fapesp

Auto Added by WPeMatico

destaque urna eleitoral eleicoes 2026 1024x576

IA adapta respostas ao usuário e pode reforçar suas crenças

Um estudo da Unicamp avaliou 21 modelos de linguagem e descobriu que todos alteraram suas respostas ao receber informações sobre a orientação política do usuário. Segundo os pesquisadores, essa adaptação pode reforçar crenças e reduzir o contato com opiniões divergentes.

Financiada pela FAPESP e publicada na Scientific Reports, a pesquisa mostra que a influência não depende de recomendações de voto. Ela pode surgir na forma como a IA aborda temas controversos.

A IA não precisa indicar voto para influenciar. O viés pode aparecer no jeito de abordar temas controversos. – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O usuário muda a resposta da IA

Os modelos foram testados sem informação sobre o usuário e com pessoas alinhadas à esquerda ou à direita.

Sem essa informação, 20 dos 21 sistemas ficaram à esquerda do ponto médio da escala. A exceção foi o Grok 4.1, que apresentou posição inicial à direita.

Quando a orientação política era informada, todos mudavam suas respostas. Para medir essa adaptação, a equipe criou o chameleon index.

  • Meta Llama 3.1 8B teve o menor índice;
  • Gemma 3 27B e GPT-5 nano ficaram entre os maiores;
  • Segurança pública e economia tiveram as maiores diferenças;
  • Corrupção, justiça e instituições democráticas foram mais homogêneas.

As respostas não eram necessariamente falsas. O problema estava no enquadramento: fatos e opiniões contrários à visão do usuário poderiam ser omitidos.

Uma câmara de eco no chatbot

Zanoni Dias, professor titular do Instituto de Computação da Unicamp, compara o fenômeno ao das redes sociais.

“É um efeito semelhante ao que a gente percebe em redes sociais. Se você está no Facebook ou no Instagram, você só vê mensagens que concordam com você.”

A preocupação é que isso se repita nos chatbots, reduzindo a exposição a contrapontos.

A intensidade variou conforme o assunto. Segurança pública e economia produziram respostas mais diferentes entre usuários de esquerda e direita. Em corrupção, justiça e instituições democráticas, a distância foi menor.

O padrão pode estar ligado aos guardrails usados no treinamento.

Por que a IA tenta agradar?

Uma possível origem está na tendência de bajulação dos modelos. Técnicas como Reinforcement Learning from Human Feedback (RLHF) e Direct Preference Optimization usam avaliações humanas para orientar as respostas.

Em termos simplificados, os modelos aprendem com comparações entre respostas consideradas melhores ou piores por avaliadores humanos.

Anderson Luis Bento Soares, mestrando no IC-Unicamp, à Agência Fapesp.

Esse processo pode levar a IA a priorizar a satisfação do usuário. “É difícil separar o que é agradar e o que é dar uma resposta correta”, afirma Dias.

O tamanho dos modelos não explicou sozinho as diferenças.

Câmera com inteligência artificial é importante recurso para segurança pública
Segurança pública e economia foram os temas com maiores diferenças entre respostas para usuários de esquerda e direita. Imagem: AlinStock / Shutterstock

Solução ainda pode demorar

Os pesquisadores não esperam uma solução rápida. Dias afirma que a indústria concentra mais atenção na factualidade das respostas do que na adaptação ao posicionamento político.

Leia mais:

O grounding busca apoiar respostas em dados factuais, mas é difícil de aplicar em assuntos sem consenso.

Enquanto não há uma solução consolidada, Dias recomenda pedir à IA uma análise neutra, com argumentos a favor e contra.

O post IA adapta respostas ao usuário e pode reforçar suas crenças apareceu primeiro em Olhar Digital.

IA adapta respostas ao usuário e pode reforçar suas crenças Read More »

alzheimer 576x1024

Descoberta brasileira revela pistas ocultas do Alzheimer

Um novo mapa genético desenvolvido no Brasil identificou 129 possíveis alvos terapêuticos para o Alzheimer. A pesquisa usa inteligência artificial e análise de RNA para ampliar a busca por tratamentos e abrir novas possibilidades de diagnóstico para uma doença que ainda não possui cura.

O estudo foi realizado pela startup paulista BioDecision Analytics e busca expandir o número de alvos investigados além de proteínas tradicionalmente associadas ao Alzheimer, como beta-amiloide e tau.

Segundo Pesquisa para Inovação, publicação da FAPESP, a pesquisa analisou dados genéticos de milhares de amostras para encontrar alterações relacionadas à doença. O trabalho pode ajudar pesquisadores e empresas farmacêuticas a explorar novos caminhos para o desenvolvimento de medicamentos e exames de sangue.

A inteligência artificial ajudou cientistas a identificar alterações genéticas que podem transformar o diagnóstico do Alzheimer. Imagem: Graphicscoco/iStock

Pesquisa amplia a busca por novos alvos

Durante décadas, a beta-amiloide concentrou grande parte das pesquisas sobre tratamentos contra o Alzheimer. Quando essa proteína se acumula de forma anormal no cérebro, forma placas que prejudicam a comunicação entre neurônios e desencadeiam processos inflamatórios.

Um dos únicos alvos para o desenvolvimento de terapias da doença de Alzheimer conhecidos era a beta-amiloide. Por isso, era imperativo avaliar outros horizontes.

Rodrigo Araldi, um dos fundadores da BioDecision, ao Pesquisa para Inovação.

Para o pesquisador, a concentração em poucos alvos ajudou a limitar os avanços obtidos até agora.

Para criar o mapa genético, a equipe utilizou 2.870 amostras de tecido cerebral e sangue de pessoas saudáveis e pacientes diagnosticados com Alzheimer. Os dados foram obtidos no Sequence Read Archive (SRA), banco público mantido pelo governo americano.

As amostras do cérebro incluíram cinco regiões diferentes, escolhidas por suas funções específicas:

  • Hipocampo, relacionado à memória;
  • Córtex cingulado, ligado ao processamento de informações;
  • Área de Wernicke, associada à linguagem;
  • Córtex visual, responsável pela visão;
  • Área de Broca, envolvida na comunicação.

A divisão das regiões foi considerada essencial pelos pesquisadores, já que o cérebro não é um tecido uniforme. Cada área possui características genéticas próprias, e misturar essas informações poderia esconder alterações importantes.

Doença Alzheimer
Além da memória, regiões diferentes do cérebro foram analisadas para entender melhor como o Alzheimer se desenvolve. – Imagem: PeopleImages/Shutterstock

Inteligência artificial ajuda a encontrar padrões

O processamento dos dados foi feito pela plataforma BDASeq®, desenvolvida pela BioDecision com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.

A ferramenta analisa o sequenciamento de RNA para identificar quais genes apresentam alterações de atividade em pessoas com Alzheimer. Como o RNA participa da produção de proteínas nas células, essas mudanças podem revelar processos envolvidos no desenvolvimento da doença.

João Rafael Dias Pinto, cofundador da BioDecision, explica que a combinação de diferentes métodos estatísticos ajuda a reduzir erros.

“A maioria dos estudos utiliza um único método estatístico para fazer isso, o que gera muitos ruídos”, afirmou o pesquisador.

A plataforma reúne oito técnicas estatísticas e conta com uma camada de inteligência artificial que cruza dados genéticos e informações clínicas. Dessa forma, os pesquisadores conseguem priorizar alterações com maior potencial para virar medicamentos ou ferramentas de diagnóstico.

Alzheimer 1024x563
Genes ligados à plasticidade neuronal aparecem como novos candidatos na busca por tratamentos contra a doença. Imagem: Sergey Nivens/Shutterstock

Descoberta pode facilitar novos diagnósticos

A análise identificou mais de 4.200 genes com expressão alterada em pacientes com Alzheimer. Entre eles, 75 foram relacionados à plasticidade neuronal, capacidade dos neurônios de criar novas conexões, processo afetado pela doença.

Desse grupo, oito genes ainda não haviam sido apontados como possíveis alvos terapêuticos em estudos anteriores. Outro conjunto reuniu 74 genes alterados tanto no cérebro quanto no sangue, tornando-se candidatos a biomarcadores.

Entre esses genes, 21 apresentaram precisão superior a 90% na diferenciação entre pessoas com Alzheimer e indivíduos saudáveis.

“Hoje, o diagnóstico do Alzheimer é clínico, demorado e impreciso”, afirmou Araldi. “Com essa descoberta, abrimos a possibilidade de diagnósticos via exame de sangue, muito mais acessíveis.”

Apresentado no Congresso AD/PD, realizado em Copenhague, na Dinamarca, o estudo representa uma nova frente de investigação sobre a doença. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda serão necessárias novas etapas antes que medicamentos ou exames baseados nesses achados possam chegar aos pacientes.

A BioDecision também pretende ampliar o acesso à plataforma por nuvem, permitindo que laboratórios menores realizem análises avançadas sem depender de grandes estruturas computacionais.

O post Descoberta brasileira revela pistas ocultas do Alzheimer apareceu primeiro em Olhar Digital.

Descoberta brasileira revela pistas ocultas do Alzheimer Read More »