Medicina e Saúde

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Midjourney lança scanner corporal que mistura saúde e spa

A Midjourney, conhecida pelo gerador de imagens por inteligência artificial, resolveu sair do próprio território e testar algo bem mais ambicioso: um scanner de corpo inteiro baseado em ultrassom, integrado a um conceito de spa futurista. A ideia foi apresentada em detalhes e repercutida pelo The Verge, que acompanhou a proposta inicial da empresa.

O curioso é que, apesar do tom de inovação radical, boa parte do projeto ainda está no campo experimental — mais protótipo e visão de futuro do que produto pronto de verdade.

Projeto une spa futurista e tecnologia médica para transformar exames em uma experiência contínua e quase invisível no dia a dia. Imagem: Reprodução/Midjourney – Imagem: Reprodução/Midjourney

Como funciona o “Midjourney Scanner”

Pelo que foi mostrado pela matéria, o sistema gira em torno de um anel de sensores ultrassônicos que envolve o corpo durante o exame. O processo começa quando a pessoa entra em uma plataforma que desce lentamente dentro de uma piscina de água, enquanto ondas sonoras atravessam o corpo em diferentes direções.

Na prática, não é algo silencioso ou “mágico”. É uma combinação pesada de hardware, sensores e processamento de dados para reconstruir imagens tridimensionais do interior do corpo — músculos, gordura, ossos e órgãos.

O projeto foi desenvolvido em parceria com a Butterfly Network e usa módulos de ultrassom do tipo “ultrasound-on-chip”. O tempo estimado para todo o escaneamento é de cerca de 60 segundos.

E aqui vale um detalhe importante: apesar da apresentação impressionar, isso ainda está longe de ser um equipamento médico consolidado no sentido tradicional.

O que a Midjourney está realmente tentando fazer

A empresa não vende apenas a ideia de um scanner. O discurso vai bem além disso. Para a Midjourney, o ponto central é transformar o acompanhamento da saúde em algo contínuo, quase cotidiano.

Em vez de exames pontuais, a proposta é criar uma espécie de “linha do tempo” do corpo humano, com dados sendo coletados com frequência e interpretados ao longo do tempo.

Entre os objetivos apresentados estão:

  • monitoramento contínuo da saúde ao longo dos anos
  • integração com médicos, treinadores e sistemas de IA
  • acesso mais frequente e barato a dados do próprio corpo
  • comparação desses dados com populações maiores

Isso tudo, claro, ainda faz parte da visão da empresa — não de um sistema validado em larga escala.

E há um ponto que chama atenção: a própria ideia de transformar dados médicos em algo quase constante muda completamente a relação entre pessoa e corpo. É uma mudança cultural, não só tecnológica.

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Sistema usa anel de sensores e ondas sonoras para reconstruir músculos, ossos e órgãos em 3D com alta precisão. Imagem: Reprodução/Midjourney – Imagem: Reprodução/Midjourney

O spa que mistura bem-estar e exame

O projeto também inclui o chamado “Midjourney Spa”, previsto para São Francisco até 2027. Segundo o The Verge, o espaço combina áreas de relaxamento — como saunas e piscinas — com zonas de escaneamento corporal.

A lógica aqui é meio contraintuitiva: o exame não é o evento principal. Ele acontece quase “por tabela”, enquanto a pessoa está em um ambiente de lazer.

A empresa também fala em números bastante agressivos: até 2031, seriam cerca de 50 mil scanners no mundo, com capacidade para até um bilhão de exames por mês. É uma projeção grande — e, por enquanto, sem validação independente.

Entre promessa, hype e realidade

A publicação também destaca um ponto que não dá para ignorar: não há evidências clínicas independentes que comprovem desempenho equivalente a exames como ressonância magnética.

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Além disso, qualquer uso médico mais amplo dependeria de aprovação regulatória, como a do FDA nos Estados Unidos.

Ou seja, existe uma distância clara entre o que foi apresentado e o que pode realmente ser colocado em prática no curto prazo.

E talvez essa seja a parte mais interessante do projeto: ele não está só tentando criar um novo tipo de exame, mas também uma nova forma de pensar saúde — ainda que isso levante mais perguntas do que respostas no momento.

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IA analisa posts no Reddit e revela efeitos do Ozempic

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia usaram modelos de inteligência artificial da OpenAI para analisar mais de 410 mil posts do Reddit ao longo de seis anos, mapeando menções às substâncias ativas semaglutida e tirzepatida — ou aos nomes comerciais dos medicamentos que as contêm, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound — em busca de possíveis efeitos colaterais relatados pelos próprios usuários.

O estudo, publicado na revista Nature Health, aponta que fóruns online podem funcionar como fonte de sinais para investigações clínicas futuras. Os pesquisadores deixam claro, porém, que a análise não substitui ensaios clínicos nem avaliações médicas formais.

Fóruns online como o Reddit foram analisados para identificar padrões de efeitos relatados por pacientes. Imagem: stefamerpik/Freepik

Os efeitos colaterais que chamaram atenção

Segundo o ScienceAlert, entre os relatos que se destacaram como potencialmente não reconhecidos pela literatura médica, dois grupos chamaram atenção: queixas relacionadas à saúde reprodutiva, incluindo irregularidades no ciclo menstrual, e problemas ligados à regulação de temperatura corporal, como calafrios e ondas de calor. Vale notar que esses efeitos estavam longe de ser os mais frequentemente mencionados nos posts.

Para as alterações de temperatura, há um mecanismo conhecido: a forma como o metabolismo queima energia é reconhecida por impactar o equilíbrio térmico do organismo. Para as alterações menstruais, há menos pesquisa disponível sobre como esses medicamentos afetam o ciclo.

A psicóloga Jena Shaw Tronieri, uma das pesquisadoras envolvidas, apontou que esses medicamentos atuam em uma região do cérebro chamada hipotálamo, que ajuda a regular uma ampla variedade de hormônios. “Isso não significa que os medicamentos estejam necessariamente causando esses sintomas, mas pode indicar que relatos de alterações menstruais e flutuações de temperatura corporal merecem ser estudados de forma mais sistemática”, afirmou.

Os relatos mais comuns nos posts incluíam sintomas já conhecidos, como náusea — o que, segundo o cientista da computação Sharath Chandra Guntuku, valida o método. “Alguns dos efeitos colaterais que encontramos, como náusea, são bem conhecidos, e isso mostra que o método está captando um sinal real. Os sintomas sub-relatados são pistas que vieram dos próprios pacientes, de forma espontânea, e os clínicos poderiam potencialmente prestar atenção a eles”, disse.

Sintomas apareceram com maior frequência:

  • alterações no ciclo menstrual;
  • calafrios;
  • ondas de calor;
  • mudanças na regulação da temperatura corporal;
  • queixas ligadas à saúde reprodutiva.
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Medicamentos atuam limitando o apetite, desacelerando a digestão e estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas em resposta a níveis elevados de açúcar no sangue. Imagem: grinvalds/iStock

Reddit vira “laboratório” inesperado, mas com limitações

Os modelos GPT da OpenAI foram usados para processar o volume de texto e identificar padrões nos posts. Segundo Guntuku, esse tipo de varredura pode ser concluído rapidamente, o que representa uma vantagem em relação ao ritmo dos ensaios clínicos tradicionais.

Ensaios clínicos são o padrão ouro, mas por design são lentos. Isso não é uma substituição para os ensaios, mas pode se mover muito mais rápido, e essa velocidade importa quando um medicamento passa de nicho para mainstream quase da noite para o dia.

Sharath Chandra Guntuku, cientista da computação e pesquisador, em nota enviada ao Science Alert.

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Os pesquisadores reconhecem limitações importantes. Como pouco se sabe sobre o perfil dos usuários que fizeram as postagens, a análise não permite afirmar de forma definitiva que os medicamentos causam os sintomas relatados. Além disso, o Reddit tende a concentrar adultos jovens, do sexo masculino e residentes nos Estados Unidos — o que limita a representatividade da amostra.

Imagem mostra mãos segurando termômetro para medir a febre
Pesquisa aponta que redes sociais podem ajudar a identificar efeitos colaterais ainda pouco estudados, como febre, calafrios e alterações no ciclo menstrual. Imagem: Polina Tankilevitch / Pexels.

Contexto sobre os medicamentos GLP-1

Os medicamentos GLP-1 recebem esse nome por mimetizar o hormônio natural peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. Eles atuam limitando o apetite, desacelerando a digestão e estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas em resposta a níveis elevados de açúcar no sangue.

Esses tratamentos estão associados a benefícios no controle de peso e no manejo do diabetes, mas pesquisas sobre outros efeitos potenciais ainda estão em andamento. Entre as consequências investigadas estão possível proteção contra o Alzheimer, melhora da saúde cardiovascular e maior risco de pancreatite aguda ou crônica. Também é comum que pacientes recuperem a maior parte do peso após interromper o uso dos medicamentos.

O cientista Lyle Ungar destacou o papel complementar que as redes sociais podem ter nesse contexto. “Ensaios clínicos geralmente identificam os efeitos colaterais mais perigosos dos medicamentos, mas podem deixar de encontrar os sintomas que mais preocupam os pacientes. Mesmo que as redes sociais não sejam necessariamente representativas, uma grande coleção de posts pode refletir preocupações adicionais”, afirmou.

Para Guntuku, a principal vantagem dessa abordagem é a velocidade: “O ponto central desse tipo de abordagem é que ela pode se mover rapidamente, e é exatamente aí que ela é mais valiosa.”

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Novo Nordisk se une à OpenAI para acelerar desenvolvimento de medicamentos

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, conhecida pelo medicamento contra obesidade Wegovy, anunciou, nesta terça-feira (14), uma “aliança estratégica” com a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, para acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos usando inteligência artificial (IA).

O acordo tem como objetivo ajudar a companhia a oferecer mais rapidamente opções terapêuticas mais eficazes aos pacientes, segundo informou o grupo em comunicado.

A Novo Nordisk pretende aproveitar os recursos avançados de IA para analisar grandes volumes de dados, identificar possíveis novos medicamentos e reduzir o tempo entre a pesquisa e a chegada dos tratamentos ao paciente. Curiosamente, ainda nesta terça, a Amazon anunciou algo similar.

A empresa, que também comercializa o Ozempic — indicado para diabetes, mas amplamente utilizado para perda de peso —, enfrenta forte concorrência, especialmente da farmacêutica estadunidense Eli Lilly.

“A integração da IA ao nosso dia a dia nos permite analisar dados em uma escala antes impossível, identificar padrões que não conseguíamos enxergar e testar hipóteses com mais rapidez”, afirmou o CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar.

OpenAI é nova parceira da Novo Nordisk – Imagem: Thrive Studios ID / Shutterstock

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Programas-piloto em diferentes áreas

  • Segundo a companhia, serão criados programas-piloto nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, produção e operações comerciais. O comunicado não detalha os valores envolvidos no acordo;
  • A indústria farmacêutica tem apostado na IA para acelerar a criação de medicamentos e vacinas. Atualmente, o desenvolvimento de um novo remédio pode levar mais de dez anos e, em média, apenas um em cada dez candidatos chega ao mercado;
  • Analistas estimam que o custo médio para desenvolver e lançar um novo medicamento gira em torno de US$ 2 bilhões (R$ 9,9 bilhões). Diante disso, grandes farmacêuticas têm ampliado parcerias com startups especializadas em IA aplicada à saúde.

A aliança entre Novo Nordisk e OpenAI representa mais um movimento do setor farmacêutico em direção à integração de tecnologias emergentes para enfrentar os desafios de tempo e custo no desenvolvimento de novos tratamentos.

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