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Como a IA está mudando a forma de pesquisar, comprar e navegar na internet

Durante décadas, a principal forma de encontrar informações na internet foi por meio de mecanismos de busca. Usuários faziam pesquisas, escolhiam entre os links exibidos e acessavam sites para ler notícias, comparar produtos ou buscar respostas para suas dúvidas.

Com o avanço da inteligência artificial (IA) generativa, esse processo começa a mudar. Em vez de navegar por uma lista de resultados, um número crescente de pessoas está recorrendo diretamente a ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot para obter respostas prontas, recomendações personalizadas e comparações de produtos.

A mudança já aparece nos números. Dados da consultoria McKinsey mostram que 50% dos consumidores utilizam ferramentas de busca baseadas em IA. O impacto também começa a ser percebido no comércio eletrônico, onde plataformas de IA já influenciam a descoberta de produtos e o tráfego para lojas virtuais.

Mais do que alterar hábitos de pesquisa, a inteligência artificial começa a transformar a dinâmica que sustentou a internet por décadas. À medida que respostas passam a ser entregues diretamente por sistemas de IA, empresas, criadores de conteúdo e plataformas tentam entender como essa mudança pode afetar o tráfego na web, a descoberta de produtos e a produção de conteúdo online.

Estamos saindo de uma internet baseada em busca

A transformação vai além da popularização de novas ferramentas, segundo Edson Alves, CEO da Ikatec. Em entrevista ao Olhar Digital, o executivo afirmou que a própria lógica de navegação da internet começa a mudar.

Estamos saindo de uma internet baseada em busca para uma internet baseada em respostas. Antes, o usuário fazia uma pergunta, recebia uma lista de links e precisava montar a resposta sozinho. Agora, ele faz uma pergunta e recebe uma síntese pronta, contextualizada e personalizada.

Edson Alves, CEO da Ikatec

Segundo Alves, a mudança mais perceptível está no comportamento dos usuários. Em vez de utilizar combinações de palavras-chave para encontrar informações, as pessoas passaram a interagir com a tecnologia de forma mais próxima de uma conversa.

“As pessoas estão deixando de pesquisar por palavras-chave e passando a conversar com a tecnologia. Isso torna a experiência mais natural e reduz drasticamente o tempo necessário para encontrar informações relevantes”, afirma.

Durante décadas, mecanismos de busca como o Google funcionaram como principal porta de entrada para informações na internet – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Uma tendência semelhante é observada por Danilo Fonseca, sócio da Saving. Em entrevista ao Olhar Digital, o executivo afirmou que as buscas estão se tornando mais detalhadas e contextualizadas do que nos mecanismos de busca tradicionais.

As buscas têm sido cada vez mais em linguagem natural, diferente de como fazíamos no Google. Elas deixaram de ser ‘palavras-chave’ e viraram uma conversa.

Danilo Fonseca, sócio da Saving

Na prática, isso significa que o usuário não precisa mais limitar uma pesquisa a termos curtos como “melhor tênis de corrida” ou “melhor notebook”. Em vez disso, pode explicar seu contexto, objetivos e preferências para receber recomendações mais específicas.

De acordo com Fonseca, os modelos de IA conseguem considerar diferentes informações compartilhadas durante uma interação e consultar múltiplas fontes antes de formular uma resposta, aproximando a experiência de uma conversa com um assistente digital.

Quando a IA responde, quem perde o clique?

A mudança na forma de pesquisar começa a produzir efeitos em um dos pilares da internet moderna: o tráfego gerado por mecanismos de busca.

Durante décadas, buscadores funcionaram como intermediários entre usuários e sites. A pessoa fazia uma pesquisa, escolhia um resultado e acessava páginas para consumir notícias, comparar produtos ou buscar informações. Com a popularização das respostas geradas por IA, parte desse processo passa a acontecer sem que o usuário precise deixar a plataforma.

Os dados indicam que essa transformação já está em andamento. Segundo a Similarweb, a proporção de buscas realizadas no Google sem qualquer clique em sites externos passou de 56% para 69% entre maio de 2024 e maio de 2025. Já um levantamento do Pew Research Center mostrou que usuários que recebem respostas geradas por IA clicam em links tradicionais com menos frequência do que aqueles que visualizam apenas resultados convencionais.

Para Alves, o impacto vai além de uma simples mudança tecnológica e levanta questões sobre o modelo econômico que sustentou grande parte da produção de conteúdo na internet.

Grande parte da produção de conteúdo foi financiada pelo tráfego gerado pelos buscadores. Se esse tráfego diminuir significativamente, será necessário encontrar novos modelos econômicos para manter a geração de conteúdo de qualidade.

Edson Alves, CEO da Ikatec

Os efeitos já começam a aparecer para empresas que dependem desse tráfego. Dados divulgados pela Chartbeat indicam que pequenos publishers perderam cerca de 60% das visitas vindas de mecanismos de busca nos últimos dois anos. Ao mesmo tempo, o crescimento das visitas originadas por plataformas de IA ainda não foi suficiente para compensar essas perdas.

A inteligência artificial também cria novas formas de descoberta de conteúdo. Segundo a Similarweb, plataformas de IA geraram mais de 1,1 bilhão de visitas de referência em junho de 2025, um crescimento de 357% em relação ao ano anterior.

A IA está virando um consultor de compras

A influência da inteligência artificial não termina quando uma pergunta é respondida. Cada vez mais, essas plataformas também participam da descoberta de produtos, da comparação de alternativas e da tomada de decisão dos consumidores.

Para Edson Alves, essa é uma das mudanças mais relevantes provocadas pela popularização dos assistentes de IA. “A IA está se tornando um verdadeiro consultor digital. Em vez de pesquisar dezenas de sites, comparar avaliações e analisar características, o consumidor pode simplesmente pedir recomendações personalizadas”, afirma ele.

Mão robótica empurra um carrinho de compras com caixas sobre uma superfície refletiva.
Ferramentas de IA começam a assumir tarefas que antes exigiam pesquisas manuais, incluindo comparação de produtos e recomendações de compra – Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock

Segundo o executivo, a descoberta de produtos e serviços passa a ocorrer de forma mais contextualizada. Em vez de depender exclusivamente de anúncios ou resultados de busca, o usuário pode solicitar análises comparativas e sugestões adaptadas às suas necessidades.

Isso reduz etapas da jornada de compra e aumenta a influência dos assistentes inteligentes nas decisões de consumo. A descoberta de produtos passa a ocorrer por recomendação contextual, não apenas por anúncios ou resultados de busca.

Edson Alves, CEO da Ikatec

O avanço dessa tendência coincide com o lançamento de ferramentas capazes de executar tarefas em nome dos usuários. Nos últimos meses, empresas como Google, OpenAI e Microsoft passaram a apresentar agentes que podem pesquisar produtos, comparar opções e auxiliar decisões de compra.

Para Danilo Fonseca, esse movimento foi um dos sinais mais claros de que a relação entre consumidores e marcas está entrando em uma nova fase.

Quando empresas como Google, OpenAI e Microsoft começaram a anunciar agentes capazes de pesquisar, comparar opções e até executar tarefas em nome do usuário, ficou claro que as marcas precisariam ser encontradas não apenas por pessoas.

Danilo Fonseca, sócio da Saving

Os números sugerem que essa transformação já está em andamento. Dados da Adobe apontam que o tráfego gerado por ferramentas de IA para sites de varejo dos Estados Unidos cresceu 393% no primeiro trimestre de 2026. Durante a temporada de compras de fim de ano de 2025, o avanço chegou a 693% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na visão de Alves, a tendência é que os consumidores deleguem uma parcela cada vez maior da pesquisa inicial para sistemas capazes de reunir informações, comparar alternativas e apresentar recomendações em poucos segundos. No futuro, segundo ele, será possível pedir a uma IA indicações sobre softwares, veículos, fornecedores ou outros produtos complexos e receber análises prontas para apoiar a decisão.

Empresas tentam se adaptar às novas regras

A mudança no comportamento dos usuários está criando um novo desafio para empresas acostumadas a disputar visibilidade nos mecanismos de busca tradicionais.

Se durante anos a estratégia digital esteve concentrada em aparecer entre os primeiros resultados do Google, agora cresce a preocupação com a forma como marcas são interpretadas e apresentadas por ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity.

Para Edson Alves, essa mudança está criando uma nova dinâmica de competição no ambiente digital.

A disputa deixa de ser apenas pela primeira posição do Google e passa a ser pela relevância dentro do conhecimento consumido pelas IAs.

Edson Alves, CEO da Ikatec

Segundo o executivo, fatores como autoridade da marca, reputação digital, consistência das informações e presença em múltiplas fontes tendem a ganhar importância em um cenário em que os sistemas de IA sintetizam conteúdos e destacam apenas algumas referências para os usuários.

Novas estratégias para um novo ambiente

A transformação já impulsiona o surgimento de estratégias voltadas especificamente para esse novo ambiente. O mercado passou a adotar termos como Generative Engine Optimization (GEO) e AI Search Optimization para descrever práticas que buscam aumentar as chances de uma marca ser citada ou recomendada por sistemas de inteligência artificial.

“O motivo é simples: onde existe atenção, existe valor econômico”, afirma Alves. Segundo ele, as empresas perceberam que ser mencionado por um assistente de IA pode ter um impacto semelhante ao de ocupar as primeiras posições em uma busca tradicional.

Painéis com gráficos, métricas de desempenho e indicadores digitais sobrepostos a um notebook utilizado por uma pessoa.
Empresas começam a adotar novas estratégias para monitorar como suas marcas aparecem em mecanismos de busca e ferramentas de inteligência artificial – Imagem: Koupei Studio / Shutterstock

Na avaliação de Danilo Fonseca, sócio da Saving, a adaptação exige uma abordagem mais ampla do que as estratégias tradicionais de otimização para buscadores. “O jogo parece o mesmo, mas as regras são diferentes”, destaca ele.

Segundo o executivo, empresas precisam fortalecer sua presença em diferentes canais, incluindo sites próprios, veículos de imprensa, redes sociais, fóruns e blogs especializados. Isso porque os modelos de IA utilizam múltiplas fontes para construir respostas e recomendações.

A demanda por esse tipo de monitoramento já começa a aparecer no mercado. De acordo com Fonseca, muitos empresários passaram a pesquisar suas próprias marcas em plataformas como ChatGPT, Gemini e Perplexity para entender como são apresentados aos usuários.

Quando nos procuram sobre esse tema os clientes querem ser mencionados e considerados nas recomendações do ChatGPT e afins.

Danilo Fonseca, sócio da Saving

Uma das iniciativas surgidas nesse contexto é a plataforma ALVO, da Saving, desenvolvida para monitorar como empresas são apresentadas por ferramentas de IA e em diferentes canais digitais.

A nova economia da relevância

Embora as transformações provocadas pela inteligência artificial já sejam perceptíveis, ainda não existe consenso sobre como será a próxima etapa dessa evolução.

Para Danilo Fonseca, diferentes cenários permanecem em aberto. Um deles envolve o avanço dos chamados agentes de IA, capazes de pesquisar produtos, comparar alternativas e executar tarefas em nome dos usuários. Outro prevê uma valorização ainda maior de avaliações, recomendações e conteúdos produzidos por pessoas.

Independentemente do caminho que prevalecer, a tendência é que mecanismos de busca, plataformas de comércio eletrônico e assistentes de IA se tornem cada vez mais integrados.

“A tendência é de convergência”, afirma Edson Alves. Segundo ele, os mecanismos de busca devem incorporar mais capacidades conversacionais, enquanto plataformas de comércio eletrônico passam a utilizar assistentes inteligentes como parte da experiência de compra.

Na avaliação do executivo, a mudança também deve alterar a forma como conteúdos são produzidos e distribuídos na internet. Em vez de depender exclusivamente de técnicas tradicionais de otimização, empresas e criadores de conteúdo precisarão investir cada vez mais em autoridade, especialização e credibilidade.

Acredito que veremos o surgimento de uma nova economia da relevância, onde não basta estar na internet; será necessário ser reconhecido como uma fonte confiável pelas inteligências artificiais.

Edson Alves, CEO da Ikatec

Durante décadas, o principal desafio da internet foi ser encontrado por pessoas. Agora, à medida que ferramentas de IA passam a intermediar parte dessas interações, a disputa começa a incluir outro objetivo: ser reconhecido também pelas máquinas que ajudam a decidir o que os usuários vão ver.

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Chatbot Claude pode exigir documentos ou selfie dos usuários, diz nova política da Anthropic

A empresa de inteligência artificial Anthropic passou a prever, em sua política de privacidade atualizada, a possibilidade de exigir verificação de identidade de usuários do assistente Claude. A medida se aplica a situações específicas em que contas forem sinalizadas, sem detalhamento público de todos os critérios.

Segundo a companhia, quando acionado, esse procedimento, o usuário poderá ser solicitado a enviar documentos oficiais, como passaporte ou carteira de motorista, além de imagem facial ou vídeo. A verificação será realizada com apoio de uma empresa terceirizada.

De acordo com a empresa, a mudança busca reforçar processos de revisão de contas e oferecer uma via de contestação a usuários que tenham sido marcados por possível fraude, em vez de simples bloqueio permanente.

Mudança na política de verificação da Anthropic e impacto no Claude

IA poderosa da Anthropic causa muitas preocupações – Crédito: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

A atualização da política de privacidade da Anthropic foi registrada em junho e está prevista para entrar em vigor em 8 de julho. O texto estabelece que a verificação de idade ou identidade poderá ocorrer em “certas circunstâncias”, sem detalhar todos os cenários possíveis.

Quando o mecanismo for acionado, usuários do Claude podem precisar enviar cópias digitais de documentos oficiais e também uma selfie ou gravação em vídeo. O sistema inclui ainda a criação de um modelo geométrico facial, tratado como dado biométrico em algumas jurisdições.

A verificação será feita por meio da empresa Persona, responsável por processar os dados enviados. A Anthropic informou que também registra o resultado da checagem, como confirmação de idade mínima.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Segundo a companhia, a medida se aplica a uma parcela reduzida de usuários, especialmente aqueles com contas sinalizadas por suspeita de irregularidade. A empresa não detalhou a quantidade exata de pessoas impactadas, mas afirmou que sua base pode alcançar dezenas de milhões de usuários mensais.

No contexto mais amplo, a decisão ocorre em meio a pressões regulatórias e disputas políticas nos Estados Unidos envolvendo acesso e controle de ferramentas de inteligência artificial. O caso também se conecta a tensões recentes entre a empresa e autoridades federais, incluindo críticas relacionadas a modelos de segurança e possíveis usos indevidos da tecnologia.

Além disso, já houve episódios em que o Departamento de Defesa norte-americano classificou a empresa como “risco na cadeia de suprimentos”, após divergências sobre o uso da tecnologia em aplicações militares e de vigilância.

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Banco Central Europeu revela impacto limitado da IA sobre empregos e salários nos EUA

Um estudo divulgado recentemente pelo Banco Central Europeu analisou o efeito da expansão da inteligência artificial no mercado de trabalho dos Estados Unidos entre 2019 e 2025. A investigação considera como o avanço dessas tecnologias pode alterar funções profissionais, especialmente em setores mais expostos à automação.

Segundo a análise, apesar das preocupações sobre substituição em larga escala de trabalhadores, o impacto agregado sobre emprego e salários no país ainda não se mostrou significativo no período observado. O levantamento indica que mudanças vêm ocorrendo de forma gradual, com realocação de profissionais entre diferentes áreas.

O documento também observa que funções consideradas de maior risco de substituição por IA perderam participação relativa, enquanto ocupações menos expostas ganharam espaço, sinalizando uma reorganização progressiva do mercado de trabalho norte-americano.

Reorganização gradual do trabalho diante da IA

Banco Central Europeu – Imagem: Todamo/Shutterstock

O relatório do Banco Central Europeu descreve que empresas vêm aumentando investimentos em inteligência artificial nos últimos anos, o que alimentou receios sobre substituição de mão de obra e ampliação de desigualdades. Ainda assim, o estudo indica que, até o momento, os efeitos gerais permanecem contidos.

Entre 2019 e 2025, ocupações com alto risco de substituição por IA cresceram em ritmo menor do que aquelas consideradas menos vulneráveis. Segundo o documento, a diferença chega a cerca de 15 pontos percentuais em termos de crescimento relativo.

O levantamento também aponta queda média superior a 4% no número de empregos mais expostos, como economistas e designers gráficos. Em sentido oposto, funções com menor risco, como eletricistas e professores do ensino médio, registraram alta aproximada de 13% no mesmo intervalo.

A participação desses dois grupos no total de empregos também se alterou: as ocupações menos vulneráveis passaram de 23% para 25%, enquanto as mais expostas recuaram de 35% para 33%, indicando redistribuição no mercado de trabalho.

Ilustração de notas de dólares voando ao redor de quadrado com AI escrito, sigla em inglês para Inteligência Artificial
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

No campo da renda, o estudo não identificou impacto relevante sobre o crescimento salarial desde 2019. Ainda assim, o documento ressalta que efeitos mais intensos podem surgir no futuro, à medida que ferramentas de IA evoluem para modelos mais generativos e a adaptação do mercado se intensifica.

Em uma das passagens do relatório, o Banco Central Europeu afirma: “Sobretudo entre 2019 e 2025, os empregos com alto risco de substituição cresceram cerca de 15 pontos percentuais a menos do que os empregos com baixo risco de substituição.

Em outra parte, o órgão acrescenta: “O risco de substituição por IA não teve impacto significativo no crescimento dos salários desde 2019.

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Google e estúdio A24 fecham parceria de US$ 75 milhões para criar ferramentas de IA voltadas ao cinema

Nesta segunda-feira (22), o Google e o laboratório DeepMind anunciaram uma colaboração com o estúdio A24 para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial voltadas ao cinema. O acordo prevê um aporte financeiro de cerca de 75 milhões de dólares, conforme noticiado pelo The Wall Street Journal, e representa a primeira participação acionária do Google em um estúdio audiovisual.

A iniciativa busca aproximar pesquisa avançada em IA e a produção cinematográfica, com foco em tecnologias capazes de otimizar processos criativos e ampliar possibilidades narrativas. A parceria não é exclusiva e deverá se desdobrar em diferentes projetos ao longo do tempo, sem conceder ao Google acesso ao catálogo de obras do estúdio.

Embora apresentada como um movimento de inovação, a colaboração ocorre em meio a debates da indústria sobre direitos autorais e o uso de dados públicos no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Os envolvidos descrevem o projeto como uma tentativa de equilibrar avanço tecnológico e preservação do controle criativo.

Parceria entre Google DeepMind e A24 aposta em novas ferramentas para cinema

Google – Imagem: ZikG/Shutterstock

Segundo o The Wall Street Journal, o acordo firmado entre Google e A24 prevê atuação em múltiplas frentes ao longo dos próximos anos. A proposta inclui o desenvolvimento de soluções para diferentes etapas da produção e também para a distribuição de filmes, mantendo restrições de acesso ao acervo do estúdio.

Em comunicado oficial, o Google afirmou que a colaboração tem como objetivo aproximar tecnologia de ponta e criação artística, permitindo que os próprios criadores influenciem o desenvolvimento das ferramentas. “Isso garante que as ferramentas do futuro sejam moldadas pelos criadores que as utilizam.”

Scott Belsky, sócio do A24 e ex-diretor de estratégia da Adobe, destacou que as soluções em desenvolvimento não seguem o modelo tradicional de geração por comando.

silhueta de homem no celular à frente do logo da google deepmind
(Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)

De acordo com ele, a proposta prioriza a preservação do controle artístico e o incentivo à experimentação. “Não vai se parecer em nada com o tipo de IA de geração por comandos que deixa as pessoas desconfortáveis” e “há usos melhores que preservam o controle criativo e incentivam a tomada de riscos”, disse em entrevista ao jornal estadunidense.

O cineasta e criador Kane Parsons, associado a produções no YouTube e ao projeto Backrooms, apresentou uma visão crítica sobre o uso de IA generativa. Ele afirmou não ver prazer na utilização dessa tecnologia e a descreveu como reflexo de questões culturais mais amplas.

A IA generativa parece menos uma inovação do que um sintoma de uma decadência cultural e econômica mais ampla” e “não sinto nenhum prazer em usar essa tecnologia em qualquer projeto”, concluiu.

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Sua empresa está atrasada em IA? Um em cada quatro funcionários pode pedir demissão por causa disso

A inteligência artificial deixou de ser uma aposta para o futuro e passou a fazer parte da rotina de profissionais de áreas como direito, contabilidade, auditoria, compliance e gestão de riscos. O problema é que muitas empresas ainda não conseguiram acompanhar essa transformação.

É o que aponta o relatório Future of Professionals 2026, da empresa de conteúdo e tecnologia Thomson Reuters. O estudo foi elaborado com base em entrevistas realizadas com 1.816 profissionais de 62 países, e mostra que a adoção da IA avança em um ritmo superior à capacidade das organizações de incorporá-la de forma organizada.

O resultado é uma combinação de riscos que envolve perda de clientes, evasão de talentos e aumento do uso de ferramentas não autorizadas.

Os dados revelam que 74% dos profissionais já utilizam ferramentas de inteligência artificial semanalmente. Apesar disso, 91% acreditam que suas organizações ainda estão aquém do potencial que a tecnologia poderia entregar.

A distância entre expectativa e execução já tem efeitos concretos. Segundo o relatório, quase um quarto dos profissionais considera deixar o emprego nos próximos dois anos caso não enxergue avanços significativos na adoção da IA dentro das empresas.

Estamos vendo surgir uma divisão clara. Escritórios que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro.

Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters

74% dos profissionais já utilizam ferramentas de IA semanalmente – mas empresas não acompanham ritmo de adoção – Imagem: ktsdesign/Shutterstock

Clientes estão exigindo IA – e empresas podem perder receita

A pressão não vem apenas dos funcionários.

O relatório mostra que 78% dos clientes corporativos consideram as melhorias de qualidade proporcionadas pela inteligência artificial essenciais ou muito importantes. Mas apenas 6% acreditam que os fornecedores de serviços profissionais já entregam o nível esperado de evolução.

Diante dessa percepção, 32% dos clientes afirmam que pretendem reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses. Nos Estados Unidos, a Thomson Reuters estima que esse movimento pode colocar aproximadamente US$ 143 bilhões em receitas dos mercados jurídico e contábil sob revisão.

A disputa por talentos

A pesquisa indica que o acesso a ferramentas profissionais de IA já começa a influenciar decisões de carreira:

  • Globalmente, 24% dos profissionais que enxergam diferença entre o potencial da tecnologia e o que suas empresas efetivamente entregam afirmam que considerariam deixar seus empregos nos próximos dois anos;
  • Em 13% dos casos, essa decisão poderia ocorrer já nos próximos 12 meses;
  • Ao mesmo tempo, 62% dos entrevistados disseram que o acesso a ferramentas avançadas de IA teria peso na decisão de aceitar uma nova proposta de trabalho.

Os dados sugerem que a inteligência artificial começa a ocupar um papel semelhante ao que outras tecnologias corporativas desempenharam no passado: deixa de ser um diferencial e passa a ser uma expectativa básica por parte dos profissionais.

Ao Olhar Digital, Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters, explicou que os maiores impactados são funcionários em meio de carreira:

O maior risco de saída não está nos profissionais mais jovens; está no meio de carreira. São profissionais operacionalmente críticos, que tocam o dia a dia e gerenciam relações com clientes. Essa parcela do mercado já incorporou IA ao próprio padrão profissional.

Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters

relatório future of professionals da Thomson Reuters
Entre os profissionais cujas empresas ou departamentos possuem uma estratégia de IA definida, 35% afirmam que a prática diária não corresponde a essa estratégia. Esses são os motivos mais comuns – Imagem: Thomson Reuters

Quanto mais empresas demoram, mais cresce o Shadow AI

Isso também ajuda a explicar por que muitas empresas enfrentam dificuldades para conter o Shadow AI, quando funcionários recorrem a ferramentas de IA externas para dar conta de demandas de produtividade.

Um dos alertas do relatório envolve justamente o avanço dessa prática. O termo descreve o uso de ferramentas de inteligência artificial sem aprovação, monitoramento ou conhecimento das empresas. O Olhar Digital deu detalhes sobre os riscos dessa prática nesta outra reportagem.

  • Segundo o levantamento, um terço dos profissionais de direito, contabilidade e compliance em todo o mundo já utiliza ferramentas de IA não autorizadas por suas organizações;
  • Na América Latina, o índice é ainda maior: 46% dos profissionais afirmam recorrer a soluções não homologadas pelas empresas;
  • Entre aqueles que consideram que suas organizações avançam lentamente na adoção da tecnologia, o percentual chega a 55%.

Para o executivo, o problema não é técnico: “é falha de gestão de mudança”. Ele citou as causas mais comuns:

As quatro causas mais comuns no nosso estudo são claras: as ferramentas certas não estão no ponto (47%), as pessoas não foram preparadas para trabalhar do jeito esperado (43%), a estratégia não foi traduzida em prioridades operacionais (32%) e não há entendimento compartilhado da estratégia (30%).

Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters

Mesmo com o uso não autorizado, os próprios profissionais demonstram clareza sobre os requisitos necessários para utilizar IA em ambientes corporativos. Na região, 98% afirmam que as ferramentas precisam garantir proteção de dados confidenciais. Outros 98% exigem conteúdo verificado e confiável, enquanto 95% consideram fundamental que os resultados possam ser justificados e auditados.

Apesar disso, muitos recorrem a soluções externas por falta de alternativas corporativas.

Para Kelly Stefani, CRO da Agility, o fenômeno está menos relacionado à má-fé dos funcionários e mais à ausência de direcionamento por parte das empresas:

As pessoas estão sendo cobradas para entregar mais, em menos tempo e com mais qualidade. Quando descobrem uma ferramenta que ajuda a resumir documentos, criar apresentações, organizar dados ou escrever melhor, naturalmente elas querem usar.

Kelly Stefani, CRO da Agility

Segundo a executiva, o principal risco surge quando a organização perde visibilidade sobre como essas ferramentas estão sendo utilizadas. “O maior risco do Shadow AI é a empresa perder visibilidade sobre onde seus dados estão circulando. E quando não há visibilidade, não há governança”, declarou.

Ela explica que os impactos vão além da segurança da informação e envolvem questões regulatórias, estratégicas e operacionais, como propostas comerciais e planos de negócio. “É capital intelectual sendo colocado fora do ambiente controlado da organização”, explicou.

Para Stefani, o uso descoordenado da tecnologia dificulta auditorias, aumenta riscos de vazamento e impede que as empresas consigam transformar a IA em uma vantagem competitiva consistente. Isso cria não só um problema de tecnologia, mas de governança e até de cultura da companhia.

Robô com IA no mercado de trabalho
Um terço dos profissionais utiliza IA não aprovada pela empresa – Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock

O desafio não é adotar IA, mas transformá-la em estratégia

Os resultados do estudo indicam que a principal barreira para as organizações não é a adoção da inteligência artificial. Isso porque a tecnologia já está sendo utilizada diariamente pelos profissionais, independentemente de haver ou não uma estratégia formal definida pelas empresas.

O desafio agora é transformar esse uso em processos estruturados e seguros.

Para Steve Hasker, a diferença entre experimentar IA e incorporá-la efetivamente às operações será determinante para o futuro das organizações.

“Nem toda IA é igual. Em profissões com responsabilidade legal, o padrão precisa ser muito mais alto. Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, ‘quase certo’ não é suficiente.”

Os dados do relatório sugerem que, à medida que a tecnologia se consolida no ambiente corporativo, o risco para as empresas não está mais em decidir se devem usar inteligência artificial, mas em quanto tempo conseguirão fazê-lo de forma estruturada antes que clientes, funcionários e processos sigam por conta própria.

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Chips da Nvidia e IA aberta: o novo acordo bilionário da SpaceX

A SpaceX fechou um acordo de computação com a Reflection AI, startup de código aberto, em um contrato que pode chegar a US$ 6,3 bilhões, segundo documentos citados pela CNBC.

O movimento amplia o uso da infraestrutura Colossus de Elon Musk para atender empresas externas de inteligência artificial.

Data centers da SpaceX passam a atender clientes externos em nova fase do negócio de tecnologia. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

O que está por trás do acordo bilionário

A SpaceX firmou uma parceria de computação com a Reflection AI, startup focada em modelos de código aberto, para fornecimento de infraestrutura de processamento em larga escala. O acordo envolve o uso de chips Nvidia GB300 e reforça a disputa crescente por capacidade de computação avançada no setor de inteligência artificial.

Se o contrato for cumprido até o fim do prazo, o valor total pode atingir US$ 6,3 bilhões. Na prática, isso coloca a parceria entre as mais relevantes do setor de infraestrutura de IA.

O acordo pode ser encerrado por qualquer uma das partes com aviso prévio de 90 dias após os primeiros três meses.

Infraestrutura da SpaceX ganha outro papel

A SpaceX vem ampliando o uso de seus data centers, especialmente o sistema Colossus, criado em parte para sustentar o Grok, chatbot de IA de Elon Musk.

Leia mais:

Agora, essa estrutura também passa a ser oferecida a clientes externos. É uma mudança importante: de uso interno para um serviço disputado no mercado de computação em nuvem.

A SpaceX já vinha fechando acordos com empresas como Anthropic, Google e Cursor. Aos poucos, vai se consolidando como mais um player nesse mercado de infraestrutura de IA.

Logo da Nvidia em um chip
Chips Nvidia GB300 estão no centro da disputa por poder computacional em inteligência artificial. – Imagem: alexgo.photography/Shutterstock

IA aberta volta ao centro do debate

A Reflection AI aposta no modelo de código aberto em um momento em que empresas e governos questionam a dependência de sistemas fechados de inteligência artificial.

O tema ganhou força depois de episódios envolvendo restrições de acesso a modelos, o que acelerou a busca por alternativas mais controláveis.

Na prática, isso abriu espaço para empresas que defendem mais transparência e flexibilidade no uso de IA.

Entre os principais pontos do acordo estão:

  • Acesso imediato aos chips Nvidia GB300 para IA avançada
  • Pagamento mensal de US$ 150 milhões até 2029
  • Uso da infraestrutura Colossus da SpaceX em escala externa
  • Possibilidade de rescisão após aviso prévio de 90 dias

No fim, o movimento reforça uma tendência mais ampla: o poder computacional virou peça central na disputa global por inteligência artificial — e, cada vez mais, um ativo estratégico disputado por grandes empresas de tecnologia.

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O ChatGPT vai mudar como você vê as respostas na IA

A Getty Images anunciou uma parceria com a OpenAI para integrar seu acervo licenciado ao ChatGPT.
Na prática, a mudança deixa a experiência da IA mais visual e fácil de entender no dia a dia.

Mas o impacto vai além disso: o uso de imagens passa a ganhar mais espaço dentro das respostas.

Parceria leva acervo da Getty ao ChatGPT e torna buscas e respostas mais ricas, com apoio de conteúdo visual licenciado. Imagem: Pedro Spadoni/Olhar Digital

O que muda dentro do ChatGPT

O acordo permite que imagens da Getty apareçam em buscas e respostas dentro da plataforma. Assim, o usuário deixa de consumir só texto em várias situações e passa a ter apoio visual.

Na visão da empresa, isso melhora a forma como a informação é encontrada e interpretada.

Conteúdo visual licenciado de alta qualidade torna a busca e a descoberta com inteligência artificial mais úteis e confiáveis.

Craig Peters, CEO da Getty Images, em nota.

Uma experiência mais visual no uso diário

A proposta da integração é tornar o ChatGPT mais visual no uso cotidiano, especialmente em temas como notícias, esportes e entretenimento.

Entre os principais pontos da parceria estão:

  • imagens da Getty aparecem dentro do ChatGPT
  • buscas e respostas passam a ter mais apoio visual
  • experiência mais completa no uso da IA
  • conteúdo licenciado e seguro no acervo

Na prática, isso reduz a dependência de respostas só em texto.

Logo da OpenAI em um smartphone
Nova integração entre OpenAI e Getty Images reforça tendência de inteligência artificial mais visual no dia a dia. – Imagem: JRdes/Shutterstock

Estratégia da Getty e avanço da IA

A Getty Images já é uma das maiores plataformas de conteúdo visual do mundo, com milhões de imagens e uma rede global de fotógrafos.

Leia mais:

A empresa também reforça sua aposta em inteligência artificial, sempre com foco em uso licenciado e seguro de conteúdo.

É mais um passo na direção de uma inteligência artificial mais visual. E isso muda bastante a forma como o usuário interage com o ChatGPT no dia a dia.

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Satya Nadella, da Microsoft, critica concentração da IA e acende alerta no setor

A inteligência artificial está cada vez mais concentrada nas mãos de poucas empresas. Esse foi o alerta feito por Satya Nadella.

Na visão do CEO da Microsoft, esse cenário pode acabar criando um desequilíbrio difícil de reverter no futuro.

E há uma preocupação adicional no discurso: o atual rumo da IA pode não ser sustentável para usuários e empresas comuns.

O CEO da Microsoft questiona o domínio das big techs na corrida pela inteligência artificial global. – Imagem: FotoField/Shutterstock

“Não podemos deixar a IA dominar a economia”

Em entrevista ao The Wall Street Journal, Nadella criticou o cenário atual da inteligência artificial, marcado pela forte concentração de poder em um pequeno grupo de companhias que lidera o desenvolvimento dos modelos mais avançados.

Na prática, ele questiona não só o modelo de negócio, mas também o impacto dessa centralização.

Você não pode dizer que todos os empregos de escritório vão acabar e, ao mesmo tempo, pedir poder ilimitado para construir data centers.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, ao WSJ.

Para ele, o ponto central é simples: não faz sentido imaginar um futuro em que poucas empresas controlem sozinhas o aprendizado da IA em escala global.

Logo do Microsoft 365 Copilot em um tablet
Microsoft aposta em modelos de IA mais acessíveis enquanto critica o atual cenário dominado por poucos players. – Imagem: Azulblue/Shutterstock

Microsoft muda estratégia e aposta em modelos mais baratos

Enquanto faz críticas ao setor, a própria Microsoft já começou a ajustar sua abordagem.

A empresa passou a lançar modelos de inteligência artificial mais baratos e a testar formas de reduzir custos para clientes que lidam com contas cada vez mais altas no uso dessas tecnologias.

O movimento aparece em diferentes frentes dentro dos produtos da companhia.

Entre as iniciativas estão:

  • modelos de IA mais acessíveis para empresas
  • opção de escolher diferentes modelos dentro do Copilot
  • agentes de IA para execução de tarefas mais longas
  • testes com modelos alternativos, como o DeepSeek

A ideia é reduzir a dependência de poucos fornecedores e ampliar as opções disponíveis para os usuários.

Disputa aberta com os gigantes da tecnologia

Mesmo sem citar nomes diretamente, Nadella fez críticas que atingem empresas como OpenAI, Anthropic e Google, que hoje lideram o desenvolvimento dos chamados modelos de fronteira.

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O executivo defende uma mudança de direção: em vez de um mercado concentrado, a IA deveria evoluir como um ecossistema mais distribuído, com diferentes níveis de preço, acesso e capacidade.

Na prática, isso muda o centro da disputa global pela inteligência artificial.

A Microsoft, que mantém parceria com a OpenAI, também vem ampliando acordos com outras empresas e avaliando novas integrações em seus serviços.

Ilustração representa monitoramento digital de funcionários por ferramentas de inteligência artificial no ambiente de trabalho.
O futuro do trabalho também entra na discussão: IA deve apoiar, não apenas substituir empregos, diz Nadella. – Imagem: Skorzewiak / Shutterstock

IA e o futuro do trabalho: ajuste, não ruptura

Outro ponto forte da fala de Nadella foi o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.

Ele defende que o debate não deve se limitar à substituição de empregos, mas sim à forma como as funções serão reorganizadas dentro das empresas.

A ideia, segundo ele, é que a adaptação seja gradual e baseada em equilíbrio entre tecnologia e trabalho humano.

  • IA como apoio direto à produtividade
  • reorganização de funções dentro das empresas
  • organizações funcionando como sistemas contínuos de aprendizado
  • combinação entre conhecimento humano e inteligência artificial

A fala de Satya Nadella mostra uma mudança de tom dentro de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Entre críticas à concentração de poder e a defesa de modelos mais acessíveis, a Microsoft tenta reposicionar seu papel na disputa global da inteligência artificial — um debate que segue aberto e sem previsão de consenso no setor.

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Gigante da IA derruba Samsung e conquista posto histórico na Coreia do Sul

A SK Hynix alcançou um marco histórico ao superar a Samsung Electronics e se tornar a empresa listada mais valiosa da Coreia do Sul. A mudança no topo acontece em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial.

Há pouco mais de duas décadas, explica a Reuters, um cenário como esse parecia improvável. Na época, a fabricante enfrentava uma grave crise financeira. Hoje, impulsionada pela demanda por chips usados em sistemas de IA, vive uma fase completamente diferente.

SK Hynix quase faliu nos anos 2000, mas hoje lidera o mercado global de chips de memória usados em sistemas de IA. – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

A onda da IA virou o mercado

O avanço da inteligência artificial mudou a dinâmica do setor de semicondutores, e poucas empresas aproveitaram tanto essa transformação quanto a SK Hynix. Atualmente, ela é a principal fornecedora de memórias HBM, componentes essenciais para aplicações de IA usadas por gigantes como Nvidia e Google.

Na segunda-feira, as ações da fabricante avançaram 5,6%, elevando seu valor de mercado para 2.080,4 trilhões de won, equivalentes a US$ 1,35 trilhão (cerca de R$ 7,3 trilhões). A Samsung, que liderava o ranking desde 2000, ficou logo atrás, com valor de mercado de 2.066,7 trilhões de won.

Segundo Kim Sunwoo, analista sênior da Meritz Securities, “o surgimento da memória de IA personalizada mudou fundamentalmente a economia do setor e permitiu que a SK Hynix se estabelecesse como líder de mercado”.

Uma reviravolta que parecia improvável

Nem sempre a trajetória foi de crescimento. No início dos anos 2000, quando ainda se chamava Hynix Semiconductor, a companhia quase foi vendida para a Micron após acumular dívidas em uma agressiva expansão. Como o negócio não avançou, a fabricante permaneceu sob controle dos credores por quase dez anos.

Em 2003, suas ações despencaram para apenas 135 won, sendo consideradas uma “penny stock”. Poucos imaginariam naquele momento que a empresa se tornaria a fabricante de chips de memória mais valiosa do mundo anos depois.

O cenário voltou a piorar em 2023, quando a sul-coreana registrou um prejuízo operacional anual de 7,73 trilhões de won. Um ano depois, a situação era completamente diferente. Impulsionada pelo boom da IA, a empresa alcançou um lucro operacional recorde de 23,5 trilhões de won.

Por trás dessa recuperação, alguns fatores foram determinantes:

  • Foco em chips HBM voltados para IA;
  • Continuidade dos investimentos durante a crise do setor;
  • Crescimento da demanda por aplicações de inteligência artificial;
  • Maior poder de precificação em comparação com memórias convencionais.
Sistemas de litografia EUV para fabricação de semicondutores
O avanço da IA transformou a SK Hynix na fabricante de memória mais valiosa do mundo, superando rivais históricos. – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

Agora, a pressão está do outro lado

Analistas apontam que a decisão de investir nas memórias HBM foi decisiva para essa ascensão. A tecnologia oferece maior desempenho e menor consumo de energia. Em 2025, a SK Hynix detinha 61% desse segmento global, enquanto Samsung e Micron tinham 17% e 21%, respectivamente.

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O presidente do Grupo SK, Chey Tae-won, explicou a estratégia em um livro publicado neste ano. “O que eu realmente queria realizar quando adquirimos a Hynix era transformá-la de uma produtora de memória de baixo custo em uma empresa de semicondutores convencional cujos produtos são indispensáveis”, afirmou.

Ele destacou ainda que “o que antes era um componente periférico tornou-se um componente essencial”, referindo-se à importância dessas memórias para os sistemas de IA.

Analistas avaliam que a liderança histórica da Samsung no mercado de DRAM pode enfrentar pressão crescente nos próximos anos. Além disso, a Reuters informou que a SK Hynix está escolhendo a Nasdaq para uma futura listagem nos Estados Unidos, movimento que pode ampliar sua presença entre investidores globais.

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Aliança entre Uber, Stellantis e Wayve pode mudar o futuro dos carros autônomos

Uber, Wayve e Stellantis anunciaram uma parceria para avançar no desenvolvimento de robotáxis autônomos de nível 4.

Segundo o New Atlas, o acordo reforça a disputa global por carros sem motorista e aumenta a pressão sobre o setor para acelerar soluções em escala.

Stellantis assume a produção dos carros enquanto a Wayve fornece a inteligência artificial de direção autônoma. – Imagem: Divulgação/Wayve

Uma aliança que divide responsabilidades

O acerto entre as três empresas junta peças bem diferentes de um mesmo projeto. A Uber entra com a plataforma de transporte e a base de usuários. A Stellantis assume a produção dos veículos em escala industrial. Já a Wayve fica responsável pelo sistema de inteligência artificial que controla a direção dos carros.

Hoje, os sistemas de nível 4 ainda dependem de mapas muito detalhados e áreas previamente definidas para funcionar. Isso exige um trabalho grande de mapeamento de ruas e cruzamentos antes que os veículos possam circular. E, no fim, isso acaba limitando bastante onde os robotáxis conseguem operar.

  • nível 4 ainda precisa de áreas mapeadas antes da operação
  • nível 5 busca rodar em qualquer lugar e sob qualquer clima
  • sensores e câmeras trabalham continuamente durante a direção
  • o custo de mapeamento ainda é um dos principais entraves

IA sem mapas e a aposta da Wayve

A Wayve tenta seguir um caminho diferente do que hoje domina o mercado. Em vez de depender de mapas digitais prontos, a empresa aposta em uma IA capaz de aprender com o ambiente em tempo real, interpretando o que vê por câmeras e sensores. É o que ela chama de “IA incorporada”.

Na prática, a ideia é fazer o carro reagir de forma mais próxima ao comportamento humano, lidando com situações novas sem precisar de um mapa prévio do local. Isso pode reduzir etapas e, principalmente, acelerar a expansão da tecnologia para outras cidades.

Esse tipo de abordagem também tenta resolver um problema conhecido da direção autônoma: quando o carro encontra algo fora do padrão, ele pode não interpretar corretamente a situação. Em testes do setor, isso já levou a erros inesperados e ajuda a explicar por que o avanço ainda é mais lento do que o esperado.

Robotáxi da Wayve
IA incorporada da Wayve interpreta o ambiente em tempo real usando câmeras e sensores nos veículos, permitindo nível 4 de autonomia. – Imagem: Divulgação/Wayve

O que muda para os passageiros

Se o plano sair do papel, os robotáxis da Stellantis com tecnologia da Wayve devem ser integrados diretamente ao aplicativo da Uber. O usuário chama a corrida normalmente, mas o veículo já chega sem motorista humano. A Stellantis produz os carros preparados para essa operação, enquanto a Wayve fornece o sistema de IA.

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Com isso, a Uber evita manter um programa próprio de desenvolvimento de veículos autônomos e concentra esforços na operação do serviço. Na prática, cada empresa assume uma parte do risco e do investimento.

O objetivo mais ambicioso do setor continua sendo o nível 5 de autonomia. Nesse estágio, os carros poderiam rodar em qualquer estrada e condição, sem qualquer intervenção humana. Isso eliminaria volante e pedais e abriria espaço para interiores completamente redesenhados.

  • veículos poderiam operar até em estradas rurais ou sem sinalização
  • interior do carro poderia ser usado como escritório ou espaço de descanso
  • ainda não existe sistema comercial com esse nível de autonomia

O avanço dessa parceria mostra que a disputa pelos robotáxis vai além da tecnologia. Ela envolve também estratégia, divisão de custos e quem vai conseguir transformar essa promessa em um serviço viável no dia a dia.

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