imagem, também vai ter incentivo para que o próximo computador seja um AI PC.
Carlos Buarque, diretor de marketing da Intel Brasil
A estratégia da Intel para ampliar essa base de usuários inclui a nova linha Intel Core Series 3, primeira da família Intel Core — fora da linha Core Ultra — a combinar CPU, GPU e NPU em uma mesma plataforma. Segundo a empresa, a expectativa é que a chegada desse tipo de hardware a notebooks de categorias mais acessíveis estimule o desenvolvimento de novas aplicações.
A linha Intel Core Series 3 leva CPU, GPU e NPU para uma faixa mais ampla de notebooks. Segundo a Intel, a estratégia é ampliar o acesso aos chamados PCs com IA – Imagem: Intel/Divulgação
IA local e nuvem devem coexistir
A popularização dos PCs com IA também não significa, na visão da Intel, que os modelos executados localmente substituirão os serviços baseados em nuvem. Para Carlos Buarque, o futuro da inteligência artificial passa pela combinação das duas abordagens, com cada uma sendo mais adequada para determinados tipos de aplicação.
Segundo o diretor de marketing da Intel Brasil, serviços como chatbots e assistentes conversacionais devem continuar dependendo da nuvem. Já tarefas que envolvem dados sensíveis, exigem menor latência ou precisam responder em tempo real podem ser executadas diretamente no computador. Entre os exemplos citados por ele estão a análise de documentos financeiros, informações médicas e aplicações industriais, como sistemas de visão computacional para controle de qualidade em fábricas.
“A gente acredita que todas as aplicações de IA vão ser aplicações híbridas”, explica ele. “Tem diferentes tipos de aplicações que fazem muito sentido rodar localmente e tem outras que o sentido, eu diria, é híbrido. Vai ter uma parte que você vai rodar localmente e outra que você vai rodar fora por questão de desempenho.”
Na prática, segundo Buarque, caberá aos desenvolvedores decidir onde cada etapa do processamento faz mais sentido. Fatores como desempenho, custo, privacidade e consumo de recursos tendem a determinar quais tarefas serão executadas no próprio dispositivo e quais continuarão dependendo da nuvem.
Chatbots devem continuar sendo executados principalmente na nuvem, enquanto tarefas que exigem respostas rápidas ou envolvem informações sensíveis podem migrar para o processamento local – Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock
O que ainda falta para os PCs com IA se tornarem o padrão?
Na avaliação de Carlos Buarque, a popularização dos PCs com IA depende de uma combinação de fatores. Além do amadurecimento do ecossistema de software, o executivo cita desafios relacionados ao custo dos equipamentos e à disponibilidade de componentes, que ainda influenciam o ritmo de chegada dessa tecnologia ao mercado.
Segundo ele, a crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial também aumentou a procura por memória e outros componentes utilizados na fabricação de computadores. Esse cenário, afirma, contribui para manter os preços elevados e dificulta que recursos mais avançados cheguem rapidamente aos modelos de entrada.
Apesar disso, Buarque avalia que a tendência é de ampliação gradual da oferta de PCs com IA nos próximos anos, à medida que a tecnologia amadureça e passe a equipar notebooks de diferentes faixas de preço. Na visão da Intel, esse movimento será acompanhado pelo surgimento de novas aplicações capazes de convencer o consumidor de que vale a pena trocar de computador.
No Brasil, essa transição também deve ocorrer de forma gradual. O executivo destaca que o país é hoje o quarto maior mercado consumidor de PCs da Intel, mas explica que os lançamentos costumam desembarcar alguns meses depois de mercados como Estados Unidos e Europa, em parte devido ao processo de fabricação local dos equipamentos.
A inteligência artificial pode ajudar países em desenvolvimento a alcançar em uma década avanços equivalentes a um século de progresso, segundo um relatório divulgado pelo Banco Mundial.
O estudo indica que essas nações podem aproveitar mais oportunidades do que enfrentar ameaças com a tecnologia, desde que avancem em áreas como energia, internet e capacitação digital.
Com IA, agricultores podem tomar decisões melhores sobre plantio e aproveitar mais recursos do campo. – Imagem: Scharfsinn/Shutterstock
IA pode ampliar acesso a serviços essenciais
Segundo o relatório do Banco Mundial, a inteligência artificial pode ajudar milhões de pessoas ao facilitar o acesso a serviços como saúde, educação, agricultura e atendimento público.
A adoção da tecnologia não depende necessariamente de grandes modelos de IA ou investimentos bilionários. Para o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, ferramentas menores e adaptadas às necessidades locais já podem gerar resultados relevantes.
“IA lançou uma tábua de salvação para as economias em desenvolvimento, e elas deveriam aproveitá-la”, afirmou Gill em nota.
Entre as aplicações citadas pelo estudo estão:
acelerar diagnósticos realizados por profissionais de saúde;
ajudar professores a melhorar planos de aula;
orientar agricultores sobre plantio e períodos adequados;
ampliar o acesso a serviços judiciais e administrativos.
Ao mesmo tempo, governos e empresas enfrentam um desafio básico: criar a estrutura necessária para sustentar essa transformação. O avanço depende de eletricidade confiável, conexão à internet e maior acesso a dispositivos digitais.
IA ameaça menos empregos em países emergentes
Embora a substituição de trabalhadores seja uma das principais preocupações em torno da inteligência artificial, o relatório aponta que as economias emergentes podem sofrer menos impactos do que os países ricos.
A pesquisa indica que 4,5% dos empregos em países de baixa e média renda estão expostos aos riscos da IA generativa. Nas economias mais desenvolvidas, esse índice chega a 14,2%.
Por outro lado, a possibilidade de aumento de produtividade é semelhante nos dois grupos: 16,2% dos empregos em países em desenvolvimento e 18,7% em nações de alta renda podem obter ganhos relevantes com a tecnologia.
Nem só de grandes modelos vive a IA: soluções menores podem resolver problemas locais em países emergentes. – Imagem: ImageFlow / Shutterstock
Falta de preparo pode ampliar desigualdades
O Banco Mundial alerta que a inteligência artificial também pode gerar problemas se for adotada sem planejamento, incluindo aumento da desigualdade, disseminação de informações falsas e uso da tecnologia para repressão política.
Para a instituição, deixar essa transformação passar pode ter um custo elevado. Gill comparou o momento atual ao impacto da Revolução Industrial e afirmou que países que perderam aquela oportunidade passaram séculos lidando com as consequências.
Hoje, as economias em desenvolvimento perderam a primeira Revolução Industrial e passaram os dois séculos seguintes pagando o preço. Elas não podem se dar ao luxo de perder esta.
Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, em nota.
O relatório conclui que a IA pode se tornar uma aliada do crescimento econômico, mas o impacto dependerá de como cada país prepara sua infraestrutura e suas pessoas para utilizar a tecnologia.
A OpenAI iniciou nesta terça-feira (4) um período de testes para exibição de anúncios no ChatGPT no Brasil, segundo a empresa comunicou por e-mail à redação do Olhar Digital. A iniciativa permite que marcas apresentem conteúdos patrocinados dentro da plataforma, sem alterar as respostas produzidas pela inteligência artificial.
O projeto será aplicado inicialmente aos usuários com mais de 18 anos dos planos Free e Go. Assinaturas Plus, Pro, Business, Enterprise e Education continuarão sem publicidade durante essa fase.
A empresa afirma que o Brasil foi escolhido por sua relevância no uso da ferramenta e pelo potencial do mercado publicitário nacional, em uma etapa que busca avaliar novos formatos de comunicação baseados em contexto e intenção de consumo.
Como funcionará a publicidade dentro do ChatGPT
Usando IA pelo celular (Imagem: AntonioGuillem / iStock)
Os anúncios aparecerão identificados como conteúdo patrocinado e terão separação visual em relação às respostas geradas pelo ChatGPT. De acordo com a OpenAI, o funcionamento das respostas permanecerá independente dos anúncios exibidos aos usuários.
A companhia também informou que dados pessoais, histórico de conversas e memórias dos usuários não serão repassados às empresas anunciantes. As marcas terão acesso apenas a informações gerais relacionadas ao desempenho das campanhas, como quantidade de visualizações e cliques.
Os usuários poderão ajustar as preferências relacionadas à personalização dos anúncios dentro das configurações do ChatGPT. A implementação ocorrerá de forma gradual, com possibilidade de mudanças a partir dos resultados observados durante o período de testes.
Brasil entra em expansão internacional do ChatGPT Ads
(Imagem: Mijansk786/Shutterstock)
A chegada do piloto ao país faz parte de uma ampliação internacional iniciada anteriormente nos Estados Unidos e posteriormente levada a outros mercados, como Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul. O México também integra essa nova etapa de expansão.
Segundo a OpenAI, o Brasil está entre os três maiores mercados do ChatGPT em número de usuários ativos semanais. A empresa considera o país estratégico por reunir uma base ampla de usuários e um setor de publicidade reconhecido pela criatividade e pela adoção de novas tecnologias.
A fase inicial já envolve empresas e grupos do mercado publicitário brasileiro, incluindo BETC Havas, Monks, Omnicom, Publicis e WPP. A participação desses parceiros faz parte da avaliação dos novos formatos de anúncios na plataforma.
Plataforma própria para anunciantes será disponibilizada
Além da compra de mídia por meio de agências e parceiros, a OpenAI informou que anunciantes poderão utilizar uma plataforma própria para criar, administrar, acompanhar e otimizar campanhas dentro do ChatGPT.
A ferramenta permitirá controlar investimentos, analisar relatórios, acompanhar indicadores e administrar processos de faturamento e colaboração. A proposta é oferecer acesso ao novo canal publicitário para empresas de diferentes tamanhos.
Representantes de agências envolvidas no projeto avaliam que a publicidade em ambientes de inteligência artificial pode mudar a relação entre marcas e consumidores, aproximando anúncios de momentos em que as pessoas buscam informações e tomam decisões.
Para Dave Dugan, responsável pela área global de soluções de anúncios da OpenAI, o mercado brasileiro terá papel relevante no desenvolvimento dessa nova experiência publicitária, segundo declaração divulgada pela empresa.
A indústria chinesa de inteligência artificial ganhou novo impulso nas últimas semanas com uma sequência de lançamentos que reduziu a distância em relação aos principais desenvolvedores norte-americanos. Alibaba, Moonshot AI, DeepSeek, Z.ai e ByteDance passaram a disputar espaço no grupo de modelos considerados mais avançados.
O movimento começou já neste ano, com empresas chinesas apresentando sistemas voltados a tarefas complexas, programação, raciocínio e geração de vídeos. A estratégia combinou avanços técnicos com preços inferiores aos praticados por concorrentes dos Estados Unidos.
A expansão desses modelos aumentou a pressão sobre empresas como OpenAI e Anthropic, que passaram a enfrentar um cenário no qual desempenho elevado e eficiência de custos se tornaram fatores decisivos para conquistar usuários e desenvolvedores em escala global.
A nova fase da disputa por eficiência em IA
EUA e China lutando pela influência mundial em inteligência artificial – Imagem: CHIEW/Shutterstock
A recente onda chinesa marca uma mudança em relação aos primeiros impactos provocados pelo avanço da DeepSeek. Antes visto como um caso isolado, o progresso do setor passou a ser interpretado como resultado de um ambiente capaz de produzir sucessivos modelos competitivos em curto espaço de tempo.
Entre os lançamentos citados estão o Qwen3.8-Max, da Alibaba, apresentado como o modelo mais avançado da empresa; o Kimi K3, da Moonshot AI; o V4 Flash, da DeepSeek; o GLM-5.2, da Z.ai; e novas versões da ferramenta Seedance, da ByteDance, voltada à criação de vídeos por inteligência artificial.
O ponto central da disputa deixou de ser apenas quem desenvolve o sistema mais poderoso. A redução de custos passou a ocupar posição estratégica. Dados de avaliação independente mencionados no material apontam que determinadas tarefas executadas pelo DeepSeek V4 Flash poderiam custar centavos, enquanto alternativas americanas avaliadas no mesmo cenário chegariam a valores muito superiores.
Data center de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
Esse cenário criou uma pressão sobre empresas intermediárias do mercado. Companhias que não conseguem entregar mais capacidade pelo mesmo preço ou oferecer custos menores podem perder espaço, já que usuários passam a comparar diretamente desempenho e valor.
A competição também alterou a forma como algumas empresas utilizam diferentes modelos. De acordo com Dermot McGrath, fundador da consultoria ZenGen Labs, alguns profissionais passaram a combinar ferramentas americanas e chinesas: modelos dos Estados Unidos para planejamento e sistemas chineses para execução de tarefas específicas.
O avanço chinês ainda envolve uma disputa tecnológica e política. Washington demonstrou preocupação com questões relacionadas à propriedade intelectual e ao impacto desses avanços sobre sua liderança no setor, ao mesmo tempo em que debate medidas de controle sem comprometer sua posição competitiva.
Outro elemento apontado no crescimento chinês é a disposição das empresas de aceitar retornos financeiros menores no curto prazo para conquistar usuários, desenvolvedores e relevância internacional. Essa estratégia contribuiu para uma forte disputa de preços dentro do próprio mercado chinês.
Além dos modelos de linguagem, a área de geração de vídeos se tornou outro exemplo dessa expansão. A ByteDance ampliou investimentos no Seedance, enquanto a Kuaishou avançou com sua ferramenta Kling AI, que recebeu apoio financeiro de Alibaba e Tencent em uma rodada de US$ 2,8 bilhões.
No centro dessa corrida está uma disputa por liderança tecnológica. Enquanto laboratórios americanos mantêm planos de grandes valorizações de mercado baseadas em modelos de negócios de alta margem, a concorrência chinesa coloca em debate até que ponto esses preços poderão permanecer elevados diante de alternativas mais baratas.
O governo do presidente Donald Trump elabora uma medida para impedir a entrada nos Estados Unidos de novos modelos de componentes chineses utilizados em data centers. A proposta, conduzida pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), pretende reforçar a proteção da infraestrutura que sustenta o desenvolvimento e a operação de sistemas de inteligência artificial.
A iniciativa foi revelada exclusivamente pela Reuters nesta terça-feira (4) e, caso avance, poderá ser publicada ainda em 2026. O plano prevê restrições à importação de transceptores ópticos produzidos por empresas chinesas, dispositivos responsáveis pela transmissão de dados por cabos de fibra óptica em alta velocidade dentro dos centros de processamento.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a intenção é reduzir riscos relacionados à segurança nacional, evitando que equipamentos considerados sensíveis sejam incorporados à cadeia tecnológica dos Estados Unidos antes que se tornem parte essencial da infraestrutura do país.
Medida mira transceptores ópticos utilizados em centros de processamento
Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
A proposta em análise pela FCC concentra-se nos transceptores ópticos, componentes responsáveis por transportar informações por meio de cabos de fibra óptica dentro dos data centers. Esses equipamentos desempenham papel essencial na comunicação entre servidores e na operação das estruturas utilizadas para treinar e executar modelos de inteligência artificial.
Conforme as fontes ouvidas pela Reuters, o governo avalia que esses dispositivos podem representar vulnerabilidades capazes de facilitar o roubo de dados, a instalação de programas maliciosos ou até interrupções em serviços considerados estratégicos.
A reportagem ressalta, contudo, que a restrição ainda não foi oficialmente aprovada. Pessoas próximas às discussões afirmaram que a proposta permanece em elaboração e poderá ser modificada ou até descartada antes de sua publicação.
Para Divyansh Kaushik, especialista em políticas de inteligência artificial da consultoria Beacon Global Strategies, a proteção da cadeia de suprimentos precisa acompanhar a expansão dos data centers. “Os transceptores definitivamente representam um risco. À medida que a expansão dos data centers ganha escala, é preciso garantir desde o início que a cadeia de suprimentos seja segura“, afirmou o especialista à Reuters.
Paralelo com o caso Huawei
Huawei – Imagem: THINK A / Shutterstock
A preocupação das autoridades americanas é evitar que se repita uma situação semelhante à enfrentada com equipamentos da Huawei. Integrantes do governo entendem que a presença ampla de produtos da empresa na infraestrutura de telecomunicações tornou o processo de substituição lento, caro e incompleto após a aplicação de sanções pelos Estados Unidos.
Embora a FCC tenha atuação historicamente independente, a Reuters lembra que uma decisão da Suprema Corte Americana, tomada em junho, fortaleceu os poderes do presidente Donald Trump sobre determinados órgãos reguladores ao validar a demissão de uma integrante democrata da Comissão Federal de Comércio.
Empresas podem sentir impactos
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)
Caso a medida seja implementada, uma das companhias potencialmente mais afetadas será a chinesa Zhongji Innolight, apontada como uma das maiores fornecedoras mundiais de transceptores ópticos. A empresa foi incluída, em junho, na lista do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que reúne organizações acusadas de manter vínculos com o setor militar chinês.
Segundo dados citados pela Reuters, a Innolight detém cerca de 27% do mercado global desses equipamentos para data centers e obtém aproximadamente 90% de sua receita fora da China.
Por outro lado, fabricantes americanos como Coherent e Lumentum aparecem entre as empresas que poderiam ser beneficiadas pela mudança regulatória. Ainda assim, um relatório da Foundation for American Innovation indica que essas companhias ainda não possuem capacidade suficiente para substituir integralmente os fornecedores chineses.
A Reuters também destaca que empresas de computação em nuvem, como a Amazon Web Services (AWS), podem enfrentar aumento de custos caso precisem migrar para outros fabricantes.
Restrições seguem estratégia mais ampla
A possível proibição faz parte de uma série de ações adotadas recentemente pela FCC contra equipamentos chineses considerados sensíveis. A agência já anunciou restrições envolvendo drones, roteadores, robôs e inversores, utilizando a chamada “Covered List”, criada pelo Congresso americano para impedir a comercialização futura de produtos classificados como ameaça à segurança nacional.
A reportagem lembra ainda que o Departamento de Comércio chegou a interromper, após uma trégua comercial firmada no ano passado, um conjunto de medidas que também atingiria equipamentos chineses para data centers. Diante desse cenário, a FCC assumiu protagonismo na condução de novas restrições voltadas ao setor.
Em resposta, a Embaixada da China em Washington afirmou que os Estados Unidos deveriam considerar as manifestações da comunidade empresarial dos dois países e deixar de atacar empresas chinesas com acusações e sanções. A representação diplomática acrescentou que Pequim adotará as medidas que considerar necessárias caso seus interesses sofram prejuízos materiais.
Alex Karp, CEO da Palantir, voltou a alertar, nesta segunda-feira (3), que os laboratórios de inteligência artificial (IA) de fronteira não são confiáveis para empresas. O recado veio na carta trimestral aos acionistas, publicada após um segundo trimestre com resultados recordes para a companhia.
A Palantir registrou US$ 1,9 bilhão (R$ 9,7 bilhões) em receita no segundo trimestre de 2026, alta de 93% em relação ao mesmo período do ano anterior, e US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em lucro. Na carta, Karp escreveu que a empresa gerou “mais lucro em um único trimestre do que toda a receita que tivemos no mesmo período do ano anterior”.
A acusação de “marxismo”
Na mesma carta, Karp — que tem doutorado em teoria social — usou linguagem filosófica para criticar os desenvolvedores de grandes modelos de linguagem;
“Há tons e subtons marxistas no nosso negócio”, escreveu. “Outros, incluindo muitos dos que constroem grandes modelos de linguagem, pretendem, consciente ou inconscientemente, capturar os meios de produção de seus supostos parceiros.”
Durante a conferência com analistas de Wall Street, ele desenvolveu o argumento. Karp questionou se as empresas vão “comprar um futuro” em que seu trabalho ajuda seus “adversários a vencer, e todos que vencem são um pequeno grupo de pessoas vivendo em um lugar minúsculo que, de alguma forma, acredita que, porque come vegetais e não apoia combatentes, merece ter o total dos meios de produção deste país”;
Ainda na chamada, ele descreveu o modelo de negócio dos laboratórios de IA com linguagem explícita: “Você está pagando pelo direito de eles migrarem sua propriedade intelectual, seu know-how, sua expertise para o modelo deles, para que possam construir um negócio competitivo que não precisa do seu negócio ou das suas pessoas.” Karp acrescentou que, na visão dele, isso é feito “por razões que eles acreditam serem morais. Eles são superiores a você. Eles merecem colonizar sua empresa.”
Palantir registrou R$ 9,7 bilhões em receita no segundo trimestre de 2026, alta de 93% em relação ao mesmo período do ano anterior, e R$ 5,6 bilhões em lucro – Imagem: Hiroshi-Mori-Stock/Shutterstock
O modelo da Palantir
A Palantir oferece software de IA e análise descrito como agnóstico em relação a modelos para governos e empresas. A plataforma permite que as organizações controlem seus dados e também o que Karp chamou de “exaustão de IA” — os prompts, a orquestração e o contexto gerados pelo uso de IA.
A crítica de Karp ecoa um argumento que tem sido levantado por outros executivos, entre eles o CEO da Microsoft, Satya Nadella. O pano de fundo da discussão inclui uma lista de empresas que firmaram parcerias ou pagaram por serviços da Anthropic e da OpenAI enquanto esses laboratórios lançavam negócios próprios em áreas, como ferramentas de design, saúde, jurídico e descoberta de medicamentos.
A liderança sênior da Palantir é inteiramente masculina, e Karp recorreu, na conferência com analistas, a um jargão descrito como comum entre empresas de tecnologia de defesa.
O Google anunciou uma nova integração entre o assistente de inteligência artificial (IA)Gemini Spark e o navegador Chrome, permitindo que a IA realize tarefas diretamente na web utilizando contas nas quais o usuário já esteja conectado.
Segundo a empresa, o recurso permite que o assistente utilize logins ativos e senhas salvas no navegador para executar tarefas consideradas repetitivas, como pesquisar opções de voos e iniciar o processo de reserva. A novidade começa a ser distribuída nos Estados Unidos e deverá chegar a outros países futuramente.
IA pode agir diretamente no navegador
Com a integração ao Chrome, o Gemini Spark passa a interagir diretamente com sites acessados pelo usuário;
O Google afirma que a IA poderá usar as credenciais já armazenadas no navegador para realizar determinadas ações sem exigir que o usuário faça login novamente durante o processo;
Entre os exemplos divulgados pela empresa estão a pesquisa de passagens aéreas, o início de reservas de voos e o agendamento de visitas a apartamentos;
Até o momento, o Google não detalhou outras tarefas que poderão ser executadas pelo assistente.
Google promete proteção contra ataques
Como o Gemini Spark terá acesso a contas conectadas e senhas armazenadas no Chrome, o Google destacou que implementou mecanismos de segurança para evitar abusos.
Segundo a empresa, a plataforma foi projetada para resistir a ataques conhecidos como prompt injection, nos quais comandos ocultos em sites maliciosos ou conteúdos gerados por usuários tentam induzir a inteligência artificial a executar ações indesejadas.
Esses ataques poderiam, por exemplo, levar a IA a iniciar transações financeiras ou expor informações sensíveis do usuário. O Google, porém, não revelou detalhes técnicos sobre essas proteções.
A companhia informou apenas que está adotando uma estratégia de defesa em múltiplas camadas, combinando mecanismos determinísticos e probabilísticos para tornar esse tipo de ataque mais difícil e custoso.
Mesmo com acesso ao navegador, o Gemini Spark não poderá concluir pagamentos de forma autônoma. Segundo o Google, sempre que uma compra precisar ser finalizada, a tarefa será devolvida ao usuário para revisão e confirmação antes da conclusão da transação.
O novo recurso começou a ser liberado nos Estados Unidos. Além disso, o Google ampliou a disponibilidade do Gemini Spark para assinantes do plano Google AI Pro em mais de 160 países. O assistente também oferece integração com os aplicativos do Google Workspace.
A Casa Branca realizará, nesta terça-feira (4), uma reunião com representantes de OpenAI, Google, Meta e Anthropic para discutir a criação de testes voluntários de segurança destinados a avaliar a capacidade dos modelos de inteligência artificial (IA) mais avançados dos Estados Unidos de realizar ataques cibernéticos.
A iniciativa ocorre após recentes revelações de que sistemas de IA desenvolvidos por OpenAI e Anthropic conseguiram invadir ambientes digitais durante testes controlados, aumentando a preocupação de autoridades estadunidenses sobre o potencial uso dessas tecnologias em ataques hackers.
Governo prepara testes de cibersegurança
Um integrante da Casa Branca disse à Reuters que o governo do presidente Donald Trump concluiu os detalhes de um conjunto de testes voluntários que medirão as capacidades ofensivas dos modelos mais avançados de IA desenvolvidos nos EUA. A expectativa é que os critérios sejam apresentados e discutidos com as empresas durante o encontro.
Até o momento, a Casa Branca não divulgou como os testes serão conduzidos, quais métricas serão utilizadas, como os resultados serão reportados, nem se essas informações serão tornadas públicas.
Empresas confirmam participação
De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, OpenAI, Google, Meta e Anthropic foram convidadas para participar das discussões.
A Meta confirmou que recebeu o convite, enquanto uma fonte próxima ao encontro afirmou que a Anthropic também participará. O Google preferiu não comentar o assunto, e a OpenAI não respondeu aos pedidos de posicionamento da Reuters.
Na semana passada, o CEO da OpenAI, Sam Altman, esteve na Casa Branca para discutir tanto os testes voluntários quanto os próximos lançamentos da empresa.
Nesta segunda-feira (3), a OpenAI afirmou ainda que defende que especialistas em segurança de IA do Departamento de Comércio dos EUA desempenhem papel central na condução das avaliações. A empresa também destacou que a China adota uma estratégia mais centralizada para o desenvolvimento e supervisão da IA.
OpenAI e Anthropic revelaram que suas IAs saíram do controle e invadiram sistemas – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock
A discussão sobre segurança ganhou impulso após duas divulgações feitas pelas próprias empresas. Na semana passada, a Anthropic informou que alguns de seus modelos conseguiram invadir os sistemas de três empresas durante avaliações de cibersegurança.
Pouco antes, a OpenAI revelou que um de seus agentes de IA escapou de um ambiente de testes e conseguiu acessar sistemas da plataforma Hugging Face durante experimentos internos.
Esses episódios aumentaram a preocupação de parlamentares estadunidenses quanto ao potencial uso de modelos de IA para facilitar ataques cibernéticos.
Procuradores investigam OpenAI
Também nesta segunda, um grupo formado por 15 procuradores-gerais republicanos pediu que a OpenAI preserve todos os documentos relacionados ao episódio envolvendo o agente de IA que teria escapado do ambiente de testes.
Segundo os procuradores, a empresa pode ter violado leis estaduais de proteção ao consumidor. O pedido cita uma reportagem da Reuters, segundo a qual, em um dos testes, o agente deixou instruções para que versões futuras conseguissem escapar das barreiras de segurança internas.
Relação conturbada entre governo e Anthropic
O governo Trump também mantém uma relação delicada com a Anthropic. No início deste ano, a empresa se recusou a permitir que as Forças Armadas dos Estados Unidos utilizassem seus modelos de IA para vigilância doméstica e sistemas de armas totalmente autônomos. Como resposta, o governo incluiu a companhia em uma lista nacional de restrições de segurança.
A elaboração dos novos testes de cibersegurança foi determinada por Donald Trump em junho, quando o presidente orientou sua equipe a desenvolver mecanismos para avaliar a capacidade ofensiva dos sistemas de IA mais avançados do país.
Pesquisadores da UNIASSELVI desenvolveram um estudo que usa inteligência artificial e automação para reunir informações climáticas e analisar possíveis impactos de um Super El Niño no Brasil.
A pesquisa aponta 97% de chance de o fenômeno continuar ativo até 2027 e 81% de possibilidade de atingir intensidade muito forte, com efeitos que podem variar conforme a região do país.
Norte e Nordeste podem enfrentar períodos secos, enquanto o Sul pode ter mais chuvas e risco de enchentes. – Imagem: BrianAJackson/iStock
IA reúne informações para analisar riscos climáticos
O estudo utiliza inteligência artificial para cruzar dados de diferentes instituições meteorológicas e reunir, em uma única análise, projeções sobre o comportamento do El Niño.
O trabalho foi desenvolvido por Fábio Henrique Moisés e Matheus Fernando Cunha, acadêmicos de Engenharia de Software da UNIASSELVI, sob orientação do professor Pedro Sidnei Zanchett. A pesquisa também está relacionada à tese de doutorado RADIAN, de Zanchett, que investiga sistemas de apoio à decisão para gestão de desastres naturais usando IA generativa, computação em nuvem e automação.
Apesar do uso de tecnologia avançada, o estudo não cria uma previsão climática própria por inteligência artificial. A ferramenta organiza e compara projeções produzidas por centros meteorológicos nacionais e internacionais.
A inovação da pesquisa está em integrar inteligência artificial, automação e conhecimento científico para apoiar decisões em situações de risco. As mudanças climáticas exigem uma nova forma de interpretar dados.
Pedro Sidnei Zanchett, professor da UNIASSELVI e orientador do estudo, em nota.
Dados de grandes instituições ajudam no diagnóstico
Para elaborar a análise, os pesquisadores reuniram informações de órgãos como NOAA, NASA, INPE, INMET, CEMADEN e IRI. O objetivo foi comparar diferentes modelos climáticos e identificar padrões semelhantes entre as projeções.
Segundo Moisés, a tecnologia ajuda a transformar informações já disponíveis em análises mais organizadas.
“A inteligência artificial permite consolidar milhares de informações produzidas por diferentes instituições e transformá-las em análises capazes de apoiar decisões mais rápidas e fundamentadas. O desafio não é produzir mais dados, mas conectar o conhecimento que já existe”, afirma o pesquisador.
Entre os principais pontos analisados pelo estudo estão:
possibilidade de um El Niño muito forte até 2027;
integração de dados de órgãos climáticos brasileiros e internacionais;
uso de IA e automação para organizar informações;
apoio ao planejamento diante de possíveis eventos extremos.
O termo Super El Niño não é uma classificação técnica oficial, mas costuma ser usado para indicar episódios de grande intensidade do fenômeno, causado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial.
Agricultura também pode sentir os efeitos do clima extremo, com impactos em culturas como soja (foto), milho e café.
Impactos podem mudar conforme a região brasileira
Os efeitos esperados não devem ser iguais em todo o país. Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos, enquanto Centro-Oeste e parte do Sudeste podem registrar ondas de calor e redução das chuvas. Já a Região Sul aparece como área com maior possibilidade de chuvas intensas e enchentes.
Na agricultura, a pesquisa aponta possíveis impactos em culturas como arroz, trigo, soja, milho e café. A combinação de calor e mudanças no regime de chuvas também pode aumentar o estresse térmico dos rebanhos.
O estudo ainda destaca riscos relacionados ao avanço das queimadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal, além da piora na qualidade do ar e do aumento de problemas respiratórios e cardiovasculares associados às ondas de calor.
Cunha ressalta que a pesquisa não substitui o trabalho dos centros meteorológicos.
“O consenso entre os principais modelos climáticos internacionais é um sinal importante de que o país deve se preparar. Nossa pesquisa organiza essas evidências e demonstra como tecnologias inteligentes podem contribuir para aumentar a capacidade de resposta diante de eventos extremos.”
Mesmo com os avanços, a inteligência artificial continua sendo uma ferramenta de apoio. Os resultados dependem da qualidade dos dados analisados e podem mudar conforme o comportamento do clima evolui.
A pesquisa mostra como a tecnologia pode ajudar especialistas a organizar informações e antecipar possíveis riscos, sem substituir a análise científica tradicional.