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OpenAI entra na disputa dos chips e desafia Nvidia e Google

A OpenAI apresentou seu primeiro chip de inteligência artificial personalizado, desenvolvido em parceria com a Broadcom. O movimento marca uma mudança importante na estratégia da empresa: reduzir a dependência de fornecedores externos e ganhar mais controle sobre sua própria infraestrutura de IA.

O processador, chamado Jalapeño, foi criado para acelerar tarefas usadas em chatbots como o ChatGPT e outras aplicações baseadas em modelos de linguagem. E, na prática, ele atua justamente no ponto mais sensível desse tipo de tecnologia: a geração de respostas em tempo real, explica a Reuters.

Jalapeño já passou por testes internos e promete mais eficiência no funcionamento de grandes modelos de linguagem. – Imagem: Divulgação/OpenAI

Onde o Jalapeño realmente faz diferença

O chip foi desenvolvido pelos engenheiros da OpenAI em parceria com a Broadcom, com foco em uma etapa específica chamada inferência — o momento em que o sistema processa uma pergunta e devolve uma resposta.

É um detalhe técnico, mas decisivo. É ali que tudo precisa acontecer rápido e sem travamentos.

  • chip desenvolvido em parceria entre OpenAI e Broadcom
  • foco em inferência de modelos de IA
  • otimização para grandes modelos de linguagem (LLMs)
  • desempenho comparável a chips da Nvidia e do Google
  • uso exclusivo pela OpenAI em seus sistemas

Segundo a empresa, os primeiros testes internos já mostraram bons resultados, com o chip rodando modelos avançados dentro do esperado. Ainda em fase inicial, mas já considerado promissor dentro da companhia.

pinça segura um chip em primeiro plano com o logo da Broadcom ao fundo
OpenAI apresenta chip Jalapeño, criado com a Broadcom, para acelerar tarefas em chatbots como o ChatGPT. – Imagem: Ascannio/Shutterstock

A corrida por chips virou uma disputa direta entre gigantes

Google, Amazon e Meta também estão no mesmo caminho. Todas vêm investindo no desenvolvimento de chips próprios para tentar reduzir custos e, principalmente, não depender totalmente da Nvidia — hoje dominante nesse mercado.

O motivo é simples: a demanda por processamento explodiu com a popularização dos chatbots e das ferramentas generativas. E a infraestrutura virou gargalo.

Os engenheiros da OpenAI levaram cerca de nove meses para concluir o projeto do chip antes de enviá-lo para fabricação na TSMC, em Taiwan.

O desenvolvimento também teve um ponto curioso: parte do processo foi acelerada com uso de inteligência artificial, segundo a própria OpenAI. Ou seja, a IA ajudando a construir mais IA.

Logo do ChatGPT em na tela de um notebook e na tela de um smartphone
A corrida por chips de inteligência artificial cresce com a alta demanda por processamento em ferramentas generativas. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Mais do que software: o jogo agora é no hardware

De acordo com a Broadcom, o desempenho do Jalapeño é comparável ao de soluções como as GPUs Blackwell da Nvidia e às TPUs do Google. Mas, nos bastidores, o que importa mesmo é outra coisa.

Para a OpenAI, ter um chip próprio significa autonomia. Menos dependência da cadeia tradicional e mais controle sobre o ritmo de evolução dos seus modelos.

Acreditamos que ele apresentará alto desempenho em todos os tipos de futuras iterações de LLMs.

Richard Ho, chefe de hardware da OpenAI, à Reuters.

A empresa já trabalha em novas versões dentro de uma linha contínua de desenvolvimento. Enquanto isso, a produção dos sistemas de servidor ficará com a Celestica.

No fim das contas, o cenário fica cada vez mais claro: a disputa pela liderança em inteligência artificial não está só no código. Está no silício também. E isso muda o jogo — talvez mais do que parece à primeira vista.

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Anthropic lança Claude Tag, novo assistente corporativo

A empresa Anthropic anunciou nesta terça-feira (23) que passou a testar um novo recurso chamado Claude Tag, integrado ao Slack, com foco em atuar como um assistente de inteligência artificial dentro de ambientes corporativos. A ferramenta permite que usuários acionem o sistema em conversas e deleguem tarefas diretamente nas interações do dia a dia, quase como um “companheiro de trabalho”.

O recurso está em fase de prévia de pesquisa e será disponibilizado inicialmente em versão beta para clientes dos planos Claude Enterprise e Claude Team que utilizam o Slack, uma plataforma online que organiza fluxos e comunicação de trabalho. A proposta é inserir a IA como um membro ativo das equipes, acompanhando o fluxo de trabalho.

Segundo a empresa, o sistema foi criado para operar com maior compreensão do contexto organizacional, acumulando informações ao longo das interações e ampliando sua utilidade dentro das rotinas corporativas.

Assistente de IA ganha atuação contínua em conversas de trabalho

Slack – Imagem: Tada Images/Shutterstock

O Claude Tag representa uma evolução das integrações anteriores da Anthropic com o Slack, nas quais o assistente já podia ser acionado sob demanda em mensagens diretas ou em canais para auxiliar usuários.

Agora, o sistema passa a operar com uma lógica de presença contínua, acompanhando discussões em canais específicos e mantendo memória sobre o que foi discutido, o que permite retomadas de contexto entre diferentes usuários.

De acordo com a empresa, essa memória pode ser enriquecida com informações adicionais do ambiente corporativo, desde que haja autorização para acesso a outros canais da organização.

Cada instância do assistente fica vinculada a um escopo definido pelos administradores, que determinam onde ele pode atuar e quais dados pode acessar, evitando que informações de áreas distintas se misturem.

Execução de tarefas, automação e atuação proativa

Ao fundo, linhas de código; à frente, em um celular segurado por uma mão, o logo da Anthropic
Anthropic – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Quando recebe uma solicitação, o Claude Tag pode dividir o pedido em etapas e executar cada uma delas usando as ferramentas disponíveis, respondendo diretamente dentro das conversas do Slack.

Além disso, o sistema conta com um modo de atuação proativa, no qual pode intervir espontaneamente em discussões, destacar informações relevantes e retomar tópicos que ficaram sem resposta.

A Anthropic afirma que o objetivo é aproximar a experiência de interação de um trabalho colaborativo, no qual a IA participa ativamente do fluxo de produção das equipes.

Contexto empresarial e disputa no mercado de IA

O lançamento ocorre em um cenário em que outras empresas também apostam na incorporação de contexto organizacional em sistemas de inteligência artificial voltados ao ambiente corporativo.

Entre os exemplos citados estão iniciativas da Microsoft, com soluções baseadas em Graph e Copilot, além de plataformas como Snowflake e Databricks, que buscam estruturar dados empresariais para consumo por agentes de IA.

Também há concorrência de empresas como Glean, que trabalham na criação de camadas de inteligência capazes de conectar modelos de linguagem às informações internas das organizações.

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China surpreende e tira dos EUA o título de supercomputador mais poderoso do mundo

A China voltou ao topo do ranking mundial de supercomputadores pela primeira vez desde 2017, depois que um sistema instalado em Shenzhen foi reconhecido como o mais rápido do planeta, destaca o The New York Times. O resultado reacende a corrida tecnológica com os Estados Unidos em áreas estratégicas como ciência, inteligência artificial e segurança nacional.

Batizado de LineShine, o equipamento superou o antigo líder americano nos testes de desempenho e chamou atenção por seguir um caminho pouco comum: alcançar alta velocidade sem depender de GPUs.

Supercomputador chinês LineShine surpreende especialistas ao assumir liderança mundial e reacender disputa tecnológica com os EUA. – Imagem: Knight00730/Shutterstock

China volta ao topo depois de oito anos

Desenvolvido em Shenzhen, o LineShine foi avaliado pelos testes do ranking Top500 e desbancou o El Capitan, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, que ocupava a liderança desde novembro de 2024.

Segundo Jack Dongarra, um dos organizadores do Top500, a máquina chinesa registrou desempenho mais de 20% superior ao do rival americano. O pesquisador visitou recentemente o centro de computação e saiu impressionado com o que viu.

“É um sistema impressionante”, disse. “Eles nos superaram ao desenvolver um sistema que não depende de GPUs.”

A conquista encerra um jejum de oito anos. Há bastante tempo especialistas acreditavam que a China tinha sistemas capazes de alcançar o topo, mas os laboratórios do país vinham evitando apresentar seus resultados ao ranking internacional.

Representação de um data center
Sistema de Shenzhen impressiona ao combinar 14 milhões de núcleos e arquitetura baseada em tecnologia da Arm Holdings. Imagem: vectorfusionart/Shutterstock

O detalhe que tornou o LineShine diferente

Mais do que a velocidade, foi a arquitetura da máquina que chamou atenção. Atualmente, os sistemas mais poderosos do mundo dependem de GPUs para lidar com tarefas complexas. O LineShine seguiu outro caminho e combinou CPUs tradicionais com circuitos dedicados a acelerar cálculos vetoriais e matriciais.

Para Dongarra, essa estrutura pode representar uma maneira mais eficiente de aproximar a inteligência artificial das aplicações científicas.

Alguns números ajudam a dimensionar o tamanho do projeto:

  • Uso exclusivo de microprocessadores convencionais (CPUs);
  • Cerca de 14 milhões de núcleos de computação;
  • Estrutura distribuída em 90 gabinetes de hardware;
  • Circuitos especializados para cálculos matriciais e vetoriais;
  • Arquitetura baseada em instruções licenciadas da Arm Holdings.

Uma curiosidade permanece sem resposta. Os responsáveis pelo projeto não revelaram qual empresa fabricou os chips nem quais tecnologias foram utilizadas em sua produção.

A rivalidade entre China e EUA ganhou um novo capítulo

O desempenho do LineShine surge em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips avançados. Enquanto OpenAI, Google e Anthropic seguem expandindo seus modelos de IA, os chineses vêm apostando em soluções alternativas para continuar avançando.

Ilustração de chip da China
Supercomputador chinês reforça mudança de rota na indústria ao priorizar CPUs em vez de chips gráficos especializados. Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

Para Jimmy Goodrich, pesquisador do Instituto de Conflitos Globais e Cooperação da Universidade da Califórnia, o resultado expõe uma brecha nas regras atuais.

Leia mais:

“O governo dos EUA deveria ter controles mais rigorosos sobre a exportação e a fabricação de CPUs para o mercado chinês”, afirmou. “É uma brecha nas regulamentações atuais.”

Embora especialistas observem que os grandes sistemas americanos de IA ainda levem vantagem em algumas tarefas, o retorno da China ao topo não chega a ser uma surpresa completa. Segundo Addison Snell, da Intersect360 Research, a maior novidade não foi descobrir que os chineses tinham uma máquina capaz de liderar o ranking, mas sim a decisão de finalmente buscar reconhecimento internacional para o projeto.

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Claude caiu? Chatbot da Anthropic está com instabilidade

Tentou usar o chatbot Claude, da Anthropic, e não conseguiu? Você não está sozinho!

A informação foi confirmada pela própria startup em sua página de status.

Segundo o comunicado oficial, a plataforma identificou uma taxa elevada de erros em diferentes sistemas.

A ocorrência começou a ser investigada às 11h19 (horário de Brasília) quando a empresa informou que estava apurando a origem do problema. Poucos minutos depois, às 11h25, a falha foi identificada e uma correção passou a ser implementada.

Até o momento, o comunicado indica que a equipe responsável trabalha na resolução do incidente. A instabilidade pode impactar usuários com falhas em respostas, lentidão ou interrupções temporárias no uso dos modelos afetados.

A empresa ainda não detalhou quais modelos foram atingidos nem informou uma previsão exata para a normalização completa dos serviços.

A plataforma Downdetector, que monitora relatos de problemas em serviços digitais, mostra o momento do pico de queixas nesta manhã:

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Nas redes sociais, usuários escreveram sobre o problema – que não se limita ao Brasil:

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Oracle demite 21 mil pessoas enquanto aposta tudo em IA

A Oracle decidiu acelerar de vez sua aposta em inteligência artificial enquanto faz um ajuste pesado no tamanho da própria operação. No último ano, a empresa cortou cerca de 21 mil empregos, em um movimento que já vinha sendo desenhado junto à expansão de sua infraestrutura de dados.

O cenário não é exclusivo da companhia. O setor de tecnologia como um todo vive uma fase de reorganização, com cortes em várias frentes e uma migração clara de recursos para projetos de IA e construção de data centers mais robustos.

“IA resultou e pode continuar resultando em reduções de pessoal”, diz a Oracle sobre sua nova fase de reestruturação. – Imagem: Stock-Asso/Shutterstock

Cortes de empregos e o peso da mudança

A Oracle, baseada em Austin (Texas), reduziu aproximadamente 13% de sua força de trabalho no último ano fiscal. No fim de maio, a empresa contabilizava cerca de 141 mil funcionários, contra 162 mil no período anterior, comenta o The Wall Street Journal.

As demissões começaram em março e fazem parte de um processo contínuo de reestruturação, segundo o relatório anual. Nesse período, a companhia também informou gastos de US$ 1,84 bilhão (cerca de R$ 9,2 bilhões) ligados a desligamentos e reorganização interna.

Em meio a esse ajuste, a inteligência artificial já aparece como peça central das decisões. A própria Oracle afirmou, em comunicado, que o uso dessas tecnologias “resultou e pode continuar resultando em reduções de pessoal”. A frase, direta, resume bem o momento: a IA deixou de ser apenas uma aposta tecnológica e passou a influenciar diretamente o tamanho das equipes.

Bilhões em infraestrutura e uma aposta crescente

Enquanto reduz sua estrutura, a Oracle acelera investimentos em outra direção. A empresa está ampliando sua rede de data centers voltados à inteligência artificial, com previsão de gastos líquidos de US$ 70 bilhões (aproximadamente R$ 350 bilhões) neste ano fiscal.

O valor é bem acima dos US$ 55,7 bilhões (cerca de R$ 278 bilhões) investidos no ano anterior — um salto que ajuda a dimensionar o ritmo da estratégia.

Esse movimento não é isolado. Meta e Amazon também vêm seguindo caminho parecido, com cortes de pessoal enquanto direcionam mais recursos para infraestrutura de IA.

Entre os principais pilares dessa estratégia estão:

  • expansão global de data centers voltados à inteligência artificial
  • aumento contínuo dos investimentos em infraestrutura digital
  • reorganização interna com redução de milhares de postos de trabalho
  • foco crescente em serviços de nuvem e IA
  • busca por eficiência em um mercado cada vez mais competitivo
Ícones de aplicativos das big techs Google, Microsoft, Amazon, Apple e Meta numa pasta na tela inicial de um iPhone
Meta e Amazon também seguem tendência de cortes enquanto redirecionam recursos para projetos de IA. Imagem: Poetra.RH/Shutterstock

Riscos altos e uma disputa em andamento

A própria Oracle reconhece que a estratégia envolve incertezas relevantes. A empresa afirma que, se concorrentes alcançarem maior aceitação de mercado com suas soluções de IA ou se os custos superarem o esperado, os resultados podem não acompanhar o volume de investimentos.

Ao mesmo tempo, há outro ponto de pressão: recuar agora pode significar perder espaço numa disputa tecnológica que avança rapidamente.

Leia mais:

Nos últimos anos, a companhia ganhou destaque ao fechar contratos bilionários ligados à capacidade de processamento. Um deles envolve a OpenAI, com previsão de cerca de US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão) em computação ao longo de cinco anos.

Apesar do entusiasmo inicial do mercado, investidores começam a olhar com mais cautela para o tamanho dos aportes das big techs, especialmente diante da pressão sobre margens de lucro causada pela expansão agressiva da infraestrutura de IA.

No fim das contas, o que está em jogo vai além de cortes ou investimentos isolados. É uma mudança mais profunda: a inteligência artificial está redesenhando não só os produtos dessas empresas, mas também o tamanho, a estrutura e a lógica de operação das gigantes de tecnologia.

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ONU vê risco ambiental crescente no avanço da inteligência artificial

A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um alerta direto às grandes empresas de inteligência artificial: chegou a hora de abrir a conta e mostrar quanto essa tecnologia realmente custa ao planeta. O recado foi dado durante a Climate Action Week, em Londres.

Segundo a Reuters, o secretário-geral da ONU, António Guterres, voltou a cobrar transparência sobre o impacto ambiental dos data centers que sustentam sistemas de IA.

Data centers de IA consomem grandes volumes de energia e água, segundo alerta feito pela ONU em Londres. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O custo invisível da IA

A discussão não é exatamente nova, mas ganhou outro peso com a velocidade da inteligência artificial. Por trás dos modelos que viraram parte do dia a dia, existe uma infraestrutura enorme — e cara — de data centers que funcionam sem parar.

Guterres defende que as empresas divulguem, de forma clara, quanto emitem de carbono, quanta água consomem e quanto solo ocupam. E fez um alerta direto: até 2030, esses sistemas podem consumir mais energia do que todos os países do mundo, exceto cinco. Também podem demandar água suficiente para abastecer cerca de 1,3 bilhão de pessoas na África Subsaariana por um ano.

“Se a IA deve ajudar a construir um futuro melhor, ela precisa ser honesta sobre o que nos custa hoje”, disse António Guterres.

Data centers, energia e uma conta que cresce rápido

Os data centers são o coração da inteligência artificial moderna. E, para funcionar, eles não param nunca. Isso significa consumo constante de energia e sistemas intensos de refrigeração — que também exigem muita água.

Na tentativa de sustentar esse crescimento, empresas vêm combinando diferentes fontes de energia, incluindo gás natural e até nuclear, ao mesmo tempo em que anunciam metas de neutralização de carbono. Mas, para a ONU, isso ainda não é suficiente.

A organização quer acelerar a mudança para fontes renováveis e defende que toda essa infraestrutura seja alimentada por energia limpa até 2030.

E aqui o cenário fica mais claro quando se observa o conjunto:

  • consumo de energia segue crescendo com a expansão da IA
  • sistemas de refrigeração aumentam a demanda por água
  • a infraestrutura digital se espalha em ritmo acelerado pelo mundo
  • metas de energia renovável ainda estão distantes da prática
  • falta clareza sobre o impacto ambiental real das operações
Exemplo de data center
Data centers funcionam sem parar e ampliam consumo de energia, segundo alerta da Organização das Nações Unidas. – Imagem: KM Stock/Shutterstock

O metano entra de novo na conversa

No meio desse debate sobre IA, Guterres puxou outro tema que costuma ficar em segundo plano: o metano. Ele pediu mais ação do setor de petróleo e gás para cortar emissões desse gás, que é altamente poluente e tem papel importante no aquecimento global.

Leia mais:

O pedido é direto: reduzir vazamentos, acabar com a queima rotineira de gás e adotar padrões científicos mais rígidos. E ele foi além — disse que o mundo ainda não está na rota certa para cumprir suas metas climáticas.

Antes da COP31, uma cobrança global

A ONU também já olha para a próxima grande reunião do clima. Antes da COP31, marcada para a Turquia, Guterres vai reunir líderes mundiais em setembro para tentar acelerar compromissos.

A ideia é empurrar uma transição energética mais organizada, menos dependente de combustíveis fósseis. Mas, no fim das contas, o recado principal não muda: a inteligência artificial pode até estar moldando o futuro, mas o impacto ambiental que ela deixa no presente não dá mais para ficar fora da conta.

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Advogada de IA vence caso inédito em tribunal inglês

A consultora de RH venceu uma ação em um tribunal inglês com apoio de um sistema de advocacia baseado em IA. O caso, envolvendo uma dívida de £ 7.000 (cerca de R$ 44.000), acabou chamando atenção não só pelo valor, mas pela forma como tecnologia e prática jurídica tradicional se misturaram.

Mais do que uma disputa financeira, o episódio mostra como ferramentas de IA começam a aparecer em cobranças mais simples — embora ainda dependam de atuação humana para chegar ao fim.

Tecnologia jurídica entra em cena e ajuda a preparar ação antes da audiência no tribunal. – Imagem: DJSPIDA FOTO/Shutterstock

Quando a IA entrou na disputa

Segundo o The Guardian, a consultora de RH Tamires Camal Taquidir recorreu à Garfield AI para tentar recuperar uma dívida de £ 7.000 (cerca de R$ 44.000), pagando aproximadamente £ 400 (cerca de R$ 2.500) pelo serviço. A ferramenta ajudou desde o começo, organizando notificações, preparando documentos e até respondendo aos argumentos apresentados pela outra parte.

Na prática, o sistema assumiu boa parte da preparação do caso antes da audiência. Tamires explicou a decisão de usar a tecnologia de forma simples.

Eu tinha valores a receber por um trabalho realizado, mas sentia que o processo de recuperação poderia ser excessivamente estressante, caro e demorado. A Garfield tornou possível dar continuidade à cobrança.

Tamires Camal Taquidir, consultora de RH, ao The Guardian.

Um caso pequeno que virou referência

O cofundador da Garfield, Philip Young, descreveu o resultado como um avanço no acesso à justiça, principalmente para quem desiste de cobrar dívidas menores por causa do custo do processo. A empresa é autorizada pela Solicitors Regulation Authority e atua em casos de até £ 10.000 (cerca de R$ 63.000).

Como a Inteligência Artificial vai mudar sua rotina em 2026
Escritório com inteligência artificial atuou na cobrança de dívida e ajudou a estruturar o processo antes da audiência. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Onde a IA para e o humano assume

Mesmo com a automação de várias etapas, a presença humana ainda foi determinante. O advogado Dominic Li, que atuou na audiência, afirmou que a IA ajudou a estruturar o caso, mas não substitui o julgamento no tribunal.

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“A atuação em audiência continuou sendo essencial e um exercício fundamentalmente humano”, disse.

Em outras palavras, a tecnologia organiza e acelera, mas a decisão continua nas mãos de pessoas.

Um cenário que ainda está se formando

O caso surge em meio a discussões mais amplas sobre o uso de inteligência artificial no setor jurídico, especialmente após episódios recentes de erros envolvendo ferramentas automatizadas.

  • IA organizou documentos e estratégias do processo
  • dívida era de £ 7.000 (cerca de R$ 44.000)
  • serviço custou cerca de £ 400 (cerca de R$ 2.500)
  • resultado reforça uso combinado de IA e advogados humanos

No fim, o caso não muda sozinho o sistema jurídico britânico, mas deixa claro como esse tipo de tecnologia começa a ocupar espaço em disputas menores — aquelas que, muitas vezes, nem chegavam ao tribunal.

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Europa pode ficar para trás na disputa global pela IA até 2031, preveem analistas

Um exercício narrativo produzido por analistas em Bruxelas projeta um futuro em que, até 2031, Estados Unidos e China consolidam vantagem decisiva na inteligência artificial. Nesse quadro, a Europa aparece como espectadora de uma disputa tecnológica que redefine economia, política e segurança global.

A história imaginada ganhou circulação entre autoridades europeias após ser associada a movimentos reais de restrição tecnológica e a debates sobre infraestrutura de IA, incluindo a limitação de acesso a modelos avançados como o Claude Fable pela administração norte-americana. O material foi elaborado por integrantes ligados ao Arq Foundation.

O enredo foi usado como alerta por seus autores, que defendem ser necessário acelerar investimentos em datacenters e capacidade computacional, enquanto críticos apontam que o cenário mistura tendências reais com extrapolações incertas sobre o futuro da tecnologia.

Cenário de disputa tecnológica e projeção europeia

Potências vêm brigando pelo controle da tecnologia no mundo todo – Imagem: Pla2na/Shutterstock

A narrativa chamada, “Europe 2031”, foi desenvolvida em Bruxelas por pesquisadores associados ao Arq Foundation, organização que não revela sua fonte de financiamento. O texto apresenta uma Europa que teria perdido relevância tecnológica por não acompanhar o ritmo de investimento dos Estados Unidos e da China em inteligência artificial e infraestrutura digital.

Segundo o engenheiro e pesquisador Maximilian Negele, que atuou no projeto após passagem por um instituto de pesquisa norte-americano, existe um descompasso de comunicação entre centros decisórios europeus e polos de inovação em San Francisco. Ele descreve a situação europeia como uma evolução lenta diante de mudanças aceleradas no setor tecnológico global.

No cenário ficcional, empresas norte-americanas teriam direcionado enormes volumes de capital para a construção de datacenters e reorganizado completamente seus modelos de trabalho com IA, enquanto a Europa manteria políticas mais cautelosas e menor ritmo de adoção tecnológica.

Economia global, infraestrutura e concentração de poder

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de inteligência artificial (IA) – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O enredo descreve um futuro em que os Estados Unidos alcançariam cerca de 70% da capacidade global de processamento computacional, elemento considerado essencial para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial avançados. Essa concentração colocaria a Europa em posição de dependência tecnológica.

O texto também menciona movimentos corporativos de grande escala envolvendo empresas como OpenAI, Nvidia e Oracle, com acordos bilionários que, segundo o próprio material, já apresentariam sinais de instabilidade ou revisão. Projetos de expansão de infraestrutura nos Estados Unidos, incluindo iniciativas no Texas, aparecem como símbolo dessa corrida por capacidade computacional.

Nesse contexto, a Europa teria dificuldades em converter ativos estratégicos, como a empresa holandesa ASML, em vantagem política ou econômica, mesmo diante de tensões com Estados Unidos e China.

Política, regulação e disputa por soberania

A projeção também aborda impactos políticos, sugerindo que a ausência de liderança europeia em IA poderia intensificar crises econômicas, aumento do desemprego e instabilidade institucional. O texto inclui ainda a hipótese de uso de tecnologias avançadas em ciberataques e vigilância.

O debate ganhou eco entre autoridades, como o eurodeputado espanhol Nicolás Casares, que reconhece a utilidade do cenário como provocação, mas alerta para exageros na forma como os riscos são apresentados. Para ele, a discussão central envolve quem controla a infraestrutura de inteligência artificial e quem se beneficia dela.

Os autores defendem que a solução passa por expansão acelerada de datacenters e flexibilização regulatória na Europa, enquanto críticos argumentam que essa corrida pode reforçar dependência tecnológica em vez de autonomia.

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Google sob pressão: ações da Alphabet despencam após saída de pesquisadores de inteligência artificial

As ações da Alphabet, controladora do Google, registraram forte retração de aproximadamente 5% em um único pregão nesta segunda-feira (22), configurando o pior desempenho da companhia em mais de um ano. O movimento ocorreu em meio ao avanço das preocupações do mercado com o ritmo de desenvolvimento em inteligência artificial e com a capacidade da empresa de manter vantagem competitiva.

O recuo também coincidiu com a saída de nomes relevantes ligados às áreas de pesquisa em IA, o que ampliou a percepção de instabilidade interna. Investidores passaram a reagir não apenas aos resultados imediatos, mas também ao cenário mais amplo de disputa por talentos e direção tecnológica.

Entre os fatores adicionais, análises de mercado apontaram dúvidas sobre o retorno dos elevados investimentos em infraestrutura de IA, além de sinais de que o setor pode estar se tornando mais homogêneo e menos diferenciado entre os grandes players.

Pressão na corrida da inteligência artificial e saída de pesquisadores

Gemini é o sistema de IA do Google – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O desempenho negativo das ações foi associado a uma sequência de saídas em posições estratégicas da área de inteligência artificial da empresa. Entre elas, destaca-se a ida de Noam Shazeer, vice-presidente de engenharia e co-líder do projeto Gemini, para a OpenAI, empresa concorrente no segmento de IA.

Outro movimento relevante foi a saída de John Jumper, vice-presidente da DeepMind e pesquisador de destaque responsável pelo desenvolvimento do AlphaFold, sistema capaz de prever estruturas de proteínas em larga escala. Jumper, reconhecido com o Nobel em 2024 ao lado de Demis Hassabis, deixou a companhia após anos de atuação.

Segundo relatos do mercado, essas movimentações alimentaram a leitura de que há uma disputa crescente por talentos entre os principais laboratórios de inteligência artificial, o que pode afetar a continuidade de projetos estratégicos.

Debate sobre custos, concorrência e visão do mercado

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de inteligência artificial (IA) – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

A pressão sobre a Alphabet também foi reforçada por preocupações relacionadas ao volume de investimentos em inteligência artificial. A empresa teria ampliado significativamente seus aportes em infraestrutura, incluindo emissão de cerca de 141 bilhões de dólares em dívida e capital desde outubro.

De acordo com a avaliação atribuída ao CEO da Microsoft, Satya Nadella, o setor pode estar passando por um processo de comoditização, no qual modelos de IA se tornam mais semelhantes entre si e menos exclusivos, o que reduziria diferenciais competitivos entre empresas.

Nesse contexto, investidores passaram a questionar se os altos gastos realizados pela Alphabet estariam de fato construindo vantagens sustentáveis ou apenas pressionando margens futuras.

Impactos operacionais e percepção do mercado

Além do cenário financeiro e estratégico, usuários relataram instabilidades em serviços amplamente utilizados, como Gmail e YouTube, no mesmo período da queda das ações. Embora não haja indicação de causa direta entre os eventos, a coincidência contribuiu para ampliar a atenção do mercado sobre a operação da empresa.

A combinação entre pressão competitiva, mudanças internas e dúvidas sobre a eficiência dos investimentos em IA resultou em um dia de forte volatilidade para a companhia no mercado acionário.

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Microsoft anuncia usina de gás para abastecer data centers de IA no Texas

A Microsoft e a Chevron anunciaram nesta segunda-feira (22) um plano conjunto para erguer uma usina de gás natural de grande porte no oeste do Texas, nos Estados Unidos. O objetivo é fornecer energia dedicada a data centers de inteligência artificial e serviços de nuvem da empresa de tecnologia.

O projeto prevê capacidade de 2,67 gigawatts e será sustentado por um contrato de compra de energia com duração de 20 anos. A geração ficará a cargo de turbinas da GE Vernova e de equipamentos da subsidiária Solar Turbines, vinculada à Caterpillar, garantindo fornecimento contínuo para a operação dos data centers.

Batizado de Project Kilby, o empreendimento surge em meio à pressão sobre metas ambientais da Microsoft, que prevê zerar suas emissões líquidas até 2030. Segundo estimativas citadas no planejamento, a operação pode gerar milhões de toneladas de dióxido de carbono e outros poluentes, o que intensifica o debate sobre o impacto ambiental da expansão da infraestrutura de IA.

Estrutura e operação do projeto energético

Data center de inteligência artificial (IA) – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O projeto foi descrito pelas empresas como um dos maiores empreendimentos integrados entre geração de energia fóssil e infraestrutura de data centers nos Estados Unidos. A proposta consiste em instalar uma unidade de geração a gás diretamente vinculada ao consumo de energia dos centros de processamento da Microsoft.

De acordo com informações divulgadas, a planta terá escala suficiente para alimentar operações de computação em nuvem e inteligência artificial de alta demanda energética. O modelo prevê um fornecimento exclusivo de eletricidade ao longo de duas décadas, reforçando a dependência de infraestrutura energética dedicada.

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Imagem: New Africa/Shutterstock

A iniciativa também envolve tecnologia de turbinas de grande porte fornecidas pela GE Vernova, enquanto sistemas complementares de geração serão operados pela Solar Turbines, ligada à Caterpillar. A combinação busca garantir estabilidade energética para cargas contínuas e intensivas.

Apesar da dimensão do projeto, ele ocorre em um contexto de questionamento ambiental. Estimativas apontam potencial de emissão superior a 13 milhões de toneladas de dióxido de carbono, além de poluentes atmosféricos e substâncias classificadas como perigosas. Esses números contrariam compromissos climáticos assumidos pela Microsoft para a próxima década.

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