bolha de IA

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Investidor que previu crise de 2008 aposta em queda de ações de IA

Michael Burry, investidor que ficou famoso por prever o colapso do mercado imobiliário dos Estados Unidos, está antecipando sua aposta contra o boom da inteligência artificial. Segundo ele, a bolha do setor pode estourar antes do que imaginava, em meio à preocupação com investimentos que ainda precisam gerar retorno.

Para reforçar essa posição, Burry trocou parte das apostas vendidas por opções de venda de ações ligadas à IA e aos semicondutores. A estratégia aumenta sua exposição a uma eventual queda e concentra os contratos em prazos que chegam a 2027.

O mercado de IA cresce rapidamente, mas investidores discutem se os retornos acompanham o volume de capital aplicado. – Imagem: MiniStocker/Shutterstock

Burry encurta o prazo

Em sua newsletter, Burry afirmou que está “adiantando os prazos” de sua tese e, por isso, quer mais alavancagem nas posições. Parte das mudanças também teve como objetivo reduzir sua carga tributária, mas ele disse que a principal razão é acreditar que “a bolha da IA pode estourar mais cedo ou mais tarde”.

As principais alterações envolvem:

  • Micron: posição vendida substituída por opções de venda com vencimento em junho e preço de exercício de US$ 500 (cerca de R$ 2.605);
  • Nebius: troca por opções com vencimento em junho e preço de exercício na casa das dezenas de dólares;
  • SOXX: posição vendida substituída por opções para setembro de 2027, na faixa dos US$ 400 (cerca de R$ 2.084);
  • Palantir: posição ampliada em opções de venda com vencimento em setembro de 2027, na faixa dos US$ 100 (cerca de R$ 521).

A escolha por opções também está relacionada aos níveis de volatilidade, que Burry considera excepcionalmente baixos. Isso torna os contratos relativamente baratos e permite buscar maior exposição em um período mais curto.

Onde está o risco da IA?

O argumento passa pela relação entre o dinheiro investido no setor e a capacidade de transformar esses aportes em receitas. Burry citou uma análise da Ares Management segundo a qual bastaria um período de receitas de IA abaixo do necessário para sustentar os investimentos para que conselhos de empresas decidissem redirecionar capital.

O debate aparece também entre analistas e autoridades financeiras. O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que pode haver correções nos preços dos ativos e observou que o mercado pode estar precificando empresas como vencedoras antes de saber quais realmente conseguirão se destacar.

Outro ponto é a oferta de chips de memória. Jason Chen, CEO da Acer, afirmou que o aumento da produção chinesa pode mudar a dinâmica de escassez do setor.

Como poderia haver uma escassez contínua? A capacidade de produção da China vem aumentando consistentemente e não há absolutamente nenhum problema de escassez.

Jason Chen, CEO da Acer, à CNBC.

Bolha da IA
O temor de investidores é de que o fluxo contínuo de capital entre gigantes crie uma falsa demanda. – Imagem: royyimzy / iStock

Bolha ou crescimento sustentado?

O cenário, porém, não é interpretado da mesma forma por todos. Há avaliações de que parte da expansão da IA tem fundamentos mais sólidos, apoiados por contratos de longo prazo e pelo aumento da demanda por chips, data centers e capacidade computacional.

Também existe o argumento de que empresas menores podem ampliar esse mercado à medida que o acesso à inteligência artificial se torna mais barato. Nesse caso, a demanda não dependeria apenas das grandes empresas de tecnologia.

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Ainda assim, o crescimento dos investimentos elevou a preocupação com o retorno financeiro. O investidor já havia comparado o mercado, em maio, aos meses finais da bolha de tecnologia de 1999 e 2000. Agora, sua estratégia mostra que passou a trabalhar com um horizonte mais curto para essa tese.

O mercado, por enquanto, segue em direção oposta: o Nasdaq Composite atingiu recorde recentemente, enquanto Micron e Palantir permanecem abaixo de suas máximas históricas. A divergência resume o debate: a IA pode continuar ampliando sua utilidade enquanto investidores discutem se o dinheiro aplicado no setor está crescendo mais rápido que os retornos capazes de sustentá-lo.

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Crise na IA? Cientista famoso diz que empresa de Musk não vai competir no setor

Yann LeCun, cofundador da AMI Labs e ex-cientista-chefe de IA da Meta, afirmou à CNBC que a xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, é “um fracasso” e não deve conseguir competir com OpenAI e Anthropic. LeCun é frequentemente chamado de “padrinho da IA” por seu trabalho pioneiro na área.

A fala reacende uma rivalidade antiga entre os dois. Nos últimos anos, LeCun e Musk já trocaram críticas públicas em debates que vão da inteligência artificial até o que o pesquisador chama de “teorias da conspiração” associadas ao CEO da Tesla nas redes sociais. Musk, por sua vez, já o acusou de estar “fora de contato com a IA há muito tempo”.

xAI, de Elon Musk, é alvo de críticas e questionamentos sobre capacidade de competir com gigantes como OpenAI. Imagem: Irina Shats/Shutterstock – Imagem: Irina Shats/Shutterstock

Por que LeCun chama a xAI de fracasso

“A xAI é meio que um fracasso, francamente, porque o time fundador foi embora”, disse LeCun. Em seguida, ele afirmou que Musk está “numa posição muito, muito difícil para contratar gente de ponta em IA”, por conta da forma como lidou com a equipe anterior.

No último ano, vários cofundadores deixaram a empresa. Em fevereiro, Musk chegou a fundir a SpaceX com a xAI em um negócio que avaliou a companhia em US$ 1,25 trilhão. Já no trimestre encerrado em 31 de março, o segmento de IA da SpaceX — que inclui a xAI — registrou prejuízo operacional de US$ 2,5 bilhões.

A estrutura da empresa também entrou na mira de LeCun. Ele disse que a xAI mantém uma “infraestrutura enorme” que acaba sendo alugada para outras companhias “porque essa é a única forma de Musk recuperar os custos”. A referência é aos data centers Colossus 1 e Colossus 2, em Memphis. Google e Anthropic já usaram essa capacidade — o Google, inclusive, paga cerca de US$ 920 milhões por mês pelo acesso.

Bolha ou correção? Especialistas analisam futuro da IA e impacto no mercado global
Especialista alerta para possível “explosão de bolha” no mercado de inteligência artificial nos próximos anos. Imagem: royyimzy / iStock

O alerta sobre a “explosão de bolha”

LeCun fez um alerta mais amplo sobre o modelo financeiro das grandes empresas de IA. “Os preços dos serviços de IA estão subindo, mas o custo de rodá-los está caindo, só que não na velocidade necessária. Então todas essas empresas estão perdendo dinheiro, e o uso para a maioria das pessoas é financiado pelos investidores. Isso não pode continuar por muito tempo”, disse ele.

Na avaliação do pesquisador, o setor deve acabar ajustando a rota. “Ou vão aumentar os preços, ou cortar custos, ou vai haver uma grande explosão de bolha”, afirmou. O tema ganhou ainda mais força em meio ao aumento da pressão sobre os gastos com IA. O CEO da OpenAI, Sam Altman, teria comentado recentemente que os custos do setor são “um problema enorme” e que as empresas estão constantemente discutindo quanto estão investindo na tecnologia.

Analista trabalhando com relatório financeiro e painel de análise de negócios em laptop para examinar dados financeiros com KPIs e métricas.
“Isso não pode continuar por muito tempo”, diz LeCun sobre o modelo econômico das empresas de inteligência artificial. Imagem: NicoElNino/Shutterstock

A aposta em “modelos de mundo”

LeCun costuma criticar as limitações dos grandes modelos de linguagem (LLMs), base da geração atual dos principais produtos de IA. Esses sistemas aprendem padrões de linguagem para prever o próximo elemento de uma sequência — o que os torna úteis em tarefas como programação e matemática.

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Mas ele defende outra direção: os chamados “modelos de mundo”. A ideia é criar sistemas capazes de entender como o mundo funciona de forma mais ampla, com noções de objetos, causa, efeito e ações.

“Pessoalmente, não acho que vamos ter sistemas agênticos generalizados e confiáveis até que eles sejam baseados em modelos de mundo”, afirmou. Ao mesmo tempo, ele reconhece que os LLMs têm aplicações práticas, embora ressalte que “o custo de rodar esses sistemas com esse nível de desempenho é alto demais em relação ao que os usuários estão dispostos a pagar”.

A AMI Labs levantou US$ 1 bilhão em uma rodada de financiamento em março para trabalhar em modelos de mundo, o que resultou em uma avaliação pré-investimento de US$ 3,5 bilhões.

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