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Shadow AI: você já usou IA ‘escondido’ no trabalho? O risco pode ser maior do que você pensa

Você provavelmente já usou algum chatbot de inteligência artificial para resumir um texto longo, obter dicas sobre algum assunto ou receber uma ajudinha na hora de escrever um texto complicado. Mas e quando isso acontece dentro do ambiente de trabalho? Assim surgiu o conceito de Shadow AI ou IA paralela.

O termo descreve o uso de ferramentas de IA sem aprovação, monitoramento ou conhecimento das áreas de tecnologia e segurança da informação de uma companhia.

E embora muitas vezes a motivação seja aumentar a produtividade, a prática tem acendido um alerta entre especialistas por envolver riscos que vão desde vazamentos de dados até problemas regulatórios e prejuízos financeiros.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema:

  • Um levantamento da Gartner apontou que 69% das empresas suspeitam ou têm evidências de que seus funcionários estão usando IA generativa sem autorização;
  • Já dados do estudo Value of AI, da SAP em parceria com a Oxford Economics, mostram que 66% das companhias brasileiras admitem que o uso não autorizado ocorre com alguma frequência nas empresas;
  • E piora: a pesquisa “Inovações em Cibersegurança na Gestão de Riscos e Uso de IA 2025”, também da Gartner, revelou que 33% dos funcionários admitem inserir informações confidenciais das companhias em ferramentas públicas ou não aprovadas.

O Olhar Digital consultou especialistas para entender o que é Shadow AI, e como essa prática está afetando o dia a dia das empresas e dos funcionários.

O que é Shadow AI?

De acordo com a empresa de cibersegurança Palo Alto Networks, Shadow AI é o uso de ferramentas ou sistemas de inteligência artificial sem a aprovação, monitoramento ou envolvimento das equipes de TI ou segurança de uma organização.

Na prática, isso acontece quando funcionários recorrem por conta própria a plataformas de IA para realizar atividades relacionadas ao trabalho, sem que a empresa tenha definido regras, controles ou mecanismos de supervisão para esse uso.

Para Samuel Barros, reitor do IBMEC, trata-se de um fenômeno cada vez mais comum dentro das organizações.

Inclusive, o conceito não é completamente novo: ele deriva do chamado Shadow IT, expressão usada para descrever tecnologias utilizadas sem aprovação na área de TI. Segundo a Palo Alto, a diferença é que a IA paralela traz riscos específicos relacionados à forma como os modelos processam dados, geram respostas e influenciam decisões.

Para especialistas, uso de IA sem autorização vem da pressão por produtividade – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Por que os funcionários recorrem à IA sem autorização?

Especialistas defendem que o fenômeno não tem a ver com má-fé do funcionário.

Kelly Stefani, CRO da Agility, avalia que a principal motivação costuma ser a pressão por produtividade somada à falta de orientação das empresas.

As pessoas estão sendo cobradas para entregar mais, em menos tempo e com mais qualidade. Quando descobrem uma ferramenta que ajuda a resumir documentos, criar apresentações, organizar dados ou escrever melhor, naturalmente elas querem usar.

Kelly Stefani, CRO da Agility

Segundo ela, muitos funcionários sequer têm clareza sobre os riscos envolvidos ou sobre quais ferramentas são permitidas pela organização. “O colaborador não necessariamente está tentando burlar uma regra. Muitas vezes ele nem sabe que existe uma regra, ou não entende o risco envolvido”, declarou.

Já para Samuel Barros, as empresas ignorarem esse movimento pode ser um erro estratégico. “É muita ingenuidade achar que os times não estão utilizando inteligência artificial, sabendo que ela [tecnologia] agiliza muito as entregas e facilita muito a vida”, afirmou.

Quais são os riscos do Shadow AI?

Para Stefani, o principal problema é a perda de controle sobre informações corporativas: “o maior risco do Shadow AI é a empresa perder visibilidade sobre onde seus dados estão circulando. E quando não há visibilidade, não há governança”, resumiu.

Os especialistas costumam dividir os riscos em diferentes camadas.

Exposição de dados sensíveis

Um dos cenários mais preocupantes envolve o compartilhamento de informações confidenciais em plataformas públicas de IA.

Segundo a Palo Alto, funcionários podem inserir dados proprietários, estratégicos ou regulados sem compreender como essas informações serão armazenadas, processadas ou utilizadas pelos provedores dos modelos.

Kelly Stefani alerta que o problema pode envolver desde dados pessoais até ativos estratégicos da organização.

Muitas vezes, o dado compartilhado não é apenas operacional. Pode ser uma proposta comercial, uma estratégia de negócio, uma base de clientes, uma metodologia proprietária, uma análise financeira ou uma informação de pipeline.

Kelly Stefani, CRO da Agility

Uma pesquisa da LayerX Security, citada pela Conversys IT Solutions, revelou que 75% dos funcionários que utilizam ferramentas de IA não aprovadas já inseriram informações sensíveis nessas plataformas.

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Relatórios apontam que mais da metade dos funcionários faz o Shadow AI – mas falta de instrução por parte das empresas também é um problema – Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock

Problemas com a LGPD e outras normas

O compartilhamento indevido de dados também pode gerar consequências legais.

Barros destaca que a falta de controle pode colocar empresas em situação de descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Você pode estar expondo os dados da companhia, de clientes, de fornecedores, a um ambiente não controlado. O que, por si só, a Lei Geral de Proteção de Dados Brasileira já apresenta como um risco significativo.

Samuel Barros, reitor do IBMEC

A própria Palo Alto Networks aponta que ferramentas de IA paralela podem contornar exigências de proteção de dados e abrir caminho para investigações, sanções e multas.

Decisões baseadas em informações incorretas

Outro risco está relacionado à qualidade das respostas geradas pelos sistemas: sem supervisão adequada, colaboradores podem tomar decisões baseadas em conteúdos imprecisos, desatualizados ou produzidos por modelos que utilizam dados inadequados.

Também há riscos relacionados ao chamado “envenenamento de modelos”, situação em que sistemas treinados com informações comprometidas produzem respostas enviesadas, incorretas ou manipuladas.

Falta de rastreabilidade

Kelly Stefani explicou que, quando cada área adota ferramentas de IA por conta própria, sem critérios comuns, sem integração e sem acompanhamento, o resultado é um ecossistema corporativo fragmentado.

Segundo ela, isso dificulta investigações, aumenta o risco de vazamentos e impede que a organização aprenda com o próprio uso da tecnologia.

Quais áreas são mais vulneráveis?

Embora o Shadow AI possa atingir qualquer setor, algumas áreas exigem atenção especial por lidarem diretamente com dados sensíveis.

Stefani cita recursos humanos, jurídico, finanças, contabilidade, marketing e vendas entre os departamentos mais expostos.

  • No RH, por exemplo, informações sobre salários, avaliações de desempenho e dados pessoais podem ser compartilhadas indevidamente;
  • Já no jurídico, contratos, pareceres e documentos sigilosos representam potenciais riscos;
  • Em áreas comerciais, propostas, históricos de negociação e informações sobre clientes também podem acabar expostos em ferramentas sem controle.
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Riscos envolvem vazamento de dados e perda de controle das empresas sobre sua própria governança – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

De quem é a responsabilidade em caso de vazamentos?

A resposta não é simples.

De acordo com a executiva da Agility, a responsabilização depende das circunstâncias de cada caso.

Se a empresa possui políticas claras, treinamento, ferramentas homologadas e mecanismos de governança, um descumprimento deliberado dessas normas pode ser atribuído ao colaborador. Por outro lado, quando não existem regras, orientações ou controles adequados, a organização também pode ser responsabilizada por não ter adotado medidas suficientes para prevenir o problema.

“Em outras palavras, o colaborador nunca é retirado da equação, mas a empresa também não consegue simplesmente transferir toda a responsabilidade para ele”, explicou.

Como as empresas podem se proteger do Shadow AI?

Para os especialistas, a solução não está em proibir o uso da inteligência artificial.

“O primeiro passo é ganhar visibilidade sobre quem usa, quais ferramentas e em quais contextos”, afirmou Stefani.

A partir desse mapeamento, as organizações devem criar políticas claras sobre quais ferramentas são autorizadas, quais tipos de dados podem ser compartilhados e quais procedimentos devem ser seguidos.

Samuel Barros defende a criação de um código formal de conduta para o uso de IA.

A empresa, por recomendação, deveria construir um código de norma e conduta de utilização de inteligência artificial. Quais são as ferramentas autorizadas? Para que elas podem ser utilizadas? Que tipo de documento você pode compartilhar? Que tipo de documento você não deve jamais compartilhar?

Samuel Barros, reitor do IBMEC

Ele também sugere a criação de repositórios internos de prompts, registros históricos de utilização e mecanismos permanentes de controle.

Outro ponto destacado pelos especialistas é a educação dos colaboradores.

“O colaborador precisa entender o porquê das regras. Quando ele entende que copiar uma planilha de clientes, uma proposta comercial ou um contrato confidencial em uma ferramenta pública pode gerar risco regulatório, financeiro e reputacional, a relação com a tecnologia muda”, defendeu Kelly Stefani.

O desafio da governança

Para os especialistas, o crescimento do Shadow AI mostra que a discussão sobre inteligência artificial deixou de ser apenas uma questão tecnológica, mas também de governança e cultura corporativa.

À medida que a IA se integra cada vez mais às atividades do dia a dia, as empresas terão de encontrar um equilíbrio entre inovação e controle.

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Amazon cancela produção estrelada por Andrew Garfield sobre Sam Altman

O filme “Artificial”, sobre Sam Altman e a OpenAI, foi cancelado pela Amazon MGM após cerca de um ano em produção, afirma o The Verge.

A obra retrataria a crise de 2023 que levou à demissão e ao retorno de Altman ao cargo de CEO em poucos dias.

Filme mostraria a demissão e retorno de Sam Altman como CEO da OpenAI em poucos dias. – Imagem: Stock all/Shutterstock

A história dos cinco dias que virariam filme

Dirigido por Luca Guadagnino, “Artificial” se inspirava em um dos episódios mais turbulentos da história recente da OpenAI. A trama acompanharia os cinco dias entre a saída de Sam Altman do comando da empresa e sua rápida volta ao cargo.

O projeto estava em desenvolvimento havia cerca de um ano e tinha Andrew Garfield como protagonista. A proposta era levar para o cinema um episódio que repercutiu amplamente no setor de tecnologia.

O elenco que daria vida à história

Além de Andrew Garfield no papel de Altman, a produção reunia atores escolhidos para interpretar personagens inspirados em figuras reais ligadas aos acontecimentos de 2023.

  • Andrew Garfield no papel de Sam Altman
  • Monica Barbaro como Mira Murati
  • Ike Barinholtz interpretando Elon Musk
  • Yura Borisov como Ilya Sutskever
  • Enredo focado nos acontecimentos que marcaram a OpenAI em 2023

O longa colocaria nas telas alguns dos principais personagens envolvidos no episódio que abalou os bastidores da empresa naquele ano.

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Andrew Garfield interpretaria Sam Altman em “Artificial”, projeto que acabou sendo cancelado pela Amazon MGM. Imagem: Divulgação/FX

Por que a decisão chamou atenção

Em comunicado ao Deadline, a Amazon MGM afirmou que acredita que o filme “será melhor servido se for lançado por outro estúdio” e informou que está trabalhando com a equipe de produção para encontrar uma nova distribuidora.

A decisão despertou interesse porque Amazon e OpenAI mantêm uma relação próxima. Em fevereiro, a gigante do comércio eletrônico anunciou um investimento de US$ 50 bilhões no laboratório de inteligência artificial.

Por enquanto, “Artificial” permanece sem uma distribuidora definida. O próximo passo da equipe será encontrar um novo estúdio interessado em assumir o projeto e viabilizar o lançamento do filme.

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Seu emprego está em risco? O que a IA mudou no mercado de trabalho – e como se adaptar

A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho. Dados da PwC mostraram que a demanda por profissionais com competências em IA cresceu 30,3% no Brasil no último ano – muito acima da média global, de 7,5%. Os dados foram compilados em um levantamento do site Meu Currículo Perfeito.

Já uma projeção do Fórum Econômico Mundial aponta que, até 2030, 92 milhões de empregos serão transformados pela automação e pela IA, enquanto 170 milhões de novos postos serão criados nesse mesmo período.

Mas a transformação vem acompanhada de contradições:

  • Embora a inteligência artificial esteja cada vez mais presente nas rotinas corporativas, boa parte das empresas ainda não oferece treinamento formal para os funcionários;
  • Dados do Read.ai revelaram que 68% dos brasileiros utilizam IA diariamente no trabalho, mas apenas 31% afirmam ter acesso oficial ou capacitação fornecida pelos empregadores;
  • Além disso, a necessidade constante de atualização cria um cenário de insegurança generalizada.

Para Samuel Barros, reitor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), ignorar essa realidade é um erro: a prática pode gerar problemas de governança e segurança da informação, especialmente quando colaboradores compartilham dados corporativos em plataformas não autorizadas pelas empresas.

A nova corrida por habilidades

O avanço da IA está criando uma nova hierarquia no mercado de trabalho.

Dados compilados pelo relatório mostram que profissionais com habilidades comprovadas em inteligência artificial recebem, em média, salários 56% maiores do que aqueles sem esse conhecimento. Em cargos especializados, a diferença é ainda mais expressiva. Segundo a empresa de recrutamento Robert Half, engenheiros de IA têm salários iniciais entre R$ 19,5 mil e R$ 27,1 mil.

Essa valorização ajuda a explicar outro dado relevante: a pesquisa da PwC revela que 59% dos brasileiros acreditam que aprender novas competências é a principal forma de evitar a obsolescência profissional.

Para Barros, o diferencial do profissional hoje é a “capacidade de orquestrar as tecnologias” para construir algo que, antes, levava mais tempo e exigia mais pessoas.

A IA é um colega de trabalho. Ela não é mais só uma ferramenta. Dois anos atrás, poderíamos falar que a IA é uma ferramenta como o martelo, a chave de fenda… hoje em dia, com a IA agêntica, ela é um colega de trabalho não físico que acaba ocupando o espaço de funções menos especializadas ou muito repetitivas.

Samuel Barros, reitor do IBMEC

Nesse sentido, as exigências do mercado mudam rapidamente. O estudo aponta que as competências demandadas em ocupações expostas à IA evoluem 66% mais rápido do que em outras áreas, tornando o aprendizado contínuo uma necessidade permanente.

Para o reitor, dominar a tecnologia já deixou de ser um diferencial e virou uma exigência básica – e isso vale para praticamente qualquer função, não só aquelas ligadas aos setores tecnológicos.

Formação acadêmica pesa mais do que habilidades práticas? Especialistas divergem – Imagem: Leonardo Santtos/Shutterstock

Diploma está perdendo espaço?

A ascensão da inteligência artificial também acelera uma mudança que já vinha ocorrendo no mercado de trabalho: a valorização das habilidades em detrimento dos diplomas.

Segundo dados do LinkedIn citados no relatório, 25% das vagas publicadas na plataforma já não exigem formação universitária – um aumento de 16% desde 2020.

A lógica é simples: em um ambiente em que as competências técnicas mudam rapidamente, empresas passam a valorizar mais a capacidade de adaptação e aprendizado do que certificados obtidos anos atrás. Isso não significa que a formação acadêmica perdeu relevância, mas que ela deixou de ser suficiente por si só.

Para Luana Horchuliki, Sócia e Diretora de Gente e Gestão na Gupy, a priorização entre IA ou formação acadêmica depende do cargo:

Para funções técnicas, [a habilidade em IA] já é diferencial competitivo. Para funções de negócio, gestão e comunicação, o que as empresas buscam é ir além do uso de IA, focando muito mais em pensamento crítico.

Luana Horchuliki, Sócia e Diretora de Gente e Gestão na Gupy

O primeiro emprego sob ameaça

Um grupo particularmente vulnerável às mudanças provocadas pela IA é o de profissionais em início de carreira.

De acordo com dados da Randstad, funções administrativas, jurídicas e de atendimento estão entre as mais expostas à automação. São justamente áreas que tradicionalmente funcionam como porta de entrada para jovens profissionais.

Antes, atividades como organizar planilhas, registrar atas de reunião, responder e-mails ou realizar atendimentos básicos eram desempenhadas por estagiários e profissionais juniores. Hoje, muitas dessas tarefas podem ser executadas por sistemas de inteligência artificial em poucos segundos.

Barros acredita que o impacto será inevitável nas funções mais repetitivas.

Esse colega de trabalho não físico acaba ocupando espaço para aquelas funções menos especializadas ou muito repetitivas. Funções que não precisam do caráter humano para serem realizadas.

Samuel Barros, reitor do IBMEC

Na avaliação do especialista, cargos de atendimento digital, telemarketing, suporte técnico básico e parte das atividades administrativas estão entre os mais ameaçados. Horchuliki menciona funções com “alta repetitividade e pouca necessidade de julgamento contextual” entre as primeiras a serem automatizadas.

Por outro lado, áreas que exigem criatividade, tomada de decisão, interpretação de contexto e relacionamento humano tendem a ganhar importância. Segundo a diretora, trata-se dos superworkers, que ela aposta que serão os mais beneficiados na transformação tecnológica.

A dificuldade de inserção dos jovens também está relacionada a mudanças na estratégia das empresas: a preferência é requalificar profissionais experientes ou contratar pessoas que já chegam com conhecimento em inteligência artificial?

Barros acredita que, apesar da requalificação interna ser o caminho mais desejável, muitas organizações optam por buscar profissionais prontos no mercado. “O mais humano seria capacitar o time que já existe. No entanto, muitas vezes é mais econômico buscar no mercado um profissional já preparado”, defendeu.

Horchuliki defende o contrário:

75% das empresas no mundo dizem ter dificuldade para encontrar profissionais qualificados em IA. O mercado externo de talentos nessa área simplesmente não cresce na velocidade que a demanda exige. Então, quem espera contratar pronto vai esperar muito, ou pagar muito. O que os nossos dados mostram é que as empresas mais estratégicas estão priorizando a mobilidade interna e o desenvolvimento de quem já está dentro de casa.

Luana Horchuliki, Sócia e Diretora de Gente e Gestão na Gupy

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Relatório “o impacto da IA no mercado de trabalho brasileiro” apontou setores com maior potencial de automatização impulsionada por IA – Imagem: Randstad Research

IA também muda os processos seletivos

A influência da tecnologia não se limita às atividades profissionais: ela já está presente nas etapas de recrutamento e seleção.

Segundo Barros, muitas empresas utilizam sistemas de inteligência artificial para fazer a primeira triagem de currículos e até para elaborar avaliações aplicadas aos candidatos. “Se o seu currículo não estiver preparado para ser lido por um agente de inteligência artificial, é bem possível que você não passe nem da primeira fase de filtro”, alertou.

Na prática, isso significa que currículos precisam ser preparados para serem interpretados corretamente por algoritmos, sob o risco de serem descartados antes mesmo de chegar a um recrutador humano.

Já para Luana Horchuliki, a IA tornou os processos seletivos mais rápidos e orientados, com menos vieses. Segundo ela, o uso de agentes dentro da Gupy ajudou a reduzir em mais de 60% o tempo médio de fechamento de vagas e liberou tempo para o recrutador fazer o que a tecnologia não faz: ter uma conversa qualificada com o candidato.

“A IA não está substituindo o contato humano, ela está viabilizando um contato humano de maior qualidade”, afirmou.

Insegurança generalizada marca o mercado

A transformação tecnológica ocorre em paralelo ao crescimento da insegurança profissional.

Outro levantamento do Meu Currículo Perfeito mostrou que a indústria de tecnologia eliminou mais de 123 mil empregos só este ano, um aumento de 66% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o estudo, a inteligência artificial já aparece como o principal motivo citado para demissões em 2026.

Você já deve ter lido sobre o assunto no Olhar Digital:

  • A Meta, por exemplo, avisou em maio que demitiria milhares de funcionários em uma reestruturação interna para reduzir custos e focar em inteligência artificial (leia mais aqui);
  • Já a Amazon anunciou, em janeiro, a demissão de 16 mil cargos corporativos, completando um ciclo de 30 mil cortes iniciado na reta final de 2025. O movimento faz parte de uma redução de custos e reestruturação em andamento na companhia, que também passará a focar na IA (leia mais aqui);
  • O efeito dominó também atingiu empresas ‘de diversos tamanhos e nichos ‘menores’: a Block, liderada por Jack Dorsey (um dos cofundadores do Twitter), reduziu sua força de trabalho em 40% (quatro mil pessoas) numa reforma motivada pela IA;
  • No topo da lista de ajustes estão a UPS e a Oracle, com 30 mil demissões cada. No caso da Oracle, os números vêm de estimativas de analistas do banco TD Cowen, que apontam redirecionamento de capital para financiar infraestrutura de IA. 
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Nem tudo é ruim: relatório também listou setores com maior potencial de criação de novos empregos – Imagem: Randstad Research

O cenário contribui para um sentimento de incerteza. Sete em cada dez trabalhadores afirmam ter repensado suas carreiras no último ano, enquanto apenas 27% dizem ter clareza sobre os rumos profissionais de longo prazo.

Mas, apesar da preocupação, os especialistas defendem que a adaptação continua sendo a melhor resposta.

Para Barros, as carreiras mais protegidas serão aquelas que exploram características tipicamente humanas.

Decisões morais, decisões éticas, articulações, compreensão de contexto. Tudo isso é uma parte que não vai fugir do ser humano.

Samuel Barros, reitor do IBMEC

Enquanto a inteligência artificial assume tarefas operacionais e repetitivas, cresce a importância de habilidades como pensamento crítico, resolução de problemas, empatia, negociação e capacidade de tomar decisões em situações complexas.

A pesquisa Dev Barometer Q2 2026 reforça essa tendência. Entre desenvolvedores juniores entrevistados em 77 países, 48% apontaram resolução de problemas e pensamento analítico como a habilidade mais importante para conseguir emprego atualmente. Apenas 18% citaram o domínio de ferramentas de IA.

Um mapeamento interno da Gupy, citado por Luana Horchuliki, listou as atividades mais demandadas em vagas que mencionam IA no Brasil:

  • Criatividade e inovação (17,4%);
  • Comunicação efetiva (10,3%);
  • Responsabilidade e integridade (10,1%);
  • Proatividade (8,8%);
  • Foco em resultados (8,7%).

Repare que nenhuma dessas é uma habilidade técnica. São todas capacidades humanas que ganham ainda mais valor justamente porque a IA não consegue reproduzir esses comportamentos. (…) O que vai importar cada vez mais é a capacidade de aprendizado contínuo e a habilidade de trabalhar com sistemas inteligentes sem abrir mão do próprio julgamento.

Luana Horchuliki, Sócia e Diretora de Gente e Gestão na Gupy

Barros também dá uma dica:

Se você está empregado, vá atrás de você mesmo. Busque formação em inteligência artificial para que, no caso de uma necessidade interna, uma possibilidade de progressão ou se o mercado estiver buscando, você vai estar pronto para as oportunidades que aparecerem.

Samuel Barros, reitor do IBMEC

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China recebeu tecnologia proibida? ASML se pronuncia sobre suspeita

A ASML negou nesta sexta-feira que qualquer uma de suas máquinas EUV tenha sido enviada para a China, respondendo a preocupações levantadas por autoridades dos Estados Unidos sobre um possível descumprimento das restrições de exportação.

O caso chama atenção porque envolve equipamentos considerados fundamentais para a fabricação de semicondutores avançados, comenta a Reuters.

A ASML negou que qualquer máquina EUV, utilizada para a fabricação de chips, tenha sido enviada à China, após preocupações levantadas por autoridades dos EUA. Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock

ASML responde a preocupações levantadas pelos EUA

A reportagem que deu origem ao caso informou que autoridades norte-americanas estariam preocupadas com a possibilidade de máquinas EUV da ASML terem chegado à China. Segundo o relato, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, levou essa preocupação a executivos da companhia holandesa durante uma série de reuniões.

A resposta da empresa foi direta. Em comunicado enviado à Reuters, a fabricante afirmou: “A ASML nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem enviamos para a China qualquer componente, módulo ou equipamento projetado especificamente para ser usado em uma máquina EUV”.

A companhia também declarou que contestou as alegações relacionadas ao descumprimento dos controles de exportação e ressaltou que adapta continuamente suas operações para acompanhar mudanças regulatórias e cumprir novas exigências.

Sistemas de litografia EUV para fabricação de semicondutores
A fabricação de semicondutores avançados depende de equipamentos altamente especializados, como os sistemas EUV. Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

O que torna as máquinas EUV tão especiais

As máquinas de litografia ultravioleta extrema, conhecidas pela sigla EUV, estão entre os equipamentos mais complexos utilizados pela indústria de semicondutores. Elas são consideradas peças-chave para a produção dos componentes mais avançados do setor.

Os sistemas mais modernos da ASML chamam atenção por características impressionantes:

  • Têm tamanho aproximado ao de um ônibus escolar
  • O peso chega a cerca de 180 toneladas
  • Estão sujeitas a rígidas regras de exportação
  • São utilizadas na fabricação de chips avançados
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A tecnologia usada para fabricar chips avançados virou tema de discussões envolvendo China, EUA e Europa. Imagem: William Potter/Shutterstock

Controles de exportação permanecem no centro do debate

O governo da Holanda reforçou que a exportação de equipamentos para fabricação de semicondutores segue critérios rigorosos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores holandês destacou: “Todos os equipamentos, componentes e tecnologias que se enquadram explicitamente nessas regras exigem uma licença”.

O ministério também afirmou que aplica essa política de forma rigorosa e intervém sempre que considera necessário para garantir o cumprimento das normas.

O debate ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos para ampliar o alinhamento internacional em torno dos controles de exportação ligados ao setor de semicondutores. Em abril, Washington propôs uma legislação para que países aliados sigam regras semelhantes, com o objetivo de limitar a capacidade chinesa de produzir semicondutores avançados. Equipamentos fabricados pela ASML foram citados na proposta.

Em dezembro, a Reuters informou que cientistas chineses desenvolveram um protótipo de máquina EUV criado por uma equipe formada por ex-engenheiros da ASML, em um projeto descrito como a versão chinesa do Projeto Manhattan.

A questão segue no radar de governos e empresas envolvidos no setor de semicondutores. O episódio ocorre enquanto diferentes países discutem regras para a exportação de tecnologias ligadas à fabricação de chips avançados.

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Midjourney lança scanner corporal que mistura saúde e spa

A Midjourney, conhecida pelo gerador de imagens por inteligência artificial, resolveu sair do próprio território e testar algo bem mais ambicioso: um scanner de corpo inteiro baseado em ultrassom, integrado a um conceito de spa futurista. A ideia foi apresentada em detalhes e repercutida pelo The Verge, que acompanhou a proposta inicial da empresa.

O curioso é que, apesar do tom de inovação radical, boa parte do projeto ainda está no campo experimental — mais protótipo e visão de futuro do que produto pronto de verdade.

Projeto une spa futurista e tecnologia médica para transformar exames em uma experiência contínua e quase invisível no dia a dia. Imagem: Reprodução/Midjourney – Imagem: Reprodução/Midjourney

Como funciona o “Midjourney Scanner”

Pelo que foi mostrado pela matéria, o sistema gira em torno de um anel de sensores ultrassônicos que envolve o corpo durante o exame. O processo começa quando a pessoa entra em uma plataforma que desce lentamente dentro de uma piscina de água, enquanto ondas sonoras atravessam o corpo em diferentes direções.

Na prática, não é algo silencioso ou “mágico”. É uma combinação pesada de hardware, sensores e processamento de dados para reconstruir imagens tridimensionais do interior do corpo — músculos, gordura, ossos e órgãos.

O projeto foi desenvolvido em parceria com a Butterfly Network e usa módulos de ultrassom do tipo “ultrasound-on-chip”. O tempo estimado para todo o escaneamento é de cerca de 60 segundos.

E aqui vale um detalhe importante: apesar da apresentação impressionar, isso ainda está longe de ser um equipamento médico consolidado no sentido tradicional.

O que a Midjourney está realmente tentando fazer

A empresa não vende apenas a ideia de um scanner. O discurso vai bem além disso. Para a Midjourney, o ponto central é transformar o acompanhamento da saúde em algo contínuo, quase cotidiano.

Em vez de exames pontuais, a proposta é criar uma espécie de “linha do tempo” do corpo humano, com dados sendo coletados com frequência e interpretados ao longo do tempo.

Entre os objetivos apresentados estão:

  • monitoramento contínuo da saúde ao longo dos anos
  • integração com médicos, treinadores e sistemas de IA
  • acesso mais frequente e barato a dados do próprio corpo
  • comparação desses dados com populações maiores

Isso tudo, claro, ainda faz parte da visão da empresa — não de um sistema validado em larga escala.

E há um ponto que chama atenção: a própria ideia de transformar dados médicos em algo quase constante muda completamente a relação entre pessoa e corpo. É uma mudança cultural, não só tecnológica.

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Sistema usa anel de sensores e ondas sonoras para reconstruir músculos, ossos e órgãos em 3D com alta precisão. Imagem: Reprodução/Midjourney – Imagem: Reprodução/Midjourney

O spa que mistura bem-estar e exame

O projeto também inclui o chamado “Midjourney Spa”, previsto para São Francisco até 2027. Segundo o The Verge, o espaço combina áreas de relaxamento — como saunas e piscinas — com zonas de escaneamento corporal.

A lógica aqui é meio contraintuitiva: o exame não é o evento principal. Ele acontece quase “por tabela”, enquanto a pessoa está em um ambiente de lazer.

A empresa também fala em números bastante agressivos: até 2031, seriam cerca de 50 mil scanners no mundo, com capacidade para até um bilhão de exames por mês. É uma projeção grande — e, por enquanto, sem validação independente.

Entre promessa, hype e realidade

A publicação também destaca um ponto que não dá para ignorar: não há evidências clínicas independentes que comprovem desempenho equivalente a exames como ressonância magnética.

Leia mais:

Além disso, qualquer uso médico mais amplo dependeria de aprovação regulatória, como a do FDA nos Estados Unidos.

Ou seja, existe uma distância clara entre o que foi apresentado e o que pode realmente ser colocado em prática no curto prazo.

E talvez essa seja a parte mais interessante do projeto: ele não está só tentando criar um novo tipo de exame, mas também uma nova forma de pensar saúde — ainda que isso levante mais perguntas do que respostas no momento.

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Crise na IA? Cientista famoso diz que empresa de Musk não vai competir no setor

Yann LeCun, cofundador da AMI Labs e ex-cientista-chefe de IA da Meta, afirmou à CNBC que a xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, é “um fracasso” e não deve conseguir competir com OpenAI e Anthropic. LeCun é frequentemente chamado de “padrinho da IA” por seu trabalho pioneiro na área.

A fala reacende uma rivalidade antiga entre os dois. Nos últimos anos, LeCun e Musk já trocaram críticas públicas em debates que vão da inteligência artificial até o que o pesquisador chama de “teorias da conspiração” associadas ao CEO da Tesla nas redes sociais. Musk, por sua vez, já o acusou de estar “fora de contato com a IA há muito tempo”.

xAI, de Elon Musk, é alvo de críticas e questionamentos sobre capacidade de competir com gigantes como OpenAI. Imagem: Irina Shats/Shutterstock – Imagem: Irina Shats/Shutterstock

Por que LeCun chama a xAI de fracasso

“A xAI é meio que um fracasso, francamente, porque o time fundador foi embora”, disse LeCun. Em seguida, ele afirmou que Musk está “numa posição muito, muito difícil para contratar gente de ponta em IA”, por conta da forma como lidou com a equipe anterior.

No último ano, vários cofundadores deixaram a empresa. Em fevereiro, Musk chegou a fundir a SpaceX com a xAI em um negócio que avaliou a companhia em US$ 1,25 trilhão. Já no trimestre encerrado em 31 de março, o segmento de IA da SpaceX — que inclui a xAI — registrou prejuízo operacional de US$ 2,5 bilhões.

A estrutura da empresa também entrou na mira de LeCun. Ele disse que a xAI mantém uma “infraestrutura enorme” que acaba sendo alugada para outras companhias “porque essa é a única forma de Musk recuperar os custos”. A referência é aos data centers Colossus 1 e Colossus 2, em Memphis. Google e Anthropic já usaram essa capacidade — o Google, inclusive, paga cerca de US$ 920 milhões por mês pelo acesso.

Bolha ou correção? Especialistas analisam futuro da IA e impacto no mercado global
Especialista alerta para possível “explosão de bolha” no mercado de inteligência artificial nos próximos anos. Imagem: royyimzy / iStock

O alerta sobre a “explosão de bolha”

LeCun fez um alerta mais amplo sobre o modelo financeiro das grandes empresas de IA. “Os preços dos serviços de IA estão subindo, mas o custo de rodá-los está caindo, só que não na velocidade necessária. Então todas essas empresas estão perdendo dinheiro, e o uso para a maioria das pessoas é financiado pelos investidores. Isso não pode continuar por muito tempo”, disse ele.

Na avaliação do pesquisador, o setor deve acabar ajustando a rota. “Ou vão aumentar os preços, ou cortar custos, ou vai haver uma grande explosão de bolha”, afirmou. O tema ganhou ainda mais força em meio ao aumento da pressão sobre os gastos com IA. O CEO da OpenAI, Sam Altman, teria comentado recentemente que os custos do setor são “um problema enorme” e que as empresas estão constantemente discutindo quanto estão investindo na tecnologia.

Analista trabalhando com relatório financeiro e painel de análise de negócios em laptop para examinar dados financeiros com KPIs e métricas.
“Isso não pode continuar por muito tempo”, diz LeCun sobre o modelo econômico das empresas de inteligência artificial. Imagem: NicoElNino/Shutterstock

A aposta em “modelos de mundo”

LeCun costuma criticar as limitações dos grandes modelos de linguagem (LLMs), base da geração atual dos principais produtos de IA. Esses sistemas aprendem padrões de linguagem para prever o próximo elemento de uma sequência — o que os torna úteis em tarefas como programação e matemática.

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Mas ele defende outra direção: os chamados “modelos de mundo”. A ideia é criar sistemas capazes de entender como o mundo funciona de forma mais ampla, com noções de objetos, causa, efeito e ações.

“Pessoalmente, não acho que vamos ter sistemas agênticos generalizados e confiáveis até que eles sejam baseados em modelos de mundo”, afirmou. Ao mesmo tempo, ele reconhece que os LLMs têm aplicações práticas, embora ressalte que “o custo de rodar esses sistemas com esse nível de desempenho é alto demais em relação ao que os usuários estão dispostos a pagar”.

A AMI Labs levantou US$ 1 bilhão em uma rodada de financiamento em março para trabalhar em modelos de mundo, o que resultou em uma avaliação pré-investimento de US$ 3,5 bilhões.

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Um problema invisível: o som dos data centers que está virando disputa judicial nos Estados Unidos

A rápida expansão de data centers ligados ao avanço da inteligência artificial tem provocado conflitos em diferentes regiões dos Estados Unidos, onde moradores afirmam conviver com um ruído constante associado ao funcionamento dessas estruturas. O centro do debate envolve o impacto sonoro gerado por sistemas de refrigeração e geradores industriais.

Em cidades pequenas e médias, grupos de residentes passaram a recorrer à Justiça alegando que a vibração contínua e o zumbido de baixa frequência comprometem o descanso e o uso cotidiano de suas casas. As ações judiciais foram apresentadas em pelo menos três localidades no mês anterior ao da publicação feita pelo The New York Times.

O tema ganha relevância em um contexto no qual existem mais de três mil data centers em operação no país e outros mais de mil e quinhentos em fase de desenvolvimento, segundo levantamento citado em pesquisa de instituto norte-americano.

Crescimento da infraestrutura digital e proximidade com áreas residenciais

Imagem: mailcaroline/Shutterstock

O avanço da economia digital e da inteligência artificial impulsionou a construção acelerada de grandes instalações capazes de processar e armazenar volumes massivos de dados. Essas estruturas operam com milhares de servidores e demandam sistemas intensivos de resfriamento para evitar superaquecimento.

De acordo com dados atribuídos a uma análise do Pew Research Center, cerca de quarenta por cento das residências nos Estados Unidos estão situadas a até cinco milhas de pelo menos um data center operacional, o que amplia o contato direto entre essas instalações e comunidades residenciais.

O funcionamento dessas unidades envolve ventiladores industriais, sistemas de refrigeração e geradores movidos a diesel, frequentemente acionados para garantir estabilidade energética. Esse conjunto de equipamentos produz um som contínuo descrito como um zumbido de baixa frequência que pode se estender por longas distâncias.

Especialistas ouvidos na reportagem do TNYT explicam que parte desse som está abaixo da faixa de audição humana, sendo percebido mais como vibração física do que como ruído convencional. Essa característica dificulta sua mensuração pelos métodos tradicionais de controle acústico.

Ações judiciais e disputas locais

Em diferentes localidades, moradores afirmam que a presença desses empreendimentos altera a qualidade de vida e o valor de seus imóveis. Em um dos casos citados, residentes alegam que a operação contínua das instalações impede o sono e gera desconforto constante.

Em Vineland, no estado de Nova Jersey, uma moradora descreveu o som como semelhante ao de um helicóptero parado no ar ou um caminhão em funcionamento permanente, segundo relato incorporado a uma ação judicial contra uma empresa do setor.

Limitações regulatórias e debate sobre normas de medição

Logos das bigtechs em um smartphone
Big techs estão por trás dos data centers – Imagem: gguy/Shutterstock

A regulação do ruído nos Estados Unidos ocorre principalmente em nível local, por meio de regras de zoneamento que não foram originalmente pensadas para atividades industriais de funcionamento contínuo. Segundo especialistas citados, não há estrutura federal ativa dedicada exclusivamente ao controle de poluição sonora.

Outro ponto levantado é que muitos padrões utilizam escalas de medição que priorizam a percepção humana em ambientes silenciosos, o que pode subestimar frequências mais baixas típicas de data centers.

Respostas da indústria e alternativas tecnológicas

Empresas do setor afirmam que adotam medidas para reduzir impactos sonoros e seguem limites estabelecidos pelas normas locais. Algumas também destacam o papel econômico desses empreendimentos, incluindo geração de empregos e suporte à infraestrutura digital de serviços públicos e instituições.

Entre as soluções técnicas em desenvolvimento está o uso de resfriamento líquido, tecnologia que substitui parte dos sistemas de ventilação por métodos menos ruidosos. Apesar de reduzir significativamente o som, essa alternativa ainda possui custo elevado de implementação.

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SpaceX usa bilhões para tentar virar o jogo na inteligência artificial

Elon Musk está usando o novo fôlego financeiro da SpaceX — um caixa de US$ 86 bilhões (R$ 436 bilhões) — para tentar encurtar a distância na corrida da inteligência artificial. A empresa vem ampliando sua atuação nesse campo, com movimentos que misturam infraestrutura, aquisições e serviços corporativos.

Segundo o The Wall Street Journal, a estratégia não aparece como uma virada isolada, mas como uma sequência de ajustes para colocar a SpaceX mais próxima dos principais nomes da IA.

Cursor entra no plano da SpaceX como peça-chave no mercado de programação com inteligência artificial. Koupei Studio / Shutterstock – Koupei Studio / Shutterstock

Musk admite que está atrás na disputa

Musk reconheceu que a xAI e iniciativas ligadas à SpaceX ainda ficam atrás de rivais como OpenAI, Google e Anthropic no desenvolvimento de inteligência artificial.

A reação foi acelerar investimentos e reorganizar partes da estrutura da empresa para tentar ganhar velocidade nessa disputa, que já consome bilhões no setor.

  • compra da startup Cursor por cerca de US$ 60 bilhões em ações
  • uso ampliado de data centers próprios
  • foco mais direto em clientes corporativos
  • integração com a xAI e o chatbot Grok
  • ajustes internos voltados à IA

Cursor entra no centro da estratégia de inteligência artificial

A Cursor, startup voltada a ferramentas de programação com IA, passou a ocupar um papel mais relevante dentro desse plano. O produto já é utilizado por empresas como Nvidia, Deloitte e British Airways.

A aposta é transformar a plataforma em algo mais previsível em termos de receita e fortalecer a presença da SpaceX no mercado de software com inteligência artificial.

Na prática, a ferramenta ajuda desenvolvedores a escrever, revisar e editar código usando diferentes modelos de IA — e isso tem acelerado sua adoção.

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Data centers da SpaceX passam a ser alugados para Google e Anthropic em novo movimento de receita. Imagem: Ascannio/Shutterstock

Data centers começam a virar negócio paralelo

Além das aquisições, a SpaceX passou a disponibilizar parte da capacidade de seus data centers para outras empresas, incluindo concorrentes como Google e Anthropic.

Esse movimento ganha força justamente no momento em que o setor de IA enfrenta uma demanda crescente por infraestrutura, o que tem pressionado custos e capacidade global.

  • aluguel de capacidade computacional
  • expansão de infraestrutura de IA
  • contratos com concorrentes diretos
  • busca por novas fontes de receita
  • uso mais intenso da estrutura já existente
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xAI ainda enfrenta prejuízos, enquanto Musk tenta reorganizar o ecossistema de inteligência artificial. Imagem: Sergii Chernov – Shutterstock – Imagem: Sergii Chernov – Shutterstock / Edição: Ana Figueiredo – Olhar Digital

xAI ainda enfrenta pressão financeira

A integração da xAI ao ecossistema da SpaceX faz parte de um plano mais amplo de Musk para fortalecer sua atuação em IA. Mesmo assim, a empresa ainda convive com prejuízos elevados e custos operacionais altos.

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Grande parte dessas despesas está ligada à construção de infraestrutura, treinamento de modelos e contratação de engenheiros especializados — uma conta que continua crescendo no setor.

A movimentação da SpaceX na inteligência artificial mostra uma aposta de longo prazo de Elon Musk. Entre aquisições bilionárias, uso de infraestrutura existente e reorganização interna, a empresa tenta ganhar espaço em um mercado dominado por gigantes e ainda em forte expansão.

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‘ChatGPT carioca’: entenda a polêmica da IA lançada pela prefeitura do Rio

O Rio de Janeiro (RJ) “lançou um modelo aberto de inteligência artificial”, escreveu o prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), na sexta-feira (12). O Rio Open 3.5 era um “modelo de IA aberto treinada no Rio com financiamento público ao longo do último ano pela Prefeitura”, disse o político numa postagem no X/Twitter. Mas não é bem assim.

A princípio, a divulgação feita pela prefeitura deu a entender que o modelo da IplanRio, empresa pública carioca de informática, tinha sido desenvolvido pela iniciativa da administração. “Inteligência artificial não é uma coisa distante, estrangeira, de laboratório bilionário”, escreveu o prefeito em sua postagem.

Na verdade, o Rio Open 3.5 é essencialmente uma mistura de dois sistemas chineses de código aberto: Nex-N2-Pro, da Nex-AGI; e Qwen 3.5-397B, da Qwen.

Rio Open 3.5: Entenda o caso do ‘ChatGPT carioca’ que, na verdade, é chinês

O modelo foi anunciado pela IplanRio logo após o encerramento do Web Summit Rio, versão carioca do evento global de tecnologia. Com 397 bilhões de parâmetros, a ferramenta foi apresentada com testes internos que indicavam uma suposta superioridade em relação a sistemas como o DeepSeek V4 em tarefas de programação, matemática e raciocínio. 

Cavaliere foi às redes sociais no sábado (13) exaltar o projeto como fruto de “engenharia brasileira” e símbolo de “soberania”. Confira abaixo:

“A avaliação não era independente. Não foram terceiros que fizeram isso”, observou Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, ao Olhar Digital. Ou seja: os resultados de desempenho divulgados pelo prefeito não tinham passado por verificação independente. 

No domingo (14), o laboratório Nex-AGI acusou publicamente a prefeitura de apropriação tecnológica sem os devidos créditos. Os chineses apontaram que a documentação carioca tinha omitido que o Rio Open 3.5 continha, na verdade, 60% do modelo Nex-N2-Pro (os 40% restantes eram do Qwen 3.5-397B).

Ao contrário do divulgado inicialmente, não houve um processo complexo de treinamento ou refinamento de dados. O Rio Open 3.5 “nada mais é do que a combinação de dois sistemas abertos já disponíveis”, disse Igreja.

O sistema consistia numa fusão de modelos (model merge), técnica simples de alinhar e somar parâmetros de duas tecnologias prontas. Isso exige pouco poder computacional e nenhuma pesquisa aprofundada.

“Na verdade, praticamente nada foi desenvolvido. Só foi feita essa mescla” – Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, em comentário ao Olhar Digital.

“Fazer um model merge é uma prática legítima, comum e totalmente permitida pela licença Apache 2.0 que rege essas arquiteturas, desde que a devida atribuição técnica seja feita”, observou Kenneth Corrêa, especialista em IA e professor da FGV, ao Olhar Digital. “O erro da equipe foi a falta de transparência na documentação inicial, o que, no universo de código aberto, soa imediatamente como apropriação indevida.”

Para expor a situação, a Nex-AGI removeu uma instrução embutida que forçava a IA a se apresentar como “Rio 3.5”. Sem esse filtro, o robô passava a responder que seu nome era “Nex”.

A perda do ‘modelo final’

Em nota enviada ao Olhar Digital (que você lê na íntegra no final desta matéria), a IplanRio disse que houve “uma falha operacional” na publicação dos arquivos na plataforma Hugging Face que “levou ao envio de uma versão preliminar de testes, em vez da versão final do Rio 3.5 preparada pela equipe técnica”. “Por isso, o arquivo disponibilizado temporariamente ainda apresentava características das bases abertas utilizadas como ponto de partida para o desenvolvimento da ferramenta.”

A IplanRio admitiu, em nota enviada ao Olhar Digital, que “não foi possível recuperar o modelo final” – Imagem: DC Studio/Shutterstock

Após a repercussão na imprensa e na comunidade técnica sobre a falta de transparência e de relatórios detalhados, a página do projeto foi atualizada – agora, constam créditos à Nex-AGI. A empresa pediu desculpas pela “confusão”.

A prefeitura agora trabalha no upload da versão definitiva do modelo. A narrativa oficial da IplanRio é de que o modelo definitivo não será apenas uma fusão direta dos dois sistemas chineses, mas sim uma “solução própria, ajustada às necessidades da administração municipal”. Além disso, a empresa defendeu que a estratégia de fundir códigos abertos é legítima, visa a responsabilidade fiscal e reduz custos operacionais para a máquina pública.

No entanto, a IplanRio admitiu que “não foi possível recuperar o modelo final”. A nota complementa que a ferramenta só será publicada “assim que forem concluídos os treinamentos e todas as validações externas”. Isso indica que o trabalho de customização defendido pela administração municipal pode ter que ser refeito do zero. Ou, ainda, que o suposto modelo definitivo sequer estava pronto.

“Apesar dos tropeços na documentação do modelo, o mérito indiscutível da iniciativa é a visão pragmática de aplicar a inteligência artificial para otimizar a máquina pública e modernizar o atendimento ao cidadão”, observou Corrêa.

Ainda segundo o especialista, “esse episódio acaba sendo um reflexo claro do atual estágio do Brasil na corrida global da IA”. “A dura realidade é que ainda não somos um player competitivo na criação de modelos fundacionais do zero.”

Em outras palavras: a IA é, sim, uma coisa distante, estrangeira, de laboratório bilionário. Pelo menos, para o Brasil.

Íntegra da nota da IplanRio

A IplanRio esclarece que o Rio 3.5 foi desenvolvido e construído a partir de tecnologias de código aberto já existentes, prática adotada mundialmente no desenvolvimento de inteligência artificial. A equipe técnica da Prefeitura utilizou como base modelos públicos disponibilizados pela Alibaba, por meio do Qwen 3.5, e pela Nex-AGI, por meio do Nex-N2 Pro. Essas tecnologias possuem licenças abertas que permitem e incentivam sua adaptação e aprimoramento por terceiros.

A partir dessas bases, a Prefeitura desenvolveu uma solução própria, ajustada às necessidades da administração municipal. Essa estratégia foi escolhida por combinar inovação e responsabilidade fiscal, permitindo entregar uma ferramenta robusta, com menor custo de processamento e sem a dependência de softwares proprietários e licenças caras.

No entanto, durante a publicação do projeto na plataforma Hugging Face, uma falha operacional levou ao envio de uma versão preliminar de testes, em vez da versão final do Rio 3.5 preparada pela equipe técnica. Por isso, o arquivo disponibilizado temporariamente ainda apresentava características das bases abertas utilizadas como ponto de partida para o desenvolvimento da ferramenta.

Assim que a inconsistência foi identificada pela comunidade de pesquisadores, a IplanRio atualizou a documentação do projeto e revisou seus procedimentos internos. Não foi possível recuperar o modelo final, que será publicado assim que forem concluídos os treinamentos e todas as validações externas.

A IplanRio reforça que o Rio 3.5 é uma solução própria da Prefeitura do Rio, desenvolvida para atender às necessidades da administração municipal. A iniciativa garante mais autonomia tecnológica, reduz gastos com licenças de softwares proprietários e permitirá tornar os serviços públicos mais ágeis e eficientes para o cidadão carioca.

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Governo dos EUA mantém restrições a modelos de IA da Anthropic e amplia tensão

A empresa de inteligência artificial Anthropic enfrenta um impasse com o governo dos Estados Unidos após receber uma determinação para restringir o acesso aos seus modelos mais recentes, Fable 5 e Mythos 5. A medida, comunicada na última sexta-feira (12), foi justificada por preocupações ligadas à segurança nacional e desencadeou uma série de questionamentos dentro da companhia.

Seis dias após a ordem, as negociações entre representantes da empresa e integrantes da administração do presidente Donald Trump continuam sem resultado concreto. Enquanto isso, funcionários seguem sem explicações detalhadas sobre os motivos da restrição e demonstram preocupação com os impactos da decisão sobre o futuro dos negócios.

O episódio ocorre em meio a uma relação já desgastada entre a Anthropic e o governo americano, que nos últimos meses passou a acompanhar de perto o desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial produzidos pela companhia.

Conflito amplia pressão sobre empresa de inteligência artificial

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

A crise teve início quando a Anthropic foi informada pela Casa Branca de que deveria retirar do mercado seus modelos mais recentes de IA em um prazo extremamente curto. Internamente, a comunicação sobre as razões da medida mudou ao longo das horas seguintes. Funcionários receberam explicações distintas, que incluíam desde riscos relacionados ao acesso por empresas estrangeiras até a existência de uma suposta vulnerabilidade relevante nos sistemas.

A falta de informações precisas alimentou dúvidas entre equipes da companhia. Em conversas internas, profissionais passaram a questionar os possíveis reflexos da decisão governamental sobre os planos da empresa, incluindo expectativas relacionadas à abertura de capital prevista para este ano. A incerteza também foi reforçada por notícias que apresentavam versões divergentes sobre as razões da intervenção federal.

A atual disputa representa o segundo grande embate entre a Anthropic e a administração Trump em menos de um ano. O relacionamento entre as partes já havia sido abalado após divergências envolvendo um contrato de US$ 200 milhões firmado com o Departamento de Defesa para o emprego de inteligência artificial em sistemas classificados.

Na ocasião, divergências públicas sobre o uso da tecnologia em operações militares culminaram na classificação da empresa como um risco para a cadeia de suprimentos por parte do governo. A designação, segundo o The New York Times, nunca havia sido aplicada anteriormente a uma companhia estadunidense. A Anthropic contestou a medida judicialmente.

As discussões voltaram a ganhar intensidade após o anúncio do Mythos. A própria empresa afirmou que o modelo possuía capacidade excepcional para identificar vulnerabilidades em softwares, a ponto de provocar uma transformação significativa na área de segurança digital. Por causa desse potencial, o acesso inicial foi limitado a um grupo restrito de organizações.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

O lançamento estimulou debates dentro da Casa Branca sobre a criação de mecanismos para avaliar novos sistemas de inteligência artificial antes de sua disponibilização ao público. Nesse contexto, representantes da Anthropic participaram de reuniões com integrantes do governo e colaboraram nas discussões sobre possíveis diretrizes regulatórias.

Mais recentemente, a empresa lançou o Fable 5, uma versão desenvolvida para ampliar salvaguardas e reduzir riscos associados ao uso da tecnologia. Antes da disponibilização, o modelo foi submetido a testes realizados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, procedimento já adotado em lançamentos anteriores da companhia.

Parte da controvérsia atual envolve uma análise conduzida por pesquisadores da Amazon. O estudo identificou uma situação na qual o Fable 5 poderia ser induzido a revelar falhas presentes em determinados códigos vulneráveis. O documento foi compartilhado com a Anthropic e posteriormente discutido com integrantes do governo americano.

Autoridades que tiveram acesso ao material classificaram os resultados como preocupantes. No entanto, especialistas em segurança digital sustentam que a capacidade de localizar vulnerabilidades também pode fortalecer mecanismos de proteção cibernética, auxiliando profissionais encarregados de corrigir falhas antes que sejam exploradas por agentes mal-intencionados.

Entre os críticos da restrição está a pesquisadora Katie Moussouris, que analisou o trabalho produzido pela Amazon a pedido da Anthropic. Em publicação sobre o tema, ela argumentou que impedir esse tipo de funcionalidade comprometeria justamente uma das aplicações mais úteis da inteligência artificial para a defesa digital.

Defensores precisam conseguir pedir à IA que corrija falhas em um arquivo, explique por que a correção é importante e escreva testes que confirmem que o ajuste funciona. Isso não representa uma quebra de proteção” , afirmou Katie Moussouris, especialista em cibersegurança, em comentário citado pelo The New York Times.

notebook com várias linhas coloridas de código na tela
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Embora parte das preocupações tenha sido associada ao estudo da Amazon, um integrante do governo ouvido pela reportagem original indicou que as objeções da administração americana também envolveriam outros aspectos relacionados à segurança nacional e às relações da empresa com determinadas organizações. Ainda assim, pessoas com conhecimento das discussões afirmaram que esse ponto não teria sido apresentado diretamente à Anthropic.

Sem esclarecimentos públicos mais detalhados, a companhia permanece negociando com autoridades americanas em busca de uma solução. Paralelamente, especialistas da área de segurança digital organizaram uma carta aberta solicitando a retirada das restrições impostas aos modelos da empresa.

O documento reuniu mais de 150 assinaturas de pesquisadores e profissionais ligados à segurança cibernética e à inteligência artificial. Os signatários defenderam que o Fable 5 já possuía mecanismos de proteção considerados robustos para impedir usos ofensivos da tecnologia.

Dentro da Anthropic, a mobilização foi recebida como um sinal de apoio em meio ao impasse. Mesmo assim, persistem dúvidas sobre a capacidade da empresa de lançar futuras gerações de modelos caso o governo mantenha a postura atual. O cenário contribuiu para ampliar a percepção de insegurança entre funcionários, que seguem aguardando definições sobre os próximos passos da companhia.

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