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SpaceX compra mais baterias da Tesla para alimentar expansão da IA

A SpaceX ampliou as compras de sistemas de armazenamento de energia da Tesla no segundo trimestre de 2026, segundo documentos financeiros divulgados pela empresa.

No período encerrado em 30 de junho, a companhia desembolsou US$ 295 milhões (R$ 1,5 bilhão) em Megapacks — baterias de grande escala que a SpaceXAI tem instalado para ajudar a abastecer seus data centers Colossus na região da Grande Memphis (EUA).

Com esse valor, o total gasto pela SpaceX em Megapacks da Tesla nos dois primeiros trimestres de 2026 chega a US$ 329 milhões (R$ 1,7 bilhão). Em 2025, quando ainda não era uma empresa de capital aberto, a SpaceX havia adquirido US$ 506 milhões (R$ 2,6 bilhões) em produtos Megapack da fabricante.

O que são os megapacks da Tesla?

  • Megapacks são sistemas de armazenamento de energia voltados para uso empresarial e em escala de utilidade pública;
  • A Tesla também fabrica os Megablocks, que reúnem quatro Megapacks em torno de um transformador;
  • Os sistemas utilizam células de lítio-íon ou outras tecnologias de bateria e permitem armazenar energia de diferentes fontes — incluindo combustíveis fósseis, renováveis e fontes intermitentes como solar e eólica — para evitar apagões em data centers e redes de distribuição;
  • A Tesla não é a única fabricante desse tipo de sistema: entre os principais concorrentes, segundo pesquisa da Wood Mackenzie, estão as chinesas Sungrow, BYD e CATL, a sul-coreana LG e a estadunidense Fluence.

Além dos Megapacks, as instalações Colossus e Colossus 2 da SpaceXAI na Grande Memphis também operam dezenas de turbinas a gás natural para geração de energia.

As emissões e o ruído das turbinas provocaram protestos de moradores da região, que relatam cheiro, problemas de saúde, barulho e poluição do ar — episódios que contribuíram para um movimento nacional de resistência a empreendimentos de data centers.

A Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês) entrou com ação judicial contra a SpaceXAI — anteriormente conhecida como xAI — em tribunal federal no Mississippi (EUA) para tentar impedir a empresa de continuar operando as turbinas sem controles de poluição ou licenças federais.

SpaceX gastou quase R$ 700 milhões em Cybertrucks compradas da Tesla em 2025 – (Imagem: wedmoments.stock/Shutterstock

Na chamada de resultados do segundo trimestre, Elon Musk afirmou que a SpaceX planeja expandir rapidamente sua infraestrutura de IA e suas usinas de energia. “Nossa meta provisória é ter 20 gigawatts de energia e resfriamento ativos até o final do próximo ano”, disse ele.

Musk reconheceu que alguns projetos “não vão sair exatamente no prazo”, mas estimou que, “ao nível da usina, algo próximo a 15 gigawatts” ainda seria alcançado.

SpaceX e Tesla têm histórico de transações entre partes relacionadas, compartilhamento de recursos e de pessoal.

Em 2025, além dos US$ 506 milhões em Megapacks, a SpaceX comprou US$ 131 milhões (R$ 673,4 milhões) em veículos Cybertruck, declarando que as aquisições foram feitas pelo preço sugerido pelo fabricante, sem descontos.

As compras ocorreram em momento no qual o interesse dos consumidores pelas picapes havia arrefecido e após uma série de recalls de segurança. No primeiro semestre de 2026, a SpaceX não divulgou novas aquisições de Cybertrucks.

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Tesla limita uso de IA e favorece ferramentas da xAI

A Tesla definiu um teto interno de US$ 200 por semana para uso de ferramentas de inteligência artificial por funcionários, segundo o Electrek. A regra começa em 6 de julho e não inclui produtos da xAI, ligada a Elon Musk.

A mudança ocorre depois de um período em que a empresa incentivava o uso intenso dessas ferramentas no dia a dia.

Tesla tenta equilibrar inovação e controle de custos ao impor teto semanal para ferramentas de inteligência artificial. – Imagem: DiPres/Shutterstock

Quando o incentivo virou custo alto

Nos últimos meses, equipes da Tesla passaram a usar IA de forma mais agressiva. A empresa chegou a criar sistemas internos para acompanhar o consumo de tokens e estimular uso entre engenheiros.

O efeito colateral veio rápido. Em alguns casos, os custos semanais chegaram a milhares de dólares por funcionário.

  • uso intensivo de IA na engenharia
  • monitoramento de consumo de tokens
  • aumento rápido de gastos
  • ausência de limite central no início
Mão segurando smartphone com o logo do Claude exibido na tela, sobre fundo com números digitais em azul.
Mesmo com incentivo da empresa, parte dos funcionários ainda prefere o Claude ao Grok da xAI. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

A exceção que muda o jogo interno

A nova política chama atenção por um detalhe específico: ferramentas da xAI ficam fora do limite de gastos.

Isso, na prática, favorece o uso de soluções do próprio ecossistema de Elon Musk, como o Grok, dentro da Tesla.

Ferramentas disputam espaço dentro da empresa

Mesmo com incentivo interno, o Grok não virou padrão entre os engenheiros. Segundo relatos citados pelo Electrek, parte da equipe ainda prefere o Claude, da Anthropic.

A distância entre política e uso real aparece de forma clara aqui.

Ilustração de IA usada no sistema financeiro
Mudança na Tesla mostra como o uso de IA virou também uma questão de orçamento interno. – Koupei Studio / Shutterstock

IA virou peça central na Tesla

Musk afirma que o futuro da Tesla depende menos de carros e mais de inteligência artificial aplicada em Robotaxis e no robô Optimus.

Leia mais:

Enquanto isso, a empresa amplia o uso de IA em engenharia e produção com ferramentas internas treinadas em dados próprios.

O limite de gastos, no fim, mostra uma correção interna: a Tesla tenta controlar custos sem frear a expansão da IA dentro da operação.

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SpaceX quer fabricar suas próprias GPUs para evitar crise global de chips de IA

A SpaceX planeja fabricar suas próprias GPUs (unidades de processamento gráfico), revelou a Reuters nesta quinta-feira (23). O plano consta em documentos de registro para a abertura de capital (IPO) da empresa, que deve ocorrer ainda em 2026. 

A iniciativa busca garantir que a SpaceX tenha o poder de processamento necessário para suas ambições em inteligência artificial (IA), sem depender exclusivamente de fornecedores externos.

No documento enviado à SEC (órgão que regula o mercado financeiro nos EUA), a companhia de Elon Musk alertou investidores sobre os altos custos e os riscos de não ter suprimento de chips suficiente para sustentar seu crescimento. 

Atualmente, a SpaceX não possui contratos de longo prazo com muitos de seus fornecedores diretos, o que torna a produção interna uma peça estratégica para a viabilidade de seus projetos para o futuro.

SpaceX: o projeto Terafab e o desafio da fabricação própria de chips

O coração dessa estratégia é o Terafab, complexo industrial em Austin, no Texas (EUA), desenvolvido em conjunto com a Tesla e a xAI (outras empresas de Musk). 

Diferente de companhias que apenas desenham seus componentes, a visão do bilionário é que o Terafab cuide de cada etapa da produção, desde o design até a fabricação e os testes finais. 

O objetivo é criar chips capazes de equipar carros autônomos, robôs humanoides e até data centers colocados no espaço (embora a SpaceX tenha admitido que eles podem não ser tão comercialmente viáveis assim).

O coração da estratégia da SpaceX é o Terafab, complexo industrial em Austin, no Texas (EUA), desenvolvido em conjunto com a Tesla e a xAI – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Para tirar o projeto do papel, a empresa deve contar com a infraestrutura da Intel. Musk indicou que o processo de fabricação 14A, a próxima geração da empresa, deve estar maduro o suficiente para uso comercial no momento em que o Terafab ganhar escala. 

Essa colaboração é vista pelo CEO como o “movimento certo” para garantir que a fábrica tenha a tecnologia de ponta necessária para produzir processadores de alta complexidade.

Atualmente, a indústria de chips funciona de forma fragmentada: gigantes como a Nvidia criam o projeto dos chips, mas dependem de fábricas terceirizadas, como a taiwanesa TSMC, para a construção física. 

A SpaceX pretende romper esse modelo ao centralizar as etapas internamente. A ideia é evitar os gargalos logísticos e técnicos que hoje limitam a oferta global de hardware voltado para IA.

Apesar do otimismo, o caminho é tecnicamente árduo e financeiramente arriscado. A fabricação de chips de última geração exige precisão atômica e mais de mil etapas complexas, algo que poucas empresas no mundo dominam atualmente. 

No próprio registro de IPO, a SpaceX foi franca com os investidores ao admitir que não há garantias de que os objetivos do Terafab serão alcançados nos prazos previstos. Nem se serão concretizados.

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