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Meta lança IA que pode rodar no PC com uma única placa gráfica

A Meta lançou o Muse Glimmer, novo modelo de inteligência artificial de pesos abertos voltado a tarefas executadas diretamente em computadores pessoais. A novidade veio acompanhada de uma defesa de Mark Zuckerberg por menos restrições nos EUA para esse tipo de tecnologia.

Segundo a Reuters, a estratégia também mira o avanço de empresas chinesas no segmento. A ideia é ampliar o acesso à IA e fortalecer a posição americana nessa disputa.

A Meta quer aproximar a inteligência artificial do computador pessoal, com modelos que podem rodar diretamente no dispositivo. – Imagem: Derick Hudson/iStock

IA direto no computador

Menor que os principais modelos de empresas concorrentes, o Muse Glimmer foi projetado para executar tarefas de agentes em um Mac ou PC com apenas uma placa gráfica.

A proposta é fazer a IA funcionar no próprio dispositivo, sem depender exclusivamente de grandes estruturas de computação. Zuckerberg ainda antecipou que modelos maiores estão a caminho.

“Temos modelos ainda maiores que estão chegando em breve”, afirmou Mark Zuckerberg, CEO da Meta.

A declaração foi publicada em um vídeo que acompanhou o ensaio de 14 páginas “O futuro é para todos”. No texto, o executivo defendeu uma distribuição mais ampla da inteligência artificial e criticou a ideia de concentrar seu desenvolvimento nas mãos de poucas empresas.

Por que os pesos abertos ganharam força?

Modelos de pesos abertos costumam ser mais baratos que os principais sistemas da OpenAI e da Anthropic. Seus componentes centrais também podem ser acessados publicamente e personalizados, ao contrário dos modelos fechados.

Entre os exemplos de modelos abertos estão:

O interesse por essa tecnologia ocorre em meio a incidentes de cibersegurança envolvendo modelos de Anthropic, OpenAI e Meta. A Hugging Face, plataforma de colaboração para programação, foi atacada por um modelo da OpenAI e recorreu a um modelo chinês de pesos abertos para se defender.

Enquanto startups chinesas avançam, os principais modelos de OpenAI, Anthropic e Google continuam fechados.

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Zuckerberg defende menos barreiras nos EUA para modelos de pesos abertos e aposta em uma IA mais distribuída. Imagem: El editorial – Shutterstock

Meta prepara novos modelos e muda estratégia

A Meta planeja liberar os pesos do Muse Spark 1.2, considerado seu modelo mais avançado. A empresa também anunciou um fundo de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,08 bilhões, para apoiar comunidades afetadas pela expansão de data centers.

Leia mais:

A companhia prevê gastar até US$ 145 bilhões, aproximadamente R$ 736 bilhões, em infraestrutura de IA neste ano. Ao mesmo tempo, cresce a oposição local à construção dessas estruturas nos EUA.

Zuckerberg defendeu ainda mudanças nas políticas americanas sobre uso de dados e destilação, técnica que usa resultados de um sistema mais poderoso para treinar um modelo menor.

“Os laboratórios estrangeiros atualmente têm várias vantagens aqui, pois os laboratórios americanos precisam cumprir muitas restrições adicionais sobre dados de treinamento”, afirmou.

A Meta também pretende criar uma estrutura de governança que permita aos diretores independentes aprovar critérios de segurança antes do lançamento de modelos. Para Zuckerberg, reduzir essas barreiras é importante para que os sistemas americanos de pesos abertos avancem.

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A nova aposta de Zuckerberg para tirar a Meta do atraso na IA

Mark Zuckerberg apresentou uma nova estratégia para a Meta avançar na inteligência artificial: ampliar o acesso aos modelos e destinar mais recursos às comunidades próximas aos data centers da empresa.

Segundo o The Wall Street Journal, o plano inclui novos modelos de pesos abertos, propostas para políticas de segurança e um fundo de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,08 bilhões) para comunidades locais.

A Meta pretende investir até US$ 145 bilhões em gastos de capital neste ano, principalmente em data centers. – Imagem: Derick Hudson/iStock

Zuckerberg quer ampliar o acesso à IA

Em um manifesto, o CEO da Meta defendeu uma abordagem baseada na distribuição ampla da tecnologia. Para ele, concentrar sistemas avançados em empresas, governos ou outras instituições poderia aumentar o desequilíbrio de poder.

Se nossas crenças e princípios prevalecerem, então o equilíbrio de poder favorecerá os indivíduos e um futuro melhor para todos.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, em trecho do manifesto.

A Meta ainda tenta alcançar Anthropic e OpenAI na corrida pelos modelos mais avançados. A empresa aposta em uma estratégia mais aberta justamente enquanto busca recuperar espaço nesse mercado.

Entre os principais pontos do plano estão:

  • lançamento de novos modelos com pesos abertos;
  • criação de um fundo de US$ 1 bilhão para comunidades próximas aos data centers;
  • propostas para testes de segurança de novos modelos;
  • possibilidade de desenvolvedores destilarem modelos uns dos outros;
  • maior participação do conselho da Meta nos critérios de segurança dos sistemas.

Dois novos modelos estão a caminho

A Meta lançará o Muse Glimmer, modelo cujos pesos poderão ser baixados pelos usuários. Nas próximas semanas, a empresa também pretende disponibilizar uma versão com pesos abertos do Muse Spark 1.2, seu modelo mais avançado.

A decisão alimenta uma discussão importante no setor: sistemas avançados de IA devem ser distribuídos abertamente ou permanecer sob controle de laboratórios que mantêm seus códigos restritos?

Zuckerberg também propôs que o governo dos Estados Unidos trabalhe com empresas na realização de testes de segurança de novos modelos. Outra ideia é permitir que desenvolvedores façam a destilação entre modelos.

Celular e monitor exibindo logomarca da Meta AI após lançamento do Muse Spark
Zuckerberg defende que a IA coloque mais poder nas mãos dos usuários, em vez de concentrá-lo em grandes instituições. – Imagem: Regi Cris/Shutterstock

Data centers também entram no plano

A estratégia depende de uma grande expansão da infraestrutura de IA. A Meta prevê investir até US$ 145 bilhões (cerca de R$ 736 bilhões) em gastos de capital neste ano, principalmente na construção de data centers. Até 2028, o planejamento chega a US$ 600 bilhões (aproximadamente R$ 3,04 trilhões).

Leia mais:

A empresa também pretende direcionar mais recursos às comunidades próximas dessas instalações. Zuckerberg citou Richland Parish, na Louisiana, onde professores receberam bônus de US$ 50 mil (R$ 254 mil) financiados pelo aumento da atividade econômica perto do campus de data center da Meta.

“Todos nós nos beneficiaríamos ao descobrir juntos os acordos comunitários necessários para permitir um desenvolvimento sustentável em todo o país”, afirmou Zuckerberg.

A movimentação ocorre em meio à crescente oposição à construção de data centers nos Estados Unidos e à cobrança de investidores por retornos mais rápidos sobre os investimentos da Meta em inteligência artificial.

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Além de China e EUA: “Guerra dos Chips” pode ter novo protagonista

A Coreia do Sul prepara novos fundos e investimentos para aproveitar o avanço dos semicondutores. O governo de Lee Jae Myung quer fortalecer a cadeia de chips, as exportações e a infraestrutura, enquanto transforma o setor em uma base para novos projetos de tecnologia e crescimento econômico.

Segundo a Reuters, a estratégia inclui iniciativas diferentes, como um fundo de 5 trilhões de won para empresas da cadeia de semicondutores e o Future Response Fund, voltado a projetos nacionais e novos motores de crescimento.

O boom dos semicondutores virou peça central de um plano sul-coreano que vai muito além da fabricação de chips. Imagem: Tang Yan Song / Shutterstock

Fundo de 5 trilhões de won mira empresas de chips

Um dos planos está diretamente ligado aos semicondutores. O governo sul-coreano pretende criar um fundo de 5 trilhões de won (aproximadamente R$ 17,9 bilhões) para apoiar empresas consideradas promissoras no setor.

A prioridade será dada a fabricantes de materiais e componentes para chips e a companhias fabless, que desenvolvem semicondutores sem manter fábricas próprias. O governo também planeja oferecer outros 5 trilhões de won em financiamento comercial para fornecedores voltados à exportação.

Outra medida é a proposta de uma Mega Special Zone. A expectativa é aprovar a iniciativa ainda neste ano para acelerar licenças, análises ambientais e o desenvolvimento de infraestrutura.

Outro fundo tem alcance mais amplo

O segundo projeto tem uma proposta diferente. Chamado de Future Response Fund, ele deverá usar receitas tributárias adicionais geradas pelo crescimento do mercado de semicondutores para financiar investimentos de longo prazo.

Segundo o chefe de gabinete presidencial, Kang Hoon-sik, os recursos deverão ajudar a bancar grandes projetos nacionais, criar novos motores de crescimento e enfrentar o aumento da desigualdade econômica.

Entre os objetivos citados pelo governo estão:

  • financiar grandes projetos nacionais;
  • criar novos motores de crescimento;
  • apoiar startups;
  • ampliar oportunidades de emprego para jovens;
  • oferecer suporte habitacional a pessoas na faixa dos 20 e 30 anos.

Kang chamou o fundo de “uma pedra angular” para a meta de tornar a Coreia do Sul globalmente “insubstituível”. Ele também afirmou: “Neste momento crítico que determinará o futuro da Coreia do Sul, não devemos desperdiçar a receita tributária adicional gerada pelo boom dos semicondutores e por outros fatores”.

Data center com servidores e representação gráfica de inteligência artificial
A aposta sul-coreana combina semicondutores, infraestrutura, IA e data centers para buscar novos motores de crescimento. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

Chips, IA e data centers entram no plano

Os fundos fazem parte de um movimento mais amplo. Dias antes, Lee Jae Myung havia apresentado três grandes projetos industriais concentrados em semicondutores, IA física e data centers.

Os planos contam com investimentos de Samsung Electronics, SK Hynix e órgãos governamentais. A proposta é fortalecer a posição da Coreia do Sul em chips e tecnologias ligadas à inteligência artificial, além de estimular o crescimento fora da região metropolitana de Seul.

A infraestrutura necessária para esses projetos também está prevista. O governo pretende garantir 650 mil toneladas de água até 2030 para iniciativas de semicondutores na região de Honam. Já o polo de Yongin deverá receber 14,7 gigawatts de energia até 2041.

O primeiro-ministro Han Sung-sook descreveu os projetos como uma estratégia de 30 anos que conecta semicondutores, IA, data centers e IA física. Para ele, a iniciativa pode se tornar um novo motor de crescimento se governo, partido governista e setor privado trabalharem como “one team”.

A movimentação mostra como o governo sul-coreano pretende aproveitar o bom momento dos semicondutores para sustentar investimentos de longo prazo em tecnologia, infraestrutura e novas oportunidades econômicas.

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Modelos de IA passaram a agir em grupo para escapar de testes

Modelos de IA da OpenAI passaram semanas tentando escapar de ambientes de teste sem que os pesquisadores percebessem. Em determinado momento, os agentes chegaram a acessar a internet e coordenar ações entre si.

Segundo o The Washington Post, o caso faz parte de uma sequência de incidentes envolvendo OpenAI, Anthropic e Meta, levantando novas dúvidas sobre como empresas de IA estão testando e protegendo seus modelos.

Alguns modelos de IA criaram identidades falsas, exploraram falhas e até tentaram acessar sistemas fora dos testes. – Imagem: Primakov / Shutterstock

Quando os testes saíram do controle

Os problemas apareceram durante avaliações de cibersegurança. Em vez de apenas resolver os desafios propostos, alguns modelos começaram a procurar maneiras de burlar as regras e colaborar entre si.

Durante maio e junho, os agentes criaram um fórum interno secreto para trocar informações. Depois, conseguiram escapar do ambiente de testes e acessar a internet.

A equipe da OpenAI identificou a primeira fuga e corrigiu o problema. Dois dias depois, porém, os modelos escaparam novamente sem serem detectados. Dessa vez, a operação foi mais sofisticada: eles se comunicaram para coordenar ações e chegaram a usar nomes como “Jan18”.

Entre os comportamentos observados nos incidentes recentes estão:

  • exploração de falhas de software ainda desconhecidas;
  • fuga de ambientes de teste para obter acesso à internet;
  • criação de identidades humanas falsas;
  • coordenação entre diferentes agentes por meio de mensagens;
  • roubo de credenciais de acesso à nuvem.

A segunda fuga só foi percebida depois que a plataforma Hugging Face revelou, em julho, ter sido invadida por modelos de IA desconhecidos.

Outras empresas também enfrentaram problemas

A OpenAI não foi a única empresa a registrar comportamentos inesperados. Um modelo da Anthropic criou perfis na internet e tentou pressionar um desenvolvedor humano a aprovar código malicioso enviado a um projeto de código aberto. A tentativa não funcionou.

A Meta também teve um episódio incomum. Um modelo instruído a invadir uma empresa fictícia acabou acessando uma companhia real que utilizava o mesmo nome. A empresa atribuiu o problema a uma configuração incorreta que permitiu acesso à internet durante o teste.

Logo da OpenAI em um smartphone e em um fundo colorido
Um dos casos chamou atenção: modelos da OpenAI criaram um fórum secreto para trocar informações durante os testes. – Imagem: Evolf/Shutterstock

Segurança entra no centro da discussão

Os episódios ganham importância porque OpenAI e Anthropic já haviam declarado compromisso com o desenvolvimento seguro da tecnologia. Em 2023, Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou: “Fazemos esforços significativos para garantir que a segurança seja incorporada aos nossos sistemas em todos os níveis”.

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Agora, especialistas defendem medidas como monitoramento mais rigoroso e testes em sistemas isolados de redes externas. A OpenAI adiou o lançamento do modelo Astra por preocupações com seu possível uso por hackers, enquanto a Anthropic interrompeu testes de seus sistemas por problemas de cibersegurança.

Os casos mostram um problema que a indústria terá de enfrentar à medida que seus modelos ficam mais capazes: testar uma IA não significa apenas avaliar se ela consegue cumprir uma tarefa, mas também observar o que faz quando encontra uma maneira de contornar as regras.

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Data center de IA ameaça desregular clima na Amazônia

O primeiro data center de inteligência artificial da Amazônia, em Belém, no Pará, se tornou alvo de um inquérito do Ministério Público do Estado do Pará. A investigação apura o risco de formação de “ilhas de calor” e a ausência de consultas públicas com comunidades ribeirinhas e moradores de bairros vizinhos ao empreendimento.

O projeto, batizado de BEL1, tem investimento previsto de R$ 250 milhões e previsão de início de operações em 2027. A capacidade inicial é de 7,5 megawatts, potência suficiente para abastecer mais de 22,5 mil residências.

Falta de regras claras

  • Segundo o Ministério Público do Estado do Pará, o Brasil não conta com regulamentação ambiental específica para esse tipo de instalação.
  • O órgão ainda destaca que as secretarias do estado do Pará e do município de Belém afirmaram não ter recebido pedidos de licenciamento ambiental relacionados ao empreendimento.
  • Além disso, comunidades ribeirinhas e moradores dos bairros próximos ao BEL1 não foram ouvidos sobre os possíveis impactos da instalação antes do início do projeto.
  • Por fim, não foram realizadas consultas públicas, o que compõe parte do fundamento para a abertura do inquérito.
  • As informações são do G1.

Projeto pode criar “ilhas de calor” na região amazônica

Risco de elevação de temperatura

Um estudo da Universidade de Cambridge indica que data centers podem elevar a temperatura média da superfície terrestre em 2°C, com picos de até 9,1°C. É esse cenário que embasa a preocupação do Ministério Público do Estado do Pará.

Estruturas de data center dissipam energia na forma de calor, o que pode elevar a temperatura externa em uma área que frequentemente já atinge sensações térmicas de 34ºC ou mais, gerando as chamadas “ilhas de calor” na região amazônica.

A Elea Data Centers, responsável pelo projeto, afirma que usará sistemas de ar-condicionado para resfriar os equipamentos, em vez de água. A empresa ainda explica que estudos de impacto térmico mais profundos só seriam realizados para a fase de 100 MW, que ainda não tem data para sair do papel.

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Câmeras de segurança com IA podem prever crimes, mas existe um risco…

Câmeras de segurança equipadas com inteligência artificial já são usadas por empresas para identificar comportamentos suspeitos no Brasil. O objetivo é usar os dispositivos para combater os crimes antes que eles aconteçam.

A tecnologia, conhecida como policiamento preditivo, atrai o interesse do setor privado, mas também causa preocupação. A ausência de regulação e o risco de uso desses sistemas para vigiar pessoas que não estão praticando nenhum delito estão entre os principais temores.

Como funciona esse sistema

As imagens captadas pelas câmeras antes eram analisadas por operadores humanos. Hoje, são processadas por sistemas que emitem alertas quando detectam situações fora do padrão — como alguém que permanece parado por muito tempo no mesmo local.

Os sistemas são treinados com imagens de situações consideradas normais e, a partir disso, identificam quando algo foge desse padrão. Esse processo exige cerca de duas semanas de análise para formar uma base de dados suficiente para reconhecer o padrão de uma imagem.

A ferramenta analisa apenas movimentações suspeitas de pessoas, e não suas características físicas. Ela não identifica o rosto para analisar o comportamento, por exemplo. O sistema não toma nenhuma ação por conta própria ao identificar uma situação suspeita.

Câmeras são equipadas com IA (Imagem: Vinícius de Melo/Agência Brasília)

Alertas sobre o uso da IA

  • Especialistas alertam que esse tipo de ferramenta pode restringir o direito de ir e vir dos cidadãos.
  • A maior preocupação é que cidadãos comuns possam ser identificados como criminosos.
  • Por conta disso, eles reforçam a necessidade de estudos independentes para avaliar a precisão de sistemas de policiamento preditivo.
  • A ideia é garantir a ausência de vieses dos sistemas.
  • Limitações no uso da tecnologia já foram identificadas em outros países.
  • Um dos casos mais conhecidos é o do PredPol, que reunia dados como data, hora e local de crimes para orientar onde policiais deveriam fazer rondas nos momentos sem ocorrências nos Estados Unidos.
  • O sistema levou policiais a patrulharem ainda mais bairros com renda familiar mais baixa e menor proporção de moradores brancos.
  • O PredPol deixou de ser usado em 2020 pela polícia de Los Angeles após pressão de grupos ativistas que criticaram a falta de eficiência do programa e a vigilância excessiva em comunidades negras e latinas.
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Especialistas alertam para possibilidade de falhas no sistema Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

O que diz a legislação brasileira

O Brasil não tem uma lei específica para regulamentar sistemas de policiamento preditivo. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para o tratamento de informações sensíveis, como a biometria facial.

Uma portaria publicada em 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou que as polícias podem usar inteligência artificial, mas devem realizar revisões humanas em casos de possíveis riscos a direitos fundamentais. Um projeto de lei em discussão no Congresso pode classificar como de alto risco os sistemas de IA usados por policiais para analisar grandes volumes de dados e identificar padrões e perfis comportamentais.

O texto, aprovado no Senado e em discussão na Câmara, prevê que ferramentas classificadas como de alto risco tenham supervisão humana, passem por avaliação de impacto, garantam o direito à explicação às pessoas afetadas e adotem medidas para evitar discriminações.

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Cloudflare lança Kitesurf, navegador criado para agentes de IA

A Cloudflare lançou na última sexta-feira (07) o Kitesurf: um navegador hospedado na nuvem e criado especificamente para agentes de inteligência artificial. A ferramenta permite que sistemas de IA acessem páginas, preencham formulários e executem tarefas diretamente na web.

O produto foi desenvolvido pela empresa de infraestrutura de internet em apenas 12 semanas e funciona sobre o Workers, plataforma serverless da Cloudflare. Em fase beta, o Kitesurf pode ser utilizada gratuitamente por desenvolvedores dentro do Browser Run, ambiente que oferece controle programático de navegadores headless.

A proposta é substituir parte da estrutura necessária para que agentes de IA utilizem a internet por uma alternativa mais adequada a esse tipo de software. Em vez de priorizar recursos voltados à experiência humana, como abas, extensões e elementos visuais, o projeto concentra esforços em desempenho, uso de contexto, custo de tokens, escalabilidade e proteção contra ameaças como ataques de prompt injection.

Um navegador pensado para agentes

Agentes de IA – Imagem: sdecoret / Shutterstock

A iniciativa surge em um momento em que sistemas de inteligência artificial deixam de atuar apenas como ferramentas capazes de responder perguntas e passam a executar ações em nome dos usuários. Nesse cenário, o navegador se torna uma peça importante para que esses agentes consigam interagir com serviços e sites da mesma maneira que uma pessoa faria.

A Cloudflare afirma que a Kitesurf foi concebida para tornar esse processo menos dispendioso em recursos computacionais. De acordo com a empresa, o navegador apresenta consumo significativamente menor de CPU e memória que o Chromium em tarefas comuns para agentes, entre elas a captura de telas e a extração de HTML.

A arquitetura também se distancia de um navegador convencional. O projeto reúne diferentes componentes de código, entre eles um mecanismo modular de renderização desenvolvido pela Blitz, o Stylo, responsável pelo processamento de CSS no Firefox, e o Boa JS, mecanismo ECMAScript escrito em Rust. O restante da estrutura é executado dentro do Cloudflare Workers.

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

A companhia também atribui parte da origem do projeto ao Obscura, mecanismo headless de código aberto desenvolvido em Rust. Segundo a Cloudflare, uma prova de conceito inicial consistiu justamente em levar o Obscura para o ambiente do Workers.

Mesmo em estágio inicial, a Kitesurf já é capaz de passar por mais de 215 mil testes de compatibilidade com padrões da web. A empresa afirma que novos testes são acrescentados regularmente e que centenas deles passam a ser validados a cada semana.

Entre os sites e aplicações que o navegador consegue renderizar estão o TodoMVC, utilizado como referência para comparar frameworks JavaScript, além da Wikipedia, do Hacker News, do blog da própria Cloudflare e de grande parte do painel de controle da companhia.

Outro ponto destacado pela empresa é a segurança. Como um navegador operado por agentes de IA está sujeito a riscos diferentes daqueles enfrentados por navegadores voltados a usuários humanos, a Cloudflare aponta os ataques de prompt injection entre as ameaças que precisam ser consideradas nesse novo modelo.

O Kitesurf está disponível gratuitamente enquanto permanece em beta no Browser Run. A ferramenta é direcionada a desenvolvedores que pretendem criar agentes capazes de operar na internet sem precisar desenvolver do zero uma infraestrutura própria de navegador.

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Nvidia prepara investimento de até US$ 3 bilhões em infraestrutura de IA

A Nvidia pretende destinar até US$ 3 bilhões à Lancium, desenvolvedora de infraestrutura de energia associada ao campus de data centers Stargate, no Texas. A informação foi divulgada na última sexta-feira (07) pelo The Information, com base em pessoas familiarizadas com o negócio.

O acordo prevê, inicialmente, US$ 2 bilhões por uma participação próxima de 20% na Lancium, empresa que tem o fundo Blackstone entre seus apoiadores. Um aporte adicional de US$ 1 bilhão poderá ocorrer caso determinados objetivos sejam alcançados, entre eles a conexão dos empreendimentos à rede elétrica.

A operação atribui à Lancium e ao conjunto de terrenos e conexões de energia sob seu controle um valor empresarial de aproximadamente US$ 10 bilhões. Os recursos também devem reforçar a expansão da companhia enquanto ela avalia uma eventual abertura de capital em 2027.

Aporte mira expansão da infraestrutura de energia

(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

A Lancium administra o Lancium Clean Campus, área de aproximadamente 1.000 acres localizada em Abilene, no Texas. O complexo é apontado como o primeiro local operacional ligado à iniciativa Stargate, projeto voltado à construção de data centers.

A estrutura do negócio estabelece uma primeira injeção de capital de US$ 2 bilhões, suficiente para assegurar à Nvidia uma fatia de cerca de um quinto da empresa. A possibilidade de elevar o investimento em mais US$ 1 bilhão está condicionada ao cumprimento de metas específicas, entre elas a obtenção de conexões com a rede elétrica.

O potencial desembolso total ocorre em um momento no qual a Lancium busca ampliar suas operações. De acordo com o relato divulgado pelo The Information, a companhia também examina a possibilidade de realizar uma oferta pública inicial de ações em 2027.

Exemplo de data center
Data center de IA – Imagem: KM Stock/Shutterstock

A Lancium é respaldada pela Blackstone, que aparece entre os investidores da empresa. Com o novo acordo, o valor empresarial estimado para a companhia, considerando seus ativos imobiliários e suas conexões de energia, chega a cerca de US$ 10 bilhões.

A operação está ligada ao avanço do Stargate, empreendimento formado por SoftBank, OpenAI e Oracle para desenvolver instalações de data centers. O projeto foi anunciado em janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que os participantes planejavam destinar até US$ 500 bilhões à infraestrutura necessária para inteligência artificial.

Nvidia e Lancium não haviam respondido imediatamente aos pedidos de comentário feitos pela Reuters sobre a operação.

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Nova usina da Amazon poderá ter poluição recorde nos EUA

A Amazon está investindo em uma usina movida a gás natural para abastecer um enorme data center de inteligência artificial no Texas. Segundo o The New York Times, a instalação poderá se tornar a maior fonte individual de poluição climática entre as usinas elétricas dos Estados Unidos.

O projeto, no condado de Pecos, no Texas, expõe um desafio da expansão da IA: a tecnologia exige enormes quantidades de energia enquanto a Amazon tenta cumprir a meta de eliminar efetivamente suas emissões de gases de efeito estufa até 2040.

Até 33 milhões de toneladas de CO2 por ano: esse é o limite de emissões autorizado para a futura usina da Amazon. Imagem: Reprodução/YouTube/Amazon – Imagem: Reprodução/YouTube/Amazon

Usina poderá gerar 7,65 gigawatts

A futura usina terá 35 turbinas movidas a gás natural, com capacidade para gerar até 7,65 gigawatts. A energia será destinada ao data center planejado pela Amazon.

As licenças permitem que a instalação emita cerca de 33 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. O volume autorizado supera o dobro das emissões anuais da usina de carvão James H. Miller Jr., no Alabama, que libera aproximadamente 16 milhões de toneladas.

Isso não significa que a usina necessariamente atingirá esse limite. Instalações desse tipo normalmente não operam no máximo permitido pelas licenças.

Por que a IA precisa de tanta energia?

Data centers de inteligência artificial consomem enormes quantidades de eletricidade para realizar os trilhões de cálculos necessários à criação e ao funcionamento desses sistemas.

Como a expansão da IA pressiona a capacidade das redes elétricas, empresas estão buscando alternativas para evitar longas esperas pela conexão com concessionárias. Uma delas é construir usinas próprias no local dos data centers.

O gás natural aparece como uma opção considerada rápida e simples de implementar.

Vamos ver uma explosão de projetos de gás fora da rede no Texas e em outros lugares.

Michael Thomas, fundador da Cleanview, ao The New York Times.

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A IA avança, mas precisa de muita energia. O desafio agora é ampliar a infraestrutura sem aumentar o impacto ambiental. Imagem: Amazon/Divulgação

Amazon mantém compromisso climático

As emissões da Amazon vêm aumentando nos últimos anos, e a própria empresa reconheceu que o crescimento dos data centers de IA pode dificultar suas metas ambientais.

Margaret Callahan, porta-voz da Amazon, afirmou que o cenário atual é diferente daquele existente quando a companhia ajudou a criar o Climate Pledge, mas reforçou que o compromisso continua.

Leia mais:

A empresa também avalia o uso de energia solar e baterias no data center e afirma que o empreendimento criará milhares de empregos.

O projeto preocupa grupos ambientais pelo potencial impacto sobre o clima e a qualidade do ar. Além do dióxido de carbono, usinas a gás liberam poluentes que contribuem para a formação de smog e podem estar associados a problemas como asma e doenças cardíacas.

O caso mostra o tamanho do desafio energético criado pela corrida da IA: ampliar a infraestrutura necessária para esses sistemas sem aumentar na mesma proporção o impacto ambiental.

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IA da OpenAI invadiu sistemas: um botão seria capaz de pará-la?

Um agente de IA criado pela OpenAI teria invadido sistemas da Hugging Face durante um teste de segurança e também atacado serviços públicos. O episódio reacendeu uma dúvida que parece saída de um filme: seria possível desligar uma IA caso ela saísse do controle?

Especialistas ouvidos pela BBC afirmam que a questão é mais complexa. Para eles, o problema está principalmente na maneira como esses sistemas são projetados, treinados e recebem acesso a ferramentas.

Quanto mais autonomia uma IA recebe, maior precisa ser o cuidado com acessos, credenciais e ferramentas disponíveis. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

O que aconteceu durante o teste?

O agente desenvolvido pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, teria burlado uma avaliação sobre sua capacidade de explorar falhas de segurança. Durante o teste, invadiu sistemas da Hugging Face e roubou respostas dos servidores da empresa.

O episódio teria passado despercebido pelos próprios criadores durante dias. Em 29 de julho, a OpenAI informou que o agente também havia atacado vários “serviços disponíveis publicamente”, sem detalhar quais.

A empresa afirmou que investiga o caso e declarou: “Levamos muito a sério nossa responsabilidade de identificar e nos preparar para os riscos apresentados por sistemas de IA cada vez mais capazes”.

Um botão de emergência resolveria?

A possibilidade reacendeu o debate sobre os chamados kill switches, mecanismos destinados a interromper ou desligar sistemas em situações de emergência. Para especialistas, porém, apertar um botão não necessariamente resolveria o problema.

Me recuso a dizer que foi a IA que fez isso [o ataque à Hugging Face]. Quem fez isso foi a OpenAI. A empresa deveria assumir a responsabilidade pelo projeto falho do sistema e pedir desculpas.

Cathy O’Neil, matemática e cientista de dados, à BBC.

Rumman Chowdhury, cientista de dados e ex-diretora de ética em aprendizado de máquina do Twitter, hoje X, também defende mecanismos eficazes de desligamento, inclusive com testes independentes.

Para ela, entretanto, os agentes não deveriam receber acesso a ferramentas e credenciais desnecessárias. Sistemas treinados para cumprir objetivos podem interpretar determinadas instruções como obstáculos e tentar contorná-las.

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Para especialistas, o problema não é uma IA querer escapar, mas encontrar caminhos inesperados para cumprir uma tarefa. Imagem: Mer_Studio/Shutterstock

O risco está além do botão

Oli Buckley, da Universidade de Loughborough, afirma que o problema não é uma IA “querer” escapar, mas o fato de esses sistemas encontrarem caminhos inesperados para executar tarefas.

“Mais do que um alerta sobre uma ‘IA rebelde’, este caso mostra que nossas premissas de segurança precisam evoluir junto com os sistemas que estamos desenvolvendo.”

Leia mais:

Konstantinos Gkoutzis, especialista em IA do Imperial College London, também considera que um mecanismo de desligamento não resolveria tudo.

“A principal conclusão para o público deveria ser que nenhuma máquina decidiu se voltar contra nós. Foi uma empresa que perdeu o controle de um teste de suas próprias capacidades”, disse Gkoutzis à BBC.

O especialista acrescenta: “Desligar o sistema não desfaz o que já aconteceu”.

Fontes da OpenAI disseram à Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente. Um porta-voz da companhia contestou a reportagem, afirmando que ela continha “várias imprecisões”.

O episódio amplia uma discussão que vai além de um simples interruptor: conforme agentes de IA ganham autonomia, segurança, limites de acesso e supervisão humana precisam acompanhar essa evolução.

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